quarta-feira, 8 de junho de 2016

A declaração final do G7 - (2° parte)

Por Thierry Meyssan
3 de junho de 2016
Aqui, eu vou limitar-me a estudar as passagens da Declaração relativas à política internacional vista por estas 9 pessoas, que aspiram a ser as mais poderosas do mundo [1]. É um catálogo das atuais 18 principais mentiras ocidentais. Ela fornece uma ocasião para passar em revista os principais pontos de conflito.
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Os 9 membros do G7.
 
- A «luta contra o terrorismo e o extremismo violento» [2]
Agora, é um dado infelizmente adquirido nas Cúpulas internacionais, o terrorismo. Que, diz-se aí, seria o fruto do extremismo violento. Supostamente tratar-se-ia, apenas, do amadurecimento de problemas psicológicos pessoais nos contextos políticos não-resolvidos. O terrorismo não seria, portanto, uma estratégia militar, nenhum Estado o estaria implementando e seria exclusivamente financiado por donativos privados e tráficos diversos. É a teoria defendida, desde Dezembro de 2015, pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, acabado de se juntar ao G7 para dar aí a ilusão de um consenso mundial [3] : o único inimigo, é a «radicalização». Uma formulação que permite aos que organizam o terrorismo combater qualquer forma de oposição, sob o pretexto de prevenir o terrorismo.
Tal como o fomos explanando no decorrer das nossas colunas, desde 2001, pelo menos 8 dos 9 membros do G7 estão diretamente implicados no apoio à Al-Qaida e ao Daesh(E.I.), no Iraque, na Síria e na Líbia. Só o Canadá, de Justin Trudeau, parece não participar mais nesta guerra secreta.
- «As migrações e a crise dos refugiados» (e, não a crise dos refugiados e dos migrantes).
Deve notar-se a distinção semântica entre o fluxo de migrações e a crise de pessoas refugiadas. Os migrantes optam por deslocar-se. Eles são considerados como um fluxo, não como pessoas, ao contrário dos refugiados que são forçados à mudança e têm direito a uma proteção internacional.
Ora, há na realidade muito poucos refugiados reais. A grande maioria dos Sírios que fugiram do seu país recusou defendê-lo, face aos jihadistas, porque estava persuadida que a República ia ser derrubada pela OTAN. Outros fugiram dos combates esperando regressar após a vitória dos jihadistas e a construção de um verdadeiro Estado islâmico. Mas, o Direito Internacional não reconhece a qualidade de Refugiados àqueles que se negam a pegar em armas para defender a sua pátria, atacada a partir do estrangeiro, nem aos que esperam por uma vitória sem ter que lutar por ela.
Não há duvida que o fenômeno da fuga dos Sírios foi encorajado pelos Estados que atacam o país, e esperavam, assim, vencê-lo esvaziando-o dos seus habitantes. Ora, todos os membros do G7 participaram deste plano.
- A Síria
O G7 condena, com a maior firmeza, as violações da cessação das hostilidades pelo «regime sírio». Certo, mas não diz uma palavra nem sobre as violações cometidas, anteriormente, pelos grupos armados, nem — e isso é que é importante — sobre as violações que o próprio G7cometeu primeiro. Refiro me, por exemplo, a entrega de 2.000 toneladas de armas e munições pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, tal como o atesta a revista Jane’s. Armas e munições das quais pelo menos metade foram entregues à Al-Qaida e ao Daesh (E.I.), que o G7 alegava combater algumas linhas acima [4].
O G7 condena, igualmente, «o regime» (expressão pejorativa para designar um Estado-membro da ONU, quando se quer destacar  que o objetivo da guerra do G7 é impor uma «mudança do regime») por ter bloqueado o acesso humanitário internacional. No entanto, os casos citados pela ONU correspondem a próprias falhas das Nações Unidas, ela própria, que não garantiu as datas ou rotas previamente acordadas com o governo sírio.  Por outro lado,  o G7 não condena os grupos armados por terem bloqueado o acesso a vários localidades, anunciando, aliás, que usará como pretexto o que abusivamente reprova ao «regime» para autorizar o Programa Alimentar Mundial (PAM) a lançar de paraquedas ajuda às áreas jihadistas. Ora, não tendo o PAM meios-próprios para este tipo de operação, delega  à Força Aérea dos EUA esta operação... que não se limita ao lançamento de víveres e medicamentos mas inclui  armas e munições. Só na aparência este tipo de operação é humanitário, já que os víveres e medicamentos lançados de paraquedas nas zonas jihadistas serão imediatamente confiscados pelos grupos armados, que os revenderão a preço de ouro às populações sob seu controle, ou os exportarão para a Turquia, como se constatou recentemente.
Finalmente, o G7 evoca a questão das armas químicas, sem apontar nenhum dos lados ; sinalizando  que poderá sempre utilizar esta acusação contra qualquer ator, aí incluídos os grupos armados e a Turquia. Trata-se de um meio de chantagem sobre o imprevisível governo Erdoğan.
- O Iraque
O G7 apoia «a unidade, a soberania e a integridade territorial» do país. Ele felicita o governo iraquiano pela sua luta contra o Daesh (EI) e anuncia que apoia, desde logo, os esforços de Bagda  para vir em socorro das populações das zonas libertadas. No entanto, visto que não congratulou igualmente o «regime» sírio pelas suas vitórias contra o Daesh, conclui-se que — contrariamente às resoluções do Conselho de Segurança da ONU — o seu objetivo principal não é a luta contra o terrorismo.
Os membros do G7 anunciam despender, atualmente, mais de US $ 3,6 mil milhões (bilhões-br) de dólares para ajudar as autoridades iraquianas, aí incluindo os curdos. Ao fazê-lo, contradiz o que afirmava algumas linhas mais acima: com efeito, ele alega apoiar a unidade do país, mas entrega armas, diretamente, a uma província (o Curdistão-ndT) que incentiva a não mais obedecer ao poder central.
- Irão
Com à vontade, o G7 congratulou-se pelo acordo 5+1 concluído há um ano com o Irão. Ora, este previa o levantamento das sanções norte-americanas, europeias e internacionais, que teria permitido ao Irã dispor novamente de US $ 150 mil milhões (bilhões-br) de dólares bloqueados, um pouco por todo o lado, no mundo inteiro. No entanto, se pequenos países desbloquearam, realmente, os fundos que tinham sido forçados a congelar — por exemplo, a Suíça em 12 milhões de dólares —, o Irão ainda não viu a cor do mínimo cêntimo bloqueado nos Estados Unidos ou na União Europeia. Pior, enquanto oficialmente Washington fazia menção de desbloquear US $ 450 milhões de dólares estes foram, imediatamente, colocados sob sequestro por um juiz norte-americano, «independente», sob o pretexto indenizar as vítimas dos atentados do 11-de-Setembro, pelos quais jamais os Estados Unidos haviam acusado o Irão durante os 15 últimos anos. A tomada de posição dos 9 membros do G7 surge, aqui, como resposta à reclamação apresentada pelo Irão no Conselho de Segurança, com o apoio do Movimento dos Estados Não-alinhados [5].
O G7 prosseguiu condenando as pesquisas iranianas em matéria de mísseis, que infringiriam a resolução 2231. Ora, esta Resolução não aborda esta questão. Durante o debate no Conselho de Segurança, a embaixatriz Samantha Power tinha, aliás, lembrado que o Irão deveria não só respeitar a Resolução, mas, também, aplicar outras regras internacionais em matéria de mísseis balísticos [6]. Ora, os Estados Unidos sabem que não podem ligar a questão dos mísseis balísticos à do nuclear, aliás, após o acordo 5+1 eles não apresentaram qualquer queixa contra o Irão.
- República popular democrática da Coreia
O G7, condena as pesquisas nucleares do que chama a «Coreia do Norte», sublinhando assim que os Estados Unidos estão em guerra com ela desde 1950. De facto, ele pode apoiar-se em várias resoluções do Conselho de Segurança. No entanto, na ausência de um Tratado de Paz, e vista a pressão exercida durante 10 anos contra o Irão — que não tinha programa nuclear militar — compreende-se que Pyongyang não tenha cedido.
- «Ucrânia/Rússia»
O G7 reafirma a obrigação de respeitar «a soberania, a integridade territorial e a independência» da Ucrânia. De seguida, ele condena a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia. É mais um exemplo da hipocrisia Ocidental. Já que foram os membros do G7 quem organizou o golpe de Estado em Kiev, violando assim a soberania e a independência da Ucrânia. Os cidadãos que recusaram o golpe tentaram primeiro resistir. Eles perceberam, rapidamente, que a população se dividia geograficamente entre pró-atlantistas e pró-russos. As zonas pró-russas, a Crimeia, o Donbass e Lugansk proclamaram a sua independência, mas, só a Crimeia reagiu suficientemente rápido para pedir a sua incorporação na Federação da Rússia.
Saliente-se, apenas, uma frase criticando a corrupção do governo Ucraniano; sinal que os membros do G7 estão muito incomodados com o seu novo aliado.
- Líbia
O G7 dá o seu apoio ao governo presidido por Fayez al-Sarraj — única autoridade hoje em dia reconhecida pela ONU — para pacificar o país, permitir a sua exploração petrolífera e lutar contra o Daesh (E.I.).
Não tendo mais um chefe legitimado, o país dividiu-se em tribos. O governo al-Sarraj foi formado pela ONU, durante os Acordos de Skhirat (Abril de 2015). Mas, nunca chegou a ser empossado pela Câmara dos Representantes estabelecida pela OTAN após o assassinato de Muammar el-Qaddafi. Ele não é, pois, mais legítimo que qualquer dos outros, muito embora seja o mais servil. Seja como for, os membros do G7 anunciam apoiar o levantamento do embargo de armas, unicamente em favor desse governo, o que deverá permitir-lhe  massacrar  seus adversários e relançar a guerra civil.
- Afeganistão
Os membros do G7 apoiam todo «processo de paz realizado pelos Afegãos», o que resulta no mínimo  surpreendente  15 anos após a invasão anglo-estadunidense e dos acordos de Bonn impostos pelos vencedores. Eles congratulam-se com a participação do Afeganistão na reunião da OTAN, prevista para Julho próximo em Varsóvia, o que diz muito sobre o tal processo de paz «realizado pelos Afegãos», e sobre a vontade do ocidente de prosseguir o cerco militar da Rússia.
- «Processo de paz no Próximo-Oriente»
Por esta fórmula, o G7 admite que o "conflito" israel-Palestina é, na realidade, um "conflito" israel-árabe. Tendo em conta as más relações com o atual Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o G7 apoia a iniciativa francesa de uma conferência internacional... sem os Israelitas, nem os Palestinos ; único meio, segundo ele, de fazer avançar a «solução de dois Estados».
- Yemen
Avançando com cautela, o G7 afirma que a paz no Yemen passa por retoma do processo de transição política. Esta formulação indireta significa que apoia o G7 apoia o presidente de transição deposto pelos protestos de rua, Abd Rabbo Mansour Hadi, o qual é carregado ao colo pela Arábia Saudita e por Israel.
- África
Enquanto  tratou em detalhe os casos dos Estados anteriormente mencionados, o G7 não se deu ao trabalho de prestar a mesma atenção ao Burkina Faso, ao Burundi, ao Mali,  à Nigéria, à República Centro Africana, à República Democrática do Congo, à Somália e ao Sudão do Sul, bem como a alguns outros Estados  africanos  —  sequer mencionados — como a bacia do Chad, o Shahe, e do  Chifre Africano. São todos despachados num único parágrafo, que lista uma quantidade de problemas, e os convida a reforçar as organizações inter-governamentais para os resolver. O Pentágono ainda não digeriu o facto dos africanos não terem  acolhido de braços abertos a criação da Africanos.
Este parágrafo foi redigido na presença do Presidente Chadiano, Idriss Deby, que havia sido convidado à margem da reunião. A sacrossanta regra norte-americana, segundo a qual nenhum chefe de Estado deve disputar mais de dois mandatos consecutivos, não se aplica a este país. Idriss Deby, no poder de modo contínuo há mais de 25 anos, é acusado de numerosos crimes, no seu país como em Darfur, mas é o melhor aliado para uma intervenção militar no continente negro.
- Venezuela
O G7 deseja ao mesmo tempo um diálogo tanto entre o governo e os cidadãos, como entre o governo e o parlamento. Esta fórmula sugere, habilidosamente, que o governo é um regime autoritário, contestado tanto pelo seu povo como pelos partidos políticos.
Na realidade, tendo Washington falhado em organizar tumultos (a «Guarimba») em 2014 [7], e em realizar um golpe de Estado em Fevereiro de 2015 [8], Washington decretou que a Venezuela é «uma ameaça contra [a sua] segurança nacional» [9], depois fabricou um dossiê para acusar um dos principais líderes bolivarianos, Diosdado Cabello, de ser um traficante de drogas [10]. Apesar das cortesias quando se encontrou com o seu homólogo venezuelano, o Presidente Obama renovou o seu decreto em 2016. A 25 de Fevereiro, o SouthCom (conhecidas na America Latina como "Comando Sul") e as Forças Especiais dos EUA  elaboravam um plano de desestabilização azaradamente vazado para a  imprensa [11]. Seu objectivo é semear o caos como tem sido feito na região do Levante.
- Segurança marítima
O G7, que se apresenta como garantidor da segurança marítima muito embora seus membros tenham organizado  a pirataria no Chifre de África, nos anos 2009-10 [12], critica as reivindicações de Pequim quanto ao mar da China apoiando-se no Direito marítimo, o que não é em absoluto o problema.
As reivindicações de Pequim são historicamente legítimas e não incomodavam ninguém... até a descoberta de jazidas de petróleo. As ilhas Spratly e Paracels foram consideradas como chinesas até o século XVIII. Mas, como eram em grande parte desabitadas nunca o Imperador para lá enviou qualquer representante. Eles foram abandonados durante a colonização da China, no século XIX. De facto, hoje podem, pois, ser reivindicadas tanto por Taipé como por Pequim, dependendo da modo como se interpretar a descolonização. E, evidentemente, as antigas potências coloniais não têm a mesma leitura dos acontecimentos que o povo chinês, que os atirou para fora do seu país.
- Não-proliferação e desarmamento
Quer-se crer que o G7 seja favorável à não-proliferação nuclear e ao desarmamento, uma vez que o seu discurso é sempre pela paz, muito embora a sua prática seja imperialista.
A hipocrisia Ocidental é aqui encarnada por Barack Obama, o qual recebeu o premio Nobel da Paz por ter anunciado a sua intenção de acabar com as armas nucleares, mas que, uma vez no poder, em vez disso modernizou e aumentou o arsenal nuclear dos EUA. Precisamente após a Cimeira, ele viajou para Hiroshima onde pronunciou um discurso. E, claro, não apresentou desculpas –-ele não é responsável pelo que os seus predecessores fizeram---, mas não respondeu à questão da legitimidade dos bombardeamentos atômicos, o que não deixa dúvidas sobre o âmago do seu pensamento.
Além disso, o G7 finge ignorar que, no ano passado, uma Família foi capaz de obter a bomba atômica e já utilizou, pelo menos, duas bombas táticas no Yemen [13]. É portanto um perigo palpável, muito mais grave que o representado pelos testes norte-coreanos. Por outro lado, o facto dos Saud terem adquirido esta tecnologia a título privado e não em nome do seu Estado, a Arábia Saudita, abre uma brecha suplementar no Tratado de Não-proliferação.
- Reforma das Nações Unidas e das operações de paz
Como é suposto, o G7 mostra-se favorável a uma evolução da Organização das Nações Unidas. Aproveitando isto para reafirmar o seu apoio às decisões da Cimeira sobre as Operações de Paz, a que o Presidente Obama presidira nas Nações Unidas.
O problema é que o próprio princípio das operações de manutenção da paz é contrário à Carta da ONU. Durante sua criação, os fundadores tinham previsto missões de observação para verificar a aplicação dos acordos de paz. Elas só eram possíveis e úteis em caso de acordo entre as partes em conflito. Em vez disso, hoje em dia, o Conselho de Segurança impõe a sua solução às partes, ou seja, enfileira com um lado, ou com outro, e implanta uma Força armada para forçar o seu cumprimento. É simplesmente mascarar com o Direito Internacional uma prática colonial.
- Direitos do homem
Este curto parágrafo ilustra perfeitamente o cerne da minha observação: quem se oporia aos Direitos do Homem? Ninguém. No entanto, o texto apresenta o respeito destes Direitos como «uma parceria entre os Estados e as sociedades civis». Ao fazê-lo, ele retoma a definição britânica destes Direitos e a de Emmanuel Kant para a sociedade civil.
Segundo o G7, os Direitos do homem são uma proteção dos indivíduos face à razão de Estado. A qualquer um deve ser permitido poder defender-se contra os abusos que estima sofrer. A «sociedade civil», quer dizer, os atores políticos –- antigamente, os plebeus--- que não participam na vida dos partidos políticos, devem, pois, ter o direito de poder defender os cidadãos contra o Estado. Este patuá é a negação das Revoluções francesa, russa, cubana e iraniana para quem o primeiro Direito do Homem é o de questionar a legitimidade do Poder e não de se proteger dele. Ao fazê-lo, o G7 afirma que a nova classe dirigente internacional não pensa deixar-se derrubar.
- Segurança nuclear
O G7 distingue aqui a segurança das técnicas (prevenção de segurança/safety) da segurança política das instalações (segurança/security). Ele convoca os acionistas das multinacionais em questão a respeitar a Convenção Internacional que rege a sua atividade. E, ele congratula-se pela Cimeira organizada pela Casa Branca sobre a prevenção do roubo de armas nucleares por grupos terroristas.
Ao distinguir a questão de eventuais armas atômicas detidas por terroristas da questão da não-proliferação, o G7 mostra, claramente, que ele não prossegue seriamente nenhum destes dois objetivos. A não-proliferação é, unicamente, a interdição imposta às potências não-nucleares de acederem ao clube das potências nucleares. A Cimeira da Casa Branca foi um pretexto para que o Pentágono possa «ajudar» qualquer Estado e, assim, melhor os controlar.
 

terça-feira, 7 de junho de 2016

O G7, Cúpula da hipocrisia ocidental (1° parte)



PorThierry Meyssan
As reuniões do G7, que eram originalmente simples conversas, totalmente informais, entre líderes ocidentais, criaram o desejo de se transformar em governo mundial, antes de se afundarem e de se tornarem num exercício de comunicação. A cúpula de Ise-Shima passou em revista os principais problemas do mundo definindo, para cada um de entre eles, os elementos de linguagem a empregar.
REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 30 DE MAIO DE 2016 

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A primeira reunião do G5 em Rambouillet (1975).

O G-7 acaba de se reunir em Ise-Shima (Japão). Mas enquanto éramos bombardeados pelas cúpulas anteriores, a atual mal foi coberta pela imprensa internacional. Isto porque esta reunião mudou profundamente de objetivo.
No contexto do primeiro choque petrolífero, em 1974, cinco ministros das Finanças (Alemanha Federal, França, Japão, Reino Unido, EUA) reuniram-se, sem agenda prévia, na biblioteca da Casa Branca, apenas para trocar pontos de vista. Foi o «Library Group».
Baseados neste modelo, os dois únicos sobreviventes deste grupo, Valéry Giscard d’Estaing, que se tornara Presidente da República Francesa, e Helmut Schmidt, que se tornou Chanceler da Alemanha Federal, tomaram a iniciativa de convidar, no ano seguinte (1976 ), para o castelo de Rambouillet, os chefes de Estado e de Governo dos mesmos países mais a Itália, afim de trocar pontos de vista sobre as grandes questões do momento. Na altura, as cúpulas internacionais eram raras e extremamente formais. O G6 contrastava, pela sua ausência de protocolo, o seu carácter simples, descontraído e amigável, numa atmosfera de clube privado. As discussões tinham lugar diretamente em Inglês, sem tradutores. A reunião era anunciada no último momento. Não havia agenda, nem jornalistas.
Em 1977, convidaram também o Primeiro-ministro do Canadá (G7), e a partir de 1978 o presidente da Comissão Europeia. Em 1994, o Presidente russo foi convidado e oficialmente integrado em 1997 (G8). Os Ocidentais estavam, com efeito, convencidos que, após o colapso da URSS, a Rússia estava em vias de se lhes juntar, de modo que eles iam, em conjunto, criar um mundo unipolar e dominá-lo. Foi a época em que se constituiu uma classe dirigente transnacional com uma ambição sem limites. Ela imaginava poder varrer o Direito Internacional, e substituir-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para governar o mundo sem qualquer controle.
Em 2000, o G8 apoiou a proposta de Paul Wolfowitz e do Banco Mundial para anular a dívida dos países mais pobres. Havia, no entanto, uma pequena condição: eles tinham que liberalizar totalmente a sua economia, de modo que as multinacionais as pudessem pilhar sem restrição. Dos 62 países abrangidos, apenas 9 Estados aceitaram este acordo de tolos. A tomada de posição do G8 levantou um movimento anti-globalização em todo o mundo. Aquando da cúpula seguinte, em Génova (2001), a repressão das manifestações provocou um morto. Foi então decidido que, doravante, estas cúpulas se realizariam fora das grandes cidades, sob uma importante proteção policial e militar. Podia-se, aí, urdir o que se desejasse fora de olhares curiosos.
Mas, em 2013, as coisas azedaram : Vladimir Putin estava de regresso ao Kremlin e os Ocidentais acabavam de relançar a guerra contra a Síria, apesar dos compromissos negociados por Kofi Annan e confirmados pelo Comunicado de Genebra. A Cúpula de Lough Erne transformou-se num confronto de 1 contra 7. Era suposto ela tratar da luta contra os paraísos fiscais, (discussão do interesse particular dos EUA. Veja sobre o assunto http://www.elconfidencialdigital.com/dinero/papeles-Panama-protagonizan-Club-Bilderberg_0_2721927808.html . Nota do blog) mas a discussão foi tomada pela viragem ocidental contra a Síria. No ano seguinte (2014) após o golpe de Estado em Kiev, a divisão da Ucrânia e a adesão da Crimeia à Federação da Rússia, a Alemanha constatou que a confiança entre os participantes estava desfeita e que a reunião não podia realizar-se na sua forma habitual. Os Ocidentais decidiram anular, precipitadamente, a sua participação na Cúpula de Sochi e reuniram-se, sem a Rússia, em Haia (Holanda). O G8 menos 1 voltava ao G7.
Há 42 anos, a Cúpula concluía com uma breve declaração, indicando os assuntos econômicos que haviam sido abordados e sublinhando a coesão do bloco Ocidental. Rapidamente, esses comunicados foram alongados a fim de tranquilizar os investidores internacionais que nenhuma decisão se estava tomando nesta reunião secreta. A partir do convite à Rússia, e da chegada de inúmeros jornalistas, juntou-se uma declaração política visando mostrar que o mundo se unificava em torno de Washington. Depois, começou-se a publicar longas dissertações sobre o estado do mundo e a boa vontade dos poderosos em melhorá-lo. Mas, jamais, absolutamente nunca, qualquer decisão foi tomada pelo G8. No máximo, anunciaram-se compromissos que se apressaram a esquecer (como erradicar a fome no mundo), ou promulgaram-se Cartas que se apressaram a violar (sobre as Fontes abertas, por exemplo)
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A partir de 2001, o G8, que se proclama como um governo mundial paralelo às Nações Unidas, torna-se na realidade uma reunião de concertação sem quaisquer desafios. Nesta fotografia, interdita para publicação em vários países, vê-se o presidente Dmitri Medvedev embriagado na cimeira de 2011.

O que se tornou o G7

Dos nove membros oficiais do G7, 2 têm uma dupla voz : os Estados Unidos podem contar com o Presidente da Comissão Europeia, o Luxemburguês, Jean-Claude Juncker, o qual teve de demitir-se das suas funções de Primeiro-ministro depois de ter sido revelada a sua pertença à Gládio (serviço secreto da OTAN). A Alemanha, por sua vez, apoia-se no presidente do Conselho Europeu, o polaco (polonês-br) Donald Tusk, cuja família está ligada desde o início da Guerra Fria à dos Merkel.
Agora, o G7 é uma simples reunião de formatação. Os Estados Unidos e a Alemanha indicam elementos de linguagem que os seus vassalos são instados a adoptar. Milhares de jornalistas assistem a esta grande missa. Em última análise, a Cúpula de Ise-Shima publicou uma longa declaração político-económica e seis documentos anexos que refletem a linguagem das elites dos EUA. Tudo aí é perfeito, na aparência pelo menos, já que uma leitura aprofundada –-como nós iremos constatar---é, pelo contrário, escandalosa.
Na introdução da sua declaração, os membros do G7 sublinham os seus valores comuns, dos quais os quatro principais são : 
- a liberdade
 
- a democracia
 
- o estado de direito 
- o respeito pelos Direitos do homem.
 
Depois, eles afirmam a sua capacidade para garantir
 
- a paz
 
- a segurança
 
- e a prosperidade do mundo.
 
Por fim, eles designam a sua prioridade :
 
- o crescimento econômico global.
Até uma criança compreende sem dificuldade que, ao afirmar, aqui, que a sua prioridade é o crescimento econômico global, estes «importantes personagens» se estão borrifando para os ideais e para os objetivos que proclamam.
(Leia a parte 2 na próxima publicação)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Por que o 11 de Setembro ainda importa ?

Pois na era da obsessão por rapidez que se estende à busca por publicações breves, a manipulação da informação e do imaginário societário é exercida com muito mais facilidade – a bestialidade midiática que produz cidadãos bestas, que retira a consciência, a mínima noção do momento histórico mundial ilhando indivíduos entre as terras da indiferença e do individualismo. Exatamente na era da “informação” global e em tempo real, provavelmente mais dessituados que nunca.
Até, é claro, que a desgraça bata à própria porta. Imposta pelo poder estabelecido e sua mídia de desinformação, a apatia é uma droga letal, mais poderosa arma de destruição em massa de personalidades, de almas até atingir, inevitavelmente, corpos assassinados seja pelas práticas desse mesmo poder estabelecido, ou através das doenças psicossomáticas decorrentes dessa droga, imposta e poderosamente viciante, atingindo ano a ano bilhões de vidas humanas.
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 Edu Montesanti
Ao contrário do senso comum imposto pela mídia serventuária das grandes corporações que a sustentam, atentados de 11/9/2001 mais que nunca importam porque o mundo se torna cada vez mais belicoso, liberdades civis são restringidas enquanto provas tecnocientíficas contradizem versão oficial envolvendo o dia que mudou curso da história, pelo qual milhões de vidas têm sido sacrificadas
O Senado norte-americano pressiona a Casa Branca para que torne público o documento de 28 páginas ainda sob sigilo envolvendo os atentados de 11 de Setembro de 2001, os quais, segundo fontes norte-americanas que tiveram acesso a eles, incriminam o governo saudita por ter desempenhado participação naqueles ataques, através de apoio direto aos suicidas.
Um projeto de lei no Congresso, com raro apoio bipartidário conhecido como Justiça contra Patrocinadores do Terrorismo, visa retirar a Arábia Saudita da imunidade soberana contra ações judiciais decorrentes do 11 de Setembro. Liderada pelo senador Chuck Schumer do Partido Democrata, que poderia condenar o reino saudita responsável por seu papel nos ataques do 11 de Setembro através do financiamento dos sequestradores até o momento em que estes chocaram os aviões contra os edifícios em Nova Iorque e em Washington. Dos 22 co-apoiantes da lei 12 são republicanos, e 10 democratas.
O presidente Barack Obama, por sua vez, manifesta-se frontalmente contrário à liberação do “28 pages”, como o arquivo é comumente chamado nos Estados Unidos. O mandatário norte-americano, cujo regime mostra-se eterno refém dos sauditas e dos sionistas por motivos óbvios, tem tentado obstruir a aprovação da lei no Congresso afirmando que ela abrirá perigosos precedentes dentro dos Estados Unidos: segundo Obama, colocará os norte-americanos em risco legal no exterior, já que tanto o regime de Washington poderia ser julgado por tribunais estrangeiros.
Obama visitou a Arábia Saudita no último dia 20: não foi recebido no aeroporto de Riad pelo rei Salman, autoridade máxima do reino. Este, rompendo o protocolo internacional, esperava pelo presidente norte-americano em seu palácio. Um claro sinal de descontentamento e advertência que já havia sido mandada de maneira bem direta e drástica dias antes.
A Arábia Saudita, maior aliada do regime de Washington no Oriente Médio, ao lado de Israel e maior potência petrolífera regional, ameaçou a Casa Branca: se a lei for aprovada, a Casa de Saud retirará seus ativos de 750 bilhões de dólares nos Estados Unidos em vez de ver os bens congelados por processos judiciais, o que é altamente provável que ocorra caso o Congresso leve adiante o caso.
“É atormentador pensar que nosso governo vai apoiar os sauditas em detrimento dos seus próprios cidadãos”, disse Mindy Kleinberg, cujo esposo morreu no World Trade Center em 11 de setembro de 2001.
A sociedade estadunidense é amplamente favorável à liberação das 28 páginas: segundo recentes pesquisas do instituto Rasmussen Reports, 74% dos mil cidadãos entrevistados querem que o governo as desclassifique.
De maneira organizada nas mais diversas associações, como 9/11 FamiliesArchitects and Engineers for 9/11 TruthPilots for 9/11 Truth,9/11 Truth etc, exercem forte pressão (um tanto isolados) desde os dias subsequentes ao 11/9 para que as inúmeras contradições envolvendo a versão oficial, entre diversas provas técnico-científicas que a invalidam por completo, sejam devidamente levadas à Justiça. E lutam por espaço midiático, a cada ano mais negado que deságua na indiferença societária em geral.
Porões do Poder: Hipervalorização da “Guerra ao Terror”, Aversão a Se Questionar a Causa, o 11/9
Mas por que, de maneira tão contraditória, dá-se hoje considerável valor à “Guerra ao Terror” e já quase nenhuma importância àquilo que levou o mundo a este tenebroso cenário, isto é, o próprio 11 de Setembro que saiu, há muito, das páginas e das telas dos noticiários mundiais? Tão paradoxalmente ao próprio “horror” gerado pelas quedas das Torres Gêmeas, transmitidas em tempo real para todo o planeta – o frenesi foi tão grande naquele dia, que jornalistas da CNN e da BBC “miraculosamente” anteciparam, em uma hora, a queda da Torre Sul: ela não havia vindo abaixo anida… (vídeos do furo profético que o jornalismo messiânico, estadunidense e britânico, nunca explicaram, mais abaixo).
Contudo, seguiu valendo eternamente o “furo” jornalístico e, certamente, mais audiência além da sensação de histeria coletiva e, decorrente disso, a justificativa para que George Bush declarasse unilateralmente guerra contra um Estado que nunca havia atacado o seu e nem lhe apresentava ameaça (Afeganistão), de uma catedral dois dias depois ao lado de um padre, um pastor e um rabino. Contrariando, assim, a Constituição de seu país e todas as leis internacionais.
Propaganda do Terror e Apatia sobre o que Mais Importa
Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, mais graves em solo estadunidense em toda a história, tornaram-se logo um tabu entre as sociedades mundiais. Cada qual com suas especificidades. Por incrível que possa parecer, isso se dá mesmo entre líderes islamitas em diversos pontos do globo, exatamente a comunidade que mais tem sofrido com aquele dia que mudou o curso da humanidade em todos os cantos do planeta, das mais diversas maneiras que se fazem sentir nos mínimos detalhes da vida cotidiana, embora poucos tenham consciência disso.Tal alienação possui remetente bastante certo: os poucos tomadores de decisão global (que foram os maiores beneficiados com o 11 de Setembro) e seus porta-vozes, manjados mas que insistem (sob aceitação generalizada) em pautar bilhões de mentalidades mundo afora, isto é, o oligopólio midiático de desinformação das massas a serviço das grandes corporações sobretudo petrolíferas, farmacêuticas e armamentistas.
Pois são esses mesmos poderes obscuros que manipulam e controlam mentes a ponto de produzir bandeiras falsas, tática milenar que consiste em produzir terror a fim de impor políticas de linha-dura e mais controle social, além de reaquecer economias através, exatamente, das multibilionárias indústrias bélica e farmacêutica e, neste caso particular, servir como pretexto para promover novas invasões e perpetuar a permanência na região mais rica em petróleo do planeta. Criam problemas para vender efêmeras soluções. Simples assim.
Desta maneira, os mesmos que produzem desgraça imputam no imaginário coletivo que se insistir na memória (que leva à acurada investigação e à verdade dos fatos que pode, finalmente, trazer justiça) é desnecessário e até mesmo maléfico, fechando assim cada indivíduo em seus próprios problemas que, não há como fugir disto, são em grande medida natural consequência daquilo que tanto tentam renegar.
A propaganda do terror tem bombardeado o subconsciente coletivo através do “jornalismo” e do cinema, ao estigmatizar islamitas especialmente árabes, inversamente proporcional à atenção às vítimas do 11/9 e da subsequente “Guerra ao Terror”.
Pois na era da obsessão por rapidez que se estende à busca por publicações breves, a manipulação da informação e do imaginário societário é exercida com muito mais facilidade – a bestialidade midiática que produz cidadãos bestas, que retira a consciência, a mínima noção do momento histórico mundial ilhando indivíduos entre as terras da indiferença e do individualismo. Exatamente na era da “informação” global e em tempo real, provavelmente mais dessituados que nunca.
Até, é claro, que a desgraça bata à própria porta. Imposta pelo poder estabelecido e sua mídia de desinformação, a apatia é uma droga letal, mais poderosa arma de destruição em massa de personalidades, de almas até atingir, inevitavelmente, corpos assassinados seja pelas práticas desse mesmo poder estabelecido, ou através das doenças psicossomáticas decorrentes dessa droga, imposta e poderosamente viciante, atingindo ano a ano bilhões de vidas humanas.
O 11/9, Mais que Nunca, Importa a Toda a Humanidade
O 11 de Setembro mais que nunca importa porque nos aeroportos, nas estações de transporte público, até mesmo em instituições de ensino e nos mais diversos estabelecimentos, particulares ou não, aquilo que foi muito mais que um dia qualquer, aceitemos ou não, exerce influência profundamente negativa jamais vista na história.
O infame 11 de Setembro deve estar na pauta do dia político, midiático, econômico e cidadão porque a consequência dessa mudança na rotina e no estado de espírito de cada cidadão em cada parte do globo, é a restrição desmedida às liberdades civis: o mundo tornou-se um lugar muito mais inseguro quase 15 anos depois, sob constante alarme vermelho, em que todo indivíduo pode ser considerado culpado e, por conseguinte, até preso, torturado e assassinado pelas forças de defesa dos Estados nacionais até que seja provada sua inocência (o que geralmente ocorre, mas raramente vira notícia).
O 11 de Setembro deve mais que nunca importar porque sua consequência é a ainda mais infame “Guerra ao Terror”, destruindo economias nacionais e assassinado em diversos países milhões e milhões de cidadãos inocentes das mais diferentes nacionalidades, não apenas através das “bombas inteligentes” das Forças de Coalizão lideradas pelo regime de Washington no Oriente Médio (regime que se livrou temporariamente da crise econômica em 2001, graças à indústria bélica), mas também por policias e exércitos nacionais da Ásia à América, passando por Oceania e Ásia.
O 11 de Setembro importa porque os Estados Unidos aumentam ano a ano gastos militares em detrimento de investimentos sociais (saúde, educação, etc), o que torna o mundo mais perigoso não apenas porque os Estados Unidos possuem a maior economia do mundo, e portanto exerce grande influência global levando outras nações a adotar a mesma política belicista, mas porque Tio Sam comumente sentencia através de todos os escalões de sua política, entre elites locais e fantoches internacionais: “Sem nós, o mundo não pode fazer nada”.
O 11 de Setembro deve ser devidamente levado a sério porque as provas e os familiares das vítimas do 11/9 continuam sem resposta. E por extensão, seguem sem resposta todos os familiares indiretos do 11/9, consequência da “Guerra ao Terror” que já matou milhares de vezes mais que o próprio 11/9.
Se no Brasil ter-se consciência disso tudo (bem longe de ser pouca coisa), especialmente entre os mais “patriotas” (“problemas deles”, “vida deles”, um “raciocínio” desgraçadamente comum) ainda é insuficiente para que se dê o devido valor ao 11 de Setembro como questão envolvendo a vida de cada um de nós, lembre-se que dois brasileiros foram mortos como consequência daqueles atentados: o mineiro Jean Charles de Menezes (27), assassinado pela Scotland Yard em uma estação de metrô de Londres em 2005, confundido com terrorista islamita (fato corriqueiro ao longo destes mais de 14 anos de “Guerra do Bem contra o Mal”), e o brilhante diplomata Sergio Viera de Melo, então na ONU morto em agosto de 2003 em explosão até hoje mal explicada em Bagdá (Viera de Melo opunha-se frontalmente à invasão norte-americana ao Iraque, o que gerou aberto desconforto entre funcionários da administração de Bush).
Não há escape a ninguém por mais confortante que seja às muitas mentalidades a indiferença em relação ao 11/9, e que envolveu todo o mundo na imoral “Guerra ao Terror”, maior mentira e mais letal empreitada belicista da história da humanidade. Para entender o momento histórico da humanidade, e poder encontrar saídas pacíficas, é fundamental que se tenha compreensão do dia que mudou sua história e que a trouxe a um mundo mergulhado em medo e em gastos militares como jamais antes.
Por isso tudo, é desolador ter de reconhecer mas não há como a humanidade fugir do 11 de Setembro: aquele deve ser enfrentado, devidamente investigado, esclarecido e os culpados, punidos. Em nome da paz, da liberdade, da segurança e da autodeterminação dos povos. Do contrário, parafraseando Karl Marx, a trágica história de estratégias de tensão fatalmente continuará se repetindo como temos visto se espalhar. mundo afora.