quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O NAKBA (DESGRAÇA) PALESTINO EXPANDIDO PARA O ORIENTE MÉDIO: SÍRIA e IRAQUE . PARTE DA ESTRATÉGIA JÁ COMPLETADA NA LÍBIA.

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa



Todos notaram a contradição dos que qualificavam, recentemente, os membros do Emirado Islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam hoje com as suas barbaridades no Iraque. 
Mas, se este discurso é incoerente em si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos, mesmo se estão sempre às ordens de Washington. 
Thierry Meyssan revela os bastidores da política dos E.U. através do caso pessoal do senador John McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data do Califa Ibrahim.



 
Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?

John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato mal- sucedido à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir ações secretas em nome do seu governo.
Na altura do ataque «ocidental» eu estava na Líbia, aí, pude consultar um relatório dos serviços de inteligência exterior. Nele podia ler-se que a Otan tinha organizado, a 4 de fevereiro de 2011, no Cairo, uma reunião para lançar a «Primavera Árabe» na Líbia e na Síria. De acordo com o documento, ela tinha sido presidida por John McCain. O relatório detalhava a lista de participantes líbios, cuja delegação era liderada pelo No. 2 do governo da época, Mahmoud Jibril, que mudara abruptamente de campo, à entrada para esta reunião, para se tornar o chefe da oposição no exílio. Lembro-me que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard-Henry Lévy, embora oficialmente este nunca tenha exercido qualquer função no seio do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, entre as quais uma enorme delegação de Sírios vivendo no exterior.

No final desta reunião, a misteriosa conta do Facebook Syrian Revolution 2011 (Revolução síria 2011-ndT) convocava protestos diante do Conselho do Povo (Assembleia Nacional) em Damasco, a 11 de fevereiro. Embora esta conta pretendesse à época ter mais de 40.000 followers(seguidores) apenas uma dúzia de pessoas responderam ao seu apelo, para os flashes dos fotógrafos e de centenas de policiais . A manifestação dispersou pacificamente, e os confrontos não começaram senão mais de um mês depois, em Deraa [1].
Em 16 de fevereiro de 2011 uma manifestação que se desenrolava em Benghazi, em memória dos membros do Grupo islâmico combatente na Líbia [2], massacrados em 1996 na prisão de Abu Selim, degenerou em tiroteio. No dia seguinte, uma segunda manifestação, desta vez em memória das pessoas mortas ao atacar o consulado da Dinamarca por alturas das caricaturas de Maomé, degenerou igualmente em tiroteio. Nesta precisa altura, membros do Grupo islâmico combatente na Líbia vindos do Egito, enquadrados por indivíduos encapuzados e não identificados, atacavam, simultaneamente, quatro bases militares em quatro cidades diferentes. No seguimento de três dias de combates, e atrocidades, os contestatários lançaram o levantamento da Cirenaica contra a Tripolitânia [3]; um ataque terrorista que a imprensa ocidental apresentou, mentirosamente, como uma «revolução democrática» contra «o regime» de Muammar el-Qaddafi.

Em 22 de fevereiro John McCain estava no Líbano. Ele encontrou-se lá com membros da Corrente do Futuro (o partido de Saad Hariri), que encarregou de supervisionar as transferências de armas para a Síria, por conta do deputado Okab Sakr [4]. Depois, deixando Beirute, ele inspecionou a fronteira síria e escolheu as aldeias, nomeadamente Ersal, que deveriam servir como base de retaguarda para os mercenários na guerra que se preparava.

As reuniões presididas por John McCain foram, claramente, o ponto de partida de um plano, previsto de longa data, por Washington; plano que previa o ataque da Líbia e da Síria simultaneamente pelo Reino Unido e pela França, de acordo com a doutrina da «liderança de bastidores» e o anexo do Tratado de Lancaster House, de Novembro de 2010 [5].
A viagem ilegal à Síria, em maio de 2013


Em maio de 2013 o senador John McCain dirigiu-se, ilegalmente, para perto de Idleb, na Síria, através da Turquia, para aí se reunir com líderes da «oposição armada». A sua viagem só foi tornada pública após o seu regresso a Washington [6].

Esta deslocação fora organizada pela Syrian Emergency Task Force (Força-Tarefa de Emergência Síria) a qual, contrariamente ao seu título, é uma organização sionista dirigida por um funcionário palestino da AIPAC [7].
 
John McCain na Síria. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da porta, ao centro, Mohammad Nour.

Nas fotografias difundidas então, nota-se a presença de Mohammad Nour, porta-voz da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nusra, quer dizer da Al-Qaida na Síria), que havia sequestrado e detinha 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz [8]. Interrogado sobre a sua proximidade com os sequestradores, membros da al-Qaida, o senador alegou não conhecer Mohammad Nour, o qual se teria infiltrado por sua própria iniciativa nesta  foto.

O caso deu um grande sururu, e as famílias dos peregrinos raptados apresentaram queixa, perante a justiça libanesa, contra o senador McCain por cumplicidade no sequestro. Por fim, foi alcançado um acordo e os peregrinos foram liberados.

Vamos supor que o senador McCain tenha dito a verdade, e que ele tenha sido explorado por Mohammad Nour. O objeto da sua viagem, ilegal, à Síria era o de se encontrar o estado-maior do Exército sírio livre. Segundo ele, esta organização era composta «exclusivamente por sírios», combatendo pela «sua liberdade» contra a «ditadura alauíta» (sic). Os organizadores da viagem publicaram esta fotografia para confirmar a reunião.


John McCain e o estado-maior do Exército sírio livre. No primeiro plano, à esquerda, Ibrahim al-Badri, com o qual senador está em vias de conferenciar. Precisamente a seguir, o brigadeiro-general Salim Idriss (de óculos).

Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército sírio livre, também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército sírio livre são «moderados nos quais se pode confiar» (sic).

 

Ora, desde 4 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos (Rewards for Justice-Recompensas para Justiça- ndT). Uma recompensa, podendo ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura [9]. No dia seguinte, 5 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comitê de sanções da Onu como membro da Al-Qaida [10].

Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL)— ao mesmo tempo que pertencia, ainda, ao estado-maior do muito «moderado» Exército sírio livre—. Ele reivindicou o ataque às prisões de Taj e de Abu Ghraib no Iraque, de onde fez evadir entre 500 e 1.000 jihadistas que se juntaram à sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações, quase simultâneas, em outros oito países. Em cada ocasião os jihadistas evadidos juntaram- se às organizações combatendo na Síria. Este caso é de tal maneira estranho que a Interpol emitiu uma nota, e pediu a assistência dos 190 países membros [11].

Pela minha parte, eu sempre afirmei que não havia, no terreno, nenhuma diferença entre o Exército sírio livre, a frente Al-Nusra, o emirado islâmico etc. Todas estas organizações são formadas pelos mesmos indivíduos, que mudam de bandeira permanentemente. Quando se reivindicam ser do Exército sírio livre eles arvoram a bandeira da colonização francesa, e só falam em derrubar o «cão Bachar». Quando eles dizem pertencer à Frente Al-Nusra carregam a bandeira da Al-Qaida, e declaram espalhar o seu Islã no mundo. Finalmente, quando eles se dizem do Emirado Islâmico brandem, então, o estandarte do Califado, e anunciam que limparão a região de todos os infiéis. Mas, qualquer que seja a etiqueta, eles cometem os mesmos crimes: estupros, torturas, decapitações, crucificações.

No entanto, nem o senador McCain, nem os seus acompanhantes da Syrian Emergency Task Force (Força Tarefa de Emergência síria) forneceram ao Departamento de Estado as informações, em sua posse, sobre Ibrahim al-Badri, nem reclamaram o acesso a esta recompensa. Nem sequer informaram, também, o Comitê anti-terrorista da Onu.

Em nenhum país do mundo, qualquer que seja o seu regime político, se aceitaria que o líder da oposição esteja em contacto direto, amigável e público, com um tão perigoso terrorista, procurado por toda a gente.
Quem é pois o senador McCain?

Mas além de John McCain não ser simplesmente o líder da oposição política ao presidente Obama, também ele é, na realidade, um dos seus altos-funcionários!

Ele é, com efeito, presidente do International Republican Institute (Instituto Republicano Internacional-ndT) - IRI, o ramo republicano do NED/CIA [12], desde Janeiro de 1993. Esta pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente Ronald Reagan para estender certas atividades da CIA, em cooperação com os serviços secretos britânicos, canadenses e australianos. Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter governamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da Secretaria de Estado.

E, é por isso, porque é uma agência conjunta dos serviços secretos Anglo-saxões, que vários Estados no mundo lhe interditam toda a atividade no seu território.

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Acusados de ter preparado o derrube do presidente Hosni Moubarak, por conta dos Irmãos muçulmanos, os dois empregados do International Republican Institute (IRI) no Cairo, John Tomlaszewski (segundo à direita) e Sam LaHood (filho do secretário dos Transportes de um governo democrata, o americano-libanês Ray LaHood), (segundo à esquerda), refugiaram-se na embaixada dos Estados Unidos. Ei-los aqui, ao lado dos senadores John McCain e Lindsey Graham, aquando da reunião preparatória da «primavera árabe» para a Líbia e para a Síria. Eles acabarão libertados pelo Irmão Mohamed Morsi, assim que este se tornou presidente.

A lista das intervenções de John McCain por conta do departamento de Estado é impressionante. Ele participou em todas as revoluções coloridas dos últimos vinte anos.

Para não dar senão alguns exemplos, ele preparou, sempre em nome da «democracia», o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo Chávez na Venezuela [13], o derrube  do presidente constitucional Jean-Bertrand Aristide no Haiti [14], a tentativa de derrube do presidente constitucional Mwai Kibaki no Quénia [15] e, mais recentemente, a do presidente constitucional ucraniano Viktor Yanukovych.

Não interessa em que estado do mundo, logo que um cidadão toma a iniciativa de derrubar o regime de outro Estado, ele poderá ser felicitado se nisso for bem sucedido, e que o novo regime se mostre um aliado, mas ele será severamente condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas para o seu próprio país. Ora, nunca o senador McCain foi inquietado pelas suas ações antidemocráticas, em estados onde ele fracassou e que se voltaram contra Washington. Na Venezuela, por exemplo.
É que, para os Estados Unidos John McCain não é um traidor, mas sim um agente (secreto).

E um agente que dispõe da melhor cobertura que se possa imaginar: ele é o opositor oficial de Barack Obama. Nesta condição ele pode viajar para qualquer lugar no mundo (é o senador norte-americano que mais viaja), e encontrar-se com quem ele quiser sem temer. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington ele promete-lhes mantê-la, se a combatem, ele atira a responsabilidade para cima do presidente Obama.

John McCain é conhecido por ter sido prisioneiro de guerra no Vietnã, durante 5 anos, e aí ter sido torturado. Ele foi vítima de um programa concebido não para extrair informações, mas para incutir uma confissão. Tratava-se de transformar a sua personalidade, para que ele fizesse declarações contra o seu próprio país. Este programa, estudado a partir do exemplo coreano, para a Rand Corporation, pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas conduzidas em Guantánamo, e em outros lugares, pelo Dr. Martin Seligman [16]. Aplicado sob George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros permitiu transformar vários de entre eles, para fazer, assim, verdadeiros combatentes ao serviço de Washington. John McCain, que havia “rachado” no Vietnã, compreende-o, pois, perfeitamente. Ele sabe como manipular, sem escrúpulos, os jihadistas.

Qual é a estratégia dos norte-americana com os jihadistas no Levante?

Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Após terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao Kwait como um caso interno iraquiano, eles aproveitaram o pretexto deste ataque para mobilizar uma vasta coalizão contra o Iraque. Porém, devido à oposição da URSS, eles não derrubaram o regime, contentaram-se sim em controlar a zona de exclusão aérea.

Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para contrabalançar a influência do Comitê para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram de novo o país e, desta vez, derrubaram o presidente Hussein. Evidentemente, John McCain era um dos principais responsáveis do Comitê. Depois de ter entregue, durante um ano, a uma sociedade privada o cuidado de pilhar o país [17], eles tentaram parti-lo em três Estados separados, mas tiveram que renunciar a isso diante da resistência da população. Eles tentaram de novo em 2007, com a resolução Biden-Brownback, mas voltaram a falhar [18]. Daí, a estratégia atual, que tenta conseguir isso por meio de um ator não-estatal: o Emirado Islâmico.

 
Neste documento, publicado em setembro de 2013, o embaixador do Catar em Tripoli informa o seu ministério, que um grupo de 1.800 africanos foi formado na jihade, na Líbia. Ele propõe encaminhá-los, em três grupos, para a Turquia, afim de que eles se juntem ao Emirado Islâmico, na Síria.

A operação foi preparada durante muito tempo, antes mesmo da reunião de John McCain com Ibrahim al-Badri. Assim, correspondência interna do Ministério catariano das Relações Exteriores , publicada pelos meus amigos James e Joanne Moriarty [19], mostram que 5. 000 jihadistas foram formados, às custas do Catar, na Líbia da Otan em 2012, e que 2,5 milhões de dólares foram atribuídos, na mesma altura, ao futuro califa.

Em janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta, na qual votou, em violação do direito internacional, o financiamento até Setembro de 2014 da Frente Al-Nusra (Al-Qaida), e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante [20]. Embora se desconheça, com detalhe, o que foi realmente acordado nesta sessão, revelada pela agência de notícias britânica Reuters [21], e que nenhum mídia norte-americano ousou passar, devido à censura, é altamente provável que a lei inclua uma scção sobre o armamento e treino de jihadistas.

Envaidecida com este financiamento norte-americano a Arábia Saudita reivindicou, no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido) [22].

O Emirado Islâmico representa uma nova etapa no mercenarismo. Ao contrário dos grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na Chechénia, junto a Osama bin Laden, ele não constitui uma força de reserva, mas é um verdadeiro exército em si. Ao contrário dos grupos precedentes, no Iraque, na Líbia e na Síria, agrupados pelo príncipe Bandar Ben Sultan, eles dispõem de sofisticados serviços integrados de comunicação, que fomentam o alistamento, e de administradores civis, formados nas grandes escolas ocidentais capazes de tomar em mãos, imediatamente, a administração de um território.

Armas ucranianas, chispando de novas, foram comprados pela Arábia Saudita, e comboiadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado Islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani, durante uma reunião de grupos jihadistas em Amã, a 1 de Junho de 2014 [23]. O ataque conjunto ao Iraque, pelo Emirado Islâmico e pelo Governo regional do Curdistão, começou quatro dias mais tarde. O emirado islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto o governo regional do Curdistão aumentava o seu território em mais de 40%. Fugindo das atrocidades dos jihadistas as minorias religiosas (a população do Iraque - N.do Blog) deixaram a zona Sunita, preparando assim a via para a partição do país em três.

Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano o Pentágono não interveio, e deixou o Emirado Islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco susceptíveis de afetar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria» [24]. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre.

Numerosa desinformação circula a propósito do Emirado Islâmico e do seu califa. O jornal diário  Gulf Daily Newsfingiu que Edward Snowden havia feito revelações neste sentido. [25] No entanto, verificação feita, o antigo espião norte-americano não publicou nada a este respeito. O Gulf Daily News é publicado no Barein, um Estado ocupado por tropas sauditas. O artigo visa, apenas, limpar a Arábia Saudita e o príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.

O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários do século XVI europeu. Eles conduziam guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes de um lado, às vezes de outro. O Califa Ibrahim é um condottiere moderno. Embora esteja às ordens do príncipe Abdul Rahman, (membro do clã dos Sudeiris), não seria de espantar que ele continue a sua epopeia na Arábia Saudita, (após um breve desvio no Líbano, ou seja no Kwait), e parta assim o bolo da sucessão real, favorecendo o clã dos Sudeiris contra o príncipe Mithab (filho, e não irmão do rei Abdallah).

John McCain e o Califa Ibrahim al-Badri, aliás Abu Du’a, aliás Abou Bakr Al-Baghdadi, aliás Califa Ibrahim, mercenário do príncipe Abdul Rahman al-Faiçal, financiado pela Arábia saudita, pelo Catar e pelos Estados Unidos. Ele pode praticar todos os horrores, que as Convenções de Genebra proíbem os Estados de cometer .

Na última edição do seu magazine o Emirado Islâmico consagrou duas páginas a denunciar o senador John McCain, como «o inimigo» e «o cruzado», recordando o seu apoio à invasão norte-americana do Iraque. Temendo que essa acusação passasse em claro, nos Estados Unidos, o senador emitiu, imediatamente, um comunicado qualificando o Emirado de « o mais perigoso grupo terrorista islâmico no mundo » [26].

Esta polémica destina-se apenas a distrair a «galera». Nós bem gostaríamos de acreditar nela..., se não existisse esta fotografia de maio de 2013.

Tradução :Alva
 
[1] Nós retransmitimos os relatos da imprensa garantindo que a manifestação de Deraa foi um protesto após a prisão e tortura de liceais que haviam grafitado slogans  hostis à República. Ora, muitos colegas têm tentado estabelecer a identidade desses alunos e encontrar as suas famílias. Nenhum o conseguiu, as únicas testemunhas que falaram fizeram-no para a imprensa britânica, mas de maneira anónima, logo inverificável. Agora, estamos convencidos de que este evento nunca existiu. O estudo dos documentos, contemporâneos, sírios mostra que a manifestação foi na realidade sobre um aumento para os salários e pensões dos funcionários públicos. Ela obteve a aprovação do governo. Neste ponto, nenhum jornal mencionou estes estudantes, tendo esta história sido inventada pela Al-Jazeera, senão, duas semanas mais tarde.

[2] Os membros do Grupo islâmico combatente na Líbia, quer dizer da Al-Qaida na Líbia, haviam tentado assassinar Mouamar el-Kadhafi por conta do MI 6 britânico. O assunto foi revelado por um oficial da contra-espionagem britânica, David Shyler. Cf «David Shayler : "J’ai quitté les services secrets britanniques lorsque le MI6 a décidé de financer des associés d’Oussama Ben Laden"» (Fr-«David Shayler: “Deixei os serviços secretos britânicos quando o MI 6 decidiu financiar os associados de Osama bin Laden”»-ndT),Réseau Voltaire, 18 novembre 2005.

[3] Relatório da Missão de inquérito sobre a crise actual na Líbia, junho de 2011.

[4] « Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie » (Fr-«Um deputado libanês dirige o tráfico de armas para a Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 5 décembre 2012.

[5] Neste plano, reportar-nos-emos à minha série de seis emissões 10 ans de Résistance, 10 anos de resistência), sobre a guerra dos Estados Unidos contra a Síria.

[6] « John McCain entre illégalement en Syrie » (Fr-« John McCain entra ilegalmente na Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 30 mai 2013.

[7] « La Syrian Emergency Task Force, faux-nez sioniste » (Ing-« Força Tarefa de Emergência Síria, falso esquema sionista»-ndT), Réseau Voltaire, 7 juin 2013.

[8] « John McCain a rencontré des kidnappers en Syrie » (Fr-«John McCain encontrou-se com os raptores na Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 1er juin 2013.

[9] “Wanted for Terrorism”, Rewards for Justice Program (Ing-«Procurado por terrorismo»-ndT), Department of State.

[10] O Comité do Conselho de segurança criado pela resolução 1267 (1999) a 15 de outubro dee 1999 é igualmente conhecido sob o nome de «Comité das sanções contra a Al-Qaida». Ficha de inscrição de Ibrahim al-Badri(desta vez com o nome de guerra de al-Samarrai).

[11] « Évasions simultanées de jihadistes dans 9 pays » (Fr-«Evasões simultâneas de jihadistas em 9 países»-ndT), Réseau Voltaire, 6 août 2013.

[12] « La NED, vitrine légale de la CIA » (Fr-«A NED, vitrine legal da CIA»-ndT), par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 6 octobre 2010.

[13] « Opération manquée au Venezuela » (Fr-«Operação falhada na Venezuela»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 18 mai 2002.

[14] « La CIA déstabilise Haïti » (A CIA desestabiliza o Haiti), « Coup d’État en Haïti » (Golpe de Estado no Haiti), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 janvier et 1er mars 2004.


[15] « L’expérience politique africaine de Barack Obama » (Fr-«A experiência política africana de B. Obama»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 9 mars 2013.
[16] « Le secret de Guantánamo » (Fr-«O segredo de Guantánamo»-ndT), par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 28 octobre 2009. Nota do Tradutor: - Estamos a preparar versão em Português deste extenso, mas interessante, artigo para poder aparecer dentro de algum tempo.
[17] « Qui gouverne l’Irak ? » (Fr-«Quem governa o Iraque?»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.
[18] « La balkanisation de l’Irak » (Fr-« A balcanização do Iraque»-ndT), par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 17 juin 2014.
[19] «Official Document Qatar Embassy Tripoli Confirms Sending 1800 Islamic Extremists Trained in Libya to Fight in Syria» (Ing-« Documento oficial embaixada do Catar Tripoli confirma envio de 1800 extremistas Islâmicos treinados na Líbia para combater na Síria»-ndT), Libyan War The Truth, 20. September 2013.
[20] “Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria), Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2014.
[21] “Congress secretly approves U.S. weapons flow to ’moderate’ Syrian rebels” (Ing-«Congresso aprova secretamente envio de armas para rebeldes sírios “moderados”»-ndT), Mark Hosenball, Reuters, 27. January 2014.
[22] « L’ÉIIL est commandé par le prince Abdul Rahman » (Fr-«EIIL dirigido pelo príncipe Abdul Rahman»-ndT), Réseau Voltaire, 3 février 2014.
[23] « Révélations du PKK sur l’attaque de l’ÉIIL et la création du "Kurdistan"» (Fr-«Revelações do PKK sobre o ataque e a criação do “Curdistão”- ndT),Réseau Voltaire, 8 juillet 2014.
[24] “U.S. Air Strikes Are Having a Limited Effect on ISIL” (Ing-«Ataque aéreos dos E.U. têm tido efeito limitado sobre o ISIL»-ndT), Ben Watson,Defense One, 11. August 2014.
[25] «Baghdadi ’Mossad trained’» (Ing-« Bagadadi treinado pela Mossad»-ndT), Gulf Daily News, 15. July 2014.
[26] “Statement by senator John McCain on being targeted by terrorist group ISIL as "the ennemy" and "the crusader"” (Ing-«Declaração do senador John McCain quanto a ter sido eleito pelo grupo terrorista ISIL como «o inimigo» e o «cruzado»- ndT), Gabinete de John McCain, 28 de julho de 2014.

http://www.voltairenet.org/article185085.html

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Israel na vanguarda do tráfico internacional de órgãos

Vídeo: http://www.presstv.ir/detail/2014/08/18/375753/israelis-highly-involved-in-organ-trade/


Um novo relatório lançou luz sobre o importante papel desempenhado pelos israelenses em tráfico de órgãos internacionais.

O diário estadunidense New York Times , em relatório publicou, no domingo, que os corretores de transplante em Israel embolsam enormes somas de dinheiro, organizando transplantes renais no exterior para pacientes desesperados, através de doadores desesperados estrangeiros.

Através da história de uma mulher israelense, identificado como Ophira Dorin, o relatório mostrou como é fácil comprar ilegalmente um rim através de corretores de transplantes em Israel.

Dorin disse ao jornal que ela pagou US $ 175.000 para uma cirurgia de transplante de rim que foi organizado para acontecer em Costa Rica. No entanto, um documento confidencial do Tribunal da Costa Rica mostra que o doador, que era um homem desempregado de 37 anos de idade, recebeu apenas US $ 18.500 pelo seu rim.

"Minha situação era crítica", disse ela, acrescentando: "Eu não me sintia muito bem, e minha condição foi piorando. Mesmo que eu sabia que era ilegal, eu não acho que eu teria feito nada diferente. "

Com base no relatório do New York Times das  análise dos principais casos de tráfico de órgãos desde 2000, Israel desempenha um "papel desproporcional " no  tráfico de órgãos.

O Ministério da Saúde israelense disse que menos de 10 por cento dos israelenses são registrados como doadores de órgãos. Isso é, em parte devido a restrições religiosas sobre morte e profanação que mantêm  taxas de doação  tão baixas entre os israelenses.

As autoridades da Costa Rica anunciou no ano passado que haviam descoberto uma rede internacional de tráfico de órgãos que se especializou na venda de rins para israelenses e europeus orientais.

Em 2012, pelo menos 10 cidadãos israelenses foram presos por participação em uma quadrilha de tráfico de órgãos.

Israel admitiu em 2009 que havia colhido órgãos de palestinos mortos sem permissão de seus parentes..

MR / AB / SS
http://www.presstv.ir/detail/2014/08/18/375753/israelis-highly-involved-in-organ-trade/

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Exército Árabe da Síria e o Exército Popular de Defesa retomaram o controle da cidade de Mleha en Ghouta Este: Viva a unidade do povo sírio contra o imperialismo/sionista!


comunicado ejercito
Damasco, SANA
La Comandancia General del Ejército y las Fuerzas Armadas declaró que unidades conjuntas de las Fuerzas Armadas y del Ejército Defensa Popular consiguieron restaurar la seguridad en la ciudad de Mleha y las fincas que la rodean en Ghouta Este.
En una declaración emitida este jueves, la Comandancia del Ejército aseguró que las unidades militares llevaron a cabo una serie de exitosos operativos en los que infligieron significativas bajas en las filas de los mercenarios que se atrincheraban en dicha ciudad.
La Comandancia destacó que la toma de control de la ciudad de Mleha posibilita al ejército sirio apretar el asedio sobre los terroristas restantes en Ghouta Este.
Asimismo, reafirmó que el ejército continuará sus avances hasta la erradicación del terrorismo…
Por último, las Fuerzas Armadas dirigieron un llamamiento a los que fueron engañados para aprovechar del decreto de indulto e entregarse a las autoridades pertinentes.
Al-Mleiha goza de una ubicación estratégica de gran importancia por su cercanía de Yarmana, portada de la capital Damasco, y por ser un puente de enlace entre Ghouta Este y Gouta Oeste.
Asimismo ha constituido un polo de atracción de mercenarios de diferentes nacionalidades (argelinos, tunecinos, qataríes, jordanos, saudíes y yemeníes, entre otros) que combatieron con grupos takfiristas tales como “el Frente de al-Nusra”, “Failak al-Rahaman”, “Ejército del Islam”, “la Unión Islámica de los Soldados del Levante”, “la Brigada de al-Qaaqaa”.
Estos terroristas habían convertido a al-Mleiha en la línea de defensa principal de Ghouta del Esta, especialmente Duma, después de haber desplazado a sus habitantes, sembrado artefactos en sus calles y excavado una red de túneles subterráneos.

Lynn A., Fady M., Riyad Sh.

GAZA MEU AMOR ! SUA RESISTÊNCIA ENOBRECE A HUMANIDADE! ESTAMOS JUNTOS E MISTURADOS...


GAZA (OFFICIAL VIDEO) by FRKMD, Z.BRAZIL, THE SEAMSTRESS OF SOUND

VENEZUELA ENVIA AJUDA HUMANITÁRIA PARA O POVO PALESTINO!

El avión con el cargamento de ayuda humanitaria partió este martes desde Venezuela rumbo a Egipto. Foto:AVN
VARGAS, Venezuela.— Ma­te­rial médico, agua potable y alimentos, forman parte de la ayuda recaudada por los venezolanos en solidaridad con el pueblo palestino, víctima de los ataques de Israel que han provocado miles de muertes.
Las 12 toneladas de asistencia humanitaria partieron este martes en el avión Hércules C130 de la Aviación Militar Venezolana rum­bo a Egipto desde el Aeropuerto In­ternacional Simón Bolívar de Mai­quetía, en el estado Vargas. En esa nación norafricana se encuentran refugiados cientos de palestinos en diferentes campamentos y hospitales.
El canciller venezolano, Elías Jaua, detalló que este es el primero de muchos vuelos ya que en las próximas 48 horas saldrá un avión comercial con otras 15 toneladas de insumos. También dijo que el pueblo de Bolívar “ha sabido cumplir con su deber humano”.
Su homólogo palestino, Riad Mal­ki, quien realiza una visita a Ve­nezuela, resaltó que el pueblo su­da­mericano “ha manifestado su solidaridad sincera, su apoyo completo, a la causa justa del pueblo palestino y su rechazo a la agresión de Israel contra el pueblo palestino en la Franja de Gaza”.
El canciller aseguró además que esa no era una “reacción del momento”, sino una “muestra de solidaridad y compromiso real e histórico con la causa palestina”. “Es un reflejo de los principios de la Revolución Bolivaria­na que inició Chávez y que continúa Maduro”, acotó.
http://www.granma.cu/mundo/2014-08-12/envia-venezuela-ayuda-humanitaria-para-el-pueblo-palestino

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Porque Obama está bombardeando o Califa

12/8/2014, [*] Pepe Escobar, Rússia Today − RT, Moscou
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama anunciando mais um "bombardeio humanitário" em 11/8/2014
Assim acaba a multitrilionária (em dólares) Guerra Global ao Terror (GGTe): não num bang, mas num bang gigante.

A GGTe, desde que foi conceitualizada, há 13 anos, logo depois do 11/9, é como maná que nunca parasse de chover. Nenhum presente é maior que uma Al-Qaeda de Transformers bombadíssima de esteróides  maior, mais presunçosa e mais rica que qualquer coisa com que Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahirialgum dia sonharam: o Estado Islâmico (antes chamado ISIS) do Califa Ibrahim, ex-Abu Bakr al-Baghdadi.

O presidente Barack Obama dos EUA, antes de partir para férias de golfe emMartha’s Vineyard, disse, em tom casual, que a bombardeação contra os bandidos do Califa durará meses. Pode-se entender como mais um estrato da doutrina confessa de “Não façam nenhuma merda estúpida” de política externa do governo Obama, da qual a candidata presidencial Hillary Clinton já zombou, não muito sutilmente. A “Operação Choque e Pavor”, em 2003, destruiu toda a infraestrutura de Bagdá em apenas poucas horas.

Obama também confirmou que os EUA estão fazendo chover bombardeio humanitário sobre o Iraque, outra vez, “para proteger interesses norte-americanos” (em primeiro lugar e sobretudo) e também, para que não digam que nem falei deles, “direitos humanos no Iraque”.

Ninguém esperaria que Obama declarasse que os EUA bombardeariam agora “os nossos” aliados da Casa de Saud, que apoiaram/financiaram/armaram o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O mesmo ex-ISIL/ISIS que tanto se beneficiou das maravilhas do treinamento militar pelos EUA numa base secreta na Jordânia.

Obama tampouco poderia explicar por que os EUA sempre apoiaram o ISIS na Síria e agora, de repente, resolvem bombardeá-los no Iraque. Ah, os riscos da política exterior de “Não cometa mais estupidezes”!

Por tudo isso, é preciso um pouco de tradução rápida.

Combatentes curdos Peshmerga observam coluna de fumaça em Makhmur, 280 km de Bagdá em 9/8/2014
Obama bombardear agora os bandidos do Califa nada tem a ver com a doutrina da R2P (‘responsabilidade de proteger’) que a embaixadora dos EUA na ONU,Samantha Power tanto ama – como no caso da responsabilidade de proteger os mais de 150 mil iazidis, para nem falar dos curdos e cristãos remanescentes, contra um genocídio potencial cometido pelos bandidos do Califa.

Todos os jatos de combate + drones, em ação que durará meses”, só tem a ver com a síndrome de Benghazi.

Os bandidos do Califa estava mortalmente decididos a conquistar Arbil – capital do Curdistão iraquiano. O Governo Regional do Curdistão (GRC) é liderado pelo esperto Massoud Barzani – cliente/vassalo dos EUA há muito tempo.

Os EUA mantêm um consulado em Arbil. Superlotado de tipos da CIA. Ou, nassimpáticas palavras do New York Times, “milhares de norte-americanos”.

É onde entra Benghazi. É ano eleitoral. Obama está absolutamente em pânico ante o risco de haver outra Benghazi – pela qual os Republicanos tentam sem parar culpar a incompetência do governo Obama. A última coisa de que Obama precisa é de bandidos do Califa a matar “diplomatas” em Arbil!

Qualquer coisa assemelhada levantaria um tsunami de perguntas sobre o serviço da CIA de contrabandear armas – armando “rebeldes” sírios com armas vindas da Líbia – quando aconteceu Benghazi. E é claro que a então secretária de Estado, Hillary Clinton também sabia de tudo sobre a “operação”. Mas naquele momento, e muito menos hoje, ninguém pode saber que a CIA armou o núcleo do que logo se converteria em exército do Califa.

Mudança de regime ou morte

Obama disse que sua aventura de bombardeio humanitário poderia durar“meses”, mas de fato pode durar só dias.

O preço é baratinho: mudança de regime, tipo o ex-primeiro-ministro iraquianoNouri al-Maliki ser impedido de ter um terceiro mandato.

Isso explica por que começou o inferno em Bagdá, quando os parlamentares iraquianos viram claramente de que lado soprava o vento. Haider al-Abadifoi escolhido pelo novo presidente Fuad Masoum, curdo, como novo primeiro-ministro – horas depois de Maliki ter posicionado as Forças Especiais em pontos estratégicos e em torno da Zona Verde e pode (talvez não) ter tentado dar um golpe. Maliki insiste que Masoum violou a Constituição do Iraque ao não escolhê-lo para formar novo gabinete; afinal, seu bloco “Estado Legal” obteve a maioria dos votos nas eleições parlamentares de abril passado.

Combates entre o ISIL e militantes curdos Peshmerga nos arredores de Sinjar, oeste de Mosul em 11/8/2014
Obama, como se poderia prever, adorou. Mas não gostou nada-nada do que aconteceu na sequência: Maliki recusou-se a sair de cena em silêncio – para dizer o mínimo. A narrativa predominante entre os sunitas, entre número considerável de curdos e até em alguns blocos políticos xiitas é que Maliki perseguiu demais os sunitas; e isso é que os levou a apoiar em massa o Califa (embora hoje alguns já estejam reformulando aquela posição).  

Quanto ao GRC e Barzani, no esquema de coisas do governo Obama, o que interessa é que não devem declarar-se independentes. Enquanto Barzaniprometer a Obama que o Curdistão continua como parte do Iraque, o GRC continuará a ser presenteado com bombas, drones e a operação humanitária”prossegue e será ampliada. Forças Especiais dos EUA já estão localizadas sobre toda a vasta área onde o Califato faz fronteira com o Curdistão iraquiano, nas posições chamadas de “para futura operação no deserto”. E os EUA são, para todas as finalidades práticas, a Força Aérea Iraquiana, contra o Califa.

Assistam à “Hillaryêitor’

Essa operação do governo Obama batizada “R2P – proteção para norte-americanos, primeiro; refugiados, segundo – nada conseguirá, por uma razão chave: nenhum bombardeio – seja humanitário ou não – consegue exterminar movimento político/religioso, nem que seja tão completamente demente como o Estado Islâmico. A verdade é que o Califato está prosperando, de certa forma, e expande-se, porque, diferente daquele patético Exército Sírio Livre, o Califato está ganhando território, desértico e urbano, tanto na Síria como no Iraque; já controla área maior que a Grã-Bretanha, habitada por, no mínimo, 6 milhões de pessoas.

Quanto às mentiras sempre repetidas em Washington de que haveria jihadistas“bons” e jihadistas maus”, o Califato também já acabou com elas. Virtualmente, todos os jihadistas que foram armados por Washington – e Riad – e treinados na Jordânia e na fronteira turco-síria já estão hoje alistados entre os bandidos do Califa, pagos com dinheiro do contrabando de petróleo, chantagem e “doações”hardcore, e armados até os dentes, depois de terem saqueado os armamentos de quatro divisões iraquianas e de uma brigada síria.

Quanto ao maná da Guerra Global ao Terror, continuará a alimentar bang cada vez maior e maior, porque gerou e hoje alimenta a narrativa dos sonhos de qualquer jihadista multinacional: estamos defendendo nosso Califato contra nada menos que a Força Aérea do Cruzado-do-Mal.

Os EUA perderam a guerra no Iraque, miseravelmente, só nove dias depois da queda de Bagdá, em abril de 2003. Não há bombardeio humanitário” que converta aquela derrota em vitória. E nenhum bombardeio humanitário” porá fim no Califato.
 
Hillary Clinton se prepara para as eleições de 2016

Quanto à provável candidata presidencial, Hillary Clinton, não carrega prisioneiros. Insiste que os EUA deveriam ter bombardeado a Síria desde o início; e não haveria Califato. Mas, agora, ela teme que o Califa ataque a Europa e até os EUA (Tenho pensado muito sobre contenção, detenção-impedimento e derrota).

Já se posicionando, como se podia prever que faria, Clinton só poderia desqualificar completamente a política externa de Obama, também conhecida como “Não façam nenhuma merda estúpida”: Não façam nenhuma merda estúpida” não é princípio de organização”. Assim sendo, o mundo terá de esperar até 2017, quando ela, afinal, terá meios para implementar o próprio princípio: Viemos, vimos, ele morreu.

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