domingo, 27 de setembro de 2009

ESTADO TERRORISTA DE ISRAEL FORNECE BOMBAS PARA O ATAQUE A EMBAIXADA BRASILEIRA EM HONDURAS



Laerte Braga
O holocausto não é um “privilégio” do povo judeu. Ao lado de judeus foram massacrados nos campos de concentração nazistas os negros, homossexuais e minorias outras.

O povo palestino vive um holocausto só que agora praticado por judeus/sionistas. O estado de Israel é um estado terrorista e esse desvio dos ideais do povo judeu foi previsto pelo físico Albert Einstein, judeu, numa carta publicada no final dos anos 40, pelo jornal THE NEW YORK TIMES. Einstein citava explicitamente Menachen Béguin, acusando-o de terrorista.

Nas prisões de Israel estão perto de mil cidadãos judeus processados ou por deserção (recusam-se às práticas terroristas do exército de Israel contra palestinos), ou por atos públicos de repúdio ao terrorismo sionista que governa Israel desde os primeiros momentos em 1948.

O MOSSAD, chamado serviço secreto de Israel não é um serviço de inteligência. É uma força militar para assassinatos, seqüestros, torturas e atua em todo o mundo em aberta e absoluta parceria com a CIA, seu similar norte-americano. É, portanto, uma organização terrorista.

No Brasil, especificamente, atua na chamada Tríplice Fronteira, onde moram centenas de milhares de árabes, inclusive palestinos. No governo FHC o presidente Clinton chegou a sugerir a presença de “terroristas” da Al Qaeda, fato mais tarde também citado pelo governo Bush, como justificativa para uma base militar dos EUA na região.

Os objetivos eram outros, como outros são os objetivos das bases militares na Colômbia.

As bombas atiradas contra a embaixada do Brasil em Honduras, Tegucigalpa, são de fabricação israelense, entraram no país em vôos clandestinos e a negociação entre o governo golpista de Michelleti e o governo de Israel com as empresas fabricantes foi conduzida por Yehuda Leitner, terrorista israelense que opera situações semelhantes em várias partes do mundo.

As empresas fabricantes são a ALFACOM e a INTERCOM. Ambas de capital norte-americano e israelense.

Há uma diferença entre o povo judeu e o governo terrorista de Israel. Ser judeu não significa ser terrorista, mas ser sionista sim e o governo israelense é sionista, tem as mesmas práticas dos nazistas de Hitler. Esse tipo de denúncia tem sido feito sistematicamente por intelectuais judeus, militantes e reflete a indignação que Einstein manifestou em sua carta ao THE NEW YORK TIMES há quase 70 anos.

O Estado de Israel é terrorista e o MOSSAD mera agência de seqüestradores, assassinos e torturadores.

Um repórter fotográfico da agência FRANCE PRESS relatou aos seus editores que várias das pessoas que se encontram na embaixada do Brasil em Honduras passaram mal em seguida ao lançamento de bombas israelenses contra o prédio e no interior do prédio.

O fotografo está dentro da área da legação brasileira.

Em Honduras acontece uma carnificina contra civis que se opõem ao golpe militar que derrubou o presidente Zelaya. O país está praticamente paralisado já que o povo não aceita a quartelada. Foi uma ação conjunta de elites hondurenhas, grupos econômicos norte-americanos com orquestração da embaixada dos EUA e presença ativa de militares norte-americanos (há uma base no país) e agentes do MOSSAD.

Agentes do MOSSAD fazem o que chamam de serviço sujo, tamanha a crueldade com que agem.

Transformar o holocausto em pretexto para práticas semelhantes e querer que as críticas ao sionismo sejam vistas como anti-semitismo é uma prática comum, historicamente comum. Apropriar-se de um fato e vestir-lhe a roupa que convém, dar-lhe a versão que desejam em função de interesses de grupos, de minorias.

O que está criando complicações para o terrorismo golpista em Honduras é a resistência pacífica do povo hondurenho. Não contavam que cidadãos e cidadãs fossem capazes de resistir com tamanha bravura à investida de bestas/feras travestidas de militares.

Um carro da embaixada do Brasil foi objeto de ataque de militares hondurenhos e todos os ocupantes submetidos a revista e constrangimentos, ontem, sexta-feira. Bombas sonoras israelenses estão instaladas à frente da embaixada, em funcionamento e operadas por agentes do MOSSAD encapuzados para não serem identificados em estreita colaboração do terrorismo sionistas de Israel com os golpistas.

Michelletti permanece no poder com a cumplicidade omissa dos EUA e a ação suja do governo de Israel.

A grande mídia brasileira subordinada a esses interesses está tentando de todas as formas confundir a opinião pública do País e desqualificar a ação do governo brasileiro. Há necessidade de mais firmeza mesmo que os EUA estejam fazendo de conta que não é com eles.

Obama é um embuste. Os militares da base norte-americana em Honduras agem sem se esconderem em ações conjuntas com os golpistas hondurenhos.

Dentro do próprio governo o ministro Celso Amorim tem sido hostilizado por conta de ministros ligados às elites brasileiras favoráveis ao golpe. É o resultado das alianças de Lula que, neste momento, se mostram muito mais pesadas e nocivas.

A luta pelo restabelecimento da democracia real em Honduras ultrapassa a simples volta do presidente Zelaya ao poder. É a própria dignidade latino-americana em jogo.

Elites e mídia brasileiras, como as hondurenhas, as chilenas, as argentinas, todas, são apátridas. E militares, em sua grande maioria, são meros agentes repressores desse tipo de terrorismo.

Democracia para eles é apenas um jogo de palavras para confundir e iludir a opinião pública.

Hoje pela manhã, em Honduras ocorreram várias manifestações pela volta da legalidade. À tarde uma grande marcha acontecerá em Tegucigalpa. Há cerca de 200 soldados terroristas/golpistas cercando a embaixada do Brasil e há notícias não confirmadas da chegada de um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Brasil ao país. Já estaria na embaixada, onde médicos atendem às vítimas das bombas israelenses. Esses médicos ou furaram o bloqueio, ou já lá estavam, pois a Cruz Vermelha Internacional denunciou que o governo golpista não permitiu acesso de seus integrantes ao prédio da embaixada em claro desrespeito à legislação internacional.

O momento exige em função da dignidade nacional, apesar da GLOBO, da FOLHA DE SÃO PAULO, de VEJA, organizações ligadas a grupos estrangeiros e controladas por eles. Da reação de funcionários brasileiros do governo dos EUA, caso de José Serra. E das elites enclausuradas no castelo FIESP/DASLU, espécie de castelo dos dráculas do Brasil. Exige respostas claras, firmes e decididas do governo. Está claro que Obama está fritando Lula e o Brasil.

Ou somos uma nação soberana, ou somos um grande auditório da GLOBO. Com aquele monte de moças bonitas nas primeiras filas, contratadas para exibir pernas e fazer caras, nos aplausos dirigidos pelos donos.

É optar por enfrentar se afirmar ou jogar por terra esse momento que é ímpar na história do Brasil e da integração dos povos latino-americanos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Comitê de Solidariedade inaugura na Cisjordânia escola profissionalizante com cursosinternacional

Comitê de Solidariedade inaugura na Cisjordânia escola profissionalizante com cursos
Gratuitos

Khader Othman

O COMITÊ Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino materializamos seu amor pela Palestina no dia 14 de agosto através da inauguração de escola técnica na cidade de Beit-ur, Cisjordânia, uma instituição pública e gratuita com cursos profissionalizantes para os palestinos. Longe dos discursos teóricos, longe de gritos e ofensas à invasão sionista do Estado de Israel na Palestina, transformamos as lágrimas pela situação atual do povo palestino em esperança promissora. A solidariedade, para ser efetiva, tem que ser concreta. Transformamos nosso apoio à resistência nacional palestina em ação sólida, viva, cheia de amor.

Os “palestinos na diáspora” – um grupo de brasileiros de origem Palestina –, dominados pela justiça, assumiram seu dever cívico perante a Pátria- mãe e consolidaram este projeto. Sabemos ser impossível derrotar a ocupação israelense somente pela crítica. É urgente e necessário criar condições para o nosso povo resistir e continuar lutando em nosso país. Todos os meios de lutas são possibilidades para acabar com essa odiada invasão sionista do Estado de Israel e juntar os
trapos dessa Pátria para tentar construir a Palestina, uma pátria unida.

Beit-ur é uma cidade muito pobre e carente, como outras na Cisjordânia, mas agora seu cotidiano será transformado com a chegada da escola técnica. São 150 vagas que possibilitarão uma formação qualificada, proporcionando assim uma vida digna e de trabalho honesto para palestinos que, daqui a dois anos, sustentarão suas famílias.

São oficinas técnicas, divididas entre alunos femininos e masculinos, com a oferta de seis cursos profissionalizantes. São oficinas de Cabeleireiros e Beleza; de Corte e Costura, Bordados e Modelagem; de Informática; de Esquadrias de Alumínio; de Sistemas de Calefação e Refrigeração; e de Ferragem, Esquadrias, Cercas e Proteções.

No dia da inauguração da escola, colocamos uma faixa que ornamentava o prédio, com a linda poesia de Mahmoud Darwish:
Os grãos de uma espiga de trigo
Espalhados aqui e acolá
Enchem todo o vale de espigas

Este é o nosso lema. Nossa ideia não é isolada, mas uma construção coletiva em busca da libertação da Palestina. Foram três anos de trabalho, um acúmulo de esforços e sonhos de muitos militantes. Concluímos as negociações com a adoção do projeto pelo Ministério de Trabalho da Autoridade Nacional da Palestina.

Na inauguração, contamos com a presença de várias personalidades palestinas e membros da Autoridade Nacional e, em especial, de Ligia Maria Scherer, chefe da Delegação Especial do Brasil na Palestina, com Escritório-sede na cidade de Ramallah. Lígia aplaudiu a ideia e discursou para os presentes relatando as várias obras que o governo brasileiro está executando
nos territórios palestinos. Como nos ensinou Darwish: estamos plantando... o vale está cheio de espigas.

Unidade da esquerda

Outra coisa que me chamou bastante atenção nessa viagem para a Palestina foi o intenso movimento dos intelectuais e do povo em geral em torno da unificação da esquerda como uma resposta viável e prática para a crise interna. Somente a unificação das forças progressistas apontará uma saída para a crise que o processo de paz sofre nas mãos do imperialismo internacional.

Fruto desse esforço foi a conferência internacional “Experiências de unificação e renovação da esquerda na Palestina e no mundo”, realizada em Ramallah entre os dias 26 a 28 de junho, onde muitos militantes e intelectuais progressistas e de esquerda trocaram experiências e contribuíram para o amadurecimento da ideia de unificação. O processo de unificar a esquerda ganhou fôlego forte e esse tema predomina o debate entre os palestinos.

A Palestina que queremos

A população Palestina é de 11,2 milhões de pessoas. Atualmente, 5,2 milhões vivem no seu solo pátrio, nos territórios de Gaza e Cisjordânia, de forma subumana, desprovidas de direitos básicos, como acesso a hospitais, transportes, escolas, universidades, empregos e o direito mais elementar: o de ir e vir. Outros 6 milhões de palestinos vivem como refugiados em ouros países, sonhando com o dia de retornar.

O povo palestino deseja a paz e sua forma de defesa é a intifada, um posicionamento de libertação no qual são utilizados paus, pedras e seus corpos contra todo o armamento sofisticado do exército israelense apoiado pelo imperialismo estadunidense. Defendemos a Palestina democrática e laica, em seu solo pátrio histórico, com o retorno dos refugiados palestinos, e Jerusalém como sua capital, onde possam viver em harmonia e fraternidade cristãos, muçulmanos e judeus, como era antes de 1947.

Solidariedade
Os Comitês de Solidariedade cumprem o importante papel de divulgadores da causa palestina. Através de palestras, debates e eventos, propagamos informações sobre a luta de resistência do povo palestino.

No Brasil existem muitos comitês de solidariedade realizando um belo trabalho. Desde 2000, nosso Comitê Catarinense contribui para que a Palestina esteja presente nos corações e mentes dos brasileiros, povo este tão solidário à causa palestina, causa esta da humanidade.

São 62 anos de luta em defesa da Palestina livre. Convocamos a todos para, no dia 29 de novembro, Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, declararem-se palestinos, pois somos todos brasileiros, somos todos palestinos em busca da justiça.

Em 29 de novembro de 1947, a ONU, através da resolução 181, impôs a partilha do solo pátrio da Palestina para a criação do Estado de Israel. O restabelecimento da Palestina é uma tarefa de todos nós.

Khader Othman é do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino.
E-mail: comitepalestinasc@yahoo.com.br.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O encontro tripartite é inútil e semeia ilusões


A margem da reunião da Assembléia Geral dasa Nações Unidas, a Casa Branca anunciou um encontro tripartite , Obama, Abas e Netanyahu, em Nova York .
A FDLP declara que este encontro é absolutamente inútil , uma vez que Israel mantém e prossegue com a colonização em Jerusalém e na Cisjordânia ocupada; semeia a ilusão na opinião pública e nos países integrantes da Assembléia Geral; enfraquece a Campanha do Bloqueio Internacional imposto sobre o governo de direita e ultra direita de Netanyahu. Além de encobrir às políticas agressivas expansionistas do sionismo em Jerusalém e Cisjordânia e o Bloqueio à Faixa de Gaza
A FDLP enviou na manhã de 18 de setembro, uma mensagem ao presidente da Autoridade Nacional, Mahaboud Abbas, se posicionando contra sua ida a tal encontro tripartite, uma vez que continua a construção dos assentamentos mesmo depois da do enviado americano George Mitchel ter como missão justamente deter as construções.
A mensagem enviada a ANP não só rechaça o anuncio político tripartite visando o reatamento das conversações como a posição de exigir que se detenha imediatamente a expansão colonial antes das negociações se iniciarem.
As resoluções de unidade nacional do Comitê Executivo da OLP determina exatamente isso: “ Não há negociações antes de se deter totalmente o colonialismo”
A declaração convoca os países árabes a tomar posição unida de apoio ao povo palestino no sentido de paralisar totalmente a expansão colonial e rechaçar “ a normalização” das relações com o governo sionista, assim como insistir que o ocupante abandone os territórios árabes e palestinos ocupados em 1967 e se garanta os direitos nacionais do povo palestino a autodeterminação, o Estado independente com Jerusalém capital e o retorno de todos os refugiados, resolução 194 das nações Unidas.
Oficina Central de Información del
Frente Democrático para la Liberación de Palestina
21 de septiembre del 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Manifesto em defesa do MST

(para adesão ao manifesto, por favor envie e-mail para lmarinamst@gmail.com ou mariiduque@gmail.com )


“...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,

nesse mundo em que o trabalho está em extinção.

Legitimam-se porque fazem História,

num mundo que já proclamou o fim da História.

Esses homens e mulheres são um contra-senso

porque restituem à vida um sentido que se perdeu...”

(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996).




A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação, se traduz numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia do MST de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do INCRA (1970), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas. Mais da metade, entre 2003 e 2008. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos recursos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

CONTRA A CRIMINALIZACÃO DO MOVIMENTO DOS SEM TERRA.


PELO CUMPRIMENTO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS QUE DEFINEM AS TERRAS DESTINADAS À REFORMA AGRÁRIA.

PELA ADOCÃO IMEDIATA DOS NOVOS CRITÉRIOS DE PRODUTIVIDADE PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA.

Brasília, 21 de setembro de 2009

PÉDRO TIERRA
OSVALDO RUSSO
PLINIO ARRUDA SAMPAIO
EDUARDO GALEANO
HELOISA FERNANDES

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A "indústria da paz" do Médio Oriente




por Faris Giacaman [*]
Cartoon de Latuff.

Ao descobrirem que sou palestino, muitas pessoas que encontro na universidade aqui nos Estados Unidos ficam ansiosas por informar-me de várias actividades em que têm participado a fim de promover "coexistência" e "diálogo" entre ambos os lados do "conflito", sem dúvida à espera de um aceno de aprovação da minha parte. Contudo, estes esforços são danosos e minam o apelo da sociedade civil palestina em favor do boicote, desinvestimento e sanções a Israel – o único meio de pressionar Israel a cessar as suas violações dos direitos dos palestinos.

Quando eu frequentava o secundário, em Ramalá, uma das iniciativas "pessoa-a-pessoa" mais conhecidas, a Seeds of Peace, muitas vezes visitava a minha escola, pedindo aos estudantes para aderirem ao seu programa. Quase todos os anos eles enviavam alguns dos meus colegas a um campo de Verão nos EUA com um grupo de estudantes israelenses. Segundo o sítio web de Seeds of Peace, ensinam-lhes no campo a "desenvolver empatia, respeito e confiança bem como liderança, comunicação e aptidões de negociação – componentes críticos que facilitarão a coexistência pacífica da geração seguinte". Eles pintam um quadro róseo e a maior parte das pessoas na universidade fica muito surpreendida ao ouvir que penso serem tais actividades equivocadas na melhor das hipóteses e imorais na pior. Por que diabos eu era contra a "coexistência", perguntavam-me sempre.

Durante os últimos anos tem havido apelos crescentes a por um fim à opressão do povo palestino por Israel através de um movimento internacional de boicote, desinvestimento e sanções (BDS). Uma das objecções comuns ao boicote é que ele é contra-producente e que o "diálogo" e a "promoção da coexistência" são muito mais construtivos do que boicotes.

A partir do início dos acordos de Oslo, em 1993, tem havido toda uma indústria que opera no sentido de reunir israelenses e palestinos nestes grupos de "diálogo". A finalidade declarada de tais grupos é a criação de entendimento entre "ambos os lados conflito", a fim de "construir pontes" e "ultrapassar barreiras". Contudo, a suposição de que tais actividades ajudarão a facilitar a paz não é não só incorrecta como realmente carente de moral.

A presunção de que o diálogo é necessário a fim de alcançar a paz ignora completamente o contexto histórico da situação na Palestina. Ela assume que ambos os lados cometeram uma quantidade mais ou menos igual de atrocidades um contra o outro e que são igualmente culpáveis pelos erros que foram cometido. É assumido que nenhum lado está completamente certo ou completamente errado, mas que ambos têm direitos legítimos que deveriam ser tratados e certos pontos mortos que devem ser ultrapassados. Portanto, ambos os lados devem ouvir o ponto de vista do "outro" a fim de promover o entendimento e a comunicação, os quais presumivelmente levariam à "coexistência" ou a "reconciliação".

Tal abordagem é considerada "equilibrada" ou "moderada", como se isto fosse uma coisa boa. Contudo, a realidade no terreno é imensamente diferente do que a visão "moderada" deste assim chamado "conflito". Mesmo a palavra "conflito" é enganosa, pois ela implica uma disputa entre duas partes simétricas. A realidade não é assim; não se trata de um caso de simples falta de entendimento ou de ódio mútuo que se atravessa no caminho da paz. O contexto da situação em Israel/Palestina é de colonialismo, apartheid e racismo, uma situação na qual há um opressor e um oprimido, um colonizador e um colonizado.

Em casos de colonialismo e apartheid, a história mostra que regimes coloniais não abandonam o poder sem luta e resistência popular, ou pressão internacional directa. É uma visão particularmente ingénua assumir que a persuasão e a "conversação" convencerão um sistema opressor a renunciar ao seu poder.

O regime do apartheid na África do Sul, por exemplo, foi finalizado após anos de luta com a ajuda vital de uma campanha internacional de sanções, desinvestimentos e boicotes. Se alguém houvesse sugerido aos oprimidos sul-africanos que viviam nos bantustões a tentar e entender o ponto de vista do outro (isto é, dos partidários da supremacia branca), as pessoas teria rido de uma noção tão ridícula. Analogamente, durante a luta indiana pela emancipação do domínio colonial britânico, Mahatma Gandhi não teria sido venerado como um combatente pela justiça se houvesse renunciado à satyagraha – "ater-se firmemente à verdade", a sua expressão para o movimento de resistência não violenta – e ao invés disso houvesse advogado em favor do diálogo com os ocupantes colonialistas britânicos a fim de entender o seu lado da história.

Entretanto, é verdade que alguns sul-africanos brancos tomaram posição de solidariedade com os negros oprimidos e participaram na luta contra o apartheid. E havia, certamente, alguns britânicos dissidentes das políticas coloniais do seu governo. Mas aqueles apoiantes posicionaram-se explicitamente ao lado dos oprimidos com o objectivo claro de acabar com a opressão, de combater as injustiças perpetradas pelos seus governos e representantes. Qualquer reunião conjunta de ambas as partes, portanto, só pode ser moralmente sã quando os cidadãos do estado opressivo posicionam-se em solidariedade aos membros do grupo oprimido, não sob a bandeira do "diálogo" com o objectivo de "entender o outro lado da história". O diálogo só é aceitável quando efectuado a fim de entender o problema do oprimido, não no contexto de "ouvir ambos os lados".

Entretanto, tem sido argumentado pelos proponentes palestinos destes grupos de diálogo que tais actividades podem ser utilizados como uma ferramenta – não para promover o assim chamado "entendimento" – mas para realmente ganhar israelenses para luta palestina pela justiça, persuadindo-os ou "tendo eles de reconhecer a nossa humanidade".

Contudo, esta concepção também é ingénua. Infelizmente, a maior parte dos israelenses caiu vítima da propaganda com que o establishment sionista e os seus muitos instrumentos os alimentam desde tenra idade. Além disso, exigirá um esforço enorme e concertado contrariar esta propaganda através da persuasão. A maior dos israelenses, por exemplo, não será convencida de que o seu governo atingiu um nível de criminalidade que justifique um apelo ao boicote. Mesmo que eles sejam convencidos logicamente das brutalidades da opressão israelense, provavelmente não será o suficiente para levá-los a qualquer forma de acção. Isto tem-se provado reiteradamente verdadeiro, o que é evidente no fracasso abjecto de tais grupos de diálogo para formarem qualquer movimento abrangente anti-ocupação desde os seus primórdios com o processo de Oslo. Na realidade, nada menos do que a pressão sustentada – não a persuasão – fará os israelenses perceberem que os direitos dos palestinos têm de ser rectificados. Esta é a lógica do movimento BDS, o qual é inteiramente oposto à falsa lógica do diálogo.

Com base num relatório não publicado de 2002 do Israel/Palestine Center for Research and Information, o San Francisco Chronicle informou em Outubro último que "entre 1993 e 2000 [apenas], governos e fundações ocidentais gastaram entre US$20 milhões e US$25 milhões nos grupos de diálogo". Um ulterior inquérito em grande escala a palestinos que participaram nos grupos de diálogo revelou que esta grande despesa falhou em produziu "um único activista da paz em qualquer dos lados". Isto confirma a crença entre palestinos de que todo o empreendimento é um desperdício de tempo e de dinheiro.

O inquérito também revelou que os participantes palestinos não eram plenamente representativos da sua sociedade. Muitos participantes tendiam a ser "filhos ou amigos de altos responsáveis palestinos ou das elites económicas. Apenas sete por cento dos participantes eram residentes em campos de refugiados, muito embora eles constituam 16 por cento da população palestina". O inquérito também descobriu que 91 por cento dos participantes palestinos já não mantinham laços com os israelenses com quem se encontraram. Além disso, 93 por cento não foram abordados com actividade de campo a seguir e apenas cinco por cento concordaram em que toda a experiência ajudou a "promover paz, cultura e diálogo entre participantes".

Apesar do inequívoco fracasso destes projectos de diálogo, continua a ser investido dinheiro neles. Como explicou Omar Barghouti, um dos membros fundados do movimento BDS na Palestina, em The Electronic Intifada, "houve demasiadas tentativas de diálogo desde 1993 ... tornou-se uma indústria – chamamo-la a indústria da paz".

Isto pode ser atribuído parcialmente a dois factores. O factor dominante é o papel utilizável de tais projectos em relações públicas. O Seeds of Peace, por exemplo, jacta-se da sua legitimidade apresentando um impressionante conjunto de endossos por parte de políticos e autoridades tais como Hillary Clinton, Bill Clinton, George Mitchell, Shimon Peres, George Bush, Colin Powell e Tony Blair, dentre outros. O segundo factor é a necessidade de certos "esquerdistas" e "liberais" israelenses sentirem como se estivessem a fazer alguma coisa admirável ao "questionarem-se", quando na realidade eles não tomam nenhum posicionamento significativo contra os crimes que o seu governo comete em seu nome. Os políticos e os governos ocidentais continuam a financiar tais projectos, promovendo dessa forma as suas imagens como apoiantes da "coexistência", e os "liberais" participantes israelenses podem isentar-se de qualquer culpa pela participação no nobre acto de "promover a paz". Um relacionamento simbiótico, muito insatisfatório.

A falta de resultados de tais iniciativos não é surpreendente, pois os objectivos declarados do diálogo e grupos de "coexistência" não incluem convencer israelenses a ajudar palestinos a ganharem o respeito dos seus direitos inalienáveis. A exigência mínima de reconhecer a natureza inerentemente opressiva de Israel está ausente nestes grupos de diálogo. Ao invés disso, estas organizações operam sob a dúbia suposição de que o "conflito" é muito complexo e multifacetado, onde há "dois lados em toda história" e que cada narrativa tem certas afirmações válidas assim como dúbias.

Quando o apelo autorizado Campanha Palestina pelo Boicote Académico e Cultural de Israel faz o seu caminho, quaisquer actividades conjuntas palestino-israelenses – quer sejam projecções de filmes ou campos de Verão – pode ser aceitável só quando o seu objectivo declarado for finalizar, protestar e/ou despertar a consciência quanto à opressão dos palestinos.

Qualquer israelense que procure interagir com palestinos, com o objectivo claro de solidariedade e de ajudá-los a acabar com a opressão, será saudado de braços abertos. Mas deve haver cautela, contudo, quando são feitos convites para participar num diálogo entre "ambos os lados" do assim chamado "conflito". Qualquer apelo a um discursos "equilibrado" sobre esta questão – onde o lema "há dois lados em toda história" é reverenciado quase religiosamente – é intelectualmente e moralmente desonesto pois ignora o facto de que, quando se trata de casos de colonialismo, apartheid e opressão não tal coisa como "equilíbrio". A sociedade opressora, de modo geral, não renunciará aos seus privilégios sem pressão. É por isso que a campanha BDS é um importante instrumento de mudança.
20/Agosto/2009
[*] Estudante palestino da Cisjordânia, a fazer o segundo ano da universidade nos Estados Unidos

O original encontra-se em http://electronicintifada.net/v2/article10722.shtml

Este artigo encontra-se em http://resistir.info

domingo, 16 de agosto de 2009

Relatório de violência dos colonos na Palestina

Maio/Junho 2009 Hebron e Sul da Cisjordânia
Ahmad Jaradat, for the Alternative Information Center (Traduccion: Maria Theresa Reginatto)

Na noite de primeiro de maio, aproximadamente 20 colonos do assentamento de Bat Ayin, norte de Hebron, abriram fogo contra casas na vila Palestina de Safa. Os colonos queimaram um campo de plantação de trigo de propriedade do fazendeiro Mohammed Husain Musleh Adi. Moradores da vila de Safa e de outras vilas próximas reuniram-se após os alto-falantes da mesquita emitirem a notificação da violência. Moradores atiraram pedras nos colonos com o intuito de proteger suas vidas e casas. Após chegar ao local, o exército Israelense anunciou o fechamento da área como zona militar. Em seguida, soldados Israelenses permaneceram nos check points (áreas de controle) nas vias que conduzem à vila, sem tomar qualquer atitude a fim de frear a atitudes dos colonos. Há duas semanas atrás colonos de Bat Ayin também arrancaram dezenas de pés de oliva em uma área próxima ao assentamento.

Também em primeiro de maio, escavadeiras Israelenses, sob proteção militar, nivelaram 1 hectare de terra próxima ao assentamento de Ale’ azer, localizado ao sul da vila palestinesa de al-Khader. O local é chamado Abu Bakeer e fica no distrito de Bethlehem. A área afetada, contendo plantação de uvas, pertence à família de Salah. O prefeito de al-Khader, Ramzi Salah, comentou que a destruição objetiva expandir os assentamentos vizinhos.

Em sete de maio, colonos armados do assentamento Bat Avin obstaculizaram agricultores de Bait Omar de chegar às suas terras. Colonos atiraram no ar quando os fazendeiros tentaram chegar às terras localizadas em Ain al-Baida, fazendo com que estes deixassem o local.

No dia 12 de maio, colonos dos assentamentos de Giv’at e Kiryat Arba atacaram um grupo de palestineses e internacionais que se encontravam em Buwaira, a leste de Hebron. Os manifestantes uniram-se para protestar o confiscamento de terras na área. Hashem al-Azza, ativista de 45 anos, foi agredido na cabeça após os colonos terem chego e atirado pedras no grupo. O exército repetidamente auxilia os colonos no ataque aos manifestantes.

Em 17 (dezessete) de maio, dezenas de colonos em cooperação com membros extremistas Knesset do Partido Nacional Israelense (Israelli National Party) manifestaram pelas ruas de cidade antiga de Hebron. O encontro foi realizado sob direção de um membro do parlamento Israelense (Knesset), Yakov Katz, do Partido Ichud Leumi. O ministro da Defesa Ehud Barak concedeu a permissão ao grupo para visitar a cidade. Novas fontes descreveram a visita como um ato de encorajamento aos assentamentos na Cidade Velha (Hebron) e reforço aos postos já existentes. Desde o começo da manhã, o exército Israeliense fechou as lojas e as ruas na área afetada e intensificou as atividades relativas aos check points. Em algumas áreas da cidade, organizações locais Palestinesas, internacionais, e membros árabes do parlamento (Knesset) juntaram-se em protesto à visita.

Em 19 de junho, oficiais da Administração Civil Israelense emitiram ordens de demolição das casas de cinco famílias em Hebron, as quais estão localizadas em Hejra, no sul da cidade e dois kilometros a leste do assentamento Bait Hagai. Referidas casas estão próximas à Rodovia Número 60, que serve aos assentamentos. Segundo o Comitê pela Defesa de Terras tais ordens foram emitidas a palestineses que não podem construir ou expandir suas casas por residirem na Área C, na qual é quase impossível obter permissões para construção. No entanto, assentamentos e rodovias para os assentamentos continuam nesta área. O Comissário Abed al-Hadi Hantash disse que desde o começo deste ano, aproximadamente 90 ordens de demolição de casas foram entregues a palestineses, particularmente na área ao sul de Hebron, onde o projeto de assentamentos é ativo.

Ainda em 19 de maio, uma colona do assentamento de Kiryat Arba atropelou uma criança de três anos de idade. O incidente ocorreu em uma das principais vias da área de al-Ra, lado leste do assentamento. A mesma tentou escapar mas locais a impediram, sendo que o exército, ao final, permitiu que esta deixasse o local. A criança, Jalela Mus’ab al-Ja’bari, foi levada ao Hospital de Hebron para ser tratada, sendo diagnosticada como caso de média gravidade.

Em 24 de maio, quatro agricultores das vilas de Om El-Muqfera e Om Toba, sudeste de Yatta, restaram machucados quando foram atacados por aproximadamente 20 colonos, usando pedras e estacas, enquanto os agricultores pastoreavam suas cabras na terra a oeste do assentamento. Os mesmos, Ismael Abu Qubaita, Issa Jebreel Makhamreh, Ibraheem ali El-Zain e Ali Mohammed Makhamreh foram levados a centros médico em Yatta para receber tratamento.

Em 30 de maio, colonos do assentamento de Bat Ayin atacaram agricultores que vinham trabalhar em uma área sul do assentamento. Jamla Mohammed Husain Adi, 45, e sua filha Mai Ibraheem Thaljee, 3, restaram machucadas quando os colonos as atiraram por terra e tentaram expulsá-las da propriedade. Internacionais também foram atacados, no referido evento, por colonos que atiravam pedras. Mohammed Ayyad Awad, ativista do Movimento Solidário Internacional (International Solidarity Movement – ISM), disse que os ataques ocorreram com a presença do exército, não tendo feito nada para acabar com os ataques. Ademais, o exército declarou a área como zona militar, forçando os fazendeiros e internacionais, who came to pick crops alongside the farmers, a deixar o local. Alguns fazendeiros e ativistas Israelenses foram detidos por horas pelo exército.

No dia 8 de junho, escavadeiras do exército danificaram e nivelaram 4 hectares de terra na área de Baq’a, nordeste de hebron, e danificaram sete lagos artificiais. Referida terra, de propriedade de Yahya Saeed Jaber, Mohammed Nader Jaber, Azmi Abed El-Azeez Jaber, Abedel Wahhab Jaber, Jawad Abed El-Jawwad Rajabi e Ziyad Hammouda Jaber, vinha sendo usada para o cultivo de uvas. Os 4 hectares serão confiscados para os assentamentos de Kiryat Arba e Giv’at Harsina.

Em 13 de junho, colonos de Kiryat Arba e outros assentamentos repetiram os ataques contra residentes de Wadi Husain, que fica a oeste do assentamento. Segundo um dos residentes de Wadi Husain, Fahd Ja’bari, os colonos hostilizam os moradores das vilas jogando pedras em suas casas e perseguindo crianças na rua principal.

No dia 17 de junho, uma nova onda de ataques teve início na vila de Om al-Khair, ao sul de Hebron. Colonos provindos das vizinhanças do assentamento de Karmiel atiraram pedras em pastores para forçá-los a deixar a área vizinha ao assentamento. Tareq Salem Hadaleen, 16, foi ferido na cabeça por uma pedra. Soldados Israelenses chegaram ao local proclamando a área zona militar fechada e auxiliando os colonos a manter os agricultores fora da mesma. Em um pronunciamento (statement) para AIC, Yasser Hadaleen disse que tais ataques tem como objetivo forçar os moradores a deixar suas terras, especialmente as que estão localizadas a leste do assentamento de Karmeal, a fim de tornar mais fácil o confisco das terras. No entanto, embora tais ataques sejam realizados em cooperação com o exército, Hadaleen disse que os moradores da vila não pretendem deixá-la. Também comentou que ao invés de tentar impedir os ataques dos colonos, o exército diz não querer problemas – e simplesmente declara a área uma zona militar fechada.

Em 19 de junho, um grupo de colonos do assentamento de Beit’Ain queimaram uma área arborizada pertencente às famílias das vilas de Bait Omar e Soreef; cerca de 120 árvores foram destruídas pelo fogo. Mohammed Ayyad Awad, um ativista do movimento solidário, disse que a cada dia o movimento solidário é informado de agressões similares e a queimada de árvores ocorre constantemente.

No dia 20 de junho, vários internacionais e residentes de Beit Omar foram feridos quando colonos, com o auxílio do exército, atacaram dezenas de agricultores e membros de grupos solidários que os ajudavam a trabalhar em suas terras, adjacentes à Bait Omar. Os colonos chegaram do assentamento vizinho de Beit’Ain e atiraram pedras. Por meses, colonos deste assentamento tem atacado agricultores;

segundo o Comitê de Defesa de Terras 11 ataques foram registrados desde Abril, entre eles queimada de árvores e agressões físicas aos agricultores. Em 21 de junho, três moradores da vila Palestinesa de Sosya, sudoeste de Yatta, foram lesados quando colonos do assentamento vizinho de Susiya atearam fogo às tendas nas primeiras horas da manhã, quando estes ainda dormiam. Abed El-Rahman Mohammed Jawaj’a, 22, Yahya Khaled Nawaj’a, 21, e Ibrahim Mohammed Khaleel Nawaj’a, 22 anos, foram feridos durante o ataque. Em um ataque análogo, dois meses atrás, colonos do mesmo assentamento tentaram queimar outra tenda, mas uma multidão conseguiu evitar o episódio. Dezembro passado colonos incendiaram duas tendas pertencentes à Sara Salamah Nawaj’a e Mohammed Jaber Nawaj’a.

Em 22 de junho, colonos de Bait’Ain executaram novos ataques contra a propriedade que fica ao sul do assentamento. Desta vez, os mesmos cortaram 200 pés de uva e oliveiras pertencentes à Hammad Jaber Sulaibi e Fahd Jaber Slaibi. No mesmo ataque, estes também queimaram cerca de um hectare de terra.

Ainda em 22 de junho, em cooperação com o exército, colonos da área de Bethlehem, assentamentos de Juv’ot, Navi Danial e Bettar, nivelaram cerca de 4 hectares de área plantada ao sul da cidade de Nahhalen, a qual pertence às famílias de Fannon, Shakarneh and Al-Shaikh. A destruição da propriedade tem como objetivo a construção de redes de água e eletricidade que servirão aos assentamentos na área. O Conselheiro Municipal Chairman Mohammed Ghayada relatou que referido projeto de construção de infra-estrutura para o assentamento implicará na perda ou isolamento de mais de 330 hectares da área pertencente à vila. Segundo o mesmo, desde 1967, sua cidade perdeu 1500 hectares para os projetos de assentamento, acrescentando que grande parte das terras foram confiscadas. A vila já está cercada por todos os lados por assentamentos, os quais se encontram muito perto aos prédios locais e afetam negativamente seu desenvolvimento.

Nablus e Norte da Cisjordânia

Em primeiro de maio, colonos da fronteira do assentamento de Gi’ad, leste de Qalqilya, atacaram o agricultor Mohammed Ahmed Abu Baker, 20 anos de idade, da vila de Jet. O jovem trabalhava em sua terra vizinha a fronteira quando cinco colonos chegaram, o agrediram e borrifaram material que provoca queimaduras em sua face. O mesmo sofreu ferimentos na cabeça e nas costas quando soldados o jogaram por terra e o espancaram com pedras, tendo ainda danificado seu trator. Mohammed foi levado ao Hospital Darweesh Nazzal em Nablus.

Em 13 de maio, no distrito de Jenin, aproximadamente 40 colonos ergueram tendas nas ruínas do assentamento Homish, que foi desmontado em 2005. Os colonos organizam protestos periodicamente contra o desmantelamento do assentamento e às vezes empreendem ataques contra residentes da vila de al-Daher. Na referida ocasião, colonos arremessaram pedras contra carros Palestineses na estrada principal da vila. O exército fechou a área através de check points.

No dia 21 de maio, dezenas de colonos provenientes do assentamento de Itsehar, sul de Nablus, destruíram 1 hectar de terra destinada ao cultivo de trigo. A mesma localiza-se em Khallet as-Sewar e é de propriedade do agricultor Mohammed Reda. Fontes Palestinesas em Nablus dizem que esta não é a primeira vez que a área tem sido alvo de ataques por colonos de Itsehar.

Em 22 de maio, a Autoridade Israelense emitiu ordem de confisco de 30 hectares de terra em El-Qatayen, distrito de Jenin. Referidos hectares pertencem às famílias da vila de Ya’bad e Tora El-Gharbiyya. Segundo a ordem de confisco, agricultores devem retirar o que precisam no prazo de 45 dias.

Mohammed Qabaha, que detém 6 hectares de terra junto à area afetada, disse à AIC que “Oficiais da Adminstração Civil chegaram ao local trazendo as ordens de confisco e mapas que demonstram as fronteiras da terra”. O terreno é cultivado por árvores e de propriedade de Mohammed Eid Qabaha, Anees Hasan Qabaha, Mohammed Shareef Zaid, Adnan Ismael Zaid, Husni Zaid, Mohammed Othman Abbadi, Saleh Azeez Zaid, Mohammed Ismael Qabaha e Awwad Rafeeq Deeb. Qabaha acrescentou que cada agricultor possui os documentos atestando o direito de propriedade da terra. Referido confisco causará a perda da principal fonte de renda para cerca de 13 famílias. Palestineses suspeitam que o objetivo por trás desta ação será a construção de um novo assentamento no local.

Em 22 de maio, colonos do assentamento de Itsehar queimaram um campo de trigo de propriedade de uma família da vila de Boreen, na parte sul do distrito. O proprietário Mohammed Raja disse que 2 hectares de terra plantados com trigo foram queimados pelos colonos. A terra está localizada em Khallet Iswar. Brigadas de Incêndio de cidades vizinhas deteram o fogo enquanto oficiais Israelenses do DCO (Escritório de Coordenação e Ligação em assuntos de segurança) documentavam a agressão.

No mesmo dia, outro grupo de colonos de assentamentos ao sul de Nablus atacaram agricultores da vila de Oreef enquanto estes colhiam trigo. Agressões físicas ocorreram entre colonos e agricultores até a chegada do exército para conter o incidente.

Em sete de junho, dezenas de organizações locais e agricultores encontraram-se na Câmara Municipal de Aneen, leste de Jenin, com o intuito de discutir os ataques diários dos colonos às terras. O prefeito de Aneen, Rabah Yaseen, disse que 1.150 hectares de terra, a maioria com plantações, atualmente estão do outro lado do “Muro” (Separation Wall) e, em consequência, difícil de serem alcançadas pelos agricultores. Por diversos meses colonos tem danificado as terras, permitindo também suas cabras de se alimentarem junto as árvores. O problema chamou a atenção de oficiais Israelenses, mas nada tem sido feito para prevenir que a terra, do lado de fora do Muro, sejam danificadas pelos colonos. Moradores da área agrícola dos assentamentos e pessoas de Israel continuam a portar suas vacas e cabras para a área. Entretanto, fazendeiros não podem acessar suas terras para o cultivo pois a permissão é geralmente garantida somente durante a época de colheita.

No dia 8 de junho, colonos do assentamento de Itamar, leste de Nablus, queimaram 2 hectares de área plantada com oliveiras. A terra tem como proprietário Amjad Sulaiman Qawareeq, da vila de Awarta. Segundo Ghassan Duglas, interlocutor para atividades dos assentamentos no norte da Cisjordânia, os ataques pelos colonos no Distrito de Nablus tem sido intensos nas últimas duas semans, particularmente involvendo colonos do assentamentos de Itsehar e Itamar.

Em 26 de junho, aproximadamente 50 colonos dos assentamentos do Distrito de Tulkarem ergueram tendas nas terras pertencentes a Ibrahim Kayed, da vila de kufer Labad, leste de Nablus, tendo tambem levantado uma bandeira Israelense na àrea. Os colonos levantaram uma bandeira na área. Kayed comentou que quando ele e seus filhos juntaram-se ao protesto, os colonos atiraram pedras e bateram nele e em seus filhos Samer, 30, e Jamal, 20. Ambos foram levados a uma clínica em função das lesões na cabeça e braços. Fontes em Nablus dizem que os colonos pretendem construir um novo posto no local, especialmente em razão de que esta não é a primeira vez que os mesmos encenaram uma manifestação nesta terra

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

GAZA: UM CAMPO MINADO
























11 de Agosto de 2009

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) já iniciou a remoção de 600.000 toneladas de entulhos e detritos que sobraram da invasão de Israel à Faixa de Gaza, no início deste ano.Mais de seis meses depois, a mais mortífera ameaça para os civis emana de engenhos por explodir (UXO) em escombros e no subsolo. Quedas de entulhos e materiais perigosos, incluindo UXO, mataram 17 e feriram pelo menos 25 palestinos, a maioria crianças, desde a invasão, que terminou em 18 de Janeiro, de acordo com o PNUD em Gaza.
Pelo menos 31 munições contendo fósforo branco foram encontradas. Inicialmente, Israel negou o uso de fósforo branco em Gaza, mas recentemente este fato foi reconhecido em um relatório oficial, mas com a alegação de que era utilizado apenas em uma forma coerente com o direito internacional pertinente.Kerei Ruru, chefe das Nações Unidas Mine Action Team Gaza Office (UNMAT-GO), tem trabalhado em Gaza desde o final de janeiro para localizar e neutralizar a UXO. "Cerca de 4.000 unidades habitacionais foram completamente destruídas com os bombardeios, as avaliações dos riscos de UXO são realizadas em cada um dos sítios", disse Ruru.
De acordo com UNMAT, a maioria das impurezas superficiais, foi removida por autoridades de Gaza. A UNMAT está trabalhando, agora, para remover UXO enterrado em milhares de edifícios destruídos e, em 12.000 hectares de terras agrícolas. As equipes de Kerei Ruru estão ainda aguardando autorização de acesso às zonas fronteiriças do norte e leste, onde existe, também, uma grande ameaça.As equipes da MAG – Mines Advisory Group - localizaram 120 fragmentos de UXO e 31 minas de fósforo branco não detonadas nos reservatórios em Gaza a partir de 23 de Julho, informa Ruru. De acordo com a UNMAT, no início de junho, foi descoberto que 28 por cento dos itens continham fósforo branco e que 72 por cento continham altos explosivos.
Durante a limpeza de escombros realizada pelo PNUD, o diretor da MAG, Mark Russell, descobriu sete minas antitanques em um local isolado na área de Abu Eida Jabaliya. "Minas antitanque são usadas para demolições. São colocadas na base de uma estrutura no nível da construção, produzindo um efeito camadas", disse Russell."A melhor detecção de UXO é feito através da análise de fragmentação nas entradas dos buracos para avaliar os danos sofridos pela construção”, explicou Ruru.
Segundo informações do oficial Amran al-Kharouby em Gaza , o PNUD encontrou, até agora, 2.533 sítios de domicílios privados, além de 23 edifícios públicos. A remoção dos escombros é um passo essencial no projeto de recuperação e restauro dos serviços para os moradores, visando salvaguardar a saúde pública, o meio ambiente e criar oportunidades de emprego para mais de 200.000 palestinos em Gaza.A UNMAT realiza uma avaliação de risco em cada sítio de remoção de escombros. Se o risco for considerado baixo, a remoção dos escombros continua. Se médio, membros treinados das equipas de remoção observam potenciais ameaças e uma equipe da UNMAT fica de plantão na área. Se o risco é elevado, a UNMAT UXO mantém uma equipe no local diariamente. Além de casas particulares, centenas de outros alvos, dos quais 700 fábricas privadas e mais de 100 edifícios públicos, foram danificados ou destruídos durante a operação, disse al-Kharouby.

Esta matéria foi enviada pelo IRIN, um serviço de notícias e informações humanitárias das Nações Unidas notícias, mas pode não refletirem necessariamente as opiniões das Nações Unidas ou suas agências. Todos os materiais do IRIN podem ser reimpressos ou repostados livres de encargos. IRIN é um projeto do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários.
Tradução: Comitê Viva Palestina Niterói
Postado por Cipó de Aroeira no Viva a Palestina em 8/12/2009 05:57:00 PM

TERCEIRO RELATÓRIO DA COMISSÃO DE BRASILEIROS EM HONDURAS: A RESISTÊNCIA CONTINUA NAS RUAS!


























Com a impressionante ampliação da resistência popular, após 46 dias de golpe, a repressão de ontem para hoje atingiu seu mais elevado nível, de acordo com nossos interlocutores e a própria imprensa burguesa. A manifestação de ontem, da qual participamos, foi a maior de toda esta jornada. Aqui em Tegucigalpa, durante as quase oito horas de manifestações, participaram mais de 50 mil pessoas. Em São Pedro de Sula, cidade industrial a cerca de quatro horas de carro daqui, soubemos que os atos foram também expressivos. A greve foi ampla no serviço público, sobretudo entre os professores. A nossa delegação foi carinhosamente recebida pelos manifestantes. Na concentração antes da passeata, fomos chamados a falar aos manifestantes. Deixamos claro que estamos aqui em representação de diversas instituições políticas e sociais brasileiras, solidárias com a resistência. Desfraldamos na manifestação uma bandeira brasileira, que apareceu em toda a cobertura da televisão e da imprensa em geral. A manifestação de ontem terminou por volta das 16 horas. Na dispersão, houve ações contundentes contra algumas empresas de propriedade de oligarcas hondurenhos envolvidos com o golpe. À noite, o governo decretou a volta do toque de recolher. De madrugada, a sede da Via Campesina foi alvo de um atentado a tiros por parte de agentes golpistas. Apesar desta ofensiva da direita, nova manifestação se deu hoje, com dezenas de milhares de pessoas que - saindo da Universidade Pedagógica (onde estavam acampados os manifestantes vindos do interior do Estado) - se dirigiam pacificamente ao Congresso Nacional. Chegando ao destino, a passeata foi cruelmente reprimida pela Polícia Nacional e pelo Exército. Milhares de soldados, em grupos de cerca de trinta, percorreram as ruas do centro da cidade dispersando violentamente os manifestantes. Grande parte dos manifestantes dirigiu-se então à Universidade Pedagógica, a fim de se reagruparem e se reorganizarem. No entanto, o Exército e a Polícia já haviam ocupado o campus universitário. Neste momento, a sede da Via Campesina, de alguns sindicatos e de organizações ligadas à Frente Nacional Contra o Golpe de Estado estão ocupadas pelas forças repressoras. Quando escrevíamos este informe, ainda não se conhecia o número de vítimas da repressão que, entre presos e feridos, certamente se contam às centenas. Vejam algumas fotos que aqui apresentamos. Amanhã devemos voltar ao Brasil, após realizarmos contatos políticos com as forças que impulsionam a resistência, de forma que possamos em nosso país dar continuidade à solidariedade. Conclamamos todas as forças progressistas brasileiras a cerrarem fileiras em torno da solidariedade ao povo hondurenho. Até porque, pelo que sentimos aqui, a resistência deste valoroso povo não se curvará aos oligarcas locais e ao imperialismo.

Tegucigalpa, 13 de agosto de 2009

Amauri Soares - Deputado Estadual de SC
Ivan Pinheiro - Secretário Geral do PCB
Marcelo Buzetto - Dirigente Nacional do MST

Ps.: Chegou hoje (13/08) aqui em Tegucigalpa o companheiro Dirceu Travesso, da Conlutas, que deverá ficar em Honduras até segunda-feira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DIÁRIO DOS BRASILEIROS QUE PARTICIPAM DA JORNADA CONTRA O GOLPE EM HONDURAS

Atendendo ao chamado da Frente Nacional Contra o Golpe de Honduras foi organizado uma pequena comissão de brasileiros que foi para Honduras participar no dia 11 de agosto da Jornada global contra o golpe organizada pela Frente para o dia 11 de agosto. Nesse dia, além da grande marcha sobre a capital Tegucigalpa, os trabalhadores hondurentos decretaram uma poderosa Greve Geral. Nossos camaradas brasileiros estão na capital desde o dia 10 de agosto e de lá mandam informes importantes que estamos divulgando em nosso sitio. Além disso vamos divulgar também os comunicados oficiais da Frente Hondurenha.
Os camaradas que estão em Honduras são:
Ivan Pinheiro - Secretário Geral do Partido Comunista- RJ,
Marcelo Buzetto - Direção Nacional do MST- SP e
Amauri Soares - Dep. Estadual de Santa Catarina

Somos todos palestinos






COMUNICADO 2

Hoje, 11 de agosto, Honduras foi palco de grandes manifestações populares. Diversos movimentos, partidos e organizações da Frente Nacional de Luta Contra o Golpe de Estado deram continuidade às lutas que tiveram início em 28 de junho, quando foi deposto o presidente Manuel Zelaya. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade se uniram numa mobilização que reuniu cerca de 50 mil pessoas na capital, Tegucigalpa. Estavam presentes camponeses/trabalhadores rurais da Via Campesina, membros da Confederação Nacional Indígena-COPIN, diversos setores do movimento operário-sindical (com destaque para os professores que mantêm uma greve por tempo indeterminado), Federação Universitária Revolucionária-FUR e outros setores do movimento estudantil, Frente dos Advogados Contra o Golpe, Feministas Contra o Golpe, setores do Partido Liberal, setores da igreja católica, Igreja Luterana, parlamentares e militantes do Partido da Unificação Democrática – UD, do Movimento Nova Democracia e inúmeras outras entidades dos movimentos social-operário-popular-estudantil. As diversas marchas foram se encontrando num local muito próximo da Casa Presidencial. Falaram as delegações internacionalistas do Brasil, da Argentina e dos EUA. A concentração durou 5 horas, aguardando os companheiros e companheiras que vinham de várias regiões do interior do país. Enquanto isso, milhares também se concentravam em San Pedro de Sula. Durante a marcha até Tegucigalpa foram acontecendo manifestações locais, fechamento de rodovias, etc. Quando uma das últimas das marchas chegou, centenas foram se dirigindo até o Boulevard João Paulo II, avenida da Casa Presidencial, e a Frente convocou o povo para se dirigir até lá. Enquanto se avaliava qual seria o rumo da marcha, que agora já contava com muita gente, a situação ficava tensa por causa do crescimento do número de soldados, da polícia e do exército. As ruas em torno da Casa Presidencial foram fechadas para pessoas e veículos. Batalhões de Choque e atiradores da polícia e do exército se posicionavam enquanto o povo gritava “Nos tienen miedo porque no tenemos medo”. Diversos companheiros e companheiras reconhecem que o nível de consciência política e de organização das massas se elevou neste último período (pós-28/06), mas que ainda é insuficiente para impor uma esmagadora derrota no projeto golpista. A esposa e a filha de Zelaya também falaram nos atos. Existe um esforço em se organizar, e a Comissão de Disciplina do ato identificou infiltrados que, a pé e de moto, acompanhavam as marchas. Logo foram tomadas as medidas necessárias. A marcha foi impedida de se aproximar da Casa Presidencial, e aí viveu-se um momento de impasse. A polícia iniciou uma negociação para que ocupássemos uma faixa da avenida e seguíssemos por uma rua próxima da Casa, mas o exército foi contra e mandou mais soldados para fortalecer a barreira criada pelas forças da repressão. A avaliação foi que era preciso evitar um confronto desnecessário naquele momento. Foi dada orientação para não confrontar com as tropas e seguir em caminhada até a Universidade Pedagógica, onde todos ficariam alojados. No caminho um grupo de policiais atirou, segundo militantes que testemunharam o fato, num jovem militante. Então setores do povo reagiram com ações contra estabelecimentos comerciais de propriedade de empresários golpistas e um ônibus. A polícia aproveitou para desencadear a repressão disparando contra o povo. O resultado foi aproximadamente 50 presos. Não temos ainda o número total de feridos. Neste momento, advogados e membros da Frente estão tentando libertar os companheiros. Em resposta à grande mobilização de hoje, o governo anunciou às 19h00 o retorno do toque de recolher das 22h00-05h00, podendo ampliar o mesmo caso considere necessário. Lembramos que no dia que o presidente Manuel Zelaya tentou entrar no país pela fronteira com a Nicarágua o governo estendeu o toque de recolher até ás 12h00, para impedir o povo de se encontrar com ele, e houve muitos conflitos. O bloqueio midiático é total, mas a consciência do povo está despertando no dia-a-dia das lutas. Fortalecer as marchas e mobilizações, fortalecer a unidade na Frente, defender em qualquer situação uma Assembléia Constituinte, parecem ser essas as tarefas principais desse momento.

Tegucigalpa, 11 de agosto de 2009

Amauri Soares

Ivan Pinheiro

Marcelo Buzetto


Comunicado 1 - 10 de agosto 2009


Chegamos hoje à noite (10/08) a Tegucigalpa, capital de Honduras, formando uma delegação de brasileiros, organizada pela Casa da América Latina, para expressar a solidariedade de organizações políticas e sociais de nosso país que realizam amanhã (11 de agosto) manifestações de repúdio ao golpe de Estado perpetrado pelas oligarquias e o imperialismo neste país, com a destituição do Presidente eleito, Manuel Zelaya, nos marcos de uma jornada mundial de apoio ao povo hondurenho. Ainda no trajeto, passando por El Salvador, mantivemos contato com dirigentes da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), que hoje governa aquele país, onde conversamos com os companheiros Nídia Diaz e Elias Romero, deputados do Parlamento Centro Americano, que também manifestaram sua preocupação com a situação política de Honduras e suas conseqüências para a integração latino-americana. Chegando ao aeroporto da capital, Tegucigalpa, fomos recebidos por uma representação da Embaixada brasileira no país. Em seguida, encontramo-nos com uma delegação da Via Campesina, em nome da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado. Já formalizamos nossa entrada no país e já estamos devidamente alojados. Amanhã, vamos acompanhar as manifestações programadas pela resistência, que incluem uma greve geral e uma grande concentração na capital, para onde convergem desde sexta-feira hondurenhos vindos de todos os cantos do país. Juntamente com delegações de outros países, que também estão aqui para dar apoio e respaldo político às mobilizações, procuraremos contribuir, modestamente, para denunciar toda e qualquer tentativa dos golpistas de impedir a livre manifestação do povo hondurenho. Reafirmamos nosso compromisso em dar continuidade à luta contra uma nova escalada golpista em nosso continente, e para que se reforce a unidade dos povos da América Latina na luta antiimperialista e por um mundo justo, livre e fraterno. Tegucigalpa, 10 de agosto de 2009 Amauri Soares Ivan Pinheiro Marcelo BuzettoDeputado Estadual (SC) Secretário Geral do PCB Dirigente Nacional do MST

sábado, 8 de agosto de 2009

DIA DE AÇÃO GLOBAL POR HONDURAS

11DE AGOSTO - terça-feira, a partir das 17 horas,
na Cinelândia - Rio de Janeiro

Convidamos todas as organizações e todos os militantes progressistas para um Ato Público de repúdio ao golpe militar em Honduras, em atenção ao chamamento da Via Campesina, apoiado pelos movimentos sociais e políticos hondurenhos que compõem a resistência popular no país (veja abaixo).
(MST, CMP, MTD, Via Campesina, Assembléia Popular, Casa da América Latina, Jubileu Sul, PCB, PSOL, PSTU, Conlutas, Intersindical, Rede Contra a Violência, Comitê da Palestina, PACS, MLB )

A todos os povos do mundo: Tendo passado mais de um mês do golpe militar em Honduras, com 38 dias de uma incansável luta de milhares de camponeses, mulheres, indígenas, professores, estudantes, sindicalistas, e gente simples das cidades e do campo, que lutam para derrotar o golpe e restaurar a democracia e a dignidade, a repressão dirigida pelos golpistas não atingiu o espírito de luta do heróico povo hondurenho.Esta luta entrou agora em uma fase crucial, pois o movimento camponês hondurenho e a Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado convocaram aos movimentos sociais, sindicais e democráticos, para uma Marcha Nacional que se inicia neste dia 5 de agosto e culminará no dia 11 de agosto em Tegucigalpa e San Pedro Sula.Em apoio a esta Marcha Nacional e às nossas irmãs e irmãos camponeses e a todo o povo hondurenho, a Via Campesina lhes faz um chamado a um Dia de Ação Global por Honduras, no próximo dia 11 de agosto, visando empreender a solidariedade mais ampla, levando a cabo mobilizações, atos políticos e culturais, ações de pressão e negociação e qualquer atividade possível que ajude o avanço da luta popular hondurenha na derrota do golpe militar.

Solicitamos que nos informem o mais breve possível de seus planos de ação e trabalho neste Dia de Ação Global de Honduras.GLOBALIZEMOS A LUTA, GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!

Henry Saragih, coordenador geral da Via Campesina

Para escrever para a Via Campesina Honduras:
Wendy Cruz: wendycruzsanchez@yahoo.ca
Mabel Marquez: mabelmarquez07@gmail.com
Mais informação sobre a resistência ao golpe de Estado em Honduras:http://www.movimientos.org/honduras.php
Agora nos podem seguir também pelo Twitter:http://twitter.com/mingahonduras

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Polícia de Israel expulsa palestinos de suas casas em Jerusalém Oriental

02/08/2009 - 13h09
TIM FRANKSda BBC News, em Jerusalém
A polícia de Israel expulsou nove famílias palestinas de suas duas casas em um bairro árabe de Jerusalém Oriental neste domingo, gerando críticas por parte da comunidade internacional.
Vestidos de preto e fortemente armados, dezenas de policiais fizeram uma incursão pouco antes do nascer do sol.
Colonos judeus ocuparam as casas quase imediatamente.
A operação ocorreu depois que a Suprema Corte de Israel determinou que os terrenos pertenciam originalmente a famílias judias.
Alguns do colonos chegaram com documentos --alguns datados há mais de um século-- que, segundo eles, provam que a propriedade é de judeus.
"Não temos mais para onde ir. Este é o meu lar, é onde nós vivemos toda a nossa vida", disse à BBC a palestina Maysun al Ghaw, ao lado do filho de quatro anos, que chorava. "Eles nos tiram daqui e trazem os colonos para viver na nossa casa. Meu filho não entende por que ele não pode voltar para casa."
"Desumano"
Mas o resto do mundo vê Jerusalém Oriental como território ocupado.
Um alto funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas), Robert Serry, disse que a expulsão das famílias é "inaceitável".
O mesmo termo foi usado pelo governo britânico para descrever a ação.
"É uma operação incompatível com o desejo pela paz", afirmou um porta-voz britânico, que ainda fez um apelo para que Israel "não permita que extremistas estabeleçam os objetivos do país".
Um porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a retirada das famílias é "ilegal e desumana".

quarta-feira, 22 de julho de 2009

FORA DO BRASIL MINISTRO FASCISTA DO ESTADO TERRORISTA DE ISRAEL !


Atenção: Os partidos e organizações que participam do Comitê estarão na Manifestação/Panfletagem hoje - 22/07 - quarta feira - 15 horas - na Cinelândia, Rio de Janeiro .
Venha se manifestar em repúdio a presença desse país terrorista, através de seu ministro fascista, no Brasil
!

O Estado terrorista de Israel fundado pela ONU em 1948 nos territórios palestinos, promove o genocídio étnico do povo palestino originário daquelas terras há 61 anos. Isso já causou cerca de 5 milhões de refugiados, milhares de assassinatos coletivos e mantém cerca de 11 mil presos entre homens , mulheres e crianças. O Implacável exército de ocupação israelense acusado de cometer crimes de guerra, conta com 400 ogivas nucleares e o segundo exército mais moderno e bem armado do mundo, deseja iniciar uma nova guerra com o Irã a fim de consolidar a dominação imperialista no Oriente Médio.

Hoje, encontra-se no Brasil a visita inoportuna e rejeitada de um dos seus ministros mais fascista, o Sr. Avigdor Liberman , ministro do exterio, que está com as suas patas em terras brasileiras para pressionar o governo de Lula a romper relações com o Iran e assinar o TLC - Tratado de Livre Comércio com o Brasil.

Conhecido pelo seu total acordo com a política sionista, se destaca por tornar público a posição racista e terrorista do Estado sionista de Israel.
Entre as declarações fascistas do ministro terrorista, destacamos:
Em 1998, propôs a inundação do Egito através do bombardeio da Represa de Assuã;
Em 2003, Lieberman defendeu que os milhares de prisionieiros palestinos detidos por Israel fossem afogados no Mar Morto, oferecendo para tal, o ônibus para o transporte;
Em maio de 2004 , afirmou que 90% dos 1,2 milhões de cidadãos palestinos de Israel "tinham que encontrar uma nova entidade árabe para viver", fora dos territórios ocupados por Israel.
Em maio de 2006 defendeuo assassinato dos parlamentares árabes do Knesset, atualmente o grupo de parlamentares se encontra preso nos cárceres do estado judeu;
Em dezembro de 2008, disse que " devemos jogar uma bomba atômica em Gaza para reduzir o tempo do conflito, assim com os EUA atacaram em Hiroshima na Segunda Guerra".
Em junho de 2009, ameaçou "transformar o Irâ num aterro", através do bombardeio do país com armas nuclçeares.

Nesse sentido, repudiamos a presença em nosso país desse que simboliza o terrorismo do Estado sionista de israel , ocupante dos territórios palestinos que promove entre outras atrocidades, o bloqueio mortal imposto a população de Gaza que sofre e morre sem alimentação, aguá potável, remédios, combustível, energia , etc,etc....fazendo da cidade palestina o maior "campo de concentração nazista sionista " do mundo.
E exigimos do governo brasileiro :

ROMPIMENTO DAS RELAÇÃOES DIPLOMÁTICAS e ECONÔMICAS ENTRE NOSSO PAÍS E ISRAEL!


NÃO AO TLC!


QUE EXIJA O FIM DO BLOQUEIO A CIDADE PALESTINA DE GAZA!


CONDENAÇÃO DE ISRAEL PELOS CRIMES DE GUERRA COMETIDOS CONTRA OS PALESTINOS!


COMITÊ DE SOLIDARIEDADE À LUTA DO POVO PALESTINO
DO RIO DE JANEIRO

terça-feira, 21 de julho de 2009

Defender a Palestina histórica é um desafio possível!



DEFENDER A PALESTINA HISTÓRICA É UM DESAFIO POSSÍVEL

A luta pela Palestina livre da invasão sionista nos une!

Defender a Palestina histórica é um desafio possível!
Temos na história o aporte da nossa defesa!
A verdade é concreta![1]
E se materializa no processo histórico!
A análise concreta da realidade nos revela os fatores objetivos e subjetivos de nossa luta e de nossas ações políticas.
Apresentamos aqui as nossas diretrizes de lutas e elas nascem da seriedade em compreender a correlação de forças em que vivemos.
Por isso reconquistar a Palestina Livre não é uma utopia!

A Palestina existia como país e foi surrupiada pelo movimento sionista para a criação do Estado de Israel, em 1947, com o apoio do Imperialismo britânico que colonizava a Palestina.
São mais de 120 anos de domínio Sionista sobre o Oriente Médio!
A invasão do Solo Pátrio da Palestina foi desenhado nas resoluções do Congresso Sionista, em 1897, na Basiléia, Suíça. E a Declaração Balfour, de 1917, foi o instrumento da vergonha utilizado entre a Grã-Bretanha e a Federação Sionista sinalizando a vontade de conceder as terras da Palestina para criação do Estado de Israel. .
A formação do Estado de Israel sobre o Solo Pátrio da Palestina deve ser criticado, pois a criação do Estado Teocrático de Israel não foi fruto da autodeterminação do povo hebreu. E deve ser combatido por ser resultado e produto da ação política do movimento sionista sob o pretexto de dar um Lar Nacional para os Judeus. Através de invasões violentas de grupos terroristas sionistas como Irgun e Stern usurparam as terras da Palestina, massacraram e expulsaram os palestinos, uma barbárie assegurada pelo processo "legal" da Resolução 181 (II) de 29 de Novembro de 1947 da ONU e do condenável silêncio do mundo.

Reconhecer o Estado de Israel não o coloca em condição de um Estado fruto de direito.
Direito de existir e direito a um Estado quem tem é o povo palestino.

Nossa luta é internacional! Apoiamos a luta de resistência do povo palestino para libertar o seu território.
Desta forma denunciamos os governos árabes corruptos. Os regimes árabes monárquicos conservadores impedem o progresso revolucionário na região. Temem que o avanço contagiante das massas palestinas alimentem as revoltas nos seus próprios países, desestabilizando seus governos burgueses e corruptos. A questão palestina insufla toda a região e não será neutralizada. Alguns governos árabes corruptos querem reduzir o fenômeno de 61 anos de resistência palestina trocando por territórios fragmentados, chamando isso de “Estado”. Isso é um desrespeito aos mártires palestinos e a história será implacável com esse regimes corruptos.
;
O povo palestino tem o direito de ter de volta o seu País, seu lar, seu trabalho, sua escola e seu direito a viver!
E para viabilizar estes direitos defendemos a Unidade da Esquerda Palestina e a refundação da OLP!

Lutamos pelo:
1. O Direito de Retorno para os palestinos refugiados e indenizações.
2. Direito à autodeterminação e de construir o Estado Palestino laico, democrático e não racista, na área liberta na Palestina histórica.
3. A cidade de Jerusalém como capital da Palestina.
4. Libertação dos presos políticos palestinos - hoje em torno de 11.000 o número de palestinos detidos e submetidos a situações precárias e desumanas
5. Liberdade para os presos políticos nos cárceres de Abu Mazem. É inaceitável que a Autoridade Nacional Palestina – ANP detenha em cárceres presos políticos palestinos.

CONGRESSO DA FEPAL - 2010
Chamamos a construção coletiva do pré-congresso da FEPAL.
Defendemos a necessidade da transparência e do caráter democrático do Congresso da FEPAL.
As forças políticas que compõem o movimento palestino no Brasil precisam acertar um cronograma de reuniões para construir a unidade palestina como parte da construção do pré-congresso dentro de um trabalho unitário.
Essa unidade tão necessária e urgente será possível se pudermos nos reunir e definirmos juntos os critérios para tirar delegados; as relações com os Comitês de solidariedade; as crises e problemas existentes nas associações, sociedade e comitês locais e a pauta de discussão para o Congresso.
COMITE CATARINENSE DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Conferência Internacional da Esquerda Mundial na Palestina

Traduzido por: Ítalo Rocha

Tema: "Experiências de unificação de partidos e movimentos de Esquerda na Palestina e no Mundo"



A Resolução Final


Segue o relatório da Conferência de Unidade da Esquerda Palestina, que aconteceu em Ramalah, durante os dias 26 e 28 de julho de 2009.
Essa é uma experiência que devemos partilhar com os companheiros da esquerda mundial que participaram da conferência, assim como com toda esquerda brasileira militante da causa palestina . Sem dúvida essa atitude contribui para concretizar a desejada e necessária Unidade da Esquerda Palestina, na Palestina e na diáspora ! Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

Conferencia Internacional
"Experiencias de unificación de partidos y movimientos de Izquierda en Palestina y en el Mundo"
Em um ambiente carregado de esperança e confiança pela retomada da esquerda palestina do seu papel e posição de liderança na luta de libertação do nosso povo da ocupação colonial, da hegemonia colonial imperialista e na liderança da luta democrática dos setores marginalizados contra a injustiça e a corrupção, para alcançar a justiça social, o Tayyar Nacional Democrático Progressista organizou na Palestina junto à Fundação Rosa Luxemburgo uma Conferência Internacional com o título "As experiências de unificação de partidos e movimentos de Esquerda na Palestina e no Mundo". Ao longo de três dias, desde 26 até 28 de Junho de 2009, a Conferência discutiu vários temas importantes com a presença de líderes e intelectuais de Brasil, El Salvador, Paraguai, Bolívia, Índia, Alemanha, França, Grécia, Bélgica, Espanha, Noruega e Palestina.

A Conferência foi aberta pelo Tayyar Nacional Democrático Progressista no papel de organizador e pela palavra da Fundação da Esquerda Alemã Rosa Luxemburgo na Palestina. A primeira sessão constou três intervenções que trataram das experiências das forças e partidos da esquerda em alcançar a unidade e liderar a luta dos setores marginalizados na Bolívia, em El Salvador e no Paraguai. A segunda sessão constou três exposições que abordaram o papel dos jovens e dos movimentos sociais, as experiências de unidade da esquerda e os avanços obtidos na Alemanha, França e Grécia. A terceira sessão focou em apresentar e tratar de resolver o problema sobre o pensamento ao redor do desenvolvimento dos movimentos políticos na América Latina, sobre a construção da unidade da esquerda no Sul da Ásia, sobre os efeitos da crise financeira internacional e sobre as opções da esquerda no mundo.
O Segundo dia foi aberto com a participação de Gaza através de Videoconferência com a palavra do comitê organizador, e logo na primeira sessão foram apresentadas três visões de três dos partidos da esquerda - o Partido do Povo Palestino, a Frente Popular e a Frente Democrática - sobre as necessidades e os mecanismos de unidade da esquerda palestina. Na segunda sessão três intervenções trataram das experiências do passado de unidade da esquerda na Palestina e das causas da divisão e das diferenças entre os partidos da esquerda desde 1967, enquanto a quarta intervenção tratou da realidade das forças da esquerda na Palestina 48 e das dificuldades que enfrenta a esquerda na Palestina em geral. A sexta sessão foi dedicada a apresentar as exposições do Tayyar, as justificações de sua existência e seu futuro, seus mecanismos e seu programa político. Foi finalizada com a sessão de recomendações na qual se formou um comitê de acompanhamento para efetuar as resoluções da Conferência.
À margem da conferência, os convidados dos países estrangeiros realizaram percursos nas regiões de Nablus, Jerusalém, Belém e Hebron, onde tiveram a oportunidade de ver de perto as práticas da ocupação - especialmente o colonialismo, a demolição de casas e o Muro de segregação racial. Além disso, visitaram algumas instituições e lugares importantes e se dedicaram às reuniões com os ativistas de esquerda nas regiões mencionadas.
Além disso, as delegações mundiais se reuniram com os ativistas do Tayyar, que explicaram todos os aspectos da vida do povo palestino, seu sofrimento com a ocupação, suas ações e sobre os preparativos para realizar o Congresso Constituinte do Tayyar. Também entrevistaram os líderes dos partidos de esquerda - o último foi esta manhã.
A Conferência após se encerrar alcançando seus objetivos ressalta o seguinte:

1. As tarefas de libertação nacional e o fim da ocupação colonial e da hegemonia colonial imperialista são enormes e requerem os grandes sacrifícios e a liderança da luta do povo palestino. Isto não se alcança sem a participação forte e ativa da esquerda palestina na luta nacional e nos órgãos de liderança.

2. A Resistência à ocupação e suas práticas de colonialismo - a construção do muro, a demolição de casas, a matança e a detenção - são tarefas permanente que requerem que a esquerda trabalhe para sua permanência e sua difusão para que se torne método de vida.
3. As forças de luta palestina devem estar unidas na luta contra a ocupação. As suas diferenças devem ser resolvidas através de profundo diálogo, evitando assim cair na violência e no uso das armas entre estas forças nacionais. Devem-se extinguir as detenções políticas.



4. Os participantes das forças, partidos, organizações, pessoas esquerdistas, democratas e progressistas acordaram sobre a importância da unidade da esquerda em qualquer lugar e especialmente na Palestina pela existência da ocupação e dos grandes sacrifícios para sua resistência e pela situação de divisão que existe e pela qual uma de suas causas é a debilidade da influência da esquerda sobre os assuntos sociais e políticos.



5. A tarefa de construir o estado livre e democrático baseado nos princípios de justiça social não se alcança sem a unidade ativa das forças da esquerda e das forças progressistas.

6. As duas tarefas de reativar e unificar a esquerda com seus componentes de forças e partidos políticos, organizações e marcos sociais e populares e personalidades são duas tarefas paralelas e inseparáveis.

7. As experiências fracassadas do passado por distintas causas não anulam a importância desta idéia e, pelo contrário, demonstram a necessidade da sociedade palestina por esta unidade e, em especial, dos setores mais prejudicados pela permanência da ocupação e de suas práticas e repressões, além dos setores que são mais prejudicados pelas políticas da direita na Palestina e pelo Islã político.

8. As forças da esquerda estão obrigadas a iniciar o que acordaram sobre a importância da sua unidade, e qualquer diferença com relação aos mecanismos desta unidade não deve representar meio de fugir desta obrigação por parte de alguma destas forças, visto que os impedimentos são internos das forças da esquerda.


9. A unidade da esquerda não é simbólica para as estruturas dos partidos de esquerda. Ela deve ser unidade de trabalho e ação que penetre na luta nacional e social de todos os componentes da esquerda, de partidos, forças e marcos sindicais e populares, instituições e personalidades. Esta unidade deve representar uma posição única de todos os temas presentes e, sobretudo a unidade de estruturas e marcos organizativos, sociais e populares.


10. As experiências de unidade da esquerda em outros lugares do mundo, entre os quais foram apresentados alguns exemplos bem-sucedidos, visto que os partidos unidos de esquerda têm alcançado o poder em distintos países e em alguns têm conseguido grandes êxitos, estas experiências representam um fator impulsionador para a unidade.

11. As experiências dos povos que vimos nesta conferência nos dão a esperança e o estímulo para o trabalho permanente com o fim de alcançar a unidade da esquerda na Palestina.


12. A Conferência aprecia as posições da Venezuela e da Bolívia por romper suas relações diplomáticas com o estado de Israel e solicita a todos os países do mundo, especialmente aqueles onde as forças de esquerda têm um papel importante, para que tomem ação semelhante. A conferência reivindica o desenvolvimento das relações de amizade baseadas na luta comum contra as forças de repressão, e para levar a cabo uma campanha de solidariedade com o povo da Palestina em sua luta para a libertação nacional. E aqui convocamos nossos companheiros nos partidos de esquerda para que apóiem a campanha de boicotar o estado de Israel, e para pressionar seus países para que não se aprove o tratado de livre comércio com Israel.

13. A Conferência aprecia e respeita as lutas do povo palestino e os grandes sacrifícios de seus membros de mártires, feridos, prisioneiros e resistentes. Além disso, louva as lutas de todos os povos reprimidos pelo colonialismo em todas as suas formas.

14. Nossos companheiros, após percorrer todas as regiões da pátria e de ver de perto as condições de vida do povo palestino através da conferência e de suas viagens pelas distintas regiões do país, expressam sua solidariedade e apoio total ao povo palestino e às suas forças esquerdistas e democráticas.

15. Hoje nos despedimos das delegações visitantes da Palestina e da esquerda palestina, apreciando muito a sua participação para o sucesso desta conferência através de suas intervenções e presença nas sessões e atividades desta conferência, e também por agüentar as dificuldades da viagem, passar por fronteiras, aeroportos e pontos de revista.

O Tayyar agradece a todos os que ajudaram na organização desta conferência, e em especial à Fundação da Esquerda na Alemanha Rosa Luxemburgo e à sua equipe de trabalho em Ramallah e na Alemanha. Agradece também ao comitê organizador desta conferência e aos voluntários de todas as regiões, bem como aos expositores e aos dirigentes das sessões, aos jornalistas e aos meios de comunicação por cobrir esta conferência, suas sessões e atividades. Além do mais, agradece a todos os que participaram nesta conferência de todas as cidades e províncias e a nossos companheiros dentro da linha verde (Palestina 1948) e na faixa de Gaza, os quais participaram em algumas sessões pela Videoconferência.



Finalmente, o Tayyar Nacional Democrático Progressista seguirá adiante para fundar-se como um marco unido e aglutinador dos esforços de todos os nacionalistas democráticos, e ao mesmo tempo estará aberto e disposto a aceitar qualquer iniciativa e mudança nas posições das forças e partidos existentes de esquerda.
O sucesso alcançado por esta conferência deve ser aproveitado para conquistar a unidade das forças de esquerda em todos os lugares onde não se tenha conquistado e, especialmente, nos países árabes pelos quais decidimos realizar esta conferência da esquerda em forma constante e anualmente.

Expedido na Palestina – Segunda-feira 29-06-2009.
Tayyar E-mail: palestiniantayyar@gmail.com


Palestina livre!
Viva a Intiffada Palestina!