terça-feira, 26 de junho de 2018

Curdos perderam a chance de decidir o próprio destino: Só Damasco pode salvar os curdos.







 
por Elijah J. Magnier
23/6/2018, Elijah J Magnier, Blog
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
 
 
A decisão de Donald Trump de cair fora da Síria “muito rapidamente” e de entregar a cidade de Manbij à Turquia caiu como um raio sobre os curdos sírios reunidos na parte norte do país. Esses curdos, que operam diariamente como escudo humano para proteger as forças dos EUA, foram deliberadamente manipulados pelo establishment dos EUA para garantir cobertura e proteção às forças norte-americanas de ocupação no nordeste do Levante. Agora, Trump parece prestes a fritar os curdos, de um dia para o outro. Não satisfeito com isso, Trump está “leiloando” os curdos, apostando para ver que país árabe ocupará a área que os curdos controlam e ganhará o território no qual estão atualmente os acampamentos curdos.
 
Que opções restam aos curdos?

Bem claramente, nada preocupa menos o presidente dos EUA que o destino dos curdos. Trump está pronto para abandoná-los, apesar de saber que não há lugar para onde os curdos possam ir, nem país aos quais possam pedir proteção. Os curdos perderam a confiança do governo de Damasco por causa de suas escolhas políticas e militares pouco ponderadas – e evidentemente são caçados pela Turquia, que considera todos os curdos na Síria como membros das Unidades de Proteção do Povo Curdo [cur. YPG], grupo coligado a terroristas, pelos padrões de Ankara.

Os “mitos” que cercam os curdos (“são os melhores combatentes contra o 'Estado Islâmico' (ISIS), e/ou “são os melhores aliados dos EUA”) são tolices e nada têm a ver com a realidade. É retórica brotada principalmente dos anos 90s, quando os EUA usaram o Curdistão para garantir um ponto de apoio no Iraque durante a era Saddam Hussein. De fato, os EUA viram nos curdos uma ponte para o Oriente Médio, que lhes permitiu fixar naquela área uma fortaleza militar e de inteligência para os próprios norte-americanos e seus aliados israelenses. Com a guerra que impuseram à Síria, os EUA plantaram-se na área de al-Hasaka, no Curdistão sírio, na esperança de dividirem a Mesopotâmia e o Levante. Mais importante, os curdos no Iraque e na Síria não têm problemas para declarar os fortes laços que os ligam a Israel, apesar da animosidade contra Israel nos dois estados onde vivem: Iraque e Síria.

O Exército Árabe Sírio e seus aliados combateram contra o ISIS em todo o território sírio, perdendo dezenas de milhares de oficiais e soldados. E no Iraque, as forças de segurança iraquianas combateram contra o ISIS em toda a geografia do Iraque onde o ISIS estava presente e perderam milhares de oficiais e soldados (só o grupo Hashd al-Sha’bi perdeu mais de 11 mil militantes).

Mas o investimento e a perda de vidas curdas foram consideravelmente menores. No Iraque, combatendo contra o ISISna área curda ao norte, os curdos perderam cerca de 2.000 militantes. E na Síria, onde os curdos combateram contra o ISIS, as perdas curdas são da ordem de centenas de militantes.
 
 
 
Os EUA apostaram num sonho curdo: curdos sírios e curdos iraquianos queriam estabelecer um Estado. Washington alimentou esse sonho, em nome da necessidade de contar com forças locais como 'representantes' locais dos EUA para estabelecer bases em áreas onde o Irã tem seus centros de influência (no Iraque e na Síria). O plano curdo falhou no Iraque por efeito da firme determinação do governo central iraquiano de impedir que o país fosse dividido. E na Síria, o plano nunca teve e continua sem ter qualquer chance de sucesso, porque Turquia, Irã, Iraque e Síria têm suas próprias razões para impedir tanto um estado curdo como qualquer tipo de ocupação pelos EUA na parte norte do Levante.

Ninguém acredita que os EUA saiam sem arrancar alguma coisa em troca da retirada ou preço ainda mais pesado para o caso de lá permanecerem. Trump já retrocedeu da decisão de retirar-se da Síria “muito rapidamente”, sem apresentar qualquer cronograma específico para continuar onde está. Depois pediu que outros países substituíssem os norte-americanos, sem levar em conta a opinião dos curdos e sem lhes dar qualquer atenção. Os curdos, verdade seja dita, são a menor das preocupações de Trump: são gastos pelos quais ele não tem qualquer interesse. Os norte-americanos, de fato, não investiram dinheiro algum, nem na reconstrução da cidade de Raqqah que eles destruíram para esvaziá-la e poder usá-la para realocar o ISIS.

Seja qual for a decisão (quer EUA fiquem, quer saiam da Síria), os curdos sírios perderam a chance de decidir o próprio destino, em grande medida por causa das incontáveis vezes que optaram por continuar escondidos por baixo das saias dos EUA.

No enclave de Afrin no noroeste da Síria, a administração curda recusou-se a devolver a área ao controle do governo sírio. Os curdos decidiram lutar contra seu mais feroz inimigo, a Turquia, durante dois meses, tempo em que perderam toda a área e criaram centenas de milhares de refugiados que fugiram para al-Hasaka e Deir-Ezzour. O governo de Afrin supunha que o mundo correria a lhes garantir apoio e impedir a ação militar dos turcos: foi o maior dos vários grandes erros que os curdos cometeram. 

Na verdade, só o presidente Bashar al-Assad enviou ajuda: 900 homens das Forças de Defesa Nacional para ajudar na resistência em Afrin, mas não conseguiu convencer o governo local a permitir que o Exército Árabe Sírio assumisse o controle do enclave antes que fosse tarde demais. (Porque os EUA preferiam ter no controle de Afrin os soldados de Ankara – inimigos que os curdos odeiam mais que quaisquer outros –, que Damasco.)

Os curdos parecem ainda não ter compreendido que já não são o “filho pródigo” do ocidente. Escolheram esquecer o erro que os curdos iraquianos cometeram ao decidir ir em frente com seu referendum, quando fracassaram tão espetacularmente, sem obter um estado independente. E os EUA estão provavelmente felizes de ver mais e mais curdos de Afrin fugindo em bando para al-Hasaka, enchendo a região com mais e mais 'agentes representantes' dos EUA, favorecendo os objetivos de Washington no Oriente Médio.

Sabe-se que os curdos perderam centenas de militantes na luta contra o ISIS para recuperar Manbij, Raqqah e outras cidades em al-Hasaka e Deir-ezzour. Lutaram para apoiar a ocupação do nordeste da Síria pelos EUA, dando a Washington um pretexto para permanecer em territórios da Síria, alegando que a presença norte-americana teria a ver com a “guerra ao terror”. Não só os EUA não intervieram em Afrin, como, ainda pior, Washington ordenou que as forças do YPG curdo deixassem Manbij, como desejava a Turquia, aliada dos EUA na OTAN.
 
O ministro de Relações Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu disse, depois de se reunir com seu contraparte norte-americano Mike Pompeo, que “os EUA e a Turquia começarão a controlar a cidade de Manbij”. Tribos árabes locais al-Bubna, al-Baqqarah e al-Tayy emitiram comunicados dando boas vindas “às forças turcas em Manbij que afinal porão fim à ocupação da cidade por forças do PYD e PKK”.

Claramente, os curdos, consentiram livremente que o establishment dos EUA os manipulasse à vontade, sempre esperando recolher as migalhas deixadas pelas forças norte-americanas e, talvez, concretizar seu sonho de independência. Esse sonho hoje parece mais distante do que nunca, de se realizar, pelo menos nas próximas décadas.

Os curdos foram realmente surpreendidos com a declaração de Donald Trump sobre uma retirada rápida da Síria. Deram-se conta, de repente, de que estavam sendo descartados, sem mais nem menos, de um dia para o outro. É difícil para os curdos ver o establishment dos EUA lhes dar as costas e agir na direção exclusiva de seus próprios interesses nacionais, sem qualquer consideração ao que possa acontecer depois que se forem, ignorando completamente os sacrifícios que os curdos fizeram para ajudar os EUA a alcançar seus objetivos na Síria.

Quando Trump concordou com manter as forças dos EUA na Síria por um pouco mais, a decisão foi como uma injeção de temporária – mas falsa – esperança para os curdos, que viram o destino adiado. Mas por quanto tempo? Só até que os EUA evacuem todas as suas forças ou sejam expulsos de lá sob o fogo da “Resistência Síria” que começa a ganhar músculo nas áreas sírias ocupadas pelos EUA.

A resistência recém anunciada parece reunir tribos locais, especialmente “Bakkara” e “al-Assasneh”, dentre outros grupos locais prontos a dar combate às forças dos EUA – um movimento que faz lembrar o modo como começou a insurgência contra as forças dos EUA em Bagdá, em 2003.

O que os sírios curdos com certeza não veem ou talvez nem comecem a perceber é que Trump não mudará uma vírgula nos seus planos para protegê-los nem porá sua força aérea à disposição dos curdos para transportá-los aos EUA quando chegar a hora de deixarem a Síria. O resultado é fácil de prever: quando a guerra terminar, ninguém precisará de 'agentes locais' nem quererá saber deles. Sem guerra, os 'agentes locais' de forças estrangeiras tornam-se carga pesada demais.




Além do mais, os EUA não têm qualquer intenção de erradicar o ISIS – a única justificativa verossímil (digamos) para a presença de norte-americanos na Síria. O ISIS é o pretexto para que Washington mantenha soldados no Levante. Também auxilia nos objetivos dos EUA, quando seus militantes atacam a única estrada entre Síria e Iraque, a albu Kamal – estrada al Qaem. E ainda dá indicações – embora fracas – de que a Síria continua instável.

Os EUA não permitirão que a Turquia saia, sabendo que Rússia e Irã esperam de braços abertos por Ankara. Para mantê-la ao seu lado, Washington ofereceu à Turquia numa bandeja de prata o controle curdo de Manbij. E os EUA sabem bem que a Turquia jamais aceitará um estado curdo sobre sua fronteira com a Síria. Tudo isso considerado, é simples questão de tempo até que os curdos deem-se conta de que foram vendidos, e que o destino deles está selado.

Num dado momento, o governo central em Damasco considerou traidores os curdos. E eles continuarão a ser vistos como tal, a menos que parem de agir como escudo humano para proteger os EUA. O presidente Assad abriu a porta para negociações diretas e os curdos disseram-se “prontos para negociar”. O preço que os curdos têm de pagar não é complicado: têm de parar de garantir proteção às forças ocupantes (EUA, França e Grã-Bretanha) no norte da Síria.

Os curdos abriram a porta aos turcos que por ali invadiram território sírio para ocupar Afrin, em vez de se aproximarem do estado que os recebeu quando se assentaram no Levante. Os curdos podem usar um território, mas o território não lhes pertence, pertence ao estado e ao povo da Síria. É hora de os curdos acordarem.


Mapa: Etnias no norte da Síria


E então? O que fazer com os curdos? Quem permanece ao lado deles?


Trump sempre esteve pronto para deixar para trás os curdos, mas adiou a decisão porque interessa a Israel – não aos EUA – manter a ocupação norte-americana no norte da Síria. Trump também quer dinheiro de Arábia Saudita e Emirados. Os EUA já estão convertidos em exército mercenário, “pistoleiros de aluguel”. 

Segundo a mídia, Emirados e Arábia Saudita ofereceram 400 milhões de dólares, mas Trump está pedindo 4 bilhões de dólares para manter em campo os soldados norte-americanos. Parece que as forças dos EUA converteram-se em espécie de galinha dos ovos de ouro distribuídos pelos ricos países do Oriente Médio. E nessa briga de cachorro grande não há lugar para os curdos.

A equação é muito simples: se as forças dos EUA ficam e ocupam o nordeste da Síria, Washington terá de investir para reconstruir a infraestrutura, o que implica gastar dinheiro de verdade. Não é movimento que combine com os objetivos de Trump, que quer recolher dólares, não investir, um dólar, que fosse. Isso é a realidade contra a qual os curdos resistem e, ao que parece, ainda não compreenderam completamente.

Para concluir, os curdos já não têm lugar especial sob as asas dos EUA. Deixaram de ser os únicos, no Oriente Médio, com laços com Israel. Bahrein, Arábia Saudita, Qatar e os Emirados já não escondem as visitas de funcionários de Israel e as reuniões de autoridades dos dois países, e todos falam abertamente a favor de melhor relacionamento com Tel Aviv.

Os sírios talvez só tenham uma última chance: recorrer ao governo central em Damasco para que opere como mediador; para isso, os curdos têm de parar de garantir cobertura a forças ocupantes, e compreender que não passam de bucha de canhão a serviço das relações EUA-Turquia. Os curdos precisam deixar bem claro que não mais se oferecerão como escudo atrás do qual os EUA movem-se para dividir a Síria. Mas todos os recentes gentes dos curdos evidenciam que tal mudança é extremamente improvável. 

Mas não há outra via adiante para eles. E ainda depende de decidirem tomar e conseguirem tomar essa via. Mas se o fizerem, ainda podem obter reintegração plena no Estado que os acolheu quando chegaram ao Levante, há 100 anos.*******

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A palavra-chave no show Trump-Kim, por Pepe Escobar

13/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times

 

reality-TV show geopolítico de Trump-Kim – para alguns, evento surreal – recebeu atenção sem igual nos anais da diplomacia internacional. Será difícil superar a cena em que o presidente dos EUA abre um iPad e mostra a Kim Jong-un um trailer estiloso à moda dos filmes de ação classe "B" dos anos 1980s – completado com a efígie de Sylvester Stallone – em que os dois líderes são apresentados como heróis destinados a salvar os 7 bilhões de habitantes do planeta. 
 
Longe da TV, o ex-"Homem Foguete", hoje já tratado respeitosamente por Trump como "Chairman Kim", marcou formidável gol de placa, ao fazer varrer completamente a temida sigla CVID – de "completa, verificável e irreversível desnuclearização" – do texto final da declaração conjunta.
 
Ao longo das negociações pré-encontro, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) sempre destacou uma estratégia de "ação em troca de ação" para chegar à desnuclearização, com Pyongyang recebendo compensações a cada passo do caminho, em vez de só haver compensações depois de a desnuclearização estar completada – processo que pode demorar mais de uma década.

A declaração conjunta de Singapura consagra exatamente o que a parceria estratégica Rússia-China – formalizada na recente reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) – já vinha sugerindo desde o início: congelamento recíproco.

A RPDC abstém-se de quaisquer n ovos testes nucleares e de mísseis, e EUA e Coreia do Sul param com seus "jogos de guerras" (como disse Trump, "war games").

Esse desdobramento lógico do mapa do caminho sino-russo baseia-se no que o presidente da Coreia do Sul Moon Jae-in decidiu, em comum acordo com Kim Jong-un, na cúpula intercoreana realizada em abril último. E isso se conecta com o que a Coreia do Norte, a Coreia do Sul e a Rússia já haviam discutido na cúpula do Extremo Oriente em Vladivostok em setembro passado, como Asia Times noticiou (traduzido aqui), de integração econômica entre a Rússia e as duas Coreias, incluindo a conexão crucialmente importante entre uma futura ferrovia Trans-coreana e a Trans-siberiana.

Mais uma vez, tudo aí tem a ver com a integração da Eurásia; maior comércio entre Coreia do Norte e Nordeste da China, mais diretamente com as províncias de Liaoning, Jilin e Heilongjiang; e total conexão física das duas Coreias com as regiões centrais da Eurásia.

É ainda mais uma instância de encontro das Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE), com a União Econômica Eurasiana (UEE). E não por acaso a Coreia do Sul quer conexão cada vez mais profunda com os dois blocos, da ICE e da UEE. Qualquer dúvida, releia a "Declaração de Panmunjom pela paz, prosperidade e unificação da península coreana", de 27/4/2018.

A declaração conjunta de Singapura não é acordo: é declaração. O item absolutamente chave é o n.3: "Reafirmando a Declaração de Pahmunjom de 27/4/2018, a RPDC compromete-se a trabalhar para a completa desnuclearização da Península Coreana."
 
Significa que EUA e RPDC trabalharão rumo à desnuclearização não só da RPDC, mas de toda a Península Coreana.

Muito mais que isso, em "…a RPDC compromete-se a trabalhar para a completa desnuclearização da Península Coreana", as palavras-chave são de fato "Reafirmando a Declaração de Pahmunjom de 27/4/2018".

Mesmo antes de Singapura, todos sabiam que a RPDC não se "desnuclearia" [ing. "de-nuke", terminologia de Trump) em troca de nada, especialmente quando só recebera dos EUA vagas "garantias".

Como se podia prever e previu-se, os dois lados, neoconservadores e imperialistas humanitários dos EUA estão unanimemente babando de fúria, imprecando contra a falta de "carne" na declaração conjunta. Verdade é que há ali muita carne. Singapura reafirma a Declaração de Panmunjom, que é acordo entre as duas Coreias.

Ao assinar a declaração conjunta de Singapura, Washington foi dado por notificado quanto à Declaração de Panmunjom. Em termos de lei, quando você é notificado de um fato você deixa de poder dizer, adiante, que 'não sabia' ou que 'nem quero saber'. O compromisso da RPDC de abrir mão de seu armamento nuclear nos termos da declaração de Singapura é reafirmação de seu compromisso nos termos da Declaração de Panmunjom, naqueles termos, não em outros termos, com todas as condições associadas àqueles termos. E Trump confirma esse entendimento, ao assinar a Declaração de Singapura.

Declaração de Panmunjom destaca que: "A Coreia do Sul e a Coreia do Norte confirmaram o objetivo comum de alcançar, através da desnuclearização completa, uma península coreana livre de armas nucleares. A Coreia do Sul e a Coreia do Norte compartilham a opinião de que as medidas iniciadas pela Coreia do Norte são muito importantes e cruciais para a desnuclearização da península coreana e concordaram em buscar ativamente o apoio e a cooperação da comunidade internacional para alcançar a desnuclearização da península coreana."

Esse é o compromisso. "Comunidade internacional", como todos sabem, é palavra em código para "EUA o Grão Decididor Universal." Se Washington não retirar seus militares da Coreia do Sul, não haverá desnuclearização. Na essência, foi esse o acordo discutido entre Kim e Xi Jinping nos dois encontros crucialmente importantes que tiveram antes da reunião de Singapura. Tirem os EUA da península, e podem contar com ela.

É isso. A palavra-chave na declaração conjunta de Singapura, para a qual deve convergir o foco é "reafirmando".*******
 
http://blogdoalok.blogspot.com/2018/06/a-palavra-chave-no-show-trump-kim-por.html#more
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Sobre a Reunião Bilderberg 2018, Turim: Gato escondido cô rabo de fora

Poderoso grupo do capital e seus representantes políticos, um Comitê Central da burguesia ocidental . (Nota do blog)


7/6/2018, Coletivo de Tradutores Vila Vudu
 Imagem relacionada
 
Valha o que valer, aí vai a parte da 'pauta' que o Clube de Bilderberg, que se reúne a partir de hoje, esse ano em Turim, Itália, deseja que você acredite que ele está(ria) discutindo. [A notícia da reunião vem de Pepe Escobar, pelo Facebook. Comentários, em itálicos, são do Gato Filósofo, GF].

[COMENTÁRIO GF] Sinceridade? Essa pauta parece pauta da editoria de internacional d'O Estado de S.Paulo ou da 'sociologia' da USP-UDN, sô! Quem mais, além da editoria de internacional d'OESP e da 'sociologia' da USP-UDN (além de CIA e MI6 em Bilderberg, claro!), ainda temeria o "populismo" declarado uma das faces mais tenebrosas do povo demoníaco em ação?!

 The 66th Bilderberg Meeting
a realizar-se nos dias 7-10/6/2018 em Turim, Itália.

"A 66ª Reunião de Bilderberg deve acontecer entre os dias 7-10/6/2018 em Turim, Itália. Até o momento, 131 participantes, de 23 países, já confirmaram presença. Como sempre, um grupo diversificado (sic) de líderes políticos e especialistas da indústria, finança, academia e mídia foram convidados. A lista dos participantes está disponível em 
www.bilderbergmeetings.org."

[COMENTÁRIO GF]: Na tal lista vê-se que Kissinger e o general Petraeus já confirmaram que lá estarão. Kissinger representa seu próprio escritório de advocacia, claro, e lá estará de pleno direito (vai sempre). Petraeus, já perdoado e reabilitado[1] é hoje empregado do KKR Global Institute, o mesmo fundo de investimentos que "em 2012, ao anunciar a contratação de Henrique Meirelles como conselheiro sênior" apontou o hoje diz-que-candidato a presidente do Brasil como "parceiro tremendamente valioso para a empresa. Um executivo do fundo, Alex Navab, disse que o KKR confiava nos "conselhos e percepções de Meirelles no mundo da governança, finanças e investimentos"(Valor, 10/8/2017).

Assim sendo, o general Petraeus, em 2018, é o mais parecido com o que se pode ver como representante dos interesses da CIA e do governo golpista do Brasil, presente oficialmente em Turim, para o encontro Bilderberg-2018.
A 'pauta' que Bilderberg, que se reúne a partir de hoje em Turim, Itália, deseja que você acredite que lá esta(ria) em discussão em 2018 "inclui" (significa que há mais, portanto, no campo do sabido não dito) os seguintes tópicos:
1.     Populismo na Europa
2.    O desafio da desigualdade 
3.    O futuro do trabalho
4.    Inteligência artificial
5.    EUA antes das eleições de meio de mandato
6.    Livre comércio
7.     Liderança dos EUA no mundo
8.    Rússia
9.    Computação quântica (for dummies)
10.  Arábia Saudita e Irã
11. Mundo da "pós-verdade"
12. Eventos em andamento.

[COMENTÁRIO GF] Dado que essa é apenas uma pauta "incluída" em pauta maior não noticiada, claro que há mais pauta. Mas não se fala da continuação a qual, se não é Rússia e Irã e Arábia Saudita, já 'pautados' na parte divulgável, será necessariamente China e talvez até, por que não, Brasil e Índia.

A China, que não é nem EUA nem Europa (quer dizer, nem CIA nem MI6), esteve presente em lugar de honra em Bilderberg 2017. Sumiu em 2018. O Brasil não é nem EUA nem Europa, mas está sob golpe da CIA desde 2016 e está na lista de compra de supermercado de todos os reunidos em Bilderberg 2018. E a Índia também é problema não dito. Ganhou de presente dos EUA um "Comando do Pacífico Asiático", mas, com comando de presente e tudo, a Índia continua 
sem dar bola para sanções dos EUA, e mantém-se parceira comercial ativíssima de Irã e Venezuela, atropelando sanções.

Todos os presentes à reunião de Bilderberg 2018 têm interesses investidos no golpe em curso no Brasil. TODOS.

Israel não aparece como 'tema', nem como 'eventos em andamento', porque, como se sabe, Israel, potência ocupante de terra palestina, não é tema nem evento: para CIA e MI6, organizadores de Bilderberg, Israel é projeto].

"Fundada em 1954, a Bilderberg Meeting é uma conferência anual que visa a promover o diálogo entre Europa e América do Norte. Todos os anos, entre 120 e 140 líderes políticos e especialistas em indústria, finança, academia e a mídia (sic) são convidados a participar da conferência. Cerca de 2/3 dos participantes vêm da Europa; aproximadamente ¼ são políticos ou membros de governos, e os demais vêm de outros campos.

A conferência é um fórum para discussão informal sobre grandes questões que o mundo enfrenta (sic). As reuniões acontecem sob a "Regra de Chatham House", pela qual os participantes são livres para usar informação que recebam, mas comprometem-se a não revelar nem a identidade nem a afiliação de quem fale, nem de qualquer outro participante.

Graças à natureza privada (Hellloou!) da reunião, os participantes não são limitados pelas convenções dos respectivos cargos (públicos? Privados? Como assim?!), nem por posições assumidas previamente. Assim, todos podem ouvir, refletir e coletar insights. Não há resultado esperado, não há tempo delimitado para qualquer intervenção e não se emitem relatórios por escrito. Além disso, não há propostas de resoluções, nem votações, nem se estabelecem normas internas [ing. policy statements]" [da 
página internet do 'grupo', aqui traduzida].

[COMENTÁRIO GF] As condições são as de sempre, quando os reunidos não temem que haja povo ouvindo pelos cantos. É conferência de quem ainda insiste em fazer-crer que não teria de dar NENHUMA satisfação ao mundo real. PORÉÉÉM, reúne-se secretamente para discutir a parte do mundo real que, até junho de 2018, continue a resistir contra as decisões de Bilderberg de junho de 2017.

A parte divulgada da pauta de Bilderberg 2017 foi a seguinte:
1.      Governo Trump: relatório de andamento
2.     Relações Transatlânticas: opções e cenários 
3.     A Aliança de Defesa Transatlântica [conhecida como "OTAN"]: "bullets, bytes and bucks" [dito "item de agenda que recebeu o título mais ridículo da história de Bilderberg". Naquele momento, a OTAN começava a lutar para aumentar a própria dotação em termos de "balas, bytes e grana", alegadamente para enfrentar a Rússia, mas, naquele momento, também para enfrentar o primeiro presidente Donald Trump.[2] Uma sessão de debates com o mesmo título "o mais ridículo (...)" foi presidida por Jens Stoltenberg, desde 2014 secretário-geral da OTAN. 
4.     Rumos da União Europeia 
5.     É possível tornar mais lenta a globalização?
6.     Empregos, renda e expectativas não realizadas
7.     Guerra contra a informação (sic) [ing. The war on information]
8.    Por que cresce o populismo?
9.     Rússia na ordem internacional 
10.Oriente Próximo 
11.  Proliferação Nuclear 
12. China ["A China será discutida numa reunião da qual participarão o embaixador da China nos EUA, o secretário de comércio dos EUA, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, dois senadores dos EUA, o governador da Virginia, dois ex-diretores da CIA – e quase incontáveis investidores-monstro norte-americanos, incluindo diretores de empresas de serviços financeiros Carlyle Group e KKR. [É a mesma KKR que, em 2012 contratara Meirelles como 'conselheiro" e em 2018, exibirá em Bilderberg o general Petraeus na diretoria.] Ah, e o patrão de Google" (The Guardian, 1/6/2017).] 
13.  Eventos em andamento.
[COMENTÁRIO GF]: De interessante a anotar, para analisar depois, que:

(i) o "populismo" passou de 8º lugar, em 2017, e do estado de pergunta, para 1º lugar, circunscrito à Europa, mas afirmado, sem perguntas retóricas, logo no ano seguinte;

(ii) todas as entradas de pauta em 2018 tornaram-se 'vagas': por exemplo, de "Rússia na ordem internacional", em 2017, para "Rússia", assim, no ar, em 2018. Da China de corpo presente, em 2017,
[3] para "faz-de-conta que a China não existe", em 2018.

Nem é preciso comentar dois itens da agenda de 2018, que, em 2017, é núncaras que teriam status de item de pauta de Bilderberg:

(iii) a tal "Computação quântica", WTF
; e

(iv) o mundo da rementira, que Bilderberg tenta tolamente (re)pautar como "mundo da pós-verdade".

Interessante anotar também que:

(v) em 2017, o Oriente era dito Próximo; em 2018, o item de pauta se chama "Arábia Saudita e Irã". Quando, em Bilderberg, desde 1954, Arábia Saudita e Irã foram um só item de pauta?!

EM TEMPO: Até o fechamento dessa edição, o mundo real não confirmara presença oficial em Bilderberg 2018. Lá não aparecerão oficialmente nem a moeda nem o correspondente lastro-ouro nem chineses nem russos. Lá só aparecerá oficialmente o EUA-dólar, cuja substituição por yuan, rials, rublos et allii, estranhamente, não está pautada para Bilderberg 2018, nem como perguntinha retórica nem, que fosse, como alguma vaga ideia. Bilderberg 2018 já é gato escondido cô rabo de fora. Segue a luta.
http://blogdoalok.blogspot.com/2018/06/sobre-reuniao-bilderberg-2018-turim.html