quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Habitantes locais se sublevam contra o ISIS




O LEVANTE DE MAIS DE 25 TRIBOS MARCA UM PONTO DE VIRAGEM NA GUERRA CONTRA OS GRUPOS TAKFIRIS. 
Algumas partes do Ramadi, capital da Anbar, El já perdeu o controle, desde janeiro. "Esta revolta popular foi organizada por todas as tribos que decidiram lutar contra a EI...", disse Sheikh Abdel Jabbar Abu Richa, um dos líderes do levante, à AFP.
A capacidade dos lutadores do ISIS para manter seu controle sobre áreas do território da Síria e do Iraque está sendo desafiada pela crescente resistência popular. Na semana passada, veio a notícia de que em vários locais na província oriental de Deir sírio e Ezzor, na estrada perto da fronteira com o Iraque, há um estado de revolta contra a EI (Estado Islâmico).
Os jihardistas do Estado Islâmico foram forçados a enviarem reforços para retomar esses locais. incidentes começaram quando o ISIS ou EI violou seu contrato com um grupo de líderes tribais e capturaram vários membros das tribos locais. Os habitantes das aldeias vizinhas marcharam em direção a Al Ashara e queimaram a sede do EI.
Em quatro dias de combates, pelo menos nove membros do EI foram mortos e cinco civis. As três localidades são Kishkiyeh , Abu Hamman e Graniy. Embora estas cidades, localizadas no coração do território controlado pelo EI, eles não foram capazes de resistir ao ataque . A rebelião é um sintoma da crescente rejeição dos moradores contra as medidas extremas impostas pela organização, que criaram um enorme ressentimento Local.
Enquanto isso, várias tribos sunitas no Iraque ocidental pegaram em armas contra o takfiris do EI, de acordo com fontes tribais e oficiais. Essa revolta ocorreu na província de Anbar, que EI controla grandes setores. Este província, que faz fronteira com a Síria, e em 2006 viu o surgimento de uma revolta contra os insurgentes extremistas ligados à Al Qaeda.
A polícia de Anbar mostrou apoio das forças de segurança do governo à insurreição, desencadeada última sexta-feira. Saddak disse que a ofensiva contra EI começou atacando em vários setores noroeste de Ramadi. "A luta continua. Nós não vamos parar até a libertação total de Anbar ", disse ele.
19/08/2014

O que as guerras na Ucrânia, em Gaza, na Síria e na Líbia têm em comum?


Para o especialista mexicano em geopolítica Alfredo Jalife-Rahme, a simultaneidade dos eventos ilumina seu significado: logo depois de anunciar a criação de uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial, isto é, o dólar, a Rússia está tendo que enfrentar, ao mesmo tempo, a acusação de ter derrubado o jato da Malaysia Airlines; o ataque israelense em Gaza, apoiado pela inteligência militar dos EUA e do Reino Unido; o caos na Líbia; e a ofensiva do Estado Islâmico no Levante. Além disso, em cada um desses teatros de guerra, a luta gira em torno do controle dos hidrocarbonetos, que até agora foram negociados exclusivamente em dólares.

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O video-game mais vendido em todo o mundo "Call of Duty: Modern Warfare" [‘Cumprimento do Dever: Operações Militares Modernas’ – NT] coloca os Estados Unidos contra a Rússia em um cenário de guerra pelo petróleo.

Calendários, fluxogramas, diagramas e índices genealógicos são muito úteis para se fazer uma análise geopolítica. Assim, dois dias antes de um misterioso míssil explodir o avião da Malaysia Airlines no céu – um evento tão obscuro como as circunstâncias de ambos os seus voos recentes –, a sexta cúpula do BRICS, incluindo um número de países membros da Unasul, como a Colômbia e o Peru, tinha terminado com sucesso. [1]

Um dia antes do ataque de míssil mortal, Obama fez uma elevada pressão sobre a Rússia e seus dois ativos inextricáveis: bancos e recursos energéticos. "Por pura coincidência", no dia em que o misterioso míssil foi disparado na Ucrânia, "Netanyahu, no leme de um estado com arsenal nuclear, ordenou que seu exército invadisse a faixa de Gaza", como Fidel Castro corretamente apontou quando denunciou o golpe de estado em Kiev, que ele acusou de ter realizado uma "nova forma de provocação" sob o patrocínio dos Estados Unidos. [2]

O que esse velho desmancha-prazeres do Caribe poderia saber sobre esse caso?

Enquanto o míssil misterioso estava destruindo o voo da Malaysia Airlines, Israel, um estado racista e segregacionista, invadia a faixa de Gaza, em violação das resoluções da ONU e "antagonizando a opinião pública internacional", conforme indicado pelo ex-presidente Bill Clinton. [3]

Simultaneamente com a "coincidência" (dixit Castro [dixit: Latin, as stated by– NT]) relativa aos objetivos geopolíticos na Ucrânia e na faixa de Gaza, confrontos de natureza declarada envolvendo o controle dos recursos de energia, tomaram o centro do palco nos três países árabes classificados como "Estados Fracassados" pelos estrategistas dos EUA: Líbia, Síria e Iraque, para não mencionar as guerras no Iêmen e na Somália.

Na Líbia, um estado balkanisado [dividido em pequenos ‘principados’ que frequentemente estão imersos em hostilidades – NT] e dizimado como resultado da intervenção "humanitária", liderada pela Grã-Bretanha e pela França sob a supervisão hipócrita dos Estados Unidos, apenas dois dias antes do míssil misterioso na Ucrânia, as brigadas rebeldes de Zintan barraram todo o acesso ao Aeroporto Internacional de Trípoli (capital), enquanto confrontos entre clãs rivais aumentavam em Benghazi, de onde jihadistas na Síria e no Iraque foram fornecidos com armas e onde o embaixador dos EUA na Líbia foi assassinado sob circunstâncias bizarras.

Além da ligação entre o fluxo de armas na Líbia, Síria e Iraque, na região controlada pela Al-Qaeda/Al-Nusra e o novo Estado Islâmico (Daesh) [4], a questão crucial para as empresas de petróleo e gás dos E.U., britânicas e francesas é assegurar o controle da matéria prima (gás e água fresca) pertencente à Líbia, onde Rússia e China ingenuamente cairam numa armadilha [5].

Quanto à apropriação de petróleo iraquiano pelo duo imperialista EUA / UK, que também levou à balcanização e destruição do Iraque, mergulhando o país em uma "guerra de 30 anos", seria fútil e letalmente chato ter de rever as provas bem conhecidas.

Durante a minha recente visita a Damasco, onde eu fui entrevistado por Thierry Meyssan, presidente da Rede Voltaire, ele me disse que a repentina virada-de-face do "oeste (seja lá o que se entenda por isso)" contra Bashar al-Assad é devida em grande parte – além dos campos de gás localizados ao longo da costa mediterrânica – à profusão de depósitos de óleo que se encontram no interior da Síria, depósitos que agora são controlados pelo "Novo Califado (Daesh) do Século XXI ".

A interdependência entre petróleo e gás está no centro do atenções em Gaza cinco anos após a operação "Chumbo Fundido", cuja estratégia está sendo adotada pela operação "Borda Protetora" (sic), sem uma investigação para estabelecer conclusivamente quem foi responsável elo terrível assassinato dos três jovens israelitas – que havia sido profeticamente anunciado por Tamir Pardo, o "visionário" chefe do Mossad [6] – e serviu como pretexto para outra invasão israelita da faixa de Gaza que ceifou a vida de uma várias centenas de crianças.

De acordo com o geógrafo, Manlio Dinucci, escrevendo no jornal italiano Il Manifesto [7], a abundância de reservas de gás nas águas costeiras de Gaza é uma das razões para a intransigência israelense.

Da mesma forma, as substanciais reservas de gás de xisto, profundamente enterradas na República Autônoma de Donetsk, que visa separar-se ou tornar-se uma federação da Ucrânia, é a fonte da feroz guerra psicológica entre a mídia pro-UE e pró Rússia para fixar a responsabilidade do outro lado da explosão do avião da Malaysia Airlines. Será que não poderia ter sido uma operação sob falsa bandeira inventada pelo governo da Ucrânia para incriminar os separatistas usando "gravações" que podem muito bem ter sido adulteradas para acusá-los de "terrorismo" e assim aniquilá-los?

Há dois meses, as notícias do canal Rússia Hoje (RT – Russia Today) – que é cada vez mais visto na América Latina para combater a desinformação expelida pela mídia israelense-Anglo-americana controlada e que foi submetida à censura pública pelo Secretário de Estado John Kerry – tinha já ressaltado a importância do gás de xisto na região de Donetsk (região no leste da Ucrânia que procura ganhar independência), e perguntava se "os interesses das companhias petrolíferas ocidentais não estariam por trás da violência" [8].

Com efeito, a parte oriental da Ucrânia, atualmente envolvida em uma guerra civil, está cheia "de carvão e uma miríade de depósitos de gás de xisto na bacia do Dnieper-Donets." Em fevereiro de 2013, a British Shell Oil assinou com o governo da Ucrânia (o anterior, que foi deposto por um golpe neo-nazista apoiado pela UE) um acordo de 50 anos para partilhar os lucros provenientes da exploração e extração de gás de xisto na região de Donetsk. [9]

De acordo com o RT, "os lucros que Kiev não quer perder" são tantos que fizeram o governo ucraniano a desencadear uma "campanha militar [desproporcional] contra seu próprio povo."

No ano passado, a Chevron assinou um acordo semelhante (com o mesmo governo) para 10 bilhões de dólares.

Hunter Biden, filho do Vice-Presidente do EUA, foi nomeado para o Conselho de Diretores da Burisma, a maior firma produtora de gás privada (supersic) na Ucrânia [10], a qual "abre uma nova perspectiva para a exploração de gás de xisto ucraniano" na medida em que "ela detém a licença abrangendo a bacia do Dnieper-Donets." John Kerry não será deixado para fora em relação à distribuição dos lucros, e Devon Archer, seu antigo conselheiro e colega de faculdade de seu enteado, juntou-se à controversa empresa em abril.

Pode uma ma licença de "desapropriação de imóveis" para explorar o gás de xisto na Ucrânia servir também como uma "licença para matar" inocentes?

Está o fraturamento hidráulico em processo de fraturar Ucrânia? Esta tem sido uma característica permanente da trágica história da exploração de hidrocarbonetos por companhias de petróleo "ocidentais" ao longo do século XX.

Não há dúvida de que os hidrocarbonetos são o denominador comum das guerras na Ucrânia, no Iraque, na Síria e na Líbia.


Tradução Marisa Choguill 
Fonte La Jornada (México)

[1] “Cúpula do Brics: Sementes de uma nova arquitetura financiera”, Ariel Noyola Rodríguez, Rede Voltaire, 3 de Julho de 2014. “Sixth BRICS Summit: Fortaleza Declaration and Action Plan”, Voltaire Network, 16 July 2014. «Momento BRICS en Fortaleza», Alfredo Jalife-Rahme, 17 juillet 2014.

[2] «Fidel Castro: El derribo de avión malasio es una "provocación insólita" de Ucrania», Russia Today, 17 July 2014.

[3] AFP, 17/07/14.

[4] «¿Yihad global contra los BRICS?», por Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada (México), Red Voltaire , 18 de julio de 2014.

[5] «El botín del saqueo en Libia: "fondos soberanos de riqueza", divisas, hidrocarburos, oro y agua», by Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada, 28 August 2011.

[6] «El jefe del Mossad había vaticinado el secuestro de los tres jóvenes israelíes », por Gerhard Wisnewski, Red Voltaire , 11 de julio de 2014.

[7] «Gaza: el gas en la mirilla», por Manlio Dinucci, Il Manifesto (Italia), Red Voltaire , 18 de julio de 2014.

[8] «Shale gas and politics: Are Western energy giants’ interests behind Ukraine violence?», Russia Today, 17 May 2014.

[9] « L’Ukraine brade son secteur énergétique aux Occidentaux », par Ivan Lizan, Traduction Louis-Benoît Greffe, Однако (Russie), Réseau Voltaire, 2 mars 2013.

[10] “Na Ucrânia, filho de Joe Biden junta o útil ao agradável”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 16 de Maio de 2014.

Os «salvadores» do Iraque e «A arte da guerra»



Situando a atual operação jihadista no Iraque a longo prazo, o geógrafo Manlio Dinucci não a interpreta como um transbordamento da guerra na Síria, mas como a terceira guerra dos EUA no Iraque. Por consequência, para ele, é a guerra na Síria, que é um transbordo da guerra no Iraque.

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Os primeiros caça-bombardeiros norte-americanos, que no Iraque atacaram, a 8 de agosto, objectivos na zona controlada pelo Emirado Islâmico, descolaram (decolaram- Br) do porta-aviões batizado George HW Bush, em homenagem do presidente republicano, autor em 1991 da primeira guerra contra o Iraque. Copiado pelo seu filho, George W. Bush, que em 2003 atacou e ocupou o país, acusando para isso Saddam Hussein (com base em «provas» que mais tarde se revelaram falsificadas) de possuir armas de destruição em massa e apoiar al-Qaida. Depois de ter empregue na guerra interna no Iraque mais de um milhão de soldados, além de centenas de milhares de aliados e mercenários, os Estados Unidos saíram substancialmente derrotados, sem chegar a conseguir realizar o objectivo de controlo total deste país, com importância primordial pela sua posição estratégica no Próximo-Oriente e pelas suas reservas petrolíferas.

É aqui que entra em cena o presidente democrata (e Prêmio Nobel da Paz) Barack Obama, o qual em agosto de 2010 anuncia o início da retirada das tropas, e dos aliados norte-americanos do Iraque, e o nascimento de uma «nova alvorada». Alvorada vermelha de sangue na realidade, que assinala a passagem da guerra aberta para a secreta, que os Estados Unidos estendem para a Síria fronteiriça com o Iraque. Neste quadro surge o Estado islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), o qual, declarando-se totalmente inimigo jurado dos Estados Unidos, é de facto a peça funcional da sua estratégia. Não foi por acaso que o EIIL arregimentou o grosso de suas forças justamente na Síria, onde um grande número dos seus líderes e militantes apareceram depois de terem feito parte das formações islâmicas líbias que, primeiro classificadas como terroristas, foram armadas, treinadas e financiadas pelos serviços secretos norte-americano para derrubar Muammar el-Qaddafi. Tendo-se juntado com militantes maioritariamente não Sírios— vindos do Afeganistão, da Bósnia, da Chechénia e de outros países— eles foram abastecidos com armas por uma rede organizada pela CIA, e infiltrados na Síria, sobretudo a através da Turquia, para derrubar o presidente Bashar al-Assad.

Dai o EIIL começou o seu avanço no Iraque, atacando em particular as populações cristãs. Ele forneceu assim a Washington, até aí assistindo, oficialmente, como espectador exprimindo a propósito mais ou menos « fortes preocupações», a possibilidade de iniciar a terceira guerra do Iraque (mesmo se Obama, obviamente, não a define como tal). Como ele declarou, em maio, os Estados Unidos utilizam a força militar em dois cenários: quando os seus cidadãos ou interesses são ameaçados; quando ocorre quando uma «crise humanitária» de tais proporções que lhes é impossível ficar a assistir sem fazer nada.

Depois de ter provocado, em mais de vinte anos de guerra e de embargo, a morte de milhões de civis iraquianos, os Estados Unidos apresentam-se, agora, aos olhos do mundo como os salvadores do povo iraquiano. Trata-se —precisou Barack Obama— de «um projeto a longo prazo». Para a nova ofensiva aérea no Iraque, o CentCom (cuja «área de responsabilidade» é o Próximo-Oriente) conta já com 100 aviões e oito navios de guerra, mas pode usar muitas outras forças, nomeadamente os 10 mil soldados americanos estacionados no Koweit e 2.000 fuzileiros navais a bordo.

Os Estados Unidos relançam assim a sua estratégia para o controlo do Iraque, compreendendo a mesma o bloqueio à China, que estabeleceu fortes laços com Bagdade, via primeiro-ministro  iraquiano Nouri al-Maliki, para incrementar a sua presença económica no país. Neste contexto, Washington tem todo o interesse na partição, de facto, do país em três Estados –Curdo, Sunita e Xiita- mais facilmente controláveis. Nesta linha, a ministro italiana das Relações Exteriores Federica Mogherini promete um « apoio, aí incluindo apoio militar, ao governo curdo», mas não ao governo central em Bagdá.
http://www.voltairenet.org/article185078.html

O NAKBA (DESGRAÇA) PALESTINO EXPANDIDO PARA O ORIENTE MÉDIO: SÍRIA e IRAQUE . PARTE DA ESTRATÉGIA JÁ COMPLETADA NA LÍBIA.

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa



Todos notaram a contradição dos que qualificavam, recentemente, os membros do Emirado Islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam hoje com as suas barbaridades no Iraque. 
Mas, se este discurso é incoerente em si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos, mesmo se estão sempre às ordens de Washington. 
Thierry Meyssan revela os bastidores da política dos E.U. através do caso pessoal do senador John McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data do Califa Ibrahim.



 
Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?

John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato mal- sucedido à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir ações secretas em nome do seu governo.
Na altura do ataque «ocidental» eu estava na Líbia, aí, pude consultar um relatório dos serviços de inteligência exterior. Nele podia ler-se que a Otan tinha organizado, a 4 de fevereiro de 2011, no Cairo, uma reunião para lançar a «Primavera Árabe» na Líbia e na Síria. De acordo com o documento, ela tinha sido presidida por John McCain. O relatório detalhava a lista de participantes líbios, cuja delegação era liderada pelo No. 2 do governo da época, Mahmoud Jibril, que mudara abruptamente de campo, à entrada para esta reunião, para se tornar o chefe da oposição no exílio. Lembro-me que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard-Henry Lévy, embora oficialmente este nunca tenha exercido qualquer função no seio do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, entre as quais uma enorme delegação de Sírios vivendo no exterior.

No final desta reunião, a misteriosa conta do Facebook Syrian Revolution 2011 (Revolução síria 2011-ndT) convocava protestos diante do Conselho do Povo (Assembleia Nacional) em Damasco, a 11 de fevereiro. Embora esta conta pretendesse à época ter mais de 40.000 followers(seguidores) apenas uma dúzia de pessoas responderam ao seu apelo, para os flashes dos fotógrafos e de centenas de policiais . A manifestação dispersou pacificamente, e os confrontos não começaram senão mais de um mês depois, em Deraa [1].
Em 16 de fevereiro de 2011 uma manifestação que se desenrolava em Benghazi, em memória dos membros do Grupo islâmico combatente na Líbia [2], massacrados em 1996 na prisão de Abu Selim, degenerou em tiroteio. No dia seguinte, uma segunda manifestação, desta vez em memória das pessoas mortas ao atacar o consulado da Dinamarca por alturas das caricaturas de Maomé, degenerou igualmente em tiroteio. Nesta precisa altura, membros do Grupo islâmico combatente na Líbia vindos do Egito, enquadrados por indivíduos encapuzados e não identificados, atacavam, simultaneamente, quatro bases militares em quatro cidades diferentes. No seguimento de três dias de combates, e atrocidades, os contestatários lançaram o levantamento da Cirenaica contra a Tripolitânia [3]; um ataque terrorista que a imprensa ocidental apresentou, mentirosamente, como uma «revolução democrática» contra «o regime» de Muammar el-Qaddafi.

Em 22 de fevereiro John McCain estava no Líbano. Ele encontrou-se lá com membros da Corrente do Futuro (o partido de Saad Hariri), que encarregou de supervisionar as transferências de armas para a Síria, por conta do deputado Okab Sakr [4]. Depois, deixando Beirute, ele inspecionou a fronteira síria e escolheu as aldeias, nomeadamente Ersal, que deveriam servir como base de retaguarda para os mercenários na guerra que se preparava.

As reuniões presididas por John McCain foram, claramente, o ponto de partida de um plano, previsto de longa data, por Washington; plano que previa o ataque da Líbia e da Síria simultaneamente pelo Reino Unido e pela França, de acordo com a doutrina da «liderança de bastidores» e o anexo do Tratado de Lancaster House, de Novembro de 2010 [5].
A viagem ilegal à Síria, em maio de 2013


Em maio de 2013 o senador John McCain dirigiu-se, ilegalmente, para perto de Idleb, na Síria, através da Turquia, para aí se reunir com líderes da «oposição armada». A sua viagem só foi tornada pública após o seu regresso a Washington [6].

Esta deslocação fora organizada pela Syrian Emergency Task Force (Força-Tarefa de Emergência Síria) a qual, contrariamente ao seu título, é uma organização sionista dirigida por um funcionário palestino da AIPAC [7].
 
John McCain na Síria. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da porta, ao centro, Mohammad Nour.

Nas fotografias difundidas então, nota-se a presença de Mohammad Nour, porta-voz da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nusra, quer dizer da Al-Qaida na Síria), que havia sequestrado e detinha 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz [8]. Interrogado sobre a sua proximidade com os sequestradores, membros da al-Qaida, o senador alegou não conhecer Mohammad Nour, o qual se teria infiltrado por sua própria iniciativa nesta  foto.

O caso deu um grande sururu, e as famílias dos peregrinos raptados apresentaram queixa, perante a justiça libanesa, contra o senador McCain por cumplicidade no sequestro. Por fim, foi alcançado um acordo e os peregrinos foram liberados.

Vamos supor que o senador McCain tenha dito a verdade, e que ele tenha sido explorado por Mohammad Nour. O objeto da sua viagem, ilegal, à Síria era o de se encontrar o estado-maior do Exército sírio livre. Segundo ele, esta organização era composta «exclusivamente por sírios», combatendo pela «sua liberdade» contra a «ditadura alauíta» (sic). Os organizadores da viagem publicaram esta fotografia para confirmar a reunião.


John McCain e o estado-maior do Exército sírio livre. No primeiro plano, à esquerda, Ibrahim al-Badri, com o qual senador está em vias de conferenciar. Precisamente a seguir, o brigadeiro-general Salim Idriss (de óculos).

Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército sírio livre, também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército sírio livre são «moderados nos quais se pode confiar» (sic).

 

Ora, desde 4 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos (Rewards for Justice-Recompensas para Justiça- ndT). Uma recompensa, podendo ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura [9]. No dia seguinte, 5 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comitê de sanções da Onu como membro da Al-Qaida [10].

Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL)— ao mesmo tempo que pertencia, ainda, ao estado-maior do muito «moderado» Exército sírio livre—. Ele reivindicou o ataque às prisões de Taj e de Abu Ghraib no Iraque, de onde fez evadir entre 500 e 1.000 jihadistas que se juntaram à sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações, quase simultâneas, em outros oito países. Em cada ocasião os jihadistas evadidos juntaram- se às organizações combatendo na Síria. Este caso é de tal maneira estranho que a Interpol emitiu uma nota, e pediu a assistência dos 190 países membros [11].

Pela minha parte, eu sempre afirmei que não havia, no terreno, nenhuma diferença entre o Exército sírio livre, a frente Al-Nusra, o emirado islâmico etc. Todas estas organizações são formadas pelos mesmos indivíduos, que mudam de bandeira permanentemente. Quando se reivindicam ser do Exército sírio livre eles arvoram a bandeira da colonização francesa, e só falam em derrubar o «cão Bachar». Quando eles dizem pertencer à Frente Al-Nusra carregam a bandeira da Al-Qaida, e declaram espalhar o seu Islã no mundo. Finalmente, quando eles se dizem do Emirado Islâmico brandem, então, o estandarte do Califado, e anunciam que limparão a região de todos os infiéis. Mas, qualquer que seja a etiqueta, eles cometem os mesmos crimes: estupros, torturas, decapitações, crucificações.

No entanto, nem o senador McCain, nem os seus acompanhantes da Syrian Emergency Task Force (Força Tarefa de Emergência síria) forneceram ao Departamento de Estado as informações, em sua posse, sobre Ibrahim al-Badri, nem reclamaram o acesso a esta recompensa. Nem sequer informaram, também, o Comitê anti-terrorista da Onu.

Em nenhum país do mundo, qualquer que seja o seu regime político, se aceitaria que o líder da oposição esteja em contacto direto, amigável e público, com um tão perigoso terrorista, procurado por toda a gente.
Quem é pois o senador McCain?

Mas além de John McCain não ser simplesmente o líder da oposição política ao presidente Obama, também ele é, na realidade, um dos seus altos-funcionários!

Ele é, com efeito, presidente do International Republican Institute (Instituto Republicano Internacional-ndT) - IRI, o ramo republicano do NED/CIA [12], desde Janeiro de 1993. Esta pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente Ronald Reagan para estender certas atividades da CIA, em cooperação com os serviços secretos britânicos, canadenses e australianos. Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter governamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da Secretaria de Estado.

E, é por isso, porque é uma agência conjunta dos serviços secretos Anglo-saxões, que vários Estados no mundo lhe interditam toda a atividade no seu território.

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Acusados de ter preparado o derrube do presidente Hosni Moubarak, por conta dos Irmãos muçulmanos, os dois empregados do International Republican Institute (IRI) no Cairo, John Tomlaszewski (segundo à direita) e Sam LaHood (filho do secretário dos Transportes de um governo democrata, o americano-libanês Ray LaHood), (segundo à esquerda), refugiaram-se na embaixada dos Estados Unidos. Ei-los aqui, ao lado dos senadores John McCain e Lindsey Graham, aquando da reunião preparatória da «primavera árabe» para a Líbia e para a Síria. Eles acabarão libertados pelo Irmão Mohamed Morsi, assim que este se tornou presidente.

A lista das intervenções de John McCain por conta do departamento de Estado é impressionante. Ele participou em todas as revoluções coloridas dos últimos vinte anos.

Para não dar senão alguns exemplos, ele preparou, sempre em nome da «democracia», o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo Chávez na Venezuela [13], o derrube  do presidente constitucional Jean-Bertrand Aristide no Haiti [14], a tentativa de derrube do presidente constitucional Mwai Kibaki no Quénia [15] e, mais recentemente, a do presidente constitucional ucraniano Viktor Yanukovych.

Não interessa em que estado do mundo, logo que um cidadão toma a iniciativa de derrubar o regime de outro Estado, ele poderá ser felicitado se nisso for bem sucedido, e que o novo regime se mostre um aliado, mas ele será severamente condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas para o seu próprio país. Ora, nunca o senador McCain foi inquietado pelas suas ações antidemocráticas, em estados onde ele fracassou e que se voltaram contra Washington. Na Venezuela, por exemplo.
É que, para os Estados Unidos John McCain não é um traidor, mas sim um agente (secreto).

E um agente que dispõe da melhor cobertura que se possa imaginar: ele é o opositor oficial de Barack Obama. Nesta condição ele pode viajar para qualquer lugar no mundo (é o senador norte-americano que mais viaja), e encontrar-se com quem ele quiser sem temer. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington ele promete-lhes mantê-la, se a combatem, ele atira a responsabilidade para cima do presidente Obama.

John McCain é conhecido por ter sido prisioneiro de guerra no Vietnã, durante 5 anos, e aí ter sido torturado. Ele foi vítima de um programa concebido não para extrair informações, mas para incutir uma confissão. Tratava-se de transformar a sua personalidade, para que ele fizesse declarações contra o seu próprio país. Este programa, estudado a partir do exemplo coreano, para a Rand Corporation, pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas conduzidas em Guantánamo, e em outros lugares, pelo Dr. Martin Seligman [16]. Aplicado sob George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros permitiu transformar vários de entre eles, para fazer, assim, verdadeiros combatentes ao serviço de Washington. John McCain, que havia “rachado” no Vietnã, compreende-o, pois, perfeitamente. Ele sabe como manipular, sem escrúpulos, os jihadistas.

Qual é a estratégia dos norte-americana com os jihadistas no Levante?

Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Após terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao Kwait como um caso interno iraquiano, eles aproveitaram o pretexto deste ataque para mobilizar uma vasta coalizão contra o Iraque. Porém, devido à oposição da URSS, eles não derrubaram o regime, contentaram-se sim em controlar a zona de exclusão aérea.

Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para contrabalançar a influência do Comitê para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram de novo o país e, desta vez, derrubaram o presidente Hussein. Evidentemente, John McCain era um dos principais responsáveis do Comitê. Depois de ter entregue, durante um ano, a uma sociedade privada o cuidado de pilhar o país [17], eles tentaram parti-lo em três Estados separados, mas tiveram que renunciar a isso diante da resistência da população. Eles tentaram de novo em 2007, com a resolução Biden-Brownback, mas voltaram a falhar [18]. Daí, a estratégia atual, que tenta conseguir isso por meio de um ator não-estatal: o Emirado Islâmico.

 
Neste documento, publicado em setembro de 2013, o embaixador do Catar em Tripoli informa o seu ministério, que um grupo de 1.800 africanos foi formado na jihade, na Líbia. Ele propõe encaminhá-los, em três grupos, para a Turquia, afim de que eles se juntem ao Emirado Islâmico, na Síria.

A operação foi preparada durante muito tempo, antes mesmo da reunião de John McCain com Ibrahim al-Badri. Assim, correspondência interna do Ministério catariano das Relações Exteriores , publicada pelos meus amigos James e Joanne Moriarty [19], mostram que 5. 000 jihadistas foram formados, às custas do Catar, na Líbia da Otan em 2012, e que 2,5 milhões de dólares foram atribuídos, na mesma altura, ao futuro califa.

Em janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta, na qual votou, em violação do direito internacional, o financiamento até Setembro de 2014 da Frente Al-Nusra (Al-Qaida), e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante [20]. Embora se desconheça, com detalhe, o que foi realmente acordado nesta sessão, revelada pela agência de notícias britânica Reuters [21], e que nenhum mídia norte-americano ousou passar, devido à censura, é altamente provável que a lei inclua uma scção sobre o armamento e treino de jihadistas.

Envaidecida com este financiamento norte-americano a Arábia Saudita reivindicou, no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido) [22].

O Emirado Islâmico representa uma nova etapa no mercenarismo. Ao contrário dos grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na Chechénia, junto a Osama bin Laden, ele não constitui uma força de reserva, mas é um verdadeiro exército em si. Ao contrário dos grupos precedentes, no Iraque, na Líbia e na Síria, agrupados pelo príncipe Bandar Ben Sultan, eles dispõem de sofisticados serviços integrados de comunicação, que fomentam o alistamento, e de administradores civis, formados nas grandes escolas ocidentais capazes de tomar em mãos, imediatamente, a administração de um território.

Armas ucranianas, chispando de novas, foram comprados pela Arábia Saudita, e comboiadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado Islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani, durante uma reunião de grupos jihadistas em Amã, a 1 de Junho de 2014 [23]. O ataque conjunto ao Iraque, pelo Emirado Islâmico e pelo Governo regional do Curdistão, começou quatro dias mais tarde. O emirado islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto o governo regional do Curdistão aumentava o seu território em mais de 40%. Fugindo das atrocidades dos jihadistas as minorias religiosas (a população do Iraque - N.do Blog) deixaram a zona Sunita, preparando assim a via para a partição do país em três.

Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano o Pentágono não interveio, e deixou o Emirado Islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco susceptíveis de afetar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria» [24]. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre.

Numerosa desinformação circula a propósito do Emirado Islâmico e do seu califa. O jornal diário  Gulf Daily Newsfingiu que Edward Snowden havia feito revelações neste sentido. [25] No entanto, verificação feita, o antigo espião norte-americano não publicou nada a este respeito. O Gulf Daily News é publicado no Barein, um Estado ocupado por tropas sauditas. O artigo visa, apenas, limpar a Arábia Saudita e o príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.

O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários do século XVI europeu. Eles conduziam guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes de um lado, às vezes de outro. O Califa Ibrahim é um condottiere moderno. Embora esteja às ordens do príncipe Abdul Rahman, (membro do clã dos Sudeiris), não seria de espantar que ele continue a sua epopeia na Arábia Saudita, (após um breve desvio no Líbano, ou seja no Kwait), e parta assim o bolo da sucessão real, favorecendo o clã dos Sudeiris contra o príncipe Mithab (filho, e não irmão do rei Abdallah).

John McCain e o Califa Ibrahim al-Badri, aliás Abu Du’a, aliás Abou Bakr Al-Baghdadi, aliás Califa Ibrahim, mercenário do príncipe Abdul Rahman al-Faiçal, financiado pela Arábia saudita, pelo Catar e pelos Estados Unidos. Ele pode praticar todos os horrores, que as Convenções de Genebra proíbem os Estados de cometer .

Na última edição do seu magazine o Emirado Islâmico consagrou duas páginas a denunciar o senador John McCain, como «o inimigo» e «o cruzado», recordando o seu apoio à invasão norte-americana do Iraque. Temendo que essa acusação passasse em claro, nos Estados Unidos, o senador emitiu, imediatamente, um comunicado qualificando o Emirado de « o mais perigoso grupo terrorista islâmico no mundo » [26].

Esta polémica destina-se apenas a distrair a «galera». Nós bem gostaríamos de acreditar nela..., se não existisse esta fotografia de maio de 2013.

Tradução :Alva
 
[1] Nós retransmitimos os relatos da imprensa garantindo que a manifestação de Deraa foi um protesto após a prisão e tortura de liceais que haviam grafitado slogans  hostis à República. Ora, muitos colegas têm tentado estabelecer a identidade desses alunos e encontrar as suas famílias. Nenhum o conseguiu, as únicas testemunhas que falaram fizeram-no para a imprensa britânica, mas de maneira anónima, logo inverificável. Agora, estamos convencidos de que este evento nunca existiu. O estudo dos documentos, contemporâneos, sírios mostra que a manifestação foi na realidade sobre um aumento para os salários e pensões dos funcionários públicos. Ela obteve a aprovação do governo. Neste ponto, nenhum jornal mencionou estes estudantes, tendo esta história sido inventada pela Al-Jazeera, senão, duas semanas mais tarde.

[2] Os membros do Grupo islâmico combatente na Líbia, quer dizer da Al-Qaida na Líbia, haviam tentado assassinar Mouamar el-Kadhafi por conta do MI 6 britânico. O assunto foi revelado por um oficial da contra-espionagem britânica, David Shyler. Cf «David Shayler : "J’ai quitté les services secrets britanniques lorsque le MI6 a décidé de financer des associés d’Oussama Ben Laden"» (Fr-«David Shayler: “Deixei os serviços secretos britânicos quando o MI 6 decidiu financiar os associados de Osama bin Laden”»-ndT),Réseau Voltaire, 18 novembre 2005.

[3] Relatório da Missão de inquérito sobre a crise actual na Líbia, junho de 2011.

[4] « Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie » (Fr-«Um deputado libanês dirige o tráfico de armas para a Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 5 décembre 2012.

[5] Neste plano, reportar-nos-emos à minha série de seis emissões 10 ans de Résistance, 10 anos de resistência), sobre a guerra dos Estados Unidos contra a Síria.

[6] « John McCain entre illégalement en Syrie » (Fr-« John McCain entra ilegalmente na Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 30 mai 2013.

[7] « La Syrian Emergency Task Force, faux-nez sioniste » (Ing-« Força Tarefa de Emergência Síria, falso esquema sionista»-ndT), Réseau Voltaire, 7 juin 2013.

[8] « John McCain a rencontré des kidnappers en Syrie » (Fr-«John McCain encontrou-se com os raptores na Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 1er juin 2013.

[9] “Wanted for Terrorism”, Rewards for Justice Program (Ing-«Procurado por terrorismo»-ndT), Department of State.

[10] O Comité do Conselho de segurança criado pela resolução 1267 (1999) a 15 de outubro dee 1999 é igualmente conhecido sob o nome de «Comité das sanções contra a Al-Qaida». Ficha de inscrição de Ibrahim al-Badri(desta vez com o nome de guerra de al-Samarrai).

[11] « Évasions simultanées de jihadistes dans 9 pays » (Fr-«Evasões simultâneas de jihadistas em 9 países»-ndT), Réseau Voltaire, 6 août 2013.

[12] « La NED, vitrine légale de la CIA » (Fr-«A NED, vitrine legal da CIA»-ndT), par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 6 octobre 2010.

[13] « Opération manquée au Venezuela » (Fr-«Operação falhada na Venezuela»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 18 mai 2002.

[14] « La CIA déstabilise Haïti » (A CIA desestabiliza o Haiti), « Coup d’État en Haïti » (Golpe de Estado no Haiti), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 janvier et 1er mars 2004.


[15] « L’expérience politique africaine de Barack Obama » (Fr-«A experiência política africana de B. Obama»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 9 mars 2013.
[16] « Le secret de Guantánamo » (Fr-«O segredo de Guantánamo»-ndT), par Thierry Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 28 octobre 2009. Nota do Tradutor: - Estamos a preparar versão em Português deste extenso, mas interessante, artigo para poder aparecer dentro de algum tempo.
[17] « Qui gouverne l’Irak ? » (Fr-«Quem governa o Iraque?»-ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.
[18] « La balkanisation de l’Irak » (Fr-« A balcanização do Iraque»-ndT), par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 17 juin 2014.
[19] «Official Document Qatar Embassy Tripoli Confirms Sending 1800 Islamic Extremists Trained in Libya to Fight in Syria» (Ing-« Documento oficial embaixada do Catar Tripoli confirma envio de 1800 extremistas Islâmicos treinados na Líbia para combater na Síria»-ndT), Libyan War The Truth, 20. September 2013.
[20] “Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria), Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2014.
[21] “Congress secretly approves U.S. weapons flow to ’moderate’ Syrian rebels” (Ing-«Congresso aprova secretamente envio de armas para rebeldes sírios “moderados”»-ndT), Mark Hosenball, Reuters, 27. January 2014.
[22] « L’ÉIIL est commandé par le prince Abdul Rahman » (Fr-«EIIL dirigido pelo príncipe Abdul Rahman»-ndT), Réseau Voltaire, 3 février 2014.
[23] « Révélations du PKK sur l’attaque de l’ÉIIL et la création du "Kurdistan"» (Fr-«Revelações do PKK sobre o ataque e a criação do “Curdistão”- ndT),Réseau Voltaire, 8 juillet 2014.
[24] “U.S. Air Strikes Are Having a Limited Effect on ISIL” (Ing-«Ataque aéreos dos E.U. têm tido efeito limitado sobre o ISIL»-ndT), Ben Watson,Defense One, 11. August 2014.
[25] «Baghdadi ’Mossad trained’» (Ing-« Bagadadi treinado pela Mossad»-ndT), Gulf Daily News, 15. July 2014.
[26] “Statement by senator John McCain on being targeted by terrorist group ISIL as "the ennemy" and "the crusader"” (Ing-«Declaração do senador John McCain quanto a ter sido eleito pelo grupo terrorista ISIL como «o inimigo» e o «cruzado»- ndT), Gabinete de John McCain, 28 de julho de 2014.

http://www.voltairenet.org/article185085.html