segunda-feira, 14 de março de 2011

Plenária Unificada dos Movimentos Sociais RJ : Quarta feira no Sindipetro

A Plenária Unificada dos Movimentos Sociais contra a vinda do Obama será
realizada na próxima quarta-feira (16/03), às 18h, na sede do Sindipetro-RJ
(Av. Passos, 34, próximo à Praça Tiradentes). Participe!

Os movimentos sociais brasileiros consideram o presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, persona non grata no Brasil e rechaçam a sua presença
em nosso país.

O atual mandatário dos Estados Unidos mantém a orientação belicista de

ocupar países e agredir povos em nome da “luta ao terrorismo”. Obama tem
reiterado  que o objetivo fundamental do seu governo no setor externo é
reafirmação da hegemonia estadunidense no mundo, inclusive na área militar.

Dizemos que Obama é persona non grata no Brasil porque, como

latino-americanos, sabemos que a política dos Estados Unidos para a América
Latina não mudou em nada.  Não aceitamos a manutenção do bloqueio a Cuba, as
provocações contra a Venezuela, a Nicarágua, a Bolívia e o Equador.

O governo Obama apoiou o golpe militar em Honduras, que retirou do poder o

presidente legitimo Manuel Zelaya, e mantém o apoio ao atual governo de
fato, que é denunciado por inúmeras violações aos direitos humanos. Como
recompensa pelo apoio às forças golpistas, os EUA instalaram duas novas
bases militares neste país.

Temos acompanhado a ampliação da presença militar dos EUA na região, tanto

as iniciativas dirigidas a instalar novas bases militares na Colômbia,
quanto a movimentação de tropas na Costa Rica e no Panamá.

A disputa pelo petróleo está no centro das guerras promovidas pelo

imperialismo estadunidense. No caso do Brasil, logo após a descoberta de
petróleo nas águas do Atlântico Sul, reativaram a chamada Quarta Frota de
sua marinha de guerra e falam ainda em deslocar para estas pacificas águas,
os navios de guerra da OTAN. As imensas reservas do pré-sal, estimadas em
pelo menos 10 trilhões de dólares, atraem a imensa cobiça dos EUA. Com
certeza, o ouro negro brasileiro é uma das maiores motivações da vinda do
presidente estadunidense ao nosso país.

Obama também liderou a Organização do Tratado do Atlântico Norte que

consagrou um “novo conceito estratégico” a partir do qual se arroga o
direito de intervir militarmente em qualquer região do planeta. Os Estados
Unidos nunca abriram mão de dominar nossos países e continuam considerando
nosso continente como sua área de influência.

Os EUA sob a presidência de Barack Obama falam em Direitos Humanos, mas

mantém os cinco heróis cubanos presos injustamente, e reafirmam o apoio à
política genocida do Estado sionista israelense contra o povo palestino. Sob
Barack Obama, os Estados Unidos mantiveram a presença das tropas de ocupação
no Iraque e no Afeganistão, e desde este país bombardeiam o Paquistão. Só
nessas guerras já foram mortos dezenas de milhares de civis e inocentes. Sob
o seu governo os EUA ameaçam países soberanos como o Irã, a Síria e a Coréia
do Norte, e continuam em pleno funcionamento o centro de detenções e
torturas de Guantánamo, mantida em território cubano de forma ilegal e
contra a vontade deste povo.

Obama chega ao Brasil num momento em que os Estados Unidos e seus aliados,

principalmente os europeus, preparam-se, sob falsos pretextos, para
perpetrar novas intervenções militares. Agora, no norte da África, onde, com
vistas a assegurar o domínio sobre o petróleo, adotam a opção militar como a
estratégia principal. Os Estados Unidos querem arrastar as Nações Unidas
para sua aventura, numa jogada em que pretende na verdade instrumentalizar a
organização mundial e dar ares de multilateralismo à sua ação militarista e
imperial.

No mesmo 20 de março, dia em que Obama estará visitando o Brasil,

acontecerão manifestações em todo o mundo convocadas pela Assembleia Mundial
dos Movimentos Sociais realizada durante o Fórum Social Mundial de Dacar,
Senegal. O dia de mobilização global foi convocado para afirmar a “defesa da
democracia, o apoio e a solidariedade ativa aos povos da Tunísia e do Egito
e do mundo árabe que estão iluminando o caminho para outro mundo, livre da
opressão e exploração”. O 20 de março será um Dia Mundial de Luta contra a
multiplicação das bases militares dos Estados Unidos, de solidariedade com o
povo árabe e africano, e também de apoio à resistência palestina e saharauí.
O mundo não pode tolerar uma nova guerra, agora, na Líbia!

É nesse contexto que convocamos a Plenária Unificada dos Movimentos Sociais

contra a vinda do Obama, espaço onde os movimentos sociais de todo o país
construiremos uma grande manifestação de repúdio à presença de Obama no
Brasil com destaque para a ação que será organizada no Rio de Janeiro no dia
20 de março.

A Plenária Unificada dos Movimentos Sociais contra a vinda do Obama será

realizada na próxima quarta-feira (16/03), às 18h, na sede do Sindipetro-RJ
(Av. Passos, 34, próximo à Praça Tiradentes).

Abaixo o imperialismo estadunidense!


Assinam esta convocatória:


Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso


CMS - Coordenação dos Movimentos Sociais


Plenária dos Movimentos Sociais - RJ


UNE


MST


CUT


CSP-Conlutas


Intersindical


CTB


CEBRAPAZ


Sindipetro-RJ


Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do RJ

sábado, 12 de março de 2011

A "operação Líbia" e a batalha pelo petróleo: Redesenhar o mapa da África


por Michel Chossudovsky
09/Março/2011


As implicações geopolíticas e econômicas de uma intervenção militar EUA-OTAN contra a Líbia são de grande alcance.

A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA.

A "Operação Líbia" faz parte de uma agenda militar mais vasta no Médio Oriente e na Ásia Central, a qual consiste  ganhar controle e propriedade corporativa sobre mais de 60 por cento da reservas mundiais de petróleo e gás natural, incluindo as rotas de oleodutos e gasodutos.

"Países muçulmanos incluindo a Arábia Saudita, Iraque, Irão, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Iémen, Líbia, Egipto, Nigéria, Argélia, Cazaquistão, Azerbaijão, Malásia, Indonésia, Brunei possuem de 66,2 a 75,9 por cento do total das reservas de petróleo, conforme a fonte a metodologia da estimativa". (Ver Michel Chossudovsky, The "Demonization" of Muslims and the Battle for Oil, Global Research, January 4, 2007) .

Com 46,5 mil milhões de barris de reservas provadas (10 vezes as do Egipto), a Líbia é a maior economia petrolífera do continente africano seguida pela Nigéria, Argélia (Oil and Gas Journal). Em contraste, as reservas provadas dos EUA são da ordem dos 20,6 mil milhões de barris (Dezembro 2008) segundo a Energy Information Administration. U.S. Crude Oil, Natural Gas, and Natural Gas Liquids Reserves)

Nota
As estimativas mais recentes situam as reservas de petróleo da Líbia nos 60 mil milhões de barris. As suas reservas de gás em 1.500 mil milhões de m3. A sua produção tem estado entre 1,3 e 1,7 milhão de barris/dia e a produção de gás de 2.600 milhões de pés cúbicos por dia, segundo números da National Oil Corporation (NOC).

A BP Statistical Energy Survey de 2008 (em alternativa) colocava as reservas provadas da Líbia nos 41.464 mil milhões de barris no fim de 2007, os quais representam 3,34% das reservas provadas do mundo. (Mbendi Oil and Gas in Libya - Overview ).

O petróleo é o "troféu" das guerras conduzidas pelos EUA-OTAN
Uma invasão da Líbia sob um pretexto humanitário serviria os mesmos interesses corporativos da invasão de 2003 e subsequente ocupação do Iraque. O objectivo subjacente é tomar posse das reservas de petróleo da Líbia, desestabilizar a National Oil Corporation (NOC) e finalmente privatizar a indústria petrolífera do país, nomeadamente transferir o controle e propriedade da riqueza petrolífera Líbia para mãos estrangeiras.

A National Oil Corporation (NOC) está classificada entre as 25 maiores 100 companhias de petróleo do mundo. ( The Energy Intelligence ranks NOC 25 among the world's Top 100 companies. - Libyaonline.com )

A planeada invasão da Líbia, a qual já está em curso, é parte da "Batalha pelo petróleo" mais vasta. Aproximadamente 80 por cento das reservas de petróleo da Líbia estão localizadas na bacia do Golfo de Sirte da Líbia Oriental. (Ver mapa abaixo)

A Líbia é uma economia valiosa. "A guerra é bom para os negócios". O petróleo é o troféu das guerras efectuadas pelos EUA-OTAN.

A Wall Street, os gigantes anglo-americanos do petróleo, os produtores de armas dos EUA e UE seria os beneficiários tácitos de uma campanha militar dos EUA-NATO contra a Líbia.

O petróleo líbio é uma mina de ouro para os gigantes petrolíferos anglo-americanos. Embora o valor de mercado do petróleo bruto esteja actualmente pouco acima dos 100 dólares por barril, o custo do petróleo líbio é extremamente baixo, tão baixo como US$1,00 por barril (segundo uma estimativa). Como comentou um perito do mercado algo criticamente:

"A US$110 no mercado mundial, a simples matemática à Líbia uma margem de lucro de US$109". ( Libya Oil , Libya Oil One Country's $109 Profit on $110 Oil, EnergyandCapital.com March 12, 2008)

Interesses petrolíferos estrangeiros na Líbia


Dentre as companhias petrolíferas estrangeiras que operavam antes da insurreição na Líbia incluem-se a Total da França, a ENI da Itália, a China National Petroleum Corp (CNPC), British Petroleum, o consórcio espanhol REPSOL, ExxonMobil, Chevron, Occidental Petroleum, Hess, Conoco Phillips.

Muito significativamente, a China desempenha um papel central na indústria petrolífera líbia. A China National Petroleum Corp (CNPC) tinha, até o seu repatriamento, uma força de trabalho de 30 mil chineses na Líbia. A British Petroleum (BP), em contraste, tinha uma força de trabalho de 40 a qual foi repatriada.

Onze por cento (11%) das exportações de petróleo líbias são canalizadas para a China. Se bem que não haja números sobre a dimensão e importância da produção e actividades de exploração da CNPC, há indicações que são apreciáveis.

Mais geralmente, a presença da China na África do Norte é considerada por Washington como uma intrusão. De um ponto de vista geopolítico, a China é uma intrusa. A campanha militar dirigida contra a Líbia pretende excluir a China da África do Norte.

O papel da Itália também tem importância. A ENI, o consórcio italiano, extrai 244 mil barris de gás e petróleo [por dia], os quais representam quase 25 por cento do total das exportações da Líbia. ( Sky News: Foreign oil firms halt Libyan operations , February 23, 2011).

Dentre as companhias estado-unidenses na Líbia, a Chevron e a Occidental Petroleum (Oxy) decidiram há cerca de seis meses (Outubro 2010) não renovar as suas licenças de exploração de petróleo e gás na Líbia. ( Why are Chevron and Oxy leaving Libya?: Voice of Russia , October 6, 2010). Em contrapartida, em Novembro de 2010 a companhia alemã R.W. DIA E assinou um acordo de grande alcance com a National Oil Corporation (NOC) da Líbia que envolve a exploração e partilha de produção. AfricaNews - Libya: German oil firm signs prospecting deal - The AfricaNews,

As apostas financeiras bem como "os despojos de guerra" são extremamente elevados. A operação militar pretende desmantelar instituições financeiras da Líbia bem como confiscar milhares de milhões de dólares de activos financeiros líbios depositados em bancos ocidentais.

Deveria ser enfatizado que as capacidades militares da Líbia, incluindo o seu sistema de defesa aérea, são fracas.


Redesenhar o mapa da África



A Líbia tem as maiores reservas de petróleo da África. O objectivo da interferência dos EUA-OTAN é estratégico: consiste no roubo sem rodeios, em roubar a riqueza petrolífera do país sob o disfarce de uma intervenção humanitária.

Esta operação militar pretende estabelecer a hegemonia dos EUA na África do Norte, uma região historicamente dominada pela França e em menor extensão pela Itália e Espanha.

Em relação à Tunísia, Marrocos e Argélia, o desígnio de Washington é enfraquecer os laços políticos destes países com a França e pressionar pela instalação de novos regimes políticos que tenham um estreito relacionamento com os EUA. Este enfraquecimento da França, como aspecto do desígnio imperial dos EUA, faz parte de um processo histórico que remonta às guerras na Indochina.

A intervenção dos EUA-OTAN que conduza à futura formação de um regime fantoche dos EUA pretende também excluir a China da região e por para fora a National Petroleum Corp (CNPC) da China. Os gigantes anglo-americanos, incluindo a British Petroleum que em 2007 assinou um contrato de exploração com o governo Kadafi, estão entre os potenciais "beneficiários" da proposta operação militar EUA-OTAN.

Mais na generalidade, o que está em causa é o redesenho do mapa da África, um processo de redivisão neo-colonial, o descarte das demarcações da Conferência de Berlim de 1884, a conquista da África pelos Estados Unidos em aliança com a Grã-Bretanha, numa operação conduzida pelos EUA-OTAN.

Líbia: Portão saariano estratégico para a África Central

A Líbia tem fronteiras com vários países que estão na esfera de influência da França, incluindo a Argélia, Tunísia, Níger e Chad.

O Chad é potencialmente uma economia rica em petróleo. A ExxonMobil e a Chevron têm interesses no Chad do Sul incluindo um projecto de oleoduto. O Chad do Sul é um portão de entrada para a região do Darfur, do Sudão, a qual também é estratégico em vista da sua riqueza petrolífera.

A China tem interesses petrolíferos tanto no Chad como no Sudão. A China National Petroleum Corp (CNPC) assinou em 2007 um acordo de grande alcance com o governo do Chad.

O Níger é estratégico para os Estados Unidos devido às suas vastas reservas de urânio. No presente, a França domina a indústria de urânio no Níger através do conglomerado nuclear francês Areva, anteriormente conhecido como Cogema. A China também tem interesse na indústria de urânio do Níger.

Mais geralmente, a fronteira Sul da Líbia é estratégica para os Estados Unidos na sua busca pela extensão da sua esfera de influência na África francófona, um vasto território que se estende desde a África do Norte até à África Central e Ocidental. Historicamente esta região fazia parte dos impérios coloniais da França e da Bélgica, cujas fronteiras foram estabelecidas na Conferência de Berlim de 1884.

Os EUA desempenharam um papel passivo na Conferência de Berlim de 1884. Esta nova redivisão no século XXI do continente africano, baseada no controle sobre o petróleo, gás natural e minerais estratégicos (cobalto, urânio, crômio, manganês e platina) apoia amplamente os interesses corporativos anglo-americanos.

A interferência dos EUA na África do Norte redefine a geopolítica de toda uma região. Mina a China e ensombra a influência da União Europeia.

Esta nova redivisão da África não enfraquece apenas o papel das antigas potências coloniais (incluindo a França e a Itália) na África do Norte. Ela também faz parte de um processo mais vasto de deslocamento e enfraquecimento da França (e da Bélgica) sobre uma grande parte do continente africano.

Regimes fantoches dos EUA foram instalados em vários países africanos que historicamente estavam na esfera de influência da França (e Bélgica), incluindo a República do Congo e o Ruanda. Vários países na África Ocidental dentro da esfera da França (incluindo a Costa do Marfim) estão destinados a tornarem-se estados próximos dos EUA.

A União Europeia está fortemente dependente do fluxo de petróleo líbio. Oitenta e cinco por cento do seu petróleo é vendido para países europeus. No caso de uma guerra com a Líbia, a oferta de petróleo à Europa Ocidental poderia ser interrompida, afetando grandemente a Itália, França e Alemanha, as quais estão fortemente dependentes do petróleo líbio. As implicações destas interrupções são de extremo alcance. Elas também têm relação directa sobre o relacionamento entre os EUA e a União Europeia.



Observações conclusivas

As mídias de referência, através da desinformação maciça, são cúmplices na justificação de uma agenda militar a qual, se executada, teria consequências devastadoras não apenas para o povo líbio: os impactos sociais e económicos seriam sentidos à escala mundial.

Há actualmente três diferentes teatros de guerra na região do Médio Oriente e Ásia Central: Palestina, Afeganistão, Iraque. No caso de um ataque à Líbia, um quarto teatro de guerra seria aberto na África do Norte, com o risco de escalada militar.

A opinião pública deve tomar conhecimento da agenda oculta por trás deste empreendimento alegadamente humanitário, apregoado por chefes de estado e chefes de governo de países da OTAN como uma "Guerra Justa". A teoria da Guerra Justa, tanto nas suas versões clássica como contemporânea, defende a guerra como uma "operação humanitária". Ela apela à intervenção militar sobre bases éticas e morais contra "estados vilões" e "terroristas islâmicos".
Os chefes de estado e de governo dos países da OTAN são arquitetos da guerra e destruição no Iraque e no Afeganistão. Numa lógica absolutamente enviesada, eles são apregoados como as vozes da razão, como os representantes da "comunidade internacional".

As realidades são invertidas. Uma intervenção humanitária é lançada por criminosos de guerra em altos cargos, os quais são os guardiões da teoria da Guerra Justa.

Abu Ghraib, Guantanamo, ... Baixas civis no Paquistão resultantes de ataques dos EUA com aviões sem piloto a cidades e aldeias, ordenados pelo presidente Obama, não estão nas primeiras páginas dos noticiários, nem tão pouco os 2 milhões de mortes civis no Iraque. Não existe isso de "Guerra Justa".

A história do imperialismo dos EUA deveria ser entendida. O Relatório 200 do Project of the New American Century (PNAC) intitulado "Rebuilding Americas' Defenses" apela à implementação de uma longa guerra, uma guerra de conquista. Um dos principais componentes desta agenda militar é: "Combater e vencer decisivamente em múltiplos teatros de guerra simultâneos".

A operação Líbia faz parte desse processo. É um outro teatro na lógica do Pentágono de "teatros de guerra simultâneos".

O documento PNAC reflecte fielmente a evolução da doutrina militar dos EUA desde 2001. Os planos dos EUA para se envolver simultaneamente em vários teatros de guerra em diferentes regiões do mundo.

Embora a protecção da América, nomeadamente a "Segurança Nacional" dos EUA, seja mantido como objectivo, o relatório do PNAC explica claramente porque estes teatros de guerra múltiplos são requeridos. A justificação humanitária não é mencionada.

Qual é o objectivo do roteiro militar da América?

A Líbia é alvejada porque é um dentre os vários países que permanecem fora da esfera de influência da América, por não se acomodar às exigências dos EUA. A Líbia é um país que foi seleccionado como parte de um "roteiro" militar que consiste de "múltiplos teatros de guerra simultâneos". Nas palavras do antigo comandante-chefe da NATO, general Wesley Clark:

"No Pentágono em Novembro de 2001, um dos oficiais superiores do staff teve tempo para uma conversa. Sim, ainda estamos a caminho de ir contra o Iraque, disse ele. Mas havia mais. Isso estava a ser discutido como parte de um plano de campanha de cinco anos, disse ele, e havia um total de sete países, começando com o Iraque e a seguir a Síria, Líbano, Líbia, Irão, Somália e Sudão... (Wesley Clark, Winning Modern Wars, p. 130).

Parte I: Insurreição e intervenção militar: Os EUA-NATO tentaram golpe de Estado na Líbia?
Parte III: "War is Good for Business": The Libya Insurrection has Triggered a Surge in Oil Prices. Speculators Applaud... (a publicar)
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23605
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



sexta-feira, 11 de março de 2011

Projeto Conquista da América: All Out-Blitzkrieg sobre a Líbia por grtv


Michel Chossudovsky, diretor do Centro de Investigação sobre a Globalização, no Canadá, as chamadas operações ocidentais na Líbia um "projeto de conquista, e não uma empresa humanitária." Com o petróleo em jogo, os EUA tem tudo a perder na região.
"Estamos em uma encruzilhada muito perigoso", diz Chossudovsky."Com EUA e assessores militares da OTAN e as forças especiais, teoricamente, ajudando os rebeldes, o que isso implica em termos do direito internacional? Esta é uma ingerência nos assuntos de um país soberano".
"Este não é um movimento de protesto, como no Egito e na Tunísia", Chossudovsky ressalta. "Esta é uma insurreição armada. E a opinião pública foi levada a acreditar que as condições de alguma forma no Egito e na Tunísia, por assim dizer, se espalhou para a Líbia e que esta é uma insurreição espontânea. Na verdade não é, tem sido bem planejada com antecedência. Muito provavelmente as forças especiais já estavam no terreno antes da insurreição. "


http://tv.globalresearch.ca

quinta-feira, 10 de março de 2011

Insurreição e intervenção militar na Líbia


por Michel Chossudovsky


Os EUA e a OTAN estão a apoiar uma insurreição armada na Líbia Oriental, tendo em vista justificar uma "intervenção humanitária".


Isto não é um movimento de protesto não violento como no Egipto e na Tunísia. As condições na Líbia são fundamentalmente diferentes. A insurreição armada na Líbia Oriental é apoiada directamente por potências estrangeiras. A insurreição em Benghazi imediatamente arvorou a bandeira vermelha, negra e verde com o crescente e a estrela: a bandeira da monarquia do rei Idris, a qual simbolizava o domínio das antigas potências coloniais. (Ver Manlio Dinucci, Libya-When historical memory is erased , Global Research, Febraury 28, 2011)

Conselheiros militares e forças especiais dos EUA e OTAN já estão no terreno. A operação foi planeada para coincidir com o movimento de protesto em países árabes vizinhos. A opinião pública foi levada a acreditar que o movimento de protesto havia-se espalhado espontaneamente da Tunísia e do Egipto para a Líbia.

A administração Obama em consulta com os seus aliados está a ajudar uma rebelião armada, nomeadamente uma tentativa de golpe de Estado.

"A administração Obama está pronta a oferecer "qualquer tipo de assistência" a líbios que procurem derrubar Moammar Kadafi, secretária de Estado Hillary Clinton [27 Fevereiro]. "Temos estado a estender a mão a muito diferentes líbios que estão a tentar organizar-se no Leste e para que a revolução mova-se também em direcção Oeste", disse Clinton. "Penso que é demasiado cedo para dizer como isto vai terminar, mas temos de estar prontos e preparados para oferecer qualquer espécie de assistência que alguém pretenda ter dos Estados Unidos". Há esforços encaminhados para formar um governo provisório na parte Leste do país onde a rebelião começou em meados do mês.

Os EUA, disse Clinton, estão a ameaçar mais medidas contra o governo de Kadafi, mas não disse o que eram ou quando poderiam ser anunciadas.

Os EUA deveriam "reconhecer algum governo provisório que eles estejam a tentar por de pé..." [McCain}

Lieberman falou em termos semelhantes, urgindo "apoio tangível, uma zona de interdição de voo, reconhecimento do governo revolucionário, o governo de cidadãos e apoiá-los com assistência humanitária e eu lhes forneceria armas".

( Clinton: US ready to aid to Libyan opposition - Associated, Press , February 27, 2011, sublinhados do autor)

A INVASÃO PLANEJADA

Uma intervenção militar é agora contemplada pelas forças dos EUA e OTAN sob um "mandato humanitário".

"Os Estados Unidos estão a mover forças navais e aéreas na região" para "preparar o conjunto completo de opções" na confrontação com a Líbia: o porta-voz do Pentágono, Cor. Dave Lapan, dos Fuzileiros Navais, fez este anúncio [1 Março]. Ele disse que "foi o presidente Obama que pediu aos militares para prepararem-se para estas opções", porque a situação na Líbia está a ficar pior". (Manlio Dinucci, Preparing for
"Operation Libya": The Pentagon is "Repositioning" its Naval and Air Forces... , Global Research, March 3, 2011, sublinhado do autor)

O objectivo real da "Operação Líbia" não é estabelecer democracia mas sim tomar posse das reservas de petróleo líbias, desestabilizar a National Oil Corporation (NOC) e finalmente privatizar a indústria petrolífera do país, nomeadamente transferir o controle e a propriedade da riqueza petrolífera da Líbia para mãos estrangeiras. A National Oil Corporation (NOC) está classificada entre as 100 principais companhias de petróleo ( A Energy Intelligence classifica a NOC no 25º lugar entre as 100 principais companhias do mundo. –Libyaonline.com )

A Líbia está entre as maiores economias petrolíferas do mundo com aproximadamente 3,5% das reservas de petróleo globais, mais do que o dobro daquelas dos EUA. (para mais pormenores ver a Parte II deste artigo, "Operação Líbia" e a batalha pelo petróleo)

A planeada invasão da Líbia, que já está em curso, faz parte do conjunto mais vasto da "Batalha pelo petróleo". Cerca de 80 por cento das reservas petrolíferas da Líbia estão localizadas na bacia do Golfo de Sirte da Líbia Oriental. (Ver mapa abaixo)

As concepções estratégicas por trás da "Operação Líbia" recordam empreendimentos militares anteriores dos EUA-NATO na Jugoslávia e no Iraque.

Na Jugoslávia, forças dos EUA-NATO desencadearam uma guerra civil. O objectivo era criar divisões políticas e étnicas, as quais finalmente levaram à fragmentação de todo um país. Este objectivo foi alcançado através do financiamento encoberto e do treino de forças paramilitares armadas, primeiro na Bósnia (Bosnian Muslim Army, 1991-95) e a seguir no Kosovo (Kosovo Liberation Army (KLA), 1998-1999). Tanto no Kosovo como na Bósnia, a desinformação dos media (incluindo mentiras rematadas e falsificações) foram utilizadas para apoiar afirmações dos EUA-UE de que o governo de Belgrado havia cometido atrocidades, justificando dessa forma uma intervenção militar com razões humanitárias.

Ironicamente, a "Operação Jugoslávia" agora está nos lábios dos feitores da política externa estado-unidense: o senador Lieberman "comparou a situação na Líbia aos acontecimentos nos Balcãs na década de 1990 quando, disse ele, os EUA "intervieram para travar um genocídio contra os bósnios. E a primeira coisa que fizemos foi proporcionar-lhes as armas para defenderem-se. Isso é o que penso que podemos fazer na Líbia". ( Clinton: US ready to aid to Libyan opposition - Associated , Press, February 27, 2011, emphasis added

O cenário estratégico seria pressionar rumo à formação e reconhecimento de um governo interino da província secessionista, tendo em vista finalmente fragmentar o país.

Esta opção já está a caminho. A invasão da Líbia já começou.

"Centenas de conselheiros militares estado-unidenses, britânicos e franceses chegaram à Cirenáica, a província separatista do Leste,... Os conselheiros, incluindo oficiais de inteligência, foram lançados de navios de guerra e navios de mísseis nas cidades costeiras de Benghazi e Tobruk" ( DEBKAfile, US military advisers in Cyrenaica , February 25, 2011)

Forças especiais dos EUA e aliados estão no terreno na Líbia Oriental, proporcionando apoio encoberto aos rebeldes. Isto foi reconhecido quando comandos britânicos das Forças Especiais SAS foram presos na região de Benghazi. Estavam a actuar como conselheiros militares para forças de oposição:

"Oito comandos de forças especiais britânicas, numa missão secreta para colocar diplomatas britânicas em contacto com oponentes destacados do Cro. Muammar Kadafi na Líbia, acabaram humilhados depois de terem apoiado forças rebeldes na Líbia Oriental", informa o Sunday Times de hoje. Os homens, armados mas à paisana, afirmaram que foram verificar as necessidades da oposição e oferecer ajuda ". ( Top UK commandos captured by rebel forces in Libya: Report, Indian Express , March 6, 2011, sublinhado do autor)

As forças SAS foram presas quando escoltavam uma "missão diplomática" britânica a qual entrou ilegalmente no país (sem dúvida de um navio de guerra britânico) para discussões com líderes da rebelião. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico reconheceu que "uma pequena equipe diplomática britânica foi enviada à Líbia Oriental para iniciar contactos com a oposição rebelde". U.K. diplomatic team leaves Libya - World - CBC News , March 6, 2011).

Ironicamente, as reportagens não só confirmam a intervenção militar ocidental (incluindo várias centenas de forças especiais), como também reconhecem que a rebelião se opunha firmemente à presença ilegal de tropas estrangeiras sobre o solo líbio:

"A intervenção da SAS enraiveceu figuras líbias da oposição as quais ordenram que os soldados fossem trancados numa base militar. Oponentes de Kadafi temem que ele possa utilizar qualquer evidência de interferência militar ocidental para congregr apoio patriótico para o seu regime". ( Reuters , March 6, 2011)

O "diplomata" britânico capturado com soldados das forças especiais era membro da inteligência britânica, um agente do MI6 numa "missão secreta". ( The Sun , March 7, 2011)

Declarações dos EUA e OTAN confiram que estão a ser fornecidas armas às forças de oposição. Há indicações, embora não prova clara até agora, de que foram entregues armas aos insurgentes antes do desencadeamento da rebelião. Com toda probabilidade, conselheiros militares e de inteligência dos EUA e NATO também estavam no terreno antes da insurreição. Este foi o padrão aplicado no Kosovo: forças especiais apoiando e treinando o Kosovo Liberation Army (KLA) nos meses que antecederam a campanha de bombardeamento de 1999 e a invasão da Jugoslávia.

Tal como os acontecimentos se desdobram, contudo, forças do governo líbio recuperaram controle sobre posições rebeldes:

"A grande ofensiva das forças pró-Kadafi lançadas [4 Março] para arrebatar das mãos dos rebeldes o controle das cidades e centros petrolíferos mais importantes da Líbia resultou [5 Março] na recaptura da cidade chave de Zawiya e da maior parte das cidades petrolíferas em torno do Golfo de Sirte. Em Washington e Londres, a conversa da intervenção militar ao lado da oposição líbia foi emudecida pela percepção de que a inteligência de campo de ambos os lados do conflito líbio era demasiado incompleta para servir de base à tomada de decisões ". (Debkafile, Qaddafi pushes rebels back. Obama names Libya intel panel , March 5, 2011, sublinhado do autor)

O movimento da oposição está fortemente dividido quanto à questão da intervenção estrangeira.

A divisão é entre o movimento das bases por um lado e os "líderes" apoiados pelos EUA da insurreição armada que são a favor da intervenção militar estrangeira por "razões humanitárias".

A maioria da população líbia, tanto os apoiantes como os oponentes do regime, é fortemente oposta a qualquer forma de intervenção externa.

DESINFORMAÇÃO DA MÍDIA
Os vastos objectivos estratégicos subjacentes à invasão proposta não são mencionados pelos media. A seguir a uma campanha enganosa dos media, em que notícias eram literalmente falsificadas sem relação com o que realmente estava a acontecer no terreno, um amplo sector da opinião pública internacional concedeu o seu firme apoio à intervenção estrangeira, por razões humanitárias.

A invasão está na prancheta do Pentágono. Está destinada a ser executada independentemente dos desejos do povo da Líbia incluindo o dos oponentes do regime, os quais têm exprimido a sua aversão à intervenção militar estrangeira em desrespeito da soberania da nação.


POSICIONAMENTO DA FORÇA NAVAL E AÉREA

Caso esta intervenção militar fosse executada resultaria numa guerra geral, uma blitzkrieg, implicando o bombardeamento tanto de alvos militares como civis.

A este respeito, o general James Mattis, comandante do U.S. Central Command (USCENTCOM), declarou que o estabelicimento de uma "zona de interdição de voo" envolveria de facto uma campanha de bombardeamento geral, que alvejasse entre outras coisas o sistema de defesa aérea da Líbia.

"Seria uma operação militar – não seria suficiente dizer às pessoas para não voarem com aviões. Teria de ser removida a capacidade de defesa aérea a fim de estabelecer uma zona de interdição de voo, que não haja ilusões quanto a isto ". ( U.S. general warns no-fly zone could lead to all-out war in Libya , Mail Online, March 5, 2011, sublinhado do autor).


Uma força naval dos EUA e de aliados foi posicionada ao longo da costa líbia.

O Pentágono está a mover os seus vasos de guerra para o Mediterrâneo. O porta-aviões USS Enterprise transitou através do Canal de Suez poucos dias após a insurreição. ( http://www.enterprise.navy.mil )

Os navios anfíbios dos EUA, USS Ponce e USS Kearsarge, também foram posicionados no Mediterrâneo.

Foram despachados 400 fuzileiros navais dos EUA para a ilha grega de Creta "antes do seu posicionamento em navios de guerra ao largo da Líbia" ( Operation Libya": US Marines on Crete for Libyan deployment , Times of Malta, March 3, 2011).

Enquanto isso, a Alemanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Itália estão no processo de posicionar vasos de guerra ao longo da costa líbia.

A Alemanha posicionou três navios de guerra utilizando o pretexto da assistência na evacuação de refugiados sobre a fronteira Líbia-Tunísia. "A França decidiu enviar o Mistral, o seu porta-helicópteros, os quais, segundo o Ministério da Defesa, contribuirão para a evacuação de milhares de egípcios". ( Towards the Coasts of Libya: US, French and British Warships Enter the Mediterranean , Agenzia Giornalistica Italia, March 3, 2011). O Canadá despachou (2 Março) a fragata HMCS Charlettetown.

Entretanto, a US 17th Air Force, chamada US Air Force Africa, baseada na Ramstein Air Force Base, na Alemanha, está a assistir na evacuação de refugiados. As instalações da força aérea EUA-OTAN na Grã-Bretanha, Itália, França e Médio Oriente estão em prontidão.

Parte II: A "Operação Líbia" e a batalha pelo petróleo
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23548
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .





terça-feira, 8 de março de 2011

Em homenagem às mulheres lutadoras

O plano secreto de Obama para armar rebeldes da Líbia



por Robert Fisk

Obama pede aos sauditas uma ponte aérea com armas para Benghazi.

Desesperado para evitar o envolvimento militar dos EUA na Líbia no caso de uma luta prolongada entre o regime Kadafi e os seus opositores, os americanos pediram à Arábia Saudita que fornecesse armas aos rebeldes em Benghazi. O reino saudita, que já enfrenta um "dia da ira" proveniente do 10 por cento da comunidade muçulmana xiita, com uma proibição de todas as manifestações, até agora ainda não respondeu ao pedido altamente secreto de Washington, embora o rei Abdullah odeie pessoalmente o líder líbio, a quem tentou assassinar há pouco mais de um ano.

O pedido de Washington alinha-se com outras cooperações militares dos EUA com os sauditas. A família real em Jeddah, a qual estava profundamente envolvida no escândalo Contra durante a administração Reagan, deu apoio imediato aos esforços americanos para armar guerrilhas que combatiam o exército soviético no Afeganistão em 1980 e posteriormente – para desgosto da América – também financiou e armou o Taliban.

Mas os sauditas constituem o único aliado árabe dos EUA estrategicamente colocado e capaz de fornecer armas às guerrilhas da Líbia. A sua assistênci permitiria a Washington desmentir qualquer envolvimento militar na cadeia de fornecimento – muito embora as armas fossem americanas e pagas pelos sauditas.

Disseram aos sauditas que os oponentes de Kadafi precisam de rockets anti-tanque e morteiros como primeira prioridade para repelir ataques de blindados de Kadafi e de mísseis terra-ar para derrubar os seus caças-bombardeiros.

Os materiais poderiam chegar a Benghazi dentro de 48 horas mas precisariam ser entregues em bases aéreas na Líbia ou no aeroporto de Benghazi. Se as guerrilhas puderem então avançar para a ofensiva e assaltar as fortalezas de Kadafi na Líbia ocidental, a pressão política sobre a América e a NATO – não menor que a dos membros republicanos do Congresso – para estabelecer uma zona de interdição de voo seria reduzida.

Estrategistas militares estado-unidenses já deixaram claro que uma zona desta espécie precisaria de ataques aéreos dos EUA contra o funcionamento das bases de mísseis anti-aéreos da Líbia, ainda que gravemente esgotados, portanto trazendo Washington directamente para a guerra ao lado dos opositores de Kadafi.

Durante vários dias, aviões de vigilância AWACS dos EUA têm estado a voar em torno da Líbia, fazendo contacto constante com o controle de tráfego aéreo de Malta e pedindo pormenores de padrões de voo líbios, incluindo jornadas feitas nas últimas 48 horas pelo jacto privado de Kadafi, o qual voou para a Jordânia e voltou à Líbia pouco antes do fim de semana.

Oficialmente, a NATO descreverá a presença de aviões AWACS americanos apenas como parte da sua Operation Active Endeavor pós 11/Set, a qual tem vasta autonomia para empreender medidas de contra-terrorismo na região do Médio Oriente.

Os dados dos AWACS são transferidos a todos os países da NATO sob o mandato existente da missão. Contudo, agora que Kadafi foi restabelecido como um super-terrorista no léxico ocidental, a missão da NATO pode facilmente ser utilizada para investigar alvos na Líbia se forem empreendidas operações militares activas.

O canal de televisão em inglês da Al Jazeera difundiu na noite passada gravações feitas pelo avião americano para o controle de tráfego aéreo de Malta, em que pedia informação acerca de voos líbios, especialmente o do jacto de Kadafi.

Um avião AWACS americano, matrícula número LX-N90442, podia ser ouvido a contactar a torre de controle de Malta no sábado a pedir informação acerca de um Dassault-Falcon 900 jet 5A-DCN da Líbia no seu caminho de Amman para Mitiga, o próprio aeroporto VIP de Kadafi.

Ouve-se o AWACS 07 da NATO dizer: "Tem informação acerca de um avião com a posição Squawk 2017 cerca de 85 milhas a Leste da nossa [sic]?"

O controle de tráfego aéreo de Malta responde: "Sete, isso parece ser o Falcon 900 – em nível de voo 340, com destino a Mitiga, segundo o plano de voo".

Mas a Arábia Saudita já está a enfrentar perigos de um dia de protesto coordenado pelos seus próprios cidadãos muçulmanos xiitas os quais, fortalecidos pelo levantamento xiita na ilha vizinha de Bahrain, na sexta-feira apelaram a manifestações de rua contra a família dirigente dos al-Saud.

Depois de despejar tropas e polícia de segurança no província de Qatif, na semana passada, os sauditas anunciaram uma proibição à escala nacional de todas as manifestações públicas.

Os organizadores xiitas afirmam que mais de 20 mil protestatários planeiam manifestar-se com mulheres nas linhas de frente para impedir o exército saudita de abrir fogo.

Contudo, se o governo saudita aceder ao pedido da América para enviar armas e mísseis aos rebeldes líbios, seria quase impossível para o presidente Barack Obama condenar o reino por qualquer violência contra os xiitas das províncias do Nordeste.

Portanto, no espaço de tempo de apenas umas poucas horas o despertar árabe, a exigência de democracia na África do Norte, a revolta xiita e o levantamento contra Kadafi tornaram-se embrulhados com as prioridades militares dos EUA na região.

07/Março/2011
O original encontra-se em The Independent e em http://www.countercurrents.org/fisk070311.htm
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



sábado, 5 de março de 2011

A Líbia no grande jogo da nova partição da África


por Manlio Dinucci [*]
Fogem da Líbia não apenas famílias que temem pelas suas vidas e imigrantes pobres de outros países norte-africanos. Há dezenas de milhares de "refugiados" que estão a ser repatriados pelos seus governos por meio de navios e aviões: são principalmente engenheiros e executivos de grandes companhias de petróleo. Não só a ENI, a qual realiza cerca de 15 por cento das suas vendas a partir da Líbia, mas também outras multinacionais europeias – em particular, a BP, Royal Dutch Shell, Total, BASF, Statoil, Repsol. Centenas de empregados da Gazprom foram também forçados a deixar a Líbia e mais de 30 mil trabalhadores chineses da sua companhia de petróleo e de construção. Uma imagem simbólica de como a economia líbia está interconectada com a economia global, dominada pelas multinacionais.

Graças às suas ricas reservas de petróleo e gás natural, a Líbia tem uma balança comercial positiva de US$27 mil milhões por ano e um rendimento per capita médio-alto de US$12 mil, seis vezes maior que o do Egipto. Apesar de fortes diferenças entre rendimentos altos e baixos, o padrão de vida médio da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes em comparação com os cerca de 85 milhões no Egipto) é portanto mais elevado do que o do Egipto e de outros países da África do Norte. Testemunho disso é o facto de que cerca de um milhão e meio de imigrantes, principalmente norte-africanos, trabalha na Líbia. Uns 85 por cento das exportações líbias de energia vêm para a Europa: a Itália em primeiro lugar com 37 por cento, seguida pela Alemanha, França e China. A Itália também está em primeiro lugar em exportações para a Líbia, seguida pela China, Turquia e Alemanha.

Esta estrutura agora explodiu devido ao que pode ser caracterizado não como uma revolta das massas empobrecidas, tal como as rebeliões no Egipto e na Tunísia, mas como umas guerra civil real, em consequência de uma divisão no grupo dominante. Quem quer que seja que tenha feito o primeiro movimento explorou o descontentamento contra o clã Kadafi, que prevalece especialmente entre as populações da Cirenaica e entre jovens nas cidades, num momento em que toda a África do Norte tomou o caminho da rebelião. Ao contrário do Egipto e da Tunísia, contudo, o levantamento líbio foi planeado previamente e organizado.

As reacções na arena internacional também são simbólicas. Pequim disse estar extremamente preocupada acerca dos desenvolvimentos na Líbia e apelou a "um rápido retorno à estabilidade e normalidade". A razão é clara: o comércio sino-líbio experimentou crescimento forte (cerca de 30 por cento só em 2010), mas agora a China verifica que toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, da qual importa quantidades crescentes de petróleo, foram postas em causa. Moscovo está numa posição semelhante.

O sinal de Washington é diametralmente oposto: o presidente Barack Obama, que quando confrontado com a crise egípcia minimizou a repressão desencadeada por Mubarak e apelou a uma "transição ordenada e pacífica", condenou o governo líbio em termos inequívocos e anunciou que os EUA está a preparar "o conjunto completo de opções que temos disponíveis para responder a esta crise", incluindo "acções que possamos empreender por nós próprios e aquelas que possamos coordenar com os nossos aliados através de instituições multilaterais". A mensagem é claro: há a possibilidade de um intervenção dos EUA/OTAN na Líbia, formalmente para interromper o banho de sangue. As razões também são claras: se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, até agora quase totalmente excluídas da exploração das reservas de energia na Líbia. Os Estados Unidos poderiam então controlar a torneira de fontes de energia sobre as quais a Europa depende amplamente e que também abastecem a China.

Trata-se de acontecimentos no grande jogo da divisão dos recursos africanos, pelos quais uma confrontação crescente, especialmente entre a China e os Estados Unidos, está a verificar-se. A potência asiática em ascensão – com a presença na África de cerca de 5 milhões de administradores, técnicos e trabalhadores – constrói indústrias e infraestrutura, em troca de petróleo e outras matérias-primas. Os Estados Unidos, que não podem competir a este nível, podem utilizar a sua influência sobre as forças armadas dos principais países africanos, as quais são treinadas através do Africa Command (AFRICOM), o seu principal instrumento para a penetração do continente. A OTANagora também está a entrar no jogo, pois está prestes a concluir um tratado de parceria militar com a União Africana, a qual inclui 53 países.

A sede da parceria da União Africana com a OTAN já está em construção em Adis Abeba: uma estrutura moderna, financiada com 27 milhões de euros da Alemanha, baptizada "Edifício paz e segurança".



Do mesmo autor: Libya - When historical memory is erased
[*] Jornalista
O original encontra-se em Il Manifesto, 25/Fevereiro/2011, e a versão em inglês em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23413
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
 

sexta-feira, 4 de março de 2011

VENEZUELA CONDENA A INTERVENÇÃO IMPERIALISTA NA LÍBIA E PROPÕE UMA COMISSÃO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO

A República Bolivariana da Venezuela renovou o seu apelo ao diálogo para conseguir a paz na Líbia, desta vez no marco da Assembléia Geral das Nações Unidas, onde ratificou sua firme oposição a qualquer intervenção militar no país norte Africano.
Questionou que aqueles que defendem o uso da força militar contra a Líbia não procuram defender os direitos humanos, mas estabelecer um protetorado para violá-los, em uma das mais importantes fontes de petróleo e energia do Oriente Médio
O representante permanente da Venezuela junto à Organização das Nações Unidas, o embaixador Jorge Valero, em seu discurso no debate da Assembléia Geral sobre a resolução A/65 / L.60 /, na terça-feira, argumentou que qualquer resolução das Nações Unidas devem ser orientados para promoção da paz e do entendimento e não para promover a guerra. Conseqüentemente, disse ele, seu foco deve ser direcionado para preservação da unidade soberana e integridade territorial do Estado da Líbia.
Neste contexto, propus a Organização das Nações Unidas a constituição de uma Comissão Internacional de Boa Vontade com objetivo de buscar a paz na Líbia, mediante a promoção imediata do diálogo entre o Governo de Muammar al-Gaddafi e as forças de oposição no interesse de alcançar o entendimento e a reconciliação do povo líbio, reiterando assim a proposta feita pelo presidente Hugo Chávez na noite de segunda-feira, referindo-se a evolução dos acontecimentos na Líbia.
A proposta da Venezuela sugere que a Comissão poderia ter representatividade da União Africano, da Liga Árabe, da Conferência Islâmica, do Movimento dos Países Não-Alinhados, da UNASUL e da ALBA, entre outras organizações internacionais, de acordo com a declaração feita pelo Embaixador Valero.
"Reiteramos nossa condenação à violência, ao imperialismo e ao intervencionismo", proclamou o embaixador que deplorou “o duplo critério aplicados pelos países imperialistas em matéria dos direitos humanos "e referiu-se à morte de milhares de seres humanos como resultado das invasões militares imperial no Iraque, Afeganistão e Palestina.
Disse o representante da Venezuela que o povo líbio, como a única protagonista de sua história, deve definir seu próprio destino sem interferências estrangeiras, ao tempo em que advertiu que qualquer decisão sobre os acontecimentos na Líbia deve estar sustentada por uma investigação objetiva e crível, que confirme a veracidade fatos, pois nenhum país pode ser condenado a priori. Declarou as reservas da Venezuela sobre o teor da Resolução Operacional Nro.1de A/65/L.60 que suspende a Líbia do Conselho de Direitos Humanos.

Texto completo do discurso:
REPÚBLICA DA VENEZUELA
Missão Permanente junto à Organização das Nações Unidas

POSIÇÃO DA REPÚBLICA DA VENEZUELA

JORGE DE MOTIVOS PELOS VALERO
Embaixador Representante Permanente junto das Nações UNIDAS
76 ª reunião plenária da Assembleia Geral

Implementação das resoluções das Nações Unidas: suspensão dos direitos inerentes à parte Jamahiriya Árabe Líbia do Conselho de Direitos Humanos, A/65/L.60

Nova York, 01 de marco de 2011
Senhor Presidente,

1. A República Bolivariana da Venezuela manifesta o seu profundo pesar com os recentes acontecimentos na Líbia, e lamenta a perda de vidas humanas nesse país irmão.

2. Venezuela está ligada historicamente ao mundo árabe e africano. Nossas raízes se nutrem dessas milenares culturas, que nos dão aportes transcendentais para a formação de relações baseada na paz, na solidariedade e na justiça.

3. O povo venezuelano têm convergido com o povo da Líbia nas lutas pela libertação nacional, pela autodeterminação dos povos, e na construção de solidariedade entre os países do sul.

4. O povo líbio deve definir seu próprio destino sem interferência estrangeira. Os povos soberanos são os únicos protagonista da história, e nenhuma força estrangeira está autorizada a intervir nos assuntos internos da nação Líbia.

5. Saudamos os esforços de países amigos, que integram o Conselho de Segurança para impedir que a resolução 1970 (2011) fosse convertida em um instrumento para a guerra.

6. Esta resolução não deve ser interpretada para além do objetivo de preservar a unidade soberana e integridade territorial da Líbia.

7. Exortamos os países amantes da paz em todas as regiões do mundo a deter os planos de invasão contra a Líbia, que têm sido anunciados com desenvoltura pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pelo Pentágono. Seu propósito é claro: apropriação do vasto potencial de recursos naturais e riquezas energéticas que estão depositados na terra mãe do povo líbio.

8. O Pentágono anunciou, segundo a agência de notícias AFP "... que o exército norteamericano está reposicionando forças militares ao redor da Líbia”. A resolução do Conselho de Segurança, entretanto, não autorizou a intervenção militar. Mas um país imperial está movimentando unilateralmente – e a olhos vistos - sua máquina militar para realizar um ataque armado contra a Líbia.

9. O jornal espanhol El País na edição de hoje, intitulado "Obama propôs a ONU a criação de uma zona de exclusão aérea. EUA mobiliza forças navais para a Líbia para uma possível intervenção”. Venezuela chama a rechaçar esta mobilização de guerra das forças aéreas e navais dos Estados Unidos no Mar Mediterrâneo.

10. Aqueles que promovem o uso da força militar contra a Líbia não procuram defender os direitos humanos, mas sim estabelecer um protetorado para violá-los,como sempre, em umas das mais importantes fontes de petróleo e energia no Oriente Médio.

11. Estamos seguros de que o povo da Líbia, que os povos árabes e africanos, junto aos povos amante da paz de todos os cantos da terra, rechaçarão a ocupação militar na Líbia.

12. Reiteramos nossa condenaçãoà violência,ao imperialismo, violência e ao intervencionismo. Exortamos os países aqui representados para contribuir para a preservação da independência, soberania e integridade territorial da Líbia.

13. Deploramos o duplo padrão aplicado pelos países imperialistas em matéria dos direitos humanos. É dolorosa a morte de um ser humano, de centenas de seres humanos na Líbia. Dolorosa é igualmente, a morte de milhares de seres humanos que sofrem com as invasões imperialis.

14. Saudamos os povos árabes que estão em um processo de rebelião pacífica e justa, e que buscam um futuro melhor pelos caminhos da paz.

15. É tempo para a diplomacia da paz, não para a guerra. É tempo para o diálogo, não da violência. A ONU é para fomentar a paz e o entendimento, não para promover a lógica da guerra.

16. Não permitamos que na Líbia se desenvolva a dinâmica da morte, a lógica da aniquilação entre irmãos e irmãs de uma mesma nação.

Senhor Presidente,

17. O presidente Hugo Chávez Frías, propôs ontem a criação de uma Comissão Internacional para a busca da paz na Líbia. É preciso promover, imediatamente, o diálogo entre o Governo de Muammar al-Kadhafi e as forças da oposição, a fim de alcançar o entendimento e a reconciliação do povo líbio.

18. Imploramos ao Todo-Poderoso para que a União Africana, a Liga Árabe, a Conferência Islâmica, o Movimento dos Países Não Alinhados, a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América e a União das Nações Sul-Americanas se juntem urgentemente para trabalhar pela paz nesse país. Personalidade com autoridade moral e política do mundo, os movimentos sociais e populares devem pronunciar-se pela paz nesta hora histórica.

Senhor Presidente,

19. Assim como a Revolução Bolivariana e o Presidente Hugo Chávez tem apoiado o povo do Iraque na sua luta contra os invasores imperialistas. Assim com tem denunciado os ataques contra o povo libanês de Beirut. Assim como condenou a invasão e o massacre contra o povo palestino, os crimes contra o povo do Afeganistão, o bombardeio contra o Paquistão. Do mesmo modo, a revolução bolivariana e seu líder rechaçam - e com a mesma força - as ameaças de guerra de novos impérios que, com a ameaça da força militar, querem impor novos sacrifícios para a humanidade.

Senhor Presidente,

20. Quem paga por mais de um milhão de mortos no Iraque? Quem paga a matança permanente contra o povo palestino? Por que não se leva perante o Tribunal Penal Internacional os autores convictos e confessos destes crimes de guerra, de genocídios, de crimes de lesa humanidade? O que faz o Conselho de Segurança diante destes horrendos massacres que são cometidos impunimente?

21. Queremos, finalmente, dejar constancia de que la República Bolivariana de Venezuela se reserva el contenido del Operativo Nro. 1 de la Resolución A/65/L.60, que se acaba de aprobar en esta Asamblea General, en la cual se decide “Suspender los derechos inherentes de la Jamahiriya Árabe Libia a formar parte del Consejo de Derechos Humanos".

22. Una decisión como ésta solo podría estar sustentada en una investigación objetiva y creíble, que confirme la veracidad de los hechos. Ningún país puede ser condenado a priori. Consideramos precipitado tomar esta decisión, sin que antes se conozcan los resultados de la investigación que realizará la Comisión Internacional Independiente de Averiguación, designada por el Consejo de Derechos Humanos, mediante de su Resolución S-15/1 del pasado 25 de Febrero de 2011.

Senhor Presidente,

21.Queremos, finalmente, deixar registrado que a República Bolivariana da Venezuela se reserva ao conteúdo da Reserva Operacional n º 1 da Resolução A/65/L.60, que acaba de ser aprovado nesta Assembleia Geral, na qual decidiu "suspender os direitos inerentes da Jamahiriya Árabe Líbia a formar parte do Conselho de Direitos Humanos ".

22. Uma decisão como essa só poderia ser sustentada em uma investigação objectiva e crível, que confirme a veracidade dos fatos. Nenhum país pode ser condenado a priori. Consideramos precipitado tomar essa decisão, sem que antes se tome conhecimento dos resultados da investigação que realizará a Comissão Internacional Independente de Investigação, nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos através da sua Resolução S-15 / 1 Fevereiro último 25, 2011.

Muchas gracias, Señor Presidente.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jhinaoui: Kaddafi não é o revolucionário dos anos 70

http://multimedia.telesurtv.net/24/2/...
A rede TELESUR entrevistou Farouk Jhinaqui, dirigente da "Frente 14 de janeiro" , constituída pelos partidos PCT e PTPDT, do qual é membro. Esses partidos protagonizaram junto com outras organizações e sobretudo com o povo tunisiano, o início do levante árabe. A Frente é um dos saldos organizativos produzidos pela rebelião do povo da Tunísia contra o ditador de seu país, conhecida como a Revolução de Jasmim que espalhou seu perfume no Oriente e na África.


Esta entrevista é muito oportuna e, de fato, vem numa boa hora para nos ajudar a entender melhor o que está se passando na Líbia, já que não podemos confiar nas informações da mídia corporativa interessada em manter a dominação imperial e o status quo e , neste caso, nem na Al Jazzira ,por que a informação está contaminada pelos interesses dos petrodólares da família saudita.

Abaixo reproduzimos uma síntese desta importante entrevista:

"Farouk Jhinaqui insite que não se pode falar do presidente líbio, Muahmar Kadafi como um revolucionário, antimperialista dos anos 70, 80's. Nas últimas décadas Kadafi se aliou aos governos ocidentais , sendo um amigo do imperialismo, aliado de Sarkozi, Tony Blair e Zapateiro.

Em 2003, aplicou o ajuste estrutural do Banco Mundial e do FMI. Durante o levante do povo da Tunísia, escolheu apoiar o ditador contra o povo; abriu as fronteiras da Líbia às grandes multinacionais e a fechou às imigrações africanas, se transformando no guardião das fronteiras do Mediterrâneo, prendendo os imigrantes africanos em campos de concentração. Dessa forma, deixa feliz seus amigos europeus, implementando o que chamam de "gestão de fluxo migratório".

Kadafi colabora ativamente com a guerra antiterrorista promovida pelos EUA; compra armas da UE,sobretudo da Itália, para usá-las contra seu próprio povo; sequer oferece armas aos palestinos para apoiar sua luta.

Na Líbia não há partidos, associações de espécie alguma ,nem tão pouco entidades da sociedade civil; não há Estado na Líbia: Em Trípole fomenta a divisão tribal para que lutem e se matem entre si; utiliza mercenários estrangeiros contra seu própio povo.

Kadafi não ocupa oficialmente um cargo, é o exército quem manda na Líbia. Sua família fez fortuna com as riquezas do povo; Seu regime e governo não representam nenhuma força antimperialista na região, tão pouco defende a causa palestina. Como todos os líderes árabes, são policiais locais servindo aos interesses do ocidente.

O povo da Líbia está lutando para recuperar sua dignidade, sua liberdade e para isso precisam se desfazer de um déspota! E ainda que os EUA e a UE tentam montar fatos e criar situações para se aproveitar, são os líbios que estão lutando. "

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Egipto: Movimentos sociais, a CIA e a Mossad


por James Petras

Por um lado, os movimentos sociais demonstraram a sua capacidade para mobilizar centenas de milhares, se não milhões, numa luta constante e com êxito que culminou no derrube do ditador de um modo que os partidos da oposição e personalidades anteriormente existentes foram incapazes ou relutantes em fazê-lo.

Por outro lado, na falta de qualquer liderança política nacional, os movimentos não foram capazes de tomar o poder político e realizar as suas exigências, permite ao alto comando militar de Mubarak tomar o poder e definir o processo "pós Mubarak", assegurando a continuidade da subordinação do Egipto aos EUA, a protecção da riqueza ilícita do clã Mubarak (US$70 mil milhões) e as numerosas corporações da elite militar assim como a protecção da classe superior. Os milhões mobilizados pelos movimentos sociais para derrubar a ditadura foram efectivamente excluídos pela nova junta militar pretensamente "revolucionária" da definição das instituições e políticas, muito menos a reformas sócio-económicas necessárias para atender às necessidades básicas da população (40% vive com menos de US$2 por dia, o desemprego entre a juventude vai a mais de 30%). O Egipto, como no caso dos movimentos sociais de estudantes e de populares contra a ditadura da Coreia do Sul, Formosa, Filipinas e Indonésia, demonstra que a falta de uma organização política nacional permite a personalidades e partidos da "oposição" neoliberal e conservadora substituírem o regime. Eles prosseguem no estabelecimento de um regime eleitoral que continue a servir os interesses imperiais e a depender e defender o aparelho de estado existente. Em alguns casos substituem velho capitalistas de compadrio por outros novos. Não é por acaso que os mass media louvam a natureza "espontânea" das lutas (não as exigências sócio-económicas) e apresentam um ponto de vista favorável acerca do papel dos militares (desprezando os seus 30 anos de defesa da ditadura). As massas são louvadas pelo seu "heroísmo", a juventude pelo seu "idealismo", mas nunca são propostas como actores políticos centrais no novo regime. Uma vez caída a ditadura, os militares e a oposição eleitoralista "celebrou" o êxito da revolução a actuou suavemente para desmobilizar e desmantelar o movimento espontâneo, a fim de abrir caminho para negociações entre os políticos liberais-eleitorais, Washington e a elite militar dominante.

Se bem que a Casa Branca possa tolerar ou mesmo promover movimentos sociais na remoção ("sacrifício") de ditaduras, ela tem toda a intenção de preservar o estado. No caso do Egipto o principal aliado militar estratégico do imperialismo estado-unidense não era Mubarak e sim os militares, com quem Washington antes já estava em constante colaboração, durante e após o derrube de Mubarak, assegurando que a "transição" para a democracia (sic) garantisse a continuada subordinação do Egipto aos EUA e à política e interesses israelenses no Médio Oriente.

A revolta do povo: os fracassos da CIA e da MOSSAD

A revolta árabe demonstra mais uma vez vários fracassos estratégicos nas muitos louvadas polícia secreta, forças especiais e agências de inteligência dos EUA e do aparelho de estado israelense, nenhum dos quais antecipou, muito menos interveio, para impedir a mobilização com êxito e para influenciar a sua política de governo em favor dos governantes clientes sob ataque.

A imagem que a maior parte dos escritores, académicos e jornalistas projectam da invencibilidade da Mossad israelense e da omnipotência da CIA foram severamente testada pelo seu fracasso admitido em reconhecer o âmbito, profundidade e intensidade do movimento com muitos milhões de membros para derrubar a ditadura Mubarak. A Mossad, orgulho e alegria de produtores de Hollywood, apresentada como um "modelo de eficiência" pelos seus colegas sionistas organizados, não foi capaz de detectar o crescimento de um movimento de massa num país ao lado do seu. O primeiro-ministro Netanyahu ficou chocado (e consternado) pela precária situação de Mubarak e pelo colapso do seu mais eminente cliente árabe – devido ao fracasso de inteligência da Mossad. Da mesma forma, Washington estava totalmente despreparada pelas 27 agências de inteligência dos EUA e pelo Pentágono, com as suas centenas de milhares de operacionais pagos e orçamentos de muitos milhares de milhões de dólares, quanto ao surgimento de levantamentos populares maciços e a emergência de movimentos.

Cabem várias observações teóricas. A noção de que governantes altamente repressivos e que recebem milhares de milhões de dólares de ajuda militar dos EUA e com quase um milhão de homens entre forças policiais, militares e paramilitares são a melhor garantia de hegemonia imperial demonstrou-se falsa. A suposição de que ligações em grande escala e a longo prazo com tais governantes ditatoriais salvaguarda os interesses imperiais estado-unidenses foi refutada.

A arrogância israelense e a presunção da superioridade organizacional, estratégica e política judia sobre "os árabes" foram postas em causa severamente. O estado israelense, seus peritos, operacionais encobertos e académicos da Ivy League permaneceram cegos a realidades em desdobramento, ignorantes da profundidade da insatisfação e impotentes para impedir a oposição em massa para o seu mais valioso cliente. Publicistas de Israel nos EUA, que não conseguem resistir à oportunidade de promover o "brilhantismo" das forças de segurança de Israel, seja o assassínio de um líder árabe no Líbano ou no Dubai, ou o bombardeamento de uma instalação militar na Síria, ficaram temporariamente emudecidos.

A queda de Mubarak e a possível emergência de um governo independente e democrático significaria que Israel poderia perder o seu principal "polícia de serviço". Um público democrático não cooperará com Israel na manutenção do bloqueio de Gaza – esfaimando palestinos para romper a sua vontade de resistir. Israel não será capaz de contar com um governo democrático, para apoiar as suas violentas tomadas de terra na Cisjordânia e o seu regime palestino fantoche. Nem tão pouco podem os EUA contar com um regime democrático no Egipto para apoiar as suas intrigas no Líbano, as suas guerras no Iraque e no Afeganistão, as suas sanções contra o Irão. Além disso, o levantamento egípcio serviu de exemplo para movimentos populares contra outras ditaduras clientes dos EUA na Jordânia, Iémen e Arábia Saudita. Por todas estas razões, Washington apoiou a tomada de poder militar a fim de moldar uma transição política de acordo com os seus gostos e interesses imperiais.

O enfraquecimento do principal pilar do poder imperial dos EUA e do poder colonial israelense na África do Norte e no Médio Oriente revela o papel essencial de regimes colaboradores. O carácter ditatorial destes regimes é um resultado directo do papel que desempenham na sustentação dos interesses imperiais. E os grandes pacotes de ajuda militar que corrompem e enriquecem as elites dominantes são os prémios por serem colaboradores aquiescentes de estados imperiais e coloniais. Dada a importância estratégica da ditadura egípcia, como explicarmos o fracasso das agências de inteligência estado-unidenses e israelenses em anteciparem os levantamentos?

Tanto a CIA como a Mossad trabalhavam em estreita ligação com agências de inteligência egípcias e confiavam nelas para a sua informação, confiando nos seus relatórios em causa própria de que "estava tudo sob controle": os partidos da oposição eram fracos, dizimados pela repressão e infiltração, seus militantes mofavam nas prisões, ou sofriam "ataques de coração" fatais devido a "técnicas de interrogatório" duras. As eleições eram falsificadas para eleger clientes dos EUA e Israel – sem surpresas democráticas no imediato ou no horizonte do médio prazo.

As agências de inteligência egípcias são treinadas e financiadas por operacionais israelenses e estado-unidenses e são receptivas aos desejos dos seus mestres. Elas foram tão dóceis na entrega de relatórios que agradassem aos seus mentores que ignoraram quaisquer informações de inquietação popular crescente ou de agitação na Internet. A CIA e a Mossad estavam tão incorporadas no vasto aparelho de segurança de Mubarak que foram incapazes de assegurar qualquer outra informação das bases, descentralizada, movimentos que floresciam independentemente da tradicional oposição eleitoral "controlada".

Quando movimentos de massa extra-parlamentares estouraram, a Mossad e a CIA confiaram em que o aparelho de estado de Mubarak os controlaria através da típica operação da cenoura e do bastão: concessões simbólicas transitórias e convocação do exército, polícia e esquadrões da morte. Quando o movimento cresceu das dezenas de milhares para centenas de milhares, par milhões, a Mossad e os principais apoiantes de Israel no Congresso dos EUA instaram Mubarak a "aguentar-se". A CIA foi reduzida a apresentar-se na Casa Branca com perfis políticos de responsáveis militares confiáveis e personagens políticos "de transição" flexíveis, desejosos de seguir as pegadas de Mubarak. Mais uma vez a CIA e a Mossada demonstraram a sua dependência do aparelho de inteligência de Mubarak quanto ao que pode ser uma alternativa "viável" (pró EUA/Israel), ignorando as exigências elementares das massas. A tentativa de cooptar a velha guarda eleitoralista da Irmandade Muçulmana através de negociações com o vice-presidente Suleiman fracassou, em parte porque a Irmandade não estava no controle do movimento e porque Israel e os seus apoiantes dos EUA fizeram objecções. Além disso, a ala juvenil da Irmandade pressionou-os a retirarem-se das negociações.

O fracasso da inteligência complicou os esforços de Washington e Tel Aviv no sentido de sacrificar o regime ditatorial para salvar o estado: a CIA e a Mossad não desenvolveram laços com qualquer dos novos líderes emergentes. Os israelenses não podiam encontrar qualquer "novo rosto" com apoio popular desejoso de servir como um estúpido colaborador da opressão colonial. A CIA havia estado empenhada totalmente na utilização da polícia secreta egípcia para torturar suspeitos de terrorismo ("exceptional rendition") e para policiar países árabes vizinhos. Em consequência tanto Washington como Israel consideraram e promoveram a tomada de poder militar para prevenir nova radicalização.

Finalmente, o fracasso da CIA e da Mossad em detectar e prevenir a ascensão do movimento democrático popular revela as bases precárias do poder imperial e colonial. No longo prazo não são as armas, os milhares de milhões de dólares, a polícia secreta e as câmaras e tortura que decidem a história. Revoluções democráticas ocorrem quando a vasta maioria de uma povo se levanta e diz "basta", ganha as ruas, paralisa a economia, desmantela o estado autoritário, exige liberdade e instituições democráticas sem tutela imperial e subserviência colonial.

O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/articulo.php?p=1838&more=1&c=1
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

FPLP CONDENA O MASSACRE DO REGIME DE KADDAFI CONTRA O POVO DA LÍBIA

A FRente Popular pela Libertação da Palestina exige o fim imediato dos bombardeamentos e massacres contra o heróico povo da Líbia e condena o assassinato dos manifestantes cometidas pelo regime de Kadhafi.

A FPLP exige a proteção do povo líbio e seus direitos e enfatiza seu total apoio às reivindicações do povo da Líbia e das massas árabes por liberdade, dignidade humana e nacional, por democracia, justiça social e sua luta contra a corrupção e conta a ditadura.

A Frente exige o fim imediato da agressão sangrenta e da opressão e insta todas as forças que lutam pelos direitos e dignidade humanos no mundo árabe e importantes instituições internacionais a agir imediatamente a fim de parar o derramamento de sangue árabe nos campos e nas ruas da Líbia. Declaramos que o criminoso regime somente se preocupa com suas próprias regra e sobrevive às custas da escravidão da pátria e seu povo.

A Frente apela à mais ampla solidariedade humanitária e nacional com o povo da Líbia, convidando todos para participar do comício chamado pela Rede de ONGs e Nacional e Forças Islâmicas na Praça Manara, exigindo o fim da ocupação e da divisão e pela mais irrestrita solidariedade com os árabes da Líbia e as massas árabes em todos os países do Oriente e África.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Frente Popular pela Libertação da Palestina condena a opressão do povo árabe e convoca o apoio incondicional à revolução árabe!






A Frente Popular para a Libertação da Palestina condena o alto grau de abuso, opressão e crimes contra os povos árabes na Líbia, Bahrein, Iemen e em qualquer outro no mundo árabe, onde o povo estiver lutando para defender os seus direitos e sua dignidade contra os regimes brutais e reacionários.


Em 20 de fevereiro de 2011, FPLP exigiu o fim imediato da sangrenta e brutal repressão protagonizada por esses regimes, e afirmou que o silêncio diante de tais crimes é uma vergonha: Centenas de pessoas foram assassinadas e milhares feridas, afirmou a FPLP, apelando a todas as organizações árabes e internacionais, defensoras dos direitos humanos e da dignidade humana; à mídia árabe e internacional para atuar no sentido de mostrar a realidade e disseminar para o mundo inteiro as imagens e informações sobre os crimes que estão sendo cometidos nesses países contra o nosso povo e e que é urgente e necessário pôr fim aos massacres que de forma oculta estão acontecendo sem o conhecimento da opinião pública internacional.

A FPLP enfatiza que a marcha pela liberdade, pela dignidade e pela justiça protagonizada pelos povos árabes desencadeada pelas revoluções do Egito e da Tunísia não será detida pelos massacres produzidos pelos tiranos, e que o povo árabe seguirá em frente até conseguir os seus objetivos de libertação, democracia, justiça social e unidade.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A revolução cooptada?


16/2/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MB16Ak01.html 
“I take my hat to the new constitution
Take a bow for the new revolution”
- The Who, Won't Get Fooled Again*






Se fosse um anúncio, a frase seria “o som de uma nova geração”. Um grupo de sete jovens revolucionários do 25 de Janeiro, entre os quais Wael “o Gandhi da Google” Ghonim, reuniram-se com dois membros do Conselho Supremo das Forças Armadas. Para o blog The Arabist, foi “os meninos do Facebook reúnem-se com os generais”, ou a Geração Y reúne-se com o Ancien Regime (que acontece de ser também o novo regime...)

O resultado, com as posições de Ghonin e Amr Salama, foi postado inicialmente na  página Facebook “We Are All Khaled Said” [http://www.elshaheeed.co.uk/], em árabe, e depois traduzido, circulou pela internet[1].

O exército egípcio parece estar tentando operação de melhores Relações Públicas “ouvindo mais do que fala”1. Seja como for, a nova geração não deveria ter perdido a oportunidade de dizer ao major-general Mahmoud Hijazi e ao major-general Abdel que têm de melhorar a estratégia de comunicações – por exemplo, livrando-se do fetiche (mas que coisa tão 1970!) dos comunicados.

Ghonin e Salama, como eles próprios admitem, optaram por acreditar no que os generais disseram. Ainda é cedo para saber se foram ingênuos demais, ou se foram só ingênuos. O Conselho Supremo, em teoria, é favorável a um governo civil, ao mesmo tempo em que se mantém intacto o atual gabinete do mubarakismo, pelo menos por hora.

Os generais prometeram formar uma comissão constitucional – de juristas de prestígio – a ser formado nos próximos 10 dias, para identificar os artigos da constituição que devem ser alterados. Assim se obterá uma primeira minuta de nova constituição. E depois, o creme sobre o bolo: uma nova constituição a ser legitimada por referendum no prazo alucinadamente curto de dois meses.

Os generais também são favoráveis à formação de novos partidos políticos e supervisionarão uma campanha para arrecadar 100 bilhões de libras egípcias (cerca de 17 bilhões de dólares) em doações para “reconstruir o país”.

A ofensiva de sedução do exército deixa sem responder muitas questões importantes – dentre outras, se têm intenção de investigar com seriedade as muitas acusações de corrupção massiva e levar a julgamento os acusados. Principalmente, se têm planos para negociar com os sindicatos e organizações de trabalhadores. No Egito, todas as greves são proibidas.

A grande maioria dos egípcios que querem mudanças no Egito não têm conta Facebook, nem tuíta. Querem salário pelo menos decente, para começar. E se nada acontecer, jornalistas, motoristas de ambulâncias, oficiais de política, trabalhadores dos transportes, todos, continuarão indefinidamente em greve, como estão.

Alerta vermelho
Pode haver um perigo nesse estágio, de que a (declinante) classe média egípcia – na qual se incluem a maioria dos jovens revolucionários – passe a privilegiar a “estabilidade”, descuidando da concentração e da mobilização das três últimas semanas. O autodesignado “Comitê de Sábios”, por exemplo, tenta a todo custo sequestrar todo o duro trabalho dos jovens revolucionários, apoiando qualquer mínima “reforma” da Constituição.

Pode estar em andamento algum confronto aberto com a classe trabalhadora – e o campo. Os meninos do Facebook não são exatamente políticos astutos. Agora, é preciso arrancar da junta militar compromissos institucionalizados – liberdade de imprensa, por exemplo, e a ser garantida imediatamente; e abolição de todas as leis de emergência. Para tudo isso os rapazes do Facebook têm de aprender a negociar – da posição de alta autoridade moral que lhes deu a rua.

Tio Marx – especialista em revoluções – descobriu que a Comuna de Paris fracassou porque não marchou sobre Versailles, o que deu tempo à contrarrevolução para preparar a contraofensiva. Assim também, os jovens revolucionários egípcios têm de aproveitar o momentum e manter a pressão.

Até agora o papel do exército egípcio continua ambíguo – para dizer o mínimo; e há casos documentados de tortura nas unidades da inteligência militar. Para não falar da última deles – proibiram a imprensa nacional e estrangeira de transmitir da praça Tahrir. Além do mais, a TV al-Arabiyyah – porta-voz da Casa de Saud – relata que ofereceram o ministério da Informação a Imad Ad-Din Adib, um dos que ajudaram a lançar a campanha do hoje ex-presidente Hosni Mubarak, quando candidato; e íntimo da Casa de Saud.

É ainda muito cedo para dizer se a junta militar que está no poder fará o que tem dito que fará, nesse novo remix local do mantra de Washington – “transição ordeira”, ou se se perpetuará no poder com melhores ternos, dividindo a opinião e sem parar de receber “presentes” dos suspeitos de sempre: Washington, Telavive e Riad.

Como o Dr. Aida Seif El-Dawla, do Centro Nadeem para Vítimas de Tortura no Cairo, disse ao Institute for Public Accuracy dos EUA: “Ainda temos o mesmo Gabinete nomeado por Mubarak. O estado de emergência continua como sempre foi. Ainda há muitos presos antigos, além de muitos novos, depois de 25 de janeiro. E ainda há muitos desaparecidos. Até aqui, ninguém foi acusado pelos assassinatos.”

Todos devem manter-se em alerta máximo. Pode acontecer de, dia desses, até Nosferatu – Omar “Sheikh al-Tortura” Suleiman – reerguer-se dos mortos.


* Pode ser ouvido em http://www.youtube.com/watch?v=zydAs5bRW1U.

[1] Há matéria sobre isso no NYT de hoje (http://www.nytimes.com/2011/02/15/world/middleeast/15egypt.html?_r=1), reproduzida em vários jornais: 
“Dois generais sentaram-se domingo à noite [13/2] para discutir o futuro do Egito com sete dos jovens animadores da revolução egípcia – entre os quais o gerente de marketing da Google no Qatar, o egípcio Wael Ghonim e Amr Salama – e os ativistas postaram suas notas da reunião diretamente na internet, para serem divulgadas: “Todos nós sentimos neles um desejo sincero de preservar os ganhos da revolução e respeito jamais visto por os jovens estarem manifestando seus pontos de vista” – escreveram no Facebook Mr. Ghonim e Mr. Amr Salama, esclarecendo que aquelas são opiniões pessoais suas. Para eles, não se viu na fala dos generais “nada daquele tom de pai para filho (‘você não sabe o que é melhor para você, filho’)”; escreveram que “é a primeira vez que um militar egípcio dá sinais de mais interesse em ouvir, do que em falar” [NTs].