A história dos esquadrões da morte dos Estados Unidos
31.Jan.13
As forças
governamentais sírias estão hoje a confrontar-se com o autoproclamado “Exército
Livre da Síria” – ELS. É uma nova etapa da longa história da criação de grupos
de ação destinados ao desempenho das tarefas mais sanguinárias e criminosas,
nas quais o imperialismo aparentemente não suja as mãos e por cujos crimes
julga que não prestará contas.
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O recrutamento
de esquadrões da morte, faz parte de uma agenda da inteligência militar bem
estabelecida nos Estados Unidos. Existe uma longa história de formação e apoio,
dissimulado, a brigadas de terror e a assassínios de alvos políticos, que vem
do tempo da guerra do Vietnam.
As forças governamentais sírias estão hoje a confrontar-se com o autoproclamado
“Exército Livre da Síria” – FSA. No contexto actual isso exige focar as raízes
históricas da guerra, para já encoberta, do ocidente contra a Síria, guerra
essa que já resultou em inúmeras atrocidades. As raízes históricas da situação
serão então aqui analisadas e apresentadas.
Desde o início, em Março de 2011, os Estados Unidos e seus aliados têm apoiado
a formação de esquadrões da morte, bem como a invasão do território da Síria
por brigadas terroristas. Trata-se de um trabalho organizativo, cuidadosamente
planejado.
O recrutamento e o treino de brigadas terroristas, tanto no Iraque como na
Síria, foram elaborados segundo o modelo da denominada “Salvador Option”, aqui
traduzida como “A Opção de El-Salvador”. É um modelo terrorista para mortes e
assassínios em massa, levados a cabo por um governo estabelecido.
Imagem: Os esquadrões da morte em El Salvador
Em
El-Salvador, na América Central, o cenário configurado segundo o modelo
“Salvador Option” foi implementado pelos esquadrões da morte patrocinados pelos
Estados Unidos.
Esse modelo de recrutamento e treino de brigadas terroristas, por governos
constituídos, foi implementado no próprio El Salvados no apogeu da resistência
contra a ditadura militar no país. O resultado final foi avaliado em cerca de
75.000 mortes.
Os esquadrões da morte na Síria de hoje fazem parte desse contexto. Tendo
começado em El Salvador, o modelo foi desenvolvido no Iraque. Os esquadrões da
morte agora na Síria foram construídos sobre a base da história e da
experiência das brigadas terroristas no Iraque. Brigadas terroristas essas
patrocinadas, como foi dito, pelos Estados Unidos.
O Pentágono denominou esse seu programa de “contra-insurreição”-
“counterinsurgency”.
[Definindo termos: Observar
aqui a necessidade de se exigir definições rigorosas e convincentes dos termos
usados:- qual é a validade de se invadir um país e depois denominar a reação
dos habitantes alternadamente como insurreição, rebelião, ou mesmo
“terrorismo”?]
O ESTABELECIMENTO DOS
ESQUADRÕES
DA MORTE NO IRAQUE
Os esquadrões da morte patrocinados pelos Estados Unidos foram recrutados no
Iraque em 2004-2005 numa iniciativa lançada sob a direção do embaixador
americano John Negroponte, que foi enviado para Bagda pelo Departamento do
Estado Americano em Junho de 2004.
Negroponte era o homem certo para o trabalho, uma vez que tinha sido embaixador
em Honduras de 1981 a 1985. Negroponte desempenhou um papel central no apoio e
supervisão dos Contras de Nicarágua, que estavam baseados em Honduras. Ao mesmo
tempo também supervisionava as atividades dos esquadrões da morte – militares-
de Honduras.
“No governo do general Gustavo Alvarez Martinez, o governo militar de Honduras
era tanto mais um aliado íntimo da administração de Reagan quanto mais “fazia
desaparecer” numerosos opositores políticos. Isso segundo a clássica forma de
trabalho utilizada por esquadrões da morte.”
Em Janeiro de 2005, o
Pentágono confirmou que
estava a considerar:
“formar esquadrões de ataque de combatentes Shiitas e Curdos para atacar
líderes da resistência iraquiana. E isso segundo uma mudança estratégica
oriunda da experiência da luta contra as guerrilhas de esquerda da América
Central, 20 anos antes”.
Sob a denominada “Opção El Salvador” forças iraquianas e americanas deveriam
ser enviadas para matar ou sequestrar líderes da insurreição, mesmo na Síria,
onde alguns dos insurgentes teriam tido então abrigo. Sendo controversos estes
esquadrões de ataque, deveriam provavelmente ter de ser mantidos secretos.
A experiência dos “esquadrões da morte” na América Central continua a ser para
muitos uma experiência brutal, e continua ainda a contribuir para manchar a
imagem dos Estados Unidos na região. Está ainda bem presente como a
administração de Reagan atribuiu fundos e treinou equipas de forças nacionalistas
para neutralizar os líderes rebeldes salvadorenhos, bem como os que com eles
simpatizavam.
John Negroponte, o embaixador americano em Bagdad, dispunha de um local
privilegiado de observação dado o seu tempo como embaixador em Honduras em
1981-85.
Esquadrões da morte era
uma parte brutal da política latino-americana de então…
No começo dos anos oitenta a administração de Reagan concedeu fundos e treino
aos Contras de Nicarágua baseados em Honduras, com o objectivo de derrubar o
regime sandinista de Nicarágua. Os Contras foram equipados com dinheiro obtido
pela venda americana, ilegal, de armas ao Irão. Foi um escândalo que poderia
ter derrubado Reagan do poder.
O sentido da proposta do
Pentágono no Iraque… era o de seguir esse modelo…
Não ficou claro se o objectivo principal da missão seria o de matar os rebeldes
ou sequestrá-los para os levar a interrogatório no Iraque…mas.. qualquer missão
na Síria seria provavelmente realizada pelas Forças Especiais dos Estados
Unidos.
Também não ficou claro quem iria ter a responsabilidade pelo programa, se o
Pentágono ou a Agência Central de Inteligência, ou seja, a CIA. Essas operações
encobertas têm sido tradicionalmente realizadas pela CIA, de forma a não serem
diretamente atribuídas à administração no poder, e dando aos responsáveis
americanos a possibilidade de negar conhecimento da situação. (El
Salvador-style “death squads” to be deployed by US against Iraq militants –
Times Online, January 10, 2005,– as aspas foram acrescentadas)
Enquanto o objetivo especificado da “Opção Salvadorenha para o Iraque” seria o
de acabar com a resistência, na prática as brigadas terroristas patrocinadas
pelos Estados Unidos envolveram-se em matanças frequentes de civis, tendo em
vista o atiçar de uma violência sectária.
Por seu turno, a CIA assim como a MI6 estavam a superintender unidades da “Al
Qaeda no Iraque” envolvidas em assassínios de alvos específicos e dirigidos
contra a população Shiita. É importante ressaltar que os esquadrões da morte
foram integrados e aconselhados, encoberta e dissimuladamente, pelas Forças
Especiais dos Estados Unidos.
Robert Stephen Ford – Depois nomeado embaixador dos Estados Unidos na Síria,
fazia parte da equipa de Negroponte em Bagdad durante o período de 2004-2005.
Em Janeiro de 2004 foi enviado como representante americano para a cidade
Shiita de Najaf, que era um foco forte do exército “Mahdi”, com o qual fez
contatos preliminares.
Em Janeiro de 2005, Robert S. Ford foi nomeado Ministro Conselheiro para
Assuntos Políticos – Minister Counsellor for Political Affairs- na Embaixada
dos Estados Unidos, sob a direção do embaixador John Negopronte. Não fazia
somente parte do círculo mais próximo e restrito de Negroponte. Era também o
seu associado no estabelecimento da “Opção Salvadorenha” no Iraque. O terreno
já tinha então sido preparado em Najaf, antes da transferência de Ford para
Bagdad.
John Negroponte e Robert Stephen Ford foram encarregados de recrutar os
esquadrões da morte iraquianos. Enquanto Negroponte coordenava as operações a
partir de seu gabinete na Embaixada dos Estados Unidos, Robert S. Ford, que
falava fluentemente tanto árabe como a língua turca, teve a incumbência de
estabelecer contatos estratégicos com os grupos militantes Shiitas e Curdos,
fora da “Zona Verde”-“Green Zone”.
Dois outros oficiais da embaixada, nomeadamente Henry Ensher – auxiliar ou
adjunto de Ford, bem como um oficial mais jovem da secção política, Jeffrey
Beals, tiveram um papel importante na equipe que então “falava com alguns
segmentos iraquianos, incluindo extremistas”. (Veja The New Yorker, March 26,
2007). Uma outra pessoa chave na equipa de Negroponte era James Franklin
Jeffrey, embaixador dos Estados Unidos na Albânia 2002-2004. Jeffrey veio a
tornar-se embaixador dos Estados Unidos para o Iraque, entre 2010-2012.
Negroponte também trouxe para a equipe um de seus antigos colaboradores, o
Coronel James Steele, retirado dos seus dias de apogeu em Honduras.
Durante a “Opção El Salvador” no Iraque, Negroponte teve como assistente um
colega dos anos oitenta, ou seja, dos seus dias na América Central. Esse colega
de Negroponte no Iraque era então o aposentado Coronel James Steele.
Steele, que recebeu em Bagdad o título de Conselheiro das Forças de Segurança
Iraquianas -Counselor for Iraqi Security Forces - supervisionou a seleção e o
treino dos membros da Organização Badr e do Exército Mahdi, as duas maiores
milícias Shiitas, no Iraque. Isto com a intenção de tomar como alvo a direção
e a rede de apoio da resistência, primordialmente Sunnita, do Iraque. Tenha
sido planejado dessa forma ou não, esses esquadrões da morte ficaram rapidamente
fora de controlo e iriam tornar-se a causa de morte número 1 no Iraque.
Tenha ou não sido essa a intenção inicial, o enorme número de corpos torturados
e mutilados surgido todos os dias nas ruas de Bagdad foi obra dos esquadrões da
morte, que por sua vez eram impulsionados por John Negroponte. E foi a
violência sectária apoiada pelos Estados Unidos que levou em muito grande parte
ao infernal desastre que é o Iraque de hoje. (Dahr Jamail, Managing Escalation:
Negroponte and Bush´s New Iraq Team. Antiwar.com,
January 7, 2007)
De acordo com o Republicano Dennis Kucinich o coronel Steele era o responsável,
pela implementação do plano em El Salvador, onde dezenas de milhares de salvadorenhos
“desapareceram” ou foram assassinados, inclusive então também o Arcebispo Oscar
Romero, bem como quatro freiras americanas.
Logo que foi nomeado para Bagdad, o Coronel Steele foi encaminhado para a
unidade de contra-insurreição, unidade essa conhecida como o Comando Policial
Especial- “Special Police Commando”, do Ministério do Interior do Iraque. (Veja
ACN, Havana, 14 de Junho 2006).
Relatórios confirmam que “os militares americanos entregaram muitos
prisioneiros à Wolf Brigade – o temido 2º batalhão dos comandos especiais do
ministério do interior”, que estava então sob o comando do Coronel
Steele.
Os prisioneiros foram entregues para “interrogatórios adicionais”.
Peter Mass do New York Times confirma que: “Soldados US, conselheiros dos EUA, observavam, sem fazer nada,” enquanto
membros da “Wolf Brigade” espancavam e torturavam os prisioneiros. Os comandos
do Ministério do Interior do Iraque teriam então também ocupado a biblioteca
pública de Samara para a transformar num centro de detenção.
Disse Mass que uma entrevista realizada em 2005 nesse local transformado em
prisão e em companhia do conselheiro militar americano da “Wolf Brigade”, o
coronel James Steele, foi interrompida pelos gritos aterrorizados de um
prisioneiro no exterior. Tal como consta do seu historial, Steele foi empregado
anteriormente como conselheiro para ajudar a esmagar a resistência em El
Salvador.” (Ibid)
Um outro notório elemento que teve um papel no programa da contra-insurreição
no Iraque foi o ex-Comissário da Polícia de Nova Iorque, Bernie Kerik, que em
2007 foi presente em tribunal federal para responder por 16 acusações
judiciais.
Kerik foi o enviado pela administração de Bush, no começo da ocupação do
Iraque, para organizar e treinar a força policial do Iraque. Durante o seu
curto mandato em 2003, Kerik – que preencheu o posto de Ministro do Interior
interino - trabalhou para organizar unidades de terror dentro da Força Policial
do Iraque:
Mandado para o Iraque para pôr em forma as forças de segurança iraquiana, Kerik
usava a denominação “ministro interino do interior do Iraque”. Entretanto,
conselheiros policiais britânicos chamavam-no de “exterminador de Bagda”,
(Salon, 9 de Dezembro de 2004)
Sob a direção de Negroponte, da Embaixada dos Estados Unidos em Bagda, foi
desencadeada uma onda de assassínios encobertos de civis, bem como também
assassínios de pessoas entendidas como alvos. Engenheiros, médicos, cientistas
e intelectuais foram alvos. O autor e analista geopolítico Max Fuller
documentou em detalhe as atrocidades cometidas à sombra do programa de
contra-insurreição patrocinado pelos Estados Unidos.
O surgimento dos esquadrões da morte foi primeiramente visível em Maio de 2005
quando foi informado que dezenas de corpos tinham sido depositados em terrenos
baldios à volta de Bagdad. Todas as vítimas tinham as mãos presas em algemas,
estavam com os olhos vedados e tinham sido baleadas na cabeça. Muitos deles
mostravam sinais de terem sido brutalmente torturados.
A revelação foi suficiente para motivar a Associação de Académicos Muçulmanos –
Association of Muslim Scholars, MAS -, uma conhecida e importante organização
Sunita, para fazer declarações públicas nas quais acusavam as forças de
segurança ligadas ao Ministério do Interior, bem como a Badr Brigade, a ex-ala
armada do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque –Supreme Council for
Islamic Revolution in Iraq, SCIRI -, de estar por detrás dessas mortes.
Acusaram também o Ministério do Interior de estar realizando terrorismo de
estado (Financial Times).
Os Comandos Policiais bem como a “Wolf Brigade” eram supervisionadas pelo
“programa de contra-insurreição” no Ministério do Interior do Iraque.
Os Comandos Policiais eram formados sob a experiência, orientação e supervisão
de combatentes americanos, veteranos da contra-insurreição. Os comandos
policiais iraquianos estão desde o começo conduzindo operações conjuntas com as
unidades de forças de elite, altamente secretas.(Reuters, National Review
Online).
James Steele foi uma figura chave no desenvolvimento dos Comandos Especiais da
Polícia - Special Police Comandos - do Iraque. Foi um operacional das forças
especiais do Exército dos Estados Unidos que tendo começado no Vietnam foi
depois enviado para dirigir a missão militar dos Estados Unidos em El Salvador,
no auge da guerra civil, no país.
Outro que contribuiu para desenvolver os Comandos Especiais da Polícia no
Iraque foi Steven Casteel. O mesmo que, enquanto mais experiente conselheiro
dos Estados Unidos no Ministério do Interior, descartou como “rumores e
insinuações” as bem fundamentadas acusações de apavorantes violações dos
direitos humanos que lhe eram apresentadas.
Tal como Steele, Casteel também ganhou considerável experiência na América
Latina, no seu caso através da participação na perseguição ao barão da cocaína,
Pablo Escobar, nas narco-guerras da Colômbia nos anos noventa…
O cenário da história pessoal de Casteel é importante nesse caso, porque o tipo
de papel de apoio na recolha de informação e na produção de listas de morte,
nas quais as suas experiências na América Latina foram então baseadas, são
características do envolvimento dos Estados Unidos em programas de
contra-insurreição, constituindo um elemento básico naquilo que doutra forma
poderia parecer casual, ou resultante de orgias de carnificinas sem ligação
entre si.
Comentários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 2005:
“Esse tipo de
genocídio planificado de forma centralizada é consistente com os acontecimentos
no Iraque”. É também consistente com o pouco que sabemos a respeito dos
Comandos Especiais da Polícia, que foi projetada para prover o Ministério do
Interior de uma força com capacidade especial de ataque”. (Departamento de
Defesa dos Estados Unidos).
Max Fuller comentou, nesse contexto, que ao assumir esse papel os quartéis de
Comando da Polícia se tinham tornado no centro de um comando nacional de
controlo, comunicação, informática e inteligência – graças aos Estados
Unidos. (Max Fuller, op cit)
Essa preparação inicial de terreno, estabelecida sob a direção de Negroponte
em 2005, permitiu a implementação das atividades pelo seu sucessor, o
embaixador Zalmay Khalilzad.
Robert Stephen Ford garantiu a continuidade do
projeto antes da sua nomeação como embaixador dos Estados Unidos na Argélia em
2006, bem como depois do seu regresso a Bagda, em 2008, como Chefe Adjunto da
Missão –Deputy Chief of Mission.
SÍRIA: “APRENDENDO PELA
EXPERIÊNCIA DO IRAQUE”
A macabra versão iraquiana da “Opção El Salvador” sob a direção do embaixador
John Negroponte serviu como modelo para a construção dos Contras do “Exército
Livre da Síria”. Robert Stephen Ford esteve muito provavelmente envolvido na
implementação do projeto dos Contras na Síria, depois da sua designação como
Chefe Adjunto da Missão –Deputy Head of Mission em Bagdad, 2008.
Na Síria o objectivo era o de criar divisões faccionais entre as comunidades
Sunitas, Shiitas, Curdas e Cristãs. Embora o contexto da Síria seja
completamente diferente do contexto do Iraque, existem também surpreendentes
similaridades no que diz respeito aos procedimentos segundo os quais as
atrocidades e matanças foram e continuam sendo conduzidas.
Uma reportagem publicada pelo Der Spiegel relativa às atrocidades cometidas na
cidade síria de Homs confirma um processo sectário de assassínios em massa e
mortes extrajudiciais, ou seja assassínios, comparável com o conduzido pelos
esquadrões da morte no Iraque, esquadrões esses patrocinados pelos Estados
Unidos.
Em Homs as pessoas eram habitualmente classificadas como “prisioneiros” (Shia,
Alawita) e “traidores”. Os traidores eram os civis Sunitas dentro da área
urbana ocupada pelos rebeldes, que exprimissem discordância ou oposição face ao
reino de terror do Exército Livre da Síria -“Free Syrian Army” – FSA:
“Desde o último verão [2011] nós executamos pouco menos que 150 homens, o que
representa cerca de 20% dos nossos prisioneiros,” disse Abu Rami.
Mas os
executores de Homs estiveram mais ocupados com traidores dentro de suas
próprias hostes do que com prisioneiros de guerra. “Se damos com um Sunita espiando,
ou se um cidadão trai a revolução, fazemos o processo curto”, disse o
combatente. De acordo com Abu Rami, “Hussein´s burial brigade” teria morto 200
a 250 “traidores” desde o começo da sublevação.” (Der Spiegel, March 30, 2012)
PROJECTO EM ANDAMENTO
AVANÇADO
A preparação activa da operação síria terá sido certamente iniciada quando da
chamada de Ford da Argélia, em meados de 2008, para um novo mandato na
embaixada dos Estados Unidos no Iraque.
O processo exigia um programa inicial de recrutamento e treino de mercenários.
Esquadrões da morte, incluindo unidades Salafistas do Líbano e da Jordânia
entraram pela fronteira sul da Síria com a Jordânia em meados de Março de 2011.
Muita da preparação do terreno estava já pronta antes da chegada de Robert Stephen
Ford a Damasco em Janeiro de 2011.
EMBAIXADOR FORD EM HAMAS
NO COMEÇO DE JULHO 2011
A nomeação de Ford como embaixador na Síria foi anunciada no começo de 2010. As
relações diplomáticas tinham estado cortadas desde 2005, após o assassinato de
Rafik Hariri, de cuja responsabilidade os Estados Unidos acusaram a Síria. Ford
chegou a Damasco apenas dois meses antes do começo da insurreição.
O EXÉRCITO LIVRE DA
SÍRIA - ELS
Washington e os seus aliados reproduziram na Síria as características
essenciais da “Opção El Salvador do Iraque”, levando à criação do Exército
Livre da Síria -ELS- e das suas várias fações incluindo a brigada “Al Nusra”,
filiada a Al Qaeda.
Apesar da criação do Exército Livre da Síria ter sido anunciada em Junho
de 2011, o recrutamento e treino dos mercenários vindos de fora do país fora
iniciado muito antes.
Em muitos aspectos, o Exército Livre da Síria é uma cortina de fumo, utilizada
para enevoar e desvanecer os contornos da realidade.
O denominado Exército
Livre da Síria é apresentado pelos media ocidentais como uma entidade de
boa-fé, estabelecida como resultado de defecções em massa das forças
governamentais. O número das defecções, no entanto, não foi nem significativo
nem suficiente para estabelecer uma estrutura militar coerente, com os devidos
comandos e controlos de função.
O Exército Livre da Síria não é uma entidade militar profissional, é mais uma
rede não estruturada, constituída por diversas brigadas terroristas, as quais
por seu turno são constituídas por muitas células paramilitares agindo em
diversas partes do país.
Cada uma dessas organizações opera independentemente. O Exército Livre da
Síria, não exerce funções de controlo ou comando efetivos e isso inclui
também a não efetividade nas suas ligações e contatos com as entidades
paramilitares. Essas entidades paramilitares estão na sua grande parte
controladas pelas forças especiais, bem como profissionais da inteligência,
patrocinados pelos EUA-OTAN. Tanto as forças especiais como os profissionais da
inteligência são encaixados, ou incrustados, nas alas das várias formações
terroristas.
Essas forças especiais “no solo” – muitas das quais contratadas a empresas
particulares de segurança, estão regularmente em contacto com EUA-OTAN, bem
como também com unidades de comando da inteligência militar dos outros
envolvidos. As Forças Especiais estão, muito provavelmente, também envolvidas
nos ataques devastadores, muito cuidadosamente planejados, dirigidos contra as
instalações governamentais, conjuntos militares e muitos outros objetivos
centrais e sensíveis.
Os esquadrões da morte são mercenários recrutados e treinados pelos EUA-OTAN, e
seus aliados do Golfo Pérsico, GCC. São supervisionados pelas forças especiais
aliadas, bem como por empresas particulares de segurança, em contrato com a
OTAN e o Pentágono. Relatórios confirmam o aprisionamento pelas forças
governamentais da Síria de cerca de 200-300 contratados de firmas particulares
de segurança, contratados esses que estavam integrados nas alas dos rebeldes.
A FRENTE AL NUSRA
A Frente Al Nusra - que se julga filiada em Al Qaeda - é descrita como o grupo
rebelde mais eficiente na luta da oposição. Al Nusra é o grupo responsável por
muitos dos maiores – high profile- ataques com bombas. O grupo Al Nusra é
apresentado como um inimigo dos Estados Unidos, e está na lista de organizações
terroristas do Departamento de Estado.
Entretanto, as ações da Al Nusra apresentam as características, ou impressões
digitais, dos treinos e das táticas paramilitares dos Estados Unidos. As
atrocidades cometidas contra civis pelo grupo Al Nusra são similares àquelas
cometidas pelos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA no Iraque.
Nas palavras do líder da Al Nusra, Abu Adnan, in Aleppo:- “Jabhat al-Nusra
conta com veteranos sírios da guerra do Iraque entre os seus efetivos, homens
que trazem perícia – especialmente na construção de dispositivos explosivos
(IEDs) para a frente na Síria.”
Tal como no Iraque, a violência entre facções e limpeza étnica foi ativamente
promovida. Na Síria as comunidades Alawita, Shiita e Cristãs foram alvo dos
esquadrões da morte patrocinados pelos EUA-OTAN. A comunidade cristã foi um dos
alvos centrais no programa de assassínios.
Relatórios confirmam o fluxo de Salafistas e esquadrões da morte filiados a Al
Qaeda sob os auspícios da Irmandade Muçulmana para o interior da Síria, desde o
começo da insurreição em Março 2011.
Mais ainda, numa reminiscência do alistamento dos Mujahideen para combater a
jihad –guerra santa - da CIA no auge da guerra União Soviética-Afeganistão, o
anúncio de que a OTAN e a Turquia (the Turkish High command) tinham iniciado
“uma campanha para alistar milhares de voluntários Muçulmanos nos países do
Médio Oriente e no Mundo Muçulmano para lutar lado a lado com os rebeldes
sírios. O Exército turco iria acolher esses voluntários, treiná-los e
proporcionar a passagem dos mesmos para o interior da Síria. (DEBKAfile, NATO
to give rebels anti-tank-weapons, August 14, 2011).
De acordo com o que tem sido informado, empresas particulares de segurança
operando dos países do Golfo estão envolvidas no recrutamento e treino de
mercenários.
Apesar de não especificamente identificados com o recrutamento dos mercenários
dirigidos contra a Síria, relatórios apontam para uma criação de campos de
treino no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos –UAE. Na cidade militar de Zaved –
Zaved Military City, UAE, “um exército secreto está sendo construído”, operado
por Xe Services, antes denominado Blackwater.
O acordo da UAE para estabelecer
um campo militar para treino de mercenários foi assinado em Julho de 2010, nove
meses antes dos furiosos ataques contra a Líbia e a Síria.
Segundo desenvolvimentos recentes, empresas de segurança a contrato com a OTAN
e o Pentágono estiveram envolvidas no treino dos esquadrões da morte no uso de
armas químicas.
“Os Estados Unidos e alguns aliados europeus estão a utilizar contratados da
defesa para treinar os rebeldes sírios na forma de garantir o aprovisionamento
de armas químicas na Síria, segundo informaram domingo a CNN um oficial sénior
dos Estados Unidos e diversos diplomatas.” (CNN Report, December 9, 2012)
Os nomes das companhias envolvidas não foram revelados.
ATRÁS DE PORTAS FECHADAS
NO DEPARTAMENTO DE ESTADO-US
Robert Stephen Ford fazia parte de uma pequena equipe no Departamento do Estado
Americano que supervisionava o recrutamento e treino de brigadas terroristas,
conjuntamente com Derek Chollet e Frederic C. Hof, um ex-associado de negócios
de Richard Armitage, que serviu como “coordenador especial” de Washington em assuntos
da “Síria”. Derek Chollet foi recentemente nomeado para a posição de “Assistant
Secretary of Defense for International Security Affairs” (ISA)- [Secretário
Auxiliar da Defesa para Assuntos de Segurança Internacional]
Essa equipe trabalhou sob a direção do ex- Secretário de Estado Auxiliar para
Assuntos do Próximo Oriente –Near Eastern Affairs -, Jeffrey Feltman.
A equipa de Feltman estava em contacto próximo com os processos de recrutamento
e treino dos mercenários da Turquia, Qatar, Arábia Saudita e Líbia (cortesia do
regime pós-Khadafi, que despachou 600 tropas da “Libya Islamic Fightin
Group”-LIFG para a Síria, via Turquia, nos meses a seguir o colapso do governo
de Kadhafi, em Setembro 2011).
O Secretário do Estado Auxiliar, Feltman, esteve em contacto com o Ministro do
Exterior Saudita, o Príncipe Saud al Faisal , e o Ministro do Exterior de
Qatar, Sheik Hamad bin Jassim. Esteve encarregado do gabinete para “coordenação
especial de segurança” relacionado a Síria e baseado em Doha. Esse gabinete incluía
representantes das agências de inteligência do ocidente, assim como do GCC e
representantes da Líbia. O Príncipe Bandar bin Sultan, um proeminente e
controverso membro da inteligência Saudita fazia parte desse grupo. (Veja Press
TV, May 12, 2012).
Em Junho de 2012, Jeffrey Feltman foi designado UN Under-Secretary-General for
Political Affairs, uma posição estratégica que na prática consiste em
influenciar a agenda da ONU (em favor de Washington) em assuntos relativos a
“Resolução de Conflitos” em vários focos de problema à volta do globo. Isso
inclui Somália, Líbano, Líbia, Síria, Iémen e Mali. Numa amarga ironia, os
países em agenda para a “resolução de conflitos” da ONU são aqueles mesmos que
têm sido e são alvos das operações, encobertas, dos Estados Unidos.
Original :Global Research,
2013-01-04
http://www.globalresearch.ca/terrorism-with-a-human-face-the-history-of-americas-death-squads/5317564
Tradução:
Anna Malm* - Correspondente de Pátria
Latina na Europa