segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

De 2018 a 2019: Pesquisa rápida de algumas tendências

03.01.2019 - The Saker - The Vineyard of the Saker

O ano de 2018 entrará para a história como o de uma reviravolta na evolução do ambiente geoestratégico de nosso planeta. Existiram várias razões para isso e não conseguirei enumerá-las todas. Mas colocarei aqui algumas que considero as mais importantes:

O Império piscou. Várias vezes.
Foram os acontecimentos mais marcantes do ano: o Império AngloSionista fez todo tipo de ameaças terríveis, chegando a tomar algumas medidas realmente assustadoras, mas eventualmente, voltou atrás. Na realidade, o Império está em retirada em muitos fronts, mas vamos listar apenas alguns, cruciais:
A RPDC: (República Popular Democrática da Coreia – mais conhecida como Coreia do Norte – NT): você se recorda de todas as grandiosas ameaças feitas por Trump e seus capangas neocons? A administração chegou a anunciar que mandaria TRÊS (!) grupos navais de ataque com porta aviões nucleares para as águas da Coreia do norte, enquanto Trump esbravejava que iria “destruir totalmente” o país. Os sul coreanos eventualmente resolveram cuidar eles mesmos do assunto, abriram um canal de comunicação diretamente com o norte e todas aquelas ameaças dos Estados Unidos viraram conversa fiada.
A Síria em abril: as coisas aconteceram quando os EUA, a França e o Reino Unido resolveram atacar a Síria com mísseis de cruzeiro para “punir” os sírios, que supostamente teriam usado armas químicas (uma teoria tão absurda que nem merece ser discutida). Dos 104 mísseis disparados, 71 foram derrubados pelos sírios. Claro que a Casa Branca e o Pentágono, apoiados pela fiel mídia sionista, declararam o ataque um grande sucesso, mas nisso não há surpresa, dado que fizeram a mesma coisa durante a invasão de Granada (uma das piores operações de invasão militar da história) ou depois de uma derrota humilhante sofrida por Israel nas mãos do Hezbollah em 2006, assim essa declaração não vale grande coisa. A verdade é que a operação toda foi um fracasso militar tão acachapante que depois disso nada mais foi tentado (pelo menos até agora).
A Ucrânia: ficamos todo o ano de 2018 esperando por um ataque dos Ucronazis contra o Donbass que nunca aconteceu. Neste momento estou quase certo de que se argumentará que a junta nazista em Kiev nunca teve essa intenção, mas qualquer pessoa com um conhecimento mínimo do que aconteceu na Ucrânia este ano sabe que isso é bobagem: a junta fez de tudo para desfechar uma investida, exceto o último passo: uma ordem real de ataque. A ameaça aberta de Putin de que tal ataque acarretaria “consequências graves para a Ucrânia enquanto Estado soberano” provavelmente teve peso fundamental para conter o Império. Claro que os Ucronazis podem muito bem atacar em janeiro ou a qualquer tempo, mas o fato é que em 2018 não ousaram. Mais uma vez o Império (e seus minions) tiveram que desistir.
A Síria em Setembro: desta vez, foi a hipóstase israelense quanto ao Império que disparou uma crise massiva quando os israelenses fizeram um ataque escudando-se em um avião turboélice russo Il-20 que resultou na perda do avião com toda a sua tripulação. Depois de dar a Israel a chance de ser honesto e dizer a verdade (o que, sendo Israel o que é não foi feito), os russos cansaram e entregaram sistemas avançados de defesa aérea, guerra eletrônica e gestão de combate aos sírios. Em resposta, os israelenses (que tinham feito um monte de ameaças de que destruiriam imediatamente qualquer S-300 entregue aos sírios) basicamente tiveram que parar com seus ataques contra a Síria (bem, não totalmente, eles ainda executaram dois desses ataques: um totalmente sem efeito prático e outro no qual os loucos sionistas mais uma vez se esconderam atrás de uma aeronave, mas neste caso, não apenas uma, mas DUAS aeronaves civis  - mais sobre esta última proeza dos sionista loucos na sequência do artigo).O Império recuou mais uma vez.
Síria em Dezembro: aparentemente de saco cheio com as intermináveis brigas internas entre seus assessores, de repente Trump ordenou uma retirada total dos Estados Unidos da Síria. Claro que, desde que se trata dos Estados Unidos, temos que esperar para ver no que vai dar. Há um Kabuki complicado sendo executado pela Rússia, Turquia, os Estados Unidos, Israel, Irã, os curdos e os sírios para estabilizar a situação na sequência de uma eventual retirada dos EUA. Depois de um ano de falatório vazio sobre “o monstro Assad tem que sair” é surpreendente ver os poderes ocidentais jogando a toalha um depois do outro. Isso leva à questão óbvia: se “a cidade sobre a colina e única superpotência no planeta, líder do mundo livre e nação indispensável” sequer consegue lidar com um governo e exército sírio enfraquecidos, o que é que esse exército consegue fazer com sucesso (a não ser providenciar mais sucessos de bilheteria para um público [norte]americano cada vez mais ingênuo)?
Várias derrotas menores: incontáveis, entre elas o fiasco do caso Khashoggi, o fracasso na guerra contra o Iêmen, o fracasso na guerra do Afeganistão, o fracasso na guerra do Iraque, o fracasso nas tentativas de remover Maduro do poder na Venezuela e a perda gradual do controle sobre um número crescente de países europeus (Itália, por exemplo), as palhaçadas ridículas de Nikki Haley no Conselho de Segurança da ONU, a incapacidade de reunir os recursos intelectuais necessários para ter uma real e produtiva reunião com Vladimir Putin, a guerra comercial contra a China que está virando um desastre, etc. O que todos estes eventos têm em comum é que todos resultam da incapacidade dos Estados Unidos de realizar, fazer mesmo, seja o que for. Longe de ser atualmente uma superpotência, os Estados Unidos estão em maneira de declínio total e a principal coisa que ainda lhes dá um status de superpotência são suas armas nucleares, exatamente como a Rússia (URSS) nos anos 90.
Todos os problemas internos que resultam das lutas intestinas das elites (norte)americanas (de maneira geral: a gang Clinton X Trump e seus deploráveis) só pioram as coisas. Apenas a sequência aparentemente interminável de renúncias ou demissões na Administração Trump já é um sinal claro do estado avançado de colapso da política dos EUA. As elites não lutam entre si quando as coisas vão bem, elas lutam quando a vaca está indo para o brejo. O ditado “a vitória tem mil pais, mas a derrota é uma órfã” está aí para nos lembrar que quando um bando de criminosos começa a perder o controle da situação, a coisa rapidamente se transforma em um cenário de “salve-se quem puder”, onde todos culpam a todos pelos problemas e ninguém quer ficar sequer nas proximidades daqueles que entrarão pelas portas dos fundos da história como os patetas ridículos que rebentaram com tudo.
Já as forças armadas dos Estados Unidos conseguiram um sucesso tremendo na tarefa de matar um número cada vez maior de pessoas, a maioria civis, mas falharam em conseguir conquistar qualquer objetivo, pelo menos quando entendemos que o objetivo principal de uma guerra não é só matar gente, e sim “a continuação da política por outros meios”. Vamos comparar por contraste o que a Rússia e os Estados Unidos fizeram na Síria.
Em 11 de outubro, Putin declarou o seguinte, em uma entrevista concedida a Vladimir Soloviev no Canal de Televisão Russia 1: “nosso objetivo (na Síria) é estabilizar a autoridade legítima e criar condições para um compromisso político”. É isso. Não declarou que a Rússia ir mudar sozinha o curso da guerra, ou sequer vencer a guerra. A (minúscula!) força tarefa russa na Síria conseguiu seu objetivo original em apenas alguns meses, algo que o Eixo-de-Bondade não conseguiu em anos ((mesmo sabendo que os russos fizeram tudo com uma pequena fração das capacidades bélicas à disposição de EUA/OTAN/UE/CENTCOM/Israel na região. Na verdade, os russos até tiveram que criar rapidamente um sistema de suprimento que não tinham, dado a postura militar puramente defensiva da Rússia – a projeção do poderio militar russo é em sua maior parte limitada a 500-100 km a partir das fronteiras russas).
Em comparação, os Estados Unidos estão lutando sua assim chamada GGCT (Guerra Global Contra o Terrorismo – sigla em inglês GWOT = Global War on Terror – NT) desde 2001 e tudo o que tem para mostrar é que o terrorismo (em suas várias facetas) tornou-se cada vez mais forte, tem o controle de mais território, matou mais pessoas e parece mostrar em sua generalidade uma espantosa capacidade de sobreviver e até mesmo progredir apesar da GGCT (ou graças à). Como diria Putin “o que se pode esperar de pessoas que sequer sabem diferenciar a Áustria da Austrália”?
Pessoalmente, o que espero deles é que declarem “vitória” e sumam.
Aliás, é exatamente o que os Estados Unidos sempre fazem.
Pelo menos, é o que estão dizendo neste exato momento. Mas podem mudar 180 graus, de repente, mais uma vez.
No Afeganistão, por exemplo, os Estados Unidos já estão há mais tempo que os soviéticos estiveram. Isso não sugere fortemente que os líderes (norte)americanos são ainda mais “incompetentes” do que a era de “estagnação” da gerontocracia soviética?

O fracasso em dominar ou mesmo conter a Rússia
O discurso de Putin em primeiro de março de 2018 para a Assembleia Federal da Rússia foi um momento realmente histórico: pela primeira vez desde que o Império decidiu lançar a guerra contra a Rússia (uma guerra de informação em cerca de 80%, 15% econômica e apenas 5% cinética, mas que pode se tornar 95% cinética de uma hora para a outra!) os russos decidiram alertar abertamente aos Estados Unidos que sua estratégia já tinha sido completamente derrotada. Pensa que isso é um exagero? Pois pense novamente. No que se baseia o poderio militar dos Estados Unidos? Quais seus componentes principais?
·         Poder aéreo (supremacia no ar)
·         Armas seguras de longo alcance (balísticas ou hipersônicas) – NT: o conceito de armas seguras de longo alcance contempla mísseis que supostamente seriam lançados contra o alvo (por aviões ou navios) de uma distância longa o bastante para assegurar que não haveria retaliação possível pelo alvo a ser atingido.
·         Porta aviões
·         Defesa antimíssil (pelo menos em teoria!)
·         De 800 a 1000 bases pelo mundo (depende de como você conta)
A entrega do que é sem sombra de dúvida o mais sofisticado sistema de defesa aérea no mundo, apoiado pelo que é provavelmente o mais formidável e capaz esquema de guerra eletrônica (sigla em inglês EW – NT) atualmente existente criaram o que os comandantes de EUA/OTAN se referem como a “capacidade de anti acesso/área negada (A2/AD – negação de acesso e de área - NT)” a qual, como dizem esses comandantes, podem surgir repentinamente através do Mar Báltico, do Mediterrâneo, da Ucrânia, Síria e outros locais (poderiam aparecer na ilha Orchila, na Venezuela em 2019). Além disso, em termos de qualidade, o poder aéreo tático russo é mais moderno e pelo menos igual, se não superior, a qualquer coisa que os Estados Unidos ou a OTAN possuam em materiais táticos e aeronaves. Mesmo levando em conta que o ocidente de forma geral, e os EUA em particular, tenham um número muito maior de aeronaves, elas são na sua maioria ultrapassadas, e os vários encontros entre aeronaves russas e (norte)americanas nos espaços aéreos sírios mostram que os pilotos dos EUA preferem ir embora quando aparecem os SU-35S russos.
O resultado da colocação em serviço ativo (já em 2018!) do míssil hipersônico Kinzhal é basicamente tornar subitamente obsoleta e inútil toda a frota de superfície dos Estados Unidos para um ataque contra a Rússia. Não importa o tipo do navio, seja Porta Aviões, vários tipos de Destroyers, Cruzadores, navios anfíbios de assalto, navios de combate no litoral (a maioria frágil), navios de transporte, etc. – a partir de agora, não passam de passam de alvos fáceis que os russos podem varrer da face do oceano independentemente de suas defesas antiaéreas ou as que suas escoltas possam ter.
Da mesma forma, a implantação de um míssil intercontinental balístico termonuclear superpesado como o Sarmat e o veículo planador hipersônico Avangard tornou todos os esforços dos EUA para a construção de mísseis antibalísticos completamente inúteis.  Vou repetir: TODOS os esforços dos EUA na construção de seu esquema de mísseis antibalísticos, incluindo bilhões de dólares gastos em pesquisa e desenvolvimento, agora se tornaram completamente inúteis.
 [Nota de esclarecimento: é importante esclarecer algo neste instante: nenhum dos novos sistemas de armamento russo fornece qualquer forma de proteção à Rússia no caso de um ataque nuclear (ou convencional) dos Estados Unidos. “Tudo” o que eles fazem é tornar totalmente certo que os líderes dos EUA jamais devem alimentar novamente as ilusões que perseguem desde a “Guerra nas Estrelas” de Reagan, isto é, que poderiam de alguma forma escapar de um segundo ataque russo (contra ataque) retaliatório caso decidam atacar a Rússia. Na verdade, mesmo sem o Sarmat ou o Avangard, a Rússia já tem mísseis mais do que suficientes (de terra, ar e baseados no mar) para reduzir os Estados Unidos a escombros no caso de um contra ataque retaliatório, mas os políticos dos EUA ainda fazem planos mirabolantes, perseguindo a quimera de uma defesa com mísseis anti balísticos, apesar do fato claríssimo que um sistema assim não funcionará (alguns “mísseis que escapam” [“leakers”, no texto em inglês - NT] podem muito bem ser aceitáveis quando se trata de armas convencionais, mas apenas alguns desses “mísseis que escapam” são mais que suficientes para cobrar um preço terrível de qualquer atacante iludido o suficiente para pensar que 90% ou mesmo 98% de efetividade em um “escudo” bastaria para a proteção contra o risco de um ataque de uma superpotência nuclear). Bem, você pode dizer que os novos recursos russos (entre eles os mísseis táticos de curto alcance Iskander) são um tipo de “destruidor de delírios” ou uma “chamada de atenção para a realidade”, que colocará abaixo as ilusões dos Estados Unidos sobre os riscos de uma guerra contra a Rússia. Oxalá eles jamais tenham outro uso].
Finalmente, o desenvolvimento de uma nova geração de mísseis seguros de alcance muito longo pela Rússia lhe deu uma vantagem de “longo alcance” que se resume em ser capaz de atacar qualquer alvo dos Estados Unidos (seja uma força militar, seja uma base) no mundo inteiro, incluindo dentro dos Estados Unidos (fato quase nunca mencionado pela imprensa ocidental).
Agora, dê uma olhadinha acima, na lista dos principais componentes do poder militar dos Estados Unidos e veja que tudo se transformou, basicamente, em lixo.
O que temos então é uma situação clássica na qual, por um lado, os planejadores das forças armadas de um país fizeram erros de cálculo fundamentais que tiveram influência direta no tipo de força militar que o país poderia ter por ao menos duas e possivelmente três décadas. Por outro lado, no país rival, seus planejadores tomaram as decisões corretas que lhes permitiram derrotar uma força militar cujo orçamento de defesa é quase dez vezes maior. A consequência mais grave deste estado de coisas para os Estados Unidos é que agora, demorarão pelo menos uma década (ou mais!) para reformular seu planejamento estratégico (sistemas de armas modernas algumas vezes levam décadas para projetar, desenvolver e instalar). O malfadado Zumwalt, o F-35, o porta aviões Gerald R. Ford (CVN 78) – todos são exemplos obscenos de como se pode gastar bilhões de dólares e ainda assim ficar com sistemas de armas desastrosos que só fazem enfraquecer cada vez mais as forças armadas (norte)americanas.
Há uma razão simples pela qual os Estados Unidos vieram a se tornar uma superpotência no século 20: não só seu território está protegido por grandes oceanos, como toda a primeira e segunda guerras mundiais foram lutadas bem longe dos Estados Unidos: todos os seus competidores potenciais tiveram suas economias nacionais completamente destruídas enquanto os Estados Unidos sequer perderam uma única fábrica ou agência de pesquisa/projeto. Daí, os Estados Unidos puderam usar sua imensa e poderosa base industrial para, em síntese, oferecer para um mercado praticamente mundial, bens que apenas os EUA podiam fabricar e entregar. Mesmo assim, apesar dessas vantagens enormes, os Estados Unidos passaram quase toda a sua história arrasando países indefesos, um após o outro, para assegurar uma completa submissão às exigências do Tio Shmuel (versão AngloSionista do Tio Sam). Tudo porque é “indispensável”, penso eu...
Graças aos globalistas, a base industrial dos EUA bateu asas. Graças aos neocons e sua arrogância, os Estados Unidos estão enredados em uma forma ou outra de conflitos contra os principais países do planeta (especialmente se ignorarmos a existência de elites comprador apoiadas e dirigidas pelos Estados unidos). A submissão completamente estúpida e autodestrutiva dos Estados Unidos às vontades e exigências de Israel acabou por resultar em uma situação na qual os Estados Unidos estão perdendo o controle sobre o Oriente Médio, rico em petróleo, no qual reinou por décadas. Finalmente, ao escolher erradamente tentar submeter ao mesmo tempo a Rússia e a China aos desejos do Império, os neocons tiveram sucesso em promover uma aliança de fato entre os dois países (na realidade um relacionamento simbiótico) que, longe de isolar os dois países acabou na realidade por isolar os Estados unidos do local “onde as coisas estão acontecendo” em termos de desenvolvimento econômico, social e político (em primeiro lugar a massa terrestre da Eurásia e o projeto OBOR [One Belt, One Road – Um Cinturão, Uma Estrada, projeto hoje conhecido como Iniciativa Cinturão e Estrada, em inglês, Belt and Road Initiative, BRI – NT].

Perspectivas em 2019 para o Império: problemas, problemas e para completar, mais problemas
Bem, 2018 foi um ano excepcionalmente sórdido e perigoso, mas 2019 pode provar-se ainda mais perigoso, pelas razões a seguir:
A menos que os Estados Unidos mudem seu curso político e desistam da russofobia suicida de Obama e Trump, um confronto militar entre Rússia e EUA é inevitável. A Rússia recuou até onde foi possível, e não há mais para onde ir, portanto ela não recuará mais. Não tenho qualquer dúvida de que se os Estados Unidos tivessem realmente atingido unidades russas na Síria (que era o que Bolton parecia querer, mas Mattis aparentemente rejeitou categoricamente), os russos teriam desfechado um contra ataque não apenas contra os mísseis (norte)americanos, mas também contra seus portadores (especialmente navios). Sei de fonte confiável que na noite do ataque um avião russo MiG-31K portando o míssil Kinzhal estava de prontidão no ar, preparado para atacar. Graças a Deus (e possivelmente, graças a Mattis) isso não aconteceu. Mas como já afirmei em meu artigo “Cada clique nos aproxima mais do estouro!” a cada vez que a Terceira Guerra Mundial não acontece na sequência de um ataque contra a Síria os neocons se sentem fortalecidos para tentar mais uma vez, especialmente dado que “Assad, o monstro que tem que cair” permanece no poder em Damasco enquanto todos e cada um dos políticos ocidentais que “decretaram” a queda de Assad já caíram.
É completamente óbvio que Israel está se tornando um país insano, absoluta, terminal e possivelmente, de forma suicida. Sua manobrazinha sórdida com o avião russo Il-20 já se provou um desastre de proporções gigantescas que, em um país normal, resultaria na imediata renúncia do governo. Mas não em Israel. Depois de se esconder atrás de um avião militar russo turboélice, eles agora decidiram se esconder dos mísseis do sistema S-300 sírio por trás de DUAS aeronaves da aviação civil! Veja você mesmo:

Não acho que valha a pena raciocinar aqui em termos de que Israel é o último país abertamente racista no planeta, ou que os líderes israelenses são imorais, insanos e, no geral, maníacos completamente enlouquecidos. Ou você já entendeu isso ou você é um caso perdido. O que importa mesmo não é quão maus são os israelenses, mas quão estúpidos e totalmente imprudentes eles são. Simplificando, funciona assim: os israelenses são maus, estúpidos e completamente iludidos, mas eles são também os donos (donos mesmo!) de cada um e todos os políticos de importância dos Estados Unidos, o que significa que não importa quão escandalosas e insanas sejam suas ações, a “nação indispensável” *sempre* encontrará uma desculpa e se preciso, proporcionará um acobertamento para eles (v.g. USS Liberty ou, por falar nisso, o incidente em 11/09). Neste momento não há ninguém na classe política dos EUA que tenha qualquer chance de ser eleito e que ouse fazer coisa diferente de demonstrar adoração por tudo o que seja israelense (ou judeu, por falar nisso). O lema real dos Estados Unidos não é “Nós confiamos em Deus” e sim “não há direitos entre Estados Unidos e Israel”(mais uma razão pela qual os EUA não são uma superpotência real: sequer são soberanos!).
O Império também tem alguns problemas enormes na Europa. Em primeiro lugar, caso os ucronazis que são protegidos dos Estados Unidos encontrem coragem (ou desespero) suficiente para atacar a Rússia ou o Donbass, o caos que resultará dessa ação vai inundar a União Europeia com ainda mais refugiados, muitos dos quais de comportamento realmente inconveniente e caráteres extremamente perigosos. Além disso, os sentimentos contrários à União Europeia estão se tornando cada vez mais fortes na Itália, Hungria e por outras razões, até mesmo na Polônia. A Franca está à beira de uma guerra civil (não por causa dos acontecimentos recentes: penso que os Coletes Amarelos acabarão por perder o ânimo); mas das próximas agitações, que creio acontecerão bem rápido, e que virão como uma explosão, resultado provável da derrubada do regime francês tutorado pela CRIF (em francês: Conseil Représentatif des Instituitions juives de France – Conselho Representativo das Instituições judias da França), afiliada francesa da organização Congresso Judeu Mundial (sigla em inglês WJC, World Jewish Congress) e do ramo europeu (EJC – European Jewish Congress) atualmente em plena atividade na França e de uma onda de ódio massivo contra os Estados Unidos.
Na América Latina, o Império tem tido muito sucesso na deposição de uma série de líderes patriotas e independentes. No entanto, atualmente não conseguem mais dar viabilidade econômica e política aos regimes atrelados aos Estados Unidos. Por incrível que pareça, e apesar de uma campanha subversiva maciça desfechada pelos EUA, e de alguns erros políticos, a Administração Maduro permanece no poder na Venezuela e está devagar mas com firmeza tentando mudar o curso da história e manter a soberania e independência da Venezuela frente aos Estados Unidos. O maior problema dos Estados Unidos na América Latina é que os EUA sempre se impuseram usando uma elite comprador local. Nesse sentido, os EUA tem tido um enorme sucesso. Porém os Estados Unidos nunca conseguiram convencer as massas populacionais de sua benevolência e é por isso que a palavra “yankee” continua significando um insulto em todos os países da América Latina.
Na Ásia, a China está oferecendo para todas as colônias (norte)americanas um modelo civilizacional alternativo que se torna cada vez mais atrativo na medida em que a República Popular da China se torna economicamente mais poderosa e bem sucedida. Isso faz com que a mistura habitual de arrogância, húbris e ignorância que uma vez permitiu que os países anglo-saxões dominassem a Ásia perca atrativo e poder e que os povos asiáticos procurem por alternativas. Verdade seja dita – os Estados Unidos não tem absolutamente nada para oferecer.
Resumindo: os Estados Unidos não só são hoje incapazes de impor sua vontade aos países considerados como “aliados dos EUA” (se o gasoduto NorthStream chegar a ser concluído – e acho que será – então isso será um marco anunciando a primeira vez que os líderes da União Europeia disseram para um presidente dos Estados Unidos ficar na dele, para usar um eufemismo), mas os EUA obviamente não tem nenhum tipo de projeto a oferecer a terceiros países. Sim, MAGA (Make America Great Again – Torne a América Grande Novamente – NT), é muito bonitinho e elegante, mas duvido que tenha muitos atrativos para outros países que estão pouco se lixando para MAGA ou não MAGA...
Conclusão usando um ditado russo
Há um ditado russo “melhor ter um fim horrível que viver um horror sem fim” (лучше ужасный конец чем ужас без конца). Não há mais dúvidas de que o declínio do Império AngloSionista continuará em 2019. No entanto, o que não mudará é a capacidade dos Estados Unidos de destruir a Rússia com um ataque nuclear. Não se engane, tudo o que as novas e extraordinárias armas russas fazem é providenciar a certeza de punir (retaliação contra) os Estados Unidos por um ataque contra a Rússia, mas não tem a capacidade de prevenir (impedir) esse ataque. Caso os neocons decidam que um holocausto nuclear é melhor que a perda de poder dos EUA, então ninguém conseguirá fazer nada para impedi-los de jogar sua própria e sórdida versão de Götterdämmerung.(Crepúsculo dos Deuses, em alemão – aqui com o sentido também de apocalipse – NT). Recentemente tive que ficar alguns dias em Boca Raton, onde um monte de “novos aristocratas” dos EUA gosta de passar o tempo e posso lhes dizer duas coisas: a vida deles é boa e eles com certeza não entregarão facilmente o status de “líderes do planeta”.  E se alguém tentar tomar deles essa condição não tenho dúvidas que esse pessoal reagirá com uma explosão de raiva surda e desesperada como aconteceu com Sansão. Assim permanece apenas mais uma questão: seremos capazes (a humanidade) de tomar dessa classe de parasitas a capacidade de apertar o botão nuclear sem lhes dá uma chance de fazer exatamente isso?
Não sei.
E então, será um fim horrível ou um horror sem fim?
Também não faço ideia.
O que sei mesmo é que o Império está rachando e que tudo indica que seu declínio só ganhará velocidade em 2019.

The Saker
Traduzido por btpsilveira
(análise escrita originalmente para o site Unz Review)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sudoeste do Pará, Urgente! Terra Indígena do Povo Arara é invadida por madeireiros

Terra indígena no Pará é invadida por madeireiros
Há riscos de conflitos entre os invasores e os indígenas que vivem na região próxima à rodovia Transamazônica 
Um grupo de madeireiros avançou nesta quinta-feira, 3, sobre a terra indígena Arara, localizada nos municípios de Uruará e Medicilândia, no Pará. A situação atual é tensa e há riscos de conflitos entre os invasores e os indígenas que vivem na região próxima à rodovia Transamazônica, a BR-230.

A invasão foi confirmada à reportagem pela diretora de proteção territorial da Fundação Nacional do Índio (Funai), Azelene Inácio. “Estamos acompanhando a situação. Uma equipe de servidores locais da Funai já foi deslocada para a área”, disse.

Uruará e Medicilândia são municípios paraenses vizinhos a Altamira, onde está em construção a hidrelétrica de Belo Monte. Nos últimos anos, a região tem sido alvo constante de invasões por madeireiros e grileiros, por conta do grande volume de madeiras nobres que a área ainda possui. As terras indígenas são, atualmente, os principais alvos dos invasores por serem aquelas que detêm as florestas mais preservadas.

Em março de 2017, uma operação conjunta da Funai, Ibama e Polícia Federal foi realizada na região, por causa de tentativas de loteamento de uma área próxima à Transamazônica. O loteamento foi abandonado. A terra indígena Arara teve seus limites homologados por meio um decreto publicado em dezembro de 1991, pelo então presidente Fernando Collor. Sua área total é de 274 mil hectares.

Madeireiros invadem Terra Indígena Arara, no sudoeste do PA, diz Funai – A Funai e a PRF acompanham a situação, já que há possibilidades de conflito na região.

Por G1 PA — Belém

Uma equipe da Coordenadoria Regional da Fundação do Índio, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), informou nesta quinta-feira (3) que acompanha uma situação de invasão de madeireiros na Terra Índigena (TI) Arara, entre Uruará e Medicilândia, no sudoeste do Pará.

De acordo com a Funai, um grupo de madeireiros invadiu a área desde o último dia 30 de dezembro para extrair madeira ilegalmente e ocupar a terra com demarcação de lotes.

A Funai não confirma a possibilidade de confronto entre indígenas da aldeira Laranjal e os invasores, mas monitora o caso.

Moradores da região temem que ocorra conflito, já que há tensões entre os indígenas para realizar um protesto na rodovia BR-230, a Transamazônica, devido a invasão.



Trecho da Rodovia BR-230, no sudoeste do Pará. — Foto: Reprodução / PRF     
Terra indígena (TI)

A TI Arara abrange os municípios de Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará. A área compreende 274.010 hectares, de acordo com a Funai, e teve limites homologados pelo Decreto nº399, de 24 de dezembro de 1991.

Casos de invasão a terras indígenas
 
Serraria foi embargada pelo Ibama por atuação ilegal e madeira apreendida foi encaminhada à Prefeitura de Medicilândia. — Foto: Divulgação/Ibama

Em 2017, uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Federal e Funai investigou denúncias de invasão na TI Arara e resultou no embargo de uma serraria e na apreensão de aproximadamente 150 metros cúbicos de madeira nos municípios de Uruará e Medicilândia.

Segundo o Ibama, os fiscais identificaram uma tentativa de ocupação às margens da rodovia Transamazônica, a BR-230, entre os quilômetros 120 e 143. Os suspeitos abandonaram o local antes da chegada dos agentes, mas deixaram para trás diversas estacas fincadas com o propósito de demarcar lotes.

Em 2018, grupo de indígenas da etnia Parakanã chegou a bloquear a rodovia BR-230 cobrando a retirada de invasores de das terras Apyterewa em Altamira. Eles denunciaram que as áreas estariam sendo alvo de crimes ambientais.

Na época, indígenas de dez aldeias procuraram a Justiça Federal em Altamira, sudoeste do Pará, para cobrar a retirada de invasores das terras Apyterêua.

Fontes:
http://m.leiaja.com/noticias/2019/01/03/terra-indigena-no-para-e-invadida-por-madeireiros/

https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/01/03/madeireiros-invadem-terra-indigena-arara-no-sudoeste-do-pa.ghtml?fbclid=IwAR3FaqQn3ej-XzVGQr4tPKkhQ

Líder guarani teme massacre e diz que indígenas viraram alvo no governo Bolsonaro

 
Os 305 povos indígenas existentes no Brasil, com suas 274 línguas nativas, estão ameaçados de morte com a decisão do governo de Bolsonaro de transferir a demarcação de terras indígenas da Funai para o Ministério da Agricultura, comandado agora por Tereza Cristina, representante da bancada ruralista. O alerta é de David Karai Popygua, liderança guarani da Terra Indígena Jaraguá, na zona norte de São Paulo.
“Essa mudança representa claramente uma grande ameaça aos povos indígenas. Bolsonaro coloca os povos indígenas abaixo dos ruralistas para que todos os interesses de exploração e os territórios sejam entregues aos ruralistas. É uma ameaça grotesca porque não dá direito algum aos povos de se defender e nem de ter algum direito. Na prática, é a liberação de todo o território indígena para a exploração dos ruralistas e do agronegócio fazerem o que bem entenderem”, afirmou David Karai Popygua, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

 
Popygua destaca que o Estado brasileiro deveria reconhecer os direitos dos povos indígenas, conforme a Constituição. Para ele, a decisão do governo Bolsonaro representa o fim da política indigenista no Brasil. “É um absurdo o que está acontecendo. Daqui pra frente vão acontecer muitas mortes e quem mais vai sofrer com essa situação são as crianças, os jovens e os velhos indígenas.”
Para o líder, não há dúvida de que a dificuldade atual dos povos originários de garantir os seus direitos ficará muito pior. “A gente não consegue nem imaginar o que é entregar o território e os povos nas mãos dos ruralistas que, historicamente, nos perseguem”, lamenta, enfatizando que o Brasil já tem um alto índice de mortes por questões fundiárias.
Segundo Popygua, com 60% do território indígena ainda não demarcado, não deverão ocorrer novas demarcações de terra no governo de Bolsonaro. “O governo está negando o direito histórico dos povos indígenas e, sem dúvida, dizendo que eles não merecem respeito, não merecem dignidade, não merecem ter a sua cultura preservada. É como se nós, agora, fôssemos um alvo do governo a ser exterminado.”
A liderança guarani faz, inclusive, um apelo para que a população brasileira não fique omissa. “Até as pessoas que votaram nesse governo têm que se manifestar, porque são medidas absurdas. Estamos falando da vida dos povos indígenas.”
https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2019/01/lider-guarani-teme-massacre-e-diz-que-indigenas-viraram-alvo-no-governo-bolsonaro/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Crianças palestinas assassinadas por Israel em 2018 foram esquecidas pelo mundo

Pelo menos 56 crianças palestinas foram mortas em 2018 por franco-atiradores, drones e pelas forças de segurança do exército israelense, sem representar qualquer ameaça. Essas 56 crianças e todos aqueles palestinos que foram mortos por Israel durante anos foram esquecidos pelo mundo.

Uma coroa de flores repousa sobre o assento de Faris Hafez al-Sarasawi, um menino palestino de 12 anos que foi morto pelas forças israelenses nas manifestações do "Grande Marcha do Retorno", durante uma memória de seus colegas e professores em Escola primária Muaz bin Jabal em Shuja. Bairro Iyya da Cidade de Gaza, Gaza, em 6 de outubro de 2018 [Ali Jadallah / Agência Anadolu]

A Defesa Internacional de Crianças - Palestina (DCIP) pinta uma perspectiva sombria para as crianças palestinas, revelando que, em 2018, pelo menos 56 crianças foram mortas por Israel. As pessoas que testemunharam alguns dos assassinatos insistiram que as crianças atacadas estavam desarmadas e não representavam  ameaça.

Crianças palestinas foram mortas por franco-atiradores, drones e forças de segurança do exército israelense nos territórios palestinos ocupados. Cinco das crianças mortas tinham menos de 12 anos de idade. Em Gaza, 49 crianças foram mortas por Israel em atividades relacionadas aos protestos da Grande Marcha de Retorno.
Israel usou munição real em 73% das mortes documentadas pelo DCIP, que também registrou "140 casos de crianças palestinas detidas pelas forças palestinas". As forças israelenses também prenderam 120 crianças na Cisjordânia ocupada. Em ambos os grupos, crianças detidas sofreram abusos nas mãos das forças de segurança que os detiveram, seja a Autoridade Palestina ou o exército de ocupação israelense.
Essas táticas mostram que a colaboração colonial de Israel com a Autoridade Palestina tem como alvo um segmento muito vulnerável da sociedade palestina. Além disso, o assassinato e a lesão de crianças palestinas nas mãos de franco-atiradores israelenses na Grande Marcha do Retorno significa claramente  mutilação direta de toda uma geração que pode continuar a luta anticolonial.

Citar o Direito Internacional não faz sentido quando Israel, e até mesmo a Autoridade Palestina, têm ampliado os parâmetros para um ciclo contínuo de abuso contra crianças palestinas. O Direito Internacional só é relevante quando usada para indicar que as violações estão sendo cometidas e os palestinos enfrentam um Estado membro da ONU, no caso Israel,  que trata o direito internacional com desprezo, enquanto a comunidade internacional dá seu acordo tácito ao abuso e, em alguns casos, é um cúmplice.
A investigação do DCIP coloca em pauta o fato de que Israel matou uma média de mais de 
uma criança por semana durante 2018. 
As estatísticas oficiais mais chocantes revelaram que entre 2000 e 2014, Israel matou uma criança palestina a cada três dias em média, durante quatorze anos. Ao longo do ano houve uma discussão contínua sobre a intenção genocida de Israel e as ações que foram descartadas principalmente devido ao monopólio do termo em referência ao Holocausto. No entanto, o Artigo II da Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio define o termo como "atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso". Israel  está fazendo isso contra o povo da Palestina, "como um todo  ou em partes"?

 Palestinos carregam o corpo de Hafez al-Sarasawi Faris, um menino palestino de 12 anos que foi morto por forças israelenses nas manifestações do "Grande Marcha do Retorno" durante seu funeral, no bairro Shuja'iyya Cidade Gaza,  em 6 de outubro. 2018 [Ali Jadallah / Agência Anadolu
As respostas da comunidade internacional são tão previsíveis que Israel não encontra obstáculos para manobrar além dos limites estabelecidos pelo direito internacional; Israel age tranquilamente pela segurança da impunidade. A taxa "gota a gota" do assassinato de crianças palestinas e a natureza quase rotineira de sua detenção cai sob o radar de violações dos direitos humanos. Como a comunidade internacional não responde às violações israelenses dentro de sua estrutura estabelecida, Israel consegue fechar a lacuna entre violações e direitos.
Falar das violações de Israel agora é, de fato, também falar da irresponsabilidade da comunidade internacional. No entanto, nenhum destes foi examinado ou prestado contas; o resultado é a cotação regular, mas um pouco relutante, do que deveria acontecer de acordo com o direito internacional justaposto contra as violações da lei por Israel. A responsabilidade, no entanto, há muito tempo escapou da cena do crime. Se Israel mata crianças palestinas (ou mulheres e homens), mata porque decidiu, deliberadamente, fazê-lo.
Enquanto isso, a comunidade internacional evitará associar as ações israelenses ao genocídio, preferindo confiar em "supostos crimes de guerra", cujos perpetradores nunca serão levados à justiça. Crianças palestinas mortas por Israel durante os anos da ocupação, desde 1948,  foram esquecidas pelo mundo.
Fonte: Ramona Wadi , Middle East Monitor / Tradução: Palestinalibre.org
Copyleft: Qualquer reprodução deste artigo deve ter o link para o original em inglês e a tradução de Palestinianalibre.org

Israel usou dois voos civis como escudo

 
O Tsahal (FDI) conseguiu atacar um alvo em Damasco, no dia de Natal, 25 de Dezembro de 2018, utilizando dois aviões de passageiros, que sobrevoavam o Líbano, como escudos para os seus bombardeiros, confirmaram ao mesmo tempo os Estados-maiores sírio e russo.
Era impossível à Síria abater os bombardeiros israelitas sem colocar a vida dos passageiros dos voos civis em perigo, como fora o caso, em 17 de Setembro de 2018, com um avião de observação militar russo.
O Ministro libanês das Obras Públicas, Youssef Fenianos, confirmou que se havia escapado a uma «verdadeira catástrofe».
Israel largou bombas 16 GBU-39 guiadas a laser, de fabrico norte-americano, a partir de 6 F-16s. Duas atingiram o seu alvo, oficiais do Hezbolla que embarcavam num avião especial para comparecer a um funeral no Irão, e um complexo militar sírio.
Penetrar ilegalmente no espaço aéreo libanês e utilizar aviões civis como escudos constituem graves violações do Direito Internacional.
Tradução Alva
http://www.voltairenet.org/pt

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Agravamento da crise do sistema capitalista:

A emergência do movimento dos "coletes amarelos" em França

– Simpatia dos trabalhadores na Argélia
– Angústia da burguesia diante da perspectiva de um contágio

por Alger Republicain
A clique dos dirigentes do mundo capitalista imperialista está encostada à parede, os fundamentos pútridos do sistema estalam por todo o lado. As burguesias estão em pânico. Elas procuram por todos os meios manter-se no poder. Através de uma propaganda bem oleada, elas mobilizam todos os seus media, todas as suas TVs e toda uma fauna de vermes políticos para confundir as massas populares e em particular os trabalhadores.

A crise, esta palavra é repetida extensamente para fazer acreditar que nada se pode fazer. Toda a propaganda consiste em fazer crer que a crise vem "eu não de onde e que nada se pode fazer". Com este estratagema oculta-se ao povo as suas verdadeiras causas para faze-lo engolir as políticas de miséria impostas às massas populares. A crise é inerente ao capitalismo. Pois é a super-produção e a acumulação do capital que exacerbam as contradições e os antagonismos do capitalismo. Milhares de automóveis, televisores ou frigoríficos não vendidos não encontram tomadores. A tendência seria de preferência quebrar a ferramenta de trabalho a fim de relançar a economia. A pauperização das massas populares agrava a crise. Um círculo vicioso de que o capitalismo não sai senão agravando cada vez mais a situação das massas.

Os media entregam-se extensamente a todo tipo de manipulações ideológicas. Procura-se convencer os trabalhadores de que, dado o "grande progresso tecnológico", o conceito de classe já não é válido. A classe operária "desaparece" ou "não existe mais", lembrando sempre que é preciso convencer o proletariado "inexistente" de que se deve resignar à nova realidade e que não há outras alternativas.

Quanto maior a pílula, mais impudentes se tornam os capitalistas, afirmando que não há mais diferenças entre o patrão e o trabalhador. Durante décadas, toda a fauna política que se qualifica como "de direita ou de esquerda", oportunistas e renegados de toda espécie, empregaram uma palavra devastadora, pondo no mesmo pé o explorado e o explorador, declarando "caducos" os antagonismos de classe e baptizando como "parceiros sociais" os capitalistas e os operários.

A colaboração de classes dos oportunistas e renegados não é mais preciso demonstrar. A maior parte das direcções sindicais adoptou este caminho. Os sindicatos financiados pelos EUA, a União Europeia, os governos burgueses não são mais dos sindicatos de classe. Suas direcções sindicais tornaram-se marionete nas mãos do patronato. Os membros da CES [Confederação Europeia dos Sindicatos] e da CSI [Confederação Sindical Internacional], que recebem royalties significativos para que os trabalhadores aceitem políticas reaccionárias. Eles se tornaram os capatazes do capitalismo.

Na Argélia, o processo é o mesmo. Os operários nada têm a esperar destes sindicatos UGTA [União Geral dos Trabalhadores Argelino], eles estão lá para canalizar o descontentamento dos assalariados. Os sindicatos "autónomos", mesmo que tenham o mérito de exprimir a indignação dos assalariados, contribuem para difundir a ideologia reformista e corporativista. Eles tendem a matar no ovo a formação de uma consciência de classe revolucionária.

A partir da vitória momentânea da contra-revolução na URSS, que foi a maior derrota dos trabalhadores no mundo, assistimos a um recuo político e cultural sem precedentes. Procura-se fazer com que os trabalhadores acreditem que o capitalismo saiu vencedor do socialismo. Era o fim da história e agora o capitalismo triunfante iria trazer a felicidade para todos e amanhãs que cantam. Foram precisos apenas alguns anos para que o capitalismo aparecesse tal como ele é, um sistema obsoleto, predador e não reformável.

Hoje as devastações do sistema capitalista explodem por toda a parte

Em todos os países do planeta encontra-se o mesmo desastre para as massas populares e os trabalhadores. Na África, na América Latina, nos países asiáticos e em numerosos outros países a pobreza irrompe à luz do dia. Em certos países, as crianças morrem de fome. Populações inteiras, mulheres e crianças pequenas, numa indigência extrema, abandonam seus tugúrios miseráveis, arrastando sua miséria, tomando a rota do desespero rumo ao desconhecido. Elas chegam aos milhares às portas dos países que as arruinaram. São expulsas como criminosas.

A Europa não escapa a este marasmo do sistema capitalista. Em todos os países europeus há consternação, os trabalhadores não aguentam mais, a pobreza generaliza-se. O desemprego em massa não faz senão aumentar. Os trabalhadores não têm mais nada a perder, o descontentamento generaliza-se, eles estão na rua para que se façam ouvir seus gritos de dor. A crise provocou a debandada dos governos europeus. Diante dos problemas a ultrapassar, estes países tornam-se ingovernáveis. As burguesias, apesar das suas preocupações, não conseguem mais fazem com que as massas populares engulam sua política sinistra. Para se manterem no poder, elas estão prontas a aliarem-se ao diabo, no caso com as forças mais retrógradas, a peste castanha. A peste castanha está às portas do poder em numerosos países. Isso se vê na Áustria, Alemanha, Itália, mesmo em França, nos ex-países socialistas e outros. Trata-se de um verdadeiro perigo para a humanidade e os trabalhadores são os primeiros afectados.

Os trabalhadores franceses entraram na batalha pelas suas reivindicações, mas não em boas condições. Com efeito, desde há numerosas décadas as forças progressistas enfraqueceram-se perigosamente sob os golpes dos traidores oportunistas e dos sindicatos amarelos.

Os sindicatos não respondem mais às suas reivindicações, o Partido Comunista Francês não desempenha mais o seu papel porque abandonou a luta pelo socialismo. Os trotsquistas entregam-se à verborreia vazia. Eles rebaixam a luta apenas às questões económicas imediatas e de uma maneira que nunca põe em causa as bases do capitalismo. Quando aparecem na TV, a palavra socialismo é proscrita das suas bocas. Eles estão ali para fazer a burguesia ganhar tempo.

A emergência súbita em França do movimento dos coletes amarelo é realmente a expressão da subida do descontentamento popular resultante da enorme pressão da grande burguesia, dos grandes monopólios capitalistas sobre a classe operária e sobre o conjunto das camadas populares, para elevar sua taxa de lucro. Algumas das forças reaccionárias procurar orientar esta explosão contra os migrantes. Mas não está aí o essencial. As sondagens mostraram que só uma parcela insignificante dos "coletes amarelos" se deixa influenciar pelos meios racistas e fascistas.

Quando se trata de grandes greves, é com bombardeamentos violentos que as vedetes dos media atacam os trabalhadores, acusando-os de tudo ou então não falando das greves. Mas doravante o maior temos da burguesia é que este movimento se coordene com a classe operária e que esta consiga libertar-se do peso das direcções sindicais corrompidas e oportunistas que a impedem de juntar-se às manifestações populares. É por isso que os chefes de orquestra dos media fingem exprimir alguma simpatia pelos "coletes amarelos". Uma atitude hipócrita motivada pelo único objectivo de conduzir o movimento a impasses prodigalizando-lhes conselhos "sábios" e, em particular, para desconfiarem dos sindicatos. Nunca se sabe, caso os trabalhadores cheguem a livrar-se dos responsáveis que os aconselham a ocuparem-se apenas das suas reivindicações corporativistas, a manterem-se afastados deste movimento etc.

Os trabalhadores franceses mais conscientes têm razão em estarem vigilantes. Os riscos de provocação são reais. Os arruaceiros (casseurs) destacados com insistência e em directo pelas câmaras das TVs oligárquicas para desacreditar os manifestantes e incitar o povo a permanecer em casa, mostram que a burguesia tem mais de um trunfo na sua bagagem. Os émulos de Vidocq estão lá para tramar conspirações destinadas a provocar o medo e a diabolizar os novos líderes popular em vias de emergir.

Muitos reformados, desempregados, trabalhadores e certamente numerosas pessoas em pobreza insustentável estão na rua. Os trabalhadores devem tomar a direcção deste movimento sem tardar a fim de contrariar todos os aprendizes de feiticeiro dos seus desígnios sinistros. A extrema-direita e os esquerdistas de todo naipe servem-se do descontentamento das massas populares para avançarem seus peões. Seus objectivos: fazer cair este governo e provocar novas eleições, tomar o poder mas não para mudar de política. Se conseguirem os seus fins, os trabalhadores terão de escolher entre a peste e a cólera.

Os trabalhadores franceses sofrem há várias décadas os assaltos do capital. Todos os presidentes da república francesa, qualquer que seja a sua cor, que se sucederam desde há décadas não foram senão homens ao serviço da burguesia. Eles praticaram a mesma política contra os trabalhadores e o presidente actual está na mesma linha. Foram eleitos seguindo um sistema eleitoral da sua devoção, enquanto representante do grande capital. Os trabalhadores franceses desde Junho de 1849 e, sobretudo, a Comuna de Paris em 1871, jamais cessaram seu combate contra este sistema. A luta é difícil, a burguesia francesa não é um tigre de papel, mas sem dúvida ela não é invencível.

Os trabalhadores curvaram a espinha durante décadas, todas as suas conquistas sociais evaporaram-se sob os golpes da repressão patronal e da forças retrógradas, com a cumplicidade dos oportunistas e de certos aparelhos sindicais corrompidos. Que a burguesia não grite vitória demasiado rápido. Os trabalhadores acusam o golpe com dor, mas o seu olhar diz muito, eles estão sempre lá. Estas provas, por mais dolorosas que sejam, vão reforçar sua determinação na luta implacável para abolir de uma vez por todas este sistema predatório: o capitalismo imperialismo.

Os trabalhadores argelino, a grande massa dos jovens marginalizados por um capitalismo predatório, submetidos ao sistema imperialista mundial, seguem com simpatia este movimento.

A partir de agora, o levantamento das massas populares em França é vivido com angústia pelas classes dirigentes e seu regime em vigor. Uma derrota mesmo sobre as reivindicações imediatas será explorada pelo poder para dizer aos trabalhadores argelinos:

"Vejam, mesmo um país tão desenvolvido como a França é obrigado a suprimir as conquistas sociais para sair da sua crise financeira".

Não lhes será fácil aplicar suas famosas "reformas". O conteúdo destas reformas de que todos os defensores do capitalismo reclamam a aceleração, no poder ou entre seus opositores de direita, resume-se assim: fazer prosperar os negócios dos burgueses, internos ou externos, com a ajuda crescente de um Estado totalmente ao seu serviço, e mais miséria e privações para todos os trabalhadores e as camadas sociais laboriosas.

A luta contra a miséria e as desigualdades engendrada pelo capitalismo é uma luta nacional e internacional.

O que se passa um pouco por todo o mundo e em particular em França. Nossos trabalhadores devem aprender a lição para, por sua vez, conduzir a sua luta contra este sistema predatório. Devem organizar-se num sindicato de classe e construir um partido revolucionário. 
13/Dezembro/2018
O original encontra-se em www.alger-republicain.com/Aggravation-de-la-crise-du-systeme.html

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/
 .

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A luta dos emigrantes e da classe trabalhadora é única

Solidariedade com os trabalhadores migrantes




As políticas capitalistas favorecem a migração. Milhares de trabalhadores e suas famílias veem-se atraídos por projetos imobiliários no noroeste e em outros pontos do México; nos chamados megaprojetos, que a partir dos monopólios e do novo governo são promovidos em toda a zona sul do território nacional; nas Zonas Econômicas Especiais que tanto na fronteira sul como na norte já são consideradas. Relativamente a esta última deve considerar-se a forma como a burguesia favorece o tráfico ilícito através de organizações ad hoc e o constante fluxo de força de trabalho que lhes permite esmagar as condições gerais de trabalho de toda a classe trabalhadora, favorecem maiores margens de lucro e aumentam as pressões sociais que ameaçam os trabalhadores ativos. O desenvolvimento desigual do capitalismo concentra a riqueza em determinados pontos e classes sociais, ao mesmo tempo que se veem exemplos mais incríveis de miséria noutros pontos e outras classes e setores sociais. 

A burguesia, os monopólios e seus partidos, dos chamados neoliberais aos social-democratas, não podem oferecer aos trabalhadores migrantes outra coisa senão precariedade, extorsão, marginalização, miséria, residências temporárias sem direitos laborais efetivos, racismo, xenofobia, doenças. hostilidade, tráfego, sequestro, indignação ou desilusão.

 
Denunciamos o palavreado anti-imigrante e a criminalização dos trabalhadores forçados a abandonar os seus países de origem. Denunciamos todas aquelas vozes e ações que reivindicam impor os interesses dos capitalistas através das suas exigências de que o caravana se cinja à legalidade e à ordem. 

Não nos esqueçamos de que, nas câmaras legislativas, o futuro governo de unidade nacional, através de uma aliança das bancadas parlamentares de Morena-PRI, anulou os apelos para respeitar os direitos humanos dos migrantes no meio de um coro criminoso contra eles. 

Morena e Andrés Manuel López Obrador contribuíram muito para esta situação de ataque anti-imigrante. Durante 12 anos insistiram e encorajaram um discurso supostamente em defesa da soberania nacional, pleno de nacionalismo no qual o que conta é o país, a nação. Eles fazem os trabalhadores e trabalhadoras acreditarem que falam no seu interesse, mas na realidade falam sempre da grande nação burguesa, do interesse dos grandes empresários mexicanos, etc. 

No seio deste discurso burguês, todos os tipos de expressões agora se alimentam e convergem, incluindo o tom fascista. Como aquelas diatribes e expressões criminosas que descrevem a caravana centro-americana como uma invasão e ataque à soberania nacional; esse apelo à civilidade para não afetar "a nação", opondo-se aos acordos com os representantes dos monopólios nos Estados Unidos e, especificamente, aos latidos de Trump sobre não permitir que os migrantes toquem o solo dos EUA e  todos aqueles que lançam ataques racistas justificados na defesa do interesse nacional mexicano. Os monopólios falam por todos eles. E tanto na velha como na nova social-democracia, os elementos fascistas são cozinhados, com ou sem linguagem "esquerda". 


 
Todas as acusações, linchamentos morais e abusos contra migrantes não se destinam a impedir sua entrada em países onde possam encontrar oportunidades de emprego ou buscar asilo. O propósito deste ensurdecedor coro nacionalista é ajoelhar os migrantes; agitar os instintos mais baixos da classe trabalhadora nos países receptores; dividindo os trabalhadores em função da nacionalidade com calúnias, colocar todos os migrantes em condições de maior assédio, ilegalidade, ansiedade, sigilo e isolamento; favorecer medidas de maior exploração e precariedade por parte dos capitalistas; aumentar a sua vulnerabilidade em relação a toda a classe de empregadores; desviar a atenção das verdadeiras causas da crise capitalista e do agravamento sistemático da situação de vida das massas e setores populares.








A suposta benevolência e solidariedade proclamadas pelo presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, e a futura secretária do Interior, Olga Sánchez, não são estranhas ao que salientamos. Seus apelos para recebê-los de abraços abertos, as ações que se propõem protegê-los e apoiá-los, oferecendo-lhes um posto de trabalho na construção da Ferrovia Maia e no corredor trans-ítimico; nas projetadas novas refinarias; nos complexos empresariais nas Zonas Econômicas Especiais; nas construções na fronteira norte, é o capitalismo imobiliário a esfregar as mãos em detrimento dos migrantes. Esconder-se atrás dos gestos da humanidade burguesa que em todas estas áreas, projetos e circunstâncias, os trabalhadores migrantes serão explorados até morrer.

Sem o direito de se sindicalizarem, sem direito a uma permanência estável, mas a simples permissão de trabalho temporário e com a autoridade do Estado para suspendê-los quando desejarem, com precarização, com salários ainda menores. A política de migração do novo governo não se distingue nem se distinguirá do pano de fundo da política burguesa do governo de Enrique Peña Nieto contra as ondas passadas de migrantes centro-americanos e o fluxo migratório haitiano de 2016. As expressões classistas dos representantes de Morena, pedem à caravana migrante para não cruzar "seus estados de origem" não são diferentes das opiniões liberais do PAN. Eles parecem diferentes, mas no fundo não o são.

Nos Estados Unidos, a mesma coisa acontece. Enquanto o discurso dos republicanos e de Trump parecem diferenciar-se muito do discurso dos Democratas (discurso que agora é acolhido pela Social Democracia na Cidade do México), as leis americanas e costumes da burguesia norte-americana fecham a porta à chegada de migrantes para que possam ser explorados, com o mínimo de custo a ser pago pelos monopólios.

Seja o que for dito, todo trabalhador, trabalhadora, trabalhador migrante pode solicitar asilo. Tem direito a um número de seguro social, a trabalhar, a comprar. O que ele não tem direito, como nenhuma outra classe trabalhadora, é a certeza de seu futuro. Sua estada nos EUA pode não ser autorizada, mas os capitalistas vão espremê-la como força de trabalho não documentada. A longo prazo espera-se a deportação, a ruína, o resto são exceções. Quantos casos há de trabalhadores ou trabalhadoras com 30 ou 40 anos de trabalho nos EUA que um dia são expulsos do seu país de chegada, perdendo tudo da noite para o dia? Repetimos, a burguesia é criminosa e tem dupla moral. Agitar, reprimir, criminalizar, agredir, assaltar, mas colocar toda a classe trabalhadora cada vez mais à sua mercê, a gosto e conveniência.

Por outro lado, estendemos aos migrantes que passam pelo México a mais sincera solidariedade proletária, que deve sobretudo manifestar-se em fatos, nos pontos geográficos onde o partido tem uma presença, para as diversas caravanas centro-americanas de migrantes, incluindo mães com filhas e crianças desaparecidas, em sua jornada e estadia entre o México e os Estados Unidos. Sabemos que é uma situação de décadas. Milhares de jovens e idosos sacrificados em benefício da produção ou atividade associada ao lucro capitalista, mortos em segredo, forçados a trabalhar em campos agrícolas ou transferência de bens, explorados e exploradas no campo do turismo ou da oferta sexual.

Os capitalistas e seus governos negam ou omitem tais fatos. Nós nos opomos – tal como nos casos de milhares de desaparecimentos internos e forçados em Sinaloa, Chihuahua, Baja California, Estado de México, Guerrero, Michoacán, Veracruz, entre outros – incluindo tanto a política manifestamente criminosa dos monopólios durante o governo Enrique Peña Nieto como a política de unidade nacional do novo governo social-democrata, o da "quarta transformação" liberal, manifestada também no propósito criminoso de dar continuidade à impunidade pelo eufemismo de 'perdoado, mas não esquecido'.

Exigimos e acompanhamos a luta pelo esclarecimento, busca, apresentação e reparação tanto do Estado mexicano como dos EUA em relação aos pais e familiares desaparecidos. Neste ponto, a comunidade de interesses entre a classe trabalhadora e os setores populares de todos os países envolvidos é evidente e a possibilidade de fortalecer laços nesse propósito é mais do que necessária.

Onde quer que os irmãos e irmãs da América Central estejam, é necessário mostrar nossa maior solidariedade, apreciação e compreensão. Sem que isso seja reduzido ao catálogo humanista da burguesia: doação de roupas, abrigo, cortes de cabelo, comida de 1 ou 2 dias, etc. Mas deve incluir tudo o melhor que podemos oferecer como trabalhadores, trabalhadoras e comunistas, mas também considerar sempre a conversa, a denúncia, a agitação e a nudez dos capitalistas de corpo inteiro. Para os deste país, para os da América Central, os EUA, etc.

O interesse dos migrantes é o nosso interesse como classe: abrigos confortáveis; casas de banho públicas a baixo custo e ou gratuitas; rede de cantinas populares com comida nutritiva; ônibus confortáveis para transporte; hospitais que atendam a todos para além dos requisitos burocráticos; planejamento e construção de novos conjuntos hospitalares públicos; prioridade e atenção diferenciada para crianças e idosos; direito efetivo de asilo; direito efetivo de deixar qualquer país, inclusive o seu, com as garantias que cada Estado deve observar; direito à naturalização e não apenas a mecanismos vantajosos para empresários e monopólios; direito de residência permanente; sindicalização por via dos fatos; exigência de direitos laborais, organização como classe, independentemente da nacionalidade de origem. 

Nada disso virá de qualquer governo capitalista, seja dos presumíveis herdeiro das "glórias" do liberalismo do século XIX e da social-democracia internacional. É uma tarefa que também une toda a classe trabalhadora num conjunto de propósitos compartilhados. E estabelece o padrão para a liberdade definitiva de toda a classe trabalhadora. 

 8 preguntas y sus respuestas para entender las caravanas de migrantes en mexico

Proletários de todos os países, uni-vos!
Comissão Política do Comitê Central do
Partido Comunista de México
O original encontra-se em www.comunistas-mexicanos.org/...

Este documento encontra-se em http://resistir.info/ .