sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O que não te contam sobre os "rebeldes" que estão aterrorizando o povo sírio





Publicado em 30/01/2014

O vídeo mostra  como homens-bomba na Arábia Saudita são leiloados por 300.000 euros, e o perdão concedido aos  condenados que concordem ir para lutar na Síria. Além de subornos a alguns cidadãos sírios dentro do país e a entrada de arma.

Da mesma forma, o  Qatar recruta secretamente em vários países como   o Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Chechênia, através de organizações de fachada como os locais de trabalho para estrangeiros , onde se dá os treinamentos militares  e a doutrinação ideológica antes de serem enviados para a Síria em aeronaves militares da Turquia. No Egito ,na Tunísia e naTurquia também há recrutamentos terroristas através da Irmandade Muçulmana. Brigadas inteiras de mercenários, que foram usadas na Líbia, foram integradas ao Exército Sírio Livre . Eles são apresentados com fotos, nomes e currículos.

Hoje, os terroristas mercenários vêm de mais de 83 países em 5 continentes . Recebem  armas, incluindo mísseis ar sofisticados, de fabricação ocidental , principalmente,  da Turquia , com a cumplicidade da NATO.

Eles recebem treinamentos de assessoria militar de países ocidentais.  Lembremo-nos do caso dos oficiais franceses em Baba Arm, capturados pelo Exército Árabe da Síria. 

Apesar das tentativas de suborno, houve muito poucas deserções no Exército Árabe da Síria. Enquanto a mídia as amplificava falsamente,  ocultava as deserções do mercenário exercício livre, como ficou mais claro atualmente.

O vídeo prova que o Exército Sírio Livre não é nem um exército, nem livre , nem é sírio. Sem os  mercenários estrangeiros não existe o Exército Sírio Livre. Mostra sua atual decomposição e o verdadeiro caos entre  seus distintos grupós.
O vídeo também  mostra que a diferença entre os grupos terroristas e a "oposição moderada", patrocinada pelos EUA,  não existe , nunca existiu .

Todos são alimentados com dinheiro, armas e assessoramento militar  dos EUA, Israel e da OTAN. Usados ​​para desestabilizar a Síria como foi feito no Afeganistão , na Chechênia , na Yugoslávia e na Líbia .

Estes mercenários , que são os mais baratos do mercado , foram enganados. Não só  estão condenados a servir de bucha de canhão das potências ocidentais que crêem combater (EUA e Israel). Destes, cerca de 10 mil já foram mortos, outros destes foram/são roubado seus órgãos, como já aconteceu na Turquia.

Mas outros desses mercenários,  já perceberam que por trás da Jihad estão os serviços de inteligência estrangeiros. Por outro lado a mesma coisa que aconteceu no Exército dos EUA , onde muitos soldados se recusam a ir para lutar ao lado da Al-Qaeda . As mentiras são cada vez mais evidente para todos, especialmente para o povo sírio que continua sofrendo suas consequências.


38min
Dirección: Alfredo Embid
Realizacion y narracion: Ernesto Feilberg
Musica: Aphodite's Child y Celta Cortos


Mas informacion en video en la lista de reproducción "Lo que no te cuentan sobre siria":
http://www.youtube.com/playlist?list=...

Mas información en documentos:
http://ciaramc.org/ciar/boletines/ind...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A brutalidade com o povo e as mentiras disfarçadas sob o slogan de uma "revolução síria" que iria satisfazer as aspirações do povo sírio






Geneva II – Ministro das Relações Exteriores da Síria: “Os poderes ocidentais declaram publicamente que estão lutando contra o terrorismo, conquanto o alimentando encobertamente.”
Montreux, (SANA) – A conferência internacional da Síria, Geneva 2, começou na manhã da quarta-feira com a participação da delegação oficial da Síria, dirigida pelo Deputy Premier, Ministro do Exterior e Expatriados Walid al-Moallem.

Discurso do Ministro al-Moallem  na abertura da conferência:
Senhoras e Senhores, Em nome da República Árabe da Síria – que entrou na história a mais de sete mil anos. Árabe – orgulhoso da sua firme e constante herança pan-Árabe, apesar dos deliberados atos de agressão de supostos fraternais amigos árabes. REPÚBLICA – um estado civíl que alguns, aqui nessa sala, tentaram retornar à idade média. Eu nunca estive numa posição mais difícil; a minha delegação assim como eu trazemos o peso de três anos de privações e dificuldades suportadas pelos meus companheiros e patrícios – o sangue dos nossos mártires, as lágrimas dos nossos enlutados, a angústia das famílias esperando por notícias dos seus entes queridos – sequestrados ou desaparecidos, o pranto de nossas crianças nas suas salas de aula, crianças  das quais a ternura foi alvo de mortais bombardeamentos, a esperança de toda uma geração destruída frente aos nossos olhos, a coragem dos pais que mandaram todos os seus filhos a defender o nosso país, a tristeza profunda das famílias que tiveram seus lares destruídos estando agora dispersados como refugiados.
A minha delegação e eu trazemos a esperança da nossa nação para os anos vindouros – o direito de cada criança de poder ir novamente em segurança para a escola, o direito da mulher de poder sair de casa sem medo de ser sequestrada, morta ou estuprada; o sonho da nossa juventude de realizar seu vasto potencial;  do retorno a segurança onde homens sabem que podem deixar suas famílias em segurança certas de seu retorno ao lar.
Finalmente, hoje é a hora da verdade; a verdade que muitos estiveram sistematicamente tentando enterrar abaixo de suas campanhas de desinformação, mentiras e fabricações levando as matanças e ao terror. Essa verdade que se recusa a ser enterrada, apresenta-se aqui claramente para que todos a possam ver – a delegação da República Árabe da Síria representando o povo sírio, o governo, o estado, o Exército da Síria e o Presidente – Bashar al-Assad.
Senhoras e Senhores, é deplorável que aqui conosco nessa sala, estejam representantes de países com o sangue sírio em suas mãos, países que exportaram o terrorismo assim como a clemência para os seus perpetradores, como se fosse dado por Deus a eles o direito de determinar quem irá para o paraíso e quem ao inferno. Países que estiveram impedindo fieis de visitarem seus templos assim como financiando e apoiando terroristas. Países que estiveram dando a si mesmos a autoridade de conceber ou negar a outros uma legitimidade, de maneira que se lhes parecesse mais conveniente, nunca olhando para suas arcaicas casas de vidro antes de jogarem suas pedras contra torres fortificadas. Países que desavergonhadamente vem nos ensinar  o que é a democracia em progresso e em desenvolvimento enquanto se afundando em sua própria ignorância e em suas regras e normas medievais. Países que estiveram acostumados a serem completamente possuídos por reis e príncipes com o direito soberano de distribuir a riqueza nacional garantido a mesma a seus associados conquanto a negando aos que caem fora de seus favores.
Eles vieram ensinar a Síria, um estado distinto, virtuoso e soberano o que é a honra, enquanto eles mesmos se submergem na lama da escravidão, infanticídio e outras práticas medievais. Depois de todos seus esforços e subsequentes fracassos, suas máscaras caíram de suas caras estremecidas mostrando suas ambições perversas. Um desejo de destabilizar e destruir a Síria através do exporte de seu produto nacional: O terrorismo. Eles usaram os seus petrodólares para comprar armas, recrutar mercenários e para saturar o ar  com notícias que encobrissem sua brutalidade insensata com mentiras disfarçadas abaixo do slogan de uma “Revolução Síria que iria satisfazer as aspirações do povo sírio.”
Senhoras e senhores, como poderia o que aconteceu e o que continua a acontecer e atormentar  a Síria satisfazer essas aspirações? Como poderiam terroristas chechenos, afegãs, sauditas, turcos ou mesmo franceses ou ingleses satisfazer as aspirações do povo sírio? Com o que? Um pais islâmico que se orienta através de um pervertido Wahhabismo? E quem é que foi que declarou que o povo da Síria desejaria viver muitos mil anos no passado?
Na Síria, senhoras e senhores, ventres de mulheres grávidas estão sendo atacados e seus fetos mortos; mulheres tem sido estupradas, vivas ou mortas, em práticas tão horrendas, tão vís e repulsivas que essas só poderiam ser atribuidas a uma doutrina perversa. Na Síria senhoras e senhores, homens tem sido massacrados a frente de seus próprios filhos em nome dessa revolução; o que ainda seria pior é que esses atos são cometidos enquanto crianças desses perpetradores estrangeiros na Síria dansam e cantam. Na Síria, como poderiam os chamados revolucionários canibalizar o coração de um homem declarando que estão promovendo liberdade, democracia e uma vida melhor?
Abaixo do pretexto de uma “Grande Revolução Síria,” civís, cléricos, mulheres e crianças são mortos, vítimas são indiscriminadamente mutiladas por meio de explosões nas ruas e em estabelecimentos diversos, independentemente de suas visões políticas ou ideológicas; livros e livrarias são incendiadas, túmulos são reabertos e artefatos são roubados.  Em nome dessa revolução crianças são mortas em suas escolas e estudantes em suas universidades, mulheres são vítimas de violência brutal  em  nome de uma “jihad al-nikah”, mesquitas são bombardeadas enquanto fiéis de joelhos fazem suas preces, cabeças são cortadas e penduradas nas ruas, pessoas são queimadas vivas num verdadeiro holocausto que a história e muitos países irão negar sem serem acusados de anti-Semitismo.
No nome de uma revolução “para salvar o povo oprimido da Síria do seu regime e para difundir a democracia,”  iria um chefe de família fazer explodir a si mesmo, sua mulher e seus filhos para impedir que intrusos estrangeiros entrassem em suas casas? A maioria de nós nessa sala somos pais –  eu então lhes pergunto o que iria compelir um homem a matar sua própria família para protegê-la desses monstros guerreiros da liberdade? Isso é o que está acontecendo em Adra, um lugar do qual a maioria dos senhores nunca ouviram falar, mas onde os mesmos monstros estrangeiros foram ao ataque: matando, saqueando, decapitando, massacrando e pondo fogo em pessoas vivas. Certamente que os senhores não ouviram nada a respeito dessa brutalidade, entretanto os senhores podem ter ouvido de outras localidades onde o mesmo tipo de crimes atrozes foram cometidos pelas mãos dos terroristas, que agora apontavam seus dedos ainda  ensanguentados contra o Exército Sírio e ao governo. Foi só de quando essas flagrantes mentiras já não obtinham mais nenhum crédito que eles pararam de construir essa sua teia de impostura e mentiras enganadoras.
Isso foi o que seus patrões lhes ordenaram a fazer, esses países que lançaram a guerra contra a Síria, tentando aumentar sua influência na região com subornos e dinheiro, exportando monstros humanos completamente embebidos na corrente ideológica Wahabi, tudo a custo do sangue da Síria. Dessa tribuna, alto e claramente digo que, os senhores tanto quanto eu sabemos que eles não irão parar depois da Síria, mesmo que algumas pessoas nessa sala se recusem a aceitar, achando que estão imunes a este tipo de violência.
Senhoras e senhores, tudo o que ouviram não teria sido possível se os países fronteiriços tivessem sido bons vizinhos durante esses anos desafiadores. Infelizmente eles estiveram longe disso; com facas nas costas vindo do norte, com espectadores silenciosos quanto a verdade, vindos do oeste, um sul fraco, acostumado a fazer os lances dos outros, ou o exaurido e esgotado leste, ainda cambaleante por causa das maquinações que  o ameaçam destruir-lo,  conjuntamente com a Síria.
Realmente tem-se que a miséria e a destruição que engolfou e está afundando a Síria só foi possível dada a decisão do governo de Erdogan de convidar e acomodar esses terroristas criminosos antes dos mesmos entrarem  na Síria. Está claro que tendo se esquecido do facto de que o feitiço no final pode voltar-se contra o feiticeiro, está-se agora a experimentar a amargura do colher-se o que se plantou. Isso porque terrorismo não reconhece nenhuma religião e só é fiel a si mesmo. O governo de Erdogan imprudente e temerariamente se metamorfoseou de uma política de zero-problemas com vizinhos, a uma de total zero-política exterior e diplomacia, deixando-a crucialmente com zero-credibilidade.
No entanto, continuou-se no mesmo atroz e falso caminho acreditando-se que os sonhos de Sayyid Qutb e Mohammad Abdel Wahab, antes dele, estaria finalmente se realizando. Eles infligiram estragos, pilhagens e saqueamentos. Partindo da Tunísia e indo a  Líbia, ao Egito e a Síria, determinados a realizar uma ilusão só existente em suas mentes. Apesar de se ter comprovado que isso era um fracasso, eles ainda estão determinados a perseguir o sonho. Logicamente falando, isso só poderia ser entendido como estupidez, porque se não se aprende pela história, perde-se a compreensão do presente, e a história nos diz: se a casa do seu vizinho estiver em fogo é impossível para você se manter fora de perigo.
Alguns vizinhos começaram a incendiar a Síria enquanto outros recrutavam terroristas ao redor do globo – e aqui somos confrontados com uma chocante farsa de padrões dúbios e duplos: 83 nacionalidades estão lutando na Síria – praticamente ninguém denuncia isso, praticamente ninguém a condena, praticamente ninguém reconsidera suas tomadas de posição – e ainda continuam impertinentemente a chamar isso a gloriosa Revolução Síria!  

Apesar de tudo isso, o povo sírio continuou firme e a resposta foi a de se impor sanções alimentares, cortando-se a nossa comida, nosso pão e o leite das nossas crianças. Leva-se a população a mingua, a doença e a morte abaixo da injustiça dessas sanções. Ao mesmo tempo fábricas são pilhadas e incendiadas, mutilando nossas indústrias alimentares e farmaceuticas; hospitais e centros de saúde são destruidos; nossas linhas ferroviárias e de eletricidad são sabotadas, e memo os nossos templos religiosos – cristãos como islâmicos – não se salvam desse terrorismo.
Quando tudo isso fracassou, os Estados Unidos ameaçaram bombardear a Síria, fabricando com os seus aliados, ocidentais e árabes, a história do uso de armas químicas, a qual não convenceu nem mesmo o seu público doméstico, e  muito menos ao nosso. Países que celebram a democracia, a liberdade e os direitos humanos, deploravelmente só falam na realidade a linguagem do sangue, da guerra, do colonialismo e da dominância. A democracia é imposta abaixo de fogo, a liberdade é imposta com aviões de guerra e os direitos humanos através de matanças, porque estão acostumados com um mundo que executa todos os seus desejos: se eles quiserem alguma coisa, isso acontecerá; se não quiserem, isso não acontecerá. Eles esqueceram-se, sem mais pensar, de que os perpetradores dos ataques em New York seguem a mesma doutrina,  e vem da mesma fonte, que os perpetradores que agora estão se explodindo na Síria. Eles estão descuidadosamente se esquecendo de que se trata do mesmo tipo de terroristas que ontem estiveram nos Estados Unidos e que hoje se encontram na Síria. Quem poderá saber onde se encontrarão amanhã? Entretanto, o que é certo é que isso não terminará aqui. Afeganistão seria uma boa lição para quem quisesse aprender – para qualquer um! Infelizmente a maioria não quer aprender; nem os Estados Unidos, nem nenhum dos países ocidentais ”civilizados” que seguem a sua direção, começando pela cidade da luz, e indo até o reino onde “o sol nunca se põe” – ninguém  aprendeu do passado apesar de já terem sentido o amargo sabor do terrorismo.
Tem-se depois que de repente se tornaram em “Amigos da Síria.” Quatro desses “amigos” são autocráticos, monarquias opressivas que nada sabem de um estado civil ou de democracia, enquanto outros são os mesmos poderes coloniais que ocuparam, pilharam, e dividiram a Síria a menos de cem anos atrás. Esses chamados “amigos” estão agora convocando conferências para publicamente declarar sua amizade com o povo da Síria, conquanto encobertamente facilitando as suas privações e destruindo seus meios de vida. Eles abertamente expressam escândalo a respeito da difícil situação humanitária dos sírios, enquanto enganando a comunidade internacional quanto a sua própria cumplicidade. Se estivessem realmente preocupados a respeito da situação humanitária da Síria, iriam remover o estrangulamento que fazem contra a economia, retirando suas sanções e embargos, assim como associando-se com o governo em reforçar a segurança através de lutar contra o influxo de armas e terroristas. Só assim poderíamos lhes assegurar que voltaríamos a estar tão bem como estávamos antes, sem que esses precisassem ter essas profundas preocupações com o nosso bem-estar.
Alguns dos senhores poderão estar se perguntando: Serão os estrangeiros os únicos fabricantes do que se passa na Síria? Não senhoras e senhores. Os sírios entre nós aqui, tendo sido legitimizados por agendas estrangeiras, contribuiram com seus papeis de facilitadores e realizadores. Isso eles o fizeram a custa do sangue sírio e das aspirações do povo do qual dizem representar. Eles mesmos divergiram e se dividiram inúmeras vezes enquanto os seus líderes no chão da batalha se dispersaram fugindo. Eles se venderam a Israel, transformando a si mesmos em seus olhos e seus dedos no gatilho para destruir a Síria; quando eles falharam fracassando na missão, Israel interviu diretamente para reduzir a capacidade do Exército da Síria e dessa maneira garantindo a continuada realização de seus planos, já há décadas preparado para a Síria.
Nosso povo estava sendo massacrado enquanto eles estavam vivendo em hotéis de cinco estrelas; eles se opuseram do estrangeiro, se encontraram no estrangeiro, traindo a Síria e se vendendo para as mais altas propostas dos estrangeiros. 

Ainda agora continuam dizendo que falam em nome do povo da Síria! Não, senhoras e senhores. Quem quiser falar no nome do povo da Síria não deverá ser um traidor de sua causa ou um agente de seus inimigos. Os que desejarem falar em nome do povo da Síria deverão fazer isso do seu solo, dentro de suas fronteiras; vivendo em suas casas destruídas, mandando suas crianças para a escola pelas manhãs sem saber se retornarão salvas dos tiroteios e ataques de morteiros, deveriam fazer isso tolerando o frio dos invernos congelantes dado a escassez do abastecimento para o aquecimento, e pondo-se horas e horas nas filas para poder comprar pão para suas famílias porque sanções impediram a compra do trigo e cereais dos quais eramos exportadores, para agora termos, como importadores, de sofrer impostas sanções. Qualquer um que queira falar no nome da Síria, e de seu povo, deveria primeiro enfrentar os três anos de terrorismo, cara-a-cara, como fizemos e depois vir aqui falar em nome do povo sírio.
Senhoras e senhores, a República Árabe da Síria – como povo e estado, cumpriu seus deveres. A Síria deu as boas vindas a centenas de jornalistas internacionais facilitando sua mobilidade, segurança e acesso; eles por seu turno espelharam a horrífica realidade, que testemunharam, para suas audiências, realidades que deixaram muitos da mídia organizada do ocidente perplexos, de quando não conseguindo mais manter sua propaganda, e de quando vendo suas narrativas sendo expostas e desmentidas. Os exemplos são muitos para serem contados. Nós permitimos ajuda internacional e que organizações de ajuda e socorro pudessem entrar no país, mas os agentes clandestinos de certas partes presentes aqui nessa sala, obstruíram essa ajuda a chegar àqueles em horrível e fatal necessidade dela. Essa ajuda foi muitas vezes posta abaixo de ataques terroristas. Nós, como estado e governo, cumprimos nosso dever de proteger os agrupamentos de socorro  e de facilitar seu trabalho. Nós anunciamos inúmeras anistias e soltamos milhares de prisioneiros, alguns mesmo sendo membros de grupos armados, e mesmo frente a ira e consternação dos familiares das vítimas; essas famílias entretanto, como nós outros, tivemos que aceitar que os interesses da Síria tinham prioridade sobre tudo o mais aqui e portanto tivemos que ocultar nossos sofrimentos e nos levantar acima do rancor e do ódio.
O que foi que vocês que pretendem falar em nome do povo sírio fizeram? Qual é sua visão para esse grande país? Onde estão suas idéias ou o seu manifesto político? Quais são os seus agentes de mudança no solo, tirando as gangs criminais armadas? Tenho certeza que vocês não tem o que se necessita, e isso está simplesmente muito óbvio nas áreas ocupadas pelos seus mercenários, ou para usar suas próprias palavras, libertadas.
Vocês libertaram a população dessas áreas ou simplesmente sequestraram a sua cultura moderada, para forçar as suas práticas radicais e opressivas? Vocês implementaram a sua agenda de desenvolvimento através da construção de escolas e centros de saúde? Não, vocês os destruíram e deixaram que a poliomelite retornasse ao país, depois de ter sido previamente extirpada da Síria. Vocês estiveram protegendo os museus e artefactos da Síria? Não, vocês estiveram saqueando nosso patrimônio nacional para seus benefícios pessoais. Vocês estiveram demonstrando compromissos para com a justiça e os direitos humanos? Não, vocês estiveram praticando execuções públicas e decapitações. Enfim, vocês não fizeram nada disso com a excepção de chamar a desgraça e a vergonha de implorar aos Estados Unidos que bombardeassem a Síria. Mesmo a oposição, da qual vocês são os auto-determinados senhores e guardiões, não vos reconhecem, assim como não aceitam os métodos que vocês usam para manejar seus próprios interesses, muito meno então os negócios e interesses do país.
Esse país que eles pretendem homogenizar; não no sentido sectário, étnico ou religioso, mas num deformado sentido ideológico. Qualquer um que esteja contra eles, sejam esses cristãos ou muçulmanos, será visto como infiel; eles mataram muçulmanos de todos os credos, fazendo também de alvo mortal cristãos sírios, tratando outros com muita severidade. Mesmo freiras e bispos tornaram-se  alvos, ou  foram  sequestrados,  depois do ataque a Ma`loula, a última comunidade que ainda fala a língua de Jesus Cristo. Eles fizeram tudo isso para por os cristãos a fugir do país. Mas eles pouco sabiam de que nós, na Síria, somos uma unidade. Quando a cristandade é atacada todos os sírios se transformam em cristãos. Quando as mesquitas são atacadas todos os sirios se transformam em muçulmanos. Assim sente todo e cada sírio de Raqqa, Lattakia, Sweida, Horns, ou da ensanguentada Allepo, quando qualquer um desses lugares é atacado. As suas odiosas tentativas de semear sectarismo e tumulto religioso nunca será aceito pela população comum da Síria. Em resumo senhoras e senhores, essa gloriosa revolução não deixou de cometer nenhum pecado mortal.
A DETERMINAÇÃO , A FIRMEZA E CORAGEM DO POVO E SEU EXÉRCITO

Há ainda um outro lado desse triste panorama. A luz no fundo do túnel brilha através da determinação e firmeza do povo sírio e da coragem do Exército Sírio em proteger seus cidadãos e da elasticidade e resistência apresentada, assim como a perseverança do governo sírio. Durante tudo o que aconteceu, houveram países que nos demonstraram real amizade. Países honestos que estiveram do lado do certo contra o errado, mesmo quando o errado era tudo o que se via. Em nome do povo e da Síria, como estado, eu gostaria de agradecer a Rússia e a China por terem respeitado a soberanidade e a independência da Síria. A Rússia tem sido um real campeão no palco internacional, defendendo consistentemente através de ações, e não só com palavras, os princípios fundamentais das Nações Unidas, que respeita e exige a soberanidade das nações. De maneira similar a China, os países do grupo BRICKS, o Irã, o Iraque e outros países árabes e muçulmanos, além de países africanos e sulamericanos, também genuinamente salvaguardaram as aspirações do povo sírio, e não as ambições de outros governos quanto a Síria.
Sim senhoras e senhores, o povo sírio, como outros povos da região, deseja ardentemente mais liberdade, justiça e direitos humanos; eles desejam ardentemente mais pluralidade e democracia, querem uma Síria melhor, mais segura e fora de perigo, em prosperidade e em saúde. Desejam ardentemente o construir de instituições fortes, e não a destruição das mesmas, aspiram a assegurar nossos artefatos e patrimônio, não o saqueamento e a demolição dos mesmos. Eles desejam um exército nacional capaz, que assegure e proteja nossa honra, nosso povo e a riqueza nacional, um exército que defenda as fronteiras sírias, a sua soberania e a sua independência. Esse povo não quer, senhoras e senhores, um exército de mercenários; “Livre” para sequestrar civís, para o resgate ou para usá-los como escudos humanos; “Livre” para roubar as ajudas humanitárias, extorquir o pobre, e livre para o  ilegal comercio de órgãos humanos de mulheres e crianças vivas; “Livres para canibalizar corações e fígados humanos, assim como assar cabeças de humanos, recrutar crianças como soldados, e violar mulheres. Tudo isso feito pela força das armas; armas essas providas por países, aqui representados, e que dizem estar representando “grupos moderados”. Diga-nos, em nome de Deus, onde está essa moderação em tudo que aqui foi descrito?
Onde estão esses vagos grupos moderados atrás do qual estão tentando se esconder? Serão esses os mesmos grupos antigos que continuam a ser apoiados, militar e publicamente pelo ocidente, os que passaram por ainda piores tentativas de face-lift (rejuvenescimento) na esperança de nos convencer de que estão lutando contra o terrorismo? Todos nós sabemos que não importa o quanto suas máquinas de propaganda tentem envernizar suas imagens abaixo da denominação de moderação, o seu extremismo e terrorismo continua sendo o mesmo. Eles sabem, como nós todos sabemos, que abaixo do pretexto de apoiar esses grupos, al-Qaeda e seus afiliados estão sendo armados na Síria, Iraque e outros países da região.
Essa é a realidade, senhoras e senhores, é tempo de acordar para a incontestável realidade de que o ocidente está apoiando alguns países árabes para que forneçam armas mortais para a al-Qaeda. O ocidente afirma publicamente que está combatendo o terrorismo, enquanto de fato está encobertamente alimentando o mesmo. Quem não conseguir ver isso,  ou está cego pela ignorância, ou por desejo de acabar o que começaram.
É essa a Síria que queremos ter? A perda de milhares de mártires e da nossa antes estimada segurança pessoal e nacional, que foi substituída por uma devastação apocalíptica? Será essa a aspiração do povo sírio que desejam concretizar? Não senhoras e senhores, a Síria não irá continuar assim, e é por isso que estamos aqui. Apesar de tudo o que foi feito por alguns, nós estamos aqui para salvar o país; para terminar com as decapitações, para impedir a canibalização e a carnificina. Viemos para ajudar mães e crianças a retornarem a suas casas das quais foram afugentadas pelos terroristas. Estamos aqui para proteger os civis e a natureza aberta da mentalidade do nosso estado, do nosso país, e para impedir a marcha sistemática de outros povos [refere-se aqui a denominados  terroristas] por toda a nossa região. Estamos aqui para impedir o colapso de todo o Oriente Médio, para proteger a sua civilização, cultura e diversidade e para preservar o diálogo das civilizações no berço das religiões. Viemos para proteger a tolerância islâmica, que foi deformada, e para proteger os cristãos do Levante. Estamos aqui para dizer aos exilados que retornem ao seu país porque de outro maneira acabarão por serem eternos estrangeiros em outros lugares, e porque independentemente de nossas diferenças, ainda continuamos a ser irmãos e irmãs.
Estamos aqui para por fim ao terrorismo, como outros países que experimentaram seu gosto amargo o fizeram, enquanto afirmando alto e consistentemente que um diálogo entre sírios é a única solução; mas assim como outros países que foram assaltados pelo terrorismo, temos o dever constitucional de defender nossos cidadãos e continuaremos a combater o terrorismo que ataca sírios independentemente de suas afiliações políticas. Aqui estamos para exigir responsabilidades, porque se certos países continuarem a apoiar o terrorismo, essa conferência não trará frutos. Pluralismo político e terrorismo não tem condições de coexistir. A política só consegue progredir se lutando contra esse terrorismo; não é possível de se construir abaixo de sua sombra.
Estamos aqui como representantes do povo e do estado; mas que se fique bem claro para todos – a experiência é aqui a melhor prova – não há ninguém com a autoridade de dar, ou retirar, a legitimidade de um presidente, um governo, uma constituição, uma lei, ou qualquer outra coisa na Síria, excepto os sírios eles mesmos; esse é o seu direito, assim como o seu dever. Portanto, qualquer que seja o acordo que aqui se chegue, esse terá que ser submetido a um referendo nacional. Nós temos a tarefa de apresentar  aqui os desejos do nosso povo, não o de determinar o seu destino; aqueles que estiverem dispostos a ouvir a vontade do povo sírio, não deveriam se apresentar como sendo absolutos representantes do povo. Somente os sírios tem o direito de eleger seu governo, seus parlamentares, e sua constituição; qualquer outra coisa será só palestra, não trazendo consigo determinações definitivas, no sentido acima apresentado.
Finalmente, para todos aqui e para os que nos acompanham ao redor do mundo: na Síria estamos lutando contra o terrorismo, o qual destruiu e continua a destruir; terrorismo que desde os anos oitenta tem feito seus chamados, para ouvidos surdos, por uma frente ampla que o venha a destruir. Terrorismo atacou nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra, na Rússia, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão; a lista continua e se expande. Vamos todos cooperar nessa tarefa, vamos trabalhar conjuntamente para terminar sua malevolente, horrorosa e obscurantista ideologia. Então, que possamos como sírios estarmos unidos para poder pôr o focus na Síria, e começar a reconstruir o seu tecido e a sua estrutura social. Como foi dito, o diálogo é o fundamento desse processo, e apesar da nossa gratidão ao país anfitrião, afirmamos que o diálogo real entre os sírios deveria em facto ser feito no solo da Síria e abaixo do céu do país. Exatamente a um ano,o governo sírio propôs a sua visão para uma solução política; imagine quanto sangue inocente poderíamos ter salvo se certos países tivessem escolhidos a razão em vez de terrorismo e destruição. Por um ano inteiro estivemos chamando a um diálogo, mas o terrorismo continuou a atacar a Síria, seu povo e suas instituições.
Hoje, aqui nesse encontro de poderes árabes e ocidentais, estamos frente a uma simples escolha; podemos escolher o lutar juntos contra o terrorismo e começar um novo processo político, ou que se continue a poiar o terrorismo atacando a Síria. Rejeitemos as mentiras apresentadas por falsas mãos e faces, apresentando sorrisos publicamente, mas encobertamente alimentando a ideologia terrorista que ataca hoje na Síria, mas que se expande e poderá vir a infetar a todos nós. Esse é o momento da verdade e do destino. Que estejamos a altura do desafio.
Muito obrigado

COLÔMBIA URGENTE : Denúncia de ameaças sistemáticas contra líderes e porta-vozes da Marcha Patriótica, da MIA e do Partido União Patriótica




A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Marcha Patriótica comunica e denuncia diante da Comunidade Nacional e Internacional as Sinalizações e Ameaças de morte do grupo paramilitar que se autodenomina "LOS RASTROJOS - COMANDOS URBANOS" colocando em risco iminente a vida, a segurança e a integridade física dos líderes agrários, sociais e populares, porta-vozes e os membros da Junta Patriótica Nacional do Movimento Político e social Marcha Patriótica, da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA em diferentes regiões do país e os candidatos a Presidência, ao Senado e à Câmara do Partido Político União Patriótica.


FATOS

Centro da Colômbia, departamento de Cundinamarca, Bogotá

Às 16:44 e 16:46, foi enviado ao correio eletrônico da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Marcha Patriótica, um e-mail com o assunto: "Já Chegamos" enviado por "Felipe Ortiz" da conta flipeortiz45@gmail.com, dirigido por sua vez aos endereços de email da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA, o qual contém um arquivo em anexo intitulado "Comunicado Público n º 3" , fazendo referência à seguinte mensagem:

"Atenção todos os comandos urbanos regionais, departamentais e municipais do país: Já nos deram a ordem explícita e peremptória para neutralizar os candidatos da União Patriótica ao Senado e à Câmara em todo o país, que estão agora em campanha e especialmente tendo à frente Aida Abella e Omer Calderón, Carlos Lozano e Jaime Caicedo. Por estes personagens o comando oferece uma recompensa de 50.000.000 milhões de pesos por cada baixa.
Pelos membros da Marcha Patriótica que andam agitando os camponeses para as paralizações agrárias impedindo o bom funcionamento dos programas de Governo que são Piedad Córdoba, David Flores, Andrés Gil, Carlos Lozano, Carlos García, Nidian Quintero, Luis Betancur, Everto Dias, Javier Cuadro e todos os coordenadores departamentais, regionais, se oferece recompensa que vai de 10.000.000 milhões até 35.000.000 milhões de pesos.
Entre os da tal Mesa Nacional - MIA, que é a fachada da Marcha Patriótica, temos as seguintes pessoas: Oscar Salazar, Yuli Alsueta, Olaga Quintero, Andrés Gil, Luis Betancourt, Carlos Jarcia, Mauricio Ramo, Rigoberto Jiménez Luz Perly por estas cabeças há recompensa de até 50.000.000 milhões e por todos líderes regionais dessas organizações fachada da FARC há recompensas também que vão de 20.000.000 milhões até 35.000.000.
Já temos a ordem para começar o plano "pistola jjs" nos informaram que alguns deles andam sem proteção do Estado e nos deram as coordenadas de seus itinerários diarios esperamos ter os maiores resultados no primeiro semestre de 2014 que se vão do país ou acabamos com eles"


SOBRE A MARCHA PATRIÓTICA e a perseguição em curso

1. A Marcha Patriótica foi um processo chamado e alimentado por organizações sociais, populares, estudantis, sindicais, camponesas, indígenas, afro-colombianas, de mulheres, de trabalhadores, de desempregados, diaristas, vendedores ambulantes, etc.

2. Os companheiros ameaçados PIEDAD CÓRDOBA , DAVID FLOREZ, ANDRÉS GIL, CARLOS LOZANO, CARLOS GARCIA, NIDIA QUINTERO, LUIS BETANCUR, EBERTO DÍAZ, JAVIER CUADROS, JAIME CAICEDO, OSCAR SALAZAR, YULE ANZUETA, OLGA QUINTERO, ANDRÉS GIL, MAURICIO RAMOS, RIGOBERTO JIMÉNEZ, LUZ PERLY CORDOBA são membros do nosso Movimento Político e social e da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA. Os líderes e sobreviventes da União Patriótica fazem parte das várias organizações que integram o Movimento Político e social Marcha Patriótica, o que evidencia a perseguição política que desde 2010 vem sendo feita contra os membros das várias organizações populares e setores sociais que se encontram na Marcha Patriótica.

3. Além disso, a AIDA AVELLA, OMER CALDERON e CARLOS LOZANO e JAIME CAICEDO são líderes e sobreviventes da União Patriótica, que lideraram o processo político e eleitoral do Partido União Patriótica, cujos militantes foram exterminados por forças regulares e irregulares durante os anos oitenta e noventa.

3. As ameaças e acusações contra os líderes sociais e populares que compõem o Movimento Político e social Marcha Patriótica se intensificaram ao longo do ano passado, o que significou a morte de 30 membros de nosso movimento político e social. No ano passado, além de vários assédio por agentes do Estado e paraestatal sem que o Estado tenha tomado até hoje medidas para cessar tais ataques.

4. Desde os dias prévios a realização das "Jornadas Nacionais de Protestos e Paralisações Indefinidos", houve acusações, monitoramento e detenções arbitrárias, entre as quais se destaca a do nosso companheiro HUBER BALLESTEROS que foi preso na cidade de Bogotá em 25 de agosto de 2013 e mais de 600 prisões arbitrárias durante o Paro Nacional Agropecuário e Popular. Estes fatos são parte da onda de repressão do Governo Nacional contra os líderes agrários e sociais que participaram na Paralisação Agrária e Popular, particularmente contra a MIA Nacional e contra as MIAs regionais.

5. Em 23 de outubro de 2013, foi preso o líder agrário WILMAR MADROÑERO, membro da ASCAP, filial FENSUAGRO - CUT - FSM, e da Junta Patriótica Nacional do Movimento Político e social Marcha Patriótica e da MIA regional de Putumayo na cidade de Puerto Asis.

6. Em 4 de janeiro de 2014, na cidade de Cucuta, Norte de Santander, agentes da DIJIN, prenderam o líder social e popular, professor universitário, membro da Junta Patriótica Nacional e responsável da comissão internacional da Marcha FRANCISCO JAVIER FUENTES TOLOZA ao transitar pela cidade, acusando-o do delito de "rebelião agravada" mediante uma montagem judicial semelhante à do líder sindical e agrário HUBER BALLESTEROS.

7. Em 4 de janeiro foram assassinados o líder social e popular do departamento de Chocó GIOVANY LAYTON e sua esposa, membros do movimento político e social Marcha Patriótica e da MIA Chocó.

8. Em 26 de janeiro de 2014 foi assassinado o líder comunitário DUVIS ANTONIO GALVIS, que ia em direção a sua residência em sua motocicleta, momento em que ele foi interceptado por desconhecidos que dispararam contra Duvis Antonio, que teve múltiplos ferimentos de bala no peito, o que causou sua morte.


RESPONSABILIZAMOS

O chefe de Estado colombiano JUAN MANUEL SANTOS CALDERON, pelas violações do Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH) cometidas por membros das forças armadas irregulares em diferentes estados do país.

EXIGIMOS

Responsabilidade do Estado frente aos direitos à vida, à liberdade, à segurança pessoal, à integridade física e psicológica, à intimidade pessoal e familiar e seu lar, ao trabalho, à organização, à honra e à reputação e livre mobilidade de 
PIEDAD CÓRDOBA, 
DAVID FLOREZ, 
ANDRÉS GIL, 
CARLOS LOZANO,
CARLOS GARCÍA,
NIDIA QUINTERO, 
LUIS BETANCUR, 
EBERTO DÍAZ , 
JAVIER CUADROS, 
JAIME CAICEDO, 
OSCAR SALAZAR, 
YULE ANZUETA, 
OLGA QUINTERO, 
ANDRÉS GIL, 
MAURICIO RAMOS,
 RIGOBERTO JIMÉNEZ, 
LUZ PERLY CORDOBA 
e demais membros do Movimento Político e social Marcha Patriótica, da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA e os líderes do Partido UNIÃO PATRIÓTICA 
AIDA AVELLA e 
OMER CALDERON 
que estão sendo afetados pela ação arbitrária de forças armadas irregulares em áreas de operações militares e policiais do Estado Colombiano.


AO ESTADO COLOMBIANO
* O imediato cumprimento das reiteradas recomendações formuladas pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos, pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e outros organismos internacionais.

* Encaminhar o que seja necessário para alcançar e garantir os direitos à vida, à liberdade, à segurança pessoal, à integridade física e psicológica, à privacidade pessoal, familiar e do lar, trabalho, organização, honra e reputação e à livre mobilidade dos membros do Movimento Político e social Marcha Patriótica Agrícola, da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA, do Partido União Patriótica, que estão sendo afetados pela ação arbitrária de forças armadas irregulares em áreas de operações militares e policiais do Estado Colombiano.

* Desenvolver as ações legais necessárias para determinar as responsabilidades coletivas e individuais por violações do Direito Internacional dos Direitos Humanos consagrados nos feitos dessa Ação Urgente.


À DEFENSORIA DO POVO

* Cumprir com seu papel institucional de zelar pela garantia e respeito aos direitos constitucionais à vida, à liberdade, à segurança pessoal, à privacidade pessoal, familiar e do lar, trabalho, organização, honra e reputação e à livre mobilidade dos membros do Movimento Político e social Marcha Patriótica Agrícola, da Mesa Agropecuária e Popular de Diálogo e Acordo - MIA, do Partido União Patriótica, que estão sendo afetados pela ação arbitrária de forças armadas irregulares em áreas de operações militares e policiais do Estado Colombiano.

* Desenvolver as ações legais necessárias para determinar as responsabilidades coletivas e individuais por violações do Direito Internacional dos Direitos Humanos consagrados nos feitos dessa Ação Urgente.


SOLICITAMOS

AO ESCRITÓRIO DO ALTO COMISSIONADO DAS NAÇÕES PARA OS DIREITOS HUMANOS (OACNUDH)
No marco do cumprimento do seu mandato prestar toda sua gestão para que a atuação do Estado Colombiano esteja de acordo às normas internas e externas que se comprometeu a respeitar, e que iniciem as investigações que possam ser exigidas pelo desconhecimento das mesmas.

INCITAMOS AOS ORGANISMOS DE DIREITOS HUMANOS E ORGANIZAÇÕES POPULARES A MANTEREM-SE EM ALERTA E ATENTOS DA SITUAÇÃO CRÍTICA DE DIREITOS HUMANOS QUE ESTÃO ENFRENTANDO OS MEMBROS DA MARCHA PATRIÓTICA, DA MESA AGROPECUÁRIA E POPULAR DE DIÁLOGO E ACORDO - MIA E DO PARTIDO UNIÃO PATRIÓTICA.

COMISSÃO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DO MOVIMENTO POLÍTICO E SOCIAL MARCHA PATRIÓTICA.
02 de fevereiro de 2014

Fonte em espanhol: http://marchapatriotica.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2052:amenazas-sistematicas-contra-lideres-y-voceros-de-la-marcha-patriotica-la-mia-y-el-partido-union-patriotica&catid=99:ddhh-denuncias&Itemid=476


domingo, 26 de janeiro de 2014

Presidente Bashar al-Assad: Entrevista à Agência France Presse (AFP)

21/1/2014, Global Research (SANA e AFP)
Traduzido da versão em inglês da entrevista pelo pessoal da Vila Vudu

Comentário da Elza Pata no Quiosque “É Duca” na Vila Vudu:
IMPRESSIONANTE o tom enviesado-vicioso, quando não é completamente tolo, das perguntas do jornalista da AFP (o que também chamou a atenção de Global Research).
O presidente Bashar al-Assad deve ser coroado “Campeão Mundial de Paciência, Moderação e Boa Educação para a Convivência Democrática”: hoje, já é incontável o número de jornalistas ocidentais PERFEITAMENTE IMBECIS que o entrevistaram, e aos quais ele sempre respondeu com bons modos.
Em Interviewing Bashar al-Assad o jornalista entrevistador, da AFP, escreve três laudas sobre os passos prévios à entrevista. Dentre outros comentários imbecis, diz que o presidente Assad, em pessoa, “não parece um déspota sanguinário; parece mais “um gerentão” [sic]; e o jornalista apresenta-se como personagem importantíssimo, naquele encontro, o que ele, evidentemente, não é.
Esperemos que, pelo menos na última linha, tenha feito justiça aos fatos, sem opinionismo “jornalístico” tosco: “O palácio grava a entrevista e nos entrega transcrições em árabe, inglês e francês. Verificamos atentamente: nada foi cortado”.
Aqui, a tradução da versão em inglês.
Nenhum jornal da imprensa-empresa VAGABUNDA, no Brasil inteirinho, publicou a íntegra dessa entrevista.

Sammy Ketz da AFP "entrevista" Bashar al-Assad
AFP: Sr. Presidente, o que o senhor espera da Conferência Genebra-2?

Presidente Assad: O elemento mais básico, ao qual nos referimos continuamente, é que a Conferência de Genebra produza resultados claros no que diz respeito à luta contra o terrorismo na Síria. Em particular, é preciso pressionar os países que estão exportando terrorismo – enviando terroristas, dinheiro e armas a organizações terroristas –, especialmente Arábia Saudita e Turquia. E, claro, os países ocidentais que fornecem cobertura política para essas organizações terroristas. Esta é a decisão mais importante ou o mais importante resultado que a Conferência de Genebra poderia produzir. Qualquer solução política que seja alcançada e não preveja o combate contra o terrorismo, não terá valor algum. Não pode haver qualquer ação política, enquanto o terrorismo estiver em todos os lugares, não só na Síria, mas em países vizinhos também. Do lado político, Genebra-2 pode contribuir para construir um processo de diálogo entre os sírios. Tem que haver um processo sírio dentro Síria. E Genebra poderia apoiar isso. De nada servirá, se tentar pôr-se como substituto desse processo.

AFP: Depois de quase três anos de guerra devastadora e do grande desafio de reconstrução do país, é provável que o senhor não venha a ser candidato à presidência?

Presidente Assad: Isso depende de duas coisas. Depende de aspirações pessoais, de uma decisão pessoal minha, por um lado; e depende também da opinião pública síria, por outro. Pessoalmente, penso nisso e não vejo motivo algum pelo qual não devesse pensar. E vale o mesmo para a opinião pública síria. Mas ainda temos quatro meses antes do início do processo eleitoral. Se nesse momento houver sinal de desejo público a favor de minha candidatura, eu, pessoalmente, não hesitarei nem por um momento em concorrer à eleição. Pode-se dizer, em resumo, que há chances significativas de eu me candidatar à eleição.

AFP: Nestes últimos anos, o senhor alguma vez pensou sobre perder a batalha? Já pensou em um cenário alternativo para o senhor e sua família?

Presidente Assad: Em qualquer batalha, sempre se pode ou ganhar ou perder. Mas quando você luta para defender seu país, é óbvio que a única opção é vencer. Se a Síria perder esta batalha, significará que o terrorismo se disseminará, que o caos se disseminará, para todo o Oriente Médio. Esta batalha não está confinada à Síria. Não é, como a propaganda ocidental a pinta, uma revolta popular contra um regime que reprime seu povo, uma revolução que estaria clamando por democracia e liberdade. Agora, muita gente já está vendo que essas mentiras são o que são, mentiras. Nenhuma revolução popular duraria três anos para, no final, fracassar. E tampouco alguma revolução nacional poderia seguir agenda estrangeira.

Se o senhor está perguntando por cenários que eu tenha considerado, sim, naturalmente, há vários cenários possíveis, 1º, 2º, 3º... 10º, mas todos estão focados em defender a Síria, não em fugir da luta. Fugir não é opção a considerar nestas circunstâncias. Estou e tenho de permanecer na vanguarda dos que defendem a Síria. Tem sido assim, desde o primeiro dia.

AFP: O senhor acredita que esteja vencendo essa guerra?

Presidente Assad: Essa guerra não é minha, para que eu a ganhe. É guerra nossa, dos sírios. Acho que esta guerra tem, por assim dizer, duas fases. A primeira fase, que tomou a forma de projetos elaborados no início, visou a derrubar o estado sírio em questão de semanas ou meses. Agora, três anos depois, podemos dizer com segurança que esse projeto fracassou. Nesse sentido, o povo venceu. Havia países que não queriam só derrubar o estado: também queriam dividir o país em vários "miniestados”. Esse projeto também falhou; consequentemente, é mais uma a vitória para o povo sírio. Agora estamos noutra fase da batalha, que é a luta contra o terrorismo, que nós estamos vivendo diariamente. Como o senhor sabe, esta fase ainda não acabou. Assim sendo, não posso falar sobre ter ganhado, antes de eliminar os terroristas. O que podemos dizer é que estamos progredindo e avançando. Isso não significa que a vitória esteja próxima. Esse tipo de guerra é complicado, difícil e exige tempo, muito tempo. Mas, como eu disse, e repito, estamos avançando. Mas ainda não vencemos o terrorismo.

Bashar al-Assad durante a entrevista da AFP em 21/1/2014
AFP: De volta a Genebra-2, o senhor apoia uma decisão da conferência no sentido de todos os combatentes estrangeiros deixarem a Síria, incluindo o Hezbollah?

Presidente Assad: É evidente que o trabalho de defender a Síria é responsabilidade do povo sírio, das instituições da Síria e em particular do exército sírio. Assim, não há razão para que combatentes não sírios envolverem-se aqui; e, aqui, antes, nunca houve estrangeiros atacando civis. O Hezbollah não se inclui nessa lista, não ataca civis e está exclusivamente na fronteira sírio-libanesa. Quando se fala de combatentes estrangeiros que tenham de sair da Síria, a decisão teria de vir como parte de um pacote maior, que incluiria que todos os grupos armados – inclusive sírios – entregassem suas armas ao estado sírio. Assim, consequentemente, se poderia pensar em estabilidade. Mas, sem isso, eu não diria que nosso objetivo é que todos os combatentes não sírios deixem a Síria. O enfoque não é esse.

AFP: Além da troca de prisioneiros e um cessar-fogo em Aleppo, que iniciativas o senhor disposto a apresentar em Genebra-2?

Presidente Assad: A iniciativa síria já foi apresentada há exatamente um ano, em janeiro do ano passado. É uma iniciativa completa, que abrange tanto os aspectos políticos e de segurança como outras dimensões que levariam a estabilidade. Todos esses detalhes fazem parte da iniciativa que a Síria já apresentou há um ano. Mas qualquer iniciativa, seja essa ou qualquer outra, tem de ser o resultado de um diálogo entre os sírios. A essência de tudo o que seja proposto, seja a própria crise, o combate ao terrorismo ou alguma futura visão política e um sistema político para a Síria, é que tem de ser aprovado pelos sírios. Nossa iniciativa foi baseada em um processo para facilitar esse diálogo. Não foi processo que visasse a manifestar o ponto de vista do governo. Sempre foi nossa opinião que qualquer iniciativa tem de ser coletiva e produzida por todos os atores políticos na Síria e pelo povo sírio em geral.

AFP: A oposição que vai participar em Genebra-2 está dividida em muitas facções em confronto em campo e muitos dizem que não representam ninguém. Se não se chegar a um acordo, o que acontecerá em campo?

Presidente Assad: Esta é a mesma pergunta que nós também estamos fazendo, como governo: quando eu negociar, com quem estarei negociando? Não se espera que haja muitos lados em Genebra-2. Ainda nem se sabe quem irá, mas haverá vários partidos, inclusive o governo sírio. É claro para todos que alguns dos grupos que talvez estejam presentes à conferência sequer existiam há pouco tempo. Na verdade, são grupos que foram criados durante a crise, por agências de inteligência estrangeiras, no Qatar, na Arábia Saudita, na França, nos EUA ou em outros países. Então, quando nos sentamos com esses grupos, na verdade estamos negociando com esses países. Então... Que lógica há em a França ser parte a ser ouvida para solucionar o conflito sírio? Ou o Qatar, ou os EUA, ou a Arábia Saudita ou a Turquia? Não faz sentido.

O que se vê é que, quando negociamos com esses partidos, estamos na verdade a negociar com os países que estão por trás deles, os mesmos que apóiam o terrorismo na Síria. Há outras forças de oposição na Síria que têm uma agenda nacional – e que são as partes com as quais faz sentido negociarmos.

Sobre a questão de uma visão para o futuro da Síria, estamos abertos para estes partidos sírios interessados em participar no governo do estado sírio, no governo e em outras instituições. Mas, como já disse antes: tudo o que for acordado com qualquer partido, seja em Genebra ou na Síria, tem de ser aprovado pelos próprios sírios, mediante um referendo.

AFP: Neste contexto, os acordos de cessar-fogo iniciados em Moadimiya e Barzeh podem ser alternativa a Genebra-2?

Presidente Assad: A verdade é que essas iniciativas podem ser até mais importantes que Genebra, porque a maioria dos terroristas que agem em solo não têm nenhuma agenda política. Alguns deles tornaram-se ladrões armados profissionais, e outros, como você sabe, são organizações takfiri que lutam por um emirado islâmico extremista e coisas desse tipo. Genebra não significa coisa alguma, para esses grupos. Por esta razão, a ação direta e os modelos que foram alcançados em Moadamiyeh, em Barzeh e em outros lugares na Síria têm-se provado muito eficazes. Mas isso é parte do processo político, que tem a ver com o futuro político da Síria. Estas reconciliações ajudaram a estabilidade, o que ajuda a pavimentar o caminho para o diálogo político que mencionei anteriormente.

AFP: O senhor está preparado para ter um primeiro-ministro da oposição em um governo futuro?

Presidente Assad: Isso depende do que essa oposição represente. Quando se representa a maioria, digamos, no Parlamento, naturalmente essa maioria deve levar ao governo. Mas nomear um primeiro-ministro da oposição sem que a oposição tenha qualquer maioria, não faz qualquer sentido político, em nenhum país do mundo. No seu país, por exemplo, ou na Grã- Bretanha ou em outro lugar, você jamais terá primeiro-ministro de minoria parlamentar. Isso tudo vai depender das próximas eleições, de que falamos na iniciativa síria. Elas é que podem mostrar o tamanho real do apoio que têm as várias forças da oposição. Quanto à participação da oposição, como princípio, sim, é claro que apoiamos, é claro que é uma coisa boa.

AFP: O senhor está preparado para ter, por exemplo, Ahmed Jarba ou Moaz Khatib, como seu primeiro-ministro?

Presidente Assad: Estamos voltando à pergunta anterior. Quem garante que alguma dessas pessoas representa o povo sírio ou maioria significativa do povo sírio ou, mesmo, uma pequena parte do povo sírio? E se representarem só eles mesmos ou os estados que os criaram e sustentam? Já respondi essa pergunta. Cada um desses grupos só representa o país que os criou. A participação de cada um desses indivíduos significaria participação desses vários estados no governo sírio. Não faz sentido. Este é o primeiro ponto.

Em segundo lugar, suponhamos que aceitemos a participação deles no governo da Síria. O senhor acredita que teriam coragem de vir viver na Síria, para trabalhar no governo? É claro que não. Ano passado, diziam que controlavam 70% da Síria. Mas jamais tiveram coragem, sequer, de pôr os pés nas áreas que diziam controlar. Vieram até a fronteira, posaram para uma foto e, em seguida, já fugiram dali. Como poderiam ser ministros no governo? Por que um estrangeiro teria de ser ministro sírio? Essas ideias são irrealistas. No máximo, são uma boa piada.

Morteiro não explodido na região de Daraya, sudeste de Damasco em 17/1/2014
AFP: Sr. Presidente, o senhor disse que isso depende dos resultados das eleições. Mas como organizar eleições, se parte do território da Síria está nas mãos de insurgentes?

Presidente Assad: Durante esta crise, depois de essa agitação começar na Síria, já tivemos duas eleições: primeiro, as eleições municipais; depois, eleições parlamentares. Claro, nem tudo se pode fazer como se houvesse circunstâncias normais, mas as estradas entre as regiões da Síria estão abertas, e as pessoas podem deslocar-se livremente entre diferentes regiões. Aqueles que vivem em áreas de difícil acesso podem deslocar-se para áreas vizinhas para votar. Haverá dificuldades, mas não é um processo impossível.

AFP: O senhor vê alguma diferença entre os combatentes da oposição política e os jihadistas, agora que estão lutando juntos?

Presidente Assad: Se o senhor me perguntasse no início da crise, ou nas fases anteriores, minha resposta seria uma. Hoje, minha resposta é diferente: já não há dois grupos, contra o estado sírio.

Nós todos sabemos que durante os últimos meses, os grupos terroristas extremistas que lutam na Síria já dizimaram as últimas posições restantes das forças que o ocidente ainda pinta como se fossem moderadas, do Exército Sírio Livre. Não existe mais Exército Sírio Livre. Agora só há extremistas, divididos em várias facções. Os combatentes que o ocidente chama de ‘moderados’, esses, na maioria, já se fundiram àquelas forças extremistas, seja por medo ou voluntariamente, estimulados por incentivos financeiros. Em resumo, independentemente dos rótulos que se leiam na mídia ocidental, nós agora estamos em luta contra um grupo terrorista extremista composto de várias facções.

AFP: Seria possível, para o exército e a oposição, lutarem lado a lado com jihadistas [contra outros jihadistas]?

Presidente Assad: Nós cooperamos com qualquer partido que se queira juntar ao exército na luta contra os terroristas. E já aconteceu antes. Há muitos militantes que deixaram essas organizações e se juntaram ao exército. É possível. Mas são casos individuais. Não implica que se faça uma aliança entre jihadistas ‘moderados’ e o exército, contra terroristas. Essa representação é falsa. É uma fantasia que o ocidente tem usado, para tentar justificar o apoio que tem dado aos terroristas na Síria. O ocidente apoia o terrorismo sob o pretexto de que estaria apoiando algum terrorismo ‘moderado’ contra outro terrorismo extremista. É ilógico. Não faz sentido algum. É falso.

AFP: O estado acusa os rebeldes de usar civis como escudos humanos em áreas sob seu controle. Mas quando o exército ataca bolsões de jihadistas, pode também matar inocentes, não?

Presidente Assad: O exército não ataca bairros onde haja moradores. Só atacamos bairros onde só há terroristas. O que acontece é que os terroristas entram em áreas residenciais e forçam a saída dos moradores. Por que você acha que há tantos refugiados? A maioria dos milhões de sírios refugiados fora da Síria ou longe de suas áreas residenciais deixaram as casas porque os bairros foram invadidos por terroristas. Se há civis entre esses grupos armados, por que atacariam seus próprios bairros? O exército está lutando contra terroristas armados, e em alguns casos, os terroristas usaram civis como escudos humanos. As mortes de civis são, infelizmente, efeito de qualquer guerra. Não existe guerra limpa, sem mortes entre civis. Essa é a natureza infeliz de guerra. Por isso temos de pôr fim à guerra.

AFP: Sr. Presidente, algumas organizações internacionais têm acusado o governo e a oposição de cometer abusos. Após o fim da guerra, o senhor aceitaria que se investiguem esses abusos?

Presidente Assad: O que muitas dessas organizações dizem não tem lógica alguma. Não estaríamos até hoje no governo da Síria, se estivéssemos matando nosso próprio povo, e depois de três anos de guerra, e em luta contra dezenas de países interessados em derrubar o governo da Síria. Se o estado sírio estivesse matando seu povo, os sírios já o teriam derrubado há muito tempo. Continuamos onde estamos, porque temos, sim, o apoio do povo sírio. O que essas organizações dizem mostra a ignorância delas sobre a real situação na Síria, ou é prova de que obedecem a agendas políticas dos estados que mantêm essas organizações. Não pode haver dúvida – e há centenas de provas – de que os terroristas cometem massacres e matam civis. Até hoje, por mais que tenham procurado, essas organizações que o senhor cita não encontraram sequer uma prova de que o governo sírio tenha cometido massacre contra civis, seja onde for.

AFP: Sr. Presidente, sabemos de jornalistas estrangeiros que foram sequestrados por grupos terroristas. Há jornalistas estrangeiros nas prisões do Estado?

Presidente Assad: Melhor o senhor perguntar às agências especializadas relevantes, sobre este assunto. Com certeza lhe responderão.

AFP: Será que é possível, algum dia, uma reconciliação entre a Síria por um lado, e Arábia Saudita, Qatar e Turquia, por outro?

Uma das ruas de Deir Ezzor , norte da Síria em 4/1/2014  Foto/Ahmad Aboud
Presidente Assad: A política muda constantemente, mas essa mudança depende de dois fatores: princípios e interesses. Nós não compartilhamos princípios com os estados que você menciona; esses estados apoiam o terrorismo e têm contribuído para o derramamento de sangue na Síria. Quanto aos interesses, precisamos nos perguntar: será que o povo sírio concordará com ter interesses comuns com esses países, depois de tudo o que aconteceu e de tanto sangue sírio derramado? Não quero responder em nome do povo sírio. Se as pessoas acreditam que compartilham interesses com estes estados, e se esses estados abandonarem a política de apoiar o terrorismo, é plausível que o povo sírio venha a concordar com restaurar as relações. Eu não posso individualmente, nem como Presidente, responder em nome de todo o povo da Síria, hoje. É decisão que o povo tomará.

AFP: Sr. Presidente, o senhor foi convidado para cerimônias do 14 de Julho (Dia da Bastilha, na França), no Palácio do Eliseu, em Paris. A posição da França hoje surpreende o senhor? O senhor acha que França pode ter algum tipo de papel na Síria, algum dia?

Presidente Assad: Não, não me surpreende, porque aquele convite aconteceu durante um período, 2008-2011, quando tentavam seduzir a Síria e a política síria. A França foi acusada por isso, pelos Estados Unidos, quando Sarkozy se tornou presidente. Houve um acordo entre a França e a administração Bush sobre isso, já que a França é tida como velha amiga dos árabes e da Síria e, como tal, pareceu mais adequada para desempenhar o papel. Naquele tempo, tentavam usar a Síria contra o Irã e o Hezbollah, e puxar a Síria para longe de qualquer apoio que pudesse dar a organizações da Resistência na região. Esta política francesa falhou, porque o seu objetivo “oculto” estava por demais evidente. Em seguida, a chamada Primavera Árabe começou, e a França voltou-se contra a Síria, depois de não ter conseguido fazer o que os EUA a mandaram fazer. Esta é a razão daquela posição francesa naquele momento. E entende-se também por que mudou em 2011.

Quanto a algum papel da França no futuro, falemos francamente. Desde 2001 e os ataques terroristas em Nova York, já nem se pode falar de nenhum europeu, em matéria de decisão política (e isso, sem olhar para a década dos 1990). Em todo o ocidente, só há uma política, e é a política dos EUA, sempre implementada por alguns países europeus. E tem sido exatamente assim em todas as questões da nossa região, na última década. Hoje, vemos a mesma coisa: ou a política europeia é formulada com as bênçãos dos EUA, ou a política americana é adotada pelos europeus como se fossem políticas suas.

Assim sendo, não acredito que a Europa, e especialmente a França, que costumava liderar a política europeia no passado, consiga chegar a ter qualquer papel importante no futuro da Síria, ou nos países vizinhos.

Há outra razão também: as autoridades políticas ocidentais perderam completamente a credibilidade. Já nem se pode falar de “dois pesos e duas medidas”, porque os padrões agora são triplos e quádruplos. Eles têm todos e quaisquer padrões, para cada situação política. Eles perderam a credibilidade, porque já venderam todos os seus princípios em troca de interesses. Daí que, hoje, já é impossível cogitar de construir alguma política consistente com os europeus. Dizem uma coisa hoje e, amanhã, estarão fazendo exatamente o oposto do que disseram e fizeram hoje. Por isso, não me parece que a França terá qualquer papel no futuro imediato, a menos que mude completamente suas políticas, a política do núcleo do governo e volte a ser o estado politicamente independente que já foi.

AFP: Quanto tempo o senhor estima que seja necessário para a Síria livrar-se completamente de seus arsenais de armas químicas?

Presidente Assad: Depende do que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) fará, do equipamento que nos dê, para fazer o processo. Até agora, o processo de fabricação deste material tem sido bastante lento. Por outro lado, como você sabe, o desmonte e a neutralização dos materiais químicos não estão sendo feitos na Síria, nem pelo Estado sírio. Vários países em diferentes partes do mundo aceitaram realizar esse processo; alguns concordaram com lidar com os materiais menos perigosos; outros se recusaram. O prazo, portanto, depende desses dois fatores – da OPAQ e dos países que aceitam neutralizar os materiais em seus territórios. Não cabe à Síria definir prazos. A Síria fez sua parte, na preparação e coleta de dados, e demos pleno acesso aos inspetores que verificaram esses dados e inspecionaram os agentes químicos. O resto, como eu disse, é com os demais envolvidos.

AFP: Sr. Presidente, o que mudou na sua vida pessoal, diária, na vida de sua família? Os seus filhos entendem o que está acontecendo? O senhor conversa com eles sobre isso?

Presidente Assad: Algumas coisas não mudaram. Saio todos os dias para trabalhar, como de costume, e moramos na mesma casa, como antes; e as crianças vão à escola, isso não mudou. Por outro lado, há coisas que afetaram todos os lares sírios, inclusive o meu: a tristeza vive conosco, todos os dias – porque todos sabemos das vítimas feridas e mortas, da dor das famílias. E eu, pessoalmente, sei também da infraestrutura destruída, das dificuldades da economia. Todas as famílias sírias foram afetadas, inclusive a minha. Não há dúvida de que as crianças são afetadas mais profundamente que os adultos, nestas circunstâncias. Esta geração provavelmente vai crescer mais depressa e amadurecer muito mais rápido, como efeito da crise. Há perguntas que as crianças fazem, por causa do que está acontecendo, que normalmente os pais não ouvem com tanta frequência. Por que há pessoas tão más? Por que há vítimas? Não é fácil de explicar essas coisas para as crianças, mas são perguntas cotidianas persistentes e um tema de discussão em todas as casas, inclusive na minha.

AFP: Ao longo desses anos, qual a situação mais difícil que o senhor enfrentou?

Presidente Assad: Não é necessariamente uma situação, em particular, mas um conjunto de coisas. Sempre houve coisas difíceis de enfrentar, e continuam difíceis. A primeira, creio eu, é o terrorismo, o grau de selvageria e desumanidade que os terroristas atingiram nos lembra do que acontecia na Idade Média na Europa, há mais de 500 anos. Em tempos mais recentes, modernos, nos lembra os massacres perpetrados pelos otomanos contra os armênios, quando foram mortos 1,5 milhão de armênios e meio milhão siríacos ortodoxos na Síria e em território turco.

Outra coisa sempre difícil de entender é a superficialidade dos funcionários ocidentais, na incapacidade de entender o que aconteceu na região e, depois, na incapacidade para propor uma visão, sequer para o presente, muito menos para o futuro. Sempre demoram demais a perceber as coisas, os processos, às vezes só compreendem uma situação passada, quando já passou e já há outra, nova realidade, completamente diferente.

Outra coisa difícil de entender é a extensão da influência dos petrodólares, na mudança de papéis, na arena internacional. Por exemplo: como explicar que o Qatar tenha-se transformado, de estado marginal, em estado poderosíssimo, ao mesmo tempo em que a França converteu-se em estado comandado de fora, por procuração, para implementar políticas que interessam ao Qatar? É também o que se vê acontecer agora, entre França e Arábia Saudita. Como é possível que petrodólares levem a França, dentre outras potências ocidentais, mas sobretudo a França, a vender seus princípios, os princípios da Revolução Francesa, em troca de alguns bilhões de dólares? Aí está. São algumas das coisas, dentre outras, sempre difíceis, para mim, de compreender e aceitar.

Bashar al-Assad durante a entrevista de 21/1/2014
AFP: O julgamento dos acusados pelo assassinato do ex-Primeiro-Ministro libanês, Rafic Hariri, começou. O senhor acha que será julgamento justo?

Presidente Assad: Nove anos se passaram, desde o início do processo. Atendeu-se à justiça? A acusação foi, do começo ao fim, feita por razões políticas. Até recentemente, não se viu nenhuma prova tangível apresentada contra as partes envolvidas no caso. A verdadeira pergunta deveria ser: por que demorou tanto? Por que agora? Este tribunal foi criado há nove anos. Houve recentemente alguma descoberta importante? Por que, de repente, começa o julgamento? Minha opinião é que tudo, aí, está muito fortemente politizado, e o julgamento visa a pressionar o Hezbollah no Líbano, assim como, no início, tudo foi feito para pressionar a Síria e envolvê-la no assassinato de al-Hariri.

AFP: O senhor disse que a guerra vai acabar quando o terrorismo for erradicado. Mas os sírios e todo mundo querem saber quando esta guerra acabará? Alguns meses? Um ano? Nos próximos anos?

Presidente Assad: Esperamos que a conferência de Genebra seja capaz de dar uma resposta a parte dessa sua pergunta, pressionando aqueles países, na direção da paz. Nada disso tem a ver com a Síria, porque, se tivesse, aqueles mesmos estados teriam sido pressionados desde o início, o que poderia ter impedido que o terrorismo entrasse na Síria. Do nosso lado, se Genebra-2 conseguir impedir que o terrorismo continue a ser financiado, alimentado e armado, o fim da guerra pode não tardar mais que alguns meses.

AFP: Há notícias de que agências ocidentais de inteligência ocidentais querem reabrir canais de comunicação com Damasco, para pedir ao seu governo ajuda na luta contra o terrorismo. O senhor está disposto a colaborar?

Presidente Assad: Houve reuniões entre agências sírias e várias agências de inteligência de vários países. Nossa resposta tem sido que a cooperação de segurança não pode ser separada da cooperação política, e não pode haver cooperação política enquanto aqueles mesmos estados continuarem a manter políticas anti-sírias. Em poucas palavras, e bem clara, nossa resposta foi e é essa.

AFP: O senhor disse, antes, que o estado sírio cometeu erros. Na sua opinião, que erros poderiam ter sido evitados?

Presidente Assad: O que eu disse foi que erros sempre acontecem, em qualquer situação. Não falei de erros específicos, nem poderia ter falado, porque só se pode fazer avaliações e detectar erros depois de a crise estar superada, quando afinal é possível avaliar toda a experiência. Avaliar erros enquanto estamos em plena crise teria significado limitado.

AFP: Sr. Presidente, sem Rússia, China e a ajuda do Irã, o senhor teria conseguido resistir às guerras declaradas contra seu governo?

Presidente Assad: Isso não é pergunta sobre fato: é pergunta sobre uma hipótese. Não posso responder, porque não se sabe como seria o mundo, sem essa ajuda, como o senhor disse. A realidade tem mostrado que o apoio russo, chinês e iraniano tem sido importante e tem contribuído para que a Síria mantenha-se firme. Sem esse apoio, é provável que as coisas tivessem sido muito mais difíceis. Como? Não sei. É difícil traçar um quadro hipotético, no atual momento.

AFP: Depois de tudo o que aconteceu, o senhor imagina que outro presidente encarregue-se da reconstrução da Síria?

Presidente Assad: Se for o desejo do povo sírio, não tenho problema algum com isso. Não tenho nenhum apego ao poder. Se o povo sírio decidir que não serei eu, será outro. Não tenho nenhum problema pessoal com esta questão.

AFP: Muito obrigado, Sr. Presidente.