sábado, 22 de dezembro de 2012

Síria: Quais são as verdadeiras intenções dos Estados Unidos?

por Amin Hoteit [*]

 
 


Todo observador que se interessasse pelo comportamento do Estados Unidos quando às suas verdadeiras intenções em relação à Síria deparar-se-ia com uma série de indicações contraditórias.

Com efeito:

I. Por um lado, eles forçam o prosseguimento das operações terroristas enquanto ao mesmo tempo impedem o diálogo com as autoridades legítimas do país em que desejariam mudar radicalmente as personalidades e as orientações políticas. Eis porque eles têm trabalhado para:

1) Substituir às pressas o "Conselho de Istambul" (ou CNS) por uma pretensa "Coligação da oposição síria", cozinhada por Washington e dominada claramente pelos Irmãos Muçulmanos em todos os seus escalões.

2) Oficializar esta Coligação recém criada como representante legítima do povo sírio trabalhando pelo seu reconhecimento pelos países aliados; o que doravante já é coisa feita, após a reunião dos "Inimigos da Síria" em Marraquexe.

3) Formar um "Alto conselho militar" para manter um domínio sobre as operações desestabilizadoras fazendo, também aí, pender a balança para o lado do Irmãos Muçulmanos pela exclusão de duas categorias de combatentes irregulares: a primeira designada como "terroristas na dependência da Al Qaida", a segunda constituída por "aqueles que desconfiam dos Irmãos Muçulmanos e recusam a ideia da sua dominação sobre a Síria".

4) Recuar na sua decisão pública de não armar os grupos de opositores para se empenhar, também publicamente, em financiá-los e armá-los directamente a partir dos EUA e da Europa.

5) Multiplicar os encontros dos chamados "Amigos do povo sírio", o famoso fórum político reunindo todos aqueles que consentiram em marchar com os EUA para demolir a Síria independente e ali instalar um governo sob as botas do Ocidente, ele próprio enfeudado aos EUA.

6) Fazer instalar os mísseis Patriot na fronteira síria, história destinada a significar que só a solução militar é retida e que a NATO está finalmente prestes a intervir.

7) Encorajar os bandos armados a intensificarem suas operações terroristas sobre o terreno e conseguir assim radicalizar a oposição contra as autoridades sírias.

II. Por outro lado, eles dão a entender que doravante estão prontos a encarar uma solução política que não afastaria nenhum dos protagonistas, incluindo as autoridades legítimas do país, sob a égide do Presidente Al-Assad que eles foram incapazes de desqualificar apesar de dois anos de provocações, de manobras e de agressões. E ei-los partidos para pretensas negociações pacíficas dentre as quais observamos:

1) A última reunião tripartida efectuada a 9 de Dezembro em Genebra entre o ministro dos Negócios Estrangeiros adjunto da Rússia, Mikhail Bogdanov, o secretário de Estado adjunto americano, William Burns, e o representante especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi; a qual encerrou-se com um comunicado deste último estipulando "que uma solução política para a crise ainda é possível e que ela será realizada com base no acordo de Genebra de 30 de Junho último".

2) O empenhamento assumido para encarregar peritos russos e americanos de trabalharem na busca das modalidades operacionais para uma tal solução pacífica.

3) A distinção dos grupos armados operando na Síria entre "terroristas" que os EUA não caucionariam e "opositores" que eles apoiariam; seguida a 11 de Dezembro pela decisão de inscrever o grupo "Jabhat al-Nusra", tendo provado a sua "liderança" devastadora, na lista das organizações terroristas internacionais.

4) A redução do nível da representatividade estado-unidense na quarta reunião dos "Inimigos da Síria", a 12 de Dezembro em Marraqueche, nem que seja pela ausência de Hillary Clinton.

5) O laxismo aparente na instalação dos mísseis Patriota, os quais serão finalmente posicionados à distância da fronteira síria.

6) O recuo nas alegações mentirosas quanto ao recurso à utilização de armas químicas pretensamente encarada pelas autoridades sírias, por ausência de provas concludentes em favor de uma tal intenção.

7) A garantia reiterada de que nem os Estados Unidos, nem o Ocidente em geral, haviam tomado a decisão de uma intervenção militar na Síria.

III. Estas contradições, que não deixaram de suscitar a indignação dos ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, sobre quando eles declararam reconhecer a "Coligação da oposição síria" como a representante legítimas do povo sírio [declaração de Obama na véspera da Conferência de Marraquexe aquando de uma entrevista à BBC] e convidaram seu presidente recém eleito a comparecer em Washington, levantam a questão de saber quais são as suas verdadeiras intenções, ou antes, quais são os meios de que ainda poderiam dispor para alcançar o seu fim. Para responder a estas questões, é necessário recordar os dados fundamentais estabelecidos após 21 meses de agressão incessante contra o Estado e o povo sírios:

1) A incapacidade dos Estados Unidos e de todos os seus aliados para derrubar o governo sírio, sem uma intervenção militar directa tornada quase impossível, ou para o prosseguimento da guerra indirecta por terrorismo interposto e travada por grupos armados, financiados e treinados por forças que lhes estão enfeudadas.

2) O esgotamento dos alvos sírios a destruir, agora que máquina infernal dos EUA matou e destruiu tudo aquilo que podia atingir como infraestruturas económicas e sociais; estando o que escapou imunizado e relativamente fora de alcance.

3) A combatividade, a unidade, a disciplina e a tenacidade do Exército sírio, capaz de prosseguir seu combate defensivo e de impedir os grupos armados de manter suas posições pretensamente libertadas.

4) A rejeição dos insurrectos e dos terroristas pelo povo sírio, algumas categorias do mesmo chegaram até a reclamar e obter armas para a defesa da sua terra estes "estrangeiros"; razão suplementar que torna difícil, mesmo impossível, a manutenção dos grupos armados nas regiões momentaneamente ocupadas ou a ocupar.

IV. De tudo isto que antecede, podemos compreender e imaginar a posição dos EUA face à dita "crise síria", posição fundamentada sobre os seguintes elementos:

1) A convicção de que o governo sírio permanecerá nas suas posições qualquer que seja a intensificação criminosa (ocidental) da "sua máquina de matar" e que o prosseguimento da acção armada não conduzirá senão a mais mortes e destruições sem mudar nada nos resultados político e estratégico.

2) A ausência de garantia quanto à manutenção futura das actuais alianças anti-sírias, sobretudo se o incêndio se propagasse numa região correspondente em grande parte às suas zonas de influência, a começar pelos países do Golfo e a Turquia. O príncipe Talal bin Sultan não declarou que a Arábia Saudita seria a próxima vítima da "pretensa Primavera árabe"? E Davudoglou não encareceu, na Conferência de Marraquexe, que a situação síria é uma ameaça para os países vizinhos? Em consequência, os dirigentes dos EUA deveriam ter compreendido bem que o que eles poderiam obter hoje pela negociação em grande parte lhes fugiria se a adiassem!

3) A necessidade continuar a trabalhar com os Irmãos Muçulmanos enquanto aliados preferenciais, envoltos em bandeiras islâmicas mas submetidos aos seus diktats.

Eis porque não vemos contradições no comportamento dos Estados Unidos, mas antes uma certa complementaridade que lhes permitiria lançar as bases de uma solução momentaneamente satisfatória, uma vez que doravante estão condenados a negociar.

Já seria um êxito posicionar um novo poder reservando postos chave a Irmãos Muçulmanos, uma vez que se verifica dificilmente realizável que uma maioria do povo sírio lhes permita monopolizá-lo através das urnas. Assim, dispondo do seu direito de veto, os EUA poderia, no mínimo, desactivar não importa qual decisões futura que fosse contra os seus interesses. Daí a utilidade da "Coligação dos irmãozinhos opositores" e do Alto comando militar dos mesmos irmãozinhos... Pelo menos partilhar um poder que no imediato não se pode dominar com exclusividade!

Em consequência, dizemos muito simplesmente que a "solução negociada" desejada pelos dirigentes dos EUA é não ter em conta a vontade de uma grande maioria do povo sírio e da sacrossanta democracia, uma solução que garantiria aos Irmãos Muçulmanos o poder de decisão, mesmo se as urnas decidissem outra coisa.

Para aí chegar, os EUA não estão prestes a abandonar nem pressões políticas nem operações militares criminosas e isto num prazo que parece ter sido fixado até à próxima Primavera sem qualquer revisão!
20/Dezembro/2012


[*] Libanês, analista político, perito em estratégia militar e general de brigada na reserva.

O original encontra-se em Sham Times e a versão em francês em www.legrandsoir.info/...


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A guerra santa fabricada na Síria


16/12/2012, Patrick CockburnThe Independent, UK (de Damasco)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

É um dos vídeos mais horrendos da guerra na Síria. Mostra a degola de dois homens, por rebeldes sírios; um dos degoladores é uma criança. Golpeia com uma machadinha o pescoço de um homem de meia idade, obrigado a deitar-se na calçada com a cabeça sobre um bloco de concreto. No final do filme, um miliciano, aparentemente do Exército Sírio Livre, ergue pelos cabelos as cabeças decepadas, em triunfo.

O filme está sendo visto pelos sírios, em YouTube, reforçando os medos locais de que a Síria esteja reproduzindo o naufrágio do Iraque, no mesmo tipo de guerra que ali se viu nos anos que se seguiram à invasão norte-americana de 2003. Reforça a ideia, entre as minorias sírias muçulmanas não sunitas, e entre sunitas associados ao governo, como soldados e funcionários públicos, de que não haverá futuro seguro para eles na Síria, caso os rebeldes vençam. Numa das versões daquele vídeo – há várias versões em circulação – os homens degolados são identificados como funcionários públicos, da comunidade de 2,5 milhões de alawitas, a seita xiita na qual se incluem o presidente Bashar al-Assad e o núcleo de seu regime. A degola, tão orgulhosamente filmada pelos degoladores, pode bem convencer os alawitas de que não lhes resta alternativa e têm de lutar até a morte.

Frente terrorista al-Nusra (braço da al-Qaeda) apoiada pelos EUA
O vídeo desmascara uma espantosa contradição que há no coração da política dos EUA e aliados. Semana passada, 130 países reconheceram a Coalizão Nacional de Forças Revolucionárias e da Oposição Síria como representante legítima do povo sírio. Mas, ao mesmo tempo, os EUA denunciaram a Frente al-Nusra, principal força efetiva de guerra dos rebeldes, como afiliada à al-Qaeda e organização terrorista. Paradoxalmente, os EUA e o governo sírio fazem praticamente as mesmas acusações de terrorismo contra a al-Nusra. O ridículo é ainda maior, agora que tantos estados reconheceram a Coalizão Nacional como representante legítima, porque nada garante que os rebeldes, dentro da Síria, aceitem a tal Coalizão como sua representante. Multidões ensandecidas, em áreas ocupadas pelos rebeldes no norte da Síria, na 6ª-feira passada, cantavam “Todos somos al-Nusra” – em manifestação contra a decisão dos EUA.

Nadim Houry
Vídeos distribuídos por YouTube têm papel central na guerra de propaganda que incendeia a Síria e é preciso investigar a autenticidade e a origem de cada vídeo. No caso do vídeo da degola, os detalhes são muito convincentes. Nadim Houry, vice-diretor da ONGHuman Rights Watch no Oriente Médio e Norte da África, examinou detalhadamente o vídeo, para identificar as circunstâncias do fato, os degoladores e o local onde o vídeo foi filmado. Não tem dúvidas de que é autêntico; e disse que tudo sugere que a degola tenha acontecido em Deir el-Zhor (no leste da Síria). Mas moradores de uma área próxima, ao norte, de Homs insistem em que aconteceu ali. As vítimas não foram identificadas. O vídeo foi exibido pela primeira vez dia 26/11, em noticiário da rede Sama de televisão, pró-governo, mas continuava a ser visto pelo YouTube em toda a Síria, durante toda a semana passada.

O filme começa mostrando dois homens de meia idade algemados juntos, sentados num banco, numa casa, cercados pelos captores, que às vezes os esbofeteiam e espancam. Em seguida, são levados para a calçada. Um homem de camisa preta é puxado pelas mãos e chutado até cair com a cabeça sobre um bloco de concreto. Um menino, que aparenta ter 11 ou 12 anos, golpeia o pescoço do homem com uma machadinha, mas não consegue separar a cabeça. Um homem, depois, conclui o trabalho e decepa a cabeça. O segundo homem, de camisa azul, também é forçado a deitar-se, com a cabeça sobre um bloco e é degolado. As cabeças são erguidas frente à câmera e, em seguida, postas sobre os cadáveres. O menino sorri, fazendo pose ao lado do cadáver sem cabeça.

O vídeo dessa execução é muito semelhante a outros que a al-Qaeda filmava e distribuía no Iraque, para demonstrar que não tinha piedade dos inimigos. Nem chega a surpreender que vários dos homens mais experientes da Frente al-Nusra vangloriem-se de, até recentemente, terem combatido contra o governo predominantemente xiita do Iraque – parte da franquia local da al-Qaeda. A agenda, naquele caso, era absolutamente sectária, e todos manifestaram entusiasmo muito maior por massacrarem xiitas, quase sempre com bombas detonadas no centro de multidões, em mercados ou em praças em frente a mesquitas, do que por combaterem norte-americanos ocupantes.

O levante sírio, que começou em março de 2011, nem sempre foi tão sangrento, nem tão claramente controlado pelos sunitas, que constituem mais de 70% da população síria, de 23 milhões. De início, as manifestações foram pacíficas, e as principais demandas dos manifestantes visavam a governo democrático e respeito aos direitos humanos, contra governo violento, arbitrário e autocrático. Muitos sírios ainda dizem que o movimento contra o governo ainda é, até hoje, o traço central do levante, mas há abundantes provas de que o movimento já desliza na direção de converter-se em guerra santa, com traços do fundamentalismo islamista mais sectário.

O vídeo da degola é a mais clara comprovação visual de que a radicalização religiosa aprofunda-se cada vez mais entre os rebeldes, mas não é a única. Outro vídeo recente mostra milicianos do Exército Sírio Livre incendiando e depredando uma  husseiniyah (casa de estudos religiosos e reuniões, semelhante às mesquitas) xiita em Idlib, no norte da Síria. Cantam hinos religiosos de vitória, enquanto incendeiam o prédio e estandartes e estampas usados nas procissões religiosas dos xiitas.


Mesquita Sayyida Zeinab em Damasco
Se o Exército Sírio Livre repetisse esse tipo de ataque em algum grande templo dos xiitas, como a mesquita Sayyida Zeinab em Damasco, à qual no passado sempre acorreram milhões de peregrinos iranianos e iraquianos, e que, hoje, está quase completamente cercada por rebeldes, certamente provocariam uma explosão de ódio e intolerância religiosa entre sunitas e xiitas em todo o Oriente Médio. Observadores iraquianos têm alertado para o fato de que foi a destruição do santuário xiita em Samarra, norte de Bagdá, por bomba da al-Qaeda, em 2006, que detonou uma guerra sectária que fez dezenas de milhares de mortos.

Bashar al-Assad
Essa analogia com o Iraque é fator que muito preocupa os governos dos EUA e da Grã-Bretanha. Os dois governos e seus aliados temem repetir, na Síria, os erros desastrosos que as forças de ocupação cometeram no Iraque. Em termos ideais, esses governos querem mudar o regime, derrubar Bashar al-Assad e as atuais lideranças, mas não querem desmontar completamente a máquina burocrática de governo, nem introduzir qualquer mudança revolucionária, como fizeram em Bagdá, quando transferiram o poder, à força, de sunitas para xiitas e curdos. Esse erro provocou furiosa contrarreação dos Baathistas e sunitas que se viram economicamente empobrecidos e marginalizados.

Washington quer ver-se livre de Assad, mas não está conseguindo controlar o tigre revolucionário sunita. As potências ocidentais sempre sonharam com promover uma divisão dentro da elite sunita, mas, até agora, não se vê sinal de que isso esteja acontecendo. “Se se tomam as deserções, para avaliar a coesão política, então não há divisão alguma, porque, até hoje, não houve deserções realmente importantes” – disse um diplomata em Damasco.

A Síria de hoje faz lembrar o Iraque também em outro aspecto perturbador. Já estou há dez dias em Damasco e, todos os dias, vejo provas de que a situação em áreas da Síria que visitei é absolutamente diferente do que o mundo vê, seja através do que dizem líderes estrangeiros, seja pelo que diz a imprensa-empresa global.

A última vez em que tive essa impressão, assim tão clara, foi em Bagdá, no final de 2003, quando todos os iraquianos com quem eu falava já sabiam que a ocupação comandada pelos EUA era absoluto desastre, ao mesmo tempo em que George W Bush, Tony Blair e praticamente toda a imprensa-empresa global insistia em pintar um quadro de progresso rumo à estabilidade e à democracia, sob a sábia inspiração de Washington e de seus cúmplices iraquianos selecionados a dedo.

Anders Fogh Rasmussen
A imagem da Síria que se vê no exterior mostra os rebeldes cercando a capital, com o governo de Assad usando seus últimos trunfos, já antevendo a derrota para dentro de algumas semanas, poucos meses, no máximo. O secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen disse, semana passada, que o regime “aproxima-se do colapso”.

A imprensa-empresa mundial exibe perfeito consenso, segundo o qual os rebeldes estariam avançando em todas as frentes, e a vitória estaria ao alcance da mão. Nada mais falso. Quando alguém chega a Damasco, descobre rapidamente que os sírios bem informados e os diplomatas dizem que, ao contrário, os recentes avanços rebeldes na capital já foram destruídos pela contraofensiva do Exército Sírio.

Para todos esses, os avanços territoriais dos rebeldes, apresentados no ocidente como sinal de que o governo sírio estaria implodindo, são explicáveis, pelo menos em parte, por uma nova estratégia do Exército Sírio, que optou por se retirar de pontos nos quais a defesa é mais difícil, para concentrar forças nas maiores cidades.

Vez ou outra, Damasco ouve fogo de artilharia ou a explosão de um carro-bomba. Mas a cidade absolutamente não está sitiada. Dirigi para o norte, 160 km até Homs, terceira maior cidade da Síria, com população de 2,3 milhões, absolutamente sem qualquer dificuldade. Homs, onde nasceu o levante, está sob controle do Exército Sírio, exceto um bairro, a Cidade Velha, onde se concentram milícias do Exército Livre. Pontos nos quais se concentravam essas milícias, em Damasco, foram bombardeados pelo Exército Sírio, e a maioria dos habitantes fugiram para outros bairros da capital.

O diretor do hospital militar Tishreen (1.000 leitos), que recebe doentes de grande parte do sul do país, disse-me que o hospital está recebendo 15-20 soldados feridos por dia, com cerca de 20% de mortes. Esses números indicam ação de atiradores, assassinatos e emboscadas em pequena escala, mas não sugerem luta que se encaminhasse para o fim.

Nada disso implica que o governo sírio esteja em posição confortável. Nãoconseguiu ainda retomar Aleppo, no sul; nem a Cidade Velha, em Homs. Não tem tropas suficientes para manter permanentemente nas áreas retomadas de Damasco. Em termos gerais, a posição diplomática e militar do governo de Assad está, sim, sendo corroída lentamente, e aumentam as dificuldades. Mas isso não significa que esteja derrotado, ou próximo da derrota – exceto, claro, se houver intervenção direta da potências ocidentais, como aconteceu no Iraque e na Líbia; mas nada disso parece viável, hoje.

Todas as distorções na informação que se divulgam sobre a Síria são alimentadas pela propaganda, mas, muito mais, pelos relatos imprecisos, tendenciosos e viciosos da imprensa-empresa ocidental, cujo viés contra o governo e a favor dos rebeldes é o maior que o mundo jamais viu, desde o auge da Guerra Fria. Relatos tendenciosos fazem crer que os rebeldes tenham muito mais força ou que sejam muito mais populares do que de fato têm e são. Em parte, a responsabilidade por isso cabe ao governo sírio – que impede a entrada de jornalistas no país, exceto uns poucos. Assim, o regime criou um vácuo de informação que o inimigo, evidentemente, ocupa rapidamente.

Nesse contexto, a opinião pública mundial só tem acesso a relatos falsos, que têm objetivos propagandísticos muito evidentes, sobre os eventos na Síria, construídos e distribuídos por uma imprensa-empresa simplória e crédula, que usa,  sem verificar, as informações que lhe chegam de fontes pró-oposição, como se daí pudesse sair alguma informação objetiva, a ser divulgada como jornalismo objetivo.

O caso do vídeo da degola é exemplar. Não encontrei um único sírio, em Damasco, que não tivesse assistido àquele vídeo. É documento que está influenciando profundamente o modo como os sírios pensam o próprio futuro. Mas não foi noticiado nem comentado por nenhum veículo da imprensa-empresa global (fora da Síria). Não há dúvidas de que é horrendo. Não há dúvidas de que a selvageria naturalizada é repulsiva. Mas não são essas as razões pelas quais o vídeo está sendo ocultado da opinião pública. O vídeo não foi exibido porque, só ele, basta para desmentir grande parte do que dizem os líderes mundiais e os veículos da imprensa-empresa global, sobre o que acontece por aqui. 

Postado: http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/12/patrick-cockburn-siria-afunda-numa.html

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Connecticut: As lágrimas do crocodilo Obama

 presidente americano, Barack Obama, chorou ao receber a notícia do estúpido massacre na cidade de Newtown, em Connecticut, onde na sexta-feira um jovem norte-americano, Adam Lanza, de 20 anos, matou 26 pessoas em uma escola primária, sendo 20 crianças de 6 e 7 anos, além de sua mãe, morta minutos antes da chacina na própria casa. 
Na televisão, em cadeia nacional, Barack Obama verteu lágrimas como um verdadeiro crocodilo. Como é possível chorar pelas 20 crianças covardemente assassinadas em Connecticut e ao mesmo tempo ordenar a matança – ou apoiar - de milhares de crianças no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, Palestina, Síria, entre outros países?


Postado:http://www.marchaverde.com.br/2012/12/connecticut-as-lagrimas-do-crocodilo.html

sábado, 15 de dezembro de 2012

O golpe da "ameaça" síria com WMDs ( Armas de Destruição em Massa)


O papel conivente dos mídia na propaganda de guerra

Não seremos enganados outra vez?

por David Edwards


Cena da guerra contra a Síria.
Quando se lê acerca de crimes de estado ao longo de muitos anos, é tentador tentar compreender a mentalidade dos líderes políticos. O que se passa realmente nas suas cabeças quando ordenam sanções que matam centenas de milhares de crianças? O que estará nos seus corações quando travam guerras desnecessárias que estilhaçam milhões de vidas? Serão eles desesperadoramente cruéis, descuidadamente estúpidos? Imaginam eles que estão a viver numa espécie de inferno onde atos monstruosos têm de ser cometidos para evitar resultados ainda piores? Serão eles indiferentes, centrados nos seus ganhos políticos e econômicos a curto prazo? Serão eles moralmente resignados, sentindo-se como essencialmente impotentes face a forças políticas e econômicas invencíveis ("Se eu não fizer isto, algum outro o faria".)?

Perguntas semelhantes vêm à mente quando os governos dos EUA e Reino Unidos, mais uma vez, levantam o espectro de "armas de destruição em massa" (WMD) para demonizar um alvo para a "mudança de regime", desta vez na Síria. O que realmente se passa nas mentes de pessoas que sabem exatamente que a mesma trama foi denunciada como uma fraude cínica há apenas uns poucos anos atrás? Será que vêm o público com desprezo? Estarão a rir-se de nós? Estarão a jogar a única carta que consideram disponível para eles; uma carta que sabem que funcionará de modo imperfeito mas que tem de ser jogada?

Nos EUA, a NBC comentou:
"Responsáveis dos EUA contam-nos que os militares sírios estão prontos esta noite a utilizar armas químicas contra o seu próprio povo. E tudo o que precisariam é a ordem final do presidente sírio, Assad".
O observador dos meios de comunicação estado-unidenses Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR) perguntou : "Então de onde vem esta nova informação?" A resposta familiar e agourenta: "De responsáveis anônimos do governo a falarem para jornais como o New York Times ". Isto, por exemplo:
"Responsáveis da inteligência ocidental dizem que estão a colher novos sinais de atividade em sítios na Síria que são utilizados para armazenar armas químicas. Os responsáveis estão incertos sobre se as forças sírias podem estar a preparar-se para utilizar as armas num esforço final para salvar o governo ou simplesmente a enviar uma advertência ao Ocidente acerca das implicações de proporcionar mais ajuda aos rebeldes sírios.

"Sob certos aspectos é semelhante ao que fizeram antes", disse um alto responsável americano, falando na condição de anonimato ao discutir questões de inteligência. "Mas eles estão a fazer algumas coisas a sugerir que pretendem utilizar as armas. Não é apenas movimentação. Estas são diferentes espécies de atividade". (Michael Gordon, Eric Schmitt, Tim Arango, 'Flow of arms to Syria through Iraq persists, to US dismay,' New York Times, December 1, 2012)
A FAIR comentou:
"Na ausência de qualquer novo pormenor, isso pareceria um estranho padrão de confirmação... Mas a atitude teatral – imagens de satélite, fontes anônimas  falação acerca de armas de destruição em massa e assim por diante – recorda obviamente a preparação para a Guerra do Iraque".
Assim é, na verdade. Em 26 de Maio de 2004, o New York Times publicou um humilde mea culpa intitulado: "The Times and Iraq". Os editores comentaram então:
"Editores a vários níveis que deveriam ter estado a desafiar repórteres e pressionar por mais cepticismo foram talvez demasiado precipitados ao verterem tudo no jornal".
Em consequência, o jornal publicou uma "Política de fontes confidenciais de notícias" , a qual incluía:
"Em qualquer situação em que citamos fontes anônimas  pelo menos alguns leitores podem suspeitar que o jornal está a ser utilizado para transmitir informação corrompida ou defesas especiais. Se o ímpeto pelo anonimato teve origem na fonte, nova investigação é essencial para satisfazer o repórter e o leitor de que o jornal procurou a notícia completa". (Confidential News Sources, New York Times, February 25, 2004)
Evidentemente, tudo isto foi esquecido.

As mesmas afirmações acerca de WMD sírias foram também despejada nas mídias  do Reino Unido. Um artigo principal em 5 de Dezembro em The Times intitulava-se: "O arsenal de Assad". A primeira linha do editorial:
"O fortificado regime sírio pode estar a preparar-se para utilizar armas químicas. Isso seria uma catástrofe; deve ser impedido, custe o que custar".
Como sempre, os editores de Rupert Murdoch – e, sem dúvida, o patrão espreita sobre os seus ombros – lamentosamente declaravam que a "intervenção" militar ocidental pode vir a ser a única resposta: "também devemos esperar que os EUA e seus aliados tomariam qualquer ação que fosse considerada necessária para impedir o desastre humano e moral que seria causado pelo regime sírio ao tentar a sua saída final numa nuvem de gás mostarda".

A guerra, para o Ocidente, agora é tão normal quanto o ar que respiramos. Obviamente é a tarefa do Ocidente, com o seu historial ensopado em sangue, salvar os povos do mundo de tiranias que acontece estarem a obstruir seus objetivos estratégicos.

Em Novembro de 2002, quando a guerra se avizinhava do Iraque, The Times relatava:
"O presidente Saddam Hussein tem estado a tentar comprar de fornecedores turcos até 1,24 milhão de doses de atropina, um derivado da beladona.

"Este produto tem um vasto campo de aplicações médicas mas também protege o corpo de agentes sobre os nervos que podem paralisar as suas vítimas e matá-las em apenas dois minutos". (Elaine Monaghan, 'Iraq move increases chemical war fear,' The Times, November 13, 2002)
Em 2010, The Times publicou a afirmação de que o Irão pretendia desenvolver um "disparador" para uma arma nuclear. O jornalista de investigação Gareth Porter informou :
"A inteligência dos EUA concluiu que o documento publicado recentemente pelo Times de Londres... é uma fabricação, segundo um antigo responsável da Central Intelligence Agency".
O especialista em contra-terrorismo Porter, comentou Philip Giraldi, tinha em mente:
"A cadeia de Rupert Murdoch tem sido utilizada amplamente para publicar inteligência falsa dos israelenses e ocasionalmente do governo britânico".
Em Abril de 2011, The Times relatou da Líbia:
"Há temores crescentes de que o coronel Kadafi possa utilizar stocks suspeitos de armas químicas contra [Misrata]... Também há temores de que o coronel Kadafi tenha stocks de gás de nervos no deserto ao Sul da cidade de Sabha". (James Hider, 'Amid rigged corpses and chemical weapon threat, city fears for its life,' The Times, April 27, 2011)
Não importa, The Times ainda pode ver uma "intervenção" estilo Líbia na Síria. The Guardian relata esta semana:
"Chefes militares da Grã-Bretanha prepararam planos de contingência para proporcionar aos rebeldes sírios poder marítimos, e possivelmente aéreo, em resposta a um pedido de David Cameron, disseram altas fontes da defesa segunda-feira à noite".
O governo do Reino Unido está a planejar combater com "rebeldes" apesar da prova clara de crimes de guerra e do envolvimento de numerosos mercenários estrangeiros armados e financiados por tiranos regionais. O governo sírio também é acusado de crimes espantosos .

Depósitos enferrujados de destruição em massa – Os especialistas da fantasia 

No Guardian, Matt Williams e Martin Chulov usaram linguagem dramática para relatar afirmações de que "o regime [sírio] está a considerar o desencadeamento de armas químicas sobre forças da oposição".

O artigo do Guardian citava a CNN, a qual por sua vez citava "um responsável anónimo como a fonte da sua reportagem". Williams e Chulov não exprimiram nem uma palavra de cepticismo na sua peça jornalística, acrescentando uma negação do carácter "equilibrado" do muito demonizado "regime" sírio.

Um artigo da BBC fez esta referência ao cepticismo:
"Pressionado na entrevista por Frank Gardner da BBC, ele disse que podia entender porque o público pode estar céptico após os erros grosseiros cometidos dez anos atrás sobre as alegadas armas de destruição em massa do Iraque".
Para seu crédito, Jonathan Marcus da BBC actuou melhor:
"Houve um elemento de manipulação política (political spin) a acompanhar a decisão da NATO de instalar mísseis Patriot na Turquia?

"Fontes contactadas pela BBC dizem que há indicações de actividade em certos sítios de armazenagem de armas químicas.

"Entretanto é certamente impossível determinar se isto é um preliminar para a utilização das armas ou, como acreditam alguns analistas, muito mais provavelmente, o movimento de munições para garantir a sua segurança. Na verdade, tal movimento foi observado no passado".
Apesar da cautela, Marcus promoveu a ideia de que ADMs sírias podem cair nas mãos "erradas" e que os EUA podem precisar intervir para impedir que isto aconteça.

No Independent, Robert Fisk foi muito mais longe, escarnecendo de tais afirmações:
"Quanto maior a mentira mais o povo nela acreditará. Todos nós sabemos quem disso isso – mas ainda funciona. Bashar al-Assad tem armas químicas. Ele pode utilizá-las contra o seu próprio povo. Se ele o fizer, o Ocidente responderá. Ouvimos todo este lixo no ano passado – e o regime de Assad reiteradamente disse que se — se — tivesse armas químicas, nunca as utilizaria contra sírios.

"Mas agora Washington está a trautear a mesma cantilena do gás, mais uma vez. Bashar tem armas químicas. Ele pode utilizá-las contra o seu próprio povo. E se ele o fizer..."
Fisk acrescentou: "durante a semana passada, todos os habituais pseudo-peritos que não conseguem encontrar a Síria num mapa estiveram a advertir-nos outra vez do gás de mostarda, dos agentes químicos, dos agentes biológicos que a Síria pode possuir – e pode utilizar. E as fontes? Os mesmos especialistas da fantasia que não nos advertiram acerca do 11/Set mas que em 2003 insistiram em que Saddam tinha armas de destruição em massa: "fontes de inteligência militar não nomeadas" ... E, sim, Bashar provavelmente tem alguns produtos químicos em latas a enferrujarem algures na Síria".

Se correcto, as "latas ferrugentas" de Fisk tornam asneira a "considerável pressão" sobre "os EUA produzirem planos para garantir as armas sírias em caso de colapso do regime" descrito por Marcus.

Alex Thomson do Channel 4 News escreveu uma peça excelente intitulada: "Síria, uma arma de engano em massa?"
"Sem pretender aprofundar muito no catálogo do Quem... precisamos recordar-nos que no Reino Unido para não serem enganados outra vez".
Thomson apresentou um exemplo de pensamento racional raro nos media de referência:
"Mas só para ser antiquado: qual é a prova de qualquer ameaça? Qual é a base para tudo isto? Do que, em suma, estão todos eles a falar? Sim, sem dúvida, a Síria tem agentes de nervos e químicos. Mas posse não significa ameaça de utilização. Israel não está plausivelmente a ameaçar utilizar armas nucleares contra o Irão, apesar de possuí-las".
Ele observou que "a história construída sobre o nada [tem sido] aceite como um facto global quando não há nada do género" e apresenta o ponto óbvio:
"Após o Iraque e as ADMs, se a CIA ou o MI6 dizem que está frio no Polo Norte, qualquer pessoa sensível procuraria pelo menos mais um par de fontes ou voaria até lá e verificaria".
Portanto, em meio à enxurrada padrão de propaganda, um pequeno número de jornalistas aprendeu com o passado e está disposto a desafiar afirmações oficiais. Mas não deveríamos iludir-nos com estes admiráveis mas raros exemplos de discordância. A maioria esmagadora dos relatos dos media corporativos – nomeadamente os noticiários da TV que atingem milhões de pessoas – reflectem as afirmações do governo "imparcialmente", isto é, sem o mínimo sinal de pensamento independente ou comentário crítico. Os melhores jornalistas rejeitam uma tal versão obviamente comprometida de "profissionalismo" – mas são muito poucos 
12/Dezembro/2012

O original encontra-se em www.medialens.org/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O que não te contam sobre a Síria: 10 mentiras sobre o massacre de Houla




Comunicado emitido pela União dos Comitês de Mulheres Palestina





À luz da celebração do mundo comemorar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os vampiros de ocupação israelenses atacaram ontem à noite o escritório central da União de Comitês de Mulheres Palestinas, em Ramallah, a cidade que foi entregue à Autoridade Palestina, onde remexeram todo o material,  o conteúdo dos discos dos computadores, arquivos, máquinas fotográficas, cartazes e camisas,  relacionadas aos direitos das mulheres,  e se apropriaram de várias  deles. Os ladrões da ocupação também roubaram sete laptops,  quebraram 4 hards, levaram 3000 shekel da caixa de dinheiro, além do vestido  tradicional palestino, costurado  em 1980 sob o bloqueio e a fome que não só a Faixa de Gaza sofreu, mas também o povo da Cisjordânia.

Todas as mentiras que tentam mostrar que a situação da Cisjordânia é tranquila, são desmascaradas pelos ataques diários da ocupação em Hebron, Nablus, Ramallah e outras cidades.

Nós, da União de Comitês de Mulheres Palestinas, condenamos esses  selvagens ataques em nossas instituições nacionais, e exigimos da Autoridade uma rápida reação para pôr fim a essas ações, na ausência de qualquer perspectiva de negociações ou resoluções.

Nossa luta nacional e social é legítima, e é politicamente, economicamente e socialmente consistente com tudo o que foi aprovado por organismos internacionais, portanto, o que a ocupação está praticando é considerado uma violação dessas leis. No entanto, a experiência de tantos anos, nos credencia a declarar que a ocupação nunca será capaz de nos fazer parar ou obrigar nossas instituições nacionais à práticas de seus próprios interesses.

A União das Mulheres Palestinas solicita a  todas as instituições e organizações irmãs que lidam com direitos humanos e solidariedade com as mulheres, para divulgar esta denúncia aos sindicatos e a todas organizações sociais e se perfilarem em união e solidariedade às organizações sociais nacionais palestinas , em face desta agressão, como forma de  protege e fortalece os nossos objetivos e as causas das mulheres.

Khitam Saa'fin
Lider da União de Comitês de Mulheres palestinas
11/12/2012

ISRAEL INVADE ESCRITÓRIOS DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS QUE PARTICIPARAM DO FÓRUM SOCIAL NO BRASIL



Soldados israelenses na foto durante a operação.(MaanImages/arquivo)

RAMALLAH (Ma'an) - O exército de  Israel invadiu três escritórios de diversas organizações sociais, em Ramallah, na madrugada de terça-feira.
Soldados invadiram as seguintes organizações: Comitê dos Trabalhadores na Agricultura; Comitê de Defesa dos prisioneiros políticos - Addameer e  a União dos  Comitê das Mulheres Palestina, localizados no campo de refugiados de Qaddura.

Quatro laptops, um disco rígido e uma câmera de vídeo  foram roubados do escritório do Addameer, pelas tropas sionistas de ocupação, disse um comunicado do grupo. É a primeira vez , depois da invasão de 2002, auge da segunda intifada palestina, que o grupo de solidariedade aos prisioneiros foi invadido.

O exército sionista confiscou arquivos  e hardwares de computadores do Comitê de Mulheres.
Durante a invasão,  jovens locais se revoltaram e se confrontaram  com os soldados israelenses, que reagiram disparando bombas de gás lacrimogêneo.

Forças militares também invadiram os escritórios da rede de ONGs palestinas, segundo o  repórter da Agência de Notícias Ma'an.

"Isso vem no contexto da decisão da ONU,"  sentenciou Allam Jarrar da rede ONGs  palestinas. "Esta é  uma mensagem dos sionistas ao povo  palestino, que significa  que quando organizações palestinas buscam solidariedade e lutam pela liberdade, a ocupação intensificará sua agressão para tentar nos parar," concluiu.

A Iniciativa Nacional Palestina , cujo lider é Mustafa Barghouti, declarou  que esses ataques israelenses se classificam como "pirataria", acrescentando que ter como alvo as organizações dos movimentos sociais palestinos, que prestam serviço, ajuda e solidariedade ao povo palestino, é inaceitável.

Um porta-voz do exército israelense disse que "durante a noite soldados do exército revistaram vários escritórios em Ramallah, que são afiliados a Frente Popular pela Libertação da Palestina - FPLP, uma organização terrorista." Sentenciou o porta-voz do exército de ocupação.





Addameer escritório em Ramallah na foto após a invasão dos sionistas.

POSTADO: http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=546800
TRADUZIDO: somostodospalestinos.blogspot.com

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fabricando "evidências" : Israel executa Operação secreta na Síria com arsenal químico





Israel está realizando uma operação transfronteiriça secreta contra a Síria, em articulação com a OTAN  e o Pentágono.
Depois de se dedicar  a buscar (leia-se plantar) supostas "evidências de um crime" ("smoking gun")   no Irã, no início deste ano, as forças especiais israelenses estão agora "rastreando"  as "provas de um crime" na Síria, "estoques de armas químicas e biológicas", segundo o The Sunday Times.

"A operação transfronteiriça é parte de uma guerra secreta na trilha dos arsenais não-convencionais da Síria e sabotar o seu desenvolvimento. Por anos sabíamos a localização exata  das armas químicas e munições biológicos da Síria", disse uma fonte israelense, referindo-se aos satélites de espionagem do país e aos drones. "Mas na semana passada, tivemos sinais de que as munições foram movidas para novos locais." (Uzi Mahnaimi and Lucy Fisher Israel tracks Syria’s chemical arsenal, The Sunday Times 9 December 2012.)
Todo mundo recorda  a enorme Campanha Publicitária  WMD ( Armas de Destruição em Massa)  antes de do lançamento da gerra contra o Iraque. 
Campanha que se revelou uma mentira fabricada contra o Iraque.


Os envolvidos na manobra de propaganda das WMD do Iraque  estão agora aplicando suas habilidades com vista a fabricação uma nova Campanha Publicitária das WMD, como  pretexto, para intervir na Síria. De acordo com um relatório do Centro Jaffee de Estudos Estratégicos da Universidade de Tel Aviv, "Israel interpretou mal "a ameaça iraquiana". Em 2003, a BBC escreveu sobre as conclusões do relatório:
Inteligência de Israel calculou mal a ameaça representada por Saddam Hussein [...] Isso contribuiu para a imagem "falsa" pintada por serviços norte-americanos e britânicos [...]
"A inteligência israelense foi um grande  parceiro dos EUA e da Grã-Bretanha no desenvolvimento de uma falsa imagem do poder  das  armas de destruição em massa de Saddam Hussein", disse o autor do relatório, o aposentado general de brigada Shlomo Brom.
"Foi superestimado a ameaça iraquiana por Israel e  o reforço dos US e da Inglaterra na crença que as armas existiam."
"A partir de agora, quando apresentamos dados sérios sobre outros países, como o Irã, por exemplo, quem  irá nos levar  a sério?" Israel Radio quoted Israeli left-wing parliamentarian Yossi Sarid as saying. (Israelis ‘misread’ Iraqi threat, BBC,December 5, 2003)
No final de março 2012 The Sunday Times relatou que "Israel está usando uma base permanente no Curdistão iraquiano para lançar missões transfronteiriças de inteligência  na tentativa de encontrar "evidências de crime"(" smoking gun") de que o Irã está construindo uma bomba nuclear." (Israeli spies scour Iran in nuclear hunt, The Sunday Times,March 25, 2012)

Não há provas, nem evidências que o Irã tenha armas nucleares, até mesmo as agências de inteligência dos EUA estão de acordo sobre isso. Global Research publicou uma reportagem sobre a operação secreta israelense, potencialmente forjando evidências  de armas de destruição em massa, em relação ao Irã. O que está se desenvolvendo agora em relação à alegada WMD ( armas de destruição em massa) na Síria é uma repetição das práticas anteriores de encaminhar evidências forjadas para as redes de  notícias:
Fontes ocidentais disseram que há tempos Israel monitora  "radioatividade e magnitude de testes de explosivos" e que "forças especiais utilizados helicópteros Black Hawk para transportar comandos disfarçados de membros do exército iraniano, e usando veículos militares iranianos". As fontes acreditam que "os iranianos estão tentando ocultar provas de testes de ogivas, se preparando para eventual visita da AIEA". (Cited in Report: Israeli soldiers scour Iran for nukes, Ynet, March 25, 2012)

O número de missões de inteligência israelenses que incidem sobre a base  militar de Parchin, no Irã, aumentou nos últimos meses, de acordo com o artigo. Durante esse período, Teerã vem negociando com a AIEA, que solicitou visitação a base de Parchin. De acordo com o representante permanente do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, ambas as partes concordaram, no início de fevereiro, que a visita terá lugar em março. (Gareth Porter, Details of Talks with IAEA Belie Charge Iran Refused Cooperation, IPS,March 21, 2012)
A AIEA pediu para visitar Parchin no final de janeiro e final de fevereiro, depois de ter concordado com uma visita em março. A AIEA, dessa forma, solicitou visitar o complexo militar exatamente ao mesmo tempo que Israel  intensificava suas operações secretas, onde, supostamente, buscava encontrar por uma  "arma fumegante", ou evidência das WMD. (Julie Lévesque, Fabricating a “Smoking Gun” to Attack Iran? Israeli Spies Disguised as Iranian Soldiers on Mission Inside Iran Global Research,March 27, 2012)
A operação secreta de Israel na Síria é parte de uma duradoura  agenda de inteligência dirigido contra o governo de Damasco. De acordo com intelNews:
[...] Atividades secretas de Israel contra o governo sírio sobre  arsenal  químico e biológico arsenal já duram quase 30 anos. Supostamente, algumas das tais atividades mais recentes, foram dirigidos aos cientistas russos.
Embora a Rússia rotineiramente nega , acredita-se que o arsenal da Síria não-convencional foi significativamente aumentada no final de 1980 e início de 1990, com a ajuda do russo general aposentado Anatoliy Kuntsevich [...]
Curiosamente, Kuntsevich morreu subitamente em 2003, a bordo de um voo da capital síria para Moscou. Nesta época, foi amplamente especulado que o Mossad, agência secreta de ação, de Israel , pode ter desempenhado um papel na morte súbita do general russo. Em 2010, outro general russo aposentado, Yuri Ivanov, que serviu como Diretor Adjunto da GRU, agência russa de inteligência militar, morreu em circunstâncias, também. pouco claras [...]
De acordo  com relatos da imprensa israelense, o ex  oficial da GRU estava a caminho de uma reunião com oficiais de inteligência sírios quando desapareceu. Israel nunca reconheceu ter desempenhado um papel na morte Ivanon, mas muitos suspeitam de que Tel Aviv teve participação nela. (Joseph Fitsanakis Israel special forces conducting cross-border operations in Syria, intelNews.org, December 10, 2012.)
Esta interpretação dos eventos é fiável,  desde que  cientistas estrangeiros já foram alvos do serviços secretos israelitas e assim reconhecidos, no passado:
A redução [de operações secretas de Israel no Irã] é executada através de um amplo espectro de operações, incluindo não apenas as alegados importantes missões,  como assassinatos e detonações de bases de mísseis iranianos, mas também os esforços para reunir, em primeira mão, no terreno, inteligência com o propósito de recrutar espiões dentro do programa iraniano, segundo oficiais. (Karl Vick, Mossad Cutting Back on Covert Operations Inside Iran, Officials Say, TIME, March 30, 2012, quoted in Julie Lévesque,“Running Short of New Targets: Israel’s Secret Service is “Cutting Back on Assassinations” in Iran, Global Research, April 17, 2012.)

Enquanto a operação secreta de Israel na Síria pode conceber, também, como alvos cientistas russos, isto deve ser entendido que seu objetivo maior é reforçar a intensa campanha de propaganda sobre o arsenal químico da Síria. Esse vazamento no The Sunday Times poderia ser parte da operação psicológica, em curso,  contra a Síria, seu objetivo está claro: à construção de um pretexto para travar uma guerra preventiva contra a Síria.
Desde o início da insurreição armada em março de 2011, os EUA e seus aliados, juntamente com os principais meios de comunicação ocidentais vêm culpando o governo sírio de cometer atrocidades contra civis, incluindo o massacre Houla. De acordo com relatórios independentes de mídia, bem como os depoimentos de testemunhas no terreno, essas atrocidades foram cometidas pelos EUA-OTAN , através das forças de oposição patrocinadas.
O governo sírio tem sido demonizado, de tal forma pela mídia que, se um ataque ocorrer, a opinião pública poderia ser facilmente levados a acreditar, sem provas, que o governo sírio é responsável por crimes contra seu próprio povo.
Este é um contexto perfeito para uma operação de bandeira falsa ou propaganda intensiva envolvendo armas químicas. Essas alegações baseadas em falsas evidências de  WMD  dirigidas contra o governo sírio poderia ser usado mais uma vez para pressionar o Conselho de Segurança da ONU e dar à OTAN um "mandato legal" para intervir na Síria sob a  a doutrina "responsabilidade de proteger" .
CNN recentemente relatou  que os EUA e "alguns aliados europeus estão usando contratados (mercenários - Nota do Blog)  para treinar rebeldes sírios sobre como proteger depósitos de armas químicas na Síria." O governo sírio expressou as suas preocupações em uma carta à ONU:
O que levanta preocupações sobre esta notícia circulou pela mídia é o nosso grave medo que alguns dos países que apóiam o terrorismo e os terroristas possam armar os grupos armados terroristas com armas químicas e , em seguida acusar que foi o governo sírio que usou as armas [...] (Quoted in John Glaser, US Defense Contractors Training Syrian Rebels to Handle Chemical Weapons, Antiwar.com, December 10, 2012.)
Postado : http://www.globalresearch.ca/fabricating-wmd-evidence-israeli-covert-operation-inside-syria-to-track-chemical-arsenal/5315012
Tradução: somostodospalestinos.blogspot.com

Fim do Mundo: Ouça a profecia 2012 da boca dos Sacerdotes Maias


Anciãos maias falam  algo muito diferente daquilo que você  deve estar ouvido.
"Ao contrário da crença popular, os anciãos dos Maia não concordam que 21 de dezembro de 2012 seja o fim de seu calendário. Um novo "sol"  representa o início de um novo ciclo, uma nova longa contagem de aproximadamente 5.200 anos, o que eles ( os outros) dizem pode não acontecer por muitos anos."
Veja isso.

.(Um novo vídeo chamado "Mudança das Eras", nos fala das crenças dos  Maias em detalhes ... e nos dá verdadeiras informações sobre elas).
Da mesma forma, Tz'utuji Mayan , o velho Tata Pedro Cruz diz que o mundo vai não acabar em 2012:
O ancião maia  e sacerdote Carlos Barrios - que estudou extensivamente os calendários maias - diz :
Os antropólogos visitam os locais dos templos e leem as inscrições e inventarm histórias sobre a civilização Maya, mas não entendem  os sinais corretamente. Significa que o que falam é  apenas  sua imaginação. Outras pessoas escrevem sobre a profecia em nome dos Maias. Eles dizem que o mundo vai acabar em dezembro de 2012. Os anciãos maias estão irritados com isso. O mundo não vai acabar. Será transformado. "
Postado: http://www.globalresearch.ca/end-of-the-world-hear-the-2012-prophecy-direct-from-the-mouths-of-the-mayan-priests/5314814
Tradução: somostodospalestinos.blogspot.com