terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pelo fim imediato da ocupação polícial no Jacarezinho

 A imagem pode conter: atividades ao ar livre
Depois de quase uma semana de confrontos armados, moradores da Favela do Jacarezinho lançaram na tarde de quarta-feira, 16, um manifesto contra a violência e a política de guerra às drogas do Estado. O texto repudia as ações das Polícias Civil e Militar na comunidade desde a morte de um agente da Core na última sexta-feira. Um feirante e um mototaxista da favela já morreram após o início da série de operações.
Os autores pretendem recolher assinaturas pela comunidade e também através de uma petição online para, posteriormente, encaminhar aos órgãos responsáveis pela segurança no Rio de Janeiro. Mais informações estão disponíveis na página do manifesto no Facebook.https://www.facebook.com/events/1475583749155635/
Leia abaixo o manifesto na íntegra.
“Os últimos 6 (seis) dias foram de intenso terror e clima de guerra na Favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio de Janeiro. As últimas operações foram justificadas pela busca do culpado pela morte do policial da Core Bruno Guimarães Buhler, de 36 anos, morto na última sexta-feira (11). 
Entretanto, vale ressaltar alguns fatos desses 6 dias de terror.
1- Na última sexta, dia 11/08/2017, logo no início da manhã, uma mega operação foi realizada na favela do Jacarezinho. A justificativa: “combate ao tráfico de drogas” local e cumprimento de mandados de prisão. Nesse confronto, o policial civil Bruno Guimarães foi atingido no pescoço e veio a falecer. 
2- Após isso, o que se iniciou com uma operação policial de teórico combate ao tráfico, na verdade, virou um revanchismo contra tudo e todos, com o objetivo de vingar a morte do policial. 
3- No sábado, véspera de dia dos pais, uma nova e desordenada operação se iniciou. Voos rasantes do helicóptero Águia, que, segundo diversos moradores, já “apareceu atirando para baixo”. Uma festa infantil acontecia na Beira do Rio, onde crianças brincavam. Com a invasão e o corre-corre, muitas crianças ficaram desaparecidas de seus pais.
4- O saldo da absurda e odiosa operação/revanche policial de sábado foi dois moradores baleados. Na quarta-feira (16), um desses moradores veio a falecer no hospital.
A operação de sábado invadiu a madrugada. 
5- No domingo, houve uma esperança de calmaria em razão do dia dos pais, porém, no início da tarde, as trocas de tiros recomeçaram e invadiram a noite.
Após 6 dias de enfrentamentos: dois moradores foram mortos, dois moradores baleados, um policial civil morto, comércios fechados/pouco funcionando de sábado a quarta, escolas e creches com aulas suspensas na segunda, terça e quarta, e uma rotina completamente interrompida.
As ações inefetivas da Polícia do Estado do Rio na periferia são a materialização do ódio de um Estado falido contra as camadas mais baixas da sociedade, os excluídos financeira e socialmente. 
Até agora, início do segundo semestre, o número de homicídios decorrentes de intervenção policial passa de 400, o que equivale a 1 morte a cada 8 horas, enquanto foram mortos 97 policiais no mesmo período. É importante mencionar que, em 2016, para cada policial assassinado no Rio de Janeiro outras 30 pessoas morrem em decorrência de intervenções policiais. Temos a polícia que mais mata e que mais morre no mundo.
A maioria dessas ocorrências foi realizada em favelas e periferias do Rio de Janeiro. 
No entanto, o número de mortos por ação policial é muito maior do que o número de baixas na polícia, fazendo com que seja difícil acreditar que todas estas mortes ocorreram em situações em que a polícia estava sendo “atacada” ou estava em confronto, o famoso “auto de resistência”, herança da nossa Ditadura que, na favela, ainda existe sob a batuta das truculentas e odiosas ações policiais.
Há uma tradição de brutalidade, violência e ilegalidade permitidas, desde que seja na favela, o que não ocorre na Zona Sul do Rio. Fica evidente a diferença ao verificarmos os números de mortes em ações efetuadas por batalhões da Polícia Militar na Zona Sul e nas Zonas Norte e Oeste.
O policial se vê na ponta do sistema de repressão estatal, e o Estado deixa por conta deste decidirem o que fazer, reproduzindo assim o ódio e a indiferença com a qual são tratados. Infelizmente, estes não vêem que são tão vítimas da política de segurança pública pautada na guerra implementada no Rio de Janeiro como também são as pessoas que eles oprimem nas periferias em geral.
Como bem resumido por uma autoridade política, a guerra no Rio de Janeiro é: “Homens de pretos matando homens pretos, quase todos pretos”. 
A sociedade, ao aplaudir, e a mídia, ao reverenciar atuações violentas, truculentas e covardes, se passando por guerreiros, assim como a violência produzida pelo próprio Estado, legitima e estimula toda essa barbárie violenta. Violência gera violência.
A população preta, pobre e favelada tem sido vítima cotidiana desse que mais parece um plano de extermínio do que de combate às drogas. A guerra às drogas é, na verdade, uma guerra aos pobres.
A forma com que o Estado brasileiro lida com a questão das drogas sempre foi uma política de controle social dos indesejados. Se buscarmos, podemos ver que, desde o início, ao criminalizar o consumo da Cannabis sativa, por exemplo, o objetivo era perseguir a população negra, recém saída da escravidão, que era quem mais a consumia – assim como foi com a proibição da capoeira, do samba e a perseguição a religiões de matriz africanas. As ações e proibições do Estado brasileiro têm na sua origem e desenvolvimento objetivos racistas e classistas, de controle social de uma parcela indesejada da população. Basta ver a diferença que é tratada uma pessoa presa com 10 gramas de drogas no Jacaré ou em Ipanema. A diferença é clara. O caso Rafael Braga não nos deixa mentir.
Antes com a criminalização e hoje com o (inefetivo) combate ao tráfico, o Estado sempre visou, com suas ações relacionadas ao comércio e ao consumo de drogas, realizar um controle de pretos, pobres e favelados – uma opressão e controle dos excluídos sociais.
O que esperar de um Estado que extermina uma parcela da sua população? Quando não isso, que nega as condições mínimas de existência e subsistência a essa parte da sociedade, interrompendo e comprometendo a vida social dessa população aos seus direitos básicos em saúde, educação? Modificando e adoecendo uma geração inteira de jovens e crianças que, em tese, são pessoas, mas que, na real, são considerados apenas estatísticas quando desaguam em morte?
A partir desses fatos, nós, moradores da favela do Jacarezinho e de tantas outras favelas do Rio de Janeiro, EXIGIMOS que se interrompa a atual forma de operação que tem caracterizado o trabalho das Polícias Militar e Civil, de maneira a discutir e contribuir na formulação de uma nova POLÍTICA DE DROGAS e de combate à criminalidade.
Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2017.”

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A conexão Macron-Líbia

1/8/2017, Manlio Dinucci, Il Manifesto (de Tlaxcala)
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu 
Emmanuel Macron se reúne perto de Paris com Fayez Al-Sarraj e o marechal Khalifa Hafter
"O que se passa hoje na Líbia é de algum modo o cerne de um processo de desestabilização que tem várias caras" – declarou o presidente Macron, ao comemorar no Eliseu o acordo que "traça o mapa do caminho para a paz e a reconciliação nacional".

Macron atribui a situação caótica do país exclusivamente aos movimentos terroristas, que "visam a lucrar com a desestabilização política e a prosperar com a bonança econômica e financeira que pode haver na Líbia". Por isso – concluiu Macron –, a França ajuda a Líbia a bloquear os terroristas. Não. Macron inverte os fatos.

A França é, exatamente, quem urdiu a desestabilização da Líbia, com EUA, OTAN e as monarquias do Golfo.
Em 2010, segundo documento do Banco Mundial, a Líbia registrava os mais altos índices de desenvolvimento humano na África, com renda per capita acima da média, acesso universal à educação primária e secundária e com 46% da população com formação universitária. Cerca de 2 milhões de imigrados africanos encontravam trabalho na Líbia. O governo líbio favorecia, com seus investimentos, a formação de organismos econômicos da União Africana, independentes das organizações 'ocidentais'.

EUA e França – como fica provado em e-mails de Hillary Clinton – trabalharam em dupla para interromper o plano de Muanmar Gaddafi de criar uma moeda africana, alternativa ao dólar e ao franco Cfa (moeda que a França impõe a 14 de suas ex-colônias na África). Foi Clinton – o New York Times noticiou – quem induziu o presidente Obama a assinar "um documento que autorizava uma operação secreta na Líbia e o fornecimento de armas a rebeldes", dentre os quais se incluíam grupos até então classificados como terroristas.

Pouco depois, em 2011, a OTAN, por ordens dos EUA, demoliu o estado líbio, em guerra (promovida pela França) na qual o interior do país foi atacado também por forças especiais. Daí o desastre social que faria mais vítimas que a própria guerra, sobretudo entre os migrantes.

Essa história Macron conhece bem: de 2008 a 2012 ele fazia fulgurante (embora muito suspeita) carreira no Banco Rothschild, o império financeiro que controla os bancos centrais de quase todos os países do mundo. O Banco Rothschild desembarcou na Líbia em 2011, com a guerra ainda em curso. Ao mesmo tempo, os grandes bancos dos EUA e da Europa fazem o maior ataque de rapina do século, e confiscam 150 bilhões de dólares dos fundos soberanos líbios. 

Nos seus quatro anos de formação chez Rothschild, Macron foi introduzido no Gotha da finança mundial, dos que decidem as grandes operações como a demolição do estado líbio. Dali passou à política, onde tem carreira tão fulgurante quanto suspeita, começando como vice-secretário geral do Eliseu, depois ministro da economia. Em 2016, em poucos meses, Macron criou seu partido, En Marche!, partido do tipo 'faça-você-mesmo', mantido e pago por poderosos grupos multinacionais, midiáticos e financeiros, que lhe abrem o caminho para a presidência. Por trás do protagonismo de Macron, não há portanto só interesses nacionais franceses. O botim roubado à Líbia é imenso: as maiores reservas de petróleo do continente africano e grandes reservas de gás natural; a gigantesca reserva de água do Aquífero do Arenito Núbio – ouro branco que em futuro próximo valerá muito mais que o ouro negro; além do próprio território líbio, de altíssimo valor geoestratégico, na intersecção entre o Mediterrâneo, a África e o Oriente Médio.

Há "risco de que a França imponha forte hegemonia sobre nossa ex-colônia" – alerta Analisi Difesa, destacando a importância de uma iminente operação naval italiana para a Líbia. É apelo ao "orgulho nacional", de uma Itália que exige sua parte na divisão neocolonial de sua ex-colônia.*****


 

Paz no Oriente Médio exige o fim do sionismo

 La paz en Oriente Medio exige el fin del Sionismo
Dia após dia, cadeias  de notícias internacionais dão conta dos crimes cometidos pelas forças de ocupação sionistas e dos colonos extremistas plantados nos territórios da Cisjordânia (Ribeira Ocidental) contra a população palestina.
Só no ano de 2017 cinquenta palestinos foram assassinados pelas mãos do exército de ocupação e seus "lacaios" extremistas  que vivem em assentamentos construídos em território palestino.
Sexta-feira, 21 de julho, nas imediações da Explanada das Mesquitas, em Al-Quds, as forças de ocupação assassinaram quatro palestinos por protestarem contra as medidas destinadas a impedir o livre trânsito no terceiro lugar mais sagrado do mundo para os muçulmanos. A Mohamad Sharaf, 17, Mohamad Abu Ghannam, 20, e Mohamad Jalaf, 17, se une  Rafat Hirbawi, assassinado na quarta-feira, 19 de julho, além dos 1.200 feridos pela repressão das forças de ocupação no primeiro semestre de 2017.
O objetivo é judaizar a Palestina
Dia após dia, as ações das forças de ocupação do regime israelense desencadeia sua política criminosa contra uma população indefesa, seja em Al-Quds, Al-Jalil, em Beit Lahm, Beit Jala, em Gaza, Ramallah, Jan Yunis, Tulkarm ou qualquer uma das cidades, vilas e aldeias palestinas. A política colonialista implementada desde o nascimento provocado da entidade sionista em 1948 e catalisado pela sede de expansão de uma ideologia que emerge nos salões e corredores das casas de bilionários judeus na Europa imperial em França e na própria Inglaterra . Uma ideologia que não cessou de anexar territórios sob a consigna  de um "espaço vital", assimilando o discurso e a  prática  com a Alemanha nazista.
Israel se caracteriza, pela sua política, seus crimes, sua ideologia e práticas coloniais, racistas e criminais contra o povo palestino, em uma entidade nacionalsionista que vê o outro como um animal, um "Goyim" sem direitos, nenhuma chances de se desenvolver e somente  destinados a servir, como frequentemente enfatizam os políticos, como o ministro de assuntos militares Avigdor Lieberman, a ministra de assuntos jurídicos Ayelet Shaked e o próprio primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, obcecado com a criação mitológica do "Grande Israel" e cuja linha de trabalho esta focada na judaização  dos territórios palestinos ocupados. Portanto, tem razão a Federação Palestina do Chile -  país que abriga o maior número de chilenos de origem palestina fora do Oriente Médio -,  quando afirma que tal ação segue uma política constante de perseguição por parte de Israel, que visa mudar o status quo da cidade de Jerusalém e esvaziá-la de seus habitantes nativos dando passo assim à judaização da cidade histórica.
 A classe dominante de Israel é conformada por políticos perigosos, que se o direito internacional fosse de fato considerado,  teriam  que ser conduzidos em  algemas a um Tribunal Internacional para serem  julgados por seus crimes de guerra. Todos eles e cada membro do gabinete, político e  militar criminosos de guerra, bem como os juízes que cegos, mudos e surdos colaboram pisoteando os direitos do povo palestino. E, no entanto, a comunidade internacional, tão vazia de conteúdo, dotada de uma espantosa dupla moral hipócrita e vergonhosa acaba cedendo às pressões do pai adotivo do regime israelense: Os Estados Unidos, com o seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas(Conselho de segurança da ONU) e o gordo aporte financeiro e militar que a cada ano concede ao regime sionista,  impedem que esta entidade desapareça e a mantêm servindo no papel de gendarme dos interesses ocidentais no Mundo Árabe.
Neste contexto, surge um lógico questionamento: Em que cenário pode um povo aceitar mansamente que sua terra seja entregue a colonos impulsionados por uma ideologia cuja sede se encontra em Londres e Paris, financiados pelo Fundo Nacional Judeu - criado em 1901 em Basilea, Suíça - e posteriormente protegidos por bandos  armados como a Haganá e o Irgun como?  

Essa pergunta, evidentemente, atualíssima no contexto de hoje , 2017, quase 70 anos após a  resolução 181, tempo em que o povo palestino ainda se encontra submetido à morte diariamente, à perseguição religiosa, à assassinatos impunes, à roubos de terras e de seus recursos hídricos, à destruição de sua identidade e à violação de todo tipo, e diária, dos direitos humanos.  Tempo em que ainda os refugiados são impedidos de retornar a sua terra natal e que os jovens não sabem o que significa nascer na sua terra natal, Palestina, sem medo de que um soldado ou um colono lhe assassine. Poderia você leitor humildemente aceitar todos esses crimes em paz, sem reagir?
A resistência é legítimo e necessário
Repito o que sustento permanentemente  frente  a ocupação que sofre o povo palestino desde 1948 e os resultados dessa ocupação em termos de mortos, feridos, destruição das suas aldeias, das demolição de  casas,  da segregação racial, do  apartheid,  do fechamento de coletivos, dos centenas de pontos de verificação, que impedem a livre circulação,  do vergonhoso muro  de 721 km invadindo o sonho de um estado palestino, do impedimento de praticar suas crenças religiosas, de transitar livremente pelo seu território, ver seus filhos crescerem sem o perigo de que sejam assassinados. Me pergunto frente a esta dramática realidade e insisto na questão:   Em que contexto pode um povo mansamente aceitar  que suas terras sigam ocupadas nas mãos dos defensores de uma ideologia criminosa que forjou uma entidade transgressora do direito internacional que goza de total impunidade sob a proteção de países ocidentais - seja por ação ou omissão - que assassina diariamente os filhos da terra , os palestinos, que a partir do final do século XIX começou a receber ondas de colonos europeus que vieram para reivindicar um "direito" mitológico supostamente entregue por seu deus?

Essa questão  requer uma resposta urgente e necessária a realidade insuportável,  que já faz setenta anos desde Resolução 181,  que dividiu a Palestina, sem consultar seus  habitantes  e  que escolheu as melhores terras da Palestina histórica para a uma entidade artificial, sob o discurso da vitimização  pelas mãos do nazismo, discurso que  até os dias atuais rendeu  significativos recursos bilionários da Alemanha ao sionismo. Norman Finkelstei qualificou essa política junto à Alemanha e aos bancos suíços como  " a indústria do holocausto", uma permanente exploração do que foi outrora o sofrimento dos judeus.  

Finkelstein é um homem muito corajoso por ter desmascarado  aqueles que usam o sofrimento de determinados seres humanos para justificar e fazer sofrer outros  seres humanos e por ter condenado  este  comportamento como ignóbil e infame. Não há dúvida de que o lobby sionista  submeteu a Alemanha e a Suíça, bem como os legítimos requerentes judeus dos crimes cometidos. Finkelstein denuncia que esses fundos -  estimados em mais de 100 bilhões de dólares - foram usados ​​ não para beneficiar as vítimas e suas famílias, mas para manter a indústria do Holocausto.
 
Então, como é possível que o povo palestino tenha que pagar por crimes que não cometeu e ficar sujeito ao mesmo tipo de política criminosa que os nazistas submeteram os judeus, os russos, os poloneses, os ciganos, dissidentes e os doentes mentais? Como podemos aceitar que milhões de palestinos sejam privados dos direitos básicos e vivam sujeitos ao arbítrio, à ocupação, ao roubo de sua riqueza, à pilhagem do seu patrimônio cultural e histórico, à fragmentação do seu território, à violação  dos direitos humanos, ao bárbaro assassinato de sua juventude e crianças. Poderia você leitor aceitar mansamente esses crimes? Claro que não!  menos ainda se acontecesse  na sua  casa, no seu quintal, em seu espaço histórico, logo, a resposta gera um imediato sentimento de autodefesa, para  lutar contra o  ocupante na defesa de sua história.
Portanto, toda resistência a essa realidade é legítima e um dever. Como também é indiscutível, necessário e fundamental que o Eixo de Resistência seja de claro apoio  e sustentação da luta do povo palestino. Dotar essa luta de apoio político, mas também material para o combate ao ocupante: apoios em fóruns internacionais, mas também com armas para combater o invasor. Denuncias a nível internacional, mas também cercar as fronteiras da Palestina histórica e mostrar ao sionismo que não mais toleramos seus crimes, seja contra os palestinos, sírios, libaneses ou iraquianos entre outros. Ao mesmo tempo intensificar os chamados aos povos dos países árabes que deponham seus governos corruptos e criminosos, suas monarquias feudais que entregam seus povos a ganância e as ambições ocidentais sob o domínio de três ideologias criminosas como nunca antes vista no mundo: o imperialismo, o sionismo e wahabismo.
 
Israel não respeitar o direito internacional, ignora as resoluções das Nações Unidas, zomba do direito internacional, comete crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Destrói patrimônio histórico palestino, viola os direitos humanos do povo palestino, os assassinam a sangue frio em seus lugares sagrados, os expulsam  de suas terras.assassinados a sangue frio e ainda aqueles países que tanto vociferam  sobre a defesa dos direitos humanos na Venezuela, em Cuba ou em qualquer país que não faz parte do coro de amigo do imperialismo, do sionismo e do wahabismo, essas potências lideradas pelos Estados Unidos apoiam a política sionista criminosa e suas violações.
 
Não há sanções, não há bloqueios, não há zonas de exclusão aérea, não há boicote econômico e ninguém propõe   congelar os bens dos criminosos sionistas, sejam os  políticos, militares ou ideólogos. A hipocrisia neste plano é vergonhosa e, portanto, a entidade sionista mantém sua agenda criminosa e fica impune contra cada violação. Isso tem que ter um fim, Israel deve pagar por todos os seus  crimes, por cada  um de seus assassinatos e roubos, pela ocupação e o desprezo pelas vidas de milhões de pessoas. Há muito a fazer para conseguir a liberação final da Palestina e parte disso é  desaparecer todos os vestígios do sionismo. A paz na região envolve a eliminação desta ideologia criminosa.
 
Pablo Jofre Leal jornalista chilena e escritor. analista International, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Complutense de Madrid. temas especializados, principalmente da América Latina,Oriente Médio e Norte da África. Ele colabora com várias redes de notícias internacionais. Criador análise website Internacional ANÁLISE GLOCAL www.analisisglocal.cl
http://www.hispantv.com/noticias/opinion/348147/oriente-medio-israel-sionismo-represion-plaestinos-mezquita-aqsa-judaizar

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sobre ONGs, CIA e o Império Norte Americano

por F. William Engdahl

A CIA recrutou a Irmandade Muçulmana para lutar uma Guerra por procuração contra a União Soviética no Afeganistão, o que acabou por levar à retirada dos soviéticos do Hindu Kush. Desde então, a CIA usou os mercenários para lutar outras guerras por procuração nos Balcãs, na Chechênia e no Azerbaijão. Por causa das guerras de agressão contra o Iraque, Líbia, Síria e Iêmen, os Estados Unidos e seus estados vassalos criaram a violência sectária que levou a guerras civis. Neste instante, a CIA e a Irmandade Muçulmana estão presentes na forma do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

A entrevista a seguir tem seu foco no último livro de Engdahl em alemão “As ONGs e seus arquivos secretos” (Geheimakte NGOs). A entrevista é conduzida pelo Dr. Ludwig Watzal, jornalista e editor, que vive em Bonn, Alemanha e dirige o blog bilíngue http://betweenthelines-ludwigwatzal.com/.

 tradução de btpsilveira
 

Acredito que podemos concordar quanto ao fato de que a CIA é a maior organização terrorista do mundo. Depois da Segunda Guerra Mundial, é difícil encontrar qualquer golpe de estado ou insurreição organizada que aconteça sem contar com a “mão amiga” da CIA. Pelo que entendi de seu livro, nos últimos 25 anos, a CIA contou com a ajuda de alguns minions na forma de ONGs. Por favor, você poderia discorrer sobre isso?

William Engdahl (WE): Durante a presidência Reagan alguns escândalos muito graves acabaram se tornando públicos sobre as operações sujas da CIA mundo afora. Chile, Irã, Guatemala, o ultra secreto projeto MK-Ultra, que tinha a ver com o movimento estudantil durante a guerra do Vietnã, apenas para citar alguns. Para afastar da organização os holofotes, o diretor da CIA Bill Casey propôs a Reagan a criação de uma ONG “privada”, um tipo de intermediário que se apresentasse como organização privada, mas na realidade, como definiu um de seus criadores, o falecido Allen Weinstein em uma entrevista para o Washington Post “fará o que a CIA faz, mas reservadamente”. Foi assim que surgiu a ONG denominada “Fundação Nacional para a Democracia” (National Endowment for Democracy – NED) em 1983. Rapidamente outras ONGs direcionadas por Washington foram acrescentadas, como a Freeedom House, ou a Open Society Foundation (George Soros), o United States Institute of Peace e assim por diante.
 
O dinheiro para tudo isso veio através da USAID (Agência [norte]Americana para o Desenvolvimento Internacional – United States Agency for International Development), do Departamento do Estado, para esconder sua origem. Cada grande regime atacado pelo governo dos Estados Unidos desde então, entre eles o Solidarnosc, na Polônia, o golpe de Yeltsin apoiado pela CIA, a Revolução Laranja na Ucrânia em 2004, as insurreições no Tibete em 2008, a Primavera Árabe de 2011 até hoje – todos foram elaboradas por este grupo de ONGs muito bem selecionadas. Não é de se admirar que países como a Rússia e China ou Hungria elaboraram leis que proíbem essas “ONGs indesejadas”

Você cita Allen Weinstein, coautor do ato de fundação da ONG NED, como dizendo: “muito do que estamos fazendo agora era feito pela CIA há 25 anos”. Essas ONGs como a NED, CIPE, USAID, NDI, para não citar as da rede de Soros, a quinta coluna da CIA?
WE: Como já me referi antes, posso dizer que sim, em minha opinião. Invariavelmente, estas ONGS rodam a pauta da política externa de Washington. Coincidência? Não acredito.
 
A sua crítica está focada algumas ONGs dos Estados Unidos ou você também inclui todas as organizações não governamentais em geral? Não há entre essas ONGs todas algumas dirigidas por pessoas de boa fé e ações nobres que querem realmente espalhar a democracia pelo mundo?
WE: Isso é o diabo, no conceito de Bill Casey. Várias operações realmente obscuras e antidemocráticas da CIA estão ocultas por trás de bandeiras agitadas em nome dos “direitos humanos” e tem sido realmente efetivas para a agenda global de Washington de derrubar regimes que se recusam a cooperar pelo mjundo inteiro. Na realidade, a CIA tornou os direitos humanos uma arma. Curiosamente, os regimes úteis para Washington como a Arábia Saudita, nunca foram incomodados com invectivas pela democracia. Acontece que os bilhões de seu petróleo financiam a pauta terrorista global de Washington.

Recentemente tivemos o caso da ONG falsamente democrática conhecida como Capacetes Brancos (White Helmets) na Síria, onde sua propaganda é usada em cooperação íntima com o Estado Islâmico, para justificar a guerra liderada pelos Estados Unidos contra o regime eleito de Assad. Conforme os relatos disponíveis o White Helmets recebe dinheiro através da Fundação Soros, do governo do Reino Unido e dos Estados Unidos, e é criatura do antigo funcionário britânico de inteligência do exército James Le Mesurier. Seus vídeos sobre atrocidades supostamente cometidas pelos sírios têm sido expostos repetidamente como falsos, com o uso de atores. Seu vídeo sobre o suposto ataque com gás sarin mostrando integrantes da organização prestando primeiros socorros sem proteção, supostamente lidando com vítimas de gás sarin sem a roupa protetiva HAZMAT é uma farsa, uma falsidade atroz que foi exposta largamente como tal por reais especialistas HAZMAT em efeitos do gás sarin.
As ONGs políticas de Washington – e em alguns casos, da União Europeia – conseguem ser efetivas porque podem atrair muitas pessoas bem intencionadas. Há pouco tempo recebi uma carta muito tocante de uma médica europeia que trabalhou por 18 meses, com a melhor intenção humanitária com os Doutores Sem Fronteiras no Sul do Sudão, antes que conseguisse sua independência, apoiado pelos Estados Unidos. Ele estava muita grata depois de ter lido meu livro sobre as ONGs, porque pode entender todas as instruções que na ocasião lhe pareceram irracionais, dadas pelo líder (norte)americano dos Doutores Sem Fronteiras para a equipe. Ela saiu por causa da exaustão extrema e agora sabe exatamente dos motivos. Doutores honestos estão sendo usados por Washington para rodar pautas políticas secretas. O Sul do Sudão virou um alvo porque a China estava recebendo a maior parte de seu petróleo (que sai) dali via Cartum.
Claro que nem todas as ONGs estão fazendo o trabalho da CIA. Coloco minha ênfase naquelas com uma agenda política oculta, as quais, como descrevo em meu livro, usam os direitos humanos como arma e a democracia mundial para fins desonestos.
 
Em 1984, o bilionário dos fundos de investimento, George Soros, implementou em Budapeste a Fundação Soros. O alvo preferencial era a Polônia. O Papa João Paulo II e o presidente dos EUA Ronald Reagan se encontraram no Vaticano em 1982 para discutir a desestabilização do bloco comunista. Esse empreendimento também teve a ver com a Fundação Soros?

WE: Em 1988 a Fundação Soros implantou a Fundação Stefan Batory em Varsóvia para treinar ativistas cujo principal objetivo era derrubar o regime comunista. Eles desempenharam um papel central na “Construção da democracia” e imediatamente após o colapso do governo do General Czeslaw Kiszczak na Polônia em agosto de 1989. Soros trouxe a “Terapia de Choque” do economista Jeffrey Sachs da Universidade de Harvard para a Polônia para impulsionar a privatização de empresas estatais, criar a hiperinflação e abrir a porta para o leilão dos ativos estatais para investidores ocidentais amigos de Soros por uma micharia.

Os dois capítulos da pilhagem da antiga União Soviética pela CIA, Soros e seus rapazes de Harvard em cooperação com o clã Yeltsin e antigos oficiais da KGB é absolutamente chocante. Por favor, discorra sobre esse empreendimento ao estilo da máfia.

WE: Tenho que remeter os leitores ao livro, onde esses acontecimentos foram objetos de estudos comparados até a exaustão. Resumidamente, a CIA, sob a direção do então presidente George H. W. Bush administrou os acontecimentos para corromper vários altos funcionários, generais da KGB, os quais recrutaram uma rede de jovens da Komsomol ou União Comunista(Komsomol quer dizer “união da juventude comunista” em russo, através da aglutinação do início das três palavras da frase[Коммунистический союз молодёжи - Kommunisticheskiy Soyuz Molodiozhi] neste caso, aparentemente o entrevistado se refere à mesma organização quando diz “Komsomol or Communist Union” – NT) com novos protegidos como Boris Berezovsky e Mikhail Khodorkovsky para se tornarem “oligarcas” escolhidos a dedo para pilhar os ativos estatais por uma ninharia, quando comparada com o seu valor real. Esse escândalo infame ficou conhecido como “voucher”, que avaliou todo o ativo estatal, incluindo petróleo e gás, companhias de fabricantes de máquinas, de alta tecnologia, tudo por um valor menor que 16 bilhões de dólares. Eles literalmente estupraram a Rússia para fazer ganhos pessoais. A CIA e sua rede de bancos ocidentais como o Riggs Bank em Washington permitiram que eles lavassem o dinheiro fora da Rússia. Até eu mesmo fiquei chocado quando verifiquei os detalhes dessa operação sórdida. Foi um crime. Yeltsin era o menino de recados deles. Diziam que enquanto ele estivesse suprido de vodka de qualidade era garantido que faria tudo o que Soros e seus rapazes de Harvard quisessem.
Interessantemente, o presidente G. H. W. Bush, antigo diretor da CIA, ordenou três ações simultâneas de desestabilização através da ação de ONGs no mesmo ano, 1989. A três foram: Rússia, China (Praça Tiananmem) e Iugoslávia. O livro traz tudo isso muito bem documentado.

Depois que Vladimir Putin sucedeu a Boris Yeltsin como presidente da Rússia, ele imediatamente interrompeu o saque da Rússia. Você acha que isso pode ser uma das causas pela qual a classe política em Washington tanto odeia e demoniza Putin de maneira quase irracional?

WE: Putin veio de uma facção russa nacionalista (em oposição àquela que foi chamada de cosmopolita ou internacionalista) da KGB e o seu sucessor. Ele sabia muito bem que tinha que agir sorrateiramente até que seu domínio estivesse seguro. Em 2000, quando Yeltsin foi forçado a se “aposentar” tranquilamente ou encarar revelações embaraçosas, Yeltsin foi convencido a nomear Putin como presidente de fato.
Havia uma guerra surda e não declarada contra a noção de uma nação/estado estável na Rússia desde antes de 1917. O fundador da Stratfor, George Friedman, um dos analistas (norte)americanos de geopolítica mais bem informados e antigo consultor do Pentágono e da CIA, entre outras organizações, deu recentemente uma entrevista depois do golpe de estado da CIA na Ucrânia, ao qual Friedman chama de “o golpe mais escandaloso na história dos Estados Unidos”. Caso você se lembre, foi aquele no qual Viktoria Nuland, Secretária de Estado Assistente dos EUA ofereceu biscoitos para manifestantes na Praça Maidan e que manifestou todo o seu enorme desprezo pela União Europeia quando de seu telefonema para o embaixador dos Estados Unidos em Kiev.
Firedman sublinhou o que eu já tinha documentado em vários outros livros de minha autoria como Mit der Ölwaffe zur Welmacht(tradução aproximada do alemão: Usando o Petróleo para a Dominação Mundial - NT), que a política externa dos Estados Unidos por pelo menos o último século, quando emergiu do declínio do Império Britânico tem sido a prevenção a qualquer custo do surgimento de interesses econômicos e cooperação entre (especialmente) Alemanha e Rússia. O mundo teve que enfrentar duas guerras mundiais por causa desse desafortunado dogma geopolítico dos Estados Unidos, um dogma herdado dos britânicos e do pai da geopolítica britânica, Sir Halford Mackinder.
A razão pela qual Washington tanto odeia e demoniza Putin é que ele trabalhou essencialmente para estabilizar a Rússia como uma grande nação, o que já é uma verdade, como posso atestar do alto de quase 25 anos de experiência pessoal. Como resultado da demonização promovida por Washington, a influência de Putin parece se tornar cada vez maior – primeiro com a China, depois com as nações da Eurásia, África, Oriente Médio, Ásia e até as Filipinas e América Latina. O mundo está ficando de saco cheio com a pauta (norte)americano de guerras intermináveis, abertas e por procuração pelo mundo inteiro. Se olharmos bem de perto por trás das palavras de Trump, muito rapidamente encontraremos os mesmos velhos e degenerados oligarcas e seu assim chamado estado profundo, de burocratas não eleitos desempenhando seu trabalho.

O desmantelamento da Iugoslávia foi uma tragédia. Os alemães, sob o governo do chanceler Gerhard Schoeder e seu infame ministro de relações exteriores Joschka Fischer juntaram forças com Clinton para derrubar o presidente sérvio Slobodan Milosevic. Nesta operação à maneira de golpe de estado, também, havia ONGs envolvidas? Qual sua estratégia?

WE: Sim. Dê uma olhada na carreira de Mr. Fischer a seguir. A partir de um capanga nos protestos de 1968 se tornou coroado pelos Estados Unidos e sua grande imprensa como um estadista, aparentemente como uma recompensa por fazer o Partido Verde votar pelo bombardeio da Iugoslávia em 1999. Depois de deixar o gabinete, Fischer ganhou um posto de professor honorário em minha Alma Mater, Princeton. Mais tarde, George Soros convidou Mr. Fischer para integra o seu think tank Conselho Europeu para Relações Exteriores.
No decorrer da derrubada de Slobodan Milosevic, o governo dos Estados Unidos e seu seleto grupo de ONGs, entre as quais a NED e a Fundação Soros organizaram, financiaram e treinaram líderes estudantis escolhidos e outros, em um golpe que teve sucesso, sob o nome de Otpor! (Resistência!), com o seu logo hoje universalizado de um ameaçador punho cerrado. Transcrições em sérvio dos escritos de Gene Sharp sobre a ação não violenta foram usadas pelos principais líderes que foram treinados pessoalmente pelo parceiro de Sharp no exército dos EUA, coronel Robert Helvey nos encontros em locais secretos para evitar a polícia. Otpor! Recebeu somas que foram posteriormente estimadas em mais de $30 milhões de dólares de organizações vinculadas ao governo (norte)americano como a NED, International Republican Institute (IRI) e USAID. A destruição da Iugoslávia já estava planejada desde 1980 por Washington, primeiro com Bush sênior, depois com Clinton. O objetivo era criar uma guerra na Europa que justificasse a presença contínua da OTAN, cuja razão de ser depois do colapso da União Soviética era difícil de justificar para os contribuintes (norte)americanos ou para os europeus, que estavam planejando a criação do European Defense Pillar, organização independente e sem a presença da OTAN. Tanto para Washington quanto para o influente complexo industrial/militar tal independência era nada mais nada menos que Tabu! O segundo objetivo era estabelecer uma forte presença militar dos Estados Unidos mais tarde implantada em Kosovo, chamada Camp Bond Steel.

Quando as massas árabes foram para as ruas de Túnis, Cairo e Trípoli, a imprensa e a classe política ocidental ficaram entusiasmadas. Finalmente, democracia, liberdade e direitos humanos encontraram seu caminho no mundo árabe. Aquelas sublevações foram espontâneas ou foram organizadas e orquestradas a partir de forças exteriores?

WE: A primavera árabe inteira foi secretamente planejada e financiada por Washington pelas ONGs que financia. A então Secretária de Estado Hillary Clinton foi peça chave, ao lado de sua esquisita assistente da Irmandade Muçulmana, Huma Abedin. A RAND Corporation, think tank do Pentágono responsável pela criação da técnica de agitar as multidões como abelhas, usando para isso o facebook e as mídias sociais para conduzir protestos, também teve um papel relevante.
Os grupos estudantis de protesto no Egito foram treinados pelos Estados Unidos, mais uma vez usando transcrições de Gene Sharp. Eles foram levados para a Europa para serem secretamente treinados pelos líderes da Otpor!
No caso da Líbia de Kaddafi, considerou-se que era necessária uma mudança de regime urgente, como revelam os famosos DCLeaks e Wikileaks emails de Hillary para seu assessor privado Sidney Blumenthal. Kaddafi, ao contrário do que faz parecer sua imagem demonizada, construiu na Líbia o mais alto padrão de vida para a África. Ele incentivou a criação de uma aliança de bancos centrais muçulmanos e a introdução de uma moeda lastreada em ouro para comércio de petróleo, abandonando o dólar (norte)americano. Ele queria fazer isso em aliança com Ben Ali, da Tunísia e Mubarak, do Egito. Como Hillary escreveu para Blumenthal, isso tinha que ser bloqueado a qualquer preço. Os meios para “bloquear” foram o bombardeio ilegal da Líbia e o assassinato de Kaddafi, e o resultado foi transformar a Líbia em um monte de escombros. O plano original do Departamento de Estado/Pentágono/CIA previa a derrubada imediata de outra pedra no caminho de Washington, logo depois de Kaddafi, que era Bashar al Assad na Síria. A segunda parte do plano até agora não funcionou bem para os planejadores em Washington e uma grande tragédia humanitária está crescendo depois de seis nos de uma guerra que é, na essência, liderada pelos Estados Unidos.

Nos velhos dias, os conquistadores eram acompanhados pelos missionários. Hoje, os neo colonizadores ocidentais vêm com centenas de ONGs, que devem ensinar aos indígenas como supostamente funciona a democracia ocidental. Você pensa que essas ONGs servem aos interesses desses povos? E quanto às ONGs alemãs, especialmente cheias de uma besteirada ideológica que arrastam. Por exemplo, na forma de uma suposta perspectiva integrada da igualdade de gêneros. O que você acha?

WE: Penso que é adequada a analogia com os missionários “cristãos” do passado e os ONGs “democráticas” ou de “direitos humanos”. Não tenho competência para comentar as atividades das várias ONGs alemãs. Meu foco principal é Washington, o poder hegemônico atual e fonte de muita coisa destrutiva, infelizmente.

No início e no fim de seu livro você se refere ao duplipensar de George Orwell que expõe: “Guerra é Paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é poder”. Vivemos em um tempo em que os significados originais das palavras abrigam conteúdo divergente? Os Estados Unidos e seus estados vassalos estão disparando guerras em nome da democracia e destruindo nações com essa retórica democrática?

WE: Foi por isso que achei adequado citar Orwell. Seu livro 1984, de muitas maneiras é uma descrição de que se tem permitido acontecer com nossas democracias ocidentais, especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Se você pudesse dar às ONGs um conselho, o que você diria?
WE: Para as pessoas honestas e de boa fé que foram apanhadas pela retórica bonita sobre valores, direitos humanos e tal, eu sugeriria que olhassem mais de perto de onde vem o dinheiro que nutre a ONGs de sua preferência. Para a NED ou as fundações de Soros eu poderia sugerir que fariam um favor à humanidade fechando suas portas permanentemente. Deixem que as nações e indivíduos decidam por si mesmo sobre seu futuro, sem a interferência indevida de vocês. Poderia ainda dizer, parafraseando Cromwell ao Parlamento Britânico, “Vocês, ONGs de direitos humanos, Vão! Vocês estão aqui por mais tempo que permite o bem que por acaso tenham feito. Partam, digo eu, e deixe-nos lidar com o que fizemos com vocês. Em nome de Deus, saiam!”

Sr. Engdahl, obrigado pela entrevista.

WE: Agradeço a vocês pelo interesse e pelas excelentes questões.
 
Postado do Blog do Alok