terça-feira, 12 de abril de 2016

Cinco jovens palestinos presos e mal tratados pela Autoridade palestina


 11 de abril de 2016
Ramallah - Tribunal de magistrado da Autoridade Palestina  prolongou a detenção de cinco jovens palestinos para mais interrogatórios. A manutenção das  prisões se aplica aos seguintes jovens: Basil Al-Araj (33 anos), Mohammed Harb (23 anos), Haytham Siyaj (19 anos), Mohammed Al-Salamen (19 anos) e Ali Dar al Sheikh (22 anos). Os advogados da  Associação de apoio aos prisioneiros e dos Direitos Humanos - Addameer confirmaram que os detidos foram submetidos a diferentes formas de maus-tratos, incluindo mantê-los sentados em posições de stress (Shabah), privação de sono,  interrogatórios ininterruptos, espancamentos por todo o corpo, insultos e negação do uso do banheiro -  fatos relatados a um advogado durante a audiência. Desde a prisão  foi lhes negado o acesso a visita de um  advogado, apesar de terem  emitido   uma autorização. As forças policiais da Autoridade palestina prenderam três dos jovens (Basil Al-Araj, Mohammed Harb e Haytham Siyaj) na noite de sábado, próximo de Ramallah, e foram levados para a Unidade de Inteligência em Ramallah. Os outros dois jovens foram presos uma semana antes.
A Associação Addameer acredita  que as ações das forças de segurança da Autoridade palestina viola  o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), bem como a Convenção contra a Tortura (CAT), tratados que a Autoridade Palestina é signatária. Estes tratados proíbem o uso da tortura e dos maus-tratos contra os detidos e afirmam o direito dos indivíduos a garantia de um julgamento justo. A Associação  Addameer condena o uso da tortura e dos maus tratos em qualquer circunstância e considera que esta é uma norma que não pode ser suspensa, sob pena dos responsáveis responderem criminalmente. A Addameer sustenta que a Autoridade Palestina deve cumprir as convenções em que é signatária, especialmente considerando a contínua deterioração da situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel.

Tradução:somostodospalestinos.blogspot.com                                                                                                   http://www.addameer.org/news/five-palestinians-detained-and-tortured-palestinian-security-forces#sthash.9m6RL4cp.dpuf

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dados oficiais: Israel ocupa 85% da área total da Palestina histórica

Israel ocupa mais de 85 por cento da área total da Palestina histórica, enquanto os palestinos se espremem nos 15 % que restou de seu território, de acordo com as estatísticas da Agência Central  Palestina de Estatística (PCBS), divulgados no final de março/16.

Assentamentos  sionistas na Palestina Ocupada 
A Agência (PCBS), em um comunicado, chamou a atenção para o fato de as autoridades israelenses controlarem 24 por cento da Faixa de Gaza e 90 por cento do Vale do Jordão, uma área que constitui 29 por cento da área total da Cisjordânia.
De acordo com a Agência palestina, Israel implementa a judaização de Jerusalém, mudando a demografia da cidade. O relatório informa que as autoridades israelitas aprovaram  a construção de 12.600 unidades de assentamento em Jerusalém Oriental no ano de 2015.
O relatório cita a estatísticas do Instituto Al-Maqdisi, que observou que entre 2000 e 2014, as autoridades israelenses demoliram 1.342 construções de moradias em Jerusalém Oriental, o que causou o deslocamento de 5.760 palestinos. 
Dessa forma Israel mantém com força sua política de limpeza étnica na Palestina, desde 1948.
Fonte: Middle East Monitor /Palestinalibre.org

Israel se recusa a libertar uma criança de 11 anos de idade, o prisioneiro mais jovem do mundo.

No dia 5/04/2016, tribunal israelense se recusou a liberar o prisioneiro mais jovem do mundo, um menino palestino de 11 anos.

Foto: Arquivo
O menino foi  classificado como "terrorista" pelo tribunal, segundo  Quds Press. Os juízes da Corte decidiram que o menino  Ali Alqam deveria  ser enviado para um abrigo supervisionado pelo Estado  até seu próximo aniversário que acontecerá  em menos de um ano.
Segundo o site israelense Ynet News o tribunal informou que "esta é a primeira vez que a segurança de Israel está enfrentando um  terrorista  tão jovem ", assinalando que a polícia não é apta para detê-lo ou interrogá-lo por ser menor que a idade mínima para  assumir a responsabilidade penal, que é de 12 anos em Israel, por isso seu próximo julgamento será em um ano.
Segundo o site, os pais podem visitá-lo no abrigo supervisionado. Em um ano, o tribunal vai realizar nova  audiência, quando discutirá o destino da criança, tendo em conta as avaliações de funcionários responsáveis pela detenção. 
No dia 18 de Abril, o tribunal julgará o caso de um outro menino, o caso de Muawiya Alqam, 14 anos. O eixo da defesa de seu advogado Yousef Al-Haddad  sustenta que Muawiya não planejou  matar ninguém,  o menino queria agredir seu opressor.
Ao jovem Muawiya foi negado  permanecer no abrigo supervisionado, o tribunal o manteve  na prisão, ele está encarcerado na prisão de Megiddo. Seu advogado denunciou que o Estado está articulando represálias contra as famílias das crianças prisioneiras palestinas.
Muawiya Alqam e Ali Alqam moram no campo de refugiados de Shuafat, eles foram presos em outubro do ano passado sob acusação de tentarem supostamente esfaqueado um segurança israelense em Jerusalem em um trem. Na situação, a polícia não teve dúvidas  dispararou e feriu  o menino Ali de 11 anos 11.
Fonte: Middle East Monitor / Palestinalibre.org
tradução:  somostodospalestinos.blogspot.com

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A estratégia secreta do terror

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As falsas provas sobre as armas de destruição em massa mostradas por Colin Powell ao Conselho de Segurança da ONU em 5 de fevereiro de 2003
Por Manlio Dinucci

“O inimigo obscuro que se esconde nos cantos sombrios da terra” (como o definiu em 2001 o presidente Bush) continua a fazer vítimas, as das quais em Bruxelas. O terrorismo é um “inimigo diferente daquele até agora enfrentado”, que se revelou ao mundo em 11 de setembro, com as imagens apocalípticas das torres que tombavam.

Para eliminá-lo, ainda está em curso aquela que Bush definiu como “a colossal luta do Bem contra o Mal”. Mas cada vez que se corta uma cabeça da Hidra do terror, surgem outras. Que devemos fazer? Antes de tudo, não acreditar naquilo que nos contaram durante quase 15 anos.

A partir da versão oficial do 11 de setembro, que entrou em colapso sob o peso de provas técnico-científicas, que Washington, não podendo refutar, liquida como “complô”.
Os maiores ataques terroristas no Ocidente têm três características.

Primeiramente, a pontualidade. O ataque de 11 de setembro ocorre no momento em que os Estados Unidos já tinham decidido (como informava o New York Times em 31 de agosto de 2001) de deslocar para a Ásia o foco da sua estratégia para se opor à reaproximação entre a Rússia e a China: menos de um mês depois, em 7 de outubro de 2001, com a motivação de caçar Osama Bin Laden, mandante do 11 de setembro, os EUA começam a guerra no Afeganistão, a primeira de uma nova escalada bélica. O ataque terrorista em Bruxelas ocorre quando os EUA e a Otan se preparam para ocupar a Líbia, com a motivação de eliminar o Isis (o chamado Estado Islâmico, na sigla em inglês), que ameaça a Europa.

Em segundo lugar, o efeito terror: a matança, cujas imagens desfilam repetidamente aos nossos olhos, cria uma vasta opinião pública favorável à intervenção armada para eliminar a ameaça. Piores massacres terroristas, como em Damasco há dois meses, inversamente, passam quase desapercebidos.

Em terceiro lugar, a assinatura: paradoxalmente “o inimigo obscuro” sempre assina os atentados terroristas. Em 2001, quando Nova York ainda estava envolta pela fumaça das torres demolidas, foram divulgadas as fotos e as biografias dos 19 autores do atentado, membros da Al Qaeda, muitos deles já conhecidos pelo FBI e pela CIA. O mesmo se deu em Bruxelas, agora em 2016: antes de identificar todas as vítimas, identificam-se os autores do atentado já conhecidos pelos serviços secretos.

É possível que os serviços secretos, a partir da tentacular “comunidade de inteligência” estadunidense formada por 17 organizações federais com agentes em todo o mundo, sejam totalmente ineficientes? Ou, ao invés disso, são eficientíssimos instrumentos da estratégia do terror?

Não falta mão de obra: é a dos movimentos terroristas islâmicos, armados e treinados pela CIA e financiados pela Arábia Saudita, para destruir o Estado líbio e fragmentar o Estado sírio com o apoio da Turquia e de cinco mil foreign fighters (combatentes externos) europeus que afluíram à síria com a cumplicidade de seus governos.

Nesta grande bacia se pode recrutar seja terroristas suicidas, convencidos a se imolarem por uma causa santa, seja o profissional da guerra, ou o pequeno delinquente que na ação é “suicidado”, deixando que sua carteira de identidade seja encontrada (como no ataque ao Charlie Hebdo), ou fazendo explodir a carga antes que se afaste.

Pode-se também facilitar a formação de células terroristas, que autonomamente alimentam a estratégia do terror criando um clima de estado de sítio, como ocorre nos países europeus da Otan, que justifique novas guerras sob o comando dos EUA.

Ou se pode recorrer à falsidade, como as provas sobre as armas de destruição em massa mostradas por Colin Powell ao Conselho de Segurança da ONU em 5 de fevereiro de 2003. Provas que depois se revelaram falsas, fabricadas pela CIA para justificar a “guerra preventiva” contra o Iraque.

Grupos terroristas bombardeiam indiscriminadamente bairros residenciais sírios da cidade de Alepp e Deir El Zour

El Ejército sirio se prepara para lanzar una gran ofensiva en la provincia de Alepo, donde los militantes del Frente al Nusra y grupos afines han multiplicado en los últimos días sus violaciones del cese el fuego, abatiendo un avión militar sirio y bombardeando los barrios en poder de las fuerzas gubernamentales de la ciudad de Alepo.

Em carta dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas e ao Presidente do Conselho de Segurança, a República Árabe da Síria, através de seu Ministério  do Exterior e Migração emitiu  as seguintes denuncias de bombardeios indiscriminados contra a população síria pelas organizações terroristas.

                Conforme orientações do Governo da República Árabe da Síria, gostaria de coloca-los à par das agressões terroristas perpetradas pelos grupos terroristas armados, com o lançamento de mísseis, de forma aleatória, cega, contra os bairros residenciais nas cidades de Aleppo e Deir El Zour. 


            A Frente terrorista “Al Nusra” e os outros grupos terroristas armados, dentre os quais os autodenominados “Exército Fath”, “Livres da Síria” e “Frente do Norte”, comandados por postos de operações na Turquia, que alguns ainda chamam, convenientemente, de “grupos armados moderados”, tocaiados nos arredores da cidade de Aleppo, alvejaram nesta terça feira, 05/04/2016, de forma aleatória, o bairro de Sheikh Maksoud, na cidade de Aleppo e outros bairros vizinhos com dezenas de mísseis, nas primeiras horas de pico, levando à morte 15 cidadãos e atingindo mais de 100 cidadãos com ferimentos, nos mais variados graus de gravidade, dentre os quais estão mulheres, crianças e idosos. Este bombardeio terrorista aleatório causou, ainda, o desmoronamento de três prédios residenciais no bairro de Sheikh Maksoud e os esforços estão sendo mantidos para retirar os cidadãos sitiados dos escombros. Estes mísseis aleatórios também provocaram relevantes danos materiais nas casas, lojas e na infraestrutura. 


            Os terroristas da Frente Al Nusra e dos outros grupos terroristas armados alvejaram, na segunda feira, 04/04/2016, as cidades de Fouaa e Kafraya, nos arredores de Aleppo, além do bairro de Sheikh Maksoud, na cidade de Aleppo, causando a morte de 8 pessoas e atingindo outros 20 civis com ferimentos, com variados graus de gravidade, além de causar danos materiais de relevância maior ou menor nos patrimônios e na infraestrutura. Quanto à Deir El Zour, os terroristas do “ISIS” e seus apoiadores bombardearam alvos civis nos bairros de Joura e Ksour, causando a morte de 5 civis, o ferimento de dezenas de civis inocentes e danos às propriedades públicas e privadas. Os terroristas do ISIS também alvejaram o aeroporto de Deir El Zour com gás-mostarda, resultando em casos de asfixia dos defensores do aeroporto. 


            Estes bombardeios aleatórios que tiveram como alvo os bairros residenciais da Síria, nos últimos dois dias, são uma continuidade das agressões terroristas que tiveram como alvo várias cidades sírias e são um complemento da série de assassinatos e destruições perpetradas pelos “grupos terroristas sem países”, que é uma das denominações idealizadas pelos países e partes para encobrir a sua cooperação, o seu financiamento e o seu apoio aos grupos terroristas e uma tentativa descarada de se desviar das resoluções do Conselho de Segurança relativas aos combate ao terrorismo. 


            Estes grupos terroristas, das mais variadas fidelidades e que hoje são conhecidas por todos, visaram o fracasso dos procedimentos auspiciados pelas Nações Unidas para cessar as ações de combate na Síria. Vale assinalar que estes grupos terroristas cometeram centenas de violações durante o referido período. 


            O Governo da República Árabe da Síria reafirma o seu respeito às resoluções do Conselho de Segurança relativas ao cessar das ações de combate e a necessidade de adoção, por parte do Conselho de Segurança, de procedimentos de dissuasão contra os regimes e governos de países que apoiam e financiam o terrorismo, em cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança relativas ao tema, especialmente as resoluções 2170 (2014), 2178 (2014), 2199 (2015) e 2253 (2015).


Fonte: Embaixada da República Árabe da Síria
Tradução: Jihan Arar

sexta-feira, 1 de abril de 2016

30 de março: Dia da Terra Palestina


Khader Othman - Comitê de Solidariedade ao Povo palestino - Foto: Rubens Lopes

31 de Março de 2016, por Elaine Tavares
A questão envolvendo Israel e Palestina é um desses temas em que a ideologia se sobrepõe à verdade. Criado artificialmente em 1948, o estado de Israel usurpou terras de milhares de famílias que viviam naquele território, provocando um triste e doloroso êxodo. Empurradas à ponta de fuzis, as famílias tiveram de abandonar suas plantações, suas casas milenares, seus animais, enquanto em todo o mundo os Estados Unidos - mentor dessa criação - dizia que os judeus estavam voltando para casa, numa terra que não tinha povo.

Não bastasse essa ocupação à força e à custa de tanta dor, o estado de Israel uma vez criado foi subtraindo terras do restante do território onde se refugiaram as gentes palestinas. Com massacres atrás de massacres, a parte que caberia à Israel foi alargando e hoje restam pequenas ilhas de território palestino, cercadas de muros. Prisioneiras em sua própria terra até hoje as famílias palestinas são obrigadas as mais absurdas humilhações nas travessias dos muros. Como os pedaços ficam espalhados, para um pai visitar um filho em outra região palestina, ele precisaria passar por vários portões, com revistas vexatórias, violências e escárnio. Essa é a realidade cotidiana do povo palestino.

Não bastasse isso, vez ou outra Israel define algum ataque e bombardeia as regiões palestinas. Gaza é um exemplo concreto da desumanidade e do terror. A pequena faixa de terra aglomera milhões de pessoas, como se fosse um campo de concentração gigante. Bombas, experiências químicas e toda sorte de violências recaem sobre essa gente. Colônias de sionistas são criadas a toda hora em terras palestinas, alargando ainda mais o território de Israel, sempre com a ajuda dos tanques. É quase um genocídio.

Mas, apesar de todo o terror cotidiano, os palestinos resistem, armados de pedras e de coragem. Enfrentam os tanques, enfrentam a violência diária e denunciam. Com eles também estão em luta, por todo o mundo, milhares de pessoas que reconhecem o direito do povo palestino de viver livre na sua terra. Por isso, sistematicamente realizam debates, conversas e reflexões em todo o mundo.

O dia 30 de março é um dia importante para o povo palestino pois se celebra o Dia da Terra, lembrança do dia em que Israel anunciou o confisco de terras em 1976. Naquele 30 de março os palestinos lutaram e realizaram uma greve geral contra mais esse roubo. Houve repressão por parte de Israel e seis jovens palestinos acabaram mortos, além das centenas de pessoas feridas e presas.

Para celebrar a luta do povo palestino, várias entidades se reuniram e decidiram promover uma rodada de conversa sobre o tema Palestina na Universidade Federal de Santa Catarina. Os debates aconteceram no CFH. Participaram o cubano Hasan Félix, a socióloga Silvia Grando, a jornalista Tali Feld, o jornalista Raul Longo e o palestino Kader Othmann. Também foi lançado o livro de Yasser Jamil: Nosso verbo é lutar: somos todos palestinos. Foi um momento bonito de solidariedade e confirmação de uma luta que segue firme.



*Dia da Terra Palestina se comemora a partir de 1976.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Enfrentar o sistema explorador, que apenas cria guerras, refugiados, imigração e pobreza

 
Solidariedade com os refugiados e os imigrantes!
Declaração conjunta de Partidos Comunistas e Operários

Nós, partidos comunistas e operários abaixo-assinados:


Denunciamos a agressividade imperialista, as intervenções e as guerras dos Estados Unidos, da OTAN e da União Europeia e seus aliados, tais como a Turquia, Arábia Saudita e Qatar. A atividade criminosa destas potências faz com que milhões de pessoas passem a ser refugiados e imigrantes.

Todos os governos burgueses que estiveram participando todos estes anos com exércitos, promovendo todo tipo de assistência ou reproduzindo todos os pretextos utilizados para justificar o desencadeamento destas intervenções imperialistas, também têm uma grave responsabilidade.

Denunciamos a União Europeia e os governos burgueses que seguem uma linha de repressão policial e militar contra os refugiados, que tentam escapar da guerra, da miséria e das redes de tráfico de pessoas.
Chamamos ao reforço da unidade de classe e da solidariedade popular com os povos vítimas das intervenções imperialistas e da exploração capitalista.

Chamamos os povos para intensificarem a luta contra as causas do desenraizamento de milhões de pessoas de seus lares e, ao mesmo tempo, levantarem ombro a ombro junto aos imigrantes e os refugiados, que estão experimentando condições desumanas. Os povos devem exigir que seus governos tomem as medidas necessárias para receber e dar abrigo aos imigrantes e refugiados de uma maneira digna e, também, exigir a abolição dos mecanismos repressivos da União Europeia, incluindo o regulamento Dublin III.

Os Partidos Comunistas e Operários lutam contra as tentativas da classe burguesa e dos governos burgueses de utilizar a imigração e a questão dos refugiados como um meio para abolir os direitos trabalhistas e para intensificar a exploração dos refugiados e imigrantes, da classe trabalhadora em seu conjunto, nos países receptores.

Nos interesses dos trabalhadores devemos unir nossa força e intensificar a luta contra os EUA, a OTAN e a União Europeia, as intervenções imperialistas e as guerras, contra toda tentativa dos imperialistas de manipular os povos. Devemos organizar e entrar em conflito com o sistema explorador que gera guerra, refugiados, imigração e pobreza. Assim, poderão ser criadas as condições que permitirão aos refugiados e aos imigrantes voltar a seus respectivos países de origem, com os povos a cargo de seu próprio destino.

Lista de Patidos da SolidNet
  1. CP of Albania
  2. PADS
  3. CP of Australia
  4. Party of Labour of Austria
  5. CP of Bangladesh
  6. Brazilian CP
  7. CP of Brazil
  8. CP of Britain
  9. CP of Canada
  10. AKEL
  11. CP in Denmark
  12. CP of Denmark
  13. CP of Finland
  14. Unified CP of Georgia
  15. German CP
  16. CP of Greece
  17. People’s Progressive Party of Guyana
  18. Tudeh Party of Iran
  19. CP of Ireland
  20. Workers’ Party of Ireland
  21. Socialist Party of Latvia
  22. CP of Malta
  23. CP of Mexico
  24. Popular Socialist Party of Mexico
  25. CP of Norway
  26. CP of Pakistan
  27. Palestinian CP
  28. Palestinian Peoples’ Party
  29. Philippines CP [PKP-1930]
  30. Russian CWP
  31. CP of the Soviet Union
  32. CP of the Russian Federation
  33. NCP of Yugoslavia
  34. Party of the Communists of Serbia
  35. CP of Slovakia
  36. CP of the Peoples of Spain
  37. CP of Sweden
  38. Communist Party, Sweden
  39. Syrian CP
  40. CP of Tadjikistan
  41. CP, Turkey
  42. CP of Ukraine
  43. Union of Communists of Ukraine
Outros Partidos
  1. CP of the Workers of Belarus
  2. Union of Communists in Bulgaria
  3. Communist Workers`Party for Peace and Socialism (Finland)
  4. CP, Italy
  5. Socialist Movement Kazakhstan
  6. Party of Communists USA
  7. Freedom Road Socialist Organization [USA]
  8. Party for Socialism and Liberation [USA]
A declaração ainda está aberta para assinaturas.
Fonte: http://www.solidnet.org/2015-joint-statements/joint-statement-of-communist-and-workers-parties-we-must-confront-the-exploitative-system-which-gives-rises-to-wars-refugees-immigration-and-poverty-solidarity-now-with-the-refugees-and-immigrants-en-ru-ar-fr-sq
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

segunda-feira, 28 de março de 2016

25 anos da guerra que marcou o início da “nova ordem”




Há vinte e cinco anos, nas primeiras horas do dia 17 de janeiro de 1991, começava no Golfo Pérsico a operação “Tempestade do deserto”, a guerra contra o Iraque que abriu a fase histórica que estamos vivendo. Esta guerra foi desencadeada no momento em que, após a queda do Muro de Berlim, serão dissolvidos o Pacto de Varsóvia e a própria União Soviética. Isto criou, na região europeia e centro-asiática, uma situação geopolítica inteiramente nova. E, em escala mundial, desaparecia a superpotência capaz de fazer face aos Estados Unidos.

“O presidente Bush aproveitou esta mudança histórica”, conta Colin Powell. Washington traça imediatamente “uma nova estratégia de segurança nacional e uma estratégia militar para sustentá-la”. O ataque iraquiano contra o Kuweit, ordenado por Saddam Hussein em agosto de 1990, “fez com que os Estados Unidos pudessem pôr em prática a nova estratégia exatamente no momento em que começavam a torna-la pública”.

Saddam Hussein, que se torna o “inimigo número um”, é o mesmo que os Estados Unidos apoiaram nos anos 1980 na guerra contra o Irã de Komeiny, então o “inimigo número um” para os interesses estadunidenses no Oriente Médio. Mas quando em 1988 termina a guerra contra o Irã, os Estados Unidos  temem que o Iraque, graças também à ajuda soviética, conquistasse um papel dominante na região. Então, recorreram à tradicional política de “dividir para reinar”. Sob a direção de Washington, muda também a atitude do Kuait: este exige o pagamento imediato da dívida contraída pelo Iraque e, explorando a jazida de Rumaila que se estende pelos dois territórios, eleva sua produção petrolífera para além da cota estabelecida pela Opep. Assim, acarreta prejuízo ao Iraque, que saiu da guerra com uma dívida externa de mais de 70 bilhões de dólares, dos quais 40 com o Kuwait e a Arábia Saudita.  Saddam Hussein pensa sair do impasse “reanexando” o território kuwaitiano que, com base nas fronteiras traçadas em 1922 pelo procônsul britânico Sir Percy Cox, impede o acesso do Iraque ao Golfo.
Washington dá a entender a Bagdá que vai ficar fora da disputa. Em 25 de julho de 1990, enquanto os satélites do Pentágono mostram que a invasão é iminente, a embaixadora estadunidense em Bagdá, April Glaspie, assegura a Saddam Hussein que os Estados Unidos desejam ter as melhores relações com o Iraque e não pensam em interferir nos conflitos interárabes. Saddam Hussein cai na armadilha: uma semana depois, no dia 1º de agosto de 1990, as forças iraquianas invadem o Kuwait.

Washington, tendo formado uma coalizão internacional, envia então para o Golfo uma força de 750 mil homens, dos quais 70% são estadunidenses, sob as ordens do general Schwarzkopf. Durante 43 dias, a aviação estadunidense e aliada efetua, com 2.800 aviões, mais de 110 mil incursões, lançando 250 mil bombas, inclusive de fragmentação que espalham 10 milhões de munições. Participam nos bombardeios, com os EUA, forças aéreas e navais britânicas, francesas, italianas, gregas, espanholas, portuguesas, belgas, holandesas, dinamarquesas, norueguesas e canadenses. Em 23 de fevereiro de 1991, as tropas da coalizão, compreendendo mais de meio milhão de soldados, lançam a ofensiva terrestre. Esta termina em 28 de fevereiro com um “cessar-fogo temporário” proclamado pelo presidente Bush. A guerra é sucedida pelo bloqueio, que provoca na população iraquiana mais vítimas do que a guerra: mais de um milhão, das quais cerca da metade são crianças.

Imediatamente após a guerra do Golfo, Washington lança aos adversários e aos aliados uma mensagem inequívoca: “Os Estados Unidos são o único Estado com uma força, uma envergadura e uma influência em todas as dimensões – política, econômica e militar – realmente mundiais. Não existe nenhum substituto à liderança norte-americana”. (Estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, agosto de 1991).

A guerra do Golfo é a primeira guerra em que a República Italiana participa sob comando estadunidense, violando assim o artigo 11 da Constituição. A Otan, sem participar oficialmente como tal na guerra, põe à disposição suas forças e estruturas para operações militares. Alguns meses mais tarde, em novembro de 1991, o Conselho Atlântico promulga, na esteira da nova estratégia dos EUA, o “novo conceito estratégico da Aliança”. No mesmo ano é promulgado na Itália o “novo modelo de defesa” que, derrubando a Constituição, indica como missão das forças armadas “a tutela dos interesses nacionais em toda parte que seja necessário”.

Assim nasceu com a guerra do Golfo a estratégia que conduziu a guerras sucessivas sob o comando estadunidense, apresentadas como “operações humanitárias de manutenção da paz”: Iugoslávia  1999, Afeganistão 2001, Iraque 2003, Líbia 2011, Síria desde 2013, acompanhadas no mesmo quadro estratégico, pelas guerras de Israel contra o Líbano e  Gaza, da Turquia contra os Curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), da Arábia Saudita contra o Iêmen, a formação do chamado estado Islâmico e outros grupos terroristas funcionais à estratégia da dupla EUA/Otan, a utilização de forças  neonazistas para o golpe de Estado na Ucrânia servindo à nova guerra fria contra a Rússia.
Proféticas, mas no sentido trágico, as palavras do presidente Bush em agosto de 1991: “A crise do Golfo passará à história como a incubadora da nova ordem mundial”.
Manlio Dinucci
Fonte: Il Manifesto - http://ilmanifesto.info/la-tempesta-nel-deserto-apriva-la-fase-che-viviamo/
Tradução de José Reinaldo Carvalho para o Blog da Resistência
Manlio Dinucci é jornalista e geógrafo italiano.

As hipócritas preleções dos EUA a Cuba


Cartoon de Lacoste. 
 Antes da visita histórica do Presidente Barack Obama a Cuba, em 20 de março, especulou-se sobre se ele podia pressionar Cuba a melhorar os respetivos direitos humanos. Porém, uma comparação entre os direitos humanos em Cuba e nos Estados Unidos mostra que são os EUA que devem aprender com Cuba. 

A Declaração Universal dos Direitos do Homem contém duas categorias diferentes de direitos humanos – direitos civis e políticos, por um lado; e direitos econômicos, sociais e culturais por outro. Direitos civis e políticos incluem os direitos à vida, liberdade de expressão, liberdade de religião, julgamento justo, autodeterminação, ser livre de tortura, tratamento cruel e detenções arbitrárias. 

Direitos econômicos, sociais e culturais compreendem os direitos à educação, saúde, segurança social, seguro de desemprego, licença de maternidade paga, salário igual para trabalho igual, redução da mortalidade infantil; prevenção, tratamento e controlo de doenças; liberdade de formar e aderir a sindicatos e fazer greve. 

Estes direitos estão consagrados em dois tratados: o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Direitos Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais (PIDESC). Os Estados Unidos ratificaram o PIDCP, mas EUA recusam-se a ratificar o PIDESC. 

Desde a administração Reagan, tem sido política dos EUA definir direitos humanos apenas como direitos civis e políticos. Direitos econômicos, sociais e culturais não são considerados, bem como os relativos ao bem-estar social ou o socialismo. 

O governo dos EUA critica os direitos civis e políticos em Cuba enquanto ignora o acesso universal dos cubanos á habitação, a cuidados de saúde, à educação, à garantia da licença de maternidade paga e à igualdade de salários. 

Enquanto isso, o governo dos EUA tem cometido violações graves dos direitos humanos em solo cubano, incluindo tortura, tratamento cruel e detenções arbitrárias em Guantanamo. Desde 1960, os Estados Unidos expressamente interferiram nos direitos econômicos de Cuba e no seu direito à autodeterminação, através da política de embargo econômico. 

O embargo dos Estados Unidos a Cuba, agora um bloqueio, foi iniciado pelo presidente Dwight Eisenhower durante a guerra fria em resposta a um memorando de 1960, escrito por um alto funcionário do Departamento de Estado. O memorando propunha "uma linha de ação que produzirá os maiores danos, negando financiamentos e fornecimentos a Cuba, obrigando a diminuir os salários reais, para conduzir à fome, ao desespero e ao derrube do governo.” [de Fidel Castro]. 

Esse objetivo falhou, mas o bloqueio punitivo tornou a vida em Cuba difícil. No entanto, com um esforço mais que humano, Cuba garantiu ao seu povo um notável conjunto de direitos humanos. 

Cuidados de saúde 

Ao contrário nos Estados Unidos, os cuidados de saúde são considerados um direito em Cuba. O sistema de saúde é universal e livre para todos. Cuba tem o rácio mais elevado de médicos por doentes em todo mundo: 6,7 por 1.000 habitantes. A taxa de mortalidade infantil em 2014 foi de 4,2 por 1.000 nascidos vivos – uma das mais baixas do mundo. 

Os cuidados de saúde em Cuba privilegiam a prevenção, em vez de fazer depender a saúde apenas de medicamentos, isto em parte devido ao acesso limitado a determinados medicamentos ocasionado pelo bloqueio dos EUA. Em 2014, a revistaLancet disse: "se as realizações de Cuba pudessem ser reproduzidas num amplo conjunto de países pobres e de rendimento médio, a saúde da população mundial poderia ser transformada”. 

Cuba tem um desenvolvimento pioneiro em medicamentos para tratar e prevenir o cancro de pulmão e evitar amputações diabéticas. Devido ao bloqueio, no entanto, nos Estados Unidos não é possível usufruir deles. 

Educação 

A educação gratuita é um direito universal incluindo o ensino superior. Cuba gasta uma proporção mais elevada do seu PIB em educação do que qualquer outro país no mundo. "Professores móveis" são implantados nas habitações de crianças incapacitadas de estarem presentes na escola. Muitas escolas providenciam cuidados durante manhãs livres e após o horário escolar para pais trabalhadores que não dispõem de alternativas familiares. É gratuito estudar para ser um médico em Cuba. Há 22 escolas de medicina em Cuba, apenas três em 1959 antes da revolução cubana. 

Eleições 

As eleições para o parlamento nacional cubano (Assembleia Nacional) têm lugar de cinco em cinco anos e as eleições para as Assembleias Municipais Regionais a cada 2,5 anos. Os delegados para a Assembleia Nacional, elegem o Conselho de Estado, que por sua vez, nomeia o Conselho de Ministros, do qual o Presidente é eleito. 

A partir de 2018 (data da próxima eleição geral em Cuba), haverá um limite de não mais de dois mandatos de cinco anos para todos os lugares eleitos mais importantes, incluindo o de Presidente. 

Qualquer um pode ser indicado para candidato. Não é necessário que seja um membro do partido comunista (PCC). Nenhum dinheiro pode ser gasto promovendo candidatos e não é permitido a partidos políticos (incluindo o PCC) campanha durante as eleições. Pessoal militar não está de serviço às mesas de voto; as urnas são guardadas por crianças em idade escolar. 

Direitos laborais 

A legislação cubana de direitos do trabalho garante o direito de livremente formar e se filiar em sindicatos. Os sindicatos são juridicamente independentes e financeiramente autónomos; independentes do PCC e do Estado, financiados por cotizações dos seus membros. Os direitos dos trabalhadores, protegidos pelos sindicatos incluem um contrato escrito, uma semana de 40 a 44 horas e 30 dias anuais de férias remuneradas no sector estatal. 

Os sindicatos têm o direito de parar trabalhos que considerem perigosos. Têm o direito de participar na gestão das empresas, receber informações da gestão, dispondo de gabinete próprio, materiais de escritório e tempo livre para os seus representantes nas empresas. Um acordo sindical é exigido para demissões, mudanças nos padrões de horário de trabalho, horas extras e o relatório anual de segurança. Os sindicatos têm um papel político em Cuba e o direito constitucional de serem consultados sobre leis do trabalho. Têm também o direito de propor novas leis à Assembleia Nacional. 

Mulheres 

As mulheres constituem a maioria dos cubanos juízes, procuradores, advogados, cientistas, trabalhadores técnicos, profissionais da saúde pública. Cuba é classificada em primeiro lugar no "Save the Children's 'Lesser Developed Countries' Mother's Index". Com mais de 48% de deputados mulheres, Cuba tem a terceira mais alta percentagem de mulheres parlamentares do mundo. As mulheres recebem nove meses de salário completo durante o período de maternidade, seguido por três meses a 75% do salário completo. O governo subsidia a interrupção voluntária da gravidez e o planeamento familiar, atribui um alto valor aos cuidados de saúde pré-natais e oferece às mulheres "acolhimento de maternidade" antes do nascimento. 

Esperança de vida 

Em 2013, segundo a Organização Mundial de Saúde a esperança de vida das mulheres em Cuba era de 80 anos e 77 para os homens. A probabilidade de morte entre os 15 e os 60 anos por 1.000 pessoas foi de 115 para homens e 73 para as mulheres em Cuba. Durante o mesmo período, a esperança de vida para as mulheres nos Estados Unidos foi de 81 anos e de 76 para os homens. A probabilidade de morrer entre os 15 e os 60 anos por 1.000 pessoas era 128 para homens e 76 para mulheres nos Estados Unidos. 

Pena de Morte 

Um estudo da Faculdade de Direito de Cornell não encontrou ninguém condenado a pena de morte em Cuba e ninguém no corredor da morte em outubro de 2015. Em 28 de dezembro de 2010, o Supremo Tribunal Federal de Cuba comutou a sentença de morte do último remanescente condenado à morte em Cuba, um cubano-americano condenado por assassinato perpetrado durante uma invasão terrorista da ilha em 1994. Nenhumas novas condenações à morte são conhecidas desde aquela época. 

Em contraste, nos EUA em 1 de janeiro de 2016 estavam 2.949 pessoas no corredor da morte em instalações estaduais; 62 no corredor da morte em instalações federais em 16 de março de 2016, de acordo com "Death Penalty Information". 

Desenvolvimento sustentável 

Em 2006, o World Wildlife Fund (WWF), uma organização ambiental líder, reconhecia Cuba como o único país no mundo a ter alcançado desenvolvimento sustentável. Jonathan Loh, um dos autores do relatório do WWF, disse, "Cuba atingiu um bom nível de desenvolvimento, de acordo com os critérios da ONU, graças ao seu alto nível de alfabetização e a uma expectativa de vida muito alta, com uma pegada ecológica que não é grande, já que é um país com baixo consumo de energia." 

Parem de dar lições de Cuba e levantem o bloqueio 

Quando Cuba e os Estados Unidos realizaram conferências sobre direitos humanos há um ano, Pedro Luís Pedroso, chefe da delegação cubana, disse, "Expressámos as nossas preocupações em relação a padrões de racismo e discriminação na sociedade dos Estados Unidos, ao agravamento da brutalidade policial, a atos de tortura e execuções extrajudiciais no combate ao terror e ao limbo jurídico dos prisioneiros no campo de detenção dos EUA em Guantanamo". 

A hipocrisia do governo dos EUA com preleções sobre os direitos humanos em Cuba, negando muitos direitos humanos básicos ao povo americano é gritante. Os Estados Unidos devem levantar o bloqueio. Obama deve fechar Guantanamo e devolvê-lo à Cuba.


 

































por Marjorie Cohn [*]  

[*] Professora na Faculdade de Direito Thomas Jefferson desde 1991. 

Original encontra-se em marjoriecohn.com/human-rights-hypocrisy-us-criticizes-cuba/ 
e www.informationclearinghouse.info/article44480.htm . Tradução de DVC. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Por que calam Obama e Cameron ( e os meios de comunicação) após a pior derrota do DAESH (ISIS) na Síria





O ISIS acaba de sofrer sua pior  derrota em dois anos, entretanto nem o  presidente dos EUA, Barack Obama, nem o primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron,  tocam no uma palavra a respeito desse assunto, escreve  Robert Fisk, correspondente do diário britânico 'Independent'.
"Menos de una semana depois das almas perdidas do ISIS (segundo informações dos serviçõs secretos) destruírem a vida de mais  de 30 inocentes em Bruxelas, deveríamos estar aplaudindo o fracasso mais aplastante da historia do ISIS", ter perdido a cidade  de Palmira, declarada patrimônio cultural da  humanidade pela Unesco. Contudo Camerom e Obama "ficaram tão calados como as tumbas para onde o ISIS enviou tantas de suas vítimas", escreve Fisk.
Foram o Exército sírio, o Hezbollah e os iranianos , apoiados pelos bombardes russos, os  que de fato expulsaram a corja assassina de Palmira, enquanto os EUA  confirmam o lançamento de ataques aéreos próximo  a Palmira nos dias anteriores a sua recuperação. Segundo o jornalista, esta atitude "diz tudo  que se necessita saber sobre la 'guerra contra el terror' dos EUA ;  querem destruir o ISIS, mas não muito".
https://actualidad.rt.com/actualidad/203203-obama-cameron-callan-peor-derrota-estado-islamico-palmira

quinta-feira, 24 de março de 2016

Julian Assange, o preso político que expõe o Império


Como uma comissão da ONU desmontou farsa montada para calar Julian Assange e o Wikileaks. Por que EUA, constrangidos, já não podem falar em “liberdade de expressão”.
Uma das aberrações jurídicas mais épicas de nossa era está sendo desmascarada. O Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU – o tribunal internacional que analisa e decide se os governos cumprem ou não suas obrigações em matéria de direitos humanos – julgou que Julian Assange está sendo detido ilegalmente pelo Reino Unido e a Suécia.
Após cinco anos lutando contra difamação impiedosa, Assange está mais próximo de obter justiça – e, quem sabe, liberdade – do que jamais esteve, desde que foi aprisionado em Londres sob um Mandado Europeu para Extradição, agora já desacreditado pelo próprio Parlamento britânico.
O Grupo de Trabalho da ONU baseia suas decisões na Convenção Europeia sobre Direitos Humanos e em três outros tratados de cumprimento obrigatório por seus signatários. Tanto o Reino Unido quanto a Suécia, participaram da investigação oficial da ONU, que durou 16 meses.Apresentando evidências e defendendo suas posições perante o tribunal. Será um tapa na cara do direito internacional se estes países não acatarem a decisão e permitirem que Assange deixe o refúgio oferecido pelo governo equatoriano em sua embaixada de Londres.
Em casos anteriores que o Grupo de Trabalho julgou, e foram festejados internacionalmente, ambos os países ofereceram apoiaram as decisões do tribunal sobre prisioneiros detidos ilegalmente. Foi o caso de Aung Sang Suu Kyi, em Myanmar; do líder oposicionista Anwar Ibrahim, na Malásia; e do jornalista do Washington Post Jason Rezaian, no Irã. A diferença agora é que a perseguição e confinamento de Assange acontece no coração de Londres.
O caso Assange nunca foi, primordialmente, sobre as alegações de má conduta sexual na Suécia – onde a chefe da promotoria de Estocolmo, Eva Finne, julgou a acusação improcedente, dizendo: “Eu não acredito que exista qualquer razão para suspeitar que ele tenha cometido estupro”. Além disso, uma das mulheres envolvidas acusou a polícia de fabricar evidências e forçá-la a prestar queixa, sendo que ela “não queria acusar Julian Assange de coisa alguma”. Foi quando um segundo promotor, misteriosamente, reabriu o caso após intervenção política.
A perseguição a Assange tem suas raízes do outro lado Atlântico, numa Washington dominada pelo Pentágono. Sua obsessão é perseguir e acusar whistleblowers – especialmente Assange e o WikiLeaks — por terem exposto os crimes cometidos pelos EUA no Afeganistão e no Iraque: a matança desenfreada de civis e a violação da soberania dos países e da lei internacional.
De acordo com a Constituição dos EUA, nenhuma dessas revelações é ilegal. Como candidato à presidência, em 2008, Barack Obama, professor de direito constitucional, afirmou que os whistleblowers são “parte de uma democracia saudável [e] devem ser protegidos contra qualquer vingança”.
Mas em seguida Obama, o traidor, perseguiu mais whistleblowers em seu governo, do que todos os outros presidentes norte-americanos juntos. A corajosa Chelsea Manning, que hoje cumpre 35 anos de prisão, foi torturada durante sua longa detenção pré-julgamento.
A perspectiva de um destino similar pairou sob Assange como uma espada de Dâmocles. De acordo com os documentos revelados por Edward Snowden, o nome de Assange está presente em uma “lista de alvos para caçada humana”. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, classificou-o como “cyber-terrorista”.
Em Alexandria, no estado da Virgínia, um tribunal secreto tentou fabricar algum crime pelo qual Assange pudesse ser acusado. Apesar de ele não ser cidadão norte-americano, os EUA desencavaram a Lei de Espionagem, criada quase cem anos atrás, e a usaram para enquadrar Assange. Sob tal lei, um acusado pode ser condenado a prisão perpétua ou pena de morte.
A capacidade de Assange se defender nesse mundo kafkiano foi prejudicada pelos EUA, que classificaram os autos de seu caso como segredo de Estado. Uma corte federal bloqueou a liberação de todas as informações sobre aquilo que é conhecido como a investigação para “segurança nacional” do WikiLeaks.
O papel de coadjuvante nesse jogo de cartas marcadas ficou para a segunda promotora sueca Marianne Ny. Até há pouco, Ny recusou-se a cumprir o procedimento de rotina europeu, que exige que ela viaje até Londres para interrogar Assange e, assim, dar prosseguimento ao caso que James Catlin, um dos advogados do jornalista, classificou como “uma piada… é como se eles fossem inventando as coisas com o passar do tempo”. De fato, antes mesmo de Assange deixar a Suécia e seguir para Londres, em 2010, Marianne Ny não realizou nenhuma tentativa de interrogá-lo.
Nos anos que se seguiram, ela nunca conseguiu explicar apropriadamente, até mesmo para as autoridades jurídicas da Suécia, a razão pela qual não prosseguiu com o caso que reabriu de maneira tão entusiasmada – assim como nunca explicou por que se recusou a oferecer a Assange a garantia de que ele não seria extraditado para os EUA, sob um arranjo secreto entre Washington e Estocolmo. Em 2010, o periódico britânico The Independent revelou que os dois governos já haviam conversado sobre a extradição de Assange.
E então aparece o pequenino e bravo Equador. Uma das razões pela qual o país sul-americano ofereceu asilo político a Assange é o fato de o governo de seu próprio país, a Austrália, não ter lhe oferecido qualquer ajuda – à qual ele tinha o direito legal. O conluio da Austrália com os EUA, contra o seu próprio cidadão, tornou-se evidente em documentos secretos revelados; não existem vassalos mais leais aos EUA do que os políticos obedientes da Austrália.
Há quatro anos, em Sydney, eu passei várias horas com o Malcolm Turnbull, então um parlamentar liberal. Discutimos as ameaças a Assange e suas implicações mais graves contra a liberdade de expressão, assim como a justiça; e por que a Austrália tinha a obrigação de ficar ao seu lado. Turnbull é agora o primeiro-ministro australiano e, enquanto escrevo, está participando de uma conferência internacional sobre a Síria, tendo como anfitrião o primeiro-ministro britânico David Cameron, a apenas 15 minutos de distância do quarto onde Julian Assange viveu os últimos três anos e meio, na pequena embaixada equatoriana.
A conexão síria é relevante, ainda que pouco conhecida.Foi o WikiLeaks que revelou que os EUA planejavam há muito tempo derrubar o governo Assad, na Síria. Hoje, enquanto troca apertos de mãos, o primeiro-ministro Turnbull tem a oportunidade de trazer um mínimo de propósito e verdade para a conferência, falando abertamente sobre o aprisionamento ilegal de seu compatriota, a quem ele demonstrara tanta preocupação quando nos encontramos. Tudo o que ele precisa fazer é citar a decisão do Grupo de Trabalho em Detenções Arbitrárias da ONU. Ele irá recuperar, para a Austrália, ao menos essa ínfima reputação perante o mundo decente?
O que é certo é que o mundo decente deve muito a Julian Assange. Ele nos contou como o poder indecente se comporta em segredo; como mente, manipula e se engaja em enormes atos de violência, mantendo guerras que matam, mutilam e transformam milhões de pessoas nos refugiados que agora vemos na televisão.
Apenas por isso, por nos contar essa verdade, Assange merece sua liberdade, ao passo que ter justiça é o seu direito.
 John Pilger
Fonte em inglês:
Le fondateur de Wikileaks Julian Assange s'exprime à partir de l'ambassade d'Equateur
Fonte em português: Tradução em português Vinícius Gomes Melo para Outras Palavras
John Pilger : Jornalista. Autor de livros como “O mundo nas mãos: o que os média não dizem sobre os novos donos do mundo”. Vencedor do prêmio “British Academy Television Richard Dimbleby Award”. johnpilger.com