segunda-feira, 27 de julho de 2026

A guerra dos Estados Unidos contra um mundo independente


Michael Hudson: O Plano dos EUA para Reviver a Dominância Geoeconômica

23 de julho de 2026

(Reprodução da entrevista  de Glenn Diesen  com o professor Michael Hudson)

https://www.youtube.com/watch?v=IVc3TznetXY&t=63s

#Glenn Diesen

Bem-vindo de volta. O professor Michael Hudson está conosco hoje, e eu recomendo a todos que acompanhem o trabalho dele. Deixei um link na descrição. Então, sim, pelo menos é isso que eu leio para me manter atualizado. Obrigado por voltar, Michael. É ótimo te ver de novo.

#Michael Hudson

É bom estar aqui com todas essas notícias acontecendo. O mercado de ações está em alta. Todos parecem confiantes de que não haverá grandes perturbações na inflação mundial ou nas taxas de câmbio por causa disso tudo. É simplesmente incrível. Bem, estamos falando da guerra que está acontecendo, e o mercado age como se, bem, isso realmente não fosse importar.

#Glenn Diesen

Estou me perguntando se eles estão delirando ou se é manipulação de mercado, ou como explicar isso. Enfim, esses são alguns dos pontos que vamos abordar hoje. Porque o que está acontecendo é realmente notável. Depois de décadas de globalização — ou seja, a integração dos mercados e também o acúmulo de uma dívida enorme e insustentável — vemos agora que esse formato de globalização centrado nos EUA, isto é, a integração do mundo organizado em torno dos Estados Unidos, esse modelo aparentemente se esgotou. Ou seja, ele é organizado em torno dos mercados financeiros dos EUA, do dólar americano, dos corredores de transporte controlados pelos EUA. Tudo isso está sendo desmantelado por guerras econômicas e até mesmo por guerras reais. E vocês provavelmente viram na entrevista com Scott Besant, onde ele menciona que as guerras contra o Irã, a Venezuela e até mesmo a Rússia têm uma função econômica: fortalecer o dólar americano. Então, achei interessante porque isso levanta a questão: até que ponto alguém está no comando, ou será que vemos um plano dos Estados Unidos aqui?

#Michael Hudson

Bem, existe um plano de longo prazo, e é muito fácil descartar Trump e dizer: "Bem, Trump está perdendo a guerra com o Irã". Todo o memorando de entendimento foi, na prática, uma capitulação ao Irã. E você pode ver que parece inútil para Trump tentar se envolver cada vez mais. Então, a suposição é que, já que ele está levando os EUA a se envolverem cada vez mais, ele não deve ter um plano porque não está funcionando. Mas existe um plano, e não apenas Trump, mas especialmente sua colega, a Secretária do Tesouro Besant, tem expressado abertamente qual é esse plano. E o próprio Trump já delineava o plano em seu primeiro mandato, lá em 2018. Ele disse que o objetivo principal era que, em sua visão, os gastos militares americanos no exterior, numa tentativa de impor uma ordem mundial centrada nos EUA — a dolarização, os mercados financeiros americanos — tinham sido, desde 1950, o principal dreno da balança de pagamentos dos Estados Unidos. E foram os gastos militares estrangeiros que forçaram os Estados Unidos a abandonar o ouro em 1971. Bem, de 1971 até recentemente, o que substituiu o ouro? Os EUA gastaram dinheiro em mercados estrangeiros, e os mercados estrangeiros reciclaram esse dinheiro para os Estados Unidos. Inicialmente, os destinatários locais de dólares — empresas, economias, governos — repassavam os dólares para o banco central. E o que o banco central fazia? Bem, como já discutimos antes, e como discuti em meu livro *Superimperialismo*, bancos centrais estrangeiros compravam títulos do Tesouro dos EUA — títulos, valores mobiliários, notas, de curto prazo. E então, nos últimos anos, em vez dessa reciclagem intergovernamental entre bancos centrais, investidores privados estrangeiros passaram a comprar ações e títulos americanos. Todo esse dinheiro foi reciclado no mercado de ações dos EUA, que estava sendo impulsionado principalmente pela dívida. Bem, todos esses meios de manter a dominação americana agora estão sendo questionados. O que Trump disse foi: "Bem, a primeira coisa que queremos fazer é parar com todos esses gastos militares que estamos fazendo no exterior." Ele já havia falado sobre a retirada de suas tropas da OTAN em seu primeiro mandato, e mencionou especificamente a OPEP. Ele disse: "Estamos gastando muito dinheiro defendendo o Oriente Médio e o Oriente Médio, e eles realmente precisam, de alguma forma, nos pagar". Bem, é claro, essa era a ideia do acordo do petrodólar de 1974-1975: a OPEP poderia cobrar o que quisesse por seu petróleo e reinvestiria seus lucros nos mercados financeiros, ações e títulos dos EUA. E tudo isso estava funcionando. Mas, ainda assim, os Estados Unidos, nesse ínterim desde a década de 1970, perderam seu poder industrial. Perderam seu poder de crédito, tornando-se um país devedor. Precisavam de uma nova estratégia. E no ano passado, no final de 2025, os EUA definiram essa estratégia. E ela era: "Bem, não podemos mais sustentar nosso controle da economia mundial por meio da indústria ou mesmo de nossos mercados financeiros. Precisamos estabelecer uma série de monopólios para tornar os Estados Unidos uma economia rentista". E os três setores que os Estados Unidos queriam controlar eram,Em primeiro lugar, o setor petrolífero, que já existe há muito tempo. Já discutimos isso antes. Os Estados Unidos querem controlar o comércio de petróleo para que seus aliados não possam negociar com outros produtores que interfiram no monopólio americano. Enquanto quase toda a atenção dos programas que você tem apresentado e da mídia tem se concentrado na luta contra o Irã e no isolamento do petróleo iraniano, especialmente as exportações para a China, houve um ataque semelhante dos EUA, com bombardeios a refinarias de petróleo e gás russas através da Ucrânia. Os Estados Unidos têm fornecido à Ucrânia sistemas de orientação e mísseis para indicar exatamente onde bombardear, de modo que a Rússia não se beneficie da iminente alta nos preços do petróleo, resultante do fechamento do Estreito de Ormuz, que representa 20% do comércio mundial de petróleo, e agora mais 5%, já que os iemenitas reduziram as exportações da Arábia Saudita para a costa oeste. Portanto, o mundo enfrenta uma forte alta nos preços do petróleo.

Essencialmente, os Estados Unidos querem ser os beneficiários disso, especialmente por meio da exportação de gás natural, gás natural liquefeito. Portanto, querem garantir que serão os beneficiários do aumento dos preços do petróleo como resultado da guerra no Oriente Médio, e não a Rússia, e ainda querem isolar a China do recebimento desses recursos. Bem, o que Trump fez, no início deste ano, como ele mesmo disse repetidamente, é fazer com que os países árabes da OPEP paguem pelos custos militares americanos na região. De repente, Trump se inspirou no fato de que o Irã agora quer impor pedágios ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, que o Irã estimou que lhe renderão cerca de US$ 40 bilhões por ano. Bem, Trump finalmente encontrou uma maneira de cobrar dos países da OPEP os custos militares. Ele chama isso de defesa, ou anjo da guarda, defendendo esses países do Irã e de qualquer outro agressor. E ele disse, bem, haverá — ele disse isso há alguns dias — haverá pedágios no Estreito de Ormuz. Esqueçam o direito internacional que proíbe a imposição de pedágios em águas internacionais. Haverá pedágios. Nós os receberemos, não o Irã. Bem, imediatamente o Secretário de Estado Rubio disse: "Espere um minuto, se você está dizendo que os Estados Unidos receberão os pedágios em vez do Irã, isso justifica a alegação do Irã de que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar está morta." A ONU determina que as águas internacionais não podem ter pedágios, a menos que tenham sido contempladas por direitos adquiridos por signatários do acordo da ONU, como a Turquia com acesso ao Mar Negro, o Egito com seu canal e o Canal do Panamá. A menos que esses países tenham sido contemplados por direitos adquiridos, as águas internacionais não podem ter pedágios. Bem, disse Rubio, você não pode dizer isso. Não queremos abrir mão de nada no direito internacional que ainda possamos usar para tentar impedir que o Irã receba os pedágios. Então Trump recuou e, no dia seguinte, alguns dias atrás, deu uma coletiva de imprensa dizendo: "Muito bem, fizemos um novo acordo com os países árabes da OPEP." Eles vão nos pagar pelo custo de defendê-los como seu anjo da guarda, mas não por meio de pedágios. Eles vão investir nos Estados Unidos, assim como a Arábia Saudita e os países da OPEP investiram aqui, logo após 1975, com seus lucros da exportação de petróleo. Eles vão investir na indústria americana como parceiros. E isso já começou a tomar forma. A Amazon, por exemplo, fez um enorme investimento no Bahrein em inteligência artificial, nesses enormes campos de computadores que consomem energia. E esse é o segundo elemento do que os EUA querem monopolizar. Além de controlar o comércio de petróleo e, essencialmente, obter todas as receitas recicladas da exportação de petróleo para sua própria economia, os EUA querem controlar o monopólio da tecnologia da informação e da informatização associada, bem como da internet. E é por isso que o que tem estabilizado a balança de pagamentos dos EUA tem sido o enorme investimento estrangeiro privado e o investimento governamental, incluindo os Emirados Árabes Unidos (EAU).E a Arábia Saudita e o Bahrein, entrando no seleto grupo das sete ações de ouro dos EUA: tecnologia da informação, chips de computador, Amazon, Google e toda a internet, discussões públicas, X, etc., Facebook, todas essas. Bem, o problema agora é que essas ações estão caindo porque os analistas descobriram que, para que essas empresas consigam o enorme aumento nos lucros, nas rendas monopolistas que esperavam como resultado da construção de enormes centros de tecnologia da informação, não podemos fazer isso nos Estados Unidos porque não temos eletricidade nem água para resfriar os chips que geram toda essa inteligência. Então, assim como os Estados Unidos transferiram sua indústria manufatureira para o exterior, agora estão transferindo seu monopólio de inteligência artificial. Para onde vão transferir? Para os países da OPEP, especialmente para os países árabes da OPEP. É por isso, como eu disse, Amazon e Bahrein. Nos últimos dois dias, os Estados Unidos fecharam um acordo com os Emirados Árabes Unidos, dizendo: "Vocês podem ser nossos parceiros em grandes investimentos americanos para construir juntos essas indústrias, essa tecnologia da informação onde vocês estão. Vocês fornecerão a energia... Vocês não precisarão exportar energia alguma. Vocês fornecerão energia internamente para alimentar esse enorme investimento americano em tecnologia da informação." Bem, há alguns dias, o Irã concentrou seus bombardeios no investimento da Amazon em tecnologia da informação no Bahrein. A posição do Irã é: qual é a nossa estratégia? Primeiro, queremos expulsar os Estados Unidos de toda a região do Oriente Médio. A primeira coisa que precisamos fazer é expulsar as bases militares. Isso já foi feito com todas as bases militares, exceto as de Israel. Bombardearam todas elas, e o Exército dos Estados Unidos concorda plenamente: "Ok, vamos retirar nossas bases militares de lá. Não podemos mais arcar com os custos, principalmente porque não conseguimos protegê-las dos mísseis iranianos, que já demonstraram ser capazes de penetrar nossas defesas à vontade." E o Irã acaba de concluir, nos últimos três dias, o bombardeio do que restou das bases militares americanas. Mas o Irã afirma: se quisermos expulsar os Estados Unidos do Oriente Médio, não podemos nos limitar às bases militares. Precisamos acabar com toda a simbiose econômica e financeira entre os Estados Unidos e essas monarquias locais. Nessa simbiose, em que investem os lucros das exportações de petróleo em ações e títulos americanos e em parcerias com a indústria americana de inteligência artificial, seus interesses seguirão o dinheiro. Precisamos impedir essa simbiose econômica. Assim, não haverá nenhuma ligação entre a economia americana e essas economias, para que possamos, essencialmente, libertar a região dos Estados Unidos. Bem, isso significa que seus bombardeios impedirão tudo isso. É disso que se trata a guerra, e ela tem sido retratada como uma guerra existencial por parte do Irã, porque os Estados Unidos queriam fazer com o Irã exatamente o que fizeram com o México.O objetivo era uma guerra rápida, como a que ocorreu na Venezuela. O plano era sequestrar o presidente, promover uma mudança de regime que garantisse a transferência do petróleo iraniano para os Estados Unidos. Todas as receitas das exportações de petróleo da Venezuela seriam depositadas em uma conta bancária americana administrada pelo Tesouro dos EUA. Bem, alguns meses atrás, a Secretária do Tesouro, Besant, afirmou que faria o mesmo com o Irã assim que o derrotasse. E pouco antes da assinatura do Memorando de Entendimento de 17 de junho, Hegseth declarou: "Vamos conquistar o Irã e promover uma mudança de regime que depositará todas as receitas petrolíferas iranianas em uma conta do Tesouro, e essa conta deverá ser gasta nos Estados Unidos para comprar exportações e produtos americanos". Então, os negociadores elaboraram esse memorando de entendimento, e parece que o Irã se retirou do acordo há poucos dias, pois ficou evidente que os Estados Unidos nunca tiveram a intenção de cumprir os termos do acordo. Para começar, todo o acordo seria posto em prática com o pagamento de, pelo menos, uma quantia simbólica de US$ 12 bilhões dos US$ 100 bilhões em reservas iranianas que os Estados Unidos ordenaram que seus aliados, especialmente os Emirados Árabes Unidos e os países árabes da OPEP, confiscassem. Bem, Hegseth disse que trabalhou com os Emirados Árabes Unidos para garantir que não lhes dessem um centavo sequer. E assim, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e outros países disseram: não vamos devolver nenhum desses US$ 12 bilhões, muito menos US$ 100 bilhões.Não vamos devolver nenhum desses 12 bilhões de dólares, muito menos 100 bilhões.Não vamos devolver nenhum desses 12 bilhões de dólares, muito menos 100 bilhões.

Ao Irã, diremos: Irã, vocês nos atacaram. Quando os atacamos, vocês revidaram. Sua revida é um ataque contra nós. Queremos reparações pelos custos que tivemos que arcar devido à sua defesa contra os ataques militares dos EUA, de Israel e dos nossos próprios militares. E Hegseth já havia deixado isso bem claro pouco antes, na verdade, em 11 de julho, quando os negociadores redigiram o acordo que foi assinado no dia 17. Bem, é óbvio que isso não seria implementado. E quanto a permitir que o Irã administrasse o comércio no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos nunca tiveram a intenção de permitir que o Irã cobrasse pedágios ou mesmo taxas administrativas para o registro de navios, para a coordenação dos navios — qualquer coisa que a administração de um estreito implicaria. A Marinha dos EUA interveio e protegeu os navios numa tentativa de romper o controle iraniano, desligando seus transponders e navegando perto da costa omanita, afirmando: "Bem, vocês sabem, embora o Memorando de Entendimento diga que o Irã governará toda a navegação pelo Estreito de Ormuz, isso não se aplica às águas territoriais iranianas. Portanto, haverá duas rotas pelo Estreito de Ormuz. Haverá a rota costeira iraniana, que não está em águas internacionais e não está sob jurisdição iraniana. E quanto às águas internacionais intermediárias, isso não se aplica porque a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) impede que qualquer país cobre pedágios que não esteja previamente incluído na cláusula." E o Irã respondeu: "Bem, nós nunca assinamos esse acordo." O Irã pode até ter assinado, mas não nós. E o Irã está em estado de guerra conosco. De qualquer forma, essa lei do mar que proíbe a cobrança de pedágios não nos impede, nem a outros países, de nos defendermos em um estado de guerra. Omã está em estado de guerra conosco porque abriga bases militares americanas de onde mísseis e bombas são lançados contra o nosso território. Portanto, é claro que temos controle sobre o estreito. Bem, é exatamente isso que Trump quer dizer. O Irã reivindica o direito de controlá-lo quando o cessar-fogo de 60 dias deveria ter terminado. O Irã planejava impor esses pedágios. Trump disse: "Não, vocês não vão impor os pedágios. Nós vamos impô-los para nos reembolsar por todos os custos. E receberemos 20% da receita das exportações de petróleo dos países árabes que exportam esse petróleo — 20% do valor total disso nos será pago como pedágio." Bem, é exatamente sobre isso que se trata a batalha legal. Lá se vai o direito internacional do mar. Lá se vai o memorando de entendimento. Então, como você pode ver, quando esse é o objetivo de Trump, podemos dizer que ele está atacando o Irã não simplesmente porque está iludido pela crença de que, de alguma forma, podemos destruir as forças armadas iranianas, nossas defesas, nossos mísseis, atingir civis, hospitais e escolas, e desmoralizar a população a tal ponto que eles queiram instalar um regime americano para que paremos de deixá-los tão infelizes.Tudo isso é uma ilusão. Mas para os EUA, essa luta contra o Irã é extraordinária — existencial para o plano dos Estados Unidos de controlar a economia mundial, assim como é para o Irã defender sua própria soberania e sua própria existência contra a tentativa dos Estados Unidos de invadi-lo e fragmentá-lo, provocando invasões vindas do Baluchistão, dos curdos e de outros. É disso que se trata essa luta e é por isso que ela vai continuar indefinidamente. E, nesse processo, o comércio de petróleo será bloqueado, levando a uma paralisação do fornecimento de petróleo, à crise de produção mundial e à crise financeira que já discutimos em programas anteriores.

#Glenn Diesen

Bem, se eu estivesse em Washington aconselhando Trump sobre como restaurar a dominância geoeconômica dos EUA, provavelmente aconselharia, em grande parte, o que eles estão fazendo agora. Ou seja, para os EUA reviverem sua dominância tecnológica, para controlarem os corredores de transporte internacionais — isto é, os corredores marítimos, etc. — e, em terceiro lugar, restaurarem a dominância financeira americana com sua moeda. Sabe, o objetivo é manter os rivais dos Estados Unidos enfraquecidos, divididos, impedi-los de se integrarem e manter os vassalos dependentes. Se quiserem encontrar uma nova fórmula para a dominância americana, esse parece ser um bom caminho agora. Como você disse, eles frequentemente fazem comentários que apoiam essa lógica. Ou seja, a ideia de que todas as vias navegáveis ​​internacionais devem permanecer sob controle dos EUA, mesmo que isso implique pirataria. Vemos agora que parte da forma como mediram o sucesso na Venezuela foi que eles teriam que vender seu petróleo em dólares. Os lucros teriam que ser investidos nos Estados Unidos. O próprio Trump se gabou de quanto dinheiro eles conseguiram extrair da Venezuela. Vemos o mesmo com a Rússia, com tantos comentários sobre incendiar refinarias de petróleo russas por meio de seu aliado ucraniano. Besant comentou que, após a guerra, os russos provavelmente serão forçados a voltar a vender seu petróleo e gás em dólares. E, bem, sim, o Irã, como Lindsey Gray apontou, é rico em petróleo e, quando tudo terminar, ficará sob controle dos EUA. Todos esses líderes americanos, em algum momento, repetiram o mesmo discurso: essa dor de curto prazo para um ganho de longo prazo — vamos colocar tudo sob nosso controle. Não apenas o controle americano, mas o petróleo teria que ser vendido — bem, a parte do acordo que os americanos queriam, e sobre a qual foram bastante transparentes, era que tudo o que os iranianos ganhassem com o petróleo, que deveria ser vendido em dólares, seria usado para dar aos EUA direitos exclusivos de venda de produtos agrícolas ao Irã. Então, novamente, vender em dólares, usado para comprar produtos americanos. Ao mesmo tempo, enquanto os americanos punem o Irã, estão destruindo todas as pontes e infraestruturas que conectam a massa continental da Eurásia, parte da Iniciativa Cinturão e Rota, que liga o Irã à Rússia, China e outros países. Vemos que os aliados ou vassalos dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Europa são agora pressionados a aumentar sua dependência dos EUA, e os EUA também monetizam isso. Ou seja, agora eles têm que pagar por, entre aspas, proteção. Vemos o mesmo com todas essas guerras contra o Irã, por exemplo, a China deve ser privada de um importante fornecedor de petróleo. É claro que seu desenvolvimento tecnológico também deve ser reduzido para restaurar a hegemonia tecnológica dos EUA. Então, eu entendo o que eles querem, e se deixarmos de lado toda a moralidade, a hegemonia global é o objetivo principal. Tudo isso faz perfeito sentido. O fato de eles estarem dizendo isso abertamente é bastante interessante.Mas acho que minha pergunta é: qual a probabilidade de os EUA alcançarem esses objetivos e o que poderia dar errado? Porque os EUA queriam quebrar o domínio tecnológico chinês, e isso provou que não era realmente viável. Eles também veem que a Rússia está disposta a ir até as últimas consequências. Essencialmente, o Irã não está sendo derrotado. Eles não estão desistindo. Eles veem o que os americanos estão fazendo. Os iranianos, como você disse, estão dispostos a destruir data centers dos Estados Unidos no Oriente Médio. Eles estão dispostos a destruir — acho que destruíram a usina de dessalinização no Kuwait — o que significa que eles podem, de fato, fazer com que este país deixe de existir. Eles estão dispostos a subir essa escada da escalada porque para eles é tudo ou nada. Então, acho que minha pergunta é: até que ponto você acha que os EUA serão capazes de controlar as consequências econômicas desses conflitos, ou seja, dessas guerras, sejam elas econômicas ou guerras reais contra a China, a Rússia e o Irã? Porque muitas coisas podem dar errado e, ao mesmo tempo, a economia dos EUA também não está indo muito bem. Quer dizer, sim, as bolsas de valores estão em alta, e se esse fosse o único indicador de saúde econômica, ótimo — os Estados Unidos estariam recuperados. Mas, sabe, muita coisa pode dar errado.

#Michael Hudson

Bem, você tem razão em mencionar o transporte. E para responder à sua pergunta, para impor o controle dos EUA sobre o comércio mundial de petróleo e obter renda para si, bem como sobre o comércio de tecnologia de inteligência artificial, os EUA precisam controlar também o transporte marítimo e o transporte internacional. Afinal, como exportar petróleo sem usar navios ou meios terrestres, como oleodutos? Bem, a primeira batalha que Trump travou com a Europa e com a maior parte dos principais oponentes dos EUA — não direi inimigos, mas seus principais oponentes — é, obviamente, contra a Europa, seus aliados, o Japão e outros aliados. Antes de lutar contra seus verdadeiros inimigos — Rússia, China e Irã — e a maioria global, os EUA querem reforçar seu controle sobre a Europa e garantir que ela fique dependente do gás natural liquefeito e do transporte americano. E isso exigiu duas coisas: primeiro, a destruição do gasoduto do Mar do Norte, como já discutimos; e segundo, o que estamos vendo agora — o bombardeio constante de navios russos no Mar Báltico. Durante muito tempo, a Rússia exportou seu petróleo através das fendas na costa leste da Letônia, que passavam pelo Mar Báltico. A Rússia ainda exporta petróleo pelo Báltico, e a Estônia e a Letônia, ao permitirem que a OTAN basicamente interrompa as exportações russas de petróleo pelo Báltico, violam a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Isso não é livre comércio. O objetivo dos Estados Unidos agora é dizer que, em 1945, apoiamos o livre comércio porque fomos os beneficiários. Quando a Inglaterra promoveu o livre comércio no século XIX, isso foi chamado de imperialismo do livre comércio. Bem, foi isso que os Estados Unidos fizeram depois de 1945. Mas agora não somos mais a favor do livre comércio, porque se não pudermos permitir que outros países negociem livremente entre si e sejam independentes dos Estados Unidos — se não pudermos controlar o petróleo estrangeiro como um concorrente —, destruiremos esse petróleo. Destruiremos a capacidade da Rússia de refinar seu petróleo. Destruiremos a capacidade da Rússia de transportar seu petróleo para outros países. Destruiremos seus oleodutos. E o mesmo acontece com o Irã. Vamos destruir os portos e a frota mercante iranianos, como já vínhamos fazendo, para que não possam exportar nem para a China, nem para a Índia, nem para qualquer outro lugar. Portanto, o controle do petróleo e o controle do transporte estão interligados. Bem, é por isso que a primeira disputa de Trump com a Europa foi sobre a Groenlândia. Precisamos assumir o controle da Groenlândia porque, se conseguirmos estabelecer uma ligação da Groenlândia com a Islândia e com a Grã-Bretanha, podemos bloquear o acesso do Oceano Atlântico Norte ao Ártico. E se conseguirmos bloquear esse acesso, a Europa e o Oriente Médio não terão acesso ao comércio do Ártico para evitar conflitos, tendo que contornar a África do Sul ou o Canal do Panamá, controlado pelos EUA. Conseguimos bloquear o comércio de petróleo e qualquer outro comércio proveniente dali. Bem, estou um pouco surpreso. A Rússia tem tentado negociar com a China o gasoduto Força da Sibéria para dizer: "Vejam, os Estados Unidos estão tentando — em violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar..."Em violação de todas as regras do livre comércio, isso nos impede de exportar nosso petróleo. Portanto, a única maneira de contornar a situação é por meio de um oleoduto. E é exatamente isso que a China vem tentando fazer com a sua Iniciativa Cinturão e Rota, essencialmente para integrar a Eurásia, todo o continente asiático, de modo a não precisar da estratégia Mackinder de controlar a periferia. Mas a China e a Rússia têm discutido sobre qual será o preço do petróleo. Bem, a Rússia afirma, com razão, que o preço do petróleo vai subir porque parece que os Estados Unidos estão instigando o Irã e os países árabes a destruírem a produção de petróleo uns dos outros, enquanto a OTAN luta contra a Rússia para destruir sua capacidade de exportação de petróleo. E sem o petróleo da OPEP, haverá uma enorme escassez de petróleo. E os Estados Unidos suprirão essa demanda basicamente enviando gás para os países que precisam dessa energia. É por isso que Trump lutou contra alternativas ao petróleo, como a energia eólica e a energia solar, setores nos quais a China domina. Essa é a ligação com o transporte. E agora, respondendo à sua pergunta: como isso pode dar certo? Bem, só pode dar certo se — vamos começar com a luta dos Estados Unidos contra a Europa para subordinar seus aliados, Europa e Japão, aos Estados Unidos. Toda a premissa, a abordagem materialista da história, é que os países agirão em seu próprio interesse econômico. Ora, a Europa não está agindo em seu próprio interesse econômico. Isso significaria obter energia barata para abastecer sua indústria e evitar a desindustrialização que se observa na Alemanha e em outros países da OTAN. Ela não pode arcar com os preços mais altos do petróleo, e sua indústria química não pode operar com lucro quando há uma interrupção no fornecimento de derivados do petróleo — enxofre para produzir ácido sulfúrico para mineração e fertilizantes feitos de gás natural. Sem mencionar o hélio — um dos primeiros locais de produção atingidos pelo Irã foi a produção de hélio do Catar, que representava 20% do comércio mundial de hélio — totalmente destruída. Custou, creio eu, US$ 5 bilhões para ser instalada originalmente e levou vários anos para ser concluída. Tudo isso estará indisponível pelos próximos anos, causando uma escassez de hélio. A China e os Estados Unidos são grandes produtores de hélio. A China interrompeu suas exportações de hélio, e os Estados Unidos agora usam seu monopólio sobre o hélio como uma alavanca de controle internacional. Portanto, os Estados Unidos mantêm muitas alavancas e controle. E o último, o quarto monopólio que não discutimos, é a dolarização estadunidense — o monopólio do sistema financeiro. É sobre isso que temos discutido nos últimos programas em que participei. Os Estados Unidos tentaram excluir seus rivais do sistema de compensação bancária SWIFT. A China criou uma alternativa. Tudo o que os Estados Unidos fizeram ao impor sanções financeiras a outros países foi uma tentativa de dizer: "Bem, podemos cortar seus pagamentos financeiros".Mas como pode haver comércio de petróleo? Como pode haver comércio de produtos industriais se não se consegue processar o pagamento por eles? Não basta transportar essa mercadoria, é preciso transferir os pagamentos monetários. Nós também controlamos esse sistema. Toda a estratégia americana deixou de ser uma estratégia ganha-ganha entre os Estados Unidos e o resto do mundo. Trata-se de identificar pontos de estrangulamento que podemos usar para controlar a economia mundial — se eles conseguem obter petróleo e energia para abastecer suas fábricas, iluminar suas casas e suprir suas indústrias química e de fertilizantes, tecnologia da informação e grãos. Bem, para responder à sua pergunta, a estratégia americana só pode ter sucesso enquanto os Estados Unidos conseguirem impor pontos de estrangulamento ao mundo inteiro — seja impondo sanções das quais outros países não terão meios alternativos de se tornarem independentes, com suas próprias alternativas às sanções, seus próprios sistemas de pagamento, como os que a China vem desenvolvendo, sua produção de petróleo, como a Rússia e o Irã, seu transporte, como a rota de transporte do Ártico, e a capacidade russa de repelir ataques militares da OTAN contra navios russos no Mar Báltico e em outras áreas, e ataques americanos contra navios no Oceano Índico, que também vêm ocorrendo. A resposta para a questão de se os EUA podem manter seu controle e seu novo imperialismo, quase neocolonial, depende de sua capacidade de criar uma situação de ganha-perde — negociar no mundo, dizendo: se vocês quiserem petróleo, terão que pagar nossos preços de monopólio, e os lucros obtidos pelos produtores de petróleo serão investidos nos Estados Unidos ou gastos em exportações americanas. Para enviar mercadorias, vocês terão que se submeter à permissão dos EUA para usar portos ou rotas controladas pelos EUA, que estamos fechando, caso não sejam subordinados a nós na área de tecnologia da informação, onde impusemos sanções. Bem, ontem mesmo, os Estados Unidos suspenderam as sanções à exportação dos chips de computador mais avançados para os Emirados Árabes Unidos. E fizeram isso para que os Emirados pudessem investir com os Estados Unidos. São dezenas de bilhões de dólares para criar esses novos centros de transferência de chips de computador, como o Centro de Investimento em Nuvem da Amazon no Bahrein deveria ter feito. Todas essas ideias, de alguma forma, convenceram os Emirados a se aliarem aos Estados Unidos. E os Estados Unidos deram essa permissão aos Emirados em troca de seu acordo para ajudar os Estados Unidos a bombardear o Irã. Bem, tudo isso, o sucesso dessa política americana, depende de quanto tempo o Oriente Médio árabe pode ser governado por essas monarquias decadentes e semifeudais. Quanto tempo os Emirados Árabes Unidos podem sobreviver? Quanto tempo a Jordânia pode sobreviver? O Bahrein, a própria Arábia Saudita, sobreviveram mesmo com a maior parte da população sendo palestina ou indiana, em uma sociedade extremamente desigual, sob o domínio de emirados que basicamente controlam as economias e se aliaram aos Estados Unidos. Quase todas as guerras, ou melhor, suas consequências, foram resolvidas por meio de grandes convulsões políticas.A Primeira Guerra Mundial testemunhou o fim de muitas monarquias europeias e a transição para algum tipo de monarquia constitucional ou quase-democracia. O Império Otomano foi desmembrado e transformado em colônias da Grã-Bretanha e da França, o que basicamente redesenhou o mapa e fragmentou o Império Otomano. Bem, a questão é: agora que esta guerra terminou, haverá uma revolução política semelhante em toda a Ásia Ocidental, estabelecendo economias que realmente utilizem seu petróleo, em vez de reciclar seus excedentes econômicos para os Estados Unidos, e não se tornarem países como a Alemanha ou a Grã-Bretanha, meros satélites dos Estados Unidos, e certamente não o Japão, que os Estados Unidos estão tentando rearmar para servir aos Estados Unidos? Eles seguirão o mesmo caminho do Japão, da Grã-Bretanha e da Alemanha? Ou haverá, de alguma forma, uma revolução social, como os Estados Unidos temiam que acontecesse após a Segunda Guerra Mundial? Finalmente veremos a fragmentação ocorrida após a Primeira Guerra Mundial com o Plano Sykes para redesenhar as fronteiras e instaurar monarquias locais instaladas pela Grã-Bretanha e pela França? Finalmente os veremos inseridos na era moderna e progressista? Essa será parte da questão — se o plano dos Estados Unidos conseguirá impedir o progresso. Será que os Estados Unidos conseguirão impedir o resto do mundo de agir em seu próprio interesse econômico para promover seu próprio desenvolvimento, em vez de se submeter à promoção da economia americana, que não usará essa renda para o seu próprio desenvolvimento, mas sim para aumentar seu monopólio, controle e ameaça militar a outros países? Essa é realmente a questão.Qual país não utilizará essa renda para o seu próprio desenvolvimento, mas sim para aumentar seu monopólio, controle e ameaça militar a outros países? Essa é a verdadeira questão.Qual país não utilizará essa renda para o seu próprio desenvolvimento, mas sim para aumentar seu monopólio, controle e ameaça militar a outros países? Essa é a verdadeira questão.

#Glenn Diesen

Sim, bem, esse é um bom ponto. Ou seja, a capacidade dos EUA de restaurar sua dominância não depende apenas da capacidade de seus rivais de revidar, o que eles estão fazendo, mas também de seus aliados aceitarem uma vassalagem muito destrutiva, como se vê no Oriente Médio. Quero dizer, eles estão pagando um preço alto por sua parceria com os EUA agora. E a relação com os Estados Unidos é bem diferente do passado, porque depois da Segunda Guerra Mundial, o império do livre comércio dos EUA — quero dizer, sim, por exemplo, os europeus estavam completamente subordinados aos EUA. No entanto, pelo menos isso foi benéfico até certo ponto. Os EUA eram considerados uma potência hegemônica benigna. Ou seja, garantíamos que seus países da linha de frente fossem prósperos. Isto é, que os alemães ocidentais fossem mais prósperos que os alemães orientais, os sul-coreanos mais prósperos que os norte-coreanos e os taiwaneses mais prósperos que os chineses da China continental. Então, sabe, os países da linha de frente estavam prosperando. Mas agora, como os EUA não podem mais sustentar esse formato de domínio, começam a canibalizar seus rivais, exigindo vassalagem excessiva. E como você disse, acho que a questão central é como fazer com que os Estados não ajam em seu próprio interesse. Isso é importante porque, se analisarmos o caso europeu atual, veremos que eles não estão agindo em seu próprio interesse. Suas economias estão enfraquecendo. Estão se enfraquecendo politicamente. Estão passando por uma crise de legitimidade porque, em uma Europa redividida, isso não é mais do interesse da Europa. Gera conflitos e guerras com os russos, o que aumenta a dependência dos EUA e os enfraquece economicamente. E se observarmos a liderança na Europa, veremos que é como uma competição: qual o nível máximo de impopularidade? E nessa crise de legitimidade, inevitavelmente surgirão novas alternativas políticas. Um bom exemplo é a Alemanha, com o AfD, que surgiu do nada e se tornou o partido mais popular. Bem, o que eles estão dizendo? Estão dizendo que devemos agir em nosso próprio interesse. E o que é isso? Teremos que diversificar o fornecimento de energia, fazer as pazes com a Rússia. Outros interesses incluem a diversificação tecnológica, trabalhar também com a China, diversificar os corredores de transporte e as finanças. Em outras palavras, não se prender apenas aos Estados Unidos. E acho que será difícil para os Estados Unidos manterem essa posição, porque enquanto os vassalos não puderem agir em seus próprios interesses, tudo ficará muito, muito instável. E em algum momento, sim, algo vai ruir. Enfim, Michael, muito obrigado por dedicar seu tempo.

#Michael Hudson

Ainda temos um pouco de tempo. Você mencionou a guerra com a Rússia. Essa é a questão crucial: por quanto tempo a Rússia, e Putin essencialmente, impedirá que as forças armadas russas respondam aos ataques com mísseis e drones em seu território, que atingem suas refinarias e agora alvos civis, Moscou e São Petersburgo, e à tentativa da OTAN de instalar mais armas na Finlândia e em outros países bálticos? Por quanto tempo a Rússia se absterá de responder fazendo o que Putin ameaçou fazer — bombardeando as fábricas que produzem os mísseis que os bombardeiam, as fábricas na Alemanha, França ou Reino Unido que fornecem esses mísseis? Em algum momento, a Rússia perceberá que não está lutando contra a Ucrânia. A Ucrânia é o palco dessa luta. A luta é contra a OTAN. A Ucrânia simplesmente não importa. As tropas russas estão avançando para o oeste na Ucrânia. Estão avançando para tomar Odessa. Estão bloqueando o acesso ucraniano a Odessa e impedindo a exportação de seus grãos, óleo de girassol e outros materiais. Mas isso não impede os países da OTAN de lançarem mísseis da Ucrânia para a Rússia. E o inimigo não é mais a Ucrânia. São a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha que estão agindo como satélites dos EUA nos ataques à Rússia e permitindo que os planos dos Estados Unidos — creio que em Wiesbaden e outras cidades — guiem os mísseis que atingem a Rússia. Bem, acho que o fato de estarem fazendo isso é um dos motivos pelos quais a Rússia está respondendo na mesma moeda, dizendo: "Muito bem, vamos ajudar o Irã, se precisar, com orientação via satélite para suas bombas contra vocês". Essa é a escalada que está ocorrendo. E essa escalada, se for realmente existencial para ambos os lados, continuará sendo muito destrutiva. Os danos colaterais serão para a economia mundial, a economia asiática, a África e o Sul Global, que não receberão fertilizantes, o que reduzirá suas colheitas, sua capacidade de se alimentar e, essencialmente, os sujeitará à fome. Este ano, 2026, será um ano histórico para o confronto, quando todas as dinâmicas que temos discutido se encontrarem.

#Glenn Diesen

É, eu ia dizer, tempos interessantes. Bem, mesmo que todas essas guerras terminassem agora, é difícil imaginar que não haveria uma crise alimentar neste outono. Enfim, como eu ia dizer, sempre me sinto um pouco mais sábio conversando com você, então muito obrigado pelo seu tempo.

https://michael-hudson.com/2026/07/americas-war-on-an-independent-world/

sexta-feira, 24 de julho de 2026

General Mohsen Rezaei: O Irã está pronto para passar à ofensiva e mobilizar as suas forças terrestres

 

24 de julho de 2026


Entrevista com o general Mohsen Rezaei, antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e conselheiro militar do Líder Supremo Mojtaba Khamenei, no canal nacional de notícias do Irã (IRIB), a 17/julho/2026.

General Mohsen Rezaei
entrevistado pela IRIB

JORNALISTA: Em nome de Deus, o Mais Misericordioso, o Mais Compassivo. Caros compatriotas, senhoras e senhores, caros telespectadores do nosso canal nacional de notícias, sejam bem-vindos a este programa especial. Vamos falar sobre os acontecimentos mais importantes relativos ao país e à região. Permitam-me apresentar o convidado desta noite: o Major-General da Guarda Revolucionária, Dr. Mohsen Rezaei, antigo comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica durante a Guerra Imposta [a guerra Irão-Iraque], convidado especial do programa desta noite. General, as minhas saudações e os meus respeitos.

REZAEI: Que a paz esteja convosco. Obrigado pelas boas-vindas, estou ao vosso dispor.

O Memorando de Islamabad está morto

JORNALISTA: Da última vez que foi convidado deste programa, indicou que as autoridades americanas, em particular o Presidente dos Estados Unidos, não honrariam o memorando de entendimento de Islamabad. Hoje, vemos o sul do Irão sob a pressão das agressões e ataques americanos, dia e noite. Este memorando de entendimento de Islamabad ainda se mantém?

REZAEI: Há aqui duas questões. Em nome de Deus, o Misericordioso, o Compassivo. Comecemos com este nobre versículo do Alcorão Sagrado: “É concedida autorização àqueles que são atacados (para se defenderem), porque lhes foi feita injustiça, e Deus é certamente capaz de os ajudar. Àqueles que foram expulsos das suas casas sem justificação.”

O Deus Altíssimo diz, neste nobre versículo, que autorizou os combatentes que sofrem opressão e injustiça a lutar, e que lhes concede a vitória, que os ajuda, que lhes dá apoio. A razão para isso é que foram injustamente expulsos da sua terra. A sua terra foi injustamente invadida. A sua vida foi injustamente sujeita à insegurança.

Portanto, há aqui duas questões. Uma é a questão do memorando de entendimento: por que chegámos a este ponto? A outra é esta guerra que começou: quais são os seus objetivos, de que forma se está a desenrolar? Parece-me que precisamos de distinguir entre as duas. Comecemos pelo memorando de entendimento.

É melhor analisar primeiro a questão do memorando de entendimento, para perceber por que razão as coisas aconteceram desta forma. Como mencionou, no dia 15 ou 16 de Tir [6 ou 7 de julho], disse ao Dr. Khosravi:

“Senhores, vocês que se opõem às negociações, tenham paciência: Trump vai rasgar este acordo tal como rasgou o JCPOA [acordo nuclear do Irã].” Porquê? Porque praticamente já não restava nada do memorando de entendimento, apenas um nome permanecia, e esse nome também não poderia sobreviver. Por que razão? Porque, das cinco cláusulas que Trump tinha aceitado como preâmbulo à implementação das outras cláusulas, eles tinham violado todas elas.

A sua primeira falha, a primeira violação do memorando de entendimento, foi esta: adiaram a questão do Líbano; o cessar-fogo no Líbano foi adiado, nunca foi plenamente implementado e a retirada israelense do Líbano não se concretizou. Essa é a primeira violação do memorando de entendimento.

A segunda questão: vieram estabelecer um corredor, uma rota através do Estreito de Ormuz, autorizando, encorajando e incitando uma série de navios a passar fora dos acordos e da gestão do Irã. Atacámo-los porque isso constituía uma violação: atacámos dois ou três navios e dissemos: “A rota por onde passam 45 navios diariamente está aberta, por que razão estão a passar por ali? De acordo com o acordo, venham, passem por aqui.” Depois de termos atacado esses navios, os americanos cometeram uma terceira violação: atacaram as nossas costas, atacaram o aeroporto de Bandar Abbas, atacaram a Ilha de Qeshm, atacaram a estação de dessalinização, quando a primeira cláusula estipulava que respeitaríamos a soberania e o território dos Estados Unidos e que eles também respeitariam a nossa soberania e o nosso território. Sob que pretexto, por que crime violaram essa cláusula e atacaram as nossas costas? Portanto, aquele corredor sul foi a segunda violação; aquele ataque às nossas costas foi a terceira violação.

Durante duas ou três semanas, houve discussões sobre aqueles 12 mil milhões de dólares que nos deviam pagar. Primeiro, disseram que seria um empréstimo bancário; depois, disseram que não se podia comprar qualquer coisa com esse dinheiro, apenas alimentos e matérias-primas; depois disseram que mesmo isso teria de ser comprado aos americanos. O que significa que, na prática, não estávamos a receber nada desses 12 mil milhões. Essa é a quarta violação.

Portanto, mesmo antes do dia em que anunciei que Trump iria rasgar este acordo (porque, na prática, já não restava nada de concreto dele), a questão é:   no momento em que os americanos o assinaram tinham eles a intenção de cometer tais violações? Sim, tinham. Porquê? Porque pensavam que iriam assinar por enquanto, mas, através de pressão, forçariam o Irão a agir de acordo com as suas exigências.

Havíamos criado uma comissão; o Dr. Ghalibaf e o Sr. J.D. Vance tinham vindo, fora criada uma comissão de resolução de litígios, com o primeiro-ministro do Paquistão e o emir do Catar. Eram esses os membros que constituíam a comissão de resolução de litígios. A nossa pergunta é a seguinte:   se fossem verdadeiramente fiéis a este memorando de entendimento que assinaram e surgisse um litígio, teriam recorrido a essa comissão. Por que razão não o fizeram? Porque perceberam que, se o fizessem, seriam condenados, uma vez que haviam violado o acordo, e se esses dois países mediadores e arbitrais declarassem que os americanos tinham cometido violações… Foi por isso que não recorreram ao Comité de Resolução de Litígios e que tentaram, através da força e da pressão, travar simultaneamente uma guerra e uma negociação — uma política que os americanos, de facto, adotaram após as negociações de Islamabad.

Foi por isso que eu disse que estava tudo acabado. Desde o início, nas negociações que iniciámos em Islamabad, eles não agiram com sinceridade connosco. Ou seja, em primeiro lugar, não devíamos ter concedido um cessar-fogo; deveríamos ter continuado as negociações sob fogo, porque os americanos estavam realmente no limite. Mas, no final, os nossos responsáveis políticos consideraram que, uma vez que as negociações estavam em curso, era necessário um cessar-fogo. Desde o primeiro dia das negociações em Islamabad, a sessão de negociação durou 20 horas, sim, mas todo o seu discurso girou em torno da questão nuclear.

O cessar-fogo durou duas semanas; depois, eles vieram impor o bloqueio naval. Ora, um bloqueio naval já é, por si só, um ato de guerra:   estão a negociar ou estão a impor um bloqueio naval? Eles impuseram um bloqueio naval. Assim que essas duas semanas terminaram, disseram:   “Vamos ampliar o cessar-fogo”. Nós não aceitámos; foram eles próprios que prolongaram o cessar-fogo unilateralmente e, durante os dois meses que se seguiram, reabasteceram os seus depósitos que estavam vazios ou meio vazios, reforçaram a frota de aviões de reabastecimento, adicionaram um certo número deles, e caíram numa confiança excessiva e enganadora:   agora que os seus arsenais estavam cheios, os seus mísseis reabastecidos e a sua frota pronta, pensaram que poderiam, através da pressão, conduzir as negociações no sentido do que eles próprios queriam, mesmo que isso fosse contrário ao que eles próprios tinham assinado.

Aqui, o nosso Imã [o Líder Supremo], o nosso líder e o nosso povo mantiveram-se firmes. Aconselharam constantemente os negociadores:   “Tenham cuidado, mantenham-se firmes, resistam.” E eles [os americanos] perceberam que já não iriam alcançar os seus objetivos através destas negociações. Puseram de lado o memorando de entendimento de Islamabad. Assim, nem no nome nem na prática existe já nada chamado memorando de entendimento de Islamabad. Se retomarem as negociações, a minha previsão é que queiram introduzir alterações ao mesmo, o que significa que vão querer redigir um novo memorando de entendimento, porque, obviamente, nestas condições, com toda esta falta de sinceridade e esta falta de equidade para com o Irã, a situação mudou bastante, especialmente com o martírio do Líder da Revolução e a questão do direito de sangue, a questão da vingança. Naturalmente, seguiram um caminho errado e caíram mais uma vez em erros de cálculo. Portanto, isto não era de todo um memorando de entendimento, estava ligado à guerra.

Sul do Irã sob fogo: uma guerra de pressão antes da invasão?

JORNALISTA: Sim. Um ponto muito importante:   agora, eles iniciaram os seus ataques e a sua agressão contra o sul, ao mesmo tempo que falam de um bloqueio naval, ao mesmo tempo que anunciam: “Quero explorar um conjunto de opções numa guerra híbrida — bloqueio, ataques aéreos e outras medidas.” Todas estas opções, o glorioso General [Trump] já as pôs em prática e saiu daí com um fracasso.

REZAEI: Veja bem: já há 5, 6 dias que têm vindo a bombardear as províncias do sul, atingindo-as com mísseis. A província de Khuzestan, a província de Bushehr, a província de Hormozgan, a província de Sistan-Baluchistão.

É como alguém que quer fazer alguma coisa, mas está com muito medo, e dispara em todas as direções à sua volta. Têm uma intenção, querem fazer alguma coisa, mas desde o oeste do Irão até ao leste do Irão, estão a bombardear com mísseis. Estão a atingir quartéis, estão a atingir hospitais.

Aquelas pontes que ligam as províncias do norte ao sul, atacaram-nas. É claro que lhes desferimos golpes retumbantes, um após o outro, e continuaremos a fazê-lo; faremos com que paguem por isso e, desta vez, iremos ainda mais longe do que antes. Golpes repetidos, firmes e muito dolorosos. As nossas forças armadas — a Guarda Revolucionária Islâmica, a Marinha da IRGC, a Força Aeroespacial da IRGC, o Exército da República Islâmica — estamos a atacar. Mas eles estão a fazer tudo isto para preparar uma operação, que irei explicar.


Portanto, já vêm travando esta guerra há cerca de uma semana; começaram por tentar, através de uma nova iniciativa semelhante ao bloqueio naval, e a par do bloqueio naval, quebrar a nossa resistência, para dizer:   “Estão sob bloqueio naval, vejam, tomámos este ponto” — agora estão a falar de Kharg e de outros locais — mas, em última análise, têm um objetivo operacional. Ou isto assemelha-se à falhada operação de Isfahan, ou trata-se do bombardeamento das nossas instalações nucleares, que afirmaram várias vezes ter destruído, mas que ainda assim pretendem voltar a atacar; ou é a ocupação de parte do nosso território, por via aérea, com o desembarque de tropas, para poderem dizer: “Estão sob um bloqueio naval severo e esta parte do vosso território também a bombardeámos severamente — venham, vamos negociar agora, vamos discutir como alterar estas três ou quatro cláusulas deste memorando de entendimento”.

Ormuz, dissuasão e segurança global: a doutrina do Irã sobre o estreito

Estamos prontos, mas quero dizer que a política de “guerra e negociação ao mesmo tempo” acabou completamente. Tivemos tanto guerra como negociação; isso acabou. E declaro, em nome de todas as forças armadas, que até agora, optámos por não ampliar a guerra e por não passar à ofensiva. O que fizemos? Na guerra dos 12 dias, procurámos realmente evitar que a região se inflamasse; ou seja, embora os Estados Unidos e Israel nos tenham atacado durante a guerra dos 12 dias, não atacámos as bases americanas no Kuwait, nem em qualquer outro local. Mas, após a guerra dos 12 dias, dissemos: “Cuidado, se recomeçarmos a guerra, ela tornar-se-á regional”. Infelizmente, foram eles que recomeçaram a guerra, e nós tornámos a guerra regional.

Em ambas as guerras, a nossa política tem sido a dissuasão e a reciprocidade, o que significa: eles disparam mísseis e nós, por nossa vez, lançamos-lhes mísseis firmes e poderosos bem na boca, bem na cara.



JORNALISTA: Olho por olho.

REZAEI: Essa foi, se quiserem, uma interpretação: olho por olho. O principal objetivo era a dissuasão, pôr fim ao confronto. O Estreito de Ormuz, de que assumimos o controlo, serviu para pôr fim ao confronto. Estabelecer a segurança no Estreito de Ormuz teve, e continua a ter, dois objetivos para nós. Um é a nossa própria segurança: não podemos permitir que forças hostis atravessem este estreito e penetrem no Golfo Pérsico, quando a maioria das costas do Golfo Pérsico nos pertence. Ora, se forças hostis atravessassem o Estreito de Ormuz e entrassem no Golfo Pérsico, que segurança teríamos? Por isso, queremos o Estreito de Ormuz por uma questão de segurança, para impedir atos ilícitos.

O segundo ponto é a segurança da economia global: se não a estabelecermos, o mundo inteiro entrará numa guerra mundial a partir deste mesmo Golfo Pérsico. Por exemplo, o que é que os americanos nos dizem? Os americanos dizem: ” Não temos nada a objetar, vocês também podem geri-lo, vamos geri-lo juntos em parceria.” Bem, parceria, o que é que isso significa? Parceria significa que os americanos vêm desempenhar um papel aqui, neste ponto de estrangulamento crítico da energia global. Nem mesmo os europeus aceitam isso. Nem os russos. Nem a China. Por que querem controlar o ponto-neuro da energia mundial? Porque querem controlar o preço do petróleo e o preço da gasolina. Isso significa que os americanos desencadeariam uma Terceira Guerra Mundial a partir do Golfo Pérsico, contra a Rússia, a China e o mundo inteiro. Seria como a Segunda Guerra Mundial: declaramos a nossa neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial, mas por que razão os russos e os britânicos vieram invadir o Irã? Consequentemente, a segurança do Golfo Pérsico está diretamente ligada à nossa segurança, e indiretamente também, porque está ligada à segurança global e à economia global. Não podemos permitir que mais ninguém além do Irã controle a situação aqui; caso contrário, os Estados Unidos trarão conflitos globais e acertos de contas globais para cá, sobre nós e sobre os nossos países vizinhos. Portanto, o Estreito de Ormuz pertence-nos.

“A guerra e a negociação ao mesmo tempo acabaram”: o ultimato de Teerão

JORNALISTA: É essa, então, a razão pela qual os Estados Unidos estão tão assustados e em pânico com a ideia de que a República Islâmica do Irã tenha obtido soberania oficial sobre o Estreito de Ormuz?

REZAEI: É essa a razão. Eles sentem que, se o Estreito de Ormuz for independente, tal como a República Islâmica, que é independente, e se quem detém a soberania sobre este estreito — nomeadamente o Irã — o gerir e impedir a interferência de potências internacionais como os Estados Unidos, então os interesses americanos face à Rússia, à China e a outros países desaparecerão. Os americanos não estão a impor tarifas à Europa neste preciso momento? Os europeus não afirmaram que irão retaliar no futuro? Mesmo entre a Europa e os Estados Unidos, se os americanos viessem com a intenção de serem parceiros na gestão do Estreito de Ormuz, iria também surgir um conflito entre os Estados Unidos e a Europa. Consequentemente, tanto para a nossa própria segurança como para a segurança da economia global, temos de manter firmemente o controlo do Estreito de Ormuz, administrá-lo e permitir que o comércio global se estabeleça. A razão pela qual fechamos o estreito neste momento é que os americanos estão a cometer irregularidades; fechamos o estreito contra eles.

Ouvi dizer que algumas pessoas no país afirmaram: “Não, neste caso, a culpa é do Irã, porque foi o Irã que iniciou o confronto.” Onde é que nós o iniciámos? Fechámos o Estreito de Ormuz no momento em que os Estados Unidos, tanto na prática como nas palavras, se tinham retirado do memorando de entendimento. Por isso, tivemos de o fazer. Temos de nos manter firmes. A segurança do Golfo Pérsico é da nossa responsabilidade. A segurança do Estreito de Ormuz é da nossa responsabilidade.

Bem, a este respeito, neste momento, estão a atacar estas províncias e procuram, a par do bloqueio naval que retomaram, criar também um novo ponto de pressão. Para dizer o quê, mais uma vez? Para dizer: negociação e guerra ao mesmo tempo. Declaro que isto acabou. Ter negociação e guerra ao mesmo tempo, isso acabou. Se, nos próximos dois ou três dias, os americanos continuarem a guerra, entraremos de pleno direito numa fase ofensiva e destrutiva. O que é que isso significa? Significa que já não nos contentaremos com uma simples reciprocidade. Nenhuma fronteira política que enfrente as forças ofensivas iranianas estará mais segura. É claro que respeitaremos todos os governos; todos os povos são nossos irmãos. Mas passaremos agora a perseguir soldados americanos através de ações ofensivas. Passaremos agora a perseguir bases americanas através de ações ofensivas. Negociação e guerra ao mesmo tempo, isso acabou. Está acabado, terminou. Por isso, seria melhor para eles não continuarem.

A razão pela qual temos reservas em relação a isto é que, se entrarmos nesta fase, as tensões e as linhas de fratura presentes na região e a nível internacional serão ativadas. Ou seja, surgiria um desafio entre a Turquia e Israel, surgiria um confronto entre a Arábia Saudita e certos países, entre a China e Taiwan, entre a Rússia e a Europa. Em suma, iriam deflagrar chamas por todo o mundo, chamas mais fortes e mais generalizadas. E nós não queremos isso, não queremos isso. Mas os americanos, tal como espalharam a guerra por toda a região ao forçarem-nos a entrar nela, estão, infelizmente, a cometer este mesmo erro. É mais um erro de cálculo que os americanos estão precisamente a cometer.

Por isso, peço a todo o povo da região, ao povo do Kuwait, ao querido povo da Jordânia, que tem sido o caminho dos profetas divinos, ao povo de Abu Dhabi, ao povo do Catar, a todos eles, que impeçam que esta guerra se alastre. Não deixem que os americanos e Israel, na prática, galopem assim e soltem os seus cavalos em todas as direções pela região, sem qualquer responsabilização ou cálculo.

Seja como for, a questão da guerra é séria, mas esta política americana que pensa “tanto na negociação como na guerra”, querendo que ela se arraste, na minha opinião, não os levará a lado nenhum. É claro que, mesmo nesta fase atual, que é a fase da reciprocidade, a fase da dissuasão, estamos a atacar com toda a força e, nos próximos dias, iremos intensificar ainda mais os ataques. Que os americanos se preparem para ondas de drones, que a América se prepare para ondas de mísseis: já não serão um, dois ou três mísseis, já não será esse o caso. E agora, se aterrarem em algum lugar, por exemplo, suponhamos que consigam chegar lá, então como é que vão sair, como é que vão fugir? Isto será certamente pior do que o incidente de Isfahan para os soldados americanos, e eles vão ver-se em grandes dificuldades.

Quero fazer a seguinte pergunta: por que razão os americanos entraram simultaneamente na pressão e na guerra?

Trump, uma “piada” global: a resposta de Rezaei aos insultos americanos

JORNALISTA: Antes de nos explicar este ponto, está a dizer que o fator de insegurança na região são os americanos. Os americanos, por seu lado, afirmam que é o Irã o fator de insegurança na região.

O presidente dos Estados Unidos insulta constantemente o povo iraniano, continua com as suas tiradas contra o Irã e, claro, afirma que está a tomar posse desta ou daquela área, ilha na região. Qual é a sua resposta a estas tiradas?

REZAEI: Sabe, em primeiro lugar, por vezes, se alguém quiser responder constantemente a uma pessoa muito [desprezível], isso torna-se, de certa forma, uma maneira de lhe dar importância. Acho que já não resta ninguém no mundo que ainda dê crédito a Trump; ele tornou-se uma piada, um objeto de escárnio e de ridículo. O Sr. Trump é um tolo que, sem qualquer cálculo, continua a cometer um ato grosseiro atrás do outro, e que tenha a certeza de que lhe daremos as nossas respostas no terreno. Vamos garantir que, no futuro, mesmo no seu próprio país, ninguém deixe Trump aproximar-se mais deles, que ele seja tratado, na própria América, como um germe de corrupção, como alguém que arrastou a América para o lamaçal.

Na minha opinião, ele é um indivíduo cujo comportamento é insensato, grosseiro e insolente, cujas declarações não assentam em qualquer raciocínio sólido ou lógico, e as nossas respostas — a cada ato grosseiro que ele comete — os nossos amigos, eu próprio, os nossos amigos, continuamos a responder a isso. E quanto ao que eu disse sobre o facto de eles quererem apoderar-se de uma parte do nosso território:   pode ser que entremos nesta fase ofensiva, que saíamos do estado defensivo, que saíamos do estado de dissuasão e reciprocidade.

Da guerra existencial à revolução: Por que razão Washington quer reduzir o Irã a uma mera disputa política

JORNALISTA: O senhor mencionou, nas suas observações, um ponto: que os americanos procuram estabelecer a política de “guerra e negociação”. Porquê, General?

REZAEI: Veja bem, anteriormente a política deles não era essa. Tinham lançado uma guerra existencial contra nós, com o objetivo de ocupar o Irã, derrubar a República Islâmica e dividir o Irã em cinco zonas. Esta mesma região que estão atualmente a bombardear era uma das zonas que os americanos, entre essas cinco, pretendiam ocupar — a zona petrolífera iraniana, desde o Cuzistão até Bushehr e Bandar Abbas; essa é a zona produtora de petróleo do Irã. Essa era uma das cinco zonas que queriam conquistar para derrubar a República Islâmica e dividir o Irã.

Depois, durante a guerra dos 40 dias, compreenderam plenamente que esta política não estava a funcionar a curto prazo. Passaram a transformar a guerra existencial numa guerra política. Quanto a nós, o que fizemos? Durante a guerra dos 40 dias, respondemos à guerra com uma revolução. Deixámos de responder à guerra apenas com ação militar. Surgiu uma revolução, surgiu um renascimento. Assim, puderam ver claramente, desde a guerra dos 40 dias até agora, o estado de espírito em que se encontra o povo iraniano. O cortejo fúnebre do Imã [Khamenei], que situação criou no Irã e no Iraque? Como é que as nossas forças armadas estão a atacar com tanta força? Uma grande revolução teve lugar no Irã face a uma guerra militar.

Através desta política de “guerra e negociação”, procuram transformar esta revolução numa mera disputa política, para dizer: “Aqui não há revolução; o povo iraniano e o governo iraniano têm uma disputa política connosco, estamos a travar tanto a guerra como a negociação e, no final, chegaremos a um acordo, no final chegaremos a um compromisso”.

Ora, há um certo número de pessoas que rejeita esta interpretação, mas isto é uma revolução. O nosso povo ergueu agora a bandeira “Ó vingadores do sangue de Hussein” como a bandeira desta revolução. O seu lema deve ser: levantem-se por Deus. Os seus objetivos: a independência da Ásia Ocidental (o Médio Oriente) em relação aos Estados Unidos e a Israel. Tal como o Irã se tornou independente, a Ásia Ocidental deve tornar-se independente. Deve ser estabelecida uma sociedade mahdista no Irã. Nós próprios podemos quebrar as sanções, as sanções econômicas. Tem de haver uma revolução econÔmica, tem de ser lançada uma guerra económica. O povo iraniano desencadeou uma revolução.

Todo o seu receio é que esta revolução continue. Estão a esforçar-se por a reduzir ao nível de uma mera disputa política entre o Irã e os Estados Unidos. Uma disputa política significa que a guerra, por enquanto, sairia da sua natureza existencial para se tornar uma guerra política, e o Irã contentar-se-ia então com uma defesa político-militar. Lentamente, muito lentamente, avançaríamos no sentido de encerrar, por enquanto, a nossa disputa de curto prazo, obtendo certas concessões do Irã, para pôr fim ao assunto neste momento, de modo a regressar, daqui a um ano, dois anos, com a ajuda de Israel, com a ajuda de outros países, para tentar a nossa sorte novamente, para ver se o Irã pode ser conquistado, ocupado e dividido em cinco zonas.

Consequentemente, o meu apelo a todos os estadistas, a todas as elites, a todos os nossos queridos concidadãos: não reduzamos nós próprios esta questão de uma revolução a uma mera disputa. Os Estados Unidos e Israel procuram derrubar esta revolução. É por isso que certas disputas políticas que vejo a formar-se no país — isso significa alinhar-se com a voz dos nossos inimigos. Desencadeamos uma revolução. Esta revolução deve mudar verdadeiramente a forma como o país é governado, a forma como a economia é gerida. As nossas forças armadas devem ser dez vezes mais poderosas. No prazo de dois anos, temos de realizar o equivalente a dez anos, tanto nas forças armadas como na gestão do país; temos de recuperar rapidamente o atraso. Hoje, muitos estadistas em todo o mundo dizem: “Alcançaram uma posição muito elevada, mas serão capazes de a manter?” Bem, manter essa posição significa que temos de continuar a revolução.

Perante as ameaças que surgiram, temos de criar oportunidades. Criar oportunidades significa que estas oportunidades que surgiram temos de as transformar, torná-las realidade. Consequentemente, a questão da vingança deve ser levada a sério. O que significa recuar na vingança? Significa que queremos transformar esta revolução numa mera disputa política. Que disputa política é essa? Desde o golpe contra o Sr. Mossadegh que os Estados Unidos se opõem a nós. Há 70 anos que se opõem a nós. Por que crime é que os americanos organizaram um golpe contra a nacionalização do petróleo? Por que crime reforçaram o Xá? A 15 de Khordad [as manifestações de 5 e 6 de junho de 1963 contra a detenção de Khomeini pelo Xá], centenas dos nossos compatriotas tornaram-se mártires. Por que crime, perante a revolução de 1356 e 1357 [1978–1979 pelo calendário iraniano], equiparam o Xá? Por que crime encorajaram Saddam Hussein, que atacou o Irã durante 8 anos e que utilizou armas químicas? Por que crime arquitetaram o golpe de 1359 [1980] em Bagdade com o general Oveissi [tentativa falhada de derrubar a República Islâmica]? E por que crime travaram a guerra dos 12 dias e a guerra dos 40 dias?

É necessária uma revolução, e essa revolução já começou, e este renascimento já começou; a sua bandeira é “Ó vingadores do sangue de Hussein”, o seu lema deve ser: “Levantai-vos por Deus”, e os seus objetivos são a independência da Ásia Ocidental da presença de inimigos como Israel e os Estados Unidos, que têm sede do sangue dos muçulmanos. Esses são os seus objetivos.

JORNALISTA: General, “o que se deve” e “o que não se deve” fazer para preservar esta revolução, que se encontra neste caminho?

REZAEI: É uma excelente pergunta a que está a fazer. O primeiro “o que se deve” é não permitir que a revolução seja reduzida ao nível de uma mera disputa política entre nós e os Estados Unidos. Temos de — tal como o nosso povo se levantou — preservar isto, não deixar que fique por aí; a revolução tem de continuar, a revolução tem de seguir em frente.

Bem, agora, se queremos que a revolução continue, qual é a sua primeira condição? A unidade em torno do Líder da Revolução. As críticas, quer digam respeito à guerra quer à negociação, podem ter pontos válidos de ambos os lados, mas esses pontos devem ser expressos de forma a preservar a unidade em torno do Líder da Revolução. Os negociadores devem agir de acordo com as políticas do Líder da Revolução. As críticas dirigidas aos negociadores devem ser expressas no âmbito das políticas do Líder da Revolução. A unidade não é possível sem o alinhamento com o Líder da Revolução.

Assim, o segundo ponto, ou terceiro ponto, é a firmeza. Firmeza… Graças a Deus, durante a guerra dos 12 dias, agiu muito bem; como mulher corajosa, demonstrou a sua firmeza [nota do tradutor: quando o estúdio de televisão iraniano foi bombardeado em direto, a apresentadora reagiu com coragem]. Temos de ter, a par da unidade, firmeza. Esta firmeza vale muito para nós, o seu valor é enorme, é difícil, mas o seu resultado garantirá a segurança do Irão nos próximos 50 anos. Estabelecerá a segurança do Irã, endireitará a economia iraniana, o comércio iraniano abrir-se-á, e os Estados Unidos e Israel sairão do caminho do nosso povo. É claro que a firmeza requer paciência, tem um custo, requer resistência. Esta firmeza é o terceiro ponto.

Portanto: em primeiro lugar, que a revolução não seja reduzida a uma mera disputa política; em segundo lugar, preservar a unidade em torno do Líder da Revolução; em terceiro lugar, ter perseverança: devemos manter firmemente as nossas posições, tal como, até agora, temos verdadeiramente, em conformidade com o direito internacional, formulado as nossas exigências.

E o quarto ponto é que temos duas questões em cima da mesa com os americanos. Uma é a dos nossos direitos:   temos direitos perante os Estados Unidos; eles causaram-nos danos, têm de nos pagar indemnizações por esses danos. Portanto, trata-se de exigir uma indemnização aos Estados Unidos. A segunda é a questão da vingança. Se não for feita justiça, em particular a vingança pelo (assassinato do) nosso querido Líder — porque, como sabem, no passado, mesmo na época dos reis Qajar e dos reis Pahlavi, era observado um princípio:   o santuário da marja’iyya [as autoridades religiosas] não deve ser violado por ninguém. Na altura em que o Imã [Khomeini] foi detido em Khordad 42 [junho de 1963], o marja’ de Qom declarou: “O aiatolá Khomeini é um marja’, um marja’, não têm o direito de tocar nem num único (fio de cabelo da sua cabeça). ” Ora bem, agora, um marja’ (foi assassinado), fomos transformados em mártires na pessoa do nosso marja’, que era também o nosso Líder. Os americanos, com o martírio do nosso Líder, ultrapassaram a nossa maior linha vermelha.

Se isto se tornar uma realidade, se se tornar normal que, a qualquer momento, se possa atacar o líder de um país, atacar o Líder da República Islâmica, que é simultaneamente marja’ e imã da Ummah — se isto se tornar uma realidade, então o próprio sistema de segurança nacional do Irã entrará em colapso. Consequentemente, não podemos, não podemos deixar que o sangue do nosso Imã seja derramado sem resposta. Isto é perigoso tanto para o Irã como para o mundo inteiro, para o mundo inteiro, e para a nossa segurança nacional, para as nossas futuras gerações. Eles cometeram um ato extremamente perigoso; ultrapassaram a maior linha vermelha da República Islâmica. Os Estados Unidos e Israel ultrapassaram-na; isto não é algo aceitável. Nem mesmo o regime do Xá se atreveu a fazer isso. Quando o marja’ de Qom afirmou que o aiatolá Khomeini era um marja’ e que “não se pode ir atrás dele”, o regime do Xá viu-se obrigado a libertá-lo e a exilá-lo, porque percebeu que isso estava a criar uma onda imensa no Irão. E viram, tanto no Iraque como no Irão, que onda imensa se criou, e toda a gente gritava “Vingança! Vingança!”

Isto não é meramente uma questão de crença; é uma questão racional e jurídica, que diz respeito à segurança futura do Irã. Consequentemente, temos atualmente duas questões em cima da mesa com os americanos e com aqueles que iniciaram esta guerra. A primeira diz respeito aos nossos direitos:   temos de reivindicar os nossos direitos, pois eles causaram-nos danos. A segunda é a segurança futura do país e a garantia da proteção futura dos líderes do país.

JORNALISTA: General, abordámos muitos assuntos esta noite neste programa especial de entrevistas noticiosas. Dado o tempo que nos resta — dois minutos para um resumo final e qualquer assunto importante —, enquanto estamos no ar neste programa, no canal de notícias, continuamos a ver a presença das pessoas no terreno, e estas são imagens sem precedentes após todo este tempo.

REZAEI: Recomendo, como soldado — beijo sinceramente a mão de todo o povo iraniano, beijo a mão da opinião pública. Como soldado, peço-vos: este elevado preço que pagamos por esta revolução — não deixem que esta revolução seja derrubada e transformada em ondas políticas, seja a nível interno, seja nas relações internacionais. Uma grande revolução foi posta em marcha. Tem de continuar, até alcançarmos todos os seus objetivos.

É como no ano de 1357 [1978–1979], quando o Conselho de Regência foi formado no Irã, antes do dia 22 de Bahman [11 de fevereiro de 1979, triunfo da Revolução Islâmica]: alguns disseram ao Imã: “Senhor, deixe isso para trás agora, este Conselho de Regência veio para ocupar o lugar do Xá”. O Imã respondeu: “Como poderíamos desistir? Temos de alcançar o nosso objetivo.” E o Imã perseverou até ao dia 22 de Bahman, e os objetivos da Revolução Islâmica foram concretizados. Estamos agora a meio desta revolução. Esta revolução deve continuar: nas ruas, nas praças, dentro das casas, dentro das fábricas, dentro das universidades. Precisamos de novas tecnologias. Precisamos que as nossas forças armadas sejam apoiadas pela inovação e por novas invenções. Precisamos de mísseis mais potentes. Precisamos de continuar com as inovações e com a criatividade de dupla utilização — tanto militar como económica. Consequentemente, esta revolução é uma revolução abrangente; temos de continuar até alcançarmos todos os nossos objetivos. Não nos deixemos parar a meio caminho: não paguemos o preço sem termos obtido qualquer resultado.

JORNALISTA: Peço aos meus colegas que transmitem o canal de notícias que nos concedam um pouco mais de tempo, e gostaria de fazer uma pergunta importante para concluir. Talvez estejamos a testemunhar, no campo de operações e nas respostas esmagadoras da Guarda Revolucionária Islâmica, a prontidão e a motivação dos nossos valentes homens nas forças armadas. O senhor foi o antigo comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica durante a Defesa Sagrada. O povo gostaria muito de saber: no terreno, e no que diz respeito ao estado de prontidão das forças armadas, em que ponto se encontra atualmente o Irã?

REZAEI: Prometo ao nosso querido povo que, embora estejamos efetivamente perante um inimigo muito poderoso — e aconselho constantemente todos os meus irmãos, tanto no Corpo da Guarda como no exército: não subestimem o inimigo, mantenham a vossa vigilância, entoem os vossos rajaz [cânticos de desafio guerreiro], mas não subestimem o inimigo. Apesar destas recomendações, graças a Deus, durante esse mesmo período de cessar-fogo que o inimigo abusou, também nós fomos capazes de corrigir algumas das nossas fraquezas, de as compensar, ao longo desses dois ou três meses. No entanto, temos de gerir a guerra metodicamente.

Sim, poderíamos até, num único dia, disparar 100 mísseis e 2 000 drones, mas a guerra exige planeamento, exige gestão. Temos de gerir as coisas com vista à derrota definitiva do inimigo, de modo a que, no momento decisivo, desferamos o golpe final, aquele após o qual ele já não será capaz de se reerguer. Temos de gerir isso. É por isso que a gestão da guerra é uma questão importante, e a razão pela qual, como disse, ainda não iniciámos operações ofensivas e destrutivas de grande envergadura que nos levariam a atravessar fronteiras é que não queremos, mesmo hoje, que a expansão da guerra ocorra de forma a ativar linhas de fractura internacionais. Mas, provavelmente, com os erros que os americanos estão a cometer, podemos acabar por chegar a esse ponto, podemos entrar nessa fase. Nessa altura, mobilizaremos as nossas outras capacidades, mobilizaremos as nossas forças terrestres, mobilizaremos outras capacidades de que dispomos, a guerra alargar-se-á, e também ainda não utilizámos essa capacidade.

JORNALISTA: Muito obrigado. Caro General Dr. Mohsen Rezaei, antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica durante a Defesa Sagrada, apresento-lhe as minhas saudações e agradeço-lhe por ter participado nesta entrevista.

REZAEI: Que a paz esteja convosco. Obrigado. Que Deus vos proteja.

JORNALISTA: Que Deus vos proteja e muito obrigado a todos por acompanharem também o programa especial de entrevistas desta noite. Peço as vossas orações, boa noite e até à próxima.17/Julho/2026

O original encontra-se em resistanceaxis.substack.com/p/mohsen-rezaei-iran-is-ready-to-go

Esta entrevista encontra-se em resistir.info