terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

FORA BLOGUEIRA ANTICUBANA!



A blogueira anticubana Yoani Sanchez está no Brasil, a convite de uma editora e para participar da exibição de um documentário em que ela é uma das entrevistadas. Vai passar alguns dias no Brasil e depois viajar o mundo com o propósito maior de atacar as conquistas da Revolução Cubana. A moça – assim como todos os cubanos – exerceu em Cuba o direito de cursar a Universidade gratuitamente (é formada em Filologia Hispânica), tendo inclusive morado na Suíça e depois retornado ao seu país.
É conhecida como blogueira e se diz defensora dos direitos humanos, mas nunca emitiu uma palavra a favor do seu próprio país contra os criminosos embargos impostos pelos Estados Unidos, que atingem gravemente a economia e prejudicam o povo. Nada fala a respeito dos Cinco Heróis Cubanos, presos nos EUA por monitorarem as atividades de terroristas cubanos que atuavam em Miami. Nunca escreveu nas redes sociais uma linha sequer sobre a miséria humana exposta em Guantanamo.
É sustentada financeiramente por entidades, instituições e empresas internacionais para ser a mais influente opositora do regime socialista, utilizando-se das redes sociais para disseminar pelo mundo desinformação e mentiras a respeito da sociedade cubana. Tudo indica que a blogueira é financiada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entidade ligada aos golpes militares na América Latina. Uma das maneiras de remunerá-la, segundo os cubanos, é a concessão de prêmios patrocinados por instituições contrárias a Cuba.
Considerada pela mídia estrangeira como uma das personalidades mais influente em todo o mundo, ela é seguida por apenas 32 cubanos. Dentro de Cuba, portanto, a repercussão de seus comentários na internet é praticamente nula. Mesmo a sua grande influência internacional já foi contestada: Yoani segue 80 mil pessoas no Twitter, um número desproposital. O jornalista francês Salim Lamrani revelou o truque: o perfil de Yoani Sánchez no Twitter é artificialmente aumentado por cerca de 47 mil perfis falsos, usuários que sequer têm fotos de perfil, não são seguidos por ninguém, nem seguem ninguém, a não ser a própria blogueira.

Na tentativa desesperada de criar factoides contra o governo cubano, a blogueira chegou a convocar, anos atrás, vários jornalistas para uma coletiva de imprensa na qual denunciaria suposto sequestro seguido de espancamento em público, mas apareceu na coletiva sem qualquer traço de agressão no corpo, e sem ter apresentado qualquer testemunha.
Ao contrário do que tentam disseminar a blogueira e a mídia capitalista, a Revolução Cubana, com sua a ousada experiência popular, sempre buscou garantir, a partir da permanente mobilização de seu povo, conquistas que não são apenas voltadas a atender as necessidades internas de seu país, mas também ligadas à solidariedade internacionalista para com os trabalhadores e os povos de todo o mundo, estes, sim, constantemente ameaçados pelos interesses do capital internacional e do imperialismo.
Essa luta continua hoje, mais do que nunca, contra os embargos que sufocam a economia cubana e prossegue na persistência revolucionária para a manutenção e o aprofundamento da experiência socialista no país. Com autonomia e soberania, com o elevado grau de consciência que tem o povo cubano sobre seus próprios problemas, avança a batalha pela construção do socialismo: os índices de escolarização e acesso ao conhecimento são os maiores do mundo; o sistema de saúde – público e realmente universal – é referência em todo o mundo, e um dos principais “itens de exportação” cubanos são seus médicos, formados fundamentalmente para atender as populações mais necessitadas. Não há uma criança passando fome, não há desempregados nas ruas, não há pessoas expulsas da terra ou sem moradia. Todas essas conquistas foram obtidas pela Revolução Cubana, sem que Cuba necessitasse se apropriar das riquezas de outra nação, sem que precisasse travar guerras de pilhagem, tampouco escravizar qualquer povo ou país.
O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO, defensor intransigente da Revolução Cubana, se contrapõe à campanha midiática que, com a contribuição da blogueira, financiada por instituições e empresas capitalistas e recebendo o apoio da grande imprensa burguesa internacional, desinforma e distorce a imagem de Cuba socialista e das grandes conquistas de seu povo.
Viva o socialismo! Viva Cuba!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Postado do http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5515:fora-blogueira-anticubana&catid=90:solidariedade-a-cuba

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Britamgate: Encenando Ataques de falsa Bandeira na Síria

Em  22 de Janeiro um vazamento revelador caiu na Internet. O servidor da empresa Britam, trabalhando sob contrato para o ministério Britânico da Defesa foi “hackeado”e megas arquivos  classificados internos da firma foram tornados públicos. Agora o caso adquiriu a escala de um “Britamgate” devido à sua publicação no  Prison Planet. Qual é a história por detrás da fuga informativa? Porque é que este escândalo pode dar a volta à situação na Síria?



Tratemos de resumir os arquivos. O achado principal é um correio - eletrônico (mail) datado de 24 de Dezembro de 2012, enviado pelo Diretor de Departamento de Promoção de Negócios de Defesa da empresa Britam David Goulding ao dinâmico Diretor da firma Phillip Doughty, um antigo oficial da SAS ( sigla em Inglês para um ramo das forças especiais do exército inglês - NdT) :
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Phil Temos uma nova proposta. É outra vez a propósito da Síria. Os Cataris propõem um acordo muito interessante e juram que a ideia é aprovada por Washington.
Nós teríamos que fornecer uma CW em Homs, uma munição-g de tipo Soviético com origem na Líbia similar às que o Assad deverá ter.
Eles querem que nós desloquemos o nosso pessoal Ucraniano que deverá falar em Russo e fazer uma gravação de vídeo.
Sinceramente, penso que não é grande ideia mas as somas propostas são enormes. Qual é a tua opinião?
Saudações cordiais
David
Para clarificar as coisas, CW é a abreviatura standard de Chemical Weapons (Armas Químicas em inglês - NdT); ‘g-shell’ é uma bomba que consiste num projétil explosivo com uma cabeça cheia de gás venenoso.
Tomando em consideração o memorável aviso de Barack Obama que o "uso ou mesmo o translado de armas químicas pelo regime de Assad representaria uma “linha vermelha” que precipitaria uma intervenção militar", uma mensagem que ele reiterou no último mês após a eleição para o segundo mandato, a orquestrada operação,se consumada, teria providenciado um pretexto ideal para uma intervenção estrangeira na Síria. Israel propalou os mesmos avisos na última semana..
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Quem perpetraria a gravação vídeo do ataque com Armas Químicas em Homs? O texto do mail indica de forma clara que iriam usar pessoal Ucraniano da Britam para forjar os vídeos. Visualizando para baixo no ecrã um dos ficheiros hackeados encontramos dados pessoais de 58 cidadãos Ucranianos trabalhando para a firma Britam Defence Ltd no Iraque. Vários empregados podiam não estar listados já que a pasta /Iraq/People/ continha as fotocópias de passaportes de vários outros Ucranianos. Havia também alguns Sérvios/Croatas e Georgianos na listagem que poderiam ser ainda filmados como ‘Russos’..
Desde o final de Dezembro de 2012 fontes Ocidentais, Israelitas e do Golfo tem desenvolvido "rumores" acerca de ‘ tropas Russas lutando por Assad’’ e ‘‘ forças Russas tomando armas C&B Sírias sob controlo’’. O jornal do Koweit Al-Seyassah publicou recentemente um par de ‘relatórios de inteligência Ocidentais’ afirmando que ‘Assad tinha já transferido armas químicas para os terroristas’. Em 15 de Janeiro o jornal US Foreign Policy tornou público um ‘telegrama secreto do Departamento de Estado’ ( dos E.U. -NdT) concluindo que ‘os militares Sírios muito provavelmente usaram armas químicas contra o seu próprio povo num ataque mortífero no último mês’.
É quase certo estar a opinião pública a ser preparada para ‘espetaculares vídeos’ mostrando “soldados” uniformizados-à-Russa ou falando-Russo alegadamente cometendo atrocidades contra civis nas cidades Sírias ou lá espalhando gases venenosos.
Neste contexto não deveremos esquecer os relatos circulando desde o ano passado que os combatentes rebeldes na Síria tinham sido equipados com máscaras de gás e estavam decididos a encenar um ataque por armas químicas que depois seria atribuído ao regime de Assad, lubrificando as rodas, dos patins de uma intervenção militar da OTAN.
As informações a cerca do recrutamento pelos serviços especiais Ocidentais e do Médio-Oriente de militantes com características eslavas para teatralizar o papel de "mercenários" Russos alegadamente capturados pelos combatentes da oposição Síria foram divulgados pelos media Russos no meio do mês de Janeiro. Eles citaram uma fonte bem informada como tendo dito que ‘atores’ estavam a ser selecionados na Rússia, Bielorrúsia e Ucrânia. Todos deviam saber manejar armas e ser capazes de operar sistemas anti-aéreos. De acordo com o guião ( para o vídeo - NdT), eles deveriam admitir em frente às câmeras que tinham sido recrutados pelos serviços secretos da Rússia com o propósito de apoiar o exército de Bashar Assad. Também, deveriam testemunhar que tinham sido desembarcados na Síria por barcos de guerra da Rússia.
De acordo com esta fonte, tudo isto seria filmado na Turquia ou Jordânia, onde falsos cenários de cidades Sírias em ruínas tinham já sido construídos numa montagem em larga escala. O mesmo tipo de cenários foram alegadamente usados no Catar durante a guerra de desinformação conduzida contra a Líbia em 2011.
Resumindo estes dados, podemos concluir que a provocação na Síria é a única opção que resta aos fabricantes de guerras . Tendo uma informação precisa sobre a real situação na Síria e estando cientes da incapacidade do corrupto grupo rebelde conseguir qualquer mudança significativa em Damasco, nada mais podem fazer do que contratar uma companhia Britânica PSC de 2a classe para outro round de manobras sujas. Não temos qualquer dúvida que as numerosas‘ revelações’ de trágicas atrocidades cometidas pelas “ forças pró-Assad “ repetidamente colocadas no YouTube nos dois últimos anos, foram também ‘encomendadas’ pelo enorme pagamento aos antigos ‘boinas especiais’ Britânicos. O recento vazamento para a Internet merece uma investigação aprofundada e atenção ao nível mais elevado da política internacional. Está na altura ideal para BRITAMGATE ser devidamente emuldorado.
Postado do http://www.voltairenet.org/article177357.html
Tradução
Alva

FIASCO NA SÍRIA: Não há responsável em Washington



Na hora da sua retirada, a secretária de Estado Hillary Clinton defendeu o seu trabalho numa entrevista dada ao New York Times. [1]. Circunstancialmente, ela acrescentou em «off» algumas confidencias aos jornalistas que as introduziram num artigo em separado. [2].
Preocupada em conservar as suas “chances” para a eleição presidencial de 2016, ela esforçou-se em atirar a responsabilidade do seu falhanço na Síria sobre o presidente Barack Obama. Na esteira de dois anos de guerra secreta, os grupos armados encarregados de justificar uma intervenção da OTAN, depois incapazes de derrubar o regime por si mesmos, perderam a sua aura de «revolucionários» para aparecer como simples fanáticos. Vivo e dirigindo seu país, o presidente Bachar El Assad é um problema mais do que nunca incontornável. A diplomacia dos E.U. que anunciava a cada semana a «queda do tirano» saiu ridicularizada, enquanto a Rússia e a China, que a bateram por três vezes com os seus vetos, saíram como os grandes vencedores.
Tudo isto deriva, segundo a secretária de Estado cessante, de não a terem escutado devidamente. Com o seu antigo inimigo, tornado entretanto seu aliado, o director da CIA David Petraeus, ela tinha submetido à Casa-Branca, em fins de Junho de 2012, um plano de apoio militar aos grupos combatentes. Mas o presidente Obama, preocupado apenas com a sua reeleição, infelizmente rejeitou-o em proveito do Protocolo de Genebra negociado por Kofi Annan.
Ter-se-ia tratado de retomar as coisas em mão já que estavam mal orientadas pela França, pelo Reino-Unido e pelos Estados do Golfo. Estes, ainda por cima, apoiados em repulsivos jihadistas. Pelo contrário, a secretária de Estado trabalharia para «criar uma oposição legitima que teria servido, através de negociações, para deslegitimar o presidente el-Assad». Afim de reparar os erros dos outros (França, R. Unido e C.C.Golfo - NdT), ela teria pois proposto que os Estados-Unidos armassem e enquadrassem directamente os grupos combatentes.
Durante a sua audição pela Comissão das Forças armadas do Senado, o chefe de Estado-maior Martin Dempsey confirmou a existência deste plano. Ele acrescentou que o secretário da Defesa Leon Panetta e ele próprio apoiavam tal plano.
A verdade é menos poética. Partindo do princípio que ela trabalhou para derrubar o regime criando para tal «uma oposição legítima», quer dizer «democrática e multi-confessional», a Sra Clinton admite que tal oposição não existia e nem nunca chegou a existir até aos dias de hoje. Mais, ela admite que a legitimidade estava e permanece do lado do presidente el-Assad.
Tornando público que ela apresentou um plano de intervenção ao presidente Obama em Junho, ela admite que sempre se opôs ao Protocolo de Genebra. E tudo leva a crer que foi realmente ela e David Petraeus quem o sabotaram na altura. Contrariamente ao que ela declara, as preocupações eleitorais de Barack Obama não o pressionaram a rejeitar o plano, mas sim a não sancionar imediatamente os que sabotaram o Protocolo anunciado pelo comunicado de Genebra. A Casa-Branca esperou, pois, pelo dia seguinte à vitoria eleitoral para forçar o general Petraeus à demissão. Talvez também tenha (a Casa-Branca, NdT) tomado a iniciativa que se impunha para neutralizar Hillary Clinton e a manter um longo mês longe do seu gabinete.
As revelações do general Dempsey a propósito do seu apoio e do de Léon Panetta visam, também, esconder isto atrás de um biombo. Entretanto, como as responsabilidades são diferentes, eles agem de maneira diferente também. Para eles, declarar que estavam prontos a intervir mostra que não falharam e portanto não têm nenhuma responsabilidade no fiasco. Na realidade, foram eles quem, após os vetos russos e chineses, validaram a análise segundo a qual se podia derrubar o regime sírio utilizando para tal os «contras» em grande escala.
 Postado do http://www.voltairenet.org

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A invasão real da África não está nos noticiários


– Uma licença para mentir como prenda de Hollywood

por John Pilger

Uma invasão da África de grandes proporções está em andamento. Os Estados Unidos estão a instalar tropas em 35 países africanos, a começar pela Líbia, Sudão, Argélia e Níger. Isto foi informado pela Associated Press no Dia de Natal, mas ficou omisso na maior parte dos media anglo-americanos. 


A invasão pouco tem a ver com "islamismo" e, quase tudo a ver com a aquisição de recursos, nomeadamente minérios, e com um acelerar da rivalidade com a China. Ao contrário da China, os EUA e seus aliados estão preparados para utilizar um grau de violência já demonstrado no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iémen e Palestina. Tal como na guerra-fria, uma divisão de trabalho exige que o jornalismo ocidental e a cultura popular providenciem a cobertura de uma guerra sagrada contra um "arco ameaçador" de extremismo islâmico, não diferente da falsa "ameaça vermelha" de uma conspiração comunista mundial. 

A recordar a Luta pela África no fim do século XIX, o US African Command ( Africom ) construiu uma rede de pedintes entre regimes colaboracionistas africanos ansiosos por subornos e armamentos americanos. No ano passado, o Africom ensaiou a Operação Esforço Africano (Operation African Endeavor), com as forças armadas de 34 países africanos a nela tomarem parte, comandadas por militares estado-unidenses. A doutrina "soldado para soldado" do Africom insere oficiais dos EUA a todo nível de comando, desde o general até o primeiro-sargento. 

É como se a orgulhosa história de libertação da África, desde Patrice Lumumba até Nelson Mandela, estivesse destinada ao esquecimento por uma nova elite colonial negra ao serviço do mestre cuja "missão histórica", advertiu Frantz Fanon há meio século, é a promoção de "um capitalismo desenfreado embora camuflado". 

Um exemplo gritante é o Congo Oriental, um tesouro de minerais estratégicos, controlado por um grupo rebelde atroz conhecido como M23, o qual por sua vez é dirigido pelo Uganda e o Ruanda, os procuradores de Washington. 

Planeada há muito como uma "missão" para a NATO, para não mencionar os franceses sempre zelosos, cujas causas coloniais perdidas continuam em prontidão permanente, a guerra à África tornou-se urgente em 2011 quando o mundo árabe parecia estar a libertar-se dos Mubaraks e outros clientes de Washington e da Europa. A histeria que isto provocou em capitais imperiais não pode ser exagerado. Bombardeiros da NATO foram despachados não para Tunis ou Cairo mas sim para Líbia, onde Muammar Kadafi dominava as maiores reservas petrolíferas da África. Com a cidade líbia de Sirte reduzida a escombros, as SAS britânicas dirigiram as milícias "rebeldes" para o que se revelou como um banho de sangue racista. 

O povo nativo do Saara, os tuaregues, cujos combatentes berberes Kadafi havia protegido, fugiu através da Argélia para o Mali, onde os tuaregues desde a década de 1960 reivindicam um estado separado. Como destaca o sempre vigilante Patrick Cockburn, é esta disputa local, não a Al-Qaida, que o Ocidente mais teme no Noroeste da África... "por pobres que possam ser, muitas vezes os tuaregues vivem em cima de grandes reservas de petróleo, gás, urânio e outros minérios valiosos". 

Quase certamente a consequência do ataque francês/estado-unidense ao Mali em 13 de Janeiro, o cerco a um complexo de gás na Argélia que acabou de forma sangrenta, inspirou em David Cameron um momento 11/Set. O antigo relações públicas da Carlton TV enfureceu-se acerca de uma "ameaça global" que exigiria "décadas" de violência ocidental. Ele queria dizer a implementação dos planos de negócios do Ocidente para a África, juntamente com a violação da Síria multi étnica e a conquista do Irão independente. 

Cameron agora ordenou o envio de tropas britânicas para o Mali e enviou para lá um drone da RAF, enquanto o seu prolixo chefe militar, general sir David Richards, dirigiu "uma mensagem muito clara a jihadistas de todo o mundo:   não nos provoquem e não nos embaracem. Trataremos disto de forma robusta" – exatamente o que jihadistas querem ouvir. O rastro de sangue de vítimas do terror do exército britânico, todos muçulmanos, seus "sistêmicos" casos de torturas atualmente a caminho do tribunal, acrescenta ironia às palavras do general. Certa vez experimentei os meios "robustos" de sir David quando lhe perguntei se lera a descrição da corajosa feminista afegã Malalai Joya do comportamento bárbaro de ocidentais e seus clientes no seu país. "O senhor é um apologista do Taliban" foi a sua resposta (posteriormente desculpou-se). 

Estes comediantes lúgubres são extraídos diretamente [do escritor] Evelyn Waugh e permitem-nos sentir a estimulante aragem da história e da hipocrisia. O "terrorismo islâmico", que é a sua desculpa para o roubo continuado das riquezas da África, foi praticamente inventado por eles. Já não há qualquer desculpa para engolir a linha da BBC/CNN e não conhecer a verdade. Leiam Secret Affairs: Britain's Collusion with Radical Islam de Mark Curtis (Serpent's Tail) ou Unholy Wars: Afghanistan, America and International Terrorism, de John Cooley (Pluto Press) ou The Grand Chessboard de Zbigniew Brzezinski (HarperCollins) que foi o parteiro do nascimento do moderno terror fundamentalista. Com efeito, os mujahedin da Al-Qaida e os Talibans foram criados pela CIA, o seu equivalente paquistanês, o Inter-Services Intelligence, e o MI6 britânico. 

Brzezinski, conselheiro de segurança nacional do presidente Jimmy Carter, descreve uma diretiva presidencial secreta em 1979 que principiou aquilo que se tornou a atual "guerra ao terror". Durante 17 anos, os EUA deliberadamente cultivaram, financiaram, armaram e fizeram lavagem cerebral a extremistas da jihad que "saturaram de violência uma geração". Com o nome de código Operation Cyclone, este foi o "grande jogo" para deitar abaixo a União Soviética mas que deitou abaixo as Torres Gémeas. 

Desde então, as notícias que pessoas inteligentes e educadas tanto distribuem como ingerem tornou-se uma espécie de jornalismo Disney, fortalecido, como sempre, pela licença de Hollywood para mentir e mentir. Está para ser lançado o filme Dreamworks sobre a WikiLeaks, uma trama inspirada por um livro de tagarelices pérfidas de dois jornalistas do Guardian que se enriqueceram, e há também o Hora negra (Zero Dark Thirty),filme que estimula a tortura e o assassínio, dirigido pela ganhadora do Oscar Kathryn Bigelow, a Leni Riefenstahl do nosso tempo, que promove a voz do seu mestre tal como fez a realizadora de estimação do Fuhrer. Este é o espelho de sentido único através do qual nós mal vislumbramos aquilo que o poder faz em nosso nome. 
31/Janeiro/2013
O original encontra-se em http://johnpilger.com/... 
http://resistir.info/pilger/pilger_31jan13.html

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ÍCONE PALESTINA - LEILA KHALED - DENUNCIA OPOSIÇÃO SÍRIA

Graffit de Leila Khaled no muro de segregação racial construído por Israel na Palestina
RAMALLAH: (27/01/2013) Falando em um painel de discussão em Istambul, Turquia, A ÍCONE DA ESQUERDA PALESTINA, LEILA KHALED , DENUNCIOU A OPOSIÇÃO SÍRIA, argumentando que o que está ocorrendo atualmente na Síria não pode ser chamado de uma "revolução", segundo o irritado Serviço de Notícias árabes.
KHALED, MEMBRO DA FRENTE POPULAR PARA A LIBERTAÇÃO DA PALESTINA (FPLP), RECONHECEU AS "DEMANDAS LEGÍTIMAS" DO POVO SÍRIO, mas disse a oposição armada trabalha com  outra e diferente agenda. Ela sugeriu que a OPOSIÇÃO SÍRIA É PARTE DE UMA AMPLA AGENDA DE POLÍTICA EXTERNA DOS EUA NO ORIENTE MÉDIO, na qual a Turquia, Estados Árabes do Golfo, e os Estados Unidos visam garantir a segurança de Israel. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

TERRORISMO COM FACE HUMANA:

A história dos esquadrões da morte dos Estados Unidos


31.Jan.13
As forças governamentais sírias estão hoje a confrontar-se com o autoproclamado “Exército Livre da Síria” – ELS. É uma nova etapa da longa história da criação de grupos de ação destinados ao desempenho das tarefas mais sanguinárias e criminosas, nas quais o imperialismo aparentemente não suja as mãos e por cujos crimes julga que não prestará contas.
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O recrutamento de esquadrões da morte, faz parte de uma agenda da inteligência militar bem estabelecida nos Estados Unidos. Existe uma longa história de formação e apoio, dissimulado, a brigadas de terror e a assassínios de alvos políticos, que vem do tempo da guerra do Vietnam.
As forças governamentais sírias estão hoje a confrontar-se com o autoproclamado “Exército Livre da Síria” – FSA. No contexto actual isso exige focar as raízes históricas da guerra, para já encoberta, do ocidente contra a Síria, guerra essa que já resultou em inúmeras atrocidades. As raízes históricas da situação serão então aqui analisadas e apresentadas.


Desde o início, em Março de 2011, os Estados Unidos e seus aliados têm apoiado a formação de esquadrões da morte, bem como a invasão do território da Síria por brigadas terroristas. Trata-se de um trabalho organizativo, cuidadosamente planejado.


O recrutamento e o treino de brigadas terroristas, tanto no Iraque como na Síria, foram elaborados segundo o modelo da denominada “Salvador Option”, aqui traduzida como “A Opção de El-Salvador”. É um modelo terrorista para mortes e assassínios em massa, levados a cabo por um governo estabelecido. 




 Imagem: Os esquadrões da morte em El Salvador
Em El-Salvador, na América Central, o cenário configurado segundo o modelo “Salvador Option” foi implementado pelos esquadrões da morte patrocinados pelos Estados Unidos.

Esse modelo de recrutamento e treino de brigadas terroristas, por governos constituídos, foi implementado no próprio El Salvados no apogeu da resistência contra a ditadura militar no país. O resultado final foi avaliado em cerca de 75.000 mortes.

Os esquadrões da morte na Síria de hoje fazem parte desse contexto. Tendo começado em El Salvador, o modelo foi desenvolvido no Iraque. Os esquadrões da morte agora na Síria foram construídos sobre a base da história e da experiência das brigadas terroristas no Iraque. Brigadas terroristas essas patrocinadas, como foi dito, pelos Estados Unidos.
O Pentágono denominou esse seu programa de “contra-insurreição”- “counterinsurgency”.


[Definindo termos: Observar aqui a necessidade de se exigir definições rigorosas e convincentes dos termos usados:- qual é a validade de se invadir um país e depois denominar a reação dos habitantes alternadamente como insurreição, rebelião, ou mesmo “terrorismo”?]



O ESTABELECIMENTO DOS ESQUADRÕES 
DA MORTE NO IRAQUE

Os esquadrões da morte patrocinados pelos Estados Unidos foram recrutados no Iraque em 2004-2005 numa iniciativa lançada sob a direção do embaixador americano John Negroponte, que foi enviado para Bagda pelo Departamento do Estado Americano em Junho de 2004.



Negroponte era o homem certo para o trabalho, uma vez que tinha sido embaixador em Honduras de 1981 a 1985. Negroponte desempenhou um papel central no apoio e supervisão dos Contras de Nicarágua, que estavam baseados em Honduras. Ao mesmo tempo também supervisionava as atividades dos esquadrões da morte – militares- de Honduras.

“No governo do general Gustavo Alvarez Martinez, o governo militar de Honduras era tanto mais um aliado íntimo da administração de Reagan quanto mais “fazia desaparecer” numerosos opositores políticos. Isso segundo a clássica forma de trabalho utilizada por esquadrões da morte.”



Em Janeiro de 2005, o Pentágono confirmou que 
estava a considerar:

“formar esquadrões de ataque de combatentes Shiitas e Curdos para atacar líderes da resistência iraquiana. E isso segundo uma mudança estratégica oriunda da experiência da luta contra as guerrilhas de esquerda da América Central, 20 anos antes”.
Sob a denominada “Opção El Salvador” forças iraquianas e americanas deveriam ser enviadas para matar ou sequestrar líderes da insurreição, mesmo na Síria, onde alguns dos insurgentes teriam tido então abrigo. Sendo controversos estes esquadrões de ataque, deveriam provavelmente ter de ser mantidos secretos.
A experiência dos “esquadrões da morte” na América Central continua a ser para muitos uma experiência brutal, e continua ainda a contribuir para manchar a imagem dos Estados Unidos na região. Está ainda bem presente como a administração de Reagan atribuiu fundos e treinou equipas de forças nacionalistas para neutralizar os líderes rebeldes salvadorenhos, bem como os que com eles simpatizavam.
John Negroponte, o embaixador americano em Bagdad, dispunha de um local privilegiado de observação dado o seu tempo como embaixador em Honduras em 1981-85.

Esquadrões da morte era uma parte brutal da política latino-americana de então…
No começo dos anos oitenta a administração de Reagan concedeu fundos e treino aos Contras de Nicarágua baseados em Honduras, com o objectivo de derrubar o regime sandinista de Nicarágua. Os Contras foram equipados com dinheiro obtido pela venda americana, ilegal, de armas ao Irão. Foi um escândalo que poderia ter derrubado Reagan do poder.

O sentido da proposta do Pentágono no Iraque… era o de seguir esse modelo…
Não ficou claro se o objectivo principal da missão seria o de matar os rebeldes ou sequestrá-los para os levar a interrogatório no Iraque…mas.. qualquer missão na Síria seria provavelmente realizada pelas Forças Especiais dos Estados Unidos.
Também não ficou claro quem iria ter a responsabilidade pelo programa, se o Pentágono ou a Agência Central de Inteligência, ou seja, a CIA. Essas operações encobertas têm sido tradicionalmente realizadas pela CIA, de forma a não serem diretamente atribuídas à administração no poder, e dando aos responsáveis americanos a possibilidade de negar conhecimento da situação.
(El Salvador-style “death squads” to be deployed by US against Iraq militants – Times Online, January 10, 2005,– as aspas foram acrescentadas)

Enquanto o objetivo especificado da “Opção Salvadorenha para o Iraque” seria o de acabar com a resistência, na prática as brigadas terroristas patrocinadas pelos Estados Unidos envolveram-se em matanças frequentes de civis, tendo em vista o atiçar de uma violência sectária.

Por seu turno, a CIA assim como a MI6 estavam a superintender unidades da “Al Qaeda no Iraque” envolvidas em assassínios de alvos específicos e dirigidos contra a população Shiita. É importante ressaltar que os esquadrões da morte foram integrados e aconselhados, encoberta e dissimuladamente, pelas Forças Especiais dos Estados Unidos.

Robert Stephen Ford – Depois nomeado embaixador dos Estados Unidos na Síria, fazia parte da equipa de Negroponte em Bagdad durante o período de 2004-2005. Em Janeiro de 2004 foi enviado como representante americano para a cidade Shiita de Najaf, que era um foco forte do exército “Mahdi”, com o qual fez contatos preliminares.


Em Janeiro de 2005, Robert S. Ford foi nomeado Ministro Conselheiro para Assuntos Políticos – Minister Counsellor for Political Affairs- na Embaixada dos Estados Unidos, sob a direção do embaixador John Negopronte. Não fazia somente parte do círculo mais próximo e restrito de Negroponte. Era também o seu associado no estabelecimento da “Opção Salvadorenha” no Iraque. O terreno já tinha então sido preparado em Najaf, antes da transferência de Ford para Bagdad.

John Negroponte e Robert Stephen Ford foram encarregados de recrutar os esquadrões da morte iraquianos. Enquanto Negroponte coordenava as operações a partir de seu gabinete na Embaixada dos Estados Unidos, Robert S. Ford, que falava fluentemente tanto árabe como a língua turca, teve a incumbência de estabelecer contatos estratégicos com os grupos militantes Shiitas e Curdos, fora da “Zona Verde”-“Green Zone”.

Dois outros oficiais da embaixada, nomeadamente Henry Ensher – auxiliar ou adjunto de Ford, bem como um oficial mais jovem da secção política, Jeffrey Beals, tiveram um papel importante na equipe que então “falava com alguns segmentos iraquianos, incluindo extremistas”. (Veja The New Yorker, March 26, 2007). Uma outra pessoa chave na equipa de Negroponte era James Franklin Jeffrey, embaixador dos Estados Unidos na Albânia 2002-2004. Jeffrey veio a tornar-se embaixador dos Estados Unidos para o Iraque, entre 2010-2012.

Negroponte também trouxe para a equipe um de seus antigos colaboradores, o Coronel James Steele, retirado dos seus dias de apogeu em Honduras.

Durante a “Opção El Salvador” no Iraque, Negroponte teve como assistente um colega dos anos oitenta, ou seja, dos seus dias na América Central. Esse colega de Negroponte no Iraque era então o aposentado Coronel James Steele.

Steele, que recebeu em Bagdad o título de Conselheiro das Forças de Segurança Iraquianas -Counselor for Iraqi Security Forces - supervisionou a seleção e o treino dos membros da Organização Badr e do Exército Mahdi, as duas maiores milícias Shiitas, no Iraque. Isto com a intenção de tomar como alvo a direção e a rede de apoio da resistência, primordialmente Sunnita, do Iraque. Tenha sido planejado dessa forma ou não, esses esquadrões da morte ficaram rapidamente fora de controlo e iriam tornar-se a causa de morte número 1 no Iraque.

Tenha ou não sido essa a intenção inicial, o enorme número de corpos torturados e mutilados surgido todos os dias nas ruas de Bagdad foi obra dos esquadrões da morte, que por sua vez eram impulsionados por John Negroponte. E foi a violência sectária apoiada pelos Estados Unidos que levou em muito grande parte ao infernal desastre que é o Iraque de hoje.
(Dahr Jamail, Managing Escalation: Negroponte and Bush´s New Iraq Team. Antiwar.com, January 7, 2007)

De acordo com o Republicano Dennis Kucinich o coronel Steele era o responsável, pela implementação do plano em El Salvador, onde dezenas de milhares de salvadorenhos “desapareceram” ou foram assassinados, inclusive então também o Arcebispo Oscar Romero, bem como quatro freiras americanas.

Logo que foi nomeado para Bagdad, o Coronel Steele foi encaminhado para a unidade de contra-insurreição, unidade essa conhecida como o Comando Policial Especial- “Special Police Commando”, do Ministério do Interior do Iraque. (Veja ACN, Havana, 14 de Junho 2006).

Relatórios confirmam que “os militares americanos entregaram muitos prisioneiros à Wolf Brigade – o temido 2º batalhão dos comandos especiais do ministério do interior”, que estava então sob o comando do Coronel Steele. 

Os prisioneiros foram entregues para “interrogatórios adicionais”. Peter Mass do New York Times confirma que: “Soldados US, conselheiros dos EUA, observavam, sem fazer nada,” enquanto membros da “Wolf Brigade” espancavam e torturavam os prisioneiros. Os comandos do Ministério do Interior do Iraque teriam então também ocupado a biblioteca pública de Samara para a transformar num centro de detenção.
Disse Mass que uma entrevista realizada em 2005 nesse local transformado em prisão e em companhia do conselheiro militar americano da “Wolf Brigade”, o coronel James Steele, foi interrompida pelos gritos aterrorizados de um prisioneiro no exterior. Tal como consta do seu historial, Steele foi empregado anteriormente como conselheiro para ajudar a esmagar a resistência em El Salvador.” (Ibid)

Um outro notório elemento que teve um papel no programa da contra-insurreição no Iraque foi o ex-Comissário da Polícia de Nova Iorque, Bernie Kerik, que em 2007 foi presente em tribunal federal para responder por 16 acusações judiciais.


Kerik foi o enviado pela administração de Bush, no começo da ocupação do Iraque, para organizar e treinar a força policial do Iraque. Durante o seu curto mandato em 2003, Kerik – que preencheu o posto de Ministro do Interior interino - trabalhou para organizar unidades de terror dentro da Força Policial do Iraque:

Mandado para o Iraque para pôr em forma as forças de segurança iraquiana, Kerik usava a denominação “ministro interino do interior do Iraque”. Entretanto, conselheiros policiais britânicos chamavam-no de “exterminador de Bagda”, (Salon, 9 de Dezembro de 2004)

Sob a direção de Negroponte, da Embaixada dos Estados Unidos em Bagda, foi desencadeada uma onda de assassínios encobertos de civis, bem como também assassínios de pessoas entendidas como alvos. Engenheiros, médicos, cientistas e intelectuais foram alvos. O autor e analista geopolítico Max Fuller documentou em detalhe as atrocidades cometidas à sombra do programa de contra-insurreição patrocinado pelos Estados Unidos.

O surgimento dos esquadrões da morte foi primeiramente visível em Maio de 2005 quando foi informado que dezenas de corpos tinham sido depositados em terrenos baldios à volta de Bagdad. Todas as vítimas tinham as mãos presas em algemas, estavam com os olhos vedados e tinham sido baleadas na cabeça. Muitos deles mostravam sinais de terem sido brutalmente torturados.

A revelação foi suficiente para motivar a Associação de Académicos Muçulmanos – Association of Muslim Scholars, MAS -, uma conhecida e importante organização Sunita, para fazer declarações públicas nas quais acusavam as forças de segurança ligadas ao Ministério do Interior, bem como a Badr Brigade, a ex-ala armada do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque –Supreme Council for Islamic Revolution in Iraq, SCIRI -, de estar por detrás dessas mortes. Acusaram também o Ministério do Interior de estar realizando terrorismo de estado
(Financial Times).

Os Comandos Policiais bem como a “Wolf Brigade” eram supervisionadas pelo “programa de contra-insurreição” no Ministério do Interior do Iraque.

Os Comandos Policiais eram formados sob a experiência, orientação e supervisão de combatentes americanos, veteranos da contra-insurreição. Os comandos policiais iraquianos estão desde o começo conduzindo operações conjuntas com as unidades de forças de elite, altamente secretas.(Reuters, National Review Online).

James Steele foi uma figura chave no desenvolvimento dos Comandos Especiais da Polícia - Special Police Comandos - do Iraque. Foi um operacional das forças especiais do Exército dos Estados Unidos que tendo começado no Vietnam foi depois enviado para dirigir a missão militar dos Estados Unidos em El Salvador, no auge da guerra civil, no país.

Outro que contribuiu para desenvolver os Comandos Especiais da Polícia no Iraque foi Steven Casteel. O mesmo que, enquanto mais experiente conselheiro dos Estados Unidos no Ministério do Interior, descartou como “rumores e insinuações” as bem fundamentadas acusações de apavorantes violações dos direitos humanos que lhe eram apresentadas.

Tal como Steele, Casteel também ganhou considerável experiência na América Latina, no seu caso através da participação na perseguição ao barão da cocaína, Pablo Escobar, nas narco-guerras da Colômbia nos anos noventa…
O cenário da história pessoal de Casteel é importante nesse caso, porque o tipo de papel de apoio na recolha de informação e na produção de listas de morte, nas quais as suas experiências na América Latina foram então baseadas, são características do envolvimento dos Estados Unidos em programas de contra-insurreição, constituindo um elemento básico naquilo que doutra forma poderia parecer casual, ou resultante de orgias de carnificinas sem ligação entre si.

Comentários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 2005: 
Esse tipo de genocídio planificado de forma centralizada é consistente com os acontecimentos no Iraque”. É também consistente com o pouco que sabemos a respeito dos Comandos Especiais da Polícia, que foi projetada para prover o Ministério do Interior de uma força com capacidade especial de ataque”. (Departamento de Defesa dos Estados Unidos).

Max Fuller comentou, nesse contexto, que ao assumir esse papel os quartéis de Comando da Polícia se tinham tornado no centro de um comando nacional de controlo, comunicação, informática e inteligência – graças aos  Estados Unidos. (Max Fuller, op cit)

Essa preparação inicial de terreno, estabelecida sob a direção de Negroponte em 2005, permitiu a implementação das atividades pelo seu sucessor, o embaixador Zalmay Khalilzad

Robert Stephen Ford garantiu a continuidade do projeto antes da sua nomeação como embaixador dos Estados Unidos na Argélia em 2006, bem como depois do seu regresso a Bagda, em 2008, como Chefe Adjunto da Missão –Deputy Chief of Mission.

SÍRIA: “APRENDENDO PELA EXPERIÊNCIA DO IRAQUE”

A macabra versão iraquiana da “Opção El Salvador” sob a direção do embaixador John Negroponte serviu como modelo para a construção dos Contras do “Exército Livre da Síria”. Robert Stephen Ford esteve muito provavelmente envolvido na implementação do projeto dos Contras na Síria, depois da sua designação como Chefe Adjunto da Missão –Deputy Head of Mission em Bagdad, 2008.

Na Síria o objectivo era o de criar divisões faccionais entre as comunidades Sunitas, Shiitas, Curdas e Cristãs. Embora o contexto da Síria seja completamente diferente do contexto do Iraque, existem também surpreendentes similaridades no que diz respeito aos procedimentos segundo os quais as atrocidades e matanças foram e continuam sendo conduzidas.

Uma reportagem publicada pelo Der Spiegel relativa às atrocidades cometidas na cidade síria de Homs confirma um processo sectário de assassínios em massa e mortes extrajudiciais, ou seja assassínios, comparável com o conduzido pelos esquadrões da morte no Iraque, esquadrões esses patrocinados pelos Estados Unidos.

Em Homs as pessoas eram habitualmente classificadas como “prisioneiros” (Shia, Alawita) e “traidores”. Os traidores eram os civis Sunitas dentro da área urbana ocupada pelos rebeldes, que exprimissem discordância ou oposição face ao reino de terror do Exército Livre da Síria -“Free Syrian Army” – FSA:
“Desde o último verão [2011] nós executamos pouco menos que 150 homens, o que representa cerca de 20% dos nossos prisioneiros,” disse Abu Rami. 

Mas os executores de Homs estiveram mais ocupados com traidores dentro de suas próprias hostes do que com prisioneiros de guerra. “Se damos com um Sunita espiando, ou se um cidadão trai a revolução, fazemos o processo curto”, disse o combatente. De acordo com Abu Rami, “Hussein´s burial brigade” teria morto 200 a 250 “traidores” desde o começo da sublevação.” (Der Spiegel, March 30, 2012)

PROJECTO EM ANDAMENTO AVANÇADO

A preparação activa da operação síria terá sido certamente iniciada quando da chamada de Ford da Argélia, em meados de 2008, para um novo mandato na embaixada dos Estados Unidos no Iraque.
O processo exigia um programa inicial de recrutamento e treino de mercenários. Esquadrões da morte, incluindo unidades Salafistas do Líbano e da Jordânia entraram pela fronteira sul da Síria com a Jordânia em meados de Março de 2011. Muita da preparação do terreno estava já pronta antes da chegada de Robert Stephen Ford a Damasco em Janeiro de 2011.


EMBAIXADOR FORD EM HAMAS NO COMEÇO DE JULHO 2011

A nomeação de Ford como embaixador na Síria foi anunciada no começo de 2010. As relações diplomáticas tinham estado cortadas desde 2005, após o assassinato de Rafik Hariri, de cuja responsabilidade os Estados Unidos acusaram a Síria. Ford chegou a Damasco apenas dois meses antes do começo da insurreição.

O EXÉRCITO LIVRE DA SÍRIA - ELS

Washington e os seus aliados reproduziram na Síria as características essenciais da “Opção El Salvador do Iraque”, levando à criação do Exército Livre da Síria -ELS- e das suas várias fações incluindo a brigada “Al Nusra”, filiada a Al Qaeda.

Apesar da criação do Exército Livre da Síria  ter sido anunciada em Junho de 2011, o recrutamento e treino dos mercenários vindos de fora do país fora iniciado muito antes.

Em muitos aspectos, o Exército Livre da Síria é uma cortina de fumo, utilizada para enevoar e desvanecer os contornos da realidade. 

O denominado Exército Livre da Síria é apresentado pelos media ocidentais como uma entidade de boa-fé, estabelecida como resultado de defecções em massa das forças governamentais. O número das defecções, no entanto, não foi nem significativo nem suficiente para estabelecer uma estrutura militar coerente, com os devidos comandos e controlos de função.

O Exército Livre da Síria não é uma entidade militar profissional, é mais uma rede não estruturada, constituída por diversas brigadas terroristas, as quais por seu turno são constituídas por muitas células paramilitares agindo em diversas partes do país.

Cada uma dessas organizações opera independentemente. O Exército Livre da Síria, não exerce funções de controlo ou comando efetivos e isso inclui também a não efetividade nas suas ligações e contatos com as entidades paramilitares. Essas entidades paramilitares estão na sua grande parte controladas pelas forças especiais, bem como profissionais da inteligência, patrocinados pelos EUA-OTAN. Tanto as forças especiais como os profissionais da inteligência são encaixados, ou incrustados, nas alas das várias formações terroristas.

Essas forças especiais “no solo” – muitas das quais contratadas a empresas particulares de segurança, estão regularmente em contacto com EUA-OTAN, bem como também com unidades de comando da inteligência militar dos outros envolvidos. As Forças Especiais estão, muito provavelmente, também envolvidas nos ataques devastadores, muito cuidadosamente planejados, dirigidos contra as instalações governamentais, conjuntos militares e muitos outros objetivos centrais e sensíveis.

Os esquadrões da morte são mercenários recrutados e treinados pelos EUA-OTAN, e seus aliados do Golfo Pérsico, GCC. São supervisionados pelas forças especiais aliadas, bem como por empresas particulares de segurança, em contrato com a OTAN e o Pentágono. Relatórios confirmam o aprisionamento pelas forças governamentais da Síria de cerca de 200-300 contratados de firmas particulares de segurança, contratados esses que estavam integrados nas alas dos rebeldes.

A FRENTE AL NUSRA

A Frente Al Nusra - que se julga filiada em Al Qaeda - é descrita como o grupo rebelde mais eficiente na luta da oposição. Al Nusra é o grupo responsável por muitos dos maiores – high profile- ataques com bombas. O grupo Al Nusra é apresentado como um inimigo dos Estados Unidos, e está na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado.

Entretanto, as ações da Al Nusra apresentam as características, ou impressões digitais, dos treinos e das táticas paramilitares dos Estados Unidos. As atrocidades cometidas contra civis pelo grupo Al Nusra são similares àquelas cometidas pelos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA no Iraque.

Nas palavras do líder da Al Nusra, Abu Adnan, in Aleppo:- “Jabhat al-Nusra conta com veteranos sírios da guerra do Iraque entre os seus efetivos, homens que trazem perícia – especialmente na construção de dispositivos explosivos (IEDs) para a frente na Síria.”

Tal como no Iraque, a violência entre facções e limpeza étnica foi ativamente promovida. Na Síria as comunidades Alawita, Shiita e Cristãs foram alvo dos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA-OTAN. A comunidade cristã foi um dos alvos centrais no programa de assassínios.

Relatórios confirmam o fluxo de Salafistas e esquadrões da morte filiados a Al Qaeda sob os auspícios da Irmandade Muçulmana para o interior da Síria, desde o começo da insurreição em Março 2011.

Mais ainda, numa reminiscência do alistamento dos Mujahideen para combater a jihad –guerra santa - da CIA no auge da guerra União Soviética-Afeganistão, o anúncio de que a OTAN e a Turquia (the Turkish High command) tinham iniciado “uma campanha para alistar milhares de voluntários Muçulmanos nos países do Médio Oriente e no Mundo Muçulmano para lutar lado a lado com os rebeldes sírios. O Exército turco iria acolher esses voluntários, treiná-los e proporcionar a passagem dos mesmos para o interior da Síria. (DEBKAfile, NATO to give rebels anti-tank-weapons, August 14, 2011).

De acordo com o que tem sido informado, empresas particulares de segurança operando dos países do Golfo estão envolvidas no recrutamento e treino de mercenários.

Apesar de não especificamente identificados com o recrutamento dos mercenários dirigidos contra a Síria, relatórios apontam para uma criação de campos de treino no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos –UAE. Na cidade militar de Zaved – Zaved Military City, UAE, “um exército secreto está sendo construído”, operado por Xe Services, antes denominado Blackwater



O acordo da UAE para estabelecer um campo militar para treino de mercenários foi assinado em Julho de 2010, nove meses antes dos furiosos ataques contra a Líbia e a Síria.

Segundo desenvolvimentos recentes, empresas de segurança a contrato com a OTAN e o Pentágono estiveram envolvidas no treino dos esquadrões da morte no uso de armas químicas.

“Os Estados Unidos e alguns aliados europeus estão a utilizar contratados da defesa para treinar os rebeldes sírios na forma de garantir o aprovisionamento de armas químicas na Síria, segundo informaram domingo a CNN um oficial sénior dos Estados Unidos e diversos diplomatas.” (CNN Report, December 9, 2012)

Os nomes das companhias envolvidas não foram revelados.

ATRÁS DE PORTAS FECHADAS NO DEPARTAMENTO DE ESTADO-US

Robert Stephen Ford fazia parte de uma pequena equipe no Departamento do Estado Americano que supervisionava o recrutamento e treino de brigadas terroristas, conjuntamente com Derek Chollet e Frederic C. Hof, um ex-associado de negócios de Richard Armitage, que serviu como “coordenador especial” de Washington em assuntos da “Síria”. Derek Chollet foi recentemente nomeado para a posição de “Assistant Secretary of Defense for International Security Affairs” (ISA)- [Secretário Auxiliar da Defesa para Assuntos de Segurança Internacional]

Essa equipe trabalhou sob a direção do ex- Secretário de Estado Auxiliar para Assuntos do Próximo Oriente –Near Eastern Affairs -, Jeffrey Feltman.

A equipa de Feltman estava em contacto próximo com os processos de recrutamento e treino dos mercenários da Turquia, Qatar, Arábia Saudita e Líbia (cortesia do regime pós-Khadafi, que despachou 600 tropas da “Libya Islamic Fightin Group”-LIFG para a Síria, via Turquia, nos meses a seguir o colapso do governo de Kadhafi, em Setembro 2011).

O Secretário do Estado Auxiliar, Feltman, esteve em contacto com o Ministro do Exterior Saudita, o Príncipe Saud al Faisal , e o Ministro do Exterior de Qatar, Sheik Hamad bin Jassim. Esteve encarregado do gabinete para “coordenação especial de segurança” relacionado a Síria e baseado em Doha. Esse gabinete incluía representantes das agências de inteligência do ocidente, assim como do GCC e representantes da Líbia. O Príncipe Bandar bin Sultan, um proeminente e controverso membro da inteligência Saudita fazia parte desse grupo. (Veja Press TV, May 12, 2012).

Em Junho de 2012, Jeffrey Feltman foi designado UN Under-Secretary-General for Political Affairs, uma posição estratégica que na prática consiste em influenciar a agenda da ONU (em favor de Washington) em assuntos relativos a “Resolução de Conflitos” em vários focos de problema à volta do globo. Isso inclui Somália, Líbano, Líbia, Síria, Iémen e Mali. Numa amarga ironia, os países em agenda para a “resolução de conflitos” da ONU são aqueles mesmos que têm sido e são alvos das operações, encobertas, dos Estados Unidos.

Original :Global Research, 2013-01-04
http://www.globalresearch.ca/terrorism-with-a-human-face-the-history-of-americas-death-squads/5317564

Tradução: Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa