sexta-feira, 27 de julho de 2012

Israel: O Turismo Assassino de Gush Etzion


Assentamentos israelitas têm dado origem a um novo tipo de "Turismo Assassino", que visa proporcionar entretenimento no exercício de  matar uns "terroristas".

Segundo o Jornal israelense Yediot Ahronot, centenas de turistas, a maior parte dos EUA, chegam ao assentamento israelense de Gush Etzion (localizado na Cisjordânia - Palestina  ocupada) para frequentar cursos  que ensinam a  matar "terrorista".

Segundo o Yediot, "a reputação de Israel caiu ao nível mais baixo. Os atores e acadêmicos nos boicotam. Gush Etzion se transformou  em um feudo turístico graças a situação ali. "Famílias inteiras vêm de todos os quatro cantos do mundo para formar parte do extremismo  hebreo".

Os turistas vêm para Gush Etzion não para  assistir cenas de treinamento, mas para abrir fogo, eles mesmos,  contra as  imagens de "terroristas".

Um dos treinadores, Yashai entrega uma metralhadora a uma criança de 14 anos que abre fogo de forma entusiastica.

Outro turista, Michel Brown, funcionário de banco em Miami, veio com sua esposa e três filhos a Gush Etzion, para  "fazê-los aprender valores", segundo suas próprias palavras.

Ao  final do treinamento, os organizadores entregues diplomas aos turistas, que afirmam o orgulho de exibi-los em suas casas em Miami ou em Philadelphia.




quinta-feira, 26 de julho de 2012

James Holmes, um consumidor


 Por Carlos Latuff


Estados Unidos - Carta Capital - Novamente o mundo assiste perplexo a mais um massacre nos Estados Unidos. E, novamente, a sociedade estadunidense chora seus mortos. Nenhuma novidade. Lá são inúmeros os casos de pessoas, aparentemente insuspeitas, que planejaram cuidadosamente cada detalhe de uma chacina e a colocaram em prática com itens encontrados em estabelecimentos comerciais. Por Carlos Latuff

No dia 20 de julho, um jovem de nome James Holmes, equipado com colete balístico, capacete, máscara contra gases e armado de pistola, escopeta e fuzil, entrou num cinema em Aurora, no Colorado, lançou bombas de fumaça e atirou contra os espectadores matando 12 deles e ferindo outras dezenas. De acordo com a polícia, James Holmes não tinha antecendentes criminais, o que significa dizer que até o dia do massacre James não infringiu a lei, fora uma multa de trânsito em 2011. O jovem não comprou o armamento e a munição das mãos de traficantes ou contrabandistas. Tudo foi adquirido legalmente em lojas estabelecidas.

James Holmes comprou quatro armas, dentre elas um fuzil semi-automático calibre .223. Armas com esse calibre podem ser encontradas em qualquer mercado nos Estados Unidos e sua aquisição não requer nenhum exame psicotécnico, depende apenas do dinheiro. Na Bas Pro Shop, uma das lojas visitadas por James, um fuzil nesse calibre, semi-automático, Remington R-15 VTR Predator, custa US$ 1149.99. Apesar de ser vendida como arma de caça, seu calibre foi desenvolvido por empresas dos Estados Unidos para o exército daquele país que, depois da Segunda Guerra Mundial, concluiu que precisava de um munição mais leve que a tradicional 7.62, afim de que seus soldados tivessem mais precisão de tiro e pudessem carregar consigo mais balas. O campo de provas desse novo calibre foi a selva vietnamita nos anos 60.

O mercado não se importa em produzir artigos que podem, fatalmente, resultar na morte de seus consumidores. O sistema econômico vigente consiste no tripé produção em massa/consumo/descarte. Para mantê-lo é preciso criar perfis de consumo que nem sempre são baseados em necessidades reais. É preciso produzir, não importa a que preço. Basta rotular um maço de cigarro com “O Ministério da Saúde adverte” ou uma garrafa de bebida alcóolica com “Se beber não dirija” para que se redima a culpa da indústria pelas mortes decorrentes de doenças respiratórias e acidentes de trânsito. A indústria de alimentos despeja todos os dias nos supermercados produtos que serão responsáveis por doenças cardíacas, câncer, diabetes. A indústria química, proibida de vender agrotóxicos nos países ricos, os vende à preço de banana para nações do Terceiro Mundo.

Nos Estados Unidos a indústria cinematográfica e armamentista sempre andaram de mãos dadas. Hollywood tem sido vitrine para o lobby das armas. É a forma mais eficiente de publicidade. Raramente um filme americano na TV ou no cinema não tem ao menos um personagem disparando armas, mesmo em comédias ou filmes românticos como Ghost eTitanic. Assim como os filmes de Humphrey Bogart e James Dean estimularam muita gente a fumar, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis certamente inspiraram outros tantos a comprar ao menos uma pistola.

E aí fica a pergunta. Por que tanta perplexidade com a ação de James Holmes? O atirador do Colorado não fez nada que a sociedade e o mercado não conhecessem e incentivassem. Ele foi até uma loja, comprou máquinas de matar de forma legal e fez exatamente o que se espera delas. Matou. James Holmes é portanto um consumidor, e o mercado agradece. A indústria armamentista não vai parar por causa das vidas ceifadas à bala naquele cinema em Aurora, muito menos pelos mortos em ataques de aviões não-tripulados estadunidenses no Paquistão e no Afeganistão. É tudo negócio, nada pessoal.

Mais importante que nos debruçar sobre o perfil psicológico de James Holmes é analisar o caráter do establishment que tornou possível sua ação brutal.

http://www.diarioliberdade.org/mundo/batalha-de-ideias/29530-carlos-latuff-james-holmes,-um-consumidor.html

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Síria: A 'mudança de regime' e o smart power de Hillary Clinton


por M K Bhadrakumar [*]

A emergência de Israel, que sai da paisagem de fundo, só pode significar uma coisa: que a crise síria encaminha-se para a fase decisiva. Acenderam-se as luzes no palco de operações, e começou a operação de esculpir a Síria. O que vem aí não será bonito de ver. O paciente não será anestesiado, e o cirurgião-chefe prefere liderar dos bastidores, enquanto seus capangas fazem o serviço sujo. 

Até agora, Turquia, Arábia Saudita e Qatar fizeram tudo o que podiam para desestabilizar a Síria e remover de lá o regime chefiado pelo presidente Bashar al-Assad. E Bashar continua vivo. Daqui em diante, só a perícia dos israelenses, para completar o serviço. 

Alguém terá de enfiar a faca, bem fundo, nas costas de Bashar. O rei da Jordânia não pode fazer o serviço: mal chega aos joelhos de Bashar. Os xeiques sauditas e quataris, flácidos e gorduchos, não são dados a agitação física. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) prefere ser deixada de fora, depois que queimou os dedos na Líbia, em operação limítrofe com crime de guerra. Resta a Turquia. 

Em princípio, a Turquia tem poder muscular, mas intervenção na Síria é missão de altíssimo risco, e uma das heranças mais duradouras de Kemal Ataturk é de a Turquia evitar expor-se a riscos. Além disso, os militares turcos não estão lá em muito boa forma. 

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tão pouco tem conseguido arrastar a maioria dos turcos a aceitarem fazer guerra contra a Síria. O próprio Erdogan navega águas perigosas, tentando aprovar emendas na Constituição turca que o transformarão num verdadeiro sultão – como se o presidente François Hollande da França passasse, de repente, a acumular as funções do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault e de Martine Aubry, presidente do Partido Socialista, além da presidência da França. 

Obviamente, Erdogan não porá em risco a própria carreira política. Além do mais, há imponderáveis – uma potencial represália dentro da própria Turquia pela minoria alawita (que ressente o crescimento do salafismo no governo de Erdogan); além do perigo perene de cair numa armadilha armada por militantes curdos. 

Al-Jazeera entrevistou um líder alawita na Turquia, na semana passada, que manifestou preocupação crescente com o tom cada vez mais sectário da disputa interna na Síria, inspirada por sunitas salafistas. Temem um levantamento salafista dentro da Turquia. Para os alawitas turcos, Assad "tenta manter coesa uma Síria pluralista e tolerante." 


Planos de contingência 


Mas tudo isso vai-se tornando irrelevante. Na sexta-feira, o New York Times noticiava, citando funcionários do governo em Washington, que o presidente Barack Obama dos EUA "está aumentando a ajuda aos rebeldes e redobrando esforços para construir uma coligação de países com ideias semelhantes às dos EUA para derrubar à força o governo [da Síria]". [2]

Noticiava também que agentes da CIA que estão no sul da Turquia "já há várias semanas" serão mantidos na missão de criar cada vez mais violência contra o regime sírio. Enquanto isso, EUA e Turquia também trabalham em conjunto para implantar um "governo provisório pós-Assad" na Síria. 

Na mesma direcção, líderes da Irmandade Muçulmana, proscrita na Síria, organizaram um conclave de quatro dias em Istambul para criar "um partido islâmico". "Estamos prontos para a era pós-Assad, temos planos para a economia, os tribunais de justiça, a política" – anunciou o porta-voz da Irmandade Muçulmana. 

Diz o New York Times que Washington se mantém em contacto íntimo com Ancara e Telavive, para discutir "uma gama ampla de planos de contingência" sobre "como administrar um colapso do governo sírio". 

O plano operacional que está emergindo prevê que, enquanto Ancara avança nas operações clandestinas dentro da Síria (pagos pela Arábia Saudita e Qatar), Israel cruzará a fronteira, entrando na Síria pelo Sul e atacará Bashar militarmente, para degradar sua capacidade de resistir à ameaça turca. 

A Turquia também avançou na guerra psicológica, projectando – com televisões, jornais e jornalistas – a ideia de que o regime sírio começa a rachar. Jornalistas e comentaristas turcos já propalam isso. Murat Yetkin, do Hurriyet, diário oficialista, reproduziu palavras de um oficial turco a dizer que:

Nosso pessoal [a inteligência turca] em campo já observa que a maioria urbana, que até agora preferia manter-se neutra, começa a apoiar os grupos da oposição. Acreditamos que o povo sírio começa a perceber que o governo está a rachar.
De facto, essas emocionantes versões também reflectem a preocupação, no establishment turco, perante a evidência de que o regime sírio não dá qualquer sinal de capitulação apesar dos incansáveis golpes que tem sofrido dos 'rebeldes'. 


Missão para Moscou 


A esperança de Erdogan é que a inteligência turca consiga orquestrar algum tipo de "golpe palaciano" em Damasco, nos próximos dias ou semanas. O que mais alegraria Ancara seria ver Bashar substituído por uma estrutura de transição que conservasse elementos da actual estrutura baathista do estado, o que facilitaria uma transferência ordeira de poder para novo governo – quer dizer, em termos ideais, uma transição em nada diferente da que houve no Egipto depois da saída de Hosni Mubarak. 

Mas Erdogan não tem certeza de que a Turquia consiga armar um golpe à moda Egipto, em Damasco. A corrida de Erdogan a Moscou, quarta-feira passada, foi uma tentativa de sondar Moscou para saber se seria possível montar uma estrutura de transição, nova e estável, em Damasco, mediante algum tipo de cooperação internacional. (Obama investiu o seu peso na missão de Erdogan: na quinta-feira telefonou pessoalmente ao presidente Vladimir Putin da Rússia, para discutir a Síria.) 

Curiosamente, pouco antes de Erdogan sair para o encontro agendado com Putin no Kremlin, aconteceu em Damasco um ataque terrorista maciço que matou o ministro da Defesa da Síria e seu chefe de Inteligência. Considerado aquele evento, Moscou ouviu polidamente o que Erdogan tinha a dizer e assegurou-lhe que manteria separação clínica entre os laços estratégicos que unem Rússia e Turquia, de um lado; e, de outro, a questão síria. E a posição russa manteve-se inalterada – como se viu bem claramente, no veto no Conselho de Segurança da ONU, uma semana depois do encontro com Erdogan. 

Não há dúvida de que Moscovo já percebeu que o jogo na Síria se aproxima do fim. Em entrevista à rede de TV Rússia Today na sexta-feira, o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, [3] falou em termos excepcionalmente fortes sobre o que está acontecendo:

"Infelizmente, a estratégia de nossos colegas ocidentais parece estar a ser encaminhada exclusivamente para o aumento das tensões na Síria e em torno da Síria. Não perdem uma oportunidade. Dessa vez, aproveitaram a circunstância de ser necessário prorrogar o mandato da missão de monitoramento que opera na Síria, e acrescentaram, no mesmo projecto de Resolução rascunhado por eles, inúmeras outras cláusulas inaceitáveis.".
E continuou, recordando também o Iraque:
"Não há quem não saiba que os maiores interventores humanitários do planeta – EUA e Grã-Bretanha – intervieram no Iraque, por exemplo, declamando os mais nobres pretextos (naquele caso, a existência de armas de destruição em massa que jamais existiram). O resultado, no Iraque, foram 150 mil mortes, só entre os civis; além de milhões de refugiados e legiões de seres humanos cujas vidas foram arruinadas e vagam pelo país. Por tudo isso, não se deixem enganar pela retórica do humanitarismo ocidental. Na política ocidental para a Síria, há muito mais geopolítica, que humanismo."
Antes de ir a Moscovo, Erdogan foi a Pequim, que também já sente que os EUA estão batendo o martelo sobre a Síria. O Global Times comentou, em editorial, na sexta-feira, que "É provável que o governo de Assad seja derrubado (...) diminuem muito rapidamente as possibilidades de solução política (...) as coisas na Síria podem mudar bem rapidamente." [4]

Toni Donilon, Conselheiro para Segurança Nacional dos EUA, viaja agora para Pequim: vai tentar descobrir se há alguma possibilidade de conseguir que os chineses moderem a posição sobre a Síria. 

Rússia e China vêem com bons olhos a era Erdogan, que ampliou os laços entre esses países e a Turquia. A Rússia obteve um contrato de $20 a $25 mil milhões de dólares para a construção de centrais nucleares na Turquia. A China atraiu a Turquia, como parceiro para os diálogos da Organização de Cooperação de Xangai. A Turquia realizou um segundo exercício de manobras militares com a China, recentemente; e sonha com ser a ponte que venha a unir a NATO a Pequim. 


O homem que não vendeu sua alma [5]


Mesmo assim, ambas, Rússia e China considerarão, na análise, que, com uma "nova guerra fria" em construção, Washington espera que a Turquia volte ao ninho antigo e desempenhe o papel de aliada numa vasta faixa de terra que se estende do Mar Negro ao Cáucaso e ao Cáspio e até a Ásia Central. Em última análise, os EUA jogam com inúmeros trunfos, cortesia da era da Guerra-fria, para manipular as políticas turcas. É o que se vê claramente na centralidade que Washington atribui ao líder curdo iraquiano Massoud Barzani, na estratégia geral dos EUA. 

Obama recebeu-o recentemente na Casa Branca. Barzani passou a ser o "eixo de conexão" das políticas de EUA-Turquia para a Síria. Isso acontece poucos meses depois de a ExxonMobil assinar, em Outubro, contratos para desenvolver os enormes campos de petróleo localizados no Curdistão, região controlada por Barzani, ignorando os protestos de Bagdad de que tal negócio, firmado com uma autoridade provincial e passando por cima do governo central, viola a soberania do Iraque. 

Na semana passada, a Chevron, gigante do petróleo dos EUA, anunciou que também adquirira 80% do controle de outra companhia que opera na região, cobrindo uma área total de 1.124 quilómetros quadrados sob o controle de Barzani. 

A entrada das empresas ExxonMobile e Chevron muda o jogo na política regional para a Síria. O ponto é que a melhor via para transportar até o mercado mundial o que for extraído dos depósitos gigantes de gás e petróleo no Curdistão é o porto sírio de Latáquiia, no Mediterrâneo oriental. Não há dúvida de que aí está uma nova dimensão a considerar no plano de jogo de EUA-Turquia sobre a Síria. 

A empresa turca de engenharia e construção Siyah Kalem apresentou projecto para o transporte do gás natural extraído do Curdistão. Evidentemente, em algum lugar do subsolo, os interesses do business corporativo da Anatólia (que tem laços com o partido islâmico que governa a Turquia) e a orientação da política externa turca passaram a convergir. Os interesses dos EUA e da Turquia sobrepõem-se na geopolítica das reservas de energia do Norte do Iraque. 

Barzani não é só parceiro comercial de Washington e Ancara; é também agente chave que pode ajudar a encaminhar o problema da Turquia com os curdos. Com o apoio de Washington, Barzani lançou um projecto para reposicionar as várias facções curdas – turcos, iraquianos e sírios – numa nova trilha política. 

No mês passado, Barzani organizou reunião das facções curdas em Arbil. Em termos claros: Barzani tentou subornar os líderes de várias facções curdas com fundos que lhe chegaram de Ancara. Diz que conseguiu reconciliar os diferentes grupos curdos sírios. (A insurreição curda na Turquia é comandada por sírios de etnia curda.) Diz também que conseguiu convencer os curdos sírios a romper os laços que os ligam a Bashar e a alinhar-se ao lado da oposição síria. 

Esses ecos de Arbil têm peso vital no que Erdogan venha a fazer sobre a Síria. Como lembrou recentemente um importante analista do Washington Institute for Near East Policy, Soner Cagaptay, o centro da questão é que "grande parte da minoria curda, agitada e bem organizada na Síria, não confia na Turquia." [7]


O salafismo em asas israelenses 


Facto é que, em última análise, só Israel pode resolver o dilema de Erdogan. O ministro da Defesa de Israel Ehud Barak declarou no fim-de-semana que "a Síria tem mísseis antiaéreos e mísseis terra-terra avançados e elementos de armas químicas. Ordenei que o Exército de Israel se prepare para uma situação na qual tenhamos de considerar a possibilidade de um ataque". [8]

Barak acrescentou que "no momento em que [Bashar] começar a cair, nós [Israel] iniciaremos monitoramento de inteligência e nos associaremos a outras agências." Falou depois de uma visita secreta de Donilon a Israel, na semana anterior. Nos calcanhares da visita de Donilon, chegou a Telavive a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton, depois de um encontro histórico no Cairo com o presidente recém eleito Mohammed Morsi da Irmandade Muçulmana, que garantiu a Washington que não pensa criar qualquer problema para Israel, em futuro previsível. 

As declarações de Barak rompem o fino véu de indiferença que Telavive manteve até aqui sobre os desenvolvimentos sírios. O que emerge, em retrospectiva, é que Washington manteve Israel em resguardo até o momento de demolir fisicamente a maquinaria de guerra de Bashar – empreitada que Erdogan não quer assumir ou não tem capacidade para assumir. 

O mais provável é que Erdogan já estivesse de sobreaviso, para aparecer ao lado de Barak, mas, político arguto, manteve as aparências de quem muito sofria com a crise síria – ao mesmo tempo em que, clandestinamente, a alimentava. 

Em versão simples, Washington passou a perna a Moscovo e Pequim. Sempre afirmou que a ideia de os EUA intervirem directamente na Síria, ou efectuar intervenção indirecta, por operação da NATO, como na Líbia, jamais passara pela cabeça de Obama. Como agora se vê, Obama não mentia. 

O que se desdobra hoje é visão espantosamente estranha: o salafismo voa nas asas da Força Aérea israelense e vai aterrar em Damasco. Erdogan voltará, com renovado vigor, a sacudir a árvore de Bashar em Damasco. E, a qualquer momento, em futuro próximo, de repente, Barak começará a podar os galhos da árvore, varrendo-os como raio. 

Erdogan e Barak deixarão tão nua a árvore de Bashar, tão desamparada, que ela perceberá a futilidade do esforço para se manter erecta sobre as suas raízes. E nada de "intervenção militar", nada de operações da NATO, ninguém poderá fazer qualquer analogia com o que foi cometido na Líbia. Nem Erdogan ordenará que seu exército marche sobre a Síria. 

A secretária de Estado Clinton diria que isso é o "smart power". Num ensaio grandiloquente intitulado "A arte do Smart Power", de sua autoria, analisando o curioso desenlace do conto da Primavera Árabe, na semana passada Clinton escreveu que agora os EUA "lideram por novas vias". [6]

Clinton esclarece que os EUA estão a expandir a "sua caixa de ferramentas de política externa para integrar todos os activos e parceiros, e fundamentalmente mudamos o modo como nós [os EUA] fazemos negócios. (...) A trilha que interliga todos os nossos esforços é um compromisso com adaptar a liderança global dos EUA às necessidades de um mundo em mudança". 

No fim, Erdogan fará da pedra, sopa, que engolirá untada em banha de porco. A verdade nua e crua é que Israel fará por ele o serviço sujo na Síria. 

Nada resta a Erdogan, além de aceitar o facto de que não passa de um dos instrumentos da "caixa de ferramentas" de Washington – nada mais, nada menos. Seu destino nunca foi liderar o Oriente Médio muçulmano. O ocidente apenas lhe deu corda, para que se enforcasse na sua conhecida vaidade. 

Liderar o Oriente Médio muçulmano é prerrogativa exclusiva de Washington.

NT 


[1] Orig. smart power. Sobre a expressão, ver Eric Etheridge, New York Times, 14/1/2009, "How 'Soft Power' Got 'Smart'" [como o 'poder suave' tornou-se 'inteligente'], onde se lê: "No discurso que fez ao aceitar a indicação para o cargo de secretária de Estado do governo Obama, Hillary Clinton usou quatro vezes a expressão smart power. Na declaração, que antecedeu o discurso de aceitação do cargo, usou nove vezes a mesma expressão" ( http://opinionator.blogs.nytimes.com/2009/01/14/how-soft-power-got-smart/ ) 


[2] 21/7/2012, New York Times, www.nytimes.com/...

[3] 20/7/2012, "Não se deixem enganar pela retórica do humanitarismo ocidental", Vitaly Churkin, embaixador da Rússia à ONU, à rede Russia Today (entrevista transcrita e traduzida ao português, em redecastorphoto.blogspot.com.br/...

[4] 20/7/2012, Global Times, Pequim, em http://www.globaltimes.cn/content/722217.shtml

[5] Orig. A man for all seasons. É expressão inglesa do séc. XVI, tradicionalmente aplicada a Thomas More. Dá título também a uma biografia cinematográfica, que recebeu no Brasil o título de "O homem que não vendeu sua alma" [que se aproveita nessa tradução] . 


[6] 18/6/2012, "The art of smart power", Hillary Clinton, New Statesman, em www.newstatesman.com/... Aí se lê, na conclusão do artigo: "Não há precedente real na história para o papel que os EUA desempenham hoje ou para a responsabilidade que assumem sobre os seus ombros. Isso é o que torna tão excepcional a liderança dos EUA. Por isso confio que continuaremos a servir e a defender uma ordem global pacífica e próspera ainda por muitos anos no futuro". 



[8] 20/7/2012, Jerusalem Post, Israel, http://www.jpost.com/Defense/Article.aspx?id=278314 .

22/Julho/2012


Ver também:



[*] Ex-embaixador da Índia em Moscou. 

Tradução (com pequenas alterações) de Vila Vudu, vila.vudu@gmail.com . 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

terça-feira, 24 de julho de 2012

Síria: Àqueles que tocam os tambores da guerra


Como esperado, em 19 de Julho a Rússia e a China pronunciaram o seu terceiro veto duplo e frustraram, mais uma vez, o eterno projecto concebido pelos "inimigos da Síria" para pressionar o Conselho de Segurança a adoptar uma resolução totalmente injusta infligindo-lhe ainda mais sanções ilegítimas em virtude do Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, enquanto o Paquistão e a África do Sul abstiveram-se. A seguir à votação, o delegado permanente sírio junto às Nações Unidas, Doutor Bachar al-Jaafari, tomou a palavra — palavra que sem dúvida não chegou aos sírios do exterior e àqueles que poderiam interessar-se em ouvi-lo, dado o silêncio estridente imposto aos média sírios com a cumplicidade da Arabsat, do Nilesat e de todas as espécies de censuras cozinhadas por países árabes e ocidentais que se dizem esforçar por instaurar liberdades, nomeadamente a liberdade de expressão! Eis uma transcrição não integral a partir de um vídeo recuperado do you tube. 

Senhor Presidente. O povo sírio é doravante tomado de angústia e de inquietação antes de cada reunião do Conselho de Segurança acerca da Síria e isto é principalmente àquilo para que havíamos chamado a vossa atenção desde o princípio: a sincronização suspeita entre estas sessões do Conselho e as operações terroristas cruéis que afectaram um grande número de pessoas inocentes entre o povo sírio assim como grande número das suas instituições, dos seus quadros, dos seus bens públicos e privados!

Senhores: Recordam-se certamente de todas as explosões e massacres que aterrorizaram os habitantes de várias regiões sírias enquanto o Conselho de Segurança discutia a Síria. É com lamento que nós vos recordamos que ainda ontem o braço do terrorismo assassino colheu ministros e dirigentes dos órgãos de Segurança nacional reunidos em Damasco. É também com lamento que constatamos que este Conselho de forma alguma condenou este acto ... mas ... apresentamos nossos agradecimentos ao Sr. Secretário-geral e ao emissário especial Sr. Kofi Annan pelas suas respectivas condenações.

Senhor Presidente: Se um tal acto terrorista é incapaz de suscitar uma condenação severa e imediata da parte deste Conselho isso significa seguramente que tudo o que a comunidade internacional construiu para lutar contra o terrorismo não era senão letra morta. Trata-se de um fracasso que dirigirá uma mensagem de erro aos terroristas do mundo inteiro dizendo-lhes que eles para além de qualquer questionamento. Trata-se de um silêncio que significará que apoiar uma solução pacífica e afastada de toda violência na Síria não é para alguns senão um simples slogan destinado a ganhar tempo, a enganar a opinião pública síria e internacional, e a bloquear o plano do Sr. Kofi Annan; quando a Síria acolheu favoravelmente o seu plano em seis pontos, a missão dos observadores internacionais e as declarações da Conferência de Genebra de 20 de Junho de 2012 [...]

Mas infelizmente países estrangeiros imiscuíram-se imediatamente e brutalmente num assunto estritamente sírio para tocar os tambores da guerra e tornarem-se uma parte do problema fornecendo armas, dinheiro, cobertura política, cobertura mediática e apoio logístico aos gangs armados; além de incitar de à violência e à recusa do diálogo e de adoptar um pacote de sessenta sanções ilegais que perturbaram a vida quotidiana do povo sírio. Sanções que espezinham as regras de boa vizinhança assim como todas as normas e as leis internacionais que as tornam juridicamente criminosas. Isto, sem esquecer as rupturas das relações diplomáticas com a Síria para cortar definitivamente todo diálogo e todo contacto directo.

Em nome do povo sírio, dizemos a todos estes países: se quiserem impor a lei da selva a outros e que esta decisão vos pareça lógica, comecem portanto por aplicá-la a vossos países respectivos e peçam àqueles dos vossos cidadãos e residentes, que simpatizam sinceramente ou não com os bandos armados e os terroristas que devastam a Síria, para acolhe-los e oferecer-lhes a liberdade que cobiçam e particularmente aquela de semear a desordem pelas armas ... assim como a liberdade de desestabilizar e de destruir o tecido nacional e os fundamentos do Estado sírio, sob o pretexto de instaurar reformas e democracia!

Senhor Presidente: Os rumores que ultimamente invadiram os media a propósito de "armas químicas" que a Síria poderia utilizar não são senão rumores destituídos de todo fundamento... não são senão uma pesca em águas turvas... Se jamais pudessem fornecer uma qualquer prova, indicariam antes a intenção de alguns de delas se servirem contra os sírios, para acusar a seguir as autoridades sírias e voltar a opinião pública e o Conselho de Segurança contra estas mesmas autoridades.

Todos os sírios querem contribuir, na base da reconciliação e do perdão recíproco, para trabalhar em conjunto para reconstruir o que foi destruído no decorrer desta crise, para ir adiante para fazer evoluir e consolidar um Estado de direito, para trazer de volta a calma e a estabilidade no lugar e situar aqueles que desejam a adopção de uma resolução do Capítulo VII ou uma intervenção militar estrangeira, o que permitiria a certos Estados fazerem a economia da sua autocrítica e apagar da memória deste Conselho todas as catástrofes e horrores que deixaram após a sua passagem!

Em consequência, cabe a nós sírios, opositores inclusive, perceber que o número de Estados que se pretendem vivamente preocupados com a Síria e seu povo não querem uma solução pacífica que garantiria a unidade, a estabilidade e a soberania do país e que permitiria responder às aspirações do nosso povo. Muito pelo contrário, aqueles não visam senão o Estado e o povo sírios assim como o seu papel ao nível árabe, muçulmano e regional; jogando nos desacordos políticos verificados sobre o terreno durante esta crise... e pior ainda.. jogando nos elementos que pensam que aqueles que traíram os árabes pelos "Acordos de Sykes-Picot" e a "Promessa de lord Balfour"... assassinaram primeiro o ministro sírio da Defesa, o general Youssef al-Azmeh, na batalha de Mayssaloun... bombardearam o parlamento sírio em 1945... infligiram uma ferida ainda aberta na Palestina... invadiram militarmente o Afeganistão, o Iraque e a Líbia... acordaram seu apoio político, militar e diplomático a Israel para assegurar-lhe o Golan sírio, os territórios palestinos e o que resta de territórios libaneses não libertados... [não] lhes prestariam o menor dos serviços senão para garantir outra coisa que os seus próprios interesses!

Cabe a nós, os sírios, reconhecer uma única verdade, a de pensar que a única solução, que possa responder às aspirações legítimas do nosso povo, não pode ser senão uma solução política síria que depende de todos nos... e que passa pelo diálogo nacional entre nós e sob o céu da nossa pátria... entre nós todos e sob o céu da nossa pátria! Cabe a todos nos chegar a construir um Estado democrático, pluralista e equitativo onde todos são iguais perante a Lei sem discriminação em função da pertença familiar, político ou ideológica... Um estado que ofereceria a todos as mesmas oportunidades políticas e económicas e onde a competição passaria por eleições livres e transparentes, como se passa nos vossos respectivos países...

Só os sírios são capazes de proteger o seu país e manter a sua imunidade contra as ambições geopolíticas que ameaçam a sua existência e a sua dignidade... Então, tratemos das nossas feridas mútuas, não esqueçamos nossa História comum e permaneçamos todos conscientes de tudo isto que se tece contra o nosso povo, para defender uma pátria resistente face a todo inimigo.

Senhor Presidente: eu concluiria por uma citação de um filósofo sírio sufi que viveu em Damasco no século X após J.C. Trata-se de um conselho dado a seus alunos: "Meus filhos, o homem razoável não deve nunca deixar de ter discernimento quando contribui para escrever a História, e mesmo aquele que tivesse um problema com o Diabo não pode procurar a solução junto a Lúcifer"!

Obrigado, Senhores.
19/Julho/2012

Fonte: www.youtube.com/watch?v=4p2tpVunSV8&feature=youtu.be

O original encontra-se em www.legrandsoir.info/syrie-a-ceux-qui-jouent-des-tambours-de-la-guerre.html


Este discurso encontra-se em http://resistir.info/ . 

Iraque diz não ao chamado da Liga Árabe contra a Síria

Nesta segunda-feira, O Iraque expressou seu desacordo ao apelos em favor da saída do Presidente da Síria, Bashar al - Assad, realizados  pela Liga Árabe.



"A delegação iraquiana manifestou desacordo com proposta árabe." O Comité Ministerial da Liga Árabe não deve pedir um líder que saia. "Somente o povo sírio pode tomar essa decisão (sobre a saída de Assad) e ninguém pode interferir na mesma, disse o porta-voz do governo iraquiano, Ali al o Dabbag.
Reunido neste domingo em Doha, o Comité Ministerial da Liga Árabe, como era de se esperar, exortou ao Presidente Bashar al - Assad a ceder o poder a um governo de transição. Por outro lado, "a Liga se compromete com a segurança de Assad e sua família."

Bagdá abre suas fronteiras aos refugiados



O Primeiro-ministro iraquiano Nuri al - Maliki ordenou fronteira posts abrir aos refugiados da Síria. Tais fronteiras foram fechadas para impedir a ação dos mercenários, que havia assumido uma passagem na fronteira.
"A ordem foi dada há meia hora atrás", disse geral de Iaasm de Yassim, na junção de Al Walid, 560 km a oeste de Bagdá. O oficial disse que a ordem se aplica em toda extensão da fronteira iraquiana com a Síria.
O ponto de interseção de Al Walid (controlado pelo exército Sírio) é um dos três principais postos fronteiriço entre o Iraque e a Síria.

IRAQUE ESTÁ PAGANDO UM PREÇO POR OPOR-SE A INTERVENÇÃO NA SÍRIA

Uma série de bombas mortais causaram pelo menos 91 mortos e 172 feridos no Iraque nesta segunda-feira, o dia mais sangrento que o país em mais de dois anos.


Vários políticos e observadores iraquianos relacionaram esses ataques com a política do Iraque de  rejeitar a interferência estrangeira na Síria e recusando-se a pedir a saída do poder de Bashar Al-Assad.

Leia a notícia completa no sítio: http://www1.almanar.com.lb/spanish/adetails.php?fromval=1&cid=23&frid=23&eid=18429


Começou a batalha de Damasco


 Este texto foi escrito no dia 19, portanto antes da ofensiva do Exército da Síria contra os mercenários. O texto anterior publicado pelo Blog tem informações mais atualizadas sobre a batalha.: http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/07/damasco-alepo-homs-e-postos.html

Thierry Meissan  
19 de julho de 2012
http://www.voltairenet.org/La-bataille-de-Damas-a-commence

Os poderes ocidentais e do Golfo lançaram a mais importante operação de guerra secreta desde os “Contras”, na Nicarágua. A batalha de Damasco não visa derrubar o presidente Bashar Al-Assad, mas fraturar o Exército Sírio para assegurar o domínio de Israel e Estados Unidos sobre o Oriente Próximo. Enquanto a cidade se prepara para um novo assalto dos mercenários estrangeiros Thierry Meissan realiza um balanço da situação. 
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Há cinco dias, Washington e Paris lançaram a operação “Erupção em Damasco, terremoto na Síria”. Não é nova campanha de bombardeio aéreo, mas operação militar secreta, similar à usada no tempo de Reagan na América Central. De 40 a 60 mil “Contras”, na sua maioria líbios, entraram em poucos dias no país, quase sempre pela fronteira jordaniana. A maioria destes está ligada ao “Exército Síria Livre”(Free Syrian Army), estrutura de fachada para as operações secretas da OTAN, atualmente sob comando turco. Alguns são filiados a grupos de fanáticos, inclusive a Al-Qaeda, estão sob o comando do Qatar ou de uma facção da família real saudita, os Sudeiris. De passagem, tomaram alguns postos de fronteira, e então se mudaram para a capital, onde semeiam a confusão, atacando alvos aleatórios que eles encontram: grupos de policiais ou militares isolados.Quarta de manhã, uma explosão destruiu a sede da Segurança Nacional, onde se reuniam alguns membros do Conselho de Segurança Nacional.

O ataque tirou a vida do general Daoud Rajha (Ministro da Defesa), do general Assef Shawkat (Vice-Ministro) e do general Hassan Turkmani (assistente do vice-presidente da República). Os termos da operação permanecem incertos: pode ter sido tanto um ataque suicida quanto o disparo de um drone(avião não-tripulado) furtivo.Washington esperava que a decapitação parcial do aparelho militar levaria alguns oficiais superiores a desertar com suas unidades, ou até mesmo a se voltar contra o governo civil. Isso não aconteceu. O presidente Bashar al-Assad imediatamente assinou os decretos designando seus sucessores e a continuidade do Estado foi assegurada.

Em Paris, Berlim e Washington, os patrocinadores da operação se sentem livres para jogar o jogo indigno que consiste em condenar a ação terrorista, reafirmando o seu apoio político, logístico e militar aos terroristas. Sem pudor algum, eles concluíram que a responsabilidade por esses assassinatos não cabe aos culpados, mas às vítimas, na medida em que haviam se recusado a renunciar sob pressão e entregar sua terra natal aos apetites ocidentais.Caracas e Teerã enviaram suas condolências a Síria, sublinhando que o ataque foi encomendado e financiado pelas potências ocidentais e do Golfo. Moscou, igualmente, expressou suas condolências e disse que as sanções levadas ao Conselho de Segurança contra a Síria equivalem a um apoio político aos terroristas que realizaram o ataque.

Os canais de TV estatais sírios passaram a transmitir clipes militares e canções patrióticas. Interrompendo a programação, o ministro da Informação, al-Omran Zou'bi apelou à mobilização de todos: o tempo já não é mais de disputas políticas entre governo e oposição, é a nação que está sendo atacada. Lembrando o artigo do Komsomolskaya Pravda em que descrevi a operação midiática de desmoralização preparada pelos canais ocidentais e do Golfo, ele advertia seus compatriotas sobre o desastre iminente. Aproveitou para negar os boatos tóxicos dos canais de TV do Golfo segundo os quais um motim eclodira na quarta divisão e explosões haviam devastado seu quartel principal.Os canais estatais levaram ao ar várias vezes anúncios que mostravam como capturar seu sinal pelo satélite Atlantic Bird, em caso de interrupção dos satélites Arabsat e Nilesat.No Líbano, Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, lembrou a fraternidade de armas que une o Hezbollah à Síria contra o expansionismo sionista, e garantiu ao Exército Sírio seu apoio.

O ataque foi um sinal para o início da segunda parte da operação. Os comandos infiltrados na capital passaram então a atacar vários alvos, mais ou menos premeditados. Assim, um grupo de cem “Contras” atacou a casa adjacente ao meu apartamento aos gritos de “Allah Akbar!”(Deus é maior). Um militar de alta patente reside lá. Foram dez horas de combate ininterrupto.No início da noite, o Exército respondeu com medidas. Mais tarde a ordem foi para usar a força sem restrições. Já não era o caso de lutar contra os terroristas que tentavam desestabilizar a Síria, mas enfrentar uma invasão estrangeira que não diz seu nome, e salvar o país em perigo.A aviação síria entrou em ação para destruir as colunas de mercenários que se dirigiam à capital.No final da manhã, a calma retornou gradualmente a cidade. Os “Contras” e seus colaboradores em todos os lugares foram forçados a se retirar. O tráfego foi restaurado nas principais estradas e postos de controle foram instalados no centro da cidade.

A vida recomeçou. No entanto, ainda ouvimos tiros dispersos aqui e ali. A maioria das empresas estão fechadas, e há longas filas em frente às padarias.Todos esperam que o assalto final seja lançado na noite de quinta para sexta, e por toda sexta-feira. Há pouca dúvida de que o exército sírio vai sair vitorioso novamente, a correlação de forças é favorável, o exército é apoiado pela população, inclusive pela oposição política interna.Como era esperado, os satélites Arabsat e Nilesat desligaram o sinal de televisão Ad-Dounia no meio da tarde. A conta de Twitter do Ad-Dounia foi pirateada pela CIA para a divulgação de falsas mensagens que anunciam uma retirada do Exército sírio.Os canais de TV do Golfo anunciaram o colapso da moeda do país como um prelúdio para a queda do Estado.

O governador do Banco Central, Adib Mayaleh, falou em rede nacional de televisão para negar a desinformação e confirmar a taxa de câmbio de 68,30 libras sírias por dólar dos EUA.
Reforços foram mobilizados em torno da praça dos Omíadas para proteger os estúdios da televisão estatal que são considerados um alvo prioritário para todos os inimigos da liberdade. Estúdios de substituição foram instalados no hotel Rose de Damas, onde estão hospedados os observadores das Nações Unidas. A presença destes, que deixaram que se perpetrasse o ataque na capital sem que se interrompe-se a sua ociosidade, é a proteção de facto para os jornalistas sírios que tentam informar os seus compatriotas sobre o perigo que ameaça suas vidas.

No Conselho de Segurança, Rússia e China vetaram pela terceira vez um projeto de resolução dos países do Ocidente e do Golfo para tornar possível uma intervenção militar internacional. Seus representantes têm denunciado incansavelmente a propaganda destinada a transformar o ataque estrangeiro contra a Síria como uma revolta reprimida com derramamento de sangue.A Batalha de Damasco deve retomar hoje à noite.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Damasco, Alepo, Homs e Postos fronteiriços: o exército sírio na ofensiva

Por Equipo del Sitio Web de Al Manar

O exército Sírio realiza, neste momento, árduas batalhas  em várias frentes ao mesmo tempo. Na capital, onde continua  garantindo o território livre dos mercenários , em Alepo,  Homs e Deraa, Idleb, Deir Ezzor, lugares onde ataca ofensivamente as posições dos mercenários.
Os Postos fronteiriços com a Turquia, a Jordânia, o Iraque e o Líbano  são as prioridades do Exército Sírio, e não há nenhuma sinal de que estejam até agora nas mãos da milícia.

Damasco: trabalho de livrar a cidade dos mercenários continua



O exército regular livrou o bairro de Mazzè em Damasco, matando e ferindo um grande número de milicianos do exército Sírio livre (ESL). Segundo o sítio FENKS, vários esconderijos dos milicianos foram descobertos, incluindo túneis subterrâneos e grandes quantidades de armas foram confiscadas.
O mesmo pode ser dito do bairro de Rukneddin, que foi retomado pelas forças do governo, após intensos combates. No distrito de Barze a luta prossegue ainda neste momento, mas estará livre em algumas horas. A TV Síria informou que as forças do governo destruíram vários veículos utilizados pelas gangues armadas.
O exército declarou que já livrou a área de Shagur, onde fez prisioneiros  um número de homens armados. Também houve confrontos na região Yeidet Artuz, onde foi sequestrado uma jornalista de televisão Síria , no sábado.

E como parte da política de terror implementada contra o povo da  Síria, a Brigada  “Uzman Ibn Affan” do ESL publicou no You Tube imagens de  sete homens assassinados por eles, que haviam sido sequestrado anteriormente, e que foram apresentados no vídeo como agentes da polícia de segurança da região de Tel, na província de Damasco. Estes corpos mostram sinais de tortura. (http://documents.sy/videos.php?id=1500 & lang = ar )).


As tropas regulares, que estão recuperando a iniciativa contra os rebeldes, desde sexta-feira,  também, livraram o bairro de Qabun (a leste da capital), de acordo com a Agência de notícias da Síria - Sana. Um grande número de mercenários foram mortos e outros foram presos, segundo a mesma agência.
A TV Síria está negando que Distritos de Damasco foram bombardeados por helicópteros. "Isso é completamente sem fundamento (...) As forças oficiais perseguem os  terroristas em algumas ruas da capital, com a cooperação dos seus habitantes".
No centro de Damasco, onde o tráfego é fluido, agentes de segurança intensificaram  sua presença, a inspeção de veículos e o controle de identidades, de acordo com os moradores.


Os rebeldes tinham anunciado terça-feira o início da "batalha de libertação" de Damasco, mas na sexta-feira, o Exército lançou uma ofensiva que lhe permitiu recuperar o distrito de Mizan e está em processo de livrar definitivamente a cidade dos mercenários.
De acordo com a AFP, os milicianos estão sofrendo muitas perdas em Homs (centro do país), uma cidade simbólica para a contra-revolução, lá sete milicianos  foram mortos nos combates, segundo a Agência de Notícias. O Exército tenta , neste momento,  tomar o controle de alguns bairros que ainda sinaliza a presença  dos milicianos.
Em Hama, as forças do Governo continuam a busca pelos terroristas. Dezenas foram mortos ou gravemente feridos nos ataque contra suas posições no bairro Baath. Armas pesadas e aparelhos de telecomunicações foram confiscados.
Em Idleb, um obus atingiu uma posição de ESL na localidade de Samin, matando quatro milicianos e ferindo mais de  uma dezena, que se encontram em estado grave, de acordo com os relatórios sírio.
Em Deir Ezzor,  o exército atacou as  posições da milícia, e em  Deraa,  três milicianos foram mortos em um ataque localidade  de Dael.



A província de Aleppo


As unidades do exército regular assumiram o controle da cidade de Jan al -Assal, situada na região de Yabal Siman,  na província de Aleppo.
De acordo com a Arabs Press, muitos milicianos que haviam invadido a cidade no sábado, foram mortos, incluindo um oficial desertor do Exército regular. O exército também apreendeu um veículo com uma metralhadora Dochka, uma clínica móvel e uma grande quantidade de armas e munições.
Os enfrentamentos também aconteceram  na região de Kabtan,  ao norte da cidade de Alepo, onde as forças governamentais destruíram três veículos equipados com metralhadoras e causou grandes perdas ao inimigo, incluindo o chefe da milícia, Mahmud Ashkar.
De acordo com o site de Aleppo,  Tahta al Mijhar, alguns distritos de Aleppo estão sob o controle da milícia de ESL, incluindo o de Salaheddin, enquanto vários confrontos estão acontecendo  no bairro de Sajur.
De acordo com a AFP, o Exército lançou um ataque na madrugada deste domingo para recuperar o distrito de Salaheddin. "Intensos combates estão acontecendo agora, desde o amanhecer", disse a AFP.


A batalha nos Postos fronteiriços




As forças do governo também travam uma sangrenta batalha  para manter o controle dos pontos de verificação de fronteira ou recuperá-los.

Na manhã deste domingo, algumas horas depois de have-lo ocupado, os milicianos do ESL perderam o controle da passagem de Yarabiya, no norte do Iraque.

De acordo com o Azil de Nuyaifi, governador da província Iraquiana de Nínive, onde fica o Posto fronteiriço "O ESL se  foi durante a noite.De manhã, as forças sírias haviam recuperado o controle."
No Sul, o ESL sofreu uma nova derrota ao tentar  tomar um Posto de  fronteira com a Jordânia, disse um alto funcionário jordaniano. Enquanto para o oeste, na fronteira com o Líbano  o controle do Exército da Síria é total.

Na tarde deste domingo, uma fonte dos meios de comunicação da Síria assegurou  que as forças regulares haviam assumido o controle de Bab El-Hawa, um dos 12 Postos de fronteira da Turquia.  As agências internacionais haviam  indicado que o Posto estava sob o controle do ESL,  desde a última sexta-feira.


Segundo um fotógrafo da AFP, cerca de 150 combatentes de vários países (Argélia, Arábia Saudita, etc.), que alegaram ser membros de vários grupos armados (como a Al Qaeda no Magreb Islâmico, etc.) foram aqueles que tomaram o Posto de fronteira. Eles estavam equipados com rifles de assalto Kalashnikov, lançadores de foguetes e Minas artesanais.
Neste Posto fronteiriço,  e de acordo com a AFP, dezenas de caminhoneiro turcos reclamaram, no sábado,  que os milicianos haviam saqueado a carga  de seus caminhões.

http://www1.almanar.com.lb/spanish/adetails.php?eid=18339&cid=23&fromval=1&frid=23&seccatid=67&s1=1