terça-feira, 6 de outubro de 2026

Gaza: 3 anos de genocídio

 Por Baby Siqueira Abrão e Rafiqa  Salam 



O 7 de outubro é uma data muito importante para a causa palestina. Foi nesse mesmo dia, mas em 2023, que a resistência palestina mostrou aos sionistas que quase oito décadas de colonialismo, opressão e crueldade não ficariam impunes. Os militantes do Hamas, numa ação planejada durante dois anos (desde 2021), entraram na Palestina ocupada — batizada de "Israel" pelos sionistas —, com o objetivo de percorrer os centros militares inimigos e enfrentar os invasores. Essa ofensiva traduz o anseio por justiça, ao passo que o contraste com os luxuosos assentamentos evidencia a brutal assimetria e a privação de direitos impostas aos palestinos de Gaza desde 2006. 

 O que o Hamas não poderia esperar era se deparar com uma rave no caminho: uma festa em cujo entorno havia apenas dor. A confusão emergiu com a dispersão dos participantes e o terrível ruído ensurdecedor dos helicópteros das forças sionistas. Dentro deles, soldados atiravam para baixo sem critério, atingindo parte dos jovens presentes na festa, e muitos morreram ali mesmo (Sales, 2024; IDF, 2023). O caos, contudo, não desviou os militantes de seus reais planos: a ocupação das centrais do exército da entidade sionista. 

 O serviço de propaganda sionista entrou em ação rapidamente, acusando o Hamas pelo assassinato em massa. Também o acusou de violência (incluindo a sexual), da execução de moradores das colônias sionistas em território palestino roubado pelo inimigo e da degola de bebês.  

 O Hamas emitiu declaração negando tais acusações, afirmando que jamais matariam crianças e civis (Ahmad, 2023). Não era esse o objetivo da ação, por um lado; por outro, o Corão, livro sagrado do Islã, não permite matar senão em legítima defesa, pessoal ou de terceiros. E eles, como muçulmanos, seguem os ensinamentos do Corão. 

 Mais tarde, demonstrou-se que o Hamas falava a verdade. A análise da trajetória das balas — feita pela localização delas nos corpos das vítimas e pela origem de sua fabricação — levou à conclusão de que muitas delas foram disparadas por soldados de Israel (Hankins, 2024). Quanto à degola de bebês, tratou-se de um boato difundido por fontes anônimas a uma jornalista hostil aos palestinos, que divulgou a mentira. Depois de algum tempo, veio o desmentido. 

Cientista político e professor, Norman Finkelstein recusou-se a condenar o Hamas pela ação de 7 de outubro de 2023. “Eles tentaram de tudo [para impedir os ataques a Gaza], incluindo a diplomacia e a resistência pacífica, e nada funcionou. Não tinham escolha a não ser morrer como escravos” (NovaraMedia, 2026), afirmou. Foi além: procurou provas das acusações de violência feitas ao Hamas, em especial fotos, e não encontrou nada, fazendo questão de anunciar publicamente o resultado dessa pesquisa. 

 Filho de sobreviventes do Holocausto e nascido nos Estados Unidos, Finkelstein conhece bem o sofrimento imposto aos judeus pelo nazismo. Antissionista, rejeita terminantemente apoiar Israel e, há muitos anos, denuncia as ações sionistas contra o povo palestino em conferências, entrevistas, artigos e livros. 

 

Uma longa história de traições e mentiras 

 Engana-se quem pensa que o genocídio imposto aos palestinos teve início em 2023. O sofrimento do povo palestino é tão antigo quanto o projeto de apagamento desta nação como país. Ao analisarmos brevemente a história contemporânea, veremos que o território palestino era tema central nas disputas geopolíticas. Ficou sob o domínio do Império Otomano por 400 anos, até o final da Primeira Guerra Mundial, quando os interesses coloniais europeus redefiniram as fronteiras da Ásia Ocidental (que a Europa chama de Oriente Médio). 

 A geopolítica foi influenciada não só pela máxima imperialista "para dominar, tem que dividir", mas por uma ideologia supremacista do século XIX: o sionismo, o que mudaria drasticamente os rumos da Palestina. 

 Em 1896, Theodor Herzl, jornalista austríaco, filho de judeus, publicou O Estado Judeu, livro-manifesto da fundação do sionismo político. Herzl advogava a criação de um Estado onde os judeus pudessem se sentir seguros, longe da perseguição operada pelas populações antissemitas das nações europeias onde viviam. Um ano depois, em 1897, em Basileia, na Suíça, Herzl organizou o primeiro congresso da Organização Sionista Mundial. Exatos 208 representantes do sionismo compareceram para fundar os princípios do movimento, discutir a unificação e estabelecer um lar nacional para os judeus. A escolha recaiu sobre a Palestina. 

 Herzl entrou numa roda-viva diplomática para conseguir apoio político e jurídico para sua ideia, aprovada no congresso da Basileia. Foi conversar com o sultão do Império Otomano, do qual a Palestina era parte, mas o governante se recusou a ceder-lhe o território pretendido, argumentando que este pertencia ao povo e não a ele, sultão. Não cedeu nem mesmo quando Herzl ofereceu-se para pagar a enorme dívida do Império, equivalente, hoje, a centenas de milhares de dólares. A oferta de Herzl, patrocinada por judeus riquíssimos e banqueiros, chegava à casa dos bilhões. Apesar da tentação, o sultão manteve-se irredutível. 

 A saída foi recorrer ao Império Britânico, a maior potência mundial à época. Os britânicos, interessados no controle do canal de Suez e na derrocada do Império Otomano mostraram-se favoráveis à criação de Israel na Palestina. Herzl, porém, não chegou a ver o resultado das conversas que iniciou. Faleceu em 1904, aos 44 anos, com a saúde abalada pelo desgaste do corre-corre político para concretizar a tomada da Palestina. 

 Em 1917, o ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, dirigiu a Lionel Rothschild a Declaração Balfour (Declaração, 2026), pela qual os monarcas britânicos apoiavam o estabelecimento de um Estado judeu na Palestina. Trocando em miúdos: o Império Britânico autorizava um grupo político estrangeiro a tomar posse de um país que não era seu. Pior: um país habitado há séculos por uma população nativa. Comprove isso no texto da Declaração Balfour, que alavancou a tragédia palestina: 

               Prezado Lorde Rothschild, 

 

Tenho o prazer de transmitir a Vossa Senhoria, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelas aspirações judaicas sionistas, que foi submetida e aprovada pelo Gabinete.  

"O Governo de Sua Majestade vê com bons olhos o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e envidará todos os esforços para facilitar a realização deste objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina, ou os direitos e o status político desfrutados pelos judeus em qualquer outro país." 

Eu ficaria grato se Vossa Senhoria levasse esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.  

 

Atenciosamente, 

Arthur James Balfour, Ministro das Relações Exteriores 

 

 Palestinos e demais povos árabes rejeitaram de modo enfático o documento. Acusaram de traição o Império Britânico. Seus dirigentes haviam prometido a criação de um Estado árabe caso fossem ajudados, militarmente, no fim do Império Otomano. Os árabes ajudaram. E os britânicos, em vez de cumprir a promessa, trataram de apoiar o estabelecimento de um Estado estrangeiro, judeu, na Palestina[1].

 Os árabes tinham certeza de que a população judia cresceria muito, pondo em risco a autonomia árabe.  Tinham razão: os sionistas podiam ser tudo, menos ingênuos. Theodor Herzl, na conclusão de O Estado Judeu, afirma, textualmente: "Uma irmandade universal não chega nem mesmo a ser um belo sonho. O antagonismo é essencial para os maiores esforços do homem" (Herzl, [1896] 2002, p. 03). 

 Em 1923, já no século XX, o sionista Vladimir Jabotinsky escreveria The Iron Wall (ver Brenner, 2002, p. 32-37), texto em que criticava os sionistas defensores de um acordo com os árabes para criar o Estado judeu na Palestina. Para ele, só poderia haver algum tipo de acordo depois do estabelecimento do Estado judeu, o que possibilitaria aos sionistas a constituição de uma "muralha de ferro" contra os árabes palestinos. Tal muralha seria construída, segundo Jabotinsky, com a força das armas. 

"As populações nativas, civilizadas ou não, sempre têm resistido teimosamente aos colonialistas, não importa se civilizados ou selvagens", escreve Jabotinsky. E continua: "Toda população nativa (...) considera seu território como lar nacional, do qual é a única senhora, e deseja manter essa posição para sempre; recusará admitir não apenas novos senhores, mas também novos parceiros ou colaboradores".  


Com as propostas e os argumentos de The Iron Wall, Jabotinsky fundou o sionismo revisionista, atualmente representado em Israel pelo Likud, partido extremista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que comanda o presente genocídio palestino. 

 O que Jabotinsky não antevia era a resistência persistente da população nativa da Palestina, que luta até os dias atuais para permanecer em sua terra, apesar das agressões, dos assassinatos, da limpeza étnica e dos massacres perpetrados pelo movimento sionista em Israel.

 

O Mandato Britânico 

 A então Liga das Nações garantiu à Grã-Bretanha, em 1922, um mandato para governar a Palestina. Espremidos entre palestinos e judeus, os britânicos deram o aval para o início do colonato sionista, com a expropriação das terras palestinas. Porém, tiveram de haver-se com revoltas palestinas nas décadas de 1920 e 1930, sob a liderança de Izz ad-Din al-Qassam, que defendia que a única forma de resistir tanto ao colonialismo do imperialismo britânico quanto à imigração sionista em massa era por meio da luta armada organizada. 

 As diversas lutas de resistência culminaram na Grande Revolta Árabe de 1936–1939 na Palestina. Todos estes levantes foram fortemente reprimidos, sufocados com violência pelo exército britânico e pelos sionistas. A população nativa não aceitava a presença sionista, que os britânicos incluíram na administração do Mandato. Foram muitos os conflitos, as prisões, as mortes. O ápice dessa situação tensa foi o ataque terrorista praticado pelo grupo armado sionista Irgun, a 22 de julho de 1946, no Hotel King David, em Jerusalém. Os membros do Irgun provocaram uma explosão na área onde se situava a administração do Mandato, matando 91 pessoas e ferindo outras 45. O espaço ocupado pelos britânicos no hotel foi destruído. 

Dois anos após o atentado ao King David, à meia-noite de 14 de maio de 1948, encerrou-se o Mandato Britânico. Algumas horas antes, o sionista David Ben-Gurion, chefe da Agência Judaica, proclamou a fundação – que chamou de “independência” – do Estado de Israel. 

 

A criação de Israel: uma fraude internacional 

Os sionistas apelam para a “criação” de seu Estado pelas Nações Unidas a fim de justificar o genocídio imposto aos palestinos. Esse argumento, contudo, não tem valor algum. A ONU não “criou” Israel, porque a criação de Estados não consta na Carta de fundação da entidade.  

Por esse motivo, quando o brasileiro Oswaldo Aranha afirmou "Declaro criado o Estado de Israel", ao fim da Assembleia Geral de 29 de novembro de 1947, estava desrespeitando a decisão do encontro e violando a Carta da ONU. Estava cometendo uma fraude cujas consequências de extrema violência ninguém sabe quando vão acabar. 

A Assembleia, na verdade, nem sequer tinha autoridade para tomar esse tipo de resolução. Ela não é uma instância decisória; na ONU, esse papel cabe ao Conselho de Segurança. Por isso, a decisão da Assembleia de 1947 foi encaminhar a partilha da Palestina ao Conselho de Segurança. Só ele poderia ceder, ou não, à solicitação sionista.

Mas o Conselho de Segurança jamais se reuniu para deliberar sobre essa pauta. Por um motivo muito simples: o respeito à Carta da ONU, na qual não consta a permissão para a criação de países. O máximo permitido pela Carta é a aceitação do estabelecimento de novos Estados quando a população decide estabelecê-los. E esse não era o caso da partilha da Palestina entre o povo nativo e a organização sionista. 

Houve outras fraudes durante a Assembleia, como conta o cientista político, historiador e professor Michael J. Cohen em Palestine and the Great Powers (1945-1948). Quando Aranha percebeu que a partilha seria rejeitada, suspendeu a Assembleia, que só retornaria após o fim de semana e o Dia de Ação de Graças. Foi período suficiente para os sionistas agirem no sentido de mudar o voto dos delegados presentes à Assembleia.   

Visitaram todos aqueles contrários à partilha, oferecendo muito dinheiro, cheques em branco e fazendo ameaças de quebrar a economia das nações recalcitrantes. Esse procedimento bastou para a partilha receber a indicação de ir ao Conselho de Segurança – que, como dissemos, nunca examinou o caso. 


A opressão sionista e a alma da Resistência Palestina 

Entre a beleza e o árduo trabalho da colheita da azeitona, da produção do puro azeite de oliva, dos figos, das tâmaras e do za'atar no café da manhã, do makluba na hora do almoço, das músicas, das danças e da vida que aflora, teimosa, todos os dias, somos agraciadas pela palestinidade e sentimos pertencer a esse povo resiliente e generoso. Mas há outro lado nisso: no cotidiano, a violência israelense contrasta com a beleza, serpenteando e maltratando a Palestina. 

A opressão sionista é um peso presente na vida das famílias palestinas, seja nos territórios ocupados, nos campos de refugiados ou na diáspora. É uma ferocidade que destrói famílias separadas pelo muro da vergonha, pelo limite de transitar na “Área A”, na “Área 48”, em sua própria capital Jerusalém, nas humilhantes revistas nos postos de controle, na brutalidade contra os presos políticos e no impedimento de os refugiados pisarem onde nasceram. É uma vida sem direitos civis, sem liberdade e sem a possibilidade de ir e vir em seu território histórico. 

A política israelense de apartheid segrega e viola, no todo ou em parte, o povo nativo genuíno — um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Reconheceu estas palavras? É a tipificação do crime de genocídio pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948, das Nações Unidas (ONU). 

O colonialismo de povoamento foi uma intervenção violenta de limpeza étnica perpetrada por milícias sionistas (como Irgun, Lehi e Haganah) e ancorada nos propósitos da imigração em massa de judeus. Em 1948, o projeto de deslocamento forçado de 800 mil palestinos, com assassinatos, massacres e destruição de mais de 500 cidades e aldeias, ficou conhecido como Nakba — palavra em árabe que significa catástrofe. 


A vida do povo palestino é de resistência; um povo que sobrevive e luta contra a invasão sionista. São 78 anos desde o início oficial da Nakba (pois esta desgraça precede 1948), e as políticas de colônias israelenses, as demolições de casas, a expulsão dos palestinos de suas legítimas terras e as mudanças toponímicas e geográficas continuam.

 É um genocídio que dura mais de 100 anos, registrado pela história e, nos últimos anos, televisionado pelas mídias alternativas e pelas gravações de vídeos dos próprios palestinos. 

O genocídio do povo palestino, escancarado ao mundo, não é suficiente para sensibilizar a ONU e os governos internacionais a condenar Israel por crimes de guerra e terrorismo. Sem punição e com narrativas distorcidas que transformam os israelenses em vítimas, a pressão sionista — com o apoio e o financiamento dos Estados Unidos — avança em seu projeto expansionista da “Grande Israel”: ocupa as Colinas de Golã na Síria, invade o Líbano, destrói Gaza, negligencia as negociações e os acordos de paz, além de colecionar corpos (dos quais extraem órgãos) no maior genocídio geracional do século XXI. 

Trata-se de uma realidade controlada pelo exército sionista da entidade ocupante, que realiza assassinatos seletivos de jornalistas e repórteres para eliminar testemunhas oculares dos fatos. O colete azul com a inscrição "PRESS" (Imprensa) não garante proteção; pelo contrário, torna-se alvo para o "silenciamento" da realidade. São 263 jornalistas palestinos martirizados desde outubro de 2023, que enobreceram o exercício da profissão e trabalharam até o último suspiro (Israel mata, 2026). Enquanto isso, a mídia corporativa, alinhada ao sionismo, ampara a falácia de que os conflitos começaram em 7 de outubro de 2023. 

 Mas a comunidade internacional escolheu um lado: com amor e solidariedade, milhões de pessoas saíram às ruas em marchas de apoio à liberdade palestina. Manifestações públicas nas universidades, Flotilhas da Liberdade, eventos culturais, artistas e competições esportivas transformam-se em espaços para denúncias do genocídio, da destruição e da proibição de entrada de ajuda humanitária, água, alimentos e medicamentos em Gaza. A solidariedade internacional abraça e defende a Palestina livre, uma vitória da humanidade que ainda não sucumbiu ao caos, pois compreende que o sionismo não causa danos somente à Palestina, mas ao mundo. 

Determinada a romper com essa realidade, a Resistência Palestina e o Eixo da Resistência combatem a entidade ocupante sionista e o imperialismo estadunidense, enfrentando, há décadas, forças bélicas financiadas por países europeus e por monarquias árabes traidoras. A vitória está na unidade revolucionária.                         

 Da dor de dezenas de milhares de mártires e de mais de 150 mil feridos desde outubro de 2023, nasce a força para vencer. A resposta vem de nossas entranhas; mais que sangue, em nossas veias corre resistência. 

 A defesa da Palestina livre é o nosso compromisso em respeito aos palestinos, aos fedayins, aos mártires e a todos que lutam por um Estado palestino único, laico, democrático e soberano sobre seu solo histórico — isto é, sobre seu território de 27000 km², com Jerusalém inteira como capital, com o direito de retorno dos refugiados e com a libertação de todos os presos políticos. 

 Escrever a quatro mãos este texto nos remete à dor da expropriação da vida, carregada de tradições milenares, que pudemos vivenciar — mesmo que pouco — junto aos nossos irmãos palestinos, que nos acolheram com tanto amor!  

 Também nos leva a valorizar os doces momentos compartilhados com as famílias palestinas, amigos e lutadores, resultando no pertencimento que carregamos em nossos corações. 

 Compreendemos que a resistência é cotidiana, coletiva, construída na unidade e desafiadora. As vitórias não a desviam do rumo; a luta é calibrada e fortalecida no terreno, como na histórica resistência palestina e nos destemidos enfrentamentos do Irã e do Iêmen ao sionismo e às agressões de Washington. 

Somos todos palestinos! Sentimos isso quando estamos na Palestina ou em qualquer lugar do mundo, pois não somos indiferentes à barbárie; ao contrário, aprendemos com os combatentes que a libertação da Palestina é a libertação do mundo das mazelas do capitalismo, do imperialismo e do sionismo. A luta do povo palestino é um exemplo a seguir, pois não existe paz sem justiça. 

Viva a Palestina livre do rio ao mar! 

 

As imagens utilizadas neste trabalho reúnem obras de expressivos nomes da arte palestina: Sliman Mansour (1947-2026), artista histórico do movimento de resistência visual; Katalo yousef (1965) — Entrevistado por Rafiqa em seu ateliê em Hebron, Palestina, em 2019, onde conheceu as suas obras em defesa da Palestina;  e Kael Abello (1984) artista e designer gráfico venezuelano, que aborda nas suas produções a memória coletiva, a identidade e as vivências do povo palestino.

Outubro/2026


 

 


[1] Um acordo secreto de 1916, entre Reino Unido e França, estabeleceu o domínio das duas potências colonialistas europeias sobre o espólio do império otomano. Os britânicos ficaram com o centro e o sul do Iraque, a Transjordânia (atual Jordânia) e a Palestina. A França obteve a Síria, o Líbano e o sudeste da Turquia. Por esse acordo, denominado Tratado Sykes-Picot (referência aos sobrenomes dos dois negociadores), o império britânico pode determinar o futuro da Palestina.


Referências 

AHMAD, Yakoota al. Hamas denies it killed children in fight with Israel. AA, Ankara, 11 out. 2023. Disponível em: https://www.aa.com.tr/en/middle-east/hamas-denies-it-killed-children-in-fight-with-israel/3015680. Acesso em: 05 out. 2026. 

COHEN, Michael J. Palestine and the great powers (1945-1948). New Jersey: Princeton University Press, 1982. 

DECLARAÇÃO Balfour (1917). Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Balfour_(1917). Acesso em: 05 out. 2026.

HANKINS, Amelia. Investiagrion reveals two Nova partygoers shot by Israeli soldier. L’orient Today, Beirut, 22 fev. 2024. Disponível em: https://today.lorientlejour.com/article/1369061/investigation-reveals-two-nova-partygoers-shot-by-israeli-soldier-haaretz.html. Acesso em: 05 out. 2026. 

HERZL, Theodor. Conclusion. The Jewish State, 1896. In: BRENER, Lenni (org.). 51 documents: Zionist collaboration with the nazis. 2ª reimpressão. New Jersey: Barricade Books, 2002, p. 03. 

IDF helicopter fired at Israeli civilians fleeing musicfestival during Hamas’ Oct 7 attack: report. Dawn, Islamabad, 20 de nov. 2023. Disponível em: https://www.dawn.com/news/1790937. Acesso em: 05 out. 2026. 

ISRAEL MATA jornalista Mohammed Al-Najjar em ataque aéreo e eleva a 263 o total de profissionais de mídia palestinos que assassinou desde outubro de 2026. Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, São Paulo, 2026. Disponível em: https://sjsp.org.br/israel-mata-jornalista-mohammed-al-najjar-em-ataque-aereo-e-eleva-a-263-o-total-de-profissionais-de-midia-palestinos-que-assassinou-desde-outubro-de-2023/. Acesso em: 2026. 

NOVARAMEDIA. ‘I won’t condemn Hamas. I refuse to do that’. Youtube, 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/shorts/2Kxm9Vevizs. Acesso em: 05 out. 2026. 

SALES, Ana Gabriela. Israel é principal responsável por mortes em rave, afirma site britânico após investigação. Opera Mundi, São Paulo, 16 jan. 2024. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/guerra-israel-x-palestina/israel-e-responsavel-por-mortes-em-rave-afirma-site-britanico-apos-investigacao/. Acesso em: 05 out. 2026. 


Autoras:
Baby Siqueira Abrão, jornalista, ex-correspondente do jornal Brasil de Fato na Palestina 
Rafiqa Salam, socióloga e ativista da causa palestina 


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