terça-feira, 24 de setembro de 2013

O segredo do gaz israelita


Historicamente, foram os pesquisadores israelitas de armas químicas e biológicas que forçaram a Síria a rejeitar a Convenção interditando as armas químicas. É por isso que a assinatura por Damasco deste documento arrisca fazer luz sobre a existência, e eventualmente sobre a continuação, de pesquisas sobre as armas destinadas a matar unicamente as populações árabes.

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O doutor Wounter Basson, aquando do seu segundo processo, em 2011. Ele dirigiu o programa secreto de pesquisas, em armas químicas e bacteriológicas, conduzido conjuntamente por Israel e a África do Sul do apartheid, de 1985 a 1994.
Os médias (mídia-Br) ocidentais parecem estupefactos da reviravolta dos Estados Unis face à Síria. Enquanto anunciavam todos, há duas semanas, uma campanha de bombardeamentos e a queda inevitável do « regime », ficaram agora sem voz diante do recuo de Barack Obama. Era no entanto previsível que, como eu o escrevia nestas colunas, o envolvimento de Washington na Síria não tenha mais móbil estratégico de importância. A sua política atual é, sobretudo, guiada pelo cuidado de conservar o seu estatuto de única hiper-potência.
Levando à letra aquilo que, a princípio, não era mais que uma “boutade” (piada,ndT) de John Kerry, e propondo assim a adesão da Síria à Convenção sobre a interdição de armas químicas, Moscovo satisfez a retórica de Washington, sem que aquela tenha que fazer mais uma guerra em período de crise econômica  Os Estados Unidos conservam em teoria o seu estatuto, mesmo se todos vêem bem que é agora a Rússia que dirige o jogo.
As armas químicas têm dois usos : ou militar, ou para exterminar uma população. Elas foram utilizadas aquando das guerras de trincheiras, da Primeira Guerra mundial à agressão iraquiana contra o Irão, mas elas não servem para nada nas guerras modernas, onde a frente (front-Br) está sempre em mudança. Foi pois com alívio que 189 Estados assinaram a Convenção interditando-as, em 1993 : podiam assim desembaraçar-se de stocks (estoques-Br) perigosos e inúteis, cuja guarda lhes ficava onerosa.
Um segundo uso é o extermínio de populações civis, antes da colonização do seu território. Assim foi em 1935-36, A Itália fascista conquistou uma larga parte da Eritreia eliminando a sua população com gaz mostarda. Nesta perspectiva colonial, de 1985 a 1994, Israel financiou secretamente as pesquisas do doutor Wouter Basson no laboratório de Roodeplaat (África do Sul). O seu aliado, o regime de apartheid, procurava aí desenvolver substâncias, químicas e sobretudo biológicas, que só eliminariam os indivíduos segundo as suas « características raciais »(sic), quer se tratasse de Palestinos em particular, e Árabes em geral, ou de pessoas de pele negra. A Comissão Verdade e Reconciliação não conseguiu determinar os resultados obtidos por este programa, nem do que lhes sucedeu. No conjunto ela mostrou a implicação neste vasto projeto secreto dos Estados Unidos e da Suiça. Ficou demonstrado que vários milhares de pessoas foram mortas como cobaias do doutor Basson.
Se se compreende as razões pelas quais nem a Síria, nem o Egipto assinaram, em 1993, a Convenção, a oportunidade oferecida a Damasco por Moscovo de a subscrever actualmente é um bónus : não sómente ela põe fim à crise com os Estados Unidos e a França, mas permite-lhe também desembaraçar-se de stocks inúteis, que se tornaram cada vez mais difíceis de defender. Sendo prático, o presidente el-Assad frisou que a Síria agia a pedido da Rússia e não sob a pressão dos Estados Unidos ; uma maneira elegante de sublinhar a responsabilidade de Moscovo na proteção futura do país, num eventual ataque químico israelita.
Com efeito, a colónia judia da Palestina nunca ratificou a Convenção. Esta situação poderá rápidamente tornar-se um fardo político para Telavive. Foi por isso que John Kerry para lá se dirigiu hoje, domingo, para discutir o assunto com Benjamin Netanyahu. Se o Primeiro-ministro do último Estado colonial for hábil, deverá agarrar a ocasião para anunciar que o seu país reconsiderará a questão. A menos, claro, que Wouter Basson tenha encontrado gazes étnicamente selectivos e que os falcões israelitas continuem a pensar utilizá-los.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Falluja /Iraque : POR QUE É UMA CIDADE PROIBIDA?

A SITUAÇÃO LÁ É PIOR DO QUE EM HIROSHIMA E NAGASAKI

O que os Estados Unidos não querem que a gente saiba? Por que não permitem que se realize nenhuma medição dos níveis de radiação e por que, inclusive, proibiram à Agência Internacional de Energia Atômica de entrar em Falluja? O que se passou exatamente lá? Que tipo de bombas os Estados Unidos utilizaram nesta cidade do Iraque? Foi só urânio empobrecido, ou teve algo mais?
O que os EEUU e seus fantoches iraquianos não querem que a gente saiba?
Acabo de ver, na o-Jazeera Arabic, no programa de Ahmad Mansour a entrevista com o Professor Chris Dusby.
O Professor Busby é cientista e Diretor de Green Audit, bem como secretário científico do ComitÊ Europeu sobre Riscos Radioativos.
Para conhecer mais dados sobre o Professor Chris Busby e seus trabalhos, digitem em Google “Chris Busby Uranium“.O Professor Busby publicou muitos artigos sobre a radiacão, o urânio e a contaminação em países tais como Líbano, Kosovo, Gaza e, por suposto, Iraq.
Seus últimos trabalhos, são os temas que se ocupou o programa emitido na Al Jazeera, e serão os que eu abordarei nestas linhas:

Faluya é uma cidade proibida. Foi submetida a intenso bombardeios em 2004 com bombas de urânio empobrecido e fósforo branco, e desde então declararam-na zona perigosa, o que significa que nem as autoridades fantoches de Iraque nem as forças invasoras/ocupantes de EEUU permitem que ninguém possa realizar nenhum estudo real do que ali sucede.

Faluya está basicamente sob assédio. É óbvio que os estadunidenses e os iraquianos sabem algo e que tratam do ocultar ao conhecimento público. E aí é o­nde o Professor C. Busby entra em cena.

Mas ele foi/é inflexível na busca da verdade do que ocorreu em Faluya em 2004. Por ser um dos melhores cientistas em seu campo, conseguiu uma pesquisa e passou a dirigir uma investigação em Faluya, cujos resultados preliminares publicar-se-ão em duas semanas, confio…

O Professor Busby encontrou muitos obstáculos para poder levar a cabo este projeto. Nem ele nem nenhum membro de sua equipa se lhes permitiu aceder a Faluya para realizar as entrevistas. Mas ele disse que quando a porta principal se fecha, um tem que tentar que outras portas se abram. E isto foi o que fez. Conseguiu reunir uma equipa de iraquianas de Faluya para que dirigissem as entrevistas por ele.

O projeto de investigação baseou-se em 721 famílias de Faluya com 4.500 participantes, que viviam tanto em zonas nível de radiação alto como baixo. Os resultados compararam-se com um grupo de controle: uma mostra composta pelo mesmo número de famílias que vivem numa zona não radiativa em outro país árabe. Para o estudo, elegeu outros três países para levar a cabo tal comparação: Kuwait, Egito e Jordânia.

Antes de entrar nos resultados preliminares, devo assinalar o seguinte:
As autoridades iraquianas ameaçaram a todos os participantes desta investigação com prisões e detenções se cooperassem em participar das entrevistar. Isto é, ameaçou àqueles que respondessem aos terroristas com leis anti-terroristas.

As forças estadunidenses proibiram ao Dr. Busby que recolhesse qualquer dado, sustentando que Faluya é uma zona insurgente.

Os doutores de Faluya recusaram sair ao vivo no programa de Ahmad Mansour porque tinham recebido ameaças de morte e temiam por suas vidas.

Isto é, o estudo levou-se a cabo em condições muito difíceis e com ameaças de morte. Não obstante, seguiu-se adiante.

Como não se tem descargado o programa em Youtube, não posso transcrever a entrevista palavra por palavra. Tomei breves notas a mão e memorizei o resto. Mas farei o melhor para apresentar todos os fatos que se relataram hoje.

O que os EEUU e seus fantoches iraquianos não querem que a gente saiba?
E por que não permitem que se realize nenhuma medição dos níveis de radiação em Faluya e por que, inclusive, proibiram à Agência Internacional de Energia Atômica que entre em Faluya?
O que se passou exatamente em Faluya?
Que tipo de bombas utilizaram?
Foi só urânio empobrecido ou teve algo mais?
Um aspecto que é muito característico de Faluya é que os índices de câncer têm aumentando de forma espetacular num espaço muito curto de tempo desde 2004. Exemplos oferecidos pelo Dr. Busby:
· O índice de leucemia infantil é 40 vezes mais alto desde 2004, que em anos anteriores. E comparado com Jordânia, por exemplo, é 38 vezes mais alto.
· A taxa de câncer de mama é 10 vezes superior à de 2004.
· A taxa de câncer linfático é também 10 vezes maior desde 2004.
Outra peculiaridade de Faluya é o imenso aumento nas taxas de mortalidade infantil. Comparadas com outros dois países árabes como Kuwait e Egito, que não têm contaminação radiativa, estas são as cifras:
A taxa de mortalidade infantil em Faluya é de 80 meninos em cada mil nascidos, em comparação com Kuwait, o­nde se dá a cifra de 9 em cada mil e no Egito é de 19 em cada mil (por tanto, a taxa de mortalidade infantil iraquiana é quatro vezes mais alta que a do Egito e nove vezes mais alta que do Kuwait).

A terceira peculiaridade de Faluya é a cifra de deformidades genéticas que tem aumentado desde 2004. Esta é uma questão que já me referi no passado. Mas hoje aprendi algo mais. A radiação com qualquer dos agentes utilizados pelas “forças de libertação” não só causa deformidades genéticas em massa senão também e isto é muito importante:
· Causa mudanças estruturais a nível celular.
· O que por sua vez provoca, devido à composição genética dos bebes masculinos (carência do cromossomo X), que os meninos corram maior risco de morte, enquanto é mais provável que as meninas sobrevivam ainda que com deformidades graves.

E há outro exemplo oferecido pelo Dr. Busby:
Antes de 2003, as taxas de nascimento em Faluya eram as seguintes: 1.050 meninos em frente a 1.000 meninas. Em 2005, só nasceram 350 meninos em frente a 1.000 meninas, o que significa que os bebes meninos não estão a sobreviver.

Quanto às meninas e aí é o­nde a tragédia aumenta… a radiação causa mudanças a nível de DNA, o que significa que essas mesmas meninas, se conseguirem sobreviver e se reproduzem-se mais tarde, darão a luz meninas geneticamente deformadas e meninos mortos.
Os dados expostos apoiam-se em outros estudos realizados com meninos e netos dos sobreviventes de Hiroshima (no ano de 2007), que mostram que inclusive a terceira geração apresenta malformações genéticas, incluídas diversas doenças (câncer, cardíacas, etc…) numa proporção 50 vezes superior.
Por outra parte, em Chernobyl, os estudos realizados com os animais nessa área mostraram que os efeitos da radiação modificaram geneticamente 22 gerações.

Em resumem, a radiação transmite-se de gene a gene e tem uma efeito acumulativo com o tempo (não vou entrar aqui em como essas células se acumulam e guardam memória e afetam ao sistema imunológico).

(Poderão ler mais detalhes sobre o tema uma vez que se publique o documento do professor Busby.)
Algumas das deformidades que apresentam os bebes são tão grotescas que tanto Al -Jazeera como a BBC, que produziram um documentário sobre o mesmo tema, se negaram a mostrar as fotos a seus telespectadores. Os exemplos de deformidades dos que Ahmad Mansour tem fotografias são:
Bebês nascidos sem olhos.
Bebês nascidos com dois e três cabeças.
Bebês nascidos sem orifícios.
Bebês nascidos com tumores malignos no cérebro e nos olhos.
Bebês nascidos sem determinados órgãos vitais.
Bebês aos que lhes faltam extremidades ou têm mais das normais.
Bebês nascidos sem genitais.
Bebês nascidos com malformações cardíacas.
E mais casos ainda…

Sobre esse mesmo assunto, com motivo do estudo, pediu-se-lhes aos doutores de Faluya que indicassem as taxas de defeitos de nascimento no espaço de um mês e que o comparassem com o mês anterior e este é o resultado:

No espaço de só um mês, os nascimentos com defeitos aumentaram de um por dia (no mês anterior) para três por dia (no mês objeto do estudo, que foi o de fevereiro de 2010).
O urânio transmite-se a corrente sanguínea através da ingestão e a inalação. Se estudou e se controlou, também, o nível em massa de urânio encontrado nas pessoas de Faluya, devido ao aumento vertiginoso de gânglios linfáticos e pulmonares e câncer de mama em adultos.
Com estes achados preliminares, o Professor Busby e sua equipa chegaram à conclusão de que, em comparação com Hiroshima e Nagasaki, a situação de Faluya era pior.
E aqui cito textualmente ao Dr. Busby: “A situação em Faluya é terrível e horrenda, é mais perigosa e pior que a de Hiroshima …”
Por outra parte, e muito relacionado com o anterior, mencionei que estes são resultados preliminares, por que?

Porque o Professor Busby foi perseguido e os fundos da pesquisa foram cortados, fundos necessários para a investigação, deram-lhe com muitas portas no nariz, ameaçaram-lhe (o mesmo se passou com outros cientistas que tentaram levar a cabo estudos similares na década dos noventa em Iraque) e a comunidade científica lhe abandonou, todo isso devido à natureza de seu trabalho em Iraque.
Os envolvimentos políticos são enormes e perigosos para EEUU e seus aliados. Significa que as provas científicas de crimes de guerra estão aí, ao nosso alcance…


A vida do Professor Busby converteu-se em algo cheio de dificuldades.
Enviou à revista Lancet o documento de investigação que tantas penas lhe custou dirigir e elaborar para que o revisassem a nível de Comitê científico, mas Lancet devolveu-lhe dizendo que não tinham tempo do revisar.

Os laboratórios que cooperaram no passado para examinar as mostras, as recusaram quando souberam que vinham de Iraque. Só dois laboratórios estiveram dispostos a examinar as mostras do AGENTE/MATERIAL EXATO UTILIZADO EM FALUYA, e foi só em função de um preço exorbitante, preço justificado pela causa da natureza sensível do estudo. Também devido à carência de fundos, o Professor Busby tem 20 mostras de Faluya para examinar, que guarda zelosamente, esperando receber os fundos necessários para poder faze-lo.


Quando Ahmad Mansour, o entrevistador, lhe perguntou sobre o que lhe fazia perseverar ante os enormes obstáculos enfrentados, sua resposta foi esta: “Durante toda minha vida não fiz senão procurar a Verdade, sou um caçador da Verdade numa selva de mentiras. Também tenho filhos. Os filhos não são só nosso futuro, são os transmissores das gerações futuras. Levamos cinqüenta anos contaminando o planeta (com radiações) e essa é a herança que estamos transmitindo a nossos filhos e netos. Devemos isso ao povo de Faluya, temos que encontrar a Verdade.”

Quando perguntou como consegue se arranjar sem fundos e com todas as portas se fechando para ele, sua resposta foi:

“Confio na boa vontade da gente que envia pequenas somas por aqui e por lá, e também creio firmemente que se uma porta se fecha, outras se abrem, ainda que sejam mais pequenas. Quando há vontade para fazer algo, se encontra algum caminho.”

Tiro o chapéu para o Professor Busby. Insto a todas as pessoas que envie este escrito, a toda a gente de consciência, insto a todos para que contatem com o Professor Busby e doem-lhe o que possam para que as mostras de Faluya sejam examinadas e possa se descobrir a Verdade. E acabarei estas linhas com uma cita final deste grande homem lutador:“A Verdade tem umas asas que ninguém pode cortar”

Tenho que acabar aqui. Já está amanhecendo. Queria mostrar isto ao mundo… a pergunta que me levo à cama, se é que posso fechar os olhos, é a mesma que me estou a fazer desde 2003, por que? Que fez o povo iraquiano, que fizeram os meninos iraquianos para merecer todo isso…? As conseqüências são aterradoras…
URL del artículo : http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/07/08/faluya-peor-que-hiroshima-video/

"Rompa el aislamiento. Vuelva a sentir la satisfacción moral de un acto de libertad...Haga circular esta información".
Rodolfo Walsh
Postado: http://old.kaosenlared.net/noticia/faluja-pior-que-hiroshima

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entrevista com o Presidente Bashar al-Assad da Síria em 13/9/2013

13/9/2013, Entrevista ao canal Rossiya-24 TV (vídeo em russo)
Entrevista traduzida da transcrição em inglês pelo pessoal da Vila Vudu


Rossiya-24: Senhor presidente, obrigado por receber o canal Rossiya-24. Para começarmos com a pergunta mais importante: por que a Síria concordou com a iniciativa da Rússia de pôr armas químicas sob controle internacional, e por que se chegou tão rapidamente a esse acordo?

Presidente Bashar al-Assad: A Síria já apresentara essa proposta à ONU há mais de dez anos – para livrar a região do Oriente Médio de armas de destruição em massa, especificamente, porque essa é região caracterizada por instabilidades e guerras que, algumas, duraram anos. Tudo isso começou há séculos.

Remover daqui todas as armas de destruição em massa teria impacto importante para estabilizar a região. Só os EUA opuseram-se à nossa proposta. Não gostamos de saber que há armas de destruição em massa no Oriente Médio. Sempre nos interessou mais a estabilidade e a paz na região.

Esse é um lado. O outro lado da questão tem a ver com a situação atual. Não há como não ver que o estado sírio tem empreendido todos os esforços para impedir que nosso país e outros países da região sejamos arrastados para outra guerra insana, que alguns dos que pregam guerra nos EUA querem desencadear no Oriente Médio.

Até hoje, os sírios pagamos o preço por guerras que os EUA fizeram, por exemplo no Afeganistão – mesmo sendo país distante da Síria – ou no Iraque, que está aí, num país aqui bem próximo.

Minha opinião é que qualquer guerra contra a Síria afetará muito negativamente toda a região, com o Oriente Médio inteiro empurrado para décadas de instabilidade e de problemas. Haverá guerra até para as nossas futuras gerações.

A terceira razão pela qual nos interessa a proposta que volta, agora, com os russos, e a mais importante, é a própria proposta. Não tivesse havido agora essa iniciativa, seria muito difícil para a Síria, só ela, obter o mesmo resultado e caminhar nessa direção. Nossas relações com a Rússia são construídas a partir de mútua confiança, e essa confiança só cresceu durante a crise síria, nos últimos dois anos e meio. A Rússia confirmou que merece a confiança dos sírios, por suas ações. Mostrou que tem compreensão clara sobre o que está acontecendo em nossa região. A Rússia fez prova de que é confiável, provou que é governo sério, no qual se pode confiar.

Por todas essas razões, a Síria aceitou assinar a Convenção para Proibição de Armas Químicas.

Rossiya-24: O presidente dos EUA, Sr. Obama, e o secretário de Estado dos EUA, Kerry, creem que a Síria decidiu entregar suas armas químicas ao controle internacional exclusivamente porque foi ameaçada militarmente. O que lhe parece?

Presidente Bashar al-Assad: Se se pensa sobre os eventos e as ameaças dos EUA, que duraram semanas, vê-se que as ameaças nada tinham a ver com garantir que as armas químicas fossem bem guardadas. As ameaças não passaram de provocação. E a provocação começou quando foram usadas armas químicas num subúrbio de Damasco, Al-Ghouta.

Aquela provocação foi organizada pelo governo dos EUA. Em outras palavras, ninguém ameaçou a Síria pensando em conseguir que nós entregássemos armas químicas. Nada disso é verdade. Só depois do encontro do G-20 na Rússia, os norte-americanos começaram a falar sobre a entrega das armas químicas à guarda internacional. Nós só começamos a considerar a possibilidade depois da iniciativa dos russos e das negociações relacionadas a isso que mantivemos com os russos.

Quero sublinhar bem, mais uma vez, que, se não fosse por essa iniciativa dos russos, sequer discutiríamos a questão com o outro lado. Os norte-americanos tentam agora uma espécie de golpe de propaganda. Kerry e o governo, inclusive Obama, sempre querem aparecer como vencedores, como se tivessem obtido alguma coisa com suas ameaças. Mas nada disso nos interessa, nem nos diz respeito.

Rossiya-24: Ontem, surgiu a notícia de que a Rússia apresentou ao senhor um plano para a transferência das armas químicas para supervisão internacional. Que mecanismos estão sendo considerados para esse processo?

Presidente Bashar al-Assad: A Síria entrará em contato com a ONU e a Organização para a Proibição de Armas Químicas nos próximos dias. Nesse processo há documentos técnicos, necessários para a assinatura do acordo. Depois começará o trabalho para a assinatura da Convenção das Armas Químicas.

Essa Convenção inclui vários pontos. Um deles dispõe sobre a proibição de produzir armas químicas, armazenamento e uso. Depois, a Convenção passa a ter vigência. Pelo que sei até agora, a Convenção passará a ter vigência um mês depois de assinada. E a Síria começará a transmitir informações sobre suas armas químicas para aquela organização internacional. São processos padronizados. E nos pautaremos por eles.

Mas é preciso que todos entendam bem o seguinte ponto: esses mecanismos não funcionam só para um lado. Nada disso implica que a Síria assina, preenche as condições estipuladas e está feito. Esse é um processo de duas mãos, que visa, em primeiro lugar, a que os EUA suspendam essa política de ameaçar a Síria. Depende também de até que ponto se implemente a proposta dos russos.

Tão logo os sírios estejamos convencidos de que os EUA estão realmente interessados na estabilidade de nossa região, e suspendam as ameaças e as tentativas de atacar a Síria, quando cortarem o suprimento de armas para os terroristas, então, sim, entenderemos que podemos dar andamento aos processos até o fim, que o processo todo é efetivo e aceitável para a Síria.

Todos esses mecanismos, como já disse, não são mecanismos a serem usados de um lado só. A Rússia tem papel muito importante a desempenhar nesse processo, porque não temos nem confiança nem conexões com os EUA. A Rússia é o único país que pode assumir esse papel.

Rossiya-24: Consideremos a questão de implementar a iniciativa russa: que organização internacional interagirá com a estrutura da República Árabe Síria para assumir o controle das armas químicas? Essa não é uma situação padrão, que se vê todos os dias.

Presidente Bashar al-Assad: Entendemos que a estrutura lógica apropriada para esse papel é a Organização para a Proibição de Armas Químicas, porque só ela reúne os especialistas nessa área e também monitora o cumprimento da Convenção para Armas Químicas em todos os países do mundo.

Todos sabemos que Israel assinou a Convenção para Armas Químicas, mas ainda não a ratificou. A Síria exigirá e insistirá para que Israel afinal implemente a assinatura da Convenção.

Quando a Síria, antes, apresentou um projeto para abolir as armas de destruição em massa no Oriente Médio, os EUA impediram a aprovação. Uma das razões pelas quais fizeram isso foi para permitir que Israel continuasse autorizado a possuir essas armas de destruição em massa. Se queremos realmente estabilizar o Oriente Médio, todos os países têm de aderir à Convenção.

E o primeiro país que tem de aderir é Israel, porque Israel tem armas químicas, biológicas e nucleares, em termos gerais, Israel tem todos os tipos catalogados de armas de destruição em massa. É importante assegurar que nenhum país tenha essas armas. Só assim todos ficaremos protegidos contra guerras futuras, devastadoras e muito custosas – não só no Oriente Médio, mas em todo o mundo.

Rossiya-24: A Síria põe suas armas químicas sob controle internacional. Mas já se sabe, com certeza absoluta, porque a inteligência russa já comprovou, que grupos terroristas rebeldes usaram armas químicas num subúrbio de Aleppo. Na sua opinião, o que terá de ser feito para proteger o povo sírio e de países vizinhos contra esses terroristas que já usaram armas químicas, pelo menos, com certeza, uma vez?

Presidente Bashar al-Assad: O incidente a que você se refere aconteceu em março passado, quando os moradores da região de Khan al-Assal, perto de Aleppo foram atacados por terroristas, com foguetes carregados com toxinas químicas. Houve dúzias de vítimas. Recorremos à ONU. Pedimos que a ONU enviasse especialistas para esclarecer esse incidente e determinar que grupo fora responsável por aquele ataque. Para nós, a situação é bem clara: foi trabalho de terroristas.

Mas naquele momento, os EUA opuseram-se ao envio de especialistas da ONU à Síria. Consequentemente, trabalhamos com especialistas russos, que receberam todas as provas que havíamos reunido. Ficou fartamente provado que os terroristas que ainda operam no norte da Síria cometeram aquele ataque químico.

Necessário agora é que a delegação de especialistas que estiveram na Síria até a semana passada, retornem e retomem as investigações. Terão de voltar à Síria, porque ficou acordado que voltariam, há esse acordo entre o governo sírio e aqueles especialistas. Esse acordo diz respeito a investigações ainda a fazer em várias províncias, principalmente em Khan al-Assal.

É preciso examinar cuidadosamente tudo isso, para determinar, por exemplo, a composição química dos venenos usados e, a partir daí, as condições do solo onde as armas químicas foram usadas. Também é importante determinar de onde vieram aquelas substâncias químicas, como chegaram aos grupos terroristas. Os responsáveis têm de ser julgados.

Rossiya-24: Senhor presidente, permita que lhe faça uma pergunta indispensável: é realista supor que se consiga realmente tomar todas as armas químicas que ainda estejam em mãos de grupos terroristas?

Presidente Bashar al-Assad: Tudo depende de se saber que países, dos que mantêm relações com os terroristas, estão envolvidos na venda ou no contrabando das armas químicas. Todos os países dizem que não apoiam terroristas, mas sabemos, com certeza, que o ocidente lhes dá apoio logístico – embora digam que seriam coisas “não letais” ou, até, “ajuda humanitária”.

De fato, já não há dúvidas de que o ocidente e alguns países da região – Turquia, Arábia Saudita, antes também o Qatar – mantêm contato direto com grupos terroristas, aos quais apoiam com todos os tipos de armas. Trabalhamos com a ideia de que um desses países forneceu armas químicas aos terroristas. Evidentemente, quem dava pode parar de dar.  Mas há também grupos terroristas que não ouvem nenhum dos lados. Esses grupos, quando têm acesso a armas e, portanto, à capacidade de destruir, não se acham obrigados a respeitar acordos, nem a obedecer a nada e ninguém, nem aos que lhes tenham dado dinheiro e aquelas armas.

Rossiya-24: Alguns veículos nos EUA noticiaram que oficiais do Exército Sírio Árabe teriam pedido sua aprovação para usar armas químicas contra gangues da oposição armada. Dizem que o senhor negou a autorização, mas que apesar disso aqueles oficiais teriam usado armas químicas contra sírios, especialmente em Ghouta Leste. É verdade? Essas operações são possíveis na Síria?

Presidente Bashar al-Assad: Não passa de propaganda americana. Esse tipo de propaganda serve-se de todos os tipos de mentiras para justificar suas guerras. É conversa parecida com a de Colin Powell, no governo de George Bush Jr., para justificar a guerra contra o Iraque, há pouco menos de dez anos. Naquela ocasião, apresentaram o que diziam que seriam provas de que Saddam Hussein produzia armas de destruição em massa. Mais adiante se soube que era mentira. Hoje as mentiras mudaram um pouco, como essa que você acaba de mencionar.

A verdade é que conversa desse tipo jamais aconteceu, nem comigo nem com ninguém na Síria. Essas armas são administradas de modo centralizado em vários países e exércitos do mundo, sempre pelas forças armadas. Nenhum soldado raso, ou comandante de escalão inferior manuseia essas armas, nem forças terrestres, nem as unidades blindadas ou quaisquer outras. São um tipo especial de arma de uso restrito de Forças Especiais. Essa notícia é mentirosa e nem faz sequer sentido. Ninguém acreditaria numa história dessas.

Rossiya-24: Recentemente apareceram no Congresso dos EUA o que para alguns seriam “provas convincentes” e “indubitáveis” – vídeos, que comprovariam que se usaram armas químicas no subúrbio de Damasco, em Ghouta, e que foram usadas pelo Exército Sírio. O que o senhor tem a dizer sobre essa versão americana?

Presidente Bashar al-Assad: Não têm prova alguma, nem o Congresso, nem a imprensa, nem o povo, ninguém jamais viu ou mostrou prova alguma de coisa alguma. Nem nenhum outro país conseguiu exibir prova alguma, nem a Rússia, que participou do processo de negociação. Nada disso jamais aconteceu. São só palavras, sempre e só, mais propaganda norte-americana.

A mais elementar lógica, por outro lado, diz que ninguém usaria armas de destruição em massa a poucas centenas de metros de onde esteja o seu próprio exército. Ninguém usaria armas de destruição em massa em áreas densamente habitadas, sem causar centenas de milhares de vítimas. Ninguém jamais usaria armas de destruição em massa no mesmo local e momento em que seus próprios soldados estão avançando em terra. Nada disso faz sentido. Agora, as lideranças políticas nos EUA meteram-se numa posição difícil. Mentiram de modo ainda menos convincente, até, do que as mentiras contadas pelo governo George Bush.

O governo anterior, nos EUA, mentiu muito, mas mentiu mentiras que, pelo menos num primeiro momento, tinham alguma chance de convencer pelo menos uma parte da opinião pública mundial. O atual governo dos EUA, com suas mentiras, não conseguiu convencer nem os seus próprios aliados. Nada do que disseram faz qualquer sentido. Não é lógico. É implausível.

Rossiya-24: Tenho de lhe fazer mais uma pergunta, porque diz respeito à segurança de toda a região. A imprensa russa noticiou recentemente que as gangues armadas de oposição ao seu governo planejam provavelmente outra provocação, que poderia envolver uso de armas químicas contra Israel, que seria desencadeada a partir de um território controlado pelo Exército Sírio. O que o senhor sabe sobre isso, como comandante-em-chefe?

Presidente Bashar al-Assad:: Já há confirmação de que grupos terroristas têm armas químicas, dado que até já as usaram na Síria, contra nossos soldados e civis. É claro que têm. Além disso, também sabemos que aquelas gangues terroristas e os que os controlam, sim, querem provocar um ataque aéreo dos norte-americanos. Já em ocasiões anteriores tentaram envolver Israel na crise síria. Não se pode excluir a possibilidade de que essa informação seja correta e que vise, outra vez, aos mesmos objetivos.
Se há guerra numa região, o caos se expande. Mas, para que o caos se expanda, é essencial que os territórios sejam permeáveis às gangues terroristas, para que possam causar o máximo de dano e destruição. Esses são riscos reais, não são ameaças inventadas, porque, sim, os terroristas têm armas químicas, que recebem de outros países.

Rossiya-24: Obrigado por nos receber e responder nossas perguntas.

Entrevista General Wesley Clark - Legendado Português



Vejam impressionante entrevista de um ex-comandante da OTAN sobre os planos dos Estados Unidos para as agressões militares com vistas à desestabilização do Oriente Médio. A guerra contra a Síria já estava planejada há alguns anos. 
Conheça a lista de países já atacados ou a serem atacados!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Libano canta em homenagem à resistência árabe: cantora Julia Butroos



A cantora é Julia Butroos, nascida em Beirute dia 1/4/1968, numa família de cristãos gregos ortodoxos e mãe palestina. Começou a cantar ainda menina.

Em outubro de 2006, lançou uma gravação single, intitulada 
 Ahibaii (Meus bem-amados, que se ouve no vídeo). A letra é baseada numa carta que Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, enviou aos seus combatentes que lutavam no sul do Líbano, na guerra de 2006, quando Israel atacou o Líbano. O poeta Gahassan Matar adaptou o texto original, para música composta por Ziad, irmão de Julia e arranjo de Michel Fadel. Os lucros aferidos da venda do disco (mais de três milhões de dólares) foram usados para ajudar famílias de combatentes do Hizbollah e dos libaneses mortos naquele ataque israelense .

Viva o povo revolucionário da Palestina, do Líbano e da Síria que estão na linha de frente da resistência árabe contra o sionismo e o imperialismo ianque!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Confirmado: EUA forneceu armas aos mercenários sírios

12 DE SETEMBRO DE 2013
brasãoAbdel-Kader Saleh, porta-voz da coalizão de oposição externa da Síria , confirmou que os Estados Unidos já entregam armas a grupos que lutam para derrubar o governo do presidente Bashar al-Assad .
Estas declarações tiveram ampla repercussão na mídia local síria, que comentam que este fato demonstra o envolvimento de Washington no apoio aos bandos mercenários e ao terrorismo de Estado.
De acordo com algumas fontes, Saleh declarou  em entrevista coletiva na capital dos EUA, que a administração do presidente Barack Obama distribui ajuda não-letal e também alguma ajuda  letal para a Junta Militar Suprema do denominado  Exército Sírio Livre.
Também revelou que os comandantes militares qualificados no Ocidente como rebeldes, em coordenação com as autoridades dos países que poderão participar na anunciada agressão dos EUA contra a Síria , acusada sem nenhuma prova verificável de alegada utilização de armas químicas pelo governo.
De acordo com Saleh, a Casa Branca deu luz verde à entrega de equipamento militar ", porque ela tem certeza de que as Forças da Coalizão Nacional da Revolução Síria  e a Oposição síria (Cnfros) não vai permitir que armas caiam nas mãos erradas."
O Secretário de Estado John Kerry explicou , na terça-feira , que Washington aumentou o volume de ajuda aos bandos mercenários, sem especificar o tipo ou a quantidade de tais transferências.
Em junho, o Congresso dos EUA abriu as portas para o fornecimento de armas aos exércitos  irregulares.
As Revelações sobre o carregamento de armas para impulsionar  a derrubada de um chefe de Estado e impor a chamada "mudança de regime" ocorre num momento em que se confirma um ascenso dos grupos terroristas, especialmente aqueles filiados à rede terrorista Al Qaeda,  dentro da chamada"oposição" armada da Síria. Congressistas e políticos norte-americanos questionam a eficácia da estratégia da administração Obama, dada a alta probabilidade de que as armas caiam nas mãos da rede, outrora  liderada por Osama Bin Laden, a entidade à qual o Pentágono, supostamente, combate em todo o mundo.
A radicalização do conflito armado da Síria levou a um aumento de massacres de civis, assassinatos e atos terroristas por grupos como Frente al-Nusra ,o chamado Estado Islâmico do Iraque e o Levante , que buscam a destruição do Estado secular da Síria e sua substituição por um califado islâmico.
De acordo com dados do governo, na Síria lutam nas fileiras opositoras, homens de 83 países, especialmente do mundo árabe e do Oriente Médio.
Na quarta-feira, o ministro do Exterior líbio Mohammad Abed Alaziz, confirmou que muitos cidadãos do seu país foram convocados para luta juntos aos grupos terroristas na Síria.
Em uma entrevista no canal de televisão Russia Today, o ministro das Relações Exteriores da nação do Norte Africano, disse que grandes quantidades de armas foram transferidos de seu país para a Síria, direta ou indiretamente , o que chamou de "assistência militar a grupos armados ".

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

EUA : comprovadamente o país que utilizou e ainda utiliza as armas químicas


Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar

Conheça 7 ataques químicos que EUA se negam a comentar

1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litrosaproximadamente - de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja - poderosa arma química disparada durante o conflito.

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Aviões norte-americanos sobrevoando território do Vietnã

2. Israel ataca população palestina com Fósforo Branco. Segundo grupos ligados aos direitos humanos - como Anistia Internacional e Human Rights - o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros das Forças Armadas admitiram os disparos. Clique aqui e veja a reportagem.

3. Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004. Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça". No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA admitindo o episódio. Crianças e mulheres foram as principais vítimas.

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Ação militar no Iraque em 2004

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque em um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5- EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis - caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação "contra ameaças russas". No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de pessoas vítimas do ataque químico.

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Imagem histórica de inspetores de Washington preparando o teste químico em bairro de St. Louis

6 - Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003. A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

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Bombas norte-americanas massacram milhares de japoneses durante a Segunda Guerra Mundial

7- Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército norte-americano derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências

COLÔMBIA RESISTE: GREVES E PARALISAÇÕES NACIONAL AGRÁRIA E POPULAR


CHILE : Debate e música em memória dos 40 anos


terça-feira, 10 de setembro de 2013

CHILE: MARCHA DOS 40 ANOS DO GOLPE DE ESTADO, REPRIMIDO VIOLENTAMENTE PELA POLÍCIA

Síria: Lavrov aplica xeque-mate em Kerry

O secretário de Estado Kerry fez discurso inacreditavelmente ridículo (abaixo, em inglês)) hoje na Grã-Bretanha, que está gerando gargalhadas em todo o planeta. Há três pontos a discutir, e começo pelos menores.


Na fala [em 4’20] Kerry diz como o governo Obama atacará a Síria:

(...) de modo muito limitado, esforço super focado, de curto prazo, para degradar a capacidade [da Síria] para usar armas químicas, sem assumir a responsabilidade pela guerra civil síria. É exatamente o que estamos dizendo que faremos. Esforço inacreditavelmente limitado. Ora... Já fizemos isso outras vezes! O presidente Reagan teve várias horas e fez vários esforços para mandar um recado a Gaddafi depois, eu acho, da explosão do Pan Am 103 e outras atividades terroristas.

Deixando de lado o cômico “ataques inacreditavelmente limitados”, que, seja o que forem, seriam sempre atos de guerra e matariam povo sírio, a lição a extrair do ataque de Reagan à Líbia é exatamente o contrário do que disse Kerry.

Reagan não atacou a Líbia por causa da explosão do avião Pan Am 103 sobre Lockerbie! O Pan Am 103 foi explodido em ataque terrorista em dezembro de 1988 DEPOIS que Reagan atacou a Líbia (“um aviso”) e a família de Gaddafi, em 1986.  

A explosão do Pan Am 103 foi CONSEQUÊNCIA dos ataques de Reagan, não a causa deles. Se se mantém a comparação de Kerry com os ataques à Síria e os EUA atacarem a Síria, então todos devemos esperar mais ataques terroristas a aviões norte-americanos. O Pan An 103 é argumento para NÃO ATACAR a Síria. Kerry, como se vê, não sabe (nem) disso.

Outro ponto são os comentários de Kerry nos quais zomba da credibilidade do presidente sírio [em 1’25, do vídeo]:

Pessoalmente já o visitei, mandado pela Casa Branca, para confrontá-lo sobre a transferência dos mísseis Scud para o Hezbollah que sabíamos que estava acontecendo e vários tipos de fatos e ele simplesmente negou tudo, na minha cara, apesar das provas que apresentei e do que lhe mostramos.

Por mais que funcionários de Israel e dos EUA tenham dito tais coisas, há muitas dúvidas de que a Síria transferiu os tais Scuds para o Hezbollah.  Os Scuds operam com combustível líquido e, assim, são de difícil operação em combate. Exigem vários caminhões para transportar os mísseis e o combustível corrosivo e horas de preparação. Se a Síria ou o Irã forneceram mísseis ao Hezbollah, do mesmo padrão que os Scuds, teria de ser os Fateh-110, mais modernos e movidos a combustível sólido, muito mais fáceis e rápidos para manusear.

A terceira e maior mancada na fala de Kerry aparece em 0’04 do vídeo:

(...) [Assad] poderia entregar cada uma de suas armas químicas à comunidade internacional ainda essa semana. Entregue. Entregue tudo. E sem demora. E permita total transparência. Mas é claro que ele não fará isso, nem a coisa pode ser feita, é óbvio.

Soou como fala à toa. Mas já houve notícias na imprensa israelense, de planos para pressionar a Síria a entregar suas armas estratégicas, o que, é claro, deixaria a Síria sem meios para retaliar contra ataques israelenses.

John Kerry preocupado com sua ignorância?

Imediatamente depois da fala de Kerry sobre a Síria entregar as armas químicas, o Departamento de Estado tentou desdizer tudoSegundos depois da fala, uma porta-voz tentou “contextualizar” o que Kerry dissera:

O secretário Kerry servia-se de argumento retórico sobre a impossibilidade e a improbabilidade de Assad entregar as armas químicas que negou ter usado – disse Jen Psaki,  porta-voz do DE.

Sergey Lavrov
Mas era tarde! O tal argumento retórico já fora capturado em voo pelo ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Já encaminhamos ao Ministro sírio de Relações Exteriores o oferecimento para que a Rússia trate dessa transferência das armas químicas, e esperamos receber resposta rápida e positiva. E estamos preparados para trabalhar imediatamente com Damasco – disse Lavrov.

[Nesse momento, 14h08, hora do Brasil, já se sabe que a Síria já aceitou a oferta dos russos (NTs)]

Não é difícil imaginar que a Síria aceite pelo menos parte da ideia encaminhada pelos russos. Por que não? Os russos fariam a operação, em nome da “comunidade internacional”. Com os russos na Síria para essa finalidade, a Síria teria um “escudo humano” que a protegerá de ataques norte-americanos junto ao seu armamento. Por que a Síria não aceitaria se, assim, até a Rússia estaria prestando grande serviço à humanidade, impedindo que os EUA se envolvam na guerra da Síria? Kerry armou uma arapuca, entrou nela com as quatro patas, e a Rússia usou a fala de Kerry para dar-lhe o xeque-mate.

Como Obama convencerá o Congresso a autorizá-lo a bombardear a Síria, se já se criou via tão fácil (em termos) para evitar mais uma guerra?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu