segunda-feira, 17 de março de 2014

A promover o império da América: Golpe, pilhagem e duplicidade


por James Petras

Cartoon de Latuff.






















O regime Obama, em coordenação com seus aliados serviçais, relançou uma virulenta campanha de âmbito mundial para destruir governos independentes, cercar e finalmente subverter competidores globais, e estabelecer uma nova ordem mundial centrada nos EUA-UE.

Prosseguiremos com a identificação dos "ciclos" recentes da construção do império estado-unidense; os avanços e recuos; os métodos e estratégias; os resultados e perspectivas. Nosso foco principal é na dinâmica imperial que conduz os EUA rumo a maiores confrontações militares, até e incluindo condições que podem levar a uma guerra mundial.

Ciclos imperiais recentes 

A construção do império estadunidense não tem sido um processo linear. As décadas recentes apresentaram amplas evidências de experiências contraditórias. Sumariamente podemos identificar várias fases nas quais a construção do império experimentou avanços amplos e recuos drásticos – com as devidas cautelas. Estamos a examinar processos globais, nos quais também há contra-tendências limitadas. Em meio a avanços imperiais em grande escala, regiões particulares, países ou movimentos resistiram com êxito ou mesmo reverteram a investida imperial. Em segundo lugar, a natureza cíclica da construção do império de modo algum põe em dúvida o carácter imperial do estado e da economia e seu implacável impulso para dominar, explorar e acumular. Em terceiro lugar, os métodos e estratégicas que dirigem cada avanço imperial diferem de acordo com mudanças nos países alvo.

Ao longo dos últimos trinta anos podemos identificar três fases na construção do império.

O avanço imperial da década de 1980 a 2000 

No período aproximadamente de meados da década de 1980 ao ano 2000, a construção do império expandiu-se a uma escala global.

(A) Expansão imperial nas antigas regiões comunistas. Os EUA e a UE penetraram e hegemonizaram a Europa do Leste; desintegraram e pilharam a Rússia e a URSS; privatizaram e desnacionalizaram centenas de milhares de milhões de dólares do valor de empresas públicas, meios de comunicação social e bancos, incorporaram bases militares por todas a Europa do Leste na OTAN (NATO) e estabeleceram regimes satélites como cúmplices voluntários em conquistas imperiais na África, Médio Oriente e Ásia.

(B) Expansão imperial na América Latina. A partir do princípio da década de 1980 até o fim do século, a construção do império avançou por toda a América Latina sob a fórmula de "mercados livre e eleições livres".

Desde o México até a Argentina, regime neoliberais, centrados no império, privatizaram desnacionalizaram mais de 5000 empresas públicas e bancos, beneficiando multinacionais dos EUA e da UE. Líderes políticos alinharam-se com os EUA em fóruns internacionais. Generais latino-americanos responderam favoravelmente a operações militares centradas nos EUA. Banqueiros extraíram milhares de milhões em pagamentos de dívida e lavaram muitos milhares de milhões mais de dinheiro ilícito. O "North American Free Trade Agreement", com a amplitude do continente e centrado nos EUA, pareceu avançar de acordo com o programa.

(C) Avanços imperiais na Ásia e na África. Regimes comunistas e nacionalistas deixaram cair suas políticas de esquerda e anti-imperialistas e abriram suas sociedades e economias à penetração capitalista. Em África, dois países "de esquerda", Angola e a África do Sul no pós apartheid adotaram "políticas de mercado livre".

Na Ásia, a China e Indochina moveram-se decisivamente em direção a estratégias capitalistas de desenvolvimento; investimento estrangeiro, privatizações e exploração intensa do trabalho substituíram o igualitarismo colectivista e o anti-imperialismo. A Índia e outros estados capitalistas, como Coreia do Sul, Formosa e Japão, liberalizaram suas economias. Avanços imperiais foram acompanhados por maior volatilidade econômica, um aguçamento da luta de classe e uma abertura do processo eleitoral para acomodar facções capitalistas competidoras.

A construção do império expandiu-se sob o slogan de "livres mercados e eleições justas" – mercados dominados por multinacionais gigantes e eleições, as quais asseguram os êxitos da elite.

Recuos e reveses imperiais: 2000-2008 

Os custos brutais do avanço do império levaram a uma contra-tendência global, uma onda de levantamentos anti-neoliberais e de resistência militar a invasões dos EUA. Entre 2000 e 2008 a construção do império esteve sob sítio e em recuo.

Rússia e China desafiam o império 

A construção do império estadounidense cessou a sua expansão e conquista em duas regiões estratégicas: a Rússia e a Ásia. Sob a liderança do presidente Vladimir Putin, o estado russo foi reconstruído; a pilhagem e desintegração foram revertidas. A economia foi aparelhada para o desenvolvimento interno. Os militares foram integrados num sistema de defesa nacional e segurança. A Rússia mais uma vez tornou-se um grande ator na política regional e internacional.

A viragem da China rumo ao capitalismo foi acompanhada por uma presença dinâmica do estado e um papel direto na promoção do crescimento a dois dígitos durante duas décadas: a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, deslocando os EUA como o grande parceiro comercial na Ásia e na América Latina. O império econômico dos EUA estava em retirada.

América Latina: o fim do império neoliberal 

O neoliberalismo e a integração centrada nos EUA levou à pilhagem, crises econômicas e grandes levantamentos populares, provocando a ascensão de novos regimes de centro-esquerda e esquerda. Administrações "pós neoliberais" emergiram na Bolívia, Venezuela, Equador, Brasil, Argentina, América Central e Uruguai. Os construtores do império estadunidense sofreram várias derrotas estratégicas.

Os esforços dos EUA para assegurar um acordo de livre comércio de âmbito continental foram deixados de lado e substituídos por organizações de integração regional que excluem os EUA e o Canadá. Em substituição, Washington assinou acordos bilaterais com o México, Colômbia, Chile, Panamá e Peru.

A América Latina diversificou seus mercados na Ásia e na Europa: a China substituiu os EUA como seu principal parceiro comercial. Estratégias de desenvolvimento extractivo e altos preços das commodities financiaram maior despesa social e independência política.

Nacionalizações seletivas, regulação estatal acrescida e renegociações de dívida enfraqueceram a alavancagem dos EUA sobre as economias latino-americanas. A Venezuela, sob o presidente Hugo Chavez, desafiou com êxito a hegemonia dos EUA no Caribe através de organizações regionais. Economias do Caribe alcançaram maior independência e viabilidade econômica através da adesão à PETROCARIBE, um programa através do qual recebiam petróleo da Venezuela a preços subsidiados. Países da América Central e andino aumentaram a sua segurança e comércio através da organização regional ALBA. A Venezuela proporcionou um modelo de desenvolvimento alternativo à abordagem neoliberal centrada nos EUA, na qual os ganhos da economia extractiva financiaram programas sociais em grande escala.

Desde o fim da administração Clinton até o fim da administração Bush, o império económico estava em recuo. O império perdeu mercados asiáticos e latino-americanos para a China. A América Latina ganhou maior independência política. O Médio Oriente tornou-se "terreno contestado". Um estado russo revisto e mais forte opôs-se a novas intrusões nas suas fronteiras. A resistência militar e derrotas no Afeganistão, Somália, Iraque e Líbano desafiaram a dominância estado-unidense.

Ofensiva imperial: Avança o império de Obama 

Todo o mandato do regime Obama tem sido dedicado a reverter o recuo da construção do império. Para este fim Obama desenvolveu primariamente uma estratégia militar de (1) confrontação e envolvimento da China e da Rússia, (2) minagem e derrube de governos independente na América Latina e reimposição de regimes clientes neoliberais, e (3) lançamento encoberto e assaltos militares abertos a regimes independentes por toda a parte.

A ofensiva de construção do império do século XXI difere daquela da década anterior em vários aspectos cruciais: As doutrinas econômicas neoliberais estão desacreditadas e os eleitorados não são tão facilmente convencidos dos benefícios de cair sob a hegemonia dos EUA. Por outras palavras, os construtores do império não podem confiar na diplomacia, em eleições e na propaganda do livre mercado para expandir o seu braço imperial como faziam na década de 1990.

Para reverter o recuo e avançar a construção do império no século XXI, Washington percebeu que tinha de confiar na força e na violência. O regime Obama destinou milhares de milhões de dólares para financiar armas para mercenários, salários para combatentes de ruas e despesas de clientes empenhados em desestabilizar campanhas eleitorais adversárias. Duplicidade diplomática e acordos rompidos substituíram ajustes negociados – numa grande escala.

Ao longo de todo o mandato de Obama nem um único avanço imperial foi assegurado através de eleições, acordos diplomáticos ou negociações políticas. A presidência Obama procurou e assegurou a massificação da rede de espionagem global (NSA) e os assassinatos quase diários de adversários políticos através de drones e por outros meios. Operações encobertas de assassínio das US Special Forces expandiram-se por todo o mundo. Obama assumiu prerrogativas ditatoriais, incluindo o poder de ordenar o assassinato arbitrário de cidadãos dos EUA.

O desdobramento do esforço global do regime Obama para deter o recuo imperial e relançar a construção do império foi montada quase exclusivamente sobre instrumentos militares: serviçais armados, assaltos aéreos, golpes e tomadas de poder putschistas. Brutamontes, populaça, terroristas islâmicos, militaristas sionistas e uma mixórdia de retrógrados assassinos separatistas foram as ferramentas do avanço do império. A escolha de serviçais imperiais variou conforme o momento e as circunstâncias políticas.

Confrontando e degradando a China:
Envolvimento militar e exclusão econômica 


Confrontado com a perda de mercados e os desafios da China como competidor global, Washington desenvolveu duas importantes linhas de ataque: 1. Uma estratégia econômica destinada a aprofundar a integração de países asiáticos e latino-americanos num pacto de livre comércio que exclui a China (o Trans Pacific Trade Agreement); e 2. Um plano militar concebido pelo Pentágono de Batalha Ar-Mar, o qual tem a China continental como alvo com um assalto aéreo e com mísseis em plena escala se a atual estratégia de Washington de controlar o comércio marítimo vital da China falhar (FT, 10/Fev/14). Apesar de a estratégia de ofensiva militar ainda estar na mesa de desenho do Pentágono, o regime Obama está a acumular uma armada marítima a escassas milhas da costa chinesa, a expandir suas bases militares nas Filipinas, Austrália e Japão e a apertar o nó em torno das rotas marítimas estratégicas da China para importações vitais como petróleo, gás e matérias-primas.

Os EUA estão a promover ativamente uma aliança militar indo-japonesa como parte da sua estratégia de envolvimento da China. Manobras militares conjuntas, coordenação militar em alto nível e reuniões entre oficiais militares japoneses e indianos são encaradas pelo Pentágono como avanços estratégicos no isolamento da China e reforço do controle dos EUA sobre rotas marítimas da China para o Médio Oriente, o Sudeste Asiático e mais além. A Índia, de acordo com um dos seus principais semanários, é encarada "como um parceiro júnior dos EUA. A Indian Navy está a tornar-se rapidamente o chefe de polícia do Oceano Índico e a dependência militar indiana do complexo militar-industrial dos EUA é crescente..." (Economic and Political Weekly (Mumbai), 15/Fev/14, p. 9. Os EUA também estão a escalar o seu apoio a movimentos separatistas violentos na China, nomeadamente os tibetanos, uighurs e outros islamistas. A reunião de Obama com o Dalai Lama foi emblemática dos esforços de Washington para fomentar inquietação interna.

A grosseira intervenção política do embaixador estado-unidense cessante, Gary Locke, na política interna chinesa é uma indicação de que a diplomacia não é o principal instrumento de política do regime Obama quando se trata da China. O embaixador Locke encontrou-se abertamente com separatistas uighurs e tibetanos e menosprezou publicamente os êxitos económicos e o sistema política da China enquanto encorajava abertamente a oposição política (FT, 28/Fev/14, p. 2).

A tentativa do regime Obama de promover o império na Ásia através da confrontação militar e de pactos militares, os quais excluem a China, levou este país a desenvolver sua capacidade militar para evitar o estrangulamento marítimo. A China responde à ameaça comercial dos EUA avançando sua capacidade produtiva, diversificando suas relações comerciais, aumentando seus laços com a Rússia e aprofundando seu mercado interno.

Até à data, a temerária militarização do Pacífico pelo regime Obama não levou a uma ruptura aberta nas relações com a China, mas o caminho militar para avançar o império a expensas da China ameaça uma catástrofe económica global ou pior, uma guerra mundial.

Avanço imperial: Isolando, cercando e degradando a Rússia 

Com a vinda do presidente Vladimir Putin e a reconstituição do estado e da economia russa, os EUA perderam um cliente vassalo e uma fonte de pilhagem de riquezas. Os construtores do império de Washington continuaram a procurar a "cooperação e colaboração" russa minando estados independentes, isolando a China e prosseguindo suas guerras coloniais. O estado russo, sob Putin e Medvedev, procurou acomodar os construtores de império estadunidenses através de acordos negociados, os quais promoveriam a posição da Rússia na Europa, reconheceriam fronteiras estratégicas russas e reconheceriam preocupações russas de segurança. Contudo, a diplomacia russa conseguiu poucos ganhos e transitórios ao passo que os EUA e a UE obtiveram grandes importantes ganhos com a cumplicidade e passividade russa.

A agenda não declarada de Washington, especialmente com o impulso de Obama para relançar uma nova onda de conquistas imperiais, era minar o ressurgimento da Rússia como um ator importante na política mundial. A ideia estratégica era isolar a Rússia, enfraquecer sua crescente presença internacional e retornar ao status de vassalo do período Yeltsin, se possível.

Desde a tomada da Europa do Leste pelos EUA-UE, dos estados dos Balcãs e Bálticos e sua transformação em bases militares da NATO e estado capitalistas vassalos no princípio da década de 1990, até a penetração e pilhagem da Rússia durante os anos Yeltsin, o primeiro objetivo da política ocidental tem sido estabelecer um império unipolar sob dominação estadunidense.

A UE e os EUA actuaram para desmembrar a Jugoslávia em mini-estados subservientes. Eles então bombardearam a Sérvia a fim de tomar o Kosovo, destruindo um dos poucos países independentes ainda aliados à Rússia. Os EUA então avançaram a fomentar levantamentos na Geórgia, Ucrânia e Chechenia. Eles bombardearam, invadiram e posteriormente ocuparam o Iraque – um antigo aliado russo na região do Golfo.

A estratégia condutora da política estado-unidense era envolver e reduzir a Rússia ao status de potência fraca, marginal, e minar os esforços de Vladimir Putin para restaurar a posição da Rússia como uma potência regional. Em 2008 o regime fantoche de Washington na Geórgia testou a têmpera do estado russo ao lançar um assalto à Ossétia do Sul, matando pelo menos 10 russos das forças de manutenção da paz e ferindo centenas (para não mencionar milhares de civis). O então presidente russo, Medvedev, respondeu com o envio das forças armadas russas para repelir tropas georgianas e apoiar a independência da Abcazia e da Ossétia do Sul.

Os acordos diplomáticos dos EUA com a Rússia têm sido assimétricos – a Rússia devia concordar com a expansão ocidental em troca de "aceitação política". A duplicidade vencia a diplomacia aberta. Apesar de acordos em contrário, bases e instalações de mísseis dos EUA foram estabelecidas por toda a Europa do Leste, apontando à Rússia, sob o pretexto de que estavam "realmente a apontar ao Irã". Mesmo quando a Rússia protestou pela ruptura de acordos pós Guerra Fria, o império ignorou queixas de Moscou e o envolvimento avançou.

Num novo desastre diplomático, a Rússia e a China assinaram no Conselho de Segurança das Nações Unidas um acordo de autoria estadunidense para permitir à NATO efetuar "voos humanitários" na Líbia. A NATO imediatamente tomou isto como o "sinal verde" para atacar e converter a "intervenção humanitária" numa devastadora campanha de bombardeamento aéreo que levou ao derrube do governo legítimo da Líbia e à sua destruição como estado viável e independente na África do Norte. Ao assinar na ONU o acordo "humanitário", a Rússia e a China perderam um governo amigo e um parceiro comercial na África! Anteriormente, os russos haviam permitido aos EUA transportar armas e tropas através a Federação Russa para apoiar a invasão estadunidense do Afeganistão ... sem nenhum ganho recíproco (exceto talvez uma ainda maior inundação de heroína afegã).

Diplomatas russos concordaram com sanções econômicas da ONU, de autoria de sionistas dos EUA, contra o não existente programa de armas nucleares do Irã ... minando um aliado político e um mercado lucrativo. Moscou acreditou que ao apoiar sanções dos EUA contra o Irã e conceder rotas de transporte para o Afeganistão no fim de 2001 receberia algumas "garantias de segurança" dos americanos em relação a movimentos separatistas no Cáucaso. O governo americano "retribuiu" com novo apoio a líderes separatistas chechenos exilados nos EUA apesar das campanhas de terror em curso contra civis russos – até e mesmo depois da carnificina chechena de centenas de escolares e professores em Beslan em 2004...

Com os EUA sob Obama a avançarem no seu envolvimento da Rússia na Eurásia e no seu isolamento na África do Norte e Médio Oriente, Putin finalmente decidiu traçar uma linha com o apoio ao único aliado remanescente da Rússia no Médio Oriente, a Síria. Putin pretendeu assegurar um fim negociado à invasão mercenária de Damasco apoiada por monarquias pró ocidentais do Golfo. Com pouco proveito: Os EUA e a UE aumentaram carregamentos de armas, treinadores militares e financiamentos aos 30 mil mercenários islâmicos com base na Jordânia quando eles se empenhavam em ataques transfronteiriços para derrubar o governo sírio.

Washington e Bruxelas continuaram seu impulso imperial rumo ao centro da Rússia ao organizarem e financiarem uma violenta tomada de poder (putsch) na Ucrânia ocidental. O regime financiou uma coligação de combatentes de rua neo-nazis armados e políticos neoliberais, ao custo considerável de 5 mil milhões de dólares, para derrubar o regime eleito. Os putschistas quiseram acabar com a autonomia da Criméia e romper tratados com acordos militares de longo prazo com a Rússia. Sob enorme pressão do governo autônomo da Criméia e da vasta maioria da população e enfrentando a perda crítica das suas instalações navais e militares no Mar Negro, Putin, finalmente, vigorosamente deslocou tropas russas num modo defensivo na Criméia.

O regime Obama lançou uma série de movimentos agressivos contra a Rússia para isolá-la e escorar seu vacilante regime fantoche em Kiev: sanções econômicas e expulsões estavam na ordem do dia ... a tomada da Ucrânia por Obama assinalou o começo de uma "nova Guerra Fria". A captura da Ucrânia faz parte da grande estratégia em curso de Obama de avanço do império.

O sequestro do poder na Ucrânia assinalou o maior desafio geopolítico para a existência contínua do estado russo. Obama procura estender e aprofundar a varredura imperial através da Europa até o Cáucaso: o violento golpe no regime e a subsequente defesa do regime fantoche em Kiev são elementos chaves na minagem de um adversário chave – a Rússia.

Depois de pretender "parceria" com a Rússia, enquanto talhava seus aliados nos Balcãs e no Médio Oriente durante as décadas anteriores, Obama fez o seu movimento mais audacioso e mais imprudente. Jogando fora todas as desculpas de coexistência pacífica e acomodação mútua, o regime Obama rompeu um acordo de poder partilhado com a Rússia sobre a governação da Ucrânia e apoiou o putsch neo-nazi.

O regime Obama assumiu que tendo assegurado anteriormente a anuência da Rússia face ao avanço do poder imperial no Afeganistão, Iraque, Líbia e região do Golfo, os construtores de império de Washington tomaram a fatídica decisão de testar a Rússia na sua mais estratégica região geopolítica, uma região que afeta diretamente o povo russo e seus ativos militares mais estratégicos. A Rússia reagiu na única linguagem entendida em Washington e Bruxelas: com uma importante mobilização militar. O avanço de Obama com "táticas de construção de império via salame" e duplicidade diplomática está a aproximar-se do fim.

O avanço do império no Médio Oriente e América Latina 

O avanço imperial da década de 1990 chegou ao fim nos meados da primeira década do novo milênio. Derrotas no Afeganistão, retirada do Iraque, a morte de regimes fantoches no Egito e na Tunísia, perda de eleições na Ucrânia e a derrota e afundamento de regimes neoliberais pró EUA na América Latina foram exacerbadas por uma crise econômica profunda nos centros imperiais da Europa e da Wall Street.

Obama tinha poucas opções económicas e políticas para avançar o império. Mas o seu regime estava determinado a acabar com o recuo e avançar o império; ele recorreu a tácticas e estratégias mais parecidas com as do século XIX colonial e de regimes totalitários do século XX.

Os métodos foram violentos – o militarismo foi o eixo a política. Mas numa época de exaustão imperial interna, novas tácticas militares substituíram forças invasoras em grande escala sobre o terreno. Mercenários armados por procuração ganharam o centro do palco no derrube dos regimes alvejados pelos EUA. Afinidades políticas e ideológicas foram subsumidas sob o eufemismo genérico de "rebeldes". Os mass media alternavam entre pressionar por maior escala militar e endossar o nível existente de guerra imperial. Todo o espectro político na Europa e nos EUA comutou para a direita – mesmo quando a maioria do eleitorado rejeitou novos compromissos militares, especialmente guerras no terreno.

Obama escalou tropas no Afeganistão, lançou uma guerra aérea que derrubou o presidente Kadafi e transformou a Líbia no estado arruinado e fracassado. Guerras por procuração tornaram-se a nova estratégia para o avanço imperial na construção do império. A Síria foi alvejada – dezenas de milhares de extremistas islâmicos foram recrutados e financiados por regimes imperiais e monarquias despóticas do Golfo. Milhões de refugiados fugiram, dezenas de milhares foram mortos.

Na América Latina, Obama apoiou o golpe militar em Honduras derrubando o governo liberal eleito do presidente Manuel Zelaya, no Paraguai reconheceu um golpe do Congresso que expulsou o governo eleito de centro-esquerda enquanto se recusou a reconhecer a vitória eleitoral do presidente Maduro na Venezuela. Face à vitória de Maduro na Venezuela, Washington apoiou durante vários meses de violência nas ruas numa tentativa de desestabilizar o país.

Na Ucrânia, Egito, Venezuela e Tailândia, "a rua" substituiu eleições. Os objetivos estratégicos imperiais de Obama centraram-se na reconquista e pilhagem da Rússia e no seu retorno ao status de vassalo dos anos Boris Yeltsin, no retorno da América Latina aos regimes neoliberais da década de 1990 e na China à docilidade da década de 1980. A estratégia imperial tem sido "conquistar a partir de dentro" estabelecendo o cenário para a dominação a partir de fora.

A avançar o império: Israel e o desvio do Médio Oriente 

Um dos grandes paradoxos históricos do recuo imperial dos EUA no século XXI foi o papel desempenhado pela influência de Israel e sua Quinta Coluna Sionista incorporada dentro da estrutura de poder político estadunidense. As guerras de Washington e as sanções no Médio Oriente foram em grande medida sob as ordens de influentes "Israel Firsters" na Casa Branca, Pentágono, Tesouro, Conselho de Segurança Nacional e Congresso.

Foi em grande medida porque os EUA estavam empenhados em guerras no Iraque e no Afeganistão que Washington "deixou de lado" as crescentes proezas económicas da China. Ao concentrar-se nas "guerras por Israel" no Médio Oriente, os EUA não estavam em posição de desafiar a ascensão do nacionalismo e populismo na América Latina. As prolongadas "guerras por Israel" esgotaram a economia dos EUA e o entusiasmo do público americano por novas guerras terrestres alhures.

Ideólogos sionistas, alcunhados "neoconservadores", foram instrumentais em moldar a abordagem global militarista para a construção do império e em marginalizar a sua construção sob orientação do mercado, favorecida pelas multinacionais e pelos gigantes da indústria extractiva.

A tentativa de Obama de travar o recuo do império, inspirada pelo militarismo sionista, não frutificou. Seu esforço para cooptar sionistas e pressionar Israel a parar de fomentar novas guerras no Médio Oriente é um fracasso. O seu "eixo na Ásia" transformou-se numa estratégia cerco militar bruto da China. Suas aberturas ao Irã foram frustradas pelo bloco de poder sionista no Congresso pela imposição de termos de negociação ditados por Israel. Todo o "avanço do projeto de construção do império", o qual devia definir o legado de Obama, foi enfraquecido pelo enorme custo de atender aos conselhos e diretivas dos lealistas a Israel dentro da sua administração. Israel, uma das mais brutais potências coloniais, paradoxalmente e não intencionalmente desempenhou um grande papel na minagem dos esforços de Obama para reverter o declínio do império e avançar as dimensões diplomáticas e económicas da construção do império.

Resultados e perspectivas: A avançar o império no período pós neoliberal 

O temerário esforço de Obama para avançar o império na segunda década do século XXI é muito mais perigoso que o dos seus antecessores no fim do século XX. A Rússia recuperou-se. Já não é o estado em desintegração que Bush e Clinton desmembraram e pilharam. A China já não é mais uma economia de mercado em ascensão tão ansiosa para comerciar com os EUA enquanto fazia vista grossa a incursões americanas em águas territoriais chinesas. Hoje a China é uma grande potência económica, exercendo alavancagem económica na forma de US$3 milhões de milhões em bilhetes do Tesouro dos EUA. A China já não tolera interferência dos EUA na sua política interna – está desejosa de suprimir separatistas étnicos e terroristas apoiados pelos EUA.

A América Latina, incluindo a Venezuela, desenvolveu organizações regionais autónomas, diversificou seus mercados para a Ásia e estabeleceu um poderoso consenso pós neoliberal. A Venezuela transformou seu militares, outrora o instrumento favorito de golpes engendrados pelos EUA, numa fortaleza da ordem democrática existente.

O caminho eleitoral para a construção do império estadunidense foi fechado ou exige dura "supervisão" imperial para assegurar "resultados favoráveis". A nova política escolhida por Washington é a violência: recrutar a ralé para ações, extremistas mercenários, terroristas islamistas e uighures, neo-nazis e toda a escumalha do mundo para o seu serviço.

O balanço de seis anos de "avanço do império" sob Obama é duvidoso. O derrube violento do presidente Kadafi não levou a um regime cliente estável: a destruição total e o caos na Líbia solaparam a presença imperial. A Síria está sob ataque mas por islamistas fanáticos anti-ocidentais. A derrota de Assad não "avançará o império" na medida em que expandirá o poder do Islão radical (incluindo a Al Qaeda).

O regime fantoche na Ucrânia, de neoliberais e neo-nazis, está literalmente em bancarrota, dilacerado por conflitos internos e enfrentando profundas divisões regionais. A Rússia está ameaçada, mas seus líderes adotaram ação militar decisiva para defender seus aliados da Criméia e suas bases militares estratégicas.

Obama provocou e ameaçou adversários mas não assegurou muito em termos de aliados válidos ou de clientes. Seus esforços para replicar os avanços imperiais da década de 1990 fracassaram porque mudaram as correlações de força entre a Europa e a Rússia, o Japão e a China, a Venezuela e a Colômbia. Mandatários, drones predadores e as US Special Forces não são capazes de reverter o recuo. A crise económica cortou demasiado profundamente; a exaustão interna com o império é demasiado generalizada. O custo de sustentar Israel é demasiado alto. Avançar o império nestas circunstâncias é um jogo perigoso: arrisca uma guerra nuclear maior para ultrapassar a adversidade e o recuo. 
09/Março/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

As transnacionais por trás dos conflitos internos que destrõem as condições de vida do povo africano

Existem poderosos interesses no mundo a quem convém que pouco ou nada se saiba sobre a verdade dos conflitos que surgem na África negra.



Enquanto o sangue dos povos africanos é derramado em torrente, as companhias petrolíferas e mineiras das potências imperialistas preparam-se para se apropriar das suas riquezas.


Da República Centro-Africana (622.089 m2, habitada por 5 milhões de pessoas), apenas se sabe que enfrenta um conflito «étnico e religioso» e que «2,6 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária imediata, e um de cada cinco centro-africanos se encontram internamente deslocados. Números que poderão aumentar à medida que o conflito coloca milhões de pessoas em situação de risco». (1) Mas, nada se diz das implicações das transnacionais francesas e do próprio estado francês por detrás do conflito que aquele país vive.

Poucos meios internacionais se preocuparam em destacar informações precisas que nos permitam interpretar o que realmente acontece hoje na República Centro-Africana. Existem interesses poderosos no mundo a quem convém que pouco ou nada se divulgue sobre a verdade dos conflitos que se suscitam na África negra. Para esses interesses e suas transnacionais mediáticas é necessário que a opinião pública mundial generalize e banalize a realidade que se apresenta em vários países daquele continente, fundamentalmente as fomes e os conflitos por disputa territorial entre as diversas comunidades étnicas, de forma que permita condicionar a opinião para justificar a intervenção militar da Europa e dos Estados Unidos sob pretextos «humanitários». 

Enquanto o sangue dos povos africanos é derramado em torrente, as companhias petrolíferas e mineiras das potências preparam-se para se apropriar das suas riquezas.
A crise económico-financeira que se vive em toda a União Europeia incita à rapina das potências contra a periferia capitalista. E como as coisas não têm andado bem para a França decadente, tem-se visto a necessidade de assaltar outras terras para amparar a sua crise e manter a sua hegemonia nas suas ex-colónias. Os dados económicos revelaram que o Produto Interno Bruto (PIB) da França vem caindo (2), marcando a mesma tendência nos últimos anos. Enquanto o desemprego já ultrapassa os números oficiais calculados em 11%.

As políticas internas e externas assumidas pelo regime francês para enfrentar a crise econômica acabaram por desmascarar o desprestigiado ultraliberal com máscara «socialista», o presidente François Hollande, que prometeu novos cortes na despesa pública superior a 50 mil milhões de euros (3), e simultaneamente pediu aos militares franceses para se alistarem numa nova aventura bélica contra outra ex-colônia francesa para «proteger» a população civil. Depois de o fazer na Costa do Marfim, Líbia e Mali, a França decidiu intervir militarmente na República Centro-africana para «levar a paz» a esse povo. Com efeito, Hollande não duvidou sequer em completar o envio de 1.600 «angelicais» soldados franceses para fazer «a paz» e salvar o povo centro-africano da suposta guerra étnica e religiosa.

A 6 de Dezembro de 2013, durante a Cúpula África-França, no Palácio do Eliseu, François Hollande declarou à imprensa que a operação militar na República Centro-Africana, denominada «Sanguiris», é a resposta a uma «situação catastrófica» que o seu povo vive, o qual pediu a ajuda da França (…) Os franceses devem estar orgulhosos por intervir em qualquer lugar desinteressadamente». E como era de esperar, a ONU votou rapidamente a Resolução 2127, que autorizou a intervenção militar gaulesa.

Desde 1960, o povo centro-africano sofreu 6 golpes de Estado promovidos por interesses transnacionais que o levaram à anarquia. Os sucessivos presidentes centro-africanos David Dacko, Bokassa I, André Kolingba, Ange F. Patasse, François Bozizé, Michel Djotodia, foram responsáveis conjuntamente com a França pelo desastre. Na opinião do famoso investigador Olivier A. Ndenkop, «a mão da França, potência colonizadora, foi sempre vista ou anunciada por detrás dos vários golpes de estado” (4).

No seu trabalho mais recente intitulado «As razões ocultas da intervenção francesa», Ndenkop assegura que a França sempre manteve interesses na República Centro-Africana. « (a França) Hoje em dia controla a economia centro-africana. Bolloré tem o monopólio da logística e do transporte fluvial. Castel reina sobre o mundo do mercado das bebidas e do açúcar. CFAO controla o comércio de veículos. A partir de 2007, a France Telecom entrou no baile. AREVA está presente na África Central embora, oficialmente, o gigante nuclear esteja apenas na fase de exploração. TOTAL reforça a sua hegemonia no armazenamento e na comercialização de petróleo.»

Ndenkop revela que a 4 de Dezembro de 2013, enquanto as tropas francesas se preparavam para tomar a direcção de Bangui, o ministro francês da economia, Pierre Moscovici, estava reunido com ministros, chefes de estado e com mais de 560 empresários franceses e africanos para tratar de salvar a posição da França na África.

Mas a pergunta crucial que muitos fazem — Porque procura a França por meio da guerra o que sempre conseguiu numa paz relativa? Para o investigador Olivier A. Ndenkop a resposta é: a China, a verdadeira ameaça para o Eliseu.

Desde que a China fez a sua entrada crucial na África em busca da matérias-primas, fundamentalmente hidrocarbonetos, uma espécie de feitiço conjurado pela França fez com que se atiçassem todos os conflitos étnicos e religiosos nesse e noutros países do continente para derrubar os governos que se aliaram ao gigante asiático. A maior parte dos investimentos estrangeiros concentraram-se na Nigéria, África do Sul, Sudão, Argélia, Zâmbia, Gana, República Democrática do Congo e Etiópia (5).
Ndenkop afirma que «François Bozizé, que teve o tempo de se fazer eleger presidente em 2005, não resistiu às propostas da China, que multiplicou as ajudas e aumentou os seus investimentos em todo o continente com menos condicionamentos. O que contrasta com a arrogância e o paternalismo dos “sócios tradicionais” da África»

Em Março de 2013, o deposto presidente François Bozizé revelaria à Rádio França Internacional o que muitos desconfiavam «Dei o petróleo aos chineses e isso tornou-se um problema (…) derrubaram-me por culpa do petróleo».

*Analista Internacional
Fontes:

segunda-feira, 10 de março de 2014

VIVA AS MULHERES REVOLUCIONÁRIAS : Rosas y Fusiles, mujeres de las FARC-EP

Ucrânia: Anti-fascistas europeus, despertem!

A peste castanha está de volta!

Desta vez não há dúvida. Monstruosa e horrível, a ameaça fascista está de volta, sem que a nossa Europa se escandalize por aí além. A prova? Nazis “puro-sangue”, que se reivindicam do 3º Reich e das suas divisões SS, perante os quais os brutos da Aurora Dourada grega quase parecem meninos de coro, ocupam os postos mais nevrálgicos (Ordem Pública, Defesa, Justiça) no governo interino ucraniano. Artigo de Yorgos Mitralias, publicado no CADTM.

Neo Nazi Svoboda leader Oleh Tyahnybok

A sua presença nesse governo não choca nada as nossas medias, que se apressam a batizá-los de ... “nacionalistas”, nem os nossos queridos dirigentes europeus de todas as espécies (social-democratas incluídos), que se apressam a reconhecê-los como parceiros totalmente frequentáveis.
Em suma, é como se o processo de Nuremberg nunca tivesse existido! E não é tudo. O pior é que os acólitos desses fantasmas de um mundo que acreditávamos – erradamente – desaparecido para sempre se contam hoje por milhares, se passeiam armados até aos dentes nas ruas de Kiev e de Lviv e, sobretudo, estão a ganhar a confiança de um grande número dos seus compatriotas. Porque, paradoxo ou não, é infelizmente um fato que essa revolta autenticamente popular que acaba de varrer o regime de Yanoucovitch tem entre os seus dirigentes nostálgicos da colaboração banderista de Svoboda e – sobretudo - os neo-nazis, em plena ascensão, de Praviy Sektor.
Então, se os Svoboda e Praviy Sektor fazem parte do governo ucraniano sem que os nossos dirigentes europeus ou norte-americanos – como aliás as nossas mídias corporativas de grande dimensão e outras instituições internacionais – se perturbem, não nos surpreendamos se todo esse belo mundo neo-liberal aceitar amanhã sem protesto a presença de um partido como o Aurora Dourada num governo grego. Se Dmytro Yarosh, chefe de Praviy Sektor, se torna o segundo de Andriy Parubi (aliás ele próprio fundador do partido nacional-socialista da Ucrânia) à cabeça do Conselho de Segurança Ucraniano, por que não amanhã o führer do Aurora Dourada, N. Mihaloliakos, à frente dos Ministérios da Defesa ou da Ordem Pública gregos? Eis uma razão mais para considerarmos o que se passa atualmente na Ucrania como uma verdadeira viragem na história europeia do pós-guerra, um imenso salto qualitativo da ameaça neo-fascista que pesa agora sobre todos nós.
Mas não se trata apenas disso. Independentemente do caminho que tomem os acontecimentos que vêem afrontar-se no solo ucraniano não só a Rússia e a Ucrânia (igualmente reacionárias e enfeudadas aos oligarcas) mas também as grandes potências imperialistas do nosso tempo, tudo indica que os neo-nazis ucranianos, já poderosos, serão os únicos a aproveitar-se da devastação que não deixarão de provocar tanto as políticas de austeridade do FMI como os ventos guerreiros e nacionalistas que varrem a região. As consequências são previsíveis. Os neo-nazis ucranianos em armas serão provavelmente capazes de estender a sua influência para lá do Leste europeu e gangrenar o conjunto do nosso continente. Como? Primeiro, impondo, no interior do campo da extrema-direita europeia em ascensão, relações de força favoráveis ao neo-nazismo militante. Depois, servindo como modelo de exportação ao menos para os países vizinhos (incluindo a Grécia), já martirizados pelas políticas de austeridade e já contaminados por vírus racistas, homofóbicos, anti-semitas e neo-fascistas. E, evidentemente, sem esquecer o grande “argumento” que constituem os milhares e milhares de armas – incluindo pesadas – na sua posse, que não deixarão de exportar. A conclusão salta à vista. É o conjunto da paisagem, equilíbrios e relações de força na Europa que será inevitavelmente transformado, às custas de sindicatos operários, organizações de esquerda e movimentos sociais. Em palavras simples, já há de que ter pesadelos.
Então, que mais é preciso para que a esquerda europeia saia do seu atual torpor, toque o alarme, se mobilize urgentemente e tome o mais rapidamente possível a única iniciativa capaz de contrariar o tsunami fascista e fascistóide que se aproxima: uma iniciativa que não pode senão visar a criação de um movimento anti-fascista europeu, unitário, democrático, radical, de longa duração e de massas, que combine a luta contra as políticas neo-liberais da austeridade draconiana contra a peste castanha, onde quer que esta se manifeste. A hora não é de tergiversações, nem de ilusões de que tudo se passa longe de nós, nem o álibi da rotina anti-fascista que consiste em lutar no seu bairro ou no seu país, sem ligar ao que se passa do outro lado da fronteira. Em primeiro lugar, porque mesmo antes do alarme anti-nazi ucraniano a situação na Europa ocidental era – e continua a ser – mais do que alarmante, justificando plenamente a mobilização geral contra a subida impetuosa da extrema-direita. E depois, porque, por mais necessárias que sejam, as lutas e as campanhas anti-fascistas nacionais ou regionais não bastam, não estão à altura das circunstâncias atuais, completamente excepcionais e históricas.
Por outras palavras: anti-fascistas da Europa despertem, porque já é quase meia-noite e a história tende a repetir-se tão trágica como no passado.


*Yorgos Mitralias é membro do comité grego da iniciativa do Manifesto Anti-fascista Europeu (www.antifascismeuropa-ellada.gr)

Declaração sobre o avanço reacionário na Ucrânia

Declaração conjunta de Partidos comunistas e operários sobre os recentes acontecimentos na Ucrânia (sob proposta de KKE e DKP)


Os recentes e dramáticos acontecimentos na Ucrânia representam, não a “vitória da democracia” por parte dos autonomeados “revolucionários” - como pretendem os órgãos de comunicação de massas dos Estados Unidos e da União europeia - mas uma perigosa evolução, sobretudo para o próprio povo ucraniano.

As forças políticas reacionárias, herdeiras ideológicas dos nazis, surgiram politicamente à tona com o apoio da UE e dos EUA. São forças que para além de destruírem as sedes dos seus adversários têm como programa a perseguição política e a ilegalização dos partidos, sobretudo afrontando os comunistas, e uma legislação racista tendo como alvo a população de língua russa, idêntica à que há 20 anos vigora nos países do Báltico “europeu” com o tácito apoio politico da UE.

Os Partidos comunistas e operários subscritores desta declaração conjunta:
  • Manifestam a sua solidariedade e apoio aos comunistas da Ucrânia, e em primeiro àqueles que em muitos casos saíram à rua para defender os monumentos a Lenine e aos antifascistas, tomados como alvo pelo branqueamento da história levada a cabo pelos grupos armados nacionalistas-fascistas.
  • Denunciam os EUA e a UE pelo seu manifesto envolvimento nos assuntos internos da Ucrânia, pelo apoio direto que prestaram e continuam a prestar aos grupos armados fascistas, sustentando o revanchismo histórico contra as vitórias da II Guerra mundial, convertendo o anticomunismo em política oficial, agindo de forma a embelezar os grupos fascistas e a sua ideologia e atividade criminosa, promovendo a divisão do povo da Ucrânia através do planeamento de perseguições e confrontos na zona russófona.
  • Sublinham os perigos colocados pelas posições das forças oportunistas, que semeiam ilusões acerca da possibilidade da existência de uma outra e “melhor UE”, ” um melhor e diferente acordo de associação da UE com a Ucrânia”. A UE, tal como qualquer outra união capitalista inter-estatal, é uma aliança predadora de carácter profundamente reacionário e não só não pode vir a tornar-se amiga do povo como age e continuará a agir contra os direitos dos trabalhadores e dos povos.
  • Assinalam que os acontecimentos na Ucrânia se articulam com a intervenção da UE e dos EUA, e resultam da forte competição entre estas potências e a Rússia pelo controlo dos mercados, das matérias-primas e das redes de transporte desse país. Todavia o povo ucraniano, tal como todos os outros povos da Europa, não tem interesse em alinhar nem com este nem com aquele bloco imperialista, nem com esta nem com aquela aliança predadora.
  • Os interesses da classe operária e das camadas populares da Ucrânia residem em resistirem a envolver-se em lógicas de divisão nacionalista, sobre a base de particularismos étnicos, linguísticos e religiosos, e em dar prioridade aos seus interesses de classe comuns, em definir o seu percurso de luta de classe pelos seus direitos e pelo socialismo. O socialismo continua a ser mais oportuno e mais necessário do que nunca. É esta a perspectiva a partir da qual deve ser confrontada qualquer união capitalista inter-estatal, para abrir o caminho a uma economia e uma sociedade que se organize não sobre a base do lucro mas sobre as necessidades dos trabalhadores.


26/02/2014

Partido Comunista da Albânia
Tribuna Democrática Progressista, Bahrain
Partido dos Trabalhadores do Bangladesh
Partido Comunista do Canada
Partido Comunista in Dinamarca
Partido Comunista Alemão
Partido Comunista Unificado da Geórgia
Partido Comunista da Grécia
Partido Comunista Jordano
Partido Comunista do México
Partido Comunista da Noruega
Partido Comunista da Polônia
Partido Comunista da Federação Russa
Partido Comunista Operário da Rússia
Partido Comunista da União Soviética
Novo Partido Comunista da Jugoslávia
Partido Comunista da Suécia
Partido Comunista da Turquia
União dei Comunistas da Ucrânia
Partido Comunista Brasileiro

Partidos que não integram a lista Solidnet
Partido do Trabalho da Áustria
Polo da Renascença Comunista em França

quarta-feira, 5 de março de 2014

A JUVENTUDE PALESTINA E A VIOLÊNCIA COTIDIANA DOS SOLDADOS SIONISTAS, EM SEU FRAGMENTADO TERRITÓRIO





Vídeo mostra quando os soldados sionistas cercam um jovem palestino  ferido e caído no chão. 

O rapaz, Yassin al-Karaki de 13 anos, tinha sido atingido por uma bala de metal revestida de borracha (isso porque os israelitas têm o coração de manteiga): afirma que a molotov recolhida pelos soldados não é deles, mas os soldados insistem e Yassin é preso.

Esse é mais um entre tantos episódio de violência contra a juventude palestina em seu próprio território, na cidade de al-Eizariya (Jerusalem Leste). 


terça-feira, 4 de março de 2014

EUA versus União Europeia na disputa pela Ucrânia

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
4/3/2014, [*] Moon of Alabama


A Ucrânia é o meio do caminho do gás entre a Rússia e a União Europeia
Ontem, pus em dúvida a confiabilidade de um “vazamento” feito pelo governo Obama para o New York Times. Escrevi que:

“Enquanto Merkel e outros políticos da União Europeia parecem querer acalmar a situação, a Casa Branca está sob pressão política doméstica para fazer mais de “alguma coisa”. Por isso, provavelmente, o New York Times publicou hoje, como se fosse um “vazamento”:

A chanceler Angela Merkel da Alemanha disse por telefone ao presidente Obama no domingo que, depois de falar com Putin, já duvida que ele mantenha contato com a realidade – informaram fontes que receberam briefing do telefonema. “Parece estar noutro planeta” – disse a chanceler alemã.

Angela Merkel
Nada disso faz sentido. Não soa como comentário de Merkel e, pior, soa absolutamente estranho, como comentário dela. Duvido que ela tenha dito o que “fontes que receberam briefing do telefonema” disseram ao NYT que ela teria dito. Parece mais uma tentativa para desacreditar Merkel [aos olhos dos russos] e dificultar ainda mais, para ela, encontrar alguma solução em acordo com os russos e fora do controle dos EUA.”

Imediatamente, o governo alemão, através do conservador Die Welt, que apoia Merkel, desautorizou o NYT, negando a veracidade da citação publicada. Die Welt escreveu [traduzido al./ing./port]:

“A chanceler não está contente com o relato publicado no New York Times. Em nenhum momento e de nenhum modo Merkel disse ou teve intenção de dizer que Putin estaria agindo de forma irracional. Na verdade, ela disse a Obama que Putin tem perspectiva diferente [da de Obama] sobre a Crimeia”.

Não, não, não sou apoiador nem defensor de Merkel. Mas, sim, há disputa, tanto entre EUA e União Europeia, como entre “leste” e “oeste”, pela Ucrânia.

Sim, a União Europeia ferrou a própria estratégia para a Ucrânia, ao dar um ultimato a Yanukovich para que assinasse o acordo de associação à EU e, quando o ultimato foi rejeitado, a União Europeia agiu para instigar os tumultos em Kiev.

Mas o que os EUA estão fazendo é pior.

Os EUA obraram para sabotar o acerto de 21/2, que três ministros da União Europeia conseguiram negociar entre Yanukovich e sua oposição, e, na sequência, ordenaram um assalto de milícias fascistas armadas (assista vídeo no fim do parágrafo) contra o Parlamento ucraniano, para impor ali, ilegalmente “eleito”um novo “presidente” da Ucrânia. Agora, há seis membros do partido fascista, de seguidores de Bandera, o Partido Svoboda, no governo ilegítimo da Ucrânia.

http://www.youtube.com/watch?v=BV5Wm3qXfy4


Mas os europeus têm interesses muito diferentes.

Todos os comentários favoráveis a Merkel, que aparecem publicados na sequência da matéria sobre ela em Die Welt apoiam a posição dos russos nesse conflito e rejeitam o governo dos fascistas na Ucrânia. E esse é jornal quase sempre conservador e muito pró-EUA. O público alemão, apesar da campanha de propaganda anti-Rússia, e como já se lê publicado no mais prestigioso veículo da imprensa-empresa alemã, absolutamente não está do lado dos EUA e de seus intervencionistas da OTAN.

Há uma longa “tradição” de usar grupos fascistas nacionalistas contra a Rússia. A Rússia perdeu mais de 20 milhões de vidas na luta contra o fascismo e, para os russos, ver fascistas no governo de Kiev é ataque inadmissivelmente violento contra sua própria identidade nacional. Os russos conhecem a própria história e com certeza sabem quem está por trás daqueles fascistas de Kiev. ISSO, provavelmente, foi o que Merkel disse a Obama, quando falou da perspectiva de Putin.

O ucraniano Stepan Bandera (centro da foto) foi Comandante do Exército nazista e
responsável pela morte de inúmeros russos e ucranianos que lutaram contra o nazismo
O partido Svoboda e o Setor Direita (Pravy Sektor) na Ucrânia veem-se como continuação da tradição de Stepan Bandera, galego, ultra-nacionalista, terrorista brutal, fascista e, depois, agente que trabalhou para vários serviços secretos “ocidentais”. Livro muito revelador, arquivado nos Arquivos Nacionais dos EUA sobre “Sombras de Hitler – criminosos de guerra nazistas, inteligência dos EUA e a Guerra Fria” [orig. Hitler’s Shadows - Nazi War Criminals, U.S. Intelligence and the Cold War (pdf)] inclui um capítulo exclusivamente dedicado a “Colaboradores: inteligência aliada e a OUN, Organização dos Nacionalistas Ucranianos”. Copio aqui alguns excertos:

Reinhard Gehlen
As operações britânicas através de Bandera expandiram-se. Um resumo do MI6, do início de 1954, registrava que “o aspecto operacional dessa colaboração [entre os britânicos e Bandera] desenvolvia-se  satisfatoriamente. Gradualmente se obteve completo controle sobre operações de infiltração e, apesar de o dividendo da inteligência ser baixo, foi considerado suficiente para que valesse a pena prosseguir (...)”
...

Bandera era, segundo os que tinham contato com ele, “profissional da clandestinidade, com antecedentes de terrorista e noções implacáveis sobre as regras do jogo (...). Uma espécie de bandido, se preferirem, de patriotismo ardente e incendiário, o qual oferecia contexto ético e justificativa para seu banditismo. Nem melhor nem pior que outros desse gênero.
...

Em abril de 1959, Bandera outra vez pediu apoio da inteligência da Alemanha Ocidental e, dessa vez, Gehlen estava interessado. A CIA observou que “É visível que Bandera está procurando apoio para operações ilegais dentro da Ucrânia”. Os alemães ocidentais concordaram com apoiar pelo menos uma missão daquele tipo, baseados no “fato de que Bandera e seu grupo já não eram os degoladores que haviam sido” e porque Bandera “ofereceu provas de que seus contatos com agentes internos.” Uma equipe treinada e paga pelos alemães ocidentais cruzara, saídos da Tchecoslováquia, no final de julho; e os alemães prometeram apoio a Bandera para futuras operações, se aquela primeira fosse pelo menos “moderadamente satisfatória”.
...

Mykola Lebed
Em junho de 1985, o General Accounting Officemencionou o nome de Lebed em relatório público sobre nazistas e colaboradores que se instalaram nos EUA com a ajuda de agências de inteligência dos EUA. O Gabinete de Investigações Especiais [orig. Office of Special Investigations (OSI)] do Departamento de Justiça começou, naquele ano, a investigar Lebed. A CIA temia que investigações públicas sobre Lebed pudessem comprometer a operação QRPLUMB e que o fracasso na proteção de Lebed desencadearia a ira da comunidade de emigrados ucranianos. Então, a CIA, para encobrir Lebed, negou qualquer conexão entre ele e os nazistas e o apresentou como combatente da liberdade da Ucrânia. A verdade, é claro, era mais complicada. Ainda no final de 1991, a CIA tentou dissuadir o OSI de aproximar-se dos governos alemão, polonês e soviético, em busca de relatórios de guerra ou relacionados à guerra, que tivessem a ver com a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN). O OSI acabou por abandonar o caso, incapaz de encontrar documentos definitivos sobre Lebed.

Mykola Lebed, comandante de Bandera na Ucrânia durante a guerra morreu em 1998. Está enterrado em New Jersey, e seus papéis estão arquivados no Instituto Ucraniano de Pesquisa, na Universidade de Harvard.”

Há pouca dúvida de que os serviços secretos dos EUA e alguns políticos neoconservadores norte-americanos estão ainda mexendo as cordas demovimentos fascistas na Ucrânia. Quem, senão eles, teriam treinado aqueles fascistas, em países vizinhos (como diz Putin)? Agora, a russofobia desses mesmos personagens está ameaçando a paz na Europa.



segunda-feira, 3 de março de 2014

FASCISTAS UCRANIANOS INVADEM A SEDE DO PARTIDO COMUNISTA, QUEIMAM TUDO QUE ENCONTRAM E EXULTAM AO QUEBRAR BUSTO DE LENIN JOGADO PELA JANELA





(No entanto, direções de organizações que se dizem de esquerda chamam de "revolta popular" um levante fascista!)


A doença da Ucrânia... e a cura europeia


por Eric Draitser
Cartoon de Latuff.A situação na Ucrânia evolui hora a hora. Ultra-nacionalistas de direita e seus colaboradores "liberais" tomaram o controle do Rada (parlamento ucraniano) e depuseram o democraticamente eleito, embora absolutamente corrupto e incompetente, presidente Yanukovich.

A antiga primeiro-ministro, e criminosa condenada, Yulia Tymoshenko foi libertada e agora está a fazer causa comum com o Sector Direita, o Svoboda e outros elementos fascistas, ao passo que líderes nominais da oposição tais como Arseny Yatsenyuk e Vitali Klitschko começam a desvanecer-se.

Em Moscovo, o presidente russo Vladimir Putin certamente observa com ansiedade. Em Washington, Victoria Nuland e a administração Obama rejubilam. Contudo, talvez o desenvolvimento mais crítico de tudo isto esteja prestes a emergir na Europa, quando as forças do capital financeiro ocidentais se preparam para saudar a Ucrânia no seu seio. Eles darão à luz as habituais prendas neoliberais: austeridade e "liberalização econômica".

Com o derrube do governo Yanukovich, os US$15 mil milhões da prometida assistência financeira russa à Ucrânia ficam em dúvida. Segundo a agência de classificação Moody's, "só em 2014 a Ucrânia exigirá US$24 mil milhões para cobrir um défice orçamental, reembolsos de dívida, contas de gás natural e pensões apenas". Sem a contínua compra de títulos por Moscovo e outras formas de ajuda financeira, em com forças pró UE tomando o controle do país e da política externa, não é difícil prever o resultado: um pacote de resgate da Europa com todas as habituais condições de austeridade impostas.

Em troca de "ajuda" europeia, a Ucrânia será forçada a aceitar a redução de salários, cortes significativos no sector público e serviços sociais, além de aumentos em impostos sobre a classe trabalhadora e cortes de pensões. Além disso, o país será obrigado a concordar com um programa de liberalização que permitirá à Europa inundar de mercadorias o mercado ucraniano, com a desregulamentação e nova abertura do sector financeiro do país à especulação predatória e à privatização.

Não é preciso ser adivinho para prever estes desenvolvimentos. Basta simplesmente olhar para a onda de austeridade em países europeus como a Grécia e Chipre. Além disso, países do Leste Europeu com condições econômicas e históricas semelhantes à Ucrânia – Letônia e Eslovênia, especificamente – proporcionar um roteiro daquilo que a Ucrânia deveria esperar.

O modelo do "êxito" 

Quando a liderança pró UE da Ucrânia sob Tymoshenko & Co. (e a direita fascista) começar a olhar o futuro, ela imediatamente olhará para a Europa a fim de tratar as preocupações econômicas mais prementes. O povo ucraniano contudo faria bem em examinar o antecedente da Letônia para entender o que lhe está reservado. Como escreveram em 2012 o renomados economistas Michael Hudson e Jeffrey Sommers:

O que permitiu à Lituânia sobreviver à crise foram salvamentos da UE e do FMI... Elites aparte, muitos emigraram... Demógrafos estimam que 200 mil abandonaram o país na década passada – aproximadamente 10 por cento da população... A Lituânia experimentou os efeitos plenos da austeridade e do neoliberalismo. As taxas de natalidade caíram durante a crise – como é o caso em quase toda a parte onde são impostos programas de austeridade. Ela continua a ter as mais altas taxas da Europa de suicídio e mortes na estrada provocadas pela condução em estado da ebriedade. O crime violento é elevado devido, confirmadamente, ao desemprego prolongado e a cortes no orçamento da polícia. Além disso, uma crescente drenagem de cérebros anda a par com a emigração dos colarinhos azuis.

O mito da prosperidade que se segue à integração e salvamentos da UE é apenas isso, um mito. A realidade é dor e sofrimento numa escala muito maior do que a pobreza e o desemprego que a Ucrânia, especialmente na parte ocidental do país, já experimentou. O mais bem educados, aqueles mais aptos a assumir a liderança, fugirão em massa. Os líderes que permanecem no país encherão os seus bolsos e insinuar-se-ão junto a financeiros europeus e americanos que afluirão à Ucrânia como abutres para a carniça. Em suma, a corrupção e má administração do governo Yanukovich parecerão uma memória agradável.

A "liberalização" que a Europa exige criará lucros maciços para especuladores, mas muito poucos empregos para o povo trabalhador. A melhor terra será vendida a corporações estrangeiras e especuladores de terra, enquanto os recursos, incluindo o altamente conceituado sector agrícola, serão despojados e vendidos no mercado mundial, deixando agricultores e habitantes das cidades irmanados na pobreza abjeta, com os seus filhos a irem para a cama com fome. Isto será o "êxito" da Ucrânia. É de estremecer pensar com o que se pareceria o fracasso.

Na Eslovênia, outro país da Europa do Leste que experimentou o "êxito" aspirado pela Europa, a ditadura econômica de Bruxelas devastou o povo trabalhador do país e suas instituições. A Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) emitiu o seu relatório de 2012 no qual recomendou que, como primeiro passo, a Eslovênia atue para "ajudar o sector bancário a se por de pé outra vez", acrescentando que, "medidas adicionais e radicais são necessárias tão logo quanto possível".

Além disso, a OCDE recomendou a privatização completa de bancos e outros grandes firmas da Eslovênia, apesar de prever uma contração superior a 2% da sua economia. Em termos simples, a Europa recomenda que a Eslovênia se sacrifique e sacrifique o seu povo para as forças do capital financeiro internacional, nada menos. Tal é o custo da "integração" europeia.

A Ucrânia está a ser submetida a uma transformação da pior espécie. Suas instituições políticas foram atropeladas por uma variegada coleção de liberais ilusórios, políticos ardilosos em fatos de bom corte e extremistas nazis. O tecido social está a dilacerar pelas costuras, com cada região à procura de uma solução local para os problemas do que costumava ser a sua nação. E, em meio a isto tudo, o espectro de financeiros em busca de lucro com sinais de dólar nos olhos é tudo o que o povo ucraniano pode esperar. 
25/Fevereiro/2014

O original encontra-se em stopimperialism.org/articles/ukraines-sickness-europes-cure/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .