terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Repúdio às declarações do embaixador palestino no Brasil

 

As organizações e ativistas palestinos na diáspora expressam seu mais firme repúdio às recentes declarações do embaixador Marwan Jebril Burini publicadas na imprensa brasileira.

É inaceitável que, recém-chegado ao Brasil, o embaixador adote um discurso que normaliza a cooperação com o Estado ocupante e concentre suas críticas na resistência palestina, enquanto nosso povo continua submetido à ocupação, à colonização, ao apartheid e a massacres sistemáticos. Atacar publicamente a resistência palestina nesse contexto não fortalece a causa nacional; ao contrário, enfraquece a posição histórica do povo palestino diante da agressão permanente que sofremos.

A questão central não é “integrar-se” a um chamado Conselho de Paz que inclua responsáveis diretos por crimes contra nosso povo. A verdadeira paz não pode ser construída ignorando a ocupação, o bloqueio, a expansão colonial na Cisjordânia e a devastação de Gaza. Tampouco pode basear-se na exclusão dos próprios palestinos das decisões sobre seu futuro, enquanto se exige o desarmamento apenas de uma das partes que vive sob ocupação.

Rejeitamos qualquer narrativa que coloque no mesmo plano o ocupante e o ocupado sem reconhecer a raiz do conflito: a ocupação israelense e a negação do direito inalienável do povo palestino à autodeterminação e a um Estado soberano em sua pátria.

O embaixador não representa a voz unificada dos palestinos na diáspora. Nossa comunidade no Brasil e na América Latina tem sustentado historicamente uma posição clara contra a normalização com o regime sionista enquanto persistirem a ocupação e os crimes contra nosso povo.

Reafirmamos que a representação palestina deve estar alinhada com os direitos nacionais históricos do nosso povo, com a defesa da resistência legítima contra a ocupação e com a exigência de justiça e responsabilização pelos crimes cometidos.

A causa palestina não é negociável, nem pode ser moldada por agendas que ignoram o sofrimento e a dignidade do nosso povo.


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