As organizações e ativistas
palestinos na diáspora expressam seu mais firme repúdio às recentes declarações
do embaixador Marwan Jebril Burini publicadas na imprensa brasileira.
É inaceitável que, recém-chegado
ao Brasil, o embaixador adote um discurso que normaliza a cooperação com o
Estado ocupante e concentre suas críticas na resistência palestina, enquanto
nosso povo continua submetido à ocupação, à colonização, ao apartheid e a
massacres sistemáticos. Atacar publicamente a resistência palestina nesse
contexto não fortalece a causa nacional; ao contrário, enfraquece a posição
histórica do povo palestino diante da agressão permanente que sofremos.
A questão central não é “integrar-se”
a um chamado Conselho de Paz que inclua responsáveis diretos por crimes contra
nosso povo. A verdadeira paz não pode ser construída ignorando a ocupação, o
bloqueio, a expansão colonial na Cisjordânia e a devastação de Gaza. Tampouco
pode basear-se na exclusão dos próprios palestinos das decisões sobre seu
futuro, enquanto se exige o desarmamento apenas de uma das partes que vive sob
ocupação.
Rejeitamos qualquer narrativa que
coloque no mesmo plano o ocupante e o ocupado sem reconhecer a raiz do conflito:
a ocupação israelense e a negação do direito inalienável do povo palestino à
autodeterminação e a um Estado soberano em sua pátria.
O embaixador não representa a voz
unificada dos palestinos na diáspora. Nossa comunidade no Brasil e na América
Latina tem sustentado historicamente uma posição clara contra a normalização
com o regime sionista enquanto persistirem a ocupação e os crimes contra nosso
povo.
Reafirmamos que a representação
palestina deve estar alinhada com os direitos nacionais históricos do nosso
povo, com a defesa da resistência legítima contra a ocupação e com a exigência
de justiça e responsabilização pelos crimes cometidos.
A causa palestina não é
negociável, nem pode ser moldada por agendas que ignoram o sofrimento e a
dignidade do nosso povo.
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