sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Estado e a violência

Por Mauro Iasi.
“Nosso objetivo final é a supressão do Estado,
isto é, de toda a violência, organizada e sistemática, 
de toda coação sobre os homens em geral”

Lenin

A maior de todas as violências do Estado é o próprio Estado. Ele é, antes de tudo, uma força que sai da sociedade e se volta contra ela como um poder estranho que a subjuga, um poder que é obrigado a se revestir de aparatos armados, de prisões e de um ordenamento jurídico que legitime a opressão de uma classe sobre outra. Nas palavras de Engels é a confissão de que a sociedade se meteu em um antagonismo inconciliável do qual não pode se livrar, daí uma força que se coloque aparentemente acima da sociedade para manter tal conflito nos limites da ordem.

A ideologia com a qual o Estado oculta seu próprio fundamento inverte este pressuposto e o apresenta como o espaço que torna possível a conciliação dos interesses que na sociedade civil burguesa são inconciliáveis. A contradição existe no corpo da sociedade dividida por interesses particulares e individuais, enquanto o Estado, ao gosto de Hegel, seria o momento ético-politico, a genericidade como síntese da multiplicidade dos interesses. A este momento político universal se contrapõe o dissenso, a rebeldia, o desvio e este deve ser contido nos limites da ordem, do que resulta que todo Estado é o exercício sistemático da violência tornada legítima.

Desde Maquiavel que a teoria política moderna sabe que a violência não pode ser o instrumento exclusivo do Estado, o uso adequado da violência (para Maquiavel aquele que atinge o objetivo de conquistar e manter o Estado) deve ser combinado com as formas de apresentá-lo como legítimo, o que nos leva à síntese entre os momentos de coerção e consenso, a famosa metáfora maquiaveliana do leão e da raposa. Poderíamos dizer que a violência só é eficaz quando envolvida por formas de legitimação da mesma forma que os instrumentos de consenso pressupõem e exigem formas organizadas de violência. O leão e a raposa são igualmente predadores, suas táticas é que diferem.
A separação entre violência e consentimento, entre coerção e consenso, serve às vestes ideológicas que procuram apresentar o Estado como uma função necessária e incontornável da sociabilidade humana. Nesta leitura ideológica, uma vez constituída a sociabilidade sobre as formas consensuais expressas no ordenamento jurídico, nas normas morais e imperativos éticos aceitos e compartilhados, a violência fica como uma espécie de reserva de segurança para conter os casos desviantes. Assim, a violência é apresentada como exceção e o consentimento como cotidianidade. O Estado é a garantia que a violência será coibida.

Nada mais enganador. A violência é resultante da contradição inconciliável que fundamenta nossa sociabilidade e portanto ela é cotidiana, onipresente e inevitável. Ainda que disfarçada de formas não explícitas como nos consensuais procedimentos legais e fundamentos jurídicos, como valores morais ou formas aceitas de ser e comportar-se. Até Durkheim sabia disso quando afirmava que as formas de ser, agir e pensar são impostas coercitivamente e se não percebemos esta coerção nas formas cristalizadas como hábitos não é porque ela não exista, mas porque já foi realizada com eficiência.

Mesmo a violência explícita é cotidiana. Ela é explícita e invisível, se mostra para ocultar-se. No preconceito que segrega, na miséria que aparta, na polícia que prende, tortura e mata, na moradia que se afasta, nas portas que se fecham, nos olhares que se desviam. Na etiqueta de preço nas coisas feitas em mercadorias que proíbem o acesso ao valor de uso, no mercado de carne humana barata na orgia de valorização do valor, sangue que faz o corpo do capital manter-se vivo.

Mas ela também é explícita e visível. No tapa da cara do trabalhador na favela dado por um homem de farda e armado. Na fila de cara para o muro sendo apalpados, nos flagrantes forjados ou não, no saco de plástico na cabeça, na porrada, no chute na cara, no choque nos testículos. Na cabeça para baixo, olhos para o chão, mãos na cabeça, coração acelerado. Na humilhação de ser jogado no camburão, na delegacia, como carga de corpos violentados nos presídios, longe de direitos e mesmo de procedimentos elementares, muito longe de recursos e embargos infringentes.

Um doente aidético, chora em sua cama na enfermaria do antigo presídio do Carandiru e atrapalha o sono do agente penitenciário. É espancado em sua cama com um cano de ferro. O cano da arma na boca da criança que dorme nos degraus da igreja na Candelária. O viciado arrastado à força para o “tratamento”. O louco impregnado de medicamentos. A família que vê o trator derrubar sua casa na remoção para viabilizar a Copa do Mundo de futebol. A mãe que reconhece o corpo de seu filho assassinado no mato e ouve do delegado para deixar quieto e não fazer ocorrência. Ela parou de falar, obedeceu.

Mas haveria uma ligação entre esta violência dispersa e multifacetada e o Estado como garantia da ordem burguesa? 

O Estado parece deixar-se distante disso tudo. Certo que são seus agentes que operam esta violência cotidiana, mas o Estado trata, como cabe a uma universalidade abstrata, de abstrações. Ele traça os planos, as metas, as políticas. Ele elabora o PRONASI, um programa nacional de segurança e cidadania, no qual os objetivos são moralmente aceitos, os meios os melhores e as intenções louváveis, mas os corpos começam a aparecer nas UPPs. O prefeito chora em Copacabana quando o Rio é escolhido para sediar o grande evento esportivo e o trator começa a derrubar casas. A presidente aprova a usina hidroelétrica e as árvores e índios começam a perder seus espíritos e raízes.

Há três anos, depois do primeiro turno das eleições nas quais o PT apoiou a candidatura de Sérgio Cabral ao governo do Rio de Janeiro, Lula discursando na inauguração de uma plataforma de petróleo da Petrobras em Angra disse:
O Rio de Janeiro não aparece mais nas primeiras páginas dos jornais pela bandidagem. O governo fez da favela do Rio um lugar de paz. Antes, o povo tinha medo da polícia, que só subia para bater. Agora a polícia bate em quem tem que bater, protege o cidadão, leva cultura, educação e decência”.

Três anos depois um pedreiro sai de um boteco na Rocinha “pacificada”. É abordado pela polícia militar e levado para averiguações na sede da UPP. Sua cabeça é coberta por um saco plástico, é espancado e toma choques. Epilético, não resiste e morre. Os policiais desaparecem com o corpo. Dez policiais são indicados pelo crime, o governador Cabral e o secretário de segurança Beltrame não estão entre eles. O Estado no seu reino de metafísico está protegido pela muralha da universalidade abstrata, no cotidiano da sociedade civil burguesa onde se estraçalham as particularidades pode-se sempre acusar o erro humano, o desvio de conduta, a corrupção. O Estado então promove seu ritual de encobrimento: vai ser aberta uma sindicância e serão feitas averiguações. Evidente que os dez acusados ou suspeitos não serão sequestrados, suas cabeças enviadas em sacos plásticos e seus corpos desaparecidos.

Na abstração dos direitos somos todos somos iguais. Na particularidade viva da sociedade burguesa somos pobres, pretos, favelados, facilmente identificados para receber práticas discriminatórias em nome da ordem a ser mantida. Ordem e tranquilidade. Na ordem garantida os negócios e acordos são garantidos sem sobressaltos, a acumulação de capitais encontra os meios de se reproduzir com taxas adequadas, o Estado é saneado financeiramente destruindo as políticas públicas e garantindo a transferência do fundo público para a prioridade privatista. A ordem garante que a exploração que fundamenta nossa sociabilidade se dê com tranquilidade.

No entanto as contradições desta ordem, por vezes, explodem em rebeldia e enfrentamentos. Não apenas como nos protestos que presenciamos desde junho, mas também por pequenas explosões e caóticas resistências que vão desde o enlouquecimento e a miserabilidade que se torna incomodamente visível, até o crime.

Professores, universitários do ensino público federal ou da rede estadual e municipal de ensino, que resolvem não aceitar a imposição de um plano de carreira; jovens que se recusam a pagar o aumento das passagens, mulheres exibindo seus seios e jovens se beijando, escudos, vinagres e máscaras; são apenas a expressão mais contundente e parcial da contradição (esperamos ainda que despertem metalúrgicos, petroleiros e outros). Além destas manifestações já estavam lá no corpo doente da cidade, os bolsões de miséria, as favelas, as famílias destruídas, os jovens sem futuro acendendo seus isqueiros para iluminar um segundo de alegria.

O Estado é a trincheira de proteção estratégica da ordem da propriedade privada e da acumulação privada da riqueza socialmente produzida. No centro desta zona estratégica está a classe dominante, a grande burguesia monopolista dona de fábricas, bancos, empresas de transporte, controlando o comércio interno e externo, o agronegócio, as indústrias farmacêuticas e das empresas de saúde, etc. São cerca de 124 pessoas que controlam mais de 12% do PIB do Brasil, os 10% mais ricos que acumulam 72,4% de toda a riqueza produzida. Em seu entorno estão seus funcionários, um exército de burocratas, políticos, técnicos e serviçais de toda ordem que erguem em defesa deste círculo estratégico de uma minoria plutocrata as esferas do poder público e seus aparatos privados de hegemonia.

Na forma de um terceiro círculo de defesa, mas que se articula a este segundo, está um exército de funcionários que executam o trabalho (limpo ou sujo) de manutenção da ordem. Como extrato baixo da burocracia Estatal não compartilha dos altos salários e benesses do segundo círculo, mas isso não os faz diretamente membros da classe trabalhadora por receberem baixos salários e terem que trabalhar e viver nas condições de nossa classe. O ato de um policial militar que estapeia o rosto de um trabalhador na favela é o ato pelo qual ele abdica de sua condição de classe, se alia aos nossos algozes e se torna nosso inimigo.

Contraditoriamente, o ato pelo qual uma corporação, como os bombeiros, se levanta em greve por condições de trabalho e salários, é o ato pelo qual rompe com seus chefes e busca aliar-se a sua classe para constituí-la enquanto classe. “O bombeiro é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”, gritam os trabalhadores que lhes abrem os braços com a infinita solidariedade que constitui a liga sólida que nos faz classe.

Um taxista pega um grupo de professores e pergunta se eles estavam na manifestação contra o Prefeito Eduardo Paes e seus planos de carreira. Diante da resposta positiva o taxista diz: “então não vou cobrar esta corrida, fica como contribuição para a luta de vocês”.

O Estado precisa reprimir e criminalizar toda e qualquer dissidência pelo simples motivo de que por qualquer pequena rachadura da ordem pode brotar a imensa torrente que nos unirá contra a ordem que o Estado garante. Ainda que muitos de nós ainda não saibamos disso, o Estado e a classe que ele representa sabem.

A ridícula minoria de exploradores e os círculos de defesa que se formam em torno deles, está cercado por nós, a maioria. Primeiro pelos trabalhadores recrutados pelo capital para valorizar o valor, depois um enorme contingente de trabalhadores que garantem as condições indiretas de produção e reprodução da força de trabalho e logo em seguida pela massa de uma superpopulação relativa cujo papel e pressionar os salários para baixo para manter a saúde da acumulação de capitais. Por isso eles estão armados até os dentes, por isso tem tanto medo de nós.

Fica evidente o motivo pelo qual a classe dominante precisa do Estado, a grande pergunta é: para que nós precisamos do Estado?

A justificativa ideológica quer nos fazer crer que a complexidade da sociedade contemporânea exige um grau de planejamento, técnica, procedimentos sem os quais seria impossível a vida em sociedade e mergulharíamos no caos da guerra de todos contra todos. Ora, como diria Einstein: defina caos! Estamos mergulhados na guerra da burguesia monopolista e imperialista contra todos! Brecht já dizia em seus poemas sobre a dificuldade de governar: “Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar. Sem os ministros o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas.”

Quem somos nós e porque precisamos deles? Somos trabalhadores, sabemos plantar alimentos, construir casas, fazer roupas e meios de transporte, calçados e todos os tipos de ferramentas, ensinamos e cuidamos de nossa saúde, e como não somos de ferro fazemos músicas e poemas, trazemos a vida para telas e palcos, damos forma ao mármore e ao bronze, nos olhamos e nos apaixonamos e temos filhos tão humanos, tão humanos que carregam a vã esperança de que podemos ser melhores.

Mas isso é utópico, a natureza humana… a natureza humana! Nos gritam os ideólogos. Temos contradições, é verdade. Nós brigamos, divergimos, conhecemos a maldade e os canalhas de toda a espécie. A ordem da propriedade e da mercadoria e o poder que inevitavelmente a ela se acopla transformam nossas contradições em contradições inconciliáveis e criam formas de poder que consolidam uma ordem de exploração. Não querermos abolir as contradições queremos desvesti-las da forma histórica da propriedade e vivê-las humanamente.

Quando tivermos superado esta ordem e um trabalhador hipoteticamente encontrar em um banco de praça o Cabral e o Paes, despidos de toda a autoridade de seus cargos, nus de todo poder com o qual a ordem do capital os ungiu, vai colocar a mão no ombro deles e dizer: “vocês são uns bostas, canalhas mesmo, minha vontade é chamar aquele meu amigo black bloc e te encher de porrada… mas eles não batem em gente, só em coisas. O lanche é as 16 horas e a festa as 20 horas lá na praia, passa lá para a gente vaiar vocês… pelos maus tempos”.

É lógico que eles e seus patrões verdadeiros não vão permitir que isso aconteça, por isso temos que nos constituir como um poder tão grande e definitivo que ninguém possa questionar. Destruir o Estado da Burguesia e construir o Estado dos Trabalhadores que prepare as condições para superar as contradições que exigem um poder separado da sociedade até que consigamos eliminar as classes e constituir uma sociedade sem Estado, autogovernada.

Não precisamos deles (podemos começar fechando o Senado que não vai fazer falta). Não é possível que não possamos fazer melhor que esta porra que está aí. Vai do nosso jeito… nosso porto, por exemplo, pode não ser um “porto maravilha”, porque maravilha para eles é esta cidade horrorosa, desigual e injusta cheia de prédios enormes de cimento e vidro e vazios por dentro à noite, cemitérios com seus túmulos sem ninguém que os habite.

Nosso porto teria casas, algumas modestas com o reboco por consertar e a pintura gasta, com janelas abertas e dentro delas pessoas que as fazem humanas. De lá sairiam crianças alegres, saudáveis e alimentadas, indo para as escolas, parques e museus, e nós sairíamos para o trabalho para fazer todas as coisas que sabemos e a noite voltaríamos para nossas casas e cada um trabalharia de acordo com sua capacidade e receberia de acordo com sua necessidade.

Nós chamamos isso de comunismo, porque somos comunistas. Chamem do que quiser: socialismo, sociedade libertária, anarquismo, plena democracia… não importa, não somos fetichistas das palavras. Queremos apenas, e conquistamos este direito, participar da luta por ela e em sua construção. Afinal, é isso que nós comunistas fazemos… a mais de 160 anos.

Até quando o mundo será governado pelos tiranos?Até quando nos oprimirão com suas mãos cobertas de sangue?Até quando se lançarão povos contra povos numa terrível matança?Até quando haveremos de suportá-los?
Bertolt Brecht
 ***
Mauro Luis Iasi é membro do Comitê Central do PCB

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não há grades que prendam Quem descobriu Que é livre! Pela imediata libertação dos militantes presos nas manifestações.


Por Mauro Iasi (outubro de 2013)

Prisões inúteis 
Explosão, movimento, grito
Espanto, espasmo, desencanto,

Nervo exposto na rua desperta
Multidão caminha inquieta.

Mil rostos, mil punhos erguidos
Bandeiras lhes dão abrigo
Faixas, ditos e gritos
Falam por mil vozes.

A policia infiltra, ataca
Persegue, espanca, mata
As cadeias se abrem
As portas se fecham

É preciso ferver a água
Para matar o peixe
Na água massa incontida
São jogadas as redes

Pesca funesta, caça
Camburões, delegacia
Galés modernas
Novos navios negreiros.

Meus irmãos estão presos
Muitos já estavam lá
Porões onde escondem
Os restos de minha classe.

Os verdadeiros criminosos
Estão no governo dando ordens
A criminosos fardados
Que garantem a ordem.

O rio rua transborda
Arrasta as margens que o oprimem
As portas de abrem
As cadeias se fecham

É inútil.
Não há grades que prendam
Quem descobriu
Que é livre!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O holocausto americano


Coordinadora “Simón Bolívar” – Libertaria, Revolucionaria, Solidaria, Indigenista, Popular y Socialista
11/10/2013 – http://goo.gl/9Kbq3a

Por um presente de luta, com raízes num indigenismo digno e combativo, contra a injustiça, em irmandade com os negros e mestiços.

Igualdade na luta por uma sociedade sem exploradores. Igualdade sem exclusões divisionistas nem misticismos artificiais imobilizantes. Sem manipulações do pseudo indigenismo made in USAID-EU, sempre tão complacente com o servilismo e o divisionismo neo-racista do campo popular, tão funcional e útil ao Grande Capital. Às vésperas do 12 de outubro, comecemos a repensar nossa identidade com um eixo unitário na luta pela justiça social para todas e todos.
Desde niños, a muchas generaciones, nos enseñaron a celebrar el 12 de Octubre como “El Día de La Raza”… Esta distorsión de la historia es sólo un elemento más de tantas otras mentiras que nos hicieron repetir hasta pensar que eran ciertas.
Al principio esa celebración fue impuesta a sangre y fuego. Fue impuesta por el genocida conquistador al igual que su lengua, sus religiones, sus creencias, su sistema político y económico, su cultura… a través del exterminio sistemático de 70 millones de parientes que fueron asesinados de diversas maneras, con el propósito de arrebatarles sus tierras, despojarlos de sus derechos ancestrales e incluso muchas veces, por el solo placer de verles sufrir, como se puede apreciar en uno de los muchos y diversos relatos de Fray Bartolomé de las Casas(Sevilla, 24 de agosto de 1474 o 1484 – Madrid, 17 de julio de 1566) quien fue un encomendero español y luego fraile dominico, cronista, filósofo, teólogo, jurista,«Procurador o protector universal de todos los indios de las Indias», y es considerado uno de los fundadores del derecho internacional moderno y un gran protector de los indios y precursor de los derechos humanos:
Una vez vide que, teniendo en las parrillas quemándose cuatro o cinco principales y señores (y aun pienso que había dos o tres pares de parrillas donde quemaban otros), y porque daban muy grandes gritos y daban pena al capitán o le impedían el sueño, mandó que los ahogasen, y el alguacil, que era peor que el verdugo que los quemaba (y sé cómo se llamaba y aun sus parientes conocí en Sevilla), no quiso ahogarlos, antes les metió con sus manos palos en las bocas para que no sonasen y atizoles el fuego hasta que se asaron de despacio como él quería”.
Nuestra verdadera historia esta plagada de estos crueles relatos, de violaciones, torturas, mutilaciones, y atroces humillaciones que con el olvido de la distancia nos parecerán increíbles hoy en día, aunque no lejanas de la realidad actual mundial, donde el imperio,ahora euroestadounidense, aplica las mismas tácticas de conquista, con instrumentos modernos (drones, misiles, bombas, armas químicas). Muchas de estos sanguinarios acontecimientos jamás fueron reseñados, y muchos otros fueron justificados con las excusas más irónicas que se pueda uno imaginar, incluso hasta “Dios”, y actualmente se invade con la excusa de la “Democracia” o se asesina en contra del“Terrorismo”.
Ese proceso de conquista, con ayuda de la ciencia, la técnica y la tecnología actual, se ha refinado a niveles sorprendentes, donde el dominado ni siquiera se percata de su condición, e incluso llega hasta defender a quien le somete mentalmente, y esentrenado (“educado”) para señalar, condenar y hasta atacar a quienes pretenden liberarle o luchar contra del imperialismo y sus nuevos métodos, muchas veces hechos “Ley”.
A pesar de tantos siglos de dominación, primero física y ahora mental, en el Pueblo Pobresiempre ha sobrevivido esa sangre rebelde, combativa y libertaria de nuestros antecesores originarios, amantes de la libertad y la naturaleza, indoblegables ante la injusticia y sobre todo resuelta a vengar a sus muertos. Esa llama ha sido transmitida de generación en generación, a través del relato oral y escrito, y sobretodo con el ejemplo en la lucha.
En Venezuela debemos hacer esfuerzos por rescatar del olvido, de la censura imperialista y burgués, y de la alienación como manera de esclavitud mental, y difundir a las nuevas generaciones nuestra verdadera historia de resistencia.
Deben hacerse familiar y volver aflorar en nuestra identidad cultural, los nombres de nuestros guerreros indígenas, nuestros Caciques, como lo fueron: Aramaipuro, Arichuna, Baruta, Catia, Caricuao, Cayaurima, Chacao, Chacumbele, Chicuramay, Cuaicurián, Conopaima, Guaicaipuro, Guaicamacuto, Guaratarí, Queipa, Mamacurri, Guarauguta, Manaure, Mara, Maracay, Meregote, Murachí, Naiquatá, Paisana, Paramacay, Paramaconi, Pariata, Maiquetía, Prepocunate, Sorocaima , Tamanaco, Terepaima, Tiuna, Yaracuy, Yare, Yavire, Paramaiboa, Pariaguán y Yoraco.
En nuestro afán de preservar nuestra memoria colectiva e histórica, de mantener encendida la rebeldía latinoamericana ante el invasor, y sobretodo de construir una sociedad con verdadera justicia y libertades para todos por igual, la Coordinadora Simón Bolívar, proponemos celebrar el 11 de Octubre como el “Último Día de América”, conmemorar el12 de octubre como el “Inicio del Holocausto Américano”(o del inicio de la “Invasión Europea de América”), y el 13 de Octubre como el “Inicio de la Resistencia Antiimperialista en América”.
En Honor a Sabino Romero y a tantos otros hermanos que han muerto a mano del aún conquistador,
Desde Venezuela, Tierra de Libertadores, a 521 años del inicio de la Resistencia antiimperialista en América, y a 203 años del inicio de Nuestra Independencia,

Coordinadora “Simón Bolívar”
Libertaria, Revolucionaria, Solidaria, Indigenista, Popular y Socialista.


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[1] FREI BARTOLOMEU DE LAS CASAS. Liberdade e justiça para os povos da América. Oito Tratados impressos em Sevilha em 1552 – Obras completas. 2005. Coord. Frei Carlos Josaphat. São Paulo: Ed. Pia Sociedade de São Paulo, Paulus.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Todos estão convocados para a assembléia dos professores: É HORA DE VOLTAR PRA RUA!


Somos Todos Professores 
PAIS
ALUNOS
POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

A educação de nosso país , de nosso Estado, de nosso Município está entregue a privatização e ao descaso do Estado, que gasta mais com a Copa e socorrendo empresas que investindo na Educação do povo.

Os salários são uma vergonha e não respeitam nossas propostas. 
Negociam com o cassetete, a bala de borracha e a bomba de gás . A truculência é a ordem!

É hora da solidariedade entre os trabalhadores, entre os explorados, entre todo o povo oprimido, por que a educação, como a saúde, e seus profissionais expressam hoje as chagas que o Estado dos empresários impõe ao povo.

Chega! 


Vamos todos para Cinelândia hoje!

Viva a solidariedade dos trabalhadores, viva os profissionais da educação em luta! 

Viva essa luta mais que justa!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Entrevista exclusiva con el presidente Bashar Al Assad

TeleSUR TV, Caracas, Venezuela (em Damasco, Síria)
Transcrição traduzida pelo pessoal da Vila Vudu




Presidente Assad: Quero dizer que o senhor e a TeleSUR são bem-vindos à Síria, e faço votos de que o senhor recupere-se rapidamente do ferimento na perna. Acredito que ser entrevistado por um jornalista que testemunhou em primeira mão a ação terrorista é útil e enriquecedor. Mais uma vez, é muito bem vindo um jornalista cujo sangue misturou-se, na Síria, ao sangue dos sírios e dos soldados do Exército Sírio Árabe.

TeleSUR: Obrigado. De fato, há mais fatos em comum entre nós, inclusive esse sangue. O senhor falou de terrorismo – ontem, um carro bomba explodiu em Damasco, matando e ferindo muitos civis. Qual é a mensagem dos terroristas, particularmente nessas circunstâncias que a Síria e o mundo enfrentam? E como o senhor vê os atuais esforços para confrontar o terrorismo na Síria?

Presidente Assad: Esses terroristas só têm uma mensagem, que é a ideologia obscura que carregam na cabeça; para eles, quem não pense como eles não merece viver. Muito frequentemente, fazem esses atos de terror ou para atrair gente para a causa deles, ou para frustrar as pessoas. Em outras palavras, querem matar qualquer esperança que ainda há – e quando não há esperança, a vida não tem sentido. Assim, de um modo ou de outro, eles se aproximam. De outra perspectiva, essas operações terroristas são financiadas, planejadas e instigadas por gente de fora da Síria cujo objetivo é lançar os sírios no completo desespero, fazendo-os crer que não haveria esperança na terra deles e que a Síria que existe há séculos já não existiria. Sem esperança, as pessoas são empurradas para a derrota, o que as levaria a desistir de defender-se. O que o senhor viu ontem foi apenas um, de centenas de atentados semelhantes; de fato, esses atentados têm efeito oposto – os sírios, hoje, estão ainda mais comprometidos que antes, decididos a defender seu país.

“Desde o início da crise na Síria, a política dos EUA sempre se baseou em mentiras”


TeleSUR: Senhor presidente, ouvimos ontem o discurso do presidente dos EUA Barack Obama, que refletiu o que os EUA fizeram em várias partes do mundo. E ele falou especificamente da situação na Síria; a Síria também foi questão central na ONU. O presidente Obama, concorda, pode-se dizer, com a necessidade de uma solução política na Síria. Mas conclamou a ONU ou o Conselho de Segurança a aprovarem uma resolução dura contra a Síria e contra seu governo, se o senhor não continuar a cumprir as exigências do acordo sobre armas químicas. Disse também que, no que tenha a ver com os EUA, seu governo foi responsável pelo ataque com armas químicas contra civis.

Presidente Assad: O discurso de ontem foi mais do mesmo. Cheio de frases, de invencionices e mentiras. Em geral, praticamente nenhuma das declarações feitas por funcionários do governo dos EUA, agora ou em governos anteriores, tem ou algum dia teve qualquer credibilidade. São declarações praticamente iguais umas às outras, repetitivas, a tal ponto que nós já nem consideramos necessário comentá-las.

Desde o início da crise síria, a política dos EUA, sabendo eles o que diziam, ou sem saber, sempre foi baseada em mentiras. Acho que eles sempre sabem que estão mentindo, as mentiras sempre vão aumentando de intensidade. O governo dos EUA teve papel central na fabricação dessas mentiras, depois que se levantou a questão das armas químicas dia 21 de agosto. O governo dos EUA não apresentou qualquer prova do que diz, de onde se pode concluir com segurança que eles mentem ao povo dos EUA. Desde o primeiro momento exigimos que apresentassem provas das acusações. Nunca apareceram. Quando se viu que não haviam conseguido enganar o povo norte-americano, ficaram na posição de não poderem eles mesmos se desmentir, e tiveram de se mostrar ainda mais violentos.

Sobre o que eles têm dito, sobre invocar o Cap. 7º, não nos diz repeito aos sírios. Em primeiro lugar, porque, desde a independência, é sabido que a Síria sempre cumpriu todos os acordos que algum dia assinou. Em segundo lugar, há hoje equilíbrio dentro do Conselho de Segurança, que impede que os EUA – como sempre acontecera antes, no passado – usem o Conselho de Segurança como instrumento para fazer avançar suas agendas especiais, inclusive derrubar governos e destruir estados, como se viu acontecer nos anos 1990s. Como já disse, as acusações que os EUA fazem são completa mentira, não têm sentido algum, nem têm qualquer fundamento realista ou lógico.

“As ações dos EUA – guerras e intervenções – contradizem completamente os próprios interesses deles”

TeleSUR: Voltando ao discurso do presidente Obama, vimos que foi fala confusa, de quem não sabia o que queria. Às vezes, fala sobre usar a força; na sequência, fala de solução política. Diz que a agressão israelense à Síria é para defender interesses dos EUA na região. Quais são os interesses dos EUA na região? O que os EUA querem obter na Síria? Considerando o que está acontecendo no Conselho de Segurança sobre a Síria, o senhor pode descartar completamente a possibilidade de um ataque dos EUA contra a Síria?

Presidente Assad: Sobre a contradição que o senhor mencionou, essa contradição é como a marca registrada de tudo o que todos os funcionários do governo dos EUA sempre dizem, seja o presidente, o secretário de Estado, qualquer funcionário do governo dos EUA. Dizem, por exemplo, que as capacidades militares da Síria não preocupam o exército dos EUA, no caso de decidirem atacar militarmente o nosso país. Mas, ao mesmo tempo, dizem que a Síria seria ameaça à segurança nacional dos EUA. É só mais um exemplo das muitas contradições, que nunca faltam no que os EUA dizem.

Quanto à possibilidade de uma agressão norte-americana, sim, existe. Se o senhor analisa as guerras que os EUA sempre fizeram e as políticas dos EUA – pelo menos desde o início dos anos 1950s, começando na guerra contra a Coreia, depois contra o Vietnã, no Líbano, Somália, Afeganistão e Iraque. Essa é a única política norte-americana. E não se pode esquecer a política dos EUA para a América do Sul, onde fomentaram vários golpes de Estado e causaram a morte de milhões; dezenas de governos foram derrubados na América Latina, por ação e como efeito da política norte-americana. Essa foi, durante décadas, a única política dos EUA, e continua a ser, ainda hoje – inalterada. E dificilmente mudará, me parece, se se considera a atual situação interna nos EUA. Assim sendo, a possibilidade de uma agressão norte-americana ao nosso país está sempre presente. Agora, o pretexto é as armas químicas. Da próxima vez, será alguma outra coisa.

O elemento mais importante disso tudo é que, por décadas, os EUA controlaram completamente o Conselho de Segurança, controlaram as interpretações da Carta da ONU, mandaram e desmandaram sobre a soberania de outros estados, e mandaram e desmandaram sobre todos os códigos humanos e morais. Por tudo isso, todos, no mundo, talvez tenhamos de nos manter sempre alertas contra a possibilidade de uma agressão norte-americana. É o que estamos fazendo hoje na Síria. Se há possibilidade de os EUA agredirem a Síria? Talvez não agora, já. Mas ninguém sabe quando poderá acontecer. É sempre uma possibilidade, que não se pode descartar completamente.

Quanto aos interesses dos EUA, entendo que, há décadas, as ações dos EUA, que atuam por guerras, golpes e intervenções, contradizem completamente os interesses dos EUA. Os EUA são uma superpotência e, como tal, têm interesses políticos, econômicos, militares e outros. Todos esses interesses podem ser bem servidos e preservados mediante respeito mútuo, boas relações internacionais, confiança, credibilidade e promoção da ciência, da educação, do conhecimento. Muito mais eficazmente que mediante o estímulo ao terrorismo e a disseminação de morte, destruição e medo. É claro que, como superpotência, os EUA têm seus interesses a defender. Todas as grandes potências têm interesses em todo o mundo, mas para defender e promover esses interesses é indispensável, antes de tudo, alcançar a estabilidade em todo o mundo. Ninguém defende ou promove os próprios interesses em região instável, tomada por guerras e terrorismo.

Assim, em resumo, sim, os EUA têm interesses. Mas tudo que os EUA fazem hoje e todas as suas políticas em todo o mundo, contradizem os próprios interesses deles, dos EUA e, também, os interesses do povo norte-americano.

“A violência destrói qualquer possibilidade de ação política”


TeleSUR: Como Sua Excelência disse, o discurso do presidente dos EUA repete o mesmo grau de contradições que caracteriza o império norte-americano. Ontem, ele falou de uma solução política e pacífica para a crise síria; mas deixou a porta aberta para a possibilidade de o senhor renunciar. Obama disse literalmente que é chegada a hora de Rússia e Irã saberem que a permanência do presidente Assad no poder implicaria dar mais espaço para grupos extremistas, para que ampliem suas atividades. O que o senhor pensa do que Obama disse? O senhor considera a possibilidade de renunciar?

Presidente Assad: Sobre a primeira parte de sua pergunta: aí está mais um exemplo das contradições norte-americanas; é como dizerem que buscamos guerra e paz, simultaneamente, na mesma questão; e que usamos um único mapa do caminho para resolver o problema. Essa lógica significa promover a violência no mundo e legitimar a violência como meio para alcançar alguma solução política. Não faz sentido algum. Nada há de comum entre o uso da violência e a ação política. A violência destrói qualquer possibilidade de ação política. Nós rejeitamos essa lógica, que os EUA têm tentado promover, tentando criar uma justificativa para a agressão contra a Síria.

Quanto à questão de eu renunciar, os norte-americanos – e alguns de seus aliados europeus – já falam disso há quase um ano. Nada tem a ver conosco, e por uma razão bem simples: a Síria já é país independente há gerações. Há mais de 50 anos os EUA não derrubam presidente sírio e não conseguiram impor aqui algum governo militar.

Evidentemente, os EUA não podem presumir que, agora, teriam algum direito de decidir, em nome do povo sírio, quem governa e quem renuncia. Essa questão cabe, 100%, ao povo sírio. Nem países amigos teriam voz nessa questão. Só o povo sírio se manifesta sobre isso, e nas urnas. Se o povo sírio não quiser um governante, ele não governa. Se o povo sírio quiser, ele governa. E absolutamente não importa o que os EUA digam ou façam quanto a isso. Não há papel algum, nesse processo, para os EUA. Por isso, precisamente, essas declarações não significam absolutamente nada, no que nos diga respeito.

“O mundo melhora, sem a interferência dos EUA”

TeleSUR: Para concluir a discussão sobre Obama. Ele disse que “o mundo é melhor, hoje, graças aos EUA”. O senhor acha que o mundo é melhor graças aos EUA?

Presidente Assad: Basta considerar os fatos. O Iraque melhorou, com a presença dos EUA? O Afeganistão é melhor hoje, do que antes? A situação na Líbia é melhor hoje, do que antes? E na Tunísia? E na Síria? Onde, em que país, a situação é hoje melhor do que antes da interferência norte-americana? O Vietnã melhorou mais e mais rapidamente quando os EUA intervieram, ou depois que saíram de lá, quando o país tornou-se independente e pôde desenvolver-se como decidiu fazê-lo? E a América do Sul: vive melhor hoje, ou quando os EUA viviam a intervir lá?

A verdade é que o mundo melhora sempre que os EUA param de intervir – não queremos que os EUA nos ajudem, ninguém quer. Ontem, ele [Obama] disse que “nós não podemos resolver os problemas de todo o mundo”. Ora! Eu digo que é melhor que os EUA nem tentem, mesmo, resolver os problemas do mundo. Em todos os pontos onde os EUA tentaram resolver algum problema local, a situação sempre andou de mal, para pior. O que desejamos dos EUA é que não interfiram nos assuntos de outros países. Se fizerem isso, então, sim, o mundo com certeza começará a melhorar.

Contudo, se o que ele quis dizer foi que a disseminação do terrorismo pelo mundo significaria ‘mundo melhor’, só confirma o que alguns norte-americanos já dizem, na imprensa dos EUA: que a política de Obama baseia-se em apoiar o extremismo e o terrorismo. Se o que ele quis dizer foi que o mundo é melhor, hoje, porque os EUA espalharam o terror e os terroristas por todo o planeta, nesse caso, sim, acertou.

“A posição iraniana em relação à crise síria é muito objetiva”

TeleSUR: O senhor viu alguma novidade na nova posição de Obama em relação ao presidente Rohani, quando Obama citou-o (o presidente Rohani disse que não há solução militar para a Síria e que as armas químicas foram entregues por países ocidentais aos grupos armados que lutam na Síria)? E como o senhor vê a posição do presidente Rohani, quando exige o fim do financiamento e do fornecimento de armas para a oposição síria?

Presidente Assad: A posição iraniana em relação à crise síria é muito objetiva, porque eles conhecem a realidade do que está acontecendo na Síria. Ao mesmo tempo, os iranianos também compreendem que aqui vivemos numa região entrelaçada e que, consequentemente, se há fogo na Síria, sem dúvida se espalhará para países vizinhos e, na sequência, também para países mais distantes, inclusive o Irã.

As políticas iranianas baseiam-se nesses fundamentos e, também, na convicção de que o povo sírio tem o direito de resolver os próprios problemas.

Quanto ao que os norte-americanos digam sobre a posição iraniana: primeiro, como já disse, independente de se as declarações dos norte-americanos sejam positivas ou negativas, digam o que disserem, se elogiam, criticam, condenam ou denunciam – absolutamente ninguém acredita no que os norte-americanos dizem. Nessa linha, os iranianos não são ingênuos e não se deixam enganar pela posição dos EUA; a experiência do Irã é semelhante à experiência da Síria, com vários sucessivos governos dos EUA, pelo menos, com certeza, desde a Revolução Islâmica no Irã. Por isso, o que nos interessa não é o que os norte-americanos digam; importante, para nós, é o cerne da política iraniana para a Síria. E reforço, mais uma vez, que no cerne, a política iraniana é objetiva e já teríamos alcançado a estabilidade de nossa região, se os diferentes partidos sírios estivessem pensando como o Irã pensa.

TeleSUR: Realmente, nas declarações dos iranianos na ONU havia uma proposta sobre relações Irã e EUA, de uma reunião entre o presidente do Irã e o governo dos EUA. Eles não se encontram há muito tempo. Como o senhor vê essa aproximação? Os EUA estão realmente engajando o Irã, ou é só mais uma tentativa para afastar também esses amigos da Síria? Ou será que a nova posição é outro meio para dizer que os EUA não têm escolha, se não a negociação, em vez de usar armas para proteger seus interesses?

Presidente Assad: Em primeiro lugar, infelizmente nem os mais íntimos aliados dos EUA confiam nos EUA; assim, a aproximação Irã-EUA não implica que o Irã confie nos EUA. Nossas relações com os EUA passaram por diferentes fases, de altos e baixos, mas em nenhuma dessas fases foi relação de confiança. Mas, na política, é preciso tentar todos os meios e métodos, e é preciso bater em todas as portas para reduzir as tensões no mundo. Assim, o diálogo e a comunicação são indispensáveis nas relações entre estados. Acreditamos que a aproximação entre Irã e os EUA, seja para discutir o programa nuclear iraniano ou qualquer outro tema, é positiva e benéfica para a região, se os EUA tiverem desejo real e genuíno de negociar em termos de respeito mútuo com o Irã; sem interferir em seus assuntos internos; e não para impedir o Irã de adquirir tecnologia nuclear.

Por outro lado, não consigo imaginar que os EUA tenham abandonado a ideia de recorrer à força militar. Acho que a verdade é o contrário disso: quando os EUA viram que tinham concorrentes na arena internacional – ou, digamos, parceiros, se não concorrentes, como outras grandes potências emergentes no mundo –, os EUA começaram a recorrer mais ao princípio da força, apesar de o governo que há hoje nos EUA ter sido eleito como rejeição contra a doutrina Bush do emprego de força bélica. Agora, o que se vê é um governo que retoma a mesma doutrina. Acho que os EUA estão tentando cooptar a posição iraniana, como tentaram cooptar os sírios há alguns anos. Mas os iranianos conhecem muito bem e estão muito conscientes desse jogo.

TeleSUR: Senhor presidente, voltando à Síria e à questão das armas químicas. Quais são as garantias reais que seu governo oferece de que a lista que o senhor entregou de seus arsenais químicos é realmente representativa das armas que o senhor possui? E que garantias o seu governo dá aos inspetores da ONU, para que possam fazer o trabalho deles, inspecionar locais e pôr as armas químicas sob controle internacional?

Presidente Assad: Nessa questão, nosso relacionamento será com a Organização para a Proibição de Armas Químicas [orig. Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW)]. A Síria não tem de dar garantias ao mundo ou à OPCW. Cabe-nos trabalhar conforme alguns mecanismos específicos, aceitar alguns mecanismos específicos estipulados na convenção das armas químicas. Como eu já disse, a Síria cumpre sempre todos os acordos que assina.

A Síria já enviou, recentemente, todos os dados que a OPCW requisitou. Em breve, especialistas daOPCW virão à Síria para familiarizar-se com o status dessas armas. Como governo, não vemos nenhuma dificuldade. Mas, sempre há a possibilidade de que os terroristas tentem impedir o trabalho dos inspetores, para impedi-los de alcançar os locais que lhes indicamos, ou por motivos específicos dos próprios terroristas, ou porque ele agem sob comando dos estados que os apoiam e financiam. Seja como for, trabalhamos com a hipótese de que o objetivo dos grupos terroristas sempre é culpar o governo sírio, dizer que não estaríamos cooperando com os inspetores. Mas, no que nos diga respeito, como governo, não vemos problema algum em aceitar os mecanismos previstos nos acordos de que somos signatários.

“Quem convidou os inspetores para que viessem à Síria, em março passado, foi o governo sírio”


TeleSUR: Os inspetores internacionais voltarão a Damasco hoje para identificar outros locais onde se alega que teriam sido usadas armas químicas, além do incidente de 21 de agosto. Que garantias o seu governo oferece de que os inspetores trabalharão livremente e com independência?

Presidente Assad: Esse grupo não veio à Síria por iniciativa da ONU ou de algum outro país. Vieram porque foram convidados por nós, pelo governo sírio, em março passado, quando os terroristas usaram gases tóxicos num subúrbio de Aleppo, ao norte. A verdade é que os EUA criaram obstáculos à vinda deles. Nós, o governo sírio, os convidamos a vir, porque tínhamos interesse em determinar a verdade sobre o uso de agentes químicos na Síria. Por que os convidaríamos, para, em seguida, criar obstáculos ao trabalho deles? Não faz sentido. Nós não fizemos isso.

De fato, quando aquela primeira missão deixou a Síria há algumas semanas, queríamos que ficassem e completassem a inspeção também na outra área onde foram usadas armas químicas. Os EUA é que insistiram em que saíssem daqui antes de completar o trabalho. Agora, estão de volta. O governo sírio apoia a missão e o trabalho dos inspetores. Como já disse, não há obstáculo algum ao trabalho dos inspetores, se não quando os terroristas impedem que a missão trabalhe, o que acontece, especialmente, em locais onde ainda há grande número de terroristas.

TeleSUR: Apesar de alegações de que o governo sírio teria usado armas químicas, o governo russo entregou à ONU provas de que as armas químicas foram usadas por grupos de milicianos armados. Que provas o senhor tem? E o que estão fazendo os governos russo e sírio para provar que foram as milícias, não o governo sírio, que usaram armas químicas?

Presidente Assad: É claro que temos provas e indícios. Quanto às provas, quando os terroristas usaram gases tóxicos em Khan al-Assal, recolhemos amostras de solo, de sangue das vítimas e também fragmentos dos projéteis usados para lançar o material tóxico naquela área. Mais adiante, durante operações realizadas pelo Exército Sírio, descobrimos vários arsenais secretos, onde foram localizados diferentes tipos de dispositivos carregados com agentes químicos – em alguns casos, materiais tóxicos e instrumentos necessários para produzi-los. Entregamos as provas ao governo russo, antes da chegada da missão da ONU à Síria. Temos também confissões de terroristas que trouxeram alguns agentes químicos de países vizinhos. As confissões foram divulgadas por televisão, há cerca de uma semana.

Por que o governo sírio não usou aquelas armas? Em primeiro lugar, as forças sírias estavam avançando: não usaram armas químicas há um ano, quando os terroristas estavam ainda fortes; por que as usaríamos agora? As forças sírias não usaram armas químicas em áreas remotas, onde há número muito maior de terroristas que nos subúrbios de Damasco; por que usariam aqui? Não se podem usar esses materiais em áreas residenciais, onde haveria dezenas de milhares, não centenas, ou mesmo milhares, de vítimas. Não se podem usar armas químicas, se seus próprios soldados estão em áreas próximas, porque os soldados também seriam atingidos. Por tudo isso, por critérios lógicos, práticos, militares, o exército sírio não usou nem usaria armas químicas naquelas circunstâncias.

Em todos os casos, se há crime, a primeira questão a esclarecer é quem se beneficiaria do crime. Na questão das armas químicas, é evidente que os terroristas teriam interesse naquele crime, sobretudo quando as acusações coincidem com o trabalho de uma comissão de inspetores que trabalhava na Síria. Que sentido há em supor que o governo sírio convocaria uma missão de inspetores, se tivesse usado armas químicas? Não é razoável, não faz sentido algum, não tem lógica. Todos os sinais e provas mostram que o governo sírio não usou armas químicas; e todas as provas materiais demonstram que os terroristas, sim, usaram armas químicas em área próxima de Damasco.

TeleSUR: Nesse contexto, qual o papel da Arábia Saudita e do Qatar, de distribuir armas químicas, dentro da Síria, a grupos armados?

Presidente Assad: É preciso deixar bem claro que nós não temos provas de que esses países tenham passado armas químicas a esses grupos. Mas é bem sabido que esses países há muito tempo apoiam os terroristas, desde o início da crise na Síria. Sabe-se também que fornecem todos os tipos de armas sofisticadas; não há dúvidas sobre isso, e isso está bem documentado. Por isso, cabe suspeitar – se esses países apoiam abertamente, publicamente, os grupos terroristas, e se lhes fornecem todos os tipos de armamento, a suspeita não é infundada – que, sim, que sejam acusados, especialmente a Arábia Saudita, de fornecer também armas químicas aos terroristas, para serem usadas contra o Exército Sírio.

Ainda mais, se se pensa que aqueles grupos terroristas, naquele momento, não estavam conseguindo exibir qualquer sucesso militar aos seus patrões fora da Síria. Claro que conseguiram promover grande destruição na Síria. Destruíram a infraestrutura, conseguiram afetar a economia síria e afetaram de modo muito negativo a vida da população civil na Síria. Ninguém duvida de que os grupos terroristas causaram sofrimento terrível. Mas me refiro aqui a sucesso militar, em campo. Nesse quesito, os terroristas fracassaram miseravelmente. Faz sentido que tenham recorrido a outro tipo de arma. Com armas químicas em maior escala, ele poderiam esperar derrotar o Exército Sírio ou fazer pressão política na direção de algum acordo que levasse à intervenção estrangeira; e os EUA e seus aliados teriam encontrado um modo para atacar militarmente a Síria, e contra o Exército Sírio. Essa via, é claro, é o cenário mais provável.

“Israel é estado agressor. Foi criado sobre o expansionismo.”

TeleSUR: Há um tabuleiro de xadrez por baixo da mesa. Sabe-se que há acordos feitos por baixo da mesa, que alguém move as peças, por baixo da mesa. E esse alguém é Israel. Israel tem um papel em tudo que está acontecendo na Síria. Por que tanto se fala de armas químicas na Síria e de armas nucleares no Irã, mas ninguém fala das armas nucleares israelenses?

Presidente Assad: Israel é estado agressor. Foi criado sobre o expansionismo. Ocupa terra de outros povos e mata quem vive nas terras ocupadas. Em seis décadas, Israel já matou número incalculável de palestinos. Já matou libaneses, egípcios, sírios e outros, servindo-se de operações de assassinato, bombardeios, terrorismo e outros métodos. Hoje, Israel faz o que sempre fez, está no mesmo papel, apoiando terroristas diretamente, nas áreas adjacentes do front sírio, perto do Golan ocupado. Ali Israel fornece apoio logístico, assistência médica, além de informação, armas e munições aos grupos terroristas.

TeleSUR: Há também notícias de que Israel tem interesses no petróleo em algumas áreas da Síria?

Presidente Assad: Há notícias. Fala-se sobretudo do petróleo da costa leste do Mediterrâneo. Mas são só análises, e não temos informação concreta sobre isso. Quanto às armas nucleares israelenses, como o senhor disse, ninguém fala delas porque Israel, o estado agressor, o estado bandido, recebe integral apoio dos EUA em todas as suas políticas. Israel tem cobertura para todos os seus crimes. Enquanto perdurar esse processo de garantir cobertura aos crimes de Israel, nos EUA, no Conselho de Segurança e na ONU, nas organizações internacionais, inclusive na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ninguém se surpreenda ante o fato de que se pode discutir qualquer arma, em qualquer lugar do mundo, exceto as armas de Israel. É a lógica que ainda prevalece no mundo, a lógica hegemonista, do colonialismo, a lógica da violência e da força.

“O diálogo entre os sírios acontecerá, entre todos os partidos sírios, entre todos os sírios sobre o futuro da Síria”


TeleSUR: Senhor presidente, enquanto eles buscam uma solução política para a Síria no plano internacional, o que o senhor está fazendo dentro da Síria, para reduzir a tensão? Há tentativas para engajar os diferentes partidos na Síria? Há esperança de uma solução interna na Síria, que leve à Conferência de Genebra?

Presidente Assad: Não importa o quanto seja intensa a ação terrorista, e por mais difícil que seja a situação, temos de insistir na ação política para resolver esse e qualquer problema. Acreditamos nisso e insistimos nisso desde o começo, apesar da recente escalada dos atos terroristas. A ação política exige, em primeiro lugar, pôr fim ao contrabando de armas para os terroristas, vindas de países vizinhos; e pôr fim ao apoio aos grupos terroristas, que ainda recebem armas, dinheiro e apoio logístico para viabilizar suas operações de terrorismo.

Ao mesmo tempo, é inevitável o diálogo entre os sírios, entre todos os partidos sírios, sobre o futuro do país. Esse diálogo deve começar por decidir que sistema político os sírios desejam ter; em seguida, consequentemente, vem a questão das leis e regulações que brotam desse sistema. Há muitos outros elementos e detalhes: quando os sírios, na mesa de negociações, chegarem a uma determinada conclusão, essa conclusão terá de ser apresentada à população, que se manifestará num referendo popular.

A conferência de Genebra é ideia importante, e nos dá uma oportunidade de diálogo entre os diferentes partidos sírios. Claro, não se considera a participação de grupos terroristas, que mataram e ainda matam. Nem aceitamos que o diálogo seja conduzido com entidades que clamaram pela intervenção externa. Por lei e considerando o sentimento popular na Síria, os que clamaram por intervenção externa são traidores e não serão aceitos por ninguém, em nenhuma negociação.

Pelo próprio princípio, a conferência de Genebra é passo importante e necessário para preparar o caminho para o diálogo entre os eleitores sírios. Mas a conferência de Genebra não pode substituir o diálogo interno sírio; nem, com certeza, substitui as eleições e o referendo. Essas são as linhas gerais do que pensamos sobre ação política para superar a crise síria. Esses elementos nada significam e não levarão a resultados reais, em campo, se não for suspenso o apoio ao terrorismo.

TeleSUR: O senhor tem repetido que não negociará com grupos armados e terroristas em Genebra. Quais são os partidos com os quais o senhor negociará? Como se pode alcançar esse diálogo no plano internacional, e qual o cronograma para alcançar uma solução política para a crise síria?

“Os partidos fora da Síria não falam pelo povo sírio”

Presidente Assad: Posso responder a parte da pergunta relativa aos partidos dentro da Síria, que representam o eleitorado sírio. Há diferentes tipos de partidos – partidos de oposição, de centro e partidos de apoio ao governo. Sobre os partidos fora da Síria, para saber o que pensam, seria preciso interrogar os estados que os apoiam, porque aqueles estados – EUA, França, Grã-Bretanha, Arábia Saudita, Qatar e outros – reuniram indivíduos que não representam o povo sírio. Se aqueles estados os mandarem ir a Genebra, eles vão; é gente que diz e faz o que é mandada dizer e fazer. Para saber o que esses grupos pensam ou farão, seria preciso consultar aqueles estados e perguntar se mandarão ou não os seus prepostos a Genebra. Nem o povo sírio nem o governo sírio os mandaremos fazer ou dizer coisa alguma e eles não nos representam, nem em Genebra nem em lugar algum.
Por isso eu falo em diálogo: falo de engajar os vários partidos e grupos de oposição que há na Síria, e outros movimentos e formadores de opinião ativos na Síria, que não são, todos, de oposição.

“Somos todos, a Síria e a América Latina, parte do mundo em desenvolvimento”

TeleSUR: Não posso encerrar essa entrevista sem falar do presidente Hugo Chávez, que visitou a Síria e foi com o senhor a Maaloula, cidade que há alguns dias foi atacada por terroristas.

Quando esteve em Maaloula, o presidente Chávez disse que “Nada de humano ou de humanitário poderá jamais ser usado para justificar um ataque ou alguma agressão contra a Síria. Como poderíamos não apoiar o governo sírio? Como poderíamos não apoiar o governo do presidente Bashar al-Assad? Como é possível que outros estados apoiem grupos armados contra a Síria?”
O senhor poderia, por favor, falar de suas lembranças daquela visita do presidente Chávez à Síria? O que pensa da posição da Venezuela e dos países da ALBA, na defesa da liberdade e na defesa da Síria e na defesa dos direitos do povo sírio?

Presidente Assad: Sempre dissemos que o mundo em desenvolvimento, do qual fazem parte os nossos dois países, avança por várias etapas na busca da independência. A primeira etapa foi a evacuação de forças estrangeiras que ocupavam nossos países, pela qual muitos países alcançaram a independência. O segundo estágio, mais importante, é a independência para tomar decisões independentes no campo político, econômico e militar – a independência para a tomada nacional de decisões, digamos assim. Foi o que a América Latina e a América Central alcançaram nas duas últimas décadas. Há dois símbolos dessa independência: o presidente Castro, há 50 anos; e o presidente Chávez. Ao recordar o presidente Chávez lembro dessa segunda etapa, porque os trabalhos que temos pela frente na nossa região, o Oriente Médio, é similar aos que vocês enfrentaram antes, na América Latina.

Depois que vocês alcançaram a independência para a tomada nacional de decisões, a situação na América do Sul e, mesmo, na América Central, melhorou muito e a estabilidade política trouxe com ela benefícios econômicos para toda a população. Quando vocês começaram o processo de desenvolvimento econômico regional, alguns países emergiram como potências industriais importantes. Pode-se dizer que esse é um dos efeitos naturais da independência. Até hoje, na região árabe, mal conseguimos uma mínima independência política para tomar decisões nacionais, e só em pequeno número de países.

O conflito com o ocidente que vivemos hoje é, em parte, relacionado, em outras palavras, a alcançar independência para a tomada nacional de decisões. Entendo que o presidente Chávez da Venezuela e, antes dele, o presidente Castro, em Cuba, são importantes modelos a serem seguidos na estrada em direção à independência e à liberdade que tanto buscam as nações que ainda lutam para livrar-se do jugo ocidental, que nos chega sob a forma de longas décadas de colonização direta e, hoje, sob a forma de colonização indireta.
Há semelhanças de temperamento, nas emoções e no afeto que liga os cidadãos na mesma nação e entre o seu país e o nosso. Nossa história também tem semelhanças. E há outros presidentes, além do presidente Castro e do presidente Chávez que seguem, hoje, a mesma linha do presidente Chávez.

Mas quero fazer também uma referência especial ao meu amigo e companheiro, o presidente Maduro, que conheci em inúmeras reuniões e conversas quando eu visitei a Venezuela e nas várias visitas que ele fez à Síria. Muito nos alegrou que o povo venezuelano tenha escolhido esse homem para representá-lo e persistir na linha assumida pelo presidente Chávez. Maduro é governante resistente, com clara compreensão sobre a nossa região; tenho certeza de que continuará a guiar a Venezuela na trilha da independência. Todos nós sabemos que os EUA e alguns de seus aliados tinham grandes esperanças de que a Venezuela voltasse ao regaço dos EUA, na ausência do presidente Chávez. Com a eleição do presidente Maduro, aqueles sonhos evaporaram. Entendo que, como estados árabes, nós devemos seguir o rumo que a América Latina escolheu, se queremos deixar nossa marca no mundo, independentes e avançados.

“A Síria está defendendo o futuro dos nossos filhos e o futuro de toda a região”

TeleSUR: Muito obrigado, senhor presidente, por suas palavras. E dê-nos mais uma mensagem para a América Latina: a Síria persistirá na resistência? A Síria vencerá?

Presidente Assad: Se tivéssemos outra escolha, além de resistir, eu lhe diria, mas não temos. Nossa única possibilidade é resistir, porque o futuro político dessa região é atado ao que está acontecendo na Síria. Não estamos defendendo só a Síria, nem estamos defendendo só nossos interesses e nossos princípios. Estamos defendendo o futuro de nossos filhos e o futuro de toda essa região – e essa região é o coração do mundo.

Um Oriente Médio instável compromete a estabilidade de todo o mundo, até das partes mais remotas do mundo. Já nem se pode falar em regiões ‘distantes’, como a América Latina, a América do Norte ou o leste da Ásia. O mundo hoje é uma pequena vila, e o que está acontecendo na Síria afetará toda a região e afetará também as partes mais remotas do mundo. Nem preciso dizer que desejamos que os povos da América Latina apoiem nossas causas, porque eles sempre apoiaram as causas árabes com tanto empenho, calor e objetividade quanto os povos daqui, que estão inseridos nas causas árabes. Esperamos poder aprofundar as relações entre nossos povos, para assim ampliarmos o espaço de independência e reduzirmos o espaço da colonização representado pelo ocidente e, em particular, pelos EUA.

TeleSUR: Muito obrigado, senhor presidente. Essa é uma entrevista especial com Sua Excelência, presidente Bashar al-Assad, em Damasco, Síria. Obrigado aos amigos da TeleSUR e na América Latina, pela audiência. O objetivo da TeleSUR é aproximar os povos. 

Presidente Assad: Obrigado.