quinta-feira, 29 de agosto de 2013

NÃO A GUERRA - MANIFESTAÇÃO CONTRA A AGRESSÃO À SÍRIA



Dia 4 de setembro/13 – quarta- feira - 15 horas

EM FRENTE AO CONSULADO NORTEAMERICANO (Presidente Wilson)

AFINAL O VERDADEIRO  INIMIGO, POR TRAS  DOS MERCENÁRIOS, MOSTRA SUA FACE:
EUA, ISRAEL E OTAN TIREM AS PATAS DA SÍRIA!

O povo brasileiro não é otário, não acredita nas boas intenções do imperialismo sionista.  Repudiamos energicamente as manobras dos EUA, Israel, Inglaterra, França , Turquia e  as monarquias  do Golfo que estão há dois anos financiando  e armando os mercenários sanguinários que promovem a “guerra suja” contra o povo da Síria, e dessa  forma,  preparando o terreno para a invasão oficial da OTAN,  com a velha e descarada desculpa de ajuda humanitária, ou a falácia da doutrina R2P – Responsabilidade de Proteger.As  guerras pela “democracia” promovidas  pelo império sionista geram milhões de mortes e miséria para os povos, como foi na Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e Líbia, os mais recentes.  Os EUA querem CONTABILIZAR  mais uma área rica em gás e petróleo e destruir o bloco anti imperialista (Síria-Líbano-Palestina) , que não reza na cartilha de Israel.

BASTA DE MENTIRAS,  ENGANOS E MANIPULAÇÕES!

TODA FORÇA  AO POVO SÍRIO QUE LUTA POR SUA AUTODETERMINAÇÃO E SOBERANIA!


Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino – RJ  (somostodospalestinos.blogspot.com)

EUA, ISRAEL E OTAN: TIREM AS PATAS DA SÍRIA


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

SIRIA SOLICITA À ONU QUE INVESTIGUE 3 NOVOS INDÍCIOS DE "ATAQUES QUÍMICOS" PELOS MERCENÁRIOS



Síria exige que a ONU investigue três novos ataques químicos perpetrados pelos mercenários na semana passada, declarou representante permanente da Síria na ONU, Bashar Jaafari.



Jaafari disse à imprensa que os ataques aconteceram nos dias 22, 24 e 25 de Agosto nos subúrbios de Damasco e que os rebeldes usaram gás venenoso contra o exército sírio. "Pedimos à ONU para incorporar mais três locais no subúrbio de Damasco, onde soldados sírios inalaram o gás , de modo que o raio de investigação  aumenta em comparação com a fase inicial da investigação ", disse Jaafari. 

Segundo Jaafar, a Síria se encontra em estado de guerra e se prepara para o pior desenvolvimento dos acontecimentos . 

Jaafari fez um breve discurso após a reunião do Conselho de Segurança da ONU em que os cinco membros permanentes discutiram um projeto de resolução proposto no Reino Unido. O texto do projeto acusa Al Assad por suposto ataque química do dia 21 de agosto  e requer uma resposta rápida.

Jaafari afirmou que a reunião do Conselho de Segurança da ONU é "ilegal", porque apenas " três países participaram ". Jaafari acusou os EUA, Grã-Bretanha e França de serem " parte do problema "e não" uma solução para a crise. ". O diplomata esclareceu e denunciou que os países ocidentais fornecem armas aos" grupos armados terroristas " na Síria, assim como todo tipo de apoio logístico. 

A GUERRA CONTRA A SÍRIA JÁ HAVIA SIDO DECIDIDA ANTES DO ATAQUE DE ARMAS QUÍMICAS PELOS MERCENÁRIOS

O presidente russo e o chefe dos espiões sauditas discutiram Síria, Egito

24/8/2013, Al-Monitor 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Bandar bin Sultan numa reunião com Vladimir Putin (Moscou em 2/8/2007)
Um relatório diplomático sobre a “reunião tempestuosa” em julho entre o presidente Putin da Rússia e o chefe da inteligência saudita príncipe Bandar bin Sultan concluiu que a região compreendida entre o Norte da África e a Chechnya e do Irã à Síria – em outras palavras, todo o Oriente Médio – resultou sob a influência de um confronto direto EUA-Rússia e que “não é improvável que a coisas venham a tomar rumo dramático no Líbano, no sentido político e de segurança, à luz da decisão central dos sauditas de responder ao envolvimento do Hezbollah na crise síria”.

Abdullah bin Abdul Aziz 
O relatório começa por expor as condições sob as quais se realizou o encontro russo-saudita. Lá se lê que o príncipe Bandar, em coordenação com os EUA e alguns parceiros europeus propôs ao rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz que Bandar visitasse Moscou e aplicasse a tática de cenoura-e-porreete, frequentemente usada, e oferecesse aos russos estímulos políticos, econômicos, militares e de segurança, em troca de concessões em várias questões regionais, em especial na Síria e no Irã.

O rei Abdullah aceitou a proposta e fez contato com o presidente Putin dia 30 de julho. Em conversa de apenas alguns minutos, ambos acertaram a visita de Bandar e que o que fosse discutido permaneceria secreto. Bandar chegou a Moscou. A visita foi secreta. A embaixada saudita não seguiu o protocolo usual para altos funcionários sauditas em visita à Rússia.

Em Moscou, houve uma primeira rodada de conversas no quartel da inteligência militar russa entre Bandar e o chefe da Inteligência Militar Russa, general Igor Sergon. Falaram de cooperação de segurança entre os dois países. Bandar então visitou Putin em sua residência, nos arredores da capital, onde tiveram reunião a portas fechadas que durou quatro horas. Discutiram a agenda: questões bilaterais e várias questões regionais e internacionais nas quais os dois países têm interesses.

Relações bilaterais

No plano bilateral, Bandar transmitiu saudações do rei saudita a Putin falou da ênfase que o rei dá à importância de desenvolver relações bilaterais. Disse também a Putin que o rei abençoaria qualquer entendimento firmado naquela visita. Bandar disse também que “qualquer entendimento a que cheguemos nessa reunião será não apenas um entendimento saudita-russo, mas, também, um entendimento EUA-Rússia. Falei com os americanos antes de embarcar para cá e eles prometeram cumprir qualquer entendimento que firmemos aqui, especialmente se concordarmos no modo de abordar a questão síria”.

Bandar destacou a importância de desenvolverem-se relações entre os dois países; disse que a lógica dos interesses pode demarcar vastas áreas de cooperação. Deu vários exemplos nas arenas econômica, de investimentos, do petróleo e militar.

Bandar disse a Putin:

Há muitos valores e objetivos comuns que nos aproximam, muito especialmente a luta contra o terrorismo e o extremismo em todo o mundo. Rússia, EUA e os sauditas concordam em promover e consolidar a paz e a segurança internacionais. A ameaça terrorista está crescendo, à luz dos fenômenos que a Primavera Árabe disseminou. Perdemos alguns regimes. E o que recebemos em troca foram experiências terroristas, como se viu na experiência com a Fraternidade Muçulmana no Egito e os grupos extremistas na Líbia. (...) Por exemplo, posso dar-lhe a garantia de que serão protegidos os Jogos de Inverno na cidade de Sochi, no Mar Negro, no próximo ano. Os grupos chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós, e não se movimentarão na direção do território sírio sem se coordenarem conosco. Esses grupos não nos assustam. Nós os usamos contra o regime sírio, mas não terão papel ou influência no futuro político da Síria.

Putin agradeceu a saudação do rei Abdullah e a exposição que Bandar lhe fizera, mas disse a Bandar:

Nós sabemos que vocês apoiaram durante uma década os grupos terroristas chechenos. E aquele apoio, do qual você acaba de falar francamente, é absolutamente incompatível com os objetivos comuns de combater o terrorismo global a que você se referiu. Temos interesse em desenvolver relações de amizade segundo princípios claros e firmes.

Bandar disse que a questão não se limita ao reino e que alguns países infringiram as regras que o reino definira, como o Qatar e a Turquia. Acrescentou que:

Dissemos isso diretamente aos qataris e aos turcos. Rejeitamos o apoio que dão à Fraternidade Muçulmana no Egito e em outros pontos. O papel dos turcos hoje se tornou semelhante ao do Paquistão na guerra afegã. Não favorecemos regimes religiosos extremistas, e queremos estabelecer regimes moderados na região. Vale a pena prestar atenção e acompanhar a experiência do Egito. Continuaremos a apoiar o exército [egípcio] e apoiaremos o Ministro da Defesa general Abdel Fattah al-Sisi, porque está disposto a ter boas relações conosco e com vocês. Sugerimos que vocês fiquem em contato com ele, que o apoiem e lhe deem todas as condições para que tenha sucesso em seu experimento. Estamos prontos a firmar negócios de armas com vocês, em troca de apoio àqueles regimes, especialmente ao Egito.

Cooperação econômica e no petróleo

Bandar então passou a discutir a potencial cooperação entre os dois países, para o caso de chegarem a um bom acordo em várias questões, especialmente a Síria. Expôs longamente a questão da cooperação do petróleo e de investimentos, dizendo:

Vamos examinar um modo de implantar uma estratégia unificada russo-saudita para o petróleo. O objetivo e concordar sobre o preço e as quantidades de produção e manter estável o preço nos mercados globais de petróleo. (...) Entendemos o grande interesse da Rússia no petróleo e no gás que há no Mar Mediterrâneo, de Israel a Chipre através do Líbano e da Síria. E entendemos a importância do gasoduto russo para a Europa. Não temos interesse em competir com isso. Podemos cooperar nessa área, bem como nas áreas de estabelecer refinarias e indústrias petroquímicas. O reino pode prover investimentos de muitos bilhões de dólares em vários campos no mercado russo. O que importa é concluir um bom entendimento político em várias questões, particularmente a Síria e o Irã.

Putin respondeu que as propostas sobre petróleo e gás, cooperação e investimentos econômicos poderiam ser estudadas pelos ministérios relevantes, nos dois países.

Primeiro a Síria

Bandar discutiu longamente a questão síria. Explicou como evoluiu a posição do reino sobre a crise Síria, desde o incidente de Daraa, até o que está acontecendo hoje. Disse que:

(...) o regime sírio está acabado, no que tenha a ver conosco e com a maioria do povo sírio. [O povo sírio] não permitirá que o presidente Bashar al-Assad permaneça no comando. A chave para as relações entre nossos dois países começa por compreender nossa abordagem para a questão síria. Os russos têm de parar de dar apoio político [ao regime sírio], especialmente no Conselho de Segurança da ONU, além de apoio militar e econômico. E garantimos que os interesses russos na Síria e na costa mediterrânea não serão afetados em nada. No futuro, a Síria será governada por regime moderado e democrático que será diretamente patrocinado por nós e que será compreensivo ante os interesses russos e o papel da Rússia na região.

A intransigência da Rússia beneficia o Irã

Bandar também expôs a visão da Arábia Saudita sobre o papel do Irã na região, especialmente no Iraque, Síria, Líbano, Palestina, Iêmen, Bahrain e outros países. Disse que esperava que os russos compreenderiam que os interesses russos e os interesses dos estados do Golfo são os mesmos, face à ganância dos iranianos e ao desafio nuclear.

Putin expôs a posição de seu país sobre os desenvolvimentos da Primavera Árabe, especialmente sobre o que aconteceu na Líbia. Disse que:

(...) estamos muito preocupados com o Egito. E entendemos o que o exército egípcio está fazendo. Mas estamos sendo muito cautelosos na abordagem do que está acontecendo, porque tememos que as coisas deslizem para uma guerra civil no Egito, que custaria muito cara aos egípcios, aos árabes e à comunidade internacional. Quis fazer uma rápida visita ao Egito. E a questão ainda está em discussão.

Sobre o Irã, Putin disse a Bandar que o Irã é país vizinho, que Rússia e Irã são ligados por relações seculares e que há interesses comuns e partilhados entre os dois países. Putin disse que:

Hassan Rouhani 
(...) apoiamos a aspiração dos iranianos de produzir combustível para finalidades pacíficas. E ajudamos os iranianos a desenvolver suas instalações nessa direção. Evidentemente, reiniciaremos as negociações com eles como parte do grupo 5P+1. Vou-me reunir com o presidente Hassan Rouhani à margem das reuniões da cúpula da Ásia Central e discutiremos várias questões bilaterais, regionais e internacionais. Informaremos o presidente Rouhani que a Rússia opõe-se completamente a o Conselho de Segurança da ONU impor novas sanções contra o Irã. Entendemos que as sanções impostas contra o Irã e os iranianos são injustas e não repetiremos outra vez a experiência.

Erdogan visitará Moscou em setembro

Sobre a questão turca, Putin falou de sua amizade com o Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan:

Recep Erdogan
A Turquia também é país vizinho, com o qual temos interesses comuns. Estamos dispostos a desenvolver nossas relações em vários campos. Durante a reunião turco-russa, examinamos as questões sobre as quais concordamos e outras, nas quais discordamos. Descobrimos que temos mais ideias convergentes, que ideias divergentes. Já informei os turcos e reiterarei minha posição quando encontrar meu amigo Erdogan, que entendo que o que está acontecendo na Síria exige dos turcos uma abordagem diferente. A Turquia não será imune ao banho de sangue na Síria. Os turcos devem empenhar-se mais para encontrar uma solução política para a crise síria. Estamos certos de que o acordo político na Síria é inevitável e, portanto, eles têm de reduzir os danos. Esse desacordo com os turcos na questão síria não compromete outros acordos entre nós, no nível econômico e da cooperação em investimentos. Informamos recentemente aos turcos que estamos prontos a cooperar com eles para construir dois reatores nucleares. Essa questão estará na agenda do primeiro-ministro turco, que visitará Moscou em setembro.

Putin: Nossa posição sobre Assad não mudará

Sobre a questão síria, o presidente russo respondeu a Bandar:

Bashar al-Assad
Nossa posição sobre Assad nunca mudará. Acreditamos que o regime sírio é quem melhor pode falar na defesa do povo sírio, não aqueles comedores de fígado. Durante a Conferência Genebra-1, firmamos com os EUA um pacote de entendimentos, e eles concordaram com que o regime sírio participasse de qualquer tipo de discussão e acordo. Pouco depois, os EUA renegaram Genebra-1. Em todas as reuniões de especialistas russos e norte-americanos, reiteramos nossa posição. Em sua próxima reunião com sua contraparte norte-americana, John Kerry, o Ministro russo de Relações Exteriores, Sergey Lavrov destacará a importância de que se empreendam todos os esforços para que se alcance um rápido acordo que ponha fim à crise síria e que impeça que o banho de sangue prossiga.

Ao final da fala de Putin, o príncipe Bandar alertou que, à luz do rumo das conversações, as coisas provavelmente piorarão, especialmente na arena síria, embora apreciasse e agradecesse que os russos compreendam a posição dos sauditas no Egito e a prontidão com que apoiaram o exército egípcio, apesar do temor que lhes inspira o futuro do Egito.

O chefe dos serviços de inteligência saudita disse que qualquer disputa em torno da questão síria leva à conclusão de que:

(...) não há como escapar da opção militar, porque é a única escolha disponível atualmente, uma vez que o acordo político acabou em impasse. Disse que entende que a Conferência Genebra-2 será muito difícil, à luz dos acontecimentos em curso.

Ao final da reunião, o russo e o saudita concordaram em continuar a conversar, desde que aquela reunião fosse mantida secreta. Isso, antes que um dos dois lados vazasse esse relatório através da imprensa russa.
_________________

Nota dos tradutores

[1] Em 21/8/2013: Al-Safir Publishes a Comprehensive Report about Bandar’s Meeting with Putin: “You Get the Investments and the Oil Price ... But Give Us Syria!” [trad. ar.ing., Rani Geha e Sahar Ghoussoub]. Al Monitor.

Movimentação atual das forças militares imperialista contra a Síria

28 de agosto de 2013







O mapa não inclui as forças terroristas da Al-Qaeda, da  Al-Nusra e da Irmandade Muçulmana ...nem  as tropas da Turquia, da  Arábia Saudita e outras forças lacaias


SÍRIA: IMPERIALISMO EM CRISE LANÇA UMA NOVA GUERRA PARA SOBREVIVER


O Comitê Executivo do  PCPE e O Bureau Político CJC denunciam as escalada belicista das potências imperialistas contra a Síria. As últimas notícias parecem indicar a eminência de um ataque  militar imperialista no país, liderada pelos Estados Unidos.

Depois de meses de campanha sistemática de intoxicação  informativa e manipulação midiática, com o objetivo de apresentar uma imagem criminal do governo do partido Baath e dos terroristas islâmicos como simples opositores, as recentes declarações dos representantes do governo dos EUA apontam um ataque contra a Síria pela aliança dos países imperialistas, apesar do veto russo no Conselho de Segurança da ONU.

O PCPE e os CJC denunciam com firmeza esta intervenção que não tem nada a ver com causas humanitárias,nem nada a ver com evitar derramamento de sangue da população da Síria, e sim que mais uma vez está vinculada à luta inter-imperialista pelo controle das áreas de influência e o controle e transporte de matérias-primas, como consequência de uma grave crise capitalista que aguça as contradições no seio do imperialismo, que o imperialismo só pode ser resolvido através do recurso à guerra.
Estados Unidos, Reino Unido, França, Turquia e Israel, para citar apenas alguns países, deixaram bem clara a sua intenção de atacar militarmente a Síria, independentemente das decisões que poderão ser adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU,o que simplesmente confirma as  atividades parcialmente encobertas que estão sendo realizadas há tempos: sendo feito nos últimos meses: fornecimento de  armas de todos os tipos e cobertura política a denominada "oposição",  treinamento militar  e todo tipo de  assistência.

Como já afirmamos em uma resolução anterior do  CE  do PCPE, datada de junho deste ano, tem cada dia mais credibilidade as informaçõesque   indicam que o uso de armas químicas na Síria está sendo conduzida pelas forças mercenárias de oposição ao governo, em coordenação com os poderes imperialistas, a fim de legitimar uma operação militar direta que, no caso da Síria, poderia desencadear um conflito mais amplo na região, cujas conseqüências seriam desastrosas.

O imperialismo desenvolve um novo episódio midiático de mentiras e enganos, seus meios domesticados de comunicação  manipulam e mentem sem qualquer limite. Podemos comprová-lo no Iraque com a ausência de armas de destruição em massa que serviram  de pretexto para a invasão imperialista e  que nunca foram encontradas, contudo , o custo desta manobra foi de um milhão de vidas iraquianas.

Face ao exposto, a PCPE e os CJC fazemos o seguinte chamamento à classe trabalhadora e setores populares de nosso país:

  1. Para combater ativamente a eclosão de uma nova guerra imperialista na Síria, bem como contra qualquer envolvimento da Espanha neste agressão e contra o uso do território do nosso país como apoio logístico a esta guerra.
  2. Que a classe  trabalhadora de nosso país e dos países agressores, se neguem a fazer parte das forças de agressão imperialista, desertando e organizando a luta contra os seus inimigos de classe.
  3. Continuar impulsando um forte movimento anti-imperialista focado na defesa da soberania e da autodeterminação dos povos, orientado na luta pela conquista pelo poder operários e popular como a única possibilidade real de acabar com as guerras imperialistas.
  4. Denunciar os gastos militares e a militarização crescente da nossa sociedade, em uma estratégia parasitária e  suicida das classes dominantes desesperadas ante a entrada de um período histórico que marcará o fim de sua dominação..


Vivemos na era da transição do capitalismo para o socialismo. As forças imperialistas, nessa fase, desenvolvem um grau de violência superior até então conhecida pela humanidade, e a classe trabalhadora e as organizações revolucionárias têm a responsabilidade de enfrentar com toda  nossa determinação  esta etapa histórica afim de levar nossa causa revolucionária à vitória , ao socialismo e ao comunismo, e lançar o sistema capitalista para o baú da história.


Madrid, 27 de agosto de 2013
PCPE Comitê Executivo
Bureau Político do CJC - ESPANHA

Declaração do Partido Comunista da Grécia


O povo grego tem que pensar muito bem e rejeitar a tática perigosa conhecida dos imperialistas que organizam e utilizam uma  campanha propagandistica e  enganosa para incriminar  o governo sírio com respeito ao uso de armas químicas, a fim de justificar a agressão militar contra a Síria.

Nesta campanha, sem provas, desempenham o papel de liderança os EUA, França, Grã-Bretanha, Turquia, Qatar e Arábia Saudita, que  apoiam as forças contra o regime. Ou seja, protagonizam  as forças que intervêm nos assuntos internos da Síria ao lado das forças armadas contra o regime, todo o tipo de  mercenários que alimentam com armas para promover seus planos estratégicos na região.

O povo não esqueceu que os mesmos ou semelhantes pretextos foram utilizados para justificar as guerras imperialistas contra a Iugoslávia, Iraque, Afeganistão e Líbia.

Há poucos meses, houve evidência razoável que afirmava sobre a responsabilidade dos chamados grupos anti-regime do uso de  armas químicas, mas esta este fato foi ocultado deliberadamente.

O KKE condena a intervenção estrangeira nos assuntos internos da Síria e de outros estados da região, condena a preparação de uma nova guerra imperialista e chama o povo a exigir que o governo não participe nestes planos criminosos.


Atenas, 2013/08/23
O Gabinete de Imprensa do CC do KKE

domingo, 25 de agosto de 2013

Armas químicas na Síria : Uma "guerra suja" contra o Mundo Árabe e seu povo.

Israel senta para negociar (?!?) com a ANP; EUA denunciam ao mundo um complô contra suas Embaixadas (?!?); golpe de Estado no Egito; atentados terroristas no Iraque, ataques terroristas com armas químicas na Síria e atentados terroristas no Líbano! 
Uma "guerra suja" contra o Mundo Árabe e seu povo.


Por * Maristela R. Santos Pinheiro


O povo do Egito vive o drama de um massacre em massa promovido pelo golpe militar, apoiado pelos EUA e sua base militar no Mundo Árabe, Israel. O exército atira sem dó nem piedade em todos que se insurgem contra seu domínio e  não perguntam a religião das pessoas.

A República da  Síria envolvida na  guerra  suja que o imperialismo-sionista lhe impõe, desde 2011, estava, neste momento,  num processo de vitórias militares contra os mercenários e de avanços fantásticos na pauta popular apresentada pelos movimentos sociais, lá no início, para a construção da unidade necessária para o  enfrentamento que se seguiu.

Parecia impossível vencer a unidade e determinação do povo sírio que junto com o exército regular vem combatendo os mercenários de diversas nacionalidades, plantados no terreno para fomentar a guerra civil, o sectarismo religioso e praticar as piores atrocidades que se tem notícias, como comer o coração de um jovem soldado do exército capturado, matar famílias inteiras porque não quiseram cooperar, enfim... .

Nestes dois anos o povo sírio vem sofrendo todos os dramas de um povo invadido pelo imperialismo-sionista. Contudo, tem demonstrado uma força e uma unidade para além de suas diferentes  religiosidades. Esse fato é , definitivamente, o garantidor da vitória que despontava no horizonte.

Durante estes dois anos, mesmo quando as forças inimigas estiveram militarmente numa situação mais favorável, dominando algumas cidades, o governo da República da Síria foi incapaz de fazer uso do armamento químico. Em inúmeras vezes, o governo  denunciou nas Nações Unidas a prisão de mercenários estrangeiros, a apreensão de armas nas suas fronteiras e o interesse das monarquias do golfo, aliadas estratégicas dos EUA e de Israel, em desestabilizar e destruir  a Síria, tal qual fizeram com  Iraque, o   Afeganistão e a Líbia. Mas, obviamente, todo seu esforço não surtiu efeito. A ONU não é imparcial. Tão pouco, neste âmbito, os EUA lograram êxito total, mas apenas porque os interesses geopolíticos da  Rússia  e China na região dificultaram a entrada da OTAN.

Logo, as perguntas afloram imediatamente  ao lermos o noticiário liberal da mídia corporativa, que reproduz a  acusação dos governos dos Estados Unidos da América, Israel, França e Inglaterra  de que  o governo sírio assassinou  sua própria população com um ataque de armas químicas, em um bairro de Damasco, capital do país, na presença da Comissão da ONU, que chegou horas antes do ataque químico!? No mínimo estranho!

1- Por que um  governo que  teve seu prestigio popular aumentado pela condução da "guerra" contra os mercenários do imperialismo-sionista, faria isso? Assad é aclamado nas ruas de Damasco. Se vier candidato nas próximas eleições de 2014, estima-se que venceria com mais de 65% dos votos.

2- Por que um governo que tinha atualmente absoluto controle militar  da situação, reconquistando todas as posições dos mercenários, faria isso? Iria arriscar perder tudo que conquistou nesses dois anos, a troco do que?

3 - Por que um governo que ajudou a formatar o bloco árabe anti-imperialista - Síria-Palestina-Líbano -, o que lhe rendeu inclusive a ajuda militar do Hezbolah nesta maldita  "guerra" contra o povo sírio, faria isso contra seu próprio povo?

4 - Por que um governo que estava recebendo, por vontade própria, a equipe da ONU, justamente para averiguar sobre a utilização de armas químicas na "guerra", faria isso? A equipe da ONU havia chegado há poucas  horas em Damasco e se encontrava  próximo do local do ataque.

5 - Porque, segundo um vídeo na internet,   neste maldito ataque ao povo só morreram crianças e civis e não os mercenários, particularmente, os alvos de um ataque do governo?

7- Por que em Damasco? Cidade que  o governo tem total controle da área e a equipe da ONU acabara de chegar. Quem deseja justificar uma invasão da OTAN ao país?

Quem tem interesse em acusar o governo legítimo da Síria por essa atrocidade? Por acaso serão os EUA, ou Israel, ou a União Européia? Por que será? Qual o interesse na região? Por acaso tem a ver com a recente descoberta da enorme jazida de  gás? Ou tem a ver com a construção do gasoduto para Europa?  Ou tem a ver com uma escalada até o Irã?  leia sobre o assunto no endereço abaixo:
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/07/siria-centro-da-guerra-pelo-gas.html

Os EUA e Israel e as monarquias do Golfo não toleram e não escondem sua intenção de destruir o bloco aintiimperialista organizado a partir da Síria, Palestina e Líbano, com o Hezbolah . Contra essa resistência uma montanha de mentiras são veiculadas na mídia corporativa e sionista mundo afora. Uma chuva de atentados terroristas de falsas bandeiras plantadas pela MOSSAD e CIA é forjada para fomentar intrigas religiosas e dividir o povo local.

Os jornais e as tvs não cansam de repetir a falsa acusação contra o governo sírio, mesmo quando deixam escapar  alguma reflexão crítica, ou  são confrontados com provas que mostram que os vídeos sobre o suposto ataque foram colocados na internet  várias horas antes que o ataque químico acontecesse, deixando claro, neste caso, que se trata de uma ação planejada.

Quando até na mídia corporativa e pró sionista aparecem declarações do tipo: 
"Em primeiro lugar, o momento é estranho, beirando a suspeita", escreve o correspondente de segurança da BBC Frank Gardner. "Por que o governo Assad, que foi recentemente retomando territórios dos rebeldes, realizaria um ataque químico, enquanto os inspetores de armas da ONU estão no país?" 

Suas suspeitas são compartilhadas pelo diplomata sueco e ex-inspetor de armas da ONU Rolf Ekeus, que disse à Reuters: 
"Seria muito estranho se fosse o governo a fazer isso no exato momento em que os inspetores internacionais estão no país .... pelo menos, não seria muito inteligente. "

Mas , claro , há aqueles que querem acreditar na versão do "Observatório Sírio de Direitos Humanos", uma ONG, sediada na Inglaterra, que defende os interesses do capital imperialista na região e seus mercenários, como o "Exército Livre da Síria", que de livre não tem nada, graças aos seus compromissos com EUA e Israel. Há , ainda, os que têm uma grande ilusão na ONU, como se essa organização estivesse livre e acima de todos. Lamento, mas não é bem assim que a banda toca. A ONU têm partido, aliás, é bom que todos os anônimos saibam, todas as classes tem partido e todas as organizações também. Não existe o limbo, ou Shangrila, lamento.

Não há muitas escolhas a serem feitas:
Acreditar nas manipulações do imperialismo para justificar a invasão perante a  "opinião pública", não necessariamente com o apoio explicito da ONU -  lembremos das não encontradas armas químicas do Iraque -  significa apoiar a invasão e destruição da República da Síria. Significa um cheque em branco e assinado  aos EUA e Israel para o domínio completo do Mundo Árabe, incluindo aí a Palestina. Mas importante, significa apoiar a destruição e morte em massa do povo sírio.
 Ver também :
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2013/01/na-trincheira-do-inimigo.html
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2013/01/suposta-militante-siria-elogiada-em.html

* Por Maristela R. dos Santos Pinheiro  – Cientista Social, mestranda em História /UFF, militante internacionalista do Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino e da Agenda Colômbia. Militante do PCB

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Fomenta-se a luta armada no Egipto"

Repercussões em toda a África do Norte e Médio Oriente

Eles estão sempre à procura de qualquer forma de apoiar governos de ultra-direita que estejam dispostos a ter relações com o estado colonial de Israel. 
Estão enfiados de uma forma perversa na Síria,a apoiar os islâmicos da extrema-direita simplesmente para fomentar um conflito que está a destruir o país.
 É uma política maquiavélica, apoiam qualquer força que possa destruir o país a fim de fortalecer a influência de Israel. 
por James Petras 
entrevistado por Diego Martínez [*]

Igreja copta incendiada pela Irmandade Muçulmana.


DM: Bem, obviamente o tema inescapável é a situação no Egipto. Queremos conhecer a sua análise sobre o desenrolar da situação e o papel dos Estados estrangeiros neste conflito. 

JP: Primeiro devemos dizer que há um antecedente muito importante, um ponto de referência do que se está a passar no Egipto. É o massacre dos muçulmanos que ganharam as eleições na Argélia nos anos 90, quando a França e os militares [argelinos] intervieram para esmagarem os islâmicos que ganharam ou estavam a ponto de ganhar as eleições, lançando uma guerra de 10 anos, desestabilizando o país, desarticulando a economia e deixando como resultado 90 mil pessoas mortas, islâmicos na grande maioria. O modelo da Argélia é o que está nos olhos dos militares que fizeram o golpe de Estado no Egipto.

Agora, neste golpe, enfrentam milhões de egípcios que estão a lutar, em primeira instância, pelos direitos democráticos, o restabelecimento de um governo eleito. E este processo enfrenta agora um golpe de Estado que quer decapitar toda a direcção e matar a grande maioria dos activistas militantes.

Até agora temos pelo menos 5.000 mortos e feridos entre os muçulmanos e menos de 50 entre os polícias. Os países ocidentais tomaram posições hipócritas. O governo de Obama denuncia a violência e a repressão do Estado mas o ministro da Defesa Charles Hagel diz que não vão eliminar a ajuda militar, que é de 1.500 milhões de dólares.

Ou seja, vão continuar a canalizar armas aos repressores e assassinos.

O resultado da política norte-americana é um fracasso.

Primeiro procuram apoiar Mohamed Morsi, o islâmico, como mal menor frente ao levantamento popular. Depois tentam criar uma aliança militar islâmica durante algum tempo, mas os militares queriam controlar o Estado, a parte militar-policial, manter todo o aparelho de Hosni Mubarak, da ditadura, inclusive a parte judicial.

E a esquerda tonta, como sempre, pôs os sindicatos socialistas a participar nas manifestações contra o governo, dirigidas desde cima pelos militares que utilizam como tontos úteis os manifestantes, inclusive de esquerda, que tinham o apoio dos trotsquistas em França, na Inglaterra e outros lugares como outros idiotas. E este processo que se chama uma luta anti-ditatorial, anti-islâmica, terminou criando as condições auspiciosas para o golpe. E uma vez tomado o poder pelos militares, estes descartaram os sindicalistas, lançaram uma campanha militar repressiva que ainda continua e vão aumentar os números talvez até muitos milhares de mortos e feridos nos próximos dias.

Há que tirar várias conclusões. Washington neste caso está numa situação de perplexidade. Por um lado não tem nenhum interesse na democracia mas tão pouco quer ver uma guerra civil, um levantamento generalizado que deslegitima os militares que são os seus principais aliados. Tem medo de uma luta armada. Agora, uma vez que os muçulmanos verificam que a via eleitoral não serve, grupos islâmicos mais radicais já disseram que de nada serve aos muçulmanos participar de processos eleitorais pois vão negar-lhes os resultados.

Está-se então a fomentar uma luta armada no Egipto que vai ter repercussões em toda a África do Norte e no Médio Oriente, apoiando a ideia de que o mundo ocidental, apesar da retórica, realmente apoia ditaduras.

E Washington nestas circunstâncias tem medo de que o exemplo de uma luta armada com apoio de massas no Egipto possa ter um impacto múltiplo em todo o Médio Oriente. Esse é o grande medo, não têm nenhuma preocupação com as mortes, só têm medo de que as consequências dos massacres ponham sobre a mesa outra forma de luta e isso radicalize o processo.

Mursi estava de acordo com a política ocidental, as restrições sobre os palestinos, inclusive apoiando a invasão da Síria, mas agora a nova onda de muçulmanos vai tomar posições mais anti-ocidentais, mais anti-colaboração e talvez abrir caminho para uma extensão do apoio aos palestinos.

DM: Que saída pensa que se possa encontrar para esta situação? Que possibilidades reais de que as eleições sejam uma verdadeira saída? 

JP: Bem, não há qualquer saída eleitoral neste momento. Os militares declararam estado de sítio, estão a encarcerar e matar qualquer opositor, qualquer voz crítica, forçaram a saída dos liberais, os grupos colaboradores dos militares como el Baradei e os sectores neoliberais laicos que não estão de acordo com a política de massacres. E isso indica que não há nenhum interlocutor que possa chegar a um acordo neste momento para buscar uma saída eleitoral. Os militares monopolizam a política, não têm nenhuma intenção de abrir um processo eleitoral enquanto estiverem comprometidos na eliminação dos grupos islâmicos.

Ao mesmo tempo os islâmicos estão hegemonizar a luta contra a ditadura, todas as forças laicas, republicanas, socialistas agora têm que escolher entre apoiar a luta anti-militar encabeçada pelos grupos islâmicos ou ficar à margem da história. Não creio que muitos venham a apoiar o governo militar. Não são tão estúpidos como antes, quando se auto-enganaram apoiando as marchas contra Mursi em vez de defender a democracia e atacar os militares. Agora ficam sem nenhuma alternativa.

Agora, a polarização é a massa anti-ditatorial islâmica contra os militares, as outras opções já ficam à margem da história.

E os Estados Unidos criticam os militares mas afinal de contas estão do lado dos massacradores.

DM: Que papel desempenha a situação geográfica do Egipto? Sua fronteira comum com Israel, com a Faixa de Gaza, com a Arábia Saudita. 

JP: Obviamente os militares são a favor de Israel. No pouco tempo que estão no poder já fizeram trabalho fechando as saídas para Gaza. Fizeram massacres no Sinai para eliminar qualquer apoiante ali que apoiasse a Palestina.

Por outro lado, a luta dos muçulmanos vai abrir caminho para fortalecer suas contra-partidas na Líbia, onde os pró ocidentais já não controlam mais do que pequenos enclaves.

Então, é muito provável que o conflito no Egipto tenha enormes repercussões favoráveis aos palestinos em Gaza, o apoio dos grupos islâmicos na Líbia contra o governo e vai ter repercussões também em outras regiões, particularmente na Turquia, onde o governo de Erdogan queria estender a islamização e agora sente perigo com o golpe e está a apelar ao Conselho Nacional de Segurança para condenar o massacre. Mas obviamente a Turquia vai ser afectada. Erdogan era muito próximo de Mursi, foi visitá-lo, apoiá-lo. E agora fica a enfrentar o facto de que Mursi caiu e a luta contra a ditadura no Egipto vai ter enormes consequências.

Em outros lados, no Irão por exemplo, o governo islâmico condena o golpe mas não está a tomar partido. Não creio que sejam muito afectados directamente. Só que os grupos de poder de Mubarak, que eram muito hostis ao Irão, voltam a ter considerável influência no governo militar. Os militares recompuseram o governo de Mubarak, todos os seguidores de Mubarak voltam a controlar a inteligência e são ministros no governo.

Portanto, é uma volta ao governo policial que dominava antes da rebelião popular. É uma volta para trás mas num contexto em que o povo está muito mobilizado e sem medo. É o factor importante.

Hoje em dia há milhares de muçulmanos que estão a marchar pela democracia e contra o golpe. Outro massacre hoje é muito possível que pudesse modificar o panorama. A luta no Egipto vai agudizar e mudar a forma, desde as marchas pacíficas para as lutas de massas mais violentas e talvez o desenvolvimento de uma insurgência, uma guerra de guerrilhas urbanas e clandestinas. E isso também vai ter um impacto sobre todo o Médio Oriente.

DM: Pode-se verificar um cenário tipo líbio, de invasão por parte da NATO? 

JP: Não, não creio que a NATO vá mandar tropas intervirem no Egipto. Não há condições actualmente, os militares querem dominar a situação e os islâmicos não confiam em nada da NATO. Não tem nenhum respaldo político na intervenção. Se as forças da NATO não podem intervir com um governo violento e isolado, como puderam faze-lo no Mali onde há uma divisão no país entre um sector e outro, [só] como França a NATO pôde intervir.

Não creio que haja base para apoiar o governo militar neste momento.

Agora, se a luta armada continuar a avançar, se os militares estiverem a ponto de cair, se existir algum apoio político, pode-se imaginar alguma intervenção para além de uma das Nações Unidas com o que chamam de forças da paz. Mas isso não está sobre a mesa neste momento. O que vamos ver realmente é a continuação de apoio militar por parte dos Estados Unidos, dando armas e apoio aos militares enquanto com a outra mão vão criticar os excessos. Mas isso não engana ninguém.

DM: Sustenta então que a comunidade internacional vai permanecer numa posição declarativa e não vai intervir. 

JP: Sim, obviamente declarativa, denúncias e alguns actos simbólicos. Os Estados Unidos suspenderam exercícios militares com o exército egípcio, mas isso não tem qualquer importância, é algo simbólico. Washington não quer perder toda a legitimidade no mundo muçulmano pois tinha um projecto de colaborar com os islâmicos da direita. Tiveram relações no Golfo com a Arábia Saudita e outros países, procuravam algo mais neste lado com a Tunísia, Líbia, Marrocos e Egipto, mas não puderam consolidar esta política. Agora que os muçulmanos estão a enfrentar a ditadura militar, Washington perdeu a possibilidade de consolidar uma nova aliança com os chamados muçulmanos moderados. Agora enfrenta o facto de que está a apoiar uma minoria militar contra as grandes massas muçulmanas.

Fracassaram em toda esta abertura em direcção ao mundo muçulmano.

DM: O que se passa com a Faixa de Gaza em toda esta situação, o que se passa com Israel e com a Palestina nestes diálogos de paz em meio a esta situação de crise no Egipto? Pode haver alguma influência também? 

JP: Poderíamos dizer numa palavra que Israel apoia os golpistas militares porque tem relações estreitas com eles há muito tempo.

Eles estão sempre à procura de qualquer forma de apoiar governos de ultra-direita que estejam dispostos a ter relações com o estado colonial de Israel. Estão enfiados de uma forma perversa na Síria, a apoiar os islâmicos da extrema-direita simplesmente para fomentar um conflito que está a destruir o país. É uma política maquiavélica, apoiam qualquer força que possa destruir o país a fim de fortalecer a influência de Israel.

No caso concreto do Egipto, estão 100% com os golpistas. Os golpistas fizeram coisas para Israel, no pouco tempo em que estão no poder, muito, muito favoráveis. Apoiam todos os processos de expansão de colonatos, apoiam o bloqueio de Gaza e finalmente estão a controlar as fronteiras para evitar qualquer apoio dos muçulmanos do grupo Hamas em Gaza. Estão então a fazer o trabalho para Israel entre os palestinos.

De que forma pode Israel actuar? Bem, depende muito dos grupos de influência sionistas. Se Israel determinar que os grupos sionistas se oponham a qualquer ruptura de relações entre os Estados Unidos e o Egipto, os grupos sionistas vão ficar contra a ruptura.

Mas até agora não há qualquer indicação de ruptura.

Os sionistas estão muito contentes com a política de Obama, que retoricamente critica mas materialmente continua a apoiar a ditadura. 
20/Agosto/2013

Ver também: 
  • A Junta do Egipto não tem nada a perder 
  • O triunfo da revolução do grande povo egípcio 
  • E agora, a mensagem de nossos patrocinadores (sauditas) 

  • Egypt : A Nation Bleeds 
    [*] Jornalista da Rádio Centenário, Uruguai.

    O original encontra-se em www.argenpress.info/2013/08/james-petras-se-esta-fomentando-una.html 


    Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .