sexta-feira, 20 de maio de 2016

PALESTINA OCUPADA PELO SIONISMO: O INFERNO DE UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DESUMANO E ASSASSINO

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Dima al-Wawi, de 12 anos, uma criança presa por israel é recebida por sua família em um posto de controle militar palestino depois de sair em liberdade de uma prisão israelense, em 24 de abril. Dima foi detida em fevereiro, após supostamente se aproximar com uma faca na mão, de uma colônia israelense (Foto: Keren Manor ActiveStills).

Cisjordânea - suas cidades transformadas em campo de concentração
Resumen Latinoamericano – Um bebê palestino em seu berço depois de Israel, em 7 de abril, destruir a casa de sua família na comunidade palestina de Khirbet Tana, próximo de Nablus. Em menos de dois meses, Israel demoliu quatro vezes vários edifícios desta comunidade com o pretexto de estarem construídos sem permissão. Israel não concede permissões de edificação aos palestinos residentes em amplas zonas da Cisjordânia (Foto: Ahmad Al-Bazz ActiveStills).
As forças israelenses mataram sessenta palestinos nos três primeiros meses deste ano e mais de 140 nos últimos três meses de 2015. Nestes seis meses, morreram aproximadamente 30 israelenses.
Um irmão e uma irmã grávida assassinados
As forças israelenses mataram uma mulher grávida e mãe de dois filhos e seu irmão de 16 anos em um posto de controle militar na ocupada Cisjordânia, em 27 de abril, e impediram que os serviços médicos de emergência atendessem os irmãos.
Israel afirmou que Maram Salih Hassan Abu Ismail e seu irmão, Ibrahim Salih Hassan Taha, morreram quando tentavam atacar os soldados, porém as testemunhas desmentiram esta versão dos fatos.
A família dos irmãos afirmou que Abu Ismail tinha obtido permissão para passar pelo posto de controle de Qalandiya, nas cercanias de Ramallah, para ir a Jerusalém a uma visita médica e não entendeu as ordens gritadas em hebreu pelos soldados.
Em 1° de maio, Israel revelou que os tiros mortais foram disparados por um guarda de segurança privada, contratado pelo Ministério da Defesa israelense e não pela polícia, como informado inicialmente. “Dado que não foi a polícia que disparou fatalmente” contra os irmãos, informou o jornal de Tel Aviv Haaretz, “o Ministério da Justiça não iniciou nenhuma investigação dos agentes de polícia envolvidos”. Desconhece-se a existência de alguma investigação dos assassinatos.
Em 14 de abril, as forças israelenses mataram Obrahim Baradiya, de 50 anos e residente do campo de refugiados de al-Arroub, próximo da cidade de Hebrom.
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Mulheres palestinas lavam pratos fora de uma caverna utilizada como refúgio no povoado de al-Mufaqarah, ao sul da cidade de Hebrom, em 14 de abril. Al-Mufaqarah é uma das 12 comunidades situadas em uma zona declarada “zona de tiro” pelo exército israelense e a cujos habitantes Israel proíbe edificar (Foto: Wisam Hashlamoun APA).
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Meninos palestinos jogam próximo de um posto de controle militar israelense no caminho para a rua Shuhada, o antigo beco comercial da cidade de Hebrom que Israel fechou há mais de 20 anos, em 15 de abril (Foto: Oren Ziv ActiveStills).
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Vários palestinos observam um edifício que albergava uma casa de câmbio no centro da cidade de Ramallah, depois de sofrer um ataque do exército israelense, em 14 de abril. Um porta-voz do exército israelense declarou à agência de notícias Ma’na, que o exército atacou a casa de câmbio para confiscar “fundos terroristas”. Quando o dono da empresa se negou a abrir cofre, os soldados trataram de explodi-la, o que provocou um incêndio (Foto: Mohammad Alhaj).
Detenções e demolições
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Palestinos inspecionam os escombros de uma casa demolida pelos soldados israelenses no povoado de Qabatiya, próximo da cidade de Jenin, em 4 de abril. Os soldados israelenses arrasaram as habitações pertencentes aos quatro jovens mortos a tiros em fevereiro, durante um ataque armado em Jerusalém, no qual também morreu um agente da Polícia de Fronteiras Israelense (Foto: Nedal Eshtayah APA).
Segundo a OCHA, sigla em inglês para  "Oficina de coordenação dos  assuntos humanitários da ONU"-  no mês de abril, as forças israelenses detiveram dezenas de palestinos em Jerusalém nos protestos relacionados à entrada de israelenses e de grupos de colonos no complexo da mesquita de al-Aqsa, dentro da Cidade Velha [de Jerusalém].
Em toda Cisjordânia as forças israelenses demoliram dezenas de edifícios pertencentes a palestinos, sendo removidos aproximadamente 175 palestinos, incluindo quase cem crianças.
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 palestinos inspecionam a casa de Hussein Abu Ghosh depois de ficar gravemente prejudicada pelo exército israelense no campo de refugiados de Qalandiya, próximo da cidade de Ramallah, em 20 de abril. Abu Ghosh, de 17 anos, foi assassinado com um tiro depois que ele e outro jovem supostamente apunhalaram duas mulheres em uma colônia israelense em janeiro. Segundo a OCHA, sua família de 8 membros, incluindo cinco crianças, foi removida em consequência da demolição de sua casa como represália (Foto: Shadi Hatem APA).
Israel também emitiu 30 ordens de paralisação de obras e de demolição no bairro Silwan, em Jerusalém, o que faz com que mil palestinos que vivem em 90 habitações corram o perigo de ser removidos. Um grupo de colonos trabalha com o governo israelense para apoderar-se de propriedades palestinas na zona e convertê-las em habitações para os colonos e instalações turísticas para um parque religioso.
No entanto, uma casa palestina da zona de Jenin foi convertida em um ponto de observação israelense, o que afetou 25 membros da família, inclusive 19 crianças.
Ao longo do mês, pretensos colonos israelenses golpearam com seus carros três palestinos, dois deles crianças.
A OCHA informou que um palestino ficou gravemente ferido em um dos incidentes. Além disso, um grupo de israelenses atacou e feriu um palestino motorista  de ônibus de 64 anos, próximo da estação central de ônibus em Jerusalém Ocidental.
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Tentando levar fazer a vida normal para as crianças: Uma menina corre em Belém diante do Muro de Israel na Cisjordânia, durante a Maratona Palestina Direito ao Movimento, em 1° de abril (Foto: Oren Ziv ActiveStills).

Gaza sob o fogo
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Soldados israelenses detém um palestino no cruzamento de Beit Einoun, próximo da cidade de Hebrom, em 4 de abril (Foto: Wisam Hashlamoun APA)

Ao longo do mês de abril, os soldados israelenses abriram fogo contra Gaza em inúmeras ocasiões, inclusive contra pescadores, apesar de supostamente Israel ter ampliado a zona na qual se permite pescar na costa de Gaza. As autoridades israelenses também suspenderam a importação de cimento para Gaza pelo setor privado, afirmando que este era desviado para o Hamas, dificultando ainda mais a reconstrução de milhares de casas destruídas durante o ataque de Israel em 2014.
A passagem fronteiriça de Rafah, controlada pelo Egito (o único ponto de entrada e saída para a imensa maioria das 1.800.000 pessoas residentes em Gaza), permaneceu fechada todo o mês. Esta passagem fronteiriça continua fechada desde outubro de 2014, exceto durante os 42 dias em que se abriu parcialmente.
As autoridades de Gaza informaram que mais de 30.000 pessoas, incluídos uns 9.500 casos médicos e 2.700 estudantes, estão registrados e na espera de poder viajar através desta passagem fronteiriça.
Os palestinos do campo de refugiados de Yarmouk, próximo da capital síria, Damasco, sofreram ataques em consequência de um feroz combate entre grupos rivais armados, o que impediu que os milhares de civis que permanecem no campo pudessem conseguir comida e água.
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Os palestinos se manifestam em 11 de abril em solidariedade com Majd Oweida, um engenheiro elétrico detido por Israel em fevereiro, quando tentava viajar para a Cisjordânia com o objetivo de recrutar participantes para um concurso televisivo de talentos. Israel o acusou de trabalhar com o grupo armado Jihad Islâmica interceptando transmissões de drones militares, piratear sinais das câmeras da polícia israelense e recopilar informação sobre voos do aeroporto de Ben Gurion, próximo de Tel Aviv (Foto: Momen Faiz)

A PROVOCAÇÃO LETAL DA COLONIA SIONISTA NA PALESTINA OCUPADA
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Soldados israelenses escoltam vários colonos judeus durante seu percurso pela cidade de Hebrom no dia da Páscoa, em 26 abril (Foto: Wisam Hashlamoun APA).

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 israelenses se manifestam em Tel Aviv, em 19 de abril, em apoio a um soldado condenado por homicídio depois de assistirem ao vídeo, onde o mesmo executa um palestino ferido na cidade de Hebrom, em fins de março (Foto: Oren Ziv ActiveStills).
Fonte original: https://electronicintifada.net/ Rebelión
Tradução para o espanhol: Beatriz Morales Bastos
Fonte:http://www.resumenlatinoamericano.org/2016/05/08/un-mes-en-palestina-ocupada/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pacto tácito entre a dita "oposição moderada", Al Nusra e o Daesh contra Alepo - A peça Síria

ALEPO - A peça Síria
 
Por Higinio Polo*

15.May.16 
«Os EUA querem impedir que o governo de Damasco avance para a fronteira com a Turquia, assestando assim um duro golpe na «oposição moderada» que continua a ser apoiada pelo governo de Obama e, perante os fracassos colhidos com a sua política externa no Médio Oriente, chegou à conclusão que deve negociar-se em Genebra o futuro da Síria.» 
A ofensiva lançada por todos os grupos armados da «oposição» síria contra a cidade de Alepo, parcialmente nas mãos do governo de Damasco, abriu muitas interrogações sobre o futuro das negociações de Genebra e sobre a evolução da guerra. A situação é muito instável, e a «oposição» não tem dúvidas em bombardear a população civil, mesmo que a cidade se converta numa frente de guerra para os cidadãos que se encontram na zona controlada pelo governo como para os que se encontram nos bairros em poder da «oposição», todos eles vítimas de bombardeamentos.
O regime dos EUA e os seus sipaios pretendem evitar que o regime de Damasco recupere Alepo, porta de entrada das armas ocidentais para os terroristas.
John Kerry, que se entrevistou em Genebra com o ministro dos Assuntos Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, e com o seu homólogo jordano, Dzhoda, quer evitar que o governo sírio recupere a totalidade de Alepo, a maior cidade do país, e acredita que a continuidade dos combates poderia agravar a debilidade da «oposição», que retrocedeu nas últimas semanas tanto na frente em Alepo, como na periferia de Damasco, em Latakia, em Palmira e na zona central do país, a caminho de Dei rer-Zor e Raqqa, ambas em poder do Daesh.
No entanto no drama sírio há outros atores relevantes: Arábia, Turquia e Israel (que não desdenha atacar ocasionalmente as forças de Damasco), e nos últimos dias Houve um pacto tácito entre o HNC (o Alto Comité da «oposição moderada», segundo o jargão de Washington), a Frente de al-Nusra (filial síria da al-Qaeda) e o Daesh, que uniram forças para atacar o exército sírio em Alepo. A Turquia e a Arábia apostam no aumento da pressão sobre Damasco e reforçam as forças jihadistas suas aliadas, enquanto os EUA, apesar de manterem a sua rejeição oficial do Daesh, não desdenham contribuir para alcançar o principal objetivo: derrubar Bachar al-Assad e configurar uma nova Síria nas mãos dos seus principais clientes e aliados na zona.
Simultaneamente, aparecem outros sinais preocupantes: Os EUA pediram contribuições económicas aos seus aliados da União Europeia para reforçar os grupos que apoia na Síria, o conjunto de grupos terroristas e armados que denomina de «oposição moderada», e o próprio Obama decidiu, numa descarada violação do direito internacional, aprovar o envio para a Síria de duzentos e cinquenta membros das Operações Espaciais: assassinos profissionais, com uma preparação muito rigorosa para execução de tarefas letais. Além disso, a Noruega (membro da OTAN) decidiu enviar sessenta militares para a Jordânia treinarem a «oposição» armada, o que torna o futuro tão impredizível que um analista tão relevante como Noam Chomsky afirmava recentemente que os EUA poderiam não cumprir o acordo nuclear com o Irão», com as perigosas consequências que isso teria na situação do Médio Oriente: o Irão, que se opõe à Arábia e à Turquia, é uma peça muito relevante no complexo hieroglífico das guerras do Médio Oriente.
A «oposição» síria, que bombardeou um hospital em Alepo, procura a vitória militar a qualquer preço e, ainda que o HNC se tenha retirado das conversações em Genebra, ouve com muita atenção as recomendações de Washington, sabedor de que é conjuntamente com a Arábia [Israel] e a Turquia, um dos seus principais protetores. Adel al-Jubeir mostrou a rejeição da Arábia ao que denomina a «violação das leis humanitárias» por parte do governo de Damasco, apesar de não se interrogar sobre a responsabilidade do seu país na dramática situação síria nem sobre a emergência no Iémen, diretamente ligada aos bombardeamentos da sua aviação sobre a população iemenita.
Além disso al-Jubeir voltou a exigir a saída de Bachar al Assad da presidência síria, sabendo que com isso levanta um impedimento fundamental para a continuação das negociações de Genebra. A Arábia continua a ser um fiel aliado dos EUA, mas isso não exclui que tenha a sua agenda própria e que mantenha algumas divergências com Washington.
A luta desenvolve-se rua a rua, mas a maior parte das vítimas são causadas pelos bombardeamentos feitos pelos terroristas.
Apesar de tudo, o ministro dos Assuntos Exteriores russo, Lavrov, consciente da relevância de que toda a «oposição» (incluindo a Frente al-Nusra e o Daesh, excluídos de Genebra e considerados terroristas pelo próprio governo de Washington) confluíram nesse pacto tácito para atacar Alepo e das suas repercussões sobre as paralisadas negociações de Genebra, assegura que pode criar-se nos próximos dias um centro conjunto russo-estadounidense para avaliara situação em Alepo e assegurar a manutenção da trégua. Pela sua parte, Stefan de Mistura, o mediador da ONU, não exclui o recomeço das conversações de Genebra durante o mês de maio.
Os EUA querem impedir que o governo de Damasco avance para a fronteira com a Turquia, assestando assim um duro golpe na «oposição moderada» que continua a ser apoiada pelo governo de Obama e, perante os fracassos colhidos com a sua política externa no Médio Oriente, chegou à conclusão que deve negociar-se em Genebra o futuro da Síria, ainda que isso não exclua que os seus aliados na região (Arábia, Turquia, Israel e os seus tentáculos nos grupos terroristas) possam impor ao país a continuidade de uma guerra sanguinária que já entrou no seu sexto ano.

* Publicista e historiador espanhol
http://www.odiario.info/?p=4015

segunda-feira, 16 de maio de 2016

15 de MAIO - A NAKBA: MARCA O INICIO DA TRAGÉDIA QUE FOI SUBMETIDO O POVO PALESTINO COM A OCUPAÇÃO SIONISTA EM 1948

Há 68 anos atrás, grupos paramilitares sionistas deram início ao processo de limpeza étnica e  expulsão massiva  dos palestinos de suas terras ancestrais. Mais de  80% foram violentamente expulsos de suas casas e terras, fato que originou o êxodo para fugir da morte . Hoje, cerca de 6 milhões de refugiados palestinos esperam e lutam com  uma determinação inabalável retornar para suas terras, o lugar de seus ancestrais.

 

Al Nakba (catástrofe, tragédia ou desastre em árabe), tem um duplo significado. Por  um lado, se trata de  540 aldeias que  foram violentamente  arrasadas em 1948 e as centenas de milhares de refugiados que foram violentamente expulsos de suas casas e terras. Hoje  os refugiados palestinos totalizando cerca de 6 milhões. Por o outro lado, os palestinos continuam a sofrer diariamente as consequências da Al Nakba.  A limpeza étnica continua, agora de forma mais dissimulada, no entanto  mais metódica e perigosa. Israel dita de forma permanente leis racistas e realiza manobras administrativas com o objetivo de tornar  impossível a vida para os palestinos, separação de famílias, confiscos contínuos (roubos) de terras e construção de assentamentos ilegais e  muros que sufocam e matam os bairros, as aldeias e  cidade palestina.

A expulsão do povo palestino  não foi, como  relata anos de propaganda enganosa israelense  consequência "infeliz" da guerra , nem o genocídio  perpetrado contra o povo palestino foi resultado de atos descontrolados de grupos extremistas. Ao contrário, o esvaziamento da  Palestina de seus históricos habitantes  e as centenas de assassinatos perpetrados correspondem a uma estratégia planificada no âmbito da política sionista traçada desde o princípio do do século passado. A expulsão de 78% da população da Palestina, em 1948, não poderia ser possível sem a existência de  um plano político militar baseado no  genocídio e destruição em massa do povo, suas aldeias bairros e cidades palestinas. Este plano, chamado pelos próprios israelenses de Plano Dalet,  era parte do desejo e da estratégia sionista cujo  objetivo essencial era  a transferência da totalidade da população palestina, ou seja, a expulsão em grande escala de seus habitantes.

Neste dia, 15 de maio, os palestinos recordam  os últimos macabros 68 anos desde o início do Al Nakba. Um  evento histórico que não acabou, que  tem sido longo no  tempo, não é um  momento triste no passado distante  da história que é relembrado, pelo contrário, é o horror diário que seguem  vivendo a cada momento. O NAKBA foi passado e ainda é presente.  A dor da ferida aberta que não cicatriza e que somente a justiça do retorno  de toda a população expulsa pode ser em parte mitigada .
Após sessenta e oito anos do inicio do  Nakba, os palestinos continuam  sendo vítimas da limpeza étnica, dos lançamentos de mísseis, dos  massacres, assassinatos e prisões e toda sorte de injustiças. Os campos de refugiados continuam a existir em todo o mundo e a maioria dos palestinos vivem na diáspora  de modo precário.
Apesar do horror, o povo palestino não se cansa de  lutar e buscar justiça, não se cansa  de manter viva a chama da esperança e da  liberdade.  O Nakba é a memória coletiva que vive em todos e em cada um palestino e é transmitida de  geração em geração  até  a vitória da esperada  justiça e o retorno a terra usurpada pelo sionismo. 
Fonte: Palestina Libre
http://www.resumenlatinoamericano.org/2016/05/15/hoy-15-de-mayo-es-el-dia-mas-negro-de-la-historia-palestina-es-el-aniversario-de-al-nakba/ 
 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vitórias de Moscou na Síria e Ucrânia perturbam Ocidente

Para frear a Rússia, ataque à Armênia




160409-Nagorno

Vitórias de Moscou na Síria e Ucrânia perturbam Ocidente. Ataque ao Karabakh armênio, pelo Azerbaijão, pode ser espécie de vingança, praticada 
por governo aliado à Turquia e EUA
POR 
HUGO ALBUQUERQUE

Dois acontecimentos bombásticos, aparentemente sem ligação, ocorreram há pouco. O primeiro foi a retomada da cidade histórica de Palmira, na Síria, pelo exército local com apoio russo e iraniano, depois de meses de domínio do Estado Islâmico (ISIS); o segundo, é o ataque do Azerbaijão contra a população de Karabakh, um enlcave de maioria armênia situado bem no coração de seu território, acendendo mais uma fogueira no espaço pós-soviético, justo no mês que o genocídio armênio completa 101 anos. O Estado Islâmico e o Azerbaijão nutrem relações no mínimo ambivalentes com a Turquia — e ambos estão, em cada caso, desafiando o interesse russo. Nada é por acaso.
Voltemos a Novembro de 2015. O mundo assistiu atônito à derrubada de um caça russo pela força aérea turca. Foi o pior incidente envolvendo forças russas e um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) desde o fim da Guerra Fria. Na ocasião, a aeronave russa bombardeava posições do ISIS no norte da Síria, mas ao sobrevoar uma área próxima à fronteira turca, acabou surpreendentemente interceptado pela aviação turca.
Os turcos, que também estão na Síria, em tese deveriam estar lá pelo mesmo fim dos russos, ainda que estejam em intervenções distintas. O resultado do incidente foi uma série de declarações fortes dos líderes russos, o reforço do sistema de radares da missão russa na Síria e inúmeras restrições e sanções econômicas.
A hostilidade dos turcos perturbou os observadores menos atentos: se todos estão lutando na Síria contra os terroristas do ISIS, por que atacar a força aérea russa? Ocorre que a simples existência de duas intervenções internacionais distintas — porém simultâneas — na Síria demonstra, por si mesma, que há uma disputa geopolítica em curso. Não se trata apenas de uma divergência sobre como lutar, mas contra o que lutar. Para muito além da retórica usual.
Intervenções e interesses distintos na Síria
A grande coalizão da qual faz parte a Turquia é liderada pelos EUA — e, por sinal, une países da OTAN e seus aliados do Golfo Pérsico –, tendo por missão, iniciada em 2014, realizar ataques aéreos para “estabilizar” e pacificar os conflitos no Iraque e Síria.
Ocorre que no primeiro caso, a coalizão atacou o ISIS com o apoio do exército iraquiano no solo, mas no caso sírio, ao contrário, ela deu cobertura aos variados grupos rebeldes antigoverno no contexto da Guerra Civil que assola aquele país.
O objetivo da missão ocidental é claro: manter o governo xiita de Bagdá e derrubar, no mesmo gesto, o presidente sírio, Bashar Al-Assad. Isso levou a um fortalecimento aparentemente indesejado do ISIS, uma vez que sua presença na Síria ganhou um salvo-conduto tácito. E também a manutenção da sangrenta guerra civil síria, a qual já dura quase cinco anos.
Os números desse guerra já apontam para mais de quatro milhões de refugiados, quase oito milhões de deslocados internos e uma cifra incerta de mortos, que varia entre 250 e 470 mil mortos — uma quantidade impressionante de vítimas, para um país que até 2014 registrava 18 milhões de habitantes.
Os russos, pelo contrário, iniciaram sua missão em setembro de 2015, quase um ano depois das forças ocidentais, mas seus alvos eram notadamente o ISIS e a manutenção do governo sírio. Apenas com a intervenção russa cobrindo as tropas terrestres da Síria foi possível impor derrotas ao ISIS.
Bons exemplos disso são a reversão do quadro de Aleppo, a maior cidade síria, ou a já referida retomada de Palmira, vitórias simbólicas que atestam o êxito das forças russas e sírias, mudando um panorama que parecia culminar com a transformação da Síria em uma bisonha teocracia.
A situação atual, inclusive, gerou o surpreendente início da retirada russa da Síria, tanto quanto sua entrada, depois de quase dez mil missões aéreas e a destruição prática da estrutura do ISIS.
Putin e seu poderoso ministro da defesa, Serguei Shoigu, ao decidirem se retirar da Síria não se orientaram apenas pelos êxitos da intervenção russa na Síria, que deixou Califado gravemente debilitado e manteve Assad no poder, nem somente pelas pesquisas de opinião internas que aprovam a missão, mas entendem que já é hora de encerra-la.
A decisão aponta para uma necessidade estratégica de Moscou: redirecionar o poderoso material bélico até então voltado para a Síria — sem perder o elemento surpresa a seu favor. A Síria é só parte de um grande jogo no qual a Rússia se encontra, a bem da verdade, desde a Primeira Guerra Mundial.
Estado Islâmico e Turquia
No entanto, a referida estratégia ocidental, que poderia se parecer apenas com uma postura oposta à russa em relação o regime sírio, se mostrou algo um tanto pior: e a intervenção russa serviu para demonstrar, com perfeição, isso em menos de um ano de existência. Da Turquia para Síria passam jovens combatentes vindos da Europa, além de armas e dólares; da Síria para a Turquia, passam caminhões com o petróleo sírio contrabandeado pelo ISIS — em cenas dignas deMad Max.
Se a matriz religiosa do ISIS é a doutrina wahabita da Arábia Saudita, por outro lado, nenhum outro país no mundo atuou tão vigorosamente a seu favor quanto a Turquia, apesar de sua participação cínica em uma coalizão antiterror na Síria e no Iraque.
Enquanto mantém a operação em curso, sem maiores crises de consciência, o governo turco está mais preocupado com os curdos  — outro inimigo em comum que une Ancara ao Califado.
As missões russas foram, justamente, bombardear essas linhas de contrabando de petróleo entre ISIS e Turquia, usar dos poderosos mísseis da sua frota naval no Mar Cáspio para acertar, atravessando a Turquia, os bem protegidos campos de treinamento e fortalezas do Califado, assim como alinhar-se com as forças curdas.
Por que o líder turco, Erdogan, chegaria a tanto? Porque a existência de Estados árabes fortes, no que foram as antigas possessões otomanas ao sul é, por óbvio, ameaça à reconstituição de uma grande Turquia — ou mesmo de uma zona de influência.
Nesse sentido, o ISIS como força beligerante contra os curdos interessa enormemente a Erdogan: se os curdos conseguirem edificar seu país, cujo território englobaria o sul da Turquia, norte da Síria e do Iraque bem como o noroeste do Irã, não é só um caso de Ancara perder uma parte do seu território, mas enfrentar um Estado organizado que serviria como linha defesa imediata para conter sua eventual expansão.
Ao norte, o que impede a Turquia de construir um arco pelo Cáucaso que chegue às portas de Irã e Rússia é, precisamente, a pequenina Armênia. Porque da mesma forma, o Azerbaijão, lar nacional da etnia azeri, é um país de cultura similar, língua mutuamente inteligível e afinidades diplomáticas com Ancara.
Não à toa, as relações entre Turquia e Azerbaijão não poderiam ser melhores: nas palavras de um ex-presidente do Azerbaijão, trata-se de um quadro onde há “uma nação com dois Estados”. Turquia e Azerbaijão formam um arco que permite a Ancara ter hegemonia sobre o Cáspio e o sul do Cáucaso — e aumentar sua zona de contato com o Irã, cuja maior minoria são, precisamente, os azeris.
Por sinal, há mais azeris no Irã do que o Azerbaijão — e eles vivem no exato noroeste do Irã, próximos à fronteira com o Azerbaijão. Mas a conexão contínua da Turquia com o noroeste do Irã se dá por meio do Cáucaso e chega até lá. Toda a fronteira turco-iraniana é habitada por curdos. E entre o Azerbaijão iraniano, o Estado da Azerbaijão e a Turquia existe o sul da Armênia.
Aí o enigma se fecha. Estamos no mês em que o genocídio armênio completa 101 anos e jamais houve admissão dele por parte dos líderes turcos. Não é à toa. A Turquia nega o primeiro genocídio do século XX, justamente praticado por ela contra o povo armênio, justamente porque conserva uma disposição geopolítica à expansão. É o mesmo que norteia sua aparentemente insana ação na Síria — que, contudo, parece bem calculada.
A Turquia, uma nação que há bem pouco reivindicava a modernidade, volta-se para o Oriente como a mesma fome do velho Império Otomano, mas sem a mesma pragmática. Nesse sentido, sua postura é exatamente a da República de Ataturk: assimilar ou eliminar os povos sob seu domínio, algo que até mesmo os velhos sultões hesitavam em fazer.
Mas o que permite a pequenos Estados, e até mesmo a povos sem Estado, resistir a tal ímpeto? A Rússia. Simples assim. Com suas bases na Armênia e na Síria ou mesmo pela sua aliança com o Irã.
E o que faz com que as nações integrantes da OTAN autorizem tamanha agressividade, haja vista que a Turquia integra a aliança militar? A Rússia, pois a Turquia é o único Estado capaz de rivalizar e conter, em um primeiro momento, um eventual avanço russo para o Oriente Médio e para a Ásia Central.
Portanto, nada a espantar quanto a reação turca contra o caça russo. O novelo de lã necessita de mais alguns movimentos para ser desembaraçado.

Rússia versus Turquia
Boa parte do empenho russo para impedir a queda do regime sírio, ainda que com a inegável legitimidade conferida pela natureza perversa dos “rebeldes”, deve- ao fato que ela possui no litoral daquele país sua única base naval em todo Mar Mediterrâneo, Tartus — assim como a base áerea de Latakia
É lá que os russos abastecem sua poderosa frota naval do Mar Negro, quando esta cruza os estreitos turcos — de Bósforo e Dardanelos –, o que permite sua entrada nos mares Egeu e Mediterrâneo, um acesso vital da marinha russa para águas quentes.
A frota russa do Mar Negro, por coincidência, está sediada na República Autônoma da Crimeia, que recentemente decidiu se desmembrar da Ucrânia para se filiar à Federação Russa — tudo na esteira de eventos da atual crise ucraniana.
Enfim, por uma coincidência maior ainda, nos últimos anos, dois espaços vitais para a Rússia foram quase perdidos por Moscou em dois episódios nos quais, veladamente ou não, os EUA e seus aliados atuaram.
E sequer pode se dizer que a Rússia se usou do seu poder no Mar Negro e nas bases sírias para intervir. Na verdade, ambas as manobras serviram para Moscou não perder dois espaços cuja falta pode inviabilizar a existência do país. Apesar de ser o maior Estado em extensão territorial no mundo, a Rússia só conseguiu existir como país unificado a partir do desenvolvimento da marinha por Pedro, o Grande.
Foi graças ao desenvolvimento naval que a Rússia superou a Suécia no Báltico e, pouco mais tarde, foi capaz de superar as forças navais do Império Otomano no Mar Negro e consequentemente no Egeu (o que se consolidou com a tomada da Crimeia em 1783). E só aí, apenas cem anos antes de o Brasil se tornar independente, que a Rússia pode nascer.
O enorme poder naval russo, contudo, contrasta com seu acesso limitado ao mar. Caso o perca — e a Crimeia e a Síria são essenciais para que isso não ocorra — a Rússia fica praticamente cercada por terra e gelo. Isso em um cenário no qual a OTAN avançou sobre os antigos países do Pacto de Varsóvia, reforçando um cerco que dura quase cem anos — e remonta.
Com a Ucrânia neutralizada pela Rússia, e o ISIS quase derrotado, a Turquia avança a leste. E aí voltamos ao Nagorno-Karabakh, o enclave armênio no que é, do ponto de vista formal, território do Azerbaijão e foi por ele atacado.
Uma nova tensão no Cáucaso é a possível resposta à derrota iminente da OTAN na Síria e na Ucrânia, um movimento de uma guerra de posições sem sentido na qual a Turquia é peça central.
Na falta de bloquear as saídas para o mar da Rússia, o alvo volta a ser o Cáucaso, cuja localização permite influenciar nos mares Cáspio e Negro. Só que no caminho há, novamente, a Armênia.
Portanto, os quase cem anos de cerco à Rússia e os mais de cem anos do genocídio armênio se entrelaçam no novo avanço turco — que no passado, por sinal, se justificou pela cínica alegação de que os armênios estariam a serviço do expansionismo russo. Nada de novo sob o Sol.
Postado: http://outraspalavras.net/destaques/para-frear-a-russia-ataque-a-armenia/