sexta-feira, 25 de julho de 2014

O fim de Israel

21/7/2014, Gilad Atzmon  Tradução: Vila Vudu

No discurso que fez à nação o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu reconheceu ontem que a guerra contra Gaza é uma batalha pela existência do Estado Judeu. Netanyahu está certo. E Israel não pode vencer essa batalha; não pode sequer definir que vitória poderia advir dessa batalha. Claro que a batalha não se trava pela posse dos tuneis ou pela operação subterrânea da resistência: os tuneis são armas da resistência, não são a resistência. Os militantes do Hamás e de Gaza atraíram Israel para uma zona de batalha na qual Israel jamais vencerá; e o Hamas impôs as condições, escolheu o campo e escreveu os termos que exige para concluir esse ciclo de violência. 
Por dez dias, Netanyahu fez tudo que pôde para evitar a operação por terra, pelo exército de Israel. Ele sabia que Israel não conhece resposta militar à resistência palestina. Netanyahu sabia que uma derrota em solo erradicaria o pouco que resta do poder de contenção que o exército israelense ainda tem.
Há cinco dias, Israel – pelo menos aos olhos dos próprios apoiadores – estaria no comando da situação. Via seus cidadãos convertidos em alvos de fogo infinito de foguetes, mas ainda mostrava alguma moderação, só matando palestinos civis bem de longe, o que ajudava a preservar uma fantasia de força, de poder. Tudo isso mudou rapidamente, a partir do início da operação em terra lançada por Israel. 
Agora, mais uma vez, Israel está envolvida em colossais crimes de guerra, crimes contra a humanidade, crimes contra população civil. E, pelo menos estrategicamente, seus comandos de elite da infantaria estão sendo dizimados nas batalha cara-a-cara em Gaza. 
Apesar da clara superioridade tecnológica de Israel e do maior poder de fogo, os militantes palestinos estão derrotando Israel na guerra de solo. E já conseguiram levar a guerra para território israelense. E a chuva de foguetes sobre Telavive não dá sinais de arrefecer. 
A derrota do exército de Israel em Gaza deixa sem qualquer esperança o Estado Judeu. A moral é simples. Se você insiste em viver em terra dos outros, a força militar é ingrediente essencial para impedir que os roubados lutem pelos próprios direitos. 
O nível de baixas no exército israelense e as filas de soldados da elite israelense voltando para casa em caixões é mensagem muito clara para israelenses e palestinos: a superioridade militar de Israel é coisa do passado. Não há futuro para o Estado-Só-de-Judeus na Palestina. Se quiserem, que tentem noutro lugar. *****


[*] Gilad Atzmon (músico e escritor) nasceu em Israel em 1963 e estudou na Academia Rubin de Música, Jerusalém (Composição e Jazz). Multi-instrumentista, toca saxofones, clarinete e instrumentos de sopro étnicos .Seu álbum Exile foi o álbum de jazz BBC do ano em 2003. Ele foi descrito por John Lewis no The Guardian como “o maishardest-gigging homem do jazz britânico”. Atzmon viaja extensivamente pelo mundo tocando em festivais, salas de concertos e clubes. Até 1994, foi produtor-arranjador de vários projetos de dança e rock israelenses, realizando na Europa e nos EUA a reprodução de música étnica, bem como rock e jazz. Anima seu blog com vários artigos políticos.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Intelectuais aderem ao manifesto: vamos continuar colhendo assinatura nas universidades

(enviar assinatura para : vivaintifada@gmail.com)

MANIFESTO PELO FIM DOS  ASSASSINATOS BÁRBAROS DA POPULAÇÃO  PALESTINA   NA FAIXA DE GAZA;
QUE O GOVERNO DILMA ROMPA RELAÇÕES COMERCIAIS, DIPLOMÁTICAS E
MILITARES COM ISRAEL

Apesar do engajamento dos povos de vários países na luta para deter o massacre que Israel está implementando contra os palestinos na faixa de Gaza, um genocídio, um bárbaro crime de guerra  sem interrupção desde o dia 08 de julho, a maioria dos governos  silenciam de uma forma covarde. Salvo algumas  declarações protocolares condenando de igual maneira a violência  de um dos maiores exércitos do mundo contra a população e  sua débil  resistência,  nenhuma medida eficaz foi tomada para impedir o  HOLOCAUSTO DOS PALESTINOS. Apenas os governos da Venezuela, Equador, Bolívia, Chile, Síria  e Cuba tomaram medidas  mais consequentes  como forma de condenação a este massacre, rompendo relações diplomáticas e comerciais com Israel.



O GOVERNO BRASILEIRO DEVE  IMPOR IMEDIATAMENTE  UM EMBARGO MILITAR INTEGRAL A ISRAEL, até que se cesse o massacre, prorrogando-o até que Israel cumpra as reivindicações fundamentais dos palestinos: fim imediato da ocupação militar e colonização de terras  palestinas a derrubada do muro do apartheid;  reconhecimento dos direitos dos cidadãos palestinos à autodeterminação, à soberania e à igualdade;  o respeito, proteção e promoção do direito de retorno dos refugiados palestinos às suas terras e propriedades, das quais vêm sendo expulsos desde 1948, quando foi criado unilateralmente o Estado de Israel, até os dias atuais.

O TLC (Tratado de Livre Comércio) MERCOSUL  inclui a venda em território brasileiro de produtos e serviços feitos em assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, bem como de tecnologias de defesa e segurança, as quais têm sido usadas nos ataques contra os civis palestinos. O tratado, portanto, transforma o Brasil em porta de entrada da indústria armamentista de Israel na América Latina. A tecnologia de defesa tem sido um dos focos dos negócios bilaterais entre os governos de Israel e do Brasil.

Segundo a  organização Stop the Wall  “Esses laços militares põem em questão o compromisso do governo brasileiro em apoiar os direitos humanos, a paz e a criação de um Estado palestino e parecem contradizer as atuais alianças brasileiras e interesses na região. É preocupante que o Brasil entregue o dinheiro dos impostos dos seus cidadãos às empresas de armamento israelenses. O Brasil não pode conciliar a cumplicidade com as graves violações da lei internacional por parte de Israel  com as aspirações a potência mundial emergente, defensora do respeito à lei internacional e aos direitos humanos.”

Diante do exposto, nós, abaixo assinados , cidadãos e cidadãs, trabalhadores e estudantes brasileiros;  e representantes de entidades da sociedade civil deste país exigimos que o governo brasileiro e suas instituições, bem como empresas públicas e privadas nacionais e/ou instaladas neste País, imponham embargo militar e econômico a Israel,  a saber:

1) RUPTURA UNILATERAL DO ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO DO ESTADO DE ISRAEL COM O TLC MERCOSUL;

2) IMEDIATA RETIRADA DO  POSTO DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS EM ISRAEL;

3) CANCELAMENTO  DE  TODOS OS CONTRATOS DAS FORÇAS ARMADAS COM AS FORÇAS ARMADAS E EMPRESAS ISRAELENSES, QUE TOTALIZAM R$ 6 BILHÕES;

4) EXCLUSÃO DAS  EMPRESAS ISRAELENSES DE PARTICIPAREM DE QUAISQUER CONCORRÊNCIAS PÚBLICAS;

5) QUE SEJA PROIBIDA  A INSTALAÇÃO DE EMPRESAS ISRAELENSES EM TERRITÓRIO NACIONAL OU MESMO A AQUISIÇÃO DE EMPRESAS NACIONAIS POR CAPITAIS ISRAELENSES;


Assinam as Entidades:
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
ADUFF-SSind
Alicerce Educação
ANEL
Anita Leocadia Prestes - professora da UFRJ
Blog marxismo21
Centro acadêmico de serviço social José Paulo Netto/UFRJ 
Centro Cultural Antonio Carvalho – CeCAC
Coletivo classista feminista Ana Montenegro - AP
Csp conlutas 
Diretório central dos estudantes/unioeste
Fernando Ponte - Memorial Catarinense dos Direitos Humanos
FIST – Frente Internacionlista dos Sem Teto
GTNM – Grupo Tortura Nunca Mais RJ
Instituto Caio Prado Jr. (ICP)
Ivana Jinkings – editora boitempo
José Claudinei Lombardi -  Coordenador Executivo do grupo  HISTEDBR/Unicamp
José Reinaldo Carvalho-  jornalista, editor do Portal Vermelho.
Lincoln Penna - Historiador e presidente do MODECON
Milton Temer - Jornalista e membro da Executiva Estadual do PSOL
Movimento dos Pequenos Agricultores 
Movimento Luta Popular
Movimento Mulheres em Luta 
Movimento Palestino Brasileiro de Paz no Oriente Médio
Movimento Palestino Brasileiro pela Paz no Oriente Médio
MUDI - Movimento de moradores e usuários em defesa do iaserj/sus.
Nereide Saviani – membro da Direção Nacional do PCdoB
NIEP-MARX/UFF
Organização Comunista Arma da Crítica - OCAC
Pacs - Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
Partido Comunista Brasileiro - PCB
PSTU
Quilombo raça e classe 
Rede Jubileu Sul Brasil
Revista Novos Temas
Sociedade Ortodoxa São Nicolau
União da Juventude Comunista - UJC
Unidade Classista 
Valter Pomar - Historiador e  membro da Direção Nacional do PT
Wladimir Pomar - Dirigente do PT

INTELECTUAIS

Alcino C. De Moraes
Angela Maria Carneiro Araújo
Arley Ramos Moreno, prof. aposentado de filosofia da Unicamp
Célula do PCB- Uberlândia
Cristiane Maria Cornelia Gottschalk - Professora da Faculdade de Educação da USP
Daniel Aarão Reis, professor de história contemporânea da Univ. Federal Fluminense. 
Marly de Almeida Gomes Vianna, professora universitária
Dermeval Saviani - Professor Emérito da UNICAMP; Pesquisador Emérito do CNPq; Coordenador Geral do HISTEDBR.
Dominique Briand
Eliel Machado, Universidade Estadual de Londrina (PR/Brasil).
Fernando Ponte - Memorial Catarinense dos Direitos Humanos
Hector Benoit 
Ivanete Boschetti -Docente do Departamento de Serviço Social e Programa de Pós-graduação em Política Social da UnB
José Claudinei Lombardi - Professor da Unicamp; Coordenador Executivo do grupo HISTEDBR
Laércio C. Lopes -Físico e escritor
Leandro Galastri
Marcelo Badaró Mattos, professor da UFF
Maria Orlanda Pinassi
Marly de Almenda Gomes Vianna
Mauro Iasi – Prof. UFRJ
Nereide Saviani - Doutora em Educação.
Paulo Denisar Fraga
Prof. Carlos Bauer
Prof. Dr. José Claudinei Lombardi (Zezo)  DEFHE - FE – UNICAMP
Prof. Juarez Duayer - Universidade Federal Fluminense
Prof. Milton Pinheiro
Prof. Odenildo Sousa
Prof. Romeu Adriano da Silva - Universidade Federal de Alfenas
Prof. Sofia Manzano 
Profa. Dra. Maria Ciavatta - PPG-Educação / UFF
Raquel Moraes – UnB
Renato Luís do Couto Neto e Lemos - Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro.