terça-feira, 2 de abril de 2013

Israel membro de fato da OTAN



Por Michel Chossudovsky (Global Research)*

É conhecido o papel que Israel desempenha na ofensiva imperialista, não apenas no Médio-Oriente mas em outras regiões, nomeadamente em África e América Latina. Esse papel avança na sua formalização institucional, em particular com o novo acordo Israel-OTAN. A ambição sionista e o imperialismo são parte integrante da mesma ameaça global contra os povos de todo o mundo.
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O Secretário-Geral da OTAN, general Anders Fogh Rasmussen, recebeu em 7 de Março o presidente de Israel, Shimon Peres, na sede da OTAN em Bruxelas.

A ordem do dia: sublinhar a cooperação militar entre Israel e a Aliança Atlântica concentrando-se em temas do contra-terrorismo.

Israel compartilhará com satisfação o conhecimento que já alcançou e as suas capacidades tecnológicas com a OTAN. Israel tem experiência em lidar com situações complexas, e devemos fortalecer a cooperação para que possamos combater juntos o terror global e ajudar a OTAN nas complexas tarefas que enfrenta, incluindo o Afeganistão.”

Israel já está envolvido em operações encobertas e de guerra não convencional em articulação com os EUA e a OTAN.

Este acordo é de particular importância porque aprofunda a relação Israel-OTAN para além do chamado “Diálogo Mediterrâneo”.
A declaração conjunta aponta para uma cooperação Israel-OTAN na luta contra o terror e na procura da paz no Médio Oriente e no mundo.

O que tudo isto sugere é a participação de Israel na guerra ativa junto à OTAN, ou seja, como membro de facto da Aliança Atlântica.

Por outras palavras, Israel estaria diretamente envolvido se os EUA-OTAN lançassem uma operação militar propriamente dita contra a Síria, o Líbano ou o Irã.

Israel ofereceu ajuda à OTAN em operações de contra-terrorismo dirigidas contra o Hezbollah e o Irã.
No decurso das discussões as duas partes acordaram em que Israel e a OTAN são parceiros na luta contra o terror, diz a declaração.

O presidente Peres sublinhou a necessidade de manter e aumentar a cooperação entre Israel e a OTAN e a capacidade de Israel de cooperar e proporcionar ajuda tecnológica e conhecimento dada a vasta experiência que tem ganho no campo do contra-terrorismo.

“Israel estará disposto a compartilhar o conhecimento conseguido e as suas capacidades tecnológicas com a OTAN. Israel tem experiência no enfrentamento de situações complexas, e devemos fortalecer a cooperação para que possamos lutar juntos contra o terror global e ajudar a OTAN face às complexas ameaças que enfrenta, incluindo no Afeganistão”, disse Peres a Rasmussen.

História da cooperação militar entre Israel e a OTAN

Vale a pena assinalar que em Novembro de 2004, em Bruxelas, a OTAN e Israel assinaram um importante protocolo bilateral que abriu caminho para a realização de exercícios militares conjuntos da OTAN e Israel. Um acordo complementar foi assinado em Março de 2005 entre o Secretário-Geral da OTAN e o Primeiro-ministro Ariel Sharon.

O acordo de cooperação militar bilateral de 2005 foi encarado pelos militares israelitas como um meio para demonstrar a capacidade de dissuasão de Israel relativamente a potenciais inimigos que o ameacem, sobretudo o Irã e a Síria.

A premissa existente sobre a qual assenta a cooperação militar entre a OTAN e Israel é que Israel está debaixo de ataque.

Existe evidência de coordenação militar e de inteligência entre a OTAN e Israel, que inclui consultas relacionadas com os territórios ocupados.

Antes do lançamento da Operação Chumbo Fundido em Gaza, a OTAN já estava intercambiando inteligência com Israel, compartilhando peritagem em segurança, e organizando treinos militares. O ex chefe da OTAN, Scheffer, visitou Israel a meio da ofensiva de Israel em Gaza. E funcionários da OTAN opinavam na época que a cooperação com Israel era essencial para a sua organização. (Al Ahram, 10 de Fevereiro de 2010)

O acordo bilateral de Bruxelas de Março de 2013 entre Israel e a OTAN é a culminação de mais de 10 anos de cooperação entre ambas as partes.

Obriga este acordo a OTAN a vir em ajuda de Israel a coberto da doutrina de segurança coletiva?
O acordo reforça o processo actual de planificação militar e logística EUA-OTAN-Israel relacionado com qualquer operação futura no Médio Oriente, incluindo um bombardeamento aéreo de instalações nucleares do Irã.

A delegação presidencial israelita integrou vários altos conselheiros militares e governamentais, incluindo o Brigadeiro General Hasson Hasson, Secretario Militar do Presidente Peres, e Nadav Tamir, conselheiro político do presidente de Israel.

Concluído em discussões à porta fechada, o texto do acordo Israel-OTAN não foi publicado.

Depois da reunião a OTAN publicou uma declaração conjunta. O Secretário-Geral Rasmussen declarou na informação à imprensa:

“Israel é um importante parceiro da Aliança no Diálogo Mediterrâneo. A segurança da OTAN está vinculada à segurança e estabilidade da região mediterrânea e do Médio Oriente. E a nossa Aliança valoriza enormemente o nosso diálogo político e a nossa cooperação prática. Israel é um dos nossos mais antigos países associados. Enfrentamos os mesmos desafios no Mediterrâneo Oriental.
E como enfrentamos as ameaças à segurança do Século XXI, temos todos os motivos para aprofundar a nossa duradora associação com países do nosso Diálogo Mediterrâneo, incluindo Israel. Todos sabemos que a situação regional é complexa. Mas o Diálogo Mediterrâneo continua sendo um singular forum multilateral, no qual Israel e seis países árabes podem discutir conjuntamente com países europeus e norte-americanos desafios comuns à segurança. Vejo mais oportunidades para aprofundar o nosso já próximo diálogo político e a nossa cooperação prática em benefício mutuo.”


* Michel Chossudovsky é escritor, professor emérito de Economia na Universidade de Ottawa, fundador e director do Centro de Investigação sobre a Globalização (CRG), Montreal e editor do sítio em web globalresearch.ca. É autor de The Globalization of Poverty and The New World Order (2003) e de America’s War on Terrorism (2005). O seu mais recente livro é Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War (2011). Também é colaborador da Encyclopaedia Britannica. Os seus escritos estão publicados em mais de 20 idiomas.

COREIA DO NORTE RESPONDE ÀS PROVOCAÇÕES BÉLICAS DO IMPERIALISMO


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Encruzilhadas Perigosas: A ameaça de uma guerra nuclear preventiva dirigida contra o Irã



Por mais de uma década Irã vem sendo obstinadamente acusado de estar desenvolvendo armas nucleares, e isso sem evidências. A República Islâmica do Irã é continuamente representada pela mídia ocidental como uma ameaça a segurança de Israel e do mundo ocidental.
Numa amarga ironia, a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos em relação a alegada capacidade de armas nucleares do Irã, vem refutando as barragens de desinformação, assim como as declarações belicosas provenientes da Casa Branca. A Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2007, NIE na sigla inglesa, declarava que: “julga-se com grande confiança que no outono de 2003, Teerã  tenha suspendido seu programa de armas nucleares.” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional   Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007, Veja também “Departamento do Diretor de Inteligência Nacional”, ODNI na sigla inglesa. [1]
“Nós avaliamos com uma certa confiança que Teerã não tenha retomado seu programa de armas nucleares, até quando dos meados de 2007, mas não sabemos se atualmente tenha intenção de desenvolver armas nucleares.
- Nós continuamos a avaliar com uma confiança indo de moderada a alta, que Irã não possuí atualmente uma arma nuclear.
- A decisão de Teerã de suspender seu programa de armas nucleares sugere que os iranianos estarão menos determinados a desenvolver armas nucleares do que nós estivemos julgando desde 2005.  A nossa avaliação de que o programa tivesse sido suspendido em resposta as pressões internacionais, sugere que o Irã poderia ser mais vulnerável a influências, na questão, do que tínhamos julgado previamente ” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional, Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007) [2]
Em fevereiro de 2011, o Diretor da Inteligência Nacional James R. Clapper (foto)
- quando da apresentação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2011 (NIE) para o Comitê de Inteligência do Senado – foi confidenciado – com alguma hesitação – que a República Islâmica do Irã não estaria procurando desenvolver uma capacidade para armas nucleares: “nós não sabemos se depois de um tempo Irã irá decidir-se por construir armas nucleares.”
O NIE de 2011 confirma em grande parte os resultados obtidos pela comunidade dos serviços de inteligência dos Estados Unidos no seu NIE de 2007, que continuava, de acordo com o “The New York Times”, a ser de que “a perspectiva das 16 agências dos serviços de inteligência, age em consenso geral.”
A doutrina da guerra nuclear preventiva do pós- 9/11
Tendo sido primeiramente formulada na administração de Bush, através da “Revisão da Postura Nuclear” de 2002,  a doutrina da guerra nuclear preventiva, que se integra na Guerra Global ao Terrorismo, começou a tomar forma imediatamente depois da guerra do Iraque.  Um ataque nuclear de prevenção `defensiva´ contra o Irã, e isso através de usar armas nucleares táticas, foi apresentado como uma forma de destruir o não-existente programa de armas nucleares da República Islâmica do Irã.
Os chamados `mini nukes´, ou seja, pequenas armas nucleares possíveis de serem transportadas numa mala, numa mochila, ou em qualquer outro compartimento pequeno, foram caracterizados como a `arma ideal´ para se conduzir ataques nucleares preventivos.
Em 2003 os mini nukes, constituídos de bombas contendo ogivas ou pontas nucleares capazes de arrebentar abrigos antiaéreos de grande solidez e de maior ou menor profundidade, foram re-categorizadas pelo Senado dos Estados Unidos como bona fide armamentos convencionais. [Bona Fide sendo usado como um conceito que indica intenções honestas  independentemente dos resultados que essas possam trazer]. A nova definição de ogivas nucleares obscureceu a distinção entre armamentos convencionais e nucleares.
O Senador Edward Kennedy, na ocasião, acusou a administração de Bush por ter desenvolvido “uma geração de armas nucleares mais usáveis”. Através de uma campanha que listou o apoio de cientistas nucleares “de autoridade”, os mini-nukes foram apresentados como instrumentos de paz, em vez de instrumentos de guerra.
“Administradores oficiais argumentam que armas nucleares de baixo rendimento, como os mini nukes, seriam necessárias como ameaças dignas de crédito a poderem ser usadas contra estados “sem eira nem beira” [Irã, Coréia do Norte]. A lógica é de que as armas nucleares existentes são muito destrutivas para serem usadas, excepto numa guerra nuclear total. Potenciais inimigos compreendem isso e portanto não consideram uma ameaça de retaliação nuclear como digna de crédito. Entretanto, armas nucleares de baixo rendimento, como os mini nukes, sendo menos destrutivas, poderiam ser concebidas como usáveis. Isso as faria mais efetivas como ameaça credível.” (Opponents Surprised By Elimination of  Nuke Research Funds, Defense News, 29 de Novembro, 2004)
Numa lógica extremamente invertida armas nucleares são apresentadas como meios de construção da paz e de prevenção contra `estragos colaterais´. O Pentágono confidenciou a esse respeito, que os mini-nukes seriam `inofensivos aos civís´ porque a explosão iria `ser feita abaixo da terra´. No entanto, cada um desses mini-nukes constituí em termos de explosão e de potencial chuva radioativa  – uma grande parcela da bomba que caiu sobre Hiroshima em 1945.
Avaliações dos rendimentos das bombas de Nagasaki e Hiroshima indicam que esses seriam de 21.000, e de 15.000 toneladas, respectivamente. Mini-nukes tem um rendimento, quanto a capacidade explosiva, entre 1/3 e 6 vezes a bomba de Hiroshima.
Seguindo a “luz verde” do Senado em 2003, o qual apresentou os mini nukes como `bombas humanitárias´ uma mudança importante na doutrina das armas nucleares foi desenvolvida. Os nukes de baixa-rentabilidade foram aceitos para `uso em campos de batalha´. Em contraste com os avisos em maços de cigarros (veja a foto proposta para a marca da Administração para Alimentos e Drogas), os elementos `consultivos´ sobre os `perigos das armas nucleares para a saúde humana´ já não são mais incluídos nos manuais militares. Esses manuais foram revisados. Essa `nova´geração de armas nucleares táticas é considerada como segura, sem perigo, assim como inócua. Os perigos da radiação nuclear já não são mais reconhecidos como tal. Não há mais impedimentos, ou obstáculos políticos para o uso de bombas termonucleares de baixo rendimento.
A `comunidade internacional´ endossa a guerra nuclear em nome de uma Paz Mundial.
Mini-nukes: O sistema preferido de armamentos para uma `guerra nuclear preventiva´
Enquanto relatórios apresentam uma tendência de descrever as bombas B61 como uma relíquia da guerra fria, a realidade se apresenta de maneira diferente: os mini-nukes são os sistemas de armamentos preferidos da doutrina da guerra nuclear preventiva. Eles deverão ser usados em teatros de guerras convencionais, contra "terroristas" e "estados patrocinadores de terrorismo", inclusive a República Islâmica do Irã.
Planos concretos para deslanchar um ataque nuclear preventivo contra o Irã tem estado na mesa de projetos do Pentágono desde 2004. Um ataque nuclear preventivo consistiria em dispor armas nucleares táticas B61 dirigidas contra o Irã. Planeja-se que o ataque deverá ser ativado a partir de bases militares na Europa Ocidental, Turquia e Israel.
Em 2007  a OTAN confirmou seu apoio à doutrina nuclear preventiva dos Estados Unidos num relatório intitulado "A caminho de uma grande estratégia para um mundo incerto: Renovando associações transatlânticas". [3]
O relatório (que tem como autores os ex- chefes de equipe dos sectores de defesa dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Países Baixos e que foi patrocinado pela Fundação Noaber da Holanda) propõe o uso de armas nucleares num ataque preventivo, de carácter não-retaliatório mas sim de carácter ofensivo iniciador (`first strike´)  contra países não-nucleares. Declaravam então que esse seria:
“o  intrumento ideal para uma resposta assimétrica – ao mesmo tempo também que o melhor instrumento  para uma escalação. Eles são também mais do que um instrumento, porque transformam a natureza de um conflito e alargam o seu alcance do regional para o global. Lamentávelmente, armas nucleares – e com elas a opção de usá-las pela primeira vez – são indispensáveis,  uma vez que simplesmente não há prospectos para um mundo não-nuclear.” (Ibid, p. 96-97, ênfases acrescentadas)
De acordo com os autores Irã constitui uma ameaça estratégica de principal importância – não só para Israel, “o qual ameaçou de destruir, mas também para toda a região.” (Ibid, p.45) O que é necessário é que Aliança Atlântica “restaure através de uma  escalação [militar] a capacidade de dissuasão.”
Nesse contexto o relatório endossado tanto pela OTAN como pelo Pentágono, contempla:
“a dominância da escalação, o uso de um saco cheio de cenouras e cacetetes – e realmente de todos os instrumentos suaves e severos,  indo de protestos diplomáticos a armas nucleares.” (Report, p.96, ênfases acrescentadas)
Em dezembro de 2011, menos de um ano depois da publicação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional (NIE) de 2011, avaliação essa que sublinhava que Irã não tinha um programa de armas nucleares, uma "não opção para fora da mesa de projetos" numa agenda dirigida contra o Irã, foi avançada pela administração de Obama.
O que representavam-se aqui mentalmente era uma postura militar planejada e coordenada pelo conjunto EUA-OTAN-Israel em relação ao Irã. Foi entendido, como foi confidenciado pelo ex Secretário da Defesa Leon Panetta, que Israel não iria agir unilateralmente contra o Irã. No caso de um ataque ao Irã, a “luz verde” deveria ser garantida por Washington.
Qualquer operação militar contra o Irã por parte de Israel precisa de ser coordenada com os Estados Unidos e ter seu apoio”, disse Panetta.
Os vários componentes da operação militar iriam estar firmemente abaixo do Comando dos Estados Unidos e ser coordenados pelo Pentágono e pelo USSTRATCOM, na base Offutt da Força Aérea em Nebrasca. [4]
Ações militares por parte de Israel seriam levadas a cabo em estreita coordenação com o Pentágono. A estrutura de comando da operação é centralizada e ao fim e ao cabo, Washington decide se, e quando deslanchar uma ofensiva militar.
Em Março de 2013  a resolução em relação ao Irã de "todas as opções" estava na agenda durante a visita oficial a Israel. Enquanto uma abordagem integrada EUA-OTAN-Israel em resposta "aos perigos de um Irã armado com armas nucleares" tenha sido reafirmada, o tom da discussão ia na direção de uma ação militar contra o Irã.
A visita de Obama a Israel foi precedida por altos níveis de consultações bi-laterais, incluindo a visita do Chefe de Equipe da IDF( Exército de Israel) Benny Gantz a Washington, em fevereiro, para discussões relacionadas ao Irã e a Síria com o Presidente do Conjunto dos Chefes de Equipe dos Estados Unidos, o General Martin Dempsey. Benny Gantz foi acompanhado pelo Major General Aviv Kochavi, diretor do Serviço de Inteligência Militar da IDF, no encontro com os seus contrapartes americanos. O novo chefe do Pentágono, Chuck Hagel, estará visitando Israel em abril, como parte de um encontro-de-continuação.
“Tweeters apontaram para o fato de que quando Obama tirou o seu paletó, Netanyahu imediatamente imitou o presidente. Tudo parecia muito bem coordenado. (Foto de twitter.com user @netanyahu)
No curso da visita de Obama, o primeiro-ministro Netanyahu reiterou a necessidade para “uma ameaça de ação militar clara e digna de crédito [contra o Irã],” enquanto confidenciando que Israel poderia agir unilateralmente. A esse respeito vale a pena notar que em agosto de 2012, uns poucos meses antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, uma fuga de informação vinda de um documento de instruções e informações da IDF (traduzido do hebraico) tinha revelado os detalhes do  “ataque de choque e pavor”  proposto por Netanyahu contra o Irã.
“O ataque de Israel será aberto por um ataque coordenado, que inclui um cyber-ataque sem precedentes … Uma barragem de dezenas de mísseis balísticos seriam lançados de Israel em direção ao Irã … vindos dos submarinos de Israel na vizinhança do Golfo Pérsico. Os mísseis estariam armados com elementos altamente explosivos equipados com pontas reforçadas, projetadas especialmente para penetrar alvos robustos e de grande dureza. … Uma barragem de centenas de mísseis de diversas distâncias irá abater sistemas de comando e controle, instalações de pesquisa e desenvolvimentos de projetos, … entre os alvos aprovados para ataque –   Shihab 3 e Sejil,  silos de mísseis balísticos, tanques de armazenamento para componentes químicos dos combustíveis para foguetes, instalações industriais que produzam sistemas para controle de mísseis, plantas de produção de centrífugas e outros.” – ênfases acrescentadas. [5]
Os detalhes do ataque mencionado na fuga de informação do documento de informações e instruções da IDF acima mencionado, pertencem somente ao uso de sistemas de armamentos convencionais.
Esse artigo foi originalmente publicado em RT Op- Edge.
Michel Chossudovsky
Global Research 26 de março de 2013
RT Op- Edge 25 de Março de 2013

Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.Notas.
[1] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007, See also Office of the Director of National Intelligence (ODNI)
[2] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007)
[3] ‘Towards a Grand Strategy for an Uncertain World: Renewing Transatlantic Partnership’
[4] US Strategic Command Headquarters (USSTRATCOM) at the Offutt Air Force base in Nebraska
[5] (Quoted in Richard Silverstein, Netanyahu’s Secret War Plan: Leaked Document Outlines Israel’s ‘Shock and Awe’ Plan to Attack Iran, Tikun Olam and Global Research, August 16, 2012, emphasis added).

Algo de podre no estado de Israel


por Lawrence Davidson [*]

















Diz-se que o diabo arrasta com ele um fedor de fogo e enxofre. Os feitos do diabo são frequentemente descritos como "o mal mais alucinado". [1] E quem pareça (seja ou não seja) inocente é sempre descrito como "cheirando a rosas." Parece haver, pois, associação antiga entre feitos e fedores.

O exército israelense recentemente se empenhou em demonstrar essa associação. Dia 6 de março, o Middle East Monitor noticiou [2] que
"o exército de Israel atacou casas de palestinos na vila de Nabi Saleh com jatos de água podre de esgoto, como punição aos palestinos que organizavam protestos semanais contra o Muro do Apartheid construído em terra roubada. O grupo de defesa de direitos humanos B'Tselem publicou um vídeo [3] no qual se veem caminhões-tanques blindados israelenses, armados com 'canhões d'água', lançando água podre de esgotos sobre casas de palestinos."
A água podre de esgoto é líquido tão mal-cheiroso que não há quem não se afaste para o mais longe que possa, de quem feda como fede aquela água podre. Não é a primeira vez que o exército de Israel usa esse tipo de tática imunda.

Os colonos sionistas orgulham-se muito da prática de lançar os esgotos [4] bem longe das próprias colônias, quase sempre erguidas nas áreas mais altas, diretamente nos campos e cidades palestinas, nos vales abaixo. Ao que tudo indica, são práticas conhecidas e, muito provavelmente, aprovadas pelo estado de Israel.

Duvido que muitos dos israelenses envolvidos nessas manobras tenham algum dia lido O Inferno, de Dante. Naquele poema épico, o inferno é lugar afogado em esgoto e podridão: as ações dos israelenses parecem desejar reproduzir o mesmo cenário. Estarão os israelenses dedicados a converter em inferno a Terra Santa? Sim, pelo menos no que tenha a ver com os palestinos. Por isso os colonos e os soldados copiam os passos dos amaldiçoados de Dante.

Até onde vai o fedor das ações dos israelenses? Com certeza chega até Londres. Recentemente, o deputado David Ward, do partido Democrático Liberal escreveu num livro de visitas do Memorial do Holocausto que
"tendo visitado Auschwitz duas vezes (...) muito me entristece ver que os judeus, vítimas de níveis inacreditáveis de perseguição durante o Holocausto, já estivessem, poucos anos depois de libertados daqueles campos de morte, a infligir tais atrocidades aos palestinos no novo Estado de Israel e que continuem a fazer o mesmo até hoje, diariamente, na Cisjordânia e em Gaza." [5]
A referência que Ward fez a "os judeus" é qualificada, porque nem todos os judeus apóiam o sionismo nem a ideia de que Israel tenha algum direito a ocupar "Judéia e Samaria", muito menos a comandar pogroms [6] como se veem hoje, em ações de limpeza étnica em áreas que o estado israelense controla. A verdade é que cada dia mais e mais judeus norte-americanos manifestam-se contra o que Israel faz na Palestina. [7]

Mas Ward acerta no que diz do comportamento do "estado judeu". E é possível que a generalização errada, na frase de Ward, seja resultado da propaganda israelense, que nunca se cansa de repetir que Israel representa(ria) todos os judeus do mundo.

Mas nem todos dão sinais de desgostar do fedor que emana do estado de Israel: há os que gostam. O partido Liberal Democrático do deputado Ward chamou-o às falas, pelo crime de ter denunciado que os crimes do mal mais alucinado continua a ser praticados contra os palestinos, por autoproclamados representantes de todos os judeus.

Teria bastado uma advertência discreta, que lembrasse Ward de que, em todos os casos, devem-se evitar generalizações. Mas, usando processo semelhante ao que se vê nos regimes totalitários, o partido Liberal Democrático ordenou
que o deputado "procure a divisão do partido chamada Amigos de Israel, para informar-se sobre o correto linguajar que os deputados devem empregar sempre que falarem sobre o conflito Israel-palestinos."
O deputado obedeceu e distribuiu as exigidas desculpas públicas. Meu nariz fareja aí um horrível fedor de censura.

Mas uma coisa é punir alguém por chamar a atenção para o abjeto comportamento de Israel. Outra, diferente, é insistir no desatino de pretender que o que é insano e abjeto seria justo e bom. Haveria alguém suficientemente cínico, impiedoso, a ponto de impor a outros seres humanos esse tipo de castigo nauseabundo e em seguida elogiar o castigo e todo o fedor, ante as câmeras de televisão de todo mundo? Parece que há. Parece que vive em Washington, onde negar os fedores que emanam de Israel é prática quase unânime. Parece que é presidente dos EUA.

Dia 15/3, antes de partir para visitar Israel, o presidente Obama disse, em entrevista ao Canal 2 da televisão israelense, [8] que admira muito "os valores centrais" de Israel.

Em análise que publicou depois, o jornalista israelense Gideon Levy – que tem nariz honesto e fareja podridões onde as haja – perguntou
"de que valores Obama falava? De desumanizar os palestinos? Da atitude contra migrantes africanos? Da arrogância? Do racismo? Do nacionalismo? Obama admira isso? Será que jamais, antes, ouviu falar de ônibus segregados (palestinos não entram)? Será que jamais antes ouviu falar de comunidades convivendo no mesmo território, uma com todos os direitos, a outra sem nenhum direito? Terá esquecido... tudo?!

Dizer que admira 'os valores centrais' de um dos países mais racistas do mundo, onde há muro e políticas de apartheid, significa, isso sim, trair todos os valores centrais do movimento pelos direitos civis nos EUA – o movimento que tornou possível o milagre-Obama." [9]
O caso é que, chegado a Israel, o presidente Obama disse que o apoio dos EUA àquela Israel que Levy descreve será "eterno", forever. [10] Deve-se acrescentar que, ao mesmo tempo, o presidente insistiu que os palestinos parem de querer o fim das construções nas colônias em território ocupado e das correspondentes políticas de esgoto podre... ou jamais terão qualquer conversação de "paz" com os israelenses.

No que tenha a ver com Israel, nem o presidente Obama nem a maior parte dos políticos no Congresso dos EUA são capazes de ver a diferença entre o certo e o errado, entre o justo e o "mal mais alucinado". Por isso vivem num mundo à parte, estanque, só deles, cujos parâmetros e 'valores' são definidos e 'ensinados' a eles por um lobby sionista ao qual se deram poderes orwellianos.

Nesse mundo excepcional, abunda o duplipensar. Racismo, apartheid, limpeza étnica e o uso tático de água podre de esgotos e Skunk desaparecem, substituídos por imaginários 'valores centrais' que cheiram a rosas.

O presidente, se quiser, que se afogue o quanto queira, privadamente, nos fedores mais nauseabundos, e chame-os de cheiro de rosa o quanto queira. Mas quando tenta vender a nós todos a falcatrua, é a credibilidade de seus discursos que se vai pelo esgoto. Lembremos o que George Orwell ensinou sobre o mau uso do discurso político.[11]

Usada para o mal mais desatinado, a fala política torna possível "defender o indefensável" e "foi construída para fazer mentiras soarem como verdades, para tornar respeitável o assassinato e para dar ao vento aparência de solidez." A isso está reduzida a fala da maioria dos políticos, no que tenha a ver com Israel/Palestina.

Que isso continuará para sempre, como quer o presidente Obama, é puro exagero, hipérbole. Considere-se um recente relatório da CIA, [12] que questiona a capacidade do estado sionista para conseguir sobreviver outros vinte anos.

A verdade é que o fedor que emana de Israel indica podridão sociopolítica intestina, tão podre quanto as táticas podres que Israel usa contra moradores não judeus. Mais cedo ou mais tarde, qualquer homem, qualquer mulher que ainda preserve boa consciência humana (e melhor se mantiverem também nariz honesto e em funcionamento) passarão a recusar a ter qualquer associação ou contato com esse estado, na prática, já estado de apartheid. 
25/Março/2013

[1] Orig. "most foul". A expressão aparece em Hamlet, ato 1, cena 5, quando o espectro do rei assassinado conta a Hamlet sobre o crime de que foi vítima:Murder most foul, as in the best it is, but this most foul, strange and unnatural " [aprox. "Assassinato é sempre [o mal] mais alucinado, mas esse do qual falo é o mais alucinado de todos, estranho, contra a natureza"]. Foul sempre significa "mau", em algum sentido. O espectro diz a Hamlet que, dentre os assassinatos, sempre o pior dos crimes, assassinar o próprio irmão é o crime pior [NTs, com informações dehttp://wiki.answers.com/Q/Murder_most_foul_meaning_in_Shakespeare ].
[2] www.middleeastmonitor.com/...
[3] http://www.youtube.com/watch?v=-njv7RJqtRM
[4] http://www.imemc.org/article/58538
[5] www.thetelegraphandargus.co.uk/...
[6] http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/7770384.stm
[7] http://www.aish.com/jw/s/48918377.html
[8] http://www.jpost.com/International/Article.aspx?id=180902
[9] www.haaretz.com/opinion/when-obama-speaks-and-says-nothing.premium-1.509911
[10] http://www.commondreams.org/headline/2013/03/20-3
[11] http://en.wikipedia.org/wiki/Politics_and_the_English_Language . O artigo de Orwell pode ser lido, em português, emhttp://criticanarede.com/linguagempolitica.html
[12] http://www.globalresearch.ca/cia-report-israel-will-fall-in-20-years/12706 


[*] Professor de História na West Chester University, EUA

O original encontra-se em http://www.tothepointanalyses.com/category/israel . Tradução de Vila Vudu. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

SE VOCÊ É CONTRA A COMEMORAÇÃO DOS GOLPISTAS DE 64, COMPARTILHE!


marxismo21 nesta página divulga um conjunto de materiais (artigos, documentos, trabalhos acadêmicos, vídeos, filmes etc.) que discute a natureza, o significado e as razões do golpe civil-militar de 1964. Passados quase 50 anos desse evento, nada há a comemorar. O blog – que numa futura edição deverá examinar o período da ditadura militar – busca contribuir para um conhecimento crítico da conjuntura político-social de 1964 e também para lembrar que as lutas pelo “direito à justiça” e pelo “direito à verdade” não podem ser relegadas ou subestimadas pelos democratas progressistas e socialistas no Brasil. Enquanto não for feita justiça às vítimas da violência do Estado e a verdade sobre o golpe e a ditadura militar não for conhecida pelo conjunto da sociedade, a democracia política no Brasil não será sólida e consistente.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mensagem do Partido Árabe Socialista Baath sobre a crise na Síria e o papel negativo da Liga Árabe






Partido Árabe Socialista Baath
Liderança Nacional

Mensagem da Liderança Nacional para os partidos estrangeiros amigos
sobre a atual crise na Síria
e o papel negativo adotado pela Liga Árabe para lidar com esta crise.

A cerca de dois anos, a República Árabe da Síria vem enfrentando uma agressão  americano - sionista que visa atingir  seu povo, territórios, posição nacional e seu papel de defender as causas da nação.
Os árabes, as potências internacionais, regionais e as forças estrangeiras são responsáveis ​​por essa agressão, liderada pelos Estados Unidos da América e executada por grupos armados terroristas que destroem, matam e sequestram pessoas.
O papel principal destas potências estrangeiras é impor sanções econômicas, utilizando-se de uma campanha de mídia enganosa e do fornecimento de dinheiro, armas e elementos de combate devidamente treinados para as gangues armadas dentro da Síria.
A atuação e a posição da Liga Árabe abrem um perigoso precedente em sua história, porque desde o início e até agora, ela vem atuando de forma negativa, participando diretamente na destruição da Síria ao invés de ajuda-la a encontrar uma solução para crise, desde o momento em que suspendeu a participação da Síria como membro na Liga até o recente reconhecimento da oposição externa representada pela coalizão, cuja vontade é controlada pelas potências estrangeiras que intervêm em assuntos internos sírios e, finalmente, a resolução do Conselho da Liga, de 6 de março, sobre a concessão do assento sírio na Liga à esta coalizão e seu pedido de  intervenção estrangeira na Síria.
Portanto, a Direção Nacional do Partido Socialista Árabe Baath gostaria de apresentar esclarecimentos sobre essas agressões e sobre as repercussões e os perigos das resoluções da Liga Árabe sobre a segurança nacional árabe e a estabilidade de toda região:
- As resoluções da Liga, especialmente as que se referem a armar a oposição síria e à ocupação do assento da Síria na Liga Árabe pelo representante da oposição externa, constituem um perigoso precedente na história da Liga e na atuação árabe conjunta e uma violação de suas normas, procedimentos e princípios. Contradizem, totalmente, as suas disposições e caráter, particularmente no que se refere à manutenção da segurança e estabilidade dos Estados membros, que são a base principal para a construção da Liga.
- Através desta resolução, a Liga afirma estar amarrada ao suporte político negativo das monarquias dos sheikhs, em termos de dinheiro, petróleo e gás do Catar e da Arábia Saudita que, perversamente, se esforçam para esconder a verdade sobre o terrorismo organizado que ocorre na Síria e a instigação externa, dirigida por círculos ocidentais, que querem impedir a solução pacífica da crise, rejeitar quaisquer planos internacionais ou os esforços para resolver a crise na Síria de forma pacífica.
- Esta resolução pretende fragmentar e enfraquecer a Síria árabe, que é a base da resistência e da libertação. Tal resolução não pode ser isolada dos contextos das resoluções anteriores, mas sim conclui o curso da falsa acusação e da negação do papel histórico árabe da Síria na criação desta Liga e em suas atividades e seus esforços para resolver os problemas na grande nação árabe.
- A resolução apoia o terrorismo e os grupos armados que têm diferentes nomenclaturas. Alguns deles são uma extensão da Al Qaeda. Ela contradiz os esforços que são feitos para encontrar uma solução política para a crise síria. É uma tentativa de obstruir o programa político, plano de trabalho e ideias construtivas apresentadas por Sua Excelência o Presidente Bashar Al Assad, no dia seis de janeiro último, que estabelece as bases de um amplo diálogo nacional que leva à busca de soluções adequadas para a crise síria, que estejam em harmonia com o princípio da soberania nacional, tratando-se da regra no relacionamento entre as nações.
- A resolução leva a um roubo do papel da Liga de ser uma combinação-quadro, onde ninguém tem o direito de se sobrepor em seu objetivo de alcançar propostas políticas que determinados países árabes querem alcançar,  encabeçados pelo Qatar e pela Arábia Saudita, em conluio com alguns estados conhecidos na região.
- A resolução não tem legitimidade, especialmente porque vários países árabes a enxergam com reservas. É considerada nula devido a não permissibilidade de retirar o reconhecimento de um governo legítimo de um Estado membro da Liga, especialmente quando este país é membro fundador da Liga e também a ilegalidade de qualquer resolução referente ao reconhecimento de uma organização que finge representar um dos Estados membros da Liga.
- A resolução é uma agressão flagrante, de acordo com as disposições das resoluções da Assembleia Geral da ONU, relativas a dar uma definição específica para o significado de agressão.

Caros amigos,
A Liderança Nacional do Partido Socialista Àrabe Baath está surpresa com a atitude vergonhosa por tais resoluções da Liga, que servem à agenda sionista americana, que quer redesenhar o mapa da nossa região árabe, como um Sykes-Picot II, com o objetivo de transformar o sonho de uma nação árabe em cantões dispersos. Tal passo em direção à Síria, na próxima 24ª. Cúpula Árabe, é considerado um precedente perigoso. É semelhante a uma declaração de guerra contra a Síria e seu povo, país que dedicou todo o seu potencial para ajudar seus irmãos árabes durante as crises e as guerras que enfrentaram. Isso exige um movimento internacional eficaz para condenar e abortar este passo.
Conclamamos os partidos e organizações amigas para se posicionarem ao nosso lado, contra o agressivo ataque sionista à Síria árabe, acabar com a crise na Síria e a movimentarem-se rapidamente, tanto no âmbito oficial quanto em nível popular, para expor as práticas do Conselho da Liga Árabe e plano traçado por alguns de seus membros e a tomar as medidas necessárias contra este Conselho.
A Direção Nacional do PASB (BASP) conclama os partidos amigos ​​para assumir posições responsáveis ​​e práticas contra este ataque atroz ao sacramento da Síria, de forma flagrante, selvagem e  uma violação dos valores árabes e humanitários e a desmascarar a natureza e a verdade sobre este plano, que não tem como alvo somente Síria e sua segurança, mas também a segurança e a estabilidade mundial.

                                                            Liderança Nacional
                                          Partido Árabe Socialista Baath

Liga Árabe autoriza seus membros a armar os rebeldes sírios




Na 24ª cúpula anual da Liga Árabe, realizada em Doha, no Qatar, os países árabes concordaram com o direito de cada Estado-Membro em fornecer, de acordo com a sua vontade, todos os meios, incluindo militares aos grupos armados sírios. 
Em esta reunião, o líder das Forças da Coalizão Nacional da Revolução e da oposição síria (CNFROS) Moaz Ahmed al-Khatib, pediu que a oposição síria ocupasse o assento do governo de Damasco, em outras organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Além disso, solicitou o apoio dos EUA em proteger as áreas do norte, onde os rebeldes conseguiram avanços significantes com o apoio dos misseis Patriot terra-ar ao mesmo tempo em que afirma contraditoriamente que o futuro da Síria não deve ser determinado por estrangeiros.
Em tempo. Os misseis Patriot terra-ar são fornecidos pelos Estados Unidos.

Postado do http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=9633

terça-feira, 26 de março de 2013

Para as mulheres iraquianas a promessa dos EUA de democracia é tudo menos liberdade



Foto: Em 2008, uma mulher iraquiana passa ao lado de um soldado britânico e de um veículo militar com um cartaz com um dólar impresso em que está escrito em árabe “Podes conseguir algum dinheiro em troca de alguma informação”. Foto de Essam al-Sudani/AFP/Getty Images.
Uma década depois da invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, a destruição causada pela ocupação estrangeira e pelo regime resultante teve um impacto amplo sobre o cotidiano dos iraquianos – o exemplo mais alarmante disto é a violência contra as mulheres. Ao mesmo tempo, a política do regime sectário em vestes religiosas está a levar as mulheres a perderem os seus direitos que tinham ganho com muito esforço: o emprego, a liberdade de movimento, o casamento civil, os benefícios sociais e o direito à educação e à saúde.
Apesar disto, as mulheres tentam sobreviver e procuram proteção para si e para as suas famílias. Mas, para muitas mulheres, a violência que enfrentam provem da mesma instituição que deveria garantir a sua segurança – o Governo. Os altos funcionários do regime iraquiano fazem eco das mesmas negações que as autoridades de ocupação britânicas e americanas, afirmam que existem muito poucas mulheres iraquianas detidas ou nenhuma mesmo. Uma quantidade cada vez maior de organizações de direitos humanos internacionais e iraquianas dão conta de uma realidade bem diferente.
A difícil situação que as mulheres iraquianas detidas atravessam foi o ponto de partida para os protestos generalizados que se fizeram sentir em muitas províncias iraquianas desde 25 de dezembro de 2012. O tratamento que as mulheres receberam por parte das forças de segurança é uma ferida aberta que permanece rodeada de secretismo, especialmente desde 2003. Têm ocorrido detenções rotineiras de mulheres como reféns – uma tática para obrigar os seus homens a se renderem às forças de segurança, ou a confessarem crimes que lhes são imputados. Nos cartazes e painéis levados por milhares de manifestantes vêm-se as fotografias de mulheres encarceradas que pedem justiça.
Segundo o deputado iraquiano Mohamed al-Dainy, entre 2003 e 2007 ocorreram 1053 casos de violações documentadas, cometidas por soldados da coligação e forças iraquianas. Os advogados que defenderam as mulheres detidas afirmam que as práticas de detenção britânicas entre 2003 e 2008 incluíram assassínios ilegais, agressões, dissimulações, privação do sono, nudez forçada e a humilhações sexuais que em muitos casos afetaram mulheres e crianças. Os advogados das detidas afirmam que os abusos eram endêmicos decorrentes do “sistema, controlo, cultura e treino” do exército britânico
Estas mesmas forças de ocupação deram instrução às forças iraquianas. Muitas vezes ocorreram abusos sob a supervisão de comandantes norte-americanos que não estavam dispostos a intervir, como anunciou o Washington Post:
“De todo o derramamento de sangue no Iraque, nada pode ser mais perturbador que a campanha de tortura e assassinato levada a cabo pelas forças de polícia treinadas pelos Estados Unidos da América”
No período que se seguiu a Abu Ghraib os prisioneiros foram entregues às forças iraquianas. Isto permitiu-lhes torturá-los, enquanto as forças de coligação poderiam negar qualquer responsabilidade.
Hoje o Iraque pode orgulhar-se de ter uma das mais altas taxas de execução de sentença de morte do mundo. Num único dia, 19 de janeiro de 2012, 34 pessoas foram executadas, incluindo duas mulheres. 
Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, [1] considerou esse acontecimento como chocante:“Dada a falta de transparência nos processos judiciais, as principais preocupações sobre o processo e a justiça dos julgamentos, e a ampla gama de crimes para os quais a pena de morte pode ser imposta no Iraque.”
Não é de estranhar que dez anos depois da invasão a organização sediada nos EUA, Humans Rights Watch, tenha acusado as autoridades iraquianas de “violar com impunidade os direitos dos cidadãos iraquianos mais vulneráveis, especialmente as mulheres e os presos”. Este parecer da HRW é confirmado pelo comité de direitos humanos e da mulher, família e crianças do próprio parlamento iraquiano que concluiu que existem 1030 mulheres iraquianas detidas que estão sujeitas a abusos generalizados, entres eles ameaças de violação.
Em resposta a estas acusações o Primeiro-ministro Nouri al-Maliki ameaçou “deter aqueles membros do parlamento que tenham falado de violência contra as mulheres detidas”. Entretanto, o vice-Primeiro Ministro Hussain al-Shahristani reconheceu que existem 13000 presos sob custódia por ofensas terroristas, porém só de passagem fez menção às mulheres detidas:
“Transferimos todas as detidas para prisões nas suas províncias de origem”.
 Estas declarações de Al-Shahristani são apenas mais uma na longa lista de declarações contraditórias e equivocadas feitas pelos mais altos dirigentes do regime, desde a declaração de al-Maliki, que afirmou que “há apenas um punhado de mulheres terroristas”, desde a sua promessa contraditório de que iria perdoar todas as “prisioneiras detidas sem mandado judicial ou em vez de um parente do sexo masculino que tinha cometido um crime”. A esta declaração seguiu-se um desfile de nove mulheres vestidas de preto, dos pés à cabeça, no canal oficial do Estado, al-Iraqiya, como um gesto da “boa vontade” do regime.
Os ativistas e as organizações de direitos humanos iraquianas calculam que existam cerca de 5 000 mulheres encarceradas. A verdade vai-se sabendo pouco a pouco. Há umas semanas foram libertadas 168 presas e foi prometido que seriam libertadas mais 32. Porém ninguém foi levado à justiça com acusação de tortura, violação ou de abusos.
Era suposto isto tudo não ser assim. Foi o que prometeram às mulheres iraquianas.
Depois da invasão do Iraque criou-se um sistema de cotas para garantir que pelo menos 25 % dos membros do Parlamento eram mulheres. Na altura esta medida foi aplaudida como uma grande conquista do “Novo Iraque”, pois no regime do partido Baas a representação feminina era de apenas 8%. Porém esta estatística simbólica tem servido com frequência para encobrir os crimes do regime contra as mulheres.
Na realidade desde que a lei de cotas foi aprovada o Governo de al-Maliki tem renunciado a cota estabelecida para os postos do Governo: dos 44 ministérios só há uma ministra. Mas mesmo esta nomeação contém uma ironia cruel: o ministra dos Assuntos das Mulheres, al-Zaidi Ibtihal não hesita em afirmar:
“Sou contra a igualdade entre homens e mulheres. Se as mulheres fossem iguais aos homens, elas iriam perder muito”
O que talvez seja menos surpreendente é o facto de muitas organizações de mulheres tenham pedido o fim do ministério para os Assuntos das Mulheres depois da ministra ter adotado uma postura contra os direitos das mulheres em vez de se debater em favor destes.
Os direitos humanos, incluindo os das mulheres, são a prova decisiva da democracia. As declarações dos altos cargos iraquianos, incluindo as do Primeiro-ministro, demonstram que – contrariamente ao que muitos iraquianos haviam esperado – na realidade os “libertadores” estabeleceram as condições para que a injustiça continue. E isto, por sua vez, dá origem ao extremismo.
[1] Ver “O Iraque anunciou 21 execuções num só dia”, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=163404
De: Haifa Zangana

http://www.globalresearch.ca/para-as-mulheres-iraquianas-a-promessa-dos-eua-de-democracia-e-tudo-menos-liberdade/5327273
Traduzido para Global Research por Filipe T. Moreira