sábado, 7 de julho de 2018

Prisioneiros palestinos nos cárceres sionistas entram em greve de fome

presos palestinos recluidos en una cárcel israelí.

Palestinos presos em cárceres do regime sionista iniciam greve de fome por tempo indeterminado para exigir melhores condições.
Participa na greve desde sexta-feira  um grupo de cinco prisioneiros palestinos mantidos em detenção administrativa, ou seja: privados da liberdade por ordem das autoridades administrativas, não judiciais, informou neste sábado (07/07) o Comitê de Assuntos dos prisioneiros palestinos, pela agência de notícias palestina WAFA .
De acordo com dados fornecidos pela Comissão, as autoridades prisionais israelenses transferiram imediatamente os prisioneiros Mahmoud Ayad, Islam Jawarish, Thaer al-Helou, Nadim Issa Awad Rajoub para  prisões solitárias  no campo militar de Ofer, nas proximidades do Ramalá (na Cisjordânia ocupada).
Os prisioneiros iniciaram a luta contra as prisões administrativas  boicotando  a autoridade dos tribunais da ocupação, em 15 de fevereiro, agora decidiram  intensificar a luta contra a prática da detenção administrativa, ante a recusa do regime de Tel Aviv de cumprir  o compromisso de sentar e negociar uma melhoria das condições do encarceramento.
A comissão dos prisioneiros alerta sobre a possibilidade de  mais prisioneiros palestinos aderirem à greve, nas próximas semanas, e informa que  os grevistas se recusam a receber medicação e ir para  enfermaria. 

O mesmo organismo  havia anunciado o próximo início de uma greve de fome contra o encarceramento em detenção administrativa em prisões israelenses de 500 palestinos no início de junho passado, sem mencionar quando a ação iria começar.
A detenção administrativa é um regime que permite que palestinos sejam mantidos na prisão indefinidamente sem a necessidade de iniciar um processo judicial. O regime de Tel Aviv freqüentemente usa esse tipo administrativo para  aprisionar os palestinos .
O direito internacional, no entanto, só permite o uso desta medida em situações excepcionais ou de emergência no âmbito de uma ocupação militar, situação que, por sua vez, deve ter um caráter temporário.
https://www.hispantv.com/noticias/palestina/381960/presos-huelga-hambre-carcel-israel-detencion-administrativa

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A força militar sionista praticando a limpeza etnica e mais roubo de terras palestinas

2018 · 07 · 04 • Fonte: Raquel Martí, El Diario - Espanha

A população da comunidade beduína de Khan al Ahmar, localizada perto de grandes assentamentos israelenses na Cisjordânia, tem resistido a tentativas de realocá-los para expandir assentamentos por mais de uma década.

Uma criança agita a bandeira da Palestina em frente aos soldados israelenses na aldeia beduína de Jan al Ahmar (Cisjordânia) durante protestos contra o início da demolição por parte de Israel. RONEN ZVULUN REUTERS 

No momento em que escrevo estas linhas estão demolindo a comunidade beduína de Khan al-Ahmar, a poucos quilômetros de Jerusalém Oriental, em território palestino ocupado. Estou tomado pela impotência e uma profunda tristeza. Praticamente 10 anos de luta terminaram no pior cenário: a transferência forçada de 180 pessoas que foram deixadas sem nenhum  direito, que são novamente arrancadas  pela violência de suas terras. 

Khan al-Ahmar é uma pequena aldeia composta de choças e estruturas temporárias e cercada por assentamentos ilegais de colonos estrangeiros sionistas israelenses. Nela habita a tribo Jahalin, formada por 180 membros, originalmente pastores nômades do Vale do Jordão que foram expulsos após a guerra árabe-israelense de 1948 do deserto de Negev até a Cisjordânia.


Demolição da comunidade beduína de Khan al Ahmar ACTIVESTILLS.ORG
  
Para aliviar a falta de infra-estrutura educacional na área que forçava as crianças beduínas  viajar longas distâncias diariamente, o líder da comunidade beduína, Abu Khamiss, apoiado pela ONG italiana Vento di Terra decidiu construir, em junho de 2009, uma escola com adobe e pneus de carros usados. Incapaz de obter uma licença de construção - Israel nega-lhes 97,8% das vezes - tiveram que construir a escola sem a  permissão. Um mês depois de sua abertura, chegou  a primeira ordem de demolição emitida pela Administração Civil Israelense. Então começou um tortuoso caminho pelos meandros dos tribunais sionistas, na qual apelação após apelação conseguiram adiar a data da demolição. Em 2011, a ameaça de transferência forçada da comunidade foi adicionada ao risco de demolição.
Eu visitei a vila em diversas ocasiões, toda vez que fui à Palestina, levei políticos e jornalistas para conhecer sua situação. A pequena escola de Khan al-Ahmar tornou-se um símbolo da resiliência palestina e da luta pela educação das crianças palestinas.
Sempre admirei Abu Khamiss, sua grande hospitalidade, sua forte determinação em salvar sua comunidade, sua firme convicção da necessidade de educar crianças beduínas. Sua paciência sem limites. Ele sempre me recebeu com um sorriso enorme e sempre brincando para remover o drama de sua situação crítica. Na minha última visita, notei-o derrotado, muito cansado, não dissemos nada, mas imediatamente entendi que ele havia perdido a esperança. Eu sabia que neste dia seria a última vez que eu me sentaria para desfrutar de sua hospitalidade e aprender com sua imensa sabedoria beduína.
Abu Khamiss sabia muito bem o que a destruição da comunidade significava e é por isso que ele se dedicou durante anos para evitá-lo. Destruição não significa apenas que sua comunidade será transferida à força para outro lugar ou que seus filhos perderão a escola e, com ela, o direito à educação. Ele estava plenamente consciente de que a destruição de sua comunidade significa o avanço dos assentamentos ilegais de colonos.
A destruição de Khan al-Ahmar não é um evento isolado. Tudo isso faz parte de um plano israelense de construir milhares de novas casas e conectar assentamentos de colonos sionistas com Jerusalém. Com a implementação deste plano, a presença palestina na área será enfraquecida e Jerusalém Oriental, e seus habitantes, serão desconectados para sempre do resto da Cisjordânia. Abu Khamiss fez um esforço gigantesco para manter Jerusalém Oriental como a futura capital do povo palestino. Hoje esse sonho está sendo demolido ao lado das cabanas e da escola da pequena cidade de Khan al-Ahmar.

Ésta es la escuela de la comunidad beduina de que están destruyendo hoy.
170 niños y niñas, que estudian en ella, se quedan sin escuela.

 Sobre o autor: Raquel Martí é diretor executivo da UNRWA Espanha 
http://www.palestinalibre.org/articulo.php?a=69325

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O covarde, violento e fascista exército de ocupação sionista está espulsando os beduínos a leste de Jerusalém, de sua terra histórica!

Como faz há 70 anos, o regime sionista se utiliza da força bruta contra as famílias palestinas desarmadas para arrancá-la da terra que vivem há milhões de anos.
São covardes , violentos e fascistas!

As forças de ocupação israelenses começaram a demolir as casas dos palestinos na comunidade beduína de Abu al-Nawar, a leste de Jerusalém, mas encontraram , como há 70 anos, a resistência da população.




Ahmad retweetou شبكة قدس الإخبارية
التطهير العرقي في الخان الأحمر
Ahmad adicionou,



 https://twitter.com/qudsn/status/1014468818696105984
Deve-se destacar que a terra da comunidade, que é habitada por beduínos, pertence e é registrada no "Tabu" para as pessoas da cidade de Anata, que é habitada por cerca de 181 pessoas, mais da metade delas crianças. Enquanto o direito humanitário internacional proíbe a demolição e o confisco de propriedade privada pela potência ocupante, as autoridades israelenses buscam despejar a população à força e violar o direito à moradia.
Por anos, a ocupação também tentou esvaziar as terras de Jerusalém Oriental das comunidades beduínas para permitir a expansão dos assentamentos na área, tornando a parte oriental da Cisjordânia uma área de assentamento em sua totalidade.
 http://espanol.almayadeen.net/news/Asentamientos%20Ilegales/252913/ocupaci%C3%B3n-israel%C3%AD-inicia-demolici%C3%B3n-de-viviendas-en-la-comun/

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Nossa homenagem ao grande filósofo marxista Domenico Losurdo (1941 - 2018)


Dia 28 de junho morre o filósofo italiano Domenico Losurdo , um ícone do pensamento crítico marxista. Um militante incansável, um comunista ferrenho, um internacionalista consciente do papel da esquerda e sobretudo um materialista histórico que não abria mão dessa metodologia em suas análises. Deixou muitas obras publicadas e uma infinidade de textos e vídeos. Abaixo reproduzimos o vídeo de sua palestra sobre a ocupação criminosa da Líbia pelo imperialismo  e uma relação de suas obras, indispensáveis para os revolucionários.
Camarada Losurdo!.................................. PRESENTE!
somostodospalestinos.blogspot.com


Introdução ao estudo de Domenico Losurdo.
Por Jones Manoel*
Para começar um estudo da obra do marxista italiano Domenico Losurdo – um dos maiores marxistas vivos que temos, seguem algumas indicações. Primeiro, considero que a obra de Losurdo contém quatro temas centrais: a questão nacional no processo revolucionário, uma contra-história do liberalismo e de maneira mais ampla da dominação burguesa na modernidade, um balanço crítico das experiências socialistas no século XX e uma tentativa de renovar o marxismo a partir de uma teoria política que se pretende ser uma superação dos “resíduos utópicos” ainda presentes no marxismo. Pois bem, essas quatro temáticas centrais estão dentro de uma mesma problemática: uma contra-histórica da modernidade burguesa vista desde a perspectiva dos povos coloniais – os condenados da terra – e dos trabalhadores/as do centro do capitalismo com vistas a criar uma visão de mundo própria dos de baixo como elemento indispensável do processo revolucionário em suas duas faces (a destruição da velha ordem e a edificação de uma nova sociedade). Para tentar deixar mais didática a questão, segue uma série de indicações de livros e artigos sobre as quatro temáticas centrais na obra losurdiana (não pretendo indicar todas as obras sobre cada tema, mas as que considero centrais).
– Balanço das experiências socialistas.
* Fuga da história? A Revolução Russa e a Revolução Chinesa vistas de hoje (disponível na internet)
* Stálin – uma história crítica de uma lenda negra (livro central de Losurdo nessa temática).
* Marx, Cristóvão Colombo e a revolução de Outubro [artigo] (disponível na internet).
* O significado histórico da Revolução de Outubro [três artigos] (disponível na internet – site da revista crítica marxista).
– Contra-história do liberalismo e da dominação burguesa.
* Contra-história do liberalismo (livro central nessa temática)
*Liberalismo. Entre a civilização e a barbárie (não tem na internet, mas é um livro barato. Menos de 30 reais).
* A não violência: uma história fora do mito (disponível na internet).
* Democracia ou bonapartismo (até onde me consta, não disponível na internet e difícil de achar).
* Nietzsche, o rebelde aristocrata (livro caro e até onde sei também não disponível na internet).
* A Linguagem do Império – léxico da ideologia estadunidense (até onde sei, não disponível na internet, mas fácil de achar e relativamente barato).
* O pecado original do século XX (livro barato para comprar).
– Teoria política e do Estado.
*Hegel, Marx e a tradição liberal (também não disponível na internet, mas fácil de achar em qualquer biblioteca de universidade).
*Antônio Gramsci: do liberalismo ao “comunismo crítico” (fácil de achar em sebos e creio que já está disponível na internet).
* Para uma crítica da categoria de totalitarismo (disponível na internet, site da crítica marxista).
– A questão nacional e a revolução.
* A luta de classes – Uma história filosófica e política (ao meu ver, esse livro junto com o sobre Stálin, é uma espécie de síntese geral da obra de Losurdo abarcando todos os temas centrais de sua produção na maturidade).
* Guerra e revolução: um mundo um século após outubro de 1917.
Advertência: essa divisão é mais no tocante a temas centrais abordados. Na prática os temas basilares da obra losurdiana comparecem em maior ou menor medida em todos os livros.
*Militante do PCB de Pernambuco

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Como a mídia ocidental justifica o genocídio no Iêmen

Por  Finian Cunningham - 26/06/2018
  
(Traduzido pelo Blog)
Enquanto as Nações Unidas advertem que milhões de civis podem morrer de violência e fome devido ao atual cerco da cidade portuária iemenita de Hudeid, não há outra maneira de descrever o que está acontecendo, exceto como "genocídio".
A guerra de mais de três anos no Iêmen travada por uma coalizão saudita apoiada pelo Ocidente  é indiscutivelmente genocida desde o início, são oito milhões de pessoas  à beira da fome devido ao bloqueio de longa data que sofre o estado árabe, bem como por ataques aéreos indiscriminados.
Mas a mais recente ofensiva no Mar Vermelho, na cidade de Hudeid, no Mar Vermelho, ameaça transformar a maior catástrofe humanitária do mundo em extermínio em massa.
Hudeid é o ponto de entrada para 90% do total da ajuda alimentar e assistência médica ao Iêmen. Se o porto da cidade deixar de funcionar por causa de uma ofensiva militar - como alerta as agências da ONU -, então uma população de mais de 20 milhões será levada à beira da morte.
A coalizão saudita, que inclui as forças do Emirado e mercenários estrangeiros, bem como as forças do regime anterior (que a mídia ocidental falsamente chama de "forças do governo"), é apoiada pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Esta coalizão diz que a tomada da cidade acelerará a derrota dos rebeldes Houthis. Para isso, estão usando o cruzamento das linhas de ajuda alimentar e humanitária como uma forma de guerra contra a população civil, isso é sem dúvida, um crime de guerra. O que é absolutamente imperdoável.
Na semana passada, uma sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU exigiu que este porto permanecesse aberto. No entanto, a sessão não exigiu a suspensão da ofensiva do saudita e dos Emirado contra Hudaid , que é o segundo  maior reduto  dos Houthis, depois da capital  Sana. Uma população de 600 mil pessoas dentro de cidade portuária já estão expostas aos intensos combates que ocorrem,  incluindo ataques aéreos e bombardeios marítimos, antes mesmo de ser interrompido o fornecimento de alimentos, água e remédios.
Como a reunião do  Conselho de Segurança foi a porta fechadas, os relatórios da mídia não indicaram quais membros do Conselho votaram contra o pedido sueco de término imediato das hostilidades. No entanto, tendo em conta que três membros permanentes do Conselho, os Estados Unidos, Inglaterra e França,  apoiam a ofensiva militar liderada pela Arábia Saudita contra a cidade portuária , pode-se supor que esses países bloquearam o apelo a um cessar-fogo.
Enquanto o horror  se estende, a mídia ocidental se esmera  para branquear  o papel criminoso dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França no apoio a ofensiva. A mídia ocidental se concentra na crise humanitária da população de Hudeid e da população ienemita. Mas tem o cuidado de omitir o contexto real e mais amplo e, obviamente, a conclusão de que o cerco de Hudeid não seria possível sem o apoio militar do Ocidente. Se o público ocidental fosse devidamente informado, eles se deparariam com uma forte oposição que revelaria a relação entre os governos ocidentais e os meios de comunicação.
O que é notório na mídia ocidental é a utilização do termo abrangente usado quando se fala sobre os rebeldes Houthis. Invariavelmente, os rebeldes Houthis são descritos como aqueles  "apoiados pelo Irã". Este rótulo é usado para implicitamente "justificar" o cerco saudita e dos Emirado à cidade Hudeid, "porque" é dito que a operação é parte da "guerra por procuração contra o Irã". A BBC, a France 24, a CNN, a Deutsche Welle, o New York Times e o Washington Post estão entre os meios de comunicação que comumente praticam essa desinformação sobre o Iêmen.
Tanto o Irã quanto os Houthis negaram qualquer relação militar recíproca entre eles. É verdade que o Irã apoia politicamente e diplomaticamente os Houthis e toda a população iemenita que sofre com a guerra. Os houthianos compartilham a fé xiita comum com o Irã, mas isso está longe de qualquer envolvimento militar. Não há evidências do envolvimento do Irã no Iêmen. A base para esse tipo de  afirmação  depende exclusivamente  das declarações da Arábia Saudita e dos Emirados divulgadas sem nenhuma crítica. Até mesmo o governo dos EUA evitou fazer acusações diretas contra o Irã neste tema do  apoio militar aos Houthis. O silêncio de Washington é um claro reconhecimento de que esta acusação já está esgotada e não tem força. Além disso, como poderia um país que foi submetido a um bloqueio ilegal da Arábia Saudita por terra, mar e vias aéreas receber armas  fornecidas pelo Irã?
Em contraste, enquanto os meios de comunicação ocidentais costumam descrever os rebeldes  Houthis como "apoiados pelo Irã", omitem descaradamente os termos "apoiados pelos Estados Unidos" ou "apoiados pelos britânicos e os franceses", ao se referirem às forças sauditas e dos Emirados que estão bombardeando o povo do Iêmen há três anos. Ao contrário de acusações desnecessárias sobre as ligações iranianas com Houthis, a conexão militar ocidental foi verificada e confirmada pelas grandes exportações de armas e pelo fornecimento de combustível e logística no apoio aos esforços de guerra da Arábia Saudita e dos Emirados contra o Iêmen..  
No domingo passado, o New York Times lamentou sobre as condições infernais no Iêmen, classificando as de "guerra muito complexa", como se a guerra fosse um mistério insondável. Por que o New York Times não publica editorias corajosos clamando abertamente pelo fim da cumplicidade dos EUA na guerra contra o Iêmen? Ou talvez isso seja muito , de fato, muito "complexo" para o editorial do Times?
O Washington Post levantou uma falsa preocupação, na semana passada, declarando: "A crise humanitária mais grave no mundo corre o risco de piorar ainda mais. A ofensiva liderada pelos Emirados Árabes Unidos (e da Arábia) está em curso contra a cidade portuária de Hudeid controlada por rebeldes Houthis, apoiados pelo Irã".
Neste relatório,  o Post não mencionou o fato de que os ataques aéreos realizados por forças sauditas e  dos Emirados são realizados por  caças F-15 dos EUA, por Britsh Typhoons e aviões franceses Dassault. Incoerentemente, o Post cita declarações de autoridades dos EUA que afirmam que suas forças não estão "diretamente envolvidas" na ofensiva na cidade portuária. Como isso é credível  quando  os ataques aéreos são conduzidos por eles diariamente? O Washington Post nem sequer tenta buscar mais informações a respeito.
No relatório da semana passada,  a BBC, que também expressa uma falsa preocupação e pesar pela "crise humanitária" em Hudeid continua normalmente, embora sem provas, marcando  os rebeldes Houthis como "apoiados pelo Irã". Mas, inacreditavelmente, ao longo do artigo (pelo menos em edições anteriores), não havia uma única menção do fato verificável de que a Arábia Saudita e o Emirado receberam bilhões de dólares em armas britânicas, americanas e francesa.
No último parágrafo de suas edições anteriores, a BBC editorializa: "Em março de 2015, a Arábia Saudita e outros  países árabes, de maioria sunita, lançaram uma campanha militar para restaurar o governo   do presidente Hadi  (exilado) depois da ascensão do grupo Houthis visto como um proxy xiita iraniano ".
Preste atenção à implicação embaraçosa e pouco convincente da BBC sobre o Irã. Isto é uma estupenda distorção do conflito no Iêmen pela emissora estatal britânica que, surpreendentemente, ou talvez devesse ser audaciosamente, exclui completamente qualquer referência ao fato dos governos ocidentais estarem  alimentando a guerra genocida no Iêmen.
No final de 2014, fantoche dos EUA e dos saudita, o auto-proclamado "presidente" Mansour Hadi foi derrubado por uma rebelião liderada pelos  Houthis e outros rebeldes. A rebelião iemenita incluiu os shiitas e o sunitas. A apresentação do Irã como um patrocinador dos xiitas é uma distorção repulsiva que os sauditas e seus patrocinadores ocidentais têm usado para justificar o ataque sobre o Iêmen, a fim de repor o seu presidente fantoche, que vive no exílio na capital saudita, Riad. Em suma, a mídia está  ocultando uma guerra criminosa com mentiras e manipulações.
Na realidade, a guerra do Iêmen é produto das potências ocidentais e dos regimes déspotas do mundo árabe, que tentam reverter o processo de  revolução popular que aspirava construir um governo consideravelmente mais democrático, no país mais pobre da região árabe, superando décadas de tutela  do ocidente e da Arábia Saudita em regime de   cleptocracia.

Por mais de três anos, as forças sauditas e dos Emirados, apoiadas pelo Ocidente com aviões de guerra ocidentais, bombas, mísseis, helicópteros de ataque, navios e reabastecimento aéreo, além de direcionar a logística, empreenderam uma campanha de bombardeio ininterrupto contra civis iemenitas. Nada ficou de fora: hospitais, escolas, mercados, mesquitas, funerais, salões de festas, casas de família, fazendas, estações de tratamento de água e serviços de energia, toda  infraestrutura foi impiedosamente destruída. Até cemitérios foram bombardeados.
Mesmo durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, a coalizão liderada pela Arábia Saudita - a suposta guardiã das duas mesquitas sagradas de Meca e Medina - continuou a massacrar civis inocentes do ar. 
Em outro lugar da região, os políticos ocidentais e a mídia corporativa lançaram protestos histéricos contra o governo sírio e seus aliados russos enquanto estes libertavam  as cidades dos terroristas apoiados pelo Ocidente, acusando a Síria e Rússia por "crimes de guerra" e "uso desumano da força". Nenhuma das campanhas hiperbólicas da mídia ocidental relacionadas à Síria jamais foi comprovada. Lembre-se de Allepo? Ghouta Oriental? O povo sírio está voltando com prazer para reconstruir suas vidas em paz sob a proteção do governo sírio depois que terroristas ocidentais foram expulsos. As alegações da mídia ocidental sobre a Síria revelaram-se mentiras ultrajantes, que foram enterradas às pressas pelos mesmos meios de comunicação como se nunca houvessem sido proferidas. 
De fato, há em andamento uma guerra genocida contra o povo do Iêmen que é totalmente apoiada pelos governos ocidentais. A barbárie mais recente é o cerco a cidade portuária de Hudeid, cujo objetivo  insano e assassino é de,  finalmente, submeter toda população faminta aos interesses do Ocidente , da Arábia Saudita e dos Emirados. Este é um  crime  de padrão Nuremberg.
Sem exageros, os meios de comunicação ocidentais funcionam como o Ministério de Propaganda  de Goebbels - por excelência  - cuja tarefa é "branquear" os genocídios cometidos por seus governos. As incríveis mentiras que transmitem e as omissões dissimuladas sobre o Iêmen são mais uma das razões pelas quais a mídia ocidental perderam qualquer vestígio de credibilidade. Eles estão servindo, como no Vietnã,no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria e em muitos outros casos, como cúmplices dos crimes de guerra épicos contra o Iêmen.
Postado do:http://epogledi.com/bs/vijesti/1026/kako-zapadni-mediji-pravdaju-genocid-u-jemenu/

terça-feira, 26 de junho de 2018

Curdos perderam a chance de decidir o próprio destino: Só Damasco pode salvar os curdos.







 
por Elijah J. Magnier
23/6/2018, Elijah J Magnier, Blog
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
 
 
A decisão de Donald Trump de cair fora da Síria “muito rapidamente” e de entregar a cidade de Manbij à Turquia caiu como um raio sobre os curdos sírios reunidos na parte norte do país. Esses curdos, que operam diariamente como escudo humano para proteger as forças dos EUA, foram deliberadamente manipulados pelo establishment dos EUA para garantir cobertura e proteção às forças norte-americanas de ocupação no nordeste do Levante. Agora, Trump parece prestes a fritar os curdos, de um dia para o outro. Não satisfeito com isso, Trump está “leiloando” os curdos, apostando para ver que país árabe ocupará a área que os curdos controlam e ganhará o território no qual estão atualmente os acampamentos curdos.
 
Que opções restam aos curdos?

Bem claramente, nada preocupa menos o presidente dos EUA que o destino dos curdos. Trump está pronto para abandoná-los, apesar de saber que não há lugar para onde os curdos possam ir, nem país aos quais possam pedir proteção. Os curdos perderam a confiança do governo de Damasco por causa de suas escolhas políticas e militares pouco ponderadas – e evidentemente são caçados pela Turquia, que considera todos os curdos na Síria como membros das Unidades de Proteção do Povo Curdo [cur. YPG], grupo coligado a terroristas, pelos padrões de Ankara.

Os “mitos” que cercam os curdos (“são os melhores combatentes contra o 'Estado Islâmico' (ISIS), e/ou “são os melhores aliados dos EUA”) são tolices e nada têm a ver com a realidade. É retórica brotada principalmente dos anos 90s, quando os EUA usaram o Curdistão para garantir um ponto de apoio no Iraque durante a era Saddam Hussein. De fato, os EUA viram nos curdos uma ponte para o Oriente Médio, que lhes permitiu fixar naquela área uma fortaleza militar e de inteligência para os próprios norte-americanos e seus aliados israelenses. Com a guerra que impuseram à Síria, os EUA plantaram-se na área de al-Hasaka, no Curdistão sírio, na esperança de dividirem a Mesopotâmia e o Levante. Mais importante, os curdos no Iraque e na Síria não têm problemas para declarar os fortes laços que os ligam a Israel, apesar da animosidade contra Israel nos dois estados onde vivem: Iraque e Síria.

O Exército Árabe Sírio e seus aliados combateram contra o ISIS em todo o território sírio, perdendo dezenas de milhares de oficiais e soldados. E no Iraque, as forças de segurança iraquianas combateram contra o ISIS em toda a geografia do Iraque onde o ISIS estava presente e perderam milhares de oficiais e soldados (só o grupo Hashd al-Sha’bi perdeu mais de 11 mil militantes).

Mas o investimento e a perda de vidas curdas foram consideravelmente menores. No Iraque, combatendo contra o ISISna área curda ao norte, os curdos perderam cerca de 2.000 militantes. E na Síria, onde os curdos combateram contra o ISIS, as perdas curdas são da ordem de centenas de militantes.
 
 
 
Os EUA apostaram num sonho curdo: curdos sírios e curdos iraquianos queriam estabelecer um Estado. Washington alimentou esse sonho, em nome da necessidade de contar com forças locais como 'representantes' locais dos EUA para estabelecer bases em áreas onde o Irã tem seus centros de influência (no Iraque e na Síria). O plano curdo falhou no Iraque por efeito da firme determinação do governo central iraquiano de impedir que o país fosse dividido. E na Síria, o plano nunca teve e continua sem ter qualquer chance de sucesso, porque Turquia, Irã, Iraque e Síria têm suas próprias razões para impedir tanto um estado curdo como qualquer tipo de ocupação pelos EUA na parte norte do Levante.

Ninguém acredita que os EUA saiam sem arrancar alguma coisa em troca da retirada ou preço ainda mais pesado para o caso de lá permanecerem. Trump já retrocedeu da decisão de retirar-se da Síria “muito rapidamente”, sem apresentar qualquer cronograma específico para continuar onde está. Depois pediu que outros países substituíssem os norte-americanos, sem levar em conta a opinião dos curdos e sem lhes dar qualquer atenção. Os curdos, verdade seja dita, são a menor das preocupações de Trump: são gastos pelos quais ele não tem qualquer interesse. Os norte-americanos, de fato, não investiram dinheiro algum, nem na reconstrução da cidade de Raqqah que eles destruíram para esvaziá-la e poder usá-la para realocar o ISIS.

Seja qual for a decisão (quer EUA fiquem, quer saiam da Síria), os curdos sírios perderam a chance de decidir o próprio destino, em grande medida por causa das incontáveis vezes que optaram por continuar escondidos por baixo das saias dos EUA.

No enclave de Afrin no noroeste da Síria, a administração curda recusou-se a devolver a área ao controle do governo sírio. Os curdos decidiram lutar contra seu mais feroz inimigo, a Turquia, durante dois meses, tempo em que perderam toda a área e criaram centenas de milhares de refugiados que fugiram para al-Hasaka e Deir-Ezzour. O governo de Afrin supunha que o mundo correria a lhes garantir apoio e impedir a ação militar dos turcos: foi o maior dos vários grandes erros que os curdos cometeram. 

Na verdade, só o presidente Bashar al-Assad enviou ajuda: 900 homens das Forças de Defesa Nacional para ajudar na resistência em Afrin, mas não conseguiu convencer o governo local a permitir que o Exército Árabe Sírio assumisse o controle do enclave antes que fosse tarde demais. (Porque os EUA preferiam ter no controle de Afrin os soldados de Ankara – inimigos que os curdos odeiam mais que quaisquer outros –, que Damasco.)

Os curdos parecem ainda não ter compreendido que já não são o “filho pródigo” do ocidente. Escolheram esquecer o erro que os curdos iraquianos cometeram ao decidir ir em frente com seu referendum, quando fracassaram tão espetacularmente, sem obter um estado independente. E os EUA estão provavelmente felizes de ver mais e mais curdos de Afrin fugindo em bando para al-Hasaka, enchendo a região com mais e mais 'agentes representantes' dos EUA, favorecendo os objetivos de Washington no Oriente Médio.

Sabe-se que os curdos perderam centenas de militantes na luta contra o ISIS para recuperar Manbij, Raqqah e outras cidades em al-Hasaka e Deir-ezzour. Lutaram para apoiar a ocupação do nordeste da Síria pelos EUA, dando a Washington um pretexto para permanecer em territórios da Síria, alegando que a presença norte-americana teria a ver com a “guerra ao terror”. Não só os EUA não intervieram em Afrin, como, ainda pior, Washington ordenou que as forças do YPG curdo deixassem Manbij, como desejava a Turquia, aliada dos EUA na OTAN.
 
O ministro de Relações Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu disse, depois de se reunir com seu contraparte norte-americano Mike Pompeo, que “os EUA e a Turquia começarão a controlar a cidade de Manbij”. Tribos árabes locais al-Bubna, al-Baqqarah e al-Tayy emitiram comunicados dando boas vindas “às forças turcas em Manbij que afinal porão fim à ocupação da cidade por forças do PYD e PKK”.

Claramente, os curdos, consentiram livremente que o establishment dos EUA os manipulasse à vontade, sempre esperando recolher as migalhas deixadas pelas forças norte-americanas e, talvez, concretizar seu sonho de independência. Esse sonho hoje parece mais distante do que nunca, de se realizar, pelo menos nas próximas décadas.

Os curdos foram realmente surpreendidos com a declaração de Donald Trump sobre uma retirada rápida da Síria. Deram-se conta, de repente, de que estavam sendo descartados, sem mais nem menos, de um dia para o outro. É difícil para os curdos ver o establishment dos EUA lhes dar as costas e agir na direção exclusiva de seus próprios interesses nacionais, sem qualquer consideração ao que possa acontecer depois que se forem, ignorando completamente os sacrifícios que os curdos fizeram para ajudar os EUA a alcançar seus objetivos na Síria.

Quando Trump concordou com manter as forças dos EUA na Síria por um pouco mais, a decisão foi como uma injeção de temporária – mas falsa – esperança para os curdos, que viram o destino adiado. Mas por quanto tempo? Só até que os EUA evacuem todas as suas forças ou sejam expulsos de lá sob o fogo da “Resistência Síria” que começa a ganhar músculo nas áreas sírias ocupadas pelos EUA.

A resistência recém anunciada parece reunir tribos locais, especialmente “Bakkara” e “al-Assasneh”, dentre outros grupos locais prontos a dar combate às forças dos EUA – um movimento que faz lembrar o modo como começou a insurgência contra as forças dos EUA em Bagdá, em 2003.

O que os sírios curdos com certeza não veem ou talvez nem comecem a perceber é que Trump não mudará uma vírgula nos seus planos para protegê-los nem porá sua força aérea à disposição dos curdos para transportá-los aos EUA quando chegar a hora de deixarem a Síria. O resultado é fácil de prever: quando a guerra terminar, ninguém precisará de 'agentes locais' nem quererá saber deles. Sem guerra, os 'agentes locais' de forças estrangeiras tornam-se carga pesada demais.




Além do mais, os EUA não têm qualquer intenção de erradicar o ISIS – a única justificativa verossímil (digamos) para a presença de norte-americanos na Síria. O ISIS é o pretexto para que Washington mantenha soldados no Levante. Também auxilia nos objetivos dos EUA, quando seus militantes atacam a única estrada entre Síria e Iraque, a albu Kamal – estrada al Qaem. E ainda dá indicações – embora fracas – de que a Síria continua instável.

Os EUA não permitirão que a Turquia saia, sabendo que Rússia e Irã esperam de braços abertos por Ankara. Para mantê-la ao seu lado, Washington ofereceu à Turquia numa bandeja de prata o controle curdo de Manbij. E os EUA sabem bem que a Turquia jamais aceitará um estado curdo sobre sua fronteira com a Síria. Tudo isso considerado, é simples questão de tempo até que os curdos deem-se conta de que foram vendidos, e que o destino deles está selado.

Num dado momento, o governo central em Damasco considerou traidores os curdos. E eles continuarão a ser vistos como tal, a menos que parem de agir como escudo humano para proteger os EUA. O presidente Assad abriu a porta para negociações diretas e os curdos disseram-se “prontos para negociar”. O preço que os curdos têm de pagar não é complicado: têm de parar de garantir proteção às forças ocupantes (EUA, França e Grã-Bretanha) no norte da Síria.

Os curdos abriram a porta aos turcos que por ali invadiram território sírio para ocupar Afrin, em vez de se aproximarem do estado que os recebeu quando se assentaram no Levante. Os curdos podem usar um território, mas o território não lhes pertence, pertence ao estado e ao povo da Síria. É hora de os curdos acordarem.


Mapa: Etnias no norte da Síria


E então? O que fazer com os curdos? Quem permanece ao lado deles?


Trump sempre esteve pronto para deixar para trás os curdos, mas adiou a decisão porque interessa a Israel – não aos EUA – manter a ocupação norte-americana no norte da Síria. Trump também quer dinheiro de Arábia Saudita e Emirados. Os EUA já estão convertidos em exército mercenário, “pistoleiros de aluguel”. 

Segundo a mídia, Emirados e Arábia Saudita ofereceram 400 milhões de dólares, mas Trump está pedindo 4 bilhões de dólares para manter em campo os soldados norte-americanos. Parece que as forças dos EUA converteram-se em espécie de galinha dos ovos de ouro distribuídos pelos ricos países do Oriente Médio. E nessa briga de cachorro grande não há lugar para os curdos.

A equação é muito simples: se as forças dos EUA ficam e ocupam o nordeste da Síria, Washington terá de investir para reconstruir a infraestrutura, o que implica gastar dinheiro de verdade. Não é movimento que combine com os objetivos de Trump, que quer recolher dólares, não investir, um dólar, que fosse. Isso é a realidade contra a qual os curdos resistem e, ao que parece, ainda não compreenderam completamente.

Para concluir, os curdos já não têm lugar especial sob as asas dos EUA. Deixaram de ser os únicos, no Oriente Médio, com laços com Israel. Bahrein, Arábia Saudita, Qatar e os Emirados já não escondem as visitas de funcionários de Israel e as reuniões de autoridades dos dois países, e todos falam abertamente a favor de melhor relacionamento com Tel Aviv.

Os sírios talvez só tenham uma última chance: recorrer ao governo central em Damasco para que opere como mediador; para isso, os curdos têm de parar de garantir cobertura a forças ocupantes, e compreender que não passam de bucha de canhão a serviço das relações EUA-Turquia. Os curdos precisam deixar bem claro que não mais se oferecerão como escudo atrás do qual os EUA movem-se para dividir a Síria. Mas todos os recentes gentes dos curdos evidenciam que tal mudança é extremamente improvável. 

Mas não há outra via adiante para eles. E ainda depende de decidirem tomar e conseguirem tomar essa via. Mas se o fizerem, ainda podem obter reintegração plena no Estado que os acolheu quando chegaram ao Levante, há 100 anos.*******