Por: Dauli J Baja
Quando o refugiado palestino é
morto duas vezes, a morte não é um acontecimento passageiro, mas um processo
sistemático.
A primeira morte é direta e
brutal, realizada pelas bombas sionistas que têm como alvo os campos de
refugiados, as casas, as tendas e as escolas, esmagando o corpo palestino e
transformando-o em um número nos noticiários, sem nomes nem histórias.
A segunda morte é a mais perigosa
e duradoura, porque atinge o que vem depois do corpo: a memória, a identidade e
a história. É uma morte fria e silenciosa, executada por meio de políticas
organizadas de apagamento, que começam pela distorção da narrativa palestina e
chegam à sua exclusão dos currículos educacionais, ao apagamento de seus
símbolos nacionais, até que o próprio nome da Palestina se torne uma palavra
proibida ou ambígua em livros que deveriam ser ensinados aos filhos do povo
palestino.
Nessa segunda morte, não são as
casas que são bombardeadas, mas a memória. Não são os campos que são
destruídos, mas esvaziados de significado, e o refúgio é reduzido a uma questão
humanitária abstrata, sem causa, sem crime e sem criminosos. O refugiado passa
a ser redefinido como vítima das circunstâncias, e não como um ser humano
arrancado de sua terra pela força das armas, que continua sendo privado de seu
direito natural de retorno.
Proibir o nome Palestina ou
esvaziá-lo de seu conteúdo histórico e político não é um erro pedagógico, mas
um ato colonial por excelência, cujo objetivo é produzir gerações desconectadas
de suas raízes, desorientadas, que não sabem quem é o inimigo nem por que
nasceram refugiadas. Trata-se de uma tentativa de reengenharia da consciência
palestina, de acordo com as condições e os interesses da ocupação, e não com as
verdades da história.
Nesse sentido, o refugiado
palestino torna-se alvo em vida e após a morte: é morto quando é bombardeado e
morto novamente quando sua história é apagada, seu nome confiscado e seu
passado distorcido. Ainda assim, a memória palestina, apesar de todas as
tentativas de eliminação, continua resistindo, sendo transmitida de geração em
geração, afirmando que a Palestina não é uma palavra em um livro, mas uma
pátria viva na consciência, que não pode ser apagada nem confiscada.

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