segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entrevista com o Presidente Bashar al-Assad da Síria em 13/9/2013

13/9/2013, Entrevista ao canal Rossiya-24 TV (vídeo em russo)
Entrevista traduzida da transcrição em inglês pelo pessoal da Vila Vudu


Rossiya-24: Senhor presidente, obrigado por receber o canal Rossiya-24. Para começarmos com a pergunta mais importante: por que a Síria concordou com a iniciativa da Rússia de pôr armas químicas sob controle internacional, e por que se chegou tão rapidamente a esse acordo?

Presidente Bashar al-Assad: A Síria já apresentara essa proposta à ONU há mais de dez anos – para livrar a região do Oriente Médio de armas de destruição em massa, especificamente, porque essa é região caracterizada por instabilidades e guerras que, algumas, duraram anos. Tudo isso começou há séculos.

Remover daqui todas as armas de destruição em massa teria impacto importante para estabilizar a região. Só os EUA opuseram-se à nossa proposta. Não gostamos de saber que há armas de destruição em massa no Oriente Médio. Sempre nos interessou mais a estabilidade e a paz na região.

Esse é um lado. O outro lado da questão tem a ver com a situação atual. Não há como não ver que o estado sírio tem empreendido todos os esforços para impedir que nosso país e outros países da região sejamos arrastados para outra guerra insana, que alguns dos que pregam guerra nos EUA querem desencadear no Oriente Médio.

Até hoje, os sírios pagamos o preço por guerras que os EUA fizeram, por exemplo no Afeganistão – mesmo sendo país distante da Síria – ou no Iraque, que está aí, num país aqui bem próximo.

Minha opinião é que qualquer guerra contra a Síria afetará muito negativamente toda a região, com o Oriente Médio inteiro empurrado para décadas de instabilidade e de problemas. Haverá guerra até para as nossas futuras gerações.

A terceira razão pela qual nos interessa a proposta que volta, agora, com os russos, e a mais importante, é a própria proposta. Não tivesse havido agora essa iniciativa, seria muito difícil para a Síria, só ela, obter o mesmo resultado e caminhar nessa direção. Nossas relações com a Rússia são construídas a partir de mútua confiança, e essa confiança só cresceu durante a crise síria, nos últimos dois anos e meio. A Rússia confirmou que merece a confiança dos sírios, por suas ações. Mostrou que tem compreensão clara sobre o que está acontecendo em nossa região. A Rússia fez prova de que é confiável, provou que é governo sério, no qual se pode confiar.

Por todas essas razões, a Síria aceitou assinar a Convenção para Proibição de Armas Químicas.

Rossiya-24: O presidente dos EUA, Sr. Obama, e o secretário de Estado dos EUA, Kerry, creem que a Síria decidiu entregar suas armas químicas ao controle internacional exclusivamente porque foi ameaçada militarmente. O que lhe parece?

Presidente Bashar al-Assad: Se se pensa sobre os eventos e as ameaças dos EUA, que duraram semanas, vê-se que as ameaças nada tinham a ver com garantir que as armas químicas fossem bem guardadas. As ameaças não passaram de provocação. E a provocação começou quando foram usadas armas químicas num subúrbio de Damasco, Al-Ghouta.

Aquela provocação foi organizada pelo governo dos EUA. Em outras palavras, ninguém ameaçou a Síria pensando em conseguir que nós entregássemos armas químicas. Nada disso é verdade. Só depois do encontro do G-20 na Rússia, os norte-americanos começaram a falar sobre a entrega das armas químicas à guarda internacional. Nós só começamos a considerar a possibilidade depois da iniciativa dos russos e das negociações relacionadas a isso que mantivemos com os russos.

Quero sublinhar bem, mais uma vez, que, se não fosse por essa iniciativa dos russos, sequer discutiríamos a questão com o outro lado. Os norte-americanos tentam agora uma espécie de golpe de propaganda. Kerry e o governo, inclusive Obama, sempre querem aparecer como vencedores, como se tivessem obtido alguma coisa com suas ameaças. Mas nada disso nos interessa, nem nos diz respeito.

Rossiya-24: Ontem, surgiu a notícia de que a Rússia apresentou ao senhor um plano para a transferência das armas químicas para supervisão internacional. Que mecanismos estão sendo considerados para esse processo?

Presidente Bashar al-Assad: A Síria entrará em contato com a ONU e a Organização para a Proibição de Armas Químicas nos próximos dias. Nesse processo há documentos técnicos, necessários para a assinatura do acordo. Depois começará o trabalho para a assinatura da Convenção das Armas Químicas.

Essa Convenção inclui vários pontos. Um deles dispõe sobre a proibição de produzir armas químicas, armazenamento e uso. Depois, a Convenção passa a ter vigência. Pelo que sei até agora, a Convenção passará a ter vigência um mês depois de assinada. E a Síria começará a transmitir informações sobre suas armas químicas para aquela organização internacional. São processos padronizados. E nos pautaremos por eles.

Mas é preciso que todos entendam bem o seguinte ponto: esses mecanismos não funcionam só para um lado. Nada disso implica que a Síria assina, preenche as condições estipuladas e está feito. Esse é um processo de duas mãos, que visa, em primeiro lugar, a que os EUA suspendam essa política de ameaçar a Síria. Depende também de até que ponto se implemente a proposta dos russos.

Tão logo os sírios estejamos convencidos de que os EUA estão realmente interessados na estabilidade de nossa região, e suspendam as ameaças e as tentativas de atacar a Síria, quando cortarem o suprimento de armas para os terroristas, então, sim, entenderemos que podemos dar andamento aos processos até o fim, que o processo todo é efetivo e aceitável para a Síria.

Todos esses mecanismos, como já disse, não são mecanismos a serem usados de um lado só. A Rússia tem papel muito importante a desempenhar nesse processo, porque não temos nem confiança nem conexões com os EUA. A Rússia é o único país que pode assumir esse papel.

Rossiya-24: Consideremos a questão de implementar a iniciativa russa: que organização internacional interagirá com a estrutura da República Árabe Síria para assumir o controle das armas químicas? Essa não é uma situação padrão, que se vê todos os dias.

Presidente Bashar al-Assad: Entendemos que a estrutura lógica apropriada para esse papel é a Organização para a Proibição de Armas Químicas, porque só ela reúne os especialistas nessa área e também monitora o cumprimento da Convenção para Armas Químicas em todos os países do mundo.

Todos sabemos que Israel assinou a Convenção para Armas Químicas, mas ainda não a ratificou. A Síria exigirá e insistirá para que Israel afinal implemente a assinatura da Convenção.

Quando a Síria, antes, apresentou um projeto para abolir as armas de destruição em massa no Oriente Médio, os EUA impediram a aprovação. Uma das razões pelas quais fizeram isso foi para permitir que Israel continuasse autorizado a possuir essas armas de destruição em massa. Se queremos realmente estabilizar o Oriente Médio, todos os países têm de aderir à Convenção.

E o primeiro país que tem de aderir é Israel, porque Israel tem armas químicas, biológicas e nucleares, em termos gerais, Israel tem todos os tipos catalogados de armas de destruição em massa. É importante assegurar que nenhum país tenha essas armas. Só assim todos ficaremos protegidos contra guerras futuras, devastadoras e muito custosas – não só no Oriente Médio, mas em todo o mundo.

Rossiya-24: A Síria põe suas armas químicas sob controle internacional. Mas já se sabe, com certeza absoluta, porque a inteligência russa já comprovou, que grupos terroristas rebeldes usaram armas químicas num subúrbio de Aleppo. Na sua opinião, o que terá de ser feito para proteger o povo sírio e de países vizinhos contra esses terroristas que já usaram armas químicas, pelo menos, com certeza, uma vez?

Presidente Bashar al-Assad: O incidente a que você se refere aconteceu em março passado, quando os moradores da região de Khan al-Assal, perto de Aleppo foram atacados por terroristas, com foguetes carregados com toxinas químicas. Houve dúzias de vítimas. Recorremos à ONU. Pedimos que a ONU enviasse especialistas para esclarecer esse incidente e determinar que grupo fora responsável por aquele ataque. Para nós, a situação é bem clara: foi trabalho de terroristas.

Mas naquele momento, os EUA opuseram-se ao envio de especialistas da ONU à Síria. Consequentemente, trabalhamos com especialistas russos, que receberam todas as provas que havíamos reunido. Ficou fartamente provado que os terroristas que ainda operam no norte da Síria cometeram aquele ataque químico.

Necessário agora é que a delegação de especialistas que estiveram na Síria até a semana passada, retornem e retomem as investigações. Terão de voltar à Síria, porque ficou acordado que voltariam, há esse acordo entre o governo sírio e aqueles especialistas. Esse acordo diz respeito a investigações ainda a fazer em várias províncias, principalmente em Khan al-Assal.

É preciso examinar cuidadosamente tudo isso, para determinar, por exemplo, a composição química dos venenos usados e, a partir daí, as condições do solo onde as armas químicas foram usadas. Também é importante determinar de onde vieram aquelas substâncias químicas, como chegaram aos grupos terroristas. Os responsáveis têm de ser julgados.

Rossiya-24: Senhor presidente, permita que lhe faça uma pergunta indispensável: é realista supor que se consiga realmente tomar todas as armas químicas que ainda estejam em mãos de grupos terroristas?

Presidente Bashar al-Assad: Tudo depende de se saber que países, dos que mantêm relações com os terroristas, estão envolvidos na venda ou no contrabando das armas químicas. Todos os países dizem que não apoiam terroristas, mas sabemos, com certeza, que o ocidente lhes dá apoio logístico – embora digam que seriam coisas “não letais” ou, até, “ajuda humanitária”.

De fato, já não há dúvidas de que o ocidente e alguns países da região – Turquia, Arábia Saudita, antes também o Qatar – mantêm contato direto com grupos terroristas, aos quais apoiam com todos os tipos de armas. Trabalhamos com a ideia de que um desses países forneceu armas químicas aos terroristas. Evidentemente, quem dava pode parar de dar.  Mas há também grupos terroristas que não ouvem nenhum dos lados. Esses grupos, quando têm acesso a armas e, portanto, à capacidade de destruir, não se acham obrigados a respeitar acordos, nem a obedecer a nada e ninguém, nem aos que lhes tenham dado dinheiro e aquelas armas.

Rossiya-24: Alguns veículos nos EUA noticiaram que oficiais do Exército Sírio Árabe teriam pedido sua aprovação para usar armas químicas contra gangues da oposição armada. Dizem que o senhor negou a autorização, mas que apesar disso aqueles oficiais teriam usado armas químicas contra sírios, especialmente em Ghouta Leste. É verdade? Essas operações são possíveis na Síria?

Presidente Bashar al-Assad: Não passa de propaganda americana. Esse tipo de propaganda serve-se de todos os tipos de mentiras para justificar suas guerras. É conversa parecida com a de Colin Powell, no governo de George Bush Jr., para justificar a guerra contra o Iraque, há pouco menos de dez anos. Naquela ocasião, apresentaram o que diziam que seriam provas de que Saddam Hussein produzia armas de destruição em massa. Mais adiante se soube que era mentira. Hoje as mentiras mudaram um pouco, como essa que você acaba de mencionar.

A verdade é que conversa desse tipo jamais aconteceu, nem comigo nem com ninguém na Síria. Essas armas são administradas de modo centralizado em vários países e exércitos do mundo, sempre pelas forças armadas. Nenhum soldado raso, ou comandante de escalão inferior manuseia essas armas, nem forças terrestres, nem as unidades blindadas ou quaisquer outras. São um tipo especial de arma de uso restrito de Forças Especiais. Essa notícia é mentirosa e nem faz sequer sentido. Ninguém acreditaria numa história dessas.

Rossiya-24: Recentemente apareceram no Congresso dos EUA o que para alguns seriam “provas convincentes” e “indubitáveis” – vídeos, que comprovariam que se usaram armas químicas no subúrbio de Damasco, em Ghouta, e que foram usadas pelo Exército Sírio. O que o senhor tem a dizer sobre essa versão americana?

Presidente Bashar al-Assad: Não têm prova alguma, nem o Congresso, nem a imprensa, nem o povo, ninguém jamais viu ou mostrou prova alguma de coisa alguma. Nem nenhum outro país conseguiu exibir prova alguma, nem a Rússia, que participou do processo de negociação. Nada disso jamais aconteceu. São só palavras, sempre e só, mais propaganda norte-americana.

A mais elementar lógica, por outro lado, diz que ninguém usaria armas de destruição em massa a poucas centenas de metros de onde esteja o seu próprio exército. Ninguém usaria armas de destruição em massa em áreas densamente habitadas, sem causar centenas de milhares de vítimas. Ninguém jamais usaria armas de destruição em massa no mesmo local e momento em que seus próprios soldados estão avançando em terra. Nada disso faz sentido. Agora, as lideranças políticas nos EUA meteram-se numa posição difícil. Mentiram de modo ainda menos convincente, até, do que as mentiras contadas pelo governo George Bush.

O governo anterior, nos EUA, mentiu muito, mas mentiu mentiras que, pelo menos num primeiro momento, tinham alguma chance de convencer pelo menos uma parte da opinião pública mundial. O atual governo dos EUA, com suas mentiras, não conseguiu convencer nem os seus próprios aliados. Nada do que disseram faz qualquer sentido. Não é lógico. É implausível.

Rossiya-24: Tenho de lhe fazer mais uma pergunta, porque diz respeito à segurança de toda a região. A imprensa russa noticiou recentemente que as gangues armadas de oposição ao seu governo planejam provavelmente outra provocação, que poderia envolver uso de armas químicas contra Israel, que seria desencadeada a partir de um território controlado pelo Exército Sírio. O que o senhor sabe sobre isso, como comandante-em-chefe?

Presidente Bashar al-Assad:: Já há confirmação de que grupos terroristas têm armas químicas, dado que até já as usaram na Síria, contra nossos soldados e civis. É claro que têm. Além disso, também sabemos que aquelas gangues terroristas e os que os controlam, sim, querem provocar um ataque aéreo dos norte-americanos. Já em ocasiões anteriores tentaram envolver Israel na crise síria. Não se pode excluir a possibilidade de que essa informação seja correta e que vise, outra vez, aos mesmos objetivos.
Se há guerra numa região, o caos se expande. Mas, para que o caos se expanda, é essencial que os territórios sejam permeáveis às gangues terroristas, para que possam causar o máximo de dano e destruição. Esses são riscos reais, não são ameaças inventadas, porque, sim, os terroristas têm armas químicas, que recebem de outros países.

Rossiya-24: Obrigado por nos receber e responder nossas perguntas.

Entrevista General Wesley Clark - Legendado Português



Vejam impressionante entrevista de um ex-comandante da OTAN sobre os planos dos Estados Unidos para as agressões militares com vistas à desestabilização do Oriente Médio. A guerra contra a Síria já estava planejada há alguns anos. 
Conheça a lista de países já atacados ou a serem atacados!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Libano canta em homenagem à resistência árabe: cantora Julia Butroos



A cantora é Julia Butroos, nascida em Beirute dia 1/4/1968, numa família de cristãos gregos ortodoxos e mãe palestina. Começou a cantar ainda menina.

Em outubro de 2006, lançou uma gravação single, intitulada 
 Ahibaii (Meus bem-amados, que se ouve no vídeo). A letra é baseada numa carta que Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, enviou aos seus combatentes que lutavam no sul do Líbano, na guerra de 2006, quando Israel atacou o Líbano. O poeta Gahassan Matar adaptou o texto original, para música composta por Ziad, irmão de Julia e arranjo de Michel Fadel. Os lucros aferidos da venda do disco (mais de três milhões de dólares) foram usados para ajudar famílias de combatentes do Hizbollah e dos libaneses mortos naquele ataque israelense .

Viva o povo revolucionário da Palestina, do Líbano e da Síria que estão na linha de frente da resistência árabe contra o sionismo e o imperialismo ianque!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Confirmado: EUA forneceu armas aos mercenários sírios

12 DE SETEMBRO DE 2013
brasãoAbdel-Kader Saleh, porta-voz da coalizão de oposição externa da Síria , confirmou que os Estados Unidos já entregam armas a grupos que lutam para derrubar o governo do presidente Bashar al-Assad .
Estas declarações tiveram ampla repercussão na mídia local síria, que comentam que este fato demonstra o envolvimento de Washington no apoio aos bandos mercenários e ao terrorismo de Estado.
De acordo com algumas fontes, Saleh declarou  em entrevista coletiva na capital dos EUA, que a administração do presidente Barack Obama distribui ajuda não-letal e também alguma ajuda  letal para a Junta Militar Suprema do denominado  Exército Sírio Livre.
Também revelou que os comandantes militares qualificados no Ocidente como rebeldes, em coordenação com as autoridades dos países que poderão participar na anunciada agressão dos EUA contra a Síria , acusada sem nenhuma prova verificável de alegada utilização de armas químicas pelo governo.
De acordo com Saleh, a Casa Branca deu luz verde à entrega de equipamento militar ", porque ela tem certeza de que as Forças da Coalizão Nacional da Revolução Síria  e a Oposição síria (Cnfros) não vai permitir que armas caiam nas mãos erradas."
O Secretário de Estado John Kerry explicou , na terça-feira , que Washington aumentou o volume de ajuda aos bandos mercenários, sem especificar o tipo ou a quantidade de tais transferências.
Em junho, o Congresso dos EUA abriu as portas para o fornecimento de armas aos exércitos  irregulares.
As Revelações sobre o carregamento de armas para impulsionar  a derrubada de um chefe de Estado e impor a chamada "mudança de regime" ocorre num momento em que se confirma um ascenso dos grupos terroristas, especialmente aqueles filiados à rede terrorista Al Qaeda,  dentro da chamada"oposição" armada da Síria. Congressistas e políticos norte-americanos questionam a eficácia da estratégia da administração Obama, dada a alta probabilidade de que as armas caiam nas mãos da rede, outrora  liderada por Osama Bin Laden, a entidade à qual o Pentágono, supostamente, combate em todo o mundo.
A radicalização do conflito armado da Síria levou a um aumento de massacres de civis, assassinatos e atos terroristas por grupos como Frente al-Nusra ,o chamado Estado Islâmico do Iraque e o Levante , que buscam a destruição do Estado secular da Síria e sua substituição por um califado islâmico.
De acordo com dados do governo, na Síria lutam nas fileiras opositoras, homens de 83 países, especialmente do mundo árabe e do Oriente Médio.
Na quarta-feira, o ministro do Exterior líbio Mohammad Abed Alaziz, confirmou que muitos cidadãos do seu país foram convocados para luta juntos aos grupos terroristas na Síria.
Em uma entrevista no canal de televisão Russia Today, o ministro das Relações Exteriores da nação do Norte Africano, disse que grandes quantidades de armas foram transferidos de seu país para a Síria, direta ou indiretamente , o que chamou de "assistência militar a grupos armados ".

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

EUA : comprovadamente o país que utilizou e ainda utiliza as armas químicas


Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar

Conheça 7 ataques químicos que EUA se negam a comentar

1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litrosaproximadamente - de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja - poderosa arma química disparada durante o conflito.

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Aviões norte-americanos sobrevoando território do Vietnã

2. Israel ataca população palestina com Fósforo Branco. Segundo grupos ligados aos direitos humanos - como Anistia Internacional e Human Rights - o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros das Forças Armadas admitiram os disparos. Clique aqui e veja a reportagem.

3. Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004. Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça". No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA admitindo o episódio. Crianças e mulheres foram as principais vítimas.

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Ação militar no Iraque em 2004

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque em um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5- EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis - caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação "contra ameaças russas". No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de pessoas vítimas do ataque químico.

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Imagem histórica de inspetores de Washington preparando o teste químico em bairro de St. Louis

6 - Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003. A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

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Bombas norte-americanas massacram milhares de japoneses durante a Segunda Guerra Mundial

7- Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército norte-americano derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências

COLÔMBIA RESISTE: GREVES E PARALISAÇÕES NACIONAL AGRÁRIA E POPULAR


CHILE : Debate e música em memória dos 40 anos


terça-feira, 10 de setembro de 2013

CHILE: MARCHA DOS 40 ANOS DO GOLPE DE ESTADO, REPRIMIDO VIOLENTAMENTE PELA POLÍCIA

Síria: Lavrov aplica xeque-mate em Kerry

O secretário de Estado Kerry fez discurso inacreditavelmente ridículo (abaixo, em inglês)) hoje na Grã-Bretanha, que está gerando gargalhadas em todo o planeta. Há três pontos a discutir, e começo pelos menores.


Na fala [em 4’20] Kerry diz como o governo Obama atacará a Síria:

(...) de modo muito limitado, esforço super focado, de curto prazo, para degradar a capacidade [da Síria] para usar armas químicas, sem assumir a responsabilidade pela guerra civil síria. É exatamente o que estamos dizendo que faremos. Esforço inacreditavelmente limitado. Ora... Já fizemos isso outras vezes! O presidente Reagan teve várias horas e fez vários esforços para mandar um recado a Gaddafi depois, eu acho, da explosão do Pan Am 103 e outras atividades terroristas.

Deixando de lado o cômico “ataques inacreditavelmente limitados”, que, seja o que forem, seriam sempre atos de guerra e matariam povo sírio, a lição a extrair do ataque de Reagan à Líbia é exatamente o contrário do que disse Kerry.

Reagan não atacou a Líbia por causa da explosão do avião Pan Am 103 sobre Lockerbie! O Pan Am 103 foi explodido em ataque terrorista em dezembro de 1988 DEPOIS que Reagan atacou a Líbia (“um aviso”) e a família de Gaddafi, em 1986.  

A explosão do Pan Am 103 foi CONSEQUÊNCIA dos ataques de Reagan, não a causa deles. Se se mantém a comparação de Kerry com os ataques à Síria e os EUA atacarem a Síria, então todos devemos esperar mais ataques terroristas a aviões norte-americanos. O Pan An 103 é argumento para NÃO ATACAR a Síria. Kerry, como se vê, não sabe (nem) disso.

Outro ponto são os comentários de Kerry nos quais zomba da credibilidade do presidente sírio [em 1’25, do vídeo]:

Pessoalmente já o visitei, mandado pela Casa Branca, para confrontá-lo sobre a transferência dos mísseis Scud para o Hezbollah que sabíamos que estava acontecendo e vários tipos de fatos e ele simplesmente negou tudo, na minha cara, apesar das provas que apresentei e do que lhe mostramos.

Por mais que funcionários de Israel e dos EUA tenham dito tais coisas, há muitas dúvidas de que a Síria transferiu os tais Scuds para o Hezbollah.  Os Scuds operam com combustível líquido e, assim, são de difícil operação em combate. Exigem vários caminhões para transportar os mísseis e o combustível corrosivo e horas de preparação. Se a Síria ou o Irã forneceram mísseis ao Hezbollah, do mesmo padrão que os Scuds, teria de ser os Fateh-110, mais modernos e movidos a combustível sólido, muito mais fáceis e rápidos para manusear.

A terceira e maior mancada na fala de Kerry aparece em 0’04 do vídeo:

(...) [Assad] poderia entregar cada uma de suas armas químicas à comunidade internacional ainda essa semana. Entregue. Entregue tudo. E sem demora. E permita total transparência. Mas é claro que ele não fará isso, nem a coisa pode ser feita, é óbvio.

Soou como fala à toa. Mas já houve notícias na imprensa israelense, de planos para pressionar a Síria a entregar suas armas estratégicas, o que, é claro, deixaria a Síria sem meios para retaliar contra ataques israelenses.

John Kerry preocupado com sua ignorância?

Imediatamente depois da fala de Kerry sobre a Síria entregar as armas químicas, o Departamento de Estado tentou desdizer tudoSegundos depois da fala, uma porta-voz tentou “contextualizar” o que Kerry dissera:

O secretário Kerry servia-se de argumento retórico sobre a impossibilidade e a improbabilidade de Assad entregar as armas químicas que negou ter usado – disse Jen Psaki,  porta-voz do DE.

Sergey Lavrov
Mas era tarde! O tal argumento retórico já fora capturado em voo pelo ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Já encaminhamos ao Ministro sírio de Relações Exteriores o oferecimento para que a Rússia trate dessa transferência das armas químicas, e esperamos receber resposta rápida e positiva. E estamos preparados para trabalhar imediatamente com Damasco – disse Lavrov.

[Nesse momento, 14h08, hora do Brasil, já se sabe que a Síria já aceitou a oferta dos russos (NTs)]

Não é difícil imaginar que a Síria aceite pelo menos parte da ideia encaminhada pelos russos. Por que não? Os russos fariam a operação, em nome da “comunidade internacional”. Com os russos na Síria para essa finalidade, a Síria teria um “escudo humano” que a protegerá de ataques norte-americanos junto ao seu armamento. Por que a Síria não aceitaria se, assim, até a Rússia estaria prestando grande serviço à humanidade, impedindo que os EUA se envolvam na guerra da Síria? Kerry armou uma arapuca, entrou nela com as quatro patas, e a Rússia usou a fala de Kerry para dar-lhe o xeque-mate.

Como Obama convencerá o Congresso a autorizá-lo a bombardear a Síria, se já se criou via tão fácil (em termos) para evitar mais uma guerra?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Em direito internacional a propaganda de guerra é o crime mais grave, porque torna todos os outros crimes possíveis.

Racionalidade ocidental

Se vocês gostaram do incidente do golfo de Tonquim e da guerra do Vietname, das incubadoras kuwaitianas e da primeira guerra do Golfo, do massacre de Racak e da guerra do Kosovo, das armas de destruição em massa iraquianas e da segunda guerra do Golfo, das ameaças sobre Bengazi e da guerra da Líbia, ireis adorar o gaseamento de civis em Ghouta e o bombardeamento da Síria.+
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Crianças sírias assassinadas pelos mercenários
Numa nota difundida pela Casa Branca, o director dos serviços de inteligência dos EU afirma que 1429 pessoas foram mortas aquando de um ataque químico massivo sobre uma dezena de localidades, a 21 de Agosto [1].
Os serviços secretos franceses não puderam proceder, no local, a um balanço das vítimas, assegura uma nota difundida pelo ministério francês da Defesa [2]. Entretanto, eles viram 281 em vídeos, enquanto que a organização « não-governamental » francesa, Médicos sem fronteiras, contou, no caso, e à sua conta 355 em hospitais.
Os serviços de informação aliados referem-se todos aos vídeos. Assim o chefe dos serviços de espionagem dos EUS colectou uma centena no YouTube, enquanto o ministério francês da Defesa não encontrou lá mais que 47. Washington e Paris consideram-no todos como autênticos. Ora, acontece que alguns de entre eles foram postados às 7h00 da manhã, hora de Damasco (o que explica que fossem datados de 20 de Agosto pelo YouTube, que está situado na Califórnia), mas com um sol quase no zénite, o que implica que eles foram gravados de véspera [3].
Todos os observadores notaram forte proporção de crianças entre as vítimas. O Estados Unidos contaram nesta 426, ou seja mais de um terço. Certo, mas nem os serviços secretos americanos, nem os homólogos franceses, se preocuparam em verificar porque tinham quase todos a mesma idade, e porque estavam sós sem família para os chorar. Mais estranho ainda, o gás teria matado as crianças e homens adultos, mas teria poupado as mulheres.
A ampla difusão, através dos canais de satélite, das imagens das vítimas permitiu às famílias alauítas dos arredores de Lattaquié reconhecer as suas crianças, raptadas duas semanas antes pelos «rebeldes». Elas apresentaram de imediato queixa por assassínio junto da Justiça síria, mas os serviços de informação americanos, britânicos e franceses não conseguem saber nada disto, porque os seus satélites não conseguem ler a imprensa síria.
Americanos, Britânicos e Franceses concordam em dizer que as vítimas foram mortas por um gaz neurotóxico, que poderia ser sarin ou conteria sarin. Eles afirmaram basear-se nas suas próprias análises realizadas nos seus laboratórios, em amostras recolhidas por cada um dos seus serviços secretos. No entanto, os inspetores da Onu, vindos ao local recolher outras amostras, só poderão dar o seu veredicto dentro de uma dezena de dias. Com efeito, as análises feitas pelos Americanos, Britânicos e Franceses são estranhas para o mundo da comunidade científica, para quem a avaliação das amostras necessita de um prazo muito mais longo.
Se está claro que as crianças morreram por intoxicação química, não e de todo certo que elas tenham sido gazeadas. Os vídeos que as mostram agonizantes permitem ver uma baba branca, enquanto o sarin provoca uma de cor amarela.
As três grandes potências ocidentais acordaram igualmente em atribuir a responsabilidade deste acontecimento, de importância variável, ao exército árabe sírio. O director do serviço de espionagem dos EU precisa que os seus serviços observaram militares sírios, durante os quatro dias precedentes, a misturar os componentes químicos. Os Britânicos asseguram que não foi aqui que o exército árabe sírio realizou o seu primeiro ensaio, uma vez que já havia utilizado gaz em 14 ocasiões desde 2012 [4].
As revelações dos serviços norte- americanos, britânicos e franceses são corroborados por uma intercepção telefônica. Um alto funcionário da Defesa síria teria telefonado, em pânico, ao chefe da unidade de gaz químico à propósito do massacre. Todavia esta intercepção não foi realizada pelos Americanos, Britânicos ou Franceses, mas ter-lhes-á sido fornecida pela unidade 8200 da Mossad israelita.
Em resumo, os serviços secretos americanos, britânicos e franceses estão 100 % seguros que o exército árabe sírio gazeou um numero indeterminado de civis : para isso terá utilizado uma nova espécie de velho gaz sarin que não atinge as mulheres. Os Estados Unidos vigiaram durante quatro dias a preparação do crime sem intervir. A sinfonia da utilização é que este gaz mágico matou crianças, que haviam sido raptadas pelos jihadistas duas semanas antes, a mais de 200 quilômetros de lá. Os acontecimentos tornam-se conhecidos graças a filmes autênticos rodados, e por vezes postados, de avanço no YouTube. E, são confirmados por uma intercepção telefônica realizada pelo inimigo israelita. Como se trataria da décima-quinta operação deste tipo, o « regime » teria ultrapassado uma « linha vermelha » e deverá ser «punido» por bombardeamentos que o privem dos seus meios de defesa.
Em direito internacional a propaganda de guerra é o crime mais grave, porque torna todos os outros crimes possíveis.
Postado:http://www.voltairenet.org/article180135.html

Tarde da noite em Damasco: antes que os EUA ataquem


Noite em Damasco antes do ataque dos EUA
Os persas, que são alunos brilhantes e articulados bem conhecidos em todo o mundo, e com muitos dos quais tenho tido a honra de discutir política internacional, parecem ter encontrado companheiros intelectuais à sua altura nos árabes sírios.

Cheguei a essa conclusão pelo que vejo acontecer nas ruas em Damasco, não só nas universidades e escolas, mas nas sessões de “feiras de ideias” que acontecem pelas ruas, nos cafés e em locais de reunião.

A noite de ontem é um exemplo. Já passava muito da hora de esse observador ir para a cama, quando apareceram por aqui alguns amigos, convidando para sentar na calçada “por alguns minutos” e discutir notícias que estavam chegando de Washington e São Petersburgo. Terminamos empoleirados nos blocos de concreto que dividem a rua Al Bahsa em frente ao meu hotel – que está fechada para carros – por mais de três horas! Hiba, uma jovem forte e maravilhosa, jornalista palestina nascida no campo Yarmouk de refugiados, serviu-nos de intérprete. Rapidamente se juntaram a nossa volta alguns soldados, e uns tipos da segurança nacional e shabiha apareceram para ver o que estava acontecendo. Alguns até falaram, na discussão animada, rápida, que logo se seguiu.

Vários estudantes e moradores das vizinhanças reuniram-se também no início do “seminário” e logo ficou bem claro que os sírios acompanham atentamente cada desenvolvimento, até a “sexta-feira negra”, dia 12/9/2013, daqui a menos de uma semana. É quando muitos damascenos e observadores estrangeiros creem que os EUA começarão a atacar.

Estudantes caminham calmamente pelas ruas de Damasco antes do ataque dos EUA
Na superfície, a vida parece continuar normalmente, mas as tensões aumentam e as pessoas mostram-se alarmadas com a possibilidade de um ataque norte-americano. Esse observador muito aprendeu dos sírios sobre várias coisas, inclusive sobre o conflito que se vive aqui, e sobre como os eventos tendem a desenvolver-se, tanto localmente quanto internacionalmente.

Bem poucos aqui, praticamente ninguém, ainda supõe que o ataque norte-americano seja “limitado” ou rápido, embora nos últimos dias o pessoal de Obama tenha usado frequentemente a palavra “degradar” (em vez de “demolir” ou “arrasar”); nem alguém acredita que o único objetivo do ataque seja “dar um recado” ao governo sírio.

Velho farmacêutico
Um senhor, idoso, dono de uma farmácia próxima, explicou:

É mudança de regime aqui e em Teerã, nada menos que isso. Bombardearão sem nem saber o quê, porque os tais 75 alvos que listaram já foram esvaziados e estão sendo diariamente mudados de lugar. Todos trabalhamos para não deixar alvos fixos para Obama.

Chamou-me a atenção a sofisticação dos comentários, numa reunião “de rua”. Uma aluna da Universidade de Damasco, que se prepara para voltar às aulas no final desse mês, fez um apanhado do que se deve esperar dos votos no Congresso e explicou ao grupo, que já era então bem maior que o inicial, que, como no dia 4/9/2013, haverá 47 votos “sim”, praticamente imutáveis; 187 “não” altamente prováveis; com 220 votos ou indecisos ou imprevisíveis. Na sequência, disse que tem quase certeza de que o presidente terá ou de retirar a proposta de resolução ou adiar uma votação da Câmara de Representantes.

Uma senhora síria
Outra senhora, que tenho visto no pátio do meu hotel, mencionou matéria do Washington Post com notícia de que a Conferência dos Presidentes das Maiores Associações de Judeus dos EUA está associada ao lobby israelense doAIPAC numa gigantesca campanha de propaganda a favor de guerra total dos EUA contra a Síria. Não sabia e me perguntei como ela estaria tão atualizada. Ela só disse que fizera as contas:

Até aqui, só 21 senadores já declararam apoio ou dão sinais de que apoiam Obama; 13 disseram que se opõem ou tendem a opor-se à Resolução; e há 66 votos indecisos ou desconhecidos.

Já amanhecia quando nossa reunião começou a acabar, e falava-se sobre a Constituição dos EUA. Um jovem, provavelmente aluno de Direito, citou de memória, não o resumo, mas o texto completo do artigo 1, sessão 8, parágrafo 11: “O Congresso tem o poder de declarar guerra (...) e fazer leis sobre captura de terras e águas”.[1]

Em seguida, explicou que essa específica passagem não prescreve nenhum formato que a lei deva ter para ser considerada “Declaração de guerra”, nem a Constituição usa essa expressão. E perguntou:

O senhor pode comparar esse artigo e parágrafo com a lei de 1973 dos “Poderes de Guerra”, interpretá-los um à vista do outro, e nos dizer o que, afinal, o presidente dos EUA está ameaçando fazer contra o nosso país?

Surpreendi-me pensando “Quem será esse moço?” e em seguida, angustiado: “Onde está o professor Richard Falk, quando preciso dele? Só Falk saberia responder essa pergunta...”

Sem saber nem por onde começar a responder, gaguejei alguma coisa como “é excelente pergunta, e podemos nos reunir mais tarde para discutir isso. Já é muito tarde”.

Para minha sorte, quando eu via no relógio que já eram 4h28 da manhã, todos ouvimos o Adhan, (chamada para as preces islâmicas) cantado por um muezzinde uma mesquita próxima. O som reconfortador, meio mágico, flutuou à nossa volta. Era hora das preces do amanhecer, al-fajr. Fui salvo. Eu não saberia o que responder àquele jovem sírio.

Soldados sírios
Os soldados pela rua fizeram silêncio, ouvindo. Sabe-se lá o que passaria pela cabeça deles, para a semana que se anuncia de guerra, talvez sob ataque dos norte-americanos. O grupo começou a dispersar-se e fui salvo de ter de mostrar a minha ignorância. Pelo muezzin, não pelo professor Falk.

O povo da República Árabe Síria é gente politicamente sofisticada e os sírios estão surpreendentemente (para mim) bem informados sobre a atual crise, até detalhes precisos sobre os atores externos e seus projetos e planos.

Temos de desejar o bem deles, e nos unir a eles e às pessoas de boa vontade, como tantos cristãos e muçulmanos e de outras fés em todo o mundo, que se uniram no dia de jejum e preces convocado para esse 7/9/2013, por Sua Santidade o papa Francisco.

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Nota dos tradutores
[1]  Orig. The Congress shall have Power To declare War, grant Letters of Marque and Reprisal, and make Rules concerning Captures on Land and WaterÉ texto que exige tradução técnica, de precisão. Traduzimos o suficiente, só, para ajudar a ler. Correções e sugestões são todas bem-vindas.
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[*] Franklin Lamb foi advogado-assistente do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA e professor de Direito Internacional na Northwestern College of LawPortland,Oregon. Obteve seu diploma de Direito na Boston University, sua pós graduação (LLM), mestrado (M.Phil) e doutoramento (Ph.D). na London School of Economics. Ele está atualmente residindo em Beirute e Damasco.

Depois de 3 anos advogando no Tribunal de Haia, tornou-se professor visitante na Harvard Law School’s East Asian Legal Studies Center, onde se especializou em Direito chinês.Ele foi o primeiro ocidental admitido pelo governo da China visitar a famosa prisão de “Ward Street”, em Xangai. Lamb está atualmente pesquisando no Líbano e trabalhando com a Palestine Civil Rights Campaign-Lebanon e a  Sabra-Shatila Foundation.Seu novo livro, The Case for Palestinian Civil Rights in Lebanon, será lançado em breve.