quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fim do Mundo: Ouça a profecia 2012 da boca dos Sacerdotes Maias


Anciãos maias falam  algo muito diferente daquilo que você  deve estar ouvido.
"Ao contrário da crença popular, os anciãos dos Maia não concordam que 21 de dezembro de 2012 seja o fim de seu calendário. Um novo "sol"  representa o início de um novo ciclo, uma nova longa contagem de aproximadamente 5.200 anos, o que eles ( os outros) dizem pode não acontecer por muitos anos."
Veja isso.

.(Um novo vídeo chamado "Mudança das Eras", nos fala das crenças dos  Maias em detalhes ... e nos dá verdadeiras informações sobre elas).
Da mesma forma, Tz'utuji Mayan , o velho Tata Pedro Cruz diz que o mundo vai não acabar em 2012:
O ancião maia  e sacerdote Carlos Barrios - que estudou extensivamente os calendários maias - diz :
Os antropólogos visitam os locais dos templos e leem as inscrições e inventarm histórias sobre a civilização Maya, mas não entendem  os sinais corretamente. Significa que o que falam é  apenas  sua imaginação. Outras pessoas escrevem sobre a profecia em nome dos Maias. Eles dizem que o mundo vai acabar em dezembro de 2012. Os anciãos maias estão irritados com isso. O mundo não vai acabar. Será transformado. "
Postado: http://www.globalresearch.ca/end-of-the-world-hear-the-2012-prophecy-direct-from-the-mouths-of-the-mayan-priests/5314814
Tradução: somostodospalestinos.blogspot.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Avaaz: uma cortina de fumaça que esconde as bombas de urânio empobrecido



Por Dominique Guillet

O QUE É AVAAZ?  POR QUE SERÁ QUE.....( Pergunta do BLOG)

O grande amor que Tom Perriello experimenta por Israel não impede minimamente a Avaaz de lançar uma petição para apoiar os infelizes palestinos perseguidos pelo Estado Sionista! E é aí que reside o grande gênio estratégico da Avaaz para enganar os militantes e activistas sinceros: a Avaaz promove, de vez em quando, causas "nobres": as abelhas, os palestinos… e até mesmo Kokopelli [sementes orgânicas]. A Avaaz chegou mesmo a lançar uma petição para meter os banqueiros na prisão, os mesmos banqueiros que promoveram com a Avaaz a legislação "cap and trade" (JP Morgan Chase, Bank of America,,,) ou com os quais os fundadores da Avaaz colaboram no International Crisis Group (Morgan Stanley, Deutsche Bank Group...). 

Continue e boa leitura (Blog)




Pouco tempo depois da operação psicológica especial designada 11/Set, o general Wesley Clark, antigo comandante supremo da OTAN (Organização Terrorista do Atlântico Norte) encontra-se, no Pentágono, com um oficial do estado-maior que o convida a consultar um documento confidencial saído do Ministério da Defesa dos EUA e que estipula que, nos cinco anos seguintes, os EUA irão invadir ("libertar" na linguagem orwelliana) sete países: o Iraque, a Síria, o Líbano, a Líbia, a Somália, o Sudão e o Irã.

 O general Wesley Clark, já na reserva, exprimiu-se publicamente sobre este assunto: "Era uma declaração espantosa: o exército ia servir para desencadear guerras e fazer cair governos e não para impedir os conflitos. Íamos invadir países. Fiquei baralhado. Pus aquilo de parte, era como uma pepita que guardamos. Um grupo de pessoas tinha conseguido o controlo do país com um golpe de estado político: Wolfowitz, Cheney, Rumsfeld… eu podia nomear mais uma meia dúzia de outros colaboradores do Projecto para um Novo Século Americano (PNAC). Queriam desestabilizar o Médio Oriente, alterá-lo e colocá-lo sob o nosso controlo". [1] [1] 


Será então uma coincidência a organização denominada Avaaz ter apoiado as intervenções militares na Líbia ( [19] ,[20] , [21] ) e na Síria ( [25] , [26] , [27] , www.avaaz.org/en/us_and_india_stop_syrias_merchants_of_death/ Será então uma coincidência a Avaaz ter-se metido nos assuntos internos da Somália ( [2] , [3] , [4] )? Será então uma coincidência a Avaaz ter-se metido nos assuntos internos do Sudão ( [5] ) acusando, ainda por cima, o tão diabolizado Irão de fornecer armas ( [7] , [8] )? Será então uma coincidência a Avaaz ter-se metido nos assuntos internos do Irão ( []9] , [10] )? 

Quem são então esses "activistas Avaaz" implicados muito concretamente, em 2012, nas operações de desestabilização da Síria ( [11] )? 

A organização Avaaz não será pura e simplesmente uma testa de ferro da CIA, uma gigantesca cortina de fumaça ocultando as bombas libertadoras de urânio empobrecido do imperialismo ocidental? 

No Outono de 2009, quando redigia os meus quatro artigos sobre a vigarice do aquecimento climático de origem antrogénica ( www.liberterre.fr/gaiasophia/gaia-climats/generaux/caniculs.html ), descobri que esta organização solicitava aos activistas a recolha de fundos, no espaço de uns dias, de 150 mil dólares a fim de criar um blogue durante a Cimeira de Estocolmo. "Só nos restam uns dias. Se, daqui até segunda-feira, pudermos juntar 150 mil dólares, a Avaaz poderá utilizar grandes meios neste projecto: construir um mapa do mundo e um blogue no estilo do Twitter que permita ligar todos os acontecimentos organizados para o clima a 21 de Setembro; pôr em funcionamento uma base de dados telefónicos mundial que permita a milhares de pessoas inundar os nossos dirigentes com telefonemas; e finalmente contratar uma equipa de profissionais que façam a diferença no terreno mediático, frente aos poderosos lobbies industriais e petrolíferos". 

Cento e cinquenta mil dólares financiados por militantes ingénuos para criar um blogue!! Devemos estar a sonhar. Na altura, eu pensava que a Avaaz não passava duma ONG fraudulenta, mais uma, uma Organização para eNganar os in Genuos, cujo único objectivo era obter dinheiro dos activistas e cuja ferramenta principal se baseava nas patologias modernas, a pedinchice aguda e a conjugação desenfreada do verbo "clicar". E é claro que a Avaaz é fantástica enquanto maquinismo gigantesco para clicar/extrair dólares/euros. Basta consultar na internet uma das suas campanhas, em 2009, para angariar fundos, à custa de pequenas quantias: 

"É um momento duma importância crucial para o Irão e para o mundo. Podemos ajudar a dar a conhecer a verdade organizando urgentemente uma sondagem pós-eleitoral rigorosa junto dos cidadãos iranianos, telefonando-lhes a perguntar em quem votaram e publicando os resultados nos meios de comunicação. Está em jogo mais de um terço dos votos – e a nossa sondagem poderá assim provar quem diz a verdade. Se conseguirmos recolher 119 mil euros nas próximas 24 horas, poderemos publicar os resultados antes de o Conselho dos guardiões da Constituição tornar públicos os resultados da sua recontagem de votos. Se viermos a reunir mais dinheiro, poderemos alargar o âmbito desta campanha. Temos uma necessidade urgente de que 10 mil pessoas nos dêem uma pequena quantia. Ajudem a financiar a sondagem a partir de agora utilizando o formulário de segurança fornecido abaixo" [10] ) 

De resto, ficamos sem saber o que é que está seguro na Avaaz porque a frase seguinte aparece a vermelho gordo: "$228,449 foi a contribuição para ajudar a financiar uma sondagem quanto à verdade no Irã". Onde é que isto aparece? No site da Avaaz França porque ainda hoje, em Novembro de 2012, continua a ser possível apoiar no botão Paypal para contribuir financeiramente para esta sondagem, no mínimo, muito "pós-eleitoral". Depois de verificar a mesma campanha no site da Avaaz dos EUA, verifica-se que a matriz se desfez em desculpas, em 2009, por causa da impossibilidade de efetuar a dita sondagem por culpa da corrupção no Irã. Na época, a Avaaz propôs aos espoliados, evidentemente com toda a sinceridade, reembolsar a sua contribuição – enviando um e mail – ou de colocá-la à disposição duma outra campanha que acabavam de lançar para garantir uma internet livre no Irã!! ( [12] )… e para garantir o mealheiro no Paypal. 

Porque a Avaaz precisa de dinheiro, de muito dinheiro, para organizar as suas petições virtuais a partir de uns computadores, e sobretudo para as remunerações dos seus quadros. Porque, afirmamos alto e bom som, os quadros da Avaaz não são remunerados com amendoins virtuais: o fundador e diretor executivo, Ricken Patel, recebeu em 2010, a modesta quantia salarial de 183. 264 dólares (15.200 dólares por mês) – um ligeiro aumento em relação aos seus salários de 120 mil 000 dólares dos anos anteriores – enquanto o diretor de campanha, Bem Wikler, arrecadou 111.384 dólares de salário. Nesse mesmo ano de 2010, a Avaaz declarou na folha de rendimentos (modelo 990): 921.592 dólares de "despesas de campanhas e de consultoria", 182.196 dólares de "despesas de viagens", 262.954 dólares de "despesas de publicidade", 404.889 dólares de "despesas de tecnologia de informação", etc. etc. Tudo isto tresanda a fraude financeira e a nepotismo arqui-dolarizado. No meio das despesas de gestão, a Avaaz pagou a Milena Berry (e a Paul, o marido dela), por um trabalho de consultadoria IT (tecnologia de informação) a bagatela de 245.182 dólares em 2009 e de 294 mil dólares em 2010. Apesar da enorme remuneração de Milena Berry, que se apresenta como a técnica chefe da gestão informática da organização, a Avaaz fez apelo à generosidade das contribuições, a fim de reforçar o seu sistema informático, na sequência de um alegado ciber-ataque em Maio de 2012. Sem comentários. 

De resto, a organização Avaaz não parece estar com muita pressa em publicar a sua declaração de rendimentos para 2011, o que é muito compreensível, dada a pletora de artigos, que aparecem na internet, a fim de denunciar esta organização fraudulenta. Em meados de Novembro de 2012, o "modelo 990" continua ausente do seu site enquanto o relatório da auditoria financeira foi entregue pelo seu gabinete de contabilidade de Nova Iorque (Lederer, Levine e associados) a 19 de Junho de 2012. 

A Avaaz foi criada em 2006 pela MoveOn.org e a Res Publica. " Avaaz ", em diversas línguas da Ásia e da Europa de Leste significa "a voz". A voz silenciosa, por detrás da Avaaz e da Res Publica, é a de três indivíduos: Tom Perriello, antigo membro do Congresso dos EUA, Ricken Patel, consultor de numerosas entidades controladas pelos psicopatas predadores, e Tom Pravda, antigo diplomata da Inglaterra, consultor do Ministério do Interior dos EUA. 

Entre os outros fundadores da Avaaz encontram-se Eli Pariser (director executivo da MoveOn), Andrea Woodhouse (consultor do Banco Mundial), Jeremy Heimans (co-fundador de GetUp! e de Purpose), e o empresário australiano David Madden (co-fundador de GetUp! e de Purpose). 

A MoveOn, co-fundadora da Avaaz, distribuiu, em 2002, por intermédio do seu Comitê de Ação Política, 3,5 milhões de dólares a 36 políticos candidatos ao Congresso dos EUA. Em Novembro de 2003, a MoveOn recebeu 5 milhões de dólares do especulador multimilionário George Soros. De resto, Ricken Patel declarou publicamente que o Open Society Institute de George Soros (re-batizado em 2011 de Open Society Foundation) era um dos membros fundadores da Avaaz. 

Quem é George Soros? Um dos predadores psicopatas na direção do CFR (Council for Foreign Relations) e um dos membros do Grupo Bilderberg. O CFR e o Grupo Bilderberg são duas das falsas pernas nascidas na cloaca denominada "Nova Ordem Mundial". O CFR e o Grupo Bilderberg foram criados pelos Rockefellers, a família responsável por numerosos males que assolam o planeta. Só para lembrar, a Fundação Rockefeller promoveu as leis eugenistas nos EUA a partir do início do século passado; financiou o nazismo antes e durante a segunda guerra mundial; financiou as investigações genéticas, a partir de 1945 e, portanto, todo o sector das quimeras genéticas; lançou a devastadora Revolução Verde… 

A Avaaz foi, em Junho de 2009, um dos parceiros na campanha Tcktcktck, lançada pelo Havas, ao lado da EDF, do Loyds Bank… e do 350.org, uma organização financiada pela Fundação Ford, pela Fundação Rockefeller, pelo Rockefeller Brothers Fund e pelo multimilionário George Soros. 

George Soros é o financeiro incontornável de toda esta movimentação de ONGs de objetivos ocultos. Durante o Verão de 2009, o Open Society Institute (de Soros) deu uma subvenção de 150 mil dólares à Avaaz. Além desta subvenção, a Avaaz recebeu da Res Publica (financiada por Soros) 225 mil dólares em 2006, 950 mil dólares em 2007 e 500 mil dólares em 2008. A Foundation to Promote Open Society (de Soros) deu à Avaaz, em 2008/2009, 300 mil dólares de apoio geral e 300 mil dólares para a campanha (sobre a fraude) climática durante a qual a Avaaz brilhou especialmente na sua sabedoria para arrebanhar dinheiro não virtual a fim de combater o aquecimento climático virtual com petições igualmente virtuais. De resto, Ricken Patel não especifica em parte alguma, na sua cruzada contra o aquecimento climático antropogênico  como é que efetua o reembolso da "pegada de carbono" gerada pelos emolumentos grandiosos dos seus bons amigos no seio da Avaaz (uma redistribuição das liberalidades generosas da clique de Soros, enquanto a Avaaz pretende descaradamente que a organização só recebe dinheiro de contribuições individuais!!!) e o reembolso da "pegada de carbono" gerada pelos seus salários muito elevados na Avaaz! Trata-se provavelmente de um reembolso virtual. 

E, ainda por cima, não fomos verificar se os múltiplos chapéus de Ricken Patel geravam múltiplas "pegadas de carbono" ligadas a múltiplos salários. Com efeito, ele é co-fundador e co-diretor de Faith in Public Life (uma grande organização cristã); é consultor do International Crisis Group, para a Fundação Rockefeller, para a Fundação Bill Gates, para a ONU, para a Universidade de Harvard, para a CARE International, para o International Center for Transitional Justice; é co-fundador e co-diretor de DarfurGenocide.org; é co-fundador e diretor de ResPublica. Etc, etc., ad nauseam. 

Na clique dos fundadores da Avaaz – cuja ideologia está fundada na prática do clique-clique e no síndrome da pequena quantia – Patel não é o único a ostentar múltiplos chapéus. Encontramos Tom Perriello na consultoria ou na direcção em: National Council of Churches of Christ, Catholics United, Catholics in Alliance for the Common Good, Faithful America, Faith in Public Life, Center for a Sustainable Economy, Center for American Progress Action Fund, Youth and Environmental Campaigns, E-Mediat Jordan, International Center for Transitional Justice, Res Publica, The Century Foundation, ONU, Open Society Institute, etc, etc. Trabalhou com o Reverendo Dr. James Forbes sobre conceitos de "justiça profética". Tom Perriello apoia a operação psicológica especial denominada "guerra ao terrorismo" que foi lançada por Bush e prolongada por Obama. A sua visão de Israel faz parte do conto de fadas: considera este país como uma das "criações mais espectaculares e excitantes da comunidade internacional" no século XX e está convencido que "existe uma relação estratégica e moral permanente entre os EUA e Israel". Etc., etc., ad nauseam. 

O grande amor que Tom Perriello experimenta por Israel não impede minimamente a Avaaz de lançar uma petição para apoiar os infelizes palestinos perseguidos pelo Estado Sionista! E é aí que reside o grande gênio estratégico da Avaaz para enganar os militantes e activistas sinceros: a Avaaz promove, de vez em quando, causas "nobres": as abelhas, os palestinos… e até mesmo Kokopelli [sementes orgânicas]. A Avaaz chegou mesmo a lançar uma petição para meter os banqueiros na prisão, os mesmos banqueiros que promoveram com a Avaaz a legislação "cap and trade" (JP Morgan Chase, Bank of America,,,) ou com os quais os fundadores da Avaaz colaboram no International Crisis Group (Morgan Stanley, Deutsche Bank Group...). 

A Avaaz chega ao cume da grande palhaçada quando a organização lança uma campanha para parar com a "guerra contra as drogas". A 3 de Junho de 2011, a marioneta Ban Ki-moon recebeu das mãos de Ricken Patel – acompanhado de Richard Branson, fundador de Virgin – uma petição de 600.267 pessoas: "End the War on Drugs". De que é que estamos a falar? Duma campanha de despenalização do canábis, da ayahuasca, dos cogumelos psilocibinos e do peiote? Ou será duma campanha para fazer parar a guerra contra a gangrena social que é a comercialização em larga escala da heroína e da cocaína? Apostamos que se trata mesmo desta segunda alternativa, A heroína e a cocaína constituem as duas fontes mais generosas das caixas negras da mafia dos psicopatas predadores, em simultâneo com a liquidez dos grandes bancos internacionais. A presença da Aliança Ocidental no Afeganistão explica-se, entre outras razões, pelo controlo do ópio em que 95% da produção mundial está concentrada neste país. Quais são os jornalistas, dignos desse nome, que têm informado o público quanto ao escândalo gigantesco do branqueamento de centenas de milhares de milhões de dólares do dinheiro da heroína e da cocaína pelos grandes bancos internacionais ( www.hsgac.senate.gov/... , www.policymic.com/... ): HSBC, Wells Fargo, Bank of America....? 

Todas as campanhas não passam duma gigantesca cortina de fumaça para ocultar todas as finalidades odiosas que a Avaaz apoia ao serviço do Imperialismo Ocidental: a destruição da Líbia, a desestabilização da Síria, a desestabilização do Irã, a desestabilização da Bolívia de Evo Morales. 

Todas estas operações de destruição e de desestabilização de países soberanos são promovidas por Tom Perriello, cujas visões belicistas ("pro-war") não são segredo para ninguém. 

Num vídeo ( [14] ), Tom Perriello, é apresentado como o respeitável diretor do E.Mediat Jordan, uma organização localizada na Jordânia, um país limítrofe do Iraque e da Síria. Dirige-se aos jovens dessa organização ("um centro de treino, de tecnologias e de ferramentas") que estão dispostos, declara ele, "a sacrificar-se pelo seu país", a saber, a servir de carne para canhão para o avanço do Imperialismo Ocidental. 

Em Maio de 2009, enquanto 60 membros do Congresso dos EU votaram contra a atribuição de 97 mil milhões de dólares suplementares para as guerras do Iraque e do Afeganistão, Tom Perriello votou a favor. 

Em Março de 2010, foi organizada uma recepção pelas duas organizações de coloração pseudo-verde "League of Conservation Voters" e "Environmental Defense Action Fund" para angariar fundos para a reeleição de Tom Perriello para o Congresso dos EUA. A MoveOn.org, co-fundadora do Avaaz, atribuiu-lhe 100 mil dólares para a sua campanha de reeleição. 

Em Março de 2010, enquanto 60 membros do Congresso dos EUA votaram contra o prolongamento da guerra no Afeganistão, Tom Perriello votou a favor. 

A 27 de Julho de 2010, Tom Perriello votou contra a retirada das tropas dos EUA do Paquistão. 

A 27 de Julho de 2010, enquanto 115 membros do Congresso dos EUA votaram contra a atribuição de 33 mil milhões de dólares suplementares para a guerra do Iraque, Tom Perriello votou a favor. 

A 30 de Julho de 2010, Tom Perriello votou contra os regulamentos (HR 3534) que pretendiam enquadrar as operações de perfuração de petróleo no mar alto e votou a favor da suspensão duma moratória impondo salvaguardas às ditas perfurações no alto mar. 

A 15 de Dezembro de 2011, Tom Perriello torna-se director da CAP Action, um dos ramos do Center for American Progress. Na revista Democracy Journal, depois de ter elogiado o "êxito" da intervenção militar na Líbia, declarou: 

"Hoje, Khadafi está morto e o povo líbio pode, pela primeira vez desde há decênios  gozar a oportunidade dum governo responsável e democrático… Não houve mortos nas tropas americanas. Os combatentes rebeldes e a grande maioria da população festejaram a vitória como uma libertação e os sírios corajosos que quotidianamente arriscam a morte opondo-se ao seu próprio regime repressivo, rejubilaram com a queda de Khadafi. Todos estes feitos não são pequenas proezas para os que se preocupam com a dignidade, com a democracia e com a estabilidade…" 


São efectivamente grandes feitos que caracterizam a "libertação" da Líbia que foi o país mais rico de África: um caos social generalizado, atentados quotidianos, lutas intestinas permanentes, sem esquecer os 50 a 100 mil civis líbios libertados para sempre da "opressão" de Khadafi porque morreram sob as bombas de urânio empobrecido do Ocidente. 

Seja através das concepções belicistas dos seus fundadores, seja das suas próprias campanhas de desestabilização e de invasão militar de países soberanos, a Avaaz é claramente uma organização cúmplice de crimes de guerra. 

Não tenho tempo nem desejo de sondar mais as profundezas de imoralidade desta crápula organização. Remeto os leitores e leitoras para numerosos artigos e testemunhos que começam a aparecer na internet ( [29] , [30] , [31] ,advivo.com.br/blog/luisnassif/avaaz-golpe-ou-verdade ) e, em especial, para os quatro excelentes relatórios de investigação redigidos no Canadá por Cory Morningstar. ( [15] , [16] , [17] , [19] ). 

Do que estou convencido é de que a enorme cortina de fumaça colocada pela Avaaz por intermédio de campanhas "humanistas" a favor dos palestinos, das abelhas, da floresta do Amazonas ou de Kokopelli… está em vias de se esgotar rapidamente. A Avaaz é a "voz" oculta do complexo militar-industrial que procura semear o caos da guerra por todo o planeta. 

Avaaz, abaixo a máscara! 
14/Novembro/2012
O original encontra-se em www.legrandsoir.info/... . Tradução de Margarida Ferreira. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ocupa Borel desafia toque de recolher da UPP



No dia 05/12/2012, mais uma vez a favela do Borel fez história. O movimento Ocupa Borel, inspirado nas mobilizações internacionais de ocupação de lugares públicos para protestar contra os poderes que agridem os direitos das pessoas, foi convocado via redes sociais e, principalmente, no “boca-a-boca”. O objetivo era protestar contra e, na prática, derrubar o “toque de recolher” arbitrário e ilegal imposto desde o dia 28/11 à comunidade pelos policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local.



Inicialmente apreensivos com a mobilização, feita em menos de uma semana, bem como com a possível reação da polícia, os organizadores logo foram surpreendidos pela adesão maciça de moradores, principalmente dos jovens da comunidade. Após se concentrarem na Rua São Miguel, em frente ao CIEP Doutor Antoine Magarinos Torres Filho, com aparelhagem de som e a fundamental presença da bateria da Unidos da Tijuca, o protesto se transformou num verdadeiro baile na rua, o que também foi muito simbólico, já que os bailes funk estão proibidos na favela desde a implantação da UPP em junho de 2010.

Mas a Ocupa não ficou por aí, todos sentiam que era necessário entrar na favela mesmo, para sentir se o desafio ao toque de recolher estava sendo bem sucedido. Embalados pela bateria e por uma “comissão de frente” formada por jovens levando cartazes, a Ocupa subiu a Estrada da Independência, principal via do Borel, até o largo conhecido como Terreirão, tradicional ponto de eventos da comunidade.

Em todo o trajeto e no final, ficou evidente que o toque de recolher havia sido completamente desmoralizado. Os policiais limitaram-se a ficar observando toda a manifestação, visivelmente contrariados, mas não cometeram nenhuma atitude truculenta. Pelas rua e becos, bares abertos, as pessoas na rua, nas janelas e em frente às suas casas, dançando ou simplesmente observando e aplaudindo.

Embora a esmagadora maioria dos participantes fossem moradores da comunidade, foi muito importante a presença de apoiadores externos, como universitários, funkeiros de outras comunidades, movimentos sociais, imprensa alternativa, etc.

A fantástica mobilização já deu resultados, embora como sempre o Estado reaja lentamente e de má-vontade. Ainda não foi agendada uma reunião do comando da UPP local e geral das UPPs com a rede de entidades do Borel, mas ontem (06/12) mesmo, à noite, em pleno plantão do grupo de policiais que mais aterroriza os moradores, não havia nenhum sinal do “toque de recolher”!

Como dissemos, mais uma vez o Borel faz história na caminhada de resistência das favelas do Rio de Janeiro. Há quase dez anos atrás, depois de uma brutal chacina onde PMs mataram 4 jovens da comunidade, o Borel também fez grande mobilização, incluindo umagrande marcha pelas ruas principais da Tijuca. Essa luta marcou o início de uma fase de organização e mobilizações mais organizadas das favelas e familiares de vítimas contra a violência policial.
Agora, na “nova” realidade inaugurada pela implantação das UPPs em algumas favelas do Rio a partir de 2008, mais uma vez os moradores do Borel mostram que é na rua e na mobilização direta que devemos desafiar a violência do Estado, em suas faces velhas e novas, e fazer valer os direitos e a dignidade do povo pobre e negro. E, mais uma vez, estamos juntos do Borel nessa luta pioneira.

Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.
http://www.redecontraviolencia.org/Noticias/882.html


De punho em riste: quem é a garota que desafiou a ocupação israelense?

Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, enfrenta os soldados israelenses e 
diz que a dor já faz parte de sua vida.



No meio de uma estrada deserta, cercada de paisagem árida, uma pequena menina com a insígnia da paz estampada no peito enfrenta dezenas de soldados, protegidos com capacetes e metralhadoras. O contraste da imagem choca, mas nem as armas em punho foram capazes de amedrontar a garotinha, que continuou a gritar e empurrar os oficiais em busca de respostas (veja o vídeo abaixo). 

Os risos jocosos dos militares, que se entreolhavam em desprezo, apenas alimentaram o desespero e raiva da jovem. No fim, a única resposta recebida foi o disparo de balas de borracha. As imagens da bravura da menina, na reedição de uma espécia de batalha entre Davi e Golias, correram o mundo. Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, queria apenas saber para onde o irmão, Waed, de 15 anos, havia sido levado durante os protestos do dia 2 de novembro em Nabi Saleh, pequeno vilarejo na Cisjordânia onde vivem.

Sentada na cama do hospital, em Ramallah, com a mão enrolada em curativos, a palestina não reclama do ferimento e conta que a dor já se tornou parte de sua vida. Filha do líder comunitário Bassem Tamimi, considerado pela União Europeia um “defensor dos direitos humanos” e pela Anistia Internacional “um prisioneiro de consciência”, Ahed já teve de lidar com o encarceramento dos pais, a morte de dois tios e a violência cotidiana de soldados israelenses contra a família e amigos. 



“Eu lembro que o pior período da nossa vida foi quando prenderam o meu pai pela primeira vez. As autoridades israelenses não nos deram autorização para visitá-lo”, contou ela a Opera Mundi. Detido por oficiais israelenses por seu papel de liderança nos protestos pacíficos, Bassem teve de enfrentar a corte militar de Israel por 13 vezes e chegou a passar mais de três anos no cárcere, sem nenhum julgamento. 

Há mais de três anos, os residentes de Nabi Saleh se concentram toda sexta-feira às 13h30 no centro da vila e tentam caminhar com bandeiras da Palestina até a Alqaws, fonte de água da cidade confiscada pelos oficiais israelenses em 2009 e atualmente de uso exclusivo dos colonos. O recurso era necessário para as plantações na aldeia e também funcionava como local de lazer, mas Israel restringiu a visita e proibiu a construção de qualquer tipo de infraestrutura no local pelos palestinos. 

ActiveStills (24/08/12)

Ahed e sua prima tentam impedir a prisão de sua mãe Nariman em um protesto contra os assentamentos em Nabi Saleh

“Toda sexta-feira, choques começam quando tentamos começar nosso protesto pacífico contra o assentamento que nos cerca”, contou a garota. Idosos, como sua avó, de 90 anos, crianças, mulheres e homens, são atingidos indiscriminadamente por munições e projéteis. Com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e o líquido “skunk”, os soldados impedem que a passeata chegue ao local de destino mas, pela primeira vez, em junho deste ano, o grupo conseguiu entrar na fonte. 

Depois dos primeiros protestos, as Forças de Defesa de Israel começaram a fechar todas as entradas e saídas da vila, impedindo a chegada de ativistas internacionais e de outras cidades palestinas e restringindo a manifestação às ruas da vila.

“O uso de todos os meios para finalizar o protesto pelas forças de segurança é excessivo e ocorre mesmo quando os manifestantes não são violentos e não representam ameaça. As forças disparam enormes quantidades de gás lacrimogêneo dentro da área urbana da vila, que é o lar de centenas de pessoas”, disse em relatório a organização B’TSelem. “Em um protesto, pelo menos 150 latas de gás lacrimogêneo foram disparadas”, completou.

Mortes

Foi em uma dessas vezes que Ahed perdeu um dos primos. Há exatamente um ano, Mustafa morreu quando foi atingido na cabeça com uma bomba de gás lacrimogêneo durante os protestos. De acordo com testemunhas, ele jogava pedras contra um tanque israelense e um soldado, não identificado, mirou em sua cabeça.

ActiveStills

Ahed Tamimi (no fundo à direita), sua mãe, Nariman, abraçada a seu irmão, Waed, no funeral de Rushdi Tamimi

No entanto, segundo organizações de direitos humanos e residentes de Nabi Saleh, os oficiais não usam inadequadamente apenas munições menos letais, mas também armas de fogo. Em 19 de novembro, o tio de Ahed, Rushdi, policial palestino de 31 anos, faleceu de complicações médicas depois de ferimentos com balas de fogo no intestino.

Apesar da crescente repressão, Ahed e sua família continuam a participar dos protestos semanais na aldeia, de 500 habitantes, contra os assentamentos israelenses e o muro que separam os territórios. Sob o argumento de que a manifestação é uma “reunião ilegal”, os oficiais prendem civis e tentam dispersar o grupo logo nos primeiros minutos.

Prisões 

“Minha mãe disse a eles para saírem das nossas terras e o soldado, com raiva, respondeu que estávamos em uma zona militar. [Ela] então disse a ele para retirar os colonos também e ele ordenou sua prisão”, lembrou Ahed, mencionando a manifestação do dia 24 de agosto (vídeo). Ao lado das primas, a garota protestou contra a detenção e acabou apanhando dos militares. Nariman foi libertada e logo, voltou a participar das manifestações com sua câmera e kit de primeiros socorros.

ActiveStills (24/08/12)

Nariman, coberta com o lenço palestino, é levada pelos oficiais israelenses; Ahed tenta impedir que eles levem sua mãe

O pai foi preso novamente em 24 de outubro, durante uma manifestação a favor do boicote contra o supermercado israelense Rami Levy. Ele posteriormente foi condenado a quatro meses de prisão e a uma multa poucos meses depois de ter sido solto. Após uma semana, o filho mais velho foi levado pelos soldados, mas permaneceu detido poucos dias na delegacia do assentamento de Sha’as Benyamin.

“A prisão de Waed Tamimi, enquanto ele estava andando pacificamente em sua vila, aponta para o contínuo abuso do ativista Bassem Tamimi, de sua família e da comunidade de Nabi Saleh pelas forças militares israelenses”, afirmou Ann Harrison da Anistia Internacional. “Este abuso e assédio deve parar”, acrescentou ela.



Ocupação e os jovens: peça-chave para a repressão

A presença militar de israelenses na vila palestina não é restrita às sextas-feiras. A emissora israelense Canal 10, junto com a B’TSelem, denunciou que os oficiais fazem rondas noturnas em Nabi Saleh, durante as quais invadem as residências dos palestinos e tiram fotos das crianças.

As Forças de Defesa usam as fotografias para identificar os menores que jogam pedras contra os oficiais nos protestos e depois, vão às suas casas durante a noite para prendê-los. Segundo a organização palestina Addammeer, que luta pelo direito dos presos políticos, o depoimento desses jovens é fundamental para Israel construir denúncias contra os líderes do movimento. Foi o interrogatório de uma criança de 10 anos que levou à prisão de Bassem.

Ahed conta que os oficiais estão por perto “toda vez que quero brincar com meus amigos, quando vou à escola e quando estou em casa”.

Oren Ziv/ActiveStills

Bassem e Nariman Tamimi se reencontram depois de periodo de encarceramento

Mesmo quando os soldados estão longe, os palestinos lembram diariamente de que sua terra está sendo ocupada e confiscada. Nabi Saleh, assim como toda a Cisjordânia, é cercada por um muro de 10 metros de altura e por todos os lados da aldeia, os apartamentos modernos dos colonos construídos ilegalmente em seu território podem ser vistos. A falta de parentes e amigos que estão presos ou foram mortos impedem que essas pessoas se esqueçam da sua realidade.

Sonhos de uma criança

"Eu gostaria que toda a minha família fosse libertada assim como todos os outros prisioneiros palestinos logo e quero ver o meu grande sonho de um dia viver em uma Palestina livre", declarou Ahed.

Reproduçao Facebook
O sentimento de tristeza e desespero, pesado demais para uma criança, preocupa os pais de Ahed. “Durante as visitas ao meu marido, Bassem me pediu que os corações dos nossos filhos fossem purificados de todo e qualquer ódio por conta das sementes de amor que plantamos neles”, contou Nariman. “Agora, nós estamos esperando por redenção, felicidade, justiça e liberdade”. 
(Waed Tamimi vestido com lenço palestino durante protesto do dia 7 de dezembro para se proteger das bombas de gas lacrimogeneo)

A libertação nacional parece estar longe da vida de Ahed e dos Tamimi. Enquanto a família ainda enfrenta uma ordem de demolição de sua casa em Nabi Saleh, as autoridades israelenses já anunciaram que vão continuar com a expansão dos assentamentos nos territórios palestinos.

No entanto, o espírito de resistência dessa família não parece diminuir, apesar das seguidas provações pelas quais passaram. Metaforicamente, os Tamimi são a Palestina. 
Postado:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/perfis/25876/de+punho+em+riste+quem+e+a+garota+que+desafiou+a+ocupacao+israelense.shtml

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O ultimato dos Guarani-Kaiowá


Em assembleia com presença de delegação do poder público, disse Otoniel Guarani: “A gente sofre violência; as mulheres, estupro”. Nesse momento, mulheres e homens indígenas se levantaram e encararam o governo

Por Ruy Sposati, no CIMI
Mais de 300 Guarani e Kaiowá, reunidos no Aty Guasu – grande assembleia dos povos Guarani do Mato Grosso do Sul – concluíram o encontro declarando às autoridades brasileiras: “não aceitaremos mais promessas vazias”. Os indígenas estiveram reunidos no município de Douradina, entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro na aldeia Panambi.
Com representação de todos os tekoha - “o lugar onde se é” Guarani, seja aldeia, retomada ou acampamento -, os indígenas fizeram duras críticas aos poderes executivo, legislativo e judiciário brasileiros, sintetizadas no documento final do encontro. Para eles, os Guarani e Kaiowá vivem um contexto de massacre silencioso que “banha nossas terras apenas com o nosso sangue”, acusando que “este estado de genocídio é reforçado pelo governo brasileiro”.
A assembleia Guarani culminou com a visita de uma delegação do poder público composta pela presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), representantes do Ministério da Justiça, da Cultura e da Agricultura, Polícia Federal e Força Nacional, além da Polícia Civil de Dourados e de parlamentares do Mato Grosso do Sul e da Câmara dos Deputados.
“Queria deixar a minha palavra aos três poderes: que ouçam o nosso grito. Nesta terra está um pedaço da nossa carne. Nessa terra aqui está o sangue dos nossos antepassados, os ossos das lideranças interrompidas. Essa é a terra que nós queremos”, falou Oriel Benites, de Limão Verde.
Dezenas de relatos das comunidades sobre as violências e ameaças sofridas pelos Guarani e Kaiowá foram minuciosamente repetidos pelos indígenas aos membros do governo. Quando falavam das retomadas e dos territórios de seus ancestrais, os Guarani jogavam terra nos pés dos representantes do governo. Quando falavam dos mortos, abriam banners enormes com fotografias de lideranças assassinadas e cujos processos judiciais estão todos parados ou já prescreveram.
“A gente tá ameaçado. A gente sofre violência; as mulheres, estupro”, disse Otoniel Guarani, liderança do Conselho Continental da Nação Guarani à delegação governalemental. Naquele instante, os indígenas ameaçados e todas as mulheres presentes no encontro se levantaram e encararam o governo. Otoniel continuou: “nós estamos falando isso cara a cara pra vocês verem. Nós não podemos mais esconder nossa cara”.
Governo na corda bamba

A vinda da gigantesca comitiva do governo federal não foi suficiente para convencer os Guarani e Kaiowá de que o poder público está interessado em resolver o seu problema. “Nós achávamos que vocês iam nos trazer aqui propostas concretas”, disse Oriel à delegação que visitou o Aty Guasu.
“Nós votamos em vocês, nós elegemos vocês. E agora parece que vocês querem acabar com a soberania Guarani”, disse a liderança Ládio Veron à delegação.
“Já tá passando já. A gente não confia muito. Um dia, nossos antepassados confiaram. A gente não confia mais”, disse Elpídio, liderança Guarani de Potrero Guasu, à presidenta da Funai. “Eu já avisei o governo que eu ia retomar a minha terra. Eu vou voltar lá pra Potrero onde está os meus avós. Nós vamos fazer a retomada. Vocês tem que fazer a lei pra resolver isso. Porque a gente vai retomar a terra”. Em seu depoimento, Elpídio também expôs relatos dos mais antigos sobre parentes Guarani Nhandeva mortos pela ditadura militar.
Os indígenas cobraram do governo o cumprimento das obrigações constitucionais. “O governo brasileiro somente faz algo concreto para nos proteger quando há grande repercussão na imprensa e pressão da sociedade – e não por obrigação constitucional, como deveria ser”, declararam os Guarani e Kaiowá no documento final do Aty Guasu, entregue aos representantes do poder público junto das cartas das comunidades.
Indenização para fazendeiros

Como solução aos problemas fundiários no Mato Grosso do Sul , o governo levantou o debate sobre a indenização integral aos fazendeiros.
“Minha preocupação é quando falam em dinheiro. Dinheiro é bom pro não-índio, é o que resolve o problema dele. O nosso não”, questionou o professor Kaiowá Anastácio Peralta.
“Vocês vieram falar da solução do problema do fazendeiro, não do nosso”, continuou. “O nosso problema é que a gente não tem terra, e quando a gente retoma, a terra está degradada. A gente tem que encontrar uma solução pra esse problema. Esse é o problema do índio”, apontou.
“Se existe dinheiro, ele tem que ser usado para a Nação Guarani! Querem dar dinheiro pra quem nos roubou?”, disse Ládio. “Os indígenas é que têm que receber o dinheiro. Pelos aviões que passam jogando veneno. Pelos mortos todos”, concluiu.
“O capim é do fazendeiro. Se quiser levar o capim, pode levar. Mas a terra é nossa”, ironizou Elpídio.
“Essa discussão é feita de um jeito muito estranho. Estamos mostrando as irregularidades dos fazendeiros na nossa terra. Mas o poder executivo simplesmente não se questiona se essas terras eram dos indígenas!”, disse a liderança Kaiowá Eliseu Lopes, representando a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) no encontro.
PEC 215 e Portaria 303

“Pro governo e o Congresso mostrarem que quer nos ajudar, eles tem que acabar com a PEC 215, a Portaria 303. Isso precisa ser parado”, afirmou a liderança Lindomar Terena, da retomada Mãe Terra, em Miranda (MS), que também participou do encontro.
Quanto a isso, os Guarani e Kaiowá são igualmente taxativos. No documento final do encontro, reafirmam: “não aceitaremos mudança constitucional”, referindo-se à Portaria 303, proposta da Advocacia Geral da União (AGU).
A Proposta de Emenda Constitucional 215 (PEC 215) intenta transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas. Já a Portaria 303 pretende permitir que terras indígenas possam ser ocupadas por empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos indígenas.
“Não adianta a gente retomar e nem o governo demarcar, se o governo vem com PEC e Portaria. Isso precisa acabar”, disse Anastácio.
Direitos e representatividade

“Não estamos pedimos para ser amados, e sim para sermos respeitados e ouvidos”, escreveram os jovens Guarani e Kaiowá às autoridades.
Foi nesta tônica que os indígenas apresentaram ao governo suas reivindicações. Eles exigem que o governo reconheça suas formas de organização como representações legítimas dos povos Guarani do Mato Grosso do Sul, que devem ser ouvidas pelo poder público. “O Estado tem que consultar o Aty Guasu e a Comissão de Professores. Não adianta só dizer que vai demarcar, mandar a Força Nacional… Nós queremos discutir política, segurança, educação”, disse Otoniel. “Nós queremos pautar muitas coisas. Temos que ter garantida a nossa autonomia, sustentabilidade. Saúde de qualidade com política diferenciada. Primeiro, tem que ter atedimento também pras famílias das retomadas [e não só para as aldeias]. E tem que ter educação diferenciada, tem que ter concurso público diferenciado”.
Laranjeira Nhanderu
“A Polícia Federal tem que ir agora lá em Laranjeira Nhanderu abrir a estrada. Isso é a coisa mais urgente, vocês vieram aqui e tem fazer isso. Eu tô cansado de ouvir vocês falarem, falarem, prometerem, prometerem. Eu estou sem palavra pra ouvir vocês”, exigiu Eliseu.
Antes do término da reunião com o governo, a Polícia Federal se comprometeu a imediatamente ir até a retomada Laranjeira Nhanderu e desfazer o cerco dos fazendeiros à retomada.
No dia seguinte, contudo, lideranças indígenas foram ao local, e a cerca permanece onde está, intocada. Os indígenas continuam em situação de cativeiro
Leia também:
  1. Soja e cana em terras dos Guarani-kaiowá
  2. Guarani-Kaiowá: redes sociais tiram governo da imobilidade
  3. Da crise econômica ao suicídio guarani
  4. MS: a saga dos índios pode chegar ao suicídio coletivo
  5. A potência revolucionária dos pobres e dos índios
  6. Quem pressiona pela alta dos juros
  7. Pelo controle dos fluxos de capital
  8. Novo perfil dos estrangeiros no Brasil
  9. Brasil: a hora dos serviços públicos
  10. Crise: a delicada recuperação dos "emergentes"
Postado : http://ponto.outraspalavras.net/2012/12/06/ultimato-dos-guarani-kaiowa/

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UM LOBISTA DA SHELL À CABEÇA DA COLIGAÇÃO NACIONAL SÍRIA



As múltiplas caras do xeque Ahmad Moaz Al-Khatib

Totalmente desconhecido do público internacional, ainda apenas há uma semana, o xeque Moaz al-Khatib foi propulsado a presidente da Coligação nacional síria, representando a oposição pró-ocidental ao governo de Damasco. Descrito através de uma intensa campanha de relações públicas como uma alta personalidade moral sem ligações partidárias ou económicas, ele é na realidade membro dos Irmãos muçulmanos e quadro da companhia petrolífera Shell.

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O xeque Ahmad Moaz Al-Khatib
A decomposição da oposição síria armada reflete os conflitos entre os países que tratam de impor a « mudança de regime » em Damasco.
O componente mais falado é o Conselho Nacional Sírio(CNS), conhecido também como Conselho de Istambul, por ter sido constituído nessa cidade turca. Controlado com mão de ferro pela DGSE [1] e financiado pelo Catar. Os seus membros, a quem se concedeu o direito de residência em França e diversas facilidades, estão debaixo da pressão constante dos serviços secretos, que lhes ditam até as mínimas declarações.
Os Comités Locais de Coordenação (CLC) representam, no terreno, os civis que apoiam a luta armada.
E, finalmente, o Exército Sírio Livre (ESL), controlado principalmente pela Turquia, ao que pertencem a maioria dos combatentes, incluindo as brigadas da al-kaida. Cerca de 80% das suas unidades reconhecem como seu chefe espiritual o xeque takfirista Adnan Al-Arour, que reside na Arábia Saudita.
Tentando de recuperar o controlo e por ordem nesta cacofonia, Washington orientou a Liga Árabe para convocar uma reunião em Doha, torpedeou o CNS e obrigou o maior número possível de grupúsculos a integrar uma estrutura única : aColigação Nacional de Forças da Oposição e da Revolução.
Nos bastidores, foi o próprio embaixador norte-americano Robert S. Ford que distribuiu os postos e as prebendas. Para terminar, ele impôs como presidente da Coligação uma personalidade que nunca antes havia sido mencionada na imprensa : o xeque Ahmad Moaz Al-Khatib.
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O embaixador norte-americano Robert S. Ford
Robert S. Ford é considerado como o principal especialista do Médio Oriente no Departamento de Estado. Foi o assistente de John Negroponte, de 2004 a 2006, quando o este mestre-espião norte-americano aplicou no Iraque o método que ele tinha elaborado nas Honduras : o uso intensivo de esquadrões da morte e de Contras. Pouco antes do começo dos incidentes na Síria, o presidente Obama nomeou-o embaixador em Damasco, cargo que assumiu apesar da oposição do Senado norteamericano. Ele aplicou imediatamente o método Negroponte, à Síria com os resultados que se conhecem.
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A esposa do embaixador Robert S. Ford, Alison Barkley, supervisiona a logística da embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita.
Embora a criação da Coligação Nacional confirme que Washington retoma o controlo da oposição armada, esse acto em si mesmo não resolve o problema da sua representatividade. Vários componentes do E.S.L. rapidamente expressaram o seu desacordo com ela. Sobretudo porque a Coligação exclui das suas fileiras a oposição hostil à luta armada, como aCoordenação Nacional pela Mudança Democráticade Haytham al-Manna.
A escolha do xeque Ahmad Moaz al-Khatib como presidente responde a uma necessidade de aparência : para obter o reconhecimento dos combatentes, o presidente da Coligação tinha que ser um religioso ; mas para ser aceite pelos ocidentais, tinha que parecer um moderado. O mais importante é que, neste período de intensas negociações, era preciso que este presidente tivesse sólidos conhecimentos para discutir o futuro do gás sírio… embora disto não convenha falar-se em público.
Rapidamente, os especialistas americanos de marketing modificaram o look do xeque Ahmad Moaz al-Khatib metendo-o dentro de um traje de fato sem gravata. Vários media transformaram-no já num líder « modelo ». Por exemplo, um grande quotidiano norte-americano apresenta-o como « um produto único da sua cultura, como Aung San Suu Kyi na Birmânia » [2].
Vejamos o retrato que faz deste personagem a Agência France Presse (AFP) :
« Xeque Ahmad Moaz Al-Khatib, o homem do consenso
Nascido em 1960, o xeque Ahmad Moaz al-Khatib é um religioso moderado que foi por um tempo imã da Mesquita dos Omeídas de Damasco e não pertence a nenhum partido político.
Foi essa independência, e a sua proximidade com Riad Seif promotor da iniciativa de uma coligação ampla, que fez dele um candidato de consenso para a direção da oposição.
Surgido do islão sufi, este dignatário religioso, que estudou relações internacionais e diplomacia, não está ligado nem aos Irmãos Muçulmanos nem a nenhuma força de oposição islamista.
Detido em varias ocasiões em 2012 por ter apelado publicamente à queda do regime de Damasco, foi proibido de fazer uso da palavra nas mesquitas por ordem das autoridades e encontrou refúgio no Catar.
Originário de Damasco, desempenhou um papel decisivo na mobilização na periferia da capital, sobretudo em Duma, muito activa desde o começo da mobilização pacífica em março de 2011.
“O xeque al-Khatib é uma figura de consenso que goza de um verdadeiro apoio popular no terreno” sublinha Khaled al-Zeini, membro do Conselho Nacional Sírio (CNS). » [3].
A verdade é muito diferente.
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O xeque Ahmad Moaz al- Khatib, já metamorfoseado, em traje ocidental e sem gravata.
Não existe nenhum indício de que o xeque Ahmad Moaz al- Khatib tenha estudado alguma vez algo parecido a relações internacionais e diplomacia, mas ele tem uma formação de engenheiro em geofísica e trabalhou durante 6 anos para a al- Furat Petroleum Company (de 1985 a 1991). Esta companhia é una joint-venture entre a companhia nacional e várias companhias estrangeiras, entre elas a anglo-holandesa Shell, à que ele se manteve vinculado.
Em 1992 herdou do seu pai, o xeque Mohammed Abu al-Faraj al-Khatib, o prestigioso cargo de pregador na Mesquita dos Omeídas. Foi rápidamente afastado dessas funções e foi proibido de pregar em território sírio. No entanto este episódio não foi em 2012 e nem teve nada que ver com a actual contestação, mas sim há 20 anos, sob governo de Hafez al-Assad. A Síria apoiava então a intervenção internacional para libertar o Kuweit,quer por respeito ao direito internacional como para acabar com o rival iraquiano e aproximar-se do Ocidente. Mas o xeque opôs-se à Tempestade do Deserto por motivos religiosos que eram os mesmos que proclamava… Osama Ben Laden –cujas ideias ele defendia então–, especificamente quanto à recusa da presença ocidental em terras da Arábia, considerada como um sacrilégio. Isto conduziu-o a proferir arengas anti-semitas e anti-ocidentais.
Em seguida, o xeque dedicou-se a uma actividade de ensino religioso, nomeadamente no Instituto Neerlandés de Damasco. Ele empreendeu numerosas viagens ao estrangeiro, principalmente aos Países Baixos, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Finalmente, fixou-se no Catar.
Em 2003-2004, voltou à Síria como lobista do grupo Shell aquando da atribuição das concessões para a prospecção de petróleo e de gás.
Em princípios de 2012, regressou novamente à Síria onde incendiou os protestos no bairro de Duma (nos arrabaldes de Damasco). Preso e posteriormente amnistiado, saiu do país em julho e instalou-se no Cairo.
A sua família é de tradição sufi. No entanto, contrariamente às afirmações da AFP, o xeque é membro da confraria dos Irmãos Muçulmanos, e aliás mostrou-o no final do seu discurso de investidura em Doha. Seguindo a técnica habitual da Irmandade, ele não só adapta a forma mas também o conteúdo dos seus discursos ao auditório que tem pela frente. Por vezes é favorável a uma sociedade multi-religiosa, outras é pela implantação da sharia. Nos seus escritos, qualifica as pessoas de religião judaica como « inimigos de Deus » e aos muçulmanos shiitas como «hereges rejeicionistas », qualificativos que equivalem a uma condenação à morte.
Definitivamente, o embaixador Robert S. Ford fez uma bela jogada. Uma vez mais os Estados Unidos enrolam os seus aliados. Tal como na Líbia, a França assumiu todos os riscos mas, na grande partilha que se anuncia, a Total não obterá nenhuma concessão vantajosa.
Tradução Alva
Postado:http://www.voltairenet.org/pt
[1] A Direcção Geral de Segurança Exterior é o serviço de inteligencia externa da França. NdT
[2] «A model leader for Syria?», editorial do Christian Science Monitor, 14 de novembro de 2012.
[3] «Un religieux, un ex-député et une femme à la tête de l’opposition syrienne», AFP, 12 de novembro de 2012.