sábado, 23 de fevereiro de 2013

Maristela R Santos Pinheiro responde ao PSTU, reiterando suas críticas


Nota da autora: 

Caros, o Documento “Na trincheira do Inimigo” é uma simples contribuição ao debate sincero,  franco e honesto. Não há uma linha sequer que mereça ser retirada ou possa ser chamada de mentira. Lamentavelmente não tenho o poder de retirar os fatos da realidade! Todos comprovados e citados suas origens.

O texto não inventa uma discussão sobre a crise de determinado setor da esquerda mundial no âmbito do internacionalismo proletário. Esta é uma discussão política  que corre solta e livre nos sites  que se dedicam à política marxista.  Não podemos negar a coragem que tivemos em reproduzir esta discussão em nosso país.

A contaminação de parcela da juventude e da vanguarda com linhas políticas  descaradamente em unidade com o imperialismo nos enfraquece e , sem dúvida, é mais um elemento que joga contra os povos oprimidos e os trabalhadores na correlação de forças, na luta de classes. Isto é um fato incontestável!

Não adianta tentar desviar a discussão para intrigas e disputas mesquinhas de aparatos políticos com argumentações anacrônicas, que não têm o poder de mudar a realidade contemporânea, essa que nos resta encarar  em nossa militância diária, além de não responder aos anseios, aflições e dúvidas desta juventude sobre a complexa e difícil conjuntura, após a derrota histórica da classe trabalhadora mundial.

Quando não somente os meios de comunicação de massa trabalham para justificar as intervenções e ingerências “humanitárias”,  buscando o apoio da população com mentiras e calúnias ( nenhuma novidade), mas há, ainda, as ONGs, cujo trabalho de formar quadros,  recrutar “lutadores sociais”, financiar e introduzir simpáticos agentes humanitários e democráticos e forjar alianças pela “democracia” está fazendo  a diferença na luta de classes e na  promoção  às guerras de rapina contra todos povos, em particular , os árabes e africanos. E, à reprodução dessa ideologia junta-se , lamentavelmente, uma parcela da esquerda mundial.

Para não me alongar mais, concluo dizendo que reitero   cada palavra que escrevi no documento “ Na trincheira do Inimigo”, reproduzido abaixo.

Não existe nele, nenhuma espécie de calúnia, mas tão somente conclusões lógicas a partir das políticas contrárias ao marxismo revolucionário de setores da esquerda, políticas estas  que se aprofundaram , em seu teor pró-imperialista, ao ponto de  despertarem  simpatia até de setores das Forças Armadas dos EUA que, à revelia ou não, homenagearam uma suposta ativista “rebelde” da oposição síria, convidada pelo PSTU para dar palestras a incautos militantes brasileiros, como se uma grande revolucionária fosse.
  
Afinal se o Exército dos Estados Unidos  acha um vídeo de uma “revolucionária” síria entre os milhões  de vídeos que existem na web e posta em seu site, é porque , não apenas concorda com o  conteúdo do discurso da “rebelde”, como  o julgou positivo, para ajudar a justificar  a agressão imperialista à Síria.

Nesta última semana assistimos o apoio explícito do PSTU à famosa, global e simpática "agente humanitária e da democracia" , a cubana Yoane Sanches que se encontra em nosso país para angariar simpatizantes para destruir as conquistas sociais e democráticas do povo cubano. Esta é a mesma discussão política: a crise de uma parcela da esquerda com o internacionalismo proletário.

Como defesa, o PSTU se esconde atrás da militância da causa Palestina, fazendo crer que a Palestina não é parte de todo processo e do resultado do embate entre a resistência pan-árabe e o imperialismo. 

Não é verdade que a Palestina Livre  é uma ilha onde chegaremos nadando. Infelizmente, a heroica luta que se trava diariamente  nos territórios contra o sionismo  e o papel das redes de solidariedade espalhadas pelo mundo não são determinantes a ponto de libertar a Palestina. 

O  jogo está sendo jogado em todo o Mundo Árabe e a situação da luta dos palestinos sofrerá uma derrota histórica se o povo sírio, tal qual foi o líbio, for derrotado. 

Não é possível jogar nos dois times. Neste caso, o fortalecimento do imperialismo na Síria, significa   o fortalecimento do sionismo no Mundo Árabe.

Definitivamente, a manipulação que fazem da história e sua dinâmica não é fruto de uma análise marxista.

Por fim, que fique claro para todos, a posição política do PSTU não está destruindo o Presidente Assad, esta posição apoia a destruição da Síria, de seu povo, esta posição é contra o Bloco de resistência árabe, esta posição  fortalece o sionismo.

O Documento reproduzido abaixo faz essa discussão.

Sobre  a questão de um ou dois Estados na Palestina sugiro a leitura do Documento “Uma Reflexão necessária”  postado, também, no sítio:http://www.brasildefato.com.br/node/5302

Sobre a discussão da estratégia estadunidense para o Oriente Médio, incluindo a Palestina,  e a crise da solidariedade internacionalista sugiro  a leitura  do Documento “A Tragédia palestina ampliada para o mundo Árabe”, encontrado nohttp://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/05/15-de-maio-de-1948-nakba-tragedia.html

Boa leitura!

 Em Tempo: 
1 - Meu rompimento político com esta corrente foi pautado justamente no campo do internacionalismo proletário, no episódio dos estudantes da direita venezuelana , que recebeu o apoio dessa corrente internacional.
2 - Estive no Fórum da Palestina em Porto Alegre e participei de duas atividades organizadas pelo Comitê do RJ ( Sobre a atuação do sionismo na Colômbia  e outro sobre a Estratégia do imperialismo para o  Mundo Árabe e a Palestina) e nas atividades organizadas pela FPLP.  Nunca participei de nenhuma atividade política deste grupo desde os episódios dos estudantes venezuelanos. 
Abaixo, finalmente, o Documento:
Maristela R. dos Santos Pinheiro
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Na Trincheira com o Inimigo

A crise política e ética de uma parcela da esquerda mundial

 As posições políticas alinhadas com o imperialismo não podem mais  ser tratadas como diferenças táticas,  a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.  

Por Maristela R. Santos Pinheiro - Cientista Social
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TRADUÇÃO: Nós estamos prontos para ajudar, se vocês quiserem

Todo militante da causa palestina sabe que se dependesse da mídia corporativa, ou das ONGs a verdadeira situação do povo palestino, os 64 anos de crimes de guerra, o cotidiano dramático  da ocupação, a história da própria formação da entidade sionista, o significado ideológico do sionismo e a história de todos os movimentos de resistência da Palestina ocupada estariam, ainda, sem a devida compreensão que hoje uma grande parcela tem deste enfrentamento covarde e criminoso. 

Essa consciência da dura realidade da luta palestina foi uma construção dos partidos identificados com o internacionalismo proletário. Essas organizações  tiveram  papel fundamental na organização da solidariedade internacionalista espalhadas pelo mundo.

Aqui no Brasil, por exemplo, mesmo durante a Ditadura Militar, no final da década de 70, os militantes das organizações de esquerda, do Rio de Janeiro, organizaram um Comitê  pelo Reconhecimento da OLP,  e apesar da clandestinidade, os comunistas, juntos com outras organizações, se esforçavam por um contato com os lutadores palestinos e participavam  ativamente  pelo reconhecimento da organização árabe/palestina. 

No entanto, temos observado  o grave afastamento de uma parcela da "esquerda" do internacionalismo proletário, cuja base marxista  sempre foi fundamental para correta análise da realidade, considerando seu movimento em sua complexa totalidade, historicamente determinada e daí tomar as decisões e posições, aquelas que mais favorecerão as nossas posições  e, enfraquecerão ou fragilizarão as do inimigo de classe e seus aliados.  Talvez esse fenômeno seja ainda reflexo ou eco da derrocada soviética e de um balanço ainda não totalmente apurado e enfrentado da derrota histórica do movimento operário internacional e da consequente abertura de espaço para o fortalecimento da ideologia do inimigo de classe.

Quando a OTAN, representante de 28 Estados "democráticos", lançou  toneladas de bombas sobre a antiga Iugoslávia nos Bálcãs, ficou patente e exposta a crise da esquerda com os valores marxistas/leninistas. Muita gente boa e organizações caíram na cantilena americana da "responsabilidade de proteger", da "campanha humanitária" e na campanha de "criminalização do inimigo atacado"e, ainda na "ingenuidade" do "fogo amigo" . O imperialismo, através da OTAN, com o apoio incondicional da UE,  conseguiu, depois de massacrar, assassinar e derramar muito sangue, fragmentar o Estado em diversos e pequenos cinturões étnicos, dos quais consegue , com muita facilidade, extrair riquezas naturais  e explorar a mais valia:    Servia,  Montenegro, Kosovo, Eslovena, Macedônia, Croácia, Bósnia e Herzegovina.  Durante muito tempo depois, velhos militantes iugoslavos  denunciavam exaustivamente que organismos dos direitos humanos e  ONGs especializada em democracia haviam proliferado no país, algum tempo antes dos acontecimentos, para  nutrir  a ideologia pró- imperialista e arregimentar grupos mercenários e esquadrões da morte que fomentavam as provocações entre as etnias, que até então, sempre viveram juntas e sem problemas. Poucas organizações da esquerda lhes davam  ouvidos, seja na Europa, ou América Latina. Muita gente boa entorpecida com o fim da URSS e outras gentes  felizes  pela  "democracia" ter voltado aos países socialistas, como a Iugoslávia.

Talvez tenha sido este o primeiro grande teste para aferir os valores internacionalistas de solidariedade proletária que tínhamos conseguido, ou não, manter e assegurar dos destroços. Por óbvio, os sinais de mudança e crise estavam no horizonte das diversas tradições da esquerda, mas apesar deste ser um tema apaixonante para o debate,  este não é o tema desse texto. Seu objetivo é muito mais simples, queremos contribuir para por fim à forma hipócrita que  estamos lidando com esses visíveis e lamentáveis sinais de retrocesso e deformação.  

Não podemos mais tratar posições políticas alinhadas com o imperialismo como diferenças táticas, quando são problemas estratégicos e de princípios; queremos enfatizar e denunciar  que a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.

No Brasil,  a ocupação do Iraque  motivou a última história de unidade na luta internacionalista das diversas organizações de esquerda, que se perfilaram contra a invasão do Iraque e pela soberania de seu povo. Nesta invasão militar, os EUA colocaram em movimento sua tradicional campanha de "criminalização do inimigo atacado" , a "campanha humanitária" e a sua "responsabilidade de proteger", mas, em que pese a reação da esquerda, ter sido débil , fraca e pontual, longe de expressar a tradição bolchevique,  é inegável e positivo que foi uma reação contrária às campanhas imperialistas/sionistas.  

Nestes 10 anos de ocupação, os norte americanos utilizaram bombas de nêutrons empobrecido, última variante da bomba atômica; assassinaram mais de 1 milhão de iraquianos; ainda derramaram duas bombas nucleares: uma em Faluja e outra em Bora Bora, no Afeganistão. No entanto, grande parte da esquerda, nestes 10 anos, ignorou a estratégia geopolítica e militar americana, ignorou , da mesma forma, a resistência debilmente armada que Faluja sustentou durante muito tempo. Pouco se importou com a estratégia dos exércitos  mercenários, ou com as bombas de nêutrons, ou com as corporações privadas paramilitares sionistas que implantavam a "democracia" no Iraque.  Claro, houve textos em sítios e artigos em jornais , como há missas aos domingos.

A esse comportamento frouxo, com relação a solidariedade internacionalista, adicionamos as  aberrações nas  análises políticas dos mais variados matizes:  reducionismos primários, teorias economicistas e liberais "pós-modernos";  unidades inusitadas, por exemplo com as ONGs, em particular de Direitos Humanos e pró-democracia; uma aproximação fervorosa com a ideia da democracia como valor universal, o foco nas questões imediatas e de grupos específicos, tendencias às lutas fragmentadas com pautas próprias e as famosas políticas de identidade.

Enquanto parte das organizações de esquerda se afasta  dos valores internacionalistas de Marx e Lenine,  a crise sistêmica do capitalismo o leva a seguir, com mais vigor, sua estratégia expansionista de tomar posse das riquezas do planeta. No Oriente, isso significa expandir sua ocupação "democrática" para além das fronteiras de Israel,  e dos Emirados Árabes, completar a limpeza étnica da Palestina, manter o domínio sobre o Egito, onde tem a classe operária mais importante do Mundo Árabe  e aumentar a exploração da mais valia das massas árabes. Para isso necessita destruir o bloco  de resistência pan-árabe, sustentado pelo trio Hezbollah, Síria e Irã e , concomitante,  fortalecer e se aliar ao que tem de mais atrasado  e pró-sionista, a Irmandade Muçulmana.

A destruição do Estado líbio e o massacre de seu povo pela OTAN, foi um marco na mudança de paradigmas de parte da esquerda mundial.  

Na Líbia e na Síria, o  papel da Irmandade, aliada privilegiada para esta estratégia , foi, e ainda é, especialmente militar. Financiada pela Arábia Saudita, Qatar e com a ajuda técnica da Turquia, a Irmandade construiu um exército de  mercenários, cuja base social é a escória, o lumpesinato e os fundamentalistas mais atrasados do Islã, recrutados pelo mundo. Na Líbia, esse exército de mercenários só conseguiu dar o golpe de Estado, depois que a OTAN massacrou o país pelo ar.

Com a ajuda da mídia, ONGs, Organismos Internacionais de Direitos Humanos e certas organizações , o imperialismo  pôs em marcha, primeiro na Líbia e desde março de 2011, na Síria, uma operação de surfar e manipular os protestos pacíficos e reais da população destes países, logo no seu início, para em seguida introduzir armas e mais mercenários e mudar completamente a natureza  e a composição social destas "agendas". Esta não é uma nova estratégia. Esquadrões da morte para fomentar  violência sectária, ou destruir organizações insurgentes foram plantados pelos serviços secretos imperialistas, em diversas ocasiões históricas, por exemplo em El Salvador, os contra da Nicarágua, os  mercenários mujahedeen no Afeganistão, os paramilitares da Colômbia, e os esquadrões de terror para o Iraque, só para citar alguns.

A tragédia na Líbia, chamada criminosamente de "revolução popular" por setores da esquerda, passado um ano, não tem nada de revolução e de popular: é o caos e a desgraça para o povo líbio, vítima da barbárie e do atraso instalado nas ruas pela escória mercenária e pelo governo títere da Irmandade Muçulmana. A população que se gabava de ter o melhor IDH da região, voltou a idade do tacape, literalmente.

Para a Síria, a estratégia foi muito parecida, mas a situação não está exatamente como o imperialismo/sionismo desejava: A Síria resiste, resiste e resiste! Por um principal e inequívoco motivo: a unidade e determinação do povo sírio pela defesa de sua soberania e autodeterminação. O povo sírio luta pelo seu  Estado laico e antimperialista. Essa é a poderosa força que impede a Síria de ser destruída e voltar, como a Líbia, um século no tempo. 

Entretanto,  setores da esquerda resolveram caracterizar  os mercenários de revolucionários, ONGs e Mídias corporativas  de fontes de informação do QG da Comissão Revolucionária  e grupos pequenos burgueses das redes sociais de soviets da revolução.  Bom, daí assumir a unidade  militar com o imperialismo em nome da "democracia", não precisa nem pular, é o passo seguinte e assim tem sido. 

Quem está apontando armas para o povo sírio e praticando atos de terrorismo  não é o Exército Árabe da Síria, são os mercenários, os esquadrões da morte da Irmandade Muçulmana, chamado de exército livre da Síria (ELS),  com quem parcela da esquerda faz unidade e chama o envio de armas. Eles estão sendo armados pela França, pelos EUA, Arabia Saudita, Turquia e Israel, e têm o aparelho militar da OTAN ao seu lado, não necessitam desta "solidariedade".


A vertente de esquerda que comemorou como vitória a queda da União Soviética, quando deveria ajudar no balanço dos erros cometidos que levaram a derrota da classe operária mundial; que diz que Cuba é uma ditadura castrista, por que o sistema democrático cubano é socialista e dirigido por Fidel, por quem nutrem um ódio sem igual, enfim, essa esquerda,  que na Colômbia  rotula a guerrilha das FARCS de reformista, e na Venezuela faz manifestações em unidade com a direita, se uniu militarmente ao imperialismo sob a bandeira do fascista Rei  Idris e chamou esse movimento de revolução popular na Líbia. Essa "esquerda" fez campanha chamando o envio de armas para os "rebeldes" líbios, quando nem isso os mercenários bem armados da OTAN precisavam; se  pauta pelas informações de observatórios de Direitos Humanos, pela mídia corporativa e por ONGs implantadas nos territórios dos países como braços dos serviços de  inteligencia . Esta parcela da esquerda  se uniu aos "rebeldes" que são assumidamente descritos pelos próprios Estados agressores, como mercenários ligados a Al Qaeda. Na Síria, não estão fazendo diferente, estão juntos com o imperialismo no terreno militar.

O que se passa com esses grupos? Considerando que muitos deles vêm de uma tradição que se construiu como alternativa crítica à degeneração da burocracia soviética , essa nova postura é de se espantar! 

A primeira coisa que vem à mente é que esses grupos foram picados pelo mesmo veneno  que historicamente foi a origem da burocratização soviética e sua posterior derrota para o capital, ou seja abandonaram de vez os princípios do marxismo revolucionário.

Construíram seus alicerces e suas identidades tão presos à crítica pontual e à preocupação de  rotular os "inimigos" da própria classe, que se perderam, ou se cristalizaram no pequeno instante, no alienante momento focado, e não conseguem se localizar nos movimentos reais, complexos, dinâmicos e históricos, em tempos de mudanças rápidas e vitórias dos inimigos de classe, da outra classe.  Em muitos países, esses grupos mal conseguem  sustentar um compromisso de unidade para lutar, com outras correntes e tradições porque, como alguns grupos religiosos fundamentalistas, só acreditam  em suas almas abençoadas e purificadas, e sustentam, miticamente e metafisicamente, uma fé de que a revolução nos espera na próxima esquina, logo, para que tanto energia gasta com a unidade.

Essa forma mecanicista de analisar a realidade está anos luz do marxismo revolucionário e passa longe da compreensão da totalidade e da complexidade  dos fenômenos históricos e sociais no contexto da luta de classes.

Não me leve a mal: Essa esquerda cuja principal base social em todo o  mundo é a pequeno burguesia não é, hoje, exatamente marxista, não porque são pequenos burgueses, mas por que agem e pensam como tal.

SUPOSTA "MILITANTE" SÍRIA ELOGIADA  EM SITIO DAS
 FORÇAS ARMADAS  DOS EUA !? O que pode significar isso?

No Brasil, uma dessas organizações abriu espaço em seu sítio e nos sindicatos no qual dirige para uma suposta "rebelde" síria. Uma mulher chamada Sara Al Suri  que conta uma estória redondinha, a mesma que lemos no Globo. Essa mulher tem um espaço na mídia que o companheiro Latuf,  militante da causa palestina, não tem;  ou mesmo os grupos da comunidade síria identificados com a luta antimperialista e antisionista em seu país, não tem. Os movimentos sociais contra a remoção, as vítimas da violência policial, enfim, nada , nem nenhuma luta social, do interesse da classe trabalhadora, em nosso país,  tem o poder midiático desta mulher síria.
Ela surge no Brasil pronta e preparada  para dar entrevistas e fazer discursos redondinhos sobre a importância de apoiarmos os mercenários que querem destruir o Estado laico da Síria e transformá-lo  num domínio do grupo pró sionista  chamado Irmandade Muçulmana. E , ainda afirma que se a Síria for destruída e o governo antimperialista cair, isso facilitará a vitória da Palestina Livre!!!??? 

Como, cara pálida,  que os aliados do sionismo, uma vez no governo da Síria, irão manter a ajuda que a  Síria dá atualmente aos militantes palestinos?Afinal, é  neste Estado laico, sob o governo de Bashar Al Assad, apoiado pela esmagadora maioria de seu próprio povo, que as diversas facções e braços armados das organizações palestinas recebem treinamento militar e armas para libertar a Palestina da ocupação sionista. A derrota da Síria para os EUA e Israel, será a derrota da resistência pan-árabe e da maioria do povo sírio contra o que há de mais fascista e atrasado no Mundo árabe, expressos no grupo político da Irmandade Muçulmana. Por tabela, será a derrota da luta pela Palestina Livre, que como disse um amigo palestino, militante e simpatizante da Fatah, "O custo da derrota Síria será o de voltar,  no mínimo, 50 anos para trás em nossa luta."

Esta suposta síria, agente "humanitária e da democracia", omite o fato que grande parte das forças de resistência palestina estão perfiladas na unidade ao lado do povo da Síria em defesa da soberania e independência do Estado sírio e do pan-arabismo, desde o início das tentativas de desestabilizar o governo e impor , de fora, um golpe de Estado.  A maior prova disso aconteceu em Yarmouk.
 Leia aqui : http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/12/declaracao-da-fplp-cg-sobre-o-ataque.html

Nas últimas semanas do ano, em dezembro de 2012, os mercenários armados até os dentes entraram no Campo-cidade dYarmouk, cidade/campo de refugiados palestinos na Síria, desde 1948, com o objetivo de fazer ali  uma carnificina,  mas foram surpreendidos pelos combatentes da  FPLP- CG que bravamente entraram em luta mortal, lado a lado com o Exército Árabe da Síria, para defender o povo e acabar com as intenções do famigerado e terrorista  ELS de fazer do campo uma base contra o Estado sírio. 

O fato grave não é tanto o surgimento dessa mulher e sua estorinha redondinha isso faz parte da luta de classes, mas  o mais grave é que um grupo de esquerda, no Brasil,  não está somente apoiando politicamente a estratégia imperialista, com esta atitude, está promovendo a manipulação direta das massas, em unidade de ação com o imperialismo/sionismo. Não é a VEJA que está levando  uma agente "humanitária" a manipular nosso povo, é um partido de esquerda!

Alguém poderia dizer: Não há exagero nisso? Pois bem, camaradas, vamos aos fatos

O vídeo/conferência da tal Sara  foi encontrado no sitio das Forças Armadas dos EUA e, imediatamente, após ter encontrado, militantes postaram a denuncia no Facebook  Uma semana após a denúncia, feita no Brasil, o vídeo foi tirado do ar. Por sorte, copiamos algumas fotos do sítio,  postadas abaixo, já prevendo que fariam isto. Imaginem que as Forças Armadas imperialistas iriam querer atrapalhar o trabalho da agente Sara, sua aliada. 

Denúncia e fotos postados no Facebook em 24 de dezembro:
"Ao mesmo tempo em que PRESTA HOMENAGEM ÀS FORÇAS FEMININAS DA IDF - Exército de Israel- em um vídeo intitulado " Quem não gosta das mulheres da IDF" o site "Military .com." das FORÇAS ARMADAS DOS EUA, ELOGIA  SARA AL SURI, que se reivindica ativista síria e explica ao site o que está acontecendo na Síria. Quem quiser conferir veja em :http://www.military.com/
http://www.military.com/video/operations-and-strategy/battles/female-syrian-rebel-talks-conflict/1969156851001/




A primeira foto, tirada do site Millitary.com (EUA), é de uma soldado judia do exército sionistas. Como era de se esperar de um sitio das Forças Armadas do imperialismo, este tem inúmeras matérias  onde exaltam a força e determinação do Exército de Israel e de suas belas soldados. A foto da direita  foi copiada do vídeo da suposta "ativista" síria publicada amplamente na Internet.

A foto abaixo foi copiada da página inicial do Military.com (EUA) : A primeira imagem é da Campanha  de recrutamento do Exército dos EUA, logo abaixo vem a chamada do vídeo da "rebelde" síria. 





Aumentamos o tamanho da foto para que todos vejam o nome do sito indicado pela seta azul.
Na primeira semana do ano, uma semana após a denúncia ter circulado no facebook o vídeo foi tirado do ar, vejam:


Lamentamos, a página solicitada não pode ser encontrado. tente uma das seguintes opções: Utilize a caixa de pesquisa para encontrar o vídeo você está procurando ou check-out Military.com 's vídeos mais populares e vídeos em destaque . Military.comEntretenimento : Encontre o mais recente em filmes, jogos e muito mais! Confira os Mapa Entretenimentopara mais. Military.com Home Page : Confira alguns dos outros recursos em Military.com Military.comMapa : Olhando para uma página específica ou tópico? Experimente o nosso mapa do site. 

As denúncias não param por aí:
Canadense se alista no exército mercenário e diz que serão leais à Israel



Outra denúncia que desmascara a estratégia dos agentes"humanitários e democráticos", que se dizem preocupados com o povo sírio e com os palestinos,  foi publicada no insuspeito (sionista) Jornal israelense Yane news, em novembro de 2012 , onde o jornalista exalta o perfil   de uma mulher síria identificada como "rebelde" de nome Thabia Qanfani, que vivia no Canadá e se "juntou" ao  mercenário exército livre,  fala abertamente, sem travas na língua, que "Israel vai se beneficiar de nos apoiar" solicita que "Israel deve nos apoiar na luta contra Assad"e que "vamos cooperar com o diabo se ele ajudar nossa causa".
O Jornal conclui assim: " Qafani diz que os membros da oposição síria e civis que ela conheceu ""todos dizem a mesma coisaNós não somos inimigos de Israel e não vamos prejudicá-lo, ... podemos vir a ser mais leais a Israel do que Assad e seus comparsas."" 
A entrevista completa pode ser lida em http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4318384,00.html 

Para terminar, e confirmando nossas preocupações sobre a gravíssima crise dos valores marxistas e leninistas de um pequeno setor da esquerda mundial, reproduzimos abaixo um trecho do discurso de um dirigente da LIT por ocasião de um ato comemorativo:

"O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.

Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria." 

Esse trecho do discurso é esclarecedor , em todos os sentido: A caracterização de que na Líbia (África)  houve explosões revolucionárias e sua origem é a crise econômica, ascenso popular e claro, o fim dos "stalinistas". Na Líbia, em primeiro lugar, não havia crise econômica,  em segundo,  não houve nenhuma manifestação ou processo de organização de manifestações de massa, ou da classe trabalhadora e, em  terceiro, não havia nem organizações stalinistas, nem partidos comunistas desde o início da era Kadafi, mas ONGs , muitas, e redes sociais dirigidas desde o exterior. Além disso, o dirigente da LIT esqueceu de falar em seu discurso,  a única explosão  sentida pelo povo líbio não foi a revolução, e sim a explosão de toneladas de bombas da OTAN , massacrando as conquistas do povo e o próprio povo líbio (mais de 50 mil mortos). Em seu afã de provar que havia uma revolução onde, na verdade, acontecia uma contra revolução,  esqueceu também de contar que grupos de mercenários estupraram todas as mulheres que viam pela frente.  Devo dizer , que este foi um insignificante esquecimento na lógica  desses grupos.


O dirigente faz uso dos famosos e já rotineiros rótulos do tipo:  stalinistas,  castro-chavistas,  ditador Assad, sempre muito utilizados pelos que  reduzem e desejam  descartar a discussão, por que desqualifica de imediato uma opinião contrária, ou um debate franco para se chegar à compreensão dos processos ricos e complexos da realidade, não para nos gabarmos em discursos estéreis da academia, e sim  para melhor intervir na realidade, afim de transformá-la. Entretanto, neste caso, lamentavelmente, o mais importante é a disputa dos aparatos e a superfície das análises e discussões.

Quero terminar essa contribuição ao debate sobre a crise política e  moral  refletida na prática do internacionalismo proletário de parte da esquerda mundial reproduzindo o final do discurso do dirigente da LIT, onde afirma a unidade com o imperialismo e expõe uma tentativa grotesca de falsear a história com comparações escandalosamente inapropriadas historicamente:

 "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".
"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças. (texto completo pode ser encontrado no sítio dessa organização internacional)

Afirmam que continuarão na "resistência", leia-se: continuarão mantendo a unidade com o imperialismo contra o povo sírio, contra as massas árabes e o pan-arabismo, contra o bloco antimperialista e contra a Palestina Livre! Tudo, claro em, nome dos valores democráticos burgueses.

Por sorte, uma parcela significativa da esquerda mundial, a mesma que está comprometida em fazer o balanço dos muitos erros cometidos pelos soviéticos, e os próprios, em seus países de origem, está  tentando a duras penas manter o timão apontado para o marxismo-leninismo. 


De nossa parte , vamos insistir na análise marxista da realidade, vamos insistir na posição que nos dê a chance de alterar a realidade para ficar a nosso favor, a favor dos trabalhadores,  nunca contra e nunca em unidade com o inimigo!



Viva o povo da Líbia que resiste contra a barbárie prometida!


Viva a unidade do povo sírio , sua autodeterminação e soberania do Estado laico!


Viva a Palestina Livre!


Viva a unidade e a luta  pan-arábica contra o imperialismo, o sionismo, a OTAN, a UE ! 


O Inverno Árabe e os Ilusionistas Revolucionários





Por Hannes HOFBAUER (Áustria)

Uma questão nos é colocada em face das revoltas árabes: como avaliar tudo isso? A resposta exige uma visão sóbria dos eventos.

 Vamos começar com a Síria. Há quase dois anos um movimento de oposição foi formado, sendo então atropelado pela história em um tempo muito curto. Diferentes interesses internos e externos converteram insatisfação social em uma feroz guerra civil.

 Não há nenhum sinal de revolução . Toda a região está no meio de um processo de transformação territorial e econômica. E com a ajuda da  monarquia do Golfo , os estados ocidentais estão interferindo na situação em busca de vantagens. Isso é válido também para Túnis, Cairo e Trípoli, onde autocratas mais ou menos orientados secularmente foram removidos pela «cartada islâmica» como uma «reserva política». Esta «cartada islâmica» apareceu pela primeira vez na paisagem geopolítica como um parceiro dos Estados Unidos no início dos anos 1980, durante a guerra contra as tropas soviéticas no Afeganistão. Hoje, as diferentes alas políticas da Irmandade Muçulmana representam a expressão de massas mais eficaz desta «cartada islâmica».

 A percepção crítica europeia do "Arabellion" tem de ser responsabilizada por conta de dois problemas principais: o menosprezo do fator externo e a subestimação da carência de um programa econômico-social das forças revoltosas. Mas uma coisa é certa: o amplo movimento de oposição enraizada no descontentamento político e social doméstico: o sistema autocrático agravou os vários problemas sociais e o impacto social da crise econômica mundial na periferia. Este último é, claro, também devido a influências externas.

O potencial logístico e financeiro de atores externos é muitas vezes ignorado quando falamos de mobilização oposicionista ao redor do mundo. Vamos falar sobre as chamadas grandes Organizações Não-Governamentais (ONGs) primeiro: National Endowment for Democracy, National Democratic Institute, Instituto Republicano Internacional, Fundação Konrad Adenauer, Westminster Foundation... 

A grande maioria desses institutos levam o “N” de ONG injustamente. Desde que Bill Clinton apoiou grupos sérvios locais, tais como “Otpor” (“resistência”) contra os ditadores impopulares, uma verdadeira indústria de interventores da sociedade civil se desenvolveu. Essas O”N”Gs viajam de um ponto a outro enchendo suas contas de dinheiro; identificam o descontentamento local, organizam seminários e recrutam líderes de opinião que sejam simpáticos aos planos de reconstrução dos EUA e UE. Seu objetivo comum é a chamada mudança de regime. 

Onde os lutadores civis não correspondem à tarefa de conduzir adiante a democracia liberal com uma garantia suficiente para o liberalismo econômico, os meios de intervenção civis são complementados militarmente. 

Isso aconteceu (e ainda acontece) contra os dois únicos regimes seculares com remanescências socialistas, Líbia e Síria. Isso mostra abertamente a direção política das intervenções externas, quando as forças militares são usadas nos casos da Líbia e da Síria e nem mesmo são levadas em consideração nos casos da Arábia Saudita ou Iêmen.

 Uma coisa que qualquer observador do "Arabellion" poderia facilmente constatar, mas contudo é ignorada na maior parte das vezes: a falta de programa sócio-econômico das chamada "insurreição"

Bashar al-Assad estava certo quando afirmou, no início da Operação de Damasco, em janeiro de 2013,  não ver qualquer "revolução árabe”, pois uma revolução precisa de uma idéia. Essa ideia está realmente faltando.
 Agora se pode argumentar formidavelmente sobre o conceito de revolução. Se um levante merece o adjetivo de "revolucionário” não depende de quão ardente ou caótico ou planejado ele seja, mas uma revolução deve incorporar pelo menos a sua raiz etimológica latina: ela visa a uma transformação social e - como a sociedade é conduzida pela economia - econômica. Revolução deve mudar as circunstâncias sociais e econômicas. Simplesmente reformar alguns elementos políticos não traria tais circunstâncias à baila.


 Neste sentido, não há – excetuando-se  pequenos grupos relativamente insignificantes –  idéias revolucionárias na oposição árabe, com objetivo de transformar a sociedade no sentido da justiça social e econômica. Na melhor das hipóteses, um programa cultural pode ser visto, se se compreender o Islã como uma identidade cultural. Em vez de inovações revolucionárias para uma sociedade melhor, mais igualitária, a rebelião é capturada por um único pensamento consensual, que aponta para uma mudança de regime.

 Quem é o cerebro da "virada árabe", que ocorre 20 anos após a transformação da Europa Oriental? 

Depois de quase dois anos de instabilidade, pode-se ver mais e mais claramente a Irmandade Muçulmana, com todas as suas nuances e conflitos internos, lidera o projeto de transformação. Forças de esquerda e burguesas podem ter inicialmente participado das revoltas, mas não conseguiram se aproveitar da situação. Os vencedores são grupos ultraconservadores, que podem manipular as massas por meio da ideologia religiosa em vista de uma vida melhor após a morte. A propósito: não é surpreendente que as famílias líderes da Irmandade Muçulmana, por exemplo, no Egito, disponham de bons meios financeiros.

 O verdadeiro papel geopolítico da Irmandade Muçulmana parece comparável ao dos jogadores no banco de reservas, que são usados porque o autocrata foi ferido, digamos, por descrédito social. Eles são apoiados por instituições financeiras internacionais e grupos globais de capital porque estão dispostos a subordinar-se aos planos ocidentais de transformação. Seus próprios interesses econômicos como elites garantem a manutenção ou mesmo a extensão das quatro liberdades do capitalismo, que são: a livre circulação de capitais, mercadorias, serviços e (alguns) trabalhadores. 

A respeito disso, as rebeliões de Túnis ao Cairo funcionaram: em nenhum lugar estão sendo implementadas novas regulações econômicas, pelo contrário: cada um dos países que nas últimas décadas operaram com propriedades estatais e medidas para proteger os produtores locais da concorrência internacional, podendo ter navegado sob bandeiras socialistas ou nacionalistas, mas que foram de algum modo pervertidos e corrompidos. 

Após a chamada Primavera Árabe, tiveram que abrir seus mercados radicalmente e atravessam um período de difícil transição em termos de novos proprietários ... Portanto - semelhante às mudanças na Europa Oriental - uma aliança do capital operado internacionalmente e da mídia dominante foi formada. Parece ter tido sucesso até mesmo na redefinição de termos tradicionais como “revolução” e “solidariedade” como meios de transformação econômica para os participantes globais.

Postado: http://www.strategic-culture.org/news/2013/01/24/the-arab-winter-and-the-revolutionary-illusionists.html

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Em Debate : A CRISE DE PARCELA DA ESQUERDA COM O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO



O Blog reproduz, na integra, o texto onde o PSTU  tenta se defender da discussão levantada pela militante internacionalista  Maristela R. Santos Pinheiro ,sobre a crise política de parcela da esquerda mundial com os valores marxistas, expressos na prática do internacionalismo proletário, em particular a partir da invasão da Líbia e da tentativa dos mercenários na Síria.Trata-se do Documento "Na Trincheira do Inimigo", publicado em nosso Blog.
Queremos deixar registrado que o  Blog  não é neutro nesta discussão e expõe com muita clareza suas posições políticas sobre a estratégia imperialista-sionista para o Mundo Árabe  e para Africa, desde o início desta recente investida  do capital contra os povos árabes e  africanos.
Não concordamos com o teor e o tom apresentado pelo documento abaixo. Resolvemos publicá-lo em respeito aos leitores do Blog, que têm todo o direito de conhecer as posições e atitudes  sobre essa importante discussão.
A próxima postagem será a resposta da autora do Documento "Na trincheira com o Inimigo": Resposta da autora no endereço:
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2013/02/maristela-r-santos-pinheiro-responde-ao.html

Somostodospalestinos

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• Ao
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
At. Maristela R. Santos Pinheiro

Ref: artigo sobre a revolução síria


Cara Maristela (com cópia à direção nacional do PCB)

Fomos surpreendidos pelo mentiroso artigo escrito pela companheira Maristela chamado “Suposta ‘militante’ síria elogiada em sítio das forças armadas dos EUA!? o que pode significar isso?”, veiculado no sítio carioca de solidariedade ao povo palestino, Somostodospalestinos, artigo que calunia a companheira Sara al Suri, o PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) chamando-os de agentes do imperialismo.

Este método, utilizado amplamente por Stalin contra toda opinião dissidente, nunca serviu à luta pelo socialismo. Ao contrário, teve sempre o objetivo de impedir o debate saudável entre diferentes posições. Para não discutir a fundo uma posição diversa à sua, Stalin e seus asseclas lançavam calúnias contra todos que se contrapusessem a sua política, seja de agente do imperialismo, do nazismo ou ainda do patronato.

Complementar ao método de calúnias, Stalin também utilizava a eliminação física de seus opositores. A maioria dos dirigentes do Comitê Central do partido bolchevique à época da revolução russa de 1917 foi assassinada por Stalin ao longo dos anos em que esteve à frente do partido comunista soviético. Ato sempre precedido de uma campanha de calúnias sobre cada um deles como no caso de Zinoviev, Bukarin e todos os demais dirigentes do Comitê Central bolchevique, até chegar ao assassinato de Trotsky no México. Stalin sabia muito bem da integridade revolucionária daqueles camaradas e os caluniava para poder destruí-los, para poder calar a oposição. Após a morte de Stalin, esses métodos foram denunciados por seu próprio sucessor no Partido Comunista da União Soviética, Nikita Khruschev.

Por que fazemos essa comparação? Por que, assim como a direção stalinista na época, você, companheira Maristela, conhece muito bem a nossa corrente política e sabe que não temos qualquer relação política ou material com o imperialismo e seus agentes. Sabe que estivemos e estaremos na linha de frente no apoio à libertação dos povos que lutam contra a dominação imperialista e, em especial, conhece nossa militância a favor da Palestina e de todos os povos do Oriente Médio e Norte da África.

No entanto, Maristela, você preferiu fazer uma calúnia contra nós a fazer o debate político sobre a revolução síria. Sabemos que é difícil defender um ditador assassino como é Bashar el Assad, cujo principal papel na região é colaborar com Israel sem tomar qualquer medida para retomar os territórios sírios ocupados por Israel: as colinas de Golã. Sabemos que é difícil defender um regime político que invadiu o Líbano em 1976 a pedido de Henry Kissinger, para impedir que as milícias cristãs de extrema direita fossem derrotadas na guerra civil; que enviou cinco mil soldados sírios para apoiar as tropas imperialistas de George Bush na guerra do golfo contra Sadam Hussein em 1991. Para nossa indignação, em especial daqueles que conviveram com a companheira em várias lutas, Maristela preferiu seguir o método stalinista da mentira e da calúnia em sua pior face.

A CSP-Conlutas promoveu várias atividades públicas com a companheira Sara al Suri, militante da luta contra a ditadura Assad, nas principais capitais do país. O PSTU, através de seus militantes, apoiou a campanha e divulgou as atividades com uma série de vídeos e artigos em seu sítio. A campanha toda durou quatro meses. Os vídeos estiveram em forma constante nos sites do PSTU e da LIT, onde estava a versão em inglês. Tempo em que certamente não só Maristela, mas outros integrantes do PCB acompanharam o debate através do país. Numa dessas atividades, em Porto Alegre, Maristela esteve presente, mas preferiu não se pronunciar, preferiu se omitir. Para nossa surpresa, ao final desses meses todos é lançado este artigo para dar fundamento a sua posição de defesa do ditador Assad e questionar a política do PSTU e da LIT QI, lançando a GRAVE ACUSAÇÃO à Sara de ser uma “agente do imperialismo” no blog citado. Qual seria a prova dessas acusações? A suposta colaboração da companheira Sara com um site ligado aos militares norte-americanos.

Esclarecemos que o vídeo em questão foi produzido pela equipe de comunicação do PSTU e que o entrevistador era o companheiro Aldo Sauda, ativista pró-revoluções árabes e integrante do PSTU. Após sua produção, ele foi veiculado em inglês no sítio da LIT(QI) e em português no próprio sítio do PSTU. Ele não foi produzido nem disponibilizado para nenhum sítio das forças armadas estadunidenses ou qualquer outra mídia pró-imperialista. O que ocorreu de fato? Esse site norte-americano publicou um dos vídeos produzidos pela equipe de comunicação do PSTU sem dar a procedência e foi advertido pelo partido sobre esse roubo. Quanto à montagem com uma foto da companheira Sara, tirada no Recife, em meio à campanha que a CSP-Conlutas promove em solidariedade à revolução síria, sua confecção nunca foi autorizada e desconhecemos quem a fez. Maristela, no entanto, utilizou-a como se fosse a expressão da verdade sem o menor questionamento de tal montagem. Ao contrário, se vale disto para tentar dar sustentação às suas calúnias.

Reiteramos, como é público e notório para todos os que assistiram suas palestras que Sara, assim como o PSTU e a LIT-QI, se opõe a qualquer intervenção imperialista pois entende que qualquer intervenção imperialista tem como objetivo impedir um triunfo revolucionário contra o regime sírio. Um triunfo revolucionário contra o ditador Bashar el Assad provocará novos levantes e revoluções em toda a região, abalando a dominação imperialista, além de alimentar a luta do povo palestino contra o Estado racista de Israel.

Sabemos que os companheiros e companheiras do PCB defendem o regime sírio e se opõem à revolução democrática em curso. Julgamos que é muito importante que todos os ativistas dos movimentos sociais conheçam todas as posições em debate e consideramos legítimo que cada grupo, partido ou militante defenda sua posição. No entanto, acreditamos e defendemos sempre que o debate não pode ser feito utilizando-se de calúnias desta natureza.

Para dar um exemplo, citamos a posição do PCB sobre o Estado de Israel. O PCB e o governo da antiga União Soviética sempre apoiaram a existência do Estado de Israel. É de conhecimento público que Stalin proveu o armamento que foi utilizado pelas milícias sionistas para efetuar massacres de aldeias palestinas, como Deir Yasin, e promover a expulsão de cerca de 800 mil palestinos durante a chamada Nakba em 1947 e 1948, que levou à formação do Estado de Israel. Temos uma polêmica com o PCB sobre sua posição para a Palestina, pois apoiam a existência do Estado de Israel através da defesa de “dois estados” no território histórico da Palestina, posição que se mantém até os dias de hoje. Esta posição coincide, por exemplo, com as posições dos governos imperialistas dos Estados Unidos e Europa. Apesar disso nunca fizemos nem faremos uma campanha chamando o PCB ou algum de seus militantes de “agentes do imperialismo” pela defesa destas posições. Polemizamos com as suas posições tais como são sem necessidade de fazer calúnias ou inventar mentiras.

Acreditamos que é necessário eliminar esse método de utilizar acusações morais e calúnias para destruir o adversário e desviar o debate político entre ativistas e suas organizações. 

Exigimos a retirada imediata da calúnia que acusa Sara. O PSTU e a LIT-QI de “agentes do imperialismo” e desafiamos os companheiros e companheiras do PCB a promovermos um debate honesto sobre a revolução síria, aberto a todos os ativistas interessados.

Entendemos que esta é a melhor forma daqueles que lutam por uma perspectiva socialista tratarem suas divergências

Saudações socialistas,

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

FORA BLOGUEIRA ANTICUBANA!



A blogueira anticubana Yoani Sanchez está no Brasil, a convite de uma editora e para participar da exibição de um documentário em que ela é uma das entrevistadas. Vai passar alguns dias no Brasil e depois viajar o mundo com o propósito maior de atacar as conquistas da Revolução Cubana. A moça – assim como todos os cubanos – exerceu em Cuba o direito de cursar a Universidade gratuitamente (é formada em Filologia Hispânica), tendo inclusive morado na Suíça e depois retornado ao seu país.
É conhecida como blogueira e se diz defensora dos direitos humanos, mas nunca emitiu uma palavra a favor do seu próprio país contra os criminosos embargos impostos pelos Estados Unidos, que atingem gravemente a economia e prejudicam o povo. Nada fala a respeito dos Cinco Heróis Cubanos, presos nos EUA por monitorarem as atividades de terroristas cubanos que atuavam em Miami. Nunca escreveu nas redes sociais uma linha sequer sobre a miséria humana exposta em Guantanamo.
É sustentada financeiramente por entidades, instituições e empresas internacionais para ser a mais influente opositora do regime socialista, utilizando-se das redes sociais para disseminar pelo mundo desinformação e mentiras a respeito da sociedade cubana. Tudo indica que a blogueira é financiada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entidade ligada aos golpes militares na América Latina. Uma das maneiras de remunerá-la, segundo os cubanos, é a concessão de prêmios patrocinados por instituições contrárias a Cuba.
Considerada pela mídia estrangeira como uma das personalidades mais influente em todo o mundo, ela é seguida por apenas 32 cubanos. Dentro de Cuba, portanto, a repercussão de seus comentários na internet é praticamente nula. Mesmo a sua grande influência internacional já foi contestada: Yoani segue 80 mil pessoas no Twitter, um número desproposital. O jornalista francês Salim Lamrani revelou o truque: o perfil de Yoani Sánchez no Twitter é artificialmente aumentado por cerca de 47 mil perfis falsos, usuários que sequer têm fotos de perfil, não são seguidos por ninguém, nem seguem ninguém, a não ser a própria blogueira.

Na tentativa desesperada de criar factoides contra o governo cubano, a blogueira chegou a convocar, anos atrás, vários jornalistas para uma coletiva de imprensa na qual denunciaria suposto sequestro seguido de espancamento em público, mas apareceu na coletiva sem qualquer traço de agressão no corpo, e sem ter apresentado qualquer testemunha.
Ao contrário do que tentam disseminar a blogueira e a mídia capitalista, a Revolução Cubana, com sua a ousada experiência popular, sempre buscou garantir, a partir da permanente mobilização de seu povo, conquistas que não são apenas voltadas a atender as necessidades internas de seu país, mas também ligadas à solidariedade internacionalista para com os trabalhadores e os povos de todo o mundo, estes, sim, constantemente ameaçados pelos interesses do capital internacional e do imperialismo.
Essa luta continua hoje, mais do que nunca, contra os embargos que sufocam a economia cubana e prossegue na persistência revolucionária para a manutenção e o aprofundamento da experiência socialista no país. Com autonomia e soberania, com o elevado grau de consciência que tem o povo cubano sobre seus próprios problemas, avança a batalha pela construção do socialismo: os índices de escolarização e acesso ao conhecimento são os maiores do mundo; o sistema de saúde – público e realmente universal – é referência em todo o mundo, e um dos principais “itens de exportação” cubanos são seus médicos, formados fundamentalmente para atender as populações mais necessitadas. Não há uma criança passando fome, não há desempregados nas ruas, não há pessoas expulsas da terra ou sem moradia. Todas essas conquistas foram obtidas pela Revolução Cubana, sem que Cuba necessitasse se apropriar das riquezas de outra nação, sem que precisasse travar guerras de pilhagem, tampouco escravizar qualquer povo ou país.
O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO, defensor intransigente da Revolução Cubana, se contrapõe à campanha midiática que, com a contribuição da blogueira, financiada por instituições e empresas capitalistas e recebendo o apoio da grande imprensa burguesa internacional, desinforma e distorce a imagem de Cuba socialista e das grandes conquistas de seu povo.
Viva o socialismo! Viva Cuba!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Postado do http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5515:fora-blogueira-anticubana&catid=90:solidariedade-a-cuba