segunda-feira, 14 de maio de 2018

Israel massacra o povo palestino nos 70 anos de ocupação militar da Palestina!

 
 Os Estados Unidos transferiram sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém na segunda-feira, em meio a protestos registrados em toda a Faixa de Gaza durante a chamada "Grande Marcha de Retorno".
 Manifestantes palestinos protestam contra as forças israelenses na fronteira da Faixa de Gaza e dos territórios ocupados, em 14 de maio de 2018.
Wasel Abu Yusef, um membro do comitê executivo da OLP, chamado na segunda-feira os palestinos a fazer uma "greve geral" na Cisjordânia e ocupada Faixa de Gaza para "lamentar a martírio" de vítimas palestinas da repressão violenta de Forças israelenses em Gaza.  
Em um dia sangrento, as forças de guerra em Israel mataram segunda-feira dezenas de palestinos e feriu milhares  durante as manifestações em massa contra a abertura da embaixada dos Estados Unidos na cidade palestina de Al-Quds (Jerusalém).
Segundo dados oficiais, mais de 106 palestinos foram mortos até agora pelo disparo das forças israelenses desde o início das marchas, em 30 de março, por ocasião do Dia da Terra na Palestina. Desde então, quase dez mil pessoas ficaram feridas.
  https://www.hispantv.com/noticias

 Israel perpetra "um genocídio" em Gaza

Os palestinos carregam o corpo de um jovem ferido por tiros israelenses na fronteira de Gaza e nos territórios ocupados, em 14 de maio de 2018.

O Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) acusou o governo de Israel de cometer "um massacre horrível" no território de Gaza, onde dezenas de palestinos foram mortos pelo fogo das forças israelenses em protestos na fronteira entre Gaza e os territórios ocupados.
O porta-voz do governo palestino, Yusuf al-Mahmud, exigiu nesta segunda-feira através de uma declaração "uma intervenção internacional imediata para impedir o massacre horrível em Gaza, cometido pelas forças da ocupação israelense".
Em um dia sangrento, as forças de guerra de Israel mataram dezenas de palestinos hoje e feriram milhares no vale da fronteira de Gaza, em meio às marchas maciças contra a abertura da embaixada dos EUA na cidade palestina de Al-Quds (Jerusalém).
Da mesma forma, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Mahmoud Abbas, denunciou os Estados Unidos, com a transferência da embaixada para Al-Quds, apoia e legitima políticas israelenses ilegais e suas medidas, que prejudicam os direitos fundamentais dos palestinos e evidenciam as graves violações do direito internacional.
 
O Ministério da Saúde de Gaza informou que cerca de 12 repórteres ficaram feridos durante os protestos, disseram as fontes.
Na opinião do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, Washington perdeu seu poder de mediar no Oriente Médio ao tomar a decisão de mudar sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Al-Quds. Enquanto isso, o Egito condena o assassinato de palestinos pelo regime israelense.
Também o embaixador da Palestina na Espanha, Musa Amer Odeh, acusou os EUA. para manter políticas destrutivas na região e enfatizou que a decisão de Washington de reconhecer o Al-Quds como capital e movimentar sua embaixada "põe em perigo a estabilidade, a paz e a segurança no mundo".
 https://www.hispantv.com/noticias

Crianças são  alvos militares do Exército sionista!

Mohammed Ayoub, um menino de 15 anos, foi morto em Gaza por um tiro na cabeça lançado por forças israelenses muito próximas à fronteira. Com ele, dezenas de pessoas foram mortas, quatro delas menores de idade, enquanto participavam dos protestos pacíficos exigindo da Faixa de Gaza o direito de retorno dos refugiados da Palestina.

É intolerável, todos os mortos são vítimas de uma repressão violenta e injustificada. Não podemos permitir que milhares de manifestantes pacíficos continuem a receber tiros injustificados, não podemos permitir que crianças inocentes morram desta maneira. As crianças devem ser protegidas da violência, não expostas a ela. As crianças não podem ser um objetivo militar.

Entre as vítimas, além de um jornalista que cobre as manifestações, quatro crianças já foram mortas. Desde o início dos protestos último 30 de março, além de mortos, milhares de pessoas foram feridas pelo uso injustificado de munição real pelo exército israelense como um meio para dispersar os manifestantes que se aproximavam da fronteira. Mais de cem dos feridos estão em estado grave. Além disso, como consequência do bloqueio de mais de 10 anos, os hospitais da Faixa estão no limite de suas possibilidades de atender a todas as vítimas.

http://www.palestinalibre.org/articulo.php?a=68499 

Irã condena o assassinato de palestinos 'a sangue frio' por Israel

 Um palestino carrega um manifestante ferido durante protestos na Faixa de Gaza, reprimido pelas forças israelenses, 14 de maio de 2018.

 O ministro do Exterior do Irã, Mohammad Javad Zarif, denunciou o massacre 'a sangue frio' dos palestinos pelo regime israelense na Faixa de Gaza, onde a Segunda intensificou a repressão de protestos antes da abertura formal da embaixada Americano em Al-Quds (Jerusalém).

Através de sua conta no Twitter, Zarif criticou a brutalidade das forças israelenses contra os milhares de palestinos que se tornaram manifesto "na maior prisão a céu aberto no mundo", referindo-se à Faixa de Gaza, que vive de 2007 submetido a um bloqueio de ferro pelo regime de Tel Aviv.
"O regime israelense massacra muitos palestinos a sangue frio enquanto eles protestam na maior prisão ao ar livre do mundo. Enquanto isso, (o presidente dos EUA, Donald) Trump celebra a mudança da embaixada ilegal dos EUA, e seus colaboradores árabes tentam desviar a atenção. Um dia de grande vergonha ", twittou o ministro do Exterior iraniano.
Apesar dos protestos internacionais e marchas em massa na Palestina, o governo dos EUA anunciou oficialmente a abertura  segunda-feira sua embaixada controversa no Al-Quds, previamente declarado pelo governo dos EUA, como a capital do regime Israel.
 
Dezenas de palestinos foram mortos e centenas ficaram feridas segunda-feira pela tiros de soldados israelenses na fronteira entre a Faixa de Gaza e na ocupada durante protestos contra a transferência dos territórios palestinos Embaixada dos EUA.

 https://www.hispantv.com/noticias/politica/377062/zarif-masacre-palestinos-israel-gaza-eeuu-jerusalen


sexta-feira, 11 de maio de 2018

PALESTINA EM DEBATE - AN-NAKBA : 70 ANOS DE RESISTÊNCIA CONTRA A OCUPAÇÃO SIONISTA


Em 2018 completam-se 70 anos da criação do Estado de Israel, evento conhecido entre os palestinos como “a tragédia”, “a catástrofe” (an-nakba– النكبة). Em um ano de manifestações e confrontos violentos que já causaram a morte de dezenas de palestinos, o Setor de Estudos Árabes da Faculdade de Letras - UFRJ, convida todos para o evento “An-Nakba: 70 Anos de Resistência Palestina”, a fim de debater e refletir sobre essa data que deixou marcas tão profundas nos palestinos e em todo o Oriente Médio.

 

 

QUARTA-FEIRA  16 DE MAIO

 Programação - Auditório G2

 

  • A PALESTINA EM DEBATE - 9H30

Debatedores confirmados:
Adel Bakkour - Sírio, graduando em Relações Internacionais pela UFRJ, professor de árabe na ONG Abraço Cultural
Maristela dos Santos Pinheiro - Cientista social pela UFRJ e mestre em História pela UFF, coordenadora do Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino - RJ
Ramez Maalouf - Doutor em Geografia Humana pela USP e especialista em História das Relações Internacionais pela UERJ

 

  • LITERATURA DE COMBATE - 13H 

A resistência na poesia de Fadwa Tuqan e de Mahmoud Darwish 

Alunos de graduação em Letras: Português - Árabe da UFRJ

 

  • A PALESTINA NO CINEMA: DISCUTINDO O DIREITO DE RETORNO - 14H 

Exibição do filme “O sal desse mar” (2008), de Annemarie Jacir 

Debatedora: Celia Daniele Moreira - Mestre e doutoranda em História pela UFRJ e ex-professora do Setor de Estudos Árabes da Faculdade de Letras - UFRJ 


Comissão Organizadora: Debora Ramalho, Isabela Alves e Letícia Fretheim, alunas de graduação em Letras: Português - Árabe 




quarta-feira, 9 de maio de 2018

Said Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah: "Israel entrou em confronto direto com o Irã"

 
 
Transcrição [ao ing., aqui retraduzida]


[...] Hoje toda a região atravessa situação preocupante. Preocupação é uma coisa, medo é outra. Falei de situação preocupante. Por quê? Porque muitos líderes, governos, analistas, personalidades e o povo em geral, mesmo o pessoal em casa, gente comum que talvez nem dê muita importância à política, acompanha hoje os acontecimentos (com preocupação), pensando no rumo que as coisas tomarão, no que acontecerá, por causa de alguns eventos que aconteceram na Síria.

Semana passada aconteceram duas coisas, depois das quais e desde então a situação permanece tensa.

Primeiro, foi a clara, escandalosa agressão da entidade sionista contra a base T4 ou o aeroporto nos arredores de Homs, que vitimou forças dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã que lá estavam, e que foram atacados com grande número de mísseis, o que fez sete mártires, oficiais e soldados, e feriu vários outros. É evento novo, significativo e importante. É possível que alguns não estejam prestando atenção à importância e magnitude do que aconteceu.

Nessa operação, Israel matou deliberadamente soldados iranianos. É evento sem precedentes. No passado Israel já nos atacou [o Hezbollah], por exemplo em Quneitra, e aconteceu que havia lá oficiais dos Guardiões da Revolução Islâmica. Israel apressou-se a declarar, daquela vez, que não sabia da presença dos soldados iranianos, que pensara que ali só haveria soldados do Hezbollah. 

Há sete anos aconteceu ataque semelhante, com Israel tendo abertamente atacado os Guardiões da Revolução Islâmica na Síria, em operação que deixou mártires e feridos. O ataque dessa vez não tem precedentes próximos.

Claro, cabe aos oficiais do Irã decidir o que farão [em retaliação], e eles anunciarão o que farão. Não me cabe falar por eles nem em nome deles. Mas o Hezbollah estamos presentes na região e preocupados com o que acontece lá. Assim sendo, quero dizer algo a Israel: [quero que eles saibam] que vocês aqui sabem vem com clareza por entre esses ataques acintosos.

Infelizmente, vejam a extensão da loucura em que a entidade sionista está mergulhada: o ministro da Guerra de Israel Liberman declarou que não sabe quem atacou a base T-4. Pois no Líbano nós sabemos, os EUA anunciaram que Israel é autora do ataque. Rússia também anunciou que Israel atacou. E o ministro israelense diz que não sabe de onde vieram os ataques!

Quero dizer aos israelenses que eles têm de saber que – escrevi linha a linha essa declaração, e quero ler para eles: – "Vocês têm de saber que cometeram um erro histórico. Não foi simples tolice. Cometeram ato de alta estupidez, e por essa agressão entraram em confronto direto com o Irã, com a República Islâmica do Irã. E o Irã, ah, sionistas...

O Irã não é país qualquer, não é país fraco nem é país covarde. E vocês sabem bem disso, em Israel."

Como comentário ao incidente, digo que esse ataque é um ponto de virada na situação da região. O que virá depois será muito diferente do que havia antes. Esse não é incidente que se possa considerar superficialmente, diferente de muitos incidentes que acontecem por aqui. Chegamos a um ponto de virada. E um ponto histórico de virada.

Claro que, para cometerem tal estupidez, os israelenses tinham alguma ideia da situação, de algum modo avaliaram o que viam. Pois digo a eles que avaliaram mal. E o erro terá consequências para o futuro, porque eles abriram uma nova trilha no confronto. Quem avalia deve sempre tomar cuidado para não errar demais, na avaliação. 

Nessa nova trilha que a entidade sionista acaba de abrir e inaugurar, é importante não errar demais, quando se está cara a cara, quando alguém abriu luta diretamente contra a República Islâmica do Irã. Ponto final. É o que queria dizer bem claramente nessa declaração. [Público canta: A teu serviço, oh Nasrallah!]

Obrigado, irmãos. Devemos naturalmente registrar aqui um testemunho, para crédito do Irã, um testemunho que está escrito em sangue, e esse testemunho diz: Israel conta que não poderia tolerar a presença do Irã na Síria, porque o Irã estaria metendo uma corda no pescoço de Israel, que seria ameaça estratégica e existencial a Israel, etc., etc. 

Aquele pequeno número... porque evidentemente não há muitos iranianos na Síria. E um pequeno número de iranianos na Síria já bastam para que Israel sinta-se existencialmente ameaçada?.... 

Mas e quanto às dezenas de milhares de combatentes (mercenários) de organizações armadas em Quneitra, Deraa e na fronteira com o Golan sírio ocupado, dezenas de milhares de mercenários da Frente Al-Nusra, do Estado Islâmico, de outros tantos pseudônimos de organização islamistas, que são muitos, em grandes números e portam as armas mais variadas, mísseis, Katyushas, armas antitanques e armas 'inteligentes'... E nada disso preocupa Israel?! Nem pensam?! Essa gente não é ameaça estratégica?! Israel não os vê como perigo, nem pensa sobre a existência deles?! Não! Até trabalha com eles! Até os apoia! Até cura os terroristas feridos, até lhes fornece informações, até os ajuda em combate, protegendo-os com os próprios aviões da entidade sionista!

E então? E quanto a isso? E quanto a aquela gente que Israel chama (pomposamente e mentirosamente) de "Revolução Síria", etc., etc., etc.

Para Israel, são amigos, aliados. E apesar de serem milhares, contra aquele pequeno número de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã que estão na Síria, com meios modestos... E esses poucos é que ameaçam a entidade sionista?! Esses são a "ameaça estratégica"?!

Aí está uma prova a favor dos iranianos. Porque comprova a verdade do que fazem e dizem e comprova que são inimigos, e mostra claramente a verdade da inimizade, e revela claramente quem é o amigo e quem é o inimigo de Israel; quem defende a causa palestina e combate contra a entidade sionista e o projeto dessa entidade sionista. E quem é o aliado que trabalha seja abertamente seja por trás do palco a favor da entidade e do projeto sionista. [...] (Fim do excerto).
 
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
3/4/2018, Beirute [Preparação para eleições legislativas no Líbano, dia 6/5/2018] Vídeo [leg. ing., 7"], excerto, trans. e trad. ao inglês por SayedHasan e em Unz Review
 
Postado:http://blogdoalok.blogspot.com.br/2018/05/said-hassan-nasrallah-secretario-geral.html#more

Infrastruturas e vidas destruídas são os feitos da Coligação contra o Daech

por Bachar al-Jaafari [*]

 Cartoon de Latuff.

Senhor Presidente: 

Aristóteles teria dito: "Querer provar coisas que são claras por si mesmas é iluminar o dia com uma lamparina"... 
É um pensamento que me transporta a alguns dos meus colegas presentes nesta sala, os quais comportam-se como se, com o microscópio na mão, procurassem sob as suas objectivas alguns grãos de verdade aqui ou ali, fazendo cara de ignorar o enorme elefante [feito de mentiras e de enganos] que deveria simbolizar esta sessão assim como as anteriores. 

Um enorme elefante que corresponde, evidentemente, à tripla agressão do meu país por Estados Membros permanentes deste Conselho e à ocupação de um terço do seu território por estes três Estados agressores por outros, ocupações acerca das quais retornarei ulteriormente. 

Minha colega representando a delegada permanente dos Estados Unidos declarou orgulhosamente que as forças do seu país haviam retirado 3000 engenhos explosivos em Raqqa. Não teria valido mais que as forças do seu país – as quais ocupavam e ocupam sempre esta cidade – exigissem a entrega do mapa indicando a colocação de mais de 10 mil destes engenhos quando elas protegeram a saída de 4000 elementos terroristas do Daech antes de os reposicionar sobre toda uma região que vai do norte de Deir ez-Zor até Al-Chaddadi? Não teria valido mais que as forças do seu exigissem isso em lugar de se vangloriarem, um ano e meio depois de terem retirado o Daech de Raqqa, de terem conseguido desembaraçar-se de 3000 engenhos explosivos? 

Também gostaria de começar por me dirigir sucintamente ao colega representando o delegado permanente da Suécia, o qual mencionou meu país 16 vezes instando o governo sírio a responder a esta ou aquela pergunta, sem jamais exigir que os Estados Unidos pusessem fim à sua ocupação de uma parte do nosso território; sem jamais exigir que a Turquia e Israel façam o mesmo; sem jamais pedir a condenação da tripla agressão ao meu país neste 14 de Abril; sem jamais pronunciar uma única palavra a propósito do terrorismo que devasta nosso solo sob os auspícios dos Estados, que acabo de citar, e das empresas do gás e do petróleo na nossa região. Quantos pontos omitidos nas vossas propostas, meu caro colega! 

Quanto ao nosso colega francês, ele deu muitas informações aparentemente obtidas junto à organização de invenção francesa, "Médicos sem fronteiras ", a qual é comparável àquelas dos "Capacetes brancos", salvo que esta última é uma invenção dos Serviços de informação britânicos. 

De facto, a organização "Médicos sem fronteiras" está presente em Raqqa sem autorização do governo sírio, assim como a organização Daech. Médicos sem fronteiras que entraram na Síria, à maneira dos traficantes sem fronteiras, criminosos sem fronteiras, opositores sem fronteiras na moda de hoje, agentes sem fronteiras, de uma agressão fronteiras, do terrorismo sem fronteiras; o importante sendo que a ingerência nos assuntos sírios seja "sem fronteiras" para plena satisfação do delegado francês e dos outros. 

Senhor Presidente, 

Em resposta às difamações, às mentiras e à hipocrisia dos comunicados de certos delegados a propósito da missão de inquérito a Douma, gostaria de partilhar convosco certas informações. Naturalmente, elas poderiam a sede da delegada britânica que vos instou a fornecer-lhe o relatório desta missão no prazo de 24 horas. Eu me empenho, pois é inútil fazê-la esperar. 
  • Eu vos havia anteriormente informado que o governo sírio facilitou todos os procedimentos necessários para a chegada da missão de inquérito na Síria. Hoje mesmo, o grupo onusiano entrou em Douma às 15 horas de Damasco, portanto às 8 horas de Nova York, a fim de avaliar a situação securitária no terreno e começar seu a partir de amanhã se o considerar satisfatório. Por outras palavras, a decisão de investigar Douma depende unicamente da equipe da ONU e da OIAC, tendo o governo sírio feito o necessário para lhes facilitar a tarefa. 
  • Além disso, desde ontem, ou seja, desde a sua chegada a Damasco, a equipe pôde ouvir algumas testemunhas do presumido ataque [químico em Douma]; o que significa que ela já começou a trabalhar e que todos os rumores e todas as mentiras que ouviram não visam senão desfigurar sua missão e encobrir a agressão à Síria.
Senhor Presidente, 

Esta reunião realiza-se no dia da Festa nacional síria, a Festa da Independência, na sequência da expulsão do colonialismo francês em 17 de Abril de 1946 e lamentamos ter de dizer que alguns Estados – inclusive a França e aqueles que lançaram sua agressão covarde à Síria em 14 de Abril último – ainda não compreenderam que a vontade de liberdade e de independência doravante está solidamente ancorada entre todos os povos e que as épocas da sua dominação hegemónica fazem parte de um passado longínquo. 

As tentativas de andar para trás não terão êxito, qualquer que seja o porte dos seus navios de guerra, dos seus aviões e dos seus mísseis "belos, novos e inteligentes", qualquer que seja a gravidade das suas ameaças ou a extensão do seu apoio ao terrorismo e aos grupos armados, sob não importa qual pretexto. Os povos de todo o planeta estão fartos das suas violações do Direito internacional sem jamais terem de prestar contas a quem quer que seja. 

A delegação do meu país agradece à delegação da Federação da Russa por ter convocado esta reunião a fim de discutir a situação em Raqqa, esta cidade mártir completamente destruída pelas forças americanas e sua pretensa coligação de luta contra o terrorismo. 

Aqui, não pretendo informar os membros deste Conselho acerca da situação catastrófica desta cidade a partir de uma avaliação da República Árabe Síria, mas sim das conclusões da missão de avaliação das Nações Unidas de que o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros e dos Emigrados recebeu cópia oficial, dia 4 de Abril último, através do Coordenador das Nações Unidas residente em Damasco. Cito: "A cidade de Raqqa enfrenta uma situação crítica necessitando da sua reconstrução total assim como a reestruturação da administração e do conjunto dos serviços públicos a partir do zero". Fim de citação. 

Esta é a avaliação das Nações Unidas, não aquela de "Médicos sem fronteiras" ou de palhaços sem fronteiras! 

Quanto à vastidão das destruições, refiro-me aqui a algumas conclusões da equipe da ONU que foi a Raqqa: 
  • Todos os edifícios estão total ou parcialmente destruídos; dito de outra forma, Raqqa não está destruída em 70 ou 80%, mas em 100%. 
  • A população estimada em cerca de 300 mil habitantes antes da crise não conta mais do que 7000 desde o fim dos ataques da dita Coligação; o que significa que eles removeram 4000 daeschistas mais também fizeram sair os seus 300 mil residentes. 
  • Não há mais nenhum serviço público ou de primeira necessidade: nada de água, nada de electricidade, nada de cobertura de telefone móvel. 
  • Todos os hospitais e dispensários estão destruídos. Não há actualmente nenhum hospital operacional na cidade, abstracção feita dos ditos "Médicos sem fronteiras"!
O que se passou em Raqqa é um exemplo dos crimes entre outros crimes cometidos pela pretensa Coligação internacional conduzida pelos Estados Unidos contra o Daech. 

Uma coligação que jamais teve como finalidade a luta contra o terrorismo, mas sim o objectivo de minar a soberania, a unidade e a integridade territorial do meu país, de tentar enfraquecer as Forças do Exército Árabe Sírio e dos seus aliados face aos grupos terroristas. 

Uma coligação cujos únicos feitos verdadeiros consistiram em ceifar a vida a milhares de civis inocentes com as mais terríveis armas, inclusive armas incendiárias, e em destruir as infraestruturas sírias, inclusive barragens, pontes, hospitais, escolas, instituições e instalações visando o desenvolvimento do povo sírio e dos seus recursos indispensáveis à reconstrução do país, a começar pelos poços e as instalações petro-gasistas, assim como o pessoal encarregado da sua manutenção. 

Aqui, contentar-me-ia em recordar alguns exemplos de massacres de civis, tais como aqueles cometidos em Al-Mayadeen e Al-Boukamal, meados de Maio de 2017; em Al-Sour assim como nas duas aldeias de Al-Dablane e Zibane próximas de Deir-Zor, fim de Junho de 2017; na região de Tal al-Chayer, em 19 de Junho de 2017; na aldeia de Al-Zayanate, em 4 juillet 2017; na aldeia de Al-Kachkach ao sul de Hassaké, em 12 de Julho de 2017; nas aldeias de Al-Chaf'a e Zahret Alouni, em 25 de Fevereiro de 2018; e na aldeia de Al-Bahra, em 20 de Fevereiro de 2018. 

Sempre para exemplo, a melhor prova de que o objectivo desta coligação ilegítima nunca foi combater o terrorismo, mas sim obstaculizar o Exército Árabe Sírio e seus aliados na sua guerra ininterrupta contra a organização terrorista Daech, está no ataque aéreo efectuado contra o Exército Árabe Sírio no Mont al-Tharda em Deir ez-Zor, em 17 de Setembro de 2016. Devem-se lembrar todos do que se passou neste dia. 

O que se passou é que os aviões americanos da dita coligação tentavam garantir uma passagem segura aos elementos do Daech entre os territórios sírio e iraquiano; tal como foi o caso aquando do ataque de 8 de Fevereiro de 2018 que matou dezenas de combatentes entre as Forças populares supletivas do Exército Sírio, em plena batalha contra o Daech na margem leste do Eufrates. 

A referida coligação não somente atacou as Forças do Exército Árabe Sírio como também apoiou e protegeu os remanescentes da organização terrorista Daech permitindo-lhes sair, com toda a segurança, de Raqqa e de Deir ez-Zor, a maior parte deles sendo terroristas vindos do estrangeiro. Ao assim fazer, ela lhes permitiu voltarem a atacar o Exército Árabe Sírio e seus aliados em Deir ez-Zor. 

Foi assim que os Estados Unidos salvaram os remanescentes do Daech do seu destino inevitável frente ao Exército Árabe Sírio e seus aliados, a fim de que eles possam a continuar a semear o terror ao longo da faixa fronteiriça sírio-iraquiana. E os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha coroaram tudo isso com a sua tripla agressão na madrugada deste sábado 14 de Abril, com a participação da Arábia Saudita, do Qatar e de Israel para se vingarem do Exército Sírio, na sequência da derrota dos braços armados terroristas dos seus governos respectivos em Ghouta oriental. 

Senhor Presidente, 

Discutir as condições humanitárias trágicas provocadas por esta coligação ilegítima em Raqqa leva a discutir o que se passa no "capo de Al-Roukbane". Nesta altura, afirmo que o governo sírio havia aceite encaminhar para ali a ajuda humanitária em cooperação com a Cruz Vermelha internacional e o Crescente Vermelho árabe sírio, mas as forças americanas presentes neste campo impediram-no e colocaram-lhe condições impossíveis de satisfazer. 

Os Estados Unidos são responsáveis pela situação catastrófica neste campo e afirmamos que a principal razão do seu posicionamento é explorar militarmente, para aproveitar os remanescentes do Daech e de outras organizações terroristas tendo em vista suas futuras batalhas contra a Síria, o Iraque, a Líbia e outros países da região e do mundo. 

Para terminar, Senhor Presidente, 

Torno a falar do elefante do princípio da minha intervenção: o cenário político sírio é claro e não precisa nem projectos de resoluções, nem novos mecanismos, nem reuniões quase diárias a diversos títulos, mas precisa sobretudo que o Conselho de Segurança cumpra seu mandato conforme as disposições da sua Carta opondo-se às ocupações americana, turca e israelense do nosso território, assim como aos Estados que sustentam o terrorismo e impõem medidas coercitivas unilaterais ao povo sírio, a fim de que milhões de sírios não se tornem refugiados e deslocados, como disseram certos colegas. 

Com efeito, este conselho não pode enfrentar a vontade dos governos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França de fazer desta organização uma organização das Nações Desunidas ou Nações unidas pela violação das disposições da sua Carta, com a invasão de países, a ingerência nos seus assuntos internos, as tentativas de mudança dos seus regimes pela força, as agressões repetidas, a destruição dos povos e das suas civilizações. 

Queira desculpar-me se foi longo, Senhor Presidente. 

Agradeço-vos

[*] Delegado permanente da Síria junto às Nações Unidas. Intervenção diante do Conselho de Segurança reunido em 17 de Abril de 2018 a fim de examinar a situação humanitária em Raqqa e no Campo de Al-Fourkane ocupados pelos Estados Unidos. 

Ver também:
  • Nouvelle passe d'armes au Conseil de sécurité entre la Fédération de Russie et les pays occidentaux à propos de la situation humanitaire en Syrie 

    O original encontra-se em The Syrian Mission to the United Nations 
    e a versão em francês em www.legrandsoir.info/... 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .