quinta-feira, 12 de junho de 2014

Começou a represssão aberta contra a esquerda ucraniana


GENOCÍDIO NA EUROPA
O governo neo-nazi de Kiev deu, dia 12 de Junho, um novo passo na escalada genocida contra o seu próprio povo: a utilização de bombas incendiárias de fósforo contra a população civil de Slavyansk . Os media corporativos, ditos de "referência", calam-se. Ocultam deliberadamente este novo acto de barbárie dos fascistas ucranianos patrocinados pelo governo Obama. E a União Europeia permanece de cócoras, também calada, subserviente aos EUA e conivente com os seus crimes.

              Mas as midias corporativas silenciam os crimes do regime de Kiev
por Sergueï Kiritchouk [*]

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Pouco se fala, mas entre os ucranianos que se opõem a Kiev e ao movimento do Maidan há, ao lado das populações pró russas do Leste do país, muitos militantes de esquerda originários de todas as regiões. Os socialistas ucranianos denunciam os todo-poderosos oligarcas que Kiev recentemente nomeou governadores e testemunham as perseguições organizadas contra eles. Em Odessa, os activistas de esquerda estavam igualmente presentes nos movimentos de protesto anti-Maidan, cujos membros foram vítimas do incêndio assassino de 2 de Maio. A revista on line Svobodnaïa Pressa entrevistou Serguei Kiritchouk, líder do movimento socialista ucraniano Borotba , sobre a situação na Ucrânia de hoje.
Svobodnaïa Pressa: Neste Inverno, as cadeias de TV do mundo inteiro mostraram os milhares de participantes nas manifestações de Kiev. Era muito inspirador. Por que Borotba não aderiu ao movimento de protesto naquele momento?
Sergueï Kiritchouk: Desde o princípio não tivemos qualquer ilusão sobre o carácter político deste movimento. Ainda que milhares de pessoas tenham descido à rua, Borotba nunca esqueceu que as manifestações massa também podem reunir-se sob bandeiras reaccionárias. Já explicámos amplamente naquela altura, nomeadamente aos camaradas europeus, que os neonazis constituíam uma parte importante deste movimento. Muitas pessoas diziam que não se tratava de um problema muito grave, porque os nazis não eram tão numerosos, que constituíam apenas uma minoria. Mas era uma minoria activa e organizada. Uma minoria que impôs sua ordem do dia ao conjunto do movimento.
E aqueles militantes de esquerda que tentaram participar neste movimento sofreram imediatamente, desde o primeiro dia, ataques e agressões no Maidan. Quando os membros da organização trotsquista Oposição de esquerda desceram à rua com exigências sociais (não socialistas, sociais), eles foram imediatamente atacados. Foram insultados, acusados de serem pelo Gulag, pelo totalitarismo, etc.
O Maidan, enquanto movimento, nunca formulou exigências sociais. Ele jamais reclamou a redistribuição das riquezas nacionais em proveito da classe média e das camadas mais pobres.
Alguns dos nossos camaradas tentaram entretanto participar no Maidan. Os irmãos Levine, por exemplo, foram a uma rua vizinha da praça Maidan, a rua Krechtchatik, para distribuir panfletos sindicais e apelar ao desenvolvimento da classe trabalhadora. Sem ostentar a menor bandeira vermelha nem a sombra de uma tentativa de propaganda socialista. No fim, Anatoly Levine teve o quadril partido e Denis foi aspergido com gás. O que para nós fez com que a natureza deste movimento ficasse clara desde o princípio.
Svobodnaïa Pressa: Diga-me, qual é a tua língua materna? Tu és originário de qual parte do país, oriental ou ocidental?
S.K.: Toda a gente sabe: venho do Oeste do país, meus pais são de Volhynie, minha língua materna é o ucraniano. E posso dizer com certeza que numerosos ucranianos, mesmo no Ocidente do país, simpatizam com o combate do Sudeste. No Oeste também há muitos descontentes com o regime de Kiev, mas ali reina uma tal atmosfera de terror que as pessoas simplesmente têm medo de exprimir sua opinião, elas se calam. Ao mesmo tempo, olham com esperança o que se passa no Sudeste, este combate. E no Sudeste, os cidadãos de língua ucraniana também têm participado no movimento de protesto. Seria perfeitamente errado reduzir o movimento a um factor étnico, cultural ou nacional.
S.P.: E o que pensas do antigo presidente Ianoukovitch? É vosso aliado?
S.K.: Toda a gente sabe que éramos extremamente críticos em relação a Ianoukovitch e que sempre combatemos o seu regime. Mas evidentemente nós o combatíamos a partir de posições totalmente diferentes daquelas que hoje formula o Maidan. Éramos por uma viragem socialista na Ucrânia, contra o regime monstruoso da oligarquia que Ianoukovitch havia construído.
Há que recordar também que Ianoukovitch era um político muito pró ocidental. Ele tentava agradar ao ocidente em tudo. Seu único "erro", do ponto de vista do ocidente, foi pedir um adiamento de seis meses para a assinatura da zona de livre intercâmbio com a UE. E foi imediatamente depois disso que começou o movimento de protesto conhecido com o nome de Maidan.
S.P.: O que se passa com o poder actual em Kiev? Por que não tenta estabelecer diálogo com eles?
S.K.: Acontece que o governo auto-proclamado não está absolutamente nada pronto para o diálogo. O único argumento que eles utilizam é a força das armas. E hoje pode-se ver que o movimento no Sudeste repetiu o caminho do Maidan do começo ao fim. Ele começou, à partida, por pequenas manifestações, depois estas manifestações cresceram, tornaram-se maciças. Mas o poder permaneceu surdo às exigências do Sudeste. No entanto estas exigências eram simples e compreensíveis para qualquer uma. Tratava-se de uma grande autonomia para a região, do reconhecimento dos seus direitos sociais, línguísticos, culturais. Tratava-se da retirada da oligarquia do poder. Mas Kiev nomeou os homens mais ricos do país como governadores das regiões do Sudeste. Então as pessoas do Sudeste, exactamente do mesmo modo como no Maidan, começaram a ocupar edifícios administrativos para exprimir o seu protesto. E quando se começou a lançar contra eles os batalhões das forças especiais, eles entraram pouco a pouco na clandestinidade – e foi precisamente assim que começou esta guerra de guerrilhas.
S.P.: Qual deve ser a reacção da Europa democrática, da sociedade civil, dos partidos democráticos face ao que se passa na Ucrânia?
SK: Eu disse há dois dias no Bundestag que deviam fazer pressão sobre seus governos para levar Kiev à razão. É preciso por fim a este terror sanguinário, a esta "operação anti-terrorista". Porque eles estão muito simplesmente em vias de atirar sobre pessoas sem armas. Nossos colegas ocidentais dos partidos de esquerda não podem fazer pressão sobre os media mas, pelo menos, estão em condições de informar a sociedade sobre o que na realidade se passa hoje na Ucrânia, de fornecer uma análise independente dos acontecimentos e de exigir o respeito dos direitos e liberdades humanas elementares na Ucrânia.
S.P.: A maioria dos media ocidentais descrevem os protestos no Sudeste do país como um movimento inspirado e apoiado pela Rússia. Em que medida isto corresponde à realidade?
S.K.: Esta histeria raivosa evidentemente não corresponde à realidade. As pessoas aqui, no Sudeste, levantam-se pelos seus direitos sociais e económicos. Há uma componente anti-oligárquica, anti-capitalista muito forte nestes protestos. Todas as actividades de oposição, todos os protestos são descritos pelos media de Kiev como devendo-se a agentes de Putin. Se fossemos acreditar nisso, absolutamente todo o mundo é um agente de Putin. Se tu criticas o poder de Kiev, tu és um agente de Putin. Se tu participas em manifestações de massa pelos direitos sócio-económicos, tu és um agente de Putin. Se um político qualquer no parlamento europeu ou num dos parlamentos nacionais da Europa se permite observações críticas contra o novo poder de Kiev, ele é imediatamente acusado de ser um agente de Putin. Além disso, mesmo se neo-nazis, em Kiev, fazem um assalto armado ou atacam civis, eles são também designados como sendo agentes de Putin, procurando criar imagens negativas para a televisão russa. Assim, seja o que for que possa acontecer de negativo ou de aborrecido para o governo de Kiev, são sempre os "agentes de Putin" os culpados. Porque para Kiev, Putin controla absolutamente tudo e todos – e na Ucrânia, na Europa, por toda a parte.
S.P.: Há um financiamento proveniente de Moscovo?
S.K.: Não. O movimento no Sudeste, em termos de equipamento, de apoio técnico e financeiro, é incomparável a Maidan. Victoria Nuland disse que os EUA haviam consagrado 5 mil milhões de dólares à promoção da democracia na Ucrânia. Mas no Leste da Ucrânia, é visível que o movimento de protesto não dispõe de apoio financeiro. Pelos menos nas cidades onde temos estado activos – em Kharkov e Odessa – não vi nenhum financiamento da parte da Rússia ou da administração de Putin.
S.P.: Muitas vezes vos qualificam de separatistas ou de "activistas pró russos". O que pensa da ideia de uma reagregação das regiões do Sudeste do país à Rússia?
S.K.: O movimento Borotba sempre se pronunciou pela integridade territorial da Ucrânia. Mas por uma integridade territorial implicando o respeito dos direitos do povo do Sudeste. Falamos de autonomia orçamental, social, cultural. Mas infelizmente o poder de Kiev faz tudo para dividir o país. Eles tomam permanentemente decisões escandalosas e acusam todos os que não estão de acordo com eles de serem separatistas. Para nós, o verdadeiro separatista é o governo de Kiev. Ele desencadeou uma luta contra o povo.
Sempre sem reconhecer a ideia da federalização do país, os oligarcas, por exemplo, criam exércitos privados. Deste modo, eles tomam a via feudal, quando cada suserano possuía seu próprio destacamento. Eles criam estas formações armadas com fontes de financiamento obscuras e sem o menor controle cidadão. Ou seja, ao posicionarem-se contra a federalização eles posicionam-se pela feudalização do país.
Se a Rússia não estivesse sob um regime dirigido pelos oligarcas, se fossem efectuadas reformas na Rússia, mesmo não socialistas, mas sociais, que fossem do interesse de camadas amplas de trabalhadores, então muitas pessoas na Ucrânia estariam interessadas numa alianças estreita com a Rússia. E mesmo assim, numerosos cidadãos ucranianos hoje olham com esperança para a Rússia. Mas não se trata aqui de "tendências pró russas" – simplesmente de proteger a sua vida, a estabilidade, a paz sobre o território das regiões Sudeste.
S.P.: O que é que pensam do presidente Vladimir Putin? Consideram-no como um aliado? O que pensa da oposição russa?
S.K.: Sempre fomos opositores a Putin. Sabe que temos laços estreitos com a organização russa Frente de esquerda, que se acha na oposição radical ao presidente Putin. E sempre apoiámos nossos camaradas quando sofriam repressões. Fizemos piquete diante da embaixada da Rússia e organizámos outras acções de solidariedade. Apoiámos os prisioneiros do caso Bolotnaia, ajudámos activistas russos a se esconderem na Ucrânia para fugir às repressões políticas. Ninguém nos pode acusar de sermos aliados de Putin.
S.P.: Pode nos dizer a que se parece, do interior, o movimento de protesto de massa no Sudeste? O que o aproxima do Maidan e o que o distingue?
S.K.: As acções de massa já são do passado. O governo de Kiev criou uma tal atmosfera de medo e terror que muitos já não se decidem a vir à rua. Mas quando o faziam, podia-se observar dois grandes componentes. O primeiro, são cidadãos que queriam uma colaboração e uma união máximas com a Rússia. O segundo, era um movimento de tendência anti-capitalista, anti-oligárquica. Pessoas revoltadas pelo facto de o governo de Kiev não ter a menor intenção de efectuar reformas no interesse do povo.
Mas mesmo entre o que se chama o componente "pró russo", havia pessoas muito diversas. Havia quem insistisse sobre nossa comunidade histórica e cultural com o povo da Rússia. Mas havia outros que defendiam uma visão mais pragmática. São jovens trabalhadores, engenheiros, que querem trabalhar nas empresas de ponta, hoje orientadas para o mercado russo. Pessoas que não querem tornar-se "trabalhadores migrantes", constrangidos a percorrer o mundo em busca de infelizes ganhos.
S.P.: No princípio de Maio, o mundo inteiro foi abalado pela tragédia em Odessa...
S.K.: Penso que o massacre de Odessa é uma questão que deve estar no centro da política europeia e mundial. A tragédia de Odessa é a quinta-essência do que se passa na Ucrânia. Muitos políticos europeus limitam-se a dizer: "É uma questão muito complexa e muito embrulhada". Mas isto não é uma resposta. Do mesmo modo que não basta dizer que os dois lados são culpados, como asseguram certos media ucranianos.
Para começar, é preciso compreender que o conflito não se limitava ao afrontamento dos dois campos. Havia no local neo-nazis e apoiantes de futebol, e pessoas que protestavam contra o regime de Kiev. Mas havia ainda a polícia, que é controlada pelo governo. Ou seja, pelo menos três partes participavam no conflito.
Em 2 de Maio, apoiantes de futebol e destacamentos das forças de auto-defesa de Maidan começaram a chegar a Odessa. Eles queriam organizar o que chamam a Marcha pela unidade da Ucrânia, que em outras cidades terminou por tumultos sangrentos. Daí uma primeira questão muito séria ao governo de Kiev: porque, nas condições de guerra civil, não proibiram os nacionalistas de desfilarem?
Duas mil pessoas foram levadas a Odessa desde diferentes cidades da Ucrânia. Algumas estavam armadas. Outra questão ao governo: por que deixaram passar uma tal concentração de pessoas armadas na cidade?
Em seguida, houve o ataque contra os activistas da Marcha pela unidade da Ucrânia. Eles foram agredidos por desconhecidos, mascarados e ostentando fitas scotch vermelhas no braço. Estes homens agiram com a conivência da polícia, que está sob o controle de Kiev. Consequentemente, nova pergunta: e que dirige a polícia? Evidentemente não os activistas do movimento anti governamental.
No acampamento da oposição, no polo Koulikovo, havia principalmente pessoas idosas, mulheres, protestatários pacíficos que não tinham armas. Eles refugiaram-se na Casa do Sindicatos. Os neo-nazis atearam fogo a este edifício, muitos foram queimados vivos, muitos morreram ao saltarem pelas janelas e muitos foram mortos a golpes quando já estavam em terra.
Na Casa dos Sindicatos perdemos um camarada, Andreï Brajevsky. Ele saltou do segundo andar do edifício em chamas e ainda estava vivo, mas os fascistas bateram-no até à morte com bastões. Sua mãe encontrava-se no local naquele momento. Ela viu outro dos rapazes lançar-se pela janela, depois os fascistas bateram-no em terra. Então ela lançou-se sobre ele e cobriu-o com o seu corpo – e salvou-o. Ela não sabia que naquele mesmo minuto seu filho também era espancado pelos fascistas e que não escaparia.
Não basta constatar que houve uma "tragédia". Do que se trata é de um massacre planeado, muito bem pensado e organizado, em pleno centro de uma das maiores cidades da Ucrânia.
S.P.: No dia 7 de Maio, em Moscovo, o presidente suíço e Vladimir Putin anunciaram um novo plano de pacificação na Ucrânia. Ele tem futuro?
S.K.: Antes disso houve os acordos de Genebra, com conteúdo semelhante. Mas era evidente que o poder de Kiev não tinha intenção de respeitá-lo e, mesmo se tivesse tido a intenção, não tinham absolutamente força. Porque é preciso saber uma coisa: quando se fala da necessidade de desarmar todos estes bandos neo-nazis deve-se compreender que o governo de Kiev não tem nenhum controle sobre a maior parte deles e não dispõe de tropas fieis que poderiam se encarregar disso. O governo de Kiev é, ele próprio, refém destes bandos e nada pode fazer.
S.P.: Que pensas da eleição presidencial de 25 maio?
S.K.: Não reconhecemos esta eleição, uma vez que foi organizada por um governo autoproclamado, que pisoteia os direitos e os procedimentos. Este governo iniciou e introduziu alterações à legislação, segundo as quais esta eleição poderá ser considerada como tendo-se verificado mesmo que decorresse num único gabinete de votação! Pode-se considerar uma tal abordagem como democrática? Em numerosas ocasiões apelámos aos candidatos para que se retirassem da eleição. Infelizmente, o Partido Comunista da Ucrânia considera que deve dela participar, o seu candidato apresenta-se. Mas nós não queremos tomar parte nesta farsa.
S.P.: E que pensas dos referendos de Donetsk e de Lougansk?
S.K.: À partida, éramos bastante críticos em relação a estes referendos, considerávamos que era preciso, antes de organizá-los, esperar uma certa estabilização da situação. Mas nas condições actuais de violência e de terror, compreendemos aqueles que organizaram e participaram nestes referendos. A proclamação de uma república no Donbasse não é o resultado de qualquer acção de Putin – mas a consequência directa das operações do governo de Kiev que, pelas suas mentiras e seu cinismo, ultrapassam todos os piores espécimes de propaganda fascista.
S.P.: Que erros cometeu na luta política?
S.K.: O movimento Borotba, que sempre esteve orientado para a mobilização maciça da classe trabalhadora e da juventude, supunha que ainda tínhamos, no futuro, alguns anos de democracia relativa, que nos encontraríamos em condições, de um modo ou de outro, em que os direitos de reunião pacífica, de liberdade de imprensa seriam respeitados. Infelizmente, este cálculo verificou-se ser um erro. Não estávamos preparados para o terror directo. E nosso erro é provavelmente de teremos ficado, nestas condições, sem armas. Na prática, nossa organização está hoje derrotada em todo o país. Nestes últimos dias, começaram repressões abertas contra as forças de esquerda. No escritório de Kharkiv foi atacado por desconhecidos em uniformes negros, que levaram tudo o que ali se encontrava: bandeiras vermelhas, projector, todo nosso equipamento de agitação. O trabalho da organização na cidade está bloqueado. Em Odessa, fomos informados da prisão iminente do líder local do Borotba, Alekseï Albou, que se apresenta na municipalidade. Ele foi constrangido a deixar a cidade. Em Kiev, foi efectuada uma busca ao apartamento de Andreï Mantchouk, que é o mais célebre jornalista de esquerda na Ucrânia. Homens armados com fuzis automáticos irromperam na casa dele. Na generalidade, hoje encontramo-nos todos em situação ilegal. Uma parte dos nossos camaradas deixou temporariamente a Ucrânia. Aqueles que permaneceram vivem na ilegalidade e nós lhes temos pedido para evitar toda actividade pública e concentrarem-se no trabalho ilegal.
Eu próprio estou actualmente em Atenas, onde participei numa conferência sobre as "Ameaças do fascismo na Europa". Eu não previa deixar a Ucrânia por longo tempo. Mas a 9 de Maio aterrei em Berlim para tomar parte numa conferência na Alemanha. E na Ucrânia fui informado da minha possível prisão e, portanto, decidi ficar aqui um momento.
Os nazis já fizeram listas dos "inimigos da nação ucraniana" e preparam-se para fazer com que sofram repressão todos os que nelas figuram. E estas listas mencionam quase todos os militantes do Borotba, mesmo que pouco activos e referenciados. Mas elas mencionam também pessoas que ali figuram por acaso. Ou seja, centenas e centenas de pessoas que estão ameaçadas, em perigo... Hoje, as autoridades também estão em vias de estabelecer suas listas de suspeitos e portanto penso que no decorrer dos próximos meses a Ucrânia vai viver numa atmosfera de terror de direita. Mas devemos atravessar isso e enfrentá-la. Não temos outra escolha.
31/Maio/2014
[*] Dirigente do Borotba .
O original encontra-se em svpressa.ru/society/article/87307/?rss=1 e a versão em francês emwww.lecourrierderussie.com/...
Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

Cumplicidade ou Ingenuidade?


O  texto publicado  abaixo é mais uma contribuição que o blog trás ao debate sobre as posições políticas  e de alinhamento de um setor da esquerda que tem levado crise a tradição internacionalista no mundo.¨

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Por André Lavinias*


Que papel cumprem algumas organizações de esquerda em relação à Ucrânia?
Em janeiro de 2014 eclodiram as manifestações na “Maidan”, em Kiev, capital da Ucrânia. Este movimento se originou da hesitação do então presidente Viktor Yanukovych, que, diga-se de passagem, sempre foi pró-ocidental, em assinar um acordo para o estabelecimento de uma zona de livre comércio com a UE. Ao pedir 6 meses para analisar a proposta, ele causou a ira dos setores burgueses mais retrógrados que os que vinham dando suporte ao seu governo e também de uma ultra-direita nazista que logo assumiu o protagonismo das violentas manifestações que chegaram à troca aberta de tiros entre tropas leais ao governo e as brigadas fascistas.
O mundo assistiu pelos olhos das grandes empresas da mídia ocidental os dias de confronto na “Maidan” relatados como mais uma grande epopeia dos “guerreiros da liberdade” contra a opressão de um governo capacho da Rússia de Putin. Os eventos eram tratados como um levante popular que lutava contra a hesitação do títere russo Yanukovich que ameaçava o acordo capaz de dar ao sofrido povo ucraniano acesso às maravilhas da UE, a despeito desta mesma UE estar lutando para se manter de pé diante da terrível crise econômica que assola o velho continente.
Mesmo com toda a pompa e gala das transmissões, ficou difícil esconder as suásticas, os retratos de Hitler e osSkinheads e milicianos uniformizados ostentando símbolos nazistas. Ficou também difícil de explicar como pode a coligação no poder, que engloba o partidos de direita pró EU e de ultra-direita como o Svoboda e Right Sector, estes dois últimos nazistas, não se configurar como um governo neo-nazi(1), sobretudo pelo fato de que controlam o ministério da defesa, os órgãos de segurança e o aparelho judiciário. A insistência da mídia em ocultar esta óbvia realidade é compreensível. Afinal, não foram, a burguesia e a mídia Alemã e ocidental, condescendentes com o nazismo até praticamente o início da 2ªGM?
O que causa espanto é ler nas linhas de jornais, “posts” em redes sociais e boletins eletrônicos de organizações que se dizem de esquerda, a mesma cantilena estampada nas capas de jornais como NY Times e o Globo, tecendo loas à “revolução de Maidan” que, apesar dos nazistas, foi por uma boa causa. E como em toda “boa” causa os “ Estados Unidos e a União Europeia abraçaram a revolução aqui como outra "florescência de democracia, um golpe no autoritarismo e na cleptocracia no interior do antigo espaço soviético.”(2).Será que é preciso explicar para os companheiros que se auto classificam como revolucionários e socialistas o significado deste abraço à “revolução” Maidan pelos EUA e EU?
Entendo que nestes tempos obscuros, de intensos ataques às conquistas históricas do movimento operário, de refluxo e de uma postura defensiva dos trabalhadores frente ao capital, qualquer mobilização de massa que se levante contra governos burgueses pode angariar alguma simpatia de companheiros socialistas mais desavisados. Contudo, enxergar em qualquer movimento de massa que tenha um elemento proletário em seu seio como sendo intrinsecamente progressista, é fechar os olhos para as inúmeras lições que a história nos deu de que as massas podem ser mobilizadas pelos setores mais retrógrados e com os objetivos mais nefastos. Basta dar uma olhada no que foi a ascensão do nazi-fascismo na Europa dos anos 30.
Nenhuma organização por mais qualificados que sejam os seus quadros, por mais experientes que sejam os seus militantes, está livre de cometer erros de avaliação. O maior exemplo disso foi o partido Bolchevique, que tendo à sua testa pessoas como Lenin, Trotsky e tantos outros extraordinários camaradas, cometeu erros e jamais se furtou de reconhecê-los publicamente, debatê-los e de mudar a sua política.
Reconhecer que houve erros de avaliação neste ou naquele processo político ou movimento de massas faz parte da prática marxista e revolucionária.
Pois bem, algumas destas organizações ditas de esquerda gastaram páginas e mais páginas defendendo Maidan das acusações, agora confirmadas, de que os nazistas estavam na direção daquele movimento. E, diante da escalada de violência contra os que se opõe ao regime promovida pelas tropas de choque nazistas e pelas forças armadas ucranianas, não só no Leste, mas também nas regiões que não têm população russoétnica considerável, não dizem uma palavra.
Podemos daqui argumentar que a melhor alternativa seria manter a integridade do território ucraniano através de um movimento de massas que aponte para a restauração das liberdades democráticas, a reorganização dos trabalhadores e a construção de uma sociedade socialista que exproprie a burguesia ucraniana, que ora aliada aos EUA e EU, ora vinculada à Moscou é a verdadeira responsável pela miséria e pela divisão do povo ucraniano. Mas isso seria de uma crueldade ímpar.
O governo de Kiev tem bombardeado e massacrado nas ruas a população de Donetsk e de Lougansk (3),que de forma desesperada tenta se proteger do governo nazista que assumiu o poder através de um golpe de estado, agarrando-se a qualquer esperança de poder permanecer em solo ucraniano, pois sob o jugo dos nazistas eles sabem muito bem que só lhes resta o exílio ou a morte. O que está por vir é mais uma brutal limpeza étnica. Nesse sentido, a busca pela autonomia daquelas regiões e o desejo de muitos de se unificarem à Rússia é justificável. E quem de nós poderia ser canalha o bastante para negar o direito de um povo sobreviver na sua terra?
Diante do desespero que atinge as populações do leste da Ucrânia e todos aqueles que se opuseram à ascensão dos nazistas, os nossos “companheiros” destas organizações ditas revolucionárias e socialistas, limitam-se a fazer coro com a imprensa burguesa e dizer que os que estão sendo massacrados nas ruas, como a própria imprensa burguesa têm mostrado(4), não passam de marionetes de Putin.
Como é sabido por aqueles que de longa data se enfrentam contra a opressão capitalista em todas as suas formas: aquele que não toma partido do oprimido toma do opressor. No caso da Ucrânia há dois lados muito claros: de um lado, o lado dos “revolucionários” de Maidan, se alinham o imperialismo estadunidense e europeu e a não surpreendente omissão da Rússia, tanto em atos como em palavras, e do outro o sofrido povo ucraniano, sobretudo do Leste, que tal como milhões de seres humanos fizeram nos anos 30 e 40, luta desesperadamente para sobreviver e se abrigar do terror nazista.
Não reconhecer que está do lado errado, diante de tantas evidências, já deixou há muito tempo de ser mera ingenuidade.
(4) http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3846232&seccao=Europa



*André Lavinas é bancário e militante do PCB-RJ

Dez anos da ocupação militar no Haiti: "o povo quer que as tropas saiam já"

Segundo o pesquisador haitiano Franck Seguy, o Brasil colabora com os EUA, que terceirizaram a invasão militar no Haiti por interesses comerciais próprios
23/05/2014
Fábio Nassif
A ocupação militar no Haiti, comandada pelas tropas brasileiras do Exército, completa dez anos no dia 1 de junho. A Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti) foi iniciada a partir de decisão da Organização das Nações Unidas em 2004, quando estávamos sob o governo Lula (PT).
O fato chama a atenção para uma reflexão sobre o papel brasileiro em um país que conhecidamente foi espoliado durante sua história. A imagem muitas vezes transmitidas por veículos de mídia oficiais e pela grande mídia empresarial é de que os soldados brasileiros desempenham um papel de paz e de solidariedade. Essa não é a opinião do pesquisador haitiano Franck Seguy. Ele acompanhou de perto a atuação das tropas militares até vir em 2008 estudar no Brasil. Em 2011 voltou a morar lá e acaba de concluir seu doutorado na Unicamp, com a tese "A catástrofe de janeiro de 2010, a ‘Internacional Comunitária’ e a recolonização do Haiti”. Orientado pelo sociólogo Ricardo Antunes, Franck pretende lançar a tese em livro.
Na entrevista que nos concedeu, Franck ressalta os interesses do Brasil na missão militar, destacando a busca por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU e o aprofundamento de laços comerciais. Em sua visão, o Brasil desempenha um papel subimperialista no país e colabora com os Estados Unidos – que passaram a terceirizar a invasão militar no Haiti por interesses comerciais próprios.
Ele destacou a atuação repressiva e violenta das tropas militares, rejeita o nome de “missão de paz” e afirmou que o objetivo é “establizar a ordem existente, que mantém o haitiano na precariedade que ele está hoje”. Sobre a retirada das tropas, Franck acredita que o cenário mais provável é que a Minustah saia do país “somente quando eles tiveram garantia de que já existe uma força nacional capaz de garantir o mesmo papel da Minustah”. Apesar disso, reforça: o povo haitiano quer a saída imediata. Leia a seguir a entrevista:
Carta Maior - Quais os principais interesses do Brasil no comando da Minustah?
Franck Seguy - Essa ocupação se deu em decorrência de uma situação social e política haitiana na qual havia uma possibilidade de mudança social no país, impedida por uma intervenção militar.
O país estava passando por um processo, onde havia um movimento social plural mas significativo nas ruas: uma parte da burguesia na rua, os estudantes da principal universidade – que é a Universidade do Estado do Haiti – muitos grupos organizados e alguns partidos políticos. Era um movimento muito plural que não tinha uma única direção, mas que tinha também uma ala radical.
Houve uma primeira intervenção no dia 29 de fevereiro de 2004, realizada pelos Estados Unidos, apoiada pelo Canadá e pela França. A intervenção militar tomou o poder no país e mandou o presidente Jean-Bertrand Aristide embora – ou seja, foi um golpe de Estado. Ele foi exilado, e essa força multinacional composta pelos exércitos norte-americano, francês e canadense tomou conta do país do dia 29 de fevereiro até o dia 31 de maio. A partir de 1 de junho, depois de um voto do Conselho de Segurança da ONU, uma força multinacional foi enviada ao Haiti para tomar conta da ocupação. Assim foi criada a Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti), liderada pelo Brasil.
O primeiro interesse do Brasil é o seguinte: com dois anos e pouco no primeiro mandato do Lula, ele queria conseguir o que nenhum presidente havia conseguido antes - uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Mas o imperialismo não dá essa vaga de graça para ninguém. Quer dizer, o governo brasileiro precisava comprovar ao mundo inteiro que tinha essa capacidade para lidar com essa vaga. O Haiti foi o laboratório oferecido para o Brasil comprovar isso. Em um artigo chamado “Haiti: a primeira vítima da tentação imperial do Brasil”, Joël Léon, da Anistia Internacional, está corretíssimo em sua análise de que o Brasil está pagando por esta tentação imperial. Na minha análise, o Brasil está desempenhando um papel subimperialista na América Latina e o Haiti está pagando por isso.
O segundo ponto é que o Haiti oferece uma extensão para o mercado brasileiro em alguns sentidos, principalmente na área têxtil. É preciso lembrar que o Brasil tinha um dos maiores empresários do mundo na questão de vestuários, que era o José Alencar (ex-vice presidente no governo Lula). E o filho dele é bastante ativo no Haiti. [veja aqui documento do Wikileaks sobre o lobby de Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas, no Haiti]. Ele já foi ao Haiti junto com Bill Clinton – que é hoje o enviado especial do secretário-geral da ONU e leva regularmente empresários para fazer negócios no Haiti. Hoje o lema oficial do governo haitiano é: “o Haiti está aberto aos negócios” e o principal deles é com a indústria têxtil.
Existe um estudo realizado antes do terremoto de 2010 por um economista da Universidade de Oxford chamado Paul Collier que aponta a criação de zonas francas no Haiti como única saída para explorar o que ele identifica como a mão de obra mais barata existente hoje – ele diz que a mão de obra haitiana é mais barata que a chinesa.
Esses dois fatores são fundamentais para explicar porque o Brasil está ocupando o Haiti hoje e prestando um serviço ao imperialismo, que precisa do Haiti não somente para explorar essa mão de obra mas também para produzir para um mercado norte-americano, muito próximo ao Haiti.
Para explicar um pouco melhor, existe entre o Haiti e os Estados Unidos um acordo, a partir de uma lei adotada pelo Congresso norte-americano, chamada HOPE. De acordo com essa lei o produto vestuário feito no Haiti é comercializado nos Estados Unidos como sendo norte-americano. Ou seja, entra no mercado norte-americano sem pagar nenhuma taxa. O Paul Collier diz no relatório dele que o Haiti, localizado próximo ao maior mercado mundial, tendo mão de obra barata, não exigindo pagamento de taxas de acordo com a lei HOPE e sendo um país pouco regulamentado – com poucas leis que protegem direitos trabalhistas – é o lugar mais seguro para produzir. Por isso o Brasil está desempenhando este papel.
Carta Maior - Por que você considera que o Brasil desempenha um papel subimperialista e qual a diferença com um imperialismo no sentido clássico?
Vou responder a partir da realidade haitiana.
Como o imperialismo clássico costuma atuar no Haiti? Se você olhar para a história do Haiti, no final do século XIX, a batalha era entre quatro potências: França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Cada um tinha um plano de controle. Eles precisavam controlar o Haiti porque o país estava em processo de liberalização e era necessário disputar quem financiaria isso. Em segundo lugar, pela localização geográfica, pelo fato do Haiti estar no caminho do canal do Panamá. Quem controlasse o Haiti controlava quem ia passar no canal do Panamá. Terceiro que, pelo Haiti, era possível ter controle de Cuba também. E neste período era muito importante comprovar que o Haiti, por ser um país negro, era incapaz de ser governado por si mesmo.
Na luta entre essas potências, os norte-americanos, prevalecendo-se da Doutrina Monroe – segundo a qual a América pertence aos Estados Unidos – decidiram que não deixariam um país europeu ocupar o Haiti. Por isso em 1915 o imperialismo norte-americano decidiu intervir no Haiti e ocupar o país militarmente durante 19 anos.
Durante esta primeira ocupação o que eles fizeram? Expropriaram, pegaram as terras do povo haitiano e mandaram os camponeses para Cuba nas plantações de cana e para o Panamá, terminar a construção do canal. Nas serras implementaram algumas empresas, por exemplo de extração de borracha, banana e algodão, e depois continuaram tomando conta do país. Por exemplo, no início da década de 80 havia 164 empresas norte-americanas no Haiti. Na mesma época eles mataram parte da economia haitiana que era baseada no gado e no rebanho suíno. Eles mataram os porcos para liberar uma mão de obra que precisavam para trabalhar nas zonas francas e nos parques industriais. Estou falando isso para exemplificar que o imperialismo norte-americano sempre que precisava tomava conta do país, econômica, política e militarmente. Ocuparam também em 1994.
Mas o que aconteceu? A partir de 2004 os norte-americanos fizeram a escolha de terceirizar as ocupações. Quer dizer, hoje eles não mais ocupam o Haiti militarmente. Eles fizeram isso por alguns dias só por ocasião do terremoto em 2010. Enquanto o Exército brasileiro já estava lá, eles intervieram com 15 mil soldados e o general brasileiro que comandava a Minustah ameaçou ir embora. O Exército brasileiro nestes dias distribuía água nas ruas e o general justificou a ação dizendo que era preciso marcar presença ali. Ou seja, a “ajuda” ficou explicitamente em segundo plano.
Hoje, a ocupação do Haiti é terceirizada. Os países que têm tropas lá são todos periféricos em relação aos Estados Unidos e ao imperialismo de um modo geral. Países como Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile, Senegal, Burkina Faso, Bangladesh, Iêmen, etc. Essa terceirização acontece militarmente e economicamente porque as zonas francas que estão sendo implementadas no Haiti são com empresas de países periféricos como Coréia do Sul e República Dominicana. A produção, porém, é destinada ao mercado norte-americano a favor do seu próprio capitalismo.
Carta Maior - Na visão do povo haitiano e dos movimentos sociais, a Minustah pode ser considerada uma missão de estabilização como o nome sugere?
O que é uma missão de estabilização? Estabilizar o quê? Establizar a ordem existente, que mantém o haitiano na precariedade que ele está hoje. Às vezes eles a chamam de Missão de Paz, e eu acho que não são a mesma coisa. Uma missão de escravização não é uma missão de paz e vice-versa. A Minustah não é uma missão de paz e sim de estabilização. Estabilizar o país para que o trabalhador continue ganhando 4 dólares por dia – que é o salario no Haiti hoje – enquanto os capitalistas exploram a barata mão de obra haitiana – e como se esse barateamento fosse uma coisa natural. O papel da Minustah é exatamente esse: reprimir os movimentos sociais e operários de um modo geral toda vez que eles procuram mudanças na estrutura social do país.
O Exército brasileiro já deu as provas sobre isso. Em 2009, quando houve um movimento a favor do reajuste do salario mínimo, as tropas brasileiras, principalmente em Porto Príncipe, baixaram a mais tremenda repressão no movimento. Quando o Exército brasileiro chegou no Haiti em 2004, foi aplaudido como herói. Em agosto a seleção brasileira de futebol foi jogar no Haiti, ganhou de seis a zero, foi aplaudida pelos haitianos. Os haitianos são torcedores loucos por futebol, principalmente pelas seleções – muito mais do que no Brasil – e não seria exagero afirmar que 70% torce pela seleção brasileira. E gostam do Brasil porque a imprensa fora do seu território o apresenta como um país que não tem racismo, miscigenado e integrado.
Em 2004 era muito fácil o Exército brasileiro chegar no Haiti. Como eles começaram a baixar a repressão nos movimentos sociais e nos bairros populares, o povo haitiano passou a perceber que o papel da Minustah não era ajudar aquele povo mas ajudar a estabilizar o Haiti para o imperialismo. Os haitianos hoje não têm mais essa ilusão. Eles sabem que é uma missão para o que haitiano fique na dele e seja explorado. Quando não há lutas abertas para o Exército brasileiro, qual é o papel do Brasil? O povo haitiano usa a palavra “turistah”. É um jogo de palavras entre “turista” e “Minustah”. Ou seja, é para o soldado que está fazendo turismo. Ele só tem duas coisas a fazer: repressão em momentos de luta aberta e passeio nas belas praias quando não há luta. É isso que faz o soldado brasileiro no Haiti.
Claro que a grande mídia mostra um soldado brasileiro ajudando alguém individualmente, chorando, para mostrar o soldado brasileiro como um sujeito simpático e sensível à miséria humana. Claro que a grande mídia faz isso, para enganar quem não vai analisar com profundidade. Mas quem convive com os haitianos sabe que o Exército está fazendo um papel muito repressivo em relação ao povo.
Carta Maior - Como você enxerga a missão no Haiti sendo utilizada como argumento para as intervenções das forças armadas nas favelas brasileiras?
Os generais brasileiros no Haiti admitem isso, do Haiti como campo de treinamento. Um comandante de um contingente assumiu que o Haiti serve para treinar o Exército para atuar nos morros do Rio de Janeiro depois. E isso está sendo demonstrado agora porque boa parte dos soldados que já passaram pelo Haiti estão no Rio.
Carta Maior - Qual o balanço que você faz desses dez anos, do ponto de vista da violação dos direitos do povo haitiano?
Deixa eu te contar um evento. Havia um general brasileiro [Urano Teixeira da Mata Bacelar] no Haiti que foi morto, mas oficialmente foi considerado um suicídio. Disseram que ele cometeu suicídio e ponto. Mas as pessoas que têm mais conhecimento do que eu sobre perícia já disseram que não foi suicídio. Ele não era canhoto e recebeu a bala do lado esquerdo, abaixo da orelha, e uma série de argumentos que pelo menos colocam em dúvida a tese do suicídio. É porque naquele período esse general recebeu uma ordem para reprimir o povo que mora numa favela enorme, chamada Cité Soleil. O general brasileiro deve ter esquecido que era general, pensou que era sociólogo, e começou a dizer que aquele povo não precisava de repressão e sim uma ajuda para sair da miséria. Um militar que pensa é perigoso. [Veja matéria do The Guardian, com documentos do Wikileaks, que aponta suspeitas sobre a morte de Bacelar.]
Eu conheço alguns soldados que foram pro Haiti e eles não voltam com o mesmo ânimo que foram pro Haiti. Alguns voltam e nunca mais falam no Haiti. Porque eles fazem coisas diferentes do que estavam esperando. Muitos deles vão para o Haiti pensando que vão pacificar um país em guerra e outros pensam que vão ajudar um povo em dificuldade. Quando eles chegam não há nenhuma guerra para pacificar. E não há nenhuma ajuda a favor deste povo. Então eles voltam muitas vezes desapontados em relação à expectativa inicial.
Carta Maior - Sobre a retirada das tropas, você acredita que ela deva ser gradual ou imediata? O que ficará do Haiti depois dessa saída?
O povo haitiano e os movimentos sociais querem que a Minustah saia do país. E não é amanhã ou depois de amanhã. É sair agora. Esse é o desejo e entre o desejo e a realidade a diferença é grande. O povo haitiano não é soberano hoje, não é ele quem decide sobre isso. O Estado haitiano só existe no nome. É a própria ONU que vai decidir. Como a Minustah está lá para desenvolver determinado papel, do ponto de vista do imperialismo, a Minustah vai sair somente quando eles tiverem garantia de que já existe uma força nacional capaz de garantir o mesmo papel da Minustah. Na minha análise, esse é o cenário mais provável no Haiti. Esse ano tem eleição legislativa e a presidencial é no final de 2015 para tomar posse em 2016. Do ponto de vista do povo, é saída já; do ponto de vista do imperialismo, saída gradual – seja para colocar outra força ou para treinar as forças haitianas até que seja tão repressiva quanto a Minustah.
Carta Maior - Acredita que existe relação entre a presença das tropas brasileiras no Haiti e a vinda de haitianos para o Brasil?
Eu vejo relação mas tem mais do que isso. Há relação no sentido que o projeto de zonas francas que está sendo implementado no Haiti hoje – que prevê a construção de 42 delas – e a mais recente inaugurada pretende fornecer entre 65 e 75 mil empregos. Mas o salário vai ser de 4 dólares por dia. Quer dizer, o imperialismo diz que quer criar emprego como forma de reconstrução do país, mas é um emprego que não garante a sobrevivência do haitiano. Assim, o haitiano procura saídas e uma delas é a migração. Portanto, a relação se dá porque o Exército brasileiro está lá para garantir essa estabilização com um salário de miséria.
Mas é muito mais do que isso, no sentido de que esta obrigação pela migração não é uma situação que vem de 2004. É de antes porque o país foi destruído sistematicamente do século XIX pra cá. Em todos os sentidos. As finanças do país foram roubadas – como verdadeiros assaltos principalmente pela França, Alemanha e Estados Unidos. Aliás, a primeira medida da ocupação norte-americana em 1915 foi pegar a reserva do Banco Central do Haiti para levar a Washington. O imperialismo destruiu sistematicamente o meio ambiente haitiano fragilizando cada vez mais o país em relação a qualquer fenômeno da natureza. Por isso um terremoto tão fraco de 7.2 matou 300 mil pessoas no Haiti enquanto a gente vê um terremoto de 8.9 no Chile matar aproximadamente 100 pessoas. E o país foi fragilizado também pela migração de sua força de trabalho mais qualificada. Hoje, mais de 80% dos haitianos com diploma de ensino superior estão fora do Haiti. No Canadá, somente no Quebec, existem mais médicos haitianos, formados no seu país, do que no próprio Haiti.
A tragédia do Haiti não é o terremoto de 2010. É essa situação que evolui ano a ano até hoje. A migração do haitiano se coloca como necessidade que não é do século XXI e é feita em vários sentidos. Mas a migração para o Brasil é da chamada mão de obra menos qualificada. A mais qualificada também está migrando mas não para o Brasil. Porque hoje a precariedade é a norma do cotidiano no Haiti.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

FARC: A CONSTRUÇÃO DA UNIDADE PARA A AÇÃO QUE NOS LIBERTE





MENSAGEM AOS POVOS INDÍGENAS, COMUNIDADES AFRO-COLOMBIANAS, CAMPONESAS, URBANAS E POPULARES E ÀS IGREJAS E MOVIMENTOS SOCIAIS E POLÍTICOS

Havana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 16 de maio de 2014

Levantamos hoje nossa palavra, com a força do amor a favor da reconciliação nacional e, em especial, da unidade de nossos povos submetidos durante décadas ao poder cruel das oligarquias.

Nossa voz emerge para chamar, com sentimentos de fraternidade e esperança, as organizações sociais, políticas e populares em geral, as comunidades afro-colombianas, camponesas e urbanas castigadas pela miséria, as igrejas, os jovens e estudantes, as mulheres, o movimento LGBTI, as camadas médias, os acadêmicos e especialmente os povos indígenas, para além das dificuldades ou desencontros que houvéssemos tido em qualquer tempo e lugar, a empreender com mais determinação do que nunca, a marcha pela unidade pelas transformações radicais que a pátria nos reclama para rumar pelo caminho da paz com justiça social, em que todos encontremos o cenário de abrigo que  nos permita o bem viver e a concórdia.

Com sinceridade e profundo sentimento de alteridade, as FARC-EP clamam pela unidade popular e pela defesa da pátria hoje, a partir de uma circunstância em que, com convencimento, assumimos um processo de diálogo pela paz pensando em um destino melhor para a Colômbia: fato que, por ser anelo das maiorias, é causa que deveremos defender como uma só força de mudança.

Necessário é dizer que a paz é o direito síntese que está acima de tudo. Se não há paz não há nada; nem sequer país. A segurança uribista (do ex-presidente Uribe, 2002-2010) é um ardil que só acentua o caos. Não pode haver segurança para todos sem paz.

Queremos ressaltar a importância e o compromisso que revestem propósitos necessários, como o de encontrar a coincidência política dos setores populares e sua unidade em função da defesa do processo de diálogo para a consecução da paz com justiça social, que beneficie o conjunto da nação. Este "pòr-se de acordo" em função da paz dá início a um caminho de mudança, de aproximação, de portas abertas para dar cabida a todos na sociedade e nas instituições. Abrir-se ao diálogo para encontrar a verdade, a justiça integral e conseguir a paz após setenta anos de violência, impulsiona com maior vigor a marcha sem parar do processo constituinte que estamos aspirando.

Vem sendo construindo um processo constituinte após se tornar evidente a necessidade de superar a crise da justiça, das regiões, da terra e do território, dos recursos naturais não renováveis e do meio ambiente, dos órgãos de controle, do congresso nacional. Torna-se necessário, então, um ponto de encontro que vá além dos diálogos de Havana. Esta dinâmica deve transcender para a materialização de um grande acordo nacional que dê vida à Assembleia Nacional Constituinte, porque nesta instância histórica do pluralismo e do pluriculturalismo, a Constituição deve ser um acordo de convivência que interprete cabalmente o tempo presente; deve conter, igualmente, a alma requerida para desenvolver a necessária capacidade institucional que aposte por assimilar, com sabedoria os tempos que estão por vir.
Mas esta missão é de todos filhos e filhas da Colômbia e requer da opinião e do protagonismo de cada setor da sociedade. Consequentemente, chamamos as organizações sociais e populares a se expressarem. a que intercambiemos em torno de como deve ser o rumo a seguir em função desta causa. Vocês têm a palavra.

Nossa contribuição de início é expressar que, no caminhar constituinte que felizmente teve início para não ser interrompido, o sentimento pluricultural, os diversos povos indígenas e afro-colombianos, as múltiplas expressões sociais, como as organizações camponesas, estudantis do campo e da cidade, trabalhadores e patrões, movimentos políticos, setores informais da economia, crentes religiosos, não crentes e demais componentes do tecido nacional, devem ocupar desde já seu lugar, sem timidez alguma. Eventualmente, haverá que se aplicar a lei pela qual se convoca a sonhada Constituinte. Tal lei teria a faculdade constitucional de indicar a composição que haverá de ter essa Assembleia. Cabe na norma estabelecer circunscrições especiais para dar cabida a comunidades que devem ter presença em seu seio, com urgência social e sentido de paz. Tal é o caso dos povos indígenas e afro-colombianos e outros setores historicamente submetidos.

As FARC-EP é feitura de povo e, como tal, enfatiza seu sonho para que essa construção de unidade se multiplique em cada cenário de interlocução das organizações populares, tornando causa comum, por exemplo, na luta pelo reconhecimento das Zonas de Reserva Camponesa já estabelecidas na lei, na concretização do respeito aos territórios ancestrais indígenas e na consolidação de suas reservas, no realce dos territórios comunitários das negritudes e dos direitos da gente que fazem convergir sua existência nas zonas de realidade interétinica e e interultural. Cada povo e cada comunidade devem garantir seu à terra e ao território em apoio mútuo, macomunadamente que, ao mesmo tempo que reconheça os direitos dos camponeses, reafirme os direitos adquiridos dos povos indígenas e afro-colombianos e ofereça, por fim, possibilidades de existência digna aos depauperados que habitam no campo  e na cidade, no entendimento de que a pátria é de todos e é contra a depredação das transnacionais e das burguesias locais que devemos defendê-la a partir do mais profundo do nosso ser indígena, de nosso ser negro, de nosso ser mulato, de nosso ser mestiço e mameluco vilipendiado e que grita com o peito aberto: já basta de tanta exploração!

Com a fé absoluta na integração e unidade dos nossos povos, com o fortíssimo ideal emancipatório que é o "macro cosmo da raça humana", com o imparável caminhar constituinte, com total compromisso e esperança na paz, deixamos os braços abertos para estreitarmos com os nossos irmãos no convite e na minga da unidade para a ação que nos liberte.

DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP

Saudação das FARC-EP às Organizações Venezuelanas que Comemoram 
os 50 anos de Resistência


terça-feira, 13 de maio de 2014

400 MERCENÁRIOS DA BLACKWATER NA UCRÂNIA


A junta neo-nazi de Kiev tem agora 400 mercenários da Blackwater e Greystone a operarem no terreno, anunciam os media alemães . São eles que conduzem os massacres de populações civis no leste da Ucrânia, enquadrando a tropa regular e os paramilitares neo-nazis (Svoboda e Right Sector). A contratação de mercenários estrangeiros constitui uma escalada para uma guerra civil generalizada e uma provocação contra uma potência nuclear. O jogo do imperialismo, ao animar os seus títeres de Kiev, é insano. Registe-se o papel subalterno e servil da UE, caudatária dos EUA mesmo contra os seus próprios interesses.

http://rt.com/news/158212-academi-blackwater-ukraine-military/

O golpe de Kiev: Trabalhadores rebeldes tomam o poder no leste


por James Petras


Nunca, desde que os EUA e a UE capturaram a Europa do Leste, incluindo os países bálticos, a Alemanha oriental, a Polônia e os Bálcãs, e a converteram em postos avançados militares da NATO e em vassalos econômicos, nunca os poderes ocidentais se movimentaram tão agressivamente para se apoderarem dum país estratégico, como a Ucrânia, ameaçando a existência da Rússia.

Até 2013, a Ucrânia era um 'estado almofada', basicamente um país não-alinhado, com laços econômicos à UE e à Rússia. Governado por um regime estreitamente ligado à oligarquia local, ligada à Europa, Israel e Rússia, a elite política foi um produto duma sublevação política em 2004 (a chamada "Revolução Laranja"), financiada pelos EUA. Subsequentemente, durante a maior parte de uma década, a Ucrânia sofreu a experiência fracassada de uma política econômica 'neoliberal' apoiada pelo ocidente. Depois de quase duas décadas de penetração política, os EUA e a UE ficaram entrincheiradas profundamente no sistema político, através do financiamento regular das alegadas organizações não-governamentais (ONG), partidos políticos e grupos paramilitares.

A estratégia dos EUA e da UE foi instalar um regime flexível que levasse a Ucrânia para o Mercado Comum Europeu e para a OTAN, como estado cliente subordinado. As negociações entre a UE e o governo ucraniano decorreram vagarosamente. Acabaram por fracassar por causa das condições onerosas exigidas pela UE e pelas concessões econômicas mais favoráveis e subsídios propostos pela Rússia. Depois do fracasso em negociar a anexação da Ucrânia à UE, e por não estarem dispostas a esperar pelas eleições constitucionais já marcadas, as potências da NATO ativaram as suas ONG, bem financiadas e organizadas, líderes políticos seus clientes e grupos paramilitares armados para derrubarem pela violência o governo eleito. O golpe violento foi um êxito e a junta civil-militar nomeada pelos EUA assumiu o poder.

A Junta foi formada por 'ministros' neoliberais e chauvinistas submissos. Os primeiros foram escolhidos pelos EUA, para administrar e impor uma nova ordem política e econômica, incluindo a privatização de empresas e de recursos públicos, cortando os laços comerciais e de investimento com a Rússia, eliminando um tratado que permitia a base naval russa na Crimeia e acabando com as exportações militar-industriais para a Rússia. Foram nomeados para posições ministeriais neofascistas e sectores das forças militares e policiais, a fim de reprimir violentamente qualquer oposição pró-democracia no ocidente e no leste. Supervisionaram a repressão dos bilingues (russos-ucranianos), de instituições e de práticas – transformando a oposição contra o golpe de estado apoiado pelos EUA-NATO numa oposição étnica. Fizeram uma limpeza em todos os detentores de cargos opositores no ocidente e no leste e nomearam governadores locais de confiança – criando assim um regime de lei marcial.

Os alvos estratégicos da OTAN-Junta 

A tomada de poder, violenta e de alto risco, da Ucrânia pela OTAN foi motivada por diversos objetivos estratégico-militares, que incluíam:

1) A expulsão da Rússia das suas bases militares da Crimeia – transformando-as em bases da OTAN às portas da Rússia.

2) A transformação da Ucrânia num trampolim para a penetração no sul da Rússia e no Cáucaso; uma posição avançada para gerir e apoiar politicamente os partidos liberais pró-OTAN e as ONG no interior da Rússia.

3) A destruição de sectores fundamentais da indústria de defesa militar russa, ligados às fábricas ucranianas, acabando com a exportação de maquinaria crítica e sobressalentes para a Rússia.

A Ucrânia foi durante muito tempo uma parte importante do complexo industrial militar da União Soviética. Os estrategas da OTAN por detrás do golpe sabiam muito bem que um terço da indústria de defesa soviética se manteve na Ucrânia depois do desmantelamento da URSS e que quarenta por cento das exportações da Ucrânia para a Rússia, até há bem pouco tempo, consistiam em armamentos e maquinaria com isso relacionada. Mais especificamente, a instalação Motor Sikh na Ucrânia de leste fabricava a maior parte dos motores para os helicópteros militares russos, incluindo um contrato em vigor para fornecer motores para mil helicópteros de ataque. Os estrategas da OTAN orientaram imediatamente os seus lacaios em Kiev para suspender todas as entregas militares à Rússia, incluindo foguetões de médio alcance ( Financial Times, 4/21/14, p.3). Os estrategas militares dos EUA e da UE encararam o golpe em Kiev como uma forma de sabotar as defesas russas no ar, no mar e nas fronteiras. O presidente Putin acusou o golpe mas insiste que a Rússia poderá substituir internamente a produção interna de peças críticas dentro de dois anos. Isso significa a perda de milhares de postos de trabalho especializados na Ucrânia de leste.

4) O cerco militar da Rússia com bases avançadas da OTAN na Ucrânia, equiparáveis às do Báltico, até aos Bálcãs, da Turquia até ao Cáucaso e depois a partir da Geórgia até à Federação Russa autônoma.

O cerco dos EUA-UE à Rússia destina-se a acabar com o acesso russo ao Mar do Norte, ao Mar Negro e ao Mediterrâneo. Cercando e confinando a Rússia a uma massa continental isolada sem 'saídas para o mar', os construtores do império EUA-UE procuram limitar o papel da Rússia enquanto potência rival central e, possivelmente, contrabalançar as suas ambições imperialistas no Médio Oriente, norte de África, sudeste de Ásia e Atlântico norte.

O golpe na Ucrânia: da expansão integral à imperial 

Os EUA e a UE pretendem destruir governos independentes, nacionalistas e não-alinhados em todo o mundo e transformá-los em satélites imperialistas sejam quais forem os meios. Por exemplo, a atual invasão mercenária da Síria, armada pela OTAN, é dirigida para o derrube do governo nacionalista e laico de Assad e para o estabelecimento de um estado vassalo pró-OTAN, independentemente das consequências sangrentas para os vários povos sírios. 

O ataque à Síria serve múltiplos fins. Eliminando um aliado russo e a sua base naval mediterrânica; enfraquecendo um (fundamental - Blog.)apoiante da Palestina e um adversário de Israel; cercando a República Islâmica do Irã e o poderoso Partido Hezbollah militante no Líbano e estabelecendo novas bases militares em solo sírio. 

A conquista da Ucrânia pela OTAN tem um efeito multiplicador que se estende 'para cima' na direção da Rússia e 'para baixo' na direção do Médio Oriente e consolida o controlo sobre a sua vasta riqueza petrolífera.

As recentes guerras da OTAN contra os aliados russos ou seus parceiros comerciais confirmam este prognóstico. Na Líbia, destacavam-se as políticas independentes, não alinhadas do regime de Kadhafi em forte contraste com os servis satélites ocidentais como Marrocos, o Egito ou a Tunísia. Kadhafi foi derrubado e a Líbia destruída através de um maciço ataque aéreo da OTAN. A rebelião da massa popular do Egito contra Mubarak e a democracia emergente foram subvertidas por um golpe militar e acabaram por fazer regressar o país à órbita dos EUA-Israel-OTAN – sob um ditador brutal. Todas as incursões armadas de Israel, amigalhaço da OTAN, contra o Hamas em Gaza e contra o Hezbollah no Líbano, assim como as sanções EUA-UE contra o Irã, são dirigidas contra potenciais aliados ou parceiros comerciais da Rússia. 
Os EUA foram obrigados a desistir de cercar a Rússia via 'eleições e mercados livres' na Europa de Leste, e a confiar na força militar, nos esquadrões da morte, no terrorismo e nas sanções econômicas na Ucrânia, no Cáucaso, no Médio Oriente e na Ásia.

Mudança de regime na Rússia: de potência global a estado vassalo 

O objectivo estratégico de Washington é isolar a Rússia do exterior, sabotar a sua capacidade militar e corroer a sua economia, a fim de reforçar os colaboradores políticos e econômicos da OTAN no interior da Rússia – levando à sua maior fragmentação e ao regresso a um estatuto de semi-vassalo.

O objectivo da estratégia imperialista é colocar no poder em Moscovo amigos políticos neoliberais, como os que dirigiram a pilhagem e a destruição da Rússia durante a vergonhosa década de Yeltsin. A tomada do poder na Ucrânia pelos EUA-EU é um grande passo nessa direção.

Avaliar a estratégia do cerco e da conquista 

Até aqui, a conquista da Ucrânia pela OTAN não tem avançado como planejado. Primeiro que tudo, a conquista violenta do poder pelas elites abertamente pró-OTAN renegando abertamente os acordos e tratados militares com a Rússia sobre as bases na Crimeia, forçaram a Rússia a intervir em apoio da população local, de esmagadora etnia russa. Na sequência de um referendo livre e aberto, a Rússia anexou a região e assegurou a sua presença militar estratégica.

Enquanto a Rússia mantinha a presença naval no Mar Negro… a Junta da OTAN em Kiev desencadeou uma ofensiva militar de grande escala contra a maioria de língua russa, a favor da democracia e anti-golpe, na metade oriental da Ucrânia, que tem exigido uma forma de governo federal, refletindo a diversidade cultural da Ucrânia. Os EUA-UE promoveram uma "resposta militar" à dissidência popular de massas e encorajaram o regime golpista a eliminar os direitos civis da maioria de língua russa através de terrorismo neonazi e a forçar a população a aceitar os dirigentes regionais nomeados pela Junta em vez dos seus líderes eleitos. Em resposta a esta repressão, nasceram rapidamente comissões populares de autodefesa e milícias locais e o exército ucraniano foi inicialmente forçado a recuar com milhares de soldados a recusarem-se a disparar sobre os seus compatriotas por ordem do regime instalado em Kiev pelo ocidente. Durante algum tempo, a Junta de coligação neoliberal e neofascista, apoiada pela OTAN, teve que lutar contra a desintegração da sua 'base de poder'. Ao mesmo tempo, a 'ajuda' da UE, do FMI e dos EUA não conseguiu compensar o corte do comércio russo e dos subsídios à energia. A conselho do diretor da CIA, Brenner, de visita, a Junta de Kiev enviou as suas "forças especiais" de elite, treinadas pela CIA e pelo FBI para executar massacres contra civis pró-democracia e milícias populares. Enviaram criminosos armados para a cidade de Odessa que encenaram um massacre "exemplar": Incendiaram a sede do principal sindicato da cidade e assassinaram 41 pessoas, na maioria civis desarmados que ficaram encurralados dentro do edifício com as saídas bloqueadas pelos neonazis. Os mortos incluíam muitas mulheres e adolescentes que tinham procurado abrigo dos ataques dos neonazis. Os sobreviventes foram brutalmente espancados e detidos pela 'polícia' que assistira impassível enquanto o edifício ardia.

O futuro colapso da junta golpista 

A tomada do poder na Ucrânia, por Obama, e os seus esforços para isolar a Rússia provocaram alguma oposição na UE. Nitidamente, as sanções prejudicam grandes multinacionais europeias com profundas ligações à Rússia. O golpe militar dos EUA na Europa de Leste, nos Bálcãs e no Mar Negro desperta tensões e ameaça uma conflagração militar de grande escala, prejudicando importantes contratos econômicos. As ameaças dos EUA-UE na fronteira da Rússia aumentaram o apoio popular ao presidente Putin e reforçaram a liderança russa. A tomada estratégica do poder na Ucrânia radicalizou e aprofundou a polarização da política ucraniana entre as forças neofascistas e pró-democracia.

Enquanto os estrategas imperialistas alargam e aumentam a sua posição militar na Estônia e na Polônia e despejam armas na Ucrânia, toda a tomada de poder assenta em bases políticas e econômicas muito precárias – que podem desabar dentro de um ano – no meio duma guerra civil sangrenta e/ou massacre interétnico.

A Junta da Ucrânia já perdeu o controlo político em mais de um terço do país, para movimentos pró-democracia e anti-golpe e milícias de autodefesa. Ao cortar exportações estratégicas para a Rússia para servir os interesses militares dos EUA, a Ucrânia perdeu um dos seus mercados mais importantes, que não pode ser substituído. Sob o controlo da OTAN, a Ucrânia vai ter que comprar "hardware" militar especificado pela OTAN, o que levará ao fecho das suas fábricas, viradas para o mercado russo. A perda do comércio russo já está a levar ao desemprego em massa, principalmente entre operários industriais especializados no leste que podem ser forçados a imigrar para a Rússia. O grande aumento dos défices comerciais e a erosão das receitas do estado conduzirão a um colapso econômico total. Em terceiro lugar, em consequência da submissão da Junta de Kiev à OTAN, a Ucrânia perdeu milhares de milhões de dólares em energia subsidiada da Rússia. Os altos custos de energia retiram competitividade às indústrias ucranianas nos mercados globais. Em quarto lugar, a fim de assegurar empréstimos do FMI e da UE, a Junta concordou em eliminar os subsídios aos preços dos alimentos e da energia, afetando gravemente os rendimentos familiares e mergulhando os pensionistas na pobreza. Cada vez há mais falências, à medida que as importações da UE e de outros locais desalojam as indústrias locais anteriormente protegidas.

Não se verificam novos investimentos, por causa da violência, da instabilidade e dos conflitos entre neofascistas e neoliberais no seio da Junta. Só para estabilizar as operações correntes do governo, a junta precisa rapidamente de um reforço de 30 mil milhões de dólares, sem juros, dos seus patrões da OTAN, uma quantia que não vai aparecer nem agora nem no futuro imediato.

É óbvio que os 'estrategas' da OTAN que planejaram o golpe estavam apenas a pensar em enfraquecer militarmente a Rússia e não se preocuparam com os custos políticos, econômicos e sociais de sustentar um regime fantoche em Kiev quando a Ucrânia estava tão dependente dos mercados, empréstimos e energia subsidiada da Rússia. Além disso, parece terem menosprezado a dinâmica política, industrial e agrícola das regiões do leste do país, previsivelmente hostis. Em alternativa, os estrategas de Washington podem ter baseado os seus cálculos na instigação à divisão, ao estilo da Jugoslávia, acompanhada por uma maciça limpeza étnica no meio das deslocações e massacres das populações. Sem se impressionar com os milhões de baixas civis, Washington considera que a sua política de desmantelamento da Jugoslávia, do Iraque e da Líbia foram grandes êxitos político-militares.

A Ucrânia, quase com certeza, vai entrar numa depressão prolongada e profunda, incluindo um declínio precipitado nas exportações, no emprego e na produção. Possivelmente, o colapso econômico levará a protestos e desassossego social por todo o país: espalhando-se de leste para oeste, de sul para norte. Motins sociais e miséria generalizada podem aprofundar ainda mais a corrosão da moral das forças armadas ucranianas. Kiev já tem dificuldade em alimentar os seus soldados e tem que confiar nas milícias de voluntários neofascistas que podem ser difíceis de controlar. Os EUA-UE não deverão intervir diretamente com uma campanha de bombardeamentos ao estilo da Líbia, dado que iriam enfrentar uma guerra prolongada na fronteira da Rússia numa altura em que a opinião pública nos EUA está a sofrer com a exaustão da guerra imperialista, e os interesses empresariais europeus com ligações a empresas de recursos russos estão a resistir às sanções em consequência.

O golpe dos EUA-UE deu origem a um regime fracassado e a uma sociedade minada por violentos conflitos – em espiral para uma violência étnica aberta. O que de fato se tem seguido é um sistema de poder dual em que os contendores são transversais às fronteiras regionais A Junta de Kiev não tem coerência nem estabilidade para servir de elo militar fiável da OTAN no cerco à Rússia. Pelo contrário, as sanções dos EUA-UE, as ameaças militares e a retórica belicosa estão a forçar os russos a repensar rapidamente a sua 'abertura' ao ocidente. As ameaças estratégicas à sua segurança nacional estão a levar a Rússia a rever os seus laços com bancos e empresas ocidentais. A Rússia pode ter que recorrer a uma política de expansão da industrialização, através de investimentos públicos e de substituição de importações. Os oligarcas russos, depois de perderem as suas posições além-mar, podem tornar-se menos centrais para a política econômica russa.

O que é claro é que a tomada de poder em Kiev não resultará numa 'faca apontada ao coração da Rússia'. A derrota final e o derrube da Junta de Kiev podem levar a uma Ucrânia autônoma radicalizada, baseada nos crescentes movimentos democráticos e na crescente consciência de classe dos trabalhadores. Isso terá que surgir da sua luta contra os programas de austeridade do FMI e contra a espoliação de recursos e empresas da Ucrânia, feita pelo ocidente. Os operários industriais da Ucrânia que conseguirem libertar-se do jugo dos vassalos ocidentais em Kiev não têm intenção de se submeterem ao jugo dos oligarcas russos. A sua luta é por um estado democrático, capaz de desenvolver uma política econômica independente, livre de alianças militares imperialistas.

Epílogo:
1º de Maio de 2014: Poder popular dual no leste, fascismo em ascensão no ocidente 


O previsível falhanço entre os parceiros neofascistas e neoliberais na Junta de Kiev ficou evidenciado por motins de grande escala, entre gangues de rua rivais e a polícia no 1º de Maio. A estratégia dos EUA-UE pretendia usar os neofascistas como 'tropa de choque' e os combatentes de rua para derrubar o regime eleito de Yankovich e depois verem-se livres deles. Como exemplificado pela famosa conversa gravada entre a secretária de Estado adjunta, Victoria Nuland, e o embaixador americano em Kiev, os estrategas da UE-EUA promovem os seus amigalhaços neoliberais escolhidos a dedo para representar o capital estrangeiro, impor políticas de austeridade e assinar tratados para bases militares estrangeiras. Em contraste, as milícias e partidos neofascistas favorecem as políticas econômicas nacionalistas, conservando as empresas estatais e provavelmente serão hostis a oligarcas, especialmente os de cidadania dupla "Israel-Ucrânia".

A incapacidade da Junta de Kiev para desenvolver uma estratégia econômica, a tomada violenta do poder e a repressão de dissidentes pró-democracia no leste levou a uma situação de 'poder dual'. Em muitos casos, as tropas enviadas para reprimir os movimentos pró-democracia abandonaram as armas, abandonaram a Junta de Kiev e juntaram-se aos movimentos de emancipação no leste.

Para além dos seus padrinhos no exterior – a Casa Branca, Bruxelas e o FMI – a Junta de Kiev foi abandonada pelos seus próprios aliados de direita por ser demasiado subserviente à OTAN e sofre a resistência do movimento pró-democracia no leste por ser autoritária e centralista. A Junta de Kiev está entre a espada e a parede: falta-lhe legitimidade entre a maior parte dos ucranianos e perdeu o controlo de tudo, com excepção duma pequena faixa de terreno ocupada pelos gabinetes governamentais em Kiev e mesmos esses estão cercados pela direita neofascista que aumenta à custa dos seus antigos apoiantes agora desiludidos.

Sejamos claros, a luta na Ucrânia não é entre os EUA e a Rússia, é entre a Junta imposta pela OTAN, formada por oligarcas neoliberais e fascistas de um lado e os operários industriais e as suas milícias locais e conselhos democráticos por outro. Os primeiros defendem e obedecem ao FMI e a Washington; os últimos baseiam-se na capacidade produtiva da indústria local e refletem a maioria. 
07/Maio/2014
O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Amos Oz chama grupos judeus de 'neonazistas hebreus'

  • Famoso escritor israelense criticou responsáveis israelense/judeus por atos racistas contra cristãos e muçulmanos antes da visita do Papa a Jerusalém.


  • O mais famoso escritor israelense, Amos Oz, chamou os extremistas judeus autores de uma onda de atos racistas contra cristãos e muçulmanos de "neonazistas hebreus", informa o site do jornal Haaretz.

    Citado pelo jornal, Oz considerou que o termo "preço a pagar", amplamente utilizado para descrever ataques contra palestinos e árabes israelenses por extremistas judeus, era um eufemismo.

    "Há nomes gentis ​​para um monstro que deve ser chamado pelo que é: grupos neonazistas hebreus", afirmou na sexta-feira a convidados da festa de seu 75º aniversário, de acordo com o Haaretz.

    "Nossos grupos neonazistas se beneficiam do apoio de muitos nacionalistas e até legisladores racistas, assim como de rabinos que lhes fornecem, do meu ponto de vista, uma justificativa pseudo-religiosa", acrescentou Oz.

    Novas pichações anti-cristãs e racistas foram encontradas na sexta-feira em Jerusalém, onde a polícia aumentou a vigilância dos locais religiosos sensíveis a possíveis ataques com a aproximação da visita do Papa à Terra Santa no final de maio.

    "O preço a pagar, o Rei David para os judeus, Jesus é um lixo", estava escrito na parede da Igreja Romana de São Jorge, perto de um bairro judeu ortodoxo (ocupado)de Jerusalém.

    As palavras "Morte aos árabes" também foram pintadas em uma casa na Cidade Velha de Jerusalém e suásticas nazistas foram desenhadas nos muros de um apartamento em Jerusalém Ocidental, o lado (ocupado) da Cidade Santa.

    Com o nome de "preço a pagar", colonos extremistas e ativistas de extrema-direita têm intensificado nos últimos meses os ataques contra palestinos, árabes israelenses.
  • Lares de culto cristão e muçulmano também são alvos quase diários. Embora a polícia tenha feito várias prisões, elas ainda não resultaram em nenhum processo.
  • (Pelo Blog somostodospalestinos) : A legislação israelense não permite a prisão de pessoas judias por muito tempo. Ou seja a impunidade é uma arma a serviço da limpeza étnica e para a ampliação da ocupação. Não poderia ser diferente, afinal a entidade sionista é um Estado imposto pela força das armas à população palestina e árabe.
  • http://www.swissinfo.ch/por/internacional_afp/Amos_Oz_chama_extremistas_judeus_de_neonazistas_hebreus.html?cid=38556660

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Livro Branco sobre as violações dos direitos humanos e da regra da lei na Ucrânia (A cartilha que está sendo implementada, também, na Síria - pelo Blog)


por Oriental Review [*]
.O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo publicou em 5 de Maio um Livro Branco sobre violações de direitos humanos e da regra da lei na Ucrânia desde Novembro de 2013. O livro está dividido em seis capítulos: 
  • Violações de direitos humanos;
  • Interferência da União Europeia e dos Estados Unidos;
  • Armas e métodos violentos utilizados pelos protestatários;
  • Restrições a liberdades básicas e medidas de força contra dissidentes;
  • Discriminação baseada no antecedente étnico;
  • Perseguição religiosa.

Texto completo do Livro Branco
(PDF, 81 p., 2,7 MB, em inglês)

O documento contém um registo cronológico das violações de DH na Ucrânia com base no acompanhamento ucraniano, russo e de alguns media do ocidente, declarações e anúncios feitos pelos líderes do "novo governo" da Ucrânia e seus apoiantes, relatos de numerosas testemunhas oculares, incluindo aqueles postados na Internet, bem como registos baseados em observações e entrevistas com pessoas no cenário dos acontecimentos e aqueles coleccionados pela organização não governamental The Foundation for Researching Problems in Democracy e o Moscow Bureau for Human Rights. O documento é apoiado por fotos e filmes documentários.

Os factos revelados no livro demonstram claramente que sob a influência de extremistas ultra-nacionalistas e forças neo-nazis, em com o apoio activo dos EUA, da União Europeia e dos seus membros, os protestos na Ucrânia, os quais tiveram inicialmente carácter pacífico, rapidamente escalaram numa rebelião coerciva e, no fim, a tomada à força do poder e num golpe de estado inconstitucional.

Estes acontecimentos dramáticos foram acompanhados por violações generalizadas e grosseiras de direitos humanos e de liberdades por parte do auto-proclamado governo e seus apoiantes. Em consequência, manifestações de sentimentos extremistas, ultra-nacionalistas e neo-nazis, intolerância religiosa, xenofobia, chantagem descarada, ameaças, pressões feitas pelos líderes do Maidan sobre seus oponentes, expurgos e prisões entre eles, repressão, violência física e por vezes pleno e criminoso desrespeito total à lei tornaram-se lugar comum na Ucrânia de hoje.

Em todas as regiões da Ucrânia, mas especialmente na parte sudeste do país, nacionalistas radicais ucranianos, instruídos pelas autoridades de facto em Kiev e seus patrões externos, estão a agravar a pressão sobre cidadãos que falam russo e que não querem perder os laços seculares que os prendem à Rússia e à cultura russa.

O relatório abrange o período de Novembro de 2013 até o fim de Março de 2014. A situação piorou ainda mais posteriormente e culminou no horrendo massacre cometido pelos ultras ucranianos no dia 2 de Maio de 2014 em Odessa , que deixou 46 mortos (oficialmente) e centenas de feridos.

Oriental Review apela a todos os cidadãos preocupados do mundo a apresentarem este relatório às suas autoridades nacionais e a distribuírem-no amplamente entre instituições e partidos relevantes. Juntos podemos travar a loucura da guerra e o terrorismo étnico na Ucrânia. 
05/Maio/2014

O original encontra-se em orientalreview.org/... 

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .