sábado, 24 de julho de 2010

Uma decisão que lança mais combustível no incêndio das intervenções imperialistas



Pelo KKE (Partico Comunista da Grecia


O Tribunal Internacional de Haia decidiu hoje que a chamada "declaração de independência do Kosovo" não violou o Direito Internacional. Embora esta decisão não seja legalmente obrigatória, é óbvio que estabelecerá um sério precedente legal.

Esta decisão do Tribunal Internacional de Haia prova mais uma vez o que o KKE tem advertido desde há muito, nomeadamente que o direito internacional formado após a Segunda Guerra Mundial, em resultado da correlação de forças entre o imperialismo por um lado e a União Soviética e as repúblicas populares pelo outro, já não existe. Ele foi desfeito em bocados!

Por um lado, as organizações internacionais cobrem os EUA, NATO e outras forças imperialistas de modo a que possam promover os seus interesses. Por outro, elas foram transformadas num campo de confrontação e compromissos provisórios entre as grandes potências imperialistas. Por esta razão, a decisão do Tribunal Internacional de Haia "legitima" a máquina de guerra da NATO, a guerra imperialista nos Balcãs e naturalmente os seus resultados, que o protectorado do Kosovo.

Esta decisão constitui também uma advertência para o povo grego, o qual vê os governos do PASOK e da ND apoiarem-se na NATO, na UE e no Tribunal Internacional de Haia em relação aos problemas entre a Grécia e a Turquia. Ao mesmo tempo esta decisão é particularmente perigosa pois acrescenta combustível ao incêndio das questões existentes e não existentes de minorias, as quais são utilizadas pelas potências imperialistas para as suas intervenções. A região balcânica está em perigo de entrar num novo ciclo de intervenções imperialistas e conflitos sangrentos sob o pretexto da "protecção" de minorias.

Os povos não deveriam ter qualquer ilusão acerca das chamadas "instituições internacionais" e da alegada "governação democrática global" do capitalismo. A única esperança para os povos é a luta anti-imperialista firme e em massa, a sua frente comum contra o imperialismo e os seus sindicatos, uma luta que está indissoluvelmente ligada à luta pelo derrube do capitalismo e a construção do socialismo.

23/Julho/2010
[*] Partido Comunista da Grécia
O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-07-23-kosovo
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 23 de julho de 2010

somos todos do CIEP RUBENS GOMES

Caros companheiros e companheiras repasso o ótimo e oportuno artigo do SEPE-RJ sobre a morte anunciada do jovem Wesley que teve a vida interrompida pela ação truculência (ou seria premeditada) dos agentes repressores do Estado. Infelizmente é uma rotina que ocorre nas favelas do RJ e periferias desse país, só que dessa vez, como temos eleições o governador se mostrou "muito preocupado" e resolveu "agir imediatamente". Como diz o meu amigo e colega de profissão Roberto Marques precisamos socializar "o que não desejaria socializar: a dor". Punição para os responsáveis que são os agentes repressores do Estado! Não ao caveirão e todos os aparatos que só fazem amedrontar a já amedrontada população jovem, adulta e idosa das favelas! Interveção nas favelas só com ações culturais e sociais!
Professor Roberto Mansilla
Date: Mon, 19 Jul 2010 11:26:26

Socializando... o que não desejaria socilizar. A DOR.

Companheiros repassem p/ suas listas de contatos e enviem cópia p/ a SME, p/ a C. dos vereadores, p/ o governador e p/ o Ministério Público
Somos todos do CIEP Rubens Gomes
“Um sistema de desvínculos: para que os calados não se façam perguntões, para que os opinados não se transformem em opinadores. Para que não se juntem os solitários, nem a alma junte seus pedaços... O sistema esvazia nossa memória, ou enche de lixo, e assim nos ensina a repetir a história em vez de fazê-la. As tragédias se repetem como farsas, anunciava a célebre profecia.
Mas entre nós, é pior: as tragédias se repetem como tragédias”. (Eduardo Galeano)
Na última sexta-feira, nosso aluno Wesley faleceu dentro da sala de aula, vítima do descaso dos governos e de uma bala “achada” durante uma “ação” policial. Cada um de nós que já saiu com os alunos rastejando pelo chão da escola, em busca de um local menos vulnerável ao tiroteio sabe bem o que aconteceu.
Cada um que já ficou cantando para acalmar os alunos e minimizar seu próprio pavor também sabe. Talvez quem não saiba é quem deveria nos proteger: a polícia, os governantes. Mas para eles tanto faz. Não importa se Wesley tinha uma vida inteira pela frente, como ficarão os pais, como ficarão os outros alunos, como ficarão os profissionais da escola. O importante são as metas, o desempenho. Crianças são só estatísticas, diretores de escola tem que ser gestores de empresa, profissionais de educação são fabricadores de índices.
Se os funcionários adoecem por conta das péssimas condições de trabalho, a solução é contratar a COMLURB. Afinal se eles adoecem é problema do INSS. Se a escola não funcionou, não é culpa da SME, afinal as UE’s tem autonomia. Se os alunos não aprendem a culpa é do professor que não planeja. Afinal existem alguns Centros de Estudos, que somados no final do ano letivo dão uma média de 6 minutos por dia. Alunos das escolas do amanhã tem aula com voluntários, oficineiros. Afinal quem mora em comunidade não merece um ensino de qualidade. Que triste concepção de educação.
Para nós a luta por uma educação pública de qualidade e a construção de uma sociedade mais justa é o mais importante. Não precisamos de cursos para nos ensinar como agir em situações de risco. Não precisamos do desvio de verbas para OS’s, Institutos e Fundações privadas. Precisamos de respeito. Exigimos ser ouvidos. Estamos cansados.
Não admitiremos mais que nossos alunos morram por causa da negligência dos governantes. Há anos o SEPE denuncia e cobra dos governos medidas para a solução dos problemas da violência nas escolas e creches, seja externa ou interna. Uma infinidade de documentos foi entregue à Prefeitura, ao Ministério Público e ao parlamento. Inúmeras vezes alertamos sobre os riscos que poderíamos sofrer. Neste dossiê apresentamos diversas proposta para minimizar estes problemas. Infelizmente nenhuma medida foi tomada.
Diante de tamanha calamidade o SEPE e toda a sociedade devem cobrar dos governos a responsabilidade por este falecimento. Após a triste morte não basta que a secretaria lamente o ocorrido. A prefeitura não tem o direito de vir a público apenas lamentar fatos que são de sua responsabilidade. Sem anunciar nenhuma medida para minimizar o problema.
Se a Prefeitura realmente se importa com a educação, que marque uma audiência pública com o Sindicato e a categoria, para garantir nossa pauta de reivindicação e ouvir nossas propostas. Exigimos emergencialmente: - Fim das operações policiais no horário escolar; - Uma resolução para o não funcionamento das escolas em momentos de maior tensão neste locais de riscos, sem pressão da direção, CRE ou SME; - Aluguel de prédios nas proximidades das escolas, com garantia de transporte, para que possam funcionar nos momentos mais críticos de violência; - Chamada imediata dos concursados para agente educador; - Concurso público para equipe multidisciplinar (psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, orientadores educacionais) e agente de portaria;
Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação

quarta-feira, 21 de julho de 2010

GAZA e JERUSALÉM: Morte e destruição de casas


Foto: Una de las casas palestinas demolidas ayer, detras se ve el muro que cerca a Jerusalem.
PIP, 14 julho de 2010 .

Um tanque matou um palestino em Gaza.


Um tanque israelense atacou o campo de refugiados de Al Bureij no centro de Gaza , matando uma mulher palestina: Nemah Yusef
Abu E'said e seus quatro filhos pelo impacto de um projétil de artilharia de Israel durante a noite de quarta-feira em sua casa a leste da Faixa de Gaza.

Eles demolidas três casas em Jerusalém.

Demolições em Jerusalém: A potência ocupante ontem demoliu três casas de palestinos nos arredores de Jerusalém Oriental , somando-se as três já demolidas anteriormente, são elas: Na aldeia de Al- Esawiyah ontem (13/07) demoliram a casa de Mahmoud Elisawy, casa de aproximadamente 100 m2 , a outra casa demolida de dois pavimentos é da Sra. Sabah Abu Rmelah e a terceira na mesma cidade é uma casa pequena de um quarto de Khalell Dary .
As três demolições anteriores estão localizados na aldeia de Beit Hanina , uma delas é uma casa residencial 65 m2 , deixando uma família de seis pessoas, incluindo quatro crianças na rua , as outras duas estão localizados em Jabal Al Mukaber , uma delas de 100 m2 , onde viviam nove palestinos , incluindo duas crianças e a outra de 80 m2 pertencentes a Mashrah Moussa , deixando-o sem-abrigo com sua família de seis membros.
In jerusalem-palestina.blogspot.com

Sexto Aniversário da decisão do TIJ contra o apartheid de Israel Wall


PIP, 10 de julho de 2010 .
Foto: Muro do Apartheid , em Jerusalém.
Milhares de palestinos se manifestaram , com muitas passeatas de protesto contra o Muro do Apartheid e a lembrançado sexto aniversário do fracasso da decisão do Tribunal Penal Internacional ( TPI ) de Haia contra a construção do muro racista, pela entidade ocupante (Israel).
A concentração teve lugar ontem e continuou no sábado em quase todos os distritos de Hebron , no sul de Jenin , no norte da Palestina ocupada.
« Como toda sexta-feira nós nos reunimos em Naalin (vila palestina ) para protestar contra o roubo de nossas terras e assegurar ao mundo que esse muro tem nada relacionado à segurança ", afirmou Hindy Musleh , um membro da Stop da Organização do Wall ' .

Tribunal de Justiça: Em 9 de julho 2004, a Corte Internacional de Justiça - CIJ de Haya, pronunciou-se contra o muro que a potência ocupante estava levantando em Ribera Ocidental, separando aldeias, cidades e cercando jerusalém.
A Corte considerou "ilegal" e exigiu sua destruição , congelar e compensar os palestinos afetados. Wall : Sharon começou sua construção em Junho de 2002 , seu projeto inicial seria chegar a pouco mais de 325 km de comprimento. Atualmente supera mais de 700 km de extensão , duplicando a Linha Verde da ONU entre a Cisjordânia e Israel.
O Muro do apartheid combina seções de segmentos de cerca eletrônica , com paredes de concreto de até 10 metros , deixando as cidades e os vizinhos de sempre da mesma rua , separados por blocos de concreto.
Este muro ,é parte da política de ampliação dos territórios ocupados está dentro dos 68 % do território palestino e onde se encontra 80% de água palestino , usurpando casas e campos cultivados e penetrando mais de 24 km em territórios palestinos .
Testemunha: Muhammad Ibrahim , um morador de Jerusalém Oriental , disse: " De repente estávamos a 45 minutos de onde mora minha mãe , por causa das voltas que nós tivemos que dar, quando sua casa é do outro lado da rua. "
Israel: Ele ignorou a decisão do TIJ , violou todas as resoluções da ONU condenando o muro , e ainda a construção , causando sérios danos ao desenvolvimento, à terra , à saúde , à liberdade e à economia palestina.

Israel investigou o ataque à flotilha da liberdade e felicitou os soldados


PIP, 13 de julho de 2010 .
Foto: Ataque aéreo e mar pelas forças israelenses à ajuda humanitária barco Mavi Marmara .
A investigação de uma comissão liderada pelo ex-membro do ConselhoNacional de Segurança israelita , o general Giora Eiland , em hipócrita relatório sobre o assassinato de 19 pessoas , incluindo nove turcos, no ataque criminoso ao navio turco humanitário da flotilla da liberdade, o Mavi Marmara, que carregava 10 mil toneladas de ajuda humanitária para Gaza considerou que houve " falhas de inteligência e planejamento".
Documento Insólito : O relatório da força de ocupação , que não foi divulgado, defende o uso de armas de fogo por militares contra civis desarmados . Além disso, " felicita " os comandantes pelo seu profissionalismo , sua coragem e pelos recursos utilizados na operação contra o navio Mavi Marmara .
Justificação: O documento minimizou a presença de 700 passageiros , dizendo que "um grupo entre 65 e 100 passageiros a bordo do navio turco usaram facas , correntes e barras de ferro para atacar as tropas. " Justificando desse modo o uso dos helicópteros de guerra e soldados fortemente armados.
Com estainvestigação unilateral israelense pretende limpar a consciência pelas mortes.
Geral Eiland disse ontem aos jornalistas : " Para meu alívio , a investigação não encontrou nenhuma negligência ou falhas em questões importantes . Foi devido a erros cometidos em níveis relativamente altos que os resultados foram diferentes do planejado . "
Eiland sitou nenhum dos comandantes , até mesmo o comandante da marinha Eliezer Marom , que assumiu a operação e liderou o ataque em águas internacionais.
In Jerusalem-palestina.blogspot.com

Israel impede outro navio de ajuda humanitária de chegar a Gaza

PIP, 15 de julho de 2010 .
Foto: O barco que transportava líbio Al Amal suas adegas , com a ajuda de Ga

Israel obrigou o navio líbio Al Amal , com 2.000 toneladas de medicamentos e alimentos a Gaza, a mudar o seu caminho para aportar logo após 9:00 hora local , no porto egípcio de Al-Arish , deixando para trás o seu objectivo de quebrar o bloqueio israelense contra a Faixa de Gaza. A Marinha da força de ocupação por 24 horas estava em alerta, ameaçando e perseguir o navio humanitário em águas internacionais.
"Não estamos pressionando, estamos somente seguindo o barco ", disse uma fonte militar de
Tel Aviv, enquantoo responsável da Fundação para o navio -presidido pelo filho do líder líbio Muammar al- Gaddafi denunciava que eles estavam sendo forçados a ir para o Egito e sublinhou a sua intenção de chegar a Gaza. De Trípoli, o chefe da organização humanitária , Youssef Sawani , resistiu , dizendo que " qualquer indicação de que nós mudamos nosso rumo ou destino ", disse ele , nada mais é do que uma tentativa de distorcer a realidade e impor o script que Israel gostaria de ver . " A Rádio Israel transmitiu uma dura mensagem ao comandante do navio de origem cubana , que este seria legalmente responsável por um potencial confronto . "Qualquer tentativa de entrar na área (Gaza offshore ), será suaresponsabilidade ", disse o porta-voz militar.
Egipto: Ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio , Ahmed Aboul Gheit, anunciou que a carga entregue para a Líbia do Crescente Vermelho para serem enviados a Gaza.
Hamas: O primeiro-ministro do governo do Hamas , Ismail Haniyeh, apelou ontem para " o comboio prosseguiu por terra e mar "e apelou aos países para quebrar o bloqueio a Gaza.
ANP: A Autoridade Palestina não foi se pronunciou nem denunciou o fato.
in jerusalem-palestina.blogspot.com

terça-feira, 20 de julho de 2010

GRÉCIA COM A PALESTINA E CONSTRUINDO O PODER POPULAR

Atenas, 14 de julho de 2010

Sindicatos ligados à PAME - Frente Militante de todos os Trabalhadores bloquearam o balcão da companhia aérea israelense EL-AL no aeroporto Elefitherios Venizelos de Atenas durante duas horas, causando atraso para o vôo 542 de Atenas para Tel-Avivi.
Essa atividade faz parte da campanha internacional da Federação Mundial de Sindicatos contra o incessante bloqueio de Gaza pelo governo de Israel que tem o apoio dos imperialismos americano e europeu.
Durante nossa permanência no aeroporto nós condenamos o governo de Israel pelo genocídio e pela conduta desumana em relação ao povo Palestino. Nós também condenamos a hipocrisia do governo grego e de outros governos da União Européia.
Fonte: http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-07-15-pame
Tradução da versão em inglês feita por: Humberto Carvalho


“Para nós o Poder Popular não é outro senão o Socialismo”
Carlos A. Lozano Guillén*

Para os comunistas gregos a única opção [para a presente crise do capitalismo] é a saída popular, que não pode ser outra senão o socialismo. Não há saídas intermédias, tão pouco reformistas, num mundo, a seguir à derrota soviética, em que sectores da pseudo-esquerda sentem pânico da luta pela transformação revolucionária da sociedade.

Em exclusivo para VOZ, a principal dirigente do KKE (sigla, em grego), influente partido que tem estado na cabeça das mobilizações populares na Grécia, respondeu com gentileza às perguntas que lhe fizemos chegar, por correio electrónico.

Aleka Papariga é a Secretária-Geral do Partido Comunista da Grécia (KKE) desde a década de noventa, depois de se ter destacado como dirigente estudantil. É uma aguerrida parlamentar, cujo protagonismo é extraordinário na actual conjuntura, pois a sua voz levanta-se no Parlamento para se opor às soluções burguesas e, sem nenhum temor, chama as massas populares a rebelarem-se e a resistirem à ofensiva capitalista.

A entrevista é um documento de singular valor, esclarece o fundo da situação da crise no velho continente e as causas da mesma.

A Aleka, miúda e de pequena estatura, sobra-lhe coragem. Diz que para os comunistas gregos a única opção é a saída popular, que não pode ser outra senão o socialismo. Não há saídas intermédias, tão pouco reformistas, num mundo, a seguir à derrota soviética, em que sectores da pseudo-esquerda sentem pânico da luta pela transformação revolucionária da sociedade.

A postura desta mulher, que orgulha as mulheres e os comunistas, homens e mulheres de todas as latitudes, é medular, interpreta o mais alto da maré da luta de classes e a sua acção está na crista da onda, é um exemplo para o seu país e para o mundo.

Crise cíclica capitalista
(CL): - Quais são as causas da actual situação na Grécia?
(AP): - A causa da profunda crise em que a Grécia se encontra é a mesma de todos os países capitalistas desenvolvidos. Trata-se de uma clássica crise cíclica da economia capitalista. De facto, é uma crise generalizada e profunda. Independentemente da forma em que se manifesta neste ou naquele país, é o resultado da sobre-acumulação de lucros e capitais e da dificuldade em encontrar novas saídas, sem obstáculos, de rentabilidade contínua, o que é impossível de ultrapassar sem uma depreciação do capital.

Isto é o que os governos, os organismos internacionais imperialistas e os váriosanalistas, utilizando todos os meios, tratam de ocultar aos povos.

Na Grécia, a crise apresenta-se como um problema de grande dívida pública e de grande défice estatal. Vale a pena mencionar que no nosso país, nos últimos 15-20 anos, houve altas taxas de crescimento, com um aumento escandaloso dos lucros de todos os sectores da plutocracia. Este «milagre» grego foi levado a cabo por governos social-democratas e liberais, tendo como guia uma estratégia comum que foi apoiada pela União Europeia (UE): medidas contra os trabalhadores, reformas reaccionárias em todos os sectores, reformas laborais e na segurança social, privatizações, mercantilização da saúde e da educação, financiamento estatal e provocadoras medidas de isenção de impostos para o capital.

O objectivo foi o de fortalecimento dos monopólios, tanto gregos como europeus, nas suas actividades dentro e fora da UE.

Ao povo grego foi dito que esta é a via, que esta estratégia assegura o desenvolvimento contínuo e que o resultado final beneficiará também o povo. Os factos vieram dar razão ao Partido Comunista da Grécia [KKE, sigla em grego], que desde o princípio advertiu que esse caminho só ia trazer problemas ao povo e crise.

O povo a pagar a crise
Agora, a classe burguesa e os seus partidos políticos cooperam para que o povo pague a crise e os impasses do capitalismo. Querem descarregar nas costas dos trabalhadores e dos sectores pobres do povo os novos empréstimos públicos para financiar a concentração de capitais que se asfixiam e correm o risco de desaparecer. Ao mesmo tempo, utilizam a crise para aplicar medidas reaccionárias que queriam implementar há vários anos, a fim de embaratecer a força de trabalho e retirar da produção grandes sectores de trabalhadores autónomos e pequenos empresários.

A crise capitalista não é a doença, mas um sintoma da incurável doença do capitalismo, cujo desenvolvimento continua a ser anárquico e desigual, em todos os sectores da economia e na fase em que prevalecem os monopólios. As medidas anti-populares dos governos, na fase de desenvolvimento, bem como na própria crise, são uma demonstração evidente de que o capitalismo está obsoleto. Todas as suas contradições se agudizaram ao máximo e sobretudo a contradição fundamental entre o capital e o trabalho.

CL: - Como pretende resolver a crise o governo social-democrata?
AP: - Antes das eleições, em Outubro passado, advertimos o povo grego, da maneira mais explícita, para as duras medidas que estavam para vir depois das eleições.


Inclusivamente, indicámos a razão pela qual a plutocracia e os mecanismos do sistema escolheram e apoiaram o estabelecimento de um governo social-democrata.

Considerávamos que era mais capaz de impor as duras medidas anti-laborais do que o governo conservador, já que controlava a liderança do movimento sindical, dos pequenos comerciantes e dos trabalhadores autónomos. Assinale-se que, tanto no período pré-eleitoral como agora, o actual governo apresentou a crise, o aumento do défice e da dívida pública como resultado de uma má gestão, de falta de transparência e de corrupção dos governos anteriores.

O governo do PASOK (social-democracia) pretendeu e pretende desorientar e submeter o povo, utilizando truques e dilemas para o intimidar. Ainda que o seu programa contenha as medidas anti-laborais que actualmente implementa e que, inclusivamente, haviam sido votadas e apoiadas pela União Europeia, ao princípio parecia não querer implementá-las e que se viu a isso obrigado pelo curso dos acontecimentos, pelas pressões da UE e do FMI. Ambos os organismos apoiam e ajudam o Governo, propondo as mesmas bárbaras medidas contra os trabalhadores.

Para lançar uma guerra implacável contra o povo utilizou o dilema: ou grandes sacrifícios ou bancarrota. Desta maneira, tratou de apresentar estas medidas, que são necessárias para o capital, como necessárias também para o povo. Apresentou as agudas contradições do capital e dos governos, dentro e fora da UE, como uma guerra de especuladores, à custa do país. Igualmente pretendeu e pretende apresentar e utilizar o apoio de todos os sectores da plutocracia e dos meios de comunicação, como apoio de parte do povo.

Abrindo caminho ao protesto popular
CL: - Qual é a reacção ou a resposta dos trabalhadores?
AP: - Lamentavelmente, a maioria da classe trabalhadora e dos sectores populares pobres não tiveram em conta, com a seriedade requerida, as advertências do KKE.


Imediatamente depois das eleições, como KKE e como PAME (Frente Militante de todos os Trabalhadores), tomámos iniciativas para desencadear e organizar a tempo a luta contra a ofensiva anti-operária que estava para vir. A primeira greve que o PAME convocou, a 17 de Dezembro, tinha a oposição, tanto do governo, dos grandes industriais e dos partidos burgueses, como dos líderes sindicais que expressam os interesses da aristocracia operária, e todos tiveram uma reacção raivosa.

Não obstante, essa greve e a luta pelo seu êxito marcaram o início do arranque do contra-ataque do movimento de classe organizado, da intervenção política do partido para se dar um golpe decisivo no fatalismo e na submissão, e abriu o caminho para a criação e expressão da disposição militante dos trabalhadores e das classes populares.

Hoje, podemos dizer com segurança, que a propaganda e os dilemas do governo e dos seus aliados não deram frutos. A maioria do povo condenou as medidas e uma grande parte dos trabalhadores e dos sectores populares, superando as várias formas de intimidação, participou nas greves e nas mobilizações, principalmente do PAME e nas manifestações do KKE.

O inconformismo popular
Neste período, constatámos que uma parte significativa dos trabalhadores e do povo sente ressentimento e descontentamento e que se desenvolvem processos significativos na sua consciência. O Governo e a totalidade dos mecanismos do sistema utilizam todas as armas de que dispõem para obstaculizar a sua radicalização. O que realmente os preocupa e querem anular, de qualquer maneira, é a emancipação das consciências populares da via de sentido único do capitalismo. Querem impedir a participação activa no movimento de classe organizado e a adopção das posições e da proposta política do KKE.


Para o conseguir, utilizam o flagrante anticomunismo, a calúnia, as mentiras, as ameaças. Inclusivamente, utilizam provocações organizadas, com mortos, tentando identificar a mobilização dos trabalhadores com a «violência cega» dos serviços secretos.

Nem sequer têm pejo em nos acusar como instigadores morais, por causa da nossa posição de desobediência popular perante as medidas antipopulares, exigindo submissão e renúncia às formas de luta escolhidas pelo movimento. Cada vez mais abertamente nos colocam o dilema «respeitam ou não respeitam a Constituição?», exigindo que deixemos de lutar pelo socialismo.

Que saibam que a nossa resposta é só uma; estão a bater à porta errada. O sistema não pode subjugar o KKE. Para nós, a lei é a razão do povo e não necessitamos de autorização de ninguém para lutar em conjunto com o povo contra a política antipopular, contra a plutocracia, para a sua derrota, e pelo socialismo.

A proposta dos comunistas
CL: - Que saída propõe o KKE?
AP: - Frente aos dilemas que os nossos adversários colocaram ao povo, em relação com a crise, a nossa resposta é que vai cair na bancarrota ou o povo ou a plutocracia. Não existe solução intermédia. Não existe saída da crise a favor do povo, sem que se toque drasticamente nos lucros, na força e, em consequência, no poder dos monopólios. Por isso, a única via que o povo tem para colocar obstáculos às duras medidas tomadas à sua custa é um contra-ataque de classe, político, decisivo.


A nossa proposta de saída da crise resume-se à consigna: «aliança popular detrabalhadores, anti-monopolista, para o poder popular», que é necessária para conseguir mudanças radicais, primeiro, a nível da economia e, em geral, a nível do poder.

O caminho para satisfazer os direitos populares contemporâneos, para que o nosso país confronte as intervenções e os antagonismos dos organismos imperialistas internacionais, é que o povo esteja no poder, tendo nas suas mãos o controlo da economia e da produção.

Por isso, a proposta de alianças e poder para o povo têm os seguintes eixos básicos: que todas as grandes fábricas e empresas de energia e de matéria-prima, os transportes, as telecomunicações, as indústrias, o comércio e os bancos sejam propriedade social. Que se socializem os monopólios, de maneira que, com a planificação centralizada do poder popular, se utilizem todas as capacidades produtivas do país, tendo como único critério as necessidades do povo.

Ao seu lado funcionarão, incluídas na planificação nacional, as cooperativas de produção dos pobres e médios camponeses e dos pequenos comerciantes. Que a terra deixe de ser uma mercadoria. Que não exista actividade empresarial nos sectores da educação, da saúde e do bem-estar social.

A base do poder popular serão as unidades de produção do sector socializado e das cooperativas, cujos representantes poderão ser substituídos e, em simultâneo, existirá o controlo operário popular, da base ao topo.

Esta Grécia do poder popular e da economia popular não cabe em nenhum tipo de organismo imperialista como são a UE, a NATO, etc. Renegociará a dívida pública e tratará de conseguir acordos internacionais e cooperações numa base completamente diferente e utilizará as contradições imperialistas na medida em que o puder fazer. Para nós, o poder popular não pode ser outro senão o socialismo.

O fracasso de Maastricht
CL: - Esta situação, em relação com as especificidades em Portugal e Espanha, demonstra o fracasso da UE e do Tratado de Maastricht?
AP: - O Tratado de Maastricht e a política dos monopólios europeus nele baseada, com o fim de serem mais competitivos e rentáveis que os seus antagonistas, trouxe resultados para o capital europeu. É claro que isto só poderia fazer-se à custa dos trabalhadores e dos povos dos países da UE, assim como dos países onde opera o capital europeu.


O fracasso da UE está subjacente no facto de que a crise demonstrou a bancarrota completa dos argumentos de todos os seus defensores, tanto liberais, como social-democratas e «esquerdas».

UE não é nem pode ser a favor dos povos
É uma construção dos monopólios europeus e, como tal, é reaccionária e perigosa para os povos. No interior da UE não foi enfrentada a desigualdade entre os países; ao contrário, agudizou-se. Não se converteu nem se converterá no contrapeso dos EUA ou de outros centros imperialistas. São aliados e atacam os povos unidos. Ao mesmo tempo, lutam ferozmente entre si, para ganhar no antagonismo, ter a maior parte dos mercados e ampliar a sua influência no mundo.

O caminho a favor do povo é só o socialismo e jogar-se-á primeiro a nível nacional. Na Europa, cada povo que escolha esta via de desenvolvimento e de organização da sociedade contra a exploração do capital e dos monopólios estará obrigatoriamente contra a UE.

* Carlos Lozano é director do semanário de Voz, jornal do Partido Comunista da Colômbia. Aleka Papariga é Secretária-Geral do Partido Comunista da Grécia (KKE)
Esta entrevista foi publicada em Voz nº 2.543, de 2 a 8 de Junho de 2010
Texto em português publicado em http://www.pelosocialismo.net/

Teoria da política externa dos EUA – I

por Leo Huberman e Paul M. Sweezy [*]
A política externa dos Estados Unidos tem gerado derrotas há bem mais de uma década mas nunca a um ritmo tão rápido e furioso como durante os últimos meses [NR: escrito em 1960].
Qual é a reacção da classe dominante americana a este fracasso constante e generalizado da política externa?
Poder-se-ia esperar uma acumulação de críticas e um apoio crescente a política ou políticas alternativas. Mas olha-se em vão por qualquer coisa desta espécie nos Estados Unidos de hoje. Estamos em meio a uma campanha eleitoral, a qual dá a todos os líderes políticos de ambos os partidos muitas oportunidades para expor ao público os seus pontos de vista. Tanto quanto sabemos, nenhum deles exprimiu qualquer crítica dos fundamentos da política americana ou propôs que fosse mudada em qualquer aspecto importante.
Como explicar isto? Como explicar o facto de que a resposta virtualmente unânime da classe dominante americana é uma evasão a qualquer análise séria das causas e uma adesão teimosa às mesmas políticas que no passado conduziram constantemente ao fracasso?
Sem dar respostas completas a estas questões, [1] podemos no entanto expor algumas considerações relevantes. Para começar, é crucialmente importante reconhecer que a política externa é modelada e dominada por interesses de classe internos.
Isto é verdade para os Estados Unidos de hoje assim como o foi para o Império Romano ou a França de Luís XIV. Em alguns países, em certos momentos, a estrutura de classe e o padrão de interesses reflectido na política externa apresenta um puzzle mais ou menos complicado. Isto foi verdadeiro, por exemplo, nos Estados Unidos dos meados do século XIX quando o país incluía duas formas contraditórias de sociedade a lutarem pelo controle do governo nacional, cada uma com a sua própria estrutura de classe e suas necessidades particulares na área da política externa. Também foi verdadeiro, para dar outro exemplo, na Alemanha Imperial no meio século que antecedeu a I Guerra Mundial, aquela conjugação única de feudalismo e capitalismo que era levada por uma rigorosa lógica interna a antagonizar tanto a Rússia a Leste como a Inglaterra a Oeste e portanto a garantir a sua própria derrocada final.
WELFARE OU WARFARE
Os Estados Unidos de hoje, em comparação, são um caso muito mais simples. O país é dominado totalmente pelo capitalismo monopolista, pois os remanescentes de formas sociais anteriores (particularmente a classe agrícola independente) são em grande medida destituídos de poder.
O estado normal de uma sociedade avançada no capitalismo monopolista – no sentido da norma rumo à qual ela tende sempre – é a depressão crónica. Os Estados Unidos atingiram esta etapa do desenvolvimento em algum momento entre 1910 e 1930, com a norma tornando-se realidade na década de 1930. A depressão crónica não é uma condição viável, sendo contra os interesses tanto dos capitalistas como dos trabalhadores. Ela pode ser ultrapassada (mas não eliminada como tendência) só e exclusivamente através de um sector público amplo e em crescimento firme. Teoricamente, este sector púbico pode assumir tanto uma forma "welfare" (estado previdência) ou uma forma "warfare" (estado guerreiro). Mas um amplo e crescente programa de previdência contraria os interesses de uma classe dirigente privilegiada, uma vez que necessariamente implica um programa cumulativo de reforma social, a erosão de direitos e privilégios especiais, etc. Um vasto e crescente programa de guerra, por outro lado, não só "resolve" o problema económico do capitalismo monopolista como também ajuda a preservar intacta a estrutura de classe existente com o seu sistema graduado de classificação, status e privilégio.
Além disso, e isto é da máxima importância, o poder militar que cria é essencial para a manutenção do império económico à escala mundial, o qual proporciona ao capitalismo monopolista as indispensáveis (e altamente lucrativas) matérias-primas, mercados e saídas de investimentos. A classe dominante portanto tem todo o interesse em fazer com que o necessário sector público seja um sector guerreiro (warfare). A classe trabalhadora, embora naturalmente os seus interesses objectivos fossem melhor servidos por um sector previdência (welfare), prefere o sector warfare ao desemprego em massa e – a julgar pela experiência até à data – pode ser persuadida em massa de forma relativamente fácil a aceitar isto como um dever patriótico.
Portanto vemos que no caso da América de meados do século XX a investida dos interesses de classe internos imperativamente requer a guerra fria e a corrida às armas, e torna-se tarefa primária da política externa proporcionar a justificação necessária.
Observámos anteriormente que a resposta quase unânime da classe dominante a esta deterioração da posição mundial da América tem sido não o questionar da política que levou a isto mas, ao invés, insistir em que é necessário mais empenho em aplicar aquela política. A análise precedente permite-nos explicar este paradoxo aparente. Até agora, o declínio dos Estados Unidos como potência mundial tem tido apenas repercussões menores sobre a economia interna e portanto deixou imperturbado o padrão de interesses de classe que determina a política externa. Enquanto isto permanecer verdadeiro não há razão para esperar nem uma mudança na política externa nem uma interrupção no processo de declínio.
Neste ponto devemos desviar por um momento do ponto principal para responder a uma possível objecção. Pode ser afirmado que a nossa teoria deixa de fora um factor importante, que ao determinar suas acções as pessoas podem e levam em conta não só a situação imediata que as confronta como também tendências e prováveis situações futuras.
Não será um mistério a razão por que a classe dominante americana não só nada faz para conter a deterioração da posição mundial dos Estados Unidos como realmente intensifica as políticas que são responsáveis pela deterioração?
A resposta, parece-nos, depende da característica mais fundamental de uma sociedade burguesa (ou de qualquer outra sociedade baseada na propriedade privada), nomeadamente que a preocupação predominante de cada indivíduo é e deve ser cuidar dos seus próprios interesses o melhor que puder. O que acontece à sociedade toda é a resultante de um número infinito de acções individuais em causa própria. A mentalidade dos membros de tal sociedade (além das classes ou grupos revolucionários, se houver) é completamente dominada por esta disposição.
Cada um identifica o interesse público com o seu próprio interesse privado e portanto não tem inibições ou sentimentos de culpa acerca da promoção dos seus próprios interesses privados mesmo se chegar a ocupar uma posição governamental arcando com o dever de servir toda a sociedade. [2] Não existe nada em tudo isto que impeça o indivíduo de antecipar e planear seus negócios privados de forma a levar em conta o antecipado bem como situações reais, mesmo que isto signifique algum sacrifício no presente. Mas isto não significa que indivíduos não possam antecipar-se e aproveitar-se ou procurar impor sobre outros os sacrifícios do presente em troca de um antecipado benefício futuro para o grupo.
Esta é a razão porque numa sociedade capitalista a previsão colectiva e o planeamento antecipado são possíveis só na medida em que envolvam sacrifícios insignificantes no presente e benefícios finais para todos ou quase todos os indivíduos que contam (isto é, possuidores de propriedade). Se os sacrifícios no presente forem substanciais e os benefícios no futuro forem colectivos, nenhuma acção é possível.
A mentalidade burguesa, por outras palavras, é tão condicionada que nunca pode transcender o horizonte dos interesses individuais. Quando uma dada situação histórica parece apelar a um tal esforço, a resposta é um recurso a racionalizações as quais, se bem que distorcendo a realidade, proporcionam a justificação necessária para atitudes e acções que possam passar no teste do interesse privado.
Esta análise explica uma das coisas mais óbvias e ainda assim desconcertantes acerca da sociedade capitalista, a qual nunca pode actuar antecipadamente para impedir uma crise, não importa quão previsível possa ser, mas deve sempre esperar e actuar depois de a crise ter ocorrido.
Centenas de ilustrações desta proposição poderiam ser mencionadas, mas basta uma. Sociólogos urbanos e planeadores de cidades são quase unânimes em dizer-nos que os nossos grandes centros metropolitanos caminham para a paralisia e que as políticas de transportes dos dias actuais estão a acelerar o dia do desastre. E ainda assim nenhumas contra-medidas efectivas são tomadas e é seguro prever que nenhuma o será até que interesses privados decisivos sejam imediata e esmagadoramente ameaçados. Sugerimos que precisamente o mesmo princípio se aplica no campo dos assuntos internacionais.
Uma política externa que repousa sobre interesses privados está a precipitar o declínio e a queda dos Estados Unidos como potência mundial. Nada será feito quanto a isto, contudo, a menos e até que aqueles mesmos interesses privados comecem a ser prejudicados ao invés de beneficiados.
Quão logo e por que meios podemos esperar que a deterioração da posição mundial da América comece a ter efeitos adversos sérios sobre a economia americana? E quais as formas que estes efeitos adversos provavelmente tomarão?
1- Elas podem ser uma preocupação primária de cientistas sociais profissionais, mas não são. A razão é que cientistas sociais neste país hoje são dependentes de universidades e fundações as quais por sua vez estão sob o controle directo e estreito de representantes autênticos dos interesses e da ideologia da classe dominante. Os cientistas sociais são tratados generosamente e permite-se-lhes que façam o que quiserem, mas com uma condição, nomeadamente de afastarem-se de qualquer tentativa de uma análise crítica da sociedade americana. Há excepções, naturalmente, mas elas são todas daquelas que confirmam a regra.
2- Recordar a formulação clássica de Charlie Wilson: "O que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos".

[*] Paul M. Sweezy (1910-2004): economista marxista e fundador da Monthly Review .
Leo Huberman (1903-1068): marxista americano, co-fundador e co-editor da MR.

O texto acima é um excerto da "Revisão do mês" publicada no número de Setembro de 1960 da MR.

O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/2010/hs120710.html Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Israel intercepta barco humanitário com ajuda à Gaza


Uma lancha israelense interceptou hoje o barco organizado por uma organização humanitária libia com ajuda destinada à Faixa de Gaza, assegurou hoje a Fundação Gaddafi para o Desenvolvimento que lidera o segundo filho do líder libio, Seif A o-Islão Gaddafi.

“Pediram ao capitão do barco que se dirija para o porto do Arish (em Egipto), insistindo que não permitirá atracar em Gaza em absoluto”, disse a fundação num comunicado em sua página site.

O capitão e o líder da equipa da fundação libia a bordo afirmaram que o único destino do barco, que partiu de Grécia no sábado pela tarde, é Gaza, aseverando que leva ajuda humanitária e que não tem outro propósito.

A lancha segue cerca do barco, acrescentou. O “Amalthia”, que navega sob bandeira moldava, leva a 15 activistas pro-palestinos, em sua maioria libios, excepto um nigeriano, um argelino e um marroquino- e 12 membros da tripulação, bem como 2.000 toneladas de ajuda humanitaria e remédios.

Espera-se-lhe na quarta-feira pela manhã na costa de Gaza. A bordo viajam também 12 tripulantes de Haiti, Índia e Síria sob o comando de um capitão de origem cubana.

(Com informação de DPA)

terça-feira, 13 de julho de 2010

FALUJA , PIOR QUE HIROSHIMA


Layla Anwar


A informação que me acaba de chegar é demasiado importante para ser deixada de lado, nem um segundo… me ponho pois a elaborar este escrito aceleradamente.
Acabo de ver, na o-Jazeera Arabic, no programa de Ahmad Mansour a entrevista com o Professor Chris Dusby.
O Professor Busby é cientista e Diretor de Green Audit, bem como secretário científico do Comité Europeu sobre Riscos Radioactivos.
Para conhecer mais dados sobre o Professor Chris Busby e seus trabalhos, digitem em Google “Chris Busby Uranium“.
O Professor Busby publicou muitos artigos sobre a radiacão, o urânio e a contaminação em países tais como Líbano, Kosovo, Gaza e, por suposto, Iraq.
Seus últimos trabalhos, são os temas que se ocupou o programa emitido na Al Jazeera, e serão os que eu abordarei nestas linhas:

Faluya é uma cidade proibida. Foi submetida a intenso bombardeios em 2004 com bombas de urânio empobrecido e fósforo branco, e desde então declararam-na zona perigosa, o que significa que nem as autoridades fantoches de Iraque nem as forças invasoras/ocupantes de EEUU permitem que ninguém possa realizar nenhum estudo real do que ali sucede.

Faluya está basicamente sob assédio. É óbvio que os estadounidenses e os iraquianos sabem algo e que tratam do ocultar ao conhecimento público. E aí é onde o Professor C. Busby entra em cena.
Mas ele foi/é inflexível na busca da verdade do que ocorreu em Faluya em 2004. Por ser um dos melhores cientistas em seu campo, conseguiu uma pesquisa e passou a dirigir uma investigação em Faluya, cujos resultados preliminares publicar-se-ão em duas semanas, confio…

O Professor Busby encontrou muitos obstáculos para poder levar a cabo este projeto. Nem ele nem nenhum membro de sua equipa se lhes permitiu aceder a Faluya para realizar as entrevistas. Mas ele disse que quando a porta principal se fecha, um tem que tentar que outras portas se abram. E isto foi o que fez. Conseguiu reunir uma equipa de iraquianas de Faluya para que dirigissem as entrevistas por ele.
O projecto de investigação baseou-se em 721 famílias de Faluya com 4.500 participantes, que viviam tanto em zonas nível de radiação alto como baixo. Os resultados compararam-se com um grupo de controle: uma mostra composta pelo mesmo número de famílias que vivem numa zona não radiativa em outro país árabe. Para o estudo, elegeu outros três países para levar a cabo tal comparação: Kuwait, Egito e Jordânia.
Antes de entrar nos resultados preliminares, devo assinalar o seguinte:
As autoridades iraquianas ameaçaram a todos os participantes desta investigação com prisões e detenções se cooperassem em participar das entrevistar. Isto é, ameaçou àqueles que respondessem aos terroristas com leis anti-terroristas.
As forças estadunidenses proibiram ao Dr. Busby que recolhesse qualquer dado, sustentando que Faluya é uma zona insurgente.
Os doutores de Faluya recusaram sair ao vivo no programa de Ahmad Mansour porque tinham recebido ameaças de morte e temiam por suas vidas.
Isto é, o estudo levou-se a cabo em condições muito difíceis e com ameaças de morte. Não obstante, seguiu-se adiante.

Como não se tem descargado o programa em Youtube, não posso transcrever a entrevista palavra por palavra. Tomei breves notas a mão e memorizei o resto. Mas farei o melhor para apresentar todos os fatos que se relataram hoje.

O que os EEUU e seus fantoches iraquianos não querem que a gente saiba? E por que não permitem que se realize nenhuma medição dos níveis de radiação em Faluya e por que, inclusive, proibiram à Agência Internacional de Energia Atômica que entre em Faluya? O que se passou exatamente em Faluya? Que tipo de bombas utilizaram? Foi só urânio empobrecido ou teve algo mais?
Um aspecto que é muito característico de Faluya é que os índices de câncer têm aumentando de forma espetacular num espaço muito curto de tempo desde 2004. Exemplos oferecidos pelo Dr. Busby:
· O índice de leucemia infantil é 40 vezes mais alto desde 2004, que em anos anteriores. E comparado com Jordânia, por exemplo, é 38 vezes mais alto.
· A taxa de câncer de mama é 10 vezes superior à de 2004.
· A taxa de câncer linfático é também 10 vezes maior desde 2004.

Outra peculiaridade de Faluya é o imenso aumento nas taxas de mortalidade infantil. Comparadas com outros dois países árabes como Kuwait e Egito, que não têm contaminação radiativa, estas são as cifras:
A taxa de mortalidade infantil em Faluya é de 80 meninos em cada mil nascidos, em comparação com Kuwait, onde se dá a cifra de 9 em cada mil e no Egito é de 19 em cada mil (por tanto, a taxa de mortalidade infantil iraquiana é quatro vezes mais alta que a do Egito e nove vezes mais alta que do Kuwait).

A terceira peculiaridade de Faluya é a cifra de deformidades genéticas que tem aumentado desde 2004. Esta é uma questão que já me referi no passado. Mas hoje aprendi algo mais. A radiação com qualquer dos agentes utilizados pelas “forças de libertação” não só causa deformidades genéticas em massa senão também e isto é muito importante:
· Causa mudanças estruturais a nível celular.
· O que por sua vez provoca, devido à composição genética dos bebes masculinos (carência do cromossomo X), que os meninos corram maior risco de morte, enquanto é mais provável que as meninas sobrevivam ainda que com deformidades graves.

E há outro exemplo oferecido pelo Dr. Busby:
Antes de 2003, as taxas de nascimento em Faluya eram as seguintes: 1.050 meninos em frente a 1.000 meninas. Em 2005, só nasceram 350 meninos em frente a 1.000 meninas, o que significa que os bebes meninos não estão a sobreviver.
Quanto às meninas e aí é onde a tragédia aumenta… a radiação causa mudanças a nível de DNA, o que significa que essas mesmas meninas, se conseguirem sobreviver e se reproduzem-se mais tarde, darão a luz meninas geneticamente deformadas e meninos mortos.
Os dados expostos apoiam-se em outros estudos realizados com meninos e netos dos sobreviventes de Hiroshima (no ano de 2007), que mostram que inclusive a terceira geração apresenta malformações genéticas, incluídas diversas doenças (câncer, cardíacas, etc…) numa proporção 50 vezes superior.
Por outra parte, em Chernobyl, os estudos realizados com os animais nessa área mostraram que os efeitos da radiação modificaram geneticamente 22 gerações.

Em resumem, a radiação transmite-se de gene a gene e tem uma efeito acumulativo com o tempo (não vou entrar aqui em como essas células se acumulam e guardam memória e afetam ao sistema imunológico).

(Poderão ler mais detalhes sobre o tema uma vez que se publique o documento do professor Busby.)

Algumas das deformidades que apresentam os bebes são tão grotescas que tanto Al -Jazeera como a BBC, que produziram um documentário sobre o mesmo tema, se negaram a mostrar as fotos a seus telespectadores. Os exemplos de deformidades dos que Ahmad Mansour tem fotografias são:
Bebês nascidos sem olhos.
Bebês nascidos com dois e três cabeças.
Bebês nascidos sem orificios.
Bebês nascidos com tumores malignos no cérebro e nos olhos.
Bebês nascidos sem determinados órgãos vitais.
Bebês aos que lhes faltam extremidades ou têm mais das normais.
Bebês nascidos sem genitais.
Bebês nascidos com malformaciones cardíacas.
E mais casos ainda…

Sobre esse mesmo assunto, com motivo do estudo, pediu-se-lhes aos doutores de Faluya que indicassem as taxas de defeitos de nascimento no espaço de um mês e que o comparassem com o mês anterior e este é o resultado:
no espaço de só um mês, os nascimentos com defeitos aumentaram de um por dia (no mês anterior) para três por dia (no mês objeto do estudo, que foi o de fevereiro de 2010).
O urânio transmite-se a corrente sanguínea através da ingestão e a inalação. Se estudou e se controlou, também, o nível em massa de urânio encontrado nas pessoas de Faluya, devido ao aumento vertiginoso de gânglios linfáticos e pulmonares e câncer de mama em adultos.
Com estes achados preliminares, o Professor Busby e sua equipa chegaram à conclusão de que, em comparação com Hiroshima e Nagasaki, a situação de Faluya era pior.
E aqui cito textualmente ao Dr. Busby: “A situação em Faluya é terrível e horrenda, é mais perigosa e pior que a de Hiroshima …”
Por outra parte, e muito relacionado com o anterior, mencionei que estes são resultados preliminares, por que?

Porque o Professor Busby foi perseguido e os fundos da pesquisa foram cortados, fundos necessários para a investigação, deram-lhe com muitas portas no nariz, ameaçaram-lhe (o mesmo se passou com outros cientistas que tentaram levar a cabo estudos similares na década dos noventa em Iraque) e a comunidade científica lhe abandonou, todo isso devido à natureza de seu trabalho em Iraque.

Os envolvimentos políticos são enormes e perigosos para EEUU e seus aliados. Significa que as provas científicas de crimes de guerra estão aí, ao nosso alcance…

A vida do Professor Busby converteu-se em algo cheio de dificuldades.
Enviou à revista Lancet o documento de investigação que tantas penas lhe custou dirigir e elaborar para que o revisassem a nível de Comitê científico, mas Lancet devolveu-lhe dizendo que não tinham tempo do revisar.
Os laboratórios que cooperaram no passado para examinar as mostras, as recusaram quando souberam que vinham de Iraque. Só dois laboratórios estiveram dispostos a examinar as mostras do AGENTE/MATERIAL EXATO UTILIZADO EM FALUYA, e foi só em função de um preço exorbitante, preço justificado pela causa da natureza sensível do estudo. Também devido à carência de fundos, o Professor Busby tem 20 mostras de Faluya para examinar, que guarda zelosamente, esperando receber os fundos necessários para poder faze-lo.

Quando Ahmad Mansour, o entrevistador, lhe perguntou sobre o que lhe fazia perseverar ante os enormes obstáculos enfrentados, sua resposta foi esta: “Durante toda minha vida não fiz senão procurar a Verdade, sou um caçador da Verdade numa selva de mentiras. Também tenho filhos. Os filhos não são só nosso futuro, são os transmissores das gerações futuras. Levamos cinqüenta anos contaminando o planeta (com radiações) e essa é a herança que estamos transmitindo a nossos filhos e netos. Devemos isso ao povo de Faluya, temos que encontrar a Verdade.”
Quando perguntou como consegue se arranjar sem fundos e com todas as portas se fechando para ele, sua resposta foi:

“Confio na boa vontade da gente que envia pequenas somas por aqui e por lá, e também creio firmemente que se uma porta se fecha, outras se abrem, ainda que sejam mais pequenas. Quando há vontade para fazer algo, se encontra algum caminho.”
Tiro o chapéu para o Professor Busby. Insto a todas as pessoas que envie este escrito, a toda a gente de consciência, insto a todos para que contatem com o Professor Busby e doem-lhe o que possam para que as mostras de Faluya sejam examinadas e possa se descobrir a Verdade. E acabarei estas linhas com uma cita final deste grande homem lutador:“A Verdade tem umas asas que ninguém pode cortar”

Tenho que acabar aqui. Já está amanhecendo. Queria mostrar isto ao mundo… a pergunta que me levo à cama, se é que posso fechar os olhos, é a mesma que me estou a fazer desde 2003, por que? Que fez o povo iraquiano, que fizeram os meninos iraquianos para merecer todo isso…? As conseqüências são aterradoras…

URL del artículo : http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/07/08/faluya-peor-que-hiroshima-video/

"Rompa el aislamiento. Vuelva a sentir la satisfacción moral de un acto de libertad... Haga circular esta información".
Rodolfo Walsh


sexta-feira, 9 de julho de 2010

IRÃ É O PAÍS MAIS INSPECIONADO PELA AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA ATÔMICA



Obama, Israel e Irán




Desde as agressões dos dois Bush contra Iraque (1991 e 2003) os Estados Unidos não realizava um movimento militar na zona do Golfo Pérsico como o que está em marcha agora contra o Irã. Apesar dos grandes meios de comunicação mal tocarem no assunto e não darem maior destaque aos movimentos bélicos estadunidenses-israelenses contra o país persa, a cada dia se encontram mais evidências o indícios deles, sobretudo em fontes especializadas, e o tema é crescentemente tratado por conhecidos analistas de diferentes posturas ideológicas.

Shamus Cooke numa nota publicada em Rebelião cataloga as sanções promulgadas por Obama em 1 de julho contra Irã como um inconfundível ato de guerra. “Ao cortar o fornecimento de petróleo refinado Estados Unidos causará um dano em massa, irreparável, à economia iraniana, o que equivale a um ato de guerra”… “a estratégia neste caso é atacar economicamente o Irã até que reaja com meios militares, permitindo a Estados Unidos uma postura de falsa estatura moral, argumentando que defende-se’ já que foi a outra parte que o atacou primeiro”.

Saltam aos olhos, por sua profusa informação (e desinformação) sobre o tema, os sítios web israelenses. É o caso de Debka, portal que os experientes associam à agência israelense de espionagem Mossad. Este sítio colocou em 20 de maio, uma informação que antecipava o aumento considerável da presença militar yanqui “em frente às costas do Irã”, entre quatro e cinco porta aviões com suas potentes flotillas –já têm arribado três-, a se completar entre fins de julho e princípios de agosto.
Com um mês de antecipação Debka anunciava a chegada a essas águas do porta aviões Harry S. Truman e seu grupo de ataque, acompanhado da fragata alemã Hessen “operando sob o comando estadunidense”, justo no mesmo dia que partia de sua base em Norfolk, Estados Unidos, mas aguardava a presença entre essas naves de um navio israelense, reportado a posteriori por diversas fontes ocidentais e árabe
Noam Chomsky assinala num recente artigo em sua coluna, citando fontes árabes, que o objetivo da frota deslocada por Estados Unidos ao Pérsico é “aplicar as sanções contra Irã e supervisionar os barcos que entram e saem desse país”. O lingüista menciona este enunciado, que arrepia os cabelos, de Dão Plesh, diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Londres: Os bombardeiros e mísseis de longo alcance de Estados Unidos estão preparados para destruir 10.000 objetivos no Irã, em poucas horas.
Em fevereiro deste ano Washington anunciou a modernização de numerosas rampas para mísseis Patriot situadas em quatro estados árabes do Golfo Pérsico e o envio de várias embarcações lança mísseis para “proteger” seus navios e aeronaves de eventuais ataques aéreos ou de foguetes de Irã.
David Moon, en Asia Times, hace un detallado examen del probable ataque aéreo de Israel, por su cuenta, a las instalaciones nucleares de Irán pero en el mismo medio Victor Kotsev minimiza esa possibilidade e afirma que neste momento “parece muito provável que se ocorre um ataque, este será conjuntamente de Estados Unidos e Israel”. Acrescenta que Washington parece se ter enfrascado em operações especiais e preparativos para a “acção” em Irã. “Persistentes relatórios revelam que as forças estadunidenses se estão a concentrar ao redor do Golfo Pérsico e o Cáucaso, o mais notável,
David Moon, em Ásia Times, faz um detalhado exame do provável ataque aéreo de Israel, por sua conta, às instalações nucleares de Irã, mas no mesma mídia, Victor Kotsev minimiza essa possibilidade e afirma que neste momento “parece muito provável que se ocorrer um ataque, este será conjuntamente dos Estados Unidos e Israel”. Acrescenta que Washington parece ter se concentrado em operações especiais e preparativos para a “ação” contra o Irã.
“Persistentes relatórios revelam que as forças estadunidenses estão se concentrando ao redor do golfo Pérsico e o Cáucaso, mais notadamente, próximos ao Yemen e Azerbaiyán, e que sua força aérea e a de Israel têm estado realizando práticas conjuntas de bombardeio… Pode ser… que Estados Unidos está num curso de colisão geo-estratégica com Irã e não se sente seguro de que Israel possa fazerm sozinho o trabalho”. Kotsev recorda que Rússia reiterou que não permitirá uma guerra de envergadura cerca de suas fronteiras…
Tudo isto anuncia um panorama apocalíptico sem precedente na história das guerras, tanto pelo poderio das armas do agressor, como a previsível resposta de Irã, que vem se preparando para uma resistência tenaz por todos os meios a seu alcance.
Irã é o país mais inspecionado pela Agência Internacional de Energia Atômica e não existe prova de componente militar em seu programa nuclear.
Israel, e ao contrário, possui centos de armas nucleares, se nega a subscrever o Tratado de Não Proliferacão Nuclear e a ser inspecionado.

Obama, no meio de outras bajulações para seu hóspede Netanyahu acaba de afirmar que “não pediremos a Israel que dê passos que ponham em perigo sua segurança”…


Fuente:http://www.jornada.unam.mx/2010/07/08/index.php?section=mundo&article=024a1mun

quinta-feira, 8 de julho de 2010

AFEGANISTÃO: CRIME MOSTRUOSO CONTRA A POPULAÇÃO

A Besta Ferida

Jorge Cadima*
04.Jul.10

“A confissão pelo mais alto responsável militar de que a guerra da NATO no Afeganistão [general Stanley Mcchystal] é um crime monstruoso contra a população civil não foi considerado tema noticioso.” É com «critérios noticiosos» como este da imprensa de referência mundial que o imperialismo modela a consciência social das populações.
A guerra no Afeganistão continua a fazer numerosas vítimas. As mais numerosas são aquelas de que menos se fala: na população afegã.

Numerosas são também as vítimas entre as forças de ocupação. Mas há pesadas baixas igualmente entre os dirigentes das potências agressoras. Em Fevereiro caiu o Governo holandês, após o primeiro-ministro se recusar a cumprir a promessa eleitoral de retirar as tropas. Há semanas demitiu-se o Presidente alemão, após confessar a verdade em público: a participação da Alemanha visa defender os «interesses» do grande capital alemão. Agora foi a demissão do comandante em chefe das tropas NATO no Afeganistão, o General dos EUA Stanley McChrystal.
A causa imediata da demissão foi um artigo da revista Rolling Stone em que McChrystal e seus colaboradores disparam em todas as direcções, incluindo contra altos representantes do poder político dos EUA.
O artigo traça um quadro de profundas clivagens, revelando a causa de fundo de tanta baixa política: o fracasso completo da guerra, ao fim de nove anos de ocupação de um dos países mais pobres do planeta pelas mais ricas e poderosas potências imperialistas dos nossos dias. Dá que pensar. Segundo a Rolling Stone, «o staff do General é uma colecção escolhida a dedo de assassinos, espiões, génios, patriotas, manipuladores políticos e maníacos completos».
Quem somos nós para desmentir? O articulista afirma que o General «ficou manchado por um escândalo de abuso de presos e tortura em Camp Nama, no Iraque. […] foi extremamente bem sucedido como chefe da Joint Special Operations Command, as forças de elite que executam as mais sombrias operações do Governo. Durante a escalada no Iraque, a sua equipa matou e capturou milhares de insurgentes […] “a JSOC era uma máquina de morte” afirma o Major General Mayville, seu chefe de operações».
Mas na sua parte final, o artigo faz-se porta-voz de queixas de que o General McChrystal não deixava matar o suficiente no Afeganistão, acrescentando: «quando se trata do Afeganistão, a História não está do lado de McChrystal. O único invasor estrangeiro que teve algum êxito aqui foi Gengis Khan – e ele não estava limitado por coisas como os direitos humanos, o desenvolvimento económico e a fiscalização da imprensa».
Direitos humanos? Desenvolvimento económico? Fiscalização da imprensa? De qual Afeganistão estão a falar?
No artigo refere-se que «McChrystal admitiu recentemente que “matámos um número impressionante de pessoas”» mas corta-se a parte final da frase do General: «mas tanto quanto sei, nenhuma delas se veio a provar uma ameaça» (New York Times, 26.3.10).
A confissão pelo mais alto responsável militar de que a guerra da NATO no Afeganistão é um crime monstruoso contra a população civil não foi considerado tema noticioso.
Sendo a invasão do Afeganistão obra de Bush, é Obama que decide fazer dela a «sua guerra», com o envio de mais 50 mil soldados e a nomeação de McChrystal. Prometeram-se êxitos, incluindo «a maior ofensiva terrestre desde a guerra do Vietname». A comparação é adequada, dado o fracasso evidente. Mas seria um erro subestimar os perigos. O novo comandante das forças NATO, o General Petraeus, é autor duma «directiva secreta […] que autoriza o envio de tropas de Operações Especiais dos EUA para nações amigas e hostis […] e que pode abrir caminho a possíveis ataques militares contra o Irão […]. O General Petraeus inclui-se entre os muitos altos comandantes que defendem […] que as tropas têm de agir para além do Iraque e Afeganistão» (NYT, 24.5.10).
A capa da revista que afundou McChrystal é ironicamente simbólica. Nela surge a cantora Lady Gaga em trajes mais que menores, empunhando duas metralhadoras. De facto, o imperialismo está gágá e o Rei vai quase nu. Mas não se deve subestimar o perigo de que lance mão do seu arsenal militar para – numa deriva criminosamente aventureirista – tentar sair da sua enorme crise pela via da violência e da guerra.
http://www.odiario.info/

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A DRAMÁTICA SITUAÇÃO DOS PRESOS PALESTINOS NOS CÁRCERES SIONISTAS

Declarações de Abdel Nasser Farawana à imprensa em 29 de junho do 2010

Abdel Nasser Farawana, ex detido e diretor do Departamento de Estatística da Autoridade Nacional Palestina, participou o 24 de junho em Gaza da Conferência “A situação dos detentos palestinos nas cárceres israelenses” promovida pelo Alto Comitê para os direitos humanos de Nações Unidas e entes locais.

Farawana levou o depoimento da própria experiência na prisões israelenses e apresentou à imprensa os conteúdos do encontro.
“A tortura praticada nas prisões israelenses não procura só o abatimento psicofísico do detento senão sobretudo a destruição dos sentimentos nacionais. A tortura fez-se possível por meio de um sistema de leis e procedimentos arbitrários. Nas prisões israelenses, todos fazem parte deste sistema: médicos e enfermeiros, guardas carcerários e segurança”.

Em 1987 a Corte Suprema israelense aprovou o uso da tortura nas prisões com a fórmula: adopção de ‘pressões psicológicas e físicas moderadas’.

Tratava-se da Comissão Landau com a que Israel construiu as bases ‘legais’ para autorizar a tortura sobre os prisioneiros e sobretudo para proteger a seus oficiais e serviços de segurança, da justiça.

“Israel pratica a tortura com método e coerência, em cada fase da detenção, a partir da detenção e as humilhações das quais nossos familiares são submetidos quando vêm nos visitar, desta forma ficam expostos a esta política. Trata-se de medidas que procuram provocar impactos psicológicos e semear raiva e frustracões entre os detentos palestinos”.

É um sistema político estudado e aprovado pelo governo de Israel e no qual todos estão envolvidos: os abusos e os maus tratos que são submetidos os prisioneiros não são casuais.

Os detentos palestinos doloridos ou doentes que são conduzidos ao hospital, para atenção urgente ou intervenções, são atados de pés e mãos às camas por todo o período de internação.
“Para que isto seja tolerado é necessária a cumplicidade do pessoal médico”.

Farawana fornece as cifras atualizadas da presença e as categorias dos detentos:
Os prisioneiros palestinos em cárceres israelenses são 6800, entre os quais há 300 menores, 34 mulheres e 231 em detenção administrativa (indefinidamente prorrogadas).

  • 7 são provenientes da Faixa de Gaza e estão submetidos à ‘lei de combatentes ilegais’, e são 11 os deputados palestinos seqüestrados por Israel.
  • 309 acham-se em cárceres israelenses desde antes dos acordos de Oslo (entenda-se desde o primeiro acordo assinado em 1993, conhecido como Declaração de Princípios para o mútuo reconhecimento entre as partes).
  • 117 palestinos estão detidos faz mais de vinte anos e 19 mais de um quarto de século.

A seguir, a lista deste último grupo de detentos, com a data de detenção:

  • Nael Al-Barghouthi (Ramallah) 04-04-1978
    Fakhri Al-Barghouthi(Ramallah) 23-06-1978
    Akram Mansour (Qalqiliya) 02-08-1978
    Fawwad Al-Razem (Al Quds/Jerusalén) 30-01-1979
    Ibrahim Jaber (Al-Khalil) 08-01-1981
    Hassan Salme (Ramallah) 08-08-1982
    Othman Musleh (Salfit) 15-10-1982
    Samir, Karim e Maher Younes (Territorios Palestinos Ocupados en 1948) enero 1983
    Salim Al-Kayyal (Jaffa) 30-05-1983
    Hafez Qandas (Belén) 15-05-1984
    Eissa Abd Rabbo (Ramallah) 20-10-1984
    Ahmed Farid Shahade (Ramallah) 16-02-1985
    Mohammed Nasser (Ramallah) 11-05-1985
    Rafae Karaje (Ramallah) 20-05-1985
    Talal Abu Al-Kabash (Al-Khalil) 23-06-1985
    Moustafa Eghnimat (Al-Khail) 27-06-1985
    Ziyad Eghnimat (Al-Khalil) 27-06-1985.
    Nael e Fakhri Al-Barghouti y Akram Mansour estão em prisão desde faz mais de trinta anos.

Farawane concluiu convidando a todos os que trabalham no campo dos direitos humanos a se organizar pela libertação dos detentos palestinos e criar alternativas práticas para socorrer às vítimas palestinas da tortura israelense.
“O estado do sujeito que sofre práticas de tortura não pode encontrar reabilitação válida exclusivamente através de serviços de base que as duas autoridades palestinas (Cisjordânia e Gaza) fornecem, senão que deve ser monitorados em seu curso. Porque uma vez liberado, quem sofre a tortura, pode ser facilmente vítima de ressentimento, ostracismo, desconfiança e exclusão social”.
Traducción: Beatriz Esseddin
Original: http://www.info.uk/

ISRAEL E EUA AMEAÇAM O IRÃ



Irã assegura que tem controlados todos os movimentos no Golfo Pérsico e que em caso de agressão atacará Israel e 32 bases de EEUU em Oriente Médio, que todos seus esforços se concentrarão em fechar o Estreito de Ormuz e que os interesses de EEUU e de Israel serão atacados ao redor do mundo.

As Forças Armadas do Irã estão vigiando de perto todos os movimentos e atividades das forças estrangeiras no Golfo Pérsico e no Mar de Omán, destacou um alto comandante militar iraniano no domingo.
“As missões da Armada não se limitam a tempos de guerra. Estamos fazendo patrulhas no Golfo Pérsico e o Mar de Omán, seguindo e rastreando os movimentos das forças estrangeiras” no ar, no mar e embaixo da água “, declarou hoje o Comandante da Armada o Contra-almirante Habibollah Sayyari.

Outra missão de suas forças será a proteção dos navios iranianos de comércio, sobre esta missão disse:” têm a tarefa de proporcionar segurança plena para os navios de comércio do Irã nas águas territoriais e no Golfo de Adén”.
A Armada iraniana já havia enviado várias flotillas de navios de guerra ao Golfo de Adén para defender seus navios de cargas e petroleiros das possíveis abordagens dos piratas somalíes.

No finais de maio, uma patrulha iraniana detectou a presença de um submarino nuclear de EEUU com armas nucleares no estratégico Estreito de Ormuz, que permite o escoamento de 90 % do petróleo produzido pelos estados do Golfo Pérsico, a Ásia, EEUU e Europa Ocidental.
Os militares iranianos e servidores públicos governamentais sempre advertiram que em caso de um ataque dos EEUU ou de Israel, o país centrará suas forças militares nas 32 bases estado-unidenses no Oriente Médio e em Israel; nos interesse desses países em todo mundo e fechará o estratégico Estreito de Ormuz. Estima-se que 40 % do fornecimento mundial de petróleo passa através desta via aquática.
FARS NEWS / GS NEWS

terça-feira, 6 de julho de 2010

OBAMA, SHIMON PERES E NETANYAHU AMEAÇAM IRÃ







A grave ameaça do Irão é a mais séria crise da política externa que enfrenta a Administração Obama. O Congresso acaba de endurecer as sanções contra aquele país, com penas mais pesadas às companhias estrangeiras que ali negoceiem.

A Administração expandiu a capacidade ofensiva dos EUA na ilha africana Diego Garcia, reclamada pelo Reino Unido, que expulsou a população a fim de que os EUA pudessem construir uma grande base para atacar o Médio Oriente e a Ásia Central.

A Marinha estaduniense informou que tinha enviado para a ilha equipamento para apoiar os submarinos dotados de mísseis Tomahawk, com capacidade para transportar ogivas nucleares.

De acordo com o relatório de carga da Marinha, apanhado pelo Sunday Herald, de Glasgow, o equipamento militar inclui 387 destruidores de bunkers para fazerem explodir estruturas subterrâneas reforçadas.

«Estão a activar a engrenagem para destruir o Irão», disse a esse jornal o director do Centro de Estudos Internacionais e Diplomáticos da Universidade de Londres, Dan Plesch. «Os bombardeiros e os mísseis de longo alcance dos EUA estão preparados para destruir 10.000 objectivos no Irão em poucas horas».
A imprensa árabe informa que uma frota estadunidense (com um navio israelense) passou recentemente o canal do Suez a caminho do Golfo Pérsico, com a missão de fazer «aplicar as sanções contra o Irão e supervisionar os barcos que entram e saem desse país».

Alguns meios de comunicação britânicos e israelenses informam que a Arábia Saudita está a providenciar um corredor aéreo para um eventual bombardeamento israelense ao Irão (o que os sauditas negam).

No seu regresso de uma visita ao Afeganistão para tranquilizar os seus aliados da NATO depois da demissão do general Stanley McChrystal, o almirante Michael Mullen, responsável máximo da Junta de chefes de Estado-Maior, visitou Israel para se encontrar com o chefe de Estado-maior das Forças de Defesa israelenses, gabi Ashkenazi, e continuar um diálogo estratégico anual.

A reunião centrou-se na «preparação de Israel e dos Estados Unidos perante a possibilidade de um Irão com capacidade nuclear», de acordo com o Haaretz, que, além disso, informou que Mullen tinha enfatizado: «Procuro sempre ver os desafios numa perspectiva israelense».

Alguns analistas descrevem a ameaça iraniana em termos apocalípticos. «Os EUA deverão enfrentar o Irão ou entregar o Médio oriente» adverte Amitai Etzioni. Se o programa nuclear se concretiza, disse, a Turquia, a Arábia Saudita e outros Estados «mover-se-ão» em direcção á nova «superpotência» iraniana. Numa retórica menos acalorada, isso significa que poderia dar forma a uma aliança regional independente dos EUA.

No jornal do Exército estadunidense Military Review, Etzioni pressiona os EUA para um ataque não só contra as instalações nucleares do Irão, mas também contra os seus activos militares não nucleares, incluindo infra-estruturas isto é, sociedade civil.

«Este tipo de acção militar é semelhante às sanções: provocar danos com o objectivo de mudar posturas, ainda que por meios mais poderosos», escreve.

Uma análise autorizada sobre a ameaça iraniana é dada pelo relatório do departamento de Defesa dos EUA apresentado ao Congresso em Abril passado. Os gastos militares do Irão são «relativamente baixos em comparação com o resto da região» sustenta o documento. A doutrina militar do Irão é estritamente «defensiva (…) concebida para atrasar uma invasão e forçar uma solução diplomática das hostilidades».

O relatória diz ainda que «o programa nuclear do Irão e a sua vontade de manter aberta a possibilidade de desenvolver armas nucleares (são) uma parte central da sua estratégia de dissuasão».

Para Washington, a capacidade dissuasória do Irão é um exercício ilegítimo de soberania que interfere nos desígnios globais dos EUA. Concretamente, se ameaça o controlo estadunidense dos recursos energéticos do Médio Oriente. Mas a ameaça do Irão vai mais além da dissuasão. Teerão também está a procurar expandir a sua influência na região, o que é visto como um factor de «desestabilização», presumivelmente em contraste com a «estabilizadora» invasão e ocupação militar estadunidense dos vizinhos do Irão.
Para além desses crimes prossegue o relatório do Pentágono,o Irão está a apoiar o terrorismo com o seu apoio ao Hezbollah e ao Hamas, as maiores forças políticas do Líbano e da Palestina (se é que as eleições contam).
O modelo de democracia no mundo muçulmano, apesar dos seus sérios defeitos, é a Turquia, que tem eleições relativamente livres. A Administração Obama indignou-se quando a Turquia se aliou ao Brasil na procura de um compromisso com o Irão para que restringisse o seu enriquecimento de urânio.

Os EUA minaram rapidamente o acordo promovendo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU com novas sanções contra o Irão, tão carentes de sentido que a China logo as apoiou alegremente, assumindo que, quando muito, impediriam os interesses ocidentais de concorrer com a China nos recursos do Irão. E sem qualquer surpresa, a Turquia (tal como o Brasil) votou contra a iniciativa dos EUA. O outro membro do Conselho de Segurança da região, o Líbano, absteve-se.

Estas actuações provocaram ainda maior consternação em Washington. Philip Gordon, o diplomata mais prestigiado da Administração Obama em assuntos europeus, advertiu a Turquia que as suas acções não são compreendidas nos EUA e que deveria «demonstrar o seu compromisso de parceiro do Ocidente», segundo informou a Associated Press. Uma admoestação rara a um aliado crucial da NATO.

A classe política também assim pensa. Steven A. Cook, um perito do Conselho de Relações Exteriores, defende que a pergunta crítica é: «Como manter os turcos dentro dos carris?» - ou seja, como bons democratas obedecerem às ordens. Não há indícios de que outros países da região sejam mais favoráveis às sanções promovidas pelos EUA que às posições da Turquia.

O Paquistão e o Irão, reunidos em Ancara, assinaram recentemente um acordo para um novo gasoduto. O mais preocupante para os EUA é que o gasoduto possa estender-se à Índia. O tratado de 2008 entre os EUA e a Índia, apoiando os seus programas nucleares, pretende evitar que este país se una ao gasoduto, de acordo com Moeed Yusuf, um assessor em assuntos subasiáticos do Instituto da Paz dos EUA.
A Índia e o Paquistão são dois dos três países que recusaram assinar o Tratado de Não Proliferação (TNP). Israel é o terceiro. Todos eles desenvolveram armamentos nucleares com o apoio dos EUA, e continuam a fazê-lo.
Ninguém de bom senso quer que o Irão, ou qualquer outro país, desenvolva armas nucleares. Uma maneira óbvia de mitigar ou eliminar esta ameaça consiste no estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Médio oriente. Este tema foi levantado (uma vez mais) na conferência do TNP nas Nações Unidas em começos de Março passado.

O Egipto, como presidente do Movimento dos Não Alinhados [WINDOWS-1252?]– constituído por 118 países propôs que a conferência apoiasse um plano de início das negociações em 2011 propôs um Médio Oriente livre de armas nucleares, como foi acordado pelos países ocidentais, incluídos os EUA, na conferência do TNP de 1995. Formalmente, Washington ainda está de acordo, mas insiste que Israel fique isento e não há qualquer elemento que permita dizer que as deliberações do pacto se apliquem aos EUA.
Em vez de dar passos efectivos para a redução da escaldante ameaça de proliferação de armas nucleares no Irão ou em qualquer outra parte, os EUA movimentam-se no sentido do seu controlo das vitais regiões produtoras de petróleo do Médio Oriente, de forma violenta, se não puder ser de outra maneira.
* Noam Chomsky é professor de linguística do MIT (Massachusetts Institute of Technology). > Este texto foi publicado no diário espanhol Público e pode ser consultado em http://blogs.publico.es/noam-chomsky/10/nubes-de-tormenta-sobre-iran/
Tradução de José Paulo Gascão

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ni’lin, exemplo da ocupação ilegal de Israel

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/especiais/brasil-de-fato-na-palestina/ni2019lin-exemplo-da-ocupacao-ilegal-de-israel/view

Cidade da Cisjordânia cortada pelo muro e colônias teve quase 90% de seu território tomado pelo Estado de Israel desde 1948

11/06/2010
Dafne Melo
da enviada a Ni’lin (Palestina)
Ouvir a história de uma família palestina é necessariamente ouvir histórias de como o Estado de Israel roubou casas e terras dos palestinos. No país, não há uma pessoa sequer que não tenha um caso de desalojamento forçado dentro da família para contar, muitas vezes mais de um caso, muitas vezes sendo o próprio interlocutor uma das vítimas da ocupação sionista.
Ni’lin é apenas um dos inúmeros casos. A cidade fica no interior da região comumente chamada de Cisjordânia, próxima Ramallah, onde está a sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP). “Nós palestinos não usamos a palavra “cisjordânia”, que é a que eles usam para nos designar, mas sim Daffa”, conta Taicir Karaja, brasileiro de pais palestinos, nascido em Venâncio Aires, Rio Grande do Sul.
De acordo com o acordo de Oslo, firmado em 1993 entre o governo de Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), então presidida por Yasser Arafat, toda a região da Cisjordânia ficaria sob comando da ANP, sendo Israel obrigado a retirar todas as suas tropas da região (bem como da Faixa da Gaza). O muro construído por Israel, porém, não respeita a fronteira, além do Estado sionista continuar construindo colônias em toda região. Uma delas, Matityahu, tem até mesmo uma página na internet (www.matityahu.org). O mapa não leva em consideração a parte árabe da região, nem nomeia as cidades palestinas.
Apartheid
Ahmad Jaradar, do Centro de Informação Alternativo (AIC, sigla em inglês), afirma que hoje existem cerca de 500 mil colonos em 145 colônias na Cisjordânia. “Daffa está totalmente recortada por colônias israelenses, de norte a sul, de leste a oeste, cortando a comunicação entre as cidades palestinas”, conta.
Em Ni’lin, além do muro, uma estrada construída para atender a colônia corta a cidade. Aos palestinos não é permitido o acesso a essas estradas, geralmente cercadas com arame farpado e que contam com os chamados “check points”, barreiras militares construídas por Israel para barrar a circulação dos palestinos. O controle nas estradas também é feito pelas placas. As amarelas, de Israel, podem circular por todo território, já as brancas, da ANP, têm acesso restrito.
Fuad Khauadja, da União de Comitês Agrícolas, conta que as estradas e o lugar onde foram construídas as colônias impedem o acesso dos agricultores a suas próprias terras, impossibilitando a atividade agrícola, mais precisamente na região, o cultivo de oliveiras. Taicir, que vive na cidade vizinha de Saffo, conta que o muro fez com que ele perdesse 70% de sua plantação.
O muro, porém, é apenas um capítulo mais recente da história da ocupação ilegal da cidade palestina. Para se ter uma ideia, antes da primeira ocupação israelense, em 1948, a cidade tinha cerca de 57 mil metros quadrados. Hoje, restaram aos árabes apenas 7 mil metros quadrados. O resto foi todo tomado pelo Estado israelense.
Expulsão e controle
Outro dado que mostra o processo de expulsão dos palestinos da área é o do crescimento populacional. Em 1948, havia 2.500 habitantes. Mais de 60 anos depois, a cidade possui apenas 5 mil, um crescimento pequeno para a quantidade de tempo transcorrido. Cálculos apontam, afirma Khauadja, que se Ni’lin tivesse seguido um crescimento natural, essa população deveria estar em torno de 30 mil. “O que Israel quer é pressionar o povo palestino para que a gente saia daqui. O único motivo do muro é esmagar o povo palestino, não tem nada a ver com segurança”, afirma.
Hoje, quase 90% do muro está pronto. “Como constroem colônias ilegais no meio de cidades palestinas, o governo israelense ainda tem projetos de construir pontes e estradas monitoradas pelo Exército para facilitar a locomoção dos colonos sem que tenham que passar pelas cidades e povoados palestinos, o que na prática significa mais ocupação, mais roubo de terras”, aponta Khauadja.
Hoje, as colônias não são habitadas exclusivamente por judeus. Israel dá incentivos aos judeus de todo mundo para que venham morar em Israel, oferecendo casa e emprego. Nos últimos anos, porém, devido a diminuição da migração judaica, o Estado sionista tem dado incentivo à imigração de russos, habitantes do leste europeu e latino-americanos. A ideia é não prescindir da mão-de-obra palestina. Ahmad Jaradar, do Centro de Informação Alternativo, explica que nem todos os colonos têm motivação ideológica e religiosa para imigrar. “Grande parte vem apenas por razões econômicas”, afirma.

Violência de Israel faz parte do dia-a-dia do povo palestino

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/especiais/brasil-de-fato-na-palestina/violencia-de-israel-faz-parte-do-dia-a-dia-do-povo-palestino/view

Todas as sextas-feiras, cidades palestinas da Cisjordânia realizam manifestações em frente ao muro construído por Israel

10/06/2010
Dafne Melo enviada a Ni’lin (Palestina)


Para os muçulmanos, a sexta-feira é um dia sagrado, assim como o domingo para os cristãos e o sábado para os judeus. Ao meio-dia, pelos alto-falantes colocados na torre de cada mesquita, começa a ecoar uma oração. É o chamado para que a comunidade vá até a mesquita, não só para rezar, mas também para onde será feito o khutbah, uma espécie de sermão onde são discutidas inclusive questões sociais e políticas ligadas à comunidade.


Desde o início da construção do muro pelo Estado de Israel (ver box), o ritual religioso é seguido por uma manifestação política em diversas cidades da Cisjordânia por onde passa o muro. Esse é o caso de Ni’lin, próxima à cidade de Ramallah, bem como de diversas outras na Cisjordânia. Hoje há manifestações, tradicionalmente, em todas as cidades por onde passa o muro e também em cidades onde há ocupação sionista, como Hebron.


No dia 4 de junho, além das bandeiras palestinas, bandeiras turcas decoraram a marcha, em apoio ao governo da Turquia e aos ocupantes da flotilha atacada por Israel no dia 31 de maio, quando nove ativistas foram assassinados e dezenas de pessoas ficaram feridas, em mais uma ação militar do Estado de Israel.


Ritual


Pouco tempo depois do chamado, dezenas de pessoas começam a se concentrar, não na mesquita, mas em um terreno a mais ou menos 1,5 quilômetro do muro. Ainda na cidade, no caminho até o terreno, Fuad Khauadja, da União de Comitês Agrícolas, que acompanha a reportagem do Brasil de Fato, para em uma venda onde um jovem com cerca de 16 anos se levanta da cadeira para cumprimentá-lo com dificuldade. Com a muleta nas mãos, trocam algumas palavras. “Ele levou um tiro em uma das manifestações de sexta-feira, na região do abdômen e na perna, e por isso tem dificuldade para andar”, conta.


Já no terreno, grupos de pessoas vão se sentando abaixo das oliveiras, para se proteger do sol, aguardando o chamado para rezar. Depois, se dispõem em três fileiras grandes em frente ao líder religioso e por pouco mais de dez minutos oram e, em seguida, caminham em marcha até um terreno inclinado, cheio de pedras, oliveiras e restos de bombas de gás lacrimogêneo usadas em outras sextas-feiras.


Adultos com crianças seguem até certa parte da caminhada. Na medida em que o grupo se aproxima do muro, soldados israelenses começam a atirar as bombas de gás lacrimogêneo com morteiros por detrás do muro. Uma parte do grupo se retira e alguns, na maioria os mais jovens, com fundas nas mãos, começam a atirar pedras para o outro lado do muro. Hoje, o vento forte está a favor dos palestinos. O gás se dispersa rápido e leva o gás em direção aos soldados.
Força desigual


Um dos símbolos do judaísmo é a estrela de David, personagem bíblico que derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Agora, quem empunha a pedra contra o gigante são os palestinos. “A passeata é pacífica, mas para eles não existe 'pacífico'. É sempre assim, quando chegamos perto do muro já começam a atirar gás. A maioria recua, alguns jovens ficam para atirar pedras”, explica Taicir Karaja, brasileiro filho de palestinos que vive há dez anos na cidade vizinha de Saffa.


Algumas vezes, os soldados saem detrás do muro, fortemente armados, e disparam contra os manifestantes. Fuad Khauadja conta que, desde o início da construção do muro, 80 pessoas de Ni’lin foram presas e cinco pessoas foram assassinadas. Um deles, um menino de 10 anos, Ahmed, que brincava com outras crianças após a manifestação. Segundo testemunhas, um soldado israelense foi até o lugar e disparou contra o menino com uma metralhadora à queima-roupa, na cabeça. Nada foi feito, nenhuma punição foi realizada. “Israel é um Estado que não obedece a nenhuma lei, faz o que quer, nunca é punido, não importa o que faça”, diz, com revolta, Taicir.


Khauadja afirma que as manifestações já deixaram um saldo de 150 feridos, sendo que 25 deles têm seqüelas, tal como o jovem que encontramos no caminho da manifestação. “Eles procuram atirar em regiões do corpo onde há ossos, para deixar seqüelas”, denuncia Khauadja.


O Crescente Vermelho Palestino, ligado à Cruz Vermelha, mantém ambulância e profissionais equipados com macas e máscaras para proteger do gás ao lado da manifestação. Hoje, felizmente, nenhum ferido.


O muro do apartheid israelense


A construção do muro iniciou-se em 2002, ainda sob o governo de Ariel Sharon. O objetivo foi separar a Cisjordânia do restante do território. A construção, entretanto, não respeita as fronteiras da Cisjordânia, conhecida como Linha Verde, definida no armistício de 1967. A obra também descumpre o Acordo de Oslo, de 1993. Apenas cerca de 20% do muro coincide com a Linha Verde; os 80% restantes situam-se em território de Daffa – ou Cisjordânia. A obra é vista como um símbolo do apartheid a que Israel submete os palestinos, além de mostrar o total descumprimento e descaso do Estado sionista em relação às resoluções internacionais. Embora diversas organizações internacionais tenham condenado o muro, Israel não sofreu nenhuma punição. (Leia mais na edição 380 do Brasil de Fato).