segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Israel encarcerou mais 30 adolescentes em agosto, a maioria foi torturada.

 Israel encarceló a 30 adolescentes en agosto, la mayoría de ellos fueron torturados
As Forças israelenses prenderam  30 adolescentes palestinos em agosto e cobraram 65.000 shekels ($ 17.270) de suas famílias como multas, conforme revelado pelo Comitê Palestino de Assuntos de Prisioneiros - Addameer.
A maioria dos jovens detidos relataram ter sido espancado e torturado durante a detenção,  o interrogatório e o transporte de um centro de detenção para outro, disse o grupo.
Jovens de treze anos de idade estavam entre os detidos, disse o advogado da comissão, Luay Akka, em um comunicado.
Akka acrescentou que 17 dos detidos foram retiradas de suas casas durante as incursões militares, cinco foram presos na rua, quatro nos postos de controle militar, e quatro vieram voluntariamente para centros de detenção depois que eles receberam intimações das autoridades israelenses.
Três dos 30 detidos foram mantidos sem acusação e sem julgamento por detenção administrativa, o resto foram condenados após audiências judiciais a penas que vão de um mês a 45 meses.
Mousa Khanafsa, um 14 anos, da localidade de  Abu Dis, no distrito de Jerusalém, da Cisjordânia ocupada, afirmou  que foi severamente espancado quando  foi preso em uma rua perto de sua casa.
Um grupo de agentes israelenses disfarçados, disse ele, o perseguiu pelas ruas e quando  o pegaram "atacou com as coronhas das espingardas, pisaram com botas militares, e deixou-o sangramento no nariz." 
 
De acordo com a Addameer, dos 7.000 palestinos detidos em prisões israelenses, 250 eram menores de idade a partir de julho.
http://www.resumenmediooriente.org/2016/09/08/israel-encarcelo-a-30-adolescentes-en-agosto-la-mayoria-de-ellos-fueron-torturados/

Povo do Yemen sofre a barbarie da guerra imperialista


 Nota do Blog: A situação trágica do povo do Yemen reflete mais uma vez o jogo dos interesses das grandes corporações capitalistas no Mundo Árabe, capitaneados pelos EUA e Israel que movem seus exércitos mercenários e países locais aliados, como a Arábia Saudita, para saquear as riquezas e dominar  o território. O texto abaixo é um pequeno resumo de mais essa  tragédia para os povos yenemita.

 Iemenitas, sauditas entre atentados e ameaças terroristas

 Yemenitas entre bombardeos sauditas e ameaças terroristas
Rasoul Goudarzi / Resumo Oriente Médio / HispanTV, 07 de setembro de 2016 - 
Todos os dias são produzidas novas notícias sobre Yemen, desde a destruição e deslocamento até a morte de civis, crianças e mulheres.
A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que a guerra, que começou em março de 2015, já deixou cerca de 10.000 mortos, a maioria dos quais são civis.
No artigo a seguir, vamos analisar diferentes aspectos da crise no país mais pobre do mundo árabe, desencadeada pelo bombardeio da Arábia Saudita  e  pelas ameaças  terroristas do EIIL (Daesh, em árabe) e Al-Qaeda.
Origens da crise no Iêmen
Em 26 de Março de 2015, a Arábia Saudita e seus aliados Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Egito, Senegal e Sudão, entre outros, lançaram uma invasão contra o Yemen. O objetivo era restaurar o poder de Abdu Rabu Mansur Hadi, e eliminar o movimento popular Ansarolá. O resultado da invasão é impactante. O diretor do  Escritório das Nações Unidas no Yemen, Jamie McGoldrick, anunciou que a guerra deixou pelo menos 10.000 mortos, mas especifica que os dados são baseados em números fornecidos pelos hospitais, indicando que a dimensão do tragédia pode ser muito maior, porque, infelizmente, muitas das áreas que são alvo de ataques não têm hospitais, centros de saúde ou qualquer outro lugar onde se possa  atender aos feridos, nem condições de contabilizar o número de vítimas. O diretor  enfatizou que o conflito desalojou 3 milhões de pessoas, enquanto outros 200.000 foram forçados a procurar refúgio no exterior. A esta tragédia  deve ser adicionado os 18 milhões que precisam de ajuda humanitária urgente e um milhão de crianças que lutam para sobreviver.
Além do bombardeio que destruiu o país e fez o povo yemenita perder a esperança de um futuro,  a sombra do terrorismo paira sobre este território.
 A situação geopolítica e geoestratégica no Yemen é de extrema importância para os extremistas de Al-Qaeda. O país está no coração do mundo islâmico e tem imensos recursos naturais, bem como é próximo dos lugares sagrados e importantes dos muçulmanos; Meca e Medina na Arábia Saudita. Estes são fatores muito importantes para salafistas, por que eles consideram o Yemen como o berço do que eles denominam de "califado islâmico".
Neste contexto, deve-se assinalar que o caos  reinante no país árabe,  os terroristas da Al Qaeda estabeleceram um pequeno império na província  de Al Mukalla, onde  levantaram cerca de US $ 100 milhões de dólares originários dos roubos em bancos e impostos que cobram dos comerciantes. Além  dos 1,4 milhões de dólares da companhia nacional de petróleo do Yemen.  Al Mukalla é considerada a capital da Al-Qaeda.
Além de Al-Qaeda, Daesh não tem poupado esforços para aumentar sua influência no Yemen. No início de 2015 e em abril do mesmo ano  lançou um vídeo em que  içou sua bandeira na capital yemenita SanáPor agora, este grupo terrorista está muito ativo no centro, sul e leste do país árabe, e se esforça para ganhar o controle da maior parte da província de Shabu e estabelecer a sua sede no sul do Yemen.
Passividade dos organismos "competentes"
Ao estudar o fundo da crise no Yemen, percebemos o apoio que está recebendo o agressor por parte das organizações competentes. Na verdade, desde o início da invasão saudita, não houve uma única resolução contra Riad por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), nem mesmo houve sanções ou medidas de pressão da União Europeia ( UE), EUA, e outros países e blocos que se autoproclamam guardiões dos direitos humanos. Ao contrário, a situação é ainda pior se considerarmos que durante a agressão ao Yemen, disparou  a venda de armas e apoio financeiro e logístico de parte de vários países europeus, incluindo Reino Unido, França e Alemanha. O jornal britânico The Guardian, em um artigo publicado em setembro passado, revelou que Londres emitiu cerca de 40 licenças para exportações de armas para a Arábia Saudita, logo após o início dos ataques.Além disso, o centro de estudos IHS publicou um documento que indicava Riad como o primeiro comprador de armas do mundo, sendo os Estados Unidos o seu principal fornecedor.
Estes dados mostram claramente por que  não se pressiona  a Arábia Saudita, apesar dos inúmeros crimes que estão sendo cometidos tanto dentro como fora do seu próprio país,desde a  repressão dos xiitas e o exercício de um sistema totalitário no seu território ao financiamento de terroristas no Oriente Médio e os ataques contra Yemenitas.
A realidade do Yemen nos leva à seguinte conclusão: quem possui grandes somas de dinheiro e beneficia os interesses políticos e econômicos das superpotências pode cometer todos os tipos de crimes e delitos sem responder por eles a nenhum organismo internacional; ali os direitos humanos não são lembrados. Portanto, não se deve esperar a paz ou pelo menos um fim que responda  à vontade de yemenitas.
http://www.resumenmediooriente.org/2016/09/07/yemenies-entre-bombardeos-saudies-y-amenazas-terroristas-2/

DO 10 DE SETEMBRO DE 2001 AOS DIAS DE HOJE ...

. 15 anos de crimes

Os Estados Unidos e os seus aliados comemoram os 15 anos do 11-de-Setembro. Para Thierry Meyssan é a ocasião de fazer o ponto sobre a política de Washington desde essa data ; um balanço particularmente sombrio. Das duas uma, ou a versão dos atentados pela Casa Branca é autêntica, e neste caso a sua resposta aos ataques é particularmente contraproducente ; ou ela é falsa, e neste caso eles conseguiram pilhar o Mundo Árabe.
Por Thierry Meyssan
   
    Há 15 anos atrás nos Estados Unidos, a 11 de Setembro de 2001, «o plano de continuidade de governo» foi ativado, por volta das 10 h da manhã, pelo coordenador nacional para a segurança, a protecção de infra-estruturas e o contra-terrorismo, Richard Clarke [1]. Segundo ele, tratava-se de responder à situação excepcional de dois aviões que tinham atingido o World Trade Center de Nova Iorque, e de um terceiro que teria atingido o Pentágono. No entanto, este plano só devia ser utilizado em caso de destruição das instituições democráticas, por um ataque nuclear por exemplo. Jamais havia sido considerado activá-lo enquanto o Presidente, o Vice-presidente e os Presidentes das Assembleias estivessem vivos e aptos a exercer as suas funções.
A activação deste plano transferiu os poderes do presidente dos Estados Unidos para uma autoridade militar alternativa, colocada em Mount Weather [2]. Esta autoridade só restituiu as suas funções ao Presidente George W. Bush Jr no final do dia. Até hoje, a composição desta autoridade e as decisões que ela pôde tomar permaneceram secretas.
Tendo o Presidente sido removido das suas funções durante cerca de dez horas, a 11 de Setembro de 2001, em violação da Constituição dos Estados Unidos, é tecnicamente correcto falar de «golpe de Estado». É claro, esta expressão choca porque se trata dos Estados Unidos, porque isto teve lugar em circunstâncias excepcionais, porque a autoridade militar nunca o reivindicou, e porque ela retornou o poder sem causar problemas ao presidente constitucional. Mas, nem por isso deixa de ser, stricto sensu, um «golpe de Estado».
Numa célebre obra, publicada em 1968, mas reeditada e tornada no livro de cabeceira dos neo-conservadores durante a campanha eleitoral de 2000, o historiador Edward Luttwak explicava que um golpe de Estado é tanto mais conseguido quando ninguém se dá conta que ele ocorreu, e, portanto, não se lhe opõe. [3].
Seis meses após estes acontecimentos, eu publicava um livro sobre as consequências políticas deste dia [4]. Os média (mídia-br) interessaram-se apenas pelos quatro primeiros capítulos, nos quais eu demonstrava a impossibilidade da versão oficial destes acontecimentos. Fui muito criticado por não apresentar a minha própria versão desse dia, mas não o fiz e continuo ainda hoje com mais perguntas do que respostas a propósito.
Seja como for, os 15 anos passados esclarecem-nos sobre o que aconteceu naquele dia.

Desde o 11-de-Setembro, o Estado Federal  está fora da Constituição

Em primeiro lugar, muito embora algumas disposições tenham sido momentaneamente suspensas em 2015, os Estados Unidos continuam a viver sob o império do USA Patriot Act (Lei Patriota-ndT). Adoptado de urgência, 45 dias após o golpe de Estado, este texto constitui uma resposta ao terrorismo. Tendo em conta o seu volume, seria mais apropriado falar de Código antiterrorista que de simples lei. Este texto fora preparado durante os dois anos anteriores, pela Federalist Society. Apenas 4 parlamentares a ele se opuseram.
Este texto suspende as limitações constitucionais, formuladas pelo «Bill of rights» (Declaração de Direitos) —quer dizer as primeiras 10 emendas da Constituição—, para todas as iniciativas do Estado visando combater o terrorismo. É o princípio do Estado de Emergência Permanente. O Estado federal pode assim praticar a tortura fora de seu território e espiar maciçamente a sua população. Ao fim de quinze anos destas práticas, não é mais tecnicamente possível aos Estados Unidos apresentar-se como um «Estado de Direito».
Para aplicar o Patriot Act, o Estado Federal primeiro criou um novo departamento, a Segurança da Pátria (Homeland Security). O título deste departamento é tão chocante que é traduzido pelo mundo fora como «Segurança Interna», o que é falso. Depois, o Estado Federal dotou-se de um conjunto de polícias políticas que, segundo um vasto estudo do Washington Post em 2010, empregava, à época, pelo menos 850. 000 novos funcionários para espiar 315 milhões de habitantes [5].
A grande inovação institucional deste período é a releitura da separação de poderes. Até então, considerava-se no seguimento de Montesquieu que esta permitia manter um equilíbrio entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, indispensável ao bom funcionamento e à preservação da democracia. Os Estados Unidos podiam orgulhar-se de ser o único Estado no mundo a colocá-lo estritamente em prática. Agora, pelo contrário, a separação de poderes significa que o Legislativo e o Judiciário já não têm a capacidade de controlar o Executivo. Foi, aliás, em virtude desta nova interpretação que o Congresso não foi autorizado a debater as condições do golpe de 11-de- Setembro.
Contrariamente ao que escrevia em 2002, os Estados da Europa Ocidental têm resistido a esta evolução. Só há um ano e meio é que a França cedeu e adoptou o princípio do estado de emergência permanente, por ocasião do assassinato dos redactores do Charlie-Hebdo. Esta transformação interior vai a par com uma mudança radical de política externa.

Desde o 11-de-Setembro, o Estado Federal fora da Constituição pilhou o Mundo Árabe.

Nos dias que se seguiram, George W. Bush —de novo presidente dos Estados Unidos desde o 11-de-Setembro à noite— declarou à imprensa : «Esta cruzada, esta guerra contra o terrorismo, levará tempo» [6]. Muito embora ele tenha tido que apresentar as suas desculpas por se ter exprimido assim, a escolha das palavras pelo Presidente indicava claramente que o inimigo se reclamava do Islão e que esta guerra seria longa.
Efetivamente, pela primeira vez na sua história, os Estados Unidos estão em guerra ininterrupta desde há 15 anos. Eles definiram a sua Estratégia contra o terrorismo [7] que a União Europeia não tardou a copiar [8].
Ora, se as administrações norte-americanas sucessivas apresentaram esta guerra como uma perseguição do Afeganistão ao Iraque, do Iraque à África, ao Paquistão e às Filipinas, depois à Líbia e à Síria, o antigo Comandante supremo da OTAN, o General Wesley Clark, pelo contrário confirmou a existência de um plano de longo prazo. A 11-de- Setembro, os autores do golpe de Estado decidiram mudar todos os governos amigos do «Grande Oriente Médio» e fazer guerra aos sete governos que lhes resistiam nesta região. Esta ordem foi promulgada pelo Presidente Bush, quatro dias mais tarde, aquando de uma reunião em Camp David. Forçoso é constatar que este programa foi posto em prática e não está terminado.
Estas mudanças de regimes amigos por revoluções coloridas, e estas guerras contra os regimes que lhes resistiam, não tinham por fim conquistar estes países no sentido imperial clássico —Washington controlava já os seus aliados—, mas, sim, de os pilhar. Nesta região do mundo, particularmente no Levante, a exploração destes países chocava não só com a resistência das populações, mas também com a presença por todo o lado das ruínas de civilizações antigas. Não seria, pois, possível pilhar sem «partir os ovos».
Segundo o Presidente Bush, os atentados do 11-de-Setembro teriam sido perpetrados pela al-Qaida, o que era melhor justificava de ataque ao Afeganistão que a ruptura das negociações petrolíferas com os Talibãs, em Julho de 2001. A teoria de Bush foi desenvolvida pelo seu secretário de Estado, o General Colin Powell, o qual prometeu apresentar um relatório sobre esta questão perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não só os Estados Unidos não tiveram tempo para redigir este relatório, no decurso dos 15 últimos anos, como a 4 de Junho último o ministro russo dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Sergey Lavrov, dizia que o seu homólogo norte-americano lhe tinha pedido para não atacar os seus aliados da al-Qaida na Síria; uma declaração espantosa que não foi desmentida.
Num primeiro tempo, o Estado Federal fora da Constituição prosseguiu o seu plano mentindo descaradamente ao resto do mundo. Depois de ter prometido um relatório sobre o papel do Afeganistão no 11-de-Setembro, o mesmo Powell mentiu frase após frase, aquando de um longo discurso no Conselho de Segurança, visando ligar o governo iraquiano aos atentados e a acusá-lo de querer continuar com armas de destruição em massa [9].
O Estado Federal matou em alguns dias a maioria do exército iraquiano, pilhou os sete principais museus e queimou a Biblioteca Nacional [10]. Instalou no poder a Autoridade Provisória da Coligação, que não era um órgão da Coligação dos Estados contra o presidente Hussein, mas uma empresa privada, detida na sua maioria pela Kissinger Associates, decalcada no modelo da sinistra Companhia das Índias [11]. Durante um ano, esta companhia pilhou tudo que podia ser pilhado. Finalmente ele remeteu o poder a um governo iraquiano fantoche, mas, não sem antes o ter feito assinar que jamais pediria reparações, e que não contestaria, por um século, as leis comerciais leoninas redigidas pela Autoridade Provisória.
Em 15 anos, os Estados Unidos sacrificaram mais de 10. 000 dos seus cidadãos, enquanto a sua guerra fez mais de dois milhões de mortos no «Grande oriente Médio» [12]. Para destruir aqueles que eles designam como os seus inimigos despenderam mais de 3500 mil milhões (bilhões-br) de dólares [13]. E, anunciam que o massacre e a fraude vão continuar.
Estranhamente, esses milhares de milhões(bilhões) de dólares não tem enfraquecido economicamente os Estados Unidos. Trata-se de um investimento que lhes permitiu pilhar uma região inteira do mundo; de roubar por querer somas ainda muito maiores.
Em contraste com a retórica do 11-de-Setembro, a da guerra contra o terrorismo é lógica. Mas ela apoia-se numa quantidade de mentiras apresentadas como fatos verdadeiros. Por exemplo, tenta explicar-se a ligação entre o DAESH (E.I.) e a al-Qaida através de Abu Musab al-Zarqawi, ao qual o General Powell dedicara grande parte do seu discurso no Conselho de Segurança, em Fevereiro de 2003. Ora, o mesmo Powell admitiu ter mentido descaradamente aquando deste discurso e é impossível verificar o mínimo elemento da biografia de Zarqawi, segundo a CIA.
Se nós admitirmos que al-Qaida é a continuação da Legião árabe de Bin Laden, integrada como tropa suplente da Otan durante as guerras da Jugoslávia [14] e da Líbia, devemos igualmente admitir que a al-Qaida no Iraque, tornada em Estado Islâmico no Iraque, depois Daesh, é a sua continuação.
Sendo a pilhagem e a destruição do património histórico ilegais no Direito Internacional, o Estado Federal fora da Constituição sub-contratou primeiro as suas operações sujas a exércitos privados como a Blackwater [15]. Mas, a sua responsabilidade era ainda muito visível [16]. Assim, voltou a sub-contratar ao seu novo braço armado, os jiadistas. Agora, a pilhagem do petróleo —consumido no Ocidente— é imputável a estes extremistas, e a destruição do património ao seu fanatismo religioso.
Para entender a colaboração da OTAN e dos jiadistas, devemos perguntar-nos qual seria a influência dos Estados Unidos hoje em dia se não existissem os jiadistas. O mundo ter-se-ia tornado multipolar e Washington teria fechado a maior parte das suas bases militares no mundo. Os Estados Unidos teriam voltado a ser um poder entre os outros.
Esta colaboração da OTAN e dos jiadistas choca numerosos altos responsáveis norte-americanos como o General Carter Ham, comandante do AfriCom, o qual recusou, em 2011, trabalhar com a al-Qaida e teve que renunciar a comandar o ataque à Líbia; ou o general Michael T. Flynn, comandante da Defense Security Agency, o qual recusou caucionar a criação do Daesh e foi forçado à demissão em 2014 [17]. Ela tornou-se o verdadeiro tema da campanha eleitoral presidencial : de um lado, Hillary Clinton, membro da The Family («A Família»-ndT), a seita de chefes de Estado-Maior [18], pelo outro Donald Trump, aconselhado por Michael T. Flynn e 88 oficiais superiores [19].
Da mesma forma que durante a Guerra Fria Washington controlava os seus aliados europeus via «Os exércitos secretos da Otan», a Gládio [20], da mesma forma controla hoje o Médio-Oriente Alargado, o Cáucaso, o vale de Ferghana, e indo até ao Xinjiang, com a «Gládio B» [21].
15 anos depois, as sequelas do golpe de Estado do 11-de-Setembro não vêm, de forma alguma, de muçulmanos, ou do Povo norte-americano, mas daqueles que o perpetraram e dos seus aliados. São eles, quem tem banalizado a tortura, generalizado as execuções extra-judiciais em todo o mundo, enfraquecido as Nações Unidas, morto mais de dois milhões de pessoas, pilhado e destruído o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria.
Tradução Alva


[1] Against All Enemies, Inside America’s War on Terror («Contra Todos os Inimigos, Por Dentro da Guerra da América ao Terror»- ndT), Richard Clarke, Free Press, 2004. Ver o primeiro capítulo, «Evacuate the White House» (Evacuem a Casa Branca).
[2] A Pretext for War («Um Pretxto para a Guerra»-ndT), James Bamford, Anchor Books, 2004, ver o capítulo 4 «Site R».
[3] Coup d’État: A Practical Handbook («Golpe de Estado»- ndT), Edward Luttwak, Allen Lane, 1968. Luttwak formava com Richard Perle, Peter Wilson e Paul Wolfowitz os «Quatro mosqueteiros» de Dean Acheson.
[4] A Terrível Impostura, Thierry Meyssan, Frensii, Lisboa 2002. 
Uma Terrível Farsa, Thierry Meyssan, Usina do livro, São Paulo, 2002.
[5] Top Secret America : The Rise of the New American Security State(«América Top Secret : O Surgir do Novo Estado Securitário Americano»-ndT) Dana Priest & William M. Arkin, Little, Brown and Company, 2011.
[6] «A Fight vs. Evil, Bush and Cabinet Tell U.S.», Kenneth R. Bazinet, Daily News, September 17th, 2001.
[7] National Strategy for Combating Terrorism, The White House, February 2003.
[8] Estratégia europeia em matéria de segurança, Javier Solana, Conselho da união europeia, 12 de Dezembro de 2003.
[9] “Colin Powell Speech at the UN Security Council” («Discurso de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU»-ndT), Colin L. Powell, Voltaire Network, 11 February 2003.
[10] « Discours du directeur général de l’Unesco», Koïchiro Matsuura, 6 juin 2003, Réseau Voltaire, 6 juin 2003.
[11] The Coalition Provisional Authority (CPA): Origin, Characteristics, and Institutional Authorities, Congressional Research Service, L. Elaine Halchin, April 29, 2004.
[12] Body Count, Casualty Figures after 10 Years of the “War on Terror”(«Contagem de Mortos, Número de Baixas após 10 Anos da “Guerra ao Terror”»- ndT), Physicians for Social Responsibility (PSR), March 2015.
[13] The Three Trillion Dollar War («A Guerra dos 3 Triliões de Dólares»-ndT), Joseph Stiglitz & Linda Bilmes, W. W. Norton, 2008.
[14] Wie der Dschihad nach Europa Kam («Como a Jiade chegou à Europa«-ndT) Jürgen Elsässer, NP Verlag, 2005.
[15] Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army, Jeremy Scahill, Avalon Publishing Group/Nation Books, 2007.
[16] The Powers of War and Peace: The Constitution and Foreign Affairs after 9 11, War by Other Means: An Insider’s Account of the War on Terror, John Yoo, University Of Chicago Press, Atlantic Monthly Press, 2006.
[17] DIA Declassified Report on ISIS, August 12, 2012.
[18] The Family: The Secret Fundamentalism at the Heart of American Power («A Família : O Fundamentalismo Secreto no Âmago do Poder Americano»-ndT), Jeff Sharlet, Harper, 2008.
[19] “Open Letter From Military Leaders Supporting Donald Trump”,Voltaire Network, 9 September 2016.
[20] Nato’s Secret Armies : Operation Gladio and Terrorism in Western Europe («Exércitos secretos da OTAN : Operação Gládio e o Terrorismo na Europa Ocidental»- ndT), Daniele Ganser, Frank Cass, 2004.
[21] Classified Woman, The Sibel Edmonds Story: A Memoir, Sibel D. Edmonds, SE 2012.

http://www.voltairenet.org/article193213.html

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O GOVERNO DA REPÚBLICA ÁRABE DA SÍRIA EXIGE QUE A ONU TOME MEDIDAS PUNITIVAS CONTRA OS PAÍSES E OS REGIMES APOIADORES E FINANCIADORES DO TERRORISMO CONTRA O POVO SÍRIO



 Carta da Síria à ONU


 
Conforme instruções do Governo da República Árabe da Síria, gostaria de coloca-los a par dos seis ataques terroristas, perpetrados pelos grupos terroristas armados, contra os civis das províncias de Tartous, Homs, Hasaka e zona rural de Damasco, nesta manhã de 05/09/2016:
            Com requintados atos de criminalidade, terrorismo e assassinato, grupos terroristas armados, apoiados pelo exterior para deflagrar a crise, que já dura quase seis anos, promoveram, sob a orientação de seus agenciadores e patrocinadores, uma explosão de um carro-bomba nas proximidades da ponte Azrouna, localizada na rodovia internacional da província de Tartous. Logo em seguida, um terrorista suicida acionou um cinto com explosivos em meio aos cidadãos que correram para ajudar as autoridades competentes a socorrer as vítimas do primeiro atentado. O saldo destes dois atentados foi de 30 vítimas fatais e 43 feridos, com graus variados de gravidade.
            Outro terrorista explodiu um carro-bomba, conduzido por ele, na entrada do Portal de Palmira, em Homs, tendo como consequência a morte de quatro cidadãos e o ferimento de outros dez, com graus variados de gravidade, além de produzir grandes danos materiais no patrimônio público e privado e na infraestrutura.
            Dois outros terroristas suicidaram-se, ao acionar cintos com explosivos, na estrada que leva a Saboura-Albajaa, localizado na zona rural de Damasco. A explosão resultou na morte de um cidadão e feriu outros três.
            Na cidade de Hasaka, um terrorista suicida explodiu uma moto-bomba na rotatória de Marsho, no centro da cidade, tendo como consequência a morte de cinco cidadãos e o ferimento de vários outros, além de danos materiais no local.
            Estes ataques terroristas ocorrem na sequência de um terrorismo sistemático, perpetrado pelos grupos terroristas armados, a exemplo da Frente Al Nusra, que trocou de pele recentemente para se autodenominar Frente Fath da Síria, Exército do Islã, Livres da Síria, Exército Fath, Brigada Nour Eddin El Zenki e outras denominações que são chamadas, por parte de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança como ‘grupos armados moderados’, fugindo ao espírito da Carta das Nações Unidas, seus princípios e suas normas. Em contrapartida, milhares de terroristas foram mandados por estes países para enfraquecer a Síria e acabar com as conquistas do povo sírio. Os sírios continuam agarrados à sua terra e à sua pátria, apesar de todos os crimes e massacres perpetrados contra eles, sob a orientação de países e regimes conhecidos de todos, tais como a Arábia Saudita, o Qatar, a Turquia, a Grã Bretanha, a França e os Estados Unidos da América. Estes países declaram, de forma flagrante, o seu apoio a estes criminosos e assassinos terroristas e insistem, infelizmente, em apoiar, financiar e patrocinar o que eles chamam, por vezes, de ‘grupos terroristas moderados’ ou ‘grupos oposicionistas moderados’. Estes países, patrocinadores do que eles chamam de ‘moderados’, continuam a encontrar pretextos desumanos, imorais e ilegais para dar continuidade a perpetração de mais e mais crimes. O que chama a atenção dos povos do mundo é o silêncio do Conselho de Segurança, na maior parte do tempo, ao não condenar tais atos terroristas e não punir quem está por trás deles.
            O Governo da República Árabe da Síria afirma que estes crimes e massacres não o impedirão de dar continuidade em cumprir com os seus deveres legais e éticos no que tange ao combate ao terrorismo e de encontrar uma solução política para crise na Síria, através do diálogo sírio – sírio e sob uma liderança síria, que leve ao fim do terrorismo, a reconstrução do que foi destruído pelos terroristas e seus parceiros, financiadores e apoiadores e ao restabelecimento da segurança e da estabilidade do povo sírio. Afirma, outrossim, que o terrorismo na Síria, patrocinado por alguns, representa um perigo para o mundo como um todo e que os seus patrocinadores, financiadores e apoiadores devem cessar, imediatamente, com este apoio. Afirma, ainda, que as sanções econômicas unilaterais impostas à Síria representam um apoio direto aos terroristas, sejam quais forem os pretextos e as motivações, porque matam os civis sírios, especialmente as mulheres e as crianças.
            O Governo da República Árabe da Síria exige do Conselho de Segurança a imediata e veemente condenação dos crimes terroristas e massacres sangrentos, perpetrados pelos grupos terroristas armados, que assuma a sua responsabilidade em manter a paz e a segurança internacionais e que tome uma rápida iniciativa para adotar medidas dissuasivas e punitivas contra os países e regimes apoiadores e financiadores do terrorismo, especialmente contra a Arábia Saudita, a Turquia, o Qatar e a França, proibindo-os de continuar e persistir em sua ingerência na segurança e na paz internacionais e comprometendo-os a cumprir, integralmente, o previsto nas resoluções da Conselho de Segurança relativas ao tema, Nos. 2170(2014), 2178(2014), 2199(2015) e 2253(2015).

Fonte: Embaixada da República Árabe da Síria
Tradução: Jihan Arar

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Crianças usadas na estratégia de propaganda de guerra contra a República da Síria

Para Londres, a propaganda é uma arte

Ninguém normal pode aceitar ver crianças a sofrer, por isso elas são bons temas para a propaganda de guerra. Abaixo uma análise obre o uso de crianças pela Coligação Internacional durante a guerra contra a Síria.

Como em todas as guerras, esta contra a Síria dá lugar a uma avalancha de propaganda. E o argumento das crianças dá sempre resultado.
Assim, no início da guerra, o Catar queria demonstrar que a República da Síria, longe de servir o interesse geral, desprezava o Povo. A petro-ditadura difundiu, então, através do seu canal de televisão Al-Jazeera, a lenda das crianças de Deraa, torturadas pela polícia. Para ilustrar a crueldade do seu adversário, o Catar precisou que lhes haviam arrancado as unhas. É claro, apesar das suas pesquisas, nenhum jornalista encontrou o mínimo traço destas crianças. A BBC bem difundiu a entrevista de duas, mas elas tinham as unhas intactas.
Como a mistificação não era verificável, o Catar lançou uma nova história: a de uma criança, de Hamza, Ali Al-Khateeb (13 anos), que teria sido torturado e castrado pela polícia do «regime». Desta vez, dispunham de uma imagem de prova. Toda a gente podia observar nela um corpo sem sexo. Azar! A autópsia demonstrou que o corpo tinha sido mal preservado, que tinha fermentado e inchado. O ventre deformado escondia o sexo da criança, mais um falhanço.
JPEG - 50.1 kb
Neste magazine, Sir Arthur Conan Doyle imagina a captura de um espião alemão por Sherlock Holmes. O escritor trabalhava para o Gabinete da Propaganda de guerra.
No final de 2013, os Britânicos tomaram a cargo a propaganda de guerra. Eles dispõem de uma longa experiência na matéria, e são considerados como os inventores da moderna propaganda com o Gabinete de Propaganda de Guerra, aquando da Primeira Guerra mundial. Uma das características dos seus métodos é sempre o de ter recorrido a artistas, já que a estética neutraliza o espírito crítico. Em 1914, eles recrutaram os grandes escritores da época –-como Arthur Conan Doyle, H.G. Wells ou Rudyard Kipling--- para publicar textos atribuindo crimes imaginários ao inimigo alemão. Depois, eles recrutaram os grandes jornais para espalhar as informações imaginárias dos seus escritores.
Assim que os norte-americanos assumiram o método britânico, em 1917, com o Comité de Informação Público, eles estudaram com mais profundidade os mecanismos de persuasão com a ajuda do jornalista vedeta Walter Lippmann e do inventor da publicidade moderna, Edward Bernays (o sobrinho de Sigmund Freud). Mas, convencidos do poder da ciência, eles esqueceram a estética quanto a este assunto.
No início de 2014, o MI6 britânico criou a empresa Innovative Communications & Strategies (InCoStrat) [Comunicações Inovadoras e Estratégias] à qual se deve, por exemplo, os magníficos logos dos grupos armados, do mais «moderado» ao mais «extremista». Esta empresa, que dispõe de escritórios em Washington e em Istambul, organizou a campanha destinada a convencer os Europeus a acolher 1 milhão de refugiados. Ela realizou a fotografia de Aylan Kurdi, afogado numa praia turca, e conseguiu em dois dias fazê-la publicar, como manchete, nos principais jornais atlantistas, em todos os países da OTAN e do Conselho de Cooperação do Golfo.
JPEG - 48 kb
A cada ano, antes da guerra, uma centena de pessoas morria afogada nas praias turcas mas ninguém falava sobre isso. E, acima de tudo, apenas os jornais sensacionalistas mostravam os cadáveres. Bom, mas esta fotografia estava tão bem enquadrada...
Como eu tinha salientado que um corpo não pode ser rejeitado pelo mar perpendicularmente às ondas, o fotógrafo explicou, depois do golpe, ter deslocado o cadáver devido às exigências da foto.
Esta foto do menino Omran Daqneesh (de 5 anos), numa ambulância em Alepo Oriental, é, além disso, acompanhada de um vídeo. Os dois meios permitem atingir tanto a imprensa escrita como as televisões. A cena é tão dramática que uma apresentadora da CNN não resistiu a chorar, em directo, ao vê-la. É claro, quando se reflecte a propósito, observa-se que a criança não é cuidada por socorristas, que lhe providenciem os primeiros socorros, mas, sim, por figurantes(os «White Helmets») que o sentam em frente das objectivas.
Os realizadores britânicos não se importam com a criança que só lhes interessa para realizar as suas imagens. De acordo com a Associated Press, a fotografia foi tirada por Mahmoud Raslan, o qual vemos também no vídeo. Ora, segundo a sua conta do Facebook este homem é um membro de Harakat Nour al-Din al-Zenki (grupo apoiado pela CIA, que lhe forneceu mísseis anti-tanque BGM-71 TOW). Sempre segundo a sua conta do Facebook, e confirmado por um outro vídeo, foi ele pessoalmente quem, a 19 de julho de 2016, degolou uma criança Palestiniana, Abdullah Tayseer Al Issa (de 12 anos).
As leis europeias enquadram de forma estrita o papel de crianças na publicidade. Manifestamente, estas não se aplicam à propaganda de guerra.
Tradução Alva
http://www.voltairenet.org/article193043.html