segunda-feira, 9 de março de 2009

O Estado Palestino Democrático e a Solução para o conflito

Jadallah Safa

O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina. Esta resolução obteve apoio do imperialismo britânico através da Declaração de Balfour que consentiu ao movimento sionista o direito para a criação do Estado Sionista de Israel sob o território árabe palestino. Este apoio se concretizou na facilitação da emigração judaica para a Palestina. As flexibilidades concedidas aos judeus na Palestina por parte dos britânicos, geraram confrontos entre palestinos e colonos judeus sendo estes últimos apoiados e armados pelo Reino Unido. A viabilização do Estado de Israel foi legitimado pela da Organização das Nações Unidas – ONU através da Resolução 181 de 1947, que designou a partilha do território da Palestina para a criação de dois Estados, desconsiderando os legítimos direitos do povo palestino. Esta Resolução levou a expulsão dos palestinos de seus lares e de suas terras , liberando o território para a consolidação do Estado de Israel.

A Resolução da Partilha da Palestina é uma farsa, pois consolidou a criação apenas do Estado de Israel e não garantiu a permanência do Estado árabe Palestino. Israel é um Estado expansionista e sua formação foi uma declaração da guerra contra o povo árabe e palestino na região, causou massacres, expulsões, crimes de guerra, sofrimentos, tragédias, seis guerras: 1948, 1956, 1967, 1973, 1982, 2006 e muito sangue derramado. As resoluções da ONU e outras iniciativas mundiais e árabes para estabelecer a paz na região não tiveram sucesso porque o Estado Sionista de Israel é um Estado Militar e não vive sem guerras.
A postura do povo palestino sempre foi de lutar pelos seus direitos e denunciar barbáries e violências cometidas pelo Estado de Israel. Essa heróica luta de resistência ecoou na ONU e esta acabou reconhecendo os direitos inalienáveis do povo palestino, este reconhecimento é considerado um passo muito importante para a luta do povo palestino e para estabelecer a paz na região.

Durante mais de sessenta anos de conflito, o Estado Sionista de Israel fez muitos aliados, sendo o imperialismo americano o seu mais forte parceiro. As guerras que acontecem na região são alimentadas pela rede sionista e pelo imperialismo americano. Além das guerras eles desenvolvem fatos, mídias , argumentos, maquiando os reais motivos dos conflitos, enganando a opinião mundial. Distorcem o verdadeiro conflito de terras descrevendo-os como religiosos, fundamentalistas etc... São 60 anos de invasões, saques e desrespeito as resoluções das instituições mundiais, negando os direitos históricos dos palestinos que vivem naquela terra a mais de 5000 anos, desde os Cananeus.

Conforme as últimas estatísticas palestinas e israelenses, apontam de que 5.400.000 judeus e 5.200.000 palestinos vivem em uma área de 27000 Km2. Existem cerca de 6 milhões de palestinos refugiados, espalhados em diversos países, a maioria encontram-se em campos de refugiados nos paises árabes vizinhos. Em Israel, 20% dos residentes são palestinos.
A visão israelense sobre o conflito na região leva em consideração a superpopulação. Para os dirigentes de Israel, a densidade demográfica e o crescimento da população palestina são a pauta do dia. Os 1,2 milhões de palestinos que vivem em Israel e a densidade demográfica da Cisjordânia e da Faixa de Gaza são considerado um perigo e uma ameaça ao Estado Sionista de Israel. A importância de eliminar este número tão elevado de palestinos obrigou o Estado a pensar seriamente em discutir a forma de se “livrar da população palestina”. A construção do muro do Apartheid é uma política para isolar a população palestina. É notório a adoção da política de isolamento quando Israel tomou medidas para isolar a Faixa de Gaza da Cisjordânia, quando impediu a comunicação entre as duas regiões palestinas.


A densidade populacional da Palestina histórica em 1948 era cerca de 73 pessoas / km 2 de árabes e judeus, e cerca de 389 pessoas / km 2 em 2007. No final de 2007 a superpopulação nos territórios palestinos chegou, aproximadamente, 625 pessoas / km 2, na Cisjordânia 415 pessoas / km 2, e 3,881 pessoas / km 2 na Faixa de Gaza. Isso significa que a Faixa de Gaza é o território mais povoado do mundo, tanto no território ocupado, como nos território árabe palestino, atingindo a superpopulação no ano de 2007 aproximadamente 317 pessoas / km 2 entre árabes e judeus.*

A solução no ponto de vista israelense sobre o conflito é praticar uma limpeza étnica através da expulsão do povo palestino para os países árabes vizinhos, esta solução que tem apoio de Estados Unidos. Os governos dos países árabes do entorno estão preocupados com a expulsão dos palestinos, pois pode gerar possíveis guerras étnicas e religiosas, bem como comprometer a qualidade de vida destes refugiados.

A emergência da situação nos leva a contribuir para encontrar uma solução justa que garanta os direitos do povo palestino. Para todas as partes viver em segurança e paz, nasce a importância de estabelecer um Estado palestino democrático laico, convivendo árabes e judeus, sendo eles cristãos, muçulmanos, judeus, drusus, ateus... com igualdade de direitos e deveres.

A humanidade, os povos, os governos e instituições internacionais devem defender o direito do povo palestino de viver em paz na sua Pátria. É preciso impedir as tentativas de limpeza étnica praticada por Israel contra o povo palestino. É necessário somar esforços para garantir o retorno do povo palestino para seus lares. É o momento de construir o Estado Palestino, onde os cristãos, muçulmanos, judeus, através da autodeterminação, possam construir um Estado democrático, laico, com justiça social e igualdade de direitos e deveres. Esta é a nossa resposta para a situação atual, pois as guerras só trazem desolação e destruição.


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* Palestinian Central Bureau of Statistics

domingo, 8 de março de 2009

A PALESTINA

por Stela

Na Palestina ocupada, nossas vidas e a vida de nossos filhos e companheiros não valem nada. Somos tratados como cães aprisionados em muros, com cotas de água e comida, sem direito a saúde, educação, trabalho e respeito.

Na Palestina ocupada por Israel, nossas casas são violentadas todos os dias pelos soldados do exército israelita que entram sem pedir licença, roubam os objetos de valor, levam presos ou assassinam nossos jovens filhos e em seguida, destroem nossas casas.

Na Palestina ocupada pelos sionistas, pela força nos arrancam nossas férteis terras, nossas oliveiras e nossa reserva natural de água, e para que tenham certeza da apropriação do nosso território, constroem um enorme muro, o muro da vergonha.

Na Palestina ocupada pelo sionismo neonazista, expulsos de nossas casas e terras, somos obrigados a viver amontoados em guetos, cujas condições sub-humanas nos humilha diariamente. E, onde os helicópteros sionistas sobrevoam a noite atirando e assassinando nosso povo a esmo.

Na Palestina ocupada pelo Estado Sionista de Israel, não podemos ir para o hospital quando estamos doentes ou vamos parir nossos filhos. O exército de Israel não nos deixa passar! Os assassinos sionistas querem a morte de nossos úteros, para que não nasçam mais palestinos na Palestina.

Hoje, Israel ocupa e controla 95% das terras Palestinas. Terras que no passado não muito distante, abrigavam centenas de cidades e vilas palestinas e que foram, desde a divisão da Palestina e a formação do estado sionista, arrasadas, lavadas com sangue dos palestinos, deixada sob escombro, apagadas do mapa.

Nos territórios da Palestina, os sionistas constroem um Estado Colonial Racista, sob um forte regime fascista, no qual para se ter direitos políticos ou sociais garantidos, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do estado de Israel. E somente os que conseguem provar a ascendência judaica até a quarta geração pode, por lei, possuir as terras Palestinas usurpadas.

O Holocausto Palestino, a invasão ao Afeganistão e ao Iraque é parte da estratégia americana e israelita de colonização do Oriente Médio, que tem como central o domínio da área mais rica em petróleo do mundo.

Queremos que o mundo inteiro escute nossos lamentos e denuncias, mas sobretudo queremos afirmar que continuaremos lutando lado a lado com nossos homens e nossos filhos pela libertação da Palestina.
Resistiremos até a Vitória !

Viva a resistência Palestina!
Palestina Livre !
Pelo fim do Estado Racista de Israel !

quarta-feira, 4 de março de 2009

Declaração Anunciada sobre os Trabalhos da Quarta Conferência do Diálogo Nacional Palestino

Traduzido por Bárbara C Galvão

Em resposta a digna convocação da irmã República Árabe do Egito y sob a proteção do presidente Mohammad Hosni Mubarak, tiveram lugar no Cairo as reuniões do diálogo nacional palestino com a participação das organizações do acionar nacional e islâmicas e várias personalidades palestinas independentes, com o objetivo de por fim a divisão, recuperar a unidade nacional e reconstruir as instituições palestinas e, em primeiro lugar, as instituições da OLP e a Autoridade Nacional sobre bases nacionais e democráticas unitárias.

Os participantes acordaram o seguinte

Primeiro: apreciar o papel egípcio de perseverança, patrocínio e convocatória ao diálogo nacional palestino.

Segundo: a ratificação de iniciar este diálogo sinaliza que nosso povo virará a página de um doloroso passado, caracterizado por uma divisão sofrida por todos e dará começo a marcha reconciliadora para a sólida unidade nacional.
Terceiro: criar as seguintes 5 comissões de diálogo:

1- A comissão do governo com o objetivo de formar un governo de reconciliação nacional
2- A comissão de segurança para garantir a construção dos aparatos de segurança sobre bases profissionais não partidaristas, em virtude da declaração do Cairo e o Documento de Reconciliação Nacional.
3- A comissão da OLP com o fim de desenvolver, ativar e reconstruir suas instituições em virtude da declaração do Cairo e o Documento de Reconciliação Nacional.
4- A comissão das eleições com o objetivo de realizar a eleição presidencial e legislativa que não ultrapasse o prazo fixado pela lei.
5- A comissão da reconciliação que consolide a cultura da tolerância, a democracia, os valores de mútuo respeito e proíba os enfrentamentos internos.
Quarto: criar o comitê supremo de orientação.
Para todas estas comissões se nomearam representantes das organizações e personalidades nacionais independentes, além disso se alcançou o entendimento sobre o marco geral das tarefas e os mecanismos de seu trabalho, também foi acordado que as tarefas de todas as comissões devem começar o próximo 10 de março e terminar antes do fim do mesmo mês. Quinto: começar imediatamente a libertar os presos políticos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e deter todo tipo de perseguição, violações dos direitos e das liberdades democráticas. Além disso foi acordado deter as mútuas campanhas midiáticas e dar-lhe seguimento segundo mecanismos que foram estipulados.
Esta reunião se realizou devido a necessidade nacional de responder de forma responsável aos desejos e anseios de nosso povo, sua resistência e firmeza, postas em evidência no enfrentamento à criminal agressão israelense contra a Faixa de Gaza e na constante investida na ocupada Cisjordânia, também dentro do marco da luta comum para resistir a todo tipo de ampliação colonialista, os planos de judaizarão e o bloqueio imposto sobre nosso povo que por sua vez favorece o rápido levantamento do mesmo, a abertura dos pontos fronteiriços e a reconstrução na Faixa de Gaza.

Saudações a nosso povo perseverante, resistente e firme!
Glória aos mártires!
Liberdade para nossos heróis prisioneiros!
Saúde imediata para nossos feridos
O Cairo
26 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

ANISTIA INTERNACIONAL exige que EUA não venda armas a Israel

Mísseis "Hellfire" e armas que disparam bombas de fósforo branco foram usados em ataques "não-discriminados" contra civis em Gaza, diz hoje a Anistia Internacional Rory McCarthy (de Jerusalém), The Guardian, UK, 23/2/2009

23/2/2009 – Já há evidência detalhadas de que Israel usou extensivamente, na guerra de Gaza, armamento fabricado pelos EUA, incluindo bombas de fósforo branco, bombas de quase 300 kg e mísseis "Hellfire".

Em relatório distribuído hoje, a Anistia Internacional lista as armas e pede embargo imediato contra Israel e os grupos armados na Palestina. E pede que o presidente dos EUA, Barack Obama, suspenda qualquer ajuda militar a Israel.

O grupo de direitos humanos disse que os que vendem armas aos dois lados em conflito "conhecem muito bem o resultado do mau uso repetido de armas e devem ser responsabilizados pela violações já comprovadas ".

Já há muito tempo, os EUA são o principal fornecedor de armas para Israel; por acordo com vigência de dez anos, negociado durante o governo Bush, os EUA comprometeram-se a vender armas no valor total de 30 bilhões de dólares, sob contratos de assistência militar.

"Como principal fornecedor de armas a Israel, os EUA têm especial responsabilidade no movimento para suspender a venda de armas que têm sido usadas em flagrantes violações da legislação de guerra e das leis que protegem os direitos humanos," disse Malcolm Smart, diretor do programa da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.

"Em larga medida, o ataque de Israel a Gaza foi executado com armamento, munição e equipamento militar vendido pelos EUA e foi financiado com dinheiro dos cidadãos contribuintes norte-americanos.

" Do outro lado, os militantes palestinos em Gaza armaram-se com "armamento não-sofisticado" e foguetes fabricados na Rússia, Iran e China, e comprado de "fontes clandestinas", disse Smart. Cerca de 1.300 palestinos foram mortos e houve mais de 4 mil feridos durante o conflito que durou três semanas. Israel teve 13 baixas, incluídos três civis. Para a Anistia Internacional, as forças armadas israelenses executaram "ataques diretos a civis, pessoas e prédios, desproporcionais e não-discriminados".

Autoridades israelenses criticaram o relatório e disseram que os militares só usaram armamento permitido pelas leis internacionais e que não atacaram intencionalmente qualquer alvo civil. A ministra dos Negócios Estrangeiros de Isral disse que seria "inadequado" comparar os fornecedores de armas de Israel e do Hamás.

"Envidamos todos os esforços para que nenhum civil fosse colhido no fogo cruzado entre Israel e o Hamás" – disse Mark Regev, porta-voz de Ehud Olmert, primeiro-ministro israelense. "O relatório ignora o fato de que o Hamás usa deliberadamente civis palestinos como escudo humano."

[...] Investigadores da Anistia Internacional recolheram vários fragmentos de munição em Gaza, depois dos combates. Um deles, de bomba de quase 300kg, de tipo Mark-82 teleguiada, com inscrições que comprovam que foi fabricada pela empresa norte-americana Raytheon. Também encontraram fragmentos de bombas de fósforo, identificados com "M825 A1".

Dia 15/1, várias bombas de fósforo lançadas pela artilharia de Israel atingiram as instalações da Agência de Assistência Humanitária da ONU na cidade de Gaza, destruindo remédios, alimentos e instalações. Um dos fragmentos recolhidos nesse local indica que a bomba foi fabricada pela empresa Pine Bluff Arsenal, instalada no Arkansas, em outubro de 1991.

A Anistia Internacional denunciou que o exército militar usou bombas de fósforo em áreas civis densamente povoadas, o que caracteriza ataque contra alvos indiscriminados e crime de guerra. Os investigadores da Anistia Internacional encontraram fósforo ainda em ignição em áreas residenciais, dias depois do cessar-fogo.


No local onde um ataque israelense matou três paramédicos palestinos e um menino na cidade de Gaza, dia 4/1, a Anistia recolheu fragmentos de um míssil AGM114 Hellfire, fabricado pela empresa Hellfire Systems, de Orlando, empresa resultante de uma fusão entre as empresas Lockheed Martin e Boeing. Esse míssil é munição padrão dos helicópteros Apache.

A Anistia informa ter encontrado evidências de um novo tipo de míssil, aparentemente teleguiado, que explode em muitos fragmentos que são "pequenos cubos de metal, com arestas afiadas, com lados entre 2 e 4 mm²".

"Parecem projetados para causar o máximo possível de ferimentos. Muitos civis foram mortos por esse tipo de arma, entre os quais muitas crianças" – disse a Anistia.

Os foguetes palestinos eram de tipo Grad, 122 mm; ou Qassam, fabricados na Palestina, e arma improvisada de artilharia, sem cabeça explosiva, ou com espoleta feita de adubo químico e carregada com pregos e fragmentos de metal.

O arsenal dos palestinos tem "muito pequena escala, se comparado ao arsenal israelense", diz o relatório, que acrescenta que o armamento usado pelo Hizbóllah na guerra do Líbano em 2006 "não está ao alcance dos grupos da resistência na Palestina".

Israel, armado para a guerra

Os mísseis teleguiados israelenses são disparados dos helicópteros armados com lança - mísseis de 120 mm e mísseis Hellfire. Bombas maiores, guiadas a laser e outras são disparados dos jatos F-16. Também se usaram armas de lançamento de bombas de fósforo de 155 mm de fabricação norte-americana e israelense, que iluminam a área atacada, lançadas de pára-quedas. Houve muitas mortes provocadas por dardos de metal ("flechettes", de 4cm de comprimento, lançadas como bombas de fragmentação, de 120mm, disparadas de tanques).


O relatório "Fuelling conflict: Foreign arms supplies to Israel/Gaza", distribuído hoje, 23/2/2009, da AI (em inglês), pode ser lido em:

MANIFESTO DA FRENTE DE DEFESA DO POVO PALESTINO (FDPP)

INSTRUMENTO DA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

Como resultado das manifestações em defesa do povo palestino e em particular contra o cerco econômico e humanitário e o massacre que o Estado de Israel promove em Gaza e contra o Hamas, seu governo legitimamente eleito, nós, brasileiras e brasileiros, nos reunimos a partir de diversas organizações dos movimentos populares, sindical, estudantil, de mulheres, de direitos humanos, além de partidos políticos, entidades da comunidade árabe-palestina laicas e religiosas, para dar uma demonstração de força e unidade diante de mais essa agressão contra o povo palestino.
Mais do que palavras de solidariedade, nosso objetivo é fortalecer esse amplo movimento nacional e internacional de luta contra a ocupação israelense e por uma Palestina laica, independente e democrática.

REINVINDICAMOS:

- A RETIRADA IMEDIATA DAS TROPAS ISRAELENSES DE GAZA
- O FIM DO CERCO Á FAIXA DE GAZA
- LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS PALESTINOS
- A NÃO-RATIFICAÇÃO DO TRATADO DE LIVRE COMÉRCIO MERCOSUL-ISRAEL
- A RUPTURA DE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM ISRAEL, COMEÇANDO PELA EXPULSÃO DO EMBAIXADOR ISRAELENSE
- O BOICOTE AOS PRODUTOS DE EMPRESAS QUE SUSTENTAM A OCUPAÇÃO DA PALESTINA POR ISRAEL

SOMOS TOD@S PALESTIN@S!
FRENTE DE DEFESA DO POVO PALESTINO-FDPP

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tribunal internacional declara Israel culpado por crimes de genocídio

Adital - O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 de fevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de dezembro de 2008 e duraram 22 dias, matando mais de 450 crianças. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países do mundo, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia,denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense.
Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.


O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.


"É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.


Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.


O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.
A sentença na íntegra pode ser acessada em: www.calameo.com/viewer.swf?bkcode=00001604142f6507ebaac&langid=en

MOÇÃO DE REPÚDIO À DESTRUIÇÃO DA UNIVERSIDADE ISLÂMICA DE GAZA


Os delegados ao 28º CONGRESSO do ANDES-SN, realizado em Pelotas RS, de 10 a 16 de fevereiro de 2009, repudiam o ataque selvagem do Estado de Israel contra opovo palestino que habita a Faixa de Gaza, ataque que vitimouindiscriminadamente a população de um milhão e meio de pessoas daqueleestreito território cercado e oprimido.
Repudiam a destruição de escolas,estradas, hospitais, de toda a infraestrutura essencial à sobrevivência de umpovo expropriado e oprimido ao longo das últimas seis décadas.
Repudiam,especialmente, a destruição da Universidade Islâmica de Gaza, único centrode educação superior naquele território. Essa destruição proposital tornaevidente que o objetivo real do ataque, para além de seu pretextocircunstancial, é o de implementar uma solução final consistente naeliminação da nação, do povo e da cultura palestina, em todas as suasexpressões.

Pelotas-RS, 16 de fevereiro de 2009.

MOÇÃO DE REPÚDIO AO MASSACRE DA FAIXA DE GAZA

Os delegados ao 28º CONGRESSO do ANDES?SN, realizado em Pelotas, de 10 a 16 defevereiro de 2009, manifestam solidariedade ao povo palestino, vitimado pelohediondo massacre perpetrado pelo Estado de Israel na faixa de Gaza.
Os bombardeios lançados contra a população civil, o temor e o cativeiro aque o povo palestino vem sendo submetido por Israel e toda a devastaçãorealizada pelo exército israelense constituem um verdadeiro crime de guerracontra a humanidade.

É inaceitável que o genocídio se torne, mais uma vez, política de Estado eque ao povo palestino sejam sistematicamente negados os direitos humanos maiselementares, assim como é inadmissível que a guerra imperialista de Israelcontra o povo palestino prossiga impunemente.

Toda a solidariedade à heróica resistência do povo palestino, hoje símbolomaior da luta anti-imperialista.

Todo apoio aos povos oprimidos, em defesa da sua liberdade eautodeterminação.

Pelotas-RS, 16 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Israel, de novo, ocupa terras na Cisjordânia

Por Zé Dirceu
Ocupou 1,7 Km2 para construir 2.500 casas. Ocupa contra...
Ocupou 1,7 Km2 para construir 2.500 casas. Ocupa contra tudo e contra todos. Contra a legislação internacional, contra as decisões da Organização das Nações Unidas (ONU), contra seus próprios compromissos com os Estados Unidos.

Quer dizer, ocupa contra o país (EUA) que financia e garante a sobrevivência da máquina de guerra de Israel e de sua política expansionista - isso para dizer o mínimo, para não dizer política de destruição da economia e do povo palestino, da Palestina.

Mais grave: o já conhecido direitista e militarista, Binyamin Netanyahu, que toda a comunidade internacional conhece, declarou que não irá desocupar terras em seu governo. Ou seja, faz uma provocação direta a todos os palestinos e árabes, um chamado à guerra.
Binyamin Netanyahu é considerado favorito ao posto de 1º ministro de Israel desde as eleições de uma semana atrás.

Quem defenderá o povo palestino? Quem fará manifestos em defesa do sagrado direito a autodeterminação desse povo e a uma pátria, como Israel tem? Quem, se não eles mesmos, o povo palestino?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Palestra: A Questão Palestina - O que muda depois da Invasão a Gaza?

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino. convida todos os simpatizantes da causa palestina para a palestra ( A Questão Palestina - O que muda depois da Invasão a Gaza?
Palestrantes:
Khader Othman - representante da Comunidade Árabe-Palestina de Florianópolis;
Fawzi El Mashini - ex-Embaixador da Palestina no México e representante da Comunidade Árabe-Palestina de Tubarão;
Nildomar Freire - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

organização: FECESC
Dia: 18 de fevereiro - Quarta-feira
Hora: 14 horas
Local: FECESC - Federação dos Trabalhadores no Comércio no Estado de Santa Catarina
Av. Mauro Ramos 1624 - na frente do "Banco Redondo" - Centro - Florianópolis/SC
“Buscar a verdade é dizê-la”
Jean Jaurés

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Quem tem medo de Liberman?

Por Georges Bourdoukan - Jornalista e escritor

A mídia internacional está preocupada com Avigdor Liberman.

Avigdor Liberman é o batráquio em cujas mãos está o destino de Israel.

Isso é o que a mídia e seus girinos que dominam a emprensa entoam.

E por que eles temem liberman?

Por que ele é racista, respondem.

Por que com ele não haverá diálogo com os palestinos.

Por que com ele "os assentamentos" ( roubos de terras palestinas) vão ser ampliados.

É cínica essa mídia, onde proliferam os girinos.

Quando é que houve um governante israelense que não fosse racista?

Quando é que um governante israelense dialogou honestamente com os palestinos?

Quando é que um governante israelense se preocupou, de fato, com o roubo de terras palestinas?Há 60 anos que os palestinos sofrem sob as patas dos colonizadores.

E agora a mídia se diz preocupada com esse êmulo de Hitler?

O que essa mídia diz sobre o cerco a Gaza?

Sim! Gaza continua cercada.

Gaza continua um campo de concentração.

Nada mudou para os palestinos e nem vai mudar seja qual for o governante israelense.

E eu não sou daqueles que apreciam "quanto pior melhor".

Não, não!

Eu me baseio em fatos históricos e não em manipulação midiática.

E os fatos históricos demonstram que, pelo menos nos próximos anos, não há a mínima possibilidade da existência de um Estado Palestino ao lado de um estado israelense racista.

E, infelizmente, israel sempre será um estado racista enquanto for um "estado judeu"ou "de judeus".

No meu entender, a única possibilidade de convivência harmoniosa entre palestinos e israelenses é sob um estado único, laico e democrático.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NOTA DO DCE_UERJ SOBRE OS ATAQUES EM GAZA

Entre os dias 27/12/2008 e 18/01/2009, o mundo observou mais um capítulo lamentável da demonstração de força do exército israelense sobre o povo palestino na Faixa de Gaza.

Com uma força desprorpocional e a utilização de armas não-convencionais, as ações militares de Israel deixaram um rastro de destruição e terror com um saldo de 1415 assassinados e 5300 feridos. 70% dos mortos eram civis, um terço crianças (dados oficiais divulgados).

Desde a retirada dos colonos israelenses da Faixa de Gaza, o aumento do bloqueio a esta região pelas forças militares de Israel tornou as condições de vida para a população uma difícil questão humanitária. Faltam alimentos, remédios, água, energia e emprego.

Acreditamos que a legitimidade da resistência de qualquer povo na construção da sua autodeterminação e disposição de luta contra o colonizador deve receber nossa solidariedade. Da mesma forma, o povo israelense não pode esquecer da sua própria história, pois também foi vítima de uma política genocída de estado implementada pelo regime nazista.

Desta forma, o Diretório Central dos Estudantes da UERJ condena os ataques militares israelenses ao povo palestino, assim como a ocupação de seu território na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e exige que as ações militares de Israel sejam investigadas pela comunidade internacional.

DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES DA UERJ

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A excepcionalidade às avessas de Israel

por Shahid Alam M. Shahid Alam, Dissident Voice, 10/2/2009

M. Shahid Alam é professor de Economia na Northeastern University.

É autor de Challenging the New Orientalism (2007). Recebe e-mails em alqalam02760@yahoo.com


Os que criticam o sionismo e Israel – inclusive alguns israelenses – têm chamado atenção para o conceito de excepcionalismo às avessas, que ajuda a ver uma Israel aberrante, que viola normas e leis internacionais e continua praticamente impune; que pratica abuso sistemático de Direitos Humanos; que inventa guerras quando bem entende; e que expandiu seu território mediante guerra de conquista. Não cabe aqui uma lista exaustiva desses traços da excepcionalidade às avessas de Israel, mas podem-se anotar alguns, que mais chamam atenção.

Como poder colonizador, Israel não é única, na história da expansão européia além-mar: mas é única, sim, nos séculos 20 e 21. Desde o século 16, os europeus implantam colônias de exclusão na América, Austrália, Nova Zelândia – dentre outros locais –, onde colonos brancos deslocaram e em vários casos exterminaram populações nativas, para recriar sociedades à imagem do mundo europeu que os colonizadores abandonaram. Ao final do século 19, contudo, esse expansionismo europeu genocida já estava perdendo força, em grande parte porque restavam no planeta poucas sociedades neolíticas sobreviventes, que os colonos brancos pudessem exterminar facilmente. Na África e na Ásia tropicais, o clima e os agentes patogênicos não pareceram atraentes aos colonos europeus.

A decisão dos sionistas, em 1897, de estabelecer um Estado colonial de exclusão na Palestina, foi uma excepcionalidade, na direção oposta àquela tendência histórica. Em 1948, cerca de 50 anos depois, judeus europeus colonizadores criariam ainda o único Estado, no século 20, constituído por princípios de conquista e limpeza étnica. Israel também é o único Estado colonial de exclusão que europeus modernos instalaram, não no novo, mas no Velho Mundo.

Em Israel, além do mais, o colonialismo de exclusão não tem qualquer raiz histórica no passado dos judeus. Depois da vitória na guerra de junho de 1967, os israelenses decidiram ampliar seu projeto colonial e acrescentar os territórios da Cisjordânia, de Gaza, do Sinai e as colinas de Golan. Em tempos mais recentes, o ímpeto de limpeza étnica massiva contra os palestinos nativos dos 'Territórios Ocupados' – e também dentro da fronteiras israelenses de antes de 1967 – extrapolou os setores extremistas da direita israelense e passou a ser tendência dominante na política de Israel.

Muito provavelmente, Israel é o único Estado, no planeta, que insiste em definir a cidadania sem qualquer referência ao território e à geografia.

Por um lado, Israel continua a negar aos refugiados o direito de retornarem – e nega, portanto, direitos de cidadania a milhões de palestinos, os quais (os que vivam hoje e seus pais e avós e parentes mortos) foram expulsos de seus territórios nativos em duas grandes ondas de limpeza étnica, desde 1948. Ao mesmo tempo, por efeito da "Lei do Retorno", Israel garante cidadania instantânea e automática a judeus, filhos de judeus e judeus conversos.

Nos termos dessa lei, como resume Mazin Qumsiyeh, "nenhum judeu 'emigra' para Israel: os judeus (inclusive os conversos) 'retornam' (o que explica o nome da lei)." Não bastasse, os judeus 'retornados' recebem apoio generoso do Estado, a partir do momento em que pisam em Israel. Em palavras claras, Israel inverteu os direitos de residência e cidadania internacionalmente reconhecidos; e nega esses direitos aos que os têm por nascimento e territorialidade, ao mesmo tempo em que os dá generosamente a quem os reclame baseado em mitos religiosos.

Nos anos recentes, cada vez mais se ouvem denúncias contra Israel por praticar discriminação legal contra os palestinos. Essa discriminação é ampla, geral e irrestrita nos 'Territórios Ocupados' nos quais Israel constrói colônias só para judeus, interligadas com o território israelense de antes de 1967 por estradas segregacionistas exclusivas para judeus.

Desde junho de 1967, os palestinos que vivem nesses territórios têm sofrido sob regime de ocupação militar, que dá menos atenção aos direitos humanos que o regime do apartheid sul-africano.

Recentemente, um ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, teve a coragem de denunciar o regime de apartheid nos 'Territórios Ocupados' no título de livro, Palestine: Peace not apartheid. Imediatamente a mídia dominante nos EUA – controlada por censores sionistas – pôs-se a atacar selvagemente o presidente Carter por ter pronunciado a palavra impronunciável. Não poucas carreiras políticas e acadêmicas, nos EUA, tiveram vida curta e fim rápido por menos que isso. Mas Jimmy Carter, ex-presidente e octogenário, tinha pouco a perder e nada perdeu.

Mas também dentro das fronteiras de 1967, Israel alocou direitos por critérios raciais e étnicos. Antes de 1966, os palestinos em Israel eram governados por lei marcial, que limitava gravemente seus direitos civis e políticos, inclusive o direito de ir e vir, de ter jornais, de organizar manifestações públicas e de constituir partidos políticos.

Desde a fundação, Israel mantém atrelados os critérios de etnicidade e de políticas para migrantes. Pela lei israelense, a terra é propriedade do povo judeu; o direito de propriedade é gerido, em nome do povo judeu, por um "Jewish National Fund" (JNF), organização para-governamental. Israel nacionalizou todas as terras dos palestinos expulsos em 1948 e, dali em diante, continua a expropriar propriedade dos palestinos mediante várias medidas arbitrárias. Resultado disso, o JNF é proprietário, hoje, de 93% de toda a terra de Israel conforme a lei de antes de 1967. Pois mesmo assim, apesar da ousadia, o presidente Carter não se atreveu a denunciar o regime de apartheid também na Israel de antes de 1967.

Israel é o único país do mundo que se recusa a demarcar as próprias fronteiras. As fronteiras de facto andam de um lado para outro com frequência impressionante. Primeiro, a linha do armistício de 1948 demarcou as fronteiras de Israel; mas depois a fronteira foi 'empurrada' para adiante, em 1956, 1967 e 1982 – sempre por ação de guerra, conquista e ocupação. Raras vezes Israel teve de retirar-se de território ocupado militarmente: retirou-se do Sinai em 1957, outra vez do Sinai em 1978, do sul do Líbano em maio de 2000 e outra vez do sul do Líbano em agosto de 2006. Além disso, desde o Acordo de Oslo de 1993, Israel demarcou um novo conjunto de 'fronteiras' internas, dentro da Cisjordânia, para conter e neutralizar a resistência palestina, num conjunto regulado de bantustões.

Se Israel ainda não alcançou nem ultrapassou as fronteiras do mítico reino de Davi, não foi por falta de ambição. A barreira é demográfica. Para avançar além das fronteiras atuais, Israel precisa de maior número de colonos judeus interessados em correr os riscos da colonização. Felizmente para os árabes, não há grande oferta de colonos hoje no mundo – o suprimento é hoje tão pequeno quanto já foi, antes da ascensão dos nazistas na Alemanha.

Se Israel tivesse conseguido atrair 5 milhões de colonos judeus depois de 1967, o Sinai estaria até hoje sob ocupação; e as fronteiras israelenses teriam avançado, no norte, até o rio Litani e, rumo leste, teriam ultrapassado o rio Jordão. Sorte dos árabes. O expansionismo israelense foi contido pelos baixos números da demografia dos judeus. Isso pode mudar depressa, contudo, se Israel decidir suavizar as exigências para a conversão ao judaísmo. Milhões de judeus conversos, de todos os países pobres do mundo, atraídos pela promessa de uma 'vida melhor', poderiam, então criar ondas gigantescas de migração, interessados nas vantagens da "Lei do Retorno".

Artigo original, em inglês, em:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

CARTA DO COMITÊ GAÚCHO DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO

Em 1947 o Conselho de Segurança da ONU aprovou a partilha que dividiu a histórica Palestina em dois estados (Israel e Palestina).
Quase 800 mil palestinos foram expulsos de forma brutal e sangrenta de suas terras, vilas e lares. Sessenta anos após, o povo palestino continua resistindo à ocupação israelita-sionista. Mesmo condenado a sobreviver em campos de concentração dentro de 17,2% do que lhes restou de suas terras, ou a ser cidadãos de segunda categoria dentro das fronteiras de Israel.

O que acontece na Palestina?

A nação palestina sofre um verdadeiro regime de Apartheid: cidades cercadas por muros e arames farpados, mais de 600 postos de controle que impedem a livre circulação, servindo como instrumentos de castigo coletivo à população. A construção promovida por Israel de assentamentos ilegais, os mais de 10 mil presos políticos nos cárceres israelenses, a “ocidentalização” de Jerusalém Oriental, mostram que Israel ocupa a Palestina, militar, econômica e politicamente.

Quem são os Palestinos?

Os palestinos são aproximadamente nove milhões. Quatro milhões vivem na Jordânia, Síria, Líbano e outros paises árabes onde sobrevivem em campos de refugiados. Um milhão de palestinos encontra-se em diáspora nos mais diferentes países. Mais quatro milhões vivem nos territórios ocupados da Palestina, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Israel.

Os palestinos vivem sob a política segregacionista do governo de Israel, que detém o controle do fornecimento de água, eletricidade e combustíveis. A movimentação dos palestinos é severamente controlada por 600 barreiras militares, muro da vergonha com 700km de comprimento e 8m de altura, que corta e cerca a Palestina.

Israel controla todas as fronteiras não permitindo o retorno dos palestinos. A Faixa de Gaza é a área de maior densidade populacional do planeta, com cerca de quatro mil hab por quilômetro quadrado.

O massacre

Desde o dia 27 de dezembro de 2008, o exército de Israel vem promovendo um novo massacre. Não podemos chamar de guerra a esta carnificina, onde o quarto maior exército mundial executa indistintamente crianças e mulheres com o pífio argumento de que combate as forças do Hamas.

Esta agressão criminal é contra o povo palestino, suas casas, escolas, mesquitas, hospitais, crianças, mulheres e anciões.

Terrorismo, para Israel, é qualquer ato de resistência, é qualquer árabe que não se submeta aos ditames dos invasores.

As verdadeiras razões da barbárie

Às vésperas das eleições em Israel, o governo sionista lança os violentos ataques ao povo palestino com a intenção de promover eleitoralmente seus partidos às custas do sangue de inocentes. Ao mesmo tempo que busca, através da força, dividir a nação palestina e seus representantes, para impedir a criação de um Estado Palestino livre e soberano.

O Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino – RS convoca:

A todos os democratas do mundo a denunciar esta monstruosidade e combater, de todas as formas possíveis, as atrocidades do governo de Israel e seu comparsas imperialistas, os EUA, com sua política de dominação opressiva, massacrando povos do oriente médio, como Iraque, Afeganistão, Palestina, Líbano...

Pelos motivos expostos, exigimos:

1-FIM IMEDIATO DOS ATAQUES E AGRESSÕES AO POVO PALESTINO;

2-RETIRADA INCONDICIONAL DAS TROPAS ISRAELENSES E LEVANTAMENTO DO CERCO A GAZA;

3-ABERTURA DAS PASSAGENS PARA AJUDA HUMANITÁRIA;

4-FIM DA OCUPAÇÃO MILITAR DO TERRITÓRIO PALESTINO;

5-POR UM ESTADO PALESTINO LIVRE, LAICO, SOBERANO E VIAVÉL.

Entidades e personalidades participantes:

Federação Árabe-Palestina do Brasil (FEPAL), Centro Brasileiro de Defesa da Soberania dos Povos e Luta Pela Paz (CEBRAPAZ), Sociedade Árabe Palestina do RS, PSOL, PCdoB, PCB, PSTU, PT, Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes, Movimento Avançando Sindical, Juventude Avançando, Comitê pela Libertação da Palestina, União da Juventude Socialista, União da Juventude Comunista, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, União Brasileira dos Estudantes, Sociedade Palestina, SINDISPREV, SINDIPETRO, Sin. Metalúrgicos de Caxias do Sul, SEMAPI, CUT RS, CTB-RS, CONLUTAS RS, OAB RS, SINDIPETRO RS, Associação Cultural José Martí, Associação de Médicos e Amigos de Cuba, Deputada Federal Luciana Genro, Deputada Federal Manuela Dávila, Vereadora Fernanda Melchionna, Vereador Assis Melo, Vereador Pedro Ruas, Gab. Adão Villaverde, Gab. Marisa Formolo, Gab. Raul Carrion, Gab. Maria do Rosário, Gab. Dionilso Marcon, Gab. Adão Pretto, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, União das Associações de Moradores de Porto Alegre, Clube de Cultura, Sindicato dos Assistentes Sociais.

O fórum dos palestinos


Por Soraya Misleh


Realizado de 27 de janeiro a 1º de fevereiro, o Fórum Social Mundial desta vez foi dos indígenas, dos quilombolas, dos defensores da Amazônia, mas também dos palestinos. Organizações de mulheres, de trabalhadores, dos sem-terra e muitas outras incluíram a questão palestina em suas atividades. A despeito de dificuldades estruturais enfrentadas durante o fórum e da desconexão entre as iniciativas, os defensores dessa causa universal buscaram dar a essa luta o caráter amplo que tem, emplacando o lema "Somos todos palestinos".

Reunindo, conforme divulgado pelos organizadores, 135 mil participantes de diversas partes do mundo, o FSM tentou desta vez responder a antigo questionamento acerca de seu papel: firmado como um espaço de convergência e debates das lutas, não deveria, contudo, definir e extrair propostas concretas? Com esse mote, além de importante ponto de encontro da diversidade global, procurou concentrar no último dia os resultados das plenárias e reuniões específicas realizadas pelos vários movimentos em uma grande assembléia geral. Em favor dos palestinos, saíram algumas resoluções e linhas de ação. A principal delas é a definição do 30 de março como dia de solidariedade a esse povo que vive sob ocupação israelense há mais de 60 anos. A data integra calendário da Jornada Mundial de Luta contra a Crise e contra as Guerras, que ocorrerá de 28 de março a 4 de abril – conforme decisão dos participantes do FSM. Além de o período incluir o Dia da Terra palestino (30), dois outros fatos foram determinantes para sua escolha: a realização em Londres da reunião do G-20 – grupo das 20 principais economias mundiais – no dia 2 de abril, em que se discutirá o sistema financeiro internacional; e a passagem dos 60 anos de fundação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em 4 do mesmo mês. Criada em 1949, no início da Guerra Fria, sempre teve sua trajetória marcada por forte influência estadunidense. Na história recente, preocupa a ampliação de suas ações militaristas em especial no Afeganistão e no Iraque. Três datas, portanto, dignas dos protestos mundiais que os movimentos sociais querem gestar a partir do FSM.

Campanha por BDSN

O dia 30, além de botar o "bloco na rua", os ativistas terão a responsabilidade de lançar e fortalecer as campanhas pelo julgamento de Israel por crimes contra a humanidade e por BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) à potência ocupante. E, no caso brasileiro, contra a ratificação pelo Congresso Nacional do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre o Estado sionista e o Mercosul (Mercado Comum do Sul). Esse acordo já foi assinado pelos países integrantes desse bloco e chegou ao Parlamento brasileiro em 24 de outubro último. A luta agora é para barrar sua aprovação nesse espaço. Tal aval legitimaria a ocupação em curso. Inclusive porque o TLC abrangeria produtos de assentamentos ilegalmente instalados em territórios palestinos. Também não se pode admitir que qualquer governo firme tratado com um estado que desrespeita os direitos humanos e todas as convenções e leis internacionais, como é o caso de Israel, destacaram durante o FSM ativistas como Jamal Juma, do Stop the Wall. Segundo ele, desde as décadas de 70 e 80, a América Latina é das que mais dão apoio à luta pela independência dos palestinos. "Não dá para imaginar o Mercosul assinando esse TLC", complementou.

Quanto à campanha por BDS, atende a apelo feito pela sociedade civil palestina inicialmente em 2005, durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre. O primeiro chamado, disse o ativista, resultou na adesão de 171 representantes de todos os partidos e forças políticas palestinas, além de cidadãos na diáspora. Reafirmado nos anos seguintes, culminou com a formação de um comitê nacional, intitulado BNC (Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions National Committee). Esse é composto, de acordo com Juma, por 17 entidades representativas que atuam na Palestina. Portanto, constitui-se em espaço amplo de unidade no território ocupado da Cisjordânia. Assim, tem se tornado referência às lutas dos movimentos sociais ao redor do mundo. A campanha inclui, como explicou Juma, o boicote a produtos israelenses; o desinvestimento por parte de governos e instituições diversas, com o rompimento de contratos e acordos com empresas e mesmo universidades que apoiem a investida sionista; e sanções aos crimes contra a humanidade cometidos pela ocupação, a exemplo dos massacres ocorridos recentemente em Gaza.

Boicotar produtos de Israel, para os palestinos, não é novidade. A iniciativa antecede a nakba (catástrofe), como é designada a criação do Estado de Israel em 1948 por esses árabes. Juma especificou: "Começou na mesma época que na Índia (a partir dos anos 20, quando o líder Gandhi, na luta pela independência daquele país, iniciou uma campanha contra produtos ingleses, a qual inspirou ação semelhante que pôs fim à apartheid na África do Sul)." Agora, a expectativa é que ganhe o mundo. Afinal, como denunciou Juma, a segregação não foi deixada de lado no século XXI. Pelo contrário. Na Palestina, afirmou, esse sistema continua a se expandir. "Além dos assentamentos, de estradas exclusivas israelenses, o muro da apartheid (no território ocupado da Cisjordânia) é três vezes maior do que o de Berlim. Tem nove metros de altura e 700km de extensão." Nessa luta, o desafio será ainda vencer a guerra no campo midiático, que tem garantido aprovação da imensa maioria da população de Israel – 96% – às investidas criminosas do exército sionista, como a recente em Gaza.O Dia da TerraA data marca homenagem à resistência de palestinos que protestavam contra a ocupação de suas terras por Israel na Galiléia, no dia 30 de março de 1976. O exército israelense reprimiu violentamente a manifestação, atingindo de forma indiscriminada homens, mulheres e crianças. Como resultado, seis palestinos foram assassinados e centenas deles ficaram feridos ou foram presos.O Dia da Terra é simbolizado pela oliveira, árvore típica da costa mediterrânea, onde se situa o território ocupado. Por ocasião da sua passagem, neste ano, ativistas de todo o mundo ecoarão as vozes dos palestinos, por justiça.