quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Estudante é agredido por defensor de Israel na Universidade Federal do Amazonas

 Estudante é agredido por defensor de Israel na Universidade Federal do Amazonas
O propagandista de Israel e ex-integrante de suas forças armadas André Lajst, que tem defendido as políticas israelenses na Palestina ocupada em palestras no território brasileiro, se irritou nesta terça-feira (21/08) com universitários amazonenses que se manifestaram em favor dos palestinos durante a sua apresentação, ao ponto de agredir um deles.
Lajst, que se apresenta como “especialista” e se autodenomina “renomado estudioso do conflito Israel xPalestina”, passou a gritar contra estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde se dava sua palestra, porque estes portavam cartaz com a bandeira da Palestina e a inscrição “Não é Guerra, trata-se de genocídio. Palestina Livre”. A arte, que circula o mundo até hoje, faz alusão aos ataques de Israel à Faixa de Gaza, em 2014, quando mais de 2 mil palestinos foram mortos, a maioria mulheres e crianças, e dezenas de milhares de feridos e mutilados.
​O estudante de História da UFAMChristoffer Rocha, 20, era um dos poucos presentes no auditório. Integrante do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino do Amazonas, Christoffer Rocha ergueu o cartaz e acusou o palestrante de fazer a defesa dos crimes de Israel. Irritado, Lajst se alterou e, falando ao microfone aos gritos, afirmou que na Palestina não há genocídio.
​Em determinado momento, diante da distração de Christoffer Rocha, quando apresentava à reduzida plateia um manifesto do Comitê pró-palestino, o ex-militar israelense tomou, com violência, o cartaz de suas mãos e o amassou. Além disso, mandou, aos gritos, que ele e os demais estudantes pró-palestinos saíssem do local. “Somos estudantes da Ufam, que é uma instituição democrática. Estávamos assistindo a palestra, quando não concordamos com a defesa que ele (André Lajst) fazia da ocupação israelense, até mesmo por conhecermos o genocídio que Israel pratica na Palestina. Levantamos os cartazes e ele se alterou. Em um momento de distração, ele arrancou o cartaz da minha mão e foi agressivo. Aos gritos, ele mandou que eu e os demais manifestantes saíssemos do local”, relatou Christoffer Rocha.
Para a ONU, há genocídio
A julgar pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio da ONU, há, por parte de Israel, prática genocida. É que, de acordo com a definição oficial da Convenção, firmada em 11 de dezembro de 1949, pouco após o término da 2ª Guerra Mundial e menos de um ano da conclusão, por Israel, da limpeza étnica da Palestina, genocídio é o extermínio deliberado e sistemático, seja ele parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso. É também crime de genocídio o “assassinato de membros do grupo (étnico, racial ou religioso)”; “atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo”; “submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial”; “medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo”; e “transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo”.  Ou seja, exatamente o que Israel faz na Palestina.
Em 70 anos de ocupação, crimes monumentais ocorreram em terras palestinas, vitimando exclusivamente o povo originário desta terra. Os números desses crimes são assustadores: ao menos 774 cidades e povoados palestinos foram ocupados, dos quais 531 totalmente destruídos; 70 massacres foram cometidos, com mais de 15 mil mortos, incontáveis feridos e mutilados e dois terços da população nativa palestina, expulsa pelos estrangeiros recém-chegados.
Foram tomados, pela força, pelo terror, pelas matanças e pela expulsão 78% do território da Palestina histórica e, desta parcela de território, dos seus 900 mil habitantes, perto de 800 mil foram mortos ou expulsos, quase 90%. Isso jamais foi presenciado ou documentado na história humana. É esta a razão de se denominar estes eventos como NAKBA, como CATÁSTROFE. A esta população foi negado o direito ao retorno. Tudo lhes foi tomado e é destes quase 1 milhão de desterrados que derivam os atuais 5,8 milhões de refugiados palestinos, a maior população refugiada do mundo.
Quem é André Lajst?
​Ex-militar das forças armadas de Israel, principal elemento na manutenção da ocupação da Palestina, André Lajsttem percorrido o Brasil para defender as políticas israelenses, com ênfase na crítica ao movimento mundial que pede Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) ao regime israelense, nos moldes do mesmo movimento global que levou ao fim do regime segregacionista de Apartheid na África do Sul. Embora busque se apresentar como moderado e defensor da paz entre palestinos e israelenses, é fácil vê-lo, tanto em suas palestras como nas redes sociais, criticar violentamente os movimentos palestinos, sua resistência à ocupação, bem como aos ativistas pró-Palestina, que acusa de serem da “esquerda radical”, chegando a acusa-los de “fascistas”.

​Não bastasse, ele não faz uma só crítica à colonização ilegal da Palestina por extremistas judeus recém-chegados da Europa e de outros lugares, condenada por resoluções da ONU, inclusive de seu Conselho de Segurança. As políticas de segregação racial e de Apartheid, assim como de limpeza étnica, todas já constantes de documentos oficiais da ONU e de diversos organismos internacionais de direitos humanos, também são negligenciadas pelo ativista israelense.
Nascido em São Paulo, Lajst mudou para Israel em 2006, onde estudou sobre o que denomina “conflito árabe-israelense” em uma universidade do país. Ele serviu ao exército de Israel por 2 anos e atuou como pesquisador na força aérea israelense, principalferramenta das tropas de ocupação dos territórios palestinos, especialmente nos ataques indiscriminados à população civil confinada em Gaza. Atualmente mora em São Paulo, onde é diretor Executivo de uma organização pró-Israel denominadaStandWithUs Brasil, entidade em nome da quel viaja para propagar as políticas de Israel e distorcer a realidade sobre a ocupação da Palestina em território brasileiro.
TEXTO: Setor de Comunicação do Comitê de Solidaridade ao Povo Palestino do Amazonas
Veja o vídeo na página: https://www.facebook.com/SociedadePalestina/
Postado: http://www.fepal.org.br/estudante-e-agredido-por-defensor-de-israel-na-universidade-federal-do-amazonas/

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