![]()
Israel foi aceito como um Estado observador na Aliança do Pacífico, um bloco comercial formado por quatro países da América Latina, Chile, Peru, México e Colômbia.
Esta decisão, aprovada nesta segunda-feira durante uma reunião de cúpula da Pacific Alliance, em Cartagena, selou a participação de Israel, que se une agora aos EUA e Canadá como membro observador desse organismo.
A incorporação de Israel é produto das negociações entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e os líderes de cada Estado membro, como parte da Campanha de "desenvolvimento de novos mercados para a economia israelense", disse um comunicado do gabinete do primeiro-ministro."Este é mais um passo no que diz respeito a garantir o crescimento da economia israelense. Estamos diversificando os mercados internacionais de Israel ", disse Netanyahu.
Netanyahu visitará Colombia y México
O primeiro-ministro israelense viajará para a Colômbia e para o México "nos próximos meses", em uma tentativa de promover a cooperação com os países membros da Aliança do Pacífico, disse seu escritório sem dar datas. A Aliança do Pacífico tem um PIB de US $ 2 bilhões de dólares, o equivalente a 36% de toda a América Latina, acrescentou o comunicado.Israel exporta mercadorias no valor de 864.000 mil dólares para países da Aliança do Pacífico.
No mês passado, Netanyahu se reuniu com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, em Davos para discutir a entrada de Israel como um observador na organização. Mais recentemente, o primeiro-ministro israelense se reuniu com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e com o chileno, Sebastián Piñeira, e ambos também confirmaram seu apoio à adesão de Israel ao bloco.
O presidente do Peru, Ollanta Humala, irá a Israel para uma visita de Estado de três dias.
A Aliança do Pacífico é uma estrutura promovida pelos EUA para combater e ser alternativa aos blocos da América Latina, como a ALBA, UNASUR e CELAC.
http://www.almanar.com.lb/spanish/adetails.php?fromval=1&cid=29&frid=29&eid=53491 |
Comitê de solidariedade a luta do povo palestino - RJ, Comitê catarinense de solidariedade ao povo palestino
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
ISRAEL JÁ ESTÁ NO MERCOSUL, AGORA SE INTEGRARÁ COMO MEMBRO OBSERVADOR A ALIANÇA DO PACÍFICO
Venezuela, 2014: “EUA apoiaram os opositores violentos”
[*] Eva Golinger (entrevista à Juan Manuel Karg, Tiempo Argentino)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Filha de família venezuelana, Eva Golinger [*] nasceu em New York em 1973. Premiada várias vezes por suas pesquisas acadêmicas, estuda atualmente a ingerência dos EUA na Venezuela e em outros países da América Latina. É conhecida por seus livros, dentre outros El código Chávez y La agresión permanente, [1] no qual decifra a vinculação das agências norte-americanasUSAID e NED com várias tentativas de desestabilizar a Venezuela. Tiempo Argentino (TA) entrevistou-a, com exclusividade, para ouvir sua opinião sobre os eventos recentes na Venezuela, as semelhanças com a tentativa de golpe de estado de 2002, diferenças na oposição, solidariedade continental com o governo de Maduro e a ligação entre esses fatos e o momento econômico pelo qual a Venezuela está passando.
TA – Depois da violência durante uma manifestação da oposição, o oficialismo rapidamente denunciou que Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao e que, em 2002, assinou o Decreto Carmona, estava por trás daquilo. O Decreto Carmona suprimiu as garantias constitucionais e “formalizou” o golpe de Estado. Qual sua opinião sobre tudo isso? A senhora vê alguma relação entre o golpe de 2002 e o que houve 4ª-feira passada (12/2/2014)?
| Leopoldo López |
Eva Golinger – Há semelhança muito contundente entre o que se passa hoje na Venezuela e o golpe de Estado em abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez. Por exemplo, durante o golpe de 2002, os veículos da imprensa-empresa privada tiveram papel protagonista, distorcendo os fatos e “desnoticiando” o que se passava no país, tanto nacional como internacionalmente, para justificar qualquer tipo de ação contra o governo. Usaram franco-atiradores para matar chavistas e opositores nas ruas durante as manifestações, e tudo passou a ser manipulado para responsabilizar o governo pelo massacre.
O governo dos EUA condenou imediatamente o governo de Chávez, condenação que se baseou nas mentiras publicadas, e também imediatamente reconhecer o governo dos golpistas, que só permaneceu dois dias no poder, de 11 a 13 de abril. De fato, Washington havia apoiado o golpe desde o início, inclusive com dinheiro para os grupos envolvidos, e ajuda de equipamentos militares e de estrategistas políticos e de comunicações.
Agora, se vê algo parecido com os veículos da imprensa-empresa privada na Venezuela, e também os meios internacionais, que mentem sem parar sobre a violência, culpando o governo de Nicolás Maduro por tudo que acontece, quando, na realidade, são os manifestantes da oposição que estão provocando toda a violência. Nas manifestações de 12/2/2014 houve três mortos, opositores e chavistas. As autoridades venezuelanas já informaram que dois desses jovens – um chavista e um opositor – foram mortos por tiros que partiram da mesma arma. É claro que isso sugere a presença de um franco-atirador ou de um agente infiltrado para matar gente dos dois lados e, assim, provocar mais violência de um lado contra o outro.
![]() |
| Nicolás Maduro caminha com o povo venezuelano |
Já se sabe também que os veículos internacionais estão divulgando imagens de protestos e atos de repressão em outros países (Grécia, Cingapura, Chile, Egito, Argentina – em 2001) e noticiando que seriam imagens da Venezuela, para divulgar uma falsa imagem do governo venezuelano como repressor.
Mas o governo dos EUA apoiou os opositores violentos desde o início – com dinheiro e apoio político. O Departamento de Estado já fez declarações “condenando” o governo de Maduro por uma suposta repressão contra os manifestantes e exortando que “respeite os seus direitos humanos”.
Nada poderia ser mais hipócrita, porque nos EUA o estado jamais permitiu manifestações tão violentas como as que a oposição está fazendo na Venezuela, bloqueando estradas, destruindo edifícios públicos, queimando lixo e pneus nas ruas, lançando coquetéis molotov.
Os envolvidos nas atuais manifestações e em abril de 2002 também são os mesmos. Gente como Leopoldo López, radical de extrema direita, que sempre esteve por trás de atos de violência contra o governo Chávez, agora contra o governo de Maduro. Em abril de 2002, López era prefeito de Chacao, em Caracas. Hoje, ele e outra dirigente da extrema direita, María Corina Machado – que também estava ativa no golpe de 2002 e assinou o decreto do ditador Pedro Carmona, que dissolveu todas as instituições do país – são os responsáveis pela “nova” violência. Passaram meses convocando seus seguidores para tomarem as ruas e derrotar o presidente Maduro. Disseram, até, publicamente, que a saída para o governo não é “eleitoral”.
A grande diferença entre 2002 e hoje são os personagens das ações: hoje são grupos de jovens e estudantes; e em 2002 eram os próprios políticos que antes haviam estado no poder. Sim, os jovens opositores vem, principalmente, da classe média e da classe alta. Não estão na rua para lutar por direitos populares. O que querem é tomar o poder do povo para “devolvê-lo” às grandes empresas e às elites ricas. E muitos deles fizeram parte de ONGs que recebem centenas de milhares de dólares das agências de Washington ao longo dos últimos sete anos, com o objetivo de treiná-los e formá-los nas táticas e estratégias de desestabilização, para derrotar o governo e pôr aqui um governo que favoreça os interesses dos EUA.
TA – Depois dos eventos da 4ª-feira (12/2/2014), vê-se que a oposição conservadora parece seguir duas linhas diferentes. Uma, pode-se dizer, “mais dialoguista”, com Capriles e Falcón, que denunciam o governo, mas têm medo de voltar às ruas; e outra, ainda mais de direita, encabeçada por López e Machado, que quer continuar com os protestos e a confrontação. A que se deve essa mudança na tática de alguns setores da oposição, depois da derrota de dezembro passado? Terão escolhido “outra via” para tentar derrotar Maduro?
Eva Golinger – Sempre houve divisões entre os setores da oposição. Eles não são partido unido, nem partilham a mesma ideologia, como é o caso dos chavistas e do chavismo. Há mais de 20 partidos diferentes na oposição, além das ONGs e outros grupos, cada um com agenda própria. A única ideia comum a todos é o desejo de derrubar o chavismo, agora o governo de Nicolás Maduro. Mas daí a apresentar qualquer alternativa de governo ou modo de governar, que reúna todos esses grupos, não, não há, e jamais houve, em 15 anos.
![]() |
| Henrique Capriles |
Então vivem a operar táticas diferentes, novos “alinhamentos” para a “luta” política deles. Faz alguns meses, Capriles levou seus seguidores à mais extrema violência, quando foi derrotado nas eleições presidenciais, e Maduro foi eleito, em abril de 2013. Mas quando a ação dele resultou na morte de 11 pessoas e teve alto custo político para ele, Capriles baixou o tom. Outros, como Antonio Ledezma, atual prefeito metropolitano da Grande Caracas, que também já tentou convocar golpes, agora está interessado em não perder o poder que tem hoje, para talvez concorrer à presidência, daqui a alguns anos. Quer dizer: cada um tem sua própria agenda.
López e Machado estão mais desesperados: os dois querem ser presidentes “já”; mas a verdade é que têm poder político muito limitado.
TA – A Chancelaria da Venezuela recebeu inúmeras manifestações de solidariedade com a Revolução Bolivariana, ante os eventos desses dias. Argentina, Brasil, Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba manifestaram seu apoio ao governo de Maduro, contra as tentativas de “desestabilizá-lo”. A senhora acredita que o momento político da América Latina e Caribe, com maioria de governos pós-liberais, torna menos provável um golpe de estado na Venezuela?
Eva Golinger – Acredito que, certamente, a união, a força, a consciência da própria soberania que se vê hoje na América Latina, graças aos esforços e ao impulso que lhes deu o presidente Hugo Chávez, serve como principal anteparo e como proteção para os governos democráticos da região. As mostras de solidariedade e apoio, vindas de países da região, ao governo de Maduro comprovam essa força. E não é a primeira vez que a união e a solidariedade regional impedem um golpe de estado por aqui, contra governo progressista: já aconteceu na Bolívia em 2008 e no Equador em 2010. Agora, o apoio oferecido à Venezuela mostra que a região não aceitará outro golpe ou ruptura constitucional contra governo democrático, e isso é muito importante.
O MERCOSUL repudia a tentativa de golpe
Os Estados-membros do MERCOSUL emitiram comunicado conjunto sobre a situação na Venezuela, no qual
(...) repudiam todo tipo de violência e intolerância que visem a atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja a origem. Reiteram seu firme compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e repudiam as ações criminosas dos grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio como instrumento de luta política. Expressam o mais firme repúdio às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram sua firme posição na defesa e preservação da institucionalidade democrática. Conclamam a continuar a aprofundar o diálogo sobre os problemas nacionais, no marco da institucionalidade democrática e do estado de direito, como foi promovido pelo presidente Nicolás Maduro com todos os setores da sociedade.
[*] Eva Golinger é advogada, especialista em leis internacionais sobre direitos humanos e imigração. Desde 2003, investiga, analisa e escreve sobre a intervenção dos EUA na Venezuela, recorrendo ao Freedom of Information Act (FOIA) para obter informações sobre os esforços do governo norte-americano para minar os movimentos políticos progressistas da América Latina. Desde 2005, Golinger vive em Caracas, Venezuela. Em 2009, venceu o Prêmio Internacional de Jornalismo no México. “A noiva da Venezuela” como era chamada pelo presidente Hugo Chávez, é autora de vários títulos de sucesso: Bush vs. Chávez: Washington’s War on Venezuela (2007, Monthly Review Press),The Empire’s Web: Encyclopedia of Interventionism and Subversion, La Mirada del Imperio sobre el 4F: Los Documentos Desclasificados de Washington sobre la rebelión militar del 4 de febrero de 1992 e La Agresión Permanente: USAID, NED y CIA.
Mais e mais “promoção de democracia” na Líbia
O principal homem da CIA (e dos sauditas) na Líbia – o general Khalifa Haftar, anti-Gaddaffi – está encenando um golpe contra o governo fantoche, mas que (sabe-se lá como e por quê) foi eleito na Líbia:
![]() |
| Khalifa Haftar |
Um comandante militar líbio exigiu na 6ª-feira (7/2/2014) a suspensão dos trabalhos do Parlamento “de transição”, e a formação de uma comissão presidencial para governar o país até que se façam novas eleições.
...
“O comandante nacional do exército líbio está inaugurando um movimento para um novo mapa do caminho” – disse Haftar, na declaração na qual disse também que as forças armadas estão exigindo que o país seja “resgatado” de mais esse impasse.
Claro que ninguém em Washington, como já aconteceu no caso do Egito, chamará esse outro golpe, de golpe. Vemos aí, novamente em cena, mais um episódio patrocinado pelos EUA de “promoção de democracia”.
Não é coincidência que o golpe aconteça no momento em que as bandeiras verdes do movimento de Gaddafi estão voltando a ser hasteadas em inúmeras partes do território líbio.
![]() |
| Líbia, bandeiras verdes de Gaddafi voltando a ser hasteadas... (22/1/2014) |
O serviço de Haftar será, mais uma vez, ajudar e garantir apoio a forças ligadas à Al-Qaeda do leste da Líbia, para lutarem contra os gaddafistas que estão voltando à cena no sul e no oeste. Mas sem o apoio aéreo da OTAN – que, dessa vez, dificilmente surgirá dos céus – as forças de Haftar têm baixíssima probabilidade de sucesso.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
PALESTINA E O ORIENTE MÉDIO EM DEBATE COM A FPLP - FRENTE POPULAR PARA LIBERTAÇÃO DA PALESTINA
O Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do RJ apoia a iniciativa das organizações abaixo e convida todos militantes e simpatizantes da causa palestina e do povo árabe, contra o imperialismo e o sionismo, a participarem deste importante debate sobre a Palestina e a situação do Oriente Médio, ocasião que poderemos aproveitar a presença importante do dirigente da FPLP , em passagem pelo Brasil.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
NÃO VAI TER COPA !
Por Mauro Iasi.
O futebol é um esporte. Para quem pratica e para quem assiste costuma ser muito apaixonante e cumpre funções bem interessantes. Por exemplo, podemos sofrer, nos alegrar, chegar à exaltação, por motivos absolutamente irrelevantes: uma bola que passou perto, a polêmica marcação de uma penalidade, uma jogada de efeito ou mesmo uma absolutamente ridícula, uma cena magistral da mais pura arte que resulta em gol ou um caos de corpos e acidentes que culminam na bola rolando indolente ao cruzar a linha sob o olhar de milhares de pessoas.
O futebol, como tudo, foi capturado pela sociedade da mercadoria. Na sua forma mercadoria, seu valor de uso é subssumido pelo valor de troca. É só meio para realização de mais valor, para a valorização do capital. Desta maneira é espetáculo, não em seu conteúdo substantivo (nos elementos que o constituem como esporte ou na paixão que provoca), mas em sua própria forma.
O megaevento, a Copa da FIFA, é só a potencialização desta forma mercadoria levada ao máximo, com seus negócios, interesses, investimentos, mercados milionários, a indústria do turismo e outras que passam a ocupar a centralidade que antes o jogo ocupava. Soma-se a este fato a conjuntura em que ocorrem os jogos e sua utilização política como são famosos os exemplos das olimpíadas na Alemanha nazista e a Copa do Mundo na Argentina em 1978 na época da ditadura militar.
Por tudo isso a polêmica entre as “torcidas” que defendem que “Vai ter Copa” ou “Não vai ter Copa” não pode ser compreendida apenas pela dimensão do evento esportivo em si mesmo, nem tão pouco pelo simplismo da contraposição abstrata e insidiosa que procura contrapor “quem torce pelo Brasil” e aqueles que “torcem contra o Brasil”.
Em uma coluna de opinião publicada na Carta Maior um senhor chamado Antonio Lassance que se identifica como “doutor em ciência política e torcedor da seleção brasileira”, pretende dar argumentos para aqueles que querem defender a realização da Copa contra os que denomina de “profetas do pânico”.
Para o autor existe “uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo” que apesar de composta por poucos, tem conseguido “queimar o filme do evento”, arrastando muita gente que, mesmo sem ser virulenta e violenta, “acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil dar conta do recado”.
Em resumo, seus principais argumentos são que aqueles que atacam o evento servem-se da desinformação. Sendo assim, o autor procura oferecer as informações “corretas” aos seus leitores. Diz ele: “Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha dos gastos da Copa”. Nós poderíamos apresentá-lo à algumas pessoas muito bem informadas, como a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) ou indicar o site www.portalpopulardacopa.org.br , mas desconfio que ele não quer este tipo de informação. Prefere apenas dizer que é a maior parte dos recursos não são gastos em estádios (apenas 30% das verbas são destinadas a este fim), oferece alguns números como o custo total estimado em 26 bilhões, os investimentos públicos e privados em aeroportos, com segurança pública e outros). A esses argumentos agrega que os gastos com educação e saúde cresceram, independente da Copa e que o montante necessário não é prejudicado pelos investimentos no evento, da mesma forma que, segundo ele, os eventos deixam na maior parte do que foi feito um “legado”, tecendo um raciocínio estranho segundo o qual, por isso não importa se as obras estão ou não atrasadas. Por fim, reafirma sua crença que o Brasil pode dar conta de sediar os eventos e que a critica não passa de um sentimento de “vira lata” que está preso a uma autoimagem que coloca o país como um eterno incapaz, concluindo:
“Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas”.
Notem que se trata de munir os seus leitores de informações para contrapor um movimento que segundo seu próprio juízo está tendo sucesso em azedar o clima. Ele está, não sei se consciente ou não, respondendo a um chamado dos governistas que conclamaram recentemente tanto “intelectuais” de um lado e “movimentos sociais” de outro para intervir mais no jogo das redes de opinião diante da ofensiva do movimento “Não vai ter Copa”. Bom, digamos que ele não se mostrou um soldado muito bom, mas é representativo da indigência da defensiva governista diante de algo que não entenderam com a profundidade e seriedade necessárias. O próprio Lula expressou posições ainda mais primárias em vídeo que circulou na internet.
É no mínimo estranho que um governo que não teve por prática dialogar com movimentos sociais e que destrata os intelectuais, os convoque agora para encobrir seus problemas a golpe de discursos argumentativos nas redes sociais.
Se ele culpa a desinformação como principal arma dos profetas do pânico, teria que ter um pouco mais de cuidado com as informações em que se apóia, senão vejamos. O autor nos afirma que os gastos com o evento estavam estimados em 26 bilhões, mas oculta oportunamente que inicialmente foram orçados em 11 bilhões, já chegaram perto dos 28 bilhões e podem chegar a 33 bilhões, repetindo um enredo que já era conhecido se lembrarmos os dados sobre os gastos com os Jogos Panamericanos, que estavam previstos em 409 milhões e acabaram com algo perto de 4 bilhões ao final.
Em alguns estádios, se pegarmos casos particulares, como o Maracanã, as obras estavam previstas em 650 milhões e acabaram chegando perto de 2 bilhões com uma privatização no mínimo duvidosa no meio do processo. O mesmo se repete em outras obras, como o Mané Garrincha em Brasília (de 696 milhões para 1,7 bilhões). Um cientista político deveria saber que estas explosões orçamentárias não se devem a questões de engenharia e custo de materiais, mas a poderosos interesses de empreiteiras e outros que se locupletaram com a farra do boi das licitações de emergência (este sim um legado que vai ficar, como ficaram as obras do Pan).
Mas, como cabe ao discurso pequeno burguês, não se trata dos interesses reais de classe, mas do interesse maior: o da Nação. A pequena burguesia, disse Marx, inventou o conceito de Nação, porque ela própria fica pressionada entre os interesses reais das classes em luta e criou um espaço acima destes interesses mesquinhos, que a identifique com o povo e faça dela, a pequena burguesia, o legítimo interprete de seus verdadeiros anseios.
É por isso que os maldosos profetas do apocalipse ao atacar a copa e querendo atacar o governo, atacam o nosso Brasil. Diz o torcedor com diploma de doutor: “O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil”. Evidente que ia descambar para uma pregação nacionalista. Logo em seguida ela assume sua forma descarada:
“É claro que as informações deste texto só fazem sentido para quem as palavras ‘Brasil’ e ‘brasileiros’ significam alguma coisa [??]. Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.”
A mágica da ideologia é apresentar o interesse particular como se fosse geral. Se o futebol espetacularizado e mercantilizado é meio de outros interesses – os dos grandes negócios não só dos jogos em si mesmos, mas dos gastos com as empreiteiras, a logística e uma infinidade de áreas de interesse do grande capital monopolista – ele se tornou também o meio pelo qual podem expressar-se as contradições e o descontentamento contra a fachada da imagem de sucesso que se projeta do caminho de pacto social escolhido. Não há um raciocínio simplista que acredita que um centavo gasto na Copa poderia ir para um hospital, é a critica absolutamente pertinente de que o caminho escolhido deixa soterrado contradições que mesmo invisibilizadas seguem existindo e pulsando. Queremos educação e saúde de qualidade, segurança, moradia, transporte e a opção escolhida de pacto com o grande capital condena estas áreas às sobras do prato principal servido ao capital financeiro e os generosos subsídios ao capital monopolista.
O que o articulista opina é que devemos separar as coisas. De um lado tem problemas no Brasil, mas a copa não tem nada a ver com isso. Sua cegueira é tamanha que lhe escapa o mais epidérmico do real. Existem cerca de 170 mil pessoas removidas por conta das obras da Copa, atingidas em seus mais elementares direitos humanos, sacrificados ao altar dos interesses das empreiteiras. Cinco trabalhadores da construção civil morreram nas obras, por causa da urgência, mas fundamentalmente das condições de trabalho, as mesmas precariedades já denunciadas nas obras do PAC. Eles tem nome: Marcleudo de Melo Ferreira de 22 anos, Raimundo Nonato Lima da Costa, 49 anos, José Afonso de Oliveira Rodrigues, de 21 anos, Fábio Luiz Pereira, 42 anos e Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos.
As contradições são como a água que corre, sempre encontram um caminho para expressar-se. Nosso amigo está tentando parar o vazamento da represa com o dedo como aquele famoso caso do menino holandês. Seu dedo ideológico não é suficiente para deter a fúria das águas que ameaçam azedar a festa dos investidores e daqueles que queriam tirar dividendos políticos dos eventos.
Quando a represa estourar os sacerdotes do pacto pequeno burguês vão tentar encontrar alguém para botar a culpa (já começou no caso da lamentável morte do cinegrafista), mas a culpa certamente nunca é deles. Como dizia Marx:
“Como quer que seja, o democrata sai da derrota mais vergonhosa tão imaculado quanto era inocente ao nela entrar.” (O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, p.68).
É possível que o evento ocorra, até pela truculência da reação anunciada como a Portaria do Ministério da Defesa, mas vai ter que conviver como muita luta e manifestação. As patéticas iniciativas do governo de Dilma não chegaram nem perto dos graves problemas que estão na base desse fenômeno que explodiu em junho do ano passado. E não será agora que recuaremos.
Bom, vem aí o carnaval, esta outra festa popular que o povo cultua. Vai aí nossa contribuição no Bloco Comuna que Pariu que abrilhanta o carnaval carioca desde 2008. Para irmos esquentando os tamborins, aí vai nosso samba: A revolução foi a copa que pariu! E só para não esquecer: “NÃO VAI TER COPA!!!
No Carnaval
Ó nós de novo aqui na rua
Fora Cabral
E não tem gás que me destrua
Não leve a mal
Maraca tu vendeu pra tua
Ó nós de novo aqui na rua
Fora Cabral
E não tem gás que me destrua
Não leve a mal
Maraca tu vendeu pra tua
Patota que deixa o povo bolado
A coisa tá ruim pro teu lado
E pro bonde que segue sua Nau
Na hora que a massa chegar pra disputa
Não tem quem segure a maluca
O bicho vai pegar geral
A coisa tá ruim pro teu lado
E pro bonde que segue sua Nau
Na hora que a massa chegar pra disputa
Não tem quem segure a maluca
O bicho vai pegar geral
Ei, Dudu [Eduardo Paes]
Vê se conta pra polícia
Como tomar no c… pode ser uma delícia
Vê se conta pra polícia
Como tomar no c… pode ser uma delícia
Não fode, FIFA
A CBF, a Globo e o capital (Não vai ter Copa!)
A CBF, a Globo e o capital (Não vai ter Copa!)
Sou comunista
Em vez de estádio quero ter mais hospital
Vandalizado
Pela miséria e a exploração
O povo tem que caminhar lado a lado
Pra derrubar todo esse Estado
E melar qualquer tapetão
Comuna que entra em campo, na luta
Empunha tua arma, batuca
No embalo da subversão
Em vez de estádio quero ter mais hospital
Vandalizado
Pela miséria e a exploração
O povo tem que caminhar lado a lado
Pra derrubar todo esse Estado
E melar qualquer tapetão
Comuna que entra em campo, na luta
Empunha tua arma, batuca
No embalo da subversão
Taco pedra, faço greve
Levo bala de borracha
Chuto bomba o ano inteiro
Mas não tiro o pé da praça
Remoção pra tirania
Cada baqueta é um fuzil:
A Revolução Foi a Copa Que Pariu!
Levo bala de borracha
Chuto bomba o ano inteiro
Mas não tiro o pé da praça
Remoção pra tirania
Cada baqueta é um fuzil:
A Revolução Foi a Copa Que Pariu!
Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.
Serão as mídias corporativas apenas uma outra palavra para controle e dominação das massas?
por John Pilger [*]

Um inquérito recente perguntou ao povo britânico quantos iraquianos foram mortos devido à invasão do país em 2003. As respostas dadas foram chocantes. A maioria disse que menos de 10 mil haviam sido mortos.
Estudos científicos informam que mais de um milhão de homens, mulheres e crianças iraquianos morreram num inferno desencadeado pelo governo britânico e seu aliado em Washington.
Isso é o equivalente ao genocídio em Ruanda. E a carnificina prossegue. Implacavelmente.
O que isto revela é como nós na Grã-Bretanha temos sido enganados por aqueles cujo trabalho é manter a informação correta.
O escritor e acadêmico americano Edward Herman chama a isto "normalizar o impensável". Ele descreve dois tipos de vítimas no mundo das notícias: "vítimas valiosas" e "vítimas não valiosas". "Vítimas valiosas" são aquelas que "sofrem" nas mãos dos inimigos: os tipos de Assad, Qadafi, Saddam Hussein. "Vítimas valiosas" qualificam para o que chamamos "intervenção humanitária". "Vítimas não valiosas" são aquelas que estorvam o caminho do nosso poder punitivo e aquelas dos "bons ditadores" que empregamos. Saddam Hussein foi outrora um "bom ditador" mas ficou arrogante e desobediente, tendo então sido despromovido a "mau ditador".
Na Indonésia, o general Suharto era um "bom ditador", pouco importando a sua carnificina de cerca de um milhão de pessoas, ajudada pelos governos da Grã-Bretanha e EUA. Ele também liquidou um terço da população de Timor Leste com a ajuda de caça britânicos e metralhadoras britânicas. Suharto foi mesmo saudado em Londres pela rainha e quando morreu pacificamente na sua cama, foi louvado como alguém esclarecido, um modernizador, um de nós. Ao contrário de Saddam Hussein, ele nunca se tornou arrogante.
Quando viajei no Iraque na década de 1990, os dois principais grupos muçulmanos, os xiitas e os sunitas, tinham suas diferenças mas viviam lado a lado, casavam-se mesmo entre si e consideravam-se com orgulho como iraquianos. Não havia Al Qaida, não havia jihadistas. Nos arrebentamos tudo aquilo em 2003 com "pavor e choque". E hoje sunitas e xiitas estão a combater-se por todo o Médio Oriente.
Este assassinado em massa está a ser financiado pelo regime na Arábia Saudita que decapita pessoas e discrimina mulheres. A maior parte dos sequestradores do 11/Set vieram da Arábia Saudita. Em 2010, a Wikileaks divulgou um telegrama enviado a embaixadas dos EUA pela secretária de Estado Hilary Clinton. Ela escreveu isto: "A Arábia Saudita permanece um apoio financeiro crítico para a Al Qaeda, os Talibans, al Nusra e outros grupos terroristas... no mundo inteiro". E ainda assim os sauditas são nossos valiosos aliados. Eles são bons ditadores. Os membros da casa real britânica visitam-nos frequentemente. Nós lhes vendemos todas as armas que eles querem.
Utilizou a primeira pessoa do plural, "nós" e "nosso" de acordo com locutores e comentadores que frequentemente utilizam o "nós", preferindo não distinguir entre o poder criminoso dos nossos governos e nós, o público. Todos nós somos assumidos como partes de um consenso: Conservadores e Trabalhistas, a Casa Branca de Obama também. Quando Nelson Mandela morreu, a BBC foi a correr a David Cameron, depois a Obama. Cameron, que foi à África do Sul no 25º ano do aprisionamento numa viagem que equivalia ao apoio ao regime do apartheid, e Obama que recentemente derramou uma lágrima na cela de Mandela em Robben Island – ele que preside as jaulas de Guantánamo.
O que lamentavam eles quanto a Mandela? Evidentemente, não a sua extraordinária vontade de resistir a um regime opressivo cuja perversão os governos dos EUA e Grã-Bretanha apoiaram anos a fio. Ao invés disso, estavam gratos pelo papel crucial que Mandela desempenhou na supressão de um levantamento dos negros na África do Sul contra a injustiça da política branca e do poder econômico. Isto foi certamente a única razão porque foi libertado. Hoje o mesmo poder econômico implacável é apartheid de uma outra forma, fazendo da África do Sul a sociedade mais desigual da terra. Alguns chamam a isto "reconciliação".
Todos nós vivemos numa era de informação – ou assim nos dizemos um ao outro quando acariciamos nossos smart phones como contas de um rosário, com as cabeças inclinadas, verificando, monitorando, tweetando. Estamos ligados; enviamos mensagens; e o tema dominante das mensagens é nós mesmos. A identidade é o espírito da época. Há muito tempo, em "Admirável mundo novo", Aldous Huxley previu isto como o meio final de controle social porque era voluntário, viciante e amortalhado em ilusões de liberdade pessoal. Talvez a verdade seja que vivemos não numa era de informação mas numa era das mídias corporativas. Tal como a memória de Mandela, a maravilhosa tecnologia das míodias foi sequestrada. Desde a BBC até a CNN, a câmara de eco é vasta.
Ao aceitar o Prêmio Nobel da Literatura em 2005, Harold Pinter falou acerca de uma "manipulação do poder à escala mundial, se bem que mascarando-o como uma força para o bem universal, um brilhante, mesmo esperto, ato de hipnose com grande êxito". Mas, disse Pinter, "isto nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer não estava a acontecer. Não importava. Não era de interesse".
Pinter referia-se aos crimes sistemáticos dos Estados Unidos e a uma censura não declarada por omissão – isto é, excluir informação crucial que possa ajudar-nos a dar sentido ao mundo.
Hoje a democracia liberal está a ser substituída por um sistema no qual o povo responde a um estado corporativo – não o inverso como deveria ser. Na Grã-Bretanha, os partidos parlamentares são devotados à mesma doutrina de cuidar dos ricos e combater os pobres. Esta negação da democracia real é uma mudança histórica. Eis porque a coragem de Edward Snowden, Chelsea Manning e Julian Assange é tamanha ameaça para os poderosos e inimputáveis. E é uma lição para aqueles de nós que pretendem manter as coisas claras. O grande repórter Claud Cockburn disse isto bem: "Nunca acredite em qualquer coisa até que seja oficialmente negada".
Imagine se as mentiras dos governos houvessem sido adequadamente desafiadas e reveladas quando eles secretamente preparavam-se para invadir o Iraque – talvez um milhão de pessoas estivesse viva hoje.
[*] Transcrição da participação de Pilger na edição especial do programa "Today", da BBC Radio 4, em 2/Janeiro/2014, editada pelo artista e músico Polly Harvey. Pode ouvir a transcrição acima aqui .
O original encontra-se em johnpilger.com/articles/is-media-just-another-word-for-control
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Isso é o equivalente ao genocídio em Ruanda. E a carnificina prossegue. Implacavelmente.
O que isto revela é como nós na Grã-Bretanha temos sido enganados por aqueles cujo trabalho é manter a informação correta.
O escritor e acadêmico americano Edward Herman chama a isto "normalizar o impensável". Ele descreve dois tipos de vítimas no mundo das notícias: "vítimas valiosas" e "vítimas não valiosas". "Vítimas valiosas" são aquelas que "sofrem" nas mãos dos inimigos: os tipos de Assad, Qadafi, Saddam Hussein. "Vítimas valiosas" qualificam para o que chamamos "intervenção humanitária". "Vítimas não valiosas" são aquelas que estorvam o caminho do nosso poder punitivo e aquelas dos "bons ditadores" que empregamos. Saddam Hussein foi outrora um "bom ditador" mas ficou arrogante e desobediente, tendo então sido despromovido a "mau ditador".
Na Indonésia, o general Suharto era um "bom ditador", pouco importando a sua carnificina de cerca de um milhão de pessoas, ajudada pelos governos da Grã-Bretanha e EUA. Ele também liquidou um terço da população de Timor Leste com a ajuda de caça britânicos e metralhadoras britânicas. Suharto foi mesmo saudado em Londres pela rainha e quando morreu pacificamente na sua cama, foi louvado como alguém esclarecido, um modernizador, um de nós. Ao contrário de Saddam Hussein, ele nunca se tornou arrogante.
Quando viajei no Iraque na década de 1990, os dois principais grupos muçulmanos, os xiitas e os sunitas, tinham suas diferenças mas viviam lado a lado, casavam-se mesmo entre si e consideravam-se com orgulho como iraquianos. Não havia Al Qaida, não havia jihadistas. Nos arrebentamos tudo aquilo em 2003 com "pavor e choque". E hoje sunitas e xiitas estão a combater-se por todo o Médio Oriente.
Este assassinado em massa está a ser financiado pelo regime na Arábia Saudita que decapita pessoas e discrimina mulheres. A maior parte dos sequestradores do 11/Set vieram da Arábia Saudita. Em 2010, a Wikileaks divulgou um telegrama enviado a embaixadas dos EUA pela secretária de Estado Hilary Clinton. Ela escreveu isto: "A Arábia Saudita permanece um apoio financeiro crítico para a Al Qaeda, os Talibans, al Nusra e outros grupos terroristas... no mundo inteiro". E ainda assim os sauditas são nossos valiosos aliados. Eles são bons ditadores. Os membros da casa real britânica visitam-nos frequentemente. Nós lhes vendemos todas as armas que eles querem.
Utilizou a primeira pessoa do plural, "nós" e "nosso" de acordo com locutores e comentadores que frequentemente utilizam o "nós", preferindo não distinguir entre o poder criminoso dos nossos governos e nós, o público. Todos nós somos assumidos como partes de um consenso: Conservadores e Trabalhistas, a Casa Branca de Obama também. Quando Nelson Mandela morreu, a BBC foi a correr a David Cameron, depois a Obama. Cameron, que foi à África do Sul no 25º ano do aprisionamento numa viagem que equivalia ao apoio ao regime do apartheid, e Obama que recentemente derramou uma lágrima na cela de Mandela em Robben Island – ele que preside as jaulas de Guantánamo.
O que lamentavam eles quanto a Mandela? Evidentemente, não a sua extraordinária vontade de resistir a um regime opressivo cuja perversão os governos dos EUA e Grã-Bretanha apoiaram anos a fio. Ao invés disso, estavam gratos pelo papel crucial que Mandela desempenhou na supressão de um levantamento dos negros na África do Sul contra a injustiça da política branca e do poder econômico. Isto foi certamente a única razão porque foi libertado. Hoje o mesmo poder econômico implacável é apartheid de uma outra forma, fazendo da África do Sul a sociedade mais desigual da terra. Alguns chamam a isto "reconciliação".
Todos nós vivemos numa era de informação – ou assim nos dizemos um ao outro quando acariciamos nossos smart phones como contas de um rosário, com as cabeças inclinadas, verificando, monitorando, tweetando. Estamos ligados; enviamos mensagens; e o tema dominante das mensagens é nós mesmos. A identidade é o espírito da época. Há muito tempo, em "Admirável mundo novo", Aldous Huxley previu isto como o meio final de controle social porque era voluntário, viciante e amortalhado em ilusões de liberdade pessoal. Talvez a verdade seja que vivemos não numa era de informação mas numa era das mídias corporativas. Tal como a memória de Mandela, a maravilhosa tecnologia das míodias foi sequestrada. Desde a BBC até a CNN, a câmara de eco é vasta.
Ao aceitar o Prêmio Nobel da Literatura em 2005, Harold Pinter falou acerca de uma "manipulação do poder à escala mundial, se bem que mascarando-o como uma força para o bem universal, um brilhante, mesmo esperto, ato de hipnose com grande êxito". Mas, disse Pinter, "isto nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer não estava a acontecer. Não importava. Não era de interesse".
Pinter referia-se aos crimes sistemáticos dos Estados Unidos e a uma censura não declarada por omissão – isto é, excluir informação crucial que possa ajudar-nos a dar sentido ao mundo.
Hoje a democracia liberal está a ser substituída por um sistema no qual o povo responde a um estado corporativo – não o inverso como deveria ser. Na Grã-Bretanha, os partidos parlamentares são devotados à mesma doutrina de cuidar dos ricos e combater os pobres. Esta negação da democracia real é uma mudança histórica. Eis porque a coragem de Edward Snowden, Chelsea Manning e Julian Assange é tamanha ameaça para os poderosos e inimputáveis. E é uma lição para aqueles de nós que pretendem manter as coisas claras. O grande repórter Claud Cockburn disse isto bem: "Nunca acredite em qualquer coisa até que seja oficialmente negada".
Imagine se as mentiras dos governos houvessem sido adequadamente desafiadas e reveladas quando eles secretamente preparavam-se para invadir o Iraque – talvez um milhão de pessoas estivesse viva hoje.
[*] Transcrição da participação de Pilger na edição especial do programa "Today", da BBC Radio 4, em 2/Janeiro/2014, editada pelo artista e músico Polly Harvey. Pode ouvir a transcrição acima aqui .
O original encontra-se em johnpilger.com/articles/is-media-just-another-word-for-control
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Os mercenários estão aterrorizando os palestinos que vivem na Síria, campo Yarmouk

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas)exigiu a retirada dos terrorista mercenários do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, situado nos subúrbios de Damasco, capital da Síria.
O líder político do Hamas no Líbano, Ali Berke, declarou neste domingo que a intenção dos mercenários é deslocar os palestinos de Yarmouk, e que eles estão a serviço de promover os objetivos e planos do regime israelense para a Síria.
Berke disse que os campos de refugiados palestinos não deveriam ser envolvidos na crise e enfrentamentos na Síria, e exigiu que os grupos armados deixem em paz os refugiados palestinos se referindo aos palestinos que vivem em Yarmouk, que estão sendo vítimas, assim como o povo sírio das hordas sanguinárias financiadas pelas Monarquias do Golfo, EUA e Israel.
Há mais de seis meses que os grupos mercenários que operam neste país árabe, conseguiram cercar os palestinos de Yarmouk, e este ato desumano está matando os palestinos de fome e frio, especialmente as crianças.
Os constantes ataques terroristas ao acampamento palestino estão obrigando milhares de refugiados palestinos que deixaram sua terra natal em busca de um pouco de paz e segurança, e que foram acolhidos pelo povo e governo sírio há muitos anos, a também deixar o novo lar, o campo de refugiados Yarmuk.
Mesmo os membros das equipes de socorro organizada em Yarmuk é alvo dos mercenários, no sábado porque um deles foi assassinado e o outro ficou ferido.
Há mais de seis meses que os grupos mercenários que operam neste país árabe, conseguiram cercar os palestinos de Yarmouk, e este ato desumano está matando os palestinos de fome e frio, especialmente as crianças.
Os constantes ataques terroristas ao acampamento palestino estão obrigando milhares de refugiados palestinos que deixaram sua terra natal em busca de um pouco de paz e segurança, e que foram acolhidos pelo povo e governo sírio há muitos anos, a também deixar o novo lar, o campo de refugiados Yarmuk.
Mesmo os membros das equipes de socorro organizada em Yarmuk é alvo dos mercenários, no sábado porque um deles foi assassinado e o outro ficou ferido.
Desde meados de Março de 2011, terroristas mercenários, financiados desde o exterior, invadiram a Síria e promovem uma verdadeira guerra contra o povo da Síria. Desde então, centenas de civis foram assassinados, muitos com requinte de crueldade, e apesar da resistência do povo sírio e do Exército árabe da Síria, os mercenários conseguem muitas vezes impedir a chegada da ajuda humanitária, condenando a população à fome. O Campo de Yarmuk resistiu até aqui com seus bravos guerreiros, mas agora a situação se inverteu.
A gravidade fez com que o Hamas, que no início apoiava os grupos financiados pelo imperialismo e ligados a Irmandade, rompesse o silêncio e saísse em defesa dos refugiados palestinos que vivem no Campo de Yarmuk , na Síria.
Notícia postada : http://www.hispantv.com/
Leia a denuncia postada pelo Blog em 2012
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/12/declaracao-da-fplp-cg-sobre-o-ataque.html
A gravidade fez com que o Hamas, que no início apoiava os grupos financiados pelo imperialismo e ligados a Irmandade, rompesse o silêncio e saísse em defesa dos refugiados palestinos que vivem no Campo de Yarmuk , na Síria.
Notícia postada : http://www.hispantv.com/
Leia a denuncia postada pelo Blog em 2012
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/12/declaracao-da-fplp-cg-sobre-o-ataque.html
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Iugoslávia, Iraque, Líbia, Síria (resistindo) e agora: Ucrânia - mais um Estado desestabilizado no contexto da disputa do capital em crise.
"O povo ucraniano, os trabalhadores, os camponeses, submetidos a um capitalismo de choque, à destruição sistemática de todas as suas conquistas sociais, aos poderes das máfias de todos os lados."
por Jean -Marie Chauvier [*]
entrevistado por Jean Pestieau
Quais são os problemas econômicos enfrentados pelo povo ucraniano, principalmente os trabalhadores, pequenos agricultores e desempregados ?
Jean-Marie Chauvier: Desde o desmembramento da União Soviética em 1991, a Ucrânia passou de 51,4 para 45 milhões de habitantes. Esta diminuição deveu-se a uma baixa da natalidade, um aumento da mortalidade, em parte devido ao desmantelamento dos serviços de saúde. A emigração é muito forte. Cerca de 6,6 milhões de ucranianos vivem hoje no exterior. Muitas pessoas no leste da Ucrânia foram trabalhar para a Rússia, onde os salários são sensivelmente mais elevados, enquanto os do oeste são mais dirigidos para a Europa Ocidental, por exemplo, em estufas de Andaluzia ou no sector da construção em Portugal. A emigração faz entrar por ano na Ucrânia, 3 mil milhões de dólares.
Enquanto o desemprego é oficialmente de 8% na Ucrânia, uma parcela significativa da população vive abaixo da linha de pobreza: 25%, de acordo com o Governo, até 80 % de acordo com outras estimativas. A pobreza extrema, acompanhada de desnutrição é estimada entre 2 e 3 % até 16%. O salário médio é de 332 dólares por mês, um dos mais baixos da Europa. As regiões mais pobres são as áreas rurais no oeste. As ofertas de emprego são baixas e limitadas no tempo.
Os problemas mais prementes são agravados pelos riscos de assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia e a implementação das medidas recomendadas pelo FMI. Existe, portanto, a perspectiva de encerramento de empresas industriais, especialmente no Leste, ou a recuperação, reestruturação e desmantelamento pelas multinacionais. No que diz respeito à terra fértil e à agricultura, está no horizonte a ruína da produção local que é atualmente assegurada pelos pequenos agricultores e sociedades por ações, herdeiros dos colcozes e com a chegada em grande das multinacionais agro-alimentares. A compra massiva de terra rica vai acelerar-se. Assim Landkom, um grupo britânico, comprou 100 mil hectares e o hedge fund russo Renaissance comprou 300 mil hectares.
Para as multinacionais há, portanto, bons nacos a apanhar: algumas indústrias, oleodutos, terra fértil, mão-de-obra qualificada.
Quais são as vantagens e desvantagens de uma aproximação com a União Europeia?
JMC: Os ucranianos – em primeiro lugar a juventude – têm o sonho da UE, a liberdade de viajar, as ilusões de conforto, bons salários, prosperidade, etc. Sonhos com os quais os governos ocidentais contam. Mas, na realidade, não é questão da adesão da Ucrânia à UE. Não é questão de livre circulação de pessoas. A UE oferece poucas coisas, apenas o desenvolvimento do comércio livre, a importação maciça de produtos ocidentais, a imposição de normas europeias nos produtos que podem ser exportados para a UE, o que levanta barreiras formidáveis para a exportação ucraniana. A Rússia, por sua vez – em caso de acordo com a UE – ameaça fechar o seu mercado a produtos ucranianos. Moscovo ofereceu compensações tais como a baixa de um terço dos preços do petróleo, uma ajuda de 15 mil milhões de dólares, a união aduaneira com ela própria, o Cazaquistão, a Arménia... Putin tem um projecto eurasiático que abrange a maior parte do antigo espaço soviético (excepto os países bálticos), fortalecendo os vínculos com um projecto de cooperação industrial com a Ucrânia, a integração de tecnologias que a Ucrânia estava realizando no tempo da URSS: aeronáutica, satélites, armamento, construção naval, etc, modernizando os complexos industriais. É, obviamente, o leste da Ucrânia que está mais interessado nesta perspectiva.
Pode explicar as diferenças regionais na Ucrânia?
JMC: Não há Estado-nação homogeneo na Ucrânia. Há contradições entre as regiões. Há diferenças históricas. A Rússia, Bielorussia e Ucrânia tiveram um berço comum: o Estado dos Eslavos Orientais (século IX a XI ), a capital Kiev, foi chamada de "Rous", "Rússia" ou "Ruthénia". Mais tarde, os seus caminhos diferenciaram-se: línguas, religiões, filiações estatais. O Oeste esteve muito tempo ligado ao Grão-Ducado da Lituânia, aos reinos polacos, ao Império Austro-Húngaro. Após a Revolução de 1917 e a Guerra Civil, nasceu a primeira formação nacional chamada " Ucrânia", co-fundadora, em 1922, da URSS. A parte ocidental anexada, em particular, pela Polônia, foi "recuperada" em 1939 e 1945, em seguida, o actual território da Ucrânia ampliou-se para a Criméia, em 1954.
O leste da Ucrânia é mais industrializado, mais operário, mais russófono, enquanto o oeste é mais rural, de língua ucraniana. O leste é Ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Moscovo, enquanto o Ocidente é tanto católico grego ("Uniata") e ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Kiev desde a independência em 1991. A Igreja Uniata Católica, em particular no Oeste em Galicia, tem sido tradicionalmente germanófila, muitas vezes em conflito com a Igreja Católica da Polónia. O centro da Ucrânia, com Kiev, é uma mistura de correntes Leste e Oeste. Kiev é esmagadoramente de língua russa, as suas elites são pró-oposição e intimamente ligadas aos ultra-liberais de Moscovo.
A Ucrânia é pois partilhada – histórica, cultural, politicamente – entre o Oriente e o Ocidente, e não faz nenhum sentido lançar uma contra a outra, a não ser para se colocar um cenário do início da guerra civil, o que é, provavelmente, a intenção de alguns. À força de impor a divisão, como estão a fazer os ocidentais e seus pequenos soldados no local, pode vir o tempo em que a UE e a OTAN poderão ter o seu "pedaço", mas onde também a Rússia tomará o seu! Não seria o primeiro país que se faria deliberadamente explodir. Todos devem estar cientes de que a opção europeia também será militar: a OTAN virá a seguir e em breve se vai levantar a questão da base russa em Sebastopol na Crimeia, maioritariamente da Rússia e estrategicamente crucial para a presença militar no Mar Negro. Pode-se imaginar que Moscovo não vai deixar instalar uma base dos EUA naquele lugar!
O que acha da forma como o atual conflito é apresentado em nossos meios de comunicação?
JMC: É um western! Há os "pró-europeus" bons e os maus "pró-russos". É maniqueísta, parcial, ignorante da realidade da Ucrânia. Na maioria das vezes, os jornalistas vão ter com pessoas que pensam como eles, que dizem o que os ocidentais querem ouvir, que falam Inglês e outras línguas ocidentais. E depois, há as mentiras por omissão.
Logo de inicio há uma notável ausência: o povo ucraniano, os trabalhadores, os camponeses, submetidos a um capitalismo de choque, à destruição sistemática de todas as suas conquistas sociais, aos poderes das máfias de todos os lados.
Depois, há a ocultação ou minimização de um fenômeno que é conhecido como "nacionalista" e que é, na verdade, neo-fascista ou mesmo claramente nazi. É principalmente (mas não exclusivamente), localizado no partido Svoboda, seu líder Oleg Tiagnibog e a região ocidental que corresponde à antiga "Galicia oriental" polaca. Quantas vezes tenho visto, ouvido, lido na Comunicação Social, citações do partido e seu chefe como "opositores " e sem outra qualificação?
Estamos a falar de jovens simpáticos "voluntários de auto-defesa", vindos de Lviv (Lwow, Lemberg) para Kiev, mas trata-se de comandos levados pela extrema-direita para esta região (Galicia), que é o seu bastião. Pesada é a responsabilidade daqueles – políticos, jornalistas – que jogam este jogo, a favor de tendências xenófobas, anti-Rússia, anti-semitas, racistas, celebrando a memória do colaboracionismo nazi e da Waffen SS e de que a Galicia (e não toda a Ucrânia!) foi a terra natal.
Finalmente, os meios de comunicação passam em silêncio as várias redes financiadas pelo Ocidente (EUA, UE, Alemanha) para a desestabilização do país, a intervenção direta de políticos ocidentais. Imagine-se a área neutra de Bruxelas ocupada durante dois meses por dezenas de milhares de manifestantes exigindo a renúncia do rei e do governo, atacando o Palácio Real e aclamando na tribuna ministros russos, chineses ou iranianos! Pode-se imaginar isto em Paris ou Washington? Mas é o que acontece em Kiev.
O meu espanto cresce dia a dia observando a diferença entre "as informações" emitidas pela nossa Comunicação Social e aquelas que posso colher nos meios de comunicação ucranianos e russos. As violências neonazis, as agressões anti-semitas, as tomadas de assalto das administrações regionais: nos nossos meios de comunicação, não há nada disso! Só temos um único ponto de vista: o dos opositores de Maidan (Praça de Kiev, onde os pró-europeus se reúnem (Nota do Editor). Na Comunicação Social, o resto da Ucrânia não existe!

Quais são os principais atores em presença?
JMC: A oligarquia industrial e financeira, beneficiária das privatizações, é compartilhada entre a Rússia e o Ocidente. Viktor Yanukovich e seu Partido das Regiões representam os clãs (e a maior parte da população) no leste e sul. O Partido das Regiões venceu as eleições, tanto presidenciais como parlamentares, no Outono de 2013. Ele também tem bases sólidas a Oeste, na Transcarpácia (também conhecida como Ucrânia sub-carpática), uma região multiétnica que resiste ao nacionalismo. Mas a crise atual, as hesitações e fraquezas do presidente podem custar-lhe muito caro e desacreditar o seu partido...
O poder é largamente responsável pela crise social que beneficia a extrema-direita e as enganosas sereias da UE e da OTAN. O poder no terreno é impotente, de facto, e defende uma parte da oligarquia. Ele favoreceu a disseminação da corrupção e das práticas mafiosas.
Perante ele, há três partidos políticos que se baseiam especialmente no Ocidente e também no centro da Ucrânia. Batkivschina ("A Pátria"), cujo líder é Arseniy Yatsenyuk. Ele sucedeu a Yulia Tymoshenko, doente e presa. Em seguida, o partido Oudar (Partido democrático das reformas), cujo líder e fundador é o ex-boxeur Vitali Klitschko. É o querido de Angela Merkel e da UE. Os quadros do seu partido são formados pela Fundação Adenauer. Finalmente, a Svoboda ("Liberdade"), partido neo-fascista liderado por Oleg Tiagnibog.
Svoboda é um filiado direto da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN ) – fascista, sob o modelo de Mussolini – fundada em 1929 no leste da Galicia sob o domínio polaco. Com a chegada de Adolf Hitler em 1933, o contacto é feito com o slogan "vamos usar a Alemanha para avançar com as nossas reivindicações". As relações com os nazis são por vezes tumultuosas – porque Hitler não queria uma Ucrânia independente – mas todos estão firmemente unidos no seu objectivo comum de eliminar comunistas e judeus e escravizar os russos. Os fascistas ucranianos opõem a natureza "europeia" da Ucrânia à "asiática" da Rússia. Em 1939, Andriy Melnik é o chefe da OUN, com Andriy Cheptytskyi, Metropolita (Bispo, Nota do Editor) da Igreja greco-católica (Uniata) germanófila, "líder espiritual" da Galicia, passada em 1939, para o regime soviético. Em 1940, o radical Stepan Bandera cria uma dissidência: o seu OUN-b forma dois batalhões da Wehrmacht, Nachtigall e Roland, para participar na agressão pela Alemanha e seus aliados contra a União Soviética em 22 de Junho de 1941. Imediatamente cria uma onda deprogroms.
Após várias eleições, após a "Revolução Laranja" de 2004, a influência de Svoboda cresceu na Galicia e em toda a Ucrânia ocidental, inclusive nas grandes cidades, com 20 a 30% dos votos. No conjunto da Ucrânia, Svoboda tem 10 % dos votos. Svoboda é "dominado" por grupos neo-nazis ainda mais radicais do que ele.
As três formações políticas Batkivschina, Oudar e Svoboda, apoiadas pelo Ocidente, reclamam há dois meses o derrube do governo e do Presidente da República. Eles exigem novas eleições. Svoboda vai ainda mais longe, organizando um golpe de Estado localmente. Lá, onde ele governa com o seu reinado de terror, Svoboda proíbe o Partido das Regiões e o Partido Comunista da Ucrânia.
O PC da Ucrânia apela à razão há várias semanas. Ele recolheu mais de três milhões de assinaturas pedindo um referendo que deve decidir se a Ucrânia quer um acordo de associação com a UE ou uma união aduaneira com a Rússia. A situação insurrecional deve-se, não só aos três partidos da oposição, mas também ao poder, que ofereceu o país e o povo "de bandeja" aos líderes da pseudo oposição, aos grupos de extrema direita neo-nazis, às organizações nacionalistas violentas, aos políticos estrangeiros que apelam às pessoas a "radicalizar os protestos" e "lutar até ao fim". O PC destaca os problemas sociais. Ele tem a posição mais democrática entre os partidos políticos. Mas sua influência é limitada à Ucrânia oriental e meridional.
Qual o jogo das grandes potências (EUA, UE, Rússia) no confronto atual?
JMC: Zbigniew Brzezinski, influente geostratega, cidadão dos EUA de origem polaca, traçou na década de 1990, a estratégia dos EUA para controlar a Eurásia e instalar permanentemente a hegemonia do seu país, com a Ucrânia como elo essencial. Para ele, havia uns "Balcãs mundiais", de um lado a Eurásia, do outro o grande Médio Oriente. Esta estratégia deu os seus frutos na Ucrânia com a "Revolução Laranja" de 2004. Instalou uma rede tentacular de fundações norte-americanas – como Soros e a reaganiana National Endowment for Democracy (NED) – que pagam a milhares de pessoas para "fazer progredir a democracia". Em 2013-2014, a estratégia é diferente. É especialmente a Alemanha de Angela Merkel e a União Europeia que estão no comando, ajudados por políticos americanos como John McCain. Arengam às multidões na Maidan e em outros lugares com grande irresponsabilidade: para atingir facilmente a meta de fazer balançar a Ucrânia para o campo euro-atlântico, incluindo a OTAN, eles contam com os elementos mais antidemocráticos da sociedade ucraniana. Mas esse objectivo é inatingível sem partir a Ucrânia entre o Oriente e o Ocidente e com a Crimeia que se tornará a juntar á Rússia como o seu povo deseja. O parlamento da Crimeia declarou: "Nunca viveremos sob um regime fascista". E para Svoboda e os outros fascistas, esta é a vingança de 1945, que eles vivem. De qualquer forma acho que a grande maioria dos ucranianos não quer esta nova guerra civil ou a dissolução do país. Mas a sociedade está em reconstrução...
Para mais informações: Jean-Marie Chauvier, Euromaïdan ou a batalha da Ucrânia , 25/Janeiro/2014; Ucrânia: "que posição"? , 13/Dezembro/2013, publicado pela revista Política (Bruxelas) e reproduzido emwww.globalresearch.ca; OUN e a Alemanha nazi: referências, ver Le Monde Diplomatique , Agosto/2007 .
| Política anti-social da oposição revelada por WikiLeaks
Viktor Pynzenyk, ex-ministro das Finanças e, agora, membro do partido da oposição Oudar, de Vitali Klitschko, em 2010 explicou ao embaixador dos EUA o que queria para a Ucrânia:
|
27/Janeiro/2014
- [*] Jornalista e ensaísta belga, especialista na Ucrânia e na antiga União Soviética. Conhece estes países e a língua russa, colabora em Le Monde Diplomatique e outros jornais e sítios da internet.O original encontra-se em www.ptb.be/... . Tradução de GAC.Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/
Assinar:
Postagens (Atom)









