terça-feira, 31 de março de 2015

Síria: Presidente Bashar al Assad afirma que os países da coalizão mantêm as forças terroristas do DAESH ou ISIS

DOMINGO, 29 DE MARÇO DE 2015

Presidente Bashar al-Assad, da Síria: “A coalizão anti-ISIS não quer que o Estado Islâmico acabe completamente”

28/3/2015, RT – Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Presidente da Síria, Bashar al-Assad
A aliança de 60 países que declararam seus planos para derrotar o Estado Islâmica “não é séria” – disse o presidente sírio Bashar al-Assad a jornalistas russos. Vários daqueles países preferem manter por lá a força terrorista, para continuar a chantagear países da região – disse ele.

O volume de ataques aéreos feitos por estados membros da tal “coalizão anti-ISIS”, alguns dos quais são países “ricos e avançados”, não passa de dez raids por dia sobre territórios da Síria e do Iraque – disse Assad em entrevista publicada na 6ª-feira (27/3/2015).

A Força Aérea da Síria, que é muito pequena se comparada à tal “coalizão”, faz, num único dia, de cinco a dez vezes mais ataques aéreos contra o ISIS, que a “coalizão” que reúne forças armadas de 60 países – disse Assad.

Não faz sentido. Só mostra seriedade zero – disse o presidente sírio. – E mostra também que a “coalizão” não quer acabar completamente com o ISIS.

Drone utilizado pela "coalizão" dos EUA na Síria
Não se vê nenhum esforço sério na luta contra o terrorismo. O que as forças sírias conseguem em campo num dia, é mais do que a tal “coalizão” de 60 países consegue em semanas! disse Assad. Que sentido haveria numa coalizão antiterrorismo, formada de países que, eles mesmos, financiam e apoiam terroristas?!  

O Presidente da Síria também alertou que a decisão de mandar para a Síria tropas “mantenedoras” da paz é inaceitável e poderá ter consequências perigosas. Se essa medida chegar a ser implementada, significará reconhecer o Estado Islâmico.

Forças para manter a paz são enviadas para regiões entre países que estejam em guerra. Quando alguém fala de enviar tropas “de paz” para lidar com o Estado Islâmico, equivale a reconhecer que o EI seria um estado, em guerra com outro estado. Essa retórica é inadmissível e muito perigosa – disse o presidente Assad.

O presidente sírio disse que o ocidente não tem solução política a oferecer para a crise na Síria. O único interesse do ocidente naquela região é derrubar o governo sírio.

Querem nos converter em fantoches, em vassalos. Minha opinião é o ocidente não tem qualquer solução política a oferecer. Não tem nem quer ter. E quando digo “ocidente”, refiro-me basicamente aos EUA, à França e à Grã-Bretanha. Todos os demais países são acessórios.

ISIS desfila em Raqqa, na Síria, com veículos fornecidos pela "coalizão" dos EUA (haja hipocrisia)
Para pôr fim ao conflito armado em curso na Síria, entre o exército sírio e militantes internacionais, países como a Turquia, a Arábia Saudita, o Qatar e alguns países europeus deveriam parar de fornecer armas para terroristas – disse o presidente da Síria.

O presidente sírio disse a jornalistas russos que Damasco não tem qualquer contato direto com os EUA nem está participando de qualquer tipo de discussões.

Recebemos algumas ideias passadas até nós por terceiros, mas nada que se possa considerar como diálogo sério – disse Assad, acrescentando que a única opção que resta ao seu país é esperar que mudem as políticas norte-americanas.

Na análise do presidente sírio, há dois grandes campos políticos nos EUA – um grupo que deseja a paz e outro, mais radical e agressivo. O primeiro é “uma minoria”, e o outro é quem manda na política externa do país.

Os obcecados por guerras que operam no segundo grupo apoiam integralmente as ideias mais agressivas, inclusive de envolvimento militar direto dos EUA na Síria e no Iraque, como querem, também, mandar armas para a Ucrânia.

Miliciano naonazista da Ucrânia
Há uma conexão entre a crise síria e o que se passa na Ucrânia. Primeiro, porque os dois países são importantes para a Rússia. Segundo, porque nos dois casos há um objetivo de impor ali governos fantoches do ocidente, para enfraquecer a Rússia – disse Assad aos jornalistas russos.

Perguntado sobre novas instalações da marinha russa no porto sírio de Tartus, Assad disse que seu governo apoiará, sem dúvida, a ideia de reviver e expandir as instalações e convertê-las em base militar, caso esse seja o desejo de Moscou.

Para nós, a presença russa no leste do Mediterrâneo é muito bem-vinda, sobretudo próxima de nossas praias e portos – disse ele.

Cerimônia de desembarque dos tripulantes
do cruzador Pyotr Veliky em Tartus, Síria
As instalações navais russas em Tartus foram construídas pelos soviéticos e foram usadas, principalmente, para reparos e reabastecimento de navios russos no Mediterrâneo. Quando a crise síria escalou, o pessoal militar russo foi retirado daquelas instalações.

Assad lembrou que a presença russa na Síria causa a todos uma certa sensação de equilíbrio na região. Lembrou que, no passado, quanto mais visível a influência de Moscou na região, mais estável e pacífica a vida em toda a área. 

Día de la Tierra: 30 de março- palestinos caminham entre as lembranças de sua terra querida

Cada año el 30 de marzo, los palestinos exiliados regresan a sus hogares en Lifta para protestar por la ocupación israelí.



A principios de marzo de 1976, Israel publicó planes de expropiar de unos 20.000 dunums (2.000 hectáreas) de tierra alrededor de las aldeas palestinas de Sakhnin y Arraba, que más tarde serían utilizados para establecer nuevos asentamientos judíos y un campo de entrenamiento militar. Estos planes fueron parte de una política oficial estatal para judaizar Cisjordania después de la creación del Estado de Israel.
En una respuesta colectiva el 30 de marzo de 1976, se puso en marcha una de las primeras manifestaciones de acción masiva, coordinada por los palestinos dentro de Israel, los palestinos se manifestaron en toda Galilea, en el norte hasta el Negev, en el sur. Seis palestinos fueron asesinados a tiros por las fuerzas israelíes y más de 100 palestinos resultaron heridos.
El 30 de marzo ha sido celebrado anualmente por los palestinos como Yom al-Ard (Día de la Tierra), con acciones colectivas de lucha contra la colonización a través de la Palestina histórica y en la diáspora palestina.
Para la comunidad exiliada de Lifta, Yom al-Ard es uno de los días más importantes de acción asentada en la comunidad. Desplazados de su aldea en las laderas occidentales de Jerusalén en 1948, muchos aldeanos huyeron sólo a un par de kilómetros a través de la Línea Verde a Jerusalén Este.
Muchos de estos refugiados huyeron posteriormente a nivel internacional cuando Jerusalén Este fue ocupada en 1967 y posteriormente anexionada por Israel en 1981.
Aun así, un núcleo de la comunidad en el exilio de Lifta permanece hasta hoy en Jerusalén Este, viviendo sólo uno o dos kilómetros de sus lugares de origen, pero se les ha negado el derecho al retorno. Cada año en Yom al-Ard, miembros de la comunidad realizan el corto viaje a su pueblo natal para limpiar el cementerio, orar por la primavera y caminar entre los viejos recuerdos.
Los refugiados de Lifta reunidos en tres autobuses, junto con muchos coches y furgonetas, realizan un viaje de 10 minutos desde la Colina Francesa en Jerusalén Oriental a su aldea. 


Dejando los autobuses en el extremo inferior de Lifta, los refugiados se dirigieron al valle a través de los campos de trigo y pasando por enormes postes de alta tensión, que suministra la vía para la planta de electricidad israelí construida en tierras de la aldea.
La principal carretera entre Jerusalén y Tel Aviv con vistas a varios asentamientos judíos construidos en tierras altas después de 1948, aunque el centro tradicional de la aldea palestina y muchos de sus edificios permanecen intactos.
Abu Khalid es uno de los supervivientes de la Nakba de Lifta. "No nos olvidamos", dijo a Al Jazeera. "Sabemos que cada una de las casas de este pueblo, y si comemos saber [tuna], podemos saber si es  una saber de Lifta." 
Yakoub Odeh ha sido un portavoz de la comunidad por muchos años. Sobreviviente de la Nakba, Odeh encabeza el grupo los Hijos de Lifta: "hoy estamos aquí reunidos para conmemorar el Día de la Tierra en Lifta, pero el Día de la Tierra no es sólo de Lifta, es un día de lucha por toda Palestina. Estamos aquí para recordar, estamos aquí para aprender y aquí estamos para decir que nunca nos daremos por vencidos." 


"Lifta es la única entre las aldeas palestinas despoblada durante la Nakba, en que la mayoría de las casas y los edificios permanecen intactas hoy y no ocupadas por los judíos israelíes. 
Yom al-Ard se conmemora por los palestinos en todas las esferas de la Palestina histórica. Grandes eventos se celebran anualmente en la Galilea, el lugar de los hechos originales en el año 1976, mientras que otras acciones se llevan a cabo por las comunidades palestinas en diversos lugares en todo el territorio de Israel, Cisjordania y en Gaza. 
Los refugiados de Lifta permanecen en el este de Jerusalén hoy son refugiados inscritos por el OOPS y los titulares de las tarjetas de identificación azul emitidas por Israel, que los clasifica como "residentes" de Jerusalén Oriental, pero no ciudadanos israelíes.

Abu Mohammad dice que su padre fue asesinado por las milicias sionistas en Jerusalén durante la Nakba. La casa de su abuelo en Lifta está junto a la carretera de entrada al pueblo, ocupada por una familia judío iraquí. Es una de los pocos de las casas originales que han sido ocupados, y todas ubicadas bien lejos del centro del pueblo.
Limpieza del cementerio del pueblo y el respeto de la tumbas de los familiares se ha convertido en un foco de muchos eventos de la comunidad de Lifta. Nader Liftawi nació en el barrio de Sheikh Jarrah en Jerusalén oriental en 1970 y fue llevado a la aldea regularmente por su padre desde joven: "he traído a mis hijos aquí desde que eran jóvenes. Yo vengo por lo menos una vez al mes para revisar las casas, limpiar las tumbas y oler el aire. Esto es todo para nosotros”.
Los sobrevivientes de la Nakba recuerdan la primavera como el centro de la vida de la comunidad hasta la despoblación forzosa de su aldea. Para conmemorar el Día de la Tierra, los refugiados de Lifta oran junto a las aguas por la primavera.
Cuando los refugiados comenzaron a abandonar Lifta durante el Día de la Tierra, la fuente de agua de la aldea se convirtió en una zona recreativa para grupos de jóvenes israelíes ortodoxos de los asentamientos de los alrededores, incluyendo Givat Shaul, que se ha ampliado a las ruinas de Deir Yassin después de la masacre de palestinos en abril de 1948.
Imágenes: Rich Wiles, Aljazeera
Copyleft: Toda reproducción de este artículo debe contar con el enlace al original inglés y a la traducción de Palestinalibre.org
Fuente: Rich Wiles, Aljazeera / Traducción: Palestinalibre.org

Geopolítica da guerra dos EUA no Iêmen (I)

30/3/2015, [*] Mahdi Darius NazemroayaStrategic Culture

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Os EUA e o reino da Arábia Saudita ficaram muito ansiosos quando o movimento iemenita dos houthis, ou Ansarallah (ar. “pilares de Deus”) conquistou o controle sobre a capital do Iêmen, Sanaa/Sana, em setembro de 2014. O presidente do Iêmen Abdrabbuh Manour Al-Hadi, apoiado pelos EUA, foi humilhantemente forçado a dividir o poder com os houthis e a coalizão de tribos do norte do Iêmen que haviam ajudado os houthis a tomar Sana. Al-Hadi declarou que haveria negociações para a formação de um governo de unidade nacional do Iêmen, e seus aliados – EUA e Arábia Saudita tentaram usar um novo diálogo nacional e mediaram conversações, no esforço para cooptar e pacificar os houthis.

A verdade foi virada de pernas para o ar, em tudo que tenha a ver com a guerra no Iêmen. A guerra e a derrubada do presidente Abdrabbuh Manour Al-Hadi no Iêmen não são efeito de algum “golpe houthi” que tivesse acontecido no Iêmen. É o contrário disso: Al-Hadi foi derrubado porque ele tentou um golpe, apoiado por sauditas e EUA, para escapar das regras de partilha do poder que o presidente havia assinado; e para devolver o Iêmen à regra autoritária de antes. A derrubada do presidente Al-Hadi pelos houthis e seus aliados políticos foi reação não prevista à tentativa de golpe, para voltar ao poder autoritário de antes, empreendida por Al-Hadi com apoio e planejamento de Washington e da Casa de Saud.

Os houthis e seus aliados representam como uma “fatia” exemplar da diversificada sociedade iemenita e da maioria dos iemenitas. A aliança doméstica dos houthis contra o presidente Al-Hadi inclui muçulmanos xiitas e também muçulmanos sunitas. Os EUA e a Casa de Saud jamais supuseram que os houthis insistiriam em fazer valer os acordos firmados com o governo, a ponto de derrubar o presidente que se recusava a honrar aqueles acordos, mas a verdade é que essa reação estava em preparação há uma década.

Iêmen e a região conflituada
Com a Casa de Saud, Al-Hadi, já desde antes de tornar-se presidente, envolveu-se na perseguição aos houthis e na manipulação da política tribal no Iêmen. Quando se tornou presidente, fincou os pés e pôs-se a trabalhar contra a implementação de tudo que fora fixado consensualmente nas negociações do Diálogo Nacional do Iêmen, realizado depois que Ali Abdullah Saleh foi obrigado a deixar o poder em 2011.

Golpe ou contragolpe: o que realmente aconteceu no Iêmen?

Primeiro, quando tomaram a capital Sana no final de 2014, os houthis rejeitaram as propostas de Al-Hadi e suas novas ofertas para um acordo formal de partilha do poder, acusando Al-Hadi de ser homem sem moral que estava, de fato, renegando tudo que se comprometera a fazer quando assinara os acordos de partilha do poder. Naquele momento, a atitude submissa e subalterna do presidente Al-Hadi frente a Washington e à Casa de Saud já o havia tornado terrivelmente impopular no Iêmen, detestado pela maioria da população. Dois meses depois, dia 8/11/2014, o próprio partido do presidente Al-Hadi (Congresso Geral Iemenita do Povo), também já o destituíra do posto de líder do partido.

Os houthis chegaram a prender o presidente Al-Hadi e, dia 20/1/2015, tomaram o palácio presidencial e outros prédios do governo. Com apoio popular, cerca de duas semanas adiante, dia 6/2/2015, os houthis constituíram formalmente um governo iemenita de transição. Al-Hadi foi obrigado a renunciar. Dia 26/2/2015, em declaração oficial, os houthis denunciaram que os EUA e a Arábia Saudita preparavam-se para atacar e devastar o Iêmen.

A deposição de Al-Hadi foi duro golpe contra a política exterior dos EUA. A tal ponto que resultou em operação militar de emergência da CIA e do Pentágono, forçados a retirar do Iêmen, às pressas, todo o seu pessoal militar e de inteligência.

Destruição em bairro residencial em Sanaa
pela Força Aérea Saudita (26/3/2015)
Los Angeles Times noticiou dia 25/3/2015, citando funcionários dos EUA, que os houthis haviam confiscado grande quantidade de documentos secretos quando tomaram o prédio do Gabinete de Segurança Nacional do Iêmen, que trabalhava em íntima coordenação com a CIA, documentos que comprometiam as operações de Washington no Iêmen.

Al-Hadi fugiu da capital Sana para Aden, dia 21/2/2015 e dia 7/3/2015 declarou Aden capital do Iêmen. EUA, França, Turquia e seus mais íntimos aliados europeus fecharam suas embaixadas. Pouco depois, em movimento que provavelmente foi coordenado com os EUA, a Arábia Saudita, o Kuwait, o  Bahrain, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos reabriram as respectivas embaixadas, já em Aden. Al-Hadi cancelou sua carta de renúncia à presidência e declarou que estava formando um novo governo no exílio.

Os houthis e respectivos aliados políticos recusaram-se a conceder as exigências de EUA e Arábia Saudita, que estavam sendo articuladas através de Al-Hadi em Aden, com a participação de uma Riad cada dia mais histérica. Resultado, o Ministro do Exterior de Al-Hadi, Riyadh Yaseen, pediu que Arábia Saudita e os petro-emirados árabes interviessem militarmente para impedir que os houthis alcançassem, dia 23/3/2015, o controle sobre o espaço aéreo do Iêmen. Yaseen disse ao jornal Al-Sharg Al-Awsa, porta-voz dos sauditas, que era absolutamente necessária uma campanha de bombardeios e que tinha de ser imposta sobre o Iêmen uma zona aérea de exclusão.

Os houthis perceberam que começaria a guerra e que seriam atacados – e esse é o motivo pelo qual os houthis e seus aliados no exército do Iêmen correram a ocupar a maior quantidade possível de campos de pouso e bases aéreas do país, o mais rapidamente que puderam, como, dentre outras, Al-Anad. Para neutralizar Al-Hadi, dia 25/3/2015 os houthis invadiram Aden.

Abdrabbuh Mansour Al-Hadi
Quando os houthis e aliados entraram em Aden, Al-Hadi já fugira para um porto iemenita. E só ressurgiria para o mundo já na Arábia Saudita, quando a Casa de Saud começou a bombardear o Iêmen, dia 26/3/2015. Da Arábia Saudita, Abdrabbuh Mansour Al-Hadi voaria até o Egito para uma reunião da Liga Árabe, convocada para legitimar a guerra contra o Iêmen.

Iêmen e a mutável equação estratégica no Oriente Médio

A tomada de Sana pelos houthis aconteceu no mesmo cronograma que uma série de outros eventos, todos de vitórias regionais para o Irã, o Hezbollah, a Síria e o Bloco da Resistência e esses e outros atores locais formam coletivamente. Na Síria, o governo sírio conseguiu firmar-se em suas posições, enquanto no Iraque o movimento ISIL/ISIS/Daesh estava sendo forçado a retroceder pelo Iraque, com uma muito visível ajuda do Irã e de milícias iraquianas aliadas de Teerã.

A equação estratégica no Oriente Médio começou a mudar, quando se tornou claro que o Irã ia-se convertendo em item central da arquitetura de segurança e da estabilidade na região.

A Casa de Saud e o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, puseram-se a gemer e a reclamar que o Irã já controlava quatro capitais regionais – Beirute, Damasco, Bagdá e Sana – e que algo teria de ser feito para conter a expansão iraniana. Resultado da nova equação estratégica, os israelenses e a Casa de Saud tornaram-se perfeitamente alinhadas, em termos estratégicos, com o objetivo de neutralizar o Irã e seus aliados regionais. “Quando israelenses e árabes estão na mesma página, todos devem prestar atenção” – disse à Fox News o embaixador israelense Ron Dermer, dia 5/3/2015, comentando o alinhamento Israel-Arábia Saudita.

A construção frenética de medo promovida por israelenses e sauditas não deu certo. Segundo pesquisa do instituto Gallup, apenas 9% dos cidadãos norte-americanos consideravam o Irã como o pior inimigo dos EUA, no momento em que Netanyahu chegou a Washington para falar contra qualquer acordo entre EUA e Irã.

Objetivos geoestratégicos de EUA e sauditas, por trás da guerra no Iêmen

Embora, por seu lado, a Casa de Saudi sempre tenha considerado o Iêmen como província subordinada e parte da esfera de influência de Riad, os EUA querem assegurar o controle sobre o estreito de Bab Al-Mandeb, o Golfo de Aden e as ilhas Socotra. Bab Al-Mandeb é importante ponto estratégico para o comércio marítimo internacional e embarques de energia, que conecta o Golfo Pérsico, pelo Oceano Índico, com o Mar Mediterrâneo via o Mar Vermelho. É tão importante quanto o Canal de Suez para as rotas marítimas comerciais entre África, Ásia e Europa.

mapa: Oriente Médio-mapa-estreitos estratégicos


Israel também se envolveu, porque com o Iêmen controlado por houthis, Israel perde o acesso ao Oceano Índico via o Mar Vermelho e deixa de poder mandar seus submarinos para o Golfo Pérsico para ameaçar o Irã. Essa é a razão pela qual o controle sobre o Iêmen foi um dos pontos sobre os quais Netanyahu discursou no Capitólio quando falou ao Congresso dos EUA sobre o Irã, dia 3/3/2015, no que o próprio New York Times, logo quem, chamou de “o discurso nada convincente de Mr. Netanyahu ao Congresso”.

A Arábia Saudita visivelmente temia que o Iêmen viesse a alinhar-se formalmente ao lado do Irã, e que isso, naquela área, viesse a resultar em novas rebeliões contra a Casa de Saud na Península Arábica. Os EUA também visivelmente temem que isso aconteça, mas pensavam, mais, em termos de rivalidades globais. Impedir que Irã, Rússia ou China consigam firmar algum pé estratégico no Iêmen, como meio de impedir que outras potências venham a poder controlar o Golfo de Aden e se posicionem no estreito de Bab Al-Mandeb era uma das maiores preocupações dos EUA.

Além da importância geopolítica do Iêmen na supervisão de corredores marítimos altamente estratégicos, há também seu arsenal de mísseis militares. Mísseis do Iêmen podem alcançar qualquer navio no Golfo de Aden ou no estreito de Bab Al-Mandeb. Quanto a isso, o ataque saudita contra os depósitos de mísseis estratégicos do Iêmen interessam muito aos EUA e a Israel. O objetivo não é só impedir que os mísseis sejam usados para retaliar contra forças avançadas do exército saudita, mas, também, impedir que os mísseis estejam disponíveis para algum eventual governo iemenita que se alie ao Irã, à Rússia ou à China.

Protesto no Iêmen (25/3/2015)
Numa posição pública que contradiz totalmente a política de Riad para a Síria, os sauditas ameaçaram usar força militar se os houthis e seus aliados políticos não aceitassem negociar com Al-Hadi. Resultados de mais essas ameaças dos sauditas, dia 25/3/2015 irromperam protestos de rua por todo o Iêmen contra a Casa de Saud. E assim as engrenagens foram postas em marcha para mais uma guerra no Oriente Médio, quando EUA, Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuwait começaram a preparar-se para reinstalar Al-Hadi no governo.

Os sauditas vão à guerra no Iêmen e Novo Front contra o Irã

Por mais que se fale da Arábia Saudita como potência regional, não é potência suficiente para confrontar, sozinha, o Irã. A estratégia da Casa de Saud tem sido formar ou reforçar um sistema de aliança regional para qualquer confronto contra o Irã e o Bloco da Resistência. Para isso, a Arábia Saudita precisa de Egito, Turquia e Paquistão – mal identificados pelo nome de aliança ou eixo “sunita” – para ajudá-la a enfrentar o Irã e seus aliados regionais.

Dia 17/3/2015, o príncipe coroado Mohammed bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, o príncipe coroado do Emirado de Abu Dhabi e o Vice-Comandante Supremo do exército dos Emirados Árabes Unidos visitou o Marrocos, para falar sobre alguma resposta militar coletiva contra o Iêmen, dos petro-emirados, Marrocos, Jordânia e Egito. Dia 21/3/2015, Mohammed bin Zayed reuniu-se com o rei saudita Salman Salman bin Abdulaziz Al-Saud, para discutir também uma resposta militar ao Iêmen. Tudo isso enquanto Al-Hadi conclamava a Arábia Saudita e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para que o ajudasse com uma intervenção militar no Iêmen. Depois das reuniões, houve conversas sobre um novo pacto regional de segurança para os petro-emirados árabes.

Dentre os cinco membros do CCG, o Sultanato de Omã manteve-se à parte. Omã recusou-se a participar da guerra contra o Iêmen. Muscat tem relações amistosas com Teerã. Além disso, os omanitas desconfiam do projeto saudita e do CCG de usarem sectarismos para incendiar um confronto com o Irã e seus aliados. A maioria dos omanitas não são nem muçulmanos sunitas nem muçulmanos xiitas; são muçulmanos Ibadi e temem o incêndio que os EUA, a Casa de Saud e os outros emirados árabes estão tentando soprar sobre toda a região.

Países do CCG - Conselho de Cooperação do Golfo
Os propagandistas sauditas trabalharam muitas horas extras para disseminar a ideia, falsa, de que a guerra seria uma resposta às tropas que o Irã estaria deslocando para as fronteiras da Arábia Saudita. A Turquia anunciaria, em seguida, apoio à guerra no Iêmen. No dia em que a guerra começou, Erdogan na Turquia disse que o Irã estaria tentando dominar toda a região, e que Turquia, Arábia Saudita e o CCG estavam gravemente incomodados.

Durante esses eventos, Sisi do Egito declarou que a segurança do Cairo, da Arábia Saudita e dos petro-emirados é una e indivisível. Na verdade, dia 25/3/2015, o Egito declarou que não se envolveria em guerra no Iêmen, mas, no dia seguinte, Cairo uniu-se à Arábia Saudita no ataque de Riad contra o Iêmen (o Egito enviou jatos e navios para o Iêmen).

Nessa mesma linha, o Primeiro-Ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, distribuiu declarações, dia 26/3/2015, segundo as quais qualquer ameaça à Arábia Saudita geraria “resposta forte” do Paquistão. A mensagem tacitamente estava dirigida ao Irã.

Papéis de EUA e Israel na guerra no Iêmen

Dia 27/3/2015, foi anunciado no Iêmen que Israel estava ajudando a Arábia Saudita no ataque ao país árabe. “É a primeira vez que os sionistas unem-se em operação conjunta com árabes” – Hassan Zayd, líder do partido Al-Haq do Iêmen, escreveu pela internet, chamando a atenção para os interesses convergentes entre Arábia Saudita e Israel.

Mas essa aliança Israel-sauditas contra o Iêmen não é novidade. Os israelenses ajudaram a Casa de Saud durante a Guerra Civil do Iêmen do Norte, iniciada em 1962; naquela ocasião, Israel forneceu armas à Arábia Saudita para ajudar os monarquistas, contra os republicanos do Iêmen do Norte.


Os EUA também estão envolvidos, liderando “dos fundos”, ou à distância. Ao mesmo tempo em que querem um acordo nuclear com o Irã, trabalham para manter uma aliança contra Teerã, usando os sauditas. O Pentágono garantirá o que chamou de “apoio logístico e de inteligência” à Casa de Saud. Que ninguém se engane sobre esse ponto: a guerra contra o Iêmen também é guerra de Washington. O CCG atirou-se contra o Iêmen obedecendo ordens dos EUA.

Há muito se fala sobre a formação de uma força militar pan-árabe, mas as propostas voltaram à mesa, renovadas, dia 9/3/2015, com o selo da Liga Árabe. As propostas de uma força militar árabe unificada interessam aos EUA, a Israel e aos sauditas. A conversa sobre um exército pan-árabe foi motivada pelos preparativos desse mesmo trio para atacar o Iêmen, repor Al-Hadi no governo e confrontar regionalmente o Irã, a Síria, o Hezbollah e o Bloco da Resistência.

[Continua]
______________________________________

[*] Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio.
Recentemente, em viagem pela América Central, contactou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das eleições.

terça-feira, 3 de março de 2015

A FRENTE DEMOCRÁTICA PELA LIBERTAÇÃO DA PALESTINA COMPLETA 46 ANOS NA LUTA E NA RESISTÊNCIA PELA PALESTINA LIVRE! VIDA LONGA A FDLP

Viva el 46 aniversario de la gloriosa fundación
El 22 de febrero es un nuevo amanecer en la historia de la Revolución y el pueblo



• Poner fin a la división y recuperar la unidad interna es el sendero para recuperar la iniciativa política y tomar un nuevo camino combativo

• El fracaso de las inútiles negociaciones implica para nosotros adoptar una nueva estrategia política que una la lucha en el terreno con la lucha política y diplomática

• La nueva política requiere reconstruir el sistema político, económico y social al servicio de la guerra por la independencia

El 22 de febrero recibimos el aniversario 46 de la gloriosa fundación del Frente Democrático para la Liberación de Palestina, como una ocasión nacional que celebra el pueblo palestino y sus fuerzas políticas en la patria y la diáspora en el camino del retorno, la autodeterminación y el estado independiente con total soberanía y Jerusalén como capital en la frontera anterior al 4 de junio de 1967.
En este año recordamos este aniversario a la sombra de desafíos políticos que enfrenta nuestra causa palestina y en medio de situaciones internas, regionales e internacionales cada vez más complicadas, lo que demanda de todas las fuerzas palestinas estar a la altura de la responsabilidad nacional y patriótica para fortalecer el horizonte político ante la persistencia de la lucha nacional, con todas sus formas en pro de alcanzar los inalienables y legítimos derechos nacionales de nuestro pueblo palestino.
■ ■ ■
Al frente de estos desafíos está poner fin a la división y recuperar la unidad interna, ya que la experiencia amarga ha demostrado desde el 14 de junio de 2007, que sin poner fin a la división y sin restaurar la unidad interna, la situación palestina seguirá siendo impotente para hacer frente a las reivindicaciones políticas, además de consolidar sus fuerzas para resistir a la ocupación y el colonialismo, al mismo tiempo será impotente para recuperar la iniciativa política, sobre todo con la llegada del proceso de negociación, a la luz de las condiciones y los mecanismos conocidos y reconocidos por sus propios dueños, de los caminos cerrados.
El Frente Democrático para la Liberación de Palestina, que entra en su cuadragésimo séptimo año, reafirma que el fin de la división y la recuperación de la unidad interna, son las dos condiciones necesarias para el desarrollo del sistema político palestino y el desarrollo de sus mecanismos y para fortalecer su potencial y su capacidad nacional para estar al nivel de las responsabilidades crecientes en nuestro difícil y complejo camino de lucha.
El fin de la división y la recuperación de la unidad interna, son las dos condiciones para plegar la página de las negociaciones inútiles y presentar una iniciativa política nueva y alternativa para nuestro movimiento nacional palestino. Sin estas dos condiciones, la situación palestina seguirá sufriendo de los problemas que la aquejan desgastando sus energías de lucha donde no corresponde, algo que retrasa la marcha combativa de nuestro pueblo y disipa los esfuerzos nacionales y los dispersa en batallas, donde todos son perdedores, y el único ganador es la ocupación israelí.
Es necesario reafirmar la necesidad de llamar a la Dirección Palestina Provisional a una reunión inmediata, con el objetivo de eliminar los obstáculos e impedimentos para poner fin a la división y recuperar la unidad interna, después de que la experiencia ha demostrado el fracaso de otras soluciones, incluyendo la solución bilateral entre Al-Fatah y Hamas.
■ ■ ■
Al nivel político, el Frente Democrático para la Liberación de Palestina, que está celebrando, con nuestro pueblo y las fuerzas políticas, su cuadragésimo sexto aniversario, llama a todos a recuperar la iniciativa política, después de que el actual proceso de negociación entró en un callejón sin salida y la amarga experiencia ha demostrado, una vez más, el alineamiento ciego de Estados Unidos a favor del enemigo israelí, mientras los sucesivos gobiernos israelíes han rechazado responder a las demandas de un arreglo equilibrado que garantice a nuestro pueblo luchador sus inalienables y legítimos derechos nacionales, representados en el retorno, la autodeterminación y un estado independiente.
El Frente Democrático para la Liberación de Palestina, llama a una nueva política y alternativa basada en los siguientes elementos:
1- Adoptar una política diplomática ofensiva, a través de activar la incorporación del Estado de Palestina a las instituciones y organismos internacionales y denunciar los crímenes de la ocupación, el asedio colectivo, el colonialismo, el asesinato de civiles indefensos, ante la Corte Penal Internacional para juzgar a los responsables israelíes, aislar al estado sionista y deslegitimar la ocupación. Ampliar internacionalmente el cerco del boicot económico, académico, cultural y político al estado enemigo. Extender el cerco de reconocimiento al Estado palestino y los legítimos derechos nacionales de nuestro pueblo, incluido el derecho a retornar a los hogares y propiedades, en virtud de la Resolución 194, como una solución justa y legal para la causa de los refugiados.
2- Adoptar una política combativa en el terreno, en el camino de la resistencia popular integral y de todas las formas de lucha legítima de nuestro pueblo para enfrentar a la ocupación y el colonialismo, lo que requiere el cese de todas las formas de coordinación de seguridad con el ocupante y un boicot general a la economía israelí. Además, adoptar una estrategia económica, social y financiera alternativa, apoyar las zonas en peligro por construcciones coloniales, fortalecer la resistencia de las capas pobres y de ingresos limitados y consagrar todos los potenciales económicos, políticos, mediáticos, de seguridad y otros en la batalla por la independencia y la liberación de la ocupación y el colonialismo.
3- Trabajar con el fin de levantar el bloqueo impuesto sobre la Franja de Gaza, garantizar las capacidades necesarias para reanudar la reconstrucción de lo destruido por la agresión israelí y tomar las medidas necesarias para adoptar una política defensiva de Gaza, incluyendo la construcción de un frente de resistencia nacional unido con un puesto de mando conjunto, bajo la dirección política colectiva, de acuerdo con el principio "socios en la sangre... socios en la decisión”.
4- Fortalecer la unidad de nuestro luchador pueblo en la patria y la diáspora, ofreciendo a la situación de los refugiados palestinos en el exilio más atención política y social, sobre todo a nuestro pueblo en Siria, con la creación de un comité especial para crisis dentro del Comité Ejecutivo que proporciona todo tipo de apoyo financiero y material para decenas de miles de personas desplazadas, además de trabajar con las partes involucradas con el fin de retirar a los grupos armados de los campamentos de refugiados, especialmente del Campamento de Al-Yarmouk, y ayudar a que regresen sus habitantes y los campamentos vuelvan a ser zonas seguras y estables. Además apoyar las luchas de nuestro pueblo en el Líbano por el derecho al trabajo, a la vivienda, a la finalización de la reconstrucción del Campamento de refugiados de Nahr Al-Bared, al establecimiento de una universidad palestina y al desarrollo de los servicios de la Agencia de Naciones Unidas para los Refugiados de Palestina (UNRWA).
■ ■ ■
Entrando en su cuadragésimo séptimo año, el Frente Democrático para la Liberación de Palestina se dirige a los luchadores prisioneros en las cárceles israelíes con el saludo combativo y reafirma la firmeza de nuestro pueblo con sus luchas por la libertad, la destrucción de las cadenas del carcelero, el desmantelamiento de los asentamientos y la expulsión del ocupante. También se dirige a las familias de los mártires con alto respeto por sus sacrificios valiosos en el sendero de la libertad, la salvación nacional y la segura victoria. Renovamos el compromiso a todos los hijos de nuestro pueblo, a sus fuerzas políticas, así como a todos los destacamentos del accionar nacional árabe, a las fuerzas democráticas internacionales para continuar la lucha y el apego a los objetivos indiscutibles de nuestros derechos inalienables hasta que el enemigo cargue sus petates, abandone la tierra de Palestina y se alce el sol del retorno de los refugiados a sus hogares y propiedades.
• Viva el cuadragésimo sexto aniversario de la fundación del Frente Democrático para la Liberación de Palestina.

• Viva la unidad de nuestro pueblo por el retorno, la autodeterminación y el estado independiente con total soberanía.

• Eternidad para los mártires… recuperación para los heridos…. y libertad para los prisioneros de la libertad.

• Victoria para la Revolución… Gloria para la patria.
Comité central
Frente Democrático para la Liberación de Palestina
22 de febrero de 2015