segunda-feira, 24 de junho de 2013

ASSASSINADOS CAMPONESES POR ORDEM DO PRESIDENTE DA COLÔMBIA JUAN MANUEL SANTOS




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No dia 22 de junho, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos ordenou que o exército colombiano disparasse contra mais de sete mil camponeses da região do Catatumbo. Os camponeses estavam exercendo seu direito de protestar contra as nocivas políticas agrícolas e de mineração que afetam a essa região. Os protestos, que já tem mais de doze dias, não foram reconhecidos pelo governo nacional, o qual não tem permitido a possibilidade real de diálogo e negociação das necessidades da população camponesa da região. A única resposta foi a repressão das forças pública: o exército e a polícia colombiana.
A ordem irresponsável emitida pelo Presidente da Colômbia resultou no assassinato de dois camponeses pelo Exército colombiano: Leonel Jacome, 20 anos de idade e Edilson Jaimes Franco, 21 anos. Assim como também foram feridos dez camponeses por armas de fogo das forças de segurança.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em uma coletiva de imprensa afirmou que os mais de sete mil camponeses que protestam fazem parte das FARC e ordenou ao exército disparar contra essa população. Esta situação constitui uma grave violação dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, transformando civis em alvos militares.
A população camponesa como forma de denúncia e buscando impedir que seguisse a brutal repressão se tomaram o aeroporto da cidade de Ocaña, no departamento de Norte de Santander. Onde se mantém intensos confrontos com o exército e a polícia.
A região de Catatumbo está localizada a noroeste da Colômbia, no departamento – estado - de Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela. É uma região montanhosa, onde há vários anos, a população camponesa se organizou para que se reconheça seu território como Zona de Reserva Camponesa - ZRC, como o regulamenta a Lei 160 de 1994 e o Decreto 1777 de 1996.
Esta região é afetada por cultivos ilícitos de coca, como muitas regiões da Colômbia, pela falta de políticas agrícolas que permita aos seus moradores ter acesso a terra e desenvolver programas de agricultura sustentável. O governo colombiano concedeu a empresas estrangeiras o direito de exploração de minérios nessas terras sem consultar a seus habitantes. Além de tudo isso, o Catatumbo é uma região onde o nível de conflito armado foi intensificado pela presença dos guerrilheiros das FARC, ELN e EPL e aumento da força militar do governo para proteger as empresas estrangeiras de mineração.
A cidade de Ocaña, que é a segunda maior cidade do departamento de Norte de Santander, com cerca de oitenta mil habitantes, fica a 687 km da capital do país, Bogotá. O aeroporto da cidade só tem voos domésticos; é utilizado, também, pelas empresas estrangeiras de mineração, e pelo exército colombiano para realizar operações militares e aprovisionar-se.
As comunidades camponesas do Catatumbo exigem a presença de organizações de direitos humanos nacionais e internacionais para a verificação das violações dos direitos humanos por parte do governo do presidente Santos. Da mesma forma, tem definido manter os protestos que já completam doze dias e divulgaram uma lista com suas demandas na tentativa de negociar com o governo nacional, onde exigem: parar a exploração de minérios, finalizar as políticas nocivas contra a região, ser reconhecido como Zona de Reserva Campesina – ZRC, e que se faça um programa agrário com a participação ativa da população camponesa.
Fazemos um chamado às organizações políticas e sociais brasileiras, e as autoridades deste país que acreditam na solidariedade entre os povos e que estão no Fórum Permanente pela Paz na Colômbia, para que se solidarizem com a população camponesa da região do Catatumbo com:
Mobilização através de suas pautas de luta e pressionar o governo colombiano com manifestações públicas de denuncia para que cessem as medidas de repressão contra a população camponesa do Catatumbo.
Exigir que o governo colombiano respeite os direitos humanos dessa população, que não continuem violando o direito internacional humanitário, transformando-os em alvo militar e reconheça seus direitos legítimos de protesta.
Exigir que o governo colombiano estabeleça mecanismos reais de diálogo e negociação com a população camponesa do Catatumbo reconhecendo suas exigências e reconhecendo a região do Catatumbo como Zona de Reserva Campesina – ZRC.
Exigir o respeito das organizações camponesas do Catatumbo que fazem parte da Associação Nacional de Zonas de Reserva Camponesa - ANZORC, não criminalizá-las e dar-lhes todas as garantias para o seu desenvolvimento.
Fórum Permanente pela Paz na Colômbia
Que são as Zonas de Reserva Campesina – ZRC?
A ZRC é uma figura de ordenamento territorial aprovada pelo Congresso da Colômbia, em 1994, pela Lei 160 e regulamentada pela Presidência da República com Decreto 1777, de 1996, que visa proporcionar à população camponesa com poucos recursos terras que sãodo Estado e que não estão sendo produtivas. Atualmente existem seis ZRC e sete estão à espera de serem aprovadas, dentro das quais esta a região do Catatumbo.
As comunidades camponesas que estão nesse processo são cinquenta organizações que fazem parte da Associação Nacional de ZonasReserva Camponesa - ANZORC. Estão localizadas em diferentes pontos das regiões agrícolas mais precárias da Colômbia. Regiões que por suas características geográficas, econômicas e políticas têm gerado conflitos agrícolas. Nesses territórios por sua localização geografia há cultivos ilícitos de coca, mas também em muitas desses territórios há concessões do governo atual de Juan Manuel Santospara a exploração de mineração ou monocultura por parte de empresas estrangeiras; assim como o nível de conflito armado tem aumentado pela forte presença de atores armados – guerrilhas e a força pública.
Exército assassina camponeses
Porque as protestas da população camponesa do Catatumbo
http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=6184:assassinados-camponeses-por-ordem-do-presidente-da-colombia-juan-manuel-santos&catid=39:colombia

Raízes históricas da crise social no Brasil – O papel do FMI

por Michel Chossudovsky

Milhões de pessoas por todo o Brasil aderiram a um dos maiores movimentos de protesto da história do país. Ironicamente, o levantamento social dirige-se contra as políticas económicas de uma auto-proclamada alternativa "socialista" ao neoliberalismo conduzido pelo governo do Partido dos Trabalhadores (PT) da presidente Dilma Rousseff.

O "remédio económico forte" do FMI, incluindo medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, foi implementado sob a bandeira "progressista" e "populista" do PT, em acordo com elites económicas poderosas do Brasil e em estreita ligação com o Banco Mundial, o FMI e a Wall Street.

Apesar de o governo PT apresentar-se como "uma alternativa" ao neoliberalismo, comprometido com o alívio da pobreza e a redistribuição de riqueza, sua política monetária e fiscal está nas mãos dos seus credores da Wall Street.

Foto oficial da presidente Dilma.Ironicamente, o governo PT de Dilma Rousseff e do seu antecessor Luís Ignaio da Silva foi louvado pelo FMI devido a:

"uma notável transformação social no Brasil com base na estabilidade macroeconómica e na ascensão de padrões de vida". 

As realidades sociais subjacentes são outras. As "estatísticas" do Banco Mundial sobre pobreza são grosseiramente manipuladas. Só 11% da população, segundo o Banco Mundial , estão abaixo da linha de pobreza. E 2,2% da população estão a viver em pobreza extrema.

O padrão de vida no Brasil entrou em colapso desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder em 2003. Milhões de pessoas foram marginalizadas e empobrecidas, incluindo uma parte significativa da classe média urbana.

Apesar de o PT apresentar uma imagem "progressista" orientada para o povo, oficialmente oposta à "globalização corporativa", a agenda macroeconómica foi reforçada. O governo PT sistematicamente manipulou as suas bases, tendo em vista impor o que o "Consenso de Washington" descreve como "uma estrutura política forte".

Os investimentos estruturais de muitos milhares de milhões de dólares orientados pelo lucro para a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, forjados pela corrupção corporativa, contribuíram para um aumento significativo da dívida externa do Brasil, a qual por sua vez reforçou o controle da política económica pelos seus credores da Wall Street.

O movimento de protesto é em grande parte composto por pessoas que votaram pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O apoio das bases do governo PT foi rompido. A base do Partido dos Trabalhadores voltou-se contra o governo.

História: a traição do Partido dos Trabalhadores 

Foto oficial do presidente LulaO Partido dos Trabalhadores está no poder há mais de dez anos.

A crise social em curso no Brasil é a consequência da agenda macroeconómica lançada no início do acesso de Luís Ignácio da Silva à presidência, em 2003.

A eleição de Lula em 2003 corporificou a esperança de uma nação inteira. Representou uma votação esmagadora contra a globalização e o modelo neoliberal, o qual por toda a América Latina resultou na pobreza em massa e no desemprego.

A eleição de Lula no fim de 2002 por entendida como um importante ponto de ruptura, um meio de rejeitar a estrutura política do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto era abraçado em coro pelos movimentos progressistas de todo o mundo, a administração Lula também estava a ser aplaudida pelo principal protagonista do modelo neoliberal. Na palavras do Director Administrativo do FMI, Horst Kohler:
"Sou entusiasta [da administração Lula]; mas é melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo presidente Lula ... o FMI ouve o presidente Lula e a equipe económica, esta é a nossa filosofia".
Não é de admirar que o FMI seja "entusiasta". As principais instituições da administração económica e financeira foram oferecidas numa bandeja de prata à Wall Street e a Washington.

O FMI e o Banco Mundial têm louvado o governo do Partido dos Trabalhadores pelo seu compromisso com "fortes fundamentos macroeconómicos". Tanto quanto o FMI está preocupado, o Brasil "está na trilha" em conformidade com as balizas do FMI. O Banco Mundial elogiou tanto os governos Lula como Dilma: "O Brasil está a buscar um programa social arrojado com responsabilidade fiscal".

De acordo com o Professor James Petras:
A maior parte dos responsáveis políticos da Wall Street e de Washington, surpreendidos pela selecção de uma equipe económica ortodoxa liberal, ficou perfeitamente extasiada quando ele começou a promover vigorosamente uma agenda neoliberal radical, incluindo privatização da segurança social, rebaixamento substancial de pensões para empregados de sectores públicos e redução do custo e facilitação das exigências para capitalistas despedirem trabalhadores. ( Global Research, 2003 )
Segundo Marcos Arruda, do PACS, um centro de investigação não governamental no Rio de Janeiro:
"A equipe económica de Lula ao prosseguir políticas impostas pelo FMI está estripando pagamentos sociais não só para os aposentados como também para os deficientes e as famílias mais pobres". O prosseguimento de políticas económicas ortodoxas também empurrou o desemprego oficial para 12%, ao passo que as taxas de juro internas posicionam-se nos 26,5%, entre as mais altas taxas do mundo. Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, o desemprego atingiu os 20%. (Ver Roger Burbach, Global Research, June 2003 )
O Brasil sob o governo PT não endossou apenas o neoliberalismo "com um rosto humano", ele também apoiou a militarização da América Latina e do Caribe conduzida pelos EUA.

Um abraço de amigos.Lula estabeleceu um relacionamento pessoal com George W. Bush. Se bem que fosse um crítico firme da guerra iraquiana conduzida pelos EUA e um apoiante de Hugo Chavez, ele tacitamente também apoiava interesses estratégicos dos EUA na América Latina.

No rastro do golpe de Estado no Haiti patrocinado pelos EUA-França-Canadá, em Fevereiro de 2004, contra o governo eleito devidamente de Jean Bertrand Aristide, o presidente Luís Ignacio da Silva endossou a ocupação militar do Haiti e despachou tropas brasileiras para Port au Prince, sob os auspícios da Missão de Estabilização das Nações Unidas (MINUSTAH).

artigo publicado por Global Research e resistir.info em Abril de 2003 , no início do governo PT de Luís Ignacio da Silva, descreve como, desde o início a liderança do Partido dos Trabalhadores traiu toda uma nação.

Não pode resultar qualquer mudança significativa de um debate sobre "uma alternativa ao neoliberalismo", o qual na superfície parece ser "progressista" mas que tacitamente aceita como legítimo o direito de os "globalizadores" dominarem e pilharem o mundo em desenvolvimento.

O movimento de protesto social que tem varrido o Brasil é o resultado de 10 anos da repressão económica de "livre mercado" sob o disfarce de uma "agenda progressista". 
21/Junho/2013

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 23 de junho de 2013

O dia em que agentes do Estado perseguiram civis pelas ruas do Rio de Janeiro (e do Brasil) e grupos fascistas atacaram os movimentos sociais e os partidos de esquerda


Divulguem.
300 mil pessoas participaram da manifestação no Rio. Crédito da foto desconhecido
300 mil pessoas participaram da manifestação pacífica no Rio de Janeiro, no dia 20 de junho de 2013. Quando a polícia decidiu, começou a atacar.



Veja no link abaixo, o momento do ataque de grupos neonazistas à coluna dos Movimentos Sociais e dos Partidos de esquerda.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

PARA O ALTO AS BANDEIRAS VERMELHAS: AQUELAS QUE LEVAM O POVO À LIBERDADE

Prefeitura volta atrás e reduz a passagem. Mas decidimos que nossa luta não vai parar!

Não vamos pagar o preço de outra forma

NOSSAS EXIGÊNCIAS NÃO FORAM TODAS ATENDIDAS!

ATO  MANTIDO - 20/06 - 17H - CANDELÁRIA


Concentração dos movimentos sociais e políticos  no IFCS


LUTAMOS POR :

(Programa votado no Fórum que organiza a luta)

ESSA É NOSSA PAUTA E POR ELA LUTAMOS - D I V U L G U E M 

1- Retorno (diminuição) das tarifas de ônibus, somando melhorias na qualidade dos transportes públicos e considerando uma luta unificada no Rio de Janeiro pela tarifa zero.

2- O movimento lutará contra qualquer projeto por parte do governo do estado de caráter privatizante tanto nas áreas de esporte (destacando-se o maracanã), da saúde, educação, segurança, infra estrutura e obviamente do transporte público. Neste eixo acrescentou-se as lutas contra as remoções de famílias do Rio de Janeiro. E ainda o movimento se focará na melhoria dos sistemas públicos através de uma exigência maior de verbas para saúde e educação.

3- Pela liberdade de todos os presos criminalizados (por “vandalismo”) durante as manifestações passadas até o dia de hoje e mantendo esse foco caso haja novas prisões pela cidade durante as próximas manifestações. As negociações com o governo e prefeitura só se darão após a anistia (liberdade e arquivamento de processos) dos presos durante as manifestações.

4- Somos contra qualquer arbitrariedade, abuso de poder, repressão ou qualquer forma de violência letal ou não letal aos manifestantes que direcionarão o movimento de maneira pacífica e organizada.

5- lutaremos pela democratização dos meios de comunicação: sem censura (maior transparência) e imparcialidade das principais redes. FIM DO MONOPÓLIO DA IMPRENSA!


domingo, 16 de junho de 2013

Brasil exporta gás lacrimogêneo para repressão na Turquia

Bruno Fonseca y Natalia Viana
Agencia Pública
"Menos de um mês antes do início dos protestos na Turquia, o governo brasileiro apoiou um encontro de empresas de armamentos brasileiros com compradores estrangeiros em Istambul". 

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 (LA PRUEBA DE QUE BRASIL SIGUE VENDIENDO GRANADAS DE GASES PIMIENTA A TURQUÍA)

Em 2012, quando a inscrição Made in Brazil estampava projéteis de gás lacrimogêneo utilizados contra manifestantes pró-democracia em Bahrein e ativistas denunciavam, inclusive, a morte de um bebê, supostamente vítima do gás brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores (do Brasil) anunciou que investigaria a existência ou não de alguma irregularidade na exportação. No entanto, um ano depois, o Itamaraty (a sede do Ministério de Exteriores) informa que apenas observa o caso, sem conduzir investigação alguma ou tomar medidas. Em uma resposta indignada, um ativista norte-americano-saudita escreveu: “o Itamaraty deve acreditar que somos ingênuos”.

Por conta da falta de restrições à exportação de armas não letais, o gás, fabricado pela empresa Condor S.A., do Rio de Janeiro, é empregado agora pela Polícia da Turquia na repressão aos crescentes protestos contra o governo de Recep Tayyip Erdogan, que se estenderam por mais de 60 localidades de todo o país, deixando centenas de feridos e uns 2.000 detidos.

A Anistia Internacional confirmou o uso do gás lacrimogêneo brasileiro durante as manifestações, que se iniciaram depois de um protesto pacífico contra o corte de 600 árvores na Praça Taksim, em Istambul. A professora norte-americana Suzette Grillot, que está em Ancara, fotografou um dos projéteis brasileiros utilizados pela polícia: “Um membro de nosso grupo encontrou a cápsula na noite de ontem (3 de junho), em Ancara”, relatou a Agência Pública.

O gás lacrimogêneo brasileiro vem sendo utilizado desde o começo dos protestos, em 31 de maio, em Istambul. “Aquele dia tinha apenas um pequeno grupo de ambientalistas. A polícia invadiu o parque às cinco da manhã, quando o grupo dormia nas tendas. Os policiais queimaram as tendas e atacaram os manifestantes com gás lacrimogêneo”, conta um participante do movimento Occupy Gezi, que preferiu não identificar-se por medo de represálias. “Os policiais tinham que apontar os projéteis de gás para cima, mas os apontavam para nós. Alguns perderam a vista ao serem atingidos diretamente (pelos projéteis). Outros receberam os disparos nos braços e nas pernas. Existem centenas de vídeos mostrando os efeitos do gás: lágrimas, náusea, vômito, dificuldades para respirar”.

O escritório de Direitos Humanos da ONU pediu à Turquia que conduzisse uma investigação independente sobre a conduta de suas forças de segurança em relação aos protestos. “Estamos preocupados com os relatos de uso excessivo de força pelos agentes da lei contra os manifestantes”, disse um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Cecile Pouilly.

A cápsula fotografada pela norte-americana Suzette Grillot é o resto de um projétil lacrimogêneo de longo alcance (GL 202), produzido pela Condor, líder na produção deste tipo de arma na América Latina. O projétil alcança uma distância média de 120 metros e tem a capacidade de passar por cima de obstáculos como muros e barricadas “para desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores da lei”, segundo a descrição do próprio fabricante. Somente a má utilização dos projéteis, explica a Condor em seu site, pode causar danos sérios à saúde e, inclusive, a morte.

Outra foto tirada por manifestantes mostra uma granada lacrimogênea de movimentos aleatórios (GL 310), também conhecida como “bailarina”. Ao tocar o solo, a bomba salta e se move em diversas direções, espalhando o gás por uma área grande, evitando que o “alvo” a atire de volta às forças policiais. O site da empresa explica que a granada pode gerar chamas de fogo em contato com materiais inflamáveis.

Além dos projéteis de longo alcance e da granada “bailarina”, a Condor produz sprays de gás lacrimogêneo e de pimenta, bombas de fumaça, balas de borracha e pistolas elétricas incapacitantes, conhecidas como “taser”. A Condor é a única empresa brasileira que vende estes equipamentos ao governo da Turquia, segundo divulgou sua assessoria de imprensa. Em 2011, a empresa já tinha confirmado a venda de armamento aos países árabes, ainda que tenha negado a venda diretamente ao Bahrein. Entre seus clientes estava o governo dos Emirados Árabes Unidos, que enviou tropas de apoio ao governo de Bahrein.

Em abril deste ano, a Condor assinou outro contrato com o governo dos Emirados pelo valor de US$ 12 milhões em troca de prover 600 mil unidades de munições não letais. O acordo foi anunciado durante a LAAD, a maior feira de defesa e segurança da América Latina, realizada no Riocentro (Rio de Janeiro), em abril.

Menos de um mês antes do início dos protestos na Turquia, o governo brasileiro apoiou um encontro de empresas de armamentos brasileiros com compradores estrangeiros em Istambul. Durante a mostra Internacional de Defesa 2013 (IDEF), realizada entre 7 e 10 de maio, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) – cujo vice-presidente, Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, é presidente da Condor – montaram um vistoso stand no pavilhão do Brasil.

Na parte correspondente à Condor, uma vitrine exibia variados projéteis metálicos, granadas e latas de sprays coloridas, iguais aos que seriam utilizados poucas semanas depois nas ruas desse mesmo país. Sob o nome da empresa, com uma faixa vermelha, também foram expostas a granada “bailarina” e “diversas soluções para a defesa” – segundo o slogan da indústria –, como os 13 tipos de munição incapacitante de 40 x 46 mm para lançadores.

Interrogada sobre a participação da Condor e outras empresas brasileiras na Turquia, a Apex não respondeu à Agência Pública até o momento desta publicação. De acordo com o periódico turco Sozcu, o Ministro de Comércio, Hayati Yazici, informou que nos últimos 12 anos o país importou 628 toneladas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sobretudo do Brasil e dos Estados Unidos. O valor das importações chegou a US$ 21 milhões.

Em fevereiro deste ano, a Abimde já tinha participado de outra feira de armamento, desta vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Novamente, a Condor participou do evento como a única empresa brasileira produtora de armas não letais.

O Brasil assinou, em 3 de junho, o Tratado sobre o Comércio de Armas (ATT, em inglês) da ONU. De acordo com o texto, que busca a eliminação do comércio de armas aos genocidas, terroristas e ao crime organizado internacional, “será regulado o comércio de armas convencionais, estabelecendo critérios para a exportação e trazendo mais transparência às transferências”.

Considerado um grande avanço para um país que evita a transparência quando se trata da venda de armas brasileiras – o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior se nega a divulgar números de empresas que exportam armas, por exemplo –, o Tratado não tem definições específicas sobre o comércio de armas não letais.

Os produtos da Condor são vendidos a mais de 40 países. Porém, enquanto a Apex incentiva a exportação a países como Turquia e os Emirados Árabes, o uso dessas mesmas armas não letais é questionado pela justiça brasileira. Em novembro do ano passado, a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos decidiu investigar as consequências para a saúde do uso dessas armas no país. A pedido da organização Tortura Nunca Mais, de São Paulo, foi criado um grupo de trabalho (GT) composto por representantes dos ministérios da Justiça, Defesa e Saúde e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além das polícias federais, estaduais e das guardas municipais, para acompanhar os projetos de lei sobre o tema. Tudo isso porque não existe uma norma nacional para limitar condutas e garantir o uso adequado de tais armamentos.

O GT também deve realizar um estudo comparativo dos programas de treinamentos policiais e estudos sobre as consequências para a saúde das pessoas atingidas, em especial por armas que utilizam eletrochoques e componentes químicos. “Nossas polícias estão usando este tipo de armas supostamente não letais de maneira ostensiva”, disse Wilson Furtado, do Tortura Nunca Mais, de São Paulo. “A Polícia, em lugar de deter uma pessoa, atira em seguida, atingindo principalmente jovens que estão protestando”.

O grupo pede uma legislação que discipline e regule os armamentos não letais, definindo os tipos de armamentos autorizados e as normas para a compra, o controle, o emprego e o uso, além de mecanismos de informação aos cidadãos.

As armas não letais da Condor são amplamente utilizadas por policiais em todo o país – e pelo governo federal. Os programas federais compram tais armas, por exemplo, para as UPPs, no Rio de Janeiro, e para as forças policiais de 12 Estados envolvidos no programa “Crack, é possível vencer” – incluindo pistolas de choque, como “tasers”, e sprays de pimenta. Só com vistas aos megaeventos – a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014, o Brasil já destinou R$ 49 milhões à Condor.

Em abril de 2012, segundo o Portal da Transparência, o governo federal gastou R$ 1,5 milhões na compra de munições não letais da Condor para o uso do Exército na “garantia da lei e da ordem nos complexos do Alemão e da Penha”. Entre os itens adquiridos existiam 1125 granadas explosivas de luz e som (GL 307), 500 granadas multi-impacto de pimenta (GM 102) e 500 granadas de fumaça, 29,5 mil cartuchos de balas de borracha e 700 granadas lacrimogêneas de movimentos aleatórios (GL 310) – a mesma utilizada contra as manifestações na Turquia.

Em junho, o governo comprou armamentos da Condor para a segurança do Rio + 20, por um total de R$ 1,3 milhões. Entre eles, mais de 900 sprays de pimenta, 1,3 mil granadas lacrimogêneas triplas, 870 granadas explosivas de luz e som e 5 mil cartuchos calibre 12, com projéteis de borracha.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

SOMOS TODOS ESTUDANTES, ÍNDIOS, TRABALHADORES, PALESTINOS, TURCOS, GREGOS E ARGENTINOS UNIDOS PARA LUTAR !


Ontem, 13 de junho , as ruas da cidade do Rio de Janeiro foram tomadas por centenas de estudantes e trabalhadores , em uma grande manifestação, não vista na cidade desde o início do fenômeno "governo Lula e CIA".

Da concentração, na Candelária, a  marcha dos cariocas  partiu para a Cinelândia. Durante todo o trajeto a manifestação recebeu a solidariedade popular, que vinha principalmente dos  trabalhadores dos grandes  prédios da Rio Branco e da Araújo Porto Alegre, quando muitos se juntaram à manifestação.

A explosão da luta contra os aumentos da passagens é a expressão maior da grande revolta e indignação da população contra o tratamento recebido por governos que gastam bilhões em salários dos parlamentares, bilhões para cobrir "problemas financeiros" dos empresários com o dinheiro público, bilhões para reformarem estradas , aeroportos e depois doá-los ao capital. A população não aguenta mais o verdadeiro caos e genocídio da política pública de saúde privatista do nosso país; com o descaso brutal com a  educação pública; com as construções faraônicas, que destroem o habitat indígena; com a crescente militariazação para resolver problemas sociais. E, para completar o quadro: o peso no orçamento familiar com as passagens de ônibus, quando toda a população sabe a situação de precarização da profissão e dos salários dos motoristas e cobradores, e ônibus cujas estrutura se assemelha as entradas dos matadouros de bois.

Chegando à Cinelândia, a massa humana de homens e mulheres indignados seguiu para a ALERJ, com o objetivo de responsabilizar a cambada dos bem pagos deputados. Mas dalí nada sai de bom para o povo! NADA!

Essa foi , sem dúvida, uma resposta clara à repressão brutal do Estado, através de sua polícia,  a campanha de difamação fomentada pela imprensa contra a juventude  que iniciou  todo o  processo de mobilização, e as prisões efetuadas pelo Estado no Rio e em Sampa. 

Esses mesmos jovens do qual nos orgulhamos muito e exigimos que sejam imediatamente postos em liberdade!

Nós sabemos que vândalo é quem entrega o patrimônio público para a iniciativa privada, vândalo não é quem picha muro, é quem entrega nosso petróleo para ser leiloado, vândalo é quem deixa o patrimônio da saúde pública e da educação cair literalmente aos pedaços. Vândalo é quem trata a alimentação, um patrimônio da humanidade,  como mercadoria cheia de agrotóxico. 

Está ficando claro, também, para  mais parcelas da população,  que  os governos federais, estaduais, municipais e os seus respectivos Congressos/Senado fundamentalistas religiosos e mesquinhos são  representantes e fiéis  do capital, não dos trabalhadores, dos índios e dos estudantes e da população em geral.

Lamentavelmente, no final, quando , por volta das 20 horas finalizamos nosso vitorioso ato, e as 5 mil pessoas que participaram ativamente da marcha já estavam se dispersando, a polícia emboscou um grupo pequeno de manifestantes que caminhava para a Presidente Vargas - foi aí que a violência se instalou e houve mais prisões.

Militantes do Comitê de Solidariedade à luta do Povo Palestino RJ estiveram presentes, junto com centenas de outros movimentos sociais, sindicais, estudantis e partidos de esquerda à manifestação. 

Nossa luta é única e uma só, no mundo !

Na próxima semana haverá uma plenária para discutirmos os rumos do movimento.

Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino RJ







Militante do Comitê com a camisa da bandeira da Síria contra os mercenários imperialistas, presente na manifestação
























domingo, 9 de junho de 2013

O que as mídias corporativas não contam acerca da explosão social na Turquia

por LibreRed [*]

O novo sultão, cartoon de Latuff.





















Um dos argumentos mais utilizados pelos grandes media de comunicação ocidentais quando se trata de interpretar a origem da explosão social nas ruas da Turquia é a deriva islâmica e autoritária do governo de Recep Tayip Erdogan.

Deste modo, os mass media centram toda a atenção na disjuntiva islamismo-laicismo e autoritarismo-democracia, fazendo uma análise simplista e parcial da realidade que vive estes dias o país euro-asiático.

Mas para analisar com maior profundidade a recente revolta popular nas ruas de cidades como Istambul ou Ancara seria preciso adoptar outra perspectiva e por a lupa nas políticas sócio-económicas que o executivo tem desenvolvido nestes últimos anos.

O governo de Erdogan, integrado pelo Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), chega ao poder no ano de 2002 num contexto de crise económica (crise financeira de 2001) onde acorda um programa de medidas de feitio claramente neoliberal com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que passam pela privatização do sector público, reformas laborais e drásticos cortes sociais.

Um ano depois de chegar ao governo, em 2003, é aberto o caminho à privatização da empresa pública de telecomunicações Turk Telekom [1] . No ano seguinte, 2004, põem-se à venda companhias de bebida, fábricas de aço e a as Linhas Aéreas Turcas [2] .

Desde então, inicia-se um processo que não tem marcha-atrás. Em 2007, dá-se sinal verde à privatização da empresa pública de tabacos da Turquia, Tekel [3] . Em 2008, é a vez da rede eléctrica, com a venda de duas companhias de distribuição em Ancara e Sakarya-Kocaeli [4] . Além disso, nesse mesmo ano anuncia-se a venda de banco de propriedade estatal Halkbank e a privatização de 15 por cento das acções da Turk Telekom.

Em 2009, o governo aprova legislação para conceder a água dos rios, dos lagos e das albufeiras às corporações privadas. Isto significa que os recursos hídricos podem ser transferidos a corporações, que até então controlavam só os serviços de distribuição [5] .

Diante disto, a Confederação dos sindicatos camponeses turcos, Çiftçi-Sen, juntamente com mais de 100 outras forças de oposição social que defendem o reconhecimento do direito à água, constituem uma plataforma chamada "Não à comercialização da água" e manifestam-se maciçamente em 15 de Março de 2009 em Istambul no âmbito do Fórum Mundial da Água [6] .

Em 2011, o governo de Erdogan inicia as negociações para a privatização [7] de 2.000 quilómetros de auto-estradas e pontes do país. Desta maneira o executivo turco pretende ceder ao capital privado até nove rodovias com portagem e duas pontes sobre o Bósforo, vias de comunicação muito importantes na área de Istambul.

Através da chamada "Administração de Privatizações" (OIB na sua sigla em turco), Erdogan procurar fazer avançar um pacote de privatizações no país que inclui o têxtil, a mineração, o petróleo, a alimentação e o transporte marítimo, dentre outros sectores [8] .

Em Fevereiro desse mesmo ano, 10 mil pessoas manifestam-se no centro de Ancara em repúdio à reforma laboral do governo que, entre outras medidas, inclui a redução do salário mínimo para os jovens, a possibilidade de transferência dos funcionários e permite a contratação de empregados sem seguro social [9] .

Muitos dos presentes à manifestação gritam em coro: "Isto é Ancara, não o Cairo", "Tayyip, chegou a sua vez" e "Tayyip, te desejamos um final [tão] feliz como o de Mubarak".

As directrizes neoliberais aplicadas durante estes últimos anos geraram um aumento da desigualdade social no país. Segundo a revista Forbes, em Istambul, capital financeira da Turquia, havia um total de 35 multi-milionários em Março de 2008 (em comparação com 25 em 2007), situando-se em 4º lugar no mundo. Um relatório para empresários interessados em investir na Turquia elaborado pelo banco espanhol Banesto assegura que "o país está marcado pela existência de fortes desigualdades de rendimento" [10] . Muitos empregados na Turquia não ganham mais que o salário mínimo de 570 dólares e o rendimento per capita é quase a metade dos rendimentos médios europeus.

Talvez este conjunto de factores ajude a explicar o mal-estar social que deu origem aos distúrbios hoje vividos na Turquia, para além do enfoque liberal que a imprensa do Ocidente pretende dar dos mesmos.
Referências: 
[1] elpais.com/diario/2003/11/12/economia/1068591610_850215.html
[2] spanish.peopledaily.com.cn/spanish/200402/12/sp20040212_72471.html
[3] www.icex.es/...
[4] www.hispanatolia.com/...
[5] www.tni.org/
[6] www.eurovia.org/spip.php?article67&lang=fr
[7] www.cincodias.com/... as/turquia-inicia-privatizacion-2000-kilometros-autopistas/20110830cdscdiemp_16/
[8] www.oib.gov.tr/index_eng.htm
[9] http://www.abc.es/agencias/noticia.asp?noticia=677519
[10] comercioexterior.banesto.es/... 


Ver também: 

  • La policía turca ataca sedes del Partido Comunista
  • Masivas marchas en distintas ciudades turcas exigen la dimisión del Gobierno
  • http://occupygezipics.tumblr.com/
  • Esbozos sobre la Condición de la Clase Obrera en Turquía

  • Líder da oposição clama por eleiçõs antecipadas 
    O original encontra-se em http://www.librered.net/?p=27218 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 6 de junho de 2013

    TURQUIA: A escolha para a classe trabalhadora será certamente criada

    Declaração do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia: 



    1. Há dias, a Turquia vem testemunhando um movimento popular genuíno. As ações e protestos que começaram em Istambul e se espalharam por toda a Turquia têm um caráter massivo, legítimo e histórico. O mais importante é a arrebatadora mudança no ânimo das pessoas. O medo e a apatia foram varridos do mapa, e o povo ganhou autoconfiança.

    2. O Partido Comunista da Turquia (TKP) vem sendo parte do movimento popular desde o primeiro dia, e mobilizou todas as suas forças, buscando fortalecer o caráter revolucionário e proletário do movimento, se aplicando em espalhar uma atitude madura de disciplina, organizando numerosas ações e manifestações. Neste processo, as forças policiais consumaram um pesado ataque à sede de nosso partido em Ankara [N. do T.: a capital da Turquia]. Por toda a Turquia, muitos membros do partido foram feridos e presos. Houve tentativas de sequestro de quadros partidários. Mas as tentativas de provocação contra nosso partido foram derrotadas.

    3. Nossa ênfase no papel do TKP não visa a subestimar a natureza espontânea do movimento ou a contribuição dos demais atores políticos. Ao contrário: o TKP sustenta que este movimento tem um aspecto que o põe além do impacto de qualquer ator político isolado, bem como de qualquer tipo de oportunismo político.

    4. O clamor das massas pela renúncia do governo é uma verdade absoluta deste movimento. Apesar de ser evidente que uma alternativa à esquerda não pode ser construída “aqui e agora”, esta demanda deve se expressar em alto e bom som. Esta opção para a classe trabalhadora só pode ser gerada a partir do aproveitamento da energia que irrompeu neste momento histórico. O TKP se concentrará nisto, e em expor o significado real de alternativas como “formar um governo de salvação nacional”, que provavelmente será apresentado como solução para desviar a atenção da classe trabalhadora, para tentar fazer com que acredite que a crise pode ser superada desta maneira.

    5. Sem nenhuma dúvida, os detentores do poder político tentarão esfriar os ânimos, instituir o controle e até mesmo reverter a situação em seu favor. Eles podem, sim, conseguir vitórias temporárias. Mas mesmo neste caso, o movimento popular não terá se perdido. O TKP está pronto para um período de luta tenaz e intensa.

    6. De maneira a garantir uma ação concertada, diferentes vertentes do movimento socialista compartilhando objetivos e problemas comuns devem avaliar o ascenso do movimento popular imediatamente. O TKP, sem interromper suas tarefas e atividades diárias, agirá responsavelmente em relação a esta questão, batalhando pela criação de um terreno comum sintonizado com as demandas urgentes a seguir.

    7. De modo a neutralizar os planos do governo de dividir e classificar o movimento em “legítimo” e “ilegítimo”, todas as forças devem evitar os passos que possam causar danos à legitimidade do movimento. É o poder político que ataca. As pessoas devem se defender como é seu direito, mas nunca cair nas armadilhas da provocação do governo.

    8. Enquanto as massas entoam a palavra de ordem “Renuncia, governo!”, as negociações limitadas ao futuro do parque Taksim-Gezi perdem o sentido. O governo finge não entender que a velha correlação foi abalada em seus fundamentos e não pode ser restaurada. Todos sabem que o movimento popular não é produto da sensibilidade quanto às árvores do parque Gezi. A ira das pessoas vem dos projetos de transformação urbana, do terror do mercado, das intervenções abertas e diretas em estilos de vida diferentes, do americanismo e da subordinação aos EUA, das políticas reacionárias, da inimizade dirigida contra o povo sírio. O AKP [ N. do T.: partido do governo] não pode iludir o povo com um discurso do tipo “plantaremos mais árvores do que aquelas que derrubaremos”.

    9. Enquanto arregaçamos as mangas para criar uma alternativa do povo trabalhador, o movimento precisa se apoiar sobre demandas concretas. Estas demandas são válidas no caso da renúncia do governo ou de Erdogan:

    a) O governo deve anunciar que os projetos que envolvem a demolição do Parque Gezi e do Centro Cultural Ataturk estão cancelados.

    b) Aqueles que foram levados sob custódia do Estado durante a resistência devem ser soltos e todas as acusações contra eles retiradas imediatamente.

    c) Todos os oficiais cujos crimes contra o povo sejam provados pelos relatórios das comissões formadas pela União das Associações de Bar [N. do T.: este é o nome das associações profissionais de advogados na Turquia, que têm estatuto de organizações públicas e zelam pelos direitos humanos e pelo respeito aos direitos das pessoas] e pelas associações de bar locais devem ser exonerados.

    d) As tentativas de limitar o direito das pessoas a obterem notícias verdadeiras devem ser interrompidas.

    e) Todas as proibições no tocante a encontros, manifestações e marchas devem ser repelidas.

    f) Todos os obstáculos de facto ou de jure que se imponham à participação política do povo, incluindo o gatilho eleitoral de 10% e os artigos antidemocráticos da “lei dos partidos políticos”, devem ser abolidos.

    g) Todas as iniciativas que objetivem impor um estilo de vida homogêneo a todas as pessoas devem ser imediatamente interrompidas.


    10. Estas demandas urgentes não afetarão, em hipótese alguma, nosso direito e obrigação de continuar a oposição contra o poder político vigente. A reação do Povo ao governo deve ser reforçada, e os esforços devem ser concentrados para trazer à baila uma alternativa política real.

    11. A bandeira turca da estrela e do crescente, que vinha sendo usada como escudo para ataques reacionários e chauvinistas contra trabalhadores, pessoas de esquerda, curdos, depois do golpe militar fascista de 12 de setembro de 1980, foi agora arrancada pelo Povo das mãos do fascismo, e passada às mãos honoráveis de Deniz Gezmis e de seus camaradas, como uma bandeira nas mãos de gente patriota.

    12. O movimento popular, desde o começo, vem persistentemente desbancando a estratégia sinistra de jogar uma comunidade contra a outra na Turquia. Esta atitude deve ser cuidadosamente mantida, não deixando nenhuma espaço para o chauvinismo ou o nacionalismo vulgar.

    13. Dirigindo-nos aos curdos nossos irmãos e irmãs, já declaramos que “Não pode haver acordo de paz com o AKP”. Não pode haver trato com um poder político ao qual seu próprio povo virou as costas, e cuja verdadeira face já foi revelada. A política curda deve desistir de “acalentar esperanças de seguir com o AKP”, e se tornar uma forte componente de um movimento popular unido, patriótico e esclarecido.

    14. Nossos cidadãos que perderam suas vidas pelas mãos da força policial do poder político, as sacrificaram em nome de uma luta justa e histórica. O Povo nunca se esquecerá de seus nomes, e os responsáveis por suas mortes pagarão o preço diante da lei.

    Comitê Central – Partido Comunista da Turquia
    4 de Junho de 2013
    Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

    terça-feira, 4 de junho de 2013

    A JUVENTUDE E A ATUALIDADE DA LUTA ANTI-IMPERIALISTA

    Ato público e Seminário preparatório para o XVIII Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes



    Criada em 1945, a Federação Mundial das Juventudes Democráticas nasce com o intuito de aglutinar jovens de todo o mundo na luta contra o fascismo. Desde então, protagonizou inúmeras lutas nos cinco continentes, seja defendendo a solidariedade entre os povos, se engajando na luta pela descolonização da Ásia e da África, ou alçando a voz contra o imperialismo.
    Nesse sentido, desde 1947 realiza periodicamente os Festivais Mundiais das Juventudes e dos Estudantes, um importante espaço aglutinador das mais diversas expressões político-culturais de resistência juvenil ao imperialismo. Em dezembro de 2013 será realizado o próximo festival, na cidade de Quito – Equador, com a expectativa da participação de mais de 20 mil jovens de todos os cantos do mundo, justamente em um momento conjuntural decisivo para os rumos da articulação da luta anti-imperialista pelo mundo. Nesse sentido, a União da Juventude Comunista, em conjunto com movimento populares e progressista, lança um seminário preparatório para divulgar os objetivos e debater este importante evento.

    04/05 (Terça-feira) Debate: A Juventude e a atualidade da luta anti-imperialista no 
    século XXI

    16:00 horas. Local: Auditório da Escola de Serviço Social UFRJ 

    Debatedores: 

    Mauro Iasi – professor da UFRJ e presidente da ADUFRJ
    Sandra Quintela – PACS Jubileu Sul
    Marcha Patriótica Colômbia
    Bernardo Soares – Coordenação Nacional UJC



    06/06 (quinta-feira) Debate: Resistência da Juventude e alternativas ao imperialismo

    18:00 horas. Local: Auditório da Escola de Serviço Social da UFRJ


    Debatedores:

    Ivan Pinheiro – Presidente do Movimento Continental BolivarianoJosé Paulo Netto – Professor Emérito da UFRJ
    Renato Cinco (à confirmar) – vereador PSOL
    Luís Fernandes – Coordenação Nacional UJC


    Organização: 

    União da Juventude Comunista - Brasil; Casa da América Latina; Associação Cultural José Martí - RJ; Marcha Patriótica - Colômbia; Deputado Paulo Ramos; Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD); Comitê de Solidariedade à Luta do  Povo Palestino RJ.