segunda-feira, 17 de março de 2014

As transnacionais por trás dos conflitos internos que destrõem as condições de vida do povo africano

Existem poderosos interesses no mundo a quem convém que pouco ou nada se saiba sobre a verdade dos conflitos que surgem na África negra.



Enquanto o sangue dos povos africanos é derramado em torrente, as companhias petrolíferas e mineiras das potências imperialistas preparam-se para se apropriar das suas riquezas.


Da República Centro-Africana (622.089 m2, habitada por 5 milhões de pessoas), apenas se sabe que enfrenta um conflito «étnico e religioso» e que «2,6 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária imediata, e um de cada cinco centro-africanos se encontram internamente deslocados. Números que poderão aumentar à medida que o conflito coloca milhões de pessoas em situação de risco». (1) Mas, nada se diz das implicações das transnacionais francesas e do próprio estado francês por detrás do conflito que aquele país vive.

Poucos meios internacionais se preocuparam em destacar informações precisas que nos permitam interpretar o que realmente acontece hoje na República Centro-Africana. Existem interesses poderosos no mundo a quem convém que pouco ou nada se divulgue sobre a verdade dos conflitos que se suscitam na África negra. Para esses interesses e suas transnacionais mediáticas é necessário que a opinião pública mundial generalize e banalize a realidade que se apresenta em vários países daquele continente, fundamentalmente as fomes e os conflitos por disputa territorial entre as diversas comunidades étnicas, de forma que permita condicionar a opinião para justificar a intervenção militar da Europa e dos Estados Unidos sob pretextos «humanitários». 

Enquanto o sangue dos povos africanos é derramado em torrente, as companhias petrolíferas e mineiras das potências preparam-se para se apropriar das suas riquezas.
A crise económico-financeira que se vive em toda a União Europeia incita à rapina das potências contra a periferia capitalista. E como as coisas não têm andado bem para a França decadente, tem-se visto a necessidade de assaltar outras terras para amparar a sua crise e manter a sua hegemonia nas suas ex-colónias. Os dados económicos revelaram que o Produto Interno Bruto (PIB) da França vem caindo (2), marcando a mesma tendência nos últimos anos. Enquanto o desemprego já ultrapassa os números oficiais calculados em 11%.

As políticas internas e externas assumidas pelo regime francês para enfrentar a crise econômica acabaram por desmascarar o desprestigiado ultraliberal com máscara «socialista», o presidente François Hollande, que prometeu novos cortes na despesa pública superior a 50 mil milhões de euros (3), e simultaneamente pediu aos militares franceses para se alistarem numa nova aventura bélica contra outra ex-colônia francesa para «proteger» a população civil. Depois de o fazer na Costa do Marfim, Líbia e Mali, a França decidiu intervir militarmente na República Centro-africana para «levar a paz» a esse povo. Com efeito, Hollande não duvidou sequer em completar o envio de 1.600 «angelicais» soldados franceses para fazer «a paz» e salvar o povo centro-africano da suposta guerra étnica e religiosa.

A 6 de Dezembro de 2013, durante a Cúpula África-França, no Palácio do Eliseu, François Hollande declarou à imprensa que a operação militar na República Centro-Africana, denominada «Sanguiris», é a resposta a uma «situação catastrófica» que o seu povo vive, o qual pediu a ajuda da França (…) Os franceses devem estar orgulhosos por intervir em qualquer lugar desinteressadamente». E como era de esperar, a ONU votou rapidamente a Resolução 2127, que autorizou a intervenção militar gaulesa.

Desde 1960, o povo centro-africano sofreu 6 golpes de Estado promovidos por interesses transnacionais que o levaram à anarquia. Os sucessivos presidentes centro-africanos David Dacko, Bokassa I, André Kolingba, Ange F. Patasse, François Bozizé, Michel Djotodia, foram responsáveis conjuntamente com a França pelo desastre. Na opinião do famoso investigador Olivier A. Ndenkop, «a mão da França, potência colonizadora, foi sempre vista ou anunciada por detrás dos vários golpes de estado” (4).

No seu trabalho mais recente intitulado «As razões ocultas da intervenção francesa», Ndenkop assegura que a França sempre manteve interesses na República Centro-Africana. « (a França) Hoje em dia controla a economia centro-africana. Bolloré tem o monopólio da logística e do transporte fluvial. Castel reina sobre o mundo do mercado das bebidas e do açúcar. CFAO controla o comércio de veículos. A partir de 2007, a France Telecom entrou no baile. AREVA está presente na África Central embora, oficialmente, o gigante nuclear esteja apenas na fase de exploração. TOTAL reforça a sua hegemonia no armazenamento e na comercialização de petróleo.»

Ndenkop revela que a 4 de Dezembro de 2013, enquanto as tropas francesas se preparavam para tomar a direcção de Bangui, o ministro francês da economia, Pierre Moscovici, estava reunido com ministros, chefes de estado e com mais de 560 empresários franceses e africanos para tratar de salvar a posição da França na África.

Mas a pergunta crucial que muitos fazem — Porque procura a França por meio da guerra o que sempre conseguiu numa paz relativa? Para o investigador Olivier A. Ndenkop a resposta é: a China, a verdadeira ameaça para o Eliseu.

Desde que a China fez a sua entrada crucial na África em busca da matérias-primas, fundamentalmente hidrocarbonetos, uma espécie de feitiço conjurado pela França fez com que se atiçassem todos os conflitos étnicos e religiosos nesse e noutros países do continente para derrubar os governos que se aliaram ao gigante asiático. A maior parte dos investimentos estrangeiros concentraram-se na Nigéria, África do Sul, Sudão, Argélia, Zâmbia, Gana, República Democrática do Congo e Etiópia (5).
Ndenkop afirma que «François Bozizé, que teve o tempo de se fazer eleger presidente em 2005, não resistiu às propostas da China, que multiplicou as ajudas e aumentou os seus investimentos em todo o continente com menos condicionamentos. O que contrasta com a arrogância e o paternalismo dos “sócios tradicionais” da África»

Em Março de 2013, o deposto presidente François Bozizé revelaria à Rádio França Internacional o que muitos desconfiavam «Dei o petróleo aos chineses e isso tornou-se um problema (…) derrubaram-me por culpa do petróleo».

*Analista Internacional
Fontes:

segunda-feira, 10 de março de 2014

VIVA AS MULHERES REVOLUCIONÁRIAS : Rosas y Fusiles, mujeres de las FARC-EP

Ucrânia: Anti-fascistas europeus, despertem!

A peste castanha está de volta!

Desta vez não há dúvida. Monstruosa e horrível, a ameaça fascista está de volta, sem que a nossa Europa se escandalize por aí além. A prova? Nazis “puro-sangue”, que se reivindicam do 3º Reich e das suas divisões SS, perante os quais os brutos da Aurora Dourada grega quase parecem meninos de coro, ocupam os postos mais nevrálgicos (Ordem Pública, Defesa, Justiça) no governo interino ucraniano. Artigo de Yorgos Mitralias, publicado no CADTM.

Neo Nazi Svoboda leader Oleh Tyahnybok

A sua presença nesse governo não choca nada as nossas medias, que se apressam a batizá-los de ... “nacionalistas”, nem os nossos queridos dirigentes europeus de todas as espécies (social-democratas incluídos), que se apressam a reconhecê-los como parceiros totalmente frequentáveis.
Em suma, é como se o processo de Nuremberg nunca tivesse existido! E não é tudo. O pior é que os acólitos desses fantasmas de um mundo que acreditávamos – erradamente – desaparecido para sempre se contam hoje por milhares, se passeiam armados até aos dentes nas ruas de Kiev e de Lviv e, sobretudo, estão a ganhar a confiança de um grande número dos seus compatriotas. Porque, paradoxo ou não, é infelizmente um fato que essa revolta autenticamente popular que acaba de varrer o regime de Yanoucovitch tem entre os seus dirigentes nostálgicos da colaboração banderista de Svoboda e – sobretudo - os neo-nazis, em plena ascensão, de Praviy Sektor.
Então, se os Svoboda e Praviy Sektor fazem parte do governo ucraniano sem que os nossos dirigentes europeus ou norte-americanos – como aliás as nossas mídias corporativas de grande dimensão e outras instituições internacionais – se perturbem, não nos surpreendamos se todo esse belo mundo neo-liberal aceitar amanhã sem protesto a presença de um partido como o Aurora Dourada num governo grego. Se Dmytro Yarosh, chefe de Praviy Sektor, se torna o segundo de Andriy Parubi (aliás ele próprio fundador do partido nacional-socialista da Ucrânia) à cabeça do Conselho de Segurança Ucraniano, por que não amanhã o führer do Aurora Dourada, N. Mihaloliakos, à frente dos Ministérios da Defesa ou da Ordem Pública gregos? Eis uma razão mais para considerarmos o que se passa atualmente na Ucrania como uma verdadeira viragem na história europeia do pós-guerra, um imenso salto qualitativo da ameaça neo-fascista que pesa agora sobre todos nós.
Mas não se trata apenas disso. Independentemente do caminho que tomem os acontecimentos que vêem afrontar-se no solo ucraniano não só a Rússia e a Ucrânia (igualmente reacionárias e enfeudadas aos oligarcas) mas também as grandes potências imperialistas do nosso tempo, tudo indica que os neo-nazis ucranianos, já poderosos, serão os únicos a aproveitar-se da devastação que não deixarão de provocar tanto as políticas de austeridade do FMI como os ventos guerreiros e nacionalistas que varrem a região. As consequências são previsíveis. Os neo-nazis ucranianos em armas serão provavelmente capazes de estender a sua influência para lá do Leste europeu e gangrenar o conjunto do nosso continente. Como? Primeiro, impondo, no interior do campo da extrema-direita europeia em ascensão, relações de força favoráveis ao neo-nazismo militante. Depois, servindo como modelo de exportação ao menos para os países vizinhos (incluindo a Grécia), já martirizados pelas políticas de austeridade e já contaminados por vírus racistas, homofóbicos, anti-semitas e neo-fascistas. E, evidentemente, sem esquecer o grande “argumento” que constituem os milhares e milhares de armas – incluindo pesadas – na sua posse, que não deixarão de exportar. A conclusão salta à vista. É o conjunto da paisagem, equilíbrios e relações de força na Europa que será inevitavelmente transformado, às custas de sindicatos operários, organizações de esquerda e movimentos sociais. Em palavras simples, já há de que ter pesadelos.
Então, que mais é preciso para que a esquerda europeia saia do seu atual torpor, toque o alarme, se mobilize urgentemente e tome o mais rapidamente possível a única iniciativa capaz de contrariar o tsunami fascista e fascistóide que se aproxima: uma iniciativa que não pode senão visar a criação de um movimento anti-fascista europeu, unitário, democrático, radical, de longa duração e de massas, que combine a luta contra as políticas neo-liberais da austeridade draconiana contra a peste castanha, onde quer que esta se manifeste. A hora não é de tergiversações, nem de ilusões de que tudo se passa longe de nós, nem o álibi da rotina anti-fascista que consiste em lutar no seu bairro ou no seu país, sem ligar ao que se passa do outro lado da fronteira. Em primeiro lugar, porque mesmo antes do alarme anti-nazi ucraniano a situação na Europa ocidental era – e continua a ser – mais do que alarmante, justificando plenamente a mobilização geral contra a subida impetuosa da extrema-direita. E depois, porque, por mais necessárias que sejam, as lutas e as campanhas anti-fascistas nacionais ou regionais não bastam, não estão à altura das circunstâncias atuais, completamente excepcionais e históricas.
Por outras palavras: anti-fascistas da Europa despertem, porque já é quase meia-noite e a história tende a repetir-se tão trágica como no passado.


*Yorgos Mitralias é membro do comité grego da iniciativa do Manifesto Anti-fascista Europeu (www.antifascismeuropa-ellada.gr)

Declaração sobre o avanço reacionário na Ucrânia

Declaração conjunta de Partidos comunistas e operários sobre os recentes acontecimentos na Ucrânia (sob proposta de KKE e DKP)


Os recentes e dramáticos acontecimentos na Ucrânia representam, não a “vitória da democracia” por parte dos autonomeados “revolucionários” - como pretendem os órgãos de comunicação de massas dos Estados Unidos e da União europeia - mas uma perigosa evolução, sobretudo para o próprio povo ucraniano.

As forças políticas reacionárias, herdeiras ideológicas dos nazis, surgiram politicamente à tona com o apoio da UE e dos EUA. São forças que para além de destruírem as sedes dos seus adversários têm como programa a perseguição política e a ilegalização dos partidos, sobretudo afrontando os comunistas, e uma legislação racista tendo como alvo a população de língua russa, idêntica à que há 20 anos vigora nos países do Báltico “europeu” com o tácito apoio politico da UE.

Os Partidos comunistas e operários subscritores desta declaração conjunta:
  • Manifestam a sua solidariedade e apoio aos comunistas da Ucrânia, e em primeiro àqueles que em muitos casos saíram à rua para defender os monumentos a Lenine e aos antifascistas, tomados como alvo pelo branqueamento da história levada a cabo pelos grupos armados nacionalistas-fascistas.
  • Denunciam os EUA e a UE pelo seu manifesto envolvimento nos assuntos internos da Ucrânia, pelo apoio direto que prestaram e continuam a prestar aos grupos armados fascistas, sustentando o revanchismo histórico contra as vitórias da II Guerra mundial, convertendo o anticomunismo em política oficial, agindo de forma a embelezar os grupos fascistas e a sua ideologia e atividade criminosa, promovendo a divisão do povo da Ucrânia através do planeamento de perseguições e confrontos na zona russófona.
  • Sublinham os perigos colocados pelas posições das forças oportunistas, que semeiam ilusões acerca da possibilidade da existência de uma outra e “melhor UE”, ” um melhor e diferente acordo de associação da UE com a Ucrânia”. A UE, tal como qualquer outra união capitalista inter-estatal, é uma aliança predadora de carácter profundamente reacionário e não só não pode vir a tornar-se amiga do povo como age e continuará a agir contra os direitos dos trabalhadores e dos povos.
  • Assinalam que os acontecimentos na Ucrânia se articulam com a intervenção da UE e dos EUA, e resultam da forte competição entre estas potências e a Rússia pelo controlo dos mercados, das matérias-primas e das redes de transporte desse país. Todavia o povo ucraniano, tal como todos os outros povos da Europa, não tem interesse em alinhar nem com este nem com aquele bloco imperialista, nem com esta nem com aquela aliança predadora.
  • Os interesses da classe operária e das camadas populares da Ucrânia residem em resistirem a envolver-se em lógicas de divisão nacionalista, sobre a base de particularismos étnicos, linguísticos e religiosos, e em dar prioridade aos seus interesses de classe comuns, em definir o seu percurso de luta de classe pelos seus direitos e pelo socialismo. O socialismo continua a ser mais oportuno e mais necessário do que nunca. É esta a perspectiva a partir da qual deve ser confrontada qualquer união capitalista inter-estatal, para abrir o caminho a uma economia e uma sociedade que se organize não sobre a base do lucro mas sobre as necessidades dos trabalhadores.


26/02/2014

Partido Comunista da Albânia
Tribuna Democrática Progressista, Bahrain
Partido dos Trabalhadores do Bangladesh
Partido Comunista do Canada
Partido Comunista in Dinamarca
Partido Comunista Alemão
Partido Comunista Unificado da Geórgia
Partido Comunista da Grécia
Partido Comunista Jordano
Partido Comunista do México
Partido Comunista da Noruega
Partido Comunista da Polônia
Partido Comunista da Federação Russa
Partido Comunista Operário da Rússia
Partido Comunista da União Soviética
Novo Partido Comunista da Jugoslávia
Partido Comunista da Suécia
Partido Comunista da Turquia
União dei Comunistas da Ucrânia
Partido Comunista Brasileiro

Partidos que não integram a lista Solidnet
Partido do Trabalho da Áustria
Polo da Renascença Comunista em França

quarta-feira, 5 de março de 2014

A JUVENTUDE PALESTINA E A VIOLÊNCIA COTIDIANA DOS SOLDADOS SIONISTAS, EM SEU FRAGMENTADO TERRITÓRIO





Vídeo mostra quando os soldados sionistas cercam um jovem palestino  ferido e caído no chão. 

O rapaz, Yassin al-Karaki de 13 anos, tinha sido atingido por uma bala de metal revestida de borracha (isso porque os israelitas têm o coração de manteiga): afirma que a molotov recolhida pelos soldados não é deles, mas os soldados insistem e Yassin é preso.

Esse é mais um entre tantos episódio de violência contra a juventude palestina em seu próprio território, na cidade de al-Eizariya (Jerusalem Leste). 


terça-feira, 4 de março de 2014

EUA versus União Europeia na disputa pela Ucrânia

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
4/3/2014, [*] Moon of Alabama


A Ucrânia é o meio do caminho do gás entre a Rússia e a União Europeia
Ontem, pus em dúvida a confiabilidade de um “vazamento” feito pelo governo Obama para o New York Times. Escrevi que:

“Enquanto Merkel e outros políticos da União Europeia parecem querer acalmar a situação, a Casa Branca está sob pressão política doméstica para fazer mais de “alguma coisa”. Por isso, provavelmente, o New York Times publicou hoje, como se fosse um “vazamento”:

A chanceler Angela Merkel da Alemanha disse por telefone ao presidente Obama no domingo que, depois de falar com Putin, já duvida que ele mantenha contato com a realidade – informaram fontes que receberam briefing do telefonema. “Parece estar noutro planeta” – disse a chanceler alemã.

Angela Merkel
Nada disso faz sentido. Não soa como comentário de Merkel e, pior, soa absolutamente estranho, como comentário dela. Duvido que ela tenha dito o que “fontes que receberam briefing do telefonema” disseram ao NYT que ela teria dito. Parece mais uma tentativa para desacreditar Merkel [aos olhos dos russos] e dificultar ainda mais, para ela, encontrar alguma solução em acordo com os russos e fora do controle dos EUA.”

Imediatamente, o governo alemão, através do conservador Die Welt, que apoia Merkel, desautorizou o NYT, negando a veracidade da citação publicada. Die Welt escreveu [traduzido al./ing./port]:

“A chanceler não está contente com o relato publicado no New York Times. Em nenhum momento e de nenhum modo Merkel disse ou teve intenção de dizer que Putin estaria agindo de forma irracional. Na verdade, ela disse a Obama que Putin tem perspectiva diferente [da de Obama] sobre a Crimeia”.

Não, não, não sou apoiador nem defensor de Merkel. Mas, sim, há disputa, tanto entre EUA e União Europeia, como entre “leste” e “oeste”, pela Ucrânia.

Sim, a União Europeia ferrou a própria estratégia para a Ucrânia, ao dar um ultimato a Yanukovich para que assinasse o acordo de associação à EU e, quando o ultimato foi rejeitado, a União Europeia agiu para instigar os tumultos em Kiev.

Mas o que os EUA estão fazendo é pior.

Os EUA obraram para sabotar o acerto de 21/2, que três ministros da União Europeia conseguiram negociar entre Yanukovich e sua oposição, e, na sequência, ordenaram um assalto de milícias fascistas armadas (assista vídeo no fim do parágrafo) contra o Parlamento ucraniano, para impor ali, ilegalmente “eleito”um novo “presidente” da Ucrânia. Agora, há seis membros do partido fascista, de seguidores de Bandera, o Partido Svoboda, no governo ilegítimo da Ucrânia.

http://www.youtube.com/watch?v=BV5Wm3qXfy4


Mas os europeus têm interesses muito diferentes.

Todos os comentários favoráveis a Merkel, que aparecem publicados na sequência da matéria sobre ela em Die Welt apoiam a posição dos russos nesse conflito e rejeitam o governo dos fascistas na Ucrânia. E esse é jornal quase sempre conservador e muito pró-EUA. O público alemão, apesar da campanha de propaganda anti-Rússia, e como já se lê publicado no mais prestigioso veículo da imprensa-empresa alemã, absolutamente não está do lado dos EUA e de seus intervencionistas da OTAN.

Há uma longa “tradição” de usar grupos fascistas nacionalistas contra a Rússia. A Rússia perdeu mais de 20 milhões de vidas na luta contra o fascismo e, para os russos, ver fascistas no governo de Kiev é ataque inadmissivelmente violento contra sua própria identidade nacional. Os russos conhecem a própria história e com certeza sabem quem está por trás daqueles fascistas de Kiev. ISSO, provavelmente, foi o que Merkel disse a Obama, quando falou da perspectiva de Putin.

O ucraniano Stepan Bandera (centro da foto) foi Comandante do Exército nazista e
responsável pela morte de inúmeros russos e ucranianos que lutaram contra o nazismo
O partido Svoboda e o Setor Direita (Pravy Sektor) na Ucrânia veem-se como continuação da tradição de Stepan Bandera, galego, ultra-nacionalista, terrorista brutal, fascista e, depois, agente que trabalhou para vários serviços secretos “ocidentais”. Livro muito revelador, arquivado nos Arquivos Nacionais dos EUA sobre “Sombras de Hitler – criminosos de guerra nazistas, inteligência dos EUA e a Guerra Fria” [orig. Hitler’s Shadows - Nazi War Criminals, U.S. Intelligence and the Cold War (pdf)] inclui um capítulo exclusivamente dedicado a “Colaboradores: inteligência aliada e a OUN, Organização dos Nacionalistas Ucranianos”. Copio aqui alguns excertos:

Reinhard Gehlen
As operações britânicas através de Bandera expandiram-se. Um resumo do MI6, do início de 1954, registrava que “o aspecto operacional dessa colaboração [entre os britânicos e Bandera] desenvolvia-se  satisfatoriamente. Gradualmente se obteve completo controle sobre operações de infiltração e, apesar de o dividendo da inteligência ser baixo, foi considerado suficiente para que valesse a pena prosseguir (...)”
...

Bandera era, segundo os que tinham contato com ele, “profissional da clandestinidade, com antecedentes de terrorista e noções implacáveis sobre as regras do jogo (...). Uma espécie de bandido, se preferirem, de patriotismo ardente e incendiário, o qual oferecia contexto ético e justificativa para seu banditismo. Nem melhor nem pior que outros desse gênero.
...

Em abril de 1959, Bandera outra vez pediu apoio da inteligência da Alemanha Ocidental e, dessa vez, Gehlen estava interessado. A CIA observou que “É visível que Bandera está procurando apoio para operações ilegais dentro da Ucrânia”. Os alemães ocidentais concordaram com apoiar pelo menos uma missão daquele tipo, baseados no “fato de que Bandera e seu grupo já não eram os degoladores que haviam sido” e porque Bandera “ofereceu provas de que seus contatos com agentes internos.” Uma equipe treinada e paga pelos alemães ocidentais cruzara, saídos da Tchecoslováquia, no final de julho; e os alemães prometeram apoio a Bandera para futuras operações, se aquela primeira fosse pelo menos “moderadamente satisfatória”.
...

Mykola Lebed
Em junho de 1985, o General Accounting Officemencionou o nome de Lebed em relatório público sobre nazistas e colaboradores que se instalaram nos EUA com a ajuda de agências de inteligência dos EUA. O Gabinete de Investigações Especiais [orig. Office of Special Investigations (OSI)] do Departamento de Justiça começou, naquele ano, a investigar Lebed. A CIA temia que investigações públicas sobre Lebed pudessem comprometer a operação QRPLUMB e que o fracasso na proteção de Lebed desencadearia a ira da comunidade de emigrados ucranianos. Então, a CIA, para encobrir Lebed, negou qualquer conexão entre ele e os nazistas e o apresentou como combatente da liberdade da Ucrânia. A verdade, é claro, era mais complicada. Ainda no final de 1991, a CIA tentou dissuadir o OSI de aproximar-se dos governos alemão, polonês e soviético, em busca de relatórios de guerra ou relacionados à guerra, que tivessem a ver com a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN). O OSI acabou por abandonar o caso, incapaz de encontrar documentos definitivos sobre Lebed.

Mykola Lebed, comandante de Bandera na Ucrânia durante a guerra morreu em 1998. Está enterrado em New Jersey, e seus papéis estão arquivados no Instituto Ucraniano de Pesquisa, na Universidade de Harvard.”

Há pouca dúvida de que os serviços secretos dos EUA e alguns políticos neoconservadores norte-americanos estão ainda mexendo as cordas demovimentos fascistas na Ucrânia. Quem, senão eles, teriam treinado aqueles fascistas, em países vizinhos (como diz Putin)? Agora, a russofobia desses mesmos personagens está ameaçando a paz na Europa.



segunda-feira, 3 de março de 2014

FASCISTAS UCRANIANOS INVADEM A SEDE DO PARTIDO COMUNISTA, QUEIMAM TUDO QUE ENCONTRAM E EXULTAM AO QUEBRAR BUSTO DE LENIN JOGADO PELA JANELA





(No entanto, direções de organizações que se dizem de esquerda chamam de "revolta popular" um levante fascista!)


A doença da Ucrânia... e a cura europeia


por Eric Draitser
Cartoon de Latuff.A situação na Ucrânia evolui hora a hora. Ultra-nacionalistas de direita e seus colaboradores "liberais" tomaram o controle do Rada (parlamento ucraniano) e depuseram o democraticamente eleito, embora absolutamente corrupto e incompetente, presidente Yanukovich.

A antiga primeiro-ministro, e criminosa condenada, Yulia Tymoshenko foi libertada e agora está a fazer causa comum com o Sector Direita, o Svoboda e outros elementos fascistas, ao passo que líderes nominais da oposição tais como Arseny Yatsenyuk e Vitali Klitschko começam a desvanecer-se.

Em Moscovo, o presidente russo Vladimir Putin certamente observa com ansiedade. Em Washington, Victoria Nuland e a administração Obama rejubilam. Contudo, talvez o desenvolvimento mais crítico de tudo isto esteja prestes a emergir na Europa, quando as forças do capital financeiro ocidentais se preparam para saudar a Ucrânia no seu seio. Eles darão à luz as habituais prendas neoliberais: austeridade e "liberalização econômica".

Com o derrube do governo Yanukovich, os US$15 mil milhões da prometida assistência financeira russa à Ucrânia ficam em dúvida. Segundo a agência de classificação Moody's, "só em 2014 a Ucrânia exigirá US$24 mil milhões para cobrir um défice orçamental, reembolsos de dívida, contas de gás natural e pensões apenas". Sem a contínua compra de títulos por Moscovo e outras formas de ajuda financeira, em com forças pró UE tomando o controle do país e da política externa, não é difícil prever o resultado: um pacote de resgate da Europa com todas as habituais condições de austeridade impostas.

Em troca de "ajuda" europeia, a Ucrânia será forçada a aceitar a redução de salários, cortes significativos no sector público e serviços sociais, além de aumentos em impostos sobre a classe trabalhadora e cortes de pensões. Além disso, o país será obrigado a concordar com um programa de liberalização que permitirá à Europa inundar de mercadorias o mercado ucraniano, com a desregulamentação e nova abertura do sector financeiro do país à especulação predatória e à privatização.

Não é preciso ser adivinho para prever estes desenvolvimentos. Basta simplesmente olhar para a onda de austeridade em países europeus como a Grécia e Chipre. Além disso, países do Leste Europeu com condições econômicas e históricas semelhantes à Ucrânia – Letônia e Eslovênia, especificamente – proporcionar um roteiro daquilo que a Ucrânia deveria esperar.

O modelo do "êxito" 

Quando a liderança pró UE da Ucrânia sob Tymoshenko & Co. (e a direita fascista) começar a olhar o futuro, ela imediatamente olhará para a Europa a fim de tratar as preocupações econômicas mais prementes. O povo ucraniano contudo faria bem em examinar o antecedente da Letônia para entender o que lhe está reservado. Como escreveram em 2012 o renomados economistas Michael Hudson e Jeffrey Sommers:

O que permitiu à Lituânia sobreviver à crise foram salvamentos da UE e do FMI... Elites aparte, muitos emigraram... Demógrafos estimam que 200 mil abandonaram o país na década passada – aproximadamente 10 por cento da população... A Lituânia experimentou os efeitos plenos da austeridade e do neoliberalismo. As taxas de natalidade caíram durante a crise – como é o caso em quase toda a parte onde são impostos programas de austeridade. Ela continua a ter as mais altas taxas da Europa de suicídio e mortes na estrada provocadas pela condução em estado da ebriedade. O crime violento é elevado devido, confirmadamente, ao desemprego prolongado e a cortes no orçamento da polícia. Além disso, uma crescente drenagem de cérebros anda a par com a emigração dos colarinhos azuis.

O mito da prosperidade que se segue à integração e salvamentos da UE é apenas isso, um mito. A realidade é dor e sofrimento numa escala muito maior do que a pobreza e o desemprego que a Ucrânia, especialmente na parte ocidental do país, já experimentou. O mais bem educados, aqueles mais aptos a assumir a liderança, fugirão em massa. Os líderes que permanecem no país encherão os seus bolsos e insinuar-se-ão junto a financeiros europeus e americanos que afluirão à Ucrânia como abutres para a carniça. Em suma, a corrupção e má administração do governo Yanukovich parecerão uma memória agradável.

A "liberalização" que a Europa exige criará lucros maciços para especuladores, mas muito poucos empregos para o povo trabalhador. A melhor terra será vendida a corporações estrangeiras e especuladores de terra, enquanto os recursos, incluindo o altamente conceituado sector agrícola, serão despojados e vendidos no mercado mundial, deixando agricultores e habitantes das cidades irmanados na pobreza abjeta, com os seus filhos a irem para a cama com fome. Isto será o "êxito" da Ucrânia. É de estremecer pensar com o que se pareceria o fracasso.

Na Eslovênia, outro país da Europa do Leste que experimentou o "êxito" aspirado pela Europa, a ditadura econômica de Bruxelas devastou o povo trabalhador do país e suas instituições. A Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) emitiu o seu relatório de 2012 no qual recomendou que, como primeiro passo, a Eslovênia atue para "ajudar o sector bancário a se por de pé outra vez", acrescentando que, "medidas adicionais e radicais são necessárias tão logo quanto possível".

Além disso, a OCDE recomendou a privatização completa de bancos e outros grandes firmas da Eslovênia, apesar de prever uma contração superior a 2% da sua economia. Em termos simples, a Europa recomenda que a Eslovênia se sacrifique e sacrifique o seu povo para as forças do capital financeiro internacional, nada menos. Tal é o custo da "integração" europeia.

A Ucrânia está a ser submetida a uma transformação da pior espécie. Suas instituições políticas foram atropeladas por uma variegada coleção de liberais ilusórios, políticos ardilosos em fatos de bom corte e extremistas nazis. O tecido social está a dilacerar pelas costuras, com cada região à procura de uma solução local para os problemas do que costumava ser a sua nação. E, em meio a isto tudo, o espectro de financeiros em busca de lucro com sinais de dólar nos olhos é tudo o que o povo ucraniano pode esperar. 
25/Fevereiro/2014

O original encontra-se em stopimperialism.org/articles/ukraines-sickness-europes-cure/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ATENÇÃO: QUEM ESTÁ AGINDO NA UCRÂNIA É O FASCISMO, NÃO É UMA REVOLUÇÃO

União Europeia e EUA cúmplices do fascismo ucraniano

por Miguel Urbano Rodrigues


Na Ucrânia está a acontecer o que era inimaginável há poucos anos. 

O fascismo age como poder real num país que vive uma situação de caos político e social. 

Alguns dos principais dirigentes discursam ainda encapuçados, mas nas camisas exibem uma suástica estilizada como símbolo das suas opções ideológicas. 

Bandos dessa escória humana assaltam e destroem sedes do partido comunista, exigem a expulsão de russos e judeus, a execução sumaria de adversários políticos, invadem a Rada (Parlamento) e retiram dali e humilham deputados que os criticam. 

Esses bandos atuam com disciplina militar, exibindo armamento moderno fornecido por organizações dos países centrais da União Europeia e, segundo alguns observadores, pela CIA. 

O apoio oficioso do Ocidente dito democrático ao fascismo é transparente. 

Dirigentes da Alemanha, da França, do Reino Unido não escondem a sua satisfação. A baronesa britânica Catherine Ashton, responsável pelas relações internacionais da UE, correu a Kiev para oferecer apoio à "nova ordem" ucraniana. 

Van Rompuy, o presidente da União, também expressou a sua alegria pelo novo rumo da Ucrânia. Fala-se já de uma ajuda econômica de 35 mil milhões de dólares da UE, dos EUA e do FMI logo que seja instalado em Kiev um "governo democrático". 

Cartaz nazi na Ucrania.Estranha concessão da democracia perfilham os senhores de Bruxelas e Washington. 

Viktor Yanukevitch deixou uma herança pesadíssima. Totalmente negativa. Governou como um déspota e será recordado como político corrupto, que acumulou uma grande fortuna em negócios ilícitos. 

Mas serão democratas os parlamentares que controlam hoje a Rada e recebem a bênção da União Europeia? Com poucas exceções, os membros dos partidos que se apresentam agora como paladinos da democracia e defensores da adesão da Ucrânia à União Europeia mantiveram íntimas relações com a oligarquia que, sob a presidência de Yanukovitch e no governo de Júlia Timoshenka, roubaram o povo e arruinaram o pais, conduzindo-o à beira da bancarrota. 

Essa gente carece de legitimidade para se apresentar como interlocutora dos governos europeus que, com hipocrisia, lhe dirigem felicitações. 

A situação existente é alias tão caótica que não está claro quem exerce o poder, partilhado pela Rada e pelas organizações fascistas, que poem e dispõem em Kiev e em dezenas de cidades, praticando crimes repugnantes perante a passividade da policia e do exército. 
A HIPOCRISIA DO OCIDENTE 

A hipocrisia dos dirigentes da União Europeia e dos EUA não surpreende. 

O discurso sobre a democracia é farisaico de Washington a Londres e Paris. 

Invocando sempre valores e princípios democráticos, esses dirigentes são responsáveis por agressões a povos indefesos, e, quando isso lhes interessa, por alianças com organizações islamitas fanáticas, armando-as e financiando-as. 

Isso ocorreu no Iraque, na Líbia, em monarquias feudais do Golfo. 

Na América Latina, Washington mantem as melhores relações com algumas ditaduras, promove golpes de Estado para instalar governos fantoches. Entretanto, monta conspirações contra governos democráticos que não se submetem; sempre em nome da democracia de que se dizem guardiões. 

Os governos progressistas – Venezuela Bolívia, Equador – são hostilizados como inimigos da democracia, e governos de matizes fascizantes – Colômbia, Honduras – tratados como aliados preferenciais e definidos como democráticos. 

LIÇÕES DA HISTÓRIA 

Paramilitares do 'Sector Direita'




A ascensão do fascismo na Europa não é um fenômeno novo. 

No Tribunal de Nuremberg que julgou os criminosos mais destacados do III Reich afirmou-se repetidamente que o fascismo seria erradicado do mundo. 

Essa foi uma esperança romântica. Antes mesmo de serem anunciadas as sentenças, já a Administração Truman estava a organizar a ida clandestina para os EUA de conhecidas personalidades nazis, algumas contratadas por universidades tradicionais. 

Simultaneamente, os governos do Reino Unido e dos EUA mantiveram excelentes relações com os fascismos ibéricos. Salazar e Franco foram encarados como aliados. 

Quando a Iugoslávia se desagregou, a Servia, qualificada de comunista, foi tratada como estado inimigo, mas Washington, Londres e a Alemanha Federal estabeleceram relações de grande cordialidade com a Croácia cujo governo estava infestado de ex-nazis. 

Apos o desaparecimento da União Soviética, quando a Rússia se transformou num pais capitalista, o fascismo começou a levantar cabeça na Europa Ocidental. 

Em França, Le Pen chegou a disputar a Presidência da Republica a Chirac numa segunda volta. Na Alemanha, o partido neonazi afirma publicamente o seu saudosismo do Reich hitleriano. Na Áustria, na Holanda, na Itália, nas repúblicas bálticas, partidos de extrema-direita conquistam sectores importantes do eleitorado. No primeiro desses países o líder neonazi participou num governo de coligação. 

Em Espanha a extrema-direita exibe uma agressividade crescente. Até na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, grupos neonazis voltam às ruas com arrogância. 

Em Portugal, o fascismo, sem ambiente, está infiltrado nos partidos de direita que desgovernam o país. 


REAVIVANDO A MEMÓRIA 

Remoção de estátua aos soldados soviéticos que libertaram a Ucrânia.A tragedia ucraniana – cumpro um dever recordando essa evidência – não teria sido possível sem a cumplicidade da União Europeia e dos EUA. 

Na sua estratégia de cerco à Rússia (incomoda pelo seu poderio nuclear), os governos imperialistas do Ocidente e os seus serviços de inteligência incentivaram as forças extremistas que semearam o caos na Ucrânia ocidental, abrindo a porta à onda de barbárie em curso. 

Foram as autodenominadas democracias ocidentais quem financiou e armou os bandos fascistas que sonham com progroms de comunistas e exigem arrogantemente a adesão da Ucrânia à União Europeia. 

Não surgiu magicamente, de um dia para outro, essa escumalha. 

O fascismo tem raízes antigas na Ucrânia, sobretudo nas províncias da Galícia, de maioria católica uniata, que pertenceram ao Império Austro-Húngaro e, apos a I Guerra Mundial, foram anexadas pela Polônia. 

Cabe lembrar que 100 mil ucranianos lutaram contra a União Soviética integrados na Wehrmacht e nas SS nazis. 

Esses colaboracionistas foram, felizmente, ínfima minoria. A esmagadora maioria do povo resistiu naquela república soviética com bravura e heroísmo à barbárie alemã responsável durante a ocupação pela morte de quatro milhões de ucranianos. 

Mas não é por acaso que traidores como Stefan Bandera, aliado das hordas invasoras, tenham sido proclamados heróis nacionais pelos extremistas de direita de Kiev. 

Hoje, o júbilo dos governantes da União Europeia pelos acontecimentos da Ucrânia traz à memória a irresponsabilidade de Chamberlain e Daladier quando festejaram o Acordo de Munique, prólogo do holocausto da II Guerra Mundial. 

Longe de mim a ideia de estabelecer um paralelo entre épocas e situações tão diferentes. 

O horizonte próximo da Ucrânia apresenta-se carregado de incógnitas. 

Mas relembrar Munique é tomar consciência de que o fascismo não foi erradicado da Terra, pátria do homem. É urgente dar-lhe combate sem quartel a nível mundial. 

Vila Nova de Gaia, 25/Fevereiro/2014

O original encontra-se em www.odiario.info/?p=3196 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Mensagem do Primeiro Secretário do Partido Comunista da Ucrânia


Caros camaradas comunistas !



23 de Fevereiro de 2014

Dirijo-me a vós num dos momentos mais dramáticos da história do nosso país. Durante os trágicos acontecimentos dos últimos três meses foi derramado sangue, morreram pessoas. Foi ameaçada a integridade territorial da Ucrânia e a sua própria existência como Estado unificado, independente, soberano.
Estes acontecimentos não têm um carácter unívoco. A participação neles de grandes massas de pessoas reflecte o profundo descontentamento na sociedade com o regime político de Yanukovitch e do seu círculo, que governou o país de forma inepta, enganando as pessoas, abandonando as suas promessas de campanha, e em momentos difíceis abandonando covardemente o seu posto. O clã que se formou em torno de Yanukovith, que recebeu a designação de «Família» e que se enriqueceu de forma desavergonhada, afastou de si a maioria dos seus adeptos e eleitores.

Mas os protestos de massas não adquiriram o caráter de um confronto de classes. Ocorreu uma batalha feroz entre duas facções da mesma classe dos exploradores — a burguesia oligárquica —, das quais a mais organizada e preparada se revelou o agrupamento que juntou as forças pró-ocidentais, nacionalistas e radicais de direita. Estas forças utilizaram habilmente o descontentamento das pessoas e com o seu apoio realizaram um golpe de Estado.

Ao mesmo tempo, o Ocidente, ingerindo-se de forma aberta e sem cerimónia nos assuntos internos do nosso país, apoiou as ações das forças radicais de direita, na medida em que elas visam uma séria mudança na situação geopolítica na Europa e no mundo, a destruição dos seculares laços econômicos, culturais e espirituais entre os povos ucraniano e russo, e os outros povos irmãos da antiga União Soviética, e entregam a Ucrânia ao protectorado dos EUA, da UE, da OTAN, do Fundo Monetário Internacional e de diferentes empresas transnacionais.

As ações dos radicais de direita, liderados por forças abertamente neonazistas alimentadas pelo regime de Yanukovitch — herdeiros ideológicos dos ocupantes hitlerianos —, são acompanhadas por uma nova e extremamente perigosa vaga de histeria anticomunista, pela destruição em toda a parte dos monumentos a Lenine e aos heróis da Grande Guerra Patriótica, por ataques bandidescos às instalações do nosso Partido em Kíev e outras cidades do país , pelo terror moral e físico contra os comunistas, pela exigência da proibição da atividade do Partido Comunista da Ucrânia.

Tudo isso testemunha que estas forças que tomaram o poder podem recorrer a quaisquer ações ilegais, não se detendo perante a repressão não só dos funcionários do partido mas também dos comunistas de base.

É preciso estar pronto para isso.

Nas circunstâncias que se criaram, a nossa tarefa mais importante é manter a estrutura e os quadros do partido, estar vigilantes, não sucumbir às provocações.

É importante aproveitar todas as oportunidades para esclarecer os trabalhadores sobre a natureza do golpe ocorrido e o perigo das suas consequências para os cidadãos comuns — uma acentuada deterioração da economia, o aumento do desemprego e dos atrasos no pagamento dos salários e pensões, o aumento dos preços e tarifas, uma criminalidade desenfreada, um ainda maior empobrecimento do povo.

A direcção do Partido e o nosso grupo parlamentar na Rada Suprema da Ucrânia farão todo o possível nestas dificílimas condições para defender os interesses dos trabalhadores, salvaguardar o Partido, preservar a integridade da Ucrânia.

Caros Camaradas!
Perante o Partido, perante cada um de nós, erguem-se novas e duras provações. Reforcemos as nossas fileiras, multipliquemos os esforços na luta pela nossa justa causa — o socialismo!

Piotr Simonenko,
Primeiro-Secretário do Comitê Central do Partido Comunista da Ucrânia, presidente do grupo parlamentar comunista na Rada Suprema da Ucrânia