quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Um belo, forte e intenso texto político, cultural e de resistência palestina !

 


Por: Dauli J Baja

Quando o refugiado palestino é morto duas vezes, a morte não é um acontecimento passageiro, mas um processo sistemático.

A primeira morte é direta e brutal, realizada pelas bombas sionistas que têm como alvo os campos de refugiados, as casas, as tendas e as escolas, esmagando o corpo palestino e transformando-o em um número nos noticiários, sem nomes nem histórias.

A segunda morte é a mais perigosa e duradoura, porque atinge o que vem depois do corpo: a memória, a identidade e a história. É uma morte fria e silenciosa, executada por meio de políticas organizadas de apagamento, que começam pela distorção da narrativa palestina e chegam à sua exclusão dos currículos educacionais, ao apagamento de seus símbolos nacionais, até que o próprio nome da Palestina se torne uma palavra proibida ou ambígua em livros que deveriam ser ensinados aos filhos do povo palestino.

Nessa segunda morte, não são as casas que são bombardeadas, mas a memória. Não são os campos que são destruídos, mas esvaziados de significado, e o refúgio é reduzido a uma questão humanitária abstrata, sem causa, sem crime e sem criminosos. O refugiado passa a ser redefinido como vítima das circunstâncias, e não como um ser humano arrancado de sua terra pela força das armas, que continua sendo privado de seu direito natural de retorno.

Proibir o nome Palestina ou esvaziá-lo de seu conteúdo histórico e político não é um erro pedagógico, mas um ato colonial por excelência, cujo objetivo é produzir gerações desconectadas de suas raízes, desorientadas, que não sabem quem é o inimigo nem por que nasceram refugiadas. Trata-se de uma tentativa de reengenharia da consciência palestina, de acordo com as condições e os interesses da ocupação, e não com as verdades da história.

Nesse sentido, o refugiado palestino torna-se alvo em vida e após a morte: é morto quando é bombardeado e morto novamente quando sua história é apagada, seu nome confiscado e seu passado distorcido. Ainda assim, a memória palestina, apesar de todas as tentativas de eliminação, continua resistindo, sendo transmitida de geração em geração, afirmando que a Palestina não é uma palavra em um livro, mas uma pátria viva na consciência, que não pode ser apagada nem confiscada.


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