Por Sami Ibrahim Foudeh
Num momento em que o mundo se
ilude acreditando que a verdade está exposta, atrás dos muros das prisões
ocorre um dos crimes humanitários mais brutais contra os prisioneiros
palestinos. Do coração dessa escuridão, Abla Saadat, esposa do líder
prisioneiro Ahmad Saadat, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação
da Palestina, lança um grito de alerta retumbante, revelando uma realidade
extremamente perigosa vivida pelos prisioneiros desde 7 de outubro, quando as
prisões se transformaram em palcos abertos de tortura sistemática, longe dos
olhos da mídia e de qualquer supervisão internacional real.
Abla Saadat adverte que o que os
prisioneiros palestinos sofrem desde 7 de outubro até hoje não é uma
circunstância passageira nem simples medidas de segurança reforçadas, mas uma
política estável baseada na tortura diária e sistemática. Espancamentos
brutais, humilhações deliberadas, isolamento prolongado, privação de sono e de
alimentos, além da negligência médica intencional, tornaram-se instrumentos de gestão
dentro das prisões, praticados sem qualquer contenção ou responsabilização.
Ela confirma que essa perigosa
escalada é acompanhada por um apagão midiático deliberado, com as portas das
prisões fechadas à imprensa e às instituições de direitos humanos, deixando os
prisioneiros à mercê de uma realidade cruel administrada nas sombras. Esse
silêncio internacional, segundo Saadat, não pode ser dissociado do que ocorre,
pois se transforma em uma cobertura que permite a continuidade de crimes que
chegam ao nível de um genocídio lento.
Abla Saadat aponta ainda que o
ataque aos prisioneiros, especialmente às lideranças nacionais, insere-se numa
política mais ampla que visa quebrar a vontade palestina e atingir os símbolos
da luta atrás das grades. No entanto, apesar de sua brutalidade, essas
políticas fracassaram em alcançar seus objetivos, pois os prisioneiros
continuam, com sua firme determinação, a transformar as celas em espaços de
resistência e a fazer da dor um testemunho moral e político de condenação da ocupação.
No encerramento deste artigo
O grito de Abla Saadat não é um
apelo pessoal, mas uma posição humana e ética dirigida ao mundo inteiro. O que
ocorre nas prisões da ocupação desde 7 de outubro é um crime contínuo contra o
ser humano palestino e parte de uma guerra silenciosa conduzida longe das
câmeras. Romper o muro do silêncio e expor o que acontece atrás das grades
tornou-se um dever urgente, antes que a tortura diária se transforme em uma
perda irreversível e antes que o silêncio internacional seja registrado como
cúmplice do crime.

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