segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ataque terrorista em Damasco: JE SUI DAMASCO ( e você?)


Por que os jornais e TVs não dão cobertura digna aos ataques terroristas que acontecem contra os  sírios, os iraquianos, os libaneses e os palestinos? Por que os dirigentes imperialistas não fazem declarações contundentes e suas ONGs não promovem campanhas de combate ao terror, como fizeram quando a vítima foi o povo francês. 

Não fazem porque os povos árabes são considerados cidadãos de segunda categoria, ao lado dos latinos e dos africanos.  Não fazem por que não se interessam por  combater atos terroristas que não lhes rendam o fortalecimento de suas estratégias genocidas, atrás de resolver a crise do capital. 

O ataque  terrorista da qual a Síria foi vítima neste domingo e que causou a morte de 50 sírios , ferindo gravemente mais de 105 pessoas é tão repulsivo como todos os ataques terrorista, mas são tratados  sob outro ponto de vista. 

Vivemos uma época em que a destruição dos Estados nacionais e sua infraestrutura, pelos bombardeamentos do imperialismo  americano, da OTAN e dos aliados, como a França, são levados a cabo em nome da democracia e do humanismo. 

Uma época imoral para toda humanidade. 

Sob estas bandeiras o império-sionista  executa o genocídio dos povos e provoca uma trágica onda migratória daqueles seres humanos que conseguem fugir de seus históricos espaços destruídos. Foi assim que o império-sionista destruiu a Iugoslávia, a Líbia, o Iraque e tenta fazer o mesmo com a Síria, cujo povo resiste apesar de todos os ataques terroristas que sofrem do DAESH (ISIS), dos EUA e os aliados , e de Israel.
SOMOS TODOS SÍRIOS
JE SUI DAMASCO.
Blog somostodospalestinos

 

Informativo sobre a situação na Síria
- Atentados terroristas ocorridos em 31/01/2016 -
01/02/2016


            Grupos terroristas armados explodiram um carro-bomba, na tarde de 31/01/2016, próximo à uma estação rodoviária, no bairro residencial de “Kou Elsoudan”, localizado na área de “Saida Zainab”, na Zona Rural de Damasco. Outros dois atentados suicidas ocorreram, com a explosão de dois homens-bomba, enquanto as equipes de socorro faziam o seu trabalho para salvar as vidas dos civis atingidos pela primeira explosão, vitimando um total de 50 civis e ferindo outros 105 civis, alguns em estado grave, além de relevantes danos materiais nas casas e prédios da região.
            Estes ataques terroristas, covardes e condenáveis, vêm na esteira das tentativas dos grupos terroristas armados, apoiados por governos externos como a Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar, de sabotar os esforços atuais que buscam um diálogo sírio-sírio, sob uma liderança síria, aterrorizam os cidadãos sírios inocentes e levantam a moral dos grupos terroristas armados, que vêm sofrendo seguidas derrotas frente aos sucessivos êxitos do Exército Árabe Sírio, para restaurar a segurança e a paz nas áreas onde estes grupos terroristas armados mantêm suas atividades. O que nos chama a atenção é que os responsáveis por este crime citaram em suas declarações que esta explosão ocorreu em apoio à delegação da oposição, vinda de Riad, para discutir, em Genebra, com a delegação governamental sob os auspícios do Sr. Staffan de Mistura.
            O Governo da República Árabe da Síria reafirma a necessidade de adoção, por parte do Conselho de Segurança, de medidas dissuasivas contra os países que apoiam e financiam o terrorismo, em cumprimento das resoluções do Conselho No. 2170 (2014), 2178 (2014), No. 2199 (2015) e No. 2253 (2015). Assim como reafirma a necessidade de manter distância das politizações, das políticas de dois pesos e duas medidas nos esforços de combate ao terrorismo, o respeito aos princípios do Direito Internacional relativos ao tema e o apoio aos esforços do Governo da República Árabe da Síria no combate ao terrorismo.
            O Governo da República Árabe da Síria exorta o Secretário Geral das Nações Unidas e o Conselho de Segurança a condenar as explosões ocorridas em 31/01/2015 e as demais explosões covardes que vitimaram civis inocentes nos bairros e nas cidades sírias.

Fonte: Embaixada da República Árabe da Síria
Tradução: Jihan Arar

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

UCRÂNIA E A OTAN: a Arte da Guerra

O roteiro para a cooperação militar Otan-Ucrânia, assinado em dezembro, praticamente integra doravante as forças armadas e a indústria bélica de Kiev nas da Aliança sob a condução dos Estados Unidos. Nada mais falta a não ser a entrada formal da Ucrânia na Otan.
O presidente Poroshenko anunciou para esse efeito um « referendo » cuja data está por definir, prenunciando uma clara vitória do « sim » sobre a base de uma pesquisa já realizada. Por seu lado, a Otan garantiu que a Ucrânia, « um dos mais sólidos parceiros da Aliança », está « firmemente comprometida a realizar a democracia e a legalidade ».
Os fatos falam claramente. A Ucrânia de Poroshenko – o oligarca que enriqueceu com o saque das propriedades do Estado e a quem o primeiro-ministro italiano Renzi louva como « sábia liderança » – decretou por lei em dezembro o banimento do Partido Comunista da Ucrânia, acusado de « incitação ao ódio étnico e violação dos direitos humanos e das liberdades ». Estão proibidos por lei mesmo os símbolos comunistas : cantar A Internacional resulta numa pena de 5 a 10 anos de prisão.
É o ato final de uma campanha de perseguição semelhante à que marcou o advento do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Sedes de partidos destruídas, dirigentes linchados, jornalistas torturados e assassinados, militantes queimados vivos na Bolsa do Trabalho de Odessa, civis sem armas massacrados em Marioupol, bombardeados com fósforo branco em Slaviansk, Lougansk e Donetsk.
Um verdadeiro golpe de Estado sob a direção da dupla EUA/Otan, com o objetivo estratégico de provocar na Europa uma nova guerra fria para golpear e isolar a Rússia e, ao mesmo tempo, fortalecer a influência e a presença militar dos Estados Unidos na Europa. Como força assalto, foram utilizados, no golpe da Praça Maidan e nas ações sucessivas, grupos neonazistas treinados e armados para esse efeito, como provam as fotos de militantes de Uno-Unso treinados em 2006 na Estônia. As formações neonazistas foram em seguida incorporadas na Guarda Nacional, adestradas por centenas de instrutores estadunidenses da 173ª divisão aerotransportada, transferida de Vicenza para a Ucrânia, acompanhada por outras da Otan.
A Ucrânia de Kiev foi assim transformada no « viveiro » do nazismo renascente no coração da Europa. Chegam a Kiev neonazistas de toda a Europa (inclusive da Itália) e dos EUA, recrutados sobretudo pelo partido de extrema direita Pravy Sektor e pelo batalhão Azov, cuja identidade nazista é representada pelo emblema decalcado das SS do Reich. Depois de terem sido treinados e postos à prova nas ações militares contra os russos da Ucrânia e no Donbass, retornam a seus países com o « salvo-conduto » do passaporte ucraniano. Simultaneamente difunde-se na Ucrânia a ideologia nazista entre as jovens gerações. Disto, ocupa-se em particular o batalhão Azov, que organiza campos de treinamento militar e de formação ideológica para crianças e adolescentes, aos quais se ensina antes de tudo o ódio aos russos.
Isto advém da conveniência dos governos europeus: por iniciativa de um parlamentar da República Tcheca, o chefe do batalhão Azov, Andriy Biletsky, aspirante a « Führer » da Ucrânia, foi recebido pelo parlamento europeu como « orador convidado ». Tudo no quadro do « Apoio prático da Otan à Ucrânia », compreendendo o « Programa de potencialização da educação militar », no qual participaram em 2015, 360 professores ucranianos, instruídos por 60 experts da Otan. Num outro programa da Otan, « Diplomacia pública e comunicações estratégicas », ensina-se às autoridades como «contrapor-se à propaganda russa» e aos jornalistas como « gerar histórias factuais desde a Crimeia ocupada e a Ucrânia oriental ».
Manlio Dinucci
http://www.globalresearch.ca/ucraina-heil-mein-nato-2/5500939
ilmanifesto.info 4 January 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Mídia distorce informações sobre professor visitante da UFRJ

 Mídia distorce informações sobre professor visitante da UFRJ
 *Redação Boletim da Aduferj  e Elisa Monteiro
O tom sensacionalista com o qual a mídia brasileira tratou o caso do físico franco-argelino Adlène Hicheur põe em xeque a credibilidade das informações. Professor visitante do Instituto de Física da UFRJ, Hicheur foi apresentado à opinião pública do país como um perigoso terrorista.
Contribuiu para aumentar o julgamento do professor uma declaração do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para quem o físico sequer deveria ter entrado no país, em 2013.
O professor foi preso na França entre 2009 e 2012, sob as novas leis antiterroristas, por trocar e-mails com um suposto militante da Al-Qaeda na Argélia. Foi processado no final desse período e condenado à prisão pelo tempo que já havia ficado, mas, em seu julgamento, não foram encontrados indícios concretos de seu envolvimento em ações terroristas.
Formação de quadrilha, tendo como intenção cometer atos de terrorismo, foi a acusação pela qual respondeu à justiça francesa.
No Brasil, Adlène Hicheur entrou no radar da Polícia Federal por causa de uma reportagem da Rede CNN sobre o atentado contra o jornal francês “Charlie Hebdo”. A reportagem mostrou  um homem numa mesquita da Tijuca, no Rio, que exibiu símbolo de uma facção terrorista. A PF resolveu investigar os frequentadores do templo religioso e o professor Hicheur — que estava de férias na França, quando isso ocorreu —, pelo seu histórico, acabou alvo da investigação.
No dia 13, depois da repercussão de uma reportagem sob o título “Um terrorista no Brasil”, na revista Época, reiterando as acusações feitas por autoridades francesas, Hicheur comunicou a colegas da UFRJ e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) que decidiu interromper o seu contrato com a universidade e deixar o país, por se sentir perseguido.
Em carta a seus colegas da UFRJ e do CBPF, Hicheur afirma que, ao contrário do que disse a revista, sua prisão na França não era segredo para as autoridades brasileiras.
Defesa
O noticiário sobre Adlène Hicheur no Brasil repercutiu no exterior. Importantes pesquisadores da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, da sigla em francês), e de outras instituições de pesquisa na Europa, divulgaram nota de solidariedade ao professor.
“(...) Prof. Hicheur nunca cometeu, direta ou indiretamente, qualquer ato criminoso ou terrorista. Ele cumpriu a sua sentença (...) e tem trabalhado pacificamente no Brasil. (...) é admirável que o Brasil tenha oferecido ao prof. Hicheur a possibilidade de retomar a sua carreira científica (...). O artigo que foi publicado recentemente na Época não tem fundamento na realidade”, dizem trechos da nota.

Quando foi alcançado pela repressão na França, com base nas novas leis antiterror, um comitê de solidariedade lançou o manifesto “Guantánamo à la Française” (http://soutien.hicheur.pagesperso-orange.fr). A polícia da Suíça (onde fica o CERN) também investigou Hicheur e não encontrou nada, como informam os jornais da época (http://www.adlenehicheur.fr/press/oc09m11/2011-01_13_LeMatin_CH.pdf).

Posição da reitoria
Até a tarde desta sexta-feira 15, a UFRJ não tinha recebido nenhum comunicado do professor visitante Adlène Hicheur solicitando seu desligamento da instituição. A direção da universidade divulgou nota afirmando que não é atribuição da universidade deliberar sobre antecedentes criminais de professores. O ingresso de Hicheur, informou a UFRJ, seguiu os trâmites habituais.
No dia 14, o Instituto de Física divulgou nota informando a substituição “do professor Adlène para evitar que influências não acadêmicas interfiram no andamento das aulas. Ele continua exercendo atividades de pesquisa na pós-graduação”.



“Excelente pesquisador”
Professor Titular do Instituto de Física (IF) da UFRJ, Leandro Salazar de Paula lidera a equipe de pesquisadores da qual faz parte Adlène Hicheur, no Laboratório de Partículas Elementares do Instituto de Física. Salazar o define como “um excelente pesquisador, brilhante”. Caso Adlène deixe o país, considera que haverá prejuízo para a pesquisa. Os dois também atuam como colaboradores do CERN.
Adlène Hicheur está na UFRJ desde junho de 2014. Por causa da limitação no idioma, primeiro atuou só como pesquisador. No semestre seguinte, começou a lecionar na pós-graduação sobre sustentabilidade de energias renováveis, e em Física Experimental II, na graduação.
A trajetória do professor visitante na UFRJ é destacada com louvor. De acordo com Salazar, foi o prestígio internacional de Hicheur como pesquisador que propiciou a presença de especialistas de centro de pesquisa de referência internacional de Zurique, em colóquio científico realizado pelo Instituto de Física em 2015.
Na UFRJ, o professor franco-argelino atua em várias linhas de pesquisa. “Somos nove pesquisadores, e estamos perdendo o mais atuante. A saída dele é muito negativa”, lamenta Salazar.
O professor brasileiro relata que a contratação de Hicheur pela UFRJ seguiu todo rigor exigido a um visitante estrangeiro. “A documentação estava completa, visto, nada consta etc. E tudo já havia sido checado anteriormente pelo CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas). Todas as informações foram esclarecidas, inclusive sobre o cumprimento da pena. Não havia nada de secreto”.
Salazar explica que, em caso de visitantes, a previsão de permanência é de um ano, prorrogável três vezes pelo mesmo período. “Teríamos todo interesse que Adlène continuasse conosco os quatro anos. Mas, mesmo que não tivesse ocorrido essa situação toda, não tenho certeza se ele ficaria esse tempo todo. Tanto é que veio primeiramente com uma bolsa de curta duração do CBPF. Só depois aceitou uma colaboração maior. E quando abrimos a vaga para docente, resolveu se candidatar”, relata.
De acordo com o professor Leandro Salazar, dois fatores foram determinantes para que Adlène Hicheur escolhesse o Brasil como destino acadêmico, depois de cumprir sua pena: maior agilidade na burocracia brasileira e desejo por um novo ambiente para seu recomeço.
 “Quando foi solto, Adlène expressou aos colegas de área que seu interesse era voltar à vida científica”, conta. “A Europa paga melhor, mas o processo burocrático é mais lento”, observou Salazar.
Segundo o professor da UFRJ, o franco-argelino ficou chocado com a exploração de sua história pela mídia brasileira: “Adlène lidou em diferentes países com a questão. Mas nunca com essa exposição, com sua fotografia aparecendo repetidamente”. 
Salazar disse que cientistas internacionais manifestaram sua solidariedade a Hicheur logo que o noticiário sobre ele chegou à mídia. “Na verdade, como brasileiro, fiquei envergonhado por tudo que aconteceu com ele, que essa incivilidade tenha afetado a opinião dele sobre a gente”, disse. A “receptividade dos brasileiros” era sempre citada por Adlène Hicheur como fator que contribuiu para sua fixação no país, lembra o professor.

Boletim da Adufrj  de 21 de janeiro de 2016
http://www.adufrj.org.br/images/19012016B.pdf