quinta-feira, 19 de julho de 2018

Perdendo a Supremacia Militar: Miopia do Planejamento Estratégico dos EUA

5/7/2018, Resenha. The Saker, in Unz Review e The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
MARTYANOV, Andrei. Losing Military Supremacy: The Myopia of American Strategic Planning, [Perdendo a Supremacia Militar: a Miopia do Planejamento Estratégico nos EUA].
 
O fato de os EUA enfrentarem profunda crise, possivelmente a pior de sua história, já é aceito pela maioria dos observadores, exceto talvez os mais iludidos. Muitos norte-americanos sabem, sim, disso. De fato, se há alguma coisa com a qual concordam os que apoiaram Trump e os que o odeiam apaixonadamente, será que a eleição dele é prova clara de crise profunda (eu acrescentaria que a eleição de Obama, antes, também teve, como uma das principais causas, a mesmíssima crise sistêmica). 


Quando falam dessa crise, muita gente mencionará a desindustrialização, a queda na renda real, a falta de empregos bem remunerados, de serviços de saúde, o aumento no número de crimes, a imigração, a poluição, a educação e muitos outros fatores que contribuem. Mas de todos os aspectos do "sonho americano", o que resiste há mais tempo é o mito que reza que os militares norte-americanos seriam "a melhor força de combate de toda a história".

Nesse seu novo livro, Andrei Martyanov não apenas desbanca esse mito como, além disso, explica passo a passa a via pela qual o mito foi criado e por que, agora, está colapsando. Não é feito corriqueiro, especialmente num livro relativamente curto (225 páginas), muito bem escrito e acessível a todos, não só aos especialistas militares.

Martyanov constrói abordagem sistemática, passo a passo: primeiro, define poder militar; depois, explica de onde veio o mito da superioridade militar dos EUA e como a operação de reescrever a história da 2ª Guerra Mundial pelos olhos dos EUA resultou em completa confusão e incontáveis erros, especialmente nos altos escalões políticos, sobre a natureza da guerra moderna. Na sequência, discute o papel que a ideologia e a Guerra Fria desempenharam no processo de afastar da realidade, ainda mais, os líderes norte-americanos. Por fim, demonstra como uma mistura de narcisismo delirante e corrupção desenfreada resultou em militares norte-americanos capazes de queimar somas fenomenais de dinheiro na "defesa", ao mesmo tempo em que também resultou em força militar incapaz de vencer guerra alguma, seja qual for, a menos que o inimigo seja fraco e completamente sem qualquer defesa.



Não implica que os militares dos EUA não tenham combatido em muitas guerras e vencido. Combateram e venceram, mas, nas palavras de Martyanov:



"Com certeza, quando os EUA combateram contra adversário de 3ª categoria, era possível fazerem chover morte dos céus e depois atropelar em solo as forças inimigas, se restasse alguma coisa depois da chuva, sempre quase sem dificuldades e com poucas baixas. Funcionará também no futuro, contra aquele tipo de adversário – semelhante em tamanho e tão frágil como forças iraquianas à altura de 2003. Mas a Doutrina Ledeen tem uma grande falha: nenhum adulto pode continuar no pátio de casa brigando só com criancinhas e fingindo que vencerá qualquer briga com adultos."


O principal problema dos EUA hoje é que restam pouquíssimos daqueles adversários de 3ª categoria, e os que os EUA tentam hoje submeter já são páreo ou quase páreo. Martyanov lista especificamente os fatores que tornam os adversários de hoje tão diferentes dos que os EUA enfrentaram no passado:



1.      Os adversários de hoje têm capacidades para comando, controle, comunicações, inteligência, vigilância e de reconhecimento iguais ou melhores que as dos EUA.


2.     Os adversários modernos têm capacidades para guerra eletrônica iguais ou melhores que as dos EUA.


3.     Os adversários modernos têm sistemas de armas iguais ou melhores que os dos EUA.


4.     Os adversários modernos têm sistemas de defesa aérea que limitam enormemente a efetividade da força aérea dos EUA.


5.     Os adversários modernos têm mísseis cruzadores subsônicos, supersônicos e hipersônicos de longo alcance, que são terrível ameaça contra a Marinha dos EUA, suas bases, áreas de preparação [orig. staging areas] e até contra todo o território dos EUA.

No livro, todos esses pontos vêm acompanhados de numerosos exemplos específicos que não tenho aqui espaço para reproduzir.


Ninguém precisa sentir-se culpado por não saber de nada disso e jamais ter ouvido falar desses fatos, pelo menos se se considera o tipo de bobagens e sandices que a mídia-empresa publica nos EUA e também, sim, o que dizem os chamados "especialistas" (outro tópico que Martyanov discute com algum detalhe). Mas, ao mesmo tempo, só se consegue viver num mundo imaginário enquanto a realidade não se imponha a ele e o esmague, seja sob a forma de sistemas de armas inúteis, compradas a preço criminosamente inflado, ou sob a forma de dolorosas derrotas militares. 

A atual histeria sobre a Rússia, pintada como a nova Mordor, culpada de tudo e todas as desgraças (reais ou imaginárias) que acontecem aos EUA explica-se principalmente pelo fato de a Rússia – em total contradição com as opiniões dos "especialistas" –, não só não faliu nem virou "posto de gasolina fantasiado de país" com a economia "em cacos", mas, isso sim, conseguiu desenvolver forças militares que, ao custo equivalente a uma mínima fração do orçamento militar dos EUA, são hoje realmente muito mais capazes que as forças armadas dos EUA.



Sei que essa última porção de frase, acima, é literalmente "impensável" para muitos norte-americanos. 

Minha hipótese é que o simples fato de essa evidência ser literalmente impensável contribuiu muitíssimo, em primeiro lugar, para que a situação atual tenha-se tornado possível. Quando você crê de modo absoluto em algum tipo de milagre da história, ou em alguma escolha divina, ou em algum destino manifesto ou em qualquer outra força sobrenatural; quando você crê que você seja inerentemente e por definição superior ao, e de modo geral "melhor" que, o resto do mundo, nesse caso você, não qualquer outro agente, está-se colocando sob gravíssimo perigo de ser aniquilado. Vale para Israel e vale também para os EUA. 

Acrescento que, no curso da História Ocidental, essa violenta "colisão" da realidade contra o acolchoado mundo da ilusão narcísica frequentemente incluiu um soldado russo que expulsa forças supostas superiores comandadas pela raça suposta superior da hora (vale desde os Cruzados até os Nazistas). Advém daí o ódio que tudo que for russo inspira às elites ocidentais governantes.



Em seu livro, Martyanov explica por que, apesar dos anos 1990s absolutamente catastróficos, os russos conseguiram desenvolver uma moderna e altamente capaz força de combate, e em tempo recorde. As principais razões são duas.

Primeiro que, diferente das armas norte-americanas, as armas russas são concebidas para vencer guerras, não para fazer dinheiro. 

Segundo, que os russos compreendem o que seja guerrear, porque compreendem o que seja a guerra. Esse segundo argumento pode parecer circular, mas não é: os russos são agudamente conscientes do que a guerra realmente significa e, crucialmente importante, estão realmente dispostos a fazer sacrifícios pessoais para evitar qualquer guerra, ou, no mínimo, para vencer as guerras inevitáveis. Diferente disso, os norte-americanos não têm experiência real da guerra (vale dizer: de guerra em defesa da própria terra, família e amigos), absolutamente nenhuma experiência. 

Para os norte-americanos, guerra 'é quando' você viaja e mata alguém em terras distantes, no próprio país da vítima, preferivelmente matança feita de longe, de dentro de seu avião, ou em terra, sem você nem ver o que mata; e, simultaneamente, você faz muito, muito dinheiro. Para os russos, guerra é lutar pela própria vida e pela vida dos seus, e tem de sobreviver a qualquer custo. Não há duas noções de guerra mais completamente diferentes uma da outra.



A diferença entre os sistemas de armas comprados também é simples: uma vez que as guerras dos EUA jamais põem em risco o povo norte-americano, as consequências de desenvolver sistemas de armas de segunda classe nunca foram catastróficas. E os lucros, por sua vez, foram imensos. Desse 'sistema' advêm sistemas de armas tipicamente imprestáveis e com preços criminosamente inflados, como o F-35, o Littoral Combat Ship ou, claro, os porta-aviões fantasticamente caros e não menos fantasticamente vulneráveis. 

Os estrategistas planejadores das forças armadas russas trabalharam com prioridades muito diferentes: não apenas sempre viram com clareza que o fracasso na produção de armas de alto desempenho poderia resultar em o país deles ser devastado e ocupado (para nem falar de as famílias deles e eles mesmos acabarem escravizados ou mortos); também sempre souberam que o país deles jamais poderia igualar-se ao Pentágono, em termos de gastos. Assim sendo, o que fizeram foi projetar e construir sistemas de armas consideravelmente menos caras, e que podem destruir ou tornar inúteis os produtos do multitrilionário complexo industrial-militar dos EUA. 

Esse foi o processo pelo qual os russos chegaram aos mísseis que, hoje, já tornaram quase totalmente obsoleto todo o programa de mísseis balísticos antimísseis dos EUA e a Marinha dos EUA, a qual sempre girou em torno dos porta-aviões. Foi assim também que as defesas aéreas russas converteram em alvos os até aqui supostos "invisíveis" jatos de ataque dos EUA; ou que os submarinos a diesel/eletricidade russos ameaçam hoje existencialmente os submarinos nucleares de ataque dos EUA. E tudo isso, por uma ínfima fração do que os contribuintes norte-americanos gastam em "defesa". Aqui também Martyanov oferece muitos exemplos detalhados.



O livro de Martyanov irritará profundamente, ofenderá mesmo, os que tenham integrado como parte da própria identidade a cultura narcísica da superioridade axiomática dos EUA. Mas para todos os demais, esse livro é absolutamente indispensável, porque o futuro de nosso planeta está em jogo: a questão não é se o Império dos EUA está ou não colapsando, mas as consequências que esse colapso terá para nosso planeta. Nesse momento, os militares dos EUA estão convertidos em “força oca" [hollow force”, term. militar] que simplesmente não tem como realizar a missão que lhe caberia, nos termos definidos pelos políticos dos EUA, de controlar o planeta inteiro. 

Há enorme discrepância entre as capacidades reais e as capacidades pressupostas dos militares dos EUA, e o único modo de saltar sobre a realidade dessa discrepância são, claro, as armas nucleares. Por isso o último capítulo do livro leva o título de "A ameaça de um massivo erro de cálculo dos militares norte-americanos" [ing. "The Threat of a Massive American Military Miscalculation"]. Nesse capítulo, Martyanov dá nome claro ao real inimigo do povo russo e também do povo dos EUA – as elites políticas norte-americanas e, especialmente, os neoconservadores: esses estão destruindo os EUA como país, e põem em risco toda a humanidade, ameaçada pela aniquilação nuclear.



A resenha acima não faz justiça ao livro realmente seminal de Martyanov. Só posso recomendar e dizer que o considero leitura indispensável, obrigatória para todos que nos EUA amem o próprio país, e para todos que acreditem que guerras, sobretudo nucleares, devem ser evitadas a todo custo. Como tantos outros (penso aqui em Paul Craig Roberts), Martyanov alerta que "é chegado o dia do acerto de contas", e que os riscos de guerra são muito reais, por mais que, para muitos de nós, a guerra seja também impensável. 

Os que nos EUA se considerem patriotas devem ler com especial atenção o trabalho de Martyanov, não só porque ali se identifica corretamente a principal ameaça que pesa sobre os EUA, mas também porque ali se explica em detalhe que circunstâncias resultaram da crise pela qual estamos passando. Sacudir bandeiras dos EUA (a maioria delas Made in China) já não basta. Simples assim. Tampouco basta fingir que nada do que aqui se lê seria real. O livro de Martyanov será também especialmente interessante para os que, nas Forças Armadas dos EUA, já perceberam o tremendo declínio do poder dos EUA, declínio que acelera por dentro. 

Quem melhor que um ex-oficial da União Soviética conseguiria não só explicar, mas também compreender os mecanismos que tornaram possível tão impressionante declínio?*******


O livro será lançado dia 1º de setembro.
Versões eletrônicas e em papel (ing.) em Amazon (para reservar) e em http://claritypress.com/Martyanov.html.
Compre para você e para distribuir aos amigos [The Saker].
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 http://blogdoalok.blogspot.com/2018/07/perdendo-supremacia-militar-miopia-do.html

O fluxo de vendas de armas dos EUA para o mundo em seis décadas




Um vídeo dinâmico mostra o ritmo acelerado das exportações de armas dos EUA para diferentes países nos últimos 67 anos.
Com base em dados do Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri, por sua sigla em inglês), o cientista de dados Will Geary criou um vídeo que acompanha as transferências internacionais de armas dos Estados Unidos 
"EUA É o maior exportador de armas do mundo. Eu estava curioso para ver como isso seria ao longo do tempo, então mapeei os fluxos de transferência de armas que vieram dos EUA. entre 1950 e 2017 ", explicou Geary em sua conta no Twitter na segunda-feira .
Como o vídeo mostra, na década de 1950, Washington exportou a maior quantidade de material bélico para a Europa, Canadá, Japão e Turquia.
Na década seguinte, o principal importador das armas dos EUA foi a Alemanha, enquanto o Irã aparece na lista dos 10 maiores receptores. No entanto, na década de 1970 - década anterior da Revolução Islâmica - Teerã se tornou o maior comprador de armas dos EUA, seguido por Israel .
Nos  dez anos seguintes, os principais destinos das armas dos EUA foram o Japão, a Arábia Saudita, a Coreia do Sul, Israel e o Egito. Isso se repetiu em boa parte da década de 1990, enquanto, na primeira década de 2000, foram  Seul e o regime de Tel Aviv os que mais armas estadunidense consumiram.
A partir de 2010,  foram a  Arábia Saudita, a Austrália e os Emirados Árabes Unidos (EAU) quem receberam a maior quantidade das exportações de armas dos Estados Unidos.
Depois dos Estados Unidos, os maiores exportadores de armas são a Rússia, a França, a Alemanha, a China, o Reino Unido e a Espanha. De acordo com um relatório  da Sipri em março passado, entre 2013 e 2017, Washington fez 34% do total de vendas globais de armas (um aumento notável de 25% em 2008-2012).
fmk / mla / mjs / alg
 https://www.hispantv.com/noticias/ee-uu-/382910/exportacion-venta-armas-mundo-rusia-europa

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A prisão das crianças palestinas por Israel: A vida sob o apartheid!



As estatísticas indicam que desde 1967, mais de 750.000 nativos do território ocupado da Palestina passaram pelas prisões do regime de Tel Aviv.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), todos os anos, cerca de 700 crianças palestinas entre 12 e 17 anos são presas e interrogadas pelo exército, polícia e agentes de Israel, um número que somava 7.000 casos no país, na última década
Essa agência especializada indica em seu relatório que essas crianças são submetidas a tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, práticas sistemáticas e institucionalizadas dentro do sistema penitenciário israelense.
O comitê da ONU também denunciou as detenções arbitrárias, assédio e intimidação realizadas pelas forças israelenses e lembrou que este regime criminaliza o protesto legítimo contra a ocupação dos territórios palestinos.
Ao mesmo tempo, ele alertou que a situação de prisioneiros e detidos aumenta as tensões e destacou o caso de prisioneiros em greve de fome para protestar contra abusos e violações de seus direitos humanos básicos.
"A crise atual exige atenção urgente e intervenção da comunidade internacional", disse o comitê. Acrescentando que os prisioneiros vivem em instalações superlotadas e insalubres, sem acesso a serviços de saúde, são abusados, espancados e humilhados por guardas, são ameaçadas de confinamento solitário e severas restrições às visitas familiares.
O Comitê também exigiu que autoridades independentes investigassem a morte de prisioneiros palestinos em circunstâncias duvidosas e pediu que o regime de Tel Aviv cumpra as leis humanitárias internacionais e as regras sobre o tratamento de prisioneiros e detidos palestinos.
akm / ctl / msf
https://www.hispantv.com/showepisode/episode/la-vida-bajo-el-apartheid-la-detencion-de-ninos-palestinos/55603

As preliminares de uma guerra entre a Rússia e os EUA podem ser vistas na Síria

 

No 76º aniversário da invasão alemã da União Soviética, é possível ver na guerra síria 
as preliminares de uma possível futura guerra 
                                                                     entre a Rússia e os EUA.

No 76º aniversário do início da Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941, a invasão alemã da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, cabe observar atualmente, na guerra na Síria, as preliminares de uma possível futura guerra entre a Rússia e os Estados Unidos da América que se poderia evitar se Moscou atuar com maior determinação em responder proporcionalmente ao uso ilegal da força militar pelos Estados Unidos. na Síria


EUA desde o outono de 2001 e sob as presidências de George W. Bush, Barack Obama e o recém-eleito Donald Trump têm intervindo militarmente na Ásia , na regiões da Ásia Meridional e Ásia Ocidental ou no Oriente Próximo , e na Norte da África de forma hegemônica, alterando na maioria dos casos a ordem política estabelecida e violando a soberania dos estados internacionalmente reconhecidos, ou alargando e expandindo os conflitos internos aos países vizinhos, como a extensão da guerra na Síria ao Iraque. Assim, os EUA atuam  como um agressor buscando mudanças  de acordo com seus interesses, e especialmente de acordo com os interesses
judeus israelenses  de Tel Aviv, a ordem política, econômica, social - e apoiando a fragmentação da integridade territorial no caso de Países árabes - de países como o Iraque, a Líbia, a Síria e o Afeganistão.
As agressões militares,  dos EUA, nesses países com objetivos estratégicos e geopolíticos, segundo os interesse da Tel Aviv (destruição ou enfraquecimento de seus inimigos históricos Iraque, Líbia e Síria) e Washington (obtenção de bases no Iraque e Afeganistão para ameaçar o Irã, a Rússia e a China , no caso afegão, o acesso aos recursos minerais  dos países invadidos ou atacados, além do suspeito provável estímulo à produção afegã de ópio e ao controle do tráfico de heroína do Afeganistão ao Ocidente), tudo isso faz dos EUA e  seus governos, de 2001 até o presente, uma ameaça à paz, estabilidade e segurança internacional, assim como foi a ameaça da Alemanha no Terceiro Reich de Adolf Hitler no final dos anos 30 do século XX.
  
Os planos originais dos EUA, concebidos e apoiados pelos estadunidenses vinculados ao Partido Republicano, tanto judeus como "gentios", que aparentemente levaram os interesses de Israel como prioridade em detrimento dos EUA,  pretendiam originalmente em 1991, nas as palavras atribuídas a Paulo Wolfowitz, invadir e derrubar os governos do Iraque, Síria e Irã, e, em seguida, a partir de 2001 com a aprovação do regime do presidente George W. Bush,  invadir e eliminar em cinco anos os governos dos sete países: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Sudão, Somália e Irã. Número de países superados apenas pelo número de países europeus invadidos pela Alemanha de Hitler.   Os governos de dois dos países da lista já foram derrubados, o Iraque e a Líbia , apressando-se , sob o novo presidente Trump , em prosseguir  o trabalho iniciado pelo regime de Obama, provavelmente de acordo com os mesmos planos do regime de George W. Bush - para destruir o terceiro país dos sete, a Síria. É de se esperar que se o Estado sírio cair, o Líbano e o Irã serão os próximos alvos da agressão terrorista e / ou militar americana e seus aliados, passando pela fragmentação do Iraque.

A agressão dos EUA - e a desestabilização resultante - em quase 16 anos, desde aos atentados terroristas atribuídos a rede internacional terrorista radical sunita Al Qaeda de 11 11-set de 2001 , se manifestou nas invasões  do Afeganistão em 2001 edo  Iraque em 2003, no terrorismo e na insurgência sunita radical desencadeada no Paquistão pela intervenção militar dos EUA, na intervenção militar predominantemente aérea e com mísseis dos EUA. e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia em 2011, e na intervenção clandestina dos EUA e de uma coalizão de seus aliados na Síria para desestabilizar o país desde 2011 até o presente.


A intervenção dos EUA na Síria inclui patrocínio de US e seus aliados aos grupos terroristas radicais sunitas na Síria e no Iraque , para causar a queda do Estado sírio, sua destruição como um Estado viável e sua fragmentação territorial, e o retorno de forças e bases norte-americanas no Iraque . Em particular, as recentes invasões americanas e seus aliados no território sírio, e suas intervenções militares diretas na Guerra da Síria em favor de grupos terroristas  radicais sunitas e os insurgentes curdos têm o objetivo de fragmentar a Síria e destruí-la como Estado, em benefício do regime israelense e em detrimento dos interesses nacionais, estratégicos e geopolíticos de segurança da Rússia.

Com base no pensamento teórico estratégico e geopolítico do Almirante Raoul Castex , os EUA podem ser considerados. desde o início do século XXI em um desestabilizador continental na Ásia, no Oriente Próximo (Iraque e Síria) e no Sul da Ásia (Afeganistão e Paquistão), e no Norte da África na Líbia. 



(...)
Se poderia dizer que os EUA foram,  originalmente,  um desestabilizador continental na América , inicialmente contra as tribos indígenas americanas, inclusive aquelas que haviam   firmado tratados , violados repetidas vezes por Washington e seus colonos, contra o México na Guerra do Texas e na Guerra do México e do Estados Unidos 1846-1848, contra os estunidenses do Sul, declarados independente nos Estados Confederados da América, invadidos e subjugados pelos EUA em sua chamada Guerra Civil de 1861-1865, na Guerra Hispano-Americana de 1898 contra a Espanha, na intervenção americana no Panamá contra a Colômbia em 1903 e as chamadas " guerras das bananas " com  as intervenções militares  no México, Cuba, República Dominicana, Haiti, Nicarágua e Honduras durante o primeiro terço do século XX. 


A Rússia não respondeu com força a série de atos de agressão estadounidense contra a Síria, na defesa da Síria. Os atos de agressão dos EUA contra a Síria incluem a intervenção ilegal por forças americanas ao norte da Síria ao norte do rio Eufrates; a intervenção militar dos Estados Unidos e seus aliados no sudeste sírio , na fronteira da Síria com a Jordânia e o Iraque;  a ilegal e impune atividade aérea militar dos EUA e seus aliados no espaço aéreo sírio, sob o pretexto de lutar contra o grupo terrorista Daesh ; os ataques de aviões americanos às forças sírias e seus aliados , que lutam por restaurar o controle sobre seu território; o bombardeio dos aviões americanos contra o caça  Su-22 sírio tripulado, que voava  no espaço aéreo sírio para combater unidades  mercenárias
armadas pelos EUA, e o ataque impune com mísseis de cruzeiro lançados por destroyers de mísseis guiados da Marinha dos EUA contra a base aérea síria de Ash Shairat em 7 de abril

A Rússia está tentando evitar a guerra com os EUA na Síria e como um Estado responsável e civilizado - o que os EUA e seus aliados cúmplices não são, ao apoiar o terrorismo radical  na Síria , Iraque e Líbia e, assim, causar tragédias humanitárias nesses países e a exportação da ameaça terrorista global - tenta resolver o conflito sírio através dos canais diplomáticos. No entanto, até poucos dias atrás e após os atos de agressão que os EUA cometeu  diretamente contra a Síria, com total impunidade, a impressão e a de que os EUA perderam todo respeito à Rússia e seus  interesses nacionais na Síria.


A aparente  inação russo  contra atos de agressão dos Estados Unidos contra as forças sírias tem dado  a impressão de que Moscou perdeu sua credibilidade com Washington, quanto à vontade do Kremlin de realmente  se opor a agressão norte-americana na Síria, de maneira proporcional e por meio militar. Da forma similar , em 1936, a inércia militar da França para impedir que o exército alemão ocupasse a região alemã da Renânia, remilitarizándola , contribuiu para a impunidade dos atos subsequentes de expansão territorial alemã, culminando com a invasão da Polônia em setembro de 1939 e o começo da Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, uma recente advertência russa aos EUA parece que será desafiada e ignorada por Washington na Síria, mais uma vez.


https://www.hispantv.com/noticias/opinion/347095/siria-guerra-rusia-eeuu-trump-crisis

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Por que o povo do Iemen está sendo bombardeado pela Arabia Saudita-EUA

Iêmen e a militarização dos canais estratégicos

Assegurando o controle dos EUA sobre a ilha de Socotra 

e o Golfo de Aden

Pesquisa Global, 13 de junho de 2018

Este artigo foi publicado pela primeira vez pela Global Research em fevereiro de 2010, cinco anos antes do início da guerra EUA-Arábia Saudita contra o Iêmen.
O artigo lança luz sobre a agenda militar não declarada da América: o controle sobre vias navegáveis ​​estratégicas  
***
“Aquele que atingir a supremacia marítima no Oceano Índico seria um jogador proeminente no cenário internacional.”  (Contra-almirante Alfred Thayus Mahan (1840-1914)
O arquipélago iemenita de Socotra, no Oceano Índico, está localizado a cerca de 80 quilômetros do Chifre da África e a 380 quilômetros ao sul do litoral do Iêmen. As ilhas de Socotra são uma reserva de vida selvagem reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. 
Socotra está na encruzilhada dos canais navais estratégicos do Mar Vermelho e do Golfo de Aden (veja o mapa abaixo). É de importância crucial para os militares dos EUA.
MAP 1
 
Entre os objetivos estratégicos de Washington está a militarização dos principais meios marítimos. Esta hidrovia estratégica liga o Mediterrâneo ao Sul da Ásia e ao Extremo Oriente, através do Canal de Suez, do Mar Vermelho e do Golfo de Aden.
É uma importante rota de trânsito para petroleiros. Uma grande parte das exportações industriais da China para a Europa Ocidental transita por essa via estratégica. O comércio marítimo da África Oriental e Austral para a Europa Ocidental também transita nas proximidades de Socotra (Suqutra), através do Golfo de Aden e do Mar Vermelho. (veja o mapa abaixo). Uma base militar em Socotra poderia ser usada para supervisionar o movimento de embarcações, incluindo navios de guerra, no Golfo de Aden.
“O oceano [indico] é uma importante rota marítima que liga o Oriente Médio, o leste da Ásia e a África com a Europa e as Américas. Tem quatro canais de acesso cruciais que facilitam o comércio marítimo internacional, isto é, o Canal de Suez no Egito, Bab-el-Mandeb (fronteira com Djibouti e Iêmen), Estreito de Ormuz (fronteira com o Irã e Omã) e Estreito de Malaca (fronteira com a Indonésia e a Malásia ). Esses “pontos de estrangulamento” são críticos para o comércio mundial de petróleo, à medida que grandes quantidades de petróleo passam por eles. ”(Amjed Jaaved, Um novo ponto de rivalidade , Pakistan Observer, 1º de julho de 2009)
MAP 2
 
Poder do mar
Do ponto de vista militar, o arquipélago de Socotra está em uma encruzilhada marítima estratégica. Mais adiante, o arquipélago se estende por uma área marítima relativamente grande na saída leste do Golfo de Áden, da ilha de Abd al Kuri até a ilha principal de Socotra. (Veja mapa 1 acima e 2b abaixo) Esta área marítima de trânsito internacional encontra-se em águas territoriais iemenitas. O objetivo dos EUA é policiar toda a costa do Golfo de Áden, do litoral iemenita ao litoral da Somália. (Veja o mapa 1).
MAPA 2b
Socotra fica a cerca de 3.000 km da base naval norte-americana de Diego Garcia, que está entre as maiores instalações militares da América do Norte.
A base militar de Socotra
Em 2 de janeiro de 2010, o Presidente Saleh e o General David Petraeus, Comandante do Comando Central dos EUA, reuniram-se para discussões de alto nível a portas fechadas.
A reunião Saleh-Petraeus foi apresentada casualmente pela mídia como uma resposta oportuna ao frustrado atentado a bomba de Detroit no vôo 253 da Northwest. Aparentemente, ela havia sido programada de forma ad hoc como meio de coordenar iniciativas contra o terrorismo dirigidas contra "Al Qaeda no Iêmen”, incluindo “o uso [de] drones e mísseis americanos em terras do Iêmen”.
Vários informes, no entanto, confirmaram que as reuniões de Saleh-Petraeus tinham a intenção de redefinir o envolvimento militar dos EUA no Iêmen, incluindo o estabelecimento de uma base militar de pleno direito na ilha de Socotra. O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, teria entregado Socotra aos norte-americanos que montariam uma base militar, destacando que as autoridades americanas e o governo iemenita concordaram em estabelecer uma base militar em Socotra para combater os piratas e a al-Qaeda. Fars News , 19 de janeiro de 2010)
No dia 1º de janeiro, um dia antes das reuniões Saleh-Petraeus em Sanaa, o general Petraeus confirmou em uma entrevista coletiva em Bagdá que a “assistência de segurança” ao Iêmen mais que dobraria de 70 milhões para mais de 150 milhões de dólares, o que representa um aumento de 14 vezes, desde 2006. ( Scramble for the Island of Bliss: Socotra ! , Guerra no Iraque , 12 de janeiro de 2010. Veja também CNN 9 de janeiro de 2010, The Guardian , 28 de dezembro de 2009).
Essa duplicação da ajuda militar ao Iêmen foi apresentada à opinião pública mundial como uma resposta ao incidente da bomba de Detroit, que supostamente havia sido ordenado por agentes da Al Qaeda no Iêmen.
O estabelecimento de uma base da força aérea na ilha de Socotra foi descrito pela mídia dos EUA como parte da “Guerra Global ao Terrorismo”:
“Entre os novos programas, Saleh e Petraeus concordaram em permitir o uso de aviões americanos, talvez drones, bem como“ mísseis marítimos ”, desde que as operações tenham aprovação prévia dos iemenitas, de acordo com um alto funcionário iemenita que pediu anonimato deste tema sensíveis. Autoridades dos EUA dizem que a ilha de Socotra, a 200 milhas da costa do Iêmen, será reforçada de uma pequena pista de pouso [sob a jurisdição das forças armadas iemenitas] para uma base completa , a fim de apoiar o programa maior de ajuda e combater os piratas somalis.  Petraeus também está tentando fornecer às forças iemenitas equipamentos básicos, como Humvees blindados e possivelmente mais helicópteros. ”(Newsweek,  Newsweek , 18 de janeiro de 2010, ênfase adicionada)

Pista e aeroporto existentes
 Instalação Naval dos EUA?
A proposta de instalação militar de Socotra dos EUA, no entanto, não se limita a uma base da força aérea. Uma base naval dos EUA também foi contemplada.
O desenvolvimento da infraestrutura naval de Socotra já estava em andamento. Apenas alguns dias antes (29 de dezembro de 2009) das discussões de Petraeus-Saleh (2 de janeiro de 2010), o gabinete do Iêmen aprovou um empréstimo de US $ 14 milhões do Fundo do Kuwait para o Desenvolvimento Econômico Árabe (KFAED) em apoio ao desenvolvimento do  projeto portuário de
Socotra.
MAPA 3

 

O grande jogo
O arquipélago de Socotra é parte do Grande Jogo que opõe a Rússia e à América.
Durante a Guerra Fria, a União Soviética tinha uma presença militar em Socotra, que na época fazia parte do Iêmen do Sul.
Apenas um ano atrás, os russos entraram em discussões renovadas com o governo iemenita a respeito do estabelecimento de uma base naval na ilha de Socotra. Um ano depois, em janeiro de 2010, na semana seguinte à reunião de Petraeus-Saleh, um comunicado da Marinha Russa “confirmou que a Rússia não desistiu de seus planos de ter bases para seus navios… na ilha de Socotra” ( DEFESA E SEGURANÇA). ), 25 de janeiro de 2010)
As discussões de Petraeus-Saleh em 2 de janeiro de 2010 foram cruciais para enfraquecer as propostas diplomáticas russas ao governo iemenita.
Os militares dos EUA estão de olho na ilha de Socotra desde o final da Guerra Fria.
Em 1999, a Socotra foi escolhida “como um local no qual os Estados Unidos planejavam construir um sistema de inteligência de sinais….” A mídia iemenita de oposição informou que “o governo do Iêmen concordou em permitir o acesso das forças militares dos EUA a um porto e um aeroporto. Socotra. ”Segundo o jornal de oposição Al-Haq,“ um novo aeroporto civil construído em Socotra para promover o turismo foi convenientemente construído de acordo com as especificações militares dos EUA. ”(Pittsburgh Post-Gazette (Pensilvânia), 18 de outubro de 2000)
A militarização do oceano Índico
O estabelecimento de uma base militar dos EUA em Socotra é parte do processo mais amplo de militarização do Oceano Índico. Este último consiste em integrar e ligar Socotra a uma estrutura existente, bem como reforçar o papel fundamental desempenhado pela base militar de Diego Garcia no arquipélago de Chagos .
O contra-almirante Alfred T. Mahan, da Marinha dos EUA, havia sugerido, antes da Primeira Guerra Mundial, que “quem quer que alcançasse a supremacia marítima no Oceano Índico [será] um ator proeminente no cenário internacional” Oceano Índico e nossa segurança ).
O que estava em jogo nos escritos do contra-almirante Mahan era o controle estratégico por parte dos EUA dos principais meios marítimos oceânicos e do Oceano Índico em particular: “ Seu oceano é a chave para os sete mares do século XXI; o destino do mundo será decidido nessas águas. "
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Michel Chossudovsky é professor de economia (emérito) na Universidade de Ottawa e diretor do Centro de Pesquisa em Globalização (CRG), em Montreal, que hospeda o premiado site: www.globalresearch.ca . Ele é o autor do best-seller internacional "A Globalização da Pobreza e a Nova Ordem Mundial". Ele é um colaborador da Encyclopaedia Britannica, membro da Comissão de Crimes de Guerra de Kuala Lumpur e recebedor do Prêmio de Direitos Humanos da Sociedade para a Proteção dos Direitos Civis e da Dignidade Humana (GBM), Berlim, Alemanha. Seus escritos foram publicados em mais de vinte idiomas.
Artigo sobre Pesquisa Global Relacionada: Ver Rick Rozoff,  EUA, OTAN Expandir a Guerra Afegã para o Chifre da África e Oceano Índico , Pesquisa Global, 8 de janeiro de 2010.
https://www.globalresearch.ca/the-siege-of-hodeidah-washingtons-war-crime-in-yemen/5644429?utm_campaign=magnet&utm_source=article_page&utm_medium=related_articles

https://www.globalresearch.ca/yemen-and-the-militarization-of-strategic-waterways-2/17460