Do estupro ritualístico religioso ao estupro sádico de prisioneiros palestinos, incluindo crianças, esta é uma sociedade embriagada pela violência, pela depravação e sem quaisquer limites reconhecíveis.
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Comitê de solidariedade a luta do povo palestino - RJ, Comitê catarinense de solidariedade ao povo palestino
Do estupro ritualístico religioso ao estupro sádico de prisioneiros palestinos, incluindo crianças, esta é uma sociedade embriagada pela violência, pela depravação e sem quaisquer limites reconhecíveis.
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O ciclo do sofrimento encerra-se para que o ciclo da vitória comece, movido por uma vontade que prefere a destruição total do sistema opressor à aceitação de uma paz sem justiça e sem dignidade.
Se nos perguntarem hoje: "É este um dia de celebração para o Coletivo Al Ma'sumin?", nossa resposta ecoará com a gravidade do ferro e a clareza do espírito: absolutamente não. Não há celebração onde reside o trauma; não há festa sobre as cicatrizes de um povo.
A Nakba não é apenas um evento histórico; é a prova mais fustigante da capacidade humana de engendrar o sofrimento infinito e o desamor. É o monumento ao momento em que o mundo escolheu o esquecimento em vez da fraternidade. No solo sagrado da reflexão e da angústia, não brotam flores de comemoração, mas sim o aço temperado da determinação.
Verdadeiros pilares de luz e justiça — entregaram suas existências para reverter as correntes da opressão. Muitos foram martirizados no campo de honra; outros viram o tempo e a doença marcarem o ritmo de sua partida. Entre eles, honramos a memória do Camarada Khader Uzmaân. De formação comunista, sua sabedoria transcendeu rótulos, moldando a alma deste Coletivo. Sob sua sombra, aprendemos que a luta não é apenas material, mas uma obrigação espiritual contra a crueldade. Suas palavras, sinceras e firmes, ensinaram-nos que a lembrança da Nakba deve ser o protesto mais enérgico: um ato reflexivo, porém enfurecido. Nossos inimigos cometeram o erro fatal de acreditar que nossa dor era estática. Eles não entenderam que, para o revolucionário, o luto é o combustível da ressurreição.
Décadas de resiliência não produziram apenas sobreviventes; forjaram estrategistas. Superamos a fase da mera consciência para alcançar a maestria da confrontação. Nossa evolução não foi apenas política, mas uma transmutação de capacidades. O maior triunfo deste século é a harmonia sagrada entre os grupos de resistência. As redes de apoio à Palestina romperam as barreiras da caridade passiva. Hoje, o intercâmbio não é apenas de pão, mas de ciência, tecnologia e tática.
O que antes era ajuda humanitária, hoje é o conhecimento técnico que se converte em resposta implacável contra o opressor.
O Eixo da Resistência é o Juízo Final dos Traidores. Mas também Mihwar al Muqawamah é o refúgio dos que se recusam a se curvar ao colonialismo. Compreendemos, por fim, que a diplomacia é ilusão quando o interlocutor é a entidade sionista, cuja existência se baseia na negação do outro. Desde a ótica do Líder Khameneî: “A questão da Palestina não é apenas uma questão de terra, mas o ponto central do confronto entre a verdade e a falsidade. A resistência é o único caminho para a salvação”. Lembrando as palabras do Saiid Hasan Nasurul.lah: “O tempo em que éramos derrotados acabou e o tempo das vitórias chegou. Nós somos os que não conhecem a derrota enquanto tivermos a fé e a vontade de lutar”
Estamos testemunhando o fim definitivo da era da vitimização e da passividade. A Nakba dos oprimidos encerra-se para dar lugar ao Ba'ath — a ressurreição espiritual e militar de uma resistência que não aceita mais as migalhas da diplomacia ocidental. O que antes era um lamento de exílio transformou-se em um grito de guerra coordenado, onde cada punho erguido representa o colapso do medo e o nascimento de uma nova consciência coletiva que recusa o papel de figurante na própria história.
Aos traidores e arquitetos da subserviência: a catástrofe que eles plantaram agora bate à porta das monarquias árabes colaboracionistas e dos centros de poder europeus. O pacto de silêncio assinado em palácios de mármore está se esfarelando diante da pressão das ruas e do fogo da revolta. Aqueles que venderam a dignidade de seus povos em troca de estabilidade dinástica descobrirão, da maneira mais árdua, que o preço da traição é uma tempestade que nenhum muro ou guarda pretoriana poderá conter.
Aos ocupantes: o apoio imperialista, que hoje se gaba de suas bases tecnológicas nos desertos e de sua hegemonia bélica, encontrará seu destino final no silêncio do fundo do mar. A soberba do aço e dos satélites não é páreo para a determinação de quem nada tem a perder, exceto as correntes. O horizonte está se fechando para as potências estrangeiras, e o solo que eles julgaram ter domado está se tornando o túmulo de suas ambições coloniais, movido pela força de uma maré que não retrocede.
A justiça não é uma promessa vazia proferida em fóruns internacionais irrelevantes; é uma construção de fogo, espírito e unidade inquebrantável. Ela está sendo forjada no calor das trincheiras e na solidariedade de quem compreende que a liberdade não se pede, se toma. O fim da Nakba está próximo porque a resistência despertou em sua forma mais pura, e desta vez, ela não dormirá nem se deixará seduzir por falsas tréguas até que cada palmo da terra seja devolvido aos seus herdeiros de direito.
Lutar até o final é o único caminho para a redenção de um povo que foi subestimado por décadas. Pela honra que se mantém viva no peito dos mártires, pela terra que clama pelo retorno de seus filhos e pelo espírito que transcende as fronteiras físicas da ocupação.
O ciclo do sofrimento
encerra-se para que o ciclo da vitória comece, movido por uma vontade que
prefere a destruição total do sistema opressor à aceitação de uma paz sem justiça
e sem dignidade.
POR: COLETIVO ISLÂMICO “AL MA´ASÛMIN”
PARA A DIVULGAÇÃO DO PENSAMENTO XIITA EM PORTUGÊS E ESPANHOL
2. O conflito com a ocupação é uma luta existencial e histórica até seu fim.
3. A questão dos refugiados é o centro da causa palestina, e o direito de retorno é inalienável.
4. A unidade do povo palestino é a base para enfrentar a agressão e os planos de liquidação da causa.
5. Os prisioneiros são uma questão nacional central, e a luta continuará até sua libertação.
6. O apoio à UNRWA é essencial para proteger os refugiados e manter um testemunho internacional do crime histórico.
7. Há uma guerra de extermínio, cerco e fome contra o povo palestino em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém.
8. A ocupação é incapaz de impor uma vitória definitiva apesar do apoio ocidental.
9. Crescem o fascismo, o racismo e as divisões internas dentro do sistema da ocupação.
10. A solidariedade internacional com a Palestina está se ampliando, enquanto o isolamento da ocupação aumenta.
11. Rejeição à separação de Gaza da Cisjordânia e enfrentamento das políticas racistas.
12. Exigência do fim da agressão e da retirada total da Faixa de Gaza.
13. Chamado à intensificação do boicote e do isolamento político e econômico da ocupação.
14. Reconstrução de Gaza sob uma administração nacional palestina independente.
15. A solidariedade mundial com a Palestina continua crescendo, enquanto o isolamento da ocupação se aprofunda.
#PFLP
Este “espírito” está em toda a Palestina e tem na Faixa de Gaza sua maior expressão, na atualidade, por isso o chamo de “espírito de Gaza”
Por Yasser Jamil Fayad
Hoje, faz
78 anos da Nakba, a maior tentativa de destruição do povo palestino e também a
marca de nascença do Estado de Israel. Muito já foi escrito sobre o período e o
território da Nakba, a grande catástrofe planejada contra o povo palestino, que
levou a expulsão forçada de seu território milenar de cerca de 700 mil
habitantes – metade da população originária à época. Os livros acadêmicos,
literatura, artigos, entrevistas, documentários, filmes etc. giram
principalmente tendo no horizonte a perspectiva do colonizador, ou seja, da
criação do Estado de Israel. Assim, aquele tempo e espaço são reconstruídos e
representados como um momento de festividade dos judeus sionistas e, mesmo, de
certo alívio para o ocidente político em especial, para a Europa, pois se
tratava de uma “compensação”, a sua moda é claro, pelos horrores da Segunda
Grande Guerra. Realizado como veremos à custa de outros horrores, contra outras
pessoas, que nada tinham a ver com os acontecimentos em Europa – eis à moda
europeia. O significado é restrito, desta forma, a vitória do projeto
colonizador e a nascente de um Estado que, permanentemente, iria impor a todo
aquele espaço geográfico e a sua vizinhança seu domínio, como um pedaço do
ocidente político transposto no coração da região do levante. Os palestinos são
nessas versões, da historiografia oficial dos vencedores, “o negativo”, aquilo
que se quer esconder, ocultar, negligenciar, ignorar… todavia, antes de
jogarmos luz sobre os horrores sofridos, no passado e no presente, pela única população
originária da Palestina, é necessário fazer algumas observações.
A primeira delas diz respeito ao holocausto, na
medida em que se questiona comumente como a vítima, na Europa, tornou-se algoz,
na Palestina, em um período tão curto de tempo? A pista para responder esta
questão está a meu ver em Aimé Césaire, no seu fabuloso “Discurso sobre o
Colonialismo”. Para aquelas pessoas, que fizeram e festejaram a Nakba, o
holocausto não se constituiu em um crime universal, isto é, para toda a
humanidade, mas sim, em um crime particular “inaceitável”. No qual europeus
praticavam métodos horríveis de morte e tortura, aceitáveis e toleráveis apenas
para os povos colonizados (não europeus), contra outros europeus – eis “o”
crime, incluindo os de crença religiosa distinta, como os europeus que
professavam o judaísmo. Os horrores sempre foram “aceitáveis” quando foram
feitos contra outros povos em África, Oceania, Ásia e nas Américas. Desta
forma, podemos compreender como foi possível a passagem do holocausto, na Segunda
Grande Guerra, para a produção deliberada de horrores similares contra os
palestinos na Nakba.
A segunda está intimamente ligada à primeira e
diz respeito a um processo característico da colonização, qual seja, a
desumanização do outro (não europeu) como algo “aceitável” e “desejável”. As
descrições, na história oficial israelense e de muitos dos seus cúmplices,
subtraem do tempo e espaço da Nakba a presença do outro (o palestino) e de seu
sofrimento físico e psíquico. A Palestina é apresentada como um espaço vazio ou
pouco habitado por indivíduos (e não um povo!) que não pertenceriam àquele
território. Sendo comum a acusação de que os palestinos seriam na verdade
egípcios, ou iraquianos ou árabes da Península Arábica, mas não originários da
Palestina… pior ainda, os colonizadores que chegavam da Europa seriam os
“legítimos donos” da terra. Esta negação da dignidade do outro é fundamental
para alicerçar as bases de um projeto colonizador que visa o extermínio físico,
cultural (material e imaterial), arqueológico do povo colonizado. Ao retirar a
humanidade dos palestinos, ao negar sua história naquele território, é possível
praticar os horrores de morte e tortura como os realizados na Nakba.
A Nakba foi uma tentativa de destruição do tecido
social palestino através do desespero ocasionado pelos assassinatos, massacres,
estupros, expulsões, bombardeios, incêndios etc. O que se desejava era o
rompimento das relações de sociabilidade dos palestinos e de sua ligação
ancestral com seu território. Na equação do colonizador, os palestinos se
tornariam uma espécie de “árabe genérico” passível de se difundir e diluir nos
países árabes circunvizinhos. Seria esse, o desejado e planejado, fim do povo
palestino.
Os resultados devastadores que tal evento teve
sobre o tecido social palestino foi tamanho que, no fundo recriou um “novo
palestino”. Os efeitos da diáspora, campos de refugiados e suas condições
precárias de vida, fome, sede, frio, tendas da agência de refugiados da ONU,
desemprego, mortalidade elevada, falta de medicamentos etc. e a vontade de
retomar à Palestina fez com que as novas gerações pós-Nakba saíssem da condição
passiva do sofrimento de seus pais e avós, para uma condição ativa de luta de
libertação nacional. Esse “novo palestino”, muitos sem nunca terem visto a
Palestina, doaram suas vidas a uma legítima e nobre causa. Ajudaram a construir
um legado de luta transmitido para as outras gerações… da qual a Gaza, de hoje,
com uma população de 70% de refugiados, é uma das signatárias dessa herança
como é Jenin, Nablus, Hebron, Qalandiya etc. A Gaza pré-Nakba se transformou e
seu povo mais ainda… reconstruídos pela luta contínua com suas derrotas,
vitórias, sofrimentos etc. Este “espírito” está em toda a Palestina e tem na
Faixa de Gaza sua maior expressão, na atualidade, por isso o chamo de “espírito
de Gaza”.
Todavia é preciso reconhecer que a Nakba gerou
tensões entre as gerações subsequentes de palestinos e aqueles que a viveram –
como ferida aberta produziu mais dores. Alguns jovens do passado não aceitavam
que seus pais tivessem saído da Palestina… “deveriam ter morrido lutando por
ela”. Muitos lutaram e morrem, muitos recuaram e voltaram a lutar logo em
seguida, e é também verdade que muitos daqueles que viveram tal tragédia
planejada achavam, ingenuamente, que aquilo tudo logo passaria e que
retornariam para suas vidas normais. Levaram as chaves das portas na esperança
de logo voltarem, hoje, símbolo da diáspora e desejo de retorno. Ghassan
Kanafani explora parte dessa tensão em seu romance “Retorno a Haifa”, obra em
que os pais são levados pelas circunstâncias dramáticas de violência a deixarem
para trás um filho. O clímax da obra é este reencontro de uma criança criada
por colonos europeus, que se torna soldado israelense, e seus pais biológicos
palestinos. Nesta obra literária que foi adaptada para o teatro, Said,
personagem que fora o pai jovem na Nakba, em um tom de desabafo e angústia (na
versão teatral), diz a sua mulher anos depois: “Não deveríamos ter ido embora”.
Não obstante, o estado de inferioridade militar produzido contra os palestinos,
principalmente pelo Mandato Britânico, à época, mantendo-os com poucas e
obsoletas armas com a finalidade de se tornarem vítimas fáceis, na Nakba, de
grupos judaicos terroristas, bem treinados e equipados, que se transformariam
logo depois no exército regular israelense… a despeito disso tudo… a lição
histórica que ficou foi: nunca sair da Palestina!
Passados anos, os palestinos especialmente da
Faixa de Gaza, sofreram mais uma vez os horrores da morte e da tortura. O
primeiro genocídio com imagens instantâneas, de fotos e vídeos da história da
humanidade, certamente marcou e marcará definitivamente o século XXI. As
explosões, incêndios, corpos mutilados, crianças assassinadas, hospitais e
ambulâncias como alvos, jornalistas assassinados, escolas destruídas, refúgios
de civis bombardeados, massacres de palestinos famintos à procura de comida,
destruição de infraestruturas civis, prisões em massa, uso deliberado de fome e
sede com armas de guerra etc. ao mesmo tempo, com festas de colonos judeus
diante dos massacres aos palestinos, imagens de soldados estuprando civis
palestinos e depois sendo libertados, soldados saqueando as casas palestinas
invadidas, imagens de jovens israelenses ridicularizando as vítimas palestinas
e seus sofrimentos em mídias sociais, as arquibancadas construídas por
israelenses para assistirem com binóculos os bombardeios em Gaza, apoio nas
pesquisas de opinião da população israelense ao genocídio, declarações de altos
cargos do governo israelense em favor do genocídio etc. ainda estão sendo
processados no mundo afora através de livros, filmes, literatura, palestras,
debates etc. Ainda que o impacto concreto de mais este horrendo evento
planejado contra os palestinos não esteja totalmente claro, o que vimos, foi
definitivamente a morte do mito da “eterna vítima”, construído em torno dos
judeus europeus após o holocausto, em simultâneo, da moralidade política
liberal do ocidente e de seus organismos internacionais.
O genocídio de cerca de 65 mil pessoas de forma
direta e estimado entre 150 mil a 300 mil, incluindo as formas indiretas como
falta de medicamentos, cirurgias, diálises renais, quimioterapias, alimentos,
água potável etc., tinha a cristalina intenção de produzir uma nova Nakba.
Diante das formas modernas de guerra e seus instrumentais mais destrutivos
seria novamente possível produzir o desespero através de assassinatos,
massacres, estupros, expulsões, bombardeios, incêndios etc. Conjuntamente, de
levar a fragmentação política interna pela delação e entrega dos guerrilheiros
palestinos, como se os que lutam e resistem fossem “os culpados” e, não, a
colonização judaica. A esperança judaica sionista era levar a população da
Faixa de Gaza a se desfazer e, por fim, abandonar o seu território milenar em
direção ao Egito. Para tanto, a população era deslocada sob bombardeios do
norte da Faixa de Gaza, local mais populoso, para o sul da Faixa de Gaza, na
fronteira com Egito. As cenas de horrores, assassinatos e torturas são
chocantes durante todo esse período, contudo a resposta não foi a almejada pelo
colonizador.
Décadas de lutas, resistências, resiliências,
formações políticas, debates internos, organizações populares, obras literárias
reflexivas (como a de Ghassan Kanafani), poesias de combate, encontros com
outras experiências anticolonialistas, avaliações e reavaliações táticas,
assembleias etc. formaram um povo distinto daquele de 1948. Um povo mais
experimentado, mais consciente de si mesmo, seus aliados e inimigos – um povo
forjado na luta! Os palestinos marcharam mais de 30 km, em direção ao norte da
Faixa de Gaza, território sabidamente sem água, alimentos, moradia, estruturas
hospitalares e de saúde, estruturas educacionais etc., tampouco traíram os seus
guerrilheiros denunciando sua presença ou sabotando a luta. Foi como se Gaza
estivesse respondendo firmemente ao passado da Nakba e ao presente do
genocídio, dizendo, em alto e bom-tom: “Nunca sairemos da Palestina e
continuaremos a lutar!”
Eis o espírito de Gaza, que sintetiza o melhor da
longa história de luta do povo palestino, diante do genocídio sua resposta foi
o da anti-Nakba!
Da certeza de que nunca mais ocorrerá outra
Nakba.
É também este espírito, que se espalha e anima a
luta de tantos outros povos… hoje, ele está também no Irã e Líbano.
https://causaoperaria.org.br/2026/a-anti-nakba-o-espirito-de-gaza-em-resposta-ao-genocidio/
5 de maio de 2026
Do coração do Brasil, e das fileiras dos Comitês da Palestina
Democrática, enviamos a vocês uma saudação de solidariedade combativa e
afirmamos que vocês não estão sozinhos nesta luta; ao seu lado estão povos
livres e forças vivas em todo o mundo.
O
que vocês fizeram não é apenas uma ação humanitária, mas um ato de luta
corajoso diante do cerco e da injustiça, e uma mensagem clara de que a vontade
dos povos não pode ser quebrada, e de que Gaza não está sozinha. A ocupação
tentou silenciar suas vozes por meio da repressão, da prisão e da humilhação,
mas fracassará; porque a voz da liberdade é mais forte, e a solidariedade
internacional é mais poderosa do que todos os instrumentos de opressão.
A
firmeza de vocês diante da detenção, enfrentando violações e pressões, expõe a
verdadeira face de um sistema baseado na repressão e na perseguição, e ao mesmo
tempo reafirma que os lutadores livres são capazes de transformar a dor em
força e o sofrimento em bandeira de resistência.
Thiago,
sua mensagem para sua filha desde a prisão não é apenas palavras, mas um
testemunho humano eterno da justiça da causa palestina.
Saif,
sua firmeza diante da intimidação é a expressão viva da dignidade de um
militante que não se dobra.
Nós,
dos Comitês da Palestina Democrática no Brasil e do Comitê de Solidariedade à
Luta do Povo Palestino do RJ afirmamos que: Atacar os ativistas da Flotilha da
Resistência é atacar toda voz livre!
Criminalizar a solidariedade não terá sucesso. Romper o cerco a
Gaza continuará sendo um objetivo vivo na consciência dos povos livres.
Exigimos:
·
A libertação imediata e incondicional de Thiago Ávila e Saif Abu
Keshek,
·
A libertação de todos os ativistas da Flotilha da Resistência,
·
A responsabilização dos envolvidos pelas violações cometidas
contra eles.
*Convocamos o povo do Brasil, da América Latina e todos os povos
livres do mundo a intensificarem a solidariedade e a mobilização popular até a
conquista de sua liberdade.
Gaza não está sozinha…
E a liberdade dos militantes virá, inevitavelmente.
Liberdade
para Thiago e Saif
Viva
a solidariedade internacional
E venceremos!*
Comitês
da Palestina Democrática
Comitê
de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
Domingo, 26 de abril de 2026

BEIRUTE, (FOTO)
As autoridades libanesas informaram no domingo que o número de vítimas dos ataques israelenses nas últimas 24 horas subiu para 13 mortos e 30 feridos, elevando o total desde 2 de março para 2.509 mortos e 7.755 feridos.
Ao mesmo tempo, áreas no sul do Líbano testemunharam uma grande onda de deslocamento entre os moradores após os generalizados ataques aéreos israelenses, que ocorreram depois das diretrizes do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para intensificar as operações militares.
Entretanto, as forças armadas israelenses anunciaram a morte de um de seus soldados e ferimentos em vários outros, incluindo um oficial, com diferentes graus de gravidade, alguns deles graves, durante os confrontos em curso no sul do Líbano.
GAZA, (FOTO)
As violações israelenses em Gaza não começam no momento do bombardeio, nem terminam com o anúncio de um cessar-fogo no papel. O que acontece no terreno conta uma história completamente diferente: tiroteios repetidos, ataques a áreas consideradas seguras, obstrução da ajuda humanitária e o aumento do medo, da fome e do deslocamento.
Essas violações não podem ser tratadas como incidentes isolados, mas sim como parte de um padrão contínuo que reproduz a agressão por meios militares, humanitários e políticos. Sempre que acordos de desescalada são anunciados ou promessas internacionais de calma são feitas, os cidadãos palestinos esperam, no mínimo, um nível de cumprimento suficiente para resgatar os feridos, enterrar os mortos, fornecer alimentos e medicamentos e restaurar alguma aparência de vida aos bairros devastados.
No entanto, o que frequentemente acontece é o oposto. Israel trata os períodos de calma como oportunidades para reposicionar a agressão, mas nunca como um compromisso genuíno para detê-la.
Esse padrão não é novidade para os moradores de Gaza. Anos de bloqueio e guerras recorrentes demonstraram que Israel explora a linguagem política vaga e a fragilidade dos mecanismos internacionais de responsabilização para impor sua própria interpretação de “calma” no terreno. Portanto, os palestinos em Gaza permanecem sob constante ameaça, mesmo quando se supõe que as armas cessem.
Cessar-fogo sem cumprimento
Mas a questão não é apenas o número de violações, mas também a sua natureza. Algumas são diretas, como ataques aéreos e tiroteios. Outras são menos visíveis, mas igualmente devastadoras: bloquear o acesso a combustível, atacar infraestruturas de saúde, obstruir equipas de resgate, apoiar milícias criminosas e gangues ligadas à ocupação e impor condições de campo que suspendem indefinidamente a própria vida.
Discutir as violações israelenses em Gaza exige chamar as coisas pelos seus nomes. Uma violação pode ser um tiro disparado contra cidadãos deslocados, um drone sobrevoando áreas densamente povoadas impedindo a circulação, o fechamento de uma passagem em um momento crítico ou o ataque a policiais civis que garantem a distribuição de ajuda humanitária. Cada uma dessas ações impacta diretamente o cotidiano.
Os cidadãos são alvejados enquanto se deslocam ou tentam retornar para suas casas, com muitas famílias sendo atacadas após cessar-fogos ou retiradas parciais, punidas não apenas com o deslocamento forçado, mas também por tentarem desafiá-lo. Hospitais, escolas, abrigos, redes de água e eletricidade, e até mesmo estradas que levam a pontos de ajuda humanitária são transformados em locais de controle, o que causa danos imediatos e impede a sociedade de se recuperar ou se sustentar.
Da mesma forma, a ajuda humanitária é obstruída. A entrada de ajuda está sujeita a pressões políticas e de segurança, e sua distribuição é prejudicada por ataques, restrições ou redução de suprimentos. Isso transforma alimentos em arma, medicamentos em moeda de troca e o tempo em um fardo adicional para uma população sitiada.
Violência que vai além do bombardeio
Um dos indicadores mais claros da realidade no terreno é que as violações não cessam mesmo após o anúncio de acordos temporários. Os bombardeios em larga escala podem diminuir, mas isso não significa o fim da agressão. Em vez disso, muitas vezes transformam-se em ataques localizados, tiroteios intermitentes ou incursões limitadas, geralmente rotuladas como medidas de segurança ou respostas táticas.
Essa mudança gradual permite que Israel contorne o escrutínio internacional. Em vez de imagens de ataques aéreos massivos que provocam condenação, a situação aparece como incidentes isolados. Para a população de Gaza, no entanto, o resultado é o mesmo: medo constante, exposição permanente à morte e um cessar-fogo que existe apenas como manchete da mídia.
Apesar de um acordo de cessar-fogo que teria entrado em vigor em 10 de outubro de 2025, as violações israelenses continuam diariamente. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, essas violações resultaram na morte de 777 palestinos e em ferimentos em outros 2.193 desde a entrada em vigor do acordo.
No entanto, limitar o impacto dessas violações apenas ao número de vítimas não capta toda a sua extensão. Cada atraso na entrada de um caminhão de farinha, cada ataque a um reservatório de água e cada falta de combustível que afeta os geradores de um hospital constitui um ataque direto contra civis.
Impunidade sem responsabilização
Isso ressalta a relevância do direito internacional humanitário sob uma perspectiva diferente. A questão não é mais a ausência de marcos legais, mas a falta de vontade política para aplicá-los. Israel sabe que atacar os sistemas civis de Gaza amplifica o sofrimento, mas continua, pois o custo político permanece baixo.
Isso se deve, em grande parte, à imunidade política de que goza graças ao apoio ocidental, particularmente dos Estados Unidos, ou à proteção contra uma responsabilização efetiva. Condenações verbais têm pouco peso sem pressão concreta e, enquanto o limiar internacional permanecer baixo, as violações persistirão.
Gaza não é tratada meramente como um campo de batalha, mas como um espaço a ser subjugado e controlado. Nesse sentido, as violações não são erros isolados, mas parte de uma estratégia mais ampla de pressão constante sobre a população. Isso é ainda reforçado pelas narrativas globais dominantes que enquadram as ações israelenses como autodefesa, obscurecendo, assim, o flagrante desequilíbrio de poder e minimizando o impacto dessas violações no discurso público.
Além disso, as violações vão além do campo de batalha, atingindo as esferas política e humanitária. Quando os compromissos relacionados à entrega de ajuda, ao remanejamento de tropas ou à proteção de civis são atrasados ou restringidos, tornam-se violações políticas com consequências diretas.
Israel frequentemente separa a adesão formal da implementação efetiva, permitindo ajuda limitada enquanto bloqueia quantidades maiores, anunciando retiradas enquanto mantém o fogo, ou aprovando medidas humanitárias enquanto as adia sob pretextos de segurança. Em todos os casos, os palestinos arcam com o custo.
Consequentemente, qualquer conversa sobre estabilização rápida torna-se enganosa na ausência de garantias reais e responsabilização. Gaza não precisa tanto de declarações tranquilizadoras quanto precisa de uma verdadeira interrupção dos ataques, do levantamento do bloqueio, do funcionamento de serviços essenciais e de uma proteção civil eficaz.
Ao mesmo tempo, a reconstrução é diretamente prejudicada pelas violações contínuas. A infraestrutura não pode ser reconstruída, a economia não consegue se recuperar e o deslocamento permanece constante, o que significa que as violações não apenas destroem o presente, mas também congelam o futuro. Violações repetidas também aprofundam a desconfiança nos esforços de mediação que carecem de garantias aplicáveis, moldando a memória coletiva por meio da experiência vivida.
A forma como essas realidades são abordadas pela mídia desempenha um papel crucial. Reduzir as violações a breves atualizações ou números isolados as despoja de contexto. Sem vincular os incidentes à realidade mais ampla de bloqueio, ocupação e perseguição sistemática, eles aparecem como exceções em vez de padrões. A linguagem é igualmente importante, pois nem todo ataque é um incidente e nem todo atraso é um problema logístico. A precisão na terminologia é essencial para preservar a verdade.
Além disso, a cobertura jornalística deve ir além das imagens de destruição e examinar a responsabilidade, questionando quem bloqueou a ajuda, quem abriu fogo, quem impediu o retorno das famílias deslocadas e quem atacou as equipes médicas, sendo todos esses pontos fundamentais para a responsabilização.
Os habitantes de Gaza não precisam de explicações sobre o significado das violações. Eles as vivenciam diariamente. O desafio reside em garantir que o mundo reconheça essa realidade como uma forma contínua e multifacetada de agressão, onde cessar-fogos que falham na prática permanecem frágeis.
Portanto, documentar as violações não é suficiente por si só. É preciso traduzir isso em pressão política, jurídica e midiática capaz de combater a impunidade, pois, na sua ausência, as violações se repetem e o sofrimento se intensifica.
Entretanto, os apelos para o desarmamento dos palestinos suscitam sérias preocupações. Tais propostas correm o risco de consolidar os desequilíbrios existentes em vez de reduzir a violência, especialmente quando ignoram as violações em curso, o armamento dos colonos e as condições mais amplas no terreno.
Pedir a uma população sob ocupação que renuncie a quaisquer meios de proteção, sem abordar as causas profundas ou corrigir a assimetria de poder, aumenta a vulnerabilidade em vez da estabilidade. Consequentemente, o desarmamento, neste contexto, corre o risco de abrir caminho para novos ciclos de violência na ausência de garantias aplicáveis.