quarta-feira, 1 de julho de 2015

Roger Waters responde a Caetano Veloso: 'Não vá a Tel Aviv'




Roger Waters respondeu à carta de Caetano Veloso. Relembrando: o ex-líder do Pink Floyd escreveu a Caetano e Gil, pedindo que não façam show em Israel, em julho, por causa do “massacre contra os palestinos”. Caetano escreveu de volta (CLIQUE E LEIA AQUI). Depois de enfatizar sua oposição à “direita arrogante do governo israelense”, o baiano disse: “Nunca cancelaria um show para dizer que sou basicamente contra um país, a não ser que eu estivesse realmente e de todo meu coração contra ele. O que não é o caso. Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança. Sartre e Simone de Beauvoir morreram pró-Israel.” Aqui, a tréplica do músico inglês:

Querido Caetano,

Obrigado por tomar seu tempo para responder à minha carta. Diálogo é realmente importante. Eu vou responder aos pontos que você levantou. Temo que você possa estar vendo a política israelense com lentes cor-de-rosa. O fato é que, por muitas décadas, desde a Nakba (catástrofe, expropriação do povo palestino) em 1948, as políticas coloniais e racistas de Israel têm devastado a vida de milhões de palestinos.
 

O movimento BDS, ao qual estou pedindo que se junte, é um movimento global que demanda liberdade, justiça e igualdade para os palestinos. Está aumentando rapidamente por causa da crescente consciência internacional sobre a opressão que os palestinos têm suportado nesses últimos 67 anos. O atual regime de extrema direita de Netanyahu é apenas o último governo perpetrando atos cruéis de injustiça e colonização. Mas isso não é um problema apenas da direita. Foi, na verdade, o partido de esquerda Trabalhista que fundou o programa de assentamentos ilegais e que também falhou em acabar com a ocupação das terras palestinas e fazer a paz.
 

Em sua carta, você diz que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir acreditavam em Israel antes de morrer. Até pode ser, mas isso foi naquele tempo, talvez à época eles não soubessem ou não compreendessem a brutalidade da ocupação das terras palestinas e a subjugação de seu povo. No entanto, eu sei o seguinte, os assoalhos respingados de vinho e café do Café Flores e do Les Deux Magots hoje reverberariam com o som de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir revirando-se em seus túmulos ao ouvirem seus nomes usados em vão e pregados ao mastro da ocupação e opressão do povo palestino.
 

Você menciona o arcebispo emérito Desmond Tutu, ele está entre os que abraçam o BDS, já que ele observou as ações de Israel e tem profunda empatia com o povo palestino. Há, como ele apontou a você, um apartheid nos territórios ocupados que é tão definitivo e desumanizante como o que havia na África do Sul do apartheid, quando leis de passagem infames e racistas estavam em prática. Assim como na África do Sul, palestinos e seus direitos legais são definidos por sua origem racial ou religiosa. Você consegue imaginar uma coisa dessas no Brasil ou na Inglaterra ou nos EUA ou na Holanda ou no Chile, ou? Não. Por que não?
 

Porque é inaceitável, é por isso que não.
 

Caetano, se posso fazer uma pergunta, por que você não rejeitaria a cumplicidade com tamanha injustiça agora, assim como você certamente teria rejeitado o racismo branco contra a população negra da África do Sul nos anos 80?

Sua carta sugere que você acredita que seu futuro show em Tel Aviv pode ajudar a mudar a política israelense. Eu sugeriria que essa é uma posição ingênua. Infelizmente, não é apenas o governo israelense que precisa de uma mudança de mentalidade. Pesquisas indicam que impressionantes 95% do público judeu israelense apoiaram os bombardeios a Gaza em 2014 (561 crianças mortas), 75% não apoiam um Estado palestino baseado nas longamente negociadas fronteiras de 1967, e 47% acreditam que os cidadãos palestinos de Israel devem ser destituídos de sua cidadania.
 

Não, Caetano, tocar em Tel Aviv não vai mover o governo israelense ou a maioria dos israelenses nem um centímetro, mas vai ser visto como sua aprovação tácita ao status quo. Sua presença lá será usada como propaganda pela direita e proverá cobertura e apoio moral às políticas ultrajantemente racistas e ilegais do governo israelense.

É um dilema, eu sei, mas se você quer realmente influenciar o governo israelense, você se unirá a nós na linha de piquete do BDS. Nós estamos tendo um efeito poderoso, como você pode ver pela reação deles, os agressores vindo com toda a força para tentar esmagar nossas vozes de dissenso e nos silenciar.

Nós não seremos silenciados, somos fortes, e, juntos, nós podemos ajudar a libertar não só o povo palestino do jugo da opressão israelense, mas também o povo israelense da opressão de seu próprio excepcionalismo e dogma, que é fatal a ambos os povos.

Eu imploro a você para não proceder com sua participação em Tel Aviv. Em vez disso, tome a oportunidade de visitar Gaza e Cisjordânia e ver por você mesmo o que Sartre e Simone de Beauvoir não viveram para ver. Eu acredito que sua resolução de tocar em Tel Aviv se dissolverá em um mar de lágrimas e arrependimento.
 

Caetano, eu não conheço você, nunca nos encontramos pessoalmente, mas eu acredito que você tem boas intenções e não carrego nenhum ressentimento. Se você for a Tel Aviv, apesar de nossos apelos sinceros, e se você visitar Gaza ou os territórios ocupados, você pode muito bem ter uma epifania. Se você o fizer, por favor, nos procure, a todos nós, não só nas comunidades palestinas e judaicas, mas todos nós em solidariedade no Brasil e em outros lugares, todos nós no BDS por todo o mundo trabalhando por justiça e direitos iguais na Terra Santa. Nós iremos abraçá-lo.

Eu lhe agradeço de novo por se juntar a essa conversa. Por favor, vá e veja as coisas por si mesmo, mas sem se apresentar lá, sem cruzar a linha de piquete do boicote palestino. Talvez a UNRWA (agência da ONU para os refugiados palestinos) possa ajudar, eles certamente me ajudaram quando eu estava procurando a realidade. Vá e veja por você mesmo, você não terá que usar sua imaginação. A realidade é devastadora para além de qualquer coisa que você possa imaginar. Obrigado,
 

Seu colega,

Roger Waters

 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Uma guerra programada para destruir a resistência árabe

Falso Califato: perfeito ativo estratégico dos EUA



[*] Pepe Escobar, Sputnik
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Manifestantes pro-ISIS/ISIL/Daesh em Mosul, Iraque
O ocidente “civilizado” chora abundantes lágrimas de crocodilo, quando a pérola do deserto da Antiga Rota da Seda, Palmira, cai sob as garras do ISIS/ISIL/Daesh.

Contudo, nem o Presidente Barack Obama dos EUA nem qualquer de suas 22 nações-vassalas pesadamente armadas que formam teoricamente a coalizão de vontades dele mandou para lá um drone equipado com míssil Hellfire, que fosse, contra os bandidos vestidos de negro do falso Califato.
Pode-se argumentar que o ocidente “civilizado” prefere negociar com um Califato cheio de wahhabistas medievais intolerantes, a negociar com um “ditador árabe” secular que “se recusa a prostrar-se de joelhos ante o altar do neoliberalismo ocidental”.
Paralelamente, já se disse que os que armaram os degoladores da Frente Al-Nusra, também conhecida como al-Qaeda na Síria, ou ISIS/ISIL/Daesh são predominantemente sauditas – os maiores importadores de armas do planeta – que compram armas principalmente dos EUA, mas também da França e da Grã-Bretanha.
E agora, documento de agosto de 2012, da Agência de Inteligência do Departamento de Defesa dos EUA [Defense Intelligence Agency (DIA)] que circulou por todas as mãos, do CENTCOM à CIA e ao FBI, obtido por ordem judicial pela empresa Judicial Watch, finalmente confirma o que passa por “estratégia” de Washington no Levante e na Península Árabe.
E, assim como a proto-Al-Qaeda original fundada pela CIA, estabelecida nos anos 1980s em Peshawar, o ISIS/ISIL/Daesh, também conhecida como al-Qaeda 2.0, serve ao mesmo objetivo geopolítico.
O resumo é que o ocidente “civilizado”, ombro a ombro com vassalos tipo Turquia e petromonarquias do Golfo, “deram apoio” ao braço da al-Qaeda na Síria para desestabilizar Damasco – apesar de o Pentágono estar prevendo o resultado sinistro que disso adviria, como a emergência do ISIS/ISIL/Daesh (ver também matéria detalhada de Brad Hoff, em 22/5/2015, redecastorphoto: EUA – Agência de Inteligência da Defesa, 2012: Ocidente facilitará ascensão do Estado Islâmico ‘para isolar regime sírio’, Levant Report [traduzido] NTs).
Pelo raciocínio do Pentágono, aí estaria um ativo estratégico de valor incalculável, a ser usado para “isolar o regime sírio”.
É irrelevante que o relatório da Inteligência da Defesa dos EUA não diga, com todas as letras, que o governo dos EUA inventou o ISIS/ISIL/Daesh, ou que favorece a al-Nusra na Síria ou o falso Califato no Iraque.
O ponto chave é que o documento mostra que governo dos EUA fez nada, absolutamente nada, para impedir que a Casa de Saud, os vassalos no Conselho de Cooperação do Golfo e a Turquia “apoiassem” a “oposição” síria – naquele ardente desejo desses todos de facilitar a emergência de um estado salafista à parte no leste da Síria e atravessando a fronteira, incluindo território iraquiano.
ISIS/ISIL/Daesh recebe armas sofisticadas dos EUA
Agora, já não há observador bem informado que não saiba que a “guerra ao terô” iniciado pelo governo Cheney é completa fraude. Assim sendo, não é surpresa que a destruição planejada do “Siriaque” [orig. “Syraq”] atualmente em andamento ofereça ao complexo industrial militar dos EUA o pretexto perfeito para super armar, com bilhões de dólares em armas, a Casa de Saud, outros vassalos reunidos no CCG, Israel e Iraque.
Essa confluência de interesses – geopolíticos, para o Pentágono; comerciais, para o complexo industrial militar – completa o cenário da Casa de Saud virtualmente ditar a política exterior do governo autodefinido de Obama como “Não faça merda coisa estúpida” no Levante e na Península Árabe.
No início de junho/2015 haverá em Paris uma reunião de todos os 22 estados membros da coalizão de Obama. Até lá, o Pentágono terá de ter algum plano de o que fazer do seu ISIS/ISIL/Daesh; ir ao tudo ou nada e tentar aniquilá-lo (muito improvável), ou empurrar os esquadrões de paus-mandados na direção do Cáucaso (nada improvável). O mais provável, em todos os casos, é que a coisa continue como está.
E a Rússia sabe de tudo
O coronel-general Igor Sergun, chefe do Diretorado Superior de Inteligência [orig. Main Intelligence Directorate (ru. GRU)] do Comando Geral das Forças Armadas da Rússia praticamente jamais fala em público. Por isso, quando ele fala, as placas geopolíticas tectônicas se agitam.
A análise de Sergun encaixa-se perfeitamente ao relatório da AID. Já há anos a inteligência militar russa concluiu – e agora está divulgando publicamente – que “o terrorismo islâmico” ou, de fato, a “guerra ao terô” toda ela, é ferramenta ocidental usada para esmagar nações soberanas que se atrevam a fazer oposição ao hegemon.
E como todos nós sabemos, é claro que é muito mais fácil subverter e/ou esmagar Iraque, Líbia ou Síria, que Rússia ou China. Ou, por falar disso, o Irã.
ISIS/ISIL/Daesh ataca vilas no Siriaque
Entrementes, o Império do Caos tem de se empenhar muito para conseguir lidar com – ou exibir cara de quem estaria conseguindo lidar – com o revide gerado por sua posição de Dividir e Governar. No Iraque, a queda de Ramadi deu ao ISIS/ISIL/Daesh um grande impulso de Relações Públicas, em termos de alcance estratégico, para recrutar novos soldados e para levantar cada vez mais dinheiro. Fizeram a equipe-aquela, de “Não façam merda coisa estúpida”, de idiotas.
E os EUA não foram sequer espectadores secundários da queda. Ramadi caiu porque o governo de Bagdá recusou-se a dar armas às tribos sunitas da província de Anbar. O falso Califato atacou a cidade com uma frota de 30 caminhões carregados de explosivos e com suicidas-bomba ao volante. As tribos que defendiam a cidade tiveram de desaparecer, porque sabiam que seriam massacrados pelos bandidos do Califato.
E o que fazia o Pentágono naquele momento? Nada – contradizendo a errada acusação do El Supremo do Pentágono, Ash Carter, para quem as forças iraquianas não tinham “vontade de lutar”. O Pentágono também nada fez em Tikrit, quando os norte-americanos recusaram-se a lutar contra o falso Califato ao lado de milícias xiitas comandadas por oficiais vindos do Irã e que se reportavam diretamente ao famosíssimo super comandante da Força al-Quds, brigadeiro-general Qassem Suleimani.
É Irã contra os degoladores
Agora a queda de Ramadi deixa bem claro que a verdadeira potência que está dando combate ao ISIS/ISIL/Daesh no Iraque é o Irã, não os EUA. Milícias xiitas já estão sendo incorporadas às forças de segurança do Iraque.
Milícias xiitas defendem Ramadi
Ezzat al-Douri, ex-n.2 de Saddam Hussein – que os EUA não prenderam até hoje – tem distribuído mensagens sobre a urgente grande necessidade de ajuda armada que venha dos suspeitos de sempre, Arábia Saudita, ainda que os sauditas tenham tentado armar as tribos em Anbar, através da Jordânia. Adivinhem quem disse “não”? Washington. Segundo as tortuosas e vacilantes regras do governo Obama, a Jordânia só poderia fazer o jogo dos sauditas se viesse uma autorização de Bagdá, que nunca veio.
Essa confusão quase impenetrável é só um exemplo do jogo duplo que o Império do Caos joga nessa “guerra ao terô” – que se resume à elaborada farsa que é a “luta” contra o ISIS/ISIL/Daesh em todo o “Siriaque”.
Aconteça o que acontecer em Washington no futuro próximo, sob Hillary “Viemos, vimos, ele morreu” Clinton ou sob Jeb “Meu irmão acertou na invasão” Bush, não se vê nem sinal de que o governo dos EUA pare algum dia de usar o “terrorismo islamista” como ativo estratégico.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009. 

− Adquira seu novo livro Empire of Chaos, publicado no final de 2014 pela Nimble Books.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Israel bombardearam clinicas médicas em Gaza, para "elevar moral"!?


Las fuerzas israelíes atacaron deliberadamente instalaciones civiles durante la guerra de Gaza del pasado verano, señaló el mayor Amihai Harach, en declaraciones efectuadas a la emisora Galei Yisrael y recogidas por el diario Haaretz. Él manifestó que el ataque contra una clínica médica en la Franja de Gaza fue deliberado.

Esta incidente saltó de nuevo a los medios cuando fue publicada una entrevista con un teniente coronel israelí en la que él afirmó que había ordenado a las tropas atacar la clínica para “honrar” al capital de un Cuerpo Acorazado, Dima Levitas, que fue muerto en una operación palestina. El ataque contra la clínica tuvo lugar al mismo tiempo que el funeral de Levitas.

El comandante del batallón al que pertenecía Levitas, teniente coronel Neria Yeshurun, dijo en efecto a la publicación de las fuerzas terrestres Bayabasha que él y su compañía no pudieron asistir al funeral de Levitas y “de este modo decidimos enviar varios obuses” contra la clínica.

Al ser preguntado si este incidente era inusual, Harach dijo: “Lo único inusual que él (Yeshurun) hizo fue que convirtió el incidente en un acto de homenaje a Dima, el jefe de la compañía muerto. Esto buscaba elevar la moral... y animar los soldados a continuar la misión”. Los soldados grabaron el bombardeo de la clínica “para que pudiéramos distribuirlo a todo el batallón”.

El ataque contra la clínica mató a cinco personas, cuatro de las cuales eran civiles que buscaban tratamiento, y otras 45 resultaron heridas. Los grupos pro-derechos humanos condenaron el ataque, que fue uno más de los muchos llevados a cabo por Israel contra objetivos civiles en aquel conflicto, como un crimen de guerra.

Responsables israelíes mintieron al insistir en que Hamas estaba operando desde la clínica y ellos han mantenido esta ficción hasta el día de hoy, a pesar de las declaraciones de los dos oficiales israelíes, que dejaron claro que dicho bombardeo tenía por objetivo el de “reforzar la moral” de sus fuerzas y llevar a cabo un ataque de venganza contra un objetivo civil.

Durante la guerra de agresión contra Gaza numerosas escuelas, clínicas y hospitales fueron objeto de ataques por parte del Ejército israelí.

http://www.almanar.com.lb/spanish/adetails.php?fromval=1&cid=23&frid=23&eid=97579

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Síria denuncia o Qatar no Conselho de Segurança da ONU

Duas cartas, de igual teor, datadas em 09/06/2015, dirigidas ao Secretário Geral das Nações Unidas e ao Presidente do Conselho de Segurança, por parte do Ministério das Relações Exteriores e Expatriados da República Árabe da Síria.


A República Árabe da Síria exige das Nações Unidas e, em especial, do Conselho de Segurança, a adoção de medidas imediatas contra o regime do Qatar, apoiador dos grupos terroristas armados na Síria, que cometeram os mais brutais e sanguinários crimes contra o Estado e o povo da Síria, e a punição dos responsáveis, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança sobre o combate ao terrorismo, especialmente as cinco resoluções supracitadas

Com base nas instruções do Governo da República Árabe da Síria, gostaria de transmitir, a Vossas Senhorias, a rejeição do Governo do meu país às falsas alegações citadas na carta do regime do Qatar, emitida através do documento No. S/332/2015, que vêm no contexto de suas tentativas desesperadas de melhorar a sua imagem, de suas práticas de apoio ao terrorismo, da distorção dos fatos e de dispersar as atenções dos países membros das Nações Unidas, de modo geral, e do Conselho de Segurança, de modo especial, quanto ao apoio direto dado pelo regime do Qatar aos grupos terroristas armados, para aterrorizar o povo sírio e atingir a segurança e a estabilidade do Estado sírio. A seguir, alguns dos fatos que provam o envolvimento direto do Qatar no derramamento de sangue sírio e no apoio ao terrorismo:
  1. Ironicamente, o regime do Qatar uniu-se ao refrão dos países que apresentam cartas, de igual teor, ao Conselho de Segurança e ao Secretário Geral contra a Síria, recheadas de distorções e de inversões dos fatos, especificamente quando alegam que a Síria usou armas químicas contra o seu povo, ao tempo em que a Organização para a Proibição de Armas Químicas afirmou que a Síria cumpriu com o seu compromisso, de acordo com o Tratado de Não Proliferação de Armas Químicas e em cooperação total com a Comissão Técnica da Organização. As alegações, nas quais se basearam as cartas do Qatar, não despertam senão a zombaria, porque foi a Síria quem pediu a investigação sobre uso de armas de cloro, por parte dos grupos terroristas armados, contra os civis inocentes nas cidades e vilarejos sírios. A posição das autoridades do Qatar e outros é uma defesa clara de seus aliados declarados, como a Jabhat Al Nusra e o ISIS (Daesh), além de outros grupos terroristas ligados à Al Qaeda, especialmente porque as informações disponíveis indicam que os governos do Qatar, da Arábia Saudita, da Turquia e outros estão suprindo os terroristas com estes materiais tóxicos para difamar o Governo da República Árabe da Síria e denegrir a sua imagem. 
  2. Os meios midiáticos do Qatar, em todos os níveis, promovem uma campanha de propaganda e promoção dos grupos terroristas armados ativos em território sírio e os defendem à exaustão. O Canal Al Jazeera recebeu como convidado, em 27 de maio de 2015, em seu programa ‘Sem Fronteiras’, o conhecido como ‘Abu Mohamad Al Jolani’, emir da organização Jabhat Al Nusra, (citado na lista da comissão do Conselho de Segurança sobre a Al Qaeda), com o qual realizou uma entrevista para promover o terrorismo e as organizações terroristas e para dirigir mais ameaças ao Governo e ao povo sírio. A aparição do chamado ‘Abu Mohamad Al Jolani’ num canal de mídia, nada mais é do que uma prova definitiva e reiterada sobre a relação orgânica e a cooperação estreita entre esta organização terrorista, o canal Al Jazeera e as autoridades qataris, detentoras deste canal, que fala em nome da família governante do Qatar, responsável pela definição das políticas midiáticas, promocionais e de incitação do mesmo. A realização desta entrevista é uma flagrante violação das resoluções das Nações Unidas, relativas ao combate ao terrorismo, especialmente a resolução No. 1624, relativa à incitação ao terrorismo.
  3. O Ministro de Relações Exteriores do regime do Qatar considerou, durante uma entrevista com o jornal francês Le Monde, em 11 de maio de 2015, realizada no coração de um país membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a cooperação com a organização Jabhat Al Nusra e com os grupos terroristas ligados à ela ou ramificados dela é um fato inevitável. Citamos o seguinte trecho da entrevista: “Nós somos contra qualquer extremismo, mas todos estes grupos, com exceção do ISIS (Daesh), lutam para derrubar o regime e os moderados não podem dizer à Jabhat Al Nusra: ‘Fique em casa! Não atuaremos com vocês’…temos que olhar para a situação no terreno e sermos realistas”. Esta declaração feita pelo Ministro das Relações Exteriores do regime do Qatar é considerada um franco reconhecimento do chefe da diplomacia qatari sobre o apoio e a aceitação da cooperação com a organização terrorista Jabhat Al Nusra, o que representa uma flagrante violação das resoluções do Conselho de Segurança relativas ao combate ao terrorismo, especialmente as resoluções Nos. 1373, 2170, 2178 e 2199. 
  4. A carta do representante do regime do Qatar cita o chamado ‘esforço de mediação’ promovido pelas instituições governamentais do Qatar. Neste sentido, o Governo da Síria assinala que tais instituições governamentais diferem das demais instituições governamentais do mundo todo, ao atuar como mediadoras junto aos vários grupos terroristas, como a Al Qaeda e a Jabhat Al Nusra, para libertar os reféns e as pessoas sequestradas pelas organizações terroristas na Síria, incluindo o conhecido sequestro dos membros das forças da UNDOF e outros no mundo todo. A atitude apressada do regime do Qatar em servir de mediador e em avalizar o pagamento de resgates, avaliados em milhões de dólares, somente confirma o seu contato, a sua estreita coordenação com os grupos terroristas armados e a utilização destas situações como meio de fornecer um financiamento declarado aos grupos terroristas armados.
A República Árabe da Síria exige das Nações Unidas e, em especial, do Conselho de Segurança, a adoção de medidas imediatas contra o regime do Qatar, apoiador dos grupos terroristas armados na Síria, que cometeram os mais brutais e sanguinários crimes contra o Estado e o povo da Síria, e a punição dos responsáveis, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança sobre o combate ao terrorismo, especialmente as cinco resoluções supracitadas.

Tradução: Jihan Arar
Sana.sy