quinta-feira, 3 de abril de 2014

A PALESTINA OCUPADA É AQUI E AGORA!

Nota pública acerca da resistência popular contra a ditadura militar na Maré


por marevive

As grandes mídias executaram nos últimos dias suas rotinas promocionais e divulgaram o suposto grande sucesso da invasão militar para “pacificar” a Maré. O governador Cabral veio a público constar: “Hoje foi, sem dúvida, um dia histórico.” e o secretário de segurança pública Beltrame afirmou: “Mais uma vez, fomos muito bem. Vamos entregar o terreno a quem merece e é dono, que é a população. Tudo correu tranquilamente. Para nós não foi surpresa, por que todas as ocupações têm sido assim.”
Contrariam radicalmente este espetáculo midiático recorrentes relatos sobre violações e abusos pelo lado dos policiais durante a invasão. Policiais entrando nas casas sem mandado; com “toca ninja” ameaçando moradores de morte; depredando bens e roubando eletrodomésticos sem nota fiscal; tratando moradores com violência verbal e apontando armas de fuzil para os seus rostos; constrangendo e agredindo crianças como no caso de policiais mandarem-nas deitar e em seguida pisarem em suas cabeças; prisão coletiva de menores que protestaram por causa de morte de um adolescente, que foram levadas à delegacia em caminhão da Polícia Militar; constrangimento e prisão de idosos; invasão de casa com moradora que estava sozinha e diante da presença ameaçadora da polícia se viu forçada de correr para a rua vestida apenas com roupa íntima.
A grande imprensa divulgou imagens de moradores presos acusando-os de serem traficantes que em seguida foram liberados por não terem nenhum envolvimento e serem inocentes (sem que houvesse uma retratação). Nos casos de mortos e feridos, tem sido difícil apurar ao certo, pois há dificuldade de checar informações, mas temos a confirmação de um jovem de 15 anos morto sem divulgação da causa de sua morte, um jovem de 18 anos baleado e que veio a falecer, e de mais dois adolescentes baleados.
Nós, moradores que estamos envolvidos com a luta pelos direitos humanos fundamentais dos cidadãos que vivem em favelas, estamos colocando esforços para denunciar estes muitos casos de abuso que estão acontecendo com nossos familiares e vizinhos. A presença de diversos grupos de defensores de direitos humanos no domingo, coletivos de advogados, a Comissão de Direitos Humanos da OAB, o NIAC (UFRJ), o Coletivo Tempo de Resistência, a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, foi uma contribuição importante para a luta e resistência dos moradores. Não apenas por atuar em campo fiscalizando o trabalho da polícia e registrando ocorrência de abusos, mas também para testemunhar as dificuldades que a organização popular sofre diante da opressão militar, que não se inibiu em manifestar intimidação contra nós nem diante da presença dos advogados.
Nós, que estamos articulados em organizações populares e empenhados a lutar contra o Estado opressor, estamos sofrendo perseguição e intimidação. Entre outros, uma blazer branca com dois policiais seguiu e filmou de forma intimidadora a Comissão de Direitos Humanos da OAB que estava fiscalizando a atuação ilegal da polícia, e um helicóptero ficou dando várias voltas onde estavam os membros da Comissão. Entendemos que essa opressão é para coibir nossa atuação de resistência e impedir que façamos mobilizações e denúncia dos casos de abuso e violência praticados pela polícia.
Esta invasão foi tão pouco tranquila como as outras invasões em favelas do Rio de Janeiro. Sabemos que este é só o começo de toda uma onda de opressão através da política de extermínio e militarização nas favelas. É imperativo o fortalecimento da resistência. Moradores de favelas, movimentos sociais, defensores de direitos humanos e todas e todos que lutam por uma sociedade justa e igualitária, juntem-se a luta de resistência na Maré e em todas as favelas! Os opressores não calarão as nossas vozes.
Favela resiste. Viva favela!
Assinam esta nota:
Advogados Ativistas (SP)
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola
Cidadela – Arte, Cultura e Cidadania
Cineclube Beco do Rato
Cineclube Mate Com Angu
Círculo Palmarino
Coletivo Tempo de Resistência
Coletivo Laboratório de Direitos Humanos de Manguinhos
Comissão de Direitos Humanos da OAB
Fórum Popular de Apoio Mútuo
Federação Anarquista do Rio de Janeiro
Justiça Global
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento de Organização de Base
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Luiza Nahin
Núcleo Interdisciplinar de Ações para a Cidadania – Niac/UFRJ
Ocupa Alemão
Ocupa Lapa
Organização Anarquista Terra e Liberdade
Organização Popular
Quilombo Xis Ação Cultural Comunitária
Reaja ou Sera Morto, Reaja ou Sera Morta
Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência
Rede Nacional de Advogados Populares – Renap-RJ
Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II – Sindiscop
Postado do: http://marevive.wordpress.com/2014/04/01/nota-publica-acerca-da-resistencia-popular-contra-a-ditadura-militar-na-mare/

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ditadura criou cadeias para índios com trabalhos forçados e torturas


Minidocumentário originalmente publicado em junho de 2013 na reportagem Ditadura criou cadeia para índios com trabalho forçado e torturas, do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública. Clique nos links abaixo para ler outros textos da série da Agência Pública:




Índios foram submetidos a trabalhos forçados e torturas. Reparação de crimes cometidos nas aldeias ainda é pouco debatida. 

Por André Campos
De 1969 até meados da década de 1970, a Fundação Nacional do Índio (Funai) manteve silenciosamente em Minas Gerais dois centros para a detenção de índios considerados “infratores”. Para lá foram levados mais de cem indivíduos de dezenas de etnias, oriundos de ao menos 11 estados das cinco regiões do país. O Reformatório Krenak, em Resplendor (MG), e a Fazenda Guarani, em Carmésia (MG), eram geridos e vigiados por policiais militares sobre os quais recaem diversas denúncias de torturas, trabalho escravo, desaparecimentos e intensa repressão cultural. Os presos incluíam até mesmo indivíduos que lutavam contra a invasão de áreas hoje oficialmente reconhecidas como território indígena.
Muito pouco se divulgou sobre o que de fato acontecia nesses campos de concentração étnicos. Se a reparação dos crimes cometidos pela ditadura nas cidades brasileiras ainda engatinha, nas aldeias situação é ainda pior. Até hoje, nenhum índio ou comunidade indígena foi indenizado pelos crimes de direitos humanos ocorridos nesses locais. Nunca houve qualquer manifestação formal do Estado brasileiro reconhecendo a existência de tais crimes.
http://reporterbrasil.org.br/2014/04/ditadura-criou-campos-de-concentracao-indigenas/

terça-feira, 1 de abril de 2014

Um plano americano para uma longa guerra contra a Sír

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O objetivo dos esforços desenvolvidos pelos Estados Unidos, com OTAN, Turquia, Arábia Saudita e Qatar, é sangrar a Síria e impedir a sua recuperação, desde que essa aliança se deu conta de que a queda do regime e a derrubada do Presidente Bashar al-Assad são impossíveis.
A maneira de intensificar a guerra contra a Síria esteve no centro das discussões do Presidente Barack Obama na Arábia Saudita, no sábado. As declarações das autoridades dos EUA que acompanharam Obama mostraram que ambas as partes concordaram em aumentar a ajuda dos EUA para grupos armados na Síria, descritos como "moderados" por Washington. Estes são na verdade a Frente Islâmica e a Frente al-Nusra, afiliada com a Al-Qaeda, cujo líder, Abu Mohammad al - Joulani, viu seu nome retirado da lista americana de terroristas.
Alguns membros da delegação dos Estados Unidos relataram um projeto de treinamento de campo para 600 rebeldes por mês, organizado por Arábia Saudita, Qatar, Jordânia e Turquia (o envolvimento da Turquia já não precisa de declarações públicas). As fontes disseram que Obama reiterou sua recusa de entregar mísseis antiaéreos para os grupos rebeldes. No entanto, os serviços de inteligência saudita têm dado aos insurgentes, nos últimos meses, provavelmente com o consentimento e o apoio dos EUA, sofisticadas armas que, recentemente, têm sido utilizadas nas batalhas de Qalamoun. Grandes quantidades dessas armas foram encontradas em armazéns nessa região.
Os Estados Unidos, em cooperação com seus aliados, querem causar uma longa guerra de atrito na Síria, formando novos grupos armados, como os Contras na Nicarágua, que foram apoiados e reconstituídos, apesar das sucessivas derrotas, contra as forças Sandinistas. Esforços estão sendo feitos para enviar mais homens e armas à Síria, para prolongar a guerra e a destruição. O projecto de treinamento mensal prova a existência de um plano de longo prazo, principalmente baseado em assassinatos e sabotagem, a fim de impedir o avanço do exército Sírio no campo bem como a recuperação do Estado sírio. Esse plano de treinamento destina-se a compensar o retorno ao estado de milhares de ex-rebeldes, através de reconciliação e anistias presidenciais, e a reversão dos fluxos de migração de extremistas estrangeiros.
É neste contexto que acontece o envolvimento direto da Turquia na Guerra Síria. Após a última visita de Recep Tayyeb Erdogan a Teerã, os meios de comunicação turcos relataram que Ancara tinha concordado com o lado iraniano de que a prioridade deveria ser a luta contra o terrorismo na Síria. Mas, parece que a realidade era outra. A Turquia tem, na verdade, planejado e organizado o ataque de grupos terroristas contra a cidade Síria de Kassab (ao norte de Latakia), cujos habitantes são sobreviventes do genocídio armênio. O objetivo deste ataque é abrir uma nova frente para perturbar a organização das próximas eleições presidenciais na Síria.
Entretanto, apesar desses esforços dos Estados Unidos e seus aliados, a Síria é capaz de resistir por muito tempo, graças ao apoio popular dado às forças armadas e ao Estado, e ao apoio de seus aliados regionais e internacionais.
Tradução
Marisa Choguill
http://www.voltairenet.org/article183055.html

Washington expulsa todos os diplomatas sírios

A primeira decisão de Daniel Rubinstein, novo embaixador dos Estados Unidos para a Síria –não na Síria, porque não solicitou a apresentação das suas cartas credenciais ao presidente Bachar al-Assad–, foi declarar todos os diplomatas sírios credenciados nos Estados Unidos persona non grata.
Como resultado dessa decisão a embaixada da Síria em Washington, e os consulados sírios em Troy (Michigan) e Houston (Texas), têm que fechar as suas portas em 48 horas, e os diplomatas sírios estão obrigados a sair dos Estados Unidos.
Devido às obrigações dos Estados Unidos enquanto sede da ONU a decisão não se aplica à missão síria em Nova Iorque. Mas, o embaixador permanente da Síria na sede das Nações Unidas recebeu na semana passada uma notificação onde se lhe proíbe circular em território americano, já que o acordo de sede entre a ONU e os Estados Unidos só se aplica ao perímetro da cidade de Nova Iorque.
No seu comunicado oficial sobre esta decisão, o Departamento de Estado afirma que esta não implica uma ruptura de relações diplomáticas com Damasco, e que os Estados Unidos prosseguirá as discussões com o Estado sírio nos fóruns internacionais.

Tradução Alva
http://www.voltairenet.org/article182851.html

50 anos do golpe militar: de tragédias e farsa



por Mauro Iasi [*]

"Na antiguidade e continuação do domínio 
gasta-se a memória" 
Maquiavel 

Sob vários aspectos a consciência social do período histórico que se abriu com o fim da segunda Guerra Mundial foi marcado por um certo otimismo quanto a humanidade e seus destinos. Exemplos deste otimismo podem ser vistos tanto na idílica visão de T. H. Marshal sobre a evolução dos direitos até a realização de uma cidadania plena, até a expansão do socialismo com a Revolução Chinesa, a Cubana e o processo de descolonização na Ásia e África.

A tragédia de duas guerras mundiais, a barbárie do nazifascismo, teria marcado a consciência dos seres humanos criando uma espécie de patamar abaixo do qual não mais recuaríamos. Infelizmente as coisas não são assim. Wilhelm Reich afirmou, certa vez, que toda vez em que a humanidade se vê diante da disjuntiva "socialismo ou barbárie", costuma escolher primeiro a barbárie. A onda de golpes seguidos pelo estabelecimento de ditaduras que assombraram a América Latina comprovaria esta suspeita e esta cota de terror e sangue foi paga em nome da defesa da ordem democrática e do mundo livre.

Hoje nos encontramos diante de um paradoxo semelhante. Pareceria à consciência ingênua de nossa época que a América Latina teria chegado atrasada à ordem democrática mundial, no entanto, a própria experiência trágica do período autoritário funcionaria como uma espécie de antídoto contra retrocessos. Nossas sociedades passariam, então, para um desenvolvimento lento em direção ao aperfeiçoamento democrático e a diminuição das desigualdades que nos marcam.

Duas constatações são para nós evidentes. Primeiro que a suposta dicotomia de uma ordem mundial dividida entre um centro democrático no qual se ensaiava formas de um Estado do Bem-estar Social, próprias de um capitalismo avançado, e uma periferia que ainda vivia distorções autoritárias por conta de seu precário desenvolvimento econômico, não se sustenta. Segundo que o próprio centro, ao contrário do mito do auto-aperfeiçoamento institucional que levaria à plena cidadania, dá sinais claros de retrocesso quanto a direitos e, até mesmo, padrões minimamente democráticos, como provam as leis restritivas em relação aos imigrantes na Comunidade Européia e o Patriot Act nos EUA depois dos atentados de setembro de 2001.

Tanto na conjuntura dos anos sessenta e setenta como hoje, a raiz da ilusão reside na desconsideração da luta de classes. Bobbio acreditava que as sociedades contemporâneas se apresentavam de duas formas:

"Em uma sociedade fortemente dividida em classes contrárias, é provável que o interesse da classe dominante seja assumido e sustentado até mesmo coercitivamente enquanto interesse coletivo. Em uma sociedade pluralista e democrática, na qual as decisões coletivas são tomadas pela maioria (ou pelos próprios cidadãos, ou por seus representantes), considera-se interesse coletivo aquilo que foi aprovado pela maioria." (BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política . Rio de Janeiro: Campus, 2000. p. 220-221.)

Notem que segundo o juízo deste senhor pode parecer que uma sociedade democrática e pluralista não é uma sociedade fortemente dividida em classes, como se o antagonismo de classe fosse um fenômeno político e não tivesse raízes econômicas fincadas solidamente nas relações sociais de produção e formas de propriedade. Nossas sociedades latino-americanas, nesta perspectiva, foram sociedades fortemente divididas em classes e deveriam se empenhar para transitar para sociedades "democráticas e pluralistas".

O que se confirmou na experiência histórica do século XX é que os períodos "democráticos" cumprem a função que Engels já descrevera de ser um "termômetro da luta de classes", e acreditou prudente acrescentar que nunca foi e nunca poderia ser algo mais que isso, ou seja, não era uma forma que ocupava o lugar da luta de classes pela possibilidade de formação de consenso, mas apenas uma forma da luta de classes que sob ela continuava a existir e se aprofundar.


A experiência "democrática" não foi interrompida pelo golpe. A experiência "democrática" levou ao golpe. A ideia que hoje tenta-se apresentar é a de que aquela experiência foi interrompida e junto como isso realimenta-se a ilusão que pode ser retomada de onde parou. Pior, a interrupção é avaliada como resultante de um certo radicalismo que não compreendia o horizonte das reformas e a necessidade de seu gradualismo e acaba provocando as forças reacionárias que acabam por impor a alternativa golpista.


Esta visão absolutamente distorcida se apresenta na avaliação de Emir Sader em texto recente neste blog . Ao avaliar os acontecimentos que levaram ao golpe e enfatizar o erro estratégico do PCB e sua tese de uma Revolução Democrática Nacional, o sociólogo afirma que "o próprio PCB teve muita dificuldade para entender o nacionalismo no Brasil", ora se aproximando de Getúlio Vargas e ora abrindo suas baterias contra ele. Da mesma forma agiu com Goulart, ora apoiando suas reformas, ora tencionando-as e contribuindo para a radicalização que acabou por derrubá-lo.

Não se trata de um mero acerto de contas com o passado, mesmo neste aspecto insuficiente e precário, pois o autor precisa se decidir se critica o PCB pelo erro de supor o papel progressista de uma inexistente "burguesia nacional", crítica com que concordamos, ou por não apoiar decididamente as forças nacionalistas e suas reformas. Não se trata disso, mas da tentativa ideológica de identificar o atual governo Dilma como continuador das reformas e conclamar, apesar das evidências antipopulares e mesmo antidemocráticas do atual governo (vide a portaria do Ministério da Defesa que estabelece as Operações de Garantia da Lei e da Ordem), a que todos se empenham em apoiá-lo contra as forças reacionárias.

É por isso que ao fim de uma análise pobre e tergiversada Sader conclui, logo após afirmar que parte do PCB vai para a aventura do PPS e cai no campo da direita, que:

"desde então o nome PCB foi resgatado pelos que resistiram a essa operação, mas sem maior representatividade e peso político, defendendo posições de ultra-esquerda, sem tirar lições dos erros que cometem em relação ao Getulio, para reproduzi-los em relação ao Lula."

Quais lições teríamos que tirar de nossa experiência? O erro do PCB foi não ter apoiado mais decididamente o nacionalismo de Getulio ou o reformismo limitado de Goulart? Sader desconsidera um nexo essencial, qual seja, a estratégia Democrática Nacional supunha uma aliança com a burguesia nacional e daí uma relação tática com governos burgueses de caráter "nacionalista", como forma de acumular para uma revolução socialista, daí o apoio a Getulio em uma determinada fase, assim como a Goulart, no entanto, tal apoio não se dava sem lutas e pressões para avançar as reformas ou na defesa de posturas antiimperialistas.

A postura do PCB deveria ser apoiar mais e pressionar menos, é isso?

O paralelo com os atuais governos petistas não cabe. São governos fundados em um pacto social de natureza profundamente distinta, não com uma suposta burguesia nacional, mas com a grande burguesia monopolista em suas mais diversas expressões (industrial, financeira, agrária e comercial) que aceitando como limite intransponível a economia de mercado capitalista, buscam uma forma de produzir um tipo de desenvolvimento que combine crescimento dos lucros privados e políticas distributivistas focalizadas, inserção via crédito e consumo, certa garantia de emprego com precarização de condições e flexibilização de direitos. Os governos petistas abandonaram qualquer perspectiva reformista, assumiram a tese da contrarreforma do Estado e de seu saneamento e equilíbrio financeiro que combina a política de superávits primários com o estrangulamento de políticas públicas, assim como intensificou as formas diretas e indiretas de privatização, tais como as Fundações Públicas de Direito Privado, as OS e OCIPS e outras formas. Paralisam e obstaculizam a reforma agrária, destruíram a previdência pública e condena o setor público ao descaso.

Fazer oposição a este tipo de governo é "ultra-esquerdismo"? Tal caracterização é útil ao ideólogo, pois ainda lhe resta a dignidade de uma posição de "esquerda". Tal construção argumentativa só pode se manter transformando a caracterização de esquerda como algo relativo, isto é, "define-se por quem está à sua direita". Há forças políticas à direita do PT (como governo e certamente como partido, pois são duas coisas distintas). Há setores políticos da grande burguesia que se apresentam como alternativa de governo dentro do bloco conservador, como o PSDB, PPS e seus aliados, assim como há a extrema direita e os saudosistas do regime militar, mas isso não faz nem do governo, nem do partido que lhe dá sustentação política, uma força de esquerda.

Programaticamente e politicamente o PT e seu governo assumiram um perfil de centro (pela natureza do programa econômico, pela opção de forma política e pelo horizonte societário para qual apontam e que abandonou qualquer perspectiva socialista). Na situação real de governo, com as alianças incontornáveis que lhe confere governabilidade, assume a forma de uma aliança de centro-direita.

É evidente que forças de esquerda podem e, em certas situações devem, apoiar governos de centro. Mas será esse o caso no Brasil? Os entusiastas do voto útil apregoam que diante de um evidente ataque de direita e ameaças de extrema direita, a esquerda deveria garantir a continuidade do governo de pacto social de centro-direita para evitar o retrocesso.

Tal argumentação é, acima de tudo, falaciosa. A direita não se define, pelo menos para quem não abandonou o marxismo, pela sigla partidária registrada no TSE, mas por seu caráter de classe. A grande burguesia monopolista não está na oposição, está no governo. Ou será que precisamos evitar a vitória das siglas partidárias da direita explícita para evitar que o rei do agronegócio, o senhor Maggi, tenha alguma influência no governo, ou a bancada ruralista da senhora Kátia Abreu tenha mais acesso do que já tem, ou ainda o grupo Votorantin, ou os grandes bancos e as empreiteiras?

Diante deste fato a extrema direita, que existe e está se movimentando, está isolada. A classe dominante brasileira acredita que pode garantir seus interesses nos limites da ordem institucional estabelecida, o que não implica que ela, no jogo eleitoral, não tenha suas preferências, assim como não se utilize de vários expedientes para enfraquecer o atual governo e colocá-lo mais docilmente sob seu controle.

A esquerda tem, neste cenário, outro papel do que salvar o atual governo de sua instável e eficiente política de alianças. A desastrosa experiência política do PT desarma os trabalhadores naquilo que seria o mais fundamental neste contexto conjuntural: sua autonomia e independência de classe.

Depois de nos desarmar diante de nossos inimigos, os atuais governistas e conciliadores, reclamam que não estamos dispostos a defendê-los quando estes ameaçam atacá-los. Aconselho que procurem o PMBD. Se fosse real esta inflexão, a busca de apoio da esquerda, o atual governo deveria, no mínimo, anunciar uma mudança de curso e apontar para demandas populares que emergiram claramente nas ruas em junho de 2013. No lugar disso a presidente anuncia a fé na lei de responsabilidade fiscal e ameaça os manifestantes com a reedição de instrumentos autoritários e repressivos. Desejamos sorte, eles vão precisar.

Por fim, nunca é demais lembrar os bons e velhos Karl Marx e Friedrich Engels, quando defendiam que os trabalhadores deveriam participar das eleições e apoiar seus candidatos próprios "mesmo que não exista esperança alguma de triunfo", pois o fundamental é "conservar sua independência" defendendo claramente suas propostas revolucionárias. E diante da alegação que isto pode levar a uma vitória dos conservadores, respondem:

"Os operários não devem deixar-se enganar pelas alegações dos democratas (pequeno-burgueses) de que, por exemplo, tal atitude cinde o partido democrático e facilita o triunfo da reação. Todas estas alegações não perseguem senão o fim de iludir o proletariado. Os êxitos que o partido proletário alcançar com semelhante atitude independente pesam muito mais que a presença de uns quantos reacionários na assembléia representativa. Se os (democratas pequeno-burgueses) agissem resolutamente, desde o princípio, com medidas terroristas contra a reação, a influência desta nas eleições ficará de antemão eliminada" (Marx e Engels. Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas [1850] ).

O interessante é que, por este raciocínio obtuso, o PT não existiria, pois teria apoiado o MDB e não apostado na independência de classe por receio de divisão da frente democrática e retrocesso da ditadura. Posição, aliás, que o PCB defendeu e estava equivocado ao fazê-lo. É verdade, é necessário aprender com nossos erros ou estamos condenados a repetir o equívoco dos outros. Nós comunistas aprendemos e os petistas… aprenderão?


[*] Sociólogo, brasileiro, membro do CC do PCB , co-autor de Cidades Rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil , candidato à Presidência da República.

O original encontra-se em blogdaboitempo.com.br/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


sábado, 29 de março de 2014

CENTRAIS, PARTIDOS E MOVIMENTOS CONVOCAM MANIFESTAÇÃO


DIA DA TERRA PALESTINA É DIA DE LUTA CONTRA A OCUPAÇÃO SIONISTA NA PALESTINA


DESCOBERTO COMPLÔ TURCO PARA PROVOCAR UMA GUERRA ABERTA CONTRA SÍRIA

Gravações de várias reuniões  da Segurança Nacional da Turquia publicadas anonimamente no YOU TUBE, em 27 de março de 2014, demostram  a existência de um complô operado pelo governo de Erdogan para entrar em guerra aberta contra a Síria. Tomado de pânico pela denuncia nas redes sociais,  o governo turco cortou bruscamente o acesso do povo ao YOU TUBE, ao mesmo tempo que denuncia  violação de segredo militar.

Los cuatro conspiradores: Ahmet Davutoglu, ministro de Relaciones Exteriores; el general Yasar Guler, jefe adjunto del estado mayor; Hakan Fidan, jefe de los servicios secretos, y Feridun Sinirlioglu, secretario de Estado para las Relaciones Exteriores.
El 27 de marzo de 2014, fragmentos de varias grabaciones de una reunión de la Seguridad Nacional turca fueron dados a conocer en internet. El gobierno turco bloqueó de inmediato el acceso de la ciudadanía a YouTube.
Según esas grabaciones, el gobierno de Recep Tayyib Erdogan preparó un falso ataque del Emirato Islámico de Irak y el Levante (EIIL) contra la tumba de Suleiman Shah, en Siria, para justificar una intervención del ejército turco en territorio sirio.
Suleiman Shah, abuelo de Osmán I, fundador del Imperio Otomano, estaba enterrado en la ciudad siria de Alepo. Su tumba fue desplazada en 1973 pero sigue siendo un enclave extraterritorial turco en territorio sirio.
El 20 de marzo de 2014, el EIIL exigió la retirada de las tropas especiales turcas secretamente desplegadas en Siria y amenazó con destruir la tumba de Suleiman Shah si se ignoraba su exigencia.
El problema que enfrentan los conspiradores turcos es que el EIIL había ocupado esa tumba desde hace meses sin que se produjese ninguna reacción de Ankara. Lo que podía parecer una razón relativamente justificada, pierde así todo valor y se hace evidente que no pasa de ser un simple pretexto.
A continuación, el texto de las grabaciones: 
Primera parte
https://www.youtube.com/watch?v=c-1GooSDwJ8#t=76
Ahmet Davutoglu (ministro de Relaciones Exteriores): El primer ministro ha declarado que en la actual coyuntura este ataque [contra la tumba de Suleiman Shah] debe ser considerado como una oportunidad para nosotros.
Hakan Fidan (jefe de los servicios secretos): Voy a enviar 4 sirios, si eso es lo que hace falta. Voy a crear un casus belli [1] ordenando un ataque con misiles contra Turquía. También podemos preparar un ataque contra la tumba de Suleiman Shah si es necesario.
Feridun Sinirlioglu (secretario de Estado para las Relaciones Exteriores): Nuestra seguridad nacional se ha convertido en una herramienta práctica y barata de la política.
Yasar Guler (jefe adjunto del estado mayor): Es uncasus belli. Quiero decir que lo que vamos a hacer es crear uncasus belli.
Ahmet Davutoglu: [...] ¿Qué debe hacer nuestro ministerio de Relaciones Exteriores exactamente? No hablo de la cosa. Hay otras cosas que se supone que debamos hacer. Si nos decidimos sobre ese asunto, tenemos que informar a las Naciones Unidas, al consulado del régimen sirio en Estambul. ¿No?
Feridun Sinirlioglu: Pero si decidimos una operación, hay que crear un efecto impactante. Quiero decir, si vamos a hacerlo. No sé qué vamos a hacer pero, sin importar lo que decidamos, no pienso que sería apropiado que avisemos a alguien por adelantado.
Ahmet Davutoglu: De acuerdo pero de alguna manera vamos a tener que preparar. Para evitar los cortocircuitos en materia de derecho internacional. Acababa precisamente de darme cuenta, mientras hablaba con el presidente [Abdullah Gul], que si los tanques turcos van allá eso significa que estamos allá, en todo caso. ¿No?
Yasar Guler: Eso significa que estamos allá. Sí.
Ahmet Davutoglu: Sí, pero hay una diferencia entre ir con aviones e ir con tanques…
Yaşar Güler: Quizás podemos decir al consulado general sirio que el Emirato Islámico en Irak y el Levante trabaja actualmente del lado del régimen y que ese lugar es tierra turca. Ciertamente tendríamos…
Ahmet Davutoglu: Eso ya lo dijimos y enviamos varias notas diplomáticos.
Yasar Guler: A Siria…
Feridun Sinirlioglu: Exactamente.
Ahmet Davutoglu: Sí, las hemos enviado muchas veces. Por lo tanto, yo quisiera saber qué es lo que el jefe del estado mayor espera de nuestro ministerio.
Yasar Guler: Quizás su intención era decir que… en verdad no sé. Él se reunió con el señor Fidan.
Hakan Fidan: Bueno, él mencionó esta parte pero no nos detuvimos en los detalles.
Yasar Guler: Puede ser que lo que él quería decir era… ¿una nota diplomática dirigida a Siria?
Hakan Fidan: Puede ser que el ministerio de Relaciones Exteriores esté destinado a la coordinación…
Ahmet Davutoglu: Quiero decir, yo puedo coordinar la diplomacia… pero la guerra civil… el ejército…
Feridun Sinirlioglu: A eso me refería. Por un lado, la situación es diferente. Una operación contra el EIIL tiene bases sólidas en derecho internacional. Lo presentaremos como al-Qaeda. No hay problema si es algo que tiene que ver con al-Qaeda. Y se trata de defender la tumba de Suleiman Shah, es una cuestión de protección de nuestra tierra.
Yasar Guler: No tenemos problema con eso.
Hakan Fidan: Cuando suceda eso va a provocar una gran conmoción interna. La frontera no está bajo control…
Feridun Sinirlioglu: Quiero decir… sí habrá atentados, claro está. Pero recuerdo nuestra conversación de hace 3 años…
Yasar Guler: El señor Fidan tendría que recibir respaldo con toda urgencia y tenemos que ayudarlo a abastecer en armas y municiones a los rebeldes. Tenemos que hablar con el ministro…. nuestro ministro del Interior… nuestro ministro de Defensa. Tenemos que hablar de esa cuestión y llegar a una decisión, señores.
Ahmet Davutoglu: ¿Cómo fue que llegamos a poner a nuestras especiales en acción cuando hubo una amenaza en el norte de Irak? Teníamos que haber hecho lo mismo allí también. Teníamos que haber entrenado a esa gente y enviar hombres. En todo caso, nosotros no podemos hacerlo, nosotros podemos hacer únicamente lo que la diplomacia…
Feridun Sinirlioglu: En aquella época yo se lo dije a ustedes, por el amor de Dios, en general. Ustedes saben cómo fue que llegamos a tener aquellos tanques allí. Ustedes estaban presentes.
Yasar Guler: ¿Qué? ¿Usted quiere decir, nuestros asuntos?
Feridun Sinirlioglu: Sí. ¿Cómo piensan ustedes que logramos enviar nuestros tanques a Irak? ¿Cómo? ¿Cómo logramos implicar fuerzas especiales y tropas. Yo estuve metido en eso. Permítanme ser claro. No había una decisión del gobierno sobre eso. Nosotros logramos eso con una sola orden.
Yasar Guler: Bueno, estoy de acuerdo con usted en una cosa, nosotros no tenemos por qué discutir sobre eso. Pero hay varias cosas que Siria puede hacer desde ahora.
Ahmet Davutoglu: General, la razón por la que decimos «no» a esta operación es porque conocemos la capacidad de esos hombres.
Yasar Guler: Mire, señor. ¿MKE [Mechanical and Chemical Industry Corporation] no está a las órdenes del ministro? Señor, quiero decir, Qatar está buscando municiones para comprarlas al contado, en efectivo. Entonces, ¿por qué no lo hacemos nosotros? Es por orden del señor ministro…
Ahmet Davutoglu: Pero es el lugar. No podemos actuar de forma integrada, no podemos coordinar.
Yasar Guler: Entonces, nuestro primer ministro puede convocar al ministro de Defensa y al señor ministro al mismo tiempo. Después, puede hablarles directamente.
Ahmet Davutoglu: Nosotros, el señor Siniroglu y yo, hemos literalmente suplicado al señor primer ministro para obtener una reunión privada. Hemos dicho que las cosas no estaban marchando tan bien.
Yasar Guler: Además, él no tiene por qué estar sobrecargado de reuniones. Usted mismo, el señor ministro de Defensa, el señor ministro del Interior y nuestro jefe de estado mayor. Con 4 de ustedes es suficiente. No hace falta una multitud. Porque, señor ministro, la necesidad principal es que haya armas de fuego y municiones. Ni siquiera armas, principalmente municiones. Precisamente acabamos de hablar de eso, señor. Digamos que posicionamos un ejército allí, de unos 1 000 hombres. Si los metemos en esa guerra sin darles como mínimo 6 meses de municiones, entonces van a venir a vernos nuevamente al cabo de 2 meses.
Ahmet Davutoglu: Ya están regresando.
Yasar Guler: Van a venir a vernos a nosotros, señor.
Ahmet Davutoglu: Van a venir de… ¿cómo era? De Cobanbey [punto de control cercano a la ciudad turca de Elbeyli].
Yasar Guler: Así es, señor. Ese asunto no puede quedar como una carga sobre las espaldas del señor Fidan él solo, como en este momento. Es inaceptable. Quiero decir, no podemos entender eso. ¿Por qué?
***
Ahmet Davutoglu: Aquella noche habíamos llegado a una resolución. Y yo pensaba que las cosas estaban tomando un rumbo favorable. El nuestro…
Feridun Sinirlioglu: Habíamos emitido la resolución del MGK [Consejo de Seguridad Nacional] al día siguiente. Después hablamos con el general…
Ahmet Davutoglu: Y las otras fuerzas hacían verdaderamente un buen seguimiento de nuestra debilidad. Usted dice que usted va a capturar ese lugar y que los hombres allí constituyen un factor de riesgo. Usted hace que se retiren. Captura la plaza. Refuerza y envía nuevamente sus tropas para allá.
Yasar Guler: Exactamente, señor. Tiene usted toda la razón.
Ahmet Davutoglu: ¿De verdad? Así es como yo lo interpreto. Pero después… la evacuación no es una necesidad militar. Eso ya es otra cosa.
***
Feridun Siniroglu: Hay algunos cambios serios en la geopolítica mundial y regional. Eso puede propagarse ahora a otros lugares. Usted mismo lo dijo hoy y otros están de acuerdo… Nos dirigimos hacia un juego diferente ahora. Tendríamos que ser capaces de verlos [los cambios]. Que el EIIL y todo ese circo, todas esas organizaciones son extremadamente abiertas a la manipulación. Tener una región que se componga de organizaciones de la misma naturaleza constituye un riesgo de seguridad vital para nosotros. Y cuando estuvimos por primera vez en Irak del Norte, siempre existía el riesgo de que el PKK hiciera estallar aquello. Si consideramos atentamente los riesgos y apoyamos eso… como el general acaba de decir…
Yasar Guler: Señor, cuando usted estaba adentro hace un momento, nosotros estuvimos conversando sobre todo esto. Abiertamente. Quiero decir que las fuerzas armadas son una «herramienta» necesaria para usted a cada momento.
Ahmet Davutoglu: Por supuesto. Siempre le digo al primer ministro, cuando usted no está, en lenguaje universitario, usted no puede mantenerse en esas tierras sin «hard power». Sin «hard power» no puede haber «soft power».
Yaşar Güler: Señor.
Feridun Sinirlioglu: La seguridad nacional se ha politizado. No recuerdo nada como esto en la historia política turca. Se ha convertido en una cuestión de política interna. Todos nuestros discursos sobre la defensa de nuestras tierras, sobre la seguridad de nuestra frontera, sobre nuestras tierras reclamadas allá, todo eso se ha convertido en una herramienta cómoda y barata de nuestra política interna.
Yaşar Güler: Exactamente.
Feridun Siniroglu: Eso nunca había sucedido anteriormente. Desgraciadamente, pero…
Yasar Guler: Quiero decir, ¿no habrá al menos uno de los partidos de oposición que le aportaría a usted su apoyo sobre este tipo de asunto de alta seguridad nacional? Señor, ¿es este un sentido justificable de la seguridad nacional?
Feridun Sinirlioglu: No recuerdo ningún momento así.
Yasar Guler: ¿En qué campo podemos estar unidos si no es con respecto a una cuestión de seguridad nacional de tanta importancia? En ninguno.
Ahmet Davutoglu: [...] En 2012, no lo hicimos en 2011. Si al menos hubiésemos tomado medidas serias en aquella época, incluso en el verano de 2012.
Feridun Sinirlioglu: Ellos estaban en su peor momento en 2012.
Ahmet Davutoglu: En el plano interno estaban exactamente como Libia. Quién entra o sale del poder no tiene la menor importancia para nosotros. Pero ciertas cosas…
Yasar Guler: Señor, para evitar cualquier confusión, lo que necesitábamos en 2011 eran armas y municiones. En 2012, en 2013, e incluso ahora seguimos necesitando lo mismo. Estamos exactamente en el mismo punto. Tenemos que encontrar eso a toda costa y resolver el asunto.
Ahmet Davutoglu: Los fusiles y las municiones no son tan necesarios allí. Lo que no logramos resolver allí fue el factor humano.

Segunda parte
video:  https://www.youtube.com/watch?v=lm7eg0-IjlI
Hakan Fidan: Enviamos alrededor de 2 000 camiones cargados con material.
Yasar Guler: No pienso que las armas sean tan necesarias allí. Es mi opinión personal. Lo que necesitamos son municiones. Sí señor. El señor Hakan [Fidan], aquí présente, lo sabe. Nosotros ofrecimos darles un general. El señor Hakam lo pidió él mismo, personalmente. Nosotros lo aprobamos. Escogimos el general y el general fue allá.
Feridun Sinirlioglu: Para ser prácticos, el ministro de Defensa tendría que firmar lo que haga falta por el bien de la nación. Nuestro primer ministro tendría que ordenarlo, claramente.
Ahmet Davutoglu: De hecho, esta misma noche…
Yasar Guler: Esta noche, señor. No tenemos problema.
Feridun Sinirlioglu: Se había dado una orden para una operación esta noche.
Yasar Guler: Nosotros dimos un mensaje de «blitzkrieg». El propio señor Fidan debe saberlo.
Ahmet Davutoglu: Hakan, ¿qué complicaciones puede haber si mandamos tanques?
Hakan Fidan: Bueno… sin coordinación, si consideramos la correlación de fuerzas…
Yasar Guler: Por eso necesitamos la coordinación del MIT [servicios secretos turcos], señor ministro.
Hakan Fidan: …no es posible sin el número de gente armada y sus capacidades.
Yaşar Gulen: Es por eso que ponemos la coordinación del MIT como un prerrequisito. Señor ministro, no tiene usted por qué preocuparse por esta noche. Ni por esta noche, ni por más tarde. Pero tenemos cosas que resolver a largo plazo.
Ahmet Davutoglu: Estoy considerando eso como una opción pero no podemos convencer a la gente. Mandaremos tanques y haremos fortificaciones. A partir de entonces tenemos que considerar un estado de guerra y al hacerlo estamos entrando en guerra. Estamos haciendo una operación militar.
Yasar Guler: Es una causa directa de guerra. Quiero decir, lo que vamos a hacer es una causa directa de guerra.
Hakan Fidan: No con Siria.
Feridun Sinirlioglu: No es un acto de guerra contra Siria.
Yasar Guler: No, esa gente…
Hakan Fidan: Lo que quiero decir es que sabemos que 2 y 2 son 4. Ahora bien, sabemos que lo que sucede allí no tiene verdadero valor estratégico para nosotros, más allá de la imagen política y todo eso. Ahora, si vamos a entrar en guerra, déjennos planearlo de antemano. Ahora, yo…
Yasar Guler: Eso es lo que venimos diciendo desde el principio.
Hakan Fidan: Lo que no puedo aceptar es lo siguiente: estamos aceptando el riesgo de recurrir a las armas para salvar la tumba de Suleiman Shah. Son como 4 hectáreas de nuestro territorio nacional y estamos aceptando el riesgo de una guerra por eso, por la «cosa» de nuestros 22 o 28 soldados allí. ¡Por Dios! ¿Cuántos kilómetros de tierra de este país tienen frontera con Siria? Y no nos arriesgamos a una guerra por miles de kilómetros de territorio ¿y las vidas de millones de personas? ¡Esto no es lógico! Si vamos a recurrir a las armas, hagámoslo desde el principio. Si estos tipos representan una amenaza…
Feridun Sinirlioglu: Ahora hay una excusa para eso…
Hakan Fidan: Esto es diferente, teniendo una excusa y justificación.
Yasar Guler: Bueno, nuestro ministro de Relaciones Exteriores nunca encuentra una excusa para eso… pero pueden encontrarla para esto.
Hakan Fidan: Déjenme decirles algo…
Ahmet Davutoglu: Entre nosotros, el primer ministro me dijo por teléfono que, en esta coyuntura, consideramos esto [el falso ataque contra la tumba] como una opción para nosotros.
Hakan Fidan: Comandante, si realmente necesitamos una razón, yo mando 4 tipos del otro lado a que tiren 8 cohetes donde no haya nadie… ¡Eso no es un problema! Si necesitamos una razón, podemos fabricarla. Lo importante es mostrar nuestro mutuo deseo de hacerlo. Estamos formulando aquí la voluntad de entrar en guerra, pero estamos cometiendo el mismo error que siempre cometemos. Y ese error es no ser capaces de pensar como es debido.
Feridun Sinirlioglu: Déjenme decirles algo. Son unas 4 hectáreas de tierra. Cuatro hectáreas representan una justificación muy válida en materia de derecho internacional. Además, en términos de justificación, si hacemos esta operación contra el EIIL todo el mundo estará de nuestra parte. No se preocupen por eso.
Yasar Guler: Eso no nos preocupa.
Feridun Sinirlioglu: Lo digo para todo el mundo. Así que…
Yasar Guler: Señor ministro, nuestras fuerzas están listas desde hace un año, están esperando. No es algo que comenzamos ayer. Hace un año que están esperando.
Hakan Fidan: No entiendo por qué estamos esperando por todo ese asunto de Suleiman Shah.
Ahmet Davutoglu: Hemos hecho todo lo posible en el plano diplomático.
Feridun Sinirlioglu: Necesitamos justificación, justificación.
Hakan Fidan: Ya dije que yo puedo fabricar la justificación si hace falta. No hay problema con la justificación.
Feridun Sinirlioglu: Fabricándola es otro asunto. Ya tenemos una bastante fuerte.
Hakan Fidan: Si hace falta podemos montar un ataque allí [contra la tumba], los mandamos a que ataquen. Eso haremos. Lo que estoy tratando de entender es…
Feridun Sinirlioglu: Todo eso se puede hacer. Podemos hacer lo que haga falta…
Hakan Fidan: Quiero decir que si estamos dispuestos a hacer todo esto, tenemos que hacerlo en un momento y un lugar determinados.
Ahmet Davutoglu: Hakan, como ya dijo usted mismo, si a usted le parece que hay falta de estrategia en la fabricación de una justificación, así es. Contra esos tipos…
Un oficial: Señor, antes de eso...
Ahmet Davutoglu: (OK, allá vamos, allí estaré en un momento.) Lo que quiero decir es que no podemos decirle al secretario de Estado americano que tome grandes precauciones
Hakan Fidan: Lo que quiero decir es…
Ahmet Davutoglu: Ellos podrían decir: «Bueno, ustedes ni siquiera están defendiendo su propia tierra». Muchas veces he tenido conversaciones amistosas con Kerry y él me interrogó precisamente sobre lo que habíamos acordado sobre una decisión final respecto a ese ataque.
Yasar Guler: Señor, lo hemos hecho cientos de veces, con Estados Unidos.
Feridun Sinirlioglu: Escuchen, hace 3 días ocurrió algo en la oficina del jefe del estado mayor. Ellos tuvieron una reunión de coordinación de crisis. Yo lo veía por primera vez. Los americanos…
Yasar Guler: No, ¡hemos hecho esto todo el tiempo!
Feridun Sinirlioglu: No, no. En esa reunión los americanos distribuyeron planos de la «No Fly Zone». ¿Ustedes saben algo de eso?
Hakan Fidan: Lo que quiero subrayar es que si estamos preparados para tomar una decisión tan seria por una razón como la tumba de Suleiman Shah… si estamos dispuestos a tomar tal decisión…
Feridun Sinirlioglu: No, no sólo por la tumba…
Hakan Fidan: Lo que digo es lo siguiente: si estamos preparados a tomar tal decisión, ya deberíamos haberlo hecho. Porque nuestros intereses están amenazados. Eso es lo que estoy tratando de decir (…)
Ahmet Davutoglu: Sí. Si hubiésemos tomado esta decisión antes a más pequeña escala, no estaríamos hoy ante esta disyuntiva.
Yasar Guler: ¡Pero ya habíamos tomado esta decisión!
Hakan Fidan: No se ejecutó.
Yasar Guler: No podemos ejecutar el plan. Estamos paralizados por varias razones. Los instrumentos del Estado no funcionan.
Ahmet Davutoglu: Yo no puedo aceptar eso debido a la herencia del Estado que me enseñaron. ¿Aceptarían ustedes algo así? ¿Qué pasaría si, por razones políticas, las cosas no funcionaran como es debido en el ministerio de Relaciones Exteriores? ¡Eso no tendría justificación! Cada cual tiene que asumir sus responsabilidades con determinación. Si el consulado me dice: «Señor ministro, me quieren echar. Están echando a todo el mundo. ¿Qué puedo hacer?» Pues, yo le digo: «Jubílese y pondremos a otro en su lugar.» Así es como yo veo las cosas. Así es como funciona la democracia.
Yasar Guler: Señor ministro, tiene usted toda la razón.
Ahmet Davutoglu: Por lo que yo entiendo, este Estado funciona gracias a unas pocas personas e instituciones que aún son capaces de tomar las decisiones necesarias.
Yasar Guler: Así es, señor.
Ahmet Davutoglu: ¿Vamos a echarnos atrás en este asunto?
Yasar Guler: No, señor ministro. No lo haremos.
Ahmet Davutoglu: Bien, pasemos a otra cosa.

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