quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Audio secreto confirma: Estados Unidos y Obama apoiam o terrorismo na Síria




Ouça o áudio das declarações secretas do secretário de Estado dos EUA confessando o apoio ao terrorismo, no vídeo.

Pergunta: Você sabe quem é um dos que estão apoiando o grupo terrorista mais criminoso do planeta, o Daesh? Resposta: Um Prêmio Nobel da Paz.
Esta é a evidência que vem à luz provado por um áudio revelado pelo Wikileaks, onde, se ouve a voz do secretário de Estado dos Estados Unidos , John Kerry, confirmando que o Prêmio Nobel da Paz foi o cruel que deu a ordem, com gosto, de  deixar o EIIL (Daesh, em árabe)  grupo terrorista seguir assassinando na Síria, quando  poderia tê-los  parado.

O áudio foi gravado em  uma reunião em setembro passado, em Nova York, na Missão da Holanda para a Organização das Nações Unidas (ONU). Ali se reuniu, discretamente, evidentemente,  o secretário John Kerry como  representante dos Estados Unidos, com os opositores da Síria e alguns  ativistas.
Da reunião emerge a verdade. Os opositores reclamam ajuda, e Kerry não teve escolha, teve que   explicar, em seguida confessar e mostrar que quem apoiou o  Daesh foi  seu próprio governo. Kerry explica  que tinha tudo planejado para o presidente sírio, Bashar
Al-Assad, render-se e aceitar negociar sua retirada com os Estados  Unidos. 
A Casa Branca acreditava que o grupo terrorista Daesh esmagaria o governo sírio e, portanto, o Prêmio Nobel da Paz, do escritório Oval,  acompanhava seu  crescimento ... e, então, com gosto,  deu a ordem de   deixá-los utilizar as bombas e matar por prazer de modo que destruíssem assim o governo de AL-Assad.
Esta é a mais horrenda  declaração  que um governo pode dar!  Não importa qual é o propósito, mas o fato era claro: o apoio ao terrorismo. Estavam aderindo àquilo que criticam e punem, eles próprios, no  relatório  anual sobre os  países que apoiam o terrorismo. E então.....EUA....?
O apoio confesso  para o mais sanguinário: Daesh. Isto quer dizer que para os EUA não
importa se estão plantando bombas, disparando mísseis, matando civis,  destruindo um país,  da maneira mais covarde com terrorismo, e tudo mais para chegar aos seus objetivos e ideias.
Na reunião Kerry também acrescenta a sua explicação de que a  genial   ideia terrorista, malévola e criminosa - porque assim temos que dizer de uma ação descrita pelas próprias leis norte-americana como um crime  federal: apoiar o terrorismo -,  foi arruinada ( a genial ideia) porque  não contavam que Presidente AL-Assad, fosse para pedir a ajuda  de
Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin  apareceu e os  plano para derrubar o governo sírio dos
EUA foi por agua abaixo. Assim explica e confessa o secretário de Estado dos EUA. 

Este áudio já havia sido vazado para a imprensa no ano passado, CNN e The New York Times publicaram-no, mas,  o que você acha? Eles apagaram estas partes e só exibiram ,  como um "ato de democracia" para desmascarar algo  não tão grave como o fato de Kerry "não ter mais   argumentos para continuar a guerra contra a Síria" e nada mais.
Tivemos  que ouvir novamente  a revelação do Wikileaks para mostrar a versão
completa que compromete o Prêmio Nobel da Paz: o Presidente Barack  Obama. 

 "A razão pela qual  a Rússia entrou  foi porque o EIIL estava se   fortalecendo. Daesh estava ameaçando a possibilidade de chegar  a  Damasco, e ir mais adiante. É por isso que a Rússia entrou. Eles não queriam um governo de Daesh. E  apoiaram Al-Assad. E nós sabíamos que (Daesh) crescia.  Nós observávamos. Observamos que o  Daesh  crescia e se fortalecia. Nós imaginamos que a AL-Assad estaria ameaçado. Nós imaginamos que poderia forçar AL-Assad a sentar e negociar. Em vez de uma negociação, estamos diante de AL-Assad e apoio de Putin ", afirma John Kerry no áudio revelado. 

Qual deve ser a punição para um Prêmio Nobel da Paz, que também é presidente dos Estados Unidos e que, segundo o áudio secreto do Wikileaks , apoiou o grupo terrorista mais temido do planeta? Por  CNN apagou essas partes da declaração e quem poderá punir o  patrocinador?
Em "Por Detrás da Razão", perguntamos, os analistas respondem e você em casa conclui. E se a realidade faz o que quer, então voltaremos a perguntar. O importante é detectar as arestas que não nos dizem. As análises, as perguntas e as respostas às nove e meia da noite, a partir dos estúdios de Teerã; Londres e Madrid à  sete horas, no México às 12 e  na Colômbia uma da tarde.
Roberto de la Madrid
http://www.hispantv.com/programas


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Obama, o criminoso de guerra carrasco de mulheres e crianças


Não há dúvida de que o presidente Barak Obama é um criminoso de guerra assim como o são seus responsáveis militares e de inteligência e a maior parte da Câmara e do Senado.

Obama foi o primeiro presidente a manter os EUA em guerra durante toda a duração dos seus oito anos de mandato. Só em 2016 os EUA despejaram 26.171 bombas sobre festas de casamento, funerais, jogos de futebol de garotos, hospitais, escolas, pessoas nas suas casas e a andarem nas ruas e agricultores a lavrarem seus campos em sete países: Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia, Iémen, Somália e Paquistão.
 http://blogs.cfr.org/zenko/2017/01/05/bombs-dropped-in-2016/

O que tem esta administração a mostrar pelos oito anos de intervenções militares ilegais em sete países, nenhum dos quais representava um perigo para os EUA e contra nenhum dos quais os EUA declararam guerra? O terrorismo foi criado pelas invasões estado-unidenses, nenhuma das guerras foi vencida e o Médio Oriente foi consumido no caos e na destruição. O ódio mundial aos Estados Unidos ascendeu a uma altura recorde. Os EUA são agora o mais abominado país da terra.

O único propósito destes crimes é enriquecer a indústria de armamentos e avançar a insana ideologia neoconservadora da hegemonia mundial estado-unidense. Um minúsculo punhado de pessoas desprezíveis foi capaz de destruir a reputação dos Estados Unidos e assassinar milhões de pessoas, enviando ondas de refugiados de guerra para os EUA e a Europa. 


Chamamos a isto "guerra", mas elas não são. São invasões, em grande parte a partir do ar, mas no Afeganistão e no Iraque de tropas sobre o terreno. As invasões por ar e por terra são inteiramente baseadas em mentiras flagrantes e transparentes. A "justificações" para as invasões mudaram uma dúzia de vezes.

As perguntas são: se Trump se tornar presidente, será que os crimes maciços de Washington contra a humanidade continuarão? Se assim for, será que o resto do mundo continuará a tolerar a perversidade extraordinária de Washington? 
11/Janeiro/2017

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

O Pentágono fez a volta ao mundo

Ashton Carter

Em 13 de dezembro, o chefe do Pentágono, Ash Carter,  chegou à Itália, em nome da administração cessante de Obama, que está fazendo “a volta ao mundo para agradecer às tropas dos EUA instaladas na Ásia, Oriente Médio e Europa e se encontrar com importantes parceiros e aliados”.
Por Manlio Dinucci*
O giro começou no dia 3 de dezembro a partir da Califórnia, onde Carter fez o discurso de encerramento do “Forum Reagan”, que lhe conferiu o prêmio “A paz através da força”.
Em seguida, Carter partiu ao Japão, onde passou em revista as tropas dos EUA e se encontrou com o ministro da Defesa, Inada. O Japão, que contribui com 1,6 bilhão de dólares anuais para a permanência de 50 mil soldados estadunidenses em seu próprio território, é particularmente importante como base avançada dos sistemas de mísseis dos Estados Unidos instalados contra a China com “escopo defensivo” e, precisa o Pentágono, é um aliado “em condições de defender outros países que possam ser atacados”.
Do Japão, Carter voou à Índia, que se tornou o segundo comprador mundial de armas dos EUA depois da Arábia Saudita: um resultato da estratégia de Washington que visa a debilitar as relações da Índia com a Rússia, minando o grupo dos Brics atacado ao mesmo tempo através do golpe “institucional” no Brasil.
O chefe do Pentágono foi em seguida ao Bahrein, onde participou no “Diálogo de Manama” organizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, influente think tank britânico financiado pelo emirado com mais de 38 milhões de dólares. Intervindo sobre a “lógica da estratégia norte-americana no Oriente Médio”, Carter precisou que nesta região estão instalados mais de 58 mil militares dos EUA, entre os quais mais de cinco mil no terreno no Iraque e na Síria, “não só para lutar contra os terroristas como os do chamado Estado Islâmico (Isis, na sigla em inglês), mas também para proteger os nossos interesses e os dos aliados” (razão pela qual os EUA e as monarquias do Golfo, como amplamente documentado, apoiaram secretamente o Isis, funcional à sua estratégia na Síria e no Iraque).
Carter acusou a Rússia de não combater o Isis na Síria, mas de ter somente “inflamado a guerra civil e prolongado o sofrimento do povo sírio”. Em seguida, acrescentou que como “o Irã continua a instalar mísseis”, os EUA estão realizando com os aliados “uma defesa regional de mísseis”, compreendendo um potente radar no Catar, mísseis Thaad nos Emirados e outros sistemas de mísseis (na realidade, não de defesa mas de ofensiva, uma vez que os mesmos tubos de lançamento podem ser usados para mísseis de ataque também nuclear).
Do Bahrein, Carter foi a Israel, onde ontem (12 de dezembro) participou com o ministro da Defesa, Lieberman, na cerimônia da chegada dos primeiros dois caças F-35 para a aeronáutica israelense, símbolo da cada vez mais estreita parceria militar com os EUA, “levada a níveis sem precedentes pelo acordo decenal de assistência assinado em setembro último”.
De Israel o chefe do Pentágono chegou na Itália, para uma visita de dois dias às tropas estadunidenses com o escopo – declara um documento oficial – de “apoiar as operações dos EUA e da sua coalizão em escala mundial, entre as quais a contenção da agressão russa na Europa oriental e o fortalecimento do flanco sul da Otan”.
A volta ao mundo, que se encerra em Londres em 15 de dezembro, com uma reunião da “coalizão anti-Isis”, tem um escopo político bem preciso: reafirmar na véspera da entrega do governo a estratégia da administração Obama, que a democrata Clinton teria prosseguido, para que permaneçam abertas as frentes de tensão e guerra no Sul e no Leste que o democrata Obama deixa como herança ao republicano Trump. Que ao menos não tem o mérito de não ser Prêmio Nobel da Paz.
Manlio Dinucci
Jornalista e geógrafo.
http://www.globalresearch.ca/o-pentagono-faz-a-volta-ao-mundo/5565506

A herança do democrata Barack Obama

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Escondida nas dobras da autorização das despesas militares para 2017, assinada pelo presidente, está a lei para “contrastar a desinformação e a propaganda estrageira”, particularmente atribuída à Rússia e à China, conferindo ulteriores poderes à tentacular comunidade de informação, formada por 17 agências federais. Graças também a uma alocação de 19 bilhões de dólares para a “cyber-segurança” essas agências podem silenciar qualquer fonte de “falsas notícias”, segundo o incontestável julgamento de um “Centro” especial coadjuvado por analistas, jornalistas e outros “experts” recrutados no exterior. Torna-se realidade o orwelliano “Ministério da Verdade” que o presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, prenuncia como algo que deveria ser instuído pela União Europeia.
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Às vésperas da transmissão de poder na Casa Branca, o ano de 2017 se abre com o massacre terrorista na Turquia, duas semanas depois do assassinato do embaixador russo em Ancara, perpetrado um dia antes do encontro em Moscou entre Rússia, Irã e Turquia para um acordo político sobre a Síria. Encontro do qual os Estados Unidos foram excluídos.
Nos últimos dias da administração Obama, os EUA estão empenhados em criar a máxima tensão possível com a Rússia, acusada inclusive de ter subvertido, com os seus “malignos” hackers e agentes secretos, o êxito das eleições presidenciais que Hillary Clinton deveria ter vencido. Isto teria assegurado a continuidade da estratégia neocon, da qual Clinton foi a artífice durante a administração Obama.
Esta termina sob o signo do fracasso do principal objetivo estratégico: a Rússia, jogada às cordas pela nova guerra fria desencadeada com o golpe na Ucrânia e pelas decorrentes sanções, pegou Washington de surpresa intervindo militarmente em apoio a Damasco. Isto impediu que o Estado sírio fosse desmantelado como o líbio e permitiu às forças governamentais libertar vastas áreas controladas durante anos pelo Isis (o chamado Estado Islâmico na sigla em inglês), Al Nusra e outros movimentos terroristas funcionais à estratégia dos EUA e da Otan. Abastecidos com armas, pagos com bilhões de dólares pela Arábia Saudita e outras monarquias, através de uma rede internacional da CIA (documentada pelo New York Times em março de 2013) que chegavam à Síria através da Turquia, posto avançado da Otan na região.
Mas agora, diante do evidente fracasso da operação, que custou centenas de milhares de mortos, Ancara se retira, abrindo uma negociação com o intento de obter o máximo de vantagem possível. Com essa finalidade, recostura as relações com Moscou, que estavam a ponto de ruptura, e toma distância de Washington. Uma afronta para o presidente Obama. Este, porém, antes de passar o bastão de comando ao recém eleito Trump, dispara o último cartucho.
Escondida nas dobras da autorização das despesas militares para 2017, assinada pelo presidente, está a lei para “contrastar a desinformação e a propaganda estrageira”, particularmente atribuída à Rússia e à China, conferindo ulteriores poderes à tentacular comunidade de informação, formada por 17 agências federais. Graças também a uma alocação de 19 bilhões de dólares para a “cyber-segurança” essas agências podem silenciar qualquer fonte de “falsas notícias”, segundo o incontestável julgamento de um “Centro” especial coadjuvado por analistas, jornalistas e outros “experts” recrutados no exterior. Torna-se realidade o orwelliano “Ministério da Verdade” que o presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, prenuncia como algo que deveria ser instuído pela União Europeia.
Ficam assim potenciadas pela administração Obama também as forças especiais, que estenderam as suas operações secretas de 75 países em 2010 para 135 em 2015.
Nos seus atos finais a administração Obama reafirmou em 15 de dezembro o próprio apoio a Kiev, à qual fornece armas e cujas forças treina, inclusive os batalhões neonazistas, para combater os russos na Ucrânia.
E em 20 de dezembro, com propósitos antirrussos, o Pentágono decidiu fornecer à Polônia mísseis de cruzeiro de longo alcance, com capacidade de penetração anti-bunker, equipáveis também com ogivas nucleares.
Do democrata Barack Obama, Prêmio Nobel da Paz, fica para a posteridade a sua última mensagem sobre o estado da União: “A América é a mais forte nação da Terra. Dispendemos para o setor militar mais do que dispendem as oito seguintes nações somadas. As nossas tropas constituem a melhor força combatente na história do mundo”.
Manlio Dinucci 
http://www.globalresearch.ca/a-heranca-do-democrata-barack-obama/5566283


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Declaração do Partido Comunista Sírio (Unificado)

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Aos camaradas,
A direção  do Partido Comunista Sírio (Unificado) pretende dar-lhe algumas informações sobre os acontecimentos na Síria, com o objetivo de mostrar os fatos reais, e pedir mais apoio ao povo sírio que estão enfrentando o mesmo inimigo.
Queridos camaradas,
Como é sabido, o nosso partido, juntamente com outros partidos progressistas e patrióticos da Síria, está lutando contra o que hoje em dia é  considerado como uma das mais bárbaras agressões imperialistas  desde a Segunda Guerra Mundial, uma luta contra os mais condenados internacionalmente: os movimentos extremistas e fundamentalistas deste século, como "Al-Nusrah Front", "ISIS" (DAESH) e "Al-Qaeda". Esta luta é a encarnação prática da confrontação contra o projeto imperialista de dominação mundial e, em particular, a dominação e reconfiguração do que foi denominado por eles como o "Novo Oriente Médio".
Até agora, dezenas de milhares de pessoas foram assassinadas, centenas de milhares de outras foram feridas e milhares de famílias foram forçadas a migrar para áreas mais pacíficas dentro e fora da Síria. Os danos são imensuráveis, milhares de oficinas e fábricas de pequenas e médias indústrias foram destruídas, enquanto muitas grandes estruturas industriais, instalações de infra-estrutura, escolas, hospitais, sítios arqueológicos e cidades antigas foram esmagadas. O petróleo sírio e outras riquezas do povo sírio estão sendo roubados e contrabandeados para a Turquia, cujo regime está aliado a organizações terroristas. O custo desta destruição é estimado em cerca de 200 bilhões de dólares.
O povo sírio, juntamente com o governo, o exército árabe sírio e as forças políticas progressistas do país, estão resistido bravamente a esta agressão desde seu início em 2011. Os terroristas que levam a cabo a agressão  à Síria vêm de mais de 80 países, apoiados pelas potências imperiais do mundo e seus aliados do golfo.
Agora a ameaça  está se espalhando para fora da Síria e da região, para outras áreas e países, para países europeus como a França e a Bélgica. Agora o terrorismo é um fenômeno internacional, e o governo dos EUA é considerado o principal defensor deste projeto realizado por terroristas e mercenários. Especialistas dos países ocidentais e conglomerados financeiros dos regimes reacionários árabes, principalmente o Reino da Arábia Saudita (KSA) e o Qatar, apoiam e patrocinam organizações terroristas com a cooperação da Turquia.
Diante dessa situação absolutamente difícil, a Síria teve que pedir ajuda à Federação Russa. Moscou forneceu à Síria o apoio necessário para resistir a essa agressão bárbara. A ajuda russa confundiu os governos ocidentais e os regimes regionais reaccionários da Turquia, Qatar e KSA. Este apoio mudou radicalmente o equilíbrio de poder no campo de batalha e ajudou a Síria a permanecer firme durante seis anos de guerra. A Síria continuará sua luta em defesa do povo sírio e para libertar todo o solo sírio dos agressores. 
O governo sírio informou a comunidade internacional as razões para esta ajuda da Federação Russa:
1. Este auxílio veio a pedido do governo legítimo. 
2. A Carta da ONU e todas as resoluções internacionais proíbem qualquer Estado de atacar outro Estado ou de interferir nos assuntos internos de outro Estado. 
3. Qualquer país sob ataque tem o direito de legítima defesa, de acordo com as leis e normas internacionais. 
 
Ao mesmo tempo em que as forças legítimas continuam a defender a Síria e a libertar os territórios ocupados pelos terroristas que tratam de impor as suas próprias leis que datam de 1500 anos atrás e cometem os crimes mais sanguinários, a Síria apoia a solução política da crise sobre a base de parar o derramamento de sangue e a evacuação de  todas as forças terroristas estrangeiras de todas as áreas ocupadas, bem como a  realização de  eleições democráticas no país e o inicio de um  diálogo nacional inclusivo com os principais partidos de oposição do país. No entanto, os terroristas, que tem relações com determinados grupos de oposição, tentam constantemente pressionar esses grupos para continuarem a boicotar e lutar contra o governo e fracassar o processo político baseado nas conferências I e II de Genebra, bem como na reunião de Viena .

Camaradas!
O sangue ainda está sendo derramado na Síria, especialmente na cidade de Aleppo, a segunda capital do país, 75% do seu território foi libertado pelo Exército Árabe Sírio e seus aliados. Por outro lado, terroristas em Aleppo se negaram a qualquer trégua para salvar as vidas dos civis, que usavam como escudos humanos. Camaradas, nosso partido está mais interessado em confirmar os seguintes fatos.
 
1. Não é aceitável colocar o agressor e a vítima em pé de igualdade. 
 
2. As leis internacionais não permitem que nenhum Estado interfira nos assuntos internos de qualquer outro país, é exatamente o que os terroristas e seus apoiadores estão fazendo na Síria ao exigir que o Presidente Assad se retire, sendo este é um assunto  que deve ser decidido apenas pelo povo sírio. 
 
3. Os agressores são os únicos que têm a total responsabilidade pelas perdas das vidas humanas e pelos danos que causaram ao país. 
 
4. A agressão contra a Síria segue junto  com a campanha dos meios de comunicação do imperialismo, pela qual bilhões de dólares são pagos pelos  EUA e pela  KSA. Através desta campanha de mídia, fatos sobre acontecimentos  no país são falsificados e esta desinformação é difundida pelo mundo. 
 
5. O Iraque também está sob a mesma agressão, e o povo iraquiano está resistindo, e o  dever de todas as forças progressistas do mundo é apoiar a resistência corajosa dos povos iraquiano e sírio contra os agressores terroristas estrangeiros.
Camaradas, os partidos progressistas na Síria estão lutando principalmente para salvar as condições de vida do povo, especialmente nestas circunstâncias de guerra e injusto bloqueio econômico contra o povo sírio. No entanto, os sírios provaram, ao longo dos anos de agressão imperialista, seu patriotismo e, ao mesmo tempo, conseguiram manter uma vida democrática, progressista e independente, o povo sírio apoia uma solução política para a crise.  
Nosso partido deseja manter conexões mútuas através de todos os meios, dar respostas para qualquer pergunta que possa surgir sobre a situação na Síria. O Partido Comunista Sírio (Unificado) também deseja a  cooperação dos partidos progressistas e democráticos na questão  de prestação de ajuda humanitária.


Saudações cordiais,

Relação de camaradagem, 
Síria Partido Comunista (Unificado) 
Síria - Damasco 7/12/2016



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Os povos da ex-URSS

Dando início às comemorações dos 100 anos da Revolução Socialista Russa, envio esse artigo do notório militante do PC português, Miguel Urbano Rodrigues, que é um denso resumo sobre a formação da URSS, especialmente, dos povos que a compunham.
Não podemos esquecer que há 100 anos a Revolução Socialista Russa criou uma barreira, geográfica inclusive, aos Holocaustos Coloniais promovidos pelo Imperialismo Ocidental sob a égide do Liberalismo, que devastou as grandes civilizações da América Latina, África e Ásia. (Ramez)

Os povos da ex-URSS


 por Miguel Urbano Rodrigues

Não há precedente histórico para o Estado multinacional que foi criado na União Soviética após a Revolução Russa de Outubro de 1917. 

Finda a guerra civil, povos de 126 nacionalidades conviveram durante muitas décadas, quase sempre pacificamente, no vastíssimo espaço euroasiático soviético. Esses povos falavam 180 idiomas diferentes, de quatro famílias linguísticas. 

Como foi possível? 

As tentativas de explicação desse desafio à lógica da História são muitas e contraditórias. 

O gigantismo do país foi o desfecho de circunstâncias históricas que não eram previsíveis quando em Kiev, na Ucrânia, surgiu no século IX o principado de Rus, berço do futuro estado, criado – segundo a maioria dos historiadores – pelos varegos, escandinavos que ali chegaram descendo grandes rios. 

A Rússia medieval teve como referência cultural e religiosa Bizâncio, a Roma do Oriente. Mas permaneceu um país atrasado no qual pequenos principados raramente se uniam para enfrentar os invasores estrangeiros. Estes vinham do oriente, nómadas asiáticos, e do ocidente, sobretudo a avançada para leste de povos germânicos. 

No século XIII, os mongóis de Batu Khan destruíram a s principais cidades, de Moscou a Kiev, numa orgia de barbárie. Esse povo de nómadas chegou para ficar. 

Durante quase três séculos, os Kanatos dos príncipes gengiskanidas dominaram grande parte da Rússia, impondo pesados tributos às populações. 

Não se fundiram com os russos. Na Ásia os mongóis e turcos da conquista diluíram-se, descaracterizaram-se no contacto com grandes civilizações. Na China sinizaram-se; na Pérsia tornaram-se muçulmanos. Na Rússia atrasada, a cultura e a religião ortodoxa não os atraíram; abraçaram o Islã. 

Foi somente no século XVI que o czar Ivan IV, ao tomar Kazan, pôs fim ao senhorio da Horda de Ouro mongol. 

Mas a herança genética dos invasores asiáticos foi profunda. Milhões de russos descendem de um prolongado processo de mestiçagem. Os avós paternos do próprio Lenin eram calmucos, um povo turco mongol. 

Sem acesso ao Báltico e ao Mar Negro, acossada a Ocidente pela Ordem Teutónica, por polacos e lituanos, e mais tarde pelos suecos, a sul pela Turquia, a Rússia iniciou a sua expansão para leste. 

A imensidão siberiana era um território praticamente despovoado. Na época em que os russos avançaram para além dos Urales, o total de habitantes da Sibéria, segundo os demógrafos, rondaria os 300 mil. A maioria, de origem turca, nomadizava. Eram tribos remanescentes das grandes invasões que na Alta Idade Média tinham avançado para a Europa, sobretudo a partir do Altai. 

Os pioneiros russos, deslocando-se a pé, a cavalo, de barco ou de trenó consoante a estação, atingiram rapidamente o Ártico e em 1640 fundavam Irkutsk, e uma década depois a galopada conquistadora desembocava no Pacifico. 

Mas o imperialismo russo somente assumiu contornos de politica de estado um século depois, com Pedro I, cognominado o Grande. É no reinado desse czar que a Rússia expulsa os suecos de Riga e do golfo da Finlândia, onde funda São Petersburgo. As guerras com a Turquia abrem-lhe simultaneamente o acesso ao Mar de Azov e ao Mar Negro. A Ucrânia, que estava quase toda sob ocupação polaca, é incorporada na Rússia. 

A partir de meados do século XVIII, na época da czarina Catarina, a política imperial altera-se profundamente. 

As conquistas no Cáucaso, após guerras contra a Turquia e a Pérsia, e posteriormente a ocupação do Cazaquistão em regime de protetorado, e a conquista dos emirados da Asia Central, densamente povoados por turcos e iranianos, motivaram atitudes diferenciadas. Na Arménia e na Geórgia, nações cristãs, os russos foram recebidos como libertadores. 

Outra foi a atitude das populações no Azerbaijão, em pequenos estados do Cáucaso e nos emirados do Turquestão onde o Islã estava enraizado há mais de um milênio. 

A administração russa adotou aí políticas de recorte colonial típico. Os colonos russos não se misturaram com os autóctones; instalaram-se em bairros diferentes. Os governadores imperiais permitiram que as autoridades locais permanecessem em funções e para os muçulmanos foram mantidas as leis islâmicas. Os emirados mantiveram uma autonomia fictícia até à Revolução de Outubro, que depôs os príncipes gengiskanidas. 

Na brutalidade da repressão o colonialismo russo na Ásia Central apresentou semelhanças com o dos ingleses, franceses e portugueses na África subsaariana. A continuidade geográfica dos territórios anexados imprimiu-lhe porem características peculiares, diferentes do europeu, marcado pelo afastamento das colônias da metrópole europeia. Na Asia Central não se registrou, porem, até ao final da II Guerra, uma política de russificação. 

A queda da autocracia czarista levantou uma vaga de esperança nas populações não russas do império. Mas, após a Revolução de Fevereiro, as mudanças foram mínimas com poucas exceções. Na Europa as áreas ocidentais estavam aliás parcialmente ocupadas pelos alemães. 

O quadro somente mudou com a Revolução de Outubro. 

O Decreto sobre a Paz, de 26 de Outubro de 17, condenou todas as anexações realizadas pelas grandes potências europeias. E dias depois, a 2 de novembro, o Decreto sobre as nacionalidades definiu os princípios que a jovem república pretendia impor nas relações com as populações não russas. Incluíam o direito à autodeterminação dos povos que optassem pela independência. Contrariando influentes membros do Comitê Central, Lenin não se opôs à independência da Finlândia e à restauração da Polônia como estados soberanos. 

Lenin via a URSS como uma união de republicas iguais na qual a Rússia teria os mesmos direitos que as outras. A sua preocupação com a questão nacional era tão grande que nos anos do exilio incumbiu Stalin de escrever um trabalho sobre o tema que foi posteriormente editado em livro [1] . Lenin elogiou o ensaio de Stalin, mas as ideias de ambos sobre a questão nacional não coincidiam. 

Nos países bálticos a situação era muito complexa. Surgiram três tendências antagônicas. A maioritária pronunciou-se pela independência. Uma minoria revolucionária bateu-se pela integração na União Soviética, e um setor da burguesia agrária pela ligação à Alemanha. A intervenção da esquadra britânica contribuiu decisivamente para a vitória dos partidários da independência. Nos três países, dois séculos de administração russa não tinham abalado as superestruturas culturais. A Estônia, fino-ugria, e a Letônia e a Lituânia, indo-europeias, mantinham os seus idiomas e o alfabeto latino. 

No Cáucaso e na Ásia Central a integração na Rússia revolucionária não foi imediata. 

No Daguestão, na Chechênia, na Inguchia, terras muçulmanas, imperou o caos durante anos. 

Em 1918, após a derrota da Turquia, tropas britânicas ocuparam o Azerbaijão, a Geórgia e a Armênia e reprimiram as forças revolucionárias favoráveis à Revolução de Outubro. Sob a proteção das baionetas inglesas, os países da Transcaucásia proclamaram a independência. Mas, quando os britânicos se retiraram, os comunistas tomaram o poder no Azerbaijão e em 1920 o país optou pela integração na Rússia soviética. Na Geórgia a situação permaneceu tensa durante o breve governo social-democrata que ali se instalou. Foi a intervenção do exército vermelho em 1921 que precedeu a adesão à República Russa. 

Na Armênia, onde o sentimento nacional era muito forte, reforçado pelo genocídio dos armênios na Turquia, foi também a intervenção do exército vermelho em 1921 que permitiu a criação de uma república soviética, pondo termo a uma prolongada guerra civil. 

Mas Lenin tornou público o seu desacordo da repressão no Cáucaso, criticando com severidade os métodos ali aplicados por Stalin. 

Na Ásia Central as populações muçulmanas festejaram a queda da autocracia czarista, mas em 1918 a república socialista soviética do Turquestão teve uma existência breve, tal como as repúblicas de Bukhara e do Korassão. 

A guerra civil foi ali prolongada e o almirante Koltchak, líder da contrarrevolução, chegou a controlar parte da Ásia Central. 

Durante quase quatro anos imperou o caos na Região. 

Somente quando a União Soviética foi criada em Dezembro de 1922, as populações do antigo Turquestão voltaram a viver em paz. 

O processo de integração da Ucrânia na Rússia soviética foi talvez o mais traumático. Os nacionalistas de Petliura defenderam a criação de um Estado independente contra a opinião da minoria russófona do leste do país. Com a ocupação alemã a confusão aumentou. A Ucrânia foi um dos principais cenários da guerra civil entre os brancos e as forças revolucionárias, mas os bolcheviques venceram. 

O RENASCIMENTO DOS NACIONALISMOS 

Sucessivos governos da União Soviética afirmaram após 1945 que a questão nacional tinha sido definitivamente resolvida. 

Simulavam ignorar a realidade. 

Durante a guerra, os alemães foram bem recebidos por uma parcela importante das populações bálticas. O mesmo ocorreu inicialmente na Ucrânia. Mais de 100 mil ucranianos lutaram contra a URSS, muitos nas SS nazis. E os guardas de muitos campos de concentração alemães eram ucranianos colaboracionistas. 

É um fato que na Europa e na Ásia foi pacífico durante décadas o convívio da maioria russa com as minorias nacionais. Mas a concessão de Lenin, incorporada na Constituição da URSS, sobre a igualdade de direitos dos povos da União nunca foi respeitada. O que prevaleceu foi, na prática, a concessão do federalismo internacionalista de Stalin, hegemonizado pela Rússia. 

O homo soviéticos que deveria ser uma criação do socialismo não passou de aspiração. 

No final da II guerra mundial, as feridas abertas por decisões de Stalin, incompatíveis com os princípios que regulamentavam a questão nacional, não estavam cicatrizadas. 

A expulsão para a Ásia Central dos Tártaros da Crimeia, dos alemães do Volga e de alguns povos de origem turca, e a deportação para a Sibéria de milhares de bálticos deixou sequelas profundas nas minorias atingidas por essas medidas repressivas. 

O renascimento do nacionalismo separatista no espaço soviético ficou transparente desde o início da perestroika. Contribuiu decisivamente para a desagregação da URSS. 

Foi obviamente incentivado, e com frequência financiado pelos EUA no âmbito de uma estratégia cuja meta era a destruição da União Soviética e a transformação da Rússia numa sociedade capitalista. 

Mas o êxito dessa política foi muito facilitado pela atmosfera anti russa que persistia, adormecida, nas populações de muitas repúblicas. 

Os países bálticos, onde havia fortes minorias russas, foram os primeiros a romper, optando pela independência. Em visita à Lituânia e Letônia no verão de 1989 chocou-me a vaga de anticomunismo. Funcionários dos Partidos locais elogiavam como "heróis" os dirigentes de direita da Republica anterior à II Guerra Mundial. Em Vilnius, Alguis Tchecuolis, um lituano que havia dirigido a Agencia Novosti em Lisboa, disse-me sem rodeios que era "anti leninista". À porta das igrejas, jovens colavam nas paredes cartazes antissoviéticos. 

Tive a oportunidade de registrar um grande mal-estar no Cáucaso e no Cazaquistão em 1987 e 1989, quando o fracasso da perestroika já era identificável por visitantes comunistas como eu. Em Alma Ata, no Cazaquistão, onde meses antes manifestações anti-russas tinham sido reprimidas pelas armas, um secretário do Partido minimizou em conversa comigo o significado dos protestos populares, atribuindo-os a hooligans, a marginais. 

Em visitas ao Uzbequistão, impressionou-me a tenaz sobrevivência da cultura islâmica naquela república. E surpreendeu-me a ignorância de camaradas do Partido da história dos povos iranianos e turcos que ali tinham criado grandes civilizações cuja herança é identificável nas deslumbrantes mesquitas e medersas de Samarcanda, Khiva e Bukhara, patrimônio da humanidade. Alguns manuais de história soviéticos ignoravam mesmo o chamado renascimento timurida, o fascinante período de esplendor cultural na literatura, nas artes, na astronomia e na arquitetura, tornado possível pelos descendentes do conquistador turco Tamerlão. 

Em jornadas inesquecíveis pelas províncias do Norte do Afeganistão e pelo Sul do Uzbequistão tive a oportunidade de verificar que a fronteira que ali separa dois estados iluminava uma realidade que me transportou a diferentes idades da Humanidade. 

De ambos os lados daquela fronteira artificial, traçada no final do século XIX pelo Império Britânico e pelo Império Russo, vivem ainda povos irmãos que falam línguas turcas e iranianas. Mas enquanto no Uzbequistão me senti no Século XX, nos povoados misérrimos da Báctria e no Bandaquistao afegãos movimentei-me por vezes entre gentes que me transportavam pela imaginação ao século X. 

Na outra margem do Amu Daria, não obstante as políticas discriminatórias de Stalin na Ásia Central, a revolução soviética ergueu grandes cidades, indústrias modernas, universidades de prestígio, e com a água dos grandes rios que descem do Pamir irrigou desertos, criando neles uma agricultura florescente. 

Mas bastava atravessar a ponte que separa a Termez uzbeque da Hairaton afegã para contemplar uma sociedade onde uma mulher valia menos do que um camelo. 

Não houve, insisto, política permanente de russificação na Ásia Central soviética. Era uma impossibilidade. Mas, apesar da fidelidade à cultura e às tradições muçulmanas, as Republicas da Ásia Central foram as ultimas a proclamar a independência. A ruptura não foi aliás conflituosa, ao contrário das bálticas. 

Nesses países, os dirigentes do Estado e do Partido exerciam o poder de uma forma autocrática, com punho de ferro, e temiam a transição para formas de governo de modelo ocidental. Muitos aliás sobreviveram à transição para o capitalismo, nomeadamente no Cazaquistão (Nursultan Nezarbayev continuou a governar o país) e no Turquemenistão. 

UMA DERROTA DA HUMANIDADE 

Refletindo hoje sobre os acontecimentos da Ucrânia e a torrente de disparates venenosos que os media ocidentais divulgam sobre o que ali está a passar-se e os discursos anti russos de Obama e dos principais estadistas da União Europeia, sou levado à conclusão de que uma profunda ignorância da historia da Rússia e da URSS contribui para a aceitação pela maioria dos europeus e americanos das teses da propaganda anticomunista. Com poucas exceções, os sovietólogos ocidentais das grandes universidades continuam a apresentar a União Soviética como um estado monstruoso e o comunismo como uma aberração. Insistem em ver em Stalin um ditador sanguinário e em estabelecer paralelos com Hitler. Mas Lênin também é exorcizado. 

A maioria dos Partidos Comunistas reagiu mal à desagregação da URSS e à instalação do capitalismo na Rússia. Traumatizados pela derrota do "modelo" que haviam defendido durante décadas, não demonstraram capacidade para dar uma resposta ideológica adequada à ofensiva dos inimigos da véspera. Muitos dirigentes dos PCs europeus e americanos (o dos EUA é hoje uma organização social-democrata) participaram inclusive das campanhas de descrédito da URSS. Afirmam ainda lutar pelo socialismo, mas não convencem. Retomam velhas teses de Kautsky, Bauer e Bernstein. Adotando um conceito perverso de democracia, vulgarizado pelos sacerdotes do capital, chegam à aberração de admitir que um dia a humanidade chegará ao socialismo pela via parlamentar, através de reformas realizadas no âmbito das instituições criadas pela burguesia para lhe servirem os objetivos. 

Como comunista, não duvido de que a Revolução de Outubro foi um dos maiores acontecimentos da História, na continuidade da Revolução Francesa de 1789, assinalando o caminhar do nosso Planeta para um mundo que responda a aspirações eternas do homem. 

Creio também que os historiadores do futuro, superado o frenesi irracional do antisovietismo, refletirão com serenidade sobre a intervenção de Stalin na História do século XX. A sua personalidade nunca me atraiu. Mas esse distanciamento do homem não me impede de qualificar de deturpadoras da História as posições antagônicas daqueles que o condenam sem apelo como inimigo da Humanidade e dos que, numa perspectiva oposta, veem nele o genial estadista da Revolução que mudou o mundo. 

Os crimes e erros de Stalin foram enormes e a URSS pagou por eles um preço altíssimo. Mas sendo inquestionável que lhe cabem pesadíssimas responsabilidades pelo rumo tomado pelo PCUS, e portanto pela derrota ali do socialismo, é também para mim evidente que Stalin foi um revolucionário que desempenhou um papel decisivo no esmagamento do III Reich nazi.

Para finalizar, reafirmo a convicção de que o desaparecimento da União Soviética foi uma tragédia para a Humanidade – acelerada pela traição de Gorbatchov e pela guerra não declarada do imperialismo norte-americano – e que, para tentarmos entender a Rússia contemporânea, é imprescindível um conhecimento mínimo da história dos povos que habitam o seu gigantesco território. 
Vila Nova de Gaia e Serpa, março/2014 e dezembro/2016

[1] JVStalin, Obras, II Tomo, paginas 278 a 348, Editorial Vitória, Rio de Janeiro,1952. O ensaio de Stalin, intitulado "O Marxismo e a Questão Nacional", analisa sobretudo o tema a partir de opiniões dos austro marxistas Springer e Otto Bauer, de teses do Bund judaico, e dos problemas das nacionalidades do Cáucaso. É confuso e mal estruturado. 
O original encontra-se em www.odiario.info/os-povos-da-ex-urss/ 
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A reviravolta da Turquia


A Turquia é membro da OTAN, aliada da Arábia Saudita, chefe do jihadismo internacional desde a hospitalização do Príncipe Bandar ben Sultan, em 2012, e apadrinha os Irmãos Muçulmanos desde o derrube de Mohamed Morsi e a desavença entre Doha e Riad em 2013-14. Além disso, ela atacou a Rússia, em Novembro de 2015, destruindo um Sukhoi-24 e provocando a ruptura de relações diplomáticas com Moscou.
Ora, no entanto, é a mesma Turquia que acaba de apadrinhar o cessar-fogo na Síria, imaginado pela Rússia [1]. Porquê ?
Desde 2013, Washington não considera mais Recep Tayyip Erdoğan como um parceiro de confiança. A CIA lançou pois várias operações, não contra a Turquia, mas contra Erdogan em nome próprio. Em maio-junho de 2013, organiza e apoia o movimento contestatário do parque Taksim Gezi. Durante as eleições legislativas de Junho de 2015, ela financia e enquadra o Partido das minorias, o HDP, de maneira a limitar os poderes do Presidente. Ela repete a mesma tática durante as eleições de Novembro de 2015, as quais o Poder falsifica. A CIA passa então da influência política à ação secreta. Ela organiza quatro tentativas de assassinato, das quais a última em Julho de 2016 irá correr mal, tendo empurrado os oficiais kemalistas a tentar realizar um golpe de Estado, sem nenhuma preparação.
Recep Tayyip Erdoğan encontra-se, pois, na posição do Primeiro-ministro italiano dos anos 70, Aldo Moro. Os dois homens estão à cabeça de um Estado-membro da OTAN e devem fazer face à hostilidade dos Estados Unidos. A OTAN conseguiu eliminar o Italiano, manipulando para isso um grupo de extrema-esquerda [2], mas falhou em matar o Turco.
Além disso, para ganhar as eleições de Novembro de 2015, Erdoğan adulou os supremacistas turco-mongóis reabrindo unilateralmente o conflito com a minoria curda. De facto, ele juntou à sua base eleitoral islamista do AKP, os pretensos «nacionalistas» do MHP. Em alguns meses, levou à morte mais de 3.000 cidadãos turcos de etnia curda e arrasou várias aldeias, até mesmo bairros de grandes cidades.
Por fim, deixando passar para a al-Qaida e para o Daesh (EI) as armas que lhe faziam chegar a Arábia Saudita, o Catar e a OTAN, teceu uma relação estreita com as organizações jihadistas. Ele não hesitou em utilizar a guerra contra a Síria para ganhar dinheiro a título individual. Primeiro, desmantelando e pilhando as fábricas de Alepo, depois traficando o petróleo e as antiguidades roubadas pelos jihadistas. Progressivamente todo o seu clã se ligou aos jihadistas. Por exemplo, o seu Primeiro-ministro, o mafioso Binali Yıldırım, organizou instalações de contrafacção nos territórios administrados pelo Daesh (EI).
Entretanto, a intervenção do Hezbollah na segunda guerra contra a Síria, a partir de Julho de 2012, e em seguida a da Federação da Rússia, em Setembro de 2015, fizeram virar a sorte das armas. Agora, a gigantesca coalizão, dirigida pelos EUA, dos «Amigos da Síria» perdeu grandes extensões de terreno que antes ocupava e tem cada vez mais dificuldade em contratar novos mercenários. Milhares de jihadistas desertaram do combate e fugiram já para a Turquia.
Ora, a maior parte de entre eles são incompatíveis com a civilização turca. Com efeito, os jiadistas não foram recrutados para compor um exército coerente, mas, sim para fazer número. Eles chegaram a ser 250.000, pelo menos, talvez muito mais ainda. À partida, tratava-se de delinquentes árabes enquadrados pelos Irmãos Muçulmanos. Progressivamente, juntaram-lhe os sufis Naqchbandis do Cáucaso e do Iraque, e até mesmo jovens ocidentais em busca de Revoluções. Esta inacreditável mistura não se aguenta se a deslocam para a Turquia. Primeiro, porque agora os jihadistas querem um Estado para si próprios e parece impossível proclamar de novo o Califado na Turquia. Em seguida, por todo o tipo de razões culturais. Por exemplo: os jihadistas árabes adotaram o wahhabismo dos patrocinadores sauditas. Segundo esta ideologia do deserto a História não existe. Logo, eles destruíram inúmeros vestígios antigos, pretensamente porque o Alcorão interdita os ídolos. Se isso não levantou qualquer objeção a Ancara, não é menos certo que está completamente fora de questão que eles toquem no patrimônio histórico Turco-Mongol.
De facto, hoje em dia Recep Tayyip Erdoğan tem —para além da Síria— três inimigos simultâneos :
- Os Estado Unidos e os seus aliados turcos, o FETÖ do islamista burguês Fethullah Gülen ;
- Os Curdos independentistas e sobretudo o PKK ;
- As ambições de Estado sunitas, dos jihadistas, particularmente do Daesh (E.I.).
Se o interesse da Turquia será prioritariamente o de apaziguar os seus conflitos internos com o PKK e o FETÖ, o de Erdoğan é o de encontrar um novo aliado. Foi-o dos Estados Unidos no seu apogeu, e deseja tornar-se no da Rússia, agora primeira potência militar convencional do mundo.
Essa reviravolta parece tanto mais difícil de realizar quando o seu país é membro da Aliança Atlântica; uma organização que ninguém, jamais, conseguiu deixar. Talvez possa ele, numa primeira fase, sair do comando militar integrado, como o fez a França em 1966. À época, o presidente Charles de Gaulle tinha sido obrigado a enfrentar uma tentativa de golpe de Estado e numerosas tentativas de assassinato pela OAS, uma organização financiada pela CIA [3].
Mesmo supondo que a Turquia consiga manejar bem esta evolução, ela terá ainda que enfrentar dois outros enormes problemas.
Em primeiro lugar, embora se ignore com precisão o número de jihadistas na Síria e no Iraque, pode-se estimar que eles não serão, hoje em dia, mais que entre 50 e 200. 000. Tendo em atenção que estes mercenários são maciçamente irrecuperáveis, o que é que se vai fazer com eles ? O acordo de cessar-fogo, redigido de maneira deliberadamente imprecisa, deixa aberta a possibilidade de um ataque contra eles em Idlib. Esta província está ocupada por uma miríade de grupos armados, sem laços uns com os outros, mas coordenado pela OTAN a partir do Landcom em Esmirna, via ONGs «humanitárias». Ao contrário do Daesh, estes jihadistas não conseguiram organizar-se adequadamente e permanecem dependentes da ajuda da Aliança Atlântica. Esta, abastece-os através da fronteira turca que poderá ser fechada em breve. No entanto, se é fácil controlar os caminhões que circulam pelas rotas bem definidas, não é possível parar a passagem de homens através dos campos. Milhares, talvez dezenas de milhar, de jihadistas poderiam rapidamente fugir para a Turquia e desestabilizá-la.
A Turquia já começou sua mudança de retórica. O Presidente Erdoğan acusou os Estados Unidos de continuar a apoiar os jihadistas, em geral, e o Daesh(EI) em particular, sugerindo que, se ele fez o mesmo no passado, foi sob má influência de Washington. Ancara ambiciona ganhar dinheiro confiando a reconstrução de Homs e de Alepo à sua empresa de construção e obras públicas. Todavia, percebe-se mal como após ter pago a centenas de milhar de sírios para que deixassem o seu país, após ter pilhado o Norte da Síria, e após ter apoiado os jihadistas que destruíram este país e mataram centenas de milhar de Sírios, a Turquia poderia iludir todas as suas responsabilidades.
A reviravolta da Turquia, se se confirmar nos próximos meses, terá consequências em cascata. A começar pelo facto que o Presidente Erdoğan sem apresenta agora, não somente como o aliado da Rússia, mas, também como o parceiro do Hezbolla e da República Islâmica do Irão, quer dizer dos heróis do mundo xiita. Terminada, portanto, a miragem de uma Turquia líder do mundo sunita batalhando contra os «heréticos», com o dinheiro saudita. Mas, o conflito artificial intra-muçulmanos, que Washington lançou, não parará enquanto a Arábia Saudita não tiver, ela também, renunciado ao mesmo.
A extraordinária viragem da Turquia é, provavelmente, difícil de compreender para os Ocidentais, segundo quem a política é sempre pública. Sem mencionar a detenção de oficiais turcos num bunker da OTAN em Alepo-Leste, há duas semanas atrás, é mais fácil de interpretar para aqueles que se lembram, por exemplo, do papel pessoal de Recep Tayyip Erdoğan durante a primeira guerra da Chechénia, quando, então, ele dirigia a Millî Görüş; um papel sobre o qual Moscou jamais se pronunciou, mas do qual os serviços secretos russos conservaram inúmeros arquivos. Vladimir Putin preferiu transformar um inimigo em aliado, mais do que fazê-lo cair e ter que continuar a lutar contra o seu Estado. O Presidente Bachar Al-Assad, sayyed Hassan Nasrallah e o aiatola Ali Khamenei seguiram-lhe o exemplo com gosto.
Destaque:
- Depois de ter pensado conseguir conquistar a Síria, o Presidente Erdoğan encontra-se, em exclusivo devido à sua política, pressionado em três frentes : pelos Estados Unidos e pelo FETÖ de Fethullah Gülen, pelos Curdos independentistas do PKK, e pelo Daesh (E.I.).
- A estes três adversários, poderá de novo juntar-se à Rússia que detêm inúmeras informações sobre o seu percurso pessoal. Assim, o Presidente Erdoğan escolheu, portanto, aliar-se com Moscovo e poderá sair do comando integrado da OTAN.
[1] « Les documents du cessez-le-feu en Syrie (complet) » («Os documentos do cessar-fogo na Síria-completo»- ndT), “Resolution 2336 (Syrian Ceasefire, Astana Talks)”, Réseau Voltaire, 1er janvier 2017.
[2] « La guerre secrète en Italie », par Daniele Ganser, Réseau Voltaire, 6 février 2010.
[3] « Quand le stay-behind voulait remplacer De Gaulle », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 10 septembre 2001.

http://www.voltairenet.org/article194810.html

A herança do democrata Barack Obama

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Por Manlio Dinucci
Às vésperas da transmissão de poder na Casa Branca, o ano de 2017 se abre com o massacre terrorista na Turquia, duas semanas depois do assassinato do embaixador russo em Ancara, perpetrado um dia antes do encontro em Moscou entre Rússia, Irã e Turquia para um acordo político sobre a Síria. Encontro do qual os Estados Unidos foram excluídos.
Nos últimos dias da administração Obama, os EUA estão empenhados em criar a máxima tensão possível com a Rússia, acusada inclusive de ter subvertido, com os seus “malignos” hackers e agentes secretos, o êxito das eleições presidenciais que Hillary Clinton deveria ter vencido. Isto teria assegurado a continuidade da estratégia neocon, da qual Clinton foi a artífice durante a administração Obama.
Esta termina sob o signo do fracasso do principal objetivo estratégico: a Rússia, jogada às cordas pela nova guerra fria desencadeada com o golpe na Ucrânia e pelas decorrentes sanções, pegou Washington de surpresa intervindo militarmente em apoio a Damasco. Isto impediu que o Estado sírio fosse desmantelado como o líbio e permitiu às forças governamentais libertar vastas áreas controladas durante anos pelo Isis (o chamado Estado Islâmico na sigla em inglês), Al Nusra e outros movimentos terroristas funcionais à estratégia dos EUA e da Otan. Abastecidos com armas, pagos com bilhões de dólares pela Arábia Saudita e outras monarquias, através de uma rede internacional da CIA (documentada pelo New York Times em março de 2013) que chegavam à Síria através da Turquia, posto avançado da Otan na região.
Mas agora, diante do evidente fracasso da operação, que custou centenas de milhares de mortos, Ancara se retira, abrindo uma negociação com o intento de obter o máximo de vantagem possível. Com essa finalidade, recostura as relações com Moscou, que estavam a ponto de ruptura, e toma distância de Washington. Uma afronta para o presidente Obama. Este, porém, antes de passar o bastão de comando ao recém eleito Trump, dispara o último cartucho.
Escondida nas dobras da autorização das despesas militares para 2017, assinada pelo presidente, está a lei para “contrastar a desinformação e a propaganda estrageira”, particularmente atribuída à Rússia e à China, conferindo ulteriores poderes à tentacular comunidade de informação, formada por 17 agências federais. Graças também a uma alocação de 19 bilhões de dólares para a “cyber-segurança” essas agências podem silenciar qualquer fonte de “falsas notícias”, segundo o incontestável julgamento de um “Centro” especial coadjuvado por analistas, jornalistas e outros “experts” recrutados no exterior. Torna-se realidade o orwelliano “Ministério da Verdade” que o presidente do parlamento europeu, Martin Schultz, prenuncia como algo que deveria ser instuído pela União Europeia.
Ficam assim potenciadas pela administração Obama também as forças especiais, que estenderam as suas operações secretas de 75 países em 2010 para 135 em 2015.
Nos seus atos finais a administração Obama reafirmou em 15 de dezembro o próprio apoio a Kiev, à qual fornece armas e cujas forças treina, inclusive os batalhões neonazistas, para combater os russos na Ucrânia.
E em 20 de dezembro, com propósitos antirrussos, o Pentágono decidiu fornecer à Polônia mísseis de cruzeiro de longo alcance, com capacidade de penetração anti-bunker, equipáveis também com ogivas nucleares.
Do democrata Barack Obama, Prêmio Nobel da Paz, fica para a posteridade a sua última mensagem sobre o estado da União: “A América é a mais forte nação da Terra. Dispendemos para o setor militar mais do que dispendem as oito seguintes nações somadas. As nossas tropas constituem a melhor força combatente na história do mundo”.
http://www.globalresearch.ca/a-heranca-do-democrata-barack-obama/5566283