terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Palestina vai ao Oscar. E é detida no aeroporto!





Por Baby Siqueira Abrão


O filme palestino ‘5 Broken Cameras’ é um dos indicados ao Oscar de melhor documentário estrangeiro. Mas seu diretor, Emad Burnat, a esposa Soraya e o filho Gibril foram detidos na terça (19) ao desembarcarem no aeroporto de Los Angeles, onde participariam da premiação. Acabaram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório.
Baby Siqueira Abrão

Emad Burnat, diretor de ‘5 Broken Cameras’ [5 câmeras quebradas], filme indicado ao Oscar de melhor documentário estrangeiro, foi detido na noite de 19 de fevereiro ao desembarcar no aeroporto de Los Angeles, Califórnia, para participar da festa do cinema de Hollywood. Ele, a esposa Soraya e o filho Gibril, de 8 anos – que também participam do filme –, foram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório. Segundo as autoridades de imigração, Emad não tinha em seu poder o “convite apropriado para o Oscar”, seja lá o que isso for.

Emad enviou uma mensagem, pelo celular, a Michael Moore, o polêmico documentarista de ‘Tiros em Colombine’, ‘Fahrenheit 11 de setembro’ (filme que questiona a versão oficial do atentado ao World Trade Center) e um dos diretores da Academia de Hollywood. Moore denunciou a detenção a seus 1,4 milhão de seguidores no Twitter e acionou o pessoal da Academia, que por sua vez contatou advogados para cuidar do caso. “Pedi a Emad que repetisse meu nome várias vezes aos oficiais da imigração e que lhes desse meus números de telefone”, disse Moore. “Parece que eles não conseguiam entender como um palestino podia ter sido indicado ao Oscar”, completou, irônico.

Moore também deixou claro que faria o que estivesse a seu alcance para impedir a deportação que ameaçava a família Burnat. E foi bem-sucedido, porque uma hora e meia depois eles foram libertados. “Mas só poderão ficar em Los Angeles uma semana, até o Oscar”, esclareceu Moore. E, de novo com ironia, acrescentou: “Bem-vindos aos Estados Unidos!”

Para Emad, a detenção não é nenhuma novidade. “Quando se vive sob ocupação militar, sem nenhum direito, esse é um acontecimento diário”, declarou. O filme ‘5 Broken Cameras’ é o resultado de sete anos de trabalho de Emad, que comprou a primeira câmera quando Gibril nasceu e passou a registrar tudo o que acontecia em sua vila natal, Bil’in, na Cisjordânia sob ocupação militar de Israel. Ajudado pelo israelense Guy Davidi, que esteve ao lado da resistência de Bil’in desde os primeiros dias, foi responsável pelo pós-roteiro de ‘5 Broken Cameras’ e figura como codiretor, Emad fez um documento fundamental para a compreensão, pelo público externo, do cotidiano palestino sob ocupação. O título do filme faz referência às cinco câmeras que o exército israelense inutilizou ao atingi-las com tiros. Numa dessas ocasiões o equipamento salvou a vida do diretor – a câmera deteve a bala atirada na direção da cabeça de Emad.

Cineasta por acaso – e por necessidade
Emad Burnat nunca pensou em se tornar cineasta. Foi a necessidade de registrar a ocupação – para proteger os vizinhos, pois os soldados, receosos de um dia enfrentar o Tribunal Penal Internacional, evitam agir com muita violência diante das câmeras –, de mostrar ao mundo, pela internet, a realidade na Palestina, até poucos anos atrás oculta pela narrativa sionista, e de ter provas para apresentar aos tribunais de Israel, aos quais o exército conta histórias implausíveis mas levadas a sério, que levaram Emad a filmar.

Ele comprou sua primeira câmera em 2005, ano do nascimento de Gibril, para gravar seu crescimento e a vida em família. Mas era impossível limitar-se a temas domésticos numa vida sob ocupação militar. As incursões noturnas dos soldados, os ataques aos moradores durante as manifestações não violentas, as prisões, as invasões dos colonos, a construção do primeiro muro e seu desmantelamento em 2011, bem como a execução do segundo muro, tudo era muito impactante no cotidiano de Bil’in e merecia ser registrado.

Essa opinião era compartilha por Guy Davidi, professor de cinema, que em 2005 passou a ir com frequência à vila palestina e chegou a morar lá por alguns meses, para sentir como era viver sob ocupação. Guy produziu alguns curtas sobre Bil’in, onde filmou, entre 2005 e 2008, ‘Interrupted streams’ [‘Fluxos interrompidos’], sobre o confisco das fontes de água palestinas por Israel. Muitas vezes Emad e Guy filmavam juntos as manifestações, os ataques dos soldados, as detenções. Corriam os mesmos riscos. Tornaram-se amigos.

Foi ao longo desses anos que Emad começou a pensar em reunir seu material num longa-metragem sobre a resistência em Bil’in. Estimulado pela família, pelos amigos e por Guy, ele conseguiu tocar o projeto. Só não esperava o sucesso que se seguiu ao lançamento. Cineasta por intuição, Emad ganhou o respeito e a admiração de seus pares ao redor do mundo.

Referência ao Brasil e vários prêmios
Uma das cinco câmeras quebradas exibe um adesivo da bandeira brasileira, símbolo também presente na porta da casa da família Burnat, em Bil’in – um modo de demonstrar o carinho que eles sentem por nosso país. Soraya, esposa de Emad, é palestina criada no Brasil. O casal e os filhos mais velhos falam um português impecável e sem sotaque.

‘5 Broken Cameras’ é o primeiro filme palestino a concorrer a um Oscar. Além de muito elogiado pela crítica, vem tendo uma trajetória de sucesso em todo o mundo. Em 2012, foi indicado para o ‘Asian Pacific Screen Award’ e ganhou o prêmio de melhor documentário no ‘Jerusalem Film Festival’; o de melhor diretor de documentário no Sundance (também foi indicado para o Grande Prêmio do Júri desse festival), nos Estados Unidos, e o Busan Cinephile, do Busan International Film Festival, da Coreia. Em 2011 recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio Especial do Público no International Documentary Film Festival Amsterdam (IDFA), na Holanda. A. O. Scott, crítico de ‘The New York Times’, considerou-o uma “comovente e rigorosa obra de arte”.

Ele tem razão. No documentário, com sensibilidade, Emad funde sua vida e a de sua família com a história da ocupação de Bil’in. É uma história comum à maioria dos milhões de palestinos que nasceram nos hoje dezenas de vilarejos – eram mais de 500 antes que os sionistas os tomassem à força, nos anos 1940 – que circundam as 11 cidades da Cisjordânia, compondo as regiões distritais daquela parte do Estado da Palestina.

Com texto de Guy Davidi, e narrado por Emad, o filme nos conduz pelas belas paisagens de Bil’in, mostrando a chegada dos agrimensores israelenses para a medição das terras que seriam confiscadas; as reuniões entre os moradores e o pessoal do grupo Anarquistas Contra o Muro, de Israel, que conseguiu o mapa com o traçado do muro e se uniu aos bilainenses para boicotá-lo; os primeiros enfrentamentos com o exército israelense; as prisões, a progressão dos desafios e da violência, a consolidação da resistência, o apoio internacional à luta não violenta de Bil’in.

Há cenas geniais, como a do grupo de moradores que barra o avanço dos soldados na área urbana da vila com instrumentos de percussão improvisados, numa “bateria” ruidosa e criativa. Há também cenas difíceis, em que Emad se vê obrigado a filmar a prisão dos irmãos e de um vizinho, um menino, e cenas trágicas, como o assassinato de Bassem Abu-Rahmah, o Fil, até aquele momento um dos líderes da resistência e um dos protagonistas do filme. A sequência é dolorosa, embora o público seja poupado das tomadas mais dramáticas.

O documentário leva o público a participar do cotidiano de Bil’in e a vivenciar um pouco do que significa estar submetido a uma ocupação militar. Trata-se de documento histórico, denúncia viva dos abusos cometidos pelo exército sionista. Por isso mesmo, a cena em que o pequeno Gibril, mal se sustentando em seus primeiros passos, oferece um ramo de oliveira a um dos soldados israelenses – que o aceita, com um sorriso culpado e sem jeito – surpreende e enternece. Num momento assim não há como deixar de questionar o mal que os sionistas têm feito aos seres humanos que vivem de um lado e de outro do muro. Não fossem eles, provavelmente palestinos de todas as religiões teriam continuado a conviver em harmonia na Palestina histórica. Os inimigos e a discórdia vieram de fora. Será possível neutralizá-los e resgatar a antiga harmonia, dessa vez juntando ao antigo grupo os cidadãos de Israel, como propõem palestinos e israelenses que defendem a existência de um único Estado, democrático e secular, com direitos iguais para todos?

O impacto nos jovens de Israel

É difícil responder a essa indagação sem levar em conta as alianças do sionismo e seu papel decisivo nas finanças internacionais, na indústria bélica e na tecnologia nuclear. O movimento praticamente domina os setores estratégicos sobre os quais se desenrola o teatro do mundo. É ele que cuida do caixa, do lucro, da produção e do roteiro do espetáculo. Por isso, o combate não se restringe à ação dos sionistas na Palestina. Eles se espalham cada vez mais, controlando governos, territórios e ramos de atividades nos cinco continentes.

Mas é em Israel que seu controle se estende a toda a sociedade. Lá, o sistema educacional garante apoio e submissão aos princípios sionistas nesta e nas futuras gerações. Assim, quem nasce em Israel aprende, desde a infância, que os palestinos são “árabes que vivem em território israelense” – e inimigos. A maior parte dos livros didáticos faz pouca referência à Palestina – nos mapas, por exemplo, Cisjordânia e Gaza são mostradas como território de Israel – e a sua história. A grande maioria dos jovens israelenses não sabe que seu país ocupa outro, e tem de seu exército uma visão heroica e romântica, fabricada pela propaganda sionista.

Contribui para essa ilusão um programa muito comum nos feriados e nos fins de semana em Israel: os pais costumam levar os filhos pequenos a locais onde são expostos equipamentos de guerra, que as crianças podem experimentar, e veículos nos quais elas entram e fingem controlar. Tudo sob o olhar complacente da família e diante das explicações de jovens soldadas e soldados. Para entender como essa indústria da violência funciona, assista ao vídeo produzido pelo israelense Itamar Rose: 
http://youtu.be/Qp67KehlVGU.

Não é de admirar, portanto, que as crianças de Israel desenvolvam a ideia de que a solução de seus problemas – ou daquilo que lhes é ensinado como “problema” – passa pela via militar. Foi para desfazer essa crença que Guy Davidi decidiu mostrar ‘5 Broken Cameras’ a um grupo de jovens em Israel e filmar suas reações. Suas expressões, durante a exibição do documentário, dizem muito sobre a revelação de como é a vida dos palestinos: indicam surpresa, choque, consternação, revolta, compaixão.

Diante dessa experiência, Davidi resolveu elaborar um projeto maior: levar ‘5 Broken Cameras’ ao público israelense em sessões que permitam reflexões e debates sobre a ocupação, a violência imposta aos palestinos de maneira direta e aos israelenses de modo indireto, o dia a dia dos cidadãos dos dois lados do muro, o próprio muro, o questionamento ao papel do exército e à ideologia dos soldados – que, como eu mesma pude comprovar nas muitas conversas que travei com eles, têm dos palestinos e dos árabes uma imagem deturpada, assimilada em uma existência inteira de educação dirigida e controlada. Conheça a surpreendente experiência de Guy Davidi com os jovens israelenses:
http://youtu.be/i1wEszQYEzg.

Será que a arte pode promover compreensão e tolerância, aproximando duas populações separadas pela agenda bélica e expansionista das autoridades sionistas? Será que a mudança necessária pode começar da base de ambas as sociedades, as únicas instâncias portadoras de legitimidade para isso? É uma aposta ousada, a dos diretores de ‘5 Broken Cameras’. Aguardemos os resultados.

Oscar 2013 ou rumo à Guerra ao Irã


Por Ramez Philippe Maalouf

A premiação de hoje do Oscar 2013 é sem dúvida alguma o rufar dos tambores de guerra.

Três dos 9 concorrentes ao prêmio de melhor filme são propaganda de guerra: A HORA MAIS ESCURA e os péssimos LINCOLN e ARGO.

E ainda há quem acredite que os ianques não produzem filmes políticos.

ARGO desponta como o favorito. É um filme medíocre  sem tensão e situações forçadas e um final digno dos filmes dos Trapalhões. Com o detalhe que os Trapalhões eram comédias assumidas. ARGO é comédia involuntária. No Irã, a exibição mereceu apenas o bocejo e o riso dos espectadores, enquanto no Brasil elogios abundam na grande imprensa.

O filme tem um começo promissor,mostrando um resumo da história do Irã e os crimes perpetrados pelos EUA e Inglaterra naquele país em nome do petróleo e da Guerra Fria. Depois resvala para a glorificação da CIA!!!! "Sim, nós cometemos crimes e erramos, mas, nós somos os EUA e temos o direito de dominar o mundo, quer gostem ou não".

A película ainda tem a pretensão de ser uma homenagem à cinematografia ianque dos anos 70, a chamada Geração "Easy Rider". Certamente, uma parte significativa daquela geração de cineastas recém saídos das universidades e que tomaram Hollywood com seus temas abordando e escancarando a fratura social, racial,política e econômica da sociedade  ianque, então submergente, não concordaria com uma apologia ao principal órgão do poder ianque, não a um preço tão barato quanto paga o canastrão Ben Afleck. 

Rara exceção ao mar de elogios da imprensa brasileira ao filme ARGO foi a do jornalista Artur Xexéo das Organizações Globo.

http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2013/01/20/o-injusticado-483091.asp

Não, não, ARGO não é baseado em fatos reais. 

Se o prêmio é para a melhor propaganda de guerra, então nada mais justo do que premiar  A HORA MAIS ESCURA, um raro filme de guerra dirigido e estralado por mulheres. A trama é a obsessão de uma agente da CIA, mais uma vez os heróis, na caçada ao maior "terrorista" do mundo  Osama Bin Laden. Caçada que levaria ao assassinato do líder da al-Qaeda, no Afeganistão, em 2011. O filme nada tem de excepcional, a não ser mostrar que todo o trabalho sujo vale a pena quando se trata de expandir o poder supremo dos EUA sobre o resto da humanidade.

Outra propaganda de guerra, mais imbecilizada, por sinal, é o piegas e ultra-nacionalista LINCOLN,  do ultra-direitista STEVEN SPIEBLERG, este,sim, um legítimo representante da geração Easy Rider, mas que tomaria um rumo oposto aos colegas de faculdade. Ao invés de mostrar as vísceras de uma sociedade eclodida pelo Vietnã, Watergate, a luta pelos direitos civis, a estagflação e a crise de Teerã, ele preferiu justamente glorificar os valores ianques ou retorno aos valores ianques como a única saída para a crise dos anos 70 que se abateu sobre os EUA.

Em LICOLN, Spielberg tornou-se o primeiro cineasta a justificar e a legitimar a Guerra Civil (sic) dos EUA,também conhecida como Guerra de Secessão (sic), eclodida na década de 1860,quando os EUA (vulgarmente chamado de Norte), sob o comando de Abraham Lincoln, combateram e anexaram os Estados Confederados da América (vulgarmente chamado de Sul), sob o pretexto de libertar os escravos.

LINCOLN é tão inacreditavelmente solene (isto em pleno séc.XXI), que pode funcionar como anti-propaganda.

O certo é que Hollywood estão de mãos dadas com o Departamento de Defesa (sic) nos esforços para os preparativos de uma guerra a uma das civilizações mais antigas do mundo, o Irã. Segundo a cartilha de Hollywood, ainda assim, os EUA têm o direito quase divino de dominar/destruir/exterminar/aniquiliar qualquer povo ou civilização que seja um obstáculo para seu projeto de poder global. 

http://www.imdb.com/oscars/nominations/?ref_=hm_ad_t1

Enquanto isto, a grande imprensa brasileira aplaude tais declarações de guerra.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Maristela R Santos Pinheiro responde ao PSTU, reiterando suas críticas


Nota da autora: 

Caros, o Documento “Na trincheira do Inimigo” é uma simples contribuição ao debate sincero,  franco e honesto. Não há uma linha sequer que mereça ser retirada ou possa ser chamada de mentira. Lamentavelmente não tenho o poder de retirar os fatos da realidade! Todos comprovados e citados suas origens.

O texto não inventa uma discussão sobre a crise de determinado setor da esquerda mundial no âmbito do internacionalismo proletário. Esta é uma discussão política  que corre solta e livre nos sites  que se dedicam à política marxista.  Não podemos negar a coragem que tivemos em reproduzir esta discussão em nosso país.

A contaminação de parcela da juventude e da vanguarda com linhas políticas  descaradamente em unidade com o imperialismo nos enfraquece e , sem dúvida, é mais um elemento que joga contra os povos oprimidos e os trabalhadores na correlação de forças, na luta de classes. Isto é um fato incontestável!

Não adianta tentar desviar a discussão para intrigas e disputas mesquinhas de aparatos políticos com argumentações anacrônicas, que não têm o poder de mudar a realidade contemporânea, essa que nos resta encarar  em nossa militância diária, além de não responder aos anseios, aflições e dúvidas desta juventude sobre a complexa e difícil conjuntura, após a derrota histórica da classe trabalhadora mundial.

Quando não somente os meios de comunicação de massa trabalham para justificar as intervenções e ingerências “humanitárias”,  buscando o apoio da população com mentiras e calúnias ( nenhuma novidade), mas há, ainda, as ONGs, cujo trabalho de formar quadros,  recrutar “lutadores sociais”, financiar e introduzir simpáticos agentes humanitários e democráticos e forjar alianças pela “democracia” está fazendo  a diferença na luta de classes e na  promoção  às guerras de rapina contra todos povos, em particular , os árabes e africanos. E, à reprodução dessa ideologia junta-se , lamentavelmente, uma parcela da esquerda mundial.

Para não me alongar mais, concluo dizendo que reitero   cada palavra que escrevi no documento “ Na trincheira do Inimigo”, reproduzido abaixo.

Não existe nele, nenhuma espécie de calúnia, mas tão somente conclusões lógicas a partir das políticas contrárias ao marxismo revolucionário de setores da esquerda, políticas estas  que se aprofundaram , em seu teor pró-imperialista, ao ponto de  despertarem  simpatia até de setores das Forças Armadas dos EUA que, à revelia ou não, homenagearam uma suposta ativista “rebelde” da oposição síria, convidada pelo PSTU para dar palestras a incautos militantes brasileiros, como se uma grande revolucionária fosse.
  
Afinal se o Exército dos Estados Unidos  acha um vídeo de uma “revolucionária” síria entre os milhões  de vídeos que existem na web e posta em seu site, é porque , não apenas concorda com o  conteúdo do discurso da “rebelde”, como  o julgou positivo, para ajudar a justificar  a agressão imperialista à Síria.

Nesta última semana assistimos o apoio explícito do PSTU à famosa, global e simpática "agente humanitária e da democracia" , a cubana Yoane Sanches que se encontra em nosso país para angariar simpatizantes para destruir as conquistas sociais e democráticas do povo cubano. Esta é a mesma discussão política: a crise de uma parcela da esquerda com o internacionalismo proletário.

Como defesa, o PSTU se esconde atrás da militância da causa Palestina, fazendo crer que a Palestina não é parte de todo processo e do resultado do embate entre a resistência pan-árabe e o imperialismo. 

Não é verdade que a Palestina Livre  é uma ilha onde chegaremos nadando. Infelizmente, a heroica luta que se trava diariamente  nos territórios contra o sionismo  e o papel das redes de solidariedade espalhadas pelo mundo não são determinantes a ponto de libertar a Palestina. 

O  jogo está sendo jogado em todo o Mundo Árabe e a situação da luta dos palestinos sofrerá uma derrota histórica se o povo sírio, tal qual foi o líbio, for derrotado. 

Não é possível jogar nos dois times. Neste caso, o fortalecimento do imperialismo na Síria, significa   o fortalecimento do sionismo no Mundo Árabe.

Definitivamente, a manipulação que fazem da história e sua dinâmica não é fruto de uma análise marxista.

Por fim, que fique claro para todos, a posição política do PSTU não está destruindo o Presidente Assad, esta posição apoia a destruição da Síria, de seu povo, esta posição é contra o Bloco de resistência árabe, esta posição  fortalece o sionismo.

O Documento reproduzido abaixo faz essa discussão.

Sobre  a questão de um ou dois Estados na Palestina sugiro a leitura do Documento “Uma Reflexão necessária”  postado, também, no sítio:http://www.brasildefato.com.br/node/5302

Sobre a discussão da estratégia estadunidense para o Oriente Médio, incluindo a Palestina,  e a crise da solidariedade internacionalista sugiro  a leitura  do Documento “A Tragédia palestina ampliada para o mundo Árabe”, encontrado nohttp://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/05/15-de-maio-de-1948-nakba-tragedia.html

Boa leitura!

 Em Tempo: 
1 - Meu rompimento político com esta corrente foi pautado justamente no campo do internacionalismo proletário, no episódio dos estudantes da direita venezuelana , que recebeu o apoio dessa corrente internacional.
2 - Estive no Fórum da Palestina em Porto Alegre e participei de duas atividades organizadas pelo Comitê do RJ ( Sobre a atuação do sionismo na Colômbia  e outro sobre a Estratégia do imperialismo para o  Mundo Árabe e a Palestina) e nas atividades organizadas pela FPLP.  Nunca participei de nenhuma atividade política deste grupo desde os episódios dos estudantes venezuelanos. 
Abaixo, finalmente, o Documento:
Maristela R. dos Santos Pinheiro
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Na Trincheira com o Inimigo

A crise política e ética de uma parcela da esquerda mundial

 As posições políticas alinhadas com o imperialismo não podem mais  ser tratadas como diferenças táticas,  a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.  

Por Maristela R. Santos Pinheiro - Cientista Social
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TRADUÇÃO: Nós estamos prontos para ajudar, se vocês quiserem

Todo militante da causa palestina sabe que se dependesse da mídia corporativa, ou das ONGs a verdadeira situação do povo palestino, os 64 anos de crimes de guerra, o cotidiano dramático  da ocupação, a história da própria formação da entidade sionista, o significado ideológico do sionismo e a história de todos os movimentos de resistência da Palestina ocupada estariam, ainda, sem a devida compreensão que hoje uma grande parcela tem deste enfrentamento covarde e criminoso. 

Essa consciência da dura realidade da luta palestina foi uma construção dos partidos identificados com o internacionalismo proletário. Essas organizações  tiveram  papel fundamental na organização da solidariedade internacionalista espalhadas pelo mundo.

Aqui no Brasil, por exemplo, mesmo durante a Ditadura Militar, no final da década de 70, os militantes das organizações de esquerda, do Rio de Janeiro, organizaram um Comitê  pelo Reconhecimento da OLP,  e apesar da clandestinidade, os comunistas, juntos com outras organizações, se esforçavam por um contato com os lutadores palestinos e participavam  ativamente  pelo reconhecimento da organização árabe/palestina. 

No entanto, temos observado  o grave afastamento de uma parcela da "esquerda" do internacionalismo proletário, cuja base marxista  sempre foi fundamental para correta análise da realidade, considerando seu movimento em sua complexa totalidade, historicamente determinada e daí tomar as decisões e posições, aquelas que mais favorecerão as nossas posições  e, enfraquecerão ou fragilizarão as do inimigo de classe e seus aliados.  Talvez esse fenômeno seja ainda reflexo ou eco da derrocada soviética e de um balanço ainda não totalmente apurado e enfrentado da derrota histórica do movimento operário internacional e da consequente abertura de espaço para o fortalecimento da ideologia do inimigo de classe.

Quando a OTAN, representante de 28 Estados "democráticos", lançou  toneladas de bombas sobre a antiga Iugoslávia nos Bálcãs, ficou patente e exposta a crise da esquerda com os valores marxistas/leninistas. Muita gente boa e organizações caíram na cantilena americana da "responsabilidade de proteger", da "campanha humanitária" e na campanha de "criminalização do inimigo atacado"e, ainda na "ingenuidade" do "fogo amigo" . O imperialismo, através da OTAN, com o apoio incondicional da UE,  conseguiu, depois de massacrar, assassinar e derramar muito sangue, fragmentar o Estado em diversos e pequenos cinturões étnicos, dos quais consegue , com muita facilidade, extrair riquezas naturais  e explorar a mais valia:    Servia,  Montenegro, Kosovo, Eslovena, Macedônia, Croácia, Bósnia e Herzegovina.  Durante muito tempo depois, velhos militantes iugoslavos  denunciavam exaustivamente que organismos dos direitos humanos e  ONGs especializada em democracia haviam proliferado no país, algum tempo antes dos acontecimentos, para  nutrir  a ideologia pró- imperialista e arregimentar grupos mercenários e esquadrões da morte que fomentavam as provocações entre as etnias, que até então, sempre viveram juntas e sem problemas. Poucas organizações da esquerda lhes davam  ouvidos, seja na Europa, ou América Latina. Muita gente boa entorpecida com o fim da URSS e outras gentes  felizes  pela  "democracia" ter voltado aos países socialistas, como a Iugoslávia.

Talvez tenha sido este o primeiro grande teste para aferir os valores internacionalistas de solidariedade proletária que tínhamos conseguido, ou não, manter e assegurar dos destroços. Por óbvio, os sinais de mudança e crise estavam no horizonte das diversas tradições da esquerda, mas apesar deste ser um tema apaixonante para o debate,  este não é o tema desse texto. Seu objetivo é muito mais simples, queremos contribuir para por fim à forma hipócrita que  estamos lidando com esses visíveis e lamentáveis sinais de retrocesso e deformação.  

Não podemos mais tratar posições políticas alinhadas com o imperialismo como diferenças táticas, quando são problemas estratégicos e de princípios; queremos enfatizar e denunciar  que a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.

No Brasil,  a ocupação do Iraque  motivou a última história de unidade na luta internacionalista das diversas organizações de esquerda, que se perfilaram contra a invasão do Iraque e pela soberania de seu povo. Nesta invasão militar, os EUA colocaram em movimento sua tradicional campanha de "criminalização do inimigo atacado" , a "campanha humanitária" e a sua "responsabilidade de proteger", mas, em que pese a reação da esquerda, ter sido débil , fraca e pontual, longe de expressar a tradição bolchevique,  é inegável e positivo que foi uma reação contrária às campanhas imperialistas/sionistas.  

Nestes 10 anos de ocupação, os norte americanos utilizaram bombas de nêutrons empobrecido, última variante da bomba atômica; assassinaram mais de 1 milhão de iraquianos; ainda derramaram duas bombas nucleares: uma em Faluja e outra em Bora Bora, no Afeganistão. No entanto, grande parte da esquerda, nestes 10 anos, ignorou a estratégia geopolítica e militar americana, ignorou , da mesma forma, a resistência debilmente armada que Faluja sustentou durante muito tempo. Pouco se importou com a estratégia dos exércitos  mercenários, ou com as bombas de nêutrons, ou com as corporações privadas paramilitares sionistas que implantavam a "democracia" no Iraque.  Claro, houve textos em sítios e artigos em jornais , como há missas aos domingos.

A esse comportamento frouxo, com relação a solidariedade internacionalista, adicionamos as  aberrações nas  análises políticas dos mais variados matizes:  reducionismos primários, teorias economicistas e liberais "pós-modernos";  unidades inusitadas, por exemplo com as ONGs, em particular de Direitos Humanos e pró-democracia; uma aproximação fervorosa com a ideia da democracia como valor universal, o foco nas questões imediatas e de grupos específicos, tendencias às lutas fragmentadas com pautas próprias e as famosas políticas de identidade.

Enquanto parte das organizações de esquerda se afasta  dos valores internacionalistas de Marx e Lenine,  a crise sistêmica do capitalismo o leva a seguir, com mais vigor, sua estratégia expansionista de tomar posse das riquezas do planeta. No Oriente, isso significa expandir sua ocupação "democrática" para além das fronteiras de Israel,  e dos Emirados Árabes, completar a limpeza étnica da Palestina, manter o domínio sobre o Egito, onde tem a classe operária mais importante do Mundo Árabe  e aumentar a exploração da mais valia das massas árabes. Para isso necessita destruir o bloco  de resistência pan-árabe, sustentado pelo trio Hezbollah, Síria e Irã e , concomitante,  fortalecer e se aliar ao que tem de mais atrasado  e pró-sionista, a Irmandade Muçulmana.

A destruição do Estado líbio e o massacre de seu povo pela OTAN, foi um marco na mudança de paradigmas de parte da esquerda mundial.  

Na Líbia e na Síria, o  papel da Irmandade, aliada privilegiada para esta estratégia , foi, e ainda é, especialmente militar. Financiada pela Arábia Saudita, Qatar e com a ajuda técnica da Turquia, a Irmandade construiu um exército de  mercenários, cuja base social é a escória, o lumpesinato e os fundamentalistas mais atrasados do Islã, recrutados pelo mundo. Na Líbia, esse exército de mercenários só conseguiu dar o golpe de Estado, depois que a OTAN massacrou o país pelo ar.

Com a ajuda da mídia, ONGs, Organismos Internacionais de Direitos Humanos e certas organizações , o imperialismo  pôs em marcha, primeiro na Líbia e desde março de 2011, na Síria, uma operação de surfar e manipular os protestos pacíficos e reais da população destes países, logo no seu início, para em seguida introduzir armas e mais mercenários e mudar completamente a natureza  e a composição social destas "agendas". Esta não é uma nova estratégia. Esquadrões da morte para fomentar  violência sectária, ou destruir organizações insurgentes foram plantados pelos serviços secretos imperialistas, em diversas ocasiões históricas, por exemplo em El Salvador, os contra da Nicarágua, os  mercenários mujahedeen no Afeganistão, os paramilitares da Colômbia, e os esquadrões de terror para o Iraque, só para citar alguns.

A tragédia na Líbia, chamada criminosamente de "revolução popular" por setores da esquerda, passado um ano, não tem nada de revolução e de popular: é o caos e a desgraça para o povo líbio, vítima da barbárie e do atraso instalado nas ruas pela escória mercenária e pelo governo títere da Irmandade Muçulmana. A população que se gabava de ter o melhor IDH da região, voltou a idade do tacape, literalmente.

Para a Síria, a estratégia foi muito parecida, mas a situação não está exatamente como o imperialismo/sionismo desejava: A Síria resiste, resiste e resiste! Por um principal e inequívoco motivo: a unidade e determinação do povo sírio pela defesa de sua soberania e autodeterminação. O povo sírio luta pelo seu  Estado laico e antimperialista. Essa é a poderosa força que impede a Síria de ser destruída e voltar, como a Líbia, um século no tempo. 

Entretanto,  setores da esquerda resolveram caracterizar  os mercenários de revolucionários, ONGs e Mídias corporativas  de fontes de informação do QG da Comissão Revolucionária  e grupos pequenos burgueses das redes sociais de soviets da revolução.  Bom, daí assumir a unidade  militar com o imperialismo em nome da "democracia", não precisa nem pular, é o passo seguinte e assim tem sido. 

Quem está apontando armas para o povo sírio e praticando atos de terrorismo  não é o Exército Árabe da Síria, são os mercenários, os esquadrões da morte da Irmandade Muçulmana, chamado de exército livre da Síria (ELS),  com quem parcela da esquerda faz unidade e chama o envio de armas. Eles estão sendo armados pela França, pelos EUA, Arabia Saudita, Turquia e Israel, e têm o aparelho militar da OTAN ao seu lado, não necessitam desta "solidariedade".


A vertente de esquerda que comemorou como vitória a queda da União Soviética, quando deveria ajudar no balanço dos erros cometidos que levaram a derrota da classe operária mundial; que diz que Cuba é uma ditadura castrista, por que o sistema democrático cubano é socialista e dirigido por Fidel, por quem nutrem um ódio sem igual, enfim, essa esquerda,  que na Colômbia  rotula a guerrilha das FARCS de reformista, e na Venezuela faz manifestações em unidade com a direita, se uniu militarmente ao imperialismo sob a bandeira do fascista Rei  Idris e chamou esse movimento de revolução popular na Líbia. Essa "esquerda" fez campanha chamando o envio de armas para os "rebeldes" líbios, quando nem isso os mercenários bem armados da OTAN precisavam; se  pauta pelas informações de observatórios de Direitos Humanos, pela mídia corporativa e por ONGs implantadas nos territórios dos países como braços dos serviços de  inteligencia . Esta parcela da esquerda  se uniu aos "rebeldes" que são assumidamente descritos pelos próprios Estados agressores, como mercenários ligados a Al Qaeda. Na Síria, não estão fazendo diferente, estão juntos com o imperialismo no terreno militar.

O que se passa com esses grupos? Considerando que muitos deles vêm de uma tradição que se construiu como alternativa crítica à degeneração da burocracia soviética , essa nova postura é de se espantar! 

A primeira coisa que vem à mente é que esses grupos foram picados pelo mesmo veneno  que historicamente foi a origem da burocratização soviética e sua posterior derrota para o capital, ou seja abandonaram de vez os princípios do marxismo revolucionário.

Construíram seus alicerces e suas identidades tão presos à crítica pontual e à preocupação de  rotular os "inimigos" da própria classe, que se perderam, ou se cristalizaram no pequeno instante, no alienante momento focado, e não conseguem se localizar nos movimentos reais, complexos, dinâmicos e históricos, em tempos de mudanças rápidas e vitórias dos inimigos de classe, da outra classe.  Em muitos países, esses grupos mal conseguem  sustentar um compromisso de unidade para lutar, com outras correntes e tradições porque, como alguns grupos religiosos fundamentalistas, só acreditam  em suas almas abençoadas e purificadas, e sustentam, miticamente e metafisicamente, uma fé de que a revolução nos espera na próxima esquina, logo, para que tanto energia gasta com a unidade.

Essa forma mecanicista de analisar a realidade está anos luz do marxismo revolucionário e passa longe da compreensão da totalidade e da complexidade  dos fenômenos históricos e sociais no contexto da luta de classes.

Não me leve a mal: Essa esquerda cuja principal base social em todo o  mundo é a pequeno burguesia não é, hoje, exatamente marxista, não porque são pequenos burgueses, mas por que agem e pensam como tal.

SUPOSTA "MILITANTE" SÍRIA ELOGIADA  EM SITIO DAS
 FORÇAS ARMADAS  DOS EUA !? O que pode significar isso?

No Brasil, uma dessas organizações abriu espaço em seu sítio e nos sindicatos no qual dirige para uma suposta "rebelde" síria. Uma mulher chamada Sara Al Suri  que conta uma estória redondinha, a mesma que lemos no Globo. Essa mulher tem um espaço na mídia que o companheiro Latuf,  militante da causa palestina, não tem;  ou mesmo os grupos da comunidade síria identificados com a luta antimperialista e antisionista em seu país, não tem. Os movimentos sociais contra a remoção, as vítimas da violência policial, enfim, nada , nem nenhuma luta social, do interesse da classe trabalhadora, em nosso país,  tem o poder midiático desta mulher síria.
Ela surge no Brasil pronta e preparada  para dar entrevistas e fazer discursos redondinhos sobre a importância de apoiarmos os mercenários que querem destruir o Estado laico da Síria e transformá-lo  num domínio do grupo pró sionista  chamado Irmandade Muçulmana. E , ainda afirma que se a Síria for destruída e o governo antimperialista cair, isso facilitará a vitória da Palestina Livre!!!??? 

Como, cara pálida,  que os aliados do sionismo, uma vez no governo da Síria, irão manter a ajuda que a  Síria dá atualmente aos militantes palestinos?Afinal, é  neste Estado laico, sob o governo de Bashar Al Assad, apoiado pela esmagadora maioria de seu próprio povo, que as diversas facções e braços armados das organizações palestinas recebem treinamento militar e armas para libertar a Palestina da ocupação sionista. A derrota da Síria para os EUA e Israel, será a derrota da resistência pan-árabe e da maioria do povo sírio contra o que há de mais fascista e atrasado no Mundo árabe, expressos no grupo político da Irmandade Muçulmana. Por tabela, será a derrota da luta pela Palestina Livre, que como disse um amigo palestino, militante e simpatizante da Fatah, "O custo da derrota Síria será o de voltar,  no mínimo, 50 anos para trás em nossa luta."

Esta suposta síria, agente "humanitária e da democracia", omite o fato que grande parte das forças de resistência palestina estão perfiladas na unidade ao lado do povo da Síria em defesa da soberania e independência do Estado sírio e do pan-arabismo, desde o início das tentativas de desestabilizar o governo e impor , de fora, um golpe de Estado.  A maior prova disso aconteceu em Yarmouk.
 Leia aqui : http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/12/declaracao-da-fplp-cg-sobre-o-ataque.html

Nas últimas semanas do ano, em dezembro de 2012, os mercenários armados até os dentes entraram no Campo-cidade dYarmouk, cidade/campo de refugiados palestinos na Síria, desde 1948, com o objetivo de fazer ali  uma carnificina,  mas foram surpreendidos pelos combatentes da  FPLP- CG que bravamente entraram em luta mortal, lado a lado com o Exército Árabe da Síria, para defender o povo e acabar com as intenções do famigerado e terrorista  ELS de fazer do campo uma base contra o Estado sírio. 

O fato grave não é tanto o surgimento dessa mulher e sua estorinha redondinha isso faz parte da luta de classes, mas  o mais grave é que um grupo de esquerda, no Brasil,  não está somente apoiando politicamente a estratégia imperialista, com esta atitude, está promovendo a manipulação direta das massas, em unidade de ação com o imperialismo/sionismo. Não é a VEJA que está levando  uma agente "humanitária" a manipular nosso povo, é um partido de esquerda!

Alguém poderia dizer: Não há exagero nisso? Pois bem, camaradas, vamos aos fatos

O vídeo/conferência da tal Sara  foi encontrado no sitio das Forças Armadas dos EUA e, imediatamente, após ter encontrado, militantes postaram a denuncia no Facebook  Uma semana após a denúncia, feita no Brasil, o vídeo foi tirado do ar. Por sorte, copiamos algumas fotos do sítio,  postadas abaixo, já prevendo que fariam isto. Imaginem que as Forças Armadas imperialistas iriam querer atrapalhar o trabalho da agente Sara, sua aliada. 

Denúncia e fotos postados no Facebook em 24 de dezembro:
"Ao mesmo tempo em que PRESTA HOMENAGEM ÀS FORÇAS FEMININAS DA IDF - Exército de Israel- em um vídeo intitulado " Quem não gosta das mulheres da IDF" o site "Military .com." das FORÇAS ARMADAS DOS EUA, ELOGIA  SARA AL SURI, que se reivindica ativista síria e explica ao site o que está acontecendo na Síria. Quem quiser conferir veja em :http://www.military.com/
http://www.military.com/video/operations-and-strategy/battles/female-syrian-rebel-talks-conflict/1969156851001/




A primeira foto, tirada do site Millitary.com (EUA), é de uma soldado judia do exército sionistas. Como era de se esperar de um sitio das Forças Armadas do imperialismo, este tem inúmeras matérias  onde exaltam a força e determinação do Exército de Israel e de suas belas soldados. A foto da direita  foi copiada do vídeo da suposta "ativista" síria publicada amplamente na Internet.

A foto abaixo foi copiada da página inicial do Military.com (EUA) : A primeira imagem é da Campanha  de recrutamento do Exército dos EUA, logo abaixo vem a chamada do vídeo da "rebelde" síria. 





Aumentamos o tamanho da foto para que todos vejam o nome do sito indicado pela seta azul.
Na primeira semana do ano, uma semana após a denúncia ter circulado no facebook o vídeo foi tirado do ar, vejam:


Lamentamos, a página solicitada não pode ser encontrado. tente uma das seguintes opções: Utilize a caixa de pesquisa para encontrar o vídeo você está procurando ou check-out Military.com 's vídeos mais populares e vídeos em destaque . Military.comEntretenimento : Encontre o mais recente em filmes, jogos e muito mais! Confira os Mapa Entretenimentopara mais. Military.com Home Page : Confira alguns dos outros recursos em Military.com Military.comMapa : Olhando para uma página específica ou tópico? Experimente o nosso mapa do site. 

As denúncias não param por aí:
Canadense se alista no exército mercenário e diz que serão leais à Israel



Outra denúncia que desmascara a estratégia dos agentes"humanitários e democráticos", que se dizem preocupados com o povo sírio e com os palestinos,  foi publicada no insuspeito (sionista) Jornal israelense Yane news, em novembro de 2012 , onde o jornalista exalta o perfil   de uma mulher síria identificada como "rebelde" de nome Thabia Qanfani, que vivia no Canadá e se "juntou" ao  mercenário exército livre,  fala abertamente, sem travas na língua, que "Israel vai se beneficiar de nos apoiar" solicita que "Israel deve nos apoiar na luta contra Assad"e que "vamos cooperar com o diabo se ele ajudar nossa causa".
O Jornal conclui assim: " Qafani diz que os membros da oposição síria e civis que ela conheceu ""todos dizem a mesma coisaNós não somos inimigos de Israel e não vamos prejudicá-lo, ... podemos vir a ser mais leais a Israel do que Assad e seus comparsas."" 
A entrevista completa pode ser lida em http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4318384,00.html 

Para terminar, e confirmando nossas preocupações sobre a gravíssima crise dos valores marxistas e leninistas de um pequeno setor da esquerda mundial, reproduzimos abaixo um trecho do discurso de um dirigente da LIT por ocasião de um ato comemorativo:

"O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.

Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria." 

Esse trecho do discurso é esclarecedor , em todos os sentido: A caracterização de que na Líbia (África)  houve explosões revolucionárias e sua origem é a crise econômica, ascenso popular e claro, o fim dos "stalinistas". Na Líbia, em primeiro lugar, não havia crise econômica,  em segundo,  não houve nenhuma manifestação ou processo de organização de manifestações de massa, ou da classe trabalhadora e, em  terceiro, não havia nem organizações stalinistas, nem partidos comunistas desde o início da era Kadafi, mas ONGs , muitas, e redes sociais dirigidas desde o exterior. Além disso, o dirigente da LIT esqueceu de falar em seu discurso,  a única explosão  sentida pelo povo líbio não foi a revolução, e sim a explosão de toneladas de bombas da OTAN , massacrando as conquistas do povo e o próprio povo líbio (mais de 50 mil mortos). Em seu afã de provar que havia uma revolução onde, na verdade, acontecia uma contra revolução,  esqueceu também de contar que grupos de mercenários estupraram todas as mulheres que viam pela frente.  Devo dizer , que este foi um insignificante esquecimento na lógica  desses grupos.


O dirigente faz uso dos famosos e já rotineiros rótulos do tipo:  stalinistas,  castro-chavistas,  ditador Assad, sempre muito utilizados pelos que  reduzem e desejam  descartar a discussão, por que desqualifica de imediato uma opinião contrária, ou um debate franco para se chegar à compreensão dos processos ricos e complexos da realidade, não para nos gabarmos em discursos estéreis da academia, e sim  para melhor intervir na realidade, afim de transformá-la. Entretanto, neste caso, lamentavelmente, o mais importante é a disputa dos aparatos e a superfície das análises e discussões.

Quero terminar essa contribuição ao debate sobre a crise política e  moral  refletida na prática do internacionalismo proletário de parte da esquerda mundial reproduzindo o final do discurso do dirigente da LIT, onde afirma a unidade com o imperialismo e expõe uma tentativa grotesca de falsear a história com comparações escandalosamente inapropriadas historicamente:

 "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".
"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças. (texto completo pode ser encontrado no sítio dessa organização internacional)

Afirmam que continuarão na "resistência", leia-se: continuarão mantendo a unidade com o imperialismo contra o povo sírio, contra as massas árabes e o pan-arabismo, contra o bloco antimperialista e contra a Palestina Livre! Tudo, claro em, nome dos valores democráticos burgueses.

Por sorte, uma parcela significativa da esquerda mundial, a mesma que está comprometida em fazer o balanço dos muitos erros cometidos pelos soviéticos, e os próprios, em seus países de origem, está  tentando a duras penas manter o timão apontado para o marxismo-leninismo. 


De nossa parte , vamos insistir na análise marxista da realidade, vamos insistir na posição que nos dê a chance de alterar a realidade para ficar a nosso favor, a favor dos trabalhadores,  nunca contra e nunca em unidade com o inimigo!



Viva o povo da Líbia que resiste contra a barbárie prometida!


Viva a unidade do povo sírio , sua autodeterminação e soberania do Estado laico!


Viva a Palestina Livre!


Viva a unidade e a luta  pan-arábica contra o imperialismo, o sionismo, a OTAN, a UE ! 


O Inverno Árabe e os Ilusionistas Revolucionários





Por Hannes HOFBAUER (Áustria)

Uma questão nos é colocada em face das revoltas árabes: como avaliar tudo isso? A resposta exige uma visão sóbria dos eventos.

 Vamos começar com a Síria. Há quase dois anos um movimento de oposição foi formado, sendo então atropelado pela história em um tempo muito curto. Diferentes interesses internos e externos converteram insatisfação social em uma feroz guerra civil.

 Não há nenhum sinal de revolução . Toda a região está no meio de um processo de transformação territorial e econômica. E com a ajuda da  monarquia do Golfo , os estados ocidentais estão interferindo na situação em busca de vantagens. Isso é válido também para Túnis, Cairo e Trípoli, onde autocratas mais ou menos orientados secularmente foram removidos pela «cartada islâmica» como uma «reserva política». Esta «cartada islâmica» apareceu pela primeira vez na paisagem geopolítica como um parceiro dos Estados Unidos no início dos anos 1980, durante a guerra contra as tropas soviéticas no Afeganistão. Hoje, as diferentes alas políticas da Irmandade Muçulmana representam a expressão de massas mais eficaz desta «cartada islâmica».

 A percepção crítica europeia do "Arabellion" tem de ser responsabilizada por conta de dois problemas principais: o menosprezo do fator externo e a subestimação da carência de um programa econômico-social das forças revoltosas. Mas uma coisa é certa: o amplo movimento de oposição enraizada no descontentamento político e social doméstico: o sistema autocrático agravou os vários problemas sociais e o impacto social da crise econômica mundial na periferia. Este último é, claro, também devido a influências externas.

O potencial logístico e financeiro de atores externos é muitas vezes ignorado quando falamos de mobilização oposicionista ao redor do mundo. Vamos falar sobre as chamadas grandes Organizações Não-Governamentais (ONGs) primeiro: National Endowment for Democracy, National Democratic Institute, Instituto Republicano Internacional, Fundação Konrad Adenauer, Westminster Foundation... 

A grande maioria desses institutos levam o “N” de ONG injustamente. Desde que Bill Clinton apoiou grupos sérvios locais, tais como “Otpor” (“resistência”) contra os ditadores impopulares, uma verdadeira indústria de interventores da sociedade civil se desenvolveu. Essas O”N”Gs viajam de um ponto a outro enchendo suas contas de dinheiro; identificam o descontentamento local, organizam seminários e recrutam líderes de opinião que sejam simpáticos aos planos de reconstrução dos EUA e UE. Seu objetivo comum é a chamada mudança de regime. 

Onde os lutadores civis não correspondem à tarefa de conduzir adiante a democracia liberal com uma garantia suficiente para o liberalismo econômico, os meios de intervenção civis são complementados militarmente. 

Isso aconteceu (e ainda acontece) contra os dois únicos regimes seculares com remanescências socialistas, Líbia e Síria. Isso mostra abertamente a direção política das intervenções externas, quando as forças militares são usadas nos casos da Líbia e da Síria e nem mesmo são levadas em consideração nos casos da Arábia Saudita ou Iêmen.

 Uma coisa que qualquer observador do "Arabellion" poderia facilmente constatar, mas contudo é ignorada na maior parte das vezes: a falta de programa sócio-econômico das chamada "insurreição"

Bashar al-Assad estava certo quando afirmou, no início da Operação de Damasco, em janeiro de 2013,  não ver qualquer "revolução árabe”, pois uma revolução precisa de uma idéia. Essa ideia está realmente faltando.
 Agora se pode argumentar formidavelmente sobre o conceito de revolução. Se um levante merece o adjetivo de "revolucionário” não depende de quão ardente ou caótico ou planejado ele seja, mas uma revolução deve incorporar pelo menos a sua raiz etimológica latina: ela visa a uma transformação social e - como a sociedade é conduzida pela economia - econômica. Revolução deve mudar as circunstâncias sociais e econômicas. Simplesmente reformar alguns elementos políticos não traria tais circunstâncias à baila.


 Neste sentido, não há – excetuando-se  pequenos grupos relativamente insignificantes –  idéias revolucionárias na oposição árabe, com objetivo de transformar a sociedade no sentido da justiça social e econômica. Na melhor das hipóteses, um programa cultural pode ser visto, se se compreender o Islã como uma identidade cultural. Em vez de inovações revolucionárias para uma sociedade melhor, mais igualitária, a rebelião é capturada por um único pensamento consensual, que aponta para uma mudança de regime.

 Quem é o cerebro da "virada árabe", que ocorre 20 anos após a transformação da Europa Oriental? 

Depois de quase dois anos de instabilidade, pode-se ver mais e mais claramente a Irmandade Muçulmana, com todas as suas nuances e conflitos internos, lidera o projeto de transformação. Forças de esquerda e burguesas podem ter inicialmente participado das revoltas, mas não conseguiram se aproveitar da situação. Os vencedores são grupos ultraconservadores, que podem manipular as massas por meio da ideologia religiosa em vista de uma vida melhor após a morte. A propósito: não é surpreendente que as famílias líderes da Irmandade Muçulmana, por exemplo, no Egito, disponham de bons meios financeiros.

 O verdadeiro papel geopolítico da Irmandade Muçulmana parece comparável ao dos jogadores no banco de reservas, que são usados porque o autocrata foi ferido, digamos, por descrédito social. Eles são apoiados por instituições financeiras internacionais e grupos globais de capital porque estão dispostos a subordinar-se aos planos ocidentais de transformação. Seus próprios interesses econômicos como elites garantem a manutenção ou mesmo a extensão das quatro liberdades do capitalismo, que são: a livre circulação de capitais, mercadorias, serviços e (alguns) trabalhadores. 

A respeito disso, as rebeliões de Túnis ao Cairo funcionaram: em nenhum lugar estão sendo implementadas novas regulações econômicas, pelo contrário: cada um dos países que nas últimas décadas operaram com propriedades estatais e medidas para proteger os produtores locais da concorrência internacional, podendo ter navegado sob bandeiras socialistas ou nacionalistas, mas que foram de algum modo pervertidos e corrompidos. 

Após a chamada Primavera Árabe, tiveram que abrir seus mercados radicalmente e atravessam um período de difícil transição em termos de novos proprietários ... Portanto - semelhante às mudanças na Europa Oriental - uma aliança do capital operado internacionalmente e da mídia dominante foi formada. Parece ter tido sucesso até mesmo na redefinição de termos tradicionais como “revolução” e “solidariedade” como meios de transformação econômica para os participantes globais.

Postado: http://www.strategic-culture.org/news/2013/01/24/the-arab-winter-and-the-revolutionary-illusionists.html